OUTROS OLHARES

A MARCA DA MALDADE

Registros de agressão contra crianças cresceram 29% durante a pandemia

Aos 5 anos, Moisés de Oliveira Rozário sonhava com o primeiro dia de aula, previsto para 2022. Manoela Minuto Aguiar tinha apenas 3 anos, Sophia Karoline da Conceição, nem isso: era um bebê de cinco meses. No espaço de alguns dias de novembro, as três crianças foram vítimas de mortes violentas, ocorridas em  ambiente doméstico e no convívio familiar mais próximo. O caminho até o desfecho trágico é uma cortina de violência que, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), vem crescendo em território fluminense. Agressões contra crianças aumentaram 29 % no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020.

O levantamento do ISP, uma autarquia do governo estadual, solicitado via Lei de Acesso à Informação, reúne 3.635 ocorrências de lesão corporal dolosa em crianças de até 12anos no estado, entre janeiro de 2019 e junho deste ano. Em média, uma crueldade foi registrada a cada seis horas. Alguns casos terminam em tragédia, como aconteceu com Moisés, Manoela e Sophia. No período analisado, 86 crianças sofreram tentativas de assassinato e foram anotados 59 homicídios dolosos, quando há intenção de matar – 22% deles contra bebês com menos de 1 ano.

SUBNOTIFICAÇÃO

Segundo o delegado Adriano França, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), a gravidade do problema pode ser maior:

“A percepção de aumento é estatisticamente comprovada pelos números do ISP, que poderiam ser ainda mais elevados caso as aulas não tivessem sido suspensas com a pandemia. As escolas são a principal forma de aviso, seja por mudanças de comportamento ou marcas de agressão pelo corpo, ambas percebidas por professores durante as aulas. As unidades de saúde também acabam sendo nossos denunciantes”.

O isolamento social imposto pela chegada da Covid-19 deixou as crianças que sofrem maus-tratos limitadas ao ambiente domiciliar, o que, muitas vezes, as impede de pedir ajuda a vizinhos, colegas de escola ou outros parentes com quem tenham afinidade.

Os estudos também mostram que, de 2019 até junho deste ano, 17% dos casos de agressão foram cometidos pelos pais, padrastos ou madrastas das crianças.

A pequena Sophia estava como pai, Daniel Lucas Ferreira, no último fim de semana, quando teria caído no chão durante uma suposta troca de fralda. De volta à casa da mãe, passou mal e precisou ser levada ao Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Caxias, Baixada Fluminense, onde morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória. Investigações jogaram suspeitas sobre a versão apresentada pelo pai, incompatível com os ferimentos encontrados pelos médicos no corpo da recém-nascida. De acordo com o relatório do hospital, ela morreu com múltiplas fraturas, hemorragia e traumatismo craniano.

Responsável pelas investigações do caso de Sophia, a delegada Fernanda Fernandes, da Delegacia de Atendimento à Mulher de Caxias, lembra que as agressões começaram a incomodar a mãe da bebê, quando ela ainda estava grávida de Sophia. A morte ocorreu dias depois de a justiça ter expedido uma medida protetiva impedindo Daniel de se aproximar das duas, já que ambas vinham sendo ameaçadas pelo suspeito. Ele foi preso, imediatamente.

Também em Caxias, Moisés, de 5 anos, foi esfaqueado em um dos quartos da casa onde morava, no Bairro Capivari, na noite do último dia 14. Uma das linhas Investigadas pela polícia é a de que o assassinato tenha sido praticado por um ex-companheiro da mãe do menino.

Ficam na Baixada Fluminense cinco dos seis municípios com mais casos de violência infantil registrados. Quando consideradas apenas as ocorrências na capital, a Zona Oeste aparece com nove entre os dez primeiros bairros da lista.

“A região tem muitos registros desse tipo de crime, bem como de violência doméstica”, ressalta o titular da Dcav, destacando que, ultrapassada a pandemia, está prevista a instalação de atendimento especializado para crianças e adolescentes no Hospital  Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, bairro com mais ocorrências.

