OUTROS OLHARES

PRAZER SIM! POR QUE NÃO?

Sex shops se especializam em público evangélico com estratégias direcionadas a mulheres religiosas

Dentro de uma caixa de remédios ou de um saco de pão. A brasileira Andrea dos Anjos, 43, leva com discrição máxima seus produtos eróticos para suas clientes evangélicas, um negócio que está surgindo no Rio de Janeiro.

Em sua loja virtual Memórias da Clô, lançada em 2019 e especialmente para mulheres, perguntas, conselhos e pedidos são feitos principalmente por mensagem   privada, assim como na loja de Carolina Marques, 26, inaugurada há um ano com o nome de ConSensual.

Carolina rejeita o termo sex shop. “É muito agressivo para o público evangélico, cuja visão do sexo pode ser muito conservadora explica esta integrante da igreja Assembleia de Deus, que quer se tornar sexóloga. Seu catálogo de produtos auxiliares do relacionamento, como ela define, tem uma apresentação contida para que quem o consulte “não sinta que tem que fechar a tela” com pressa se alguém se aproximar.

Antes de se casar; Carolina percebeu como era delicado abordar a diversão sexual entre os convidadas evangélicas de seu chá de solteira.

“Nós, cristãos, temos esse tabu da sensualidade. Mas dentro do seu casamento com seu cônjuge, não é visto com esses olhos porque pode ser natural. Quero tirar esse estigma de que o sexo é só para reprodução”, diz ela em sua pequena casa com quintal em São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Para lançar sua loja, uma das pioneiras no setor, ela informou o pastor de sua igreja e a esposa dele. “Eles sempre me alertam: cuidado com as embalagens” e foram os primeiros contrários a falar em sex shop. Isso assusta. Isso mostra algo diferente do que nós somos. Deixa algo muito vulgar”, me disseram.

Discrição é a palavra de ordem para ela. “Não vou distribuir panfletos na saída do culto” evangélico, corrente do cristianismo a qual pertencem cerca de 30% dos brasileiros, segundo pesquisas recentes.

Lubrificantes com sabor de algodão-doce ou maçã do amor, perfumes afrodisíacos ou dispositivos em forma de ovo para melhorar a sintonia. Marques se limita a oferecer produtos menos transgressores para que as clientes, casadas ou noivas, “não sintam que estão fazendo algo errado” diante de Deus.

Assim, próteses, objetos para se divertir “sozinho” ou a linha de sexo anal ficam de fora.

O que é pecado, o que não? Andrea, que frequenta a igreja Batista, buscou respostas nos textos sagrados, mas chegou à conclusão de que cada casal deve estabelecer seus limites.

A ideia do Memórias da Clô  nasceu com sua primeira visita a um sex shop, após se divorciar do marido que a forçava a manter relações. “Eu não sabia o que era prazer. A pessoa lá era um homem. Como vou explicar pura ele? Achei que outras mulheres evangélicas pensavam isso também”.

Além de comercializar produtos como estimulantes femininos, ela dedica grande parte da sua atividade à orientação de mulheres.

Mas também recebe casais, como um homem e uma mulher virgens que aconselhou durante dias para que se aproximassem mutuamente. “A venda aconteceu depois”, diz.

Jéssica, 24, é uma das clientes habituais da ConSensual. “Hoje uso géis de massagens, lubrificantes, sabores… Deixa a relação mais gostosa e divertida”, explica ela, por mensagem no WhatsApp, para manter seu anonimato.

Ela conta ter convencido algumas amigas a tentar a experiência. Outras, porém, rejeitam de cara, por aquele “preconceito formado”‘ de que é algo “agressivo”.

Marques, que passou a receber encomendas de outros estados do Brasil, revela sua máxima para seduzir suas clientes: “Nosso corpo é nosso templo, o templo do Senhor. Então a gente tem que cuidar”.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 08 DE JANEIRO

BETEL, CONHECENDO O DEUS DE SEUS PAIS

E ao lugar, cidade que outrora se chamava Luz, deu o nome de Betel (Genesis 28.19).

