OUTROS OLHARES

PASSAPORTE PARA O SEXO

Em tempos de pandemia e com novas variantes em circulação, aplicativos de relacionamento criaram espaço para uma informação fundamental: o status de vacinação

No início da pandemia de Covid-19, há quase dois anos, as regras sanitárias foram fundamentais para proteger vidas enquanto a vacina contra as temíveis infecções não vinha. Efeito colateral do distanciamento social, os relacionamentos amorosos e os contatos mais íntimos entre pessoas desconhecidas ficaram em suspenso, gerando uma expectativa que, em alguns casos, se converteu em uma nova forma de ansiedade, especialmente entre os jovens sem nenhuma experiência nesse campo. A criação de vacinas e o progresso da imunização no Brasil – 330 milhões de doses aplicadas e cerca de 140 milhões de pessoas com o ciclo de vacinação completo – e em outros países despertaram uma esperança para quem quer sentir o calor de outra pessoa na pele e, porque não, um pouco de prazer nestes tempos tão difíceis. Os aplicativos de relacionamento identificaram essa movimentação entre os usuários, que, além de celebrarem suas melhores qualidades, agora podem informar também como está sua imunização – o que facilita na hora de escolher entre o coraçãozinho ou o xis e, se for o caso, marcar o sonhado encontro.

Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) descobriram que a maioria dos jovens entre 18 e 25 anos recorreu a esse tipo de tecnologia para diminuir a carência e solucionar a falta de contato humano decorrente do isolamento. O Inner Circle, um aplicativo que exige “convite dos próprios usuários para poder ser usado, realizou uma pesquisa com aproximadamente 2.000 pessoas de seu catálogo exclusivo. O levantamento identificou que 80% dos pesquisados afirmam estar prontos para sair com alguém. Mas para 60% deles a vacina é um pré-requisito inegociável para que o encontro presencial se consume. Três em cada quatro participantes disseram que pretendem flertar mais neste ano em comparação com o verão passado, e quase metade deles só se sentiu à vontade para criar um perfil na plataforma depois do início do Plano Nacional de Vacinação. Além disso, segundo outra pesquisa, esta de setembro, mais de 45% das pessoas não sairiam com alguém que se recusa a tomar a vacina.

Diante das evidências, os aplicativos se adaptaram. Além do Inner Circle, o pioneiro Tinder e o popular Bumble já permitem aos usuários informar se tomaram uma ou duas doses da vacina, o que pode ser determinante para a realização do tão ansiado match. No futuro próximo, a ideia de combinar encontros com desconhecidos sem antes questionar seu status de vacinação pode parecer tão estranha quanto ir a um hospital sem máscara –   algo que, antes de 2020, era muito comum. Ainda que a reabertura esteja acontecendo, com mais pessoas se sentindo seguras para sair de casa, o receio de contrair o vírus por meio de novas variantes, como a delta e a mais recente, ômicron, continua sendo uma constante na vida dos solteiros. “Por mais que novos hábitos tenham sido incorporados, como o uso de apps de relacionamento por quem não estava acostumado ou até os encontros virtuais como primeiro passo, ninguém quer correr o risco de voltar a ficar isolado em casa se contrair a doença”, diz Ximena Buteler, gerente de marketing do Inner Circle no Brasil.

Não se trata apenas de desejo, mas de saúde pública. Nos Estados Unidos, onde o movimento antivacina é intenso e a imunização entre os jovens não tem grande penetração, o governo anunciou em maio que fecharia uma parceria com aplicativos de relacionamento para uma campanha de conscientização a favor da vacinação contra a Covid-19. No Brasil, apesar dos progressos na imunização, o cenário é preocupante, já que o governo demora a tomar decisões para proteger a população e insiste em menosprezar o que a ciência e os especialistas recomendam. O caso mais recente, envolvendo o passaporte vacinal para viajantes estrangeiros, teve a intervenção do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a exigência do documento para a entrada no país. Na contramão da ignorância, as pessoas em busca de parceiros criaram, de forma quase espontânea, as próprias regras e um passaporte de prazer. Para deitar e rolar sem medo.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 26 DE JANEIRO

SÍNDROME DE GAFANHOTO

Também vimos ali gigantes […], e éramos, aos nossos próprios olhos, como gafanhotos e assim também o éramos aos seus olhos (Números 13.33).

