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TRATAMENTO COM CÉLULAS-TRONCO SURGE COMO APOSTA PARA CURAR DIABETES TIPO 1

Cientistas que não participaram do estudo pedem cautela, mas reconhecem resultado promisso

Quando sua taxa de glicose no sangue caía muito, ele desmaiava de repente. Brian bateu com a motocicleta contra um muro. Desmaiou no jardim da casa de um freguês quando lhe entregava suas correspondências. Após esse incidente seu supervisor o mandou aposentar-se, depois de um quarto de século trabalhando para os Correios. Tinha 57 anos.

Sua ex-esposa, Cindy Shelton, o chamou para viver com ela em Elyria, Ohio. “Eu tinha medo de deixa-lo sozinho o dia inteiro”, explicou.

Alguns meses atrás, Cindy viu um convite para pessoas com diabetes tipo 1 para participarem de um ensaio clínico da Vertex Pharmaceuticals. A empresa estava testando um tratamento desenvolvido ao longo de décadas por um cientista que prometeu encontrar uma cura depois de seu filho bebê e sua filha adolescente terem apresentado a doença devastadora.

Brian Shelton foi o primeiro paciente. No dia 19 de junho deste ano ele recebeu uma infusão de células criadas a partir de células-tronco, mas exatamente iguais às células pancreáticas produtoras de insulina que faltavam em seu corpo.

Agora seu corpo controla automaticamente os níveis de insulina e glicose no sangue.

Brian, que tem 64 anos, pode ser a primeira pessoa a ser curada da diabetes tipo1 com um novo tratamento que está levando especialistas a se arriscarem a ter a esperança de que uma ajuda possa estar a caminho para muitos dos 1,5 milhão de americanos que sofrem de diabetes tipo 1.

“É uma vida completamente nova” disse Brian. “É como um milagre”.

Especialistas em diabetes reagiram tom espanto, mas pediram cautela. O estudo prossegue e vai levar cinco anos, envolvendo 17 pessoas com casos graves de diabetes tipo 1. O tratamento não é cogitado para o diabetes tipo 2, mais comum.

“Estamos à espera de alguma coisa assim acontecer literalmente, há décadas”, comentou o médico Iri Hirsch, da Universidade de Washington, especialista em diabetes que não participou da pesquisa. Ele quer ver o resultado, que ainda não foi publicado num periódico científico revisto por pares, replicado em muito mais pessoas. Hirsch também quer saber se haverá efeitos adversos imprevistos e se as células durarão por toda vida, ou se o tratamento precisará ser repetido.

Mesmo assim, ele disse, “em última análise, é um resultado fantástico”.

O médico Peter Butler, do UCLA, especialista em diabetes que tampouco participou da pesquisa, concordou e fez as mesmas ressalvas.

“É um resultado notável”, disse Butler. ‘”Poder reverter a diabetes, devolvendo aos pacientes as células que lhes faltam, é comparável ao milagre de quando a insulina primeiro foi disponibilizada, cem anos atrás.”

E tudo começou com o trabalho de pesquisa desenvolvido ao longo de 30 anos por um biólogo da Universidade Harvard, Doug Melton.

Melton nunca pensara muito sobre diabetes até 1991, quando seu filho de 6 meses de idade, Sam, começou a tremer, vomitar e ofegar.

“Ele estava muito doente, e o pediatra não sabia o que era”, afirmou Melton. Ele e sua mulher, Gail O’Keefe, levaram seu bebê às pressas para o Boston Childrens Hospital. A urina de Sam apresentava altíssimo teor de glicose – sintoma de diabetes. A doença, que ocorre quando o sistema imunológico destrói as ilhotas pancreáticas, células que produzem insulina, frequentemente começa por volta dos 13 ou 14 anos. Diferentemente da diabetes tipo 2, mais comum e mais branda, a diabetes tipo 1 se torna letal em pouco tempo a não ser que o paciente receba injeções de insulina. Ninguém melhora espontaneamente.

“É uma doença terrível”, disse Butler, do UCLA. A única cura que já funcionou é um transplante de pâncreas ou um transplante dos agrupamentos de células produtoras de insulina do pâncreas, conhecidas coma ilhotas pancreáticas, do pâncreas de um doador. Mas a escassez de órgãos inviabiliza esta opção para a grande maioria dos doentes.

“Mesmo que estivéssemos numa situação utópica, nunca teríamos pâncreas em número suficiente”, disse o médico Ali Naji, cirurgião de transplantes da Universidade da Pensilvânia. Ele foi o primeiro a realizar transplantes de ilhotas pancreáticas. “Se hoje é o pesquisador principal do ensaio clínico com o qual Brian Shelton foi tratado.

Para Melton e O’Keefe, cuidar de um bebê com diabetes tipo 1 era altamente assustador: O’Keefe tinha que picar os dedos e os pés de seu filho quatro vezes por dia para checar sua taxa de glicose no sangue. Em seguida, precisava lhe injetar insulina. A insulina nem sequer era vendida na dose apropriada para um bebê tão pequeno. Seus pais tinham que diluir as doses.

“Gail me disse: “Se eu vou ter que fazer isto daqui, você vai ter que entender esta doença maldita”, Melton recordou. A filha deles, Emma, quatro anos mais velha que Sam, também desenvolveria a doença mais tarde, aos 14 anos.

Melton estava estudando o desenvolvimento de rãs, mas abandonou esse trabalho decidido a buscar uma cura da diabetes. Ele voltou sua atenção às células-tronco embrionárias que possuem o potencial de tornar-se qualquer célula do corpo. Sua meta era convertê-las em ilhotas pancreáticas, para tratar pacientes diabéticos.

