OUTROS OLHARES

CAEM AS MÁSCARAS

O movimento da beleza natural, tão falado durante o confinamento… Será que persiste nesse verão mais flexível?

Em tempos de quarentena, muito se falou sobre a valorização da beleza natural das mulheres. Foi preciso encarar o espelho sem tantos recursos disponíveis e passar a conviver com fios brancos, unhas sem esmalte, rostinho lavado, sobrancelhas desalinhadas … E não é que uma boa parcela gostou e deu voz ao movimento?

Agora, após quase dois anos dominados pela pandemia da Covid, o Rio surfa em uma crescente flexibilização com o avanço do número de vacinados. As máscaras estão caindo (calma, tem um sentido figurado aqui… Liberada apenas ao ar livre e, mesmo assim, todo cuidado é pouco)! O ponto é: a tal aparência ‘como vim ao mundo’ vai se sustentar? Como as mulheres estão deixando a quarentena rumo ao verão carioca, estação mais sedutora do ano?

Segundo a empresa de pesquisa global Euromonitor, a volta ao “normal” está acelerando o mercado brasileiro de saúde e beleza, com expectativa de fechar o ano com crescimento em torno de 4,6%. Nos salões e consultórios dermatológicos, as agendas encheram. Recuperar o tempo perdido? A dermatologista Denise Barcelos afirma, sem titubear, que a preocupação com a aparência e a busca por tratamentos aumentaram muito, Porém, com uma percepção nítida de que há uma nova forma de se cuidar, como reflexo desse período. O excesso de preenchimento vem dando lugar a recursos bem mais voltados para viço, textura e firmeza da pele. “Arrisco dizer que a artificialidade dos rostos iguais vai finalmente ceder para a naturalidade sim. Na minha clínica, a procura está maciça nesse contexto. As pessoas me pedem para derreter os excessos de preenchimento e cuidar verdadeiramente da qualidade da pele. Não dá mais para adiar uma beleza consistente, não adianta só empurrar poeirinha para debaixo do tapete… A pandemia trouxe a meu ver, uma luz e mais consciência sobre a necessidade de um organismo mais saudável, que responderá muito melhor aos tratamentos para estimular colágeno. Não à toa essa procura por meditação e ioga deu um boom depois de meses de isolamento”, defende a médica.

A antropóloga Mirian Goldenberg estuda o tema e recorre, entusiasmada, à palavra “explosão” para definir o período atual. Para ela, o desprendimento dos padrões de beleza se disseminou fortemente com a pandemia  “A maior queixa das mulheres na quarentena foi a de que se sentiam sobrecarregadas, precisando dar conta de tudo e de todos. Nesse cenário, tiveram que reconhecer prioridades e deixaram um pouco de lado os rituais de beleza. Por outro lado, foi libertador! Muitas já queriam assumir cabelos brancos, por exemplo, mas não conseguiam porque há 15 anos, isso era raríssimo, visto como desleixo. Agora, o maravilhoso é ter modificado algo que era desviante, considerado feio. Não é só aceitar, é enxergar como bonito. Mudou o olhar. E o importante não são quantas mulheres já se libertaram, mas como … Estão “militando”, comemora Mirian. A antropóloga traça uma relação com sua tese de doutorado sobre Leila Diniz como a protagonista de uma revolução, causada quando ela apareceu coma barriga de grávida para fora, em 1971. “Não foi apenas uma moda, representou uma libertação, e todo um contexto que mudou depois. Não dá para comparar Leila a nada, mas há algo similar acontecendo.

Pode deixar a celulite aparecer, as rugas, os brancos e ser atraente, feminina. O que quero ressaltar é que esse movimento começou há muito tempo, uns 20 anos, mas agora explodiu”.

Empresa especializada em previsão de tendências de comportamento e consumo, a WSGN endossa a teoria de que algo mudou no conceito de autocuidado feminino – o que não significa o desinteresse por cremes, tintas e tratamentos.

