OUTROS OLHARES

TUDO EM FAMÍLIA

Cercada de mistérios, a contratação de atores para o papel de parentes em situações reais no Japão é um fenômeno que ganha força e já inspira até a ficção

O cineasta alemão Werner Herzog construiu seu estilo explorando situações psicológicas extremas. Quando não está dirigindo documentários, busca em histórias verídicas a inspiração para seus filmes ficcionais. É o caso de Uma História de Família, longa-metragem mais recente do diretor, em cartaz no Brasil. A trama é centrada em Yuichi Ishii e sua empresa de aluguel de parentes, chamada Family Romance. Funciona assim: atores substituem pais, mães, namorados ou amigos de contratantes que não têm entes queridos para exibir à sociedade. Solteiros simulam relacionamentos amorosos felizes, órfãos relembram como é ter figuras parentais e noivos enchem seus casamentos de convidados. O roteiro foi escrito por Herzog, mas tanto Ishii quanto sua agência existem de verdade.

O serviço começou de forma inusitada. Uma conhecida de Ishii não conseguia inscrever o filho em um jardim de infância porque era mãe solteira. Cansada das recusas, fez um apelo ao amigo: queria que ele fingisse ser seu marido. Ele topou, mas a entrevista foi um desastre. “Não sabia como agir direito com a criança, nem o que dizer como pai”, disse Ishii. Foi assim que teve a ideia de criar a agência, que ofereceria treinamentos e cursos de dinâmica familiar para atores, além de informações sobre a vida dos clientes, evitando situações embaraçosas como a vivida na reunião escolar. O preço seria calculado de acordo com a dificuldade de cada caso, mas a média ficaria em 200 dólares por quatro horas de serviço. O negócio deu certo. Em 2019, a Family Romance tinha 2.200 funcionários. Foi nessa época que Herzog se interessou pela agência. O cineasta entrou em contato com o Ishii e misturou diversas histórias para contar o caso, supostamente verídico, de uma mãe que contrata um dos atores para se passar por seu marido ausente e criar uma conexão entre ele e a filha adolescente.

O diretor alemão não foi o único a documentar o serviço oferecido pela agência. Publicações de diversas partes do mundo foram atrás de Ishii – e acabaram ludibriadas por ele. Em novembro de 2018, a rede pública japonesa NHK lançou um documentário sobre a Family Romance centrado em um homem que teria contratado atores para representar sua mulher e filhos após a morte da esposa. Depois, a rede descobriu que também o entrevistado, assim como outros supostos clientes, eram todos atores da agência. Nem mesmo a prestigiosa The New Yorker escapou da teia de relações ambíguas da Family Romance. A revista publicou uma reportagem sobre a indústria japonesa de aluguel de parentes, explorando detalhes e esquisitices do serviço. Mas a suspeição da NHK disparou um alarme entre os jornalistas, que decidiram refazer a apuração. A investigação mais profunda mostrou que os principais personagens citados haviam mentido para os checadores de fatos sobre seus relacionamentos, dizendo serem viúvos ou solteiros quando, na verdade, eram casados. De forma inédita, a The New Yorker devolveu o prêmio National Magazine, oferecido à publicação pelo texto sobre a agência. De acordo com a revista, apesar de as mentiras recorrentes terem abalado a credibilidade do fenômeno, ele é real.

O que levou ao surgimento de empresas como a Family Romance? A resposta está na própria cultura oriental, segundo Herzog. “O Japão tem a maior população de idosos do mundo, e muitos deles sofrem com a solidão”, afirmou o cineasta. Há ainda uma questão de reputação. Para os asiáticos, manter uma boa imagem é vital para a conquista de um bom emprego ou assegurar um lugar de destaque na sociedade. As redes sociais potencializaram o fenômeno. “As mídias permitem que os usuários se retratem de forma idealizada, algo que não conseguem fazer no mundo real”, explica Alton Chua Yeow Kuan, pesquisador de redes sociais da Universidade Tecnológica de Nanyang e autor de diversos estudos sobre os efeitos do uso dessas plataformas. “Seria melhor que a sociedade não precisasse desse tipo de serviço, mas, por enquanto, não é assim”, diz Ishii. Com certa melancolia, ele descobriu que a carência pode ser um bom negócio.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 23 DE JANEIRO

DEUS VEIO MORAR COM OS HOMENS

E me farão um santuário, para que eu possa habitar no meio deles (Êxodo 25.8).