O desafio era descobrir qual sequência de mensagens químicas converteria células-tronco em ilhotas pancreáticas produtoras de insulina. Para isso foi preciso entender o desenvolvimento pancreático normal, descobrir como as ilhotas são criadas no pâncreas e conduzir experimentos intermináveis para levar as células-tronco  embrionárias a converter-se em ilhotas pancreáticas. Foi um processo demorado.

Após anos em que nada deu certo, numa noite de 2014, uma pequena equipe de pesquisadores, incluindo a pós-doutoranda Felícia Pagliuca, estava no laboratório, fazendo mais um experimento.

“Não estávamos muito otimistas”, afirmou. Os cientistas tinham colocado uma tintura no líquido no qual as células-tronco estavam crescendo. O  líquido ficaria azul se as células produzissem insulina.

O  marido de Pagliuca já havia telefonado para perguntar, quando ela ria voltar para casa. Então ela viu um azul muito leve que foi ficando mais e mais escuro. Ela e os outros pesquisadores ficaram extáticos. Tinham criado ilhotas pancreáticas funcionais a partir de células-tronco embrionárias, pela primeira vez.

O laboratório saudou o avanço com uma pequena festa e um bolo. 0s cientistas mandaram fazer boinas de lã, azul brilhante com cinco círculos nas cores vermelho, amarelo, verde, azul e roxo, representando os estágios pelos quais as células-tronco tinham que passar para tornar-se ilhota pancreática funcionais. Eles sempre haviam torcido para chegar ao roxo, mas até então, sempre tinham encalhado na verde.

Ciente de que precisaria de mais recursos para produzir um fármaco que pudesse chegar ao mercado, o passo seguinte para Melton foi abrir uma empresa.

Sua empresa foi fundada em 2014 com o nome Semma, uma fusão dos nomes de seus filhos, Sam e Emma. Um desafio foi descobrir como criar ilhotas pancreáticas em grande quantidade com um método que pudesse ser replicado por outros. Isso levou cinco anos.

Chefiada pelo especialista em terapia celular genética Bastiano Sanna, a empresa testou as células que produziu em camundongos e ratos, demonstrando que funcionaram bem e curavam a diabetes em roedores.

Nesse ponto, para o passo seguinte – um ensaio clínico com pacientes humanos ­ era necessária uma empresa grande, experiente e bem financiada, com centenas de funcionários. Tudo precisava adequar-se aos critérios exigentes da FDA (Agência de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) – milhares de páginas de documentos teriam que ser preparados e muitos ensaios clínicos planejados.

O acaso interveio. Em abril de 2019, numa reunião no Hospital Geral de Massachusetts, Melton topou com um antigo colega seu, o médico David Altshuler, que havia sido professor de genética e medicina em Harvard e vice-diretor do Broad Institute. Enquanto almoçavam, Altshuler, que se tornara o diretor científico da Vertex Pharmaceuticals, perguntou a Melton quais eram suas novidades. Melton tirou um pequeno frasco de vidro com uma bolinha roxa brilhante no fundo.

“Estas são ilhotas pancreáticas que criamos na Semma”, ele disse a Altshuler.

A Vertex trabalha com doenças humanas, cuja biologia é compreendida. “Acho que pode haver uma oportunidade”, Altshuler lhe disse.

Seguiram-se reuniões, e oito semanas mais tarde a Vertex adquiriu a Semma por USS950 milhões. Com a compra, Sanna passou a ser vice­presidente da Vertex.

Menos de dois após a aquisição da Semma, a FDA autorizou a Vertex a iniciar um ensaio clínico, tendo Brian Shelton como seu paciente inicial.

Como os pacientes que recebem transplantes pancreáticos, Brian precisa tomar medicamentos que suprimem seu sistema imune.

Ele diz que os remédios não lhe causam efeitos colaterais e que os acha muito menos onerosos e arriscados do que ficar constantemente monitorando sua taxa de glicose no sangue e tomando insulina. Ele terá que continuar a tomar os medicamentos, para impedir que seu corpo rejeite as células infundidas. Mas o especialista em diabetes John Buse, da Universidade da Carolina do Norte e sem vínculos com a Vertex diz que a imunossupressão o faz pensar duas vezes. “Precisamos avaliar com cuidado o que é mais arriscado: arcar com os problemas da diabetes ou enfrentar as potenciais complicações dos medicamentos imunossupressores”.

No mês passado a Vertex estava pronta para revelar os resultados a Melton. Ele não esperava grande coisa.

“Eu estava preparado para ter que lhes dar uma injeção de ânimo”, afirmou.

Normalmente um homem calmo, Melton estava nervoso, antevendo o que parecia  que seria o momento da verdade. Ele passara décadas e investira todas suas energias nesse projeto. Quando a apresentação da equipe da Vertex terminou, um sorriso enorme se estampou em seu rosto: os dados eram reais.

Melton saiu da Vertex e foi para casa jantar com Sam, Emma e O’Keefe. Quando se sentaram para comer, ele lhes contou sobre os resultados. “Digamos apenas que houve muitas lágrimas e abraços”, disse.

Para Brian, o momento da verdade chegou alguns dias após o procedimento, quando ele saiu do hospital. Ele mediu sua taxa de glicose no sangue. Estava perfeita. Ele e Cindy fizeram uma refeição. Sua taxa de glicose permaneceu na faixa normal

Brian chorou quando viu os números.

“A única coisa que posso dizer é ‘obrigado’.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 05 DE JANEIRO

A ALEGRIA DO AMOR CONJUGAL

Isaque conduziu-a até à tenda de Sara, mãe dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou… (Genesis 24.67).

