OUTROS OLHARES

A BATALHA DA TORÁ

Feministas religiosas exigem igualdade de direitos para rezar no Muro das Lamentações

Todo mês, quando o sol de Jerusalém começa a se levantar no horizonte atrás do Monte das Oliveiras, um grupo de mulheres se reúne na entrada do Muro das  Lamentações com um objetivo: contrabandear um livro religioso para dentro de um lugares mais sagrados do judaísmo. O livro é o Rolo da Torá, também chamado de Sefer Torá. Em algumas vertentes do judaísmo ortodoxo, o acesso das mulheres ao objeto é restrito: elas não podem recitá-lo, apenas escutar sua leitura pelos homens.

Não é no que acreditam as Mulheres do Muro. Desde 1988, as ativistas feministas fazem questão não só de ler os rolos, mas também de adotar hábitos tradicionalmente masculinos na religião, como usar kipá na cabeça e, nos ombros, o talit, o xale para cerimônias religiosas.

PRESA CINCO VEZES

Na luta por direito iguais, as ativistas já compraram briga com judeus ultra ortodoxos, a Suprema Corte, o Parlamento e o governo de Israel. Por causa delas, ir ao muro com uma Sefer Torá privada foi proibido. Como o lugar é separado entre mulheres e homens e só no lado masculino há rolos públicos, a proibição garante que só eles possam rezar.

“Já fui presa cinco vezes, quatro por usar o talit e uma por tentar entrar com o rolo da Torá”, conta  Lesley Sachs, que pega a estrada de Tel Aviv todo mês para se juntar à reza.

A Sefer Torá não é um livro comum. Há uma versão da Torá impressa, à qual mulheres têm acesso. Já os rolos são produzidos por um escriba com pena e tinta preta num pergaminho de pele de animal costurado à mão. Podem demorar um ano para ficarem prontos.

Asmulheres não são proibidas de rezar no muro ( ou KoteI, seu nome em hebraico). Têm, inclusive, uma área reservada. O que incomoda alguns ramos ortodoxos é a adoção de papéis que consideram masculinos. É também objeto de revolta que a reza igualitária “obrigue” os homens a ouvirem vozes femininas.

“Homens ultra ortodoxos não querem ouvir a voz das mulheres. É considerado obsceno”, diz Lesley.

Em resposta ao grupo, o governo passou uma lei dizendo que a reza teria de respeitar os costumes do muro. Domingo passado, a confusão começou cedo. Jovens ortodoxos reclamavam das ativistas que usavam o raio-X  masculino.

“A placa separa a entrada de homens da de mulheres, mas eu acho que tanto faz entro por onde achar melhor”, diz a diretora-executiva Yochi Rappeport.

No dia da reza feminista, a revista é mais intensa do que o normal. Os guardas sabem que elas tentarão entrar com uma Sefer Torá e são orientados a revistar fundos de mochilas e bolsas. Não é toda a sociedade Israelense que se opõe às feministas. Em abril, o rabino reformista Gilad Kariv, recém-eleito para o Parlamento, fez um gesto de solidariedade usando sua imunidade para levar uma Sefer Torá ao muro.

Kariv prometeu repetir a visita em novembro, mas suspendeu os planos depois que o presidente Isaac Herzog se comprometeu a mediar o diálogo para “baixar a temperatura”.

Um juiz também reconheceu os direitos das mulheres de rezarem como os homens, abrindo precedente para a discussão sobre a construção de um espaço igualitário para a reza. Apesar de ter se comprometido com isso no “Acordo do Kotel” de 2016, a pressão dos ultra ortodoxos fez o então premier Benjamin Netanyahu voltar atrás. Hoje, o espaço existe, mas está degradado.

“Não há pressão contra da sociedade, é só um grupo que está contra nós. É o grupo da ortodoxia, que não quer compartilhar a religião judaica com outros grupos. A maioria da população israelense está conosco”, diz a rabina Sandra Kochmann.

A última eleição mudou as perspectivas. Saiu do comando Netanyahu e, junto com ele, foram alijados do poder os partidos ultra ortodoxos. Em campanha para voltar à liderança, o ex-premier aproveita agora para capitalizar no anti­ feminismo e agradar à base ultra ortodoxa. Quando um parlamentar tuitou chamando contra a cerimônia. Netanyahu endossou retuitando o conteúdo que pedia a fiéis que rezassem no local para impedir que o “Kotel fosse profanado”

As ativistas entendem não haver proibição explícita na Torá impedindo mulheres de rezá-la. Esse seria o entendimento dos ortodoxos baseado em interpretações. Eles alegam que o costume é parte da tradição de séculos, uma visão do mundo que não seria discriminatória contra mulheres.