Jacó, o filho caçula de Isaque e Rebeca, saiu de casa por ordem da mãe, para não ser morto por Esaú, seu irmão mais velho. Saiu depois de mentir e enganar o pai e roubar a bênção de Esaú. Saiu com a consciência atordoada pela culpa. A essa altura, Jacó tinha 73 anos. Para quem morreu aos 147 anos, era um homem de meia-idade. Ainda vivia sob o comando da mãe e sem conhecer o Deus de seus pais como o Deus de sua vida. Jacó foi amado por Deus desde o ventre de sua mãe, não por suas virtudes, mas apesar de seus pecados. Na estrada da fuga, ele adormeceu com a cabeça sobre uma pedra e teve um sonho. Uma escada ligava a terra ao céu, e anjos de Deus subiam e desciam por ela. Ali Jacó ouviu Deus falar, apresentando-se como o Deus de seu avô e como o Deus de seu pai, mas não ainda como o Deus de sua vida. Jacó era neto de crente e filho de crente, mas ainda não era crente. Deus ainda não era o Deus de sua vida. Ele recebeu promessas de Deus, mas ainda não era convertido a Deus. Acordou de seu sonho e reconheceu que Betel era um lugar tremendo, a casa de Deus, a porta do céu, mas demorou outros vinte anos para ser transformado por Deus. Não adie a mais importante decisão da sua vida. Hoje é o dia oportuno. Hoje é o dia da salvação! Volte-se para Deus, pois ele é rico em perdoar e tem prazer na misericórdia.

GESTÃO E CARREIRA

INFECÇÕES ADIAM VOLTA AOS ESCRITÓRIOS

Empresas que planejavam retomada do trabalho presencial no início deste ano – ou que já estavam em regime híbrido – voltam atrás por causa de nova onda da covid e da influenza

A expectativa de que o início 2022, depois de dois anos de pandemia, seria o momento de volta mais maciça aos escritórios está sendo posta à prova pelo aumento das infecções por Covid-19 e de influenza. Com isso, companhias de vários portes que estavam programando um retorno ao trabalho presencial nas próximas semanas estão revendo seus planos.

A lista inclui empresas de tecnologia, indústrias, passando por segmentos nos quais o home office é quase impossível – como as companhias aéreas – e desembarca no setor público. A Eletrobras, por exemplo, anunciou ontem o retorno de todos os seus funcionários ao trabalho a distância após uma onda de infecções por covid-19 no time – a estatal, segundo o Ministério de Minas e Energia, tem 36 funcionários que morreram de covid desde 2020.

ESTREIA ADIADA

No setor privado, da mesma forma, a tônica tem sido a cautela. A indústria de alumínio Novelis definiu o protocolo de volta ao escritório após campanha que incentivou a vacinação e atingiu 100 % dos funcionários. A empresa planejava um retorno escalonado para este mês – em uma nova sede planejada especialmente para isso.

O plano da Novelis vai ser colocado em compasso de espera. A companhia vai esperar a evolução da pandemia até o mês de fevereiro. Só aí vai pensar em uma data para estrear o novo escritório. “Antes, tínhamos a ideia de retornar ao trabalho presencial quando  todos  estivessem vacinados. Agora estamos discutindo se a volta será somente após a dose de reforço”, afirma Daniel Forastieri, diretor responsável pelas áreas de segurança e medicina do trabalho da companhia.

EU ACHO …

UM INSTANTE FUGAZ

Eu ia andando por uma rua movimentada quando, em direção oposta à minha, para o meu lado, um hippie apareceu. Ele me olhou, antes distraído e, depois, demonstrando grande surpresa, fixo. E riu para mim. Então ri para ele. Ele fez menção de parar. Mas eu tinha hora marcada, além de ter, em largo sentido, caminho próprio, e não parei. Mas como nos havíamos visto já de longe, e cada vez mais perto, nós nos vimos bem. Foi um encontro muito profundo.

De que rimos nós? Do nosso encontro que era de alegria. Da tolice do mundo também.

