A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

EVENTO ESTRESSOR

A preparação para as provas gera ansiedade e quanto maior a tensão, pior será o desempenho em uma avaliação.

Evento estressor

Desde o nascimento, o ser humano já está exposto a diferentes situações que se apresentam como desafios que geram crescimento e desenvolvimento positivo frente à vida. Em vários momentos, ele também se depara com eventos que excederão a sua capacidade percebida para lidar com isso, podendo gerar esgotamento e ansiedade. Embora também tenha sido vivenciado por nossos antepassados, o estresse tem afetado grande parte da população atual, estando fortemente presente na vida moderna.

Ele é entendido como uma ruptura da homeostase que não ocorre apenas frente a estímulos aversivos, mas também como uma reação intensa do organismo frente a um evento que altere a vida, seja ele negativo ou não. Assim, o estresse desenvolve-se à medida que as exigências se tornam superiores à capacidade das pessoas de manejá-las ou superá-las, impossibilitando-as de criar estratégias para enfrentá-las adequadamente.

Há dois tipos de estresse: o negativo, que é repetitivo, prolongado, paralisa, transtorna e exaure, e o positivo, que impulsiona e dá forças. Respostas positivas aos estímulos estressantes são consideradas como crescimento e desenvolvimento intelectual e emocional, chamado de eustresse. O esforço de adaptação gera sensação de realização pessoal, bem-estar e satisfação, mesmo que decorrente de esforços inesperados, sendo desencadeado por situações tensas, mas sadias. Já a resposta negativa, chamada de distresse, é causada por situações danosas, podendo ser passageira ou prolongada.

Um evento pode ser entendido como irrelevante, benigno ou estressante. São consideradas fontes estressoras aquelas que têm o efeito de interferir na dinâmica da vida do organismo, o qual tenta adaptar-se ao evento estressor e, nesse processo, utiliza grande quantidade de energia. Quando a resposta é de intensidade e tempo limitados, o organismo consegue adaptar-se a ela; porém, quando a intensidade ou a duração de tempo ultrapassam a capacidade das pessoas, o estresse pode gerar como consequência distúrbios psiquiátricos e/ou outras doenças. Alguns estímulos terão a resposta de estresse vinculada à capacidade física e ao estado geral de saúde do organismo, como, por exemplo, temperaturas extremas, privações diversas (alimento, água, sono etc.) e traumas físicos, sendo que, dentro de uma estreita faixa de variabilidade, provocam respostas de estresse em praticamente todo o organismo a ele exposto.

O evento estressor, por si só, não tem a capacidade de determinar o nível de estresse, uma vez que cada pessoa irá enfrentá-lo de maneira diferente. O nível de estresse dependerá da avaliação e da interpretação subjetivas que cada um faz, estando as respostas comportamentais e cognitivas nele envolvidas. Durante o processo de avaliação, há uma tendência de interpretar as situações como mais perigosas do que realmente são. Nesse caso, o estressor é o próprio pensamento que, em função de crenças e regras aprendidas através das experiências de vida, pode relacioná-las a um novo evento e interpretá-lo como ameaçador ou não. Portanto, ao depender de uma relação entre exigência e meios in­ ternos ou externos disponíveis, as reações ao estresse são determina­ das pela capacidade do organismo em atendê-las.

O organismo sempre tenta adaptar-se ao evento estressor e, nesse processo, utiliza grandes quantidades de energia adaptativa. A reação ao estressor faz com que o organismo se modifique fisiologicamente para lidar com um ataque, alterando temporariamente a forma somática para uma ação de “luta ou fuga” que permite ao organismo dirigir toda a sua energia ao manejo da ameaça. Quando cessa a ameaça, o organismo volta ao seu estado de atividade normal; porém a capacidade de uma pessoa para suportar o estresse tem um limite. A resposta aos eventos estressores depende das forças de resistência, da necessidade de desafios, das exigências externas, dos traços de personalidade, das percepções de apoio social e do estado de saúde (equilíbrio orgânico e mental) em que se encontra o indivíduo. Fatores como estilo de vida, experiências prévias, atitudes, valores, doenças e predisposição genética também são importantes no desenvolvimento desse processo. O estresse prolongado provoca cansaço e tensão em níveis físico e mental, aumentando o risco de se contraírem problemas de saúde. Entre as respostas fisiológicas ao estresse, observa-se a ativação do sistema nervoso autônomo e do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), embora outras áreas altamente complexas do cérebro também sejam recrutadas, como aquelas que regulam os processos de memória, o aprendizado e a tomada de decisão.

