A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SETE PECADOS CAPITAIS

Como os sentimentos gerados pelos pecados refletem-se em nossa mente e influenciam a vida cotidiana. Alguns deles podem motivar a criação de boas habilidades.

Sete pecados capitais

Durante toda a sua vida, você ouviu dizer que de todos os “pecados” que o ser humano pode cometer, há sete que lhe darão passagem direta para o “inferno’: Os chamados sete pecados capitais assombram a consciência humana há muito tempo, mas parece que eles não são tão mortais assim.

O humano precisa um pouco deles para o seu desenvolvimento. O que irá diferenciar se são bons ou ruins são a intensidade e a frequência desses sentimentos no cotidiano da vida. Os pecados capitais instituídos na Era Medieval ganham novos significados, valores e gravidades através dos séculos.

Assim, no mundo contemporâneo, as bases morais antigas perdem sua validade. Com um novo homem, surgem novos pecados, e pecados antigos passam a ser vistos como virtudes. Vejamos:

LUXURIA – O pecado mais criticado é o da luxúria, pois a pessoa é considerada mais esperta do que as outras. O cérebro da pessoa com sentimento da luxúria consegue resolver problemas analíticos mais facilmente do que outros indivíduos. Isso acontece porque o indivíduo está acostumado a lidar com questões mais imediatas e a perceber detalhes que possam satisfazer o outro rapidamente.

PREGUIÇA – Não se sinta culpado(a) por ser um preguiçoso(a). Afinal, dormir melhora sua memória e o(a) torna muito mais sagaz – além de dar aquela disposição extra quando necessário. Estudos informam que pessoas que andam mais devagar são as que mais param para ajudar ao próximo.

IRA – O cérebro do(a) raivoso(a) está mais disposto a confrontar ideias opostas às suas, criando o debate. Nesse caso, o indivíduo tem maior poder de negociação, pois terá uma facilidade maior ao argumentar a favor de seu interesse.

GANÂNCIA – Você provavelmente já ouviu que dinheiro não traz felicidade, porém, com uma outra concepção, a riqueza realmente pode tornar alguém mais feliz, contanto que ela seja investida de maneira correta e com qualidade.

INVEJA – Por in crível que pareça, a inveja é um “pecado” que pode ajudar o desenvolvimento pessoal, pois uma pessoa pode sentir admiração por alguém e se comparar, projetar constantemente em relação ao outro. Esse fato pode estimular seu crescimento pessoal. Afinal, quem não quer os melhores resultados? Isso também significa uma melhora na criatividade e na autoestima. A inveja só não pode ser patológica. A questão é observar a intensidade e frequência desse sentimento e se está atrapalhando o seu convívio e as suas relações nos aspectos gerais na vida.

ORGULHO – Se você se considera acima dos demais, nada mais natural do que fazer com que seu trabalho também seja o melhor de todos, certo? O orgulho faz com que as pessoas sejam mais persistentes, pois não pouparão seus esforços para chegar aonde desejam, além de poder desenvolver um perfil de liderança. A questão é observar o momento para não deixar “subir à cabeça’ humildade faz parte da vida.

GULA – O fato de ser apaixonado por comida pode desenvolver um sentimento de caridade maior do que na maioria dos indivíduos. O que se precisa é ter uma orientação nutricional correta para não ingerir alimentos que possam com­ prometer a saúde física.

ESTRUTURAS ASSOCIADAS

Ao considerar os estudos neurocientíficos, os sentimentos relacionados aos “sete pecados capitais” ativam as áreas do cérebro ligadas à dor física, porém ao ver a situação ou imagem da “pessoa-alvo” se dar mal, estruturas associadas ao prazer é que são acionadas. Para a neurobiologia comportamental, as emoções provocadas por esses sentimentos são consideradas vícios compulsivos, e geram tanta dor física quanto emocional, e no final não se tem nenhum ganho positivo para o corpo físico e mental com relação a esses sentimentos.