“Na visão judaica ortodoxa, não é que a mulher é tida como um ser inferior ou que a função dela é servir o marido. Ela tem sua função designada e o homem também”, diz o rabino ortodoxo Efraim Schechter. “Elas fazerem isso no Kotel fica uma coisa meio provocativa, já que a maioria dos frequentadores ali é ortodoxa.

‘VÃO ARRUMAR UM MARIDO’

A estrutura para receber as feministas parece mais logística bélica do que religiosa. Cercas de metal separam o caminho do raio-X na entrada até o muro para evitar as cusparadas e os empurrões comuns em cerimônias passadas. As barreiras impedem cenas explícitas de violência, mas não bloqueiam os berros de jovens meninas ortodoxas que se debruçam sobre as grades tentando atrapalhar a cerimônia.

“Elas querem tomar o Kotel para elas. Por que aqui? Elas só vêm aqui para brigar”, diz Ronit Steren, enquanto discute com as ativistas.

O auge da cerimônia acontece quando o mistério é finalmente revelado: sim, as feministas conseguiram entrar com a Sefer Torá. Quando os rolos são levantados no ar, o ambiente fica mais emotivo. Adolescentes americanas que participavam da cerimônia enchem os olhos de lágrimas.

O fim da cerimônia é outra etapa dramática. Dezenas de policiais e soldados do Exército guardam um corredor de isolamento separando as mulheres de manifestantes que as xingam e acusam de profanar o muro. Além de serem acusadas de profanação, há um elemento nacional na disputa. Parte da força do grupo vem da presença de mulheres da diáspora judia, sobretudo dos EUA. Vistas  como estrangeiras anglófonas que só buscam o caos. A concessão que Netanyahu fez quando primeiro concordou em construir uma praça igualitária foi em resposta à pressão de grupos americanos.

“Voltem para a Améríca!” – grita um manifestante. “Vão arrumar um marido!”

No último domingo, ao caos da saída sob protestos de centenas de homens, adolescentes e jovens, que gritavam do outro lado do corredor de isolamento, somou-se a presença do parlamentar da extrema direita Itamar Ben-Gvir.

“Vocês estão profanando a Kotel”, gritava, dedo em riste, usando a imunidade para seguir o caminho de retirada das mulheres por dentro do corredor de isolamento, enquanto apoiadores de fora entoavam “Itamar!”, Itamar!” .

Apesar da oposição barulhenta e da dificuldade de implementar as conquistas na era Natanyahu, há expectativa de mudança e comemoração de vitórias, como o próprio Acordo de Kotel. Um ministro já disse que vai pô-lo em discussão de novo.

“Nossa maior vitória foi o governo ter passado o acordo. Não teria acontecido sem as Mulheres do Muro. Nós mudamos Israel”, diz Lesley Sachs. “Penso nas nossas mães, irmãs, nas sufragistas. Sinto que estamos nos apoiando sobre os ombros delas.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 13 DE JANEIRO

O DESAFIO DE SER UM JOVEM PURO

Falando ela a José todos os dias, e não lhe dando ele ouvidos, para se deitar com ela e estar com ela (Genesis 39.10).

A pureza sexual é uma virtude quase em extinção em nossa decadente sociedade. A maioria dos jovens entra no casamento com múltiplas experiências sexuais. O sexo é uma bênção, pois foi criado por Deus, e tudo o que Deus fez é bom e perfeito. O sexo é puro, santo e prazeroso. Porém, o sexo é para ser desfrutado em sua plenitude no casamento. O propósito de Deus é que os jovens se mantenham castos até o casamento. O namoro dos jovens crentes precisa ser criterioso. Limites devem ser estabelecidos e obedecidos. Aqueles que se entregam ao desejo lascivo perdem a alegria espiritual e acabam minando o relacionamento. O apóstolo Paulo é categórico em sua orientação: que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão; porque o Senhor, contra todas estas coisas, como antes vos avisamos e testificamos claramente, é o vingador (1Tessalonicenses 4.4-6). A pureza sexual é possível, pois Deus não apenas nos dá uma ordem, mas também o poder para cumpri-la. Paulo prossegue: Portanto, quem rejeita isso não rejeita o homem, mas Deus, que vos dá o seu Espírito Santo (1Tessalonicenses 4.8). O poder para uma vida pura vem do Espírito de Deus. Quanto mais cheios do Espírito formos, mais puros seremos!

