OUTROS OLHARES

NA PONTA DA LINGUA

Banco de DNA com saliva e suor de criminosos ajuda polícia a prender assaltantes e estupradores

Entre 2008 e 2019, Welington Ribeiro se tomou um dos maiores estupradores em série do Brasil. Seu modo de agir era quase sempre o mesmo: se aproximava, anunciava um assalto, obrigava as vítimas a subirem na sua moto e as levava, sob ameaça. para um lugar isolado onde consumava o crime. Sem usar o capacete para dificultar a identificação, foi preso algumas vezes por casos isolados, fugia e voltava a atacar mulheres. Com a prisão em setembro de 2019, a carreira criminosa foi interrompida: graças à Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos do Ministério da Justiça, a Polícia de Goiás, até agora, identificou ao menos 40 vítimas.

A prisão de Wellington Ribeiro é uma das mais de três mil investigações ao redor do país que, de acordo com relatório de novembro do ministério, foram beneficiadas pela ampliação dos bancos de perfis genéticos nos últimos três anos. O armazenamento de DNAs de criminosos, compartilhados entre as polícias estaduais e federais, soma atualmente mais de 136 mil amostras genéticas, a maior parte de indivíduos condenados.

“O banco acusa quando tem vários perfis coincidentes sendo inseridos. E nós tínhamos esses casos de crimes sexuais, mas ainda não sabíamos quem era o criminoso. Quando percebemos que teve várias coincidências, levamos para a Polícia Civil e mostramos que havia uma semelhança geográfica também: a maioria dos casos era na região de Aparecida de Goiânia. Uma força-tarefa chegou ao estuprador”, explica Marcos Egberto Melo, superintendente de Polícia Científica de Goiás.

136 MIL AMOSTRAS

O perfil genético de Ribeiro foi Incluído no banco de dados em 2015 após ser coletado em uma das vítimas.

A Policia, entretanto, não sabia sua identidade. Dois anos depois, outra mulher foi vítima de Ribeiro, e o DNA novamente apareceu no sistema, que acusou uma coincidência. Em 2018, o número de amostras coletadas com “match” chegou a nove. A operação para prender Ribeiro no ano seguinte durou 45 dias e envolveu inúmeros policiais. Foragido de um presídio desde 2013, ele passou anos enganando a polícia. Desde então, acumula derrotas e condenações na Justiça.

“É uma ferramenta muito poderosa, porque o perfil genético é uma prova técnica praticamente inconteste num tribunal. E, além disso, os materiais coletados que nos permitem chegar à autoria são variados: sangue, cabelo e até mesmo um simples toque”, afirma Maio.

A estratégia de ampliar o banco de dados de perfis genéticos ocorreu a partir do início do mandato do presidente Jair Bolsonaro. Até novembro de 2018, havia 18 mil perfis cadastrados. Segundo os dados levantados pelo Ministério da Justiça, 74% dos 136 mil perfis existentes hoje são de condenados. A Lei de Execução Penal de 1984 já determinava a coleta de perfis genéticos, mas a norma não era cumprida à risca. A partir de lei aprovada em 2012, é obrigatória a identificação do perfil genético de criminosos condenados por crimes graves como homicídios, latrocínios, sequestros ou estupros.

Até novembro deste ano, segundo a pasta, foram observadas 4.238 coincidências no banco: isso acontece quando um perfil genético incluído no sistema é idêntico a outro que já está lá, como ocorreu com os dos crimes cometido por Ribeiro entre 2015 e 2017. Na última semana, a Polícia Federal prendeu 15 bandidos por participação no mega assalto a banco de Araçatuba, no interior de São Paulo. A identificação de alguns deles só foi possível graças a vestígios deixados pelos suspeitos, impressões digitais, marcas de sangue, saliva e até mesmo suor. As investigações apontam que muitos assaltantes vieram de cidades maiores como São Paulo e Campinas. Ao todo, 32 pessoas já foram pesas. “Não existe crime perfeito. A capacidade técnica das políticas hoje permite que a gente identifique e depois localize o criminoso”, comemorou à época Rodrigo Bartolamei, superintendente da Polícia Federal.

A maioria das coincidências  é entre vestígios, isto é, DNAsidênticos encontrados em dois locais de crimes distintos. Ao todo, foram 3.226 coincidências desse tipo. Há, entretanto, coincidências entre vestígios e indivíduos: quando o DNA de uma pessoa que já está no sistema é encontrado na cena do crime.