Influências diretas das amígdalas cerebrais sobre o córtex cerebral nos levam à interpretação das emoções e ao reconhecimento desses sentimentos. Quando as amígdalas cerebrais são ativadas, por meio de estímulos externos ou internos, estas fornecem “ingredientes” básicos como neurotransmissores, que ativam o córtex pré-frontal a decodificar os sinais sensoriais, transformando-os em memórias, podendo ser interpretados como uma experiência emocional (boa ou ruim).

As conexões que partem das amígdalas cerebrais para o córtex permitem que as redes neurais das defesas emocionais influenciem a atenção, a percepção e a memória nas situações em que nos defrontamos com um determinado perigo. Sendo assim, podem provocar uma variedade de reações comportamentais específicas, como imobilização, fuga, luta, expressões faciais; reações do sistema nervoso autônomo (alterações na pressão sanguínea e nos batimentos cardíacos, piloereção, suor); e reações hormonais (liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina e os esteroides produzidos pelas glândulas suprarrenais, bem como uma série de peptídeos na corrente sanguínea).

Por meio das imagens pode-se observar que quando o cérebro é ativado por emoções positivas ou negativas a área estimulada é o córtex pré-frontal. Vejamos um exemplo de emoções positivas. Esperar a pessoa amada desembarcar no aeroporto e correr para abraçá-la. A estrutura cerebral associada à ativação da região pré-frontal é a esquerda. Por outro lado, o afastamento, como o ato de desviar o olhar da cena de um acidente horrível ou de nos encolhermos de medo diante de uma situação de perigo, estaria associado à ativação da região pré-frontal direita. Segundo Richard Davidson, existem bons argumentos que defendem a ideia de que o córtex pré-frontal poderia ser o correlato neural das emoções relacionadas com a aproximação e o afastamento em humanos. Todas as emoções que sentimos se enquadram, ao menos em parte, em uma dessas duas categorias.

Vejamos a correlação das estruturas cerebrais e o contexto sobre os sete pecados capitais. Estes são emoções consideradas como ressentimentos em relação a alguém que tem algo como dinheiro, beleza, uma promoção ou a admiração excessiva em algo. É um vício que poucos podem evitar. Experimentá-las é se sentir menor e inferior, um(a) perdedor(a) envolvido(a) em sentimentos de maldade.

A pessoa com esses sentimentos tem dificuldades de apreciar as coisas boas em outras pessoas, pois está sempre preocupada sobre como esses refletem-se nela mesma.

Por exemplo, você já ouviu falar nesse sentimento denominado schadenfreude. É a relação de prazer quando se vê aquela pessoa que o indivíduo inveja perder tudo, ou se dar mal nos âmbitos materiais e/ ou afetivos.

Um outro exemplo muito comum é quando a criança percebe que tem irmão ou irmã, e sua vida se torna dominada por um sentimento forte de inveja. Por que ela(e) sempre se senta na janela? O pedaço de bolo dele(a) é maior!

PRAZER

Estudos em neuroimagens revelam que os sentimentos dos sete pecados capitais são reações ativadas nas áreas do prazer do sistema límbico, que se ativam nas regiões cerebrais e são próximas da região da dor física. Quanto mais alto os participantes classificam sua percepção, mais reações neuronais respondem nas áreas dos sulcos cerebrais da dor no córtex dorsal anterior e áreas relacionadas. Ao mesmo tempo que os circuitos de recompensa do cérebro são ativados, reações vigorosas são estimuladas nos centros de prazer, produzindo a dopamina na área do striatum ventral.

Para ilustrar essa consideração científica, existe um ditado japonês que diz: ”As desgraças dos outros têm gosto de “mel” segundo Hidehiko Takahashi, ou seja, o striatum ventral é a estrutura neurobiológica que processa esse “mel”, naturalmente.

Para o sentimento do orgulho, o córtex pré-frontal medial e o lobo temporal esquerdo, especialmente áreas próximas ao sulco temporal superior, são ativados. Alguns estudos até apontam que psicopatas também teriam “defeito” nessas áreas. Uma das explicações para a soberba: nos primórdios, ela surgiu como forma de intimidar ameaças, principalmente na disputa de poder.