Evento estressor. 2

RESISTÊNCIA E EXAUSTÃO

A síndrome de adaptação geral (SAG) é um padrão consistente de respostas ao estresse, que foi dividido em três estágios: alerta, resistência e exaustão. O primeiro estágio, o de alerta ou alarme, é uma reação inicial diante de um estímulo estressor, considerando a fase positiva da resposta, visto que prepara a pessoa para enfrentar a situação e, em seguida, retomar o equilíbrio. As respostas fisiológicas negativas, nessa fase, incluem aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, tensão muscular, insônia, entre outras. As respostas fisiológicas positivas compreendem o aumento da atenção e velocidade de pensamento, além do aumento súbito da motivação.

Caso o estressor não seja eliminado, o organismo passa para a segunda fase, a de resistência, em que a pessoa tenta adaptar-se gastando muita energia para lidar com o fator estressante. Nessa fase, as defesas do organismo são preparadas para um ataque mais longo, predominando a reação passiva na busca pela adaptação. Os sintomas observados nesse período incluem hipertensão arterial, isolamento social, queda de produtividade e criatividade, cansaço, diminuição da libido, dificuldade de atenção e problemas com a memória. Quanto maior o tempo gasto na busca da homeostase interna, maior será o desgaste; persistindo a situação estressante, a capacidade do organismo pode exceder e levar ao terceiro estágio, isto é, o da exaustão.

Evento estressor. 3

PATOLOGIAS ORGÂNICAS

Nessa fase, devido ao forte desgaste do organismo, podem surgir patologias orgânicas e psíquicas, e ocorrer sintomas semelhantes aos do primeiro estágio, embora com magnitude maior e irreversível. Além disso, se o estressor permanecer atuando, as reservas de energia do corpo serão reduzidas, ocasionando um fracasso adaptativo que pode, eventualmente, levar à morte. As patologias apresentadas nesse estágio incluem doenças cardíacas e autoimunes, síndrome de Burnout, depressão, entre outras.

Estudos identificaram uma quarta fase, chamada de quase exaustão, que se situa entre as fases de resistência e exaustão. Ela provoca uma forte sensação de esgotamento no indivíduo, aumentando a chance de descontrole emocional e enfraquecimento do organismo, gerando vulnerabilidade ou adoecimento inicial não tão grave. É importante ressaltar que a pessoa nem sempre passa pelas quatro fases e/ou apresenta todos os efeitos, mesmo em casos extremos. O indivíduo só atingirá a fase de exaustão quando o estressor for muito grave e frequente, impedindo-o de desenvolver habilidades para se adaptar à situação.

O estresse, em níveis apropria­ dos, aumenta a eficiência e o desempenho. Presente no cotidiano, trata-se de um mecanismo normal, necessário e benéfico, que proporciona maior atenção e sensibilidade frente a situações de perigo ou dificuldade, fazendo com que ele se esforce para vencer tais obstáculos. Embora o estresse seja eficaz até certo limite, a sobreposição dessas respostas nos níveis físico, cognitivo e comportamental, quando ultrapassada, pode gerar um efeito desorganizador. Especificamente, isso abrange o grau em que as pessoas experimentarão o estres­ se diante da perspectiva de uma situação de desempenho, da avaliação cognitiva e das exigências da situação, somadas à crença de dispor ou não dos recursos necessários para lidar com tudo isso.