Isaque era o único herdeiro de um pai rico. Herdeiro de uma colossal fortuna e de uma grande promessa. Seu pai era o pai da fé, o progenitor de uma grande nação. Por meio dele, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Isaque tinha 40 anos, mas ainda estava solteiro. Isaque era um jovem crente e tinha intimidade com Deus em oração. Seu casamento com Rebeca é um dos capítulos mais emocionantes da história. Rebeca foi alvo de oração e de uma procura meticulosa. Isaque amou a jovem e bela, forte e destemida Rebeca assim que a viu pela primeira vez. Desde que a conheceu, foi consolado pela morte de Sara, sua mãe. O casamento é uma dádiva de Deus para a felicidade do ser humano. Por isso, precisa ser edificado sobre o alicerce do amor. Nenhuma outra razão deve motivar dois jovens a firmarem uma aliança conjugal. Equivocam-se aqueles que entram nessa aliança por outros interesses. O amor deve governar os sentimentos e as ações na vida conjugal. O amor busca a felicidade do cônjuge mais que a sua própria. O amor não é egocentralizado, mas “outrocentralizado”. O amor deve ser conhecido pelo que é, pelo que evita, pelo que crê e pelo que faz. O amor é paciente e benigno. O amor não arde em ciúmes nem se ensoberbece. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade, pois tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba.

GESTÃO E CARREIRA

A FUGA DE MÃO DE OBRA

Nunca houve tantos brasileiros morando fora – e nunca o desejo de sair do país foi tão alto. Sem perspectivas de melhora nessas estatísticas, o Brasil acaba perdendo talentos importantes. E isso pode ser devastador para a economia.

O ano de 2021 deve ser um marco simbólico para o Brasil – será a primeira vez em quase duas décadas que o número de jovens (entre 15 e 29 anos) não chegará à marca de 50 milhões, segundo projeções do IBGE. Esse patamar foi atingido pela primeira vez em 2002, e, em meados da década de 2010, o país abrigou mais jovens do que jamais teve na história. E que, em condições normais de temperatura e pressão, jamais terá nos próximos 40 anos, com a queda na taxa de natalidade, prevê-se que o número de brasileiros jovens caia em um quarto; no fim do século, à metade.

Economistas e estatísticos analisam esse dado de perto por um motivo crucial: é a população jovem que passará as próximas décadas trabalhando e gerando riqueza para o país, já que idosos, em geral, não são economicamente ativos. Representam custos para o Estado. É em períodos com muitos trabalhadores jovens ativos que os países têm suas melhores oportunidades para crescer – e o Brasil começa a perder essa oportunidade em meio a uma crise econômica que já se arrasta por sete anos, sem perspectiva de melhora no horizonte.

Pior. Quase metade (47%) dos brasileiros entre 15 e 29 anos deixaria o Brasil se pudesse, segundo um levantamento da FGV Social. Em 2014, logo antes de a crise bater, esse número era de apenas 20%.

Faz sentido. Essa faixa etária é especialmente afetada em períodos em que a economia vacila, como agora. Na pandemia, cerca de um quarto dos nossos jovens passou a se enquadrar na categoria “nem-nem” (nem trabalham, nem estudam) – um recorde histórico. 70% dizem ter dificuldade em encontrar emprego.

Diante disso, sair do Brasil se torna uma alternativa lógica. E agora, além de lidar com o inevitável envelhecimento da população, estamos perdendo jovens para outros países em ritmo acelerado.

DIÁSPORA VERDE E AMARELA

Nunca houve tantos brasileiros morando no exterior. Em 2020 (os dados de 2021 só saem ano que vem), o Itamaraty registrou 4,21 milhões de cidadãos do Brasil  vivendo lá fora. É um aumento de 35% em relação a 2020, quando o número era de 3,12 milhões. Só entre 2018 e 2020, o país perdeu 625 mil pessoas para outras nações. É como se toda a população de Cuiabá (MT) tivesse desaparecido.

Esse número esconde ainda dois poréns. O primeiro é que ele é baseado em projeções oficiais das embaixadas do Brasil mundo afora – afinal, o governo não tem um controle direto de todos os que saem do país e não voltam mais. Nisso, especialistas concordam que o dado oficial é subestimado. Não faltam, afinal, brasileiros vivendo irregularmente lá fora, e eles não entram na contabilidade oficial. Estimativas apontam que o número real pode ser 33% maior.

A diáspora brasileira não acontece “só” por conta dos males do país, mas porque existe mais demanda lá fora. Os países desenvolvidos já passaram pelo problema que o Brasil começa a atravessar hoje: suas populações estão envelhecidas e o mercado tem dificuldade de encontrar mão de obra, especialmente em cargos pouco qualificados. Na Alemanha, por exemplo, autoridades do governo calculam que o país precisa de 400 mil imigrantes por ano para preencher o mercado de trabalho, e uma nova lei de migração aprovada em 2020 busca atrair esse pessoal.

A grande vantagem de viver no exterior não é exatamente o salário em moeda forte – você também vai gastar em moeda forte, afinal. A questão é que a desigualdade é menor nos países ricos. Quem ganha um salário mínimo no Brasil mal consegue se alimentar. Mesmo o salário médio daqui (R$ 2.400) é crítico. Lá fora a história é outra.

O caso de Giovanna Alvarez, estudante de cinema de 23 anos que deixou o Brasil em 2019 para um intercâmbio na França, ajuda a ilustrar. Ela conseguiu um estágio na sua área. Seis meses depois, veio uma oportunidade de efetivação. E ela decidiu ficar.