O povo de Israel havia saído da escravidão, mas ainda não havia entrado na terra prometida. Doze espias foram enviados para avistar a terra da promessa. Eram príncipes do povo, líderes de escol. Depois que avistaram a terra, trouxeram os frutos excelentes. Dez dos doze espias, porém, trouxeram um relatório negativo, induzindo o povo a uma inquietação perturbadora. Semearam a incredulidade, promoveram a rebeldia, incitaram o povo contra Deus e contra Moisés. Disseram que a terra era boa, mas tinha cidades fortificadas e gigantes invencíveis. Disseram ainda que, aos olhos dos gigantes, eles eram como gafanhotos, bem como aos seus próprios olhos. Triste inversão! Consideraram-se menos do que príncipes, menos do que homens, insetos! Gafanhotos! O pecado desses líderes foi tão grave que o povo se insurgiu contra Deus e no coração voltou para o Egito. Toda aquela geração perambulou quarenta anos no deserto e não entrou na terra da promessa. Apenas os dois espias que confiaram em Deus, Josué e Calebe, entraram na terra prometida; os demais pereceram na jornada. Quem venceu foi a síndrome de gafanhotos, e não os gigantes. Eles foram derrotados não pelas circunstâncias, mas pelos sentimentos. Caíram por causa da incredulidade, e não por causa dos gigantes. Tropeçaram nas próprias pernas. Foram derrotados pelos próprios pecados. O pecado é maligníssimo. Ele nos priva das delícias da terra prometida.

GESTÃO E CARREIRA

SUSTENTABILIDADE EMOCIONAL

A sustentabilidade está chegando a uma nova etapa: a emocional, que coloca a saúde mental dos trabalhadores no centro da estratégia das empresas. Saiba como preparar sua companhia para esse cenário

Em uma sexta-feira de 2017, Sofia Esteves, fundadora e presidente do conselho do Grupo Cia de Talentos, recebeu urna mensagem que a deixou intrigada. O texto de uma de suas sócias era simples: perguntava se ela poderia entregar um relatório na segunda-feira seguinte. O problema é que Sofia simplesmente não se lembrava de qual documento a colega falava. Ao perguntar, descobriu que era algo referente a uma reunião – da qual Sofia também não tinha a menor recordação. “Sempre tive uma memória cavalar. Eu sei o nome, telefone e endereço do primeiro cliente de 33 anos atrás”, diz a executiva. Sua sócia disse que o lapso poderia ser cansaço e recomendou descanso. Foi o que Sofia fez. No fim de semana, ela só dormiu.

A terça-feira seguinte mudaria tudo. Sofia caminhava pelo corredor da Cia de Talentos quando cruzou com outra sócia, Maira Habimorad, que comentou que a apresentação de Sofia para um cliente havia sido um sucesso. Só que ela não se lembrava de nada – de novo. Chegou até a corrigir a amiga, pensando que ela falava de outra pessoa. A sócia insistiu e mostrou uma foto do executivo. Mas Sofia definitivamente não se lembrava e desabou a chorar. “Ali eu percebi que tinha acontecido algo.” Imediatamente, ligou para seu médico e  foi até  o hospital. “Imagine o pânico, porque a primeira coisa que pensei é que poderia ser um tumor.” Os exames não revelaram nada de errado fisicamente, mas o médico de Sofia foi taxativo: “Ainda não apareceu um buraco na sua cabeça, mas se continuar nesse ritmo vai aparecer”, disse ele. Era um alerta para que a executiva diminuísse a carga, o que ela  nem pensava em fazer. O médico argumentou afirmando que aquilo era uma decisão pessoal, mas que se Sofia não abrisse mão de nada não sobraria nada mesmo – nem para ela nem para os outros.

Depois de vários exames, foi confirmado o diagnóstico de burnout e Sofia ficou 50 dias afastada. Nesse período, não podia ler, usar o computador nem assistir à televisão. A desconexão total era importante para recuperar os danos que o excesso de atividades havia causado a seu cérebro. Segundo Sofia, seus neurotransmissores tinham sofrido muito e precisavam se regenerar – o que só seria possível com descanso profundo. “Eu me sentia tão realizada no trabalho que não me dei conta de que tinha esticado demais o elástico”, diz a executiva. Além do repouso, ela fez sessões de mindfulness, terapia e fisioterapia cerebral. “Descobri que tinha uma fantasia inconsciente de que se deixasse de ajudar alguém eu não seria merecedora de ter sido ajudada”, diz. Hoje ela se policia para não voltar ao ritmo alucinante e para cuidar mais de si mesma. “Tenho um acordo com meu marido e com meus filhos: se eles perceberem que eu estou exagerando, têm que me avisar.”

Assim como Sofia, o burnout – ou síndrome do esgotamento profissional – afeta milhões de pessoas. Dados da International Stress Management Association no Brasil (lsma-BR) estimam que 33 milhões de brasileiros já tenham sofrido com o problema. Em 2019, éramos o país mais ansioso do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que calculava que 18,6 milhões de brasileiros possuíam a doença, o que correspondia a cerca de 9% da população total daquele ano. Além disso, ainda segundo a OMS, somos a segunda nação com mais casos de depressão – ficamos atrás apenas dos Estados Unidos. E a pandemia de covid-19 aumentou os problemas psíquicos: uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) revelou que 80% dos brasileiros se sentiram mais ansiosos durante a crise.