Quando o indivíduo interpreta o evento como ameaça, prejuízo ou desafio, está fazendo um julga­ mento sobre o que a situação exige dele, tentando conhecer o que há de prejudicial ou benéfico, relevante ou irrelevante para si, fazendo uma avaliação primária dos fatos. Por outro lado, quando tenta administrar o evento analisando os próprios recursos, o seu envolvimento emocional e os resultados esperados nesse processo para evitar consequências prejudiciais e/ ou antecipar os aspectos benéficos, ele está realizando uma avaliação secundária.

Já a ansiedade, trata-se de um estado emocional desconfortável caracterizado por pressentimento de perigo iminente, atitude de espera em relação ao perigo, desestruturação ante o perigo, com sensação de estar desprotegido. É um medo sem objetivo, uma situação ou uma imagem mental, o indivíduo que a experimenta sabe que não se trata de uma ameaça objetiva. A ansiedade é uma resposta de adaptação do organismo que é propulsora do desempenho e possui componentes psicológicos e fisiológicos. Trata-se de um esta­ do emocional transitório ou uma condição do organismo humano, caracterizado por sentimentos desagradáveis de tensão e apreensão, conscientemente percebidos. As respostas orgânicas à ansiedade leve determinam o aprendiza­ do. Entretanto, a concentração, o aprendizado e a percepção aumentam ou são distorcidos quando ocorre um aumento na intensidade da ansiedade.

Em função disso, ocorrerão prejuízos que podem ser cognitivos (como pensamento e conhecimento), emocionais (como sentimentos, emoções e personalidade) ou comportamentais (relacionados igualmente aos fatores cognitivos e afetivos). Os efeitos cognitivos do excesso de estresse envolvendo desempenho estão ligados ao decréscimo da concentração e da atenção. O aumento da desatenção e a deterioração da memória de curto e longo prazo diminuem não apenas a sua amplitude, mas também a lembrança, o reconhecimento e as capacidades de organização e planejamento. A velocidade real de resposta reduz-se, aumentando o índice de erros, ilusões e distúrbios de pensamento que prejudicam a objetividade e o poder de crítica, tornando confusos e irracionais os padrões de pensamento.

Entretanto, as lembranças de uma pessoa podem ser incompletas, distorcidas ou até mesmo apresentar uma tendência específica, não sendo incomum observar a mesma lembrança ocorrer de modo diferente entre pessoas diversas. Por essa razão, é muito importante observar a memória individual, visto que uma mesma história tem várias facetas, sendo que cada pessoa guarda e recupera determinado fato de forma não igual. Com isso, demonstra-se que a memória não funciona como uma filmadora por meio da qual sempre se obtêm os dados objetivos fielmente aos fatos. A memória é uma história que a cada momento poderá ser modificada com novos fatos e relatos.

Evento estressor. 4

BOA MEMÓRIA

A memória bem treinada é uma ferramenta básica para se obter um bom rendimento, assim como em toda e qualquer área intelectual. O indivíduo precisa desenvolver a capacidade de testar conhecimentos memorizados e habilidades aprendidas, o que pode ser alcançado com a ajuda de instrumentos adequados, tais como provas ou testes bem elaborados e abrangentes. Uma memória clara, precisa e rápida será fundamental para se trabalhar com tranquilidade e eficiência.

Sabe-se, contudo, que não basta ter uma inteligência genial ou uma espetacular capacidade de improvisar se não estiverem bem gravadas e prontamente acessíveis na memória as informações pertinentes e necessárias para se resolver os problemas nos momentos certos. Se não estiverem gravados na memória os resultados que se deseja obter e os processos necessários para realizar os objetivos, será impossível fazer uma escolha racional, segura e bem-sucedida. Para muitas pessoas, pode ser habitual estudar por obrigação, e não por prazer; apesar disso, uma boa memória não dispensa a capacidade de análise crítica dos fatos. De modo simples, pode-se dizer que aprender é memorizar, sejam dados ou procedimentos, de sorte que essas informações sejam facilmente lembradas quando se precisar delas. Se as pessoas tentarem memorizar agrupando informações desordenadamente, terão dificuldades para lembrar.

