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‘CHIP DA BELEZA’ PREOCUPA MÉDICOS

Do tamanho de um fósforo, o dispositivo de silicone é implantado no corpo com a promessa de ganho de massa muscular e emagrecimento

Com nome atraente, o chamado ‘chip da beleza’ vem se difundindo ao longo dos últimos anos no País. Do tamanho de um palito de fósforo, o dispositivo de silicone é implantado no corpo para liberar continuamente hormônios como a gestrinona, esteroide com ações anabolizantes. A promessa é que, com os efeitos androgênicos do hormônio, ocorra emagrecimento, ganho de massa muscular e aumento na disposição física.

Costuma-se omitir, contudo, que o ‘chip da beleza’ não é regulamentado pela  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode gerar efeitos colaterais  graves. Apesar das contra indicações de tratamentos subcutâneos com a gestrinona,   hormônio cuja aplicação é a mais frequente, os relatos médicos sobre efeitos colaterais envolvendo os ‘chips’ têm crescido.

Na última semana, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) se posicionou contra o implante de gestrinona. “Nós somos 5 mil endocrinologistas no Brasil, tinha profissionais de todo o País mandando denúncias sobre o ‘chip da beleza’ para a gente”, disse o presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina, Andrologia e Transgeneridade da SBEM, Alexandre Hohl. Segundo ele, foram enviados ofícios à Anvisa e ao Conselho Federal de Medicina (CFM) demandando atenção para o assunto.

O médico explica que, em um primeiro momento, o dispositivo com gestrinona era injetado no corpo sob a justificativa de tratar a endometriose, distúrbio ligado ao crescimento de tecidos do útero. De uns cinco anos para cá, porém, percebeu-se que o uso do dispositivo para fins estéticos e a combinação com outros tipos de hormônios passou a se intensificar. O nome ‘chip da beleza’ veio no meio desse processo.

“Quando se viu, estavam colocando todo tipo de anabolizante nos ‘chips’, principalmente com a justificativa de aumentar massa magra e diminuir massa gorda. Mas não há indicação médica para benefício estético”, conta Hohl. “Pode dar acne, problemas no fígado, no coração, na mama, aumentar colesterol e gerar uma série de outros efeitos.”

À medida que o diagnóstico dessas consequências se intensificou nos consultórios, o médico explica que começou um movimento coletivo das entidades médicas, uma vez que mastologistas, por exemplo, começaram a observar mulheres que usaram o ‘chip’ com problemas de mama.

ERROS

Triatleta, a bancária Roberta Mori, de 40 anos, ficou sabendo o que era o ‘chip da beleza’ no início do ano passado, quando procurava novas formas de melhorar sua performance no esporte. Roberta pagou R$5 mil antecipadamente para um tratamento com ‘chips’ de gestrinona que duraria 12 meses. Poucos dias após o implante, a experiência passou a ser marcada por complicações. “Tive inchaço, meu corpo reteve líquido, deu tudo de ruim que poderia dar”, conta a bancária, que relata ter engordado cerca de 7 kg. Os médicos responsáveis, então, receitaram um diurético, que não foi suficiente para evitar que a situação se complicasse ainda mais. Ao ir a uma consulta com um nutrólogo, Roberta conta que seus “exames de sangue bagunçaram absurdamente”, aparecendo inclusive taxas de colesterol alto. Ela relata também ter perdido a libido e o ânimo para a prática de esportes. O médico Alexandre Hohl explica que atualmente os ‘chips da beleza’ estão em um “limbo”, uma vez que não há normas específicas para regulamentar o uso do dispositivo no País. “A SBEM quer normatizar -, que existam regras, que determinem que o implante seja limitado só para determinados casos”, explica o médico.

A entidade realizou uma reunião inicial com a Anvisa para, entre outros pontos, solicitar a inclusão da gestrinona na lista C5, que regula os anabolizantes utilizados no País, e a criação de outras formas de controle. Na nota divulgada, a SBEM reforça que a gestrinona está na lista de substâncias proibidas no esporte e que não é recomendada por entidades americanas. O documento foi endossado pela Associação Médica Brasileira (AMB). A Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) apontou que não há dados suficientes que apontem eficácia e segurança na implementação dos chips.