Só que existe um olhar holístico em alta, envolvendo a relação da beleza com o bem-estar mental e enaltecendo a estética natural. Seguindo essa linha, faz sentido a queda nas vendas de maquiagens enquanto as de skincare sobem. O batom até que vem esboçando reação. Com o uso de máscaras, fácil compreender porque o item ficou em baixa – um decréscimo de 29% nas vendas em 2020 ( maior do que os18% da categoria maquiagem), de acordo com a ABTHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos). Mas de abril para cá, a procura pelo batom começou a subir.

A atenção se voltou para os olhos e as mulheres aprenderam a pintá-los, observa o cabeleireiro e maquiador Fernando Torquatto, que nota ainda que elas chegam ao salão com o desejo por uma pele leve em termos de textura e frescor. “A palavra para descrever esse momento é liberdade. Reparo um conforto maior com sua própria identidade, sem preocupação em agraciar grupos. Tem muito a ver com a pandemia. Depois de experiência com a finitude, as pessoas começaram a se tratar melhor”, diz Torquatto. O cuidado agora, ele acrescenta, é para a ditadura da beleza não ter mudado de lado.

A revolução é poder ser livre, fazer escolhas – não vale transformar esse movimento em uma prisão ao contrário. “Quem se sentir bonita num cabelo branco, está ótimo. Mas quem não quiser, tudo bem. Não podem começar  a ser julgadas por isso”, alerta

A pensadora e especialista em educação Rona Hanning traz a filosofia japonesa para enriquecer a discussão. Tema de uma de suas palestras, o wabi -sabi é a estética da imperfeição. ver beleza onde normalmente enxergam defeitos. “Tudo a ver com o que estamos vivendo. As flores secam e aparecem suas nervuras, ficam lindas. Por que temos que tapar tudo? Tem uma indústria que compreende a beleza como burlar o tempo. Esconder as marcas, cicatrizes… Nesse pós-confinamento, estamos vendo manifestações enérgicas contra isso, quebramos um padrão. Toda crise estabelece novos paradigmas. Esse movimento veio para ficar”, crava Rona.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 14 DE JANEIRO

ASSÉDIO SEXUAL, UM PERIGO REAL

Então, ela o pegou pelas vestes e lhe disse: Deita-te comigo; ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora (Genesis 39.12).

José do Egito era um jovem formoso de porte e aparência (Genesis 39.6). Sua patroa pôs os olhos nele e lhe disse: Deita-te comigo (Genesis 39.7). Embora José fosse um jovem, recusou decisivamente esse apelo sedutor. A mulher não desistiu. Repetiu o mesmo apelo todos os dias. Assediou José sem pausa nem trégua. A reação de José foi sempre a mesma: não lhe deu ouvidos. Ao contrário, disse a ela que não poderia pecar contra Deus nem contra o marido dela. O assédio não parou por aí. Chegou a uma situação extrema. A mulher sedutora pegou José pelas roupas e lhe disse: Deita-te comigo (Genesis 39.12). José, porém, deixando as roupas em suas mãos, fugiu porta afora. Preferiu ser acusado publicamente a ser culpado no anonimato. Preferiu a prisão com a consciência livre a ficar livre com a consciência prisioneira. José foi parar na cadeia por sua integridade. Preferiu sofrer como inocente a ser promovido como culpado. José do Egito é um exemplo de que podemos enfrentar o assédio sexual vitoriosamente. O segredo da vitória nessa área é fugir. A mesma Bíblia que nos ensina a resistir ao Diabo nos ensina a fugir da tentação sexual. Ser forte nessa área não é enfrentar, mas fugir. O sexo é uma fonte de prazer e deleite. Porém, deve ser desfrutado com responsabilidade, no âmbito do casamento. O sexo antes do casamento é fornicação, e quem se entrega a essa prática está sob o julgamento de Deus. O sexo fora do casamento é adultério, e só aqueles que querem destruir-se cometem tal loucura. A alegria não está no banquete do pecado, mas na mesa da santidade!