“Fiquei muito em dúvida, mas eu via meus colegas de turma [no Brasil]não conseguindo emprego, ou então tendo que trabalhar em outra área, e isso pesou muito na decisão”, conta. “Aqui, eu ganho praticamente o salário mínimo francês, e ainda assim consigo ter uma vida muito confortável.”

De fato. O salário mínimo na França é de 1.500 euros. Dá R$10 mil. O custo de vida por lá é mais ou menos o dobro do daqui, mas compensa com folga.

Com a vantagem de viver num país funcional, onde o dinheiro público costuma ser gasto de fato para o bem público.

OS ÍMÃS

O maior lar de brasileiros vivendo no exterior é, de longe, os Estados Unidos. Lógico: o país concentra 25% do PIB global (o Brasil, para comparar 1,75%). E onde se produz mais há mais oportunidades. Fim de conversa.

Se a comunidade de brasileiros vivendo nos EUA fosse uma cidade, seria a oitava maior do Brasil, com 1,7 milhão de habitantes – um pouco atrás de Curitiba e à frente do Recite.

Acontece que entrar nos EUA, você sabe, não é fácil – a demanda é alta, e o governo seleciona com rigor quem vai receber o green card. Um dos caminhos para uma mudança sem dor de cabeça é a via empregatícia. Quem trabalha em multinacionais no Brasil frequentemente tem a chance de se mudar para fazer o mesmo trabalho lá fora. E não costuma desperdiçá-la.

Juliano Barreto não desperdiçou: funcionário da Amazon brasileira desde 2014, ele optou por se mudar para Seattle, sede da empresa de Jeff Bezos, em 2017. No caso dele também pesou o fator praticidade. “Eu não tinha um horário comum, nove às cinco. Fazia horários malucos por causa do fuso.” Depois de um ano planejando junto à empresa, a imigração ocorreu.

E o processo trouxe muito mais do que uma rotina racional: “Aqui, não tenho que me preocupar tanto com aumento de preços e custo de vida em geral. Ainda que agora tenha uma preocupação com inflação, é coisa de 5% [enquanto no Brasil está em 10% ao ano]”,diz.

Além dos EUA, outros países se destacam quando o assunto é comunidade brasileira (veja no box ao lado). Portugal é um deles, por motivos óbvios – além da língua, o governo do país europeu é mais receptivo a nós, Isso faz com que mais de um quarto de todos imigrantes vivendo em terras lusitanas seja formado por brasileiros. São 276 mil, de acordo com o Itamaraty. O segundo colocado na Europa, com 220 mil, é o Reino Unido, já que o idioma de lá também ajuda.

Há ainda os brasileiros que fazem o caminho inverso de seus antepassados – que tinham imigrado para o Brasil nos séculos 19 e 20. Descendentes de japoneses, italianos e alemães têm uma certa facilidade para conseguir cidadania ou visto de permanência nos países de onde vieram seus sobrenomes. Logo, Japão (211 mil), Itália (161 mil) e Alemanha (144 mil) também fazem parte dos destinos top 10.

Os casos fora da curva entre os países com mais brasileiros são Paraguai (240 mil) e Argentina (89 mil), dois países em situação ainda mais precária que a nossa – na Argentina, a inflação é de 40%  e o PIB do Paraguai equivale ao da Zona Leste da cidade de São Paulo. Aí, claro, o fator é meramente geográfico, não econômico.

OS NOVOS QUERIDINHOS

Há outros países que se destacam nas ondas de migrações mais recentes. É o caso do Canadá, que oferece uma alternativa parecida à do sonho americano, mas com uma diferença crucial: ao contrário do seu vizinho ao Sul, quer atrair imigrantes, não repeli-los. O país sofre há anos com escassez de mão de obra e busca preencher seu mercado com imigrantes. Quase metade dos habitantes de Toronto, a maior cidade da nação, não nasceu no Canadá. Em Vancouver o número também ultrapassa os 40%.

Depois do fechamento das fronteiras para conter a pandemia, a demanda aumentou ainda mais. E o resultado é que o país quer agora admitir 1,2 milhão de novos habitantes vindos de outros países até 2023, o equivalente a 3% de toda a população canadense. E o governo do primeiro-ministro Justin Trudeau, de viés bem mais progressista do que conservador, deixa claro que a mão de obra estrangeira é parte essencial do plano de recuperação do país para o pós-pandemia.

Fernanda Zamboni faz parte do contingente de 121 mil brasileiros que deixaram o Brasil para desbravar as oportunidades canadenses. Pós-graduada em Odontologia, a dentista começou a planejar sua mudança em 2018 juntamente com o marido. Para bancara transição, vendeu seu consultório. A família se mudou em meados de 2020 para a província de Colúmbia Britânica, na costa oeste canadense, sem planos exatos de trabalho.

Na busca por emprego, Fernanda acabou contratada como vendedora em uma rede de lojas; além de receber clientes no balcão, também era responsável pela limpeza do local. A troca da carreira de dentista para um emprego menos qualificado não traz nenhum arrependimento: “No Brasil, eu trabalhava 12 horas por dia no consultório. Chegava em casa e minha filha já estava dormindo. Não que não ganhasse bem, mas os custos por trás eram muito altos”.

Depois de quatro meses, ela foi promovida a coordenadora de vendas na loja – e agora não pretende mesmo voltar à profissão de dentista. “Eu trabalho num emprego mais simples, mas sou muito bem reconhecida pelos meus chefes e pelos locais. Tenho qualidade de vida, segurança, a minha filha tem escola de primeiro mundo e sobra dinheiro no final do mês”, diz. No longo prazo, a ideia é abrir o próprio negócio, voltado para prestação de serviços de limpeza para empresas.