INVESTIGAÇÃO

A Anvisa informou, em nota, que não há medicamento registrado no Brasil contendo o princípio ativo gestrinona. Complementou, porém, que está a par de propagandas de implantes e que está tomando as “medidas necessárias para investigação e apuração dos fatos”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 10 DE JANEIRO

EL-BETEL, CONHECENDO O DEUS DA RESTAURAÇÃO

E edificou ali um altar e ao lugar chamou El-Betel; porque ali Deus se lhe revelou quando fugia da presença de seu irmão (Genesis 35.7).

Jacó conheceu o Deus de seus pais em Betel, conheceu a Deus como seu Salvador em Peniel, mas só conheceu o Deus da sua restauração em El-Betel. Depois de ter sido alcançado pela graça de Deus em Peniel, Jacó armou suas tendas para as bandas de Siquém. O príncipe daquela terra viu Diná, sua filha, afeiçoou-se a ela e a possuiu. Esse desatino teve desdobramentos desastrosos. Os irmãos de Diná armaram uma trama para se vingarem. Propuseram uma aliança com os siquemitas. A condição para firmarem esse pacto era que todos os seus homens fossem circuncidados. Quando todos os homens estavam no ponto mais crítico da dor, os filhos de Jacó, Simeão e Levi, atacaram inesperadamente a cidade e mataram todos, inclusive o marido de Diná. Jacó ficou desesperado. A vingança esmagadora parecia inevitável. Nesse momento, Deus aparece para Jacó e diz: Levanta-te, sobe a Betel e habita ali… (Genesis 35.1). Deus exigiu de Jacó algumas coisas: … Lançai fora os deuses estranhos que há no vosso meio, purificai-vos e mudai as vossas vestes (v. 2). Jacó prontamente obedeceu e subiu a Betel com sua família. Ali edificou um altar e ao lugar chamou El-Betel. Agora Jacó conhece não apenas a casa de Deus, mas também o Deus da casa de Deus, o Deus da sua restauração. Ali Deus renova com ele sua aliança e lhe dá a chance de recomeçar sua caminhada.

GESTÃO E CARREIRA

49% PRETENDEM BUSCAR NOVO EMPREGO EM 2022

Perspectiva de salário maior motiva profissionais além da busca por aprendizado e qualidade de vida

A preferência por um trabalho mais flexível, que favoreça o bem-estar, tem feito alguns profissionais buscarem oportunidades em empregos que se alinham a esse perfil. Pesquisa da empresa de recrutamento Robert Half mostra que 49% dos profissionais com mais de 25 anos de idade pretendem procurar um novo emprego em 2022. Desses, 61% querem trocar de empresa, mas ficar na mesma área; 39% desejam uma mudança de carreira, em novo segmento ou profissão.

Esses dados fazem parte da 18ª edição do Índice de Confiança Robert Half, que entrevistou em novembro, 1.161 profissionais, entre recrutadores, empregados e desempregados. Quando perguntados sobre a motivação para ter novas oportunidades, remuneração maior foi indicado por 37% dos que querem mudar de empresa e por 31% dos que planejam trocar de área. Outras razões incluem o desejo de inovar ou aprender algo novo (19%), a busca por realização pessoal (17%) e a expectativa de melhor qualidade de vida (12%). Embora o salário seja um grande motivador, diversas mudanças ocorrem em virtude da pandemia. Relações de trabalho foram alteradas e habilidades comportamentais foram inseridas ou reforçadas. Assim, os profissionais devem se preparar melhor para as exigências que 2022 trará.

“O principal conselho é: invista em qualificação. É extremamente importante se manter atento às demandas específicas do segmento em que o profissional atua e buscar sempre atualização em relação às tendências e certificações exigidas”, diz Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul.

Além da demanda de um segundo idioma, especialmente o inglês, o especialista destaca o conjunto de competências comportamentais, as soft skills, que ganharam mais destaque nos últimos dois anos. “Comunicação, adaptabilidade, flexibilidade, perfil analítico, senso de dono, comprometimento e humildade são aspectos exigidos pelas empresas.” Outros pontos envolvem perfil para liderança e habilidade para trabalhar em equipe.