Um outro pecado que tem lugar no cérebro é a ganância, e a estrutura relacionada, amígdalas cerebrais. Pessoas com essa região danificada arriscam bem mais, inclusive em apostas nas quais as probabilidades de perder eram iguais às de ganhar.

Vejamos uma outra situação. Imagine um jogo de futebol em que o seu time está perdendo! Seu cérebro começa a ser ameaçado pelo gatilho da ira. Este encontra-se no plano do sistema límbico, responsável pelas emoções, e se manifesta a partir de fenômenos in­ conscientes. A área que provavelmente é afetada durante a raiva é novamente a das amígdalas cerebrais e, aí, o indivíduo é acionado para o ataque, provocando uma avalanche de hormônios do estresse. Porém, ainda bem que o córtex pré-frontal cerebral ajuda a colocar um pouco de controle e razão nessa emoção.

RECOMPENSA

Os combinados neurais do prazer estimulam conjuntamente outros sistemas, como o da recompensa. O mesmo relacionado ao centro das necessidades da fome e da sede (gula e saciedade). Quanto mais fome ou sede o indivíduo sentir, mais prazeroso será quando finalmente beber ou comer.

Uma reflexão importante: o sentimento dos sete pecados capitais é um imposto cobrado pela civilização, todos precisam pagar. O importante é aprender e buscar ajuda de profissionais especializados na saúde emocional e sentimental.

O importante é realizar a “escuta” das emoções como um estímulo para mudar, pois o que prejudica é o exagero. Um pouco (pouquinho!) de avareza, luxúria, gula, inveja, orgulho, ira e preguiça pode ser que todo mundo já tenha dito ou tenha. O fundamental é usar a inteligência cognitiva para gerenciá-los melhor!

Sete pecados capitais. 2

DANO E PRAZER

Schadenfreude, na tradução literal: alegria ao dano. A palavra é de origem alemã e serve para designar o sentimento de alegria ou satisfação diante do dano ou infortúnio de uma outra pessoa. Deriva de schaden – “dano, prejuízo” – e freude – “alegria, prazer”.   

Sete pecados capitais. 3

VIRILIDADE

Sobre as batatinhas fritas serem tão melhores que os brócolis, o sucesso é considerado reprodutivo. Na Antiguidade, o uso da gordura e dos açúcares estava mais relacionado à aquisição da virilidade. Mas não se alegre: antigamente essa adaptação podia ser considerada benéfica. Hoje, o resultado maior da gula é a obesidade, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS} uma epidemia global do século XXI.                                

Sete pecados capitais. 4                    

ESTÍMULOS EMOCIONAIS

De acordo com LeDoux, as amígdalas cerebrais têm projeções em muitas áreas corticais, sendo consideradas mais frequentes as projeções do córtex para as amígdalas. Além de projetar- se de volta às regiões sensoriais corticais de onde recebe informações, as amígdalas também se projetam para algumas áreas de processamento sensorial. Como resultado, uma vez ativadas, são capazes de influenciar as áreas corticais responsáveis pelo processamento dos estímulos emocionais, o que pode ser muito importante no direcionamento da atenção para impulso emocionalmente relevante. As amígdalas também estabelecem um conjunto impressionante de conexões com as redes de memória de longa duração que envolvem o sistema do hipocampo e as áreas do córtex. Essas estruturas também têm a função de armazenar as informações de longo prazo. Essas vias podem contribuir para a ativação de memórias antigas e significativas, mesmo sendo ativadas num determinado momento presente. Embora as amígdalas tenham conexões relativamente escassas com o córtex pré-frontal lateral, seus elos com o córtex cingulado anterior são bastante fortes, pois estabelecem uma ligação importante no circuito executivo da memória de trabalho no lobo pré-frontal e, com o córtex órbito frontal, a função de interpretação das funções conativas/emocionais, no que se refere a recompensas e punições.