A NOVA SUSTENTABILIDADE

Não é à toa que desde o ano passado as empresas intensificaram as ações voltadas para o bem-estar mental dos funcionários. Porém, mais do que criar programas pontuais ou simplesmente oferecer sessões de terapia, é necessário preocupar-se de maneira abrangente com o tema. E a ideia de sustentabilidade emocional pode ajudar a estruturar práticas eficientes e perenes. O conceito é simples e tema ver com a sustentabilidade ambiental. Se no meio ambiente a regra é que devemos viver em harmonia com os recursos ecológicos para que eles não acabem, na saúde mental nós precisamos encontrar um ponto de equilíbrio entre aquilo que o ambiente exige de nós e o que realmente podemos oferecer sem esgotar nossas capacidades. “Sustentabilidade emocional é sobre como podemos buscar recursos psíquicos para nos mantermos na vida não só nos momentos felizes, mas nos tristes também”, diz Sandra Tambara, psicóloga e coach executiva.

O conceito vai ao encontro de todas as esferas da saúde mental, da prevenção ao tratamento, e também passa pelo modo como o mercado encara questões que podem afetar nossa mente – como a produtividade que, para a jornalista Izabella Camargo, também precisa ser mais sustentável. Ela, que sofreu um grave episódio de burnout em 2018, especializou-se no tema, escreveu o livro Dá Um Tempo: Como Encontrar Limites Num Mundo sem Limites (Princípium Editora) e defende que devemos ser mais sustentáveis em nossas listas de tarefas. “Produtividade sustentável é a capacidade de trabalhar sem causar danos à saúde e aos relacionamentos. É não apelar para remédios, anestésicos, e não deixar o estresse e a falta de tempo desencadear comportamentos agressivos e outros desequilíbrios emocionais que vão deixando nossas relações mais confusas e difíceis”, diz Izabella. “Se você ama o que faz e quer continuar fazendo o que ama sem afetar sua vida de maneira nociva, vai precisar pensar e agir considerando a sustentabilidade de sua produção.”

Para que isso se torne um valor nas empresas – e permeie as ações das companhias como já acontece com a sustentabilidade ambiental –  é preciso começar um grande projeto de educação. Só assim será possível mudar as mentalidades de funcionários e líderes. “O que garante a sustentabilidade emocional é capacitar e habilitar cada um para usar as ferramentas emocionais mais adequadas ao contexto”, diz Raquel Dilguerian, líder de saúde populacional e corporativa do Hospital Israelita Albert Einstein.

TRABALHO DE LONGO PRAZO

Um dos primeiros passos no desenvolvimento desse conceito é o autoconhecimento –    afinal, apenas com percepção sobre nós mesmos entendemos quais são os recursos que temos para oferecer e quais ainda precisamos desenvolver. “O autoconhecimento fortalece aquilo que reconhecemos e o caminho que já vivemos em nossa história. Além disso, faz com que sejamos mais empáticos”, explica a psicóloga Sandra. Esse exercício é ainda mais fundamental para encarar a pandemia e o futuro incerto que temos pela frente. É preciso encontrar tempo para compreender e identificar quais emoções são produzidas em cada aspecto de nossa vida “Não somente pensar sobre esses sentimentos, mas agir também. Às vezes, de tanto racionalizar sobre o quanto aquilo nos incomoda, não conseguimos sair daquela situação”, afirma Tamara Rigoni, psicóloga e especialista em neuropsicologia.

Para dar mais ferramentas psicológicas a seus cerca de 12.000 funcionários no Brasil, a Unilever coloca, desde 2015, o bem-estar físico e mental dentro de sua estratégia. Para isso, seguiu algumas etapas. Primeiro, criou ações de autoconhecimento para todos os empregados. Depois, apostou na sensibilização dos líderes, que foram treinados para identificar problemas emocionais nas equipes. Em 2017, a empresa inovou ao adotar o biofeedback. A prática de educação psicológica ajuda os funcionários a identificar os gatilhos de estresse e ansiedade e traz orientações de técnicas para retomar o controle emocional. Agora o foco são as conversas francas sobre saúde mental, que têm o objetivo de acabar com tabus. “Essa jornada é uma mudança de cultura”, afirma Ana Paula Franzoti, diretora de desenvolvimento organizacional e cultura e líder de saúde mental da Unilever.

E a pandemia trouxe novas necessidades para os funcionários. Em pesquisas com os empregados sobre a experiência do home office, a Unilever descobriu, em julho de 2020, que havia uma dificuldade generalizada para organizar as agendas e dar conta das demandas pessoais e profissionais. Foi assim que nasceu o programa Regras de Ouro que, entre outras orientações, estabelece que não pode haver reuniões nos horários de almoço ou após as 18 horas, nem nas tardes de sexta-feira. Além disso, os encontros não devem ultrapassar 50 minutos e é proibido emendar uma videoconferência em outra. “Não estamos em home office, estamos tentando sobreviver”, diz Ana Paula.