Imagino que, se eu parasse, eu diria: oi! E ele responderia: oi! Ou melhor, como era um hippie estrangeiro, ele falaria em inglês: hi! (pronuncia-se: rai) E me perguntaria: Who are you? (Quem é você?) Eu diria: I am (eu sou). Ele me perguntaria: como é que chamam você, que número você tem? Eu responderia: meu número é Clarice, e o seu? Ele diria o dele. Aposto que seria John. Tinha cara de.

John, eu nunca esquecerei você. Nem com o passar de anos. Porque nós fomos eternos naquele instante. Foi um instante apenas, mas nele fizemos um comentário do mundo e de nós próprios. Meu irmão.

Esse, tenho certeza, não fumava maconha: tinha em si a capacidade de êxtase, como eu. Há os que já têm o LSD em si, sem precisar tomá-lo. John, você vem de uma família, como eu. E precisou, como eu, fazer do mundo também sua família. Mas por que tanta surpresa ao me ver, John? Você devia saber que eu existo. Desculpe eu não ter parado, como você queria. Eu não podia, acredite.

Tão diferente do que me aconteceu um dia desses. Um dia desses eu estava num táxi que parou diante do sinal vermelho. Um outro táxi, paralelo ao meu, tinha como motorista um homem de seus 30 anos, com passageiro dentro. Eu olhava inteiramente distraída para o ar, sem perceber que o que estava olhando era uma pessoa. Essa pessoa olhou para mim, fixou-me mais e inesperadamente piscou o olho para mim. Desviei o olhar. Tão cinema mudo, isto. E tão barato (não o cinema mudo em si). Não é que esse motorista tenha me ofendido. Mas ele era tão inútil. E queria me inutilizar também. Eu nunca deixo.

Enquanto que John me deixou plena e útil.

John, onde é que você dorme? Eu ainda não sou tão livre: preciso de uma casa e de uma cama para dormir. E não sei dormir na casa dos outros. Tem que ser a minha. Ou então um hotel. Você teria dinheiro para uma viagem? Acho que sim, você estava com um traje hippie bonito e essas coisas custam caro.

John, num momento de muito desespero, eu pedi a Deus que me arranjasse uma ajuda. E a ajuda veio: um homem que não conheço me telefonou. Aí eu chorei ao telefone. Ele disse: não chore que chorar enfraquece. Eu disse: mas às vezes é como a chuva de que se precisa quando tem estiagem demais e tudo fica muito seco. Eu lhe pedi para me telefonar de novo às seis da tarde. Ele disse que não podia. Mas às seis em ponto me telefonou. Eu já não estava desesperada, até rimos. No dia seguinte ele me telefonou de novo. Conversamos. Por conta própria ele disse que ia fazer um juramento: o de jamais contar a ninguém que me conhecia. Eu disse: se você precisar contar, conte, não se prenda a um juramento. Ele disse: não, eu juro porque é por demais sagrado.

John, eu li que a angústia é a vertigem da liberdade. No entanto eu estou tendo essa vertigem, mas sem angústia. Como é que se explica? Eu estou séria, mas por dentro estou sorrindo. Não sei de quê. É que viver me faz sorrir. É um sorriso misterioso. Vem de florestas interiores, de lagos e açudes e montanhas e céu. Sou toda misteriosa, John. Você é mais claro que eu. Você é um riso, um olhar de surpresa. Até sempre.

*** CLARICE LISPECTOR

ESTAR BEM

PARA ALÉM DA ESTÉTICA, O BOTOX PODE SER USADO COMO UMA MEDICAÇÃO

A toxina botulínica tem potencial terapêutico, com possível uso em tratamentos neurológicos, de enxaqueca crônica a AVC

A cada quatro meses, a auxiliar administrativa Sônia Figueiredo de Lima, de 38 anos, recebe aplicações de toxina botulínica. O motivo não são rugas ou linhas de expressão, mas as sequelas motoras de um AVC sofrido por ela há 8 anos. ”O botox me ajuda a relaxar os músculos. Isso me traz melhor qualidade de vida, pois evita dores e facilita a fisioterapia. Não fico sem”, conta ela, que recebe as injeções em pontos do corpo como sola dos pés, panturrilhas e braços.