OUTROS OLHARES

CLASSIFICAÇÕES IMPOSTAS PELA SOCIEDADE

Vivemos na época dos rankings. Só se recebem elogios se se é o mais forte, o mais bonito, o mais inteligente, o que ganha mais, o que sorri mais nas redes sociais, tem mais amigos…

Classificações impostas pela sociedade

Sabemos que uma página com escrita impecável é, na maioria das vezes, precedida de vários rascunhos. No caso do computador, de várias autocorreções. É normal, aceitável, esperado, que o acerto seja a superação do erro. O problema é que esquecemos que, via de regra, aprendemos a ver os contornos das coisas não pela luz que nelas incide, mas pela sombra produzida e aprendemos o caminho mais exitoso quando sabemos onde erramos.

Mas, hoje, errar é tão dramático que os pais correm para fazer lições de casa pelos filhos, para que as exibam sem erros, como se a professora não soubesse reconhecer o padrão de trabalho da criança que têm à sua frente durante horas toda semana.

Se o filho esqueceu o celular em casa, pais correm para o levar na escola, como se não houvesse telefones fixos ou fosse impossível localizar a criança por outro meio. Deixar o filho entender que ele é o responsável se esquecer algo, sentir o desconforto da falta deste ou daquele objeto, passar por momentos de desassossego, tendo que reconhecer que foi descuidado, é algo que não cabe mais em nossa sociedade atual de conduta impecável.

Segundo esse modo de pensar, deixar a criança se frustrar é uma tragédia! Não a educa, mas tira a ilusão de ser “o cara” a todo instante, o que reafirma a máxima da década: “meu filho nasceu para ser feliz”. Porém, na prática significa: não ter limites, não esperar, não “receber” notas baixas, não ser chamada a atenção, não ter que se adaptar ao meio, já que obviamente são as outras pessoas e o ambiente que devem se render a esse ser tão especial.

Dizer a esse tipo de pais que o filho errou provoca um tsunami ideológico, sem base alguma na realidade: nascer para ser “feliz”, pior que conto de fábulas, não permite que a criança participe legitimamente dessa construção, justamente moldada por meio de erros que devem ser vistos e revisitados para que se perceba o contraste das situações, dos pensamentos e sentimentos. Só assim o indivíduo aprende a ter consciência da falta e da plenitude, sente motivação, determina objetivos e desenvolve a resiliência.

Ao se prender ao acerto permanente, a sociedade se tornou irracional em relação ao imenso valor do erro: a educação, tanto familiar como a que vemos na escola, é frequentemente focada no erro,  mas não no erro calibrado pelas oportunidades que pode criar, mas pelo seu valor negativo, somente o apontando como algo a ser evitado a todo custo, escondido, apagado e não como ponto de partida para o crescimento. Na escola, o aluno recebe sua nota não pelos acertos, mas pelos erros. Uma resposta muito bem redigida, que demonstre compreensão e trabalho intelectual da criança, deveria valer muito mais que um erro cometido em outra questão. A avaliação escolar cursa em muitas escolas, ainda hoje, comparativamente a qualquer planilha financeira à qual venha a ser comparada.

Assim, são os erros e não o esforço que determinam o valor do aluno. Crianças e jovens não recebem nada por mérito ao acerto ou à dedicação. Situações contraditórias são desencorajadoras: de um lado evitamos, desde cedo, que as crianças se frustrem com situações corriqueiras, e, de outro, cobramos seus erros como se estes fossem o espelho do valor da criança.

Sentindo-se limitados, diminuídos, inseguros frente à condenação por suas falhas, crianças e jovens são ao mesmo tempo envolvidos pelas exigências dos rankings mais desafiadores. Ao invés de terem motivação para pensar em como fazer de modo diferente e buscar o acerto, objetivando o sucesso de modo criativo, se acomodam pelo desvelo ou incriminação excessiva da família. Uma acoberta ficticiamente o erro, a outra o perpetua.