Essa abertura para a vulnerabilidade estimulou a companhia a criar mais um projeto: o champions de saúde mental, que treina funcionários voluntários em práticas de acolhimento psicológico. As orientações somam 15 horas e abordam temas como os principais problemas de saúde mental, violência doméstica e luto. Depois de treinados, os champions podem ser procurados por todos aqueles que estiverem precisando de algum tipo de apoio – seja para conversar, seja para ser orientado e ajudado a procurar tratamento profissional. Atualmente 45 funcionários passaram pelo curso. “O objetivo não é ter um atendimento psicológico, mas ouvir, acolher e encaminhar”, explica Ana Paula.

CUIDADO INTEGRAL

Um dos grandes desafios das empresas que pretendem estabelecer a sustentabilidade emocional é desmistificar a saúde mental, já que o tema ainda é repleto de tabus. “É muito comum que o assunto seja tratado apenas sob a ótica da doença, reforçando o estigma e o preconceito que cercam esse tema. Devemos encarar a saúde mental corporativa de forma estratégica e preventiva”, afirma Carlo Pereira, diretor executivo da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas e criador do Movimento Mente em Foco, que discute a saúde mental nas empresas. Outro ponto importante é não deixar que os cuidados aconteçam só quando os funcionários já estão sendo afetados por doenças psíquicas – realidade cada vez mais comum. De acordo com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, na comparação de 2020 com 2019, houve um crescimento de 26% nos pedidos de afastamentos e aposentadorias por invalidez causados por transtornos mentais. “Não adianta agir quando a doença já está manifestada. Sabemos que o absentismo é muito grave e que está relacionado ao tema, por exemplo”, diz Carlo. Por isso, a preservação da saúde mental deve fazer parte da estratégia geral de saúde das companhias, o que demonstra que as empresas se preocupam genuinamente com as pessoas. “Estamos falando de humanização das relações”, diz a psicóloga Sandra. “Precisamos considerar a saúde em sua integralidade, entender que lidamos com seres  humanos e criar um ambiente que dê apoio diante dos desafios”. Com essas questões em mente, a fabricante de bebidas Ambev começou uma  transformação cultural. “Trouxemos novos valores para que a companhia seja mais aberta e inclusiva”, diz Ricardo Melo, vice­ presidente de pessoas para a América do Sul na Ambev. “Estamos falando de colaboração e escuta ativa.” Para que a nova mentalidade fosse disseminada, era impossível deixar o tema do bem-estar de lado – e o foco da multinacional é garantir que os mais de 30.000 empregados brasileiros se sintam integralmente saudáveis.

Foi assim que nasceu, em 2020, a diretoria de saúde mental. “Criamos a diretoria para expandir o alcance da saúde, que estava muito atrelado à questão física. Queríamos olhar o ser humano em sua totalidade e seguir o conceito de saúde da OMS, de completo equilíbrio entre o bem-estar físico, o mental e o social”, explica Ricardo. Quem lidera a área é a psicóloga Mariana Holanda, que já trabalhava na companhia no time de pessoas. A diretoria atua em três pilares: responsabilidade da empresa, responsabilidade do líder e responsabilidade do indivíduo – e todas as ações são feitas tendo em mente essa divisão. “As pessoas precisam mergulhar dentro de si mesmas para entender seus limites. A empresa deve dar espaço para o acolhimento e criar um ambiente para que as pessoas possam buscar ajuda. E os lideres devem estar preparados para recebê-las”, diz Ricardo. “Antes, saúde mental era um tabu. Ninguém falava e, quando se falava, não se sabia o que fazer.”

Entre as práticas, a Ambev tem uma plataforma de bem-estar, um guia educativo sobre saúde mental e parceria com especialistas para atendimento psicológico. Além disso, a empresa começou a fazer pesquisas semanais para verificar corno os funcionários estão se sentindo durante a pandemia – o que gera dados para possíveis ações. A companhia também colocou perguntas relacionadas à saúde mental em seu censo anual. Os resultados já começam a aparecer. Uma pesquisa interna revelou que 82% dos profissionais aprovam as iniciativas de saúde mental, 70% acreditam que o cuidado da liderança com o tema é muito bom e 65% afirmam que se sentem seguros para tratar do assunto na empresa. “Isso reflete o nível de segurança psicológica da organização”, diz Ricardo.

ENVOLVIMENTO DA LIDERANÇA

Como todo pilar de negócio, uma companhia só terá sucesso na implementação da sustentabilidade emocional se a liderança estiver conectada com o terna. “As empresas devem colocar a saúde na pauta. E não é só nomear um diretor; elas precisam de um movimento da alta liderança e de discussões estratégicas no conselho”, diz Raquel, do Hospital Israelita Albert Einstein.

As ações da chefia também devem refletir os cuidados com o bem-estar psicológico – o que é outro grande desafio. Tanto que uma pesquisa conduzida pela Virtude, plataforma de terapia online, e pela consultoria Opinion Box com mais de 1.000 brasileiros revelou que só 57% dos liderados consideram que seus gestores conseguem equilibrar vida pessoal e trabalho, e apenas 50% acreditam que os chefes se preocupam com o equilíbrio das equipes – mas para 86% um bom líder precisa cuidar da saúde mental do time. E o estudo traz um dado assustador: 30% dos entrevistados acreditam que o chefe está à beira do burnout. “Um líder que só quer ter resultados e coloca a culpa na equipe também não se sustenta”, diz Sandra. Esse problema só será solucionado com sensibilização e treinamento dos gestores.