GANGUE DE MOTEL

Em outro caso também elucidado pela polícia, um grupo que assaltava motéis além de cometer estupros, foi identificado pelo DNA. A quadrilha praticava os crimes em Goiás e no Maranhão. Peritos do Maranhão tinham inserido os perfis genéticos no banco após a prisão de dois suspeitos e houve compatibilidade com substâncias retiradas de locais de crime.

A conclusão de investigação de crimes sexuais merece destaque entre os resultados. Duas a cada três coincidências são relacionadas a esse tipo de ocorrência. No caso das coincidências de DNA entre um vestígio e um indivíduo, os crimes sexuais respondem por 56%.

Além disso, em alguns estados, o banco tem sido utilizado para ajudar na identificação de desaparecidos. Em mutirões, são coletados o DNA de familiares que estão em busca de seus parentes. Os perfis genéticos sã incluídos, então, no banco de dados em busca de semelhanças com o de pessoas desaparecidas. Até o momento, foi possível estabelecer vínculos genéticos de 156 pessoas desaparecidas, de acordo com o Ministério da Justiça.

“Esses corpos ficam no IML esperando um familiar para serem identificados. Em algumas situações, isso é impossível porque se trata de ossadas, cadáveres em decomposição ou pessoas sem documentos”, afirma Melo. Em 2019, o Ministério da Justiça investiu R$ 35 milhões no trabalho do banco de perfis. Em 2020, os investimentos saltaram para R$ 80 milhões, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública, Polícia Federal e secretarias de segurança estaduais.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 19 DE JANEIRO

LIVRAMENTO PELO SANGUE

… quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito (Êxodo 12.13).

A Páscoa foi o momento decisivo da saída do povo de Israel do Egito. A palavra “páscoa” significa “passagem”. O anjo que executou o juízo divino sobre os primogênitos do Egito poupou os primogênitos israelitas, não porque fossem melhores do que os egípcios, mas porque estavam debaixo do sangue do cordeiro. Naquela fatídica noite do juízo, o cordeiro foi imolado e seu sangue foi passado nos batentes das portas. O sangue aplicado tornou-se o escudo protetor. O livramento da morte não tinha a ver com as qualidades morais ou espirituais de cada primogênito. O único distintivo que separou os que viveram dos que morreram foi o sangue. Na noite em que Deus passou pela terra do Egito para executar juízo sobre todos os deuses do Egito, foram mortos todos os primogênitos, desde os homens até os animais, exceto aqueles que estavam debaixo do sangue. A páscoa tipificava o derramamento do sangue de Cristo. Jesus é o nosso cordeiro pascal. Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É por meio do seu sangue que fomos libertados da morte. É por meio do seu sangue que somos purificados de todo pecado. É por meio do seu sangue que somos reconciliados com Deus. Não há remissão de pecados sem derramamento de sangue. Porém, sangue de animais não pode limpar-nos; somente o sangue de Cristo. A páscoa era uma sombra; a realidade é Cristo. O sangue do cordeiro aplicado nas vergas das portas era um tipo de sangue de Jesus aplicado em nosso coração.

GESTÃO E CARREIRA

O QUE EU IA FAZER MESMO?

O conceito de foco profundo, que estimula a capacidade de se concentrar sem distrações, ajuda a diminuir a ansiedade e a aumentar a inovação. Saiba como implementá-lo em sua empresa

Conseguir manter o foco é algo raro hoje em dia. Em um mundo hiperconectado, no qual as informações chegam de todos os lugares – e-mail, telefone, WhatsApp, aplicativos corporativos de mensagens -, e tendo que conciliar diversos papéis durante o trabalho, dedicar-se a uma atividade sem interrupção tem sido difícil para muitos. Isso sem falar nas preocupações com a saúde, com a crise econômica e com a família, que se intensificaram com a pandemia de covid-19. Quando menos esperamos, em meio à produção de um relatório importante, lá vem mais distração – seja com uma notícia que chega sem aviso, seja com as mensagens que não param de aparecer.

Um estudo feito pela professora Gloria Mark, do departamento de informática da Universidade da Califórnia Irvine (UCI), mostra que as pessoas trocam de atividade, em média, a cada três minutos. Segundo ela, isso torna impossível o trabalho profundo, ou seja, a concentração em uma tarefa. Gloria exemplifica com a elaboração de um artigo. Para escrever algo com mais complexidade, uma pessoa leva em torno de uma hora para começar a pensar com criatividade. Assim, se mudar de tarefa a cada dez minutos, por exemplo, não será capaz de pensar com a concentração que a atividade exige. Isso porque trocar completamente o tipo de pensamento e voltar à atividade principal é mais difícil quando pulamos de uma obrigação para outra sem parar.