GESTÃO E CARREIRA

O LADO B DA LIDERANÇA INFORMAL

Incentivar que profissionais assumam postura e funções de liderança dentro das equipes é benéfico para as pessoas e os negócios. Mas é preciso atenção para não acabar sobrecarregando esses talentos

Em um mundo de incertezas e mudanças em alta velocidade, empresas vêm constantemente repensando seus modelos de gestão de modo a se manterem adaptáveis e eficientes. Isso sem perder de vista a motivação e o desenvolvimento das equipes. No contexto atual de ambientes de trabalho dinâmicos e estruturas menos hierarquizadas, profissionais com determinadas habilidades e estilos de atuação ganham a oportunidade de se destacar dentro das equipes como lideres informais. Eles podem não ter autoridade sobre os pares, poder de decisão em questões estratégicas nem autonomia para contratar, demitir e formar equipes, mas acabam desempenhando papel importante no engajamento, no andamento das tarefas e na comunicação com o gestor, por exemplo. Podem ocupar a função temporariamente, na ausência do chefe, ou assumi-la durante a execução de um projeto específico.

“Um líder informal geralmente é aquele profissional que tem influência sobre os colegas por ser carismático e se relacionar bem com todos, tem iniciativa e compreensão das demandas dos projetos e da organização, além de transmitir segurança aos colegas, sobretudo na ausência do líder formal. Ele não necessariamente é designado como representante do time, mas se sobressai naturalmente e se torna um canal direto entre a equipe e o chefe”, diz Vanessa Cepellos, professora da área de gestão de pessoas da FGV­ – Eaesp (veja mais qualidades que esse profissional deve ter no quadro “Como reconhecer uni líder informal?”).

Dar espaço para que os funcionários assumam papéis de liderança informal é uma das melhores maneiras de os gestores demonstrarem reconhecimento e apoiarem seu crescimento, mas não é tudo. É preciso estar presente e “jogar junto”, para que a experiência não acabe custando a saúde, a satisfação com o trabalho e a produtividade desses profissionais, quando não a performance de toda a equipe. De acordo com os achados de uma série de quatro estudos conduzidos por pesquisadores de universidades nos Estados Unidos e na Austrália com trabalhadores, a maioria em início de carreira, esses riscos são reais. A pesquisa foi publicada neste ano no Journal of Organizational Behavior. A explicação é que a dinâmica envolvida em manter o status de liderança, precisando atender às expectativas do chefe e dos pares, ao mesmo tempo que continua tendo que cumprir as atividades previstas para a função ocupada na organização, consome grande esforço mental e cognitivo e pode ser bastante desgastante. Em um dos levantamentos, participantes que tinham posições informais de liderança reportaram níveis de energia e entusiasmo com o trabalho 11% mais baixos do que os colegas que não tinham essa função. A situação foi pior quando os profissionais percebiam que não podiam contar com o chefe para conselho, ajuda ou tomada de decisão – nesse caso, a energia e a satisfação foram 20% menores. Em outro estudo da série, 27 dos 28 trabalhadores entrevistados relataram descontentamento na função de líder informal. Eles associaram a sensação principalmente ao esgotamento (por excesso de tarefas e horas trabalhadas, demandas que extrapolam o cargo, falta de autoridade e de reconhecimento por parte da chefia) e aos estados emocionais negativos gerados por estarem nessa posição (em razão de insegurança, falta de colaboração e confiança dos pares e ausência de reconhecimento e auxílio do gestor).

Um superior presente não só ajuda a diminuir a sobrecarga do líder informal, definindo limites de sua atuação e pegando para si (ou pelo menos compartilhando) responsabilidades-chave como planejamento e monitoramento de entregas da equipe, como também fornece suporte social e emocional – a sensação de poder contar com ele em momentos críticos é suficiente para ajudar a desenvolver autonomia e segurança para tomar decisões. “Além disso, o exemplo acaba vindo dele. Na ausência de um líder em quem possa se espelhar, o profissional menos experiente acaba tendo que encontrar por conta própria maneiras adequadas de exercer seu  papel de liderança informal, o que  pode ser exaustivo e desestimulante”, afirma Chad Chiu, diretor associado do Centre  for Workplace Excellence da University of South Australia e um dos autores do trabalho. “É importante encorajar os profissionais a assumir a liderança, mas também é necessário entender como apoiá-los para que continuem desempenhando papéis de destaque e, com isso, reter talentos valiosos para as organizações”, conclui.