CUIDADOS

O médico Daniel Monnerat, especializado em psiquiatria infantil, observa que os danos para crianças submetidas a violência podem ser muitos e variados:

“A criança tende a isolar-se mais e a apresentar aumento acentuado da irritabilidade”.

Para o médico, o melhor tratamento é sempre prevenção e conscientização.

“Temos que estar disponíveis afetivamente para os nossos filhos, para que um vínculo de confiança se estabeleça e consigamos evitar desfechos trágicos”.

“Elas podem não compreender o que está acontecendo. A criança, que confia naqueles mais próximos, não sabe sequer do que precisa se defender”, acrescenta a psicanalista Sylvia Caram.

No caso de Manoela Aguiar, de 3 anos, morta em Macaé, no Norte Fluminense, a 128ª DP (Rio das Ostras) prendeu a mãe da menina, suspeita de esfaquear a criança e jogá-la no rio. O corpo foi encontrado per banhistas na Praia do Barreto. A informação é de que a causa da morte foi por afogamento, o que indica que Manoela, mesmo com ferimentos a faca, ainda estava viva quando foi deixada na água.

Quem suspeita que uma criança está sendo vítima de maus-tratos deve denunciar o caso aos conselhos tutelares, às policias Civil e Militar, ao Ministério Público ou pelo canal Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O anonimato é garantido.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 04 DE JANEIRO

DEUS TRABALHA A NOSSO FAVOR, E NÃO CONTRA NÓS

Então, lhes disse Jacó, seu pai: Tendes-me privado de filhos: José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas coisas me sobrevêm (Genesis 42.36).

Jacó foi amado por Deus antes de nascer. Era neto de Abraão, filho de Isaque e pai das doze tribos de Israel. Sua história é um ziguezague de altos e baixos. Mesmo criado num lar temente a Deus, só conheceu ao Senhor, como o Deus de sua salvação, depois de ter constituído família, beirando os 93 anos de idade. Jacó teve de sair de casa fugido e voltou para sua terra com medo. O plano de Deus, porém, jamais se apartou de Jacó. No vau de Jaboque, Deus lutou com Jacó e o deixou manco para não perdê-lo para sempre. A graça de Deus é eficaz. Aqueles a quem Deus escolhe, a esses Deus também chama eficazmente. Jacó recebeu uma nova vida, um novo nome, uma nova história. Tornou-se o pai das doze tribos de Israel. Seu filho, José, foi vendido por seus irmãos para o Egito, mas Deus usou essa providência carrancuda para mostrar-lhe sua face sorridente. Aquela situação difícil não era uma ação de Deus contra Jacó, mas a seu favor. Não há Deus como o nosso, que trabalha para aqueles que nele esperam. Aquilo que Jacó imaginava ser sua ruína era sua salvação. Aquilo que ele imaginava estar contra ele laborava em seu favor. Seu lamento tornou-se seu cântico mais efusivo. Deus transformou o vale árido num manancial, as lágrimas em celebração, o choro numa fonte de consolo.

GESTÃO E CARREIRA

VEJA 8 DICAS PARA QUEM QUER COMEÇAR A EMPREENDER EM 2022

Antes de começar um negócio, é importante que o candidato a empresário entenda em qual setor pode se colocar e destrinche essa área para, aí sim, pensar o que deve desenvolver. Assim, mitiga os riscos de ter uma ideia que não vai dar certo. Só depois dessa etapa é hora de pensar no produto ou serviço em si. Veja a seguir oito dicas para quem quer tirar um negócio do papel em 2022. As sugestões são de Thomaz Martins, coordenador do centro de empreendedorismo do Insper, Ellen Salomão, especialista em marketing digital e educação online,  e Fabiana David, analista de negócios sênior do Sebrae-SP.