SOBRECARGA COGNITIVA

Para melhorar o foco, é possível usar uma técnica interessante: o deep work, ou foco profundo, conceito cunhado por Cal Newport, professor na Universidade de Georgetown e autor de Trabalho Focado: Como Ter Sucesso em um Mundo Distraído (Alta Books). Ele define o deep work como a capacidade de se concentrar, sem distrações, em uma tarefa que exige muito poder cognitivo. Segundo o autor, é uma habilidade que permite dominar mais rapidamente informações complicadas e produzir melhores resultados em menos tempo. Cal explica em seu livro que a maioria de nós perdeu a capacidade de se aprofundar e passa os dias numa corrida frenética de escrever e-mails, checar as redes sociais e apagar incêndios. Esse comportamento impacta a inovação e a produtividade. “O problema é que isso está virando normal. Vejo pessoas participando de um treinamento, por exemplo, ao mesmo tempo que respondem a e-mails e interagem em uma reunião virtual. O cérebro não foi feito para se repartir em tantos focos de atenção”, afirma a psicanalista Claudia Cavallini, consultora e professora na HSM Educação Executiva. Segundo ela, isso acontece, na maior parte das vezes, em consequência das equipes reduzidas e do medo de perder o emprego. A sensação de muitos é que é preciso dar conta. “Há tanta pressão, hoje, para as pessoas acompanharem o ritmo das mudanças, que há uma sobrecarga cognitiva – o oposto do deep work”, diz Caroline Marcon, fundadora da Marcon Leadership Consulting e sócia da Field Top Teams Consulting, consultorias de desenvolvimento de times executivos. Para ela, o foco profundo é uma das habilidades mais raras hoje em dia – e uma das mais valorizadas e importantes. “Quem conseguir entrar nesse estágio irá se diferenciar e ter insights inovadores. Isso porque, para inovar, precisamos refletir e descansar. Ou seja, dar tempo para a mente se recuperar e, assim, ter mais ideias”, afirma Caroline.

FOCO SE CRIA

A boa notícia é que é possível desenvolver foco, como explica o educador Eduardo Valladares, designer de experiência de aprendizagem. “Foco não é uma habilidade inata. Foco se cria e pode ser desenvolvido a cada dia”, diz. Segundo ele, a grande dificuldade do trabalho focado é que as pessoas não depositam a atenção necessária em cada atividade por causa das distrações vindas da tecnologia, da sobrecarga de trabalho e das muitas demandas de que precisam dar conta. “É preciso um exercício diário, sempre realizando uma coisa de cada vez”, diz. Par a isso, o planejamento é essencial. Algumas perguntas podem ajudar nesse sentido: quais são as demandas da semana? O que é prioridade? Quais imprevistos podem acontecer? “A separação do tempo, o planejamento e a priorização são cruciais para o trabalho focado”, afirma Eduardo. É importante também cogitar os imprevistos, como não ter sinal de internet ou enfrentar algum problema pessoal que não possa esperar. “Pensar num plano B ajuda a não perder a concentração”, afirma.

Roberta Valezio, gerente de engajamento e experiência da Neon, é um exemplo de profissional que aprendeu a ter foco. Ela encontrou no deep work uma alternativa para sua vida agitada e seu perfil multitarefas. “Sempre fui uma criança agitada. Fazia violão, natação, cantava na igreja. Quando entrei no mercado de trabalho, essa característica me acompanhou”, diz. Mas, segundo Roberta, a rotina ficou insustentável, com efeitos em seu corpo, como perda do sono, irritabilidade e ansiedade. Ela lembra que dormia com um caderno ao lado da cama para fazer anotações de ideias e projetos que surgiam durante a noite. “Comecei a pensar em como tirar aquele caderno de lá. Cheguei à meditação e a conceitos como o deep work”, afirma. Entre as técnicas, ela utiliza a disciplina do sono, o planejamento, a meditação e a reserva do tempo. “Sempre olho para a semana antes de ela começar. Claro que há imprevistos, mas planejo meus dias no domingo, reservando tempo para os assuntos prioritários, por exemplo, e estabelecendo quais pratos eu não posso deixar cair.”

Outro ponto importante para a gerente é organizar os horários para as atividades que demandam mais e menos concentração. Roberta divide o tempo em blocos, pois como RH precisa interagir com várias áreas, é necessário saber como irá agir. “Reservo, por exemplo, duas horas ininterruptas para desenhar um projeto ou estudar o mercado, e períodos para checar os canais de comunicação.” Segundo ela, um ponto importante para essa rotina dar certo é fazer combinados com a equipe e com a família. “Os acordos são essenciais. Aviso ao meu time que em determinado período ficarei indisponível e, se algo urgente acontecer, peço para me ligarem”, diz.