Fernanda também produz conteúdo nas redes sociais sobre a vida canadense; um de seus vídeos, narrando como trocou o consultório no Brasil pela limpeza no país ao Norte, viralizou no TikTok e ultrapassou os 4 milhões de visualizações.

Outra queridinha recente dos brasileiros tem sido a Irlanda, a ilha de apenas 5 milhões de habitantes no Mar do Norte. Assim como o Canadá oferece uma alternativa mais imigrante-friendly que os EUA, a Irlanda faz o mesmo papel relativo ao Reino Unido, que nos últimos anos deu uma guinada conservadora em sua política migratória (alô, Brexit). A terra dos leprechauns também tem um custo de vida bem mais baixo que o do vizinho britânico, ainda que ofereça uma qualidade de vida razoável diante da que temos por aqui.

Brasileiros formam uma comunidade relevante em Dublin, onde muitos trabalham com delivery de comida. Nos últimos dois anos, essa comunidade tem ganhado as manchetes da mídia local e internacional ao denunciar casos de xenofobia e ataques físicos – os países desenvolvidos menos ricos, e as regiões menos privilegiadas dentro dessas nações, tendem a ser mais violentas contra imigrantes, já que parte da população os vê como “ladrões de empregos”.

DIÁSPORA DE CÉREBROS

Um lado particularmente prejudicial da debandada de brasileiros é a chamada “fuga de cérebros” – a saída de mão de obra extremamente qualificada, em geral cientistas.

Não é incomum que quem queira seguir carreira acadêmica no Brasil ostente um mestrado ou doutorado  no exterior. E isso é ótimo. O problema é quando esse pessoal resolve ficar por lá mesmo, o que acaba exportando a elite do nosso conhecimento. A perda de cérebros privilegiados limita drasticamente o potencial de inovação do país.

Não há dados oficiais sobre esse tipo de imigração, já que, em geral, quem segue esse caminho acaba sendo financiado pelos governos ou instituições privadas dos países de destino, e não por órgãos brasileiros , como a Capes ou o CNPq. Mas dá para saber que o Brasil não é nada bom em reter cabeça de obra qualificada: no índice Global de Competitividade por Talentos de 2020, da Insead, o país ficou na 80ª posição entre os 132 países pesquisados.

Cientistas acabam migrando, principalmente, em busca de financiamento para suas pesquisas – algo cada vez mais difícil no Brasil, com corte atrás de corte na área. É o caso de Natasha Tomm, física formada pela Universidade de Campinas (Unicamp), que concluiu seu doutorado na Universidade da Basileia, na Suíça, no primeiro semestre de 2021 – e pretende ficar por lá mesmo.

A física de 29 anos pesquisa óptica quântica, um campo altamente complexo, que estuda o comportamento dos fótons, as partículas de luz – se você acha isso pouco útil, lembre-se que a internet chega à sua casa na forma de fótons, via fibra óptica. Sem óptica quântica, sem Netflix.

Bom, ela conta que a ideia de sair do Brasil começou ainda na graduação, quando fez um intercâmbio na Alemanha pelo extinto programa Ciência sem Fronteiras. A área de estudo escolhida deu ainda mais certeza à decisão: pesquisar física quântica envolve equipamentos caros, o que demanda financiamentos polpudos. Não à toa acabou na Suíça, que lidera o ranking de retenção de talentos da lnsead (o governo suíço pagou inteiramente seu doutorado).

“Se eu continuasse no Brasil para fazer mestrado e doutorado, provavelmente teria que ser sustentada pelo meu pai”, diz. “E, mesmo depois, não teria muita perspectiva. Ou eu trabalharia em banco e desperdiçaria todo meu conhecimento [em física],ou tentaria carreira acadêmica e passaria a vida sofrendo para conseguir dinheiro para pesquisa.”

Para o longo prazo, uma das ideias da pesquisadora é abrir uma startup para comercializar o seu objeto de estudo do doutorado – uma espécie de gerador de feixes de fótons que pode ter aplicações na indústria, na computação e na medicina. E o mais provável, claro, é que essa futura empresa não será brasileira. O talento da eventual fundadora a gente já perdeu.

EU ACHO …

MINUTOS DE MALHAÇÃO

A melhor atividade física é aquela que podemos fazer

Outro dia, conversando com uma biomédica cujo filho sempre esteve um pouco acima do peso, ouvi que o menino havia engordado durante o confinamento na pandemia. Ele não tinha como frequentar academias. Mesmo que estivessem abertas, não dispunha de espaço na agenda, e o dinheiro estava curto. Obstinado, e ciente de que a necessidade é a mãe da invenção, virou-se com o que tinha à mão: as escadas do prédio onde mora. Passou a subir e a descer os degraus várias vezes por dia entre uma tarefa e outra. Resultado: em três meses o garoto secou. Perdeu o peso que ganhara com o sedentarismo forçado, e mais alguns quilos.

Longe de ser exceção, o caso mostra que não passa de um mito a ideia de que a falta de tempo e de recursos é fator impeditivo da transformação pessoal. O aproveitamento do tempo decorre da escolha individual de cada um. Ao optar por fazer uma coisa, estamos escolhendo não fazer outra. O tempo que levamos para preparar um sanduíche e comê-lo, por exemplo, é o mesmo tempo que usaríamos para dar uma volta rápida no quarteirão. Do mesmo modo que subestimamos o impacto negativo de um lanche ou guloseima no nosso organismo, sobretudo quando isso é uma rotina, também temos a tendência de não valorizar devidamente o efeito benéfico de um exercício ligeiro.