COMO RECONHECER UM LÍDER INFORMAL?

“Liderança é comportamento e atitude, mais do que um cargo ou posição na estrutura da empresa”, afirma a coach executiva Caroline Marcon. Indivíduos que influenciam os demais, seja por causa da confiança estabelecida com os colegas no dia a dia, pela capacidade técnica, história e exemplo de vida, seja pelo comprometimento que têm com o trabalho costumam ser líderes em potencial. É importante que empreendedores e gestores estejam sempre atentos para identificar essas pessoas nas equipes e que, então, se mobilizem para treiná-las e incentivá-las a desenvolver suas potencialidades de forma benéfica para o time, trazer resultados e consolidar os valores da organização e a própria carreira. “Afinal, o verdadeiro líder é aquele que empodera outras pessoas para que também cresçam, ainda que não haja possibilidade de promoção à vista”, diz Caroline. Veja quais competências e características contam na formação de um líder informal.

*** Influência

*** Iniciativa

*** Autoconfiança

*** Boa comunicação

*** Bom relacionamento com a equipe

*** Entusiasmo e disposição

*** Versatilidade e flexibilidade

*** Escuta ativa

*** Capacidade de negociação

*** Ousadia e coragem para assumir riscos

*** Senso de coletividade

*** Diplomacia e facilidade para resolver conflitos

COMO OS GESTORES PODEM AJUDAR

Há diferentes maneiras de estimular e oferecer suporte aos líderes informais na equipe

DEFININDO LIMITES E EXPECTATIVAS

Tanto o líder informal quanto o restante da equipe precisam ter clareza do que é esperado e de até onde vão as atribuições do funcionário que assume mais responsabilidades. “Sem esses limites, o trabalho pode virar bagunça e acabar gerando conflito, disputa de poder entre os pares, insubordinação e frustração para todos”, fala Lígia Costa, mentora de líderes femininas e autora do livro Líder Humano Gera Resultados (Editora Gente). No desejo de entregar tudo o que sabe e superar as expectativas dos colegas e do chefe, pode acontecer de o líder informal se exceder na quantidade de energia ou de tempo dedicado ao trabalho e acabar exaurido, insatisfeito e improdutivo. Conversar e colocar esse tipo de limite no comportamento do empregado também está nas mãos do superior.

RECOHHECENDO E INCENTIVANDO O CRESCIMENTO

Falar em chance de promoção, aumento de salário ou upgrade de cargo é uma forma de apoiar materialmente a dedicação de um profissional destacado como liderança Informal, mas essas possibilidades não devem ser colocadas como condição ou se tornar promessas vazias para que ele aceite mais responsabilidades. Há outros tipos de incentivo a ser oferecidos: cursos, treinamentos e mentoria de liderança ajudam a expandir os horizontes de carreira, e dar autonomia para formação ou ampliação de equipe pode aliviar a possível sobrecarga de atividades no dia a dia.

FORNECENDO FEEDBACKS CONSTANTES

Investir na formação de lideranças informais passa por orientar como elas devem se comunicar com pares, clientes e superiores, avaliar seu desempenho e sugerir maneiras de aprimorar competências necessárias para a função, além de estar aberto a dar conselhos e tirar dúvidas relacionadas ao exercício das atividades. A falta de amparo por parte da gestão formal pode gerar insegurança, ansiedade e paralisia por medo de errar, e acabar afetando a performance e a satisfação do profissional, além do andamento do trabalho.

ATUANDO COMO ALIADOS, NÃO ADVERSÁRIOS

É comum haver insegurança por parte do superior, que passa a se sentir ameaçado ou ofuscado pelo talento do subordinado ou até a ter medo de perder para ele a autoridade sobre o time, o que levaria alguns a pensar em boicotar o surgimento de líderes informais. “Deixar de lado interesses pessoais e pensar no todo da equipe e da empresa ao apostar no desenvolvimento de talentos compartilhando o que sabe é colocar em prática uma mentalidade de abundância e o que se espera de bons líderes”, afirma Caroline Marcon, coach executiva e especialista em desenvolvimento humano.

EU ACHO …

AS HORAS VOAM

Como reduzir o andar da carruagem?

“E mais um ano se passou!” Nas últimas horas que antecederam o réveillon, certamente fizemos comentários como esse. Da mesma maneira que fizemos no fim do ano passado, e do ano anterior, e de todos os outros que vieram antes. A diferença, talvez, é que os intervalos entre os comentários parecem menores a cada vez. “Sim, e passou voando”, ouvimos provavelmente em resposta.