O Deus que nem o céu dos céus pode conter resolve habitar com seu povo. Então, ordena a Moisés que lhe faça um santuário. As prescrições para essa morada divina são absolutamente precisas. O santuário seria feito de acácia, uma madeira dura e cheia de nós, símbolo da nossa natureza pecaminosa. Essa madeira deveria ser cerrada em tábuas iguais, para mostrar que na igreja de Deus não existe hierarquia. Somos todos nivelados no mesmo patamar; somos servos. Depois essas tábuas deviam ser presas umas às outras por meio de um engaste. Isso significa que estamos aliançados uns com os outros. Somos membros da mesma família. As tábuas seriam colocadas na vertical, e não na horizontal, representando a posição de ação da igreja no mundo. Mas essas tábuas deveriam ser erguidas não sobre a areia do deserto, mas sobre uma base de prata. E a prata remete à redenção. Entre nós e o mundo existe a cruz de Cristo. Estamos no mundo, mas não somos do mundo. Somos construídos morada de Deus sobre o sólido fundamento da redenção. Depois que o santuário ficou pronto, Deus ordenou a Moisés cobrir toda a madeira de acácia com ouro puro. Isso remete à justificação. Embora pecadores, fomos justificados e cobertos pela justiça de Cristo. Quando Deus nos vê, não nos trata mais segundo os nossos pecados, mas nos vê cobertos com a perfeita justiça de seu Filho. O apóstolo Paulo diz que o nosso corpo é o santuário do Espírito Santo e que Deus habita em nós!

GESTÃO E CARREIRA

VOLTA DA LICENÇA É DESAFIO PARA REINSERIR MÃES NO MERCADO

Organizar processo seletivo exclusivo e valorizar habilidades desenvolvidas na maternidade são boas práticas de inclusão

Quando se olha para a participação das mulheres no mercado de trabalho, um dos grandes funis é o da maternidade.

Ao lado das obrigações profissionais, surgem jornadas, muitas vezes triplas, em que elas precisam dar conta dos filhos e do cuidado com a casa e a família. A pandemia deixou isso ainda mais explícito: sofreram e sofrem as que não puderam trabalhar de casa, enquanto as escolas e demais atividades recuaram, e, também, aquelas que fazem parte de menos de 10% da população que, segundo a Pnad Covid-19, ficaram em home office.

A pandemia fez com que o índice de participação de mulheres no mercado de trabalho atingisse o ponto mais baixo em 30 anos, considerando aquelas acima de 14 anos que trabalham ou procuram emprego. No último trimestre de 2020, o número ficou em 45,8%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre as mães com crianças de até dez anos de idade em casa, houve recuo de 7,7% na atuação profissional.

Antes da covid-19, a situação já não era satisfatória. De acordo com uma pesquisa realizada pela plataforma de empregabilidade Catho, com 2,3 mil pessoas em 2018, 30% das mulheres deixam o mercado de trabalho para cuidar dos filhos. Já entre os homens, o índice é de apenas 7%.

Após observar que muitas mães iam para o empreendedorismo por não conseguir uma vaga no mercado de trabalho, Daniela Scalco, que tem dois filhos, criou, em 2019, a ParentslN, startup que conecta mães, pais e cuidadores a empresas. Em uma plataforma, as mulheres podem colocar seus currículos, e as empresas selecionam candidatas. Além disso, a startup faz workshops de cultura inclusiva nas organizações para identificar soluções de baixo custo.