A atividade física não precisa, necessariamente, consumir horas. Bastariam alguns minutos distribuídos ao longo do dia, hoje, para o nosso corpo nos agradecer amanhã. Pense nisso como snack (fitness). O termo chama a atenção por justapor palavras que, no contexto original, remeteriam a ideias conflitantes. Mas aqui o que interessa é a sugestão de que o exercício diário pode, sim, ser saboreado como petiscos que consumimos sem perceber. Afinal, ninguém precisa parar tudo o que está fazendo para comer um punhado de castanhas, um pedaço de fruta ou uma fatia de pão torrado.

Essa é uma iniciativa que, em sua simplicidade, pode ser poderosa, pois põe por terra a desculpa da falta de tempo. Organizando bem as tarefas, sobra tempo para ler, assistir a algo na TV, até jogar conversa fora. A atividade física pode ser feita nos intervalos  entre uma coisa e outra, sem exigir maiores preparativos. Quando eu era obesa, criei o hábito de me movimentar na esteira ainda que estivesse de camisola –   só para quebrar a inércia.  Deixava o tênis ao  lado da esteira e, sempre que possível, me propunha a fazer caminhadas, mesmo que por alguns minutos. Por muito tempo fiz e prescrevi um treino intermitente de apenas vinte minutos. Consistia numa caminhada de aquecimento de três minutos, seguida de marcha de um minuto. Na sequência, mais um minuto de corrida e, por fim, um tiro de um minuto, forçando o limite, mas sem passar do ponto. Aí era repetir a série três vezes. Esse treino era suficiente para manter meu metabolismo acelerado o dia todo.

Não há receita universal. A melhor atividade física é aquela que podemos fazer. Só há um tipo de exercício que, comprovadamente, é prejudicial à saúde: aquele que nós não fazemos. Lembre-se disso antes de apertar o botão para chamar o elevador.

*** LUCÍLIA DINIZ

ESTAR BEM

MELATONINA: ENTENDA O QUE É, PARA QUE SERVE E QUAIS SÃO OS BENEFÍCIOS PARA O SONO

Antes importado ou vendido somente em farmácias de manipulação, hormônio teve comercialização em drogarias brasileiras autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária na forma de suplemente alimentar, sem receita

Em outubro passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a  venda de melatonina na forma de suplemento alimentar. Agora, ela começa a chegar às farmácias de todo o país e já atende a uma demanda reprimida.

A fabricante Macrophytus, por exemplo, abriu pré­ venda assim que saiu a decisão da Anvisa. Começou a entregar o produto nesta semana para 4.386 farmácias e 116 distribuidoras, num total de mais de 85 mil frascos chegando ao mercado.

O suplemento de outra fabricante, a Equaliv, já está à venda em quase todas as regiões do país e a empresa afirma que muitos estabelecimentos fizeram pedidos de reposição.

“A melatonina só podia vir importada ou feita em farmácias de manipulação, por isso, quando a Anvisa liberou, estava todo mundo esperando. A expectativa é vender bastante”, afirma o CEO da Macrophytus, Guilherme Spillere.

CICLO BIOLÓGICO

A melatonina é conhecida como o hormônio do sono. Na verdade, é mais do que isso: é uma das principais responsáveis pelo ciclo biológico de quase todos os seresvivos, usada na ritmo circadiano, que regula a atividade física, química, fisio e psicológica do corpo humano. O hormônio induz todas as modificações necessárias para o repouso, como sono, jejum e redução de atividade cardiovascular, da pressão, da frequência cardíaca e até da temperatura corpórea.

Bruno Halpern, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), explica o papel dessa substância:

“Não se trata do hormônio do sono, é o hormônio da noite, é diferente. É o mensageiro que avisa o corpo que é noite e suas funções vão além de fazer dormir: o fígado para de produzir glicose e o pâncreas diminui a produção de insulina, por exemplo”.

Para  Halpern, por ser um hormônio, o ideal seria que a melatonina fosse vendida como um remédio, com bula e controle da Anvisa , e não  na forma de suplemento. No entanto, ela não costuma ter muitos efeitos colaterais.

Segundo o endocrinologista, a melatonina ajuda sim, a dormir, mas não é uma panaceia. Ela funciona especialmente para aqueles que estão com deficiência do hormônio.

QUEM PODE SE BENEFICIAR?

A melhor evidência sobre indicações do hormônio que existe é o uso em pessoas idosas, já que, a partir dos 60 anos, a produção cai e chega a ser 25% menor do que em jovens. Também pode haver diminuição da produção durante o período menstrual ou em razão de distúrbios endócrinos.

Há outras pessoas que podem se beneficiar. Atualmente, com a presença até tarde em lugares muito iluminados, uso de computador e celular, mesmo jovens podem ter o relógio biológico alterado, não só pela luz, mas também pelo excesso de estímulos.

A substância pode ainda servir como recurso para pessoas que viajam e que sofrem com jet lag.

A melatonina também é muito utilizada nos casos de distúrbio de ritmo circadiano, que são aquelas pessoas noturnas com tendência a dormir de madrugada e acordar mais tarde pela manhã, mas que precisam acordar cedo, para estudar ou trabalhar, por exemplo. Assim, o hormônio é tomado no começo da noite com o objetivo de mandar um sinal de desaceleração para o corpo. O mesmo vale para pessoas que são obrigadas a acordar 3h, 4h da manhã.