Evento estressor. 5

A AUTOEFICÁCIA

A auto eficácia é considerada um dos mecanismos psicológicos que compõem a motivação, mas não basta que as capacidades estejam presentes; a pessoa precisa acreditar que possui tais capacidades e, com isso, organizar e executar linhas de ação, com a expectativa de poder alcançar determinado objetivo. As pessoas que têm crenças funcionais em sua eficácia pessoal acreditam dispor das competências necessárias ou ser capazes de assumi-las para alcançar seus objetivos e melhorar seu desempenho. As diferentes respostas poderão ser geradas frente ao mesmo estímulo e que exigências internas e externas contribuirão nesse processo.

A ansiedade, o estresse e o desempenho estão intimamente ligados, pois quanto maior a ansiedade e o estresse pior será o desempenho. Quando falamos em desempenho estamos nos referindo à preparação para provas em geral, incluindo vestibular, Enem, prova da OAB, residência médica, concursos, entre outras, bem como a uma entrevista de emprego a qual o candidato, muitas vezes, está sem trabalho há um tempo, com seu estresse elevado, podendo fazer uma entrevista não satisfatória para conseguir a vaga pretendida. O crescente aumento de estímulos, da competitividade e das exigências com as quais se confronta esse modo de vida acarreta um acúmulo de obrigações que exige grande flexibilidade e capacidade de adaptação. Diante das inúmeras situações de aprendizagem e desempenho, nas quais o estresse é necessário em níveis aceitáveis, observa-se que está cada vez mais elevado e dificulta o rendimento esperado por cada pessoa em sua trajetória de ensino e trabalho.

O autoconhecimento é o maior recurso para aprender a lidar com a ansiedade e com o estresse, no intuito de “tirar” o melhor deles na busca de um desempenho satisfatório. O apoio externo pode fazer a diferença nessa caminhada, pois sabe-se que pessoas com redes adequadas de apoio social relatam me­ nos estresse e melhores condições de saúde mental em comparação àquelas sem adequado suporte social. Além de auxiliar nas situações de estresse, como resolver conflitos e tomar decisões, a função social propõe modos de conduta adequada. Diminuindo o estresse e a ansiedade, automaticamente resultará em excelentes resultados.

Evento estressor. 6

LEI DE YERKES E DODSON

Em 1908, Yerkes e Dodson foram os primeiros cientistas a medir a relação entre estresse e desempenho com a chamada Lei de Yerkes-Dodson. Segundo os pesquisadores, a relação positiva entre eficiência e desempenho não se prolonga indefinidamente. Na medida em que as situações exigem ajustamentos constantes, o estresse pode ultrapassar um limite de   tolerância, o que contribui para reduzir o desempenho, a eficiência e até mesmo a saúde. Assim, os efeitos percebidos psicologicamente como necessários e benéficos podem ser positivos ao desempenho; todavia, quando ultrapassados, esgota- se a energia psicológica, extrapolando a capacidade de adaptação do sujeito e prejudicando o seu desempenho. Isso faz com que muitas vezes, o indivíduo sinta-se inútil e desvalorizado, com finalidade reduzida e objetivos inatingíveis.

OUTROS OLHARES

ONDE AS RELIGIÕES SE ENCONTRAM

Na Casa da Reconciliação, representantes de diversas crenças unem-se para mostrar que é possível conviver pacificamente mesmo quando a fé é diferente.

Onde as religiões se encontram

O riso corre solto entre o cônego José Bizon, o judeu Raul Meyer, o muçulmano Atilla Kus e Ruth Junginger de Andrade, membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como Igreja Mórmon. É hora da foto que ilustra esta reportagem e o quarteto se diverte enquanto tenta seguir a orientação do fotógrafo. Eles estavam na sala de estar da Casa da Reconciliação, em São Paulo, um lugar pertencente à Igreja Católica aberto ao diálogo inter-religioso. Dito assim, de maneira mais formal, parece algo burocrático. Quem conhece o lugar e os vê juntos, brincando uns com os outros, descobre o que é na prática o significado do respeito à crença alheia e, principalmente, que é possível conviver com o diferente. Afinal, apesar das distinções entre as religiões, todos eles desejam a mesma coisa: “tikun olam’, a expressão judaica que significa trabalhar para melhorar o mundo e tomá-lo mais harmonioso. “Esta é a lição mais importante do nosso trabalho”, afirma Bizon.