Outro hábito de Roberta é dormir oito horas por noite. “Às 22 já me desconecto das redes sociais para, às 23, conseguir dormir com tranquilidade. Acordo às 7 revigorada e pronta para o meu dia. Voltei até a sonhar”, diz. Roberta lembra que, antes do deep work, vivia num ritmo desenfreado, de só apagar incêndios. “Hoje tenho muita clareza de quais são minhas prioridades e do que preciso entregar”, afirma. Segundo ela, além de ajudar na própria concentração, a prática se reflete na equipe e até nos indicadores de clima. ”Você passa a liderar de maneira mais empática e respeitosa.”

CULTURA, COMUNICAÇÃO E LIDERANÇA

Disseminar a importância do trabalho focado exige, muitas vezes, criar uma nova cultura e repensar, por exemplo, como a liderança se comporta no dia a dia. A gestão é baseada na confiança ou no tradicional formato de comando e controle? As pessoas têm liberdade de falar com os líderes? Como a empresa orienta – e cobra – os lideres sobre seus relacionamentos com as equipes? Para o foco profundo dar certo, é preciso, por exemplo, um balanço entre a comunicação síncrona, aquela que acontece em tempo real, e a assíncrona, cujas respostas podem ocorrer de forma intermitente. “Um líder que solicita a disponibilidade da equipe 24 horas por WhatsApp, por exemplo, e exige respostas em cinco minutos, nunca terá um funcionário focado”, diz Eduardo. A recomendação é o equilíbrio. Claro que reuniões são importantes e há assuntos urgentes, mas é necessário refletir sobre o que realmente precisa ser definido em um encontro e quais profissionais devem estar presentes. “Hoje, há uma marcação desenfreada de reuniões. Algumas pessoas nem precisavam estar na conversa, mas são chamadas”, diz Claudia.

Na Alelo, o RH criou o Dia do Foco. Toda quarta-feira, a companhia incentiva e orienta os funcionários a não agendar reuniões para que possam se dedicar a atividades que exigem mais concentração, como a construção de materiais e projetos, ou a realização de treinamentos. O objetivo é ter um dia de trabalho sem interrupções. De acordo com Soraya Bahde, diretora de gente e transformação da Alelo, a ideia surgiu depois de uma pesquisa interna sobre melhorias na rotina de trabalho. “A maioria relatou o excesso de reuniões como um entrave para a produtividade”, diz. O levantamento colheu frases do tipo: “precisamos diminuir a quantidade de reuniões; somos tomados 100% do dia por elas, e não sobra tempo para planejar e executar as atividades”; “há reuniões em excesso; tem dias em que elas acontecem durante todo o expediente e só tenho o horário depois disso para, de fato, trabalhar”.

Para auxiliar o time a aproveitar bem o  Dia do Foco,  a empresa criou um manual de boas práticas, com dicas de como realizar um trabalho concentrado. Nele, há recomendações como comprometimento no dia e transparência na comunicação. Uma vez que convites de reuniões podem surgir, a recomendação é que, se não for algo urgente, a data seja renegociada. Além disso, o manual tem dicas para otimizar o tempo, que incluem planejar as atividades e separar um período para responder e-mails e olhar os canais de comunicação. O documento também aborda a importância dos combinados com o líder sobre os momentos em que estará ausente e estimula pausas entre uma tarefa e outra. “Os resultados têm sido ótimos. Nas reuniões mensais sempre surgem comentários sobre os benefícios da prática, e alguns colegas de RH já me procuraram para implementar algo do tipo nas empresas em que trabalham”, afirma Soraya.

REMOTO X PRESENCIAL

Os níveis de distração podem ser diferentes no home office e no escritório. Mas isso depende do ambiente que o trabalhador tem em casa e se ele divide o espaço com a família ou com os amigos. Pais e mães podem ter mais dificuldade de concentração no trabalho remoto, pois geralmente têm mais interrupções.

Por isso é tão importante o papel do líder, que deve conhecer sua equipe e investir em conversas individuais para entender o contexto de cada um. Nesse sentido, a empresa pode fornecer dicas para ter um home office mais focado, como reservar um espaço para o trabalho, fazer acordos com as outras pessoas da casa e manter a mesa arrumada. “Um local limpo e bem organizado ajuda muito na concentração. Olhar uma pilha de coisas em cima da mesa pode interferir no foco”, explica Caroline. Apesar de a atenção em casa variar de acordo com o cenário individual, Caroline reforça que, nas empresas, é importante pensar em locais mais introspectivos para as atividades que exigem silêncio e concentração. “Ouvimos muito sobre espaços compartilhados e abertos para promover a integração, mas as companhias não podem esquecer de contar com áreas reservadas, como locais de reflexão e concentração”, afirma. Na visão de Claudia, é a hora de repensar os ambientes. “Precisam ser colaborativos, mas também respeitosos e voltados para combater o ruido”, diz.