Mantovani considera prematuro afirmar que esse desejo de mudança dos profissionais esteja pautado num esforço insuficiente das empresas para reter os funcionários. Segundo ele, “as pessoas ainda não sabem exatamente o que esperar do futuro” e, paralelamente a isso, diz perceber um “movimento de contratações que, em função da crise, ficaram reprimidas durante um tempo e que hoje pode levar a reações mais contundentes”.

“De modo geral, a orientação é que as empresas ouçam seus colaboradores para buscar pontos de evolução. Com eles, pode-se traçar um plano de ação efetivo.” Nesse sentido, se há um desejo de transição interna, a companhia pode apoiar o colaborador.

EU ACHO …

OLHE PARA CIMA

Malas prontas e uma desconhecida ansiedade faziam ela se sentir como se estivesse prestes a embarcar para suas primeiras férias. Os dois últimos anos tinham se misturado, condensado suas memórias, resumindo meses, abreviando lembranças de vivências que agora pareciam se sobrepor. “Mas isso foi ano passado ou no outro ?”, perguntava-se com frequência. O medo escondido na ansiedade parecia natural, afinal tinha experimentado,  como o mundo todo, a sensação de completa falta de controle, sentimento escancarado por uma pandemia que ia e vinha. Um mundo “seguro” já não existiria mais, e essa nova sensação de ansiedade evidenciava efeitos colaterais do novo aprendizado. Um mundo em constante transformação era a realidade.

O dia anterior à viagem amanheceu com o céu mais escuro do que o previsto e enquanto finalizava as malas, assistia junto com o marido um novo lançamento no streaming e acompanhava as notícias pelo mundo. O filme avançava em uma narrativa angustiante onde dois cientistas descobrem que em seis meses o planeta Terra seria destruído, impactado por um asteroide. A trama evoluía na TV enquanto as notícias de que chuvas torrenciais caiam sobre a Bahia apareciam em sua segunda tela. Enquanto no filme os cientistas não eram ouvidos e governo e população não se mobilizavam para evitar a catástrofe, sua mente inquieta fazia paralelos sobre a razão que a faria embarcar para um destino que se trans formava de notícia em notícia em um lugar que precisava de ajuda e não de uma turista inconsciente querendo aproveitar o ‘dolce farniente’, a doçura e leveza de não fazer nada.

O filme acaba, a Terra é atingida pelo asteroide identificado, mas não encarado de frente para que pudesse ser destruído. No mundo “real”, ela esperava para tomar uma decisão, quem sabe receberia o telefonema de um cientista? Concluiu, em uma ligação para o gerente do pretenso paraíso, que não chegaria de carro, nem de barco. Pelo volume de água das chuvas, estradas não levariam turistas e certamente nem remédios e alimentos necessários depois da trágica noite de inundações. Ouviu a sugestão ainda de ir pelo ar –  “a chuva não atrapalha, voamos baixinho”, disseram entusiastas, em uma tentativa de convencê-la. Mulher e marido se entreolharam, desfizeram as malas e combinaram um jantar no centro de São Paulo.

***ALICE FERRAZ

ESTAR BEM

COMEÇOU O ANO: É HORA DE VOLTAR A SE EXERCITAR

Para quem quer sair do sedentarismo, o importante é inserir o hábito deforma gradual, mas criando uma rotina

Mais um ano se inicia e, com ele, a meta de criar uma rotina de exercícios físicos e ter mais saúde. Você decide se matricular em uma academia, vai empolgado nas primeiras duas ou três semanas, depois é absorvido pelo trabalho ou fica com preguiça e acaba desistindo do plano. Você se identificou? Não faltam argumentos para movimentar o corpo, mas como inserir o hábito na rotina?

”A inatividade física é considerada uma pandemia global, pois 70% da população adulta não atinge os níveis mínimos de atividade recomendados, além de ser um dos quatro fatores de risco relacionados com a mortalidade, junto do tabagismo, da hipertensão e da  obesidade”, diz a médica Fernanda Rodrigues Lima, especialista em reumatologia e medicina do exercício e do esporte do Hospital das Clínicas(USP). Tão prejudicial quanto a ausência de exercícios é o comportamento sedentário, quando se passa muito tempo sentado. “Ficar longas horas na frente do computador sem se levantar pode anular o efeito benéfico da atividade física.”