GESTÃO E CARREIRA

LINHA DE FRENTE NÃO TEVE PREPARO PARA O DIGITAL

Por outro lado, trabalhadores essenciais disseram ter aprofundado vínculo com colegas, indica relatório da Microsoft

Mais da metade dos cerca de 2 bilhões de trabalhadores que atuam em setores essenciais da economia – os da linha de frente – sentiram que precisaram aprender sozinhos e de maneira adaptada a usar ferramentas de tecnologia e outras soluções digitais para seguir na ativa durante a pandemia.

O sentimento mundial é compartilhado também entre os brasileiros: 60% dos entrevistados relataram não ter recebido treinamento formal algum para usar novas tecnologias, segundo relatório divulgado pela Microsoft. O percentual global é de 55%.

A publicação da empresa de origem americana ouviu 9.000 trabalhadores em setores industriais para os quais o home office é praticamente impossível. São funcionários da indústria de bens, de automóveis, energia, finanças, hospitalidade, telecomunicações, mídia, varejo e saúde.

“Eles mantiveram as mercearias abastecidas, garantiram que as redes de energia seguissem funcionando, forneceram serviços de saúde essenciais e produziram e distribuíram os produtos dos quais o mundo precisa, tudo isso enfrentando riscos pessoais e contínuas rupturas”, afirma o relatório.

Jared Spataro, vice-presidente de uma divisão da Microsoft batizada de “trabalho moderno” diz que o percentual de trabalhadores da linha de frente que afirmou se sentir sob estresse já era esperado. Mas ele afirma ter ficado surpreso com certa “cultura de preocupação” identificada pela pesquisa.

Segundo a Microsoft, 76% dos trabalhadores da linha de frente disseram se sentir muito ligados aos colegas. Essa proximidade vem, principalmente, do estresse compartilhado durante a pandemia. A média mundial é muito similar ao resultado no Brasil, onde 77% dos trabalhadores desses setores disseram estar mais próximos daqueles com quem dividiram as angústias na crise sanitária.

Ao mesmo tempo, os trabalhadores da linha de frente disseram sentir que a comunicação precisa ser priorizada a partir do alto escalão.

Entre os que disseram se sentir estressados, 45% citaram a carga de trabalho pesada, 44%, os salários baixos, e 41%, as longas jornadas.

Para os brasileiros, o rendimento baixo foi citado como fator de estresse por 55% dos trabalhadores da linha de frente, que também apontaram entre as preocupações: muito trabalho a ser feito (51%), jornadas muito longas (42%), medo de perder o emprego (34%) e rotina de trabalho rígida (34%).

Outro ponto surpreendente para o executivo da Microsoft foi o que ele chamou de uma visão positiva da tecnologia. Globalmente, 63% dos trabalhadores da linha de frente disseram estar animados quanto às oportunidades de trabalho que podem ser  abertas pelo uso de tecnologias.

Segundo a Microsoft, nesses segmentos de mão de obra, os trabalhadores são tradicionalmente mal- atendidos pela tecnologia.

Outra conclusão do relatório da Microsoft aponta para o que a empresa chama de um ponto de inflexão, em meio a uma grande reorganização do trabalho. Essa inflexão se expressa no estudo, por meio do desejo de melhores salários e balanceamento da vida pessoal com a profissional.

No Brasil, 80% disseram que melhores salários efeito para reduzir o estresse. Para 63%, melhorar o tipo de tecnologia aplicada ao trabalho seria um meio de melhorar as condições. Licenças remuneradas também foram citadas por 57% dos entrevistados.

EU ACHO …

QUEM VOCÊ VAI SER?

A gente é que escolhe o que interpretará na trama do destino

Eu já compreendi que, na vida, a gente escolhe papéis. Cada escolha tem um caráter dramatúrgico, capaz de definir o próprio destino. Na recente passagem de ano, muitos amigos se atiraram nas previsões. Eu tenho uma só, válida para todos os anos. O papel que se escolhe define tudo o mais. Uma mulher que eu conheço adora se fazer de vítima. Segundo seu modo de ver, tudo o que acontece no mundo é para acabar com a vida dela. Imagino que, se ganhasse na Mega Sena, choraria achando que tem algo de oculto e terrível por trás de tudo. Obviamente, não consegue ser feliz. Tudo vai bem: marido, filhos. Mas ela acha que o mundo está contra, e acabou.