Todos nós já experimentamos a sensação de que não apenas o tempo passa rápido como passa cada vez mais rápido. Só as crianças, ansiosas pela juventude, ficam amuadas ao constatar a lentidão do tempo. A aritmética básica ajuda a explicar a percepção de cada faixa etária. Para uma criança de 5 anos, um ano a mais representa consideráveis 20% da existência; já para quem tem 50, são só 2% a mais. O resultado é a impressão de que quanto mais vivemos, mais o tempo recente parece relativamente menor ao tempo vivido.

A previsibilidade de uma rotina monótona tem peso decisivo nessa percepção. Quando nos esquecemos de desligar o piloto automático, os dias se tornam indistintos, e por isso se sucedem em ritmo acelerado. O trabalho sem desafios, o relacionamento sem manifestações de afeto, o cotidiano que apenas repete situações, as tarefas das quais nos desincumbimos irrefletidamente – tudo isso desestimula a mente, faz com que o nosso cérebro não preste atenção no instante vivido. Aquilo que não mais nos emociona nem nos chacoalha parece contribuir para fazer nosso tempo voar.

Daí a importância de quebrar a rotina. Ninguém precisa fazer uma revolução pessoal por dia nem aderir a radicalismos. Para efeito de estímulo mental, bastam pequenas mudanças. Coisas como alterar um trajeto diário, que se faz de olhos fechados, mudar os ingredientes de uma receita aprovada ou baixar semanalmente um novo aplicativo de celular e aprender os atalhos para usá-lo como um millennial. Podemos também ouvir um gênero musical diferente do que estamos acostumados. Se você gosta de música brasileira, experimente o pop. Se prefere sertanejo, tente um pouco de clássico. Se a sua tribo é metaleira, arrisque umas baladas românticas. O mesmo vale para a atividade física. Não é apenas o corpo que se acostuma a determinados exercícios – a mente também tende a ficar preguiçosa com a repetição. De vez em quando, troque a esteira pela raia, ou vice-versa.

Se a consistência dos hábitos é, por um lado, desejável, a variação não fica atrás. É tornando cada dia realmente único, diferente do anterior e do seguinte, que poderemos nos aproximar da sensação de retardar a passagem do tempo. Se vivermos plenamente cada dia, estaremos criando um repertório de lembranças que nos acompanharão para sempre, dando maior densidade ao tempo.

Se não podemos fazer o tempo retroceder, como o Super-Homem ou a Mulher-Maravilha, é sempre possível nos submeter a esses pequenos desafios, suficientes para provocar sinapses que prolongarão nossas horas neste ano que já começou. Que em 2022 possamos sair do lugar-comum, romper velhos hábitos e viver muitas novas experiências e emoções memoráveis. 

*** LUCÍLIA DINIZ

ESTAR BEM

ATIVIDADE FÍSICA PODE MELHORAR A NOSSA MEMÓRIA

Hormônio produzido pelos músculos durante o exercício a irisina pode entrar no cérebro e aprimorar a cognição nos seres humanos, sugere um estudo promissor conduzido com ratos de laboratório

Um novo estudo intrigante mostra como os exercícios podem melhorar a saúde do cérebro. O experimento foi conduzido em ratos, mas ele descobriu que um hormônio produzido pelos músculos durante o exercício pode chegar ao cérebro e melhorar a saúde e a função dos neurônios, aprimorando o pensamento e a memória em animais saudáveis e também naqueles que tinham uma versão da doença de Alzheimer. Pesquisas anteriores mostram que as pessoas produzem o mesmo hormônio durante o exercício e, juntas, as descobertas sugerem que a atividade física pode alterar a trajetória da perda de memória no envelhecimento e no processo de demência.

Já temos muitas evidências de que o exercício é bom para o cérebro. Estudos em  pessoas e animais mostram que o exercício estimula a criação de novos neurônios  no centro de memória do cérebro e, em seguida, ajuda essas novas células a sobreviver, amadurecer e se integrar à rede neural do cérebro, onde podem ajudar no pensamento e na memória.

Estudos epidemiológicos em grande escala também indicam que pessoas ativas tendem a ter muito menos probabilidade de desenvolver a doença de Alzheimer e outras formas de demência do que pessoas que raramente se exercitam.

Mas como o exercício afeta o funcionamento interno de nossos cérebros em um nível molecular?

