OUTROS OLHARES

PARA QUE HUMANOS?

As empresas não precisam gastar fortunas patrocinando influenciadores de carne e osso. Basta criar robôs que fazem todo o serviço – e eles jamais decepcionam

Em 2003, nos primórdios do e-commerce no Brasil, o empresário Frederico Trajano criou urna personagem virtual para “humanizar” o processo de compras no Magazine Luiza. Tia Luiza, como era chamada, ajudaria os ainda inseguros consumidores a colocar informações sensíveis, como o número de seus cartões de crédito, no site da empresa. Corta para 2021. A mesma personagem, rebatizada de Lu, é hoje a influenciadora virtual mais popular do planeta, com  5,7 milhões de seguidores só no Instagram. Nos últimos anos, ganhou novo visual, tornou-se a voz da companhia nas redes e até dançou ao vivo na TV, fazendo uma coreografia ao lado de Anitta, em uma amostra da avançada tecnologia por trás de sua existência.

A Lu é a face mais conhecida de um fenômeno que vem ganhando força: a popularidade de influenciadores digitais no sentido literal da expressão. Eles são criações computadorizadas dotadas de personalidade, visual chamativo e outras características para gerar identificação com os seguidores. A inspiração vem do entretenimento. “Para ter referência, estudamos muito os personagens da Pixar”, diz Pedro Alvim, gerente sênior de marca e redes sociais do Magazine Luiza. A quantidade de iniciativas recentes mostra que a estratégia pegou. Afinal, não faz muito sentido gastar dinheiro patrocinando influenciadores de carne e osso se as empresas podem criar seus próprios robôs – e, claro, controlar tudo o que dizem e fazem.

É fácil entender a empolgação pelo modelo. Os influenciadores virtuais podem estar em vários lugares ao mesmo tempo e não têm as limitações de seus concorrentes humanos, como hora certa para trabalhar. Garantem, ainda, uma comunicação sem ruídos, avessa a tolices, característica decisiva em um momento em que os usuários das redes sociais exigem posicionamentos sobre demandas da sociedade. “Na internet, às marcas se comportam como pessoas e são cobradas como tal”, afirma Mafê Albuquerque, vice-presidente global de marketing da Havaianas. A fabricante de calçados lançou sua assistente virtual, Iana, em 2020. Há alguns dias, ela foi transformada em uma persona 3D que atuará como embaixadora do Twitter da companhia.

O ecossistema de personagens virtuais também é povoado de criações sem conexão direta com marcas, em um modelo que se aproxima dos influenciadores humanos. É o caso de Lil Miquela, fruto do trabalho da startup americana de tecnologia Brud. Com visual extremamente realista, ela já conquistou 3 milhões de seguidores no Instagram. Miquela aparece em fotos ao lado de famosos como Ariana Grande e “publica” cenas de sua rotina, seja na praia, seja na balada. Não à toa, participou de campanhas para grifes como Prada e Calvin Klein.

Celebridades estão aderindo à digitalização. O caso mais recente é o de Satiko, avatar inspirado em Sabrina Sato. “Construímos uma personagem com algumas características dela, além de tudo o que ela queria ter, mas não tem”, diz Ricardo Tavares, CEO da Biobots, startup responsável pelo projeto. Satiko, por exemplo, curte esportes radicais. Com isso, faz mais do que Sabrina, alcançando um público diferente e consolidando ainda mais a sua presença nas redes. Desenvolvida ao longo de cinco meses, Satiko foi o projeto de estreia da startup, que agora já tem uma fila de empresas interessadas em criar projetos semelhantes.

Esse tipo de interação deve se tornar ainda mais frequente –  e ninguém parece achar isso estranho. O público gamer já se acostumou a visitar exposições, participar de eventos e assistir a shows em ambientes virtuais, representados por seus avatares. A pandemia teve papel importante nessa transformação. “Fomos forçados a fazer um uso mais frequente de ferramentas como chatbots e atendentes virtuais”, diz João Vitor Rodrigues, professor de marketing digital da ESPM. “Isso ajuda a naturalizar a tecnologia!” Quem diria, os influenciadores humanos, que pareciam invencíveis, têm agora rivais que ameaçam a sua primazia. Talvez um dia todos eles serão substituídos por robôs.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 24 DE JANEIRO

A ARCA DA ALIANÇA

Também farão uma arca de madeira de acácia […]. De ouro puro a cobrirás; por dentro e por fora… (Êxodo 25.10,11).