Uma vez eu tive um amigo que vivia sempre a mesma situação: por falta de grana, buscava abrigo na casa de alguém. Meses depois, era convidado a se retirar e entrava em depressão.

Arrumava outro lugar para se hospedar. E assim por diante… Eu conheço um sujeito que nunca morou em casa própria, alugada… é um profissional de certo sucesso, mas sempre se dependura em alguém. Há pessoas que se agarram ao fracasso e talvez até se sintam desestabilizadas quando vem o sucesso. Outras mentem compulsivamente, sua vida é uma rede de invenções. Também existem as arrogantes militantes, que escolhem uma causa, e ficam furiosas se você não compartilha de suas ideias por um mínimo que seja – e daí pode ser o fim da amizade. Há as que interpretam as sem-noção e fazem da vida alheia um inferno. Por exemplo, chegam três horas atrasadas em um encontro e abrem as asas furiosas quando a gente reclama. Tem quem vive pedindo empréstimo como uma forma de vida. Há pessoas que vivem causando conflitos. Sem o confronto, não saberiam o que fazer. Ou as que sonham com uma outra vida, mas não montam uma estratégia para realizar. Nunca vou esquecer: uma vez estava em uma fila de autógrafos e uma senhora de idade avançada me pediu uma chance para ser atriz. Nunca tinha tentado realmente. Mas o sonho estava lá, guardado, causando uma frustração que durou décadas. Também conheço gente que se justifica demais, sempre tem explicação para tudo. Mas é incapaz de pedir desculpas, dizer… foi mau.

Também existem pessoas que são pura alegria de viver. Tudo para elas é bom, agradável. Mesmo diante de tragédias, fazem de tudo para superar. Pessoalmente são deliciosas de conviver. Obviamente, a vida sorri para elas. E, se não sorri, elas partem para outra. Enfim, é possível acompanhar a vida da pessoa como uma dramaturgia. Acredito em transformar o destino. Mas para isso a pessoa tem de estar disposta a sair dos papéis escolhidos. O velho ditado é verdadeiro: colhe-se o que se planta.

Um bom exercício é pensar no personagem que criou para si mesmo. Rejeitado? Muito amado? Por incrível que pareça, há quem coloque na cabeça que é feio, e não tem procedimento estético capaz de lhe trazer beleza.

Numa novela é bem difícil o ator mudar de personagem. Mas na vida dá, sempre! Neste ano, quero escolher bons papéis. E, no elenco da minha vida, descobrir com quem realmente quero contracenar.

*** WALCYR CARRASCO

ESTAR BEM

PELOS DO NARIZ PROTEGEM DE RESFRIADOS E OUTRAS VIROSES?

Especialistas examinam os efeitos de aparar ou depilar as narinas no risco de contrair infecções respiratórias

Uma máxima médica afirma que os pelos do nariz filtram o ar que respiramos e, portanto, nos protegem de infecções por vírus, bactérias e outros patógenos transportados pelo ar. Mas, como costuma acontecer com muitas frases feitas, sua validade pode ser mais consagrada do que necessariamente verídica.

A ideia de que os pelos do nariz, conhecidos clinicamente como vibrissas, são capazes de oferecer proteção contra germes infecciosos remonta a mais de um século.

Em 1896, uma dupla de médicos ingleses, em um artigo na revista médica Lancet, observou que o “interior da grande maioria das fossas nasais normais é perfeitamente asséptico (estéril). Por outro lado, na entrada das narinas, as vibrissas que as revestem, e todas as crostas ali formadas, estão geralmente repletas de bactérias. Esses dois fatos parecem demonstrar que as vibrissas atuam como um filtro e que um grande número de micróbios encontra seu destino nas malhas úmidas do pelo que permeia a entrada das narinas”.