Além dos católicos, judeus e muçulmanos, participam das atividades representantes de outras religiões de origem cristã, como os mórmons e os luteranos, de raízes africanas, como a umbanda e a ioruba, e também do budismo. O objetivo é divulgar às pessoas que o amor ao próximo é o denominador comum às religiões e não o contrário. “O desconhecimento das pessoas em relação às religiões é o grande problema”, diz Raul Meyer, diretor da Federação Israelita de São Paulo na área do Diálogo Inter-religioso. “Há a formação de uma minoria que radicaliza enquanto a maioria silencia.”

Onde as religiões se encontram. 2

COMBATE AOS ATAQUES

O mundo, de fato, está repleto de um ódio religioso que grita nas redes sociais e que, de tempos em tempos, produz tragédias em nome de Deus. A última aconteceu na sexta-feira 15, na Nova Zelândia, quando um atirador matou 50 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch. O sentimento de raiva está calcado em falta de informação e em estereótipos sem sentido, como o de que muçulmanos são terroristas. Nada está tão longe da religião, fundamentada na prática do amor e na valorização da vida. “Quando alguém de nossa religião mata, ele perde sua essência de muçulmano porque, para nós, ser muçulmano significa respeitar a vida”, explica o turco Atilla Kus, secretário-geral do Centro Islâmico e de Diálogo Inter-religioso e Intercultural.

Até há alguns anos, o Brasil parecia estar distante das ondas de ódio religioso. No entanto, o fenômeno ganha terreno aqui e tem como alvo principal as religiões de matriz africana. Segundo o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos humanos, entre 2011 e 2016 as denúncias de intolerância religiosa cresceram 4.960% no País. A maioria dos ataques (178) foi contra integrantes de crenças de raiz africana. Às vezes, a impressão é que se trata de uma guerra na qual só o lado da raiva é vitorioso. Mas trabalhos como os da Casa da Reconciliação evidenciam que há uma contrapartida forte transmitindo a mensagem da convivência pacífica. “Somos todos filhos de Deus que podem se unir em favor do amor e não do ódio”, diz Ruth de Andrade, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E conviver significa respeitar as diferenças de práticas. “Quando me encontro com a mãe de santo, peço a sua benção”, conta a monja Heishin, praticante do zen-budismo.

Todos os meses, eles reúnem as famílias em um almoço para o qual cada um leva pratos comuns às suas origens. No início, há cerca de dois anos, havia certo estranhamento entre judeus e muçulmanos. Hoje, homens, mulheres e crianças interagem como amigos, demonstrando que nenhuma distinção religiosa torna um ser humano diferente ou melhor do que o outro. As mulheres, inclusive, preparam um livro com receitas de refeições partilhadas nos encontros. Praticantes de outra fé já participaram do Ramadã, período no qual os muçulmanos jejuam de dia e alimentam-se depois do pôr do sol. Eles são convidados pela comunidade, que tem o cuidado, inclusive, de incluir no cardápio a comida kosher consumida pelos judeus. É com gestos assim que o ódio religioso será combatido. Ou com atitudes como a da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Um dia após os ataques, ela foi até os familiares das vítimas. Cobrindo a cabeça com um lenço preto disposto como o hijab das muçulmanas, ela não falou nada. Apenas abraçou os que sofriam, levando a eles, em cada abraço, a solidariedade

Onde as religiões se encontram. 3

GESTÃO E CARREIRA

O QUERIDINHO DA TURMA

Sabe aquele profissional bacana e admirado por todos em cenários econômicos cada vez mais desanimadores, são eles – os carismáticos – que se destacam. Dá para adotar essa atitude no trabalho, mas é preciso tomar cuidado para não forçar a barra.