É nisso que aposta o Grupo Boticário, que tem mais de 12.000 trabalhadores no Brasil. Entre maio e junho de 2021, a fabricante de cosméticos fez uma série de treinamentos com a liderança sobre assuntos como gestão do estresse, construção de relacionamentos de confiança e identificação de sofrimento psicológico entre os funcionários. “Buscamos trazer repertório para os líderes criarem consciência sobre o tema”, diz Suelen Morais, gerente de saúde integral do Boticário. Além de conhecimento, os gestores têm acesso a dados sobre o bem-estar das equipes, já que o Boticário aplica pesquisas semanais para medir a satisfação das pessoas.

Desde agosto de 2021, a ideia passou a ser garantir a construção de ambientes psicologicamente seguros na empresa. Isso já começou a ser feito com uma mudança importante na avaliação de desempenho, que não olha mais apenas para resultados e competências, mas para a maneira como os funcionários fazem suas tarefas – e se as atitudes tomadas estão conectadas aos valores culturais.

As conversas e os estímulos ao cuidado da saúde mental, no entanto, não ficam restritas aos gestores. A empresa possui uma equipe formada por psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais para atender todos aqueles que precisam de apoio – além de uma plataforma digital que ajuda no acompanhamento dos pacientes. Isso tem incentivado as pessoas a buscar ajuda: no início da pandemia, apenas 4% dos trabalhadores do Boticário faziam algum tipo de terapia. Hoje, o percentual é de 18%. “Nossa preocupação sempre foi cuidar das pessoas para que elas sejam mais felizes e equilibradas”, diz Suelen.

MAIS DO QUE UM CRACHÁ

O psiquiatra e psicólogo suíço Carl Jung já dizia que a construção do nosso ser não está restrita a somente um aspecto da individualidade, mas a várias facetas que se conectam para formar quem realmente somos. É por isso que colocar todo o foco em apenas um dos lados daquilo que estabelece nossa vida – como o trabalho – pode ser altamente perigoso para a saúde física e mental. Esse foi o erro de Sofia Esteves e o que a levou a ter um episódio tão grave de burnout. “No trabalho, fui pela primeira vez reconhecida como ser humano, e isso foi determinante para que eu colocasse muito do meu prazer e realização ali”, explica Sofia.

Assim como a fundadora da Cia de Talentos, muitos profissionais apaixonados pelo que fazem – e que gostam genuinamente da empresa em que trabalham – não conseguem estabelecer limites e acabam ultrapassando a barreira do excesso de trabalho. Esse comportamento, que  durante muito tempo foi estimulado e até premiado pelas companhias, criou uma geração de pessoas que adoecem e que deixam de colocar esforços em outras áreas da vida. O problema é que uma hora o organismo grita – e bem alto. “O nosso corpo não foi feito para ficar muito tempo em produção”, diz a neuropsicóloga Tamara. “Nossos pensamentos também conduzem as reações químicas. O esgotamento mental ocorre quando existe um volume muito grande de trabalho sem uma válvula de escape e o corpo começa a ter sintomas de estafa.” Choro compulsivo, pressão arterial alta, depressão e ansiedade são algumas das pistas que recebemos do cérebro para sinalizar o desequilíbrio. Para que isso não aconteça, é necessário encontrar limites. “Você pode vestir a camisa do seu trabalho, desde que vista também o seu pijama e uma roupa para fazer atividade física. Ou seja, que você se inclua em sua agenda”, diz a jornalista e escritora Izabella.

O papel das companhias que querem ser humanas e socialmente responsáveis é mostrar aos empregados que deve, sim, existir vida além do trabalho. E que cada funcionário é uma pessoa complexa, com necessidades, emoções, expectativas e vulnerabilidades. “Se a empresa não olhar para isso, a conta não vai fechar. Não há RH que consiga trabalhar com um grupo de pessoas adoecidas e que não encontram propósito”, diz Raquel, do Einstein. Essa conta precisa fechar com urgência – e com equilíbrio mental.

OS QUATRO PILARES DA VIDA SUSTENTÁVEL

O psicólogo americano de abordagem humanista Carl Roger desenvolveu o conceito de vida plena, que afirma que precisamos estar sempre à procura do bem­ estar integral, desde que isso seja encarado como um processo, e não como uma meta. Para o pensador, as pessoas que se mantêm nessa busca se aprimoram. Segundo ele, existem quatro pilares que embasam avida plena:

1. ABERTURA CRESCENTE À EXPERIÊNCIA

Ser livre para viver seus sentimentos

2. AUMENTO DA VIVÊNCIA EXISTENCIAL

Viver cada momento de sua vida por inteiro

3. CONFIANÇA CRESCENTE EM SEU ORGANISMO

Respeitar sua intuição como sinônimo de respeitar a si mesmo

4. FUNCIONAMENTO PLENO

Experimentar todos os sentimentos e ter consciência de si próprio

EU ACHO …

A FADA

A cada ano, no mês de janeiro, ela esperava ansiosa pelo dia da visita. Vela, copos com água e sal, planta baixa da empresa com espaços milimetricamente traçados com os pontos cardeais em um mapa, tudo enfileirado aguardando o minucioso olhar da consultora de Feng Shui, apelidada carinhosamente de “fada”. A cliente, com uma fé intensa, e criada imersa no sincretismo religioso brasileiro, era devota de Santa Terezinha e também de Iemanjá, jurava que o filho quando pequeno parou de ter pesadelos quando colocaram o filtro dos sonhos pendurado em sua cama ao lado da figura do anjo Gabriel, seu protetor. A fusão das crenças em si era tão enraizada que não sabia mais o que pertencia a qual doutrina e uma ideologia própria cheia de significado se desenvolvia e a confortava ao longo da vida. Enquanto a medalha de Nossa Senhora estava presa à corrente, a fita vermelha da cabala seguia no pulso e a Bíblia e a Torá eram vizinhas na mesinha de cabeceira.

A consulta marcada sempre em janeiro para que o ano pudesse se encaminhar na direção correta era de longe um de seus momentos favoritos. A fada chegava, ouvia com calma os desafios e os desejos e seguia passo a passo, mesa a mesa, sala a sala, fazendo cálculos em sua pequenina calculadora, determinando ajustes e às vezes bem mais que isso.

“Aqui tem de ter a cor rosa, ali a pessoa tem de olhar para leste, e onde está a proteção da sala do futuro? Aqui realmente não temos opção, vamos abrir uma porta nessa parede! É o jeito para a energia entrar”, dizia.

A fala com sotaque francês que vinha de um corpo miúdo e um olhar vivo conhecido há 20 anos era fielmente seguida pela cliente com caderno de anotações em punho. As duas mulheres seguiam os afazeres da cerimônia por algumas horas, seguiam um ritmo, lembravam salmos que deviam ser lidos, programavam cartas para o futuro, agradecimentos por algum passado não tão generoso e perdão por erros cometidos. A fada contava histórias antigas e descobertas recentes, a cliente sentia a tal energia fluir melhor e pensamentos antes emaranhados em nós pareciam puxados fio a fio. Na despedida um sentimento de que participaram de uma liturgia, gratidão, carinho e fé. Alguma dúvida de que funciona?

*** ALICE FERRAZ

ESTAR BEM

GUIA DE COMIDA SAUDÁVEL INDICA VEGETAIS NO PRATO E PACOTINHOS LONGE DA BOCA

Associação Americana do Coração lança primeiro conjunto de diretrizes alimentares em15 anos, com dicas do que incorporar ao cotidiano e quais perigos evitar, como as carnes processadas, o álcool e as gorduras sólidas

A Associação Americana do Coração, principal referência mundial na área médica, acaba de lançar uma nova diretriz com orientações para o regime alimentar que reduz o risco de doenças cardiovasculares. É o mais completo guia já feito pela instituição ao longo de nove décadas de existência, com base em dezenas de pesquisas científicas – há 15 anos o órgão não se posicionava sobre o assunto.

Alguns dos destaques da nova cartilha são a contraindicação da suplementação vitamínica e de óleos tropicais, como de coco e de palma, e a defesa de legumes congelados.

A cardiologista Paolla Smanio, do Grupo Fleury, destaca a atenção da diretriz para a importância do preparo dos alimentos.

“Embora seja indicado o consumo de peixes, se ele é frito, sua qualidade nutricional, como õmega-3, é perdida”, diz. Um conceito que também permeia todo o novo guia é a necessidade de se evitar alimentos ultra processados.

“A recomendação é cortar e descascar mais e abrir menos pacotinhos”, avalia Smanio. No texto, os cardiologistas abordam os obstáculos para uma alimentação melhor, incluindo até mesmo o risco das compras online de refeições. “As compras online, inicialmente consideradas uma oportunidade para reduzir as disparidades  nas compras de alimentos, na verdade podem ter o efeito oposto ao usar a inteligência artificial para promover alimentos e bebidas não saudáveis. Essas  práticas podem ter um efeito desproporcional e deletério sobre os consumidores de baixa renda.  Esse marketing de alimentos e bebidas não saudáveis aumenta os efeitos adversos na dieta e na saúde”. Confira as principais dicas.

REDUÇÃO DE CALORIAS

As necessidades energéticas variam de acordo com a idade, atividade, tamanho e sexo da pessoa. É importante ficar atento que, durante a idade adulta, as necessidades de energia diminuem entre 70 e 100 calorias por década. O guia traz um alerta: “Grandes porções, mesmo para alimentos saudáveis, podem contribuir para o ganho de peso”. Ou seja, não é porque a comida é saudável que pode ser ingerida indiscriminadamente. Os especialistas contraindicam dietas de efeito rápido e milagroso.