A prática regular de exercícios está associada a inúmeros benefícios físicos e mentais, resultando em mais qualidade de vida e longevidade. Mexer o corpo ajuda a diminuir o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, acidente vascular cerebral, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, como o de cólon e mama, além de levar a uma menor pressão arterial e desempenhar um papel importante no controle do peso. Entre os fatores psicológicos, previne e melhora estados depressivos leves e moderados, reduz a ansiedade, aumenta a sensação de bem-estar e diminui o risco de declínio cognitivo e   demência. “Existe uma relação dose-resposta da atividade física: basta um pouco de exercício para diminuir o risco de mortalidade. Se essa dose for maior (mais horas porsemana),outros benefícios são obtidos em diferentes doenças”, ressalta a médica.

AOS POUCOS

Stephanie Noelle Bordignon, 32, jornalista e criadora de conteúdo, conta que sempre   teve dificuldade em manter a prática, já que a motivação para se mexer vinha da insatisfação com o próprio corpo. Isso mudou quando ela descobriu o prazer em se exercitar: “Passei a fazer aulas de dança na Boate Class, que tem o propósito de divertir, sem ficar contando quantas calorias perdeu”. Hoje, ela pratica ainda musculação e corrida.

Mas essa mudança não aconteceu de uma hora para outra. “Comecei com as caminhadas, aos poucos fui correndo e assim pegando gosto”, relata. Stephanie garante que o sucesso da sua rotina atual foi ter inserido as mudanças gradualmente, sem se cobrar tanto, e buscando tornar a prática um momento gostoso. “Adoro montar playlists específicas, ir para Iugares bonitos e apreciar o entorno.”

Luiz Carlos Carnrvali, diretor técnico do Grupo Smart Fit, diz que descobrir uma atividade de que goste é um dos pontos- chave:  “A adesão ao exercício está ligada ao prazer. Além disso, é legal escolher algo que seja fácil e não dependa de grandes estruturas e esforços.” Fernanda sugere encontrar um horário que não sofra interferência do trabalho ou de outras tarefas é fala que o importante é criar uma rotina. “Pode ser caminhar com o cachorro, escada ou começar a pedalar.”

Johnatan Ferreira, 29, especialista em marketing, relata que não conseguia estabelecer o hábito da atividade física, mas este ano decidiu voltar aos treinos, e agora acorda às 6horas, de segunda a sexta-feira, para malhar. “É a primeira coisa que faço, me anima para o restante do dia e é uma tarefa que posso riscar da minha lista logo cedo.” Ele conta que o que o ajudou neste retorno e a manter o compromisso foi a contratação de um personal trainer, que o acompanha três vezes por semana. “É mais um recurso para internalizar a prática como parte do dia a dia”, pontua.

SEDENTARSIMO

Se antes da pandemia a realização de atividade física dentro dos índices recomendados entre os brasileiros era de 35,5%, durante a crise sanitária esse número caiu para 16%, de acordo com dados do Projeto ConVid –  Pesquisa de Comportamentos. O levantamento realizado em 2020 pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) levou em consideração a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de, pelo menos, 150 minutos de atividade física moderada por semana. O volume indicado é de até 300 minutos ou ainda de 75 a 150 minutos de atividade intensa.

Vale ressaltar que, apesar de parecidos, os termos atividade física e exercício físico possuem diferenças: o primeiro refere-se a qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética que requer gasto energético, incluindo ações rotineiras, como caminhar ou subir escadas; já o segundo é uma forma de atividade física planejada, estruturada e repetida, que busca a manutenção ou melhora no condicionamento.

Guilherme Francisco Paleari, 28, especialista em marketing, nadava três vezes por semana antes da pandemia e, com o fechamento temporário do local onde praticava, acabou entrando para as estatísticas. “Senti tanta falta que até meu psicológico foi afetado. Além de dores no joelho e nas costas, comecei a me sentir mais ansioso e engordei. Tentei fazer caminhadas no bairro ou usar a esteira do prédio em que resido, mas não funcionou”, relata. Desde que o clube que frequentava foi reaberto e ele pôde retomar a natação, diz se sentir melhor. “Tenho um sono mais profundo e reparador e acordo mais ativo. No dia a dia, percebi que ganhei mais concentração e resistência”, conta. “É quase uma forma de terapia, faço mais pela mente do que pelo corpo”.