No fim do ano passado, a Ambev Tech (hub de tecnologia da Ambev) fez seleções em parceria com a ParentsIN para recrutar duas mães para ocuparem cargos de negócios. Segundo a recrutadora de tecnologia da empresa, Letícia Schmidt, o projeto ajudou a organização a avançar em uma de suas metas ,a de ter mais mulheres em posições de liderança.

Uma das contatadas foi Élida Lisboa, agora Agile Master na Ambev Tech. Após tirar a licença-maternidade onde trabalhava, ela percebeu que não teria como voltar à rotina com os cuidados da filha, hoje com cinco anos, e se demitiu. “Foram dois anos bem intensos de cuidados e de total dedicação à educação e à maternidade que não foram fáceis. Horas de angústia, alegria, crise. E, mais uma vez, o receio em relação ao mercado de trabalho”, conta.

Após muitas candidaturas, Élida foi contratada em outra empresa. Apesar de bem recepcionada, diz que a maternidade não era fator determinante no ambiente de trabalho. “Foi isso justamente que pesou para mim, porque acabei me distanciando da minha filha, mas não daquela preocupação integral em relação a como ela estava, o que estava sentindo, se escava sendo bem cuidada.”

Élida defende que as empresas precisam se preparar melhor para a volta das mães ao mercado, adotando horários mais flexíveis para que elas e os filhos atravessem o desmame de forma mais leve. Durante o processo da Ambev Tech, ao ter de fazer uma apresentação quando a filha estava doente, preferiu não remarcá-la e compareceu com a criança no colo. “Eu achei que fui mal, estava meio desanimada, mas me ligaram falando que eu tinha passado. Foi incrível!”

MENTORIA.

Outro projeto é o Mãellennials, com foco em consultoria para organizações e na empregabilidade de profissionais de tecnologia e comunicação. A iniciativa é fruto da experiência pessoal da fundadora Paula Sousa, que pediu demissão após o nascimento da filha.

Até 4 de fevereiro, a organização recebe inscrições para mães que querem mentoria e mulheres líderes no mercado que possam mentorá-las por um trimestre. Para se candidatar a mentora, é preciso ter experiência com gestão de pessoas e disponibilidade semanal ou quinzenal para reuniões. As inscrições são online: para madrinhas em https:/{lnkd.in/dGmUuak8 e para mentoradas em https: //bit.ly/3Kw\VrNq.

BOAS PRÁTICAS

PARA EMPRESAS

*** Criar ambiente para que mães e pais se sintam à vontade na organização

*** Entender as configurações familiares: as famílias não são iguais e, por isso, têm necessidades diferentes

*** Rever benefícios (estilo atingindo os objetivos?)

*** Oferecer maior flexibilidade de horários, além da possibilidade de trabalho remoto ou híbrido

PARA MÃES

*** Listar o que você aprendeu desde que ficou grávida

*** Pensar em como esses novos conhecimentos podem ajudar na carreira

*** Atualizar seu currículo e perfil no LinkedIn: nesta rede, quando for adicionar um novo cargo, é possível selecionar a opção ‘autônomo’ na área ‘tipo de emprego’ (assim, não será obrigatório listar uma empresa) e descrever o período da licença e o que aprendeu com ela

EU ACHO …

FINALMENTE, O FUTURO

Enfim, a humanidade evoluirá para seres assexuados imortais, todos iguais

Como tratar de um romance que você acha essencial sem dar spoiler? Esta questão tem me acompanhado especificamente, no caso de um romance que, suspeito, acertou em grande medida o que será nosso futuro, se a ciência chegar aonde queremos que chegue e realize nossos mais escondidos sonhos utópicos.

Talvez tenha achado a solução. Discutir a utopia realizada no romance – que, devido à alta qualidade do autor, é descrita em poucas páginas da obra, mas de forma definitiva – , avançando suas características e consequências sem entrar no mérito do enredo em si.

Se você reconhece o romance é porque já o leu, tudo bem. Estamos entre iguais. Mas não vá você dar spoiler no Painel do Leitor. Se não reconheceu e se interessar, pergunte ao Google.