EQUIPES MAIS CONCENTRADAS

O passo a passo para implementar o conceito de foco profundo em sua empresa

1. REALIZE UM DIAGNÓSTICO

O ponto de partida é ouvir as pessoas e entender quais são as principais queixas dos profissionais em relação ao desenvolvimento de suas atividades. A recomendação é realizar pesquisas de clima, conversas entre equipes e líderes, e pesquisas curtas (pulses.) Há muitas reuniões? Os gestores atuam no esquema de comando e controle, exigindo respostas imediatas? Os funcionários costumam planejar a agenda? Quais atividades prejudicam o trabalho concentrado?

2. ESTABELEÇA UM MANUAL DE BOAS PRÁTICAS

O ideal não é impor, mas criar em conjunto. É importante estabelecer, junto com o time, regras e condutas que favoreçam o foco, a cooperação e a boa convivência. É possível, por exemplo, ter um dia da semana livre de reuniões, orientar que não se marquem conversas na hora do almoço ou no final do dia, evitar mandar mensagens via WhatsApp por qualquer motivo, além de respeitar o outro quando ele disser que não pode responder em determinado momento.

3. PROMOVA TREINAMENTOS

É essencial levar informação aos funcionários por meio de treinamentos que abordem os conceitos do deep work e maneiras de inseri-los no dia a dia. “Depois do treinamento inicial, estabeleça uma agenda de conteúdos, que podem ser pílulas de incentivo sobre alguns pontos do deep work, como o uso consciente do celular, dicas para montar uma agenda inteligente ou a importância das pausas”, diz Rosana Fonseca, professora na Universidade São Judas.

4. CONSCIENTIZE A LIDERANÇA

Os líderes devem ser os propagadores das boas práticas de foco. Para isso, é essencial que o RH realize um trabalho de conscientização com os gestores, reforçando a importância da confiança e das conversas individuais. Afinal, não adianta pedir concentração se o gestor manda e-mails e convoca reuniões a todo momento, e ainda quer controlar as atividades do liderado. “Não é porque um aplicativo está disponível que as pessoas devem estar disponíveis. O profissional precisa ter a liberdade de dizer que não pode responder em determinado momento”, afirma Eduardo Valladares, designer de experiência de aprendizagem.

5. TRABALHE TEMAS DE COMUNICAÇÃO

A comunicação impacta diretamente o foco, por isso precisa ser desenvolvida. É conversando com a liderança, por exemplo, que um profissional defende o período em que precisa de mais concentração. Segundo a psicanalista Claudia Cavallini, as empresas devem ajudar os funcionários a descobrir qual é a melhor maneira de trabalhar e de falar sobre isso – o que pode ser feito com a disseminação de conceitos como autoconhecimento, comunicação assertiva e não violenta e segurança psicológica.

POR DENTRO DO FOCO TOTAL

As quatro regras do conceito criado por Cal Newport

1ª – TRABALHE PROFUNDAMENTE

É preciso estabelecer rotinas e rituais em seu dia. Para isso, pergunte: onde você vai trabalhar e por quanto tempo? Como vai desempenhar as atividades depois que começar a trabalhar? Quais apoios haverá no seu dia? Lembre-se que dá para estipular momentos de pausa para um café e horários para olhar as notícias, assim como agendar as tarefas focadas nos mesmos dias e períodos

2ª – ACEITE O TÉDIO

A ideia é parar de olhar sua caixa de e-mail e as redes sociais em todas as oportunidades que tiver. Segundo Cal, obter o máximo de trabalho focado exige treinamento para aprimorar a capacidade de concentração e superar o desejo por distração. Isso quer dizer que, se você ceder às distrações quando estiver entediado, será muito difícil desenvolver algum tipo de concentração intensa.

3ª – ABANDONE AS REDES SOCIAIS

De acordo com Cal, essas mídias fragmentam nosso tempo e reduzem a capacidade de concentração. Assim, determine um horário curto para a navegação e respeite-o.

4ª – ELIMINE A SUPERFICIALIDADE

É difícil evitar que as trivialidades se espalhem na agenda sem encarar seu equilíbrio atual entre trabalho focado e superficial. Por isso, Cal orienta que se pergunte o que faz mais sentido executar naquele momento. É importante ter essa reflexão antes de começar a agir sem planejamento.