Errar faz parte do jogo, mas não pode ser o próprio jogo nem a essência do jogador. Errar faz parte do acerto, assim como é a sombra que determina a qualidade da fotografia. O mérito de uma pessoa em qualquer idade não pode ser mensurado por um desempenho mais ou menos brilhante, pois esses parâmetros dependem de inúmeros fatores externos, inclusive o objetivo e as preferências pessoais de cada qual. Ninguém admira tanto os pais quanto os filhos, e é para eles que a criança estabelece a sua primeira luta por aprovação. Se suas dificuldades são tratadas com respeito e amorosidade, incentivo e senso de realidade, terão uma oportunidade muito mais real de superá-las. Mas por vezes os pais, até por vaidade, determinam padrões quase inatingíveis para a criança: afinal, que diferença faz na prática saber ler aos 4 anos? Ao entrarem no ensino fundamental, terão que voltar a passar pelo mesmo processo, mas já desmotivados pela falta de estímulo frente à maioria dos colegas a quem não vão superar a não ser momentaneamente. Assim, também, muitos pais se desesperam ao perceber que o filho não tem interesse especial para os esportes nem por ganhar medalhas ou ir às Olimpíadas e agem como se fossem traídos pela vida que em uma segunda chance não lhes deu essa oportunidade pessoal.

Amamos nossos filhos e alunos, mas podemos não apreciar um ou outro comportamento deles. Entretanto, estimular e dar oportunidade de perceber o erro como uma ocasião de crescimento são educar realmente para a busca pelo acerto, pela felicidade emocional e também pela saúde mental.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem.

irenemaluf@uol.com.br

GESTÃO E CARREIRA

TRANSFORMANDO O MINDSET

Transformando o mindset

Considerado a nova ferramenta para o sucesso, o mindset nada mais é que o modelo mental, ou seja, é como você encara a vida e age diante de cada situação. O que o conceito prega é que o seu comportamento é resultado da sua mentalidade, e isso é fator decisivo para se ter sucesso ou não.

Existem dois tipos de mindset, o fixo e o progressivo. O mindset fixo, de forma resumida, é uma mentalidade de pensamentos negativos e estagnados. Já o mindset progressivo possui pensamentos positivos e realizadores.

Segundo Erika Linhares, mentora especializada em acelerar pessoas e negócios, e fundadora da empresa B-Have, “é preciso ressaltar que o conceito pode variar de acordo com a ocasião. Por exemplo, mesmo que você tenha um mindset progressivo, você pode, às vezes, trabalhar com um mindset fixo.

A especialista compartilhou quatro dicas para transformar um mindset fixo em um progressivo e aumentar sua produtividade:

APRENDA A SE RELACIONAR
Ninguém faz nada sozinho! Estamos o tempo todo precisando das pessoas e tendo que ajudar as pessoas, esse é o ciclo positivo da vida. Ninguém é tão bom quanto todos juntos e quando todo mundo cresce é exponencial, é um poder incrível.

SEJA AUTÔNOMO
Você tem duas opções de vida, ser o protagonista ou ser o figurante. Não seja vítima, não espere nada de ninguém, vá buscar o que é seu. Saiba onde você quer chegar, mantenha o foco, estabeleça metas e desenvolva ações realistas para cumpri-las. Lembre-se que o sucesso só depende de você.

SEJA TRANSPARENTE
Trabalhe sempre com a verdade, doa a quem doer, assim sua mente vai ficar livre para evoluir. Tenha conversas francas e diretas, não se esqueça que a verdade é libertadora e é sempre o melhor caminho.

ENXERGUE O PROBLEMA COMO DESAFIO
As limitações sempre nos revelam oportunidades de superação e aprendizado. Entenda que não existe chance de você não ter sequer um problema para resolver no seu dia, portanto vá lá e resolva, não segure um problema mais tempo do que o necessário e nem dê a ele um peso maior do que ele realmente tem.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 23: 29-35

Alimento diário

ADVERTÊNCIAS CONTRA A INTEMPERANÇA

 

V. 29 a 35 – Aqui, Salomão nos faz urna justa advertência contra o pecado da embriaguez, para confirmar o que tinha dito (v. 20).