A conclusão dos médicos ingleses pode parecer lógica, mas, até então, ninguém havia realmente estudado se aparar os pelos do nariz tornaria mais fácil para os germes penetrarem mais profundamente no trato respiratório.

Foi só em 20ll que a densidade dos pelos do nariz foi rigorosamente estudada como possível agente de doenças. Em um estudo com 233 pacientes publicado nos Arquivos Internacionais de Alergia e Imunologia, uma equipe de pesquisadores da Turquia descobriu que pessoas com pelos nasais mais densos eram menos propensos a ter asma. Os pesquisadores atribuíram essa descoberta à função de filtração do ar dos pelos do nariz.

A observação deles foi interessante, mas veio de um estudo observacional que não pode provar causa e efeito, e a asma não é uma infecção. Os pesquisadores também não fizeram nenhum estudo de acompanhamento para avaliar como aparar os pelos do nariz pode influenciar o risco de asma – ou de infecção.

Demorou até 2015 para os médicos da Clínica Mayo realizarem o primeiro e, até agora, único  estudo para examinar os efeitos do corte dos pelos do nariz.

Os pesquisadores mediram o fluxo de ar nasal em 30 pacientes antes e depois de aparar os pelos do nariz e descobriram que o corte levou a melhorias nas medidas subjetivas e objetivas do trânsito de ar. Inicialmente observaram que as melhorias foram maiores naqueles que tinham mais pelos nas  narinas. Os resultados foram publicados no American Journal of Rhinology and Allergy.

SEM EVIDÊNCIAS

Novamente uma conclusão interessante, mas o melhor fluxo de ar nasal tem relação a um maior risco de infecção?

Nenhum dos estudos abordou essa questão diretamente. Mas David Stoddard, o principal autor do estudo feito pela Mayo, observou que, se alguém trabalha com gesso, por exemplo, “sou capaz de dizer que ele acabou de sair do trabalho pela poeira branca presa nos pelos do nariz. Mas são as partículas maiores que ficam presas. Os vírus são muito menores. Eles são tão pequenos que provavelmente passarão pelo nariz de qualquer maneira. Não acho que aparar os pelos do nariz de alguém os colocaria em maior risco de infecção respiratória”.

Com base no estudo limitado dos pelos do nariz, não há evidências de que apara-los ou depilá-los aumenta o risco de infecções respiratórias. E, assim como pelo menos um especialista que trabalhou na área especulou, provavelmente não.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ABUSOS SEXUAIS, DROGAS E REVERTÉRIO AMEAÇAM REPUTAÇÃO DE PSICODÉLICOS

Prevenção é uma maneira de impedir que predadores acabem com a credibilidade das pesquisas

Psicodélicos tem uma longa história com sexualidade, a começar pelo amor livredos hippies que, corrosivo como seu pacifismo, antecedeu a proibição do LSD e outras substâncias alteradoras da consciência.

Há também um lado perverso e antigo nessa relação, como a recusa da homossexualidade e os abusos sexuais um calcanhar de aquiles para o renascimento psicodélico.

A imagem positiva ressuscitada pela neurociência, agora com os tratamentos promissores para transtornos psíquicos da gravidade da depressão, não combina com a ideia de que possam ser usadas em terapias de conversão, a chamada cura gay.

Como relata Clancy Cavnar, nos anos 1960/70 o LSD chegou a ser usado com a finalidade suposta de tratar a homossexualidade, inclusive por terapeutas cultuados até hoje como Stanislav Grof (ainda que somente com pacientes atormentados por sua condição sexual).

“Os terapeutas que usavam psicodélicos para mudar orientação sexual nos anos 1960 e 1970 eram pioneiros que, baseados na compreensão limitada da homossexualidade na época estavam experimentando, embora isso estivesse sem dúvidas prejudicando os pacientes, não eram movidos por fervor religioso ou negação da ciência esclarecida desde então”, diz a terapeuta da Califórnia, diretora do Instituto  Chacruna em São Francisco.