Os cientistas especularam que o exercício pode alterar diretamente o ambiente bioquímico dentro do cérebro, sem envolver os músculos. Por outro lado, os músculos e outros tecidos podem liberar substâncias durante a atividade física que viajam para o cérebro e iniciam processos lá, levando a melhorias subsequentes na saúde do cérebro. Mas, neste caso, as substâncias teriam que ser capazes de passar pela barreira hemato­encefálica protetora e impermeável que separa nosso cérebro do resto de nosso corpo.

REDUZ RISCOS DE DEMÊNCIA

Há uma década, essas questões complexas despertaram grande interesse de um amplo grupo de cientistas da Faculdade de Medicina de Harvard e de outras instituições. Em 2012, alguns desses pesquisadores, liderados por Bruce M. Spiegelman e ao lado de Stanley J. Korsmeyer, professor de Biologia Celular e  Medicina no Instituto do Câncer Dana-Farber e da Faculdade de Medicina de Harvard, identificaram um hormônio, até então desconhecido, que era produzido nos músculos de ratos de laboratório e nos seres humanos durante o exercício e depois liberado na corrente sanguínea. Eles batizaram o novo hormônio de irisina, em homenagem a Iris, deusa mensageira na mitologia grega.

Ao rastrear o percurso da irisina no sangue, descobriram que ela frequentemente se concentrava no tecido adiposo, onde era sugada pelas células de gordura, desencadeando uma cascata de reações bioquímicas que contribuíam para transformar a gordura branca comum em marrom. A gordura marrom é muito mais metabolicamente ativa do que a do tipo branco, muito mais a comum, pois ela queima um grande número de calorias.

Portanto, a irisina, ao ajudar a criar a gordura marrom, acelera o nosso metabolismo.

Mas Spiegelman e seus colegas suspeitavam que a irisina também poderia desempenhar um papel na saúde do cérebro. Um estudo de 2019 realizado por outros pesquisadores mostrou que a irisina é produzida no cérebro de ratos após o exercício. Essa pesquisa anterior também detectou o hormônio na maioria dos cérebros humanos doados a um grande banco de cérebros.

Esse estudo sugeria fortemente que o hormônio reduz os riscos de demência. E no novo estudo, publicado em agosto na Nature Metabolism, Spiegelman e seus colaboradores, incluindo Christiane D. Wrann, professora assistente do Hospital Geral de Massachusetts e da Faculdade de Medicina de Harvard, além de autora sênior do novo estudo, se dispuseram a mensurar a ação da irisina.

Eles começaram criando ratos congenitamente incapazes de produzir irisina. Depois colocaram esses e outros animais adultos normais para correrem sobre rodas por alguns dias, algo que os animais parecem adorar fazer. Essa forma de exercício geralmente melhora o desempenho subsequente em testes de memória e aprendizado de roedores, que aconteciam entre os corredores normais. Mas os animais incapazes de produzir irisina mostraram poucas melhorias cognitivas, levando os pesquisadores a concluírem que essa substância é crucial para exercícios que aprimorem o mecanismo do pensamento.

Eles então examinaram mais de perto o cérebro de ratos que tinham e os que não tinham a capacidade de produzir irisina. Todos continham mais neurônios recém-nascidos do que cérebros de camundongos sedentários. Mas, nos animais sem irisina, essas novas células cerebrais pareciam estranhas. “Eles tinham menos sinapses, as junções onde as células cerebrais enviam e recebem sinais, e dendritos, as gavinhas serpenteantes que permitem que os neurônios se conectem ao sistema de comunicação neural. Esses neurônios recém-formados não se integravam facilmente à rede existente do cérebro, concluíram os pesquisadores.

Quando os cientistas usaram produtos químicos para aumentar os níveis de irisina nos animais incapazes de fazer os seus próprios hormônios, a situação em seus cérebros mudava significativamente.

Os pesquisadores também encontraram sinais de redução da inflamação no cérebro dos animais com demência, resultado importante, visto que acredita-se que a neuro­ inflamação acelera a progressão da perda de memória.

MEDICAMENTOS

Observado conjuntamente, esses novos experimentos sugerem fortemente que a irisina é um elemento-chave na “ligação do exercício à cognição”, disse Spiegelman.

Ela também pode algum dia ser desenvolvida na forma de um medicamento. O pesquisador afirmou que ele e seus colegas esperam, eventualmente, testar se as versões farmacêuticas da irisina podem retardar o declínio cognitivo ou mesmo aumentar as habilidades de pensamento em pessoas com Alzheimer.