O queridinho da turma

Há anos pesquisas e consultores de carreira apontam o carisma como uma habilidade importante para o desempenho profissional de alguém. Segundo Rohit Bhargava, professor da Georgetown University, em Washington, nos Estados Unidos, e ex- vice-presidente da Ogilvy, pessoas carismáticas têm mais chances de ser bem-sucedidas nos negócios. No seu livro intitulado Likeonomics: The Unexpected Truth Behind Earning Trust, Influencing Behavior and lnspiriting Action (Likeonomics: A Inesperada Verdade por Trás de Conquistar Confiança, Influenciar o Comportamento e Inspirar a Ação, em tradução livre, sem edição em português), lançado em 2012, ele defende que o carisma é um tipo de inteligência emocional que envolve a capacidade de ler corretamente as pessoas e se relacionar com elas.

Essa habilidade é o que diferencia, principalmente, os profissionais que almejam posições de liderança. “Hoje em dia, um grande número de pessoas fala duas línguas, tem uma boa formação e o mesmo nível técnico. Entretanto, nem todos possuem a habilidade de se conectar e influenciar colegas, o que também gera valor para as empresas”, afirma Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional (SBie), de São Paulo. “O carisma e a capacidade de motivar as pessoas é o que faz os líderes se tornarem inspiradores e entregarem resultados, mesmo em momentos de crise.”

E no atual momento de recessão e dificuldades econômicas, em que muitas empresas estão passando por reestruturações e cortando custos, gerando ambientes de muita pressão, o carismático passa a ser mais valorizado. “Mesmo que o profissional não exerça um cargo de liderança, ele pode ter a habilidade de envolver os colegas nos momentos difíceis, o que melhora o clima e pode trazer ganhos futuros de carreira”, diz Rafael Souto, Presidente da Produtive, consultoria com sede em São Paulo.

Muito se engana, porém, quem acredita que essa característica seja algo totalmente natural, impossível de ser desenvolvido ao longo da vida. “Pequenas atitudes diárias podem tornar até mesmo as pessoas mais tímidas um pouco mais carismáticas. Respeitando os próprios limites e sem querer mudar radicalmente é possível adquirir essa competência”, diz Renata Di Nízio, fundadora da Casa da Comunicação, consultoria especializada em treinamentos, de São Paulo.

 

6 TÉCNICAS PARA SE TORNAR MAIS CARISMÁTICO

Atitudes diárias que ajudam você a ser mais querido pelos colegas de trabalho.

TOME ALGUMAS DOSES DE SIMANCOL

Ser uma pessoa sociável em nada tem a ver com se tornar uma pessoa indiscreta e inconveniente, que pergunta sobre a vida pessoal de todo mundo. Saber dosar o que e quando perguntar também é importante para não errar a mão.

“É preciso realizar uma leitura do ambiente, observar a recepção das pessoas, ver de que forma elas reagem às suas perguntas e quão dispostas estão a interagir”, afirma Rodrigo Fonseca, da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.

RECONHEÇA QUE PRECISA MELHORAR

Nem todo mundo possui a capacidade de ser simpático de forma espontânea. Reconhecer que precisa melhorar esse ponto é fundamental para fazer o movimento de mudança.

“Procure se expor um pouco mais, falar em público, melhorar a comunicação com alguns treinamentos. Busque se integrar em projetos pelos quais você tenha mais paixão e conhecimento, porque isso vai dar mais segurança na hora de mostrar as suas ideias”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

SAIBA O QUE FAZ VOCÊ FELIZ

Raramente pessoas mal-humoradas são capazes de ser simpáticas e carismáticas. Mesmo nas rotinas mais estressantes, tente adotar pequenas atitudes que aumentem a sensação de bem-estar e a vontade de trabalhar.

“Passamos 12 horas do nosso dia no escritório e saímos de casa já irritados. Busque entender o que anima, irrita e motiva você e dê valor para as coisas simples, como fazer exercícios físicos antes do trabalho ou tomar um bom café da manhã, por exemplo.” diz Marcos Gimenez, sócio da lnnovative, consultoria de São Paulo.