A arca da aliança era uma caixa de madeira de acácia, coberta de ouro, que ficava no Santo dos Santos, no tabernáculo. Se o tabernáculo é um símbolo da igreja, a arca da aliança é um símbolo de Cristo. A igreja é a habitação de Deus, e Cristo habita na igreja. A arca era feita de acácia, porque o Verbo se fez carne. Assim como a acácia é uma madeira dura e cheia de nós, Cristo assumiu não apenas a nossa humanidade, mas tomou sobre si os nossos pecados. Dentro da arca, havia três objetos: as tábuas da lei, o vaso com maná e a vara de Arão que floresceu. Esses três objetos apontam para Cristo. Jesus é a verdadeira Palavra de Deus, o Verbo encarnado, a revelação máxima de Deus. Jesus é o verdadeiro Pão que desceu do céu e alimenta todo homem. O maná é um pão perecível, mas Jesus é o Pão da vida; quem come desse pão nunca mais terá fome. Jesus é a vara seca que floresceu, pois, embora tenha sido crucificado, morto e sepultado, ressurgiu dentre os mortos e está vivo pelos séculos dos séculos. Vale destacar que Jesus está na igreja. A igreja é seu corpo. A arca era  um símbolo da presença  de Deus no meio  do povo. Jesus está  em nós. Transportamos sua presença. O Rei da glória que nem o céu dos céus pode conter habita em frágeis vasos de barro. Bendito mistério!

GESTÃO E CARREIRA

CRISE TIRA O PODER DE BARGANHA DO TRABALHADOR NA HORA DA ADMISSÃO

Segundo dados do novo Caged, valor do salário médio real do brasileiro completou seis meses consecutivos em queda

A recuperação dos postos de trabalho tem sido cada vez mais concentrada em ocupações com rendimentos menores também no emprego formal. Por seis meses seguidos o salário médio real – descontada a inflação – de admissão do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) está em queda, assim como o rendimento médio real medido pela da Pnad, que engloba também a informalidade, aponta o economista da LCA Consultores, Bruno lmaizumi.

Ao mesmo tempo, desde o início da pandemia, os números da Pnad compilados pelo economista indicam redução de 8% na quantidade de ocupados com rendimentos superiores a dois salários mínimos.

Ele destaca que o mercado de trabalho mal tinha se recuperado 100% da forte crise de 2015 e 2016 quando chegou a segunda crise, provocada pela pandemia. Rodolpho Tobler, economista do Instituto Brasileiro de Economia (ibre)  da Fundação Getúlio Vargas (FGV) concorda e lembra que, quando a pandemia começou, o mercado de trabalho brasileiro estava fragilizado e a recuperação dos postos ocorria por meio da informalidade.

Além disso, já existiam problemas estruturais para preencher vagas mais qualificadas que foram agravados pela maior demanda por profissionais voltados para tecnologia, que se intensificou com o isolamento social.

QUALIDADE

Imaizumi observa que a baixa remuneração e qualidade dos empregos que estão sendo gerados está atrelada à incapacidade de o brasileiro médio se inserir em um posto que exija mais habilidades.  “O movimento das empresas de intensificar o uso de capital e de tecnologia e utilizar menos mão de obra já vinha acontecendo antes da pandemia. “E isso já tinha levado muitos trabalhadores a buscar ocupação na informalidade. Com a pandemia, o quadro se agravou.

A grande questão do mercado de trabalho hoje é não só olhar para a recuperação na quantidade de postos, que, de fato, está acontecendo, mas também para a qualidade do emprego, que piorou, diz Tobler, da FGV.

Ele observa que uma conjugação negativa de fatores leva as pessoas a aceitarem uma remuneração menor. Existe um grande contingente fora do mercado, o desalento é elevado, a inflação alta consome boa parte dos rendimentos e o poder de barganha dos trabalhadores para obter reajustes é cada vez menor.

No ano passado, 47,7% das negociações salariais ficaram aquém da inflação, aponta um estudo do Dieese, a partir dos dados inseridos no Mediador do Ministério do Trabalho. Foi o pior resultado desde 2018.