Todos imaginamos que processos científicos disruptivos – adoro essa palavra fetiche do mercado de picaretas motivacionais – são levadas a cabo por pessoas motivadas em avançar a ciência em favor da humanidade. No caso do romance, o brilhante cientista é um deprimido profundo, sem nenhuma esperança e sem qualquer vida afetiva.

Suspeito que ninguém possa ter capacidades cognitivas superiores sem que elas derivem de sintomas psíquicos graves. O que não significa que todo mundo com problemas mentais tenham tais capacidades, a maioria é só uma vítima de seu quadro clínico.

As pesquisas em biologia molecular do nosso personagem deprimido o levam a descobrir que todos os males humanos – doenças, envelhecimento, morte, desencontros do desejo, instabilidades sexuais, sociais e tristezas decorrentes de tudo isso tudo ­ são consequências da reprodução cruzada humana e da meiose a ela associada – meiose é o processo de divisão celular das células reprodutivas.

Sem entrar aqui no mérito técnico das diferenças entre mitose e meiose – de novo, o Google explica -, o fato é que a reprodução dos gametas sexuais via meiose gera instabilidade e essa instabilidade, trazida pela diferença envolvida nos gametas masculinos e femininos, causa todos aqueles males descritos acima e que todos conhecemos, segundo estudos de nosso gênio deprimido.

A ficção científica envolvida na trama é a descoberta de que, uma vez que o ser humano reproduza celularmente só via mitose todas as suas células serão sempre iguais a si mesmos. Portanto, não haverá instabilidades introduzidas pelas diferenças entre os sexos que reproduzem a espécie.

Enfim, a humanidade ‘evolui’ para seres assexuados imortais, todos iguais, nem homens, nem mulheres – logo, o agêneros e assexuados venceram a polêmica idiota dos gêneros – que podem ou não ser gerados em quantidades maiores ou menores pelas farmacêuticas a  partir de acordos multilaterais entre os países ricos – os pobres e fundamentalistas, isolados em reservas, ainda permanecerão um tempo reproduzindo via sexo entre homens e mulheres, até a extinção do homo sapiens sexuado e infeliz atual.

O romance é escrito por um desses nossos “descendentes, já da outra espécie, que dedica o livro ao homo sapiens, esse infeliz. A única espécie que chegou à conclusão de que seria  melhor extinguir a si mesmo para fazer evoluir o mundo.

O mundo agora é feliz. Para além de todas as mentiras comuns em nossa época, a metafísica o contemporânea sai do armário nessa obra: o que está em jogo é suprimir a morte material à todo custo, o resto é propaganda enganosa. Não existem mais famílias, a nova espécie não tem sexo nem gênero. Não há desejos, não há dependências afetivas, ninguém envelhece nem adoece, ninguém “quer” nada. O nirvana é de fato aqui e agora. Nem heranças, nem inventários.

Os problemas são outros. Se ninguém morre, como decidir fabricar mais gente? Quem decide? Quem interdita? A medida que a biotecnologia em jogo se torna mais barata, a questão é como controlar a possível “democratização” desse processo e a explosão populacional de imortais sem nenhum desejo, Sem riscos de guerras nem consumo exagerado, o planeta repousa nas mãos de uma nova espécie sem nenhum anseio destrutivo. A depressão como paraíso. Enfim uma mudança de ares.

*** LUÍS FELIPE PONDÉ

ESTAR BEM

A FISIOTERAPIA COMO ALIADA NO TRATAMENTO DE TUMORES

Usada comumente na recuperação de torções e fraturas, a especialidade também melhora a qualidade de vida de pacientes graves

Muitas vezes a fisioterapia aparece como mero complemento ou etapa final de um tratamento, sobretudo nos pequenos traumas ou imobilizações temporárias. Nesses casos, há um período limitado de sessões para que se alcance o restabelecimento dos movimentos e as dores sejam amenizadas. Entretanto, essa ciência da saúde vai além disso. Ela tem se tornado cada vez mais uma importante aliada na terapêutica de casos graves, como os tumores do sistema nervoso central, encéfalo e medula espinhal, que podem prejudicar ou limitar as funções motoras do corpo, as paresias (perda da força nos membros e tronco) ou plegias (ausência de movimento voluntário).