RETOMADA

Para quem está parado e deseja criar ou recomeçar a prática de exercícios, a primeira recomendação é avaliar se possui dores ou algum outro sintoma e buscar orientação médica. Também é importante lembrar que esse retorno deve ser gradual. “Muitas vezes, a pessoa quer recuperar o tempo perdido e acaba fazendo esforços muito intensos e repetidos em um curto período, podendo causar lesões”, alerta Fernanda. Não havendo contraindicação, a sugestão é iniciar com um treino leve, dividido em quatro dias e totalizando, pelo menos, 150 minutos por semana.

No caso dos idosos, a retomada deve ser feita com cautela – é fundamental o acompanhamento de um profissional para garantir a segurança, evitar quedas e orientar sobre a forma correta de executar os exercícios. “As atividades mais recomendadas para início são musculação, pilates, alongamento e aeróbico, como caminhada”, diz Carol Santos, educadora física da Bio Ritmo e especialista no atendimento de alunos com mais de 60 anos. Ainda é indicado buscar por atividades lúdicas e, se possível, em grupo. “A interação social favorece o humor. E o treino simultâneo motor e cognitivo, como subir escadas contando os degraus, por exemplo, é uma forma de deixar o corpo e o cérebro do idoso mais ágeis”, completa Fernanda.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PRECISAMOS FALAR SOBRE ‘DESTRANSIÇÃO’

Aumentam os casos de pessoas que fizeram mudança de gênero e, arrependidas,  decidiram voltar atrás – um alerta sobre a necessidade de uma reavaliação dos procedimentos médicos no Brasil e no mundo

O crescente número de relatos de pessoas trans ­ no Brasil e no exterior – que realizaram procedimentos para mudar de gênero e se arrependeram aquece o debate sobre a transição, em especial de crianças e adolescentes. Um caso emblemático é o da britânica Keira Bell, que no início do ano passado, aos 23 anos, processou o sistema de saúde público britânico, conhecido pela sigla em inglês NHS, sob a alegação de que a equipe médica deveria ter questionado mais sua decisão de fazer a transição do sexo feminino para o masculino.

Ela iniciou o processo de transição aos 16 anos e atualmente se identifica com o sexo feminino, o mesmo de seu nascimento. O episódio da jovem não é isolado. Nas redes sociais, é possível encontrar grupos e perfis com relatos de “destransição”. Especialistas ouvidos afirmam que esses casos existem, mas são raros, especialmente no Brasil. Em geral, estão associados a falhas no atendimento médico.

No Brasil, assim como em outras partes do mundo, é reconhecido o direito das pessoas que sentem um desconforto permanente e completo entre o sexo biológico e a identidade de gênero de fazer a transição. Garantir que possam realizá-la de forma assistida, segundo os especialistas, é uma vitória importante para o seu bem-estar, uma conquista que deve  ser mantida apesar de campanhas contrárias defendidas por alguns setores da sociedade.

O debate que a “destransição” levanta não é contrário ao direito de transição. Está restrito ao exame de eventuais falhas excessivas no processo de acompanhamento, tema de grande importância, uma vez que algumas intervenções não são totalmente reversíveis em casos de arrependimento.

FALTAM PESQUISAS

Há poucos dados científicos disponíveis sobre “destransição” – um grande problema que  deveria receber mais atenção no Brasil e no exterior. As poucas estatísticas existentes indicam que cerca de 2% das pessoas transgênero mudam de ideia e desejam voltar ao  gênero de nascimento.

Um estudo recente realizado pelo Instituto Fenway e pelo Hospital Geral de Massachusetts mostrou que 13% das pessoas transgênero, em algum momento, decidiram “destransicionar”. Desse total, apenas 2.4% atribuíram a decisão a uma dúvida estritamente pessoal sobre sua identidade. Mais de 80% das que se arrependeram disseram que foram pressionadas por fatores externos, o que deixa clara a necessidade de aumento do combate ao preconceito. Mas, independentemente da causa, o resultado mostra que, de cada 100 pessoas, 13 não estavam preparados para a transição.

QUADRO BRASILEIRO

De acordo com o psiquiatra Alexandre Saadeh, coordenador do Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), casos de desistência costumam acontecer ao longo do acompanhamento multidisciplinar, feito antes do início da transição física.