Reajuste abaixo do custo de vida é resultado de uma combinação de inflação alta com recessão – quando a desocupação está muito elevada, os sindicatos não têm poder de barganha nas negociações, observam economistas especializados em emprego. É o pior cenário para os trabalhadores.

Essa situação faz, por exemplo, Roseni Camargo de Abreu, de 48 anos, estar disposta a trabalhar por um salário mínimo – desde que terminou a faculdade de Nutrição em 2020 ela não conseguiu emprego na área. Atualmente, Roseni faz bico como diarista e tira R$ 600 por mês. “Preciso comer”, argumenta. A nutricionista foi estudar depois de criar os filhos na expectativa de que ganharia um pouco mais. “Mas neste País não há oportunidade. É muito triste”, afirma.

Para romper esse círculo vicioso de desemprego alto e precarização do trabalho, economistas dizem que a saída é o País voltar a crescer 2,5% ao ano de forma sustentável por um longo período.

EU ACHO …

SONHAR O FUTURO

Antecipar o futuro contém chance alta de erro. Quem poderia ter avaliado a experiência pandêmica de 2020/2021 alguns meses antes da crise? Apesar disso, muitos autores conseguiram prever características do que estava pela frente. Intuição? Palpite aleatório? Pessoas com dom de vidência?

Júlio Verne descreveu ficções próximas do que encontramos, em especial no livro Paris no 10 Século XX. Aldous Huxley fez o mesmo com seu Admirável Mundo Novo. Cada vez mais, a robótica torna os livros de Isaac Asimov próximos da realidade. Para não entrar tão densamente na literatura: na infância, a gente via os Jetsons e havia consultas e reuniões por vídeo. Como sempre; nas obras de ficção existe uma crítica ao mundo que se vive e uma utopia/distopia pela frente.

Em época pessimistas como a nossa, costumamos pensar em futuros terríveis. Exemplo? Quais os impactos da implantação de um chip direto no cérebro como Elon Musk pretende? Se isso representar um salto de memória e de capacidade será que, em breve, entrevistas de emprego apenas selecionarão quem tiver um bom chip? Ainda faz sentido falar em controle na nossa sociedade com essa tecnologia? O que controlamos hoje? Pior: um mundo controlado diretamente por um empreendedor inteligente será pior do que o nosso onde os controles ainda são indiretos?

Então: quando alguém lê borra de café, coloca cartas de tarô ou joga búzios, associamos  tais ideias de antecipação como parte do imenso universo do “pensamento mágico”. Porém, muitos avanços possuem origem em uma espécie de delírio (um sonho, devaneio  lúcido ou inspiração prática) como simbolizamos em Arquimedes na água ou a queda da maçã perto de Newton. No  cérebro  desses gênios, algo que vinham pensando encontra uma iluminação e uma lei abre caminho para o futuro.

Na Bíblia, há dois Josés que lidam com sonhos proféticos, o do Egito e o marido de Maria. O do Antigo Testamento interpretou o mundo onírico de funcionários reais e, depois, do próprio faraó. A arte de decifrar o fez sair da prisão e subir na carreira. O sonhador do Novo recebeu inspirações noturnas e soube da inocência da noiva, do risco enfrentado pelo filho recém-nascido e da possibilidade de retornar a Nazaré.

Quem ousa imaginar o futuro ou sonhar em janeiro de 2022? Estamos muito carentes e amargos. Tenho sonhado com a esperança, ainda sem chip.

*** LEANDRO KARNAL

ESTAR BEM

EXERCÍCIO REGULAR PROTEGE O CÉREBRO QUE ENVELHECE

Atividades simples, como caminhadas estimulam as células imunológicas cerebrais, o que pode até evitar o Alzheimer

Manter-se basicamente ativo à medida que envelhecemos reduz significativamente o risco de desenvolver demência, e isso não só para exercícios prolongados. Andar ou simplesmente mover-se, em vez de ficar horas sentado, pode ser o suficiente para ajudar a fortalecer o cérebro, explica um novo estudo com octogenários de Chicago, nos EUA.