“Não é um remédio universal para insônia. É preciso avaliar vários fatores: será que a pessoa produz pouca melatonina? Ou será que a causa do problema para dormir dela é outra? Ela pode ajudar com a vantagem de mexer menos com a arquitetura do sono do que os remédios para dormir. Se a pessoa tomar remédio um dia e no outro a melatonina, certamente dormirá mais rápido com o remédio que induz sono, mas tem mais efeitos futuros”, afirma Halpern.

COMO USAR

A médica pesquisadora do Instituto do Sono Dalva Poyares explica que são necessários cerca de 15 dias a partir do início do uso até que a melatonina realmente possa consolidar o ritmo biológico. Para isso, deve ser tomada diariamente, no mesmo horário um pouco antes de se deitar.

Mas Poyares aconselha as pessoas a buscarem, primeiro entender as causas para sua dificuldade para dormir.  Às vezes, outros problemas de saúde podem interferir como obstrução nasal ou refluxo, questões que a melatonina jamais poderia solucionar.

“A melatonina não vai ajudar todas as pessoas que têm problema de sono. É preciso entender o que está acontecendo e se ela tem como melhorar isso. Ela pode consolidar o ritmo biológico, mas tem que tomar direito, que significa ter horário certo para dormir toda noite. Se quiser adiantar o ritmo, tem que tomar mais cedo”, afirma a médica.

RESTRIÇÕES

De acordo com a resolução da Anvisa, os suplementos devem trazer na embalagem a advertência de que o produto não deve ser consumido por gestantes, lactantes, crianças e pessoas envolvidas em atividades que requerem atenção constante e são destinados exclusivamente a pessoas com idade igual ou maior que 19 anos e para o consumo diário máximo de 0,21mg.

Para a especialista, a Anvisa foi coerente ao liberar uma dose de apenas 0,21mg, que é mais parecida com a fisiológica. Na Europa, as doses à venda mais comuns são de 1mg ou 2 mg, nos EUA, as doses costumam ser de 3,5 e até 10 mg. O risco é que uma dose elevada assim deixe resíduo pela manhã, fazendo com que a pessoa tenha a impressão de estar um pouco sedada. Para despertar naturalmente, a dose de melatonina no organismo deve estar muito baixa.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

OLHAR PARA SI

 Buscar ajuda profissional não é sinônimo de fraqueza, mas sim de disposição para se conhecer melhor

Terapia é coisa de louco ou de gente fraca. Pensamentos como esse são um obstáculo à prática de psicoterapia, que pode ser uma forte aliada na saúde mental das pessoas. Um profissional preparado para conduzir tratamento psicológico pode apoiar uma pessoa na busca de autoconhecimento, bem-estar, enfrentamento de desconfortos emocionais e resolução de problemas do cotidiano, além de tratar transtornos mentais.

“Ainda há preconceito em relação à psicoterapia. Algumas pessoas temem ser vistas como desajustadas ou incompetentes para resolver por si só suas dificuldades”, diz Maria Cristina Petroucic, professora de Psicologia da PUC-SP. “Qualquer pessoa que se sinta aflita, ansiosa, angustiada e que perceba que não consegue resolver questões pessoais sozinha pode procurar ajuda de um psicoterapeuta.”

Muitos brasileiros se beneficiariam da psicoterapia: somos o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade e o quinto em casos de depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2017, eram 19 milhões de brasileiros que sofriam de transtorno de ansiedade, situação que deve ter se agravado durante a pandemia. Em comparação com outros dez países, o Brasil foi o com maior índice de ansiedade e depressão na pandemia, em pesquisa liderada pela Universidade Estadual de  Ohio, nos EUA. “Vários problemas sociais e pessoais vieram à tona. As pessoas ficaram fragilizadas de diversas maneiras, a depender dos acontecimentos que as atingiram e dos recursos pessoais e do apoio que receberam”, observa a professora.

O empresário Carlos Eduardo Murayruna, de 36 anos, viu o seu negócio parar na pandemia, mas o tratamento psicoterapêutico iniciado em 2019 o ajudou a enfrentar o furacão. “Com a terapia, percebi o que me causava ansiedade. Também aprendi a me abrir e a falar das minhas dores. Não sofro calado mais”, diz. O aprendizado o ajudou a melhorar o relacionamento com a mulher e o filho. “Na pandemia, apesar das dificuldades no trabalho, pude me aproximar mais deles. Hoje sou uma pessoa melhor do que quando comecei a terapia”, avalia, após passar por três psicólogos de diferentes abordagens, até encontrar um com quem tivesse afinidade.

O profissional de saúde mental, geralmente um psicólogo, conduz as sessões de terapia, que podem ser individuais, em casal ou em grupo. Ele precisa ter profundo conhecimento para coordenar um processo complexo. Mas o formato mais comum de consulta é simples: uma conversa sigilosa, sem censura ou julgamentos. A fala é uma das principais formas de fazer essa interlocução, mas os profissionais também podem explorar outros recursos como desenhos, brincadeiras, encenações e movimentos corporais para que o paciente entre em contato com suas questões, dores e desejos e buscar caminhos para amenizar seus sofrimentos, dificuldades e angústias.

A psicóloga Yara Kilszrajn, por exemplo, costuma atender casais e pedir-lhes que façam colagens com pedaços de revista ou simulem que são uma ”estátua” para que possam observar um ao outro – entre outras propostas que vão além da conversa. “Há diversas formas de trazer para a consciência a dor de cada um”, diz Yara, que segue a linha da psicologia junguiana, também chamada de analítica (veja as diferentes abordagens psicoterapêuticas abaixo).