LEMBRE-SE DA SUA POSTURA

Preste atenção à forma como você se mostra para os seus colegas. Pessoas cabisbaixas, de ombros caídos, raramente conseguem criar conexões e entusiasmar os colegas. “Você emana carisma quando as pessoas se inspiram em você. É importante criar uma postura de segurança, adquirir um tom de voz firme e seguro para melhorar a comunicação e transmitir mais confiança”, diz Rodrigo.

INSPIRE-SE, SEM COPIAR

Observe pessoas que você considera sociáveis e capte quais comportamentos elas adotam para se tornar assim.

Essa inspiração pode vir de líderes ou até de colegas. Só que não tente se tornar uma cópia do outro. “Não crie um personagem com o qual você não se sinta confortável nem que tenha comportamentos que não conferem com a sua personalidade. As pessoas percebem que não é algo natural, além de que isso não se sustenta por muito tempo”, afirma Rafael.

SEM EXCESSO DE CONFIANÇA

Engana-se quem pensa que só pessoas introvertidas precisam melhorar o carisma e a capacidade de criar conexões. Geralmente, pessoas muito expansivas tendem a ser muito autoconfiantes e às

vezes passam uma postura arrogante. “Elas também não se conectam com as pessoas porque não têm capacidade de ouvir. Sem contar que, muitas vezes, acreditam que são autossuficientes e esquecem que precisam dos outros também. Isso é tão destrutivo quanto ser introvertido demais”, diz Renata Di Nízio

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 26: 13 – 16

Alimento diário

A DESGRAÇA DA PREGUIÇA

 

V. 13 – Quando um homem fala de maneira tola, dizemos que fala de maneira preguiçosa; pois ninguém revela mais a sua tolice do que aqueles que são ociosos e procuram se justificar na sua preguiça. Da mesma maneira como a tolice dos homens os torna preguiçosos, também a sua preguiça os torna tolos. Observe:

1. O que realmente teme o preguiçoso. Ele teme o caminho, as ruas, o lugar onde deve ser feito o trabalho e pelo qual se deve empreender uma jornada; ele detesta o trabalho, detesta tudo o que exija cuidado e esforço.

2. O que ele sonha, e finge temer – um leão no caminho. Quando pressionado para ser diligente, quer em seus assuntos terrenos ou em questões de religião, esta é a sua desculpa (e uma desculpa infeliz, pior do que qualquer outra): “Um leão está no caminho”, alguma dificuldade ou perigo insuperável com que ele não pretende lutar. Os leões frequentam florestas e desertos, e. durante o dia. quando o homem sai para o seu trabalho, os leões se deitam nos seus covis (Salmos 104.22,23). Mas o preguiçoso imagina, ou finge imaginar, um leão nas ruas, ao passo que o leão existe somente na sua imaginação, ou não é tão feroz como ele o pintou. Observe que é tolice se assustar e fugir de deveres reais por dificuldades imaginadas (Eclesiastes 11.4).

 

V. 14 – Tendo visto o preguiçoso com medo do seu trabalho, aqui o vemos amando o seu sossego; ele fica na sua cama, deitado de um lado, até se cansar, e então se vira para o outro lado, mas ainda na sua cama, quando o dia já vai alto e há trabalho para ser feito, da mesma maneira como a porta se revolve nos seus gonzos, mas não sai do lugar; e assim os seus negócios são negligenciados e ele deixa escapar oportunidades. Veja o caráter do preguiçoso.

1. Ele não se preocupa em sair da cama, mas parece estar preso a ela, como a porta está presa às dobradiças. A comodidade do corpo, quando excessiva, é a triste oportunidade para muitas doenças espirituais; os que amam dormir provarão, no final que amaram a morte.

2. O preguiçoso não se preocupa em progredir no seu negócio; ele se movimenta um pouco, de um lado para outro, mas sem nenhum propósito; ele permanece na mesma posição. Os professantes preguiçosos giram, na sua profissão, como a porta, nos seus gonzos, nas suas dobradiças. O mundo e a carne são as duas dobradiças em que eles estão presos, e ainda que se movam no curso dos serviços externos, entrem no caminho dos deveres e passem por eles, como o cavalo no moinho, ainda assim não conseguem o bem, não ganham terreno, nunca se aproximam do céu – são pecadores que não se converteram, e santos que não se aperfeiçoaram.