A pesquisa rastreou a frequência com que as pessoas mais velhas se moviam ou ficavam sentadas e, em seguida, examinou profundamente seus cérebros após a morte, descobrindo que certas células imunológicas vitais funcionavam de maneira diferente ao cérebro de quem era ativo em comparação com seus pares mais sedentários.

A atividade física parecia influenciar a saúde de seus cérebros, suas habilidades cognitivas e até a perda de memória característica do Alzheimer. As descobertas aumentam as evidências de que, quando mexemos nossos corpos, mudamos nossas mentes, independentemente do quão avançada seja nossa idade.

Evidências cientificas indicam que a atividade física aumenta o tamanho do cérebro. Pessoas mais velhas e sedentárias que começam a andar por cerca de uma hora diariamente, por exemplo, normalmente adicionam volume ao hipocampo, o centro de memória do cérebro, reduzindo ou revertendo o envelhecimento normal ao longo dos anos.

Pessoas ativas de meia-idade ou mais velhas também tendem a ter um desempenho melhor em testes cognitivos e de memória do que pessoas da mesma idade que raramente se exercitam e têm quase metade da probabilidade de, eventualmente, serem diagnosticadas com Alzheimer. As pessoas ativas que desenvolvem demência geralmente apresentam seus primeiros sintomas anos mais tarde do que as pessoas inativas.

CÉLULAS VIGILANTES

O mecanismo exato que faz o exercício remodelar nossos cérebros ainda permanece um mistério embora os cientistas tenham indícios de experimentos com animais. Quando ratos de laboratório adultos correm sobre rodas, por exemplo, elas aumentam a produção de hormônios e substâncias neuroquímicas que estimulam a criação de novos neurônios, bem como sinapses, vasos sanguíneos e outros tecidos que conectam e nutrem essas células cerebrais jovens.

O exercício dos roedores também retarda ou interrompe declínios relacionados ao envelhecimento no cérebro dos animais, mostram estudos, em parte pelo fortalecimento de células especializadas chamadas micróglias. Pouco compreendidas até recentemente são agora conhecidas por serem as células imunes e vigilantes do cérebro.

As micróglias procuram sinais de diminuição da saúde neuronal e, quando as células em declínio são detectadas, liberam substâncias neuroquímicas que iniciam uma resposta inflamatória – a inflamação, a curto prazo, ajuda a limpar células problemáticas e resíduos biológicos. Depois, libera outas mensagens químicas que acalmam a inflamação, mantendo o cérebro saudável e organizado e o pensamento intacto.

Mas, à medida que os animais envelhecem, descobriram estudos recentes, sua micróglia pode começar a funcionar mal, iniciando a inflamação sem revertê-la posteriormente, levando a uma inflamação cerebral contínua. Essa inflamação crônica pode matar as células saudáveis e causar problemas, às vezes suficientemente graves para induzir uma versão do Alzheimer.

A menos que os animais se exercitem. Nesse caso, exames póstumos de seus tecidos mostram que os cérebros dos animais normalmente fervilham de micróglias saudáveis até a velhice, exibindo poucos sinais de inflamação cerebral contínua, enquanto os roedores idosos mantinham uma capacidade juvenil de cognição e memória.

AMPLA BASE DE DADOS

No entanto, não somos ratos e, embora tenhamos micróglias, os cientistas não haviam encontrado uma maneira de estudar se a atividade física regular à medida que envelhecemos influenciaria – ou não – o funcionamento interno das células micróglias.

Assim, para o novo estudo, que foi publicado em novembro no Journal Of Neuroscience, cientistas do Centro Médico da Universidade Rush, de Chicago, e da Universidade da Califórnia, em São Francisco, além de outras instituições. recorreram a dados do ambicioso Projeto Rush de Memória e Envelhecimento. Nele, centenas de cidadãos de Chicago, a maioria com 80 e poucos anos, participaram de extensos testes anuais de cognição e memória e usaram monitores de atividade por pelo menos uma semana. Poucos faziam exercícios de verdade, mostrou o monitor atento, mas alguns se moviam ou andavam com muito mais frequência do que outros.

Muitos dos participantes morreram ao longo do estudo, e os pesquisadores encaminharam os tecidos cerebrais de 167 deles, em busca de marcadores bioquímicos remanescentes da atividade micróglia. Eles queriam ver, de fato, se a micróglia das pessoas parecia ter sido perpetuamente super estimulada durante seus últimos anos, levando à inflamação do cérebro, ou se era capaz de diminuir sua  atividade quando apropriado, bloqueando o processo inflamatório.