1) ANTES DE MAIS NADA, FAÇA A SI MESMO ALGUMAS PERGUNTAS

No início, é fundamental que o candidato a empreendedor conheça o repertório que tem. É necessário entender três pontos principais e responder as perguntas: “o que sou?”; “o que sei?” e “quem conheço?” A resposta para a primeira deve ser suas motivações e propósitos para empreender. A da segunda, seu conhecimento, tanto aquele objetivo, de práticas específicas, como o mais intangível, subjetivo. E a da terceira, a rede de amizades e de conhecidos que possam lhe ajudar a abrir portas. As três questões ajudam a definir ao menos a área de atuação.

2) INVESTIGUE O SETOR

Após definir a área de atuação, comece a circular no setor. Conhecer e entender quem são as pessoas e empresas, as mercadorias, os serviços e os eventuais gargalos, as chamadas “dores: aquilo que todo empreendimento propõe a sanar. Quando identificar uma ineficiência do mercado, o empreendedor pode começar a pensar num produto ou serviço para resolvê-la. O processo vale tanto para negócios que envolvem tecnologia como para os mais tradicionais, tipo abrir uma padaria, e os gargalos podem ser tão distintos quanto a necessidade de um novo produto ou de melhorar processos para vender algo já consolidado com um preço menor ou com mais valor agregado.

3) AGORA, SIM PENSE NO PRODUTO

Idealmente, só depois de seguir os dois passos já citados o empreendedor deve pensar no que de fato quer vender. “É muito comum que as pessoas pensem primeiro no que querem vender e depois tentem ‘empurrar’ isso para o mercado, mesmo que não haja demanda para tal”, diz Thomaz Martins, do Insper.

4) BUSQUE A SOLUÇÃO MAIS SIMPLES, QUE RESOLVA O PROBLEMA

É a hora de procurar o que se chama de MVP (“minimum viable product’, ou mínimo produto viável). Isso significa desenvolver uma solução que seja a forma mais fácil para ajudar o cliente, e aí pensar em coloca-la no mercado. Um exemplo, lançar um aplicativo com funções básicas, que depois vá melhorando com atualizações. Mesmo que você comece de forma simples, já cria uma relação com o consumidor e começa a aprender na prática.

5) DESENVOLVA PRODUTO E NEGÓCIO

A partir desse ponto há dois caminhos que devem ser percorridos concomitantemente. O

primeiro é o do produto em si. O empreendedor deve buscar melhorá-lo e torná-lo escalável. Junto a isso, precisa desenvolver o negócio: pensar nas formas de monetização e em como buscar mais clientes.

6) FOQUE TAMBÉM A GESTÃO

De pouco adianta ter um produto com boa demanda se o empreendedor não consegue gerir seus recursos – dinheiro, tempo etc. “Se você já sabe os caminhos para abrir seu negócio do ponto de vista do produto e do conhecimento técnico, é hora de aprender sobre gestão e inovação”, diz Fabiana David, do Sebrae. Para ela, também é preciso sempre atualizar sobre seu setor e aumentar sua rede de contatos.

7) INVISTA EM MARKETING ONLINE E OFFLINE

Uma vez que o produto ou serviço está no mercado, é hora de buscar compradores. O dono do negócio tem de pensar numa estratégia para tal – offline, online ou das duas maneiras. Isso significa ir a feiras, ter vendedor nas ruas e investir na divulgação. Cada setor tem especificidades, mas, depois da pandemia, é fundamental vender na internet. Existem, inclusive, ferramentas para segmentar a propaganda e buscar o cliente identificado como público-alvo.

8) DÊ TEMPO AO TEMPO

As iniciativas de marketing na internet ou fora dela, devem ser constantes. Existem pessoas, diz Ellen Salomão, especialista em marketing digital, que contratam uma agência, não veem resultado imediato e desistem da estratégia. Há de se pensar a prática como um investimento e, geralmente, leva-se algum tempo até os resultados aparecerem.