Famoso em procedimentos estéticos, o botox é uma das marcas de toxina botulínica, neurotoxina produzida pela bactéria Clostídium botulinum. Essa toxina bloqueia temporariamente a liberação de uma substância, neurotransmissora – a acetilcolina – no músculo. Assim, o cérebro não consegue mandar a informação de volta ao músculo para contrair e ele paralisa. Sem as contrações musculares, a pele fica relaxada e não aparecem vincos e rugas.

MÚLTIPLAS FUNÇÕES

A toxina botulínica tem outras aplicações médicas, menos conhecidas, mas com potencial terapêutico, como é o caso do uso em tratamentos neurológicos. Enxaqueca crônica, bruxismo, hiperidrose (transpiração excessiva), sialorreia (salivação excessiva), sequelas de lesões encefálicas, de AVC, de traumatismo craniano, doença de Parkinson, esclerose múltipla, por exemplo, podem ser enfrentados com aplicações da toxina. “Na mesma lógica dos procedimentos estéticos, a toxina botulínica impede a liberação do neurotransmissor que vai ativar músculos e glândulas. Por isso, é possível bloquear sinais de dor, evitar contrações, excesso de salivação ou transpiração”, explica o neurologista William Rezende, da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Segundo ele, as aplicações da toxina podem reduzir, em média, 50% das crises de dor com enxaqueca e 50% da intensidade dessas dores. No caso das dores neuropáticas, é possível reduzir a intensidade de 40% a 50%. “Há pacientes que sofrem de dores com um simples toque de lençol. Esse tipo de caso tem uma melhora ainda maior”, diz.

Em tratamento de enxaqueca crônica com a toxina botulínica há 4 anos, a advogada Tábata Nunciato Previtalli, de 38 anos, sente uma melhora significativa da doença que enfrenta desde que tinha 5 anos. “A enxaqueca sempre atrapalhou a minha vida. Eu vivia no pronto-socorro para receber medicamento na veia, cheguei até a ficar internada. O botox foi um divisor de águas, pois raramente tenho crises que me impossibilitam de trabalhar, ter vida social e fazer minhas atividades normais”, conta. A cada três meses, Tábata recebe injeções em pontos como cabeça, testa, ombros e maxilar. “São sessões tranquilas. Passam anestésico antes da injeção e a agulha é fina”, afirma.

A neurologista Simone Amorim, diretora da Clínica Vita, onde Tábata faz as aplicações, confirma que as aplicações são rápidas. “É um procedimento minimamente invasivo. O profissional vai adequar as injeções de acordo com o tamanho do músculo e da indicação clínica. As doses vão variar para o que quero tratar e onde quero tratar. Após a sessão, você sai e faz as suas atividades normalmente.”

Crianças também se beneficiam da aplicação para enfrentar problemas neurológicos. É o caso de Arthur Delfito Maranho, de 5 anos. Por conta da paralisia cerebral, ele tem espasticidade, um distúrbio caracterizado por músculos tensos ou rígidos que não podem ser controlados. Ele recebe injeções de toxina botulínica há 1 ano, com aplicações a cada três meses. A aplicação na virilha facilita a manipulação dos cuidados na troca de roupas e fraldas, por exemplo. No dedo polegar, a toxina previne o encurtamento no tendão. No ombro, ajuda no posicionamento, já que sem a aplicação ele fica com os ombros muito para trás, por conta da tensão nos músculos do braço. “Sentimos muitas melhoras após o tratamento”, afirma Caroline Delfito Rodrigues, de 28 anos, mãe de Arthur. “Hoje, conseguimos manuseá-lo sem que haja dor e incômodos, dando uma assistência para que ele tenha uma vida feliz. Ele faz as atividades sem ficar irritado, segura lápis e brinquedos nas mãos.”

Outra pessoa que se beneficia desse tipo de tratamento é a comerciante Patrícia Lagar Fresneda, de 40 anos, que faz tratamento há um ano para enfrentar as sequelas de um AVC.

Segundo a neurologista Simone Amorim, o procedimento pode ser feito em ambulatório ou hospital e os efeitos colaterais são raros. Ela explica que um efeito  indesejado que pode acontecer no início do tratamento para rigidez muscular é a fraqueza, por conta de uma dose maior que a necessária. “É como uma balança, pois você precisa encontrar uma dose que tire a rigidez na medida certa”, acrescenta a médica.