“Duvido que os poucos provedores remanescentes da terapia de conversão que já foi denunciada amplamente como prejudicial eineficaz, estejam bem informados sobre psicodélicos ou vejam algum potencial neles”.

Cavnar, que dirige o Chacruna ao lado da antropóloga brasileira Bia Labate, dedicou sua tese de doutorado em psicologia aos “Efeitos da Participação em Rituais de Ayhuasca sobre Autopercepções de Gays e Lésbicas de 2011.

Ela cita no texto um documento interno da religião ayhuasqueira União do Vegetal (UDV), de 2008, no qual os dirigentes afirmam “… jamais podemos concordar com a prática do homossexualismo visto que contraria a origem natural da existência humana; ou seja, o relacionamento entre o homem e a mulher, dando início à geração”.

Procurado para esclarecer se mantém a doutrina condenatória da homossexualidade, a UDV limitou-se a reiterar nota enviada ao jornalista Carlos Minuano no ano passado para a reportagem “Psicodelia de Direita”, polarização se acirra entre usuários de ayahuasca”.

Na nota, sem repudiar a “posição religiosa” de 2008, a entidade diz que “seu objetivo é trabalhar pelo ser humano no sentido do desenvolvimento de suas virtudes morais, intelectuais e mentuais, sem distinção de cor, sexo, ideologia política, credo religioso ou nacionalidade”. E ainda: “A UDV aceita todos que a procuram, sem nenhum tipo de preconceito.”

“Há uma ênfase em ideais como o “equilíbrio cósmico”, a “Sagrada família”; a “divina união do masculino e feminino”, a “união dos opostos”, etc., que acaba servindo como base para um discurso heteronormativo, patriarcal e machista”, diz a antropóloga Bia Labate. “Nesse sentido, a “cura dos gays” passa a ser um projeto e uma missão. Infelizmente, isto é muito comum”.

Em contexto clínico profissional, não religioso, essa “conversão” parece hoje impensável em particular depois que a homossexualidade deixou de ser considerada patologia, ainda nos anos 1970. No entanto, como há pelo menos um líder da UDV(Luís Felipe Belmonte) e até médicos e psicólogos na esfera bolsonarista, não seria de todo surpresa se essa gente recorrer a dimetiltriptamina (DMT) da ayahuasca, ou outro psicodélico, para reconduzir ovelhas desgarradas ao que consideram caminho natural da virtude.

“Usar a ayahuasca para “converter gays, eufemismo para “evolução” ou “transformação espiritual” é inaceitável”, diz Labate. “Sabemos que muitos  dentro da UDV são contra o manifesto antigay. Essas vozes precisam ser apoiadas.

Esse abuso potencial, que decerto viria prejudicar a reabilitação progressiva dos psicodélicos para a medicina contrasta com outro, este sim um perigo real, antigo e presente: assédio. Abusos sexuais cometidos por terapeutas profissionais e curandeiros são tão velhos quanto a noção de que esses compostos forneçam panaceias para tudo.

O enredo, que não precisa envolver substâncias psicoativas, é arquiconhecido de escândalos como o de João de Deus, Roger Abdelmassih ou Prem Baba: uma figura de autoridade supostamente investida com o poder de curar ou iluminar; se aproveita da fragilidade do paciente ou discípulo para ter relações sexuais ou, simplesmente,  estuprar.

No caso de psicodélicos, a situação usual de risco vai potencializada por pelo menos três fatores específicos. Primeiro, sua associação com a liberdade sexuais conquistada pelo movimento da contracultura, uma revolução que não se fez sem vítimas.

Muitos provedores de terapias psicodélicas, antes e depois da proibição, são eles próprios adeptos dessas substâncias e de noções não convencionais sobre sexo. No submundo clínico a que essas práticas foram relegadas pela criminalização, a ausência de controle por associações profissionais e o segredo inerente dificultam o surgimento e propagação de denúncias.