De acordo com o neurocirurgião Jean de Oliveira, líder do Centro de Referência de Tumores do Sistema Nervoso Central do A.C. Camargo Canter Center, o crescimento de um tumor nessas áreas pode causar não só distúrbios motores e sensitivos, como também de comportamento, equilíbrio, perda da fala, visão, audição, entre outros.

Há duas situações diversas. Os tumores que nascem do tecido nervoso oferecem uma possibilidade maior de comprometimento das fibras motoras e sensitivas, pois há a destruição das estruturas cerebrais. Osque nascem das membranas que protegem o tecido nervoso, como os das meninges, que empurram o cérebro, comprometem as funções motoras em um primeiro momento, mas, ao ser operado, com o fim da compressão, a tendência é a recuperação dos movimentos.

Oliveira afirma que em ambos os casos a fisioterapia é fundamental logo no começo dos sintomas, ainda no diagnóstico, e deve seguir durante o tratamento operatório ou quimioterápico, e após as intervenções.

“Quanto mais precocemente você iniciar a fisioterapia, maior a chance de recuperação. Em relação ao déficit motor, o que vai fazer o paciente melhorar, inclusive, é a fisioterapia, e não a cirurgia, que terá como objetivo fazer com que não haja mais a condição que levou a essa situação”, diz. “Atualmente, em centros de tratamento para o câncer, o conceito é multidisciplinar. Há a quimioterapia, radioterapia, fisioterapia e a fonoterapia, essencial para quem teve comprometimento da fala ou da deglutição”, explica.

PRIORIDADES

A fisioterapeuta Glenda Ramos, sócia da Clínica Corpo, na zona sul de São Paulo, é especialista em casos assim. Para ela, há quatro prioridades que a fisioterapia deve oferecer a esses pacientes: tratamento da dor, independência, sono de qualidade e retomada da vida social. Isso tudo decidido entre ela e o paciente.

”No caso dos tumores, a função motora passa a ser diferente. Há a fraqueza muscular e a dificuldade de controlar a musculatura. A sensibilidade também é alterada. Você pode passar a mão na pele da pessoa e ela sentir algo mais agressivo. Ou não sentir calor, frio e pressões mecânicas. O tratamento, então, vai por etapas”, explica.

A ideia é deixar o paciente o mais ativo e com o menor nível de dor possível. Entre os recursos disponíveis para alcançar esse objetivo estão alongamento, fortalecimento muscular e redução dos pontos de tensões musculares, seja manualmente ou com eletroestimulação. Tudo feito com critério para não estimular o crescimento do tumor (em casos não operáveis).

Outro aspecto observado por Glenda é a prevenção de doenças derivadas de uma condição de pouca mobilidade, como pneumonia e infecções urinárias, que podem levar a internações ou mesmo ao óbito. “Não podemos deixar essas doenças oportunistas surgirem. O fisioterapeuta também fica atento a elas, com estimulo pulmonar, de intestino e bexiga.”

Glenda gosta de prestar atenção nos desejos de cada paciente e trabalhar para que eles sejam alcançados. Uns, conta a fisioterapeuta, querem voltar a cuidar do jardim da casa. Outros, sair para almoçar com a família. “Se não é possível abaixar e cuidar das plantas, que ele tenha o máximo de autonomia possível para frequentar aquele ambiente. Ou que ele saia com a família e tenha condição de se alimentar sozinho”, observa.