 

I – Ele aconselha todas as pessoas a se manterem fora do caminho das tentações a este pecado (v.31): “Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho”. O vinho tinto era considerado, em Canaã, corno o melhor vinho, sendo, portanto, chamado de sangue da uva. Os críticos julgam o vinho, entre outras indicações, pela sua cor; alguns vinhos, dizem eles, têm aparência encantadora, parecem tão bons que até parecem dizer. “Vem, bebe­ me”; o vinho resplandece no copo e escoa suavemente, ou talvez a sua aspereza seja agradável. Sobre o vinho encorpado e nobre, se diz que ele faz com que falem os lábios dos que dormem (Cantares 7.9). Mas não olhes para ele.

1. Não seja governado pelos sentidos, mas pela razão e religião. Não cobice aquilo que agrada aos olhos, esperando que agrade ao paladar; mas que os seus pensamentos sérios corrijam os enganos dos seus sentidos, e convençam você de que aquilo que parece delicioso é, na verdade, prejudicial, e consequentemente tome uma resolução contra isto. Que o coração não ande após o olho, pois este é um guia enganador.

2. Não seja excessivamente ousado com os encantos deste pecado. ou qualquer outro; não olhe, para não desejar, para não tomar o fruto proibido. Observe que os que desejam ser guardados de algum pecado devem se guardar de todas as oportunidades e inícios deste pecado, e devem temer estar ao alcance de suas seduções, para não serem sobrepujados por eles.

 

II – Ele mostra as muitas e perniciosas consequências do pecado da embriaguez, para reforçar a sua advertência. Tome cuidado com a isca, por medo do anzol: “No seu fim, morderá” (v. 32). Todo pecado será amargo, no fim, e este pecado, particularmente. Ele morde como a serpente quando o bêbado adoece por seus excessos, ou é atirado, por este pecado, em um edema ou alguma doença fatal, e se torna mendigo e tem suas propriedades arruinadas, especialmente quando a sua consciência está desperta e ele não pode evitar pensar sobre isto sem horror e indignação consigo mesmo, mas, o que é o pior de tudo, por fim, quando o cálice da embriaguez se converter em um cálice de tremor, o cálice da ira do Senhor, cujos sedimentos ele deverá beber para sempre, e não terá uma gota de água para refrescar sua língua inflama­ da. Para remover a força da tentação que há no prazer do pecado, preveja a sua punição, e o que ele será, no fim, se o arrependimento não impedir. No seu fim derradeiro, morderá (é o significado da palavra); pense, portanto, qual será o fim do pecado. Mas o autor inspirado prefere especificar as consequências perniciosas deste pecado, que são imediatas e perceptíveis.

1. Ele envolve os homens em contendas, fazendo com que discutam uns com os outros, e digam e façam aquilo que dá aos outros motivos para contender com eles (v. 29). Ele pergunta: “Para quem são os ais? Para quem, os pesares?” Quem não os tem, neste mundo? Muitos têm ais e pesares, e não podem evitar isto; mas os bêbados criam voluntariamente ais e pesares para si mesmos. Os que têm contendas terão ais e pesares; e os bêbados são os tolos cujos lábios entram em contendas. Quando o vinho entra, a inteligência sai, e as paixões se inflamam; e então as brigas, as rixas e as disputas dos bêbados, vêm pelos cálices; muitos processos litigiosos, que arruínam e perturbam, começam assim. Há conversas tolas, tagarelices, disputas com palavras e troca de linguajar obsceno; mas não é só isto: os que se embriagam terão feridas sem causa, pois as causas são as coisas que os bêbados não têm capacidade de julgar, e por isto desferem golpes ao redor, sem a menor consideração quanto ao motivo ou objetivo, e devem esperar ser tratados de igual maneira. As feridas que os homens recebem, na defesa de sua nação, e de seus justos direitos, são a sua honra; mas as feridas sem causa, recebidas no serviço de seus desejos, são marcas da sua infâmia. Na verdade, os bêbados se ferem em um ponto sensível, pois têm olhos vermelhos, sintomas de uma inflamação interior; a sua visão é enfraquecida pela bebida, e sua aparência é deformada. Isto resulta:

(1) De beber por muito tempo, de se demorarem perto do vinho, e passar em companhia da bebida aquele tempo que deveria ser dedicado ao trabalho útil, ou ao sono, o que seria apropriado para os negócios (v. 30). Ó, as horas preciosas que milhares desperdiçam assim, e cada um deles será levado para se explicar, no grande dia!