EU ACHO …

PACTO ANTIMIGALHAS

O ano de 2022 está aí, e tudo que mais desejo é que ninguém tenha que se contentar com migalhas em seu decorrer. Para você que está lendo, além de saúde e paz, também desejo forças para dialogar e pensar além da superfície de um Brasil de muitas camadas.

Haja coração num ano que já começa com pura emoção das eleições que estão por vir. Prometo: não é para deixar você já com os nervos à flor da pele nos primeiros dias do ano. É apenas para planejarmos juntos. Como diria Jessé Souza, “distanciar-se da política é imbecilizante”. Então vamos dar as mãos, respirar e não negligenciar o que temos pela frente.

Pesquisas de cenários do ano político apontam que a fome será uma das principais pautas das eleições. E que “a favela” será pragmática em seu voto. Cabe lembrar que a favela ainda é lida por muitos de forma estereotipada e homogênea enquanto sabemos que não é assim. Há muitas favelas e favelados que reivindicam direitos múltiplos e não podem ser apagados ou resumidos a um só.

Existe a teoria de que eleitores mais vulneráveis devem acreditar em políticos que prometem se dedicar aos problemas mais emergenciais do momento: a fome e o desemprego.

Afinal, “tem gente com fome”, como nos lembra a importante campanha da Coalizão Negra por Direitos, e “quem tem fome, tem pressa”, como nos ensinou a Ação da Cidadania, fundada pelo saudoso Betinho. Num país de milhões de famintos e desempregados, relembrar essa obviedade nunca é demais.

Quem prometer de modo mais convincente leva? Será que vão nos tirar mais uma vez a chance de olharmos para o longo prazo? Será que vamos negar problemas estruturais como o racismo, que, ao ser visto apenas pelo prisma das questões socioeconômicas, nega toda dívida histórica? Uma dúvida que corre risco de ser novamente postergada.

Sabemos bem a cor de quem tem fome, mas discutir racismo parece pauta identitária e anexa. Mas não pode ser, e isso também está nas suas mãos. E se decidirmos que não queremos nos contentar com migalhas? Como já diziam os Titãs, “a gente não quer só comida, quer comida, diversão e arte”.

A gente também quer educação, distribuição de renda e reparação histórica, como plano de ação antirracista interseccional. A gente quer investimentos pesados, garantindo que as empresas e as organizações públicas e privadas tenham cotas de 50% de inclusão para negros e indígenas nos cargos mais altos, passando pelos médios e também na base.

A gente quer inclusão para pessoas com deficiência, LGBTQIAP +, mulheres, e não apenas as mulheres brancas.

A gente quer inclusão para todas as pessoas. Quer que pessoas negras, indígenas e periféricas também sejam convidadas para cobrir, desfilar, estar junto e beber champanhe nas principais semanas de moda do Brasil e do mundo, nos principais fóruns de discussões sobre todo e qualquer assunto para além dos que querem nos encaixar.

Queremos falar por nós mesmos e estar em todos os lugares fazendo valer o direito de ir e vir. Queremos que os que se dizem aliados de todas as causas, façam valer suas carteirinhas todos os dias do ano, inclusive na hora de votar.

Queremos também uma literatura negra e indígena que não seja somente de personagens negros e indígenas caricatos e superficiais, mas de escritores negros e indígenas protagonistas que escrevem suas histórias, seus projetos de leis.

Queremos um país antimigalhas e não apenas um pão para matar a fome urgente, mas sim a construção do direito irreversível de sermos os donos da padaria. Não queremos uma coisa ou outra. Queremos uma coisa e outra. E não vamos retroceder.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacialcom.br

ESTAR BEM

ESTUDO SUGERE QUE EXERCÍCIO NÃO AFETA APETITE

Caminhada rápida ou levantamento de peso leve têm menos impacto sobre a alimentação subsequente do que fatores corno aroma e sabor de um determinado prato de comida oferecido após o treino, revela pesquisa

Ser ativo nos deixa famintos e propensos a comer mais do que talvez devêssemos? Ou diminui nosso apetite e torna mais fácil pularmos aquela última e tentadora fatia de bolo? Um novo estudo fornece pistas oportunas, embora cautelosas.