Uma das pacientes de Glenda é uma mulher de 62 anos, que prefere se manter anônima. Ela estava em Portugal quando o lado esquerdo de seu corpo ficou paralisado. Ao procurar um médico, recebeu o diagnóstico de um tumor no cérebro. Após a cirurgia, com sequelas motoras, iniciou a fisioterapia. ”Não é fácil se sentir com um tumor na cabeça. Você pensa que vai perder a vida) a autonomia”, conta ela, que faz fisioterapia seis vezes na semana. “Na hora da sessão, tudo fica mais alegre. Já nessa fase de recuperação, tive uma neta. Depois, a notícia de que outra nasceria. A fisioterapia me ajudou a poder segurá-la no colo, brincar com ela”, comemora.

A paciente já faz planos para o próximo ano. Quer voltar a Portugal e ainda visitar “uma praia dessas bem legais”, como Punta Cana, na República Dominicana. “Isso me dá uma perspectiva de vida futura, uma sensação de que tudo vai continuar:”

Para o neurocirurgião Jean Oliveira, a disposição que a paciente de Glenda relata em aderir ao tratamento tem papel fundamental no resultado. “O paciente interessado nas sessões terá melhora mais rápida e consistente. É igual a um indivíduo que vai uma vez por semana a academia e faz 30 minutos de esteira e outro que está lá todos os dias, se dedicando.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O QUE DETERMINA SE UMA CRIANÇA SERÁ DESTRA OU CANHOTA?

O fato de um lado do corpo dominar o outro na realização de atividades depende da predisposição genética e do meio

Nos primeiros três ou quatro meses de vida, os bebês usam as duas mãos indistintamente para segurar tudo ao redor. É um cérebro imaturo, com funcionamento primário e global. Aos 18 meses, começam a definir a lateralidade que será consolidada nos próximos anos. À medida que o cérebro do recém-nascido evolui, sua predisposição genética e seu ambiente natural vão moldando o domínio de uma parte do corpo, as extremidades superiores e inferiores, na realização de atividades de maneira funcional

Em relação à preferência manual, de 85% a 90% dos humanos apresentam lateralização destra. Deste percentual, 96% das pessoas que usam a mão direita têm domínio do lado esquerdo do cérebro para a linguagem. No caso dos canhotos, esse percentual seria de 70%.

A neuropsicóloga infantil Berta Zamora Crespo lembra que o cérebro nos primeiros anos de vida, é simétrico, “n]ao possui especialização de funções e, portanto, não têm uma dominância cerebral”. Quando crescemos, as necessidades aumentam.

“Por isso, precisamos que nosso cérebro amadureça e se especialize”.

Para adquirir essa especialidade, o cérebro inicia um processo de maturação. “Até os primeiros dois anos, realiza movimentos bilaterais simétricos, que visam descobrir o seu próprio corpo e os seus componentes”, diz ela, que explica ainda que entre as idades de 2 e 5 anos “há uma fase de alternância em que as crianças usam as mãos e os pés, muitas vezes indistintamente, com o objetivo de explorar o ambiente testando-se na realização das atividades”.

Depois, ela continua, “entre os 5 e 6 anos de idade, surge uma nova fase, denominada automação, em que dominam um lado do corpo que mais tarde se consolidará por experiências motoras e sensoriais e maturação cerebral”.

LATERALIDADE CRUZADA

A aquisição da lateralização afeta outras funções. Crespo explica que esse domínio “nos ajuda a otimizar nossos recursos cerebrais. Facilita o processo de aprendizagem cognitiva e o desenvolvimento psicomotor, ajudando-o a ser funcional e ideal”.

Quando a lateralidade não é definida em um dos dois hemisfério que determinam a terminologia destro ou canhoto, mas o lado esquerdo é utilizado para realizar algumas atividades e o direito para outras, ocorre a lateralidade cruzada.

“Isso pode afetar a organização e o desenvolvimento de funções superiores, principalmente a percepção espaço -temporal”, acrescenta a especialista.

Sobre o desenvolvimento da lateralidade cruzada Isabel Maria Medina Amate, psicóloga da saúde infantil, afirma que “é um distúrbio neurofisiológico relacionado às dificuldades de coordenação dos dois hemisférios, que leva a problemas de coordenação, lentidão na leitura escrita ou no cálculo mental”.