Em seguida, cruzaram esses dados com informações dos monitores de atividade. E descobriram uma forte relação entre o exercício e uma micróglia saudável, especialmente em partes do cérebro ligadas à memória. As células micróglias mais ativas continham marcadores bioquímicos que indicavam que as células sabiam como ficar quietas quando necessário. Mas a micróglia dos sedentários, mostrou sinais de ter ficado presa a um excesso de atividade em seus anos finais. Os inativos também pontuaram mais baixo em testes cognitivos.

Talvez o mais Interessante, porém, é que esses efeitos foram melhores em pessoas cujos cérebros mostraram sinais de Alzheimer quando morreram, independentemente de terem ou não graves problemas de memória enquanto ainda estavam vivos. Se essas pessoas fossem inativas, sua micróglia tenderia a parecer bastante disfuncional e sua memória irregular.

Mas se as pessoas se movimentassem com frequência durante a vida adulta, sua micróglia geralmente teria um aspecto saudável após a morte, e muitos não haviam experimentado perda de memória expressiva em seus últimos anos. Seus cérebros podem até ter mostrado sinais de Alzheimer, mas suas vidas e habilidades de pensamento, não.

O que essas descobertas indicam é que a atividade física pode atrasar a perda de memória do Alzheimer em idosos, em parte por manter a micróglia em forma, explica Kaitlin Casaletto, professora assistente de neuropsicologia da Universidade da Califórnia, que conduziu o novo estudo.

E o volume de atividade necessária para obter os benefícios não era grande, disse Casaletto. Poucos haviam se exercitado formalmente. “Mas havia uma relação linear” entre o sedentarismo deles e a saúde do cérebro, disse ela.

”Quanto menos se sentavam, mais ficavam em pé, quanto mais se moviam, melhores foram os resultados.”

Segundo Mark Gluck, professor de neurociência da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, os resultados são “os primeiros a usar análises póstumas do tecido cerebral para mostrar que um marcador de inflamação no cérebro, a ativação da micróglia, parece ser o mecanismo pelo qual a atividade física pode reduzir a inflamação do cérebro e ajudar a proteger contra os estragos cognitivos do Alzheimer embora sejam necessárias mais pesquisas em pessoas vivas.

Além disso, ninguém acredita que a micróglia seja o único aspecto do cérebro afetado pelo movimento, conclui Casaletto. A atividade física altera outras células, genes e substâncias químicas no órgão, ela continua, e alguns desses efeitos podem ser mais importantes do que a micróglia para nos manter aguçados.

Esse estudo também não prova que a atividade faz com que a micróglia funcione melhor, apenas que a presença dessa célula saudável é comum em pessoas que são ativas. Porém, não nos diz se obtemos benefícios adicionais para o cérebro por sermos fisicamente ativos quando temos muito menos de 80 anos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MENTE DA MAQUINA

Inteligência artificial consegue prever demência antes de sinais

Uma nova ferramenta de inteligência artificial pode prever com 92% de precisão quem irá desenvolver demência com dois anos de antecedência. A descoberta é de um estudo realizado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, publicado na revista Jama Net World Open.

Dados de mais de 15 mil pacientes que frequentavam uma rede de 30 clinicas de memória do National Alzheimer’s Coordinating Center, nos Estados Unidos, foram usados para treinar a inteligência artificial a detectar quem desenvolveria ou não algum tipo de demência. A técnica funciona identificando padrões para descobrir quem corre maior risco. No início do estudo, todos participantes apresentava problemas de memória ou outras funções cognitivas, mas não apresentavam demência. Entre 2005 e 2015 um em cada dez participantes recebeu diagnóstico de demência dentro de dois anos após visitar a clínica.

Os pesquisadores descobriram que cerca de 8%dos diagnósticos de demência pareciam ter sido errados, já que foram posteriormente revertidos. De acordo com o estudo, o modelo de aprendizado de máquina identificou com 92% de precisão e dois anos de antecedência os pacientes que iriam desenvolver o problema e com 80% de acerto os diagnósticos inconsistentes.