TRATAMENTO ESTÁ DISPONÍVEL VIA CONVÊNIO E TAMBÉM PELO SUS

Como a paciente Patrícia Fresneda não tem convênio médico, precisa pagar cada sessão de aplicação de toxina botulínica, que pode custar de R$ 4 mil a R$ 7 mil, preço que varia conforme o profissional ou clínica, pontos de aplicação e quantidade de toxina a ser aplicada. Mas o SUS, Sistema Único de Saúde, e os convênios médicos são obrigados a pagar o tratamento das doenças definidas no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), como distonias, espasticidades e sequelas de AVC e traumatismo intracraniano, por exemplo.

Quando descobriu que tinha distonia, distúrbio que causa movimentos involuntários em músculos do corpo, a arquiteta Ana Flávia Rolim, de 44 anos, não podia pagar pelas sessões de aplicação de toxina botulínica para melhorar suas crises. Mas ela pôde começar o procedimento em 2017, quando ele passou a ser coberto por seu convênio médico. “A tremedeira na cabeça me fazia querer firmá-la, mas isso me dava dores no pescoço e na coluna e muito cansaço. Um dia quase caí na rua por causa da tontura. Mas depois das aplicações a tremedeira e as dores passaram”, conta ela.

EFEITOS POSITIVOS

No Hospital Santa. Marcelina, em Itaquera, zona leste de São Paulo, mais de 500 pacientes recebem gratuitamente o tratamento neurológico com a toxina botulínica   pelo SUS anualmente, segundo o responsável pelo Ambulatório de Bloqueio Neuromuscular, o neurologista Pablo Nascimento. Além de proporcionar melhora na  capacidade funcional dos pacientes, o tratamento com a toxina botulínica ajuda a prevenir complicações, como deformidades do músculo, observa Nascimento. “Outra vantagem é a redução do uso de outras medicações que têm efeitos colaterais e até mesmo a necessidade de cirurgias”, afirma.

Nascimento testemunha bons resultados. “Conheci pacientes que deixaram de dirigir por causa de uma doença, que não conseguiam sair de casa. Não conseguiam trabalhar, digitar, escrever, tocar um instrumento. Essas pessoas voltaram a fazer essas atividades de forma natural”, conta. “Muitos pacientes com espasticidade e distonia choram de felicidade durante a consulta de retorno. O meu trabalho é gratificante.”

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PENSAMENTOS INTRUSIVOS PODEM AFETAR MAIS PESSOAS COM TOC, DIZ PSIQUIATRA

Sem um tratamento, quem enfrenta esse fenômeno pode acabar recorrendo ao uso de drogas

Os pensamentos intrusivos são involuntários e fazem a pessoa acreditar que vai perder o controle de alguma forma.

Eles não correspondem à realidade nem aos desejos de quem os vivencia. Geralmente dão a impressão que o indivíduo vai cometer um ato que considera abominável, contra outra pessoa ou a si mesmo. Ou, ainda, se ele fizer ou deixar de fazer alguma coisa, algo em catastrófico pode acontecer.

“É muito importante entender que pensamentos intrusivos são involuntários. As pessoas que os vivenciam normalmente sentem repulsa por eles”, ressalta a psiquiatra Flávia Batista Gustafson.

Existem muitos tipos de pensamentos intrusivos, mas os tópicos comuns incluem pensamentos inadequados de cunho sexual, pensamentos sobre relações interpessoais, com conteúdo de traição, por exemplo, pensamentos religiosos que são opostos e inadmissíveis pela crença da pessoa, e pensamentos relacionados a violência contra outra pessoa ou a si mesmo”, explica.

Apesar de poderem afetar qualquer pessoa são mais comuns em quem tem transtornos como ansiedade, estresse pós-traumático e especialmente TOC (transtorno obsessivo- compulsivo).

Com a pandemia da Covid-19 mais controlada e a volta do trabalho presencial e dos eventos sociais, é comum que pessoas que já tinham pensamentos intrusivos anteriormente fiquem mais vulneráveis a eles.