FRUTAS E VEGETAIS

A dieta rica em frutas e vegetais, com exceção da batata branca, está relacionada a um risco reduzido de doenças cardiovasculares. Quanto mais coloridos, mais ricos em nutrientes. Aos pedaços oferecem mais fibras e proporcionam mais saciedade que as versões em suco; os congelados têm vida longa e teor de nutrientes semelhante ou superior aos frescos.

GRÃOS INTEGRAIS E COLESTEROL

Produtos feitos com pelo menos 51% de grãos inteiros são normalmente classificados como integrais. Estudos indicam que a substituição de grãos refinados por inteiros está associada a menor risco de doenças cardiovasculares. A casca dos grãos ajuda a levar a molécula do colesterol embora, como a aveia. Além disso, os integrais auxiliam na saúde da flora intestinal, que ajuda na defesa do corpo.

NEM TODA FONTE DE PROTEÍNA É BOA

A diretriz propõe quatro linhas para escolhas melhores das proteínas: consumo de proteínas vegetais, como soja, edamame e tofu, feijões, lentilhas, grão de bico e ervilhas, leguminosas ricas em proteínas e em fibras; peixes e frutos do mar, em razão doômega-3; produtos lácteos desnatados e com baixo teor de gordura e, caso a opção seja par frangos e carne vermelha, buscar cortes magros e evitar processados como bacon, salsicha e até peito de peru. As análises indicam que a substituição de carnes processadas por outras fontes de proteína está associada a taxas de mortalidade mais baixas.

PREFIRA ÓLEOS VEGETAISLIQUIDOS

A orientação é usar óleos vegetais líquidos em vez de óleos tropicais (coco, palma e caroço de palma), gorduras animais (manteiga e banha) e gorduras parcialmente hidrogenadas. Evidências científicas robustas demonstram os benefícios cardiovasculares no uso de óleos de soja, girassol e de oliva, quando substituem as gorduras saturadas e trans.

ALIMENTOS MINIMAMENTE PROCESSADOS

O processamento dos alimentos é dividido da seguinte forma: não processados ou minimamente processados; ingredientes culinários minimamente processado por prensagem, refino ou moagem; alimentos de qualquer um dos grupos anteriores em que adicionaram sal, açúcar ou gorduras, e alimentos ultraprocessados, em que além da incorporação de sal, adoçantes ou gordura há inclusão de corantes, sabores artificiais e conservantes que promovem a estabilidade, preservam a textura e aumentam a palatabilidade. “As vendas de alimentos processados aumentaram dramaticamente em todo o mundo e prevê-se que aumentem ainda mais até 2024”, alerta o guia. “O consumo é preocupante por causa de sua associação com resultados adversos à saúde, incluindo sobrepeso e obesidade, diabetes tipo 2 e mortalidade por todas as causas”.

BEBIDA ALCOÓLICA E AÇUCAR

Os cardiologistas recomendam minimizar a ingestão de açúcares adicionados ao longo da vida, pois “têm sido consistentemente associados a um risco elevado de diabetes tipo 2, doença cardiovascular e excesso de peso corporal. Sobre o uso de adoçantes, ainda há dúvidas sobre os efeitos ao peso do corpo e resultados metabólicos.

ALIMENTOS COM NENHUM OU POUCO SAL

“Existe uma relação direta entre a ingestão de sal (cloreto de sódio) e a pressão arterial. Em ensaios clínicos randomizados, a redução da ingestão de sódio diminui a pressão arterial em indivíduos hipertensos e não hipertensos, melhorando assim a prevenção e o controle da hipertensão”, diz a diretriz. As principais fontes de sódio na dieta são alimentos processados, refeições preparadas fora de casa e comida de restaurantes. Mesmo os alimentos rotulados como 100% integrais ou orgânicos podem ter alto teor de sódio, alerta o documento.

POUCO ÁLCOOL

Os cardiologistas admitem que a relação entre a ingestão de álcool e doenças cardiovasculares é complexa. O risco varia de acordo com a quantidade e padrão de ingestão de álcool, idade e sexo dos indivíduos  e tipo de doença. De modo geral, a recomendação é de não ultrapassar uma dose de bebida por dia para mulheres e duas doses por dia para homens.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

LINGUAGEM PET

Especialistas mostram como animais se comunicam pela expressão corporal

”O meu cachorro só falta falar.” Dez entre dez tutores de pet já fizeram essa observação ao menos uma vez na vida. Apesar de amplamente reconhecida e estudada, a capacidade de comunicação, de entendimento e uso da linguagem corporal  pelos cães segue causando espanto e sendo motivo de admiração.

“Eu e a Pandora conversamos o dia inteiro”, disse a gestora de recursos humanos Laylla Lopes Roque, 23 anos, sobre a interação cotidiana com sua pet da raça Pastor de Shetland. “Ela me entende, faz diversas coisas e fala com o olhar. Quando está triste, por exemplo, ela pede colo com o rabo para baixo e os olhos para cima”, disse.