Em segundo lugar, a depender de substâncias, o psiconauta pode ficar muitas horas física e mentalmente incapacitado para reagir. Por fim, psicodélicos podem ter algum efeito afrodisíaco, predispondo a pessoa em busca de cura ou bem-estar a investir seu desejo na pessoa do curador.

“Ouvimos muito falar de abuso sexual só por estarmos na comunidade de medicina vegetal por tanto tempo”, diz Cavnar, referindo-se à parceria com Labate. “Há sempre sussurros sobre algum escândalo, mas muita hesitação em expor os praticantes, por causa de implicações legais para todos os envolvidos e sentimentos de proteção para com a própria prática, evitando que seja vista como prática abusiva envolvendo mau comportamento sexual e drogas”.

Cavnar relata conhecer alguns casos de mulheres que buscam aventuras sexuais com xamãs ou encaram o sexo como forma de aprendizado para obter poderes espirituais. “Com mais frequência é o caso de uma mulher intoxicada que não entende o que está acontecendo, numa terra estranha, numa cultura estranha, idolatrando um curador misterioso da selva, que não sabe o que fazer ou quem procurar depois de uma violação.”

Nada disso isenta o terapeuta ou o xamã de responsabilidade, que em realidade aumenta. Mesmo que um participante intoxicado manifeste julgamento equivocado em estado vulnerável, ainda assim compete ao facilitador ou xamã em entender essa vulnerabilidade e proteger o participante, ressalva a psicoterapeuta.

Não que casos de abuso sejam coisa só de clínicas clandestinas e rituais obscuros, como apontou Will Hall num ensaio que correu a comunidade psicodélica em setembro. “Interrompendo o Silêncio sobre Abuso na Terapia Psicodélica “, Hall remonta uma história acabrunhante de denúncias de abuso, como as levantadas contra os terapeutas Rick Ingrasci (1989), que teria estuprado três pacientes após dar-lhes MDMA, e Francesco DiLeo, seu amigo.

O próprio autor do ensaio narra um traumático envolvimento sexual com o casal de terapeutas Aharon Grossbard e Françoise Bourzat, nos anos 1990, em São Francisco. E recupera o caso de abuso denunciado pela canadense Meaghan Buisson, ocorrido em 2015 quando participou como voluntária de estudo clínico com MDMA para transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) dirigido por Richard Yensen.

Este último episódio é particularmente preocupante, porque se deu no contexto da pesquisa mais avançada para consagrar um psicodélico (MDMA) como tratamento para um transtorno psiquiátrico (TEPT). O ensaio de 2015 era de fase 2, mas os estudos patrocinados pela Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos (Maps) avançaram desde então para a fase 3, e se espera que psicoterapia assistida por MDMA para TEPT receba aprovação da agência FDA em 2023.

Hall critica o fato de formulários de consentimento informado usados nesses estudos em geral não incluírem entre os riscos do MDMA seus conhecidos efeitos sobre o apetite sexual.

A interdição de relacionamento sexual com pacientes antes, durante e depois do tratamento constitui regra básica de qualquer código de conduta para psicoterapeutas, como explicita a própria Maps. Dadas as especificidades da terapia assistida por psicodélicos, contudo, seria prudente dar mais ênfase aos riscos inerentes a a modalidade.

Coincidência ou não, o sexo terá destaque especial na próxima Global Drug Survey, um influente levantamento de usos e práticas com drogas realizado por internet em vários países, incluindo o Brasil. Pela descrição dos objetivos o GDS 2022 parece mais interessado nos efeitos positivos de psicodélicos sobre a sexualidade.

Porém, para evitar de fato o viés edulcorante criticado por Hall, no entanto, haveria que incluir na pesquisa perguntas diretas sobre abuso sexual sofrido sob efeito de psicodélicos em contexto clínico, ritual ou recreativo.

Por raro que seja esse tipo de abuso, conhecer sua dimensão e aperfeiçoar a prevenção são as maneiras seguras de impedir que predadores turvem as águas que mal começam a fluir desimpedidas.

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