Esse foi um estudo realizado com camundongos, ressalva-se, e muita pesquisa ainda precisa ser feita para estabelecer se nossos cérebros reagem como o dos roedores à irisina. Também não se sabe quanto ou quais tipos de exercí.io podem aumentar ainda mais nossos níveis de irisina.

No entanto, diz Wrann, o estudo reforça a ideia de que o exercício pode ser “um dos reguladores mais importantes” da saúde do cérebro.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CUIDADO COM SAÚDE MENTAL DE ESTUDANTES PODE EVITAR REPETÊNCIA

Resultados foram revelados em uma pesquisa liderada por um grupo de cientistas brasileiros e britânicos

Pelo menos dez a cada cem meninas que estavam fora da série escolar adequada para sua idade poderiam ter acompanhado a turma se transtornos mentais, principalmente os externalizantes (como déficit de atenção e hiperatividade), fossem prevenidos ou tratados.

O impacto negativo dessas condições mentais também se reflete na repetência: cinco em cada cem alunas não teriam reprovado. Para meninos, seriam  prevenidos 5,3% dos casos de distorção idade-série e 4,8% das reprovações.

Esses resultados foram revelados em sua pesquisa liderada por um grupo de cientistas brasileiros e britânicos e publicada na revista Epidemiology and Psichiatric Sciences. Os pesquisadores buscaram estimar o peso e o impacto de diferentes tipos de condições psiquiátricas nos resultados educacionais, usando como base dados de 2014.

Concluíram, em linhas gerais, que os transtornos externalizantes tiveram efeitos negativos mais amplos e robustos sobre a educação quando comparados a psicopatias ligadas a angústias e medos. Ao analisar por gênero, foram   particularmente prejudiciais para as mulheres, resultando em níveis mais baixos de alfabetização e perpetração de bullying.

“Uma das hipóteses que explicam esse achado é o estigma social, já que não é esperado das mulheres um comportamento agressivo ou exacerbado. Com isso, elas podem sofrer mais e apresentar pior desempenho escolar”, avalia o pesquisador Maurício Scopell Hoffmann, primeiro autor do artigo e professor adjunto do Departamento de Neuropsiquiatria da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

O trabalho, desenvolvido no pós-doutorado de Hoffmann, teve apoio da fapesp e do Newton Fellowship obtido pelo professor e pela pesquisadora Sara Evans-Lacko, na Academy of Medical Sciences do Reino Unido, realizado na London School of Economics and Political Sciences entre 2019 e 2020.

Os dados foram obtidos no Estudo Brasileiro de Coorte de Alto Risco para Transtorno Psiquiátricos na Infância (BHRC), uma grande pesquisa de base comunitária que acompanha crianças e jovens desde 2010.

Fazendo análise das informações referentes a 2014, os pesquisadores contextualizaram as descobertas em uma perspectiva populacional, mas já alertando que eram estimativas conservadoras. Concluíram que, à época, pelo menos 591 mil estudantes poderiam estar na série adequada para sua idade se transtornos psiquiátricos fossem detectados preventivamente e tratados. No caso da repetência, seria possível evitar que cerca de 196 mil alunos ficassem retidos na mesma série.

De acordo com Hoffmann, mesmo tendo passado quase sete anos da base de cálculo, o quadro obtido na pesquisa pode ser replicado para os dias atuais, fornecendo evidências da importância do tratamento e da prevenção de condições psiquiátricas para melhores resultados.

Em 2014, o Brasil registrou 49,8 milhões de matriculas em 188,7 mil escolas de educação básica (públicas e particulares). Em 2020, esses números caíram para 47,3 milhões e 179,5 mil, respectivamente.

Considerado um dos principais acompanhamentos sobre riscos de transtornos mentais em crianças e adolescentes já realizados na psiquiatria brasileira, o BHRC, também conhecido como Projeto Conexão – Mentes do Futuro, faz parte do Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para Crianças e Adolescentes(INPD).

Apoiado pela Fapesp e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o  INPD tem como coordenador geral o professor do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paula (FM-USP) Eurípedes Constantino Miguel Filho e conta com mais de 80 professores e pesquisadores de 22 universidades.

Para o estudo recém-publicado, os pesquisadores analisaram dados da linha de base (iniciada em 2010) e de acompanhamento durante três anos (até 2014) do BHRC, considerando uma etapa de triagem e uma de avaliação.

A pesquisa usou pesos de pontuação de propensão (PSWs, na sigla em inglês) para equilibrar os participantes com e sem condições psiquiátricas para as características basais.