O publicitário André Felipe de Castro, 49 anos, também diz “falar de igual para igual” com o Obi-Wan e a Lupita (cães da raça Jack Russell Terrier). “Eu falo coisas como: ‘tá indo aonde?’. ‘volta aqui’, ‘agora não, estou trabalhando’”, conta. ”Estou trabalhando de casa. Durante o dia, eles ficam próximos do meu local de trabalho e se deitam. Eu acabo minha última ligação do dia e, imediatamente, os dois se levantam e pedem para brincar”, diz.

Segundo Castro, Obi-Wan põe a orelha para trás quando está sentindo algum desconforto. Já a Lupita é mais vocal – e late para demonstrar o que está sentindo ou pedir alguma coisa. “A Lupita boceja quando quer alguma coisa”, lembrou. ”É diferente de outros cães, o Obi­Wan rosna para pedir carinho.”

Nos últimos dez anos, pesquisas mostraram que a conversa de Laylla com Pandora e o tête­à-tête de Castro com Obi-Wan e Lupita podem ser muito mais do que exageros de mães e pais de pet. Entre esses estudos, o que teve mais repercussão foi o realizado na Universidade de Sussex, na Inglaterra.

“O estudo constatou que os cães têm a ativação da região cerebral e o entendimento compatível ao que foi pronunciado por seus tutores, independentemente da entonação que esses tutores utilizaram durante a comunicação. Ou seja, os cães compreenderam os significados das palavras, muito além de qualquer instinto decorrente de entonação”, disse Ricardo Menezes, veterinário, supervisor de capacitação técnico-comercial da PremieR pet. “Pensando nisso, podemos sugerir que os cães possuem comportamentos herdados geneticamente, mas que são pautados por linhas de pensamento, cognições e até pensamentos contínuos. De tal forma que têm a compreensão do que fazem e para que fazem”, completou o veterinário.

Para o neurocientista Fabiano Abreu Agrela Rodrigues, “é narcisismo acreditar que somos superiores a outras espécies”. ”Os cães não são mais burros. Eles têm a inteligência suficiente para sobreviver. Olhando para trás, na época das cavernas, os lobos entenderam que se juntar aos homens era inteligente do ponto de vista da sobrevivência. E, por outro lado, os homens também se juntaram aos lobos por questão de sobrevivência”, falou.

ADESTRADORES

Pandora e a dupla Obi-Wan e Lupita têm adestradores – profissionais que potencializam o desenvolvimento dos cães, mas que, principalmente, observam o  talento natural dos pets para a comunicação. Luciano Pereira, adestrador da Pandora, conta que alguns cães têm um nível de comunicação direta. “Quando o cachorro quer comida, por exemplo, ele vem até o dono, raspa a perna do dono, late, senta em frente ao dono e fica olhando”, enumera “Quando ensinados, essa comunicação torna-se mais sofisticada. O meu cachorro, por exemplo, toca um sininho para pedir comida.”

Pereira observa ainda como os cães comunicam a vontade de dormir. “Os cães vão para cama com um osso, brinquedo ou cobertor. O meu vai e rosna com um ossinho na boca. Na maioria das vezes, fazem isso nos mesmos horários que os donos vão para a cama.”

Fernando Gurjão Lopes, 63 anos, é o adestrador de Obi­Wan e Lupita. “Hoje, os cães estão dentro das casas. Entender como se comunica um cachorro é fundamental. Todos os sinais são importantes”, diz Lopes. “Para mim, os cães se comunicam principalmente pela postura. Se levantou a orelha para frente ou se arrepiou, ele está sofrendo alguma ameaça ou está atento a algo. Já se ele está feliz, pode ficar de barriga para cima ou levantar a cabeça.”

SEM COMUNICAÇÃO

A veterinária e comportamentalista Kátia de Martino afirma que a comunicação dos cães é muito complexa: “ Os tutores acham que conhecem os cães, mas será que conhecem realmente a comunicação que precisam ter com eles? É na falta de entendimento entre tutores e cães que acontecem os problemas”.

“Hoje, depois de tantos mil anos de domesticação, ainda existem problemas de entendimento. Os nossos cães estão muito mais próximos da gente. Vivemos em espaços menores, eles frequentam nossas camas, nossos sofás. Ainda assim, existem questões não resolvidas nesta comunicação.”

Katia afirma que o ruído na comunicação com os cães está na tendência de humanizá-los em demasia. “Meus cães são meus filhos, mas eles têm necessidades especiais. Eles precisam farejar, comer, brincar, cavar… Se a gente não der o que eles precisam, os cães se tornam medrosos, inseguros, latem o tempo inteiro e criam muitos problemas”, disse.

“Assim como as crianças precisam frequentar creches para aprender a usar a linguagem, os cães precisam de um tempo com a ninhada, perto da mãe, para aprender a linguagem dos cães. Quando pegamos cães recém-nascidos e tiramos de perto da ninhada, estamos fazendo um desserviço e interrompendo um processo de aprendizagem”, finalizou.

M.A

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