Nesses casos, uma das maiores “desvantagens” de quem a sofre são as dificuldades de rendimento escolar ou profissional. Muitos deles, comenta a psicóloga da saúde infantil, são descritos como “preguiçosos” ou “desajeitados”, com problemas de “atenção e concentração”. Circunstância que, ela prossegue, “impacta diretamente o seu meio social e familiar, em que é como o surgimento de problemas de comunicação e integração com os outros que podem levar a transtornos de ansiedade ou depressão se não houver um diagnóstico precoce”, afirma Medina Amate.

Uma vez descoberto o transtorno, “as escolas devem ser treinadas pua intervir e cumprir um protocolo de ação que atenda às necessidades de cada sujeito com lateralidade cruzada. As famílias também devem ter recursos especializados nesse tipo de transtorno., onde as pessoas possam descobrir, investigar, aprender e ter um espaço em que se sintam compreendidas e amparadas”, acrescenta a especialista.

As ações que seriam necessárias para casos dessetipo de lateralidade, conclui Isabel Maria Medina Amate, seriam através de um trabalho multidisciplinar (professor-família-psicólogo).

“Em relação ao campo educacional, eles estariam diretamente relacionados à suas próprias necessidades, com foco em processos como escrita, leitura, cálculo mental ou orientação espaço-temporal. Seria necessário envolver a família em todas as ações, atuando como eixo principal para auxiliar o sujeito a administrar todas aquelas consequências advindas desse tipo de transtorno, como baixa autoestima, estresse, ansiedade ou insegurança”.

Sobre a área das funções linguísticas e de que forma se relacionam com a lateralidade, Mabel Urrutia Martinez, da Universidade de Concepción, no Chile, explica que ”a lateralização da linguagem é contra-lateral no cérebro, ou seja, o lado esquerdo do cérebro, onde a linguagem se desenvolve predominantemente, está relacionado ao domínio do lado direito do corpo e vice-versa”.

Urrutia Martinez defende que se fale mais da especificação hemisférica do que do domínio da lateralização porque, como destaca, “na área das neurociências, sabe-se que os dois hemisférios estão ligados pelo corpo caloso, conjunto de fibras e nervosas que permitirá a integração e codificação das informações, unificando-as e dando-lhes sentido”.

A existência de uma assimetria lateral, afirma a especialista, “pode estar relacionada a problemas de leitura como dislexia, desempenho e capacidade de desenvolver a linguagem e a escrita devido à falta de coordenação olho- mão, bem como a operações simbólicas, como as matemáticas. Por outro lado, pode afetar a motricidade grossa, mostrando inabilidade motora ou dificuldade em ordenar as etapas de um procedimento”.

PREDISPOSIÇÃO  GENÉTICA

Na forma como a dominância se desenvolve na pessoa ao longo da infância, a predisposição genética tem destaque, questão que, embora as pesquisas ainda não tenham sido conclusivas. “é inegável que existe”, afirma Crespa.

Segundo ela, “a lateralização, como o resto dos processos do sistema nervoso central e do cérebro, segue uma sequência ordenada e temporal de maturação, que pode ser alterada ou modificada por fatores genéticos e ambientais, dando origem a distúrbios do neurodesenvolvimento. Assim, a genética precisa do meio ambiente, e vice-versa, para o desenvolvimento de um cérebro saudável  para a especialização do cérebro e o surgimento dos processos neurocognitivos”.

Às vezes, o ambiente em que a criança cresce tenta modificar sua lateralidade latente, como é o caso daqueles que sofram da dominação manual. Isso é totalmente contraproducente para o desenvolvimento dela.

Mabel Urrutia afirma que é “importante que o bebê mostre sua preferência lateral e faça exercícios que potencializem essa tendência, mas nunca são aceitáveis práticas antigas em que a lateralidade esquerda tenta ser corrigida, como amarrar a mão, porque a criança tem grande probabilidade se tornar ambidestra. Da mesma forma, exercícios de estimulação cognitiva não são recomendados para potencializar a especialização de ambos os hemisférios”.

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