COMO ESTÁ SUA CONCENTRAÇÃO?

O teste abaixo, desenvolvido  por Eduardo Valladares, educador e designer de experiência de aprendizagem ajuda a mapear se você está com problemas de foco. Responda às perguntas com sinceridade

*** Você consegue ficar uma hora sem necessariamente dividir a atenção com outros dispositivos além do que está usando no momento? Ou está no computador e pega o celular para checar uma mensagem?

*** Você consegue ler um texto em silêncio por cinco minutos sem pensar em outros assuntos? Ou para e vai fazer uma atividade aleatória (como tirar a roupa do varal) ou começa a escrever um relatório que precisa fazer a tarde?

*** Você escuta, por exemplo, um podcast e consegue reproduzir o que estava ouvindo? Faça um teste. Ouça os cinco minutos iniciais e dê uma pausa. O que ouviu até agora?

RESULTADO:

Se você tem dificuldade de realizar essas tarefas, talvez seja a hora de rever seu foco.

EU ACHO …

SUSTENTO FEMININO

Estive participando de um seminário sobre comportamento, onde foi dito que as mulheres estão de tal forma cansadas de suas múltiplas tarefas e do esforço para manter a independência que começam a ratear: andam sonhando de novo com um provedor, um homem que as sustente financeiramente. Não acreditei. Outro dia discuti com uma amiga porque duvidei quando ela disse estar percebendo a mesma coisa, que as mulheres estão selecionando seus parceiros pelo poder aquisitivo – não só as maduras e pragmáticas, mas também as adolescentes, que ainda deveriam cultivar algum romantismo.

Então é verdade? Pois me parece um retrocesso. A independência nos torna disponíveis para viver a vida da forma que quisermos, sem precisar “negociar” nossa felicidade com ninguém. São poucos os casos em que se pode ser independente sem ter a própria fonte de renda (que não precisa obrigatoriamente ser igual ou superior à do marido). Não é nenhum pecado o homem pagar uma viagem, dar presentes, segurar as pontas em despesas maiores, caso ele ganhe mais – é distribuição de renda. Mas se é ela que ganha mais, a madame também pode assumir o posto de provedora sênior, até que as coisas se equalizem. Parceria é uma relação bilateral. É importante que ambos sejam autossuficientes para que não haja distorções sobre o que significa “amor” com aspas e amor sem aspas.

As mulheres precisam muito dos homens, mas por razões mais profundas. Estamos realmente com sobrecarga de funções – pressão autoimposta, diga-se –, o que faz com que percamos nossa conexão com a feminilidade: para ser mulher não basta usar saia e pintar as unhas, essa é a parte fácil. A questão é ancestral: temos, sim, necessidade de um olhar protetor e amoroso, de um parceiro que nos deseje por nossa delicadeza, nossa sensualidade, nosso mistério. O homem nos confirma como mulher, e nós a eles. Essa é a verdadeira troca, que está difícil de acontecer porque viramos generais da banda sem direito a vacilações, e eles, assustados com essa senhora que fala grosso, acabam por se infantilizar ainda mais.

Podemos ser independentes e ternas, independentes e carinhosas, independentes e fêmeas – não há contradição. Estamos mais solitárias porque queremos ter a última palavra em tudo, ser nota 10 em tudo, a superpoderosa que não delega, não ouve ninguém e que está ficando biruta sem perceber.

Garotas, não desistam da sua independência. Façam o que estiver ao seu alcance, seja através do trabalho ou do estudo, em busca de realização e amor-próprio. Escolher parceiros pelo saldo bancário é triste e antigo, os tempos são outros. É plausível que se procure alguém com o mesmo nível intelectual e social, com um projeto de vida parecido e com potencial de crescimento – mas para crescerem juntos, não para garantir um tutor.

A solidão, como contingência da vida, não é trágica, podemos dar conta de nós mesmas. Mas, ainda que eu pareça obsoleta, ainda acredito que se sentir amada é o que nos sustenta de fato.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

SUPLEMENTOS DE COLÁGENO REALMENTE IMPACTAM PELE, CABELO, UNHAS E ARTICULAÇÕES?

Benefícios parecem ser limitados, explicam especialistas, que não fazem indicação da suplementação para pacientes com osteoartrite

O colágeno é a principal proteína estrutural em animais, incluindo os seres humanos, desempenha um papel vital em tecidos como ossos, tendões, ligamentos, cartilagem e pele.

Também é cada vez mais popular em suplementos nutricionais, que afirmam repor esses mesmos tecidos.