(2) De beber aquilo que é forte e intoxicante. Eles sobem e descem, buscando o vinho que os agrada; a sua grande pergunta é, “onde está a melhor bebida?” Andam buscando bebida misturada, que é mais palatável, porém mais embriagante, tão voluntariamente sacrificam sua razão para satisfazer o seu paladar!

2. Este pecado torna os homens impuros e insolentes (v. 33).

(1 ) Os homens ficarão desregrados, e olharão para as mulheres estranhas, e assim permitirão a entrada do adultério no coração. O vinho é óleo para o fogo da luxúria. Os teus olhos contemplarão coisas estranhas (assim interpretam alguns); quando os homens estão embriagados, a casa gira ao seu redor, e tudo parece estranho para eles, de modo que não podem confiar em seus próprios olhos.

(2) A língua também fica desregrada e fala de maneira extravagante; por ela, o coração profere perversidades, coisas contrárias à razão, à religião e à civilidade comum, coisas que deveriam se envergonhar de falar, se estivessem sóbrios. Que coisas ridículas, incoerentes, e sem sentido os homens falam quando estão embriagados, tendo em vista que em outra ocasião, falariam admiravelmente bem, e de maneira pertinente!

3. Este pecado entorpece e confunde os homens (v. 34). Quando os homens estão embriagados, não sabem onde estão, nem o que fazem ou dizem.

(1) Suas cabeças estão aturdidas, e quando se deitam para dormir, é como se fossem levados, de um lado a outro, pelas ondas do mar, ou como se estivessem no topo de um mastro; assim, eles se queixam de que suas cabeças nadam; o seu sono é comumente inquieto e não é revigorante, e os seus sonhos são tumultuados.

(2) O seu juízo fica enevoado, e eles não têm mais firmeza ou consistência do que aquele que dorme no topo do mastro: eles bebem e se esquecem da lei (Provérbios 31.5); erram por causa do vinho (Isaias 28.7), e pensam de maneira tão extravagante como falam.

(3) Eles são descuidados, e não temem o perigo, e não percebem as repreensões em que se encontram, quer de Deus, quer dos homens. Eles estão em perigo iminente de morte, de condenação, estão tão expostos como se dormissem no topo de um mastro, e ainda as­ sim, sente-se seguros, e continuam dormindo. Eles não temem nenhum perigo, quando os terrores do Senhor se apresentam diante deles; na verdade, não sentem nenhuma dor quando os juízos de Deus estão efetivamente sobre eles; eles não choram quando Ele os prende. Coloque um bêbado no tronco do castigo, e ele não percebe a punição. “Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti”; o castigo não causou nenhuma impressão em mim. Os bêbados se convertem em pedras e paus; eles mal podem ser considerados animais; estão mortos, enquanto vivem.

4. E, o pior de tudo, o coração torna-se insensível neste pecado, e o pecador, apesar de todos estes danos que o acompanham, persiste nele, obstinadamente, e detesta ser modificado: “Quando virei a despertar?” Ele tem muita dificuldade para se livrar dos grilhões do seu sono de embriaguez; ele mal pode se livrar dos vapores do vinho, embora lute com eles, para que (com sede pela manhã) possa retornar para ele outra vez. Ele está tão completamente perdido a todo senso de virtude e honra, e tão terrivelmente a sua consciência está insensibiliza­ da, que ele não se envergonha de dizer: “Ainda tornarei a buscá-la outra vez”. Não há esperança; não, eles amam os bêbados, e após eles andarão (Jeremias 2.25). Isto é unir a embriaguez à sede, e à busca de bebidas fortes; os que fazem isto podem ler a sua perdição (Deuteronômio 29.19,20), o seu lamento (Isaias 5.11), e, se este é o fim do pecado, com boas razões somos orientados a parar e evitar o início dele : “Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho”.