A técnica funciona identificando padrões ocultos em dados do paciente rotineiramente disponíveis na clínica, como memória e função cerebral, desempenho em testes cognitivos e fatores de estilo de vida específicos.

DIAGNÓSTICO ÚNICO

O médico geriatra Otavio Castello, diretor científico da regional Distrito Federal da Associação Brasileira de Alzheimer, explica que o diagnóstico de demência é essencialmente clínico. Isso significa que, embora os exames de imagem tenham evoluído muito nos últimos anos, quem dá o veredicto é o médico, apoiado pelo histórico do paciente, testes neuropsicológicos, exames de imagem e de laboratório.

“Ferramentas de inteligência artificial jamais irão substituir o médico, mas podem ajudar a dar um diagnóstico mais preciso”, afirma.

O próximo passo do trabalho é conduzir estudos de acompanhamento para avaliar o uso prático desse método em clínicas, o que podeajudar a melhorar o diagnóstico, o tratamento e o cuidado da demência.

“A inteligência artificial tem um enorme potencial para melhorar a detecção precoce das doenças que causam a demência e pode revolucionar o processo de diagnóstico para pessoas preocupadas com elas mesmas ou com um ente querido com sintomas. Esta técnica é uma melhoria significativa em relação às abordagens alternativas existentes e pode dar aos médicos uma base para recomendar mudanças no estilo de vida e identificar pessoas que podem se beneficiar de apoio ou avaliações  aprofundadas”, escreveu, em comunicado, Rosa Sancho, chefe de pesquisa da Alzheimer’s Research UK, organização sem fins lucrativos que financiou o estudo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo, e há quase 10 milhões de novos casos a cada ano. Estima-se que esse número aumente para 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050.

Marcos Pais, psiquiatra e pesquisador do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), explica que a demência não é uma doença e sim uma síndrome ou um conjunto de sintomas. Ela faz a deterioração da função cognitiva além do que se poderia esperar naturalmente no envelhecimento biológico. As pessoas perdem o funcionamento cognitivo a ponto de isso interferir nas atividades diárias.

ALZHEIMER

A condição é resultado de uma variedade de doenças e lesões que afetam o cérebro, sendo o Alzheimer a causa mais comum, responsável por cerca de 70% dos casos.

“Mas existem outras possibilidades, como demência vascular, fronto-temporal e com corpos de Lewy. Existem ainda demências relacionadas a eventos clínicos que podem ser reversíveis, como a demência da vitamina 12 em idosos”, explica Pais.

O tratamento da demência depende da causa. No caso das demências provocadas por doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, não há cura, mas há tratamento. Nos últimos cinco anos, cientistas têm investido no desenvolvimento de exames de imagem, sangue e ferramentas de inteligência artificial e aprendizado de máquina capazes de rastrear a doença anos antes dos primeiros sintomas. Mas o que fazer com esses resultados diante de uma doença incurável?

A detecção precoce é fundamental para melhorar a qualidade de vida e o prognóstico da doença.

“As demências não têm cura, mas têm tratamento e alguns remédios funcionam melhor quanto mais precocemente o diagnóstico for dado”, afirma Castello.

O diagnóstico precoce possibilita ainda iniciar uma abordagem prevenindo fatores de risco, como obesidade e pressão alta. Um relatório preenchido por 28 especialistas da Comissão Lancet para prevenção, intervenção e assistência à demência, publicado em 2020, mostrou que a modificar 12 itens associados ao estilo de vida pode atrasar ou prevenir 40% dos casos.

Os fatores de risco modificáveis apontados pela comissão são: perda auditiva, depressão, baixo nível de escolaridade, tabagismo, isolamento social, diabetes, hipertensão, obesidade, falta de atividade física, traumatismo craniano, consumo excessivo de álcool (mais de 21 unidades por semana) e exposição à poluição do ar.

Ter uma boa alimentação rica em frutas e verduras e baixo consumo de alimentos ultraprocessados, além de manter a mente e o corpo ativos, ajudam a reduzir bastante o risco de demência. Um estudo publicado recentemente por pesquisadores chineses no Reino Unido mostrou que algumas xícaras de chá ou café também diminuem em 30% a chance de desenvolver a condição.

M.A

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