“Aqui no Brasil, os casos de “destransição” de pessoas atendidas no sistema público são raríssimos. No sistema privado, isso pode acontecer com mais frequência. No país também é comum encontrar pessoas trans que começaram a tomar hormônios por conta própria, sem acompanhamento médico”, explica o médico.

A jornalista carioca Eugênia Rodrigues, estudiosa do tema e porta-voz da campanha “No Corpo Certo”, conta que há muitos casos de “destransição” e que já ouviu todo tipo de relato.

“Têm mulheres que começaram (o uso de hormônio) por conta própria outras foram atendidas em clínicas de identidade de gênero, outras que passaram por uma suposta avaliação com psicólogos, psicanalistas e psiquiatras e têm também mulheres que conseguiram endocrinologistas que forneceram o hormônio, sem pedir laudo nenhum”, diz Rodrigues. Segundo ela, a maioria dos casos de “destransição” ocorre em mulheres jovens e lésbicas.

O médico catarinense José Carlos Martins Júnior, referência em cirurgias de adequação sexual em pessoas trans no país e no exterior, já realizou mais de 400 operações. Segundo ele, nenhuma paciente sua se arrependeu. Martins Júnior, no entanto, diz saber de casos de arrependimento, em especial de pessoas que optaram por operar fora do país.

“Se a pessoa for operar na Tailândia, ela consulta uma psicóloga, recebe o laudo, e no dia seguinte faz a cirurgia”, afirma.

DIREITOS GARANTIDOS

A  legislação brasileira autoriza cirurgias de adequação sexual, como retirada das mamas, extração dos órgãos reprodutores e a construção de genitálias a partir dos 18 anos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece intervenções cirúrgicas e terapia hormonal desde 2008.

Antes do início de qualquer procedimento, o paciente passa por um acompanhamento multidisciplinar de pelo menos um ano para validar se há, de fato, a “disforia de gênero”. A avaliação requer um perfil médico e psicológico.

CRIANÇAS E PRÉ-TEENS

A transição na infância é para lá de polêmica. A dúvida sobre a identidade é mais comum nas crianças, já que elas tendem a apresentar comportamentos de não conformidade de gênero, independentemente de serem trans. Por exemplo, meninos que gostam de usar vestidos ou meninas que brincam com caminhões.

O bloqueio hormonal é autorizado, com o consentimento dos pais, a partir de quando a criança entra na puberdade. O objetivo é evitar que desenvolva características associadas ao sexo de nascimento, como a menstruação e o surgimento de pelos.

Desde 2012, a Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero (WPATH, na sigla em inglês) diz que os bloqueadores hormonais são “intervenções totalmente reversíveis”. Mas, em entrevista recente à imprensa estrangeira, Erica Anderson, psicóloga na Clínica de Gênero para Crianças e Adolescentes da Universidade da Califórnia, disse “não ter certeza” se os efeitos psicológicos são reversíveis. A cirurgiã Marci Bowers, que fez a transição da ativista americana Jazz Jennings e assumirá em 2022 a WPATH, é contrária ao uso precoce de bloqueadores e critica a censura ao debate sobre os procedimentos hoje adotados.

ADOLESCENTES

No Brasil, 16 anos é a idade mínima para o início da terapia hormonal (não confundir com bloqueador hormonal). Alguns efeitos dos hormônios, como crescimento de pelos no caso do hormônio masculino, e formação das mamas, no feminino permanecem mesmo após sua suspensão. Por isso, alguns especialistas acreditam que o ideal seria esperar a maioridade legal para iniciar os tratamentos. Saadeh, da USP, discorda.

“Nessa idade, o adolescente já tem uma noção muito melhor de si. Iniciar a transição na adolescência traz diversos benefícios para a saúde mental e social desses jovens”, afirma.

A WPATH recomenda que os pacientes que buscam a hormonioterapia sejam examinados para identificar transtornos. No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a realização de procedimentos hormonais (e também cirúrgicos) em pessoas diagnosticadas com transtornos mentais graves.

Nos Estados Unidos, críticos levantam a hipótese de que crianças e adolescentes com diferentes transtornos ou lésbicas estejam sendo incentivadas a se definir como transgênero. Parte dos médicos, no afã de ser acolhedora, estaria errando a avaliação.

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