DIVÓRCIOS

Um número de divórcios bateu recordehistórico nos cinco primeiros meses de 2021, segundo o Colégio Notarial do Brasil, que representa mais de 9 mil cartórios do País. Yara observou no seu consultório um crescimento de conflitos entre casais na pandemia, causados ou agravados por motivos como convivência restrita e por mais tempo e poucos recursos de prazer, além das tensões da própria crise sanitária e econômica. “Sem distrações, os casais foram forçados a olhar para o que não estava bom no relacionamento”, lembra a psicóloga. Ela recomenda a terapia de casal quando há frieza e distância entre os dois. Ou em momentos críticos como a chegada ou partida dos filhos, que exigem uma reorganização de papéis e rotinas. “Eu não tenho um pozinho mágico que resolva tudo. A terapia é um espaço de autoconhecimento”, explica.

Yara conduziu a terapia do casal Kézia e Nathan. Preocupado com as brigas e desentendimentos, o operador de loja Nathan Moura Lima, de 22 anos, propôs a Kézia Caroline Costa Ramos, de 20 anos, uma visita em dupla à psicóloga. Era fim de 2019 e eles estavam juntos há um ano. “O relacionamento estava se perdendo, pensei nessa saída”, conta ele. Eles não conheciam ninguém que tivesse feito terapia de casal. “Era algo que só tínhamos visto em filmes”, diz Kézia. Na primeira sessão, ficaram ansiosos, mas depois se sentiram à vontade. “Pode até ser desconfortável no início se abrir a uma pessoa que você não conhece, mas vale a pena. Ajuda a entender a percepção do outro e a solucionar conflitos”, aprova Nathan.

ESCOLHA DO PROFISSIONAL

Mas como escolher um bom psicoterapeuta para chamar de ”seu”? Buscar uma indicação com pessoas de confiança e analisar a formação do profissional é a principal dica de Pablo Castanho, professor do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da  USP. “Confira se a pessoa tem registro no Conselho de Psicologia ou uma formação de pós-graduação respeitável”, recomenda. Ele explica que profissionais sérios não prometem resultados e nunca devem impor suas crenças ou orientações religiosas ou esotéricas aos pacientes.

A condução da psicoterapia não é exclusividade de psicólogos ou médicos psiquiatras, mas é preciso ter formação adequada para a prática, alerta Rodrigo Acioli, do Conselho Federal de Psicologia. “Procure profissionais que tenham um saber embasado na ciência. Não deixe de verificar se o profissional está inscrito em seu conselho de classe. Isso não significa que ele seja ótimo, mas você terá um órgão a quem recorrer caso estranhe a conduta do profissional”. A professora Maria Cristina Perroucic, da PUC-SP, recomenda dar preferência a psicólogos. “O curso de Psicologia leva o aluno a desenvolver melhores condições para analisar e compreender o papel do indivíduo no ambiente familiar e social, de se apropriar adequadamente dos dados fornecidos pelo paciente, bem como de interpretá-los”, argumenta.

Uma dúvida que pode surgir no momento da escolha do psicoterapeuta é sobre a abordagem terapêutica. Basta uma pesquisa na internet para ficar confuso. Surgem questões como: ”Devo seguir pela abordagem da psicanálise ou da psicologia comportamental?” ou “Será que a  psicologia humanista é boa para mim?”. Diante de questões desse tipo, não se intimide ou desanime. Os especialistas orientam  pacientes a não se preocupar demais com isso, mas com a qualidade de atendimento e vínculo. “Há centenas de linhas terapêuticas. Muda a forma de o profissional realizar o seu trabalho, mas todas têm o mesmo objetivo”, explica Acioli. O professor Castanho reforça: “Diversos estudos mostraram que a abordagem não é determinante. O que importa é que o profissional esteja disponível e que o paciente esteja comprometido em se ajudar.” Para escolher sua psicoterapeuta, a professora de ioga Juliana Barrena, de 41 anos, pediu indicações a amigos psicólogos. Nunca viu a cara de sua analista, mas, desde o ano passado, tem conversas semanais com ela por telefone, sem vídeo. “O isolamento fez com que questões viessem à tona, então decidi que iria fazer psicanálise. Estava disposta a colocar o dedo na ferida”, conta. A dedicação vale a pena, diz Juliana: “Com a psicoterapia, olhei para meu passado, minhas raízes e para questões familiares. Reconhecer meu percurso ajuda a conviver melhor com quem sou. Tenho hoje um olhar mais compassivo comigo. E isso não é pouco”.

CONHEÇA AS PRINCIPAIS ABORDAGENS TERAPÊUTICAS

PSICANÁLISE

Considerada a primeira escola de psicoterapia, baseada nos estudos do neurologista Sigmund Freud (1856-1939), o “pai da psicanálise”. Com base na teoria do inconsciente, o analisando é levado a falar “o que vier na cabeça”, sem censura, de forma a acessar seus medos e angústias ocultos. A teoria de Freud passou par releituras posteriores, como a feita pelo francês Jacques-Marie Émile Lacan, que passou a ser chamada de lacaniana.

PSICOLOGIA ANALÍTICA OU JUNGUIANA

Segue as teorias do psiquiatra suíço Carl Jung (1875-1961), que traz novas ideias como a  do “inconsciente coletivo”: conjunto de sentimentos, pensamentos e lembranças compartilhados por toda a humanidade. Inicialmente discípulo de Freud, criou sua própria corrente.

TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL (TCC)

Tem foco no presente e no “viés de interpretação”, que é como uma pessoa interpreta as situações que vive, baseada em questões culturais e na história de vida. Após a formulação do caso, o terapeuta vai criar um plano de tratamento, de acordo com a meta estabelecida.

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