Na triagem, nos dias de matrícula obrigatória em 2020, pais de alunos de 22 escolas públicas de Porto Alegre (RS) e 35 de São Paulo foram convidados a participar. Para a avaliação completa houve a seleção de ‘2.511 famílias. Os alunos tinham de 6 a 14 anos.

Os transtornos mentais foram divididos em três grandes grupos: de angústia e sofrimento (como transtorno depressivo maior e depressivo não especificado, bipolar, obsessivo- compulsivo e  pós-traumático); de medos (pânico, fobias específicas, separação e transtorno de ansiedade social) e os transtornos externalizantes (déficit de atenção, hiperatividade, conduta de oposição e desafio).

O grupo usou a Avaliação de Comportamento de Desenvolvimento e Bem-estar e calculou as porcentagens de risco atribuíveis à população para estimar a proporção de resultados educacionais adversos ligados à condições psiquiátricas.

“Um dos objetivos foi analisar o quanto dos eventos escolares não desejados poderiam ser evitados se os transtornos mentais fossem tratados e em qual medida. Obtivemos um resultado prático muito claro, já que desfechos como distorção idade-série, repetência, desistência escolar e perpetuação de bullying estão ligados”, afirma Hoffmann à Agência Fapesp.

Segundo ele, além dos impactos negativos na educação, os problemas da saúde mental podem limitar no futuro oportunidades socioeconômicas, aumentando desigualdades de gênero no mercado de trabalho, por exemplo.

Estimativas apontam que uma a cada quatro pessoas pode desenvolver quadros de transtornos mentais ao longo da vida, estando entre as principais causas de incapacitação na faixa etária dos 14 aos 50 anos. De acordo com projeções da OMS (Organização Mundial da Saúde), o custo para a economia mundial com esses casos deve chegar a USS6 trilhões em 2030.

“Fazer o diagnóstico correto é o primeiro passo. Isso ajudaria a reduzir alguns problemas enfrentados nas escolas. Políticas que incentivam detecção e intervenção precoce de problemas de saúde mental na infância e adolescência podem ter consequências profundas no nível educacional dos cidadãos” completa o pesquisador.

O Censo Escolar 2020, do Ministério da Educação, apontou que a taxa de distorção idade-série alcança 22.7% das matrículas dos anos finais do ensino fundamental e 26,2% no médio. Além disso, há um aumento dessa taxa a partir do 3º ano do ensino fundamental, sendo mais alta no sétimo ano e na primeira série do ensino médio.

Essa distorção resulta entre outros fatores, do total de alunos reprovados ou que abandonam os estudos durante determinado ano letivo. Dificilmente esse processo é reversível, já que muitas vezes a criança; ao atrasar nos anos iniciais da educação básica, permanece nessa situação até a adolescência.

Esse quadro explica o fato de o Brasil ter o quarto maior percentual de jovens que repetiram de série pelo menos uma vez durante a vida escolar entre 79 países analisados em relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo Hoffmann, que é médico, uma parceria entre educação e saúde, reforçando a prevenção, seria um dos caminhos para reduzir os efeitos negativos nas escolas. “Um exemplo são os casos de déficit de atenção (TDAHs). Sabemos que somente 20% deles são detectados no Brasil. Se a taxa aumentasse em dez pontos percentuais, para 30%, estimamos que cerca de 8.000 repetências poderiam ser evitadas a cada ano”.

Uma das alternativas é contar com a ajuda de professores nesse trabalho. Para isso, o grupo de cientistas criou um material psicoeducativo para pais e docentes tratando do tema e mostrando a importância do papel de mediação para evitar estigmas.

Durante a pandemia, o tema da saúde mental ganhou destaque e novos estudos, principalmente para avaliar os impactos do isolamento social e das aulas à distância. Hoffmann diz que um dos trabalhos dos cientistas agora, liderado pela pesquisadora na área de neurociência e comportamento humano Patrícia Pinheiro Bado, é investigar a relação do engajamento em aprendizagem online com a saúde mental dos alunos.

Há evidências de estudos britânicos publicados recentemente mostrando que, durante a pandemia de Covid-19, jovens, adultos e idosos com transtornos mentais prévios tiveram mais consequências prejudiciais, como a perda de empregos, problemas de saúde e emocionais.

No Brasil, com as escolas fechadas por causa da Covid-19 o Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (Unicef) estimou que 1,5 milhão de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos não frequentaram as aulas em novembro de 2020. Outros 3,7 milhões de alunos matriculados deixaram de ter acesso a atividades escolares e não conseguiram continuar aprendendo em casa.

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