“Os pensamentos intrusivos a respeito da contaminação pelo vírus da Covid-19 ou até outras doenças podem ser amplificados, e a pessoa pode experimentar grande sofrimento ao se ver obrigada a frequentar círculos profissionais e sociais novamente”, observa.

Sem um tratamento adequado, quem enfrenta esse fenômeno pode acabar recorrendo ao uso de álcool e outras drogas para tentar distrair a mente. “A pessoa se “medica” com o álcool, ou menos frequentemente com outras drogas ilícitas, em busca de um relaxamento e alívio momentâneo dos sintomas”, diz.

“A seguir vem a parte indesejada, que é a piora dos sintomas. A pessoa então passa a ingerir mais álcool para voltar a sentir-se aliviada, levando a um perigoso abuso e uma potencial dependência o que, consequentemente adiciona uma nova camada de problemas para se lidar”.

ABAIXO A ENTREVISTA COM A PSIQUIATRA

O QUE SÃO PENSAMENTOS INTRUSIVOS E COMO ELES SURGEM ?

Pensamentos intrusivos são pensamentos indesejados que aparecem do nada. Eles podem ser desencadeados por estresse do dia a dia, mas também podem ser sintomas de um transtorno mental. Certamente eles são desagradáveis e até perturbadores, o que pode fazer com que as pessoas não procurem ajuda num primeiro momento por se sentirem envergonhadas por esses pensamentos.

Os pensamentos intrusivos são involuntários e não têm relação com a realidade ou os desejos de uma pessoa. As pessoas não agem de acordo com esses pensamentos, muito pelo contrário, elas geralmente os consideram horríveis e inaceitáveis.

Esses pensamentos podem ser persistentes e causar angústia significativa em algumas pessoas. Frequentemente, quanto mais as pessoas tentam se livrar desses pensamentos, mais eles persistem e mais intensos se tornam.

VOCÊ PODERIA CITAR UM EXEMPLO DE PENSAMENTO INTRUSIVO QUE SEJA COMUM?

É muito importante entender que pensamentos intrusivos são involuntários. As pessoas que os vivenciam normalmente sentem repulsa por eles.

Existem muitos tipos de pensamentos intrusivos, mas os tópicos comuns de pensamentos intrusivos incluem: pensamentos inadequados de cunho sexual, pensamentos sobre relações interpessoais, com conteúdo de traição, por exemplo, pensamentos religiosos que são opostos e inadmissíveis pela crença da pessoa, e pensamentos relacionados a violência contra outras pessoas ou sí mesmo.

OS PENSAMENTOS INTRUSIVOS SÃO COMUNS EM TRANSTORNOS COMO ANSIEDADE, ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO, TRANSTORNO BIPOLAR E TOC (TRANSTORNO OBSESSIVO- COMPULSIVO). POR QUE OS PACIENTES DIAGNOSTICADOS COM ESSES TRANSTORNOS COSTUMAM TER ESSE TIPO DE PENSAMENTO?

Pessoas com diagnóstico de transtornos mentais (nesse caso, principalmente aquelas com TOC) têm maior probabilidade de julgar seus pensamentos intrusivos como maus, imorais ou perigosos.

Essas interpretações geralmente levam a uma forte reação emocional negativa, o que amplifica a força percebida dos pensamentos intrusivos elevando assim foco sobre eles.

Essas pessoas também têm maior probabilidade de passar mais tempo pensando sobre as implicações desses pensamentos e são mais propensas a superestimar a probabilidade dos resultados temidos se vierem a se concretizar, o que acaba por retroalimentar o problema. Forma-se um ciclo vicioso em que os pensamentos intrusivos estão sempre voltando, o que causa muito sofrimento.

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE PENSAMENTO INTRUSIVO, ALUCINAÇÕES E DELÍRIO?

As alucinações e delírios são sintomas bastante diferentes dos pensamentos intrusivos, e costumam estar presentes em transtornos psicóticos.

As alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensorial (auditiva, visual, olfativa, gustativa e tátil), mas as auditivas são de longe as mais comuns. É uma percepção que parece completamente real para a pessoa, mas que não está acontecendo. As alucinações auditivas são geralmente experimentadas como vozes, familiares ou não familiares, que são percebidas como distintas dos próprios pensamentos da pessoa. A definição de delírio é um pouco diferente, embora também envolva a experiência de algo que parece real, mas não é.

É uma crença, obviamente falsa, mas mesmo assim o indivíduo que a experimenta pensa que é absolutamente verdadeira. Essa pessoa vai acreditar firmemente no delírio, mesmo quando repetidamente mostradas evidências contrárias.

Tato as alucinações quanto os delírios são distúrbios. São experiências que parecem reais para quem está sofrendo com elas, mas não têm conexão com a realidade.

AGORA, COM A PANDEMIA MAIS CONTROLADA, AS PESSOAS ESTÃO RETOMANDO O TRABALHO PRESENCIAL E OS EVENTOS SOCIAIS. É COMUM QUE ALGUMAS PESSOAS TENHAM PENSAMENTOS INTRUSIVOS POR MEDO DE CONTAMINAÇÃO POR COVILD-19? OU MESMO PORQUE FICARAM MUITO TEMPO EM ISOLAMENTO E ESTÃO ENFRENTANDO UMA ESPÉCIE DE AGORAFOBIA? 

Certamente. As pessoas que já sofriam com pensamentos intrusivos antes da pandemia agora estão muito mais vulneráveis à medida que o mundo vai se abrindo novamente ao “novo normal”. Os pensamentos intrusivos a respeito da contaminação pelo vírus da Covid 19 ou até outras doenças podem ser amplificados.  e a pessoa pode experimentar grande sofrimento ao se ver obrigada a frequentar círculos profissionais e sociais novamente.

Muitas dessas pessoas encontraram um certo conforto emocional na situação de isolamento e do home office durante a fase mais crítica da pandemia e podem sentir muita dificuldade em enfrentar o mundo novamente.

É comum uma pessoa que tenha pensamentos intru­sivos e que, ainda não tenha tido um diagnóstico correto recorra ao uso de drogas e álcool? Quais são os perigos que essa prática pode acarretar?

Quando falamos em pensamentos intrusivos que causam muito sofrimento, sempre lembramos do risco aumentado do abuso de substâncias, especialmente o álcool.

A pessoa se “medica” com o álcool, ou menos frequentemente com outras drogas ilícitas em busca de um relaxamento e alívio momentâneo dos sintomas.

O problema é exatamente esse: um alivio momentâneo. A seguir vem a parte indesejada, que é a piora dos sintomas. A pessoa então passa a ingerir ainda mais álcool para voltar a sentir-se aliviada, levando a um perigoso abuso e uma potencial dependência, o que consequentemente adiciona uma nova camada de problemas para se lidar.

COM UM DIAGNÓSTICO CORRETO E TRATAMENTOS COM PSIQUIATRA E PSICÓLOGO É POSSÍVEL CONTROLAR ESSES PENSAMENTOS?

Pensamentos intrusivos nem sempre são o resultado de uma condição médica. Aliás, a maioria das pessoas têm de vez em quando. No entanto, para muitas pessoas, pensamentos intrusivos podem, sim, ser um sintoma de um problema de saúde mental.

Esses pensamentos também podem ser sintoma de problemas neurológicos, como uma lesão cerebral, demência ou mal de Parkinson. Por isso um diagnóstico bem feito é imperativo.

A melhor maneira de gerenciar pensamentos intrusivos é reduzir a sensibilidade da pessoa a esses pensamentos e seu conteúdo. O tratamento vai ser individualizado a cada pessoa, mas, em linhas gerais; o médico psiquiatra vai fazer o diagnóstico e prescrever a medicação mais indicada.

Paralelamente, é fundamental a abordagem com a psicoterapia, sendo a TCC (terapia cognitivo comportamental) a mais indicada. Por último e não menos importante, a pessoa deve ser orientada a seguir um estilo de vida saudável, com alimentação nutritiva, atividade física e higiene do sono, o que vai somente agregar ao seu bem­ estar geral.

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