“Consuma mais colágeno animal na forma desses suplementos, e você terá pele, cabelo e unhas mais saudáveis, além de acalmar as articulações e ajudar a função digestiva’, prometem os rótulos.

Tais suplementos são feitos de tecidos animais ricos em colágeno que poderiam serdescartados pelos processadores de carne, como pele e ossos de bovinos e suínos, bem como escamas e pele de peixe. Asproteínas são primeiro desnaturadas para formar gelatina e depois quebradas em fragmentos menores antes de serem incorporadas em produtos como pós, gomas, cápsulas e barras de proteína.

Suplementos comercializados como “colágeno à base de plantas” não contêm realmente colágeno: eles afirmam ajudar a produção de colágeno com uma mistura de aminoácidos, vitaminas e minerais.

PESQUISAS INCONCLUSIVAS

Qualquer benefício possível de um suplemento como o colágeno depende de como ele é digerido e absorvido no trato gastrointestinal e se os produtos da digestão podem chegar aos tecidos-alvo e ter um efeito terapêutico. Algumas pesquisas analisaram partes dessa sequência e indicaram alguns possíveis benefícios, mas a história está longe de estar completa.

Veja a pele, por exemplo. O colágeno é uma das principais proteínas da derme, contribuindo para sua firmeza e elasticidade, explica Diane Berson, professora associada de dermatologia na Faculdade de Medicina Weill Cornell, em Nova York. A partir dos 20 anos, começamos a perder colágeno da pele, e ele pode ser ainda mais danificado pela exposição a fatores ambientais, como luz sombra, fumaça de cigarro e poluição. Tudo isso leva a flacidez, enrugamento e secura, disse Berson.

Mas ela não está convencida de que ingerir colágeno pode atenuar esses efeitos. Alguns estudos mostram que tomar suplementos de colágeno por vários meses  pode melhorar a elasticidade, a umidade e a densidade do colágeno na pele, mas Berson observa que são estudos pequenos e patrocinados pelas fabricantes dos  produtos, aumentando a chance de vieses na pesquisa.

“Não acho que esteja em posição de ridicularizá-los e dizer que isso definitivamente não funciona. Mas, como médica, gostaria de ver mais ciência baseada em evidências”, disse ela.

Em vez disso, Berson enfatiza a importância de usar proteção solar, manter uma dieta saudável, beber muita água, evitar a fumaça do cigarro e dormir o suficiente – todas formas de cuidar do colágeno que você já tem, em vez de tentar reabastece-lo com suplementos”, concluiu.

Existem poucas pesquisas sobre os efeitos do consumo de colágeno no cabelo e nas unhas. Um pequeno estudo descobriu que diminuiu a quebra da unha, mas faltou um grupo de controle para comparação. Outro produto que inclui colágeno como um dos muitos ingredientes parece melhorar o crescimento do cabelo, mas é impossível dizer que papel ele pode desempenhar nessa mistura.

REGULAMENTAÇÃO

Letícia Deveza, bolsista de reumatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Sydney, na Austrália, não recomenda de forma rotineira suplementos de colágeno para pacientes com osteoartrite.

“A melhor evidência disponível sugere que eles têm apenas pequenos efeitos sobre a dor nas articulações, que provavelmente não são significativos para os pacientes”,   disse ela, acrescentando: “Minha preocupação é as pessoas confiarem demais em suplementos que não têm benefícios claramente demonstrados e negligenciar outros componentes importantes do tratamento da osteoartrite, como exercícios e controle de peso.

Suplementos de colágeno também são comercializados para atletas, mas “não há evidências que mostrem que tomar proteína de colágeno melhore sua capacidade de reconstruir ou curar”, disse Stuart Phillips, professor de cinesiologia da Universidade Mc Master em Ontário, Canadá, e autor de um recente estudo internacional sobre suplementos dietéticos.

As alegações são “em grande parte lixo”, disse ele, acrescentando que a indústria de suplementos não é bem regulamentada.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

META DE ANO-NOVO É NÃO SE ENTUPIR DE METAS E CUIDAR DA SAÚDE MENTAL

Fazer listas pode ser gatilho para estresse, ansiedade e burnout; para especialista, é preciso fugir do ‘ritmo empresarial’

É chegada a reta final do ano e, há quem aproveite os recessos para traçar as famigeradas metas de ano-novo, as quais, não raro, são as mesmas de anos anteriores. Se você se identificou, provavelmente faz parte da maioria das pessoas que não cumpre os objetivos estabelecidos para o período.

Segundo estudo da Universidade de Scranton, na Pensilvânia (EUA), apenas 8% consegue concretizar o que idealizaram. E, se a solução fosse simplesmente não fazer resoluções de ano-novo?