 

V. 15 – O preguiçoso agora, com muita dificuldade, saiu da cama, mas poderia igualmente ter ficado ali, pois atua no seu trabalho de uma forma completamente desajeitada. Observe:

1. A desculpa que ele oferece para a sua preguiça: ele esconde a mão no seio, temendo o frio; perto da sua cama quente, no seu seio quente. Ou finge que é aleijado, como fazem alguns que vivem de esmolas; sugere que há alguma enfermidade na sua mão; ele de­ seja sugerir que ela está cheia de bolhas, resultado do duro trabalho de ontem; ou indica, de modo geral, a sua aversão ao trabalho; ele tentou, mas suas mãos não estão acostumadas a trabalhar, e por isto ele se mantém na sua própria comodidade e não se importa com ninguém. Observe que é comum que aqueles que não de­ sejam fazer o seu trabalho finjam que não conseguem fazê-lo. “Cavar não posso” (Lucas 16.3).

2. O prejuízo que ele sofre, pela sua preguiça. Ele mesmo é o perdedor, pois passa fome; enfada-se de a levar [a mão] à sua boca, isto é, não tem como se alimentar, mas teme, como se isto fosse um esforço imenso, levar a mão à cabeça. É uma hipérbole elegante, que agrava o seu pecado, o fato de que ele não suporta os menores esforços, nem pelos maiores benefícios, e isto mostra como o seu pecado é a sua punição. Os que são preguiçosos nas questões da religião não se esforçarão para alimentar suas próprias almas com a Palavra de Deus, o pão da vida, nem buscarão as bênçãos prometidas por meio da oração, ainda que pudessem tê-las.

 

V. 16 – Observe:

1. A elevada opinião que o preguiçoso tem de si mesmo, apesar do flagrante absurdo e da tolice da sua preguiça: “Mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que bem respondem”. A sabedoria de um homem o torna capaz de responder ou oferecer uma razão, e a de um homem bom o torna capaz de oferecer uma razão para a esperança que há nele (1 Pedro 3.15). Nós devemos ser capazes de oferecer uma razão para o que fazemos, ainda que, talvez, possamos não ter inteligência suficiente para mostrar a falácia de cada objeção ao que fazemos. Aquele que se esforça na religião pode apresentar uma boa razão para isto; ele sabe que está trabalhando para um bom Mestre, e que o seu esforço não será em vão. Mas o preguiçoso se julga mais sábio do que sete pessoas como esta; pois ainda que sete pessoas o persuadissem a ser diligente, com todas as razões que pudessem apresentar para isto, seria inútil, a sua própria determinação, pensa ele, é resposta suficiente para eles e todas as suas razões.

2. A referência que isto tem para a sua preguiça. É o preguiçoso, acima de todos os homens, que é assim convencido; pois:

(1) A boa opinião que ele tem de si mesmo é o motivo da sua preguiça; ele não deseja se esforçar para obter sabedoria porque pensa que já é suficientemente sábio. O convencimento da suficiência de nossos talentos é um grande inimigo para o nosso aperfeiçoamento.

(2) A sua preguiça é a causa da boa opinião que ele tem de si mesmo. Se ele apenas se esforçasse para examinar a si mesmo, e se comparar com as leis da sabedoria. teria outra ideia a respeito de si mesmo. A preguiça tolerada está no fundo da arrogância predominante. Ou melhor:

(3) Ele está tão desgraçadamente confuso que julga que a sua preguiça é a sua sabedoria; ele pensa que é sensato poupar a si mesmo, e ter toda a comodidade e o sossego que puder, e não fazer na religião mais do que precisa, necessariamente, para estar algum sofrimento, e ficar sem fazer nada e ver o que as outras pessoas fazem, para que possa ter o prazer de encontrar falhas nelas. Com relação a estes preguiçosos, que se orgulham do que é a sua vergonha, há pouca esperança (v. 12).