Embora adotadas para nortear objetivos futuros, de ordem pessoal ou profissional, as listas de metas podem se tornar verdadeiros gatilhos para sofrimentos mentais, como ansiedade, burnout e até depressão, que cresceram na pandemia. Por isso, nem sempre são consideradas uma boa estratégia para todos, de acordo com Guilherme Navarro, psiquiatra clínico é forense e professor da Faculdade de Saúde e Ecologia Humana ( FASEH), em Vespasiano (MG).

 “É problemático pensar que a gente precisa das metas e estabelecer isso enquanto uma unanimidade. Algumas pessoas vão estar em momentos em que faça sentido tê-las, outras não. Quando se coloca isso como algo generalizado, sentimos certa obrigação de funcionar e de pensar dessa forma, o que pode ser fonte de sofrimento”, explica Navarro. A frustração vem, muitas vezes, quando a decisão de se traçar metas parte de introjeções sociais e não de desejos genuínos do indivíduo, o que torna ainda mais difícil cumprir o estabelecido e pode causar sensação de vazio. Isso explica aquelas pessoas que, não se sentindo realizadas, acabam a cada ano criando resoluções ainda mais difíceis de  serem alcançadas. “Cada pessoa tem o seu tempo e está tudo bem”, salienta o professor.

OBJETIVOS MENORES

Foi o que observou Lígia Baleeiro, de 37anos, que, após listas frustradas, decidiu não traçar mais metas nesta época do ano. “É um momento emocional, quando a gente tem muita esperança e por isso se sente motivado a ser melhor e a fazer planos. Embalados por esse clima, acabamos por elaborar projetos grandiosos e vagos.”

Especialista em comportamento e neurociência pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), ela hoje se propõe a fazer auto desafios,   normalmente de curto prazo e que são mensuráveis. Foi assim que conseguiu aprender a dirigir recentemente. ”Essa era uma meta que voltava todo ano.”

A virada de chave se deu quando Baleeiro se identificou como uma pessoa perfeccionista e começou a quebrar as suas metas em objetivos menores. ”Tenho um planejamento mais estruturado de como vou fazer e não fico só num ideal. Antes, desistia quando via que não iria dar certo ou não estava num cenário perfeito. Hoje, revejo a rota e vou tentando até conseguir”, destaca ela.

De acordo com Guilherme Navarro, o padrão de felicidade e sucesso também é influenciado pela forma como a sociedade se organiza no sistema de trabalho, baseado em tópicos e metas. “Temos de alcançar mais e mais, como se fosse uma competição, que também pode ser fonte de aflição e angustia. Se não tomarmos cuidado, nos tornamos nosso próprio chefe, nosso próprio empregado e estabelecemos padrões que não tem tanto a ver com o que almejamos enquanto realizações pessoais.”

Os desejos são inerentes ao ser humano, mas, diz o professor, não precisam ser estabelecidos no tempo empresarial. Ou seja, não significa deixar de ter metas, mas é não colocá-las em velocidade e importância generalizada para todos.

“É engraçado que, no feriado de fim de ano, que é para ser um momento prazeroso, o indivíduo já está pensando de forma acelerada no próximo ano e na próxima meta”, ressalta o psiquiatra. ”Posso não conseguir cumprir um desejo em 2022 e ficar em paz. Não é um fracasso deixar de fazer algo num tempo específico.”

TROPEÇOS

Assim, antes de estabelecer novas resoluções, é preciso perguntar se elas fazem sentido no momento de vida e se, dentro das possibilidades subjetivas e materiais, são possíveis de serem realizadas. Nesse sentido, é preciso ter calma e perceber que tropeços podem acontecer.

Essa é a dica de Tiago Henriques, de 32 anos, criador de conteúdo e autor do livro Era Uma Vez (editora Belas Letras), lançado em outubro, que traz reflexões sobre as inseguranças criativas e a busca pela perfeição. “Comecei o ano passado com projetos demais e um deles era um livro, que exige muita dedicação. Precisei realocar para a frente outra ideia que havia me deixado empolgado e reduzir a carga. Os erros, pausas e reajustes fazem parte do processo e não devem ser usados como justificativa para a desistência”, destaca.

Em seu perfil no Instagram, o tira do papel, Tiago dá dicas sobre como começar a criar constância, respeitando a saúde mental. Segundo ele, é comum começar o ano motivado, mas é preciso inserir hábitos sustentáveis à rotina para que as metas sejam concretizadas. Isso significa sair do plano dos desejos e traçar ações, que envolvam planejamento e autoconhecimento, até para entender o que não deu certo e como melhorar.

M.A

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