A pesquisa, que envolveu homens e mulheres sedentários e com sobrepeso e vários tipos de exercícios moderados, descobriu que as pessoas que malharam não comeram demais em seguida. Mas também não pularam a sobremesa ou economizaram nas porções. As descobertas oferecem um lembrete: embora os exercícios tenham inúmeros benefícios para a saúde, nos ajudar a comer menos ou perder peso pode não estar entre eles.

Para a maioria de nós, o exercício afeta o peso e a fome de maneiras inesperadas e às vezes contraditórias. De acordo com vários estudos científicos, poucas pessoas que começam a se exercitar perdem tantos quilos quanto o número de calorias que queimam durante o treino.

Algumas pesquisas recentes sugerem que isso ocorre porque nossos corpos tentam obstinadamente se agarrar aos nossos estoques de gordura, compensando o gasto energético diário geral, uma adaptação evolutiva que nos protege contra escassez de alimentos futuras. Mas essa compensação acontece lentamente, ao longo de semanas ou meses, e envolve gasto de energia. Logo, não está claro se e como os exercícios influenciam nossa ingestão de energia – isto é, quantas porções de comida consumimos – especialmente nas horas imediatamente após o treino.

Um novo estudo, porém, feito 24 homens e mulheres americanos, com idades entre 18 e 55 anos, que estavam com sobrepeso ou obesos e geralmente sedentários, descobriu que ao menos uma caminhada rápida ou levantamento de peso leve pode não afetar nossa alimentação subsequente tanto quanto “outros fatores” como o aroma e o sabor de um determinado prato de comida oferecido após o treino.

A taxa de hormônios do apetite das pessoas tende a cair após os exercícios, mas essa diminuição não tem muito efeito sobre o quanto elas comem depois. Porém, é preciso considerar que o exercício queima cerca de 300 calorias a cada sessão, menos do que as quase mil calorias que os voluntários da pesquisa consumiram em média no almoço, mas centenas a mais do que quando não se exercitavam. Uma diferença que pode ajudar no controle de peso, disse Tanya Halllday, líder do estudo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANSIEDADE E MEDO DE SER REJEITADO NÃO COMBINAM COM AMIZADES SÓLIDAS

Pequenos detalhes, que podem não significar nada, às vezes disparam um alarme falso e uma pergunta: ‘O que fiz de errado?’

Em 2017, enquanto estudava na Irlanda, Laura Hirsch ficou ansiosa, achando que seus amigos a estavam excluindo. Solitária e sem uma rede de confidentes por perto, Hirsch, agora com 24 anos, enviava incessantes mensagens de texto para seus amigos e ficava cada vez com mais medo quando eles demoravam mais que uns poucos minutos para responder. Apesar de ouvir deles que não estavam chateados com ela, Hirsch caiu numa ansiedade profunda.

No fim das contas, alguns amigos deram um passo atrás nas suas relações com Hirsch – porque se sentiram sobrecarregados com a necessidade de estar sempre disponíveis para ela. “Muitos deles sentiram que tinham a responsabilidade de responder e cuidar de mim o tempo todo, oque não é o que eu queria”, diz Hirsch.

A ansiedade ao suspeitar que um amigo está chateado conosco é comum, em parte por causa da comunicação moderna e da maneira como nosso cérebro funciona. A pandemia parece ter exacerbado o problema. “Quando estamos num estado de pandemia e crise existencial, é mais provável que apareça esse tipo de pensamento”, observa Kat Vellos, coach de conexão, palestrante e autora. A boa notícia é que essa sensação pode ser passageira. Ao chegar à raiz desses medos, conseguimos aprender como combater os temores de rejeição e abordar com confiança nossas preocupações.

A RELAÇ.ÃO SE DESVIOU DO PADRÃO

Toda amizade tem rotinas e regularidades: a frequência  dos encontros, o meio de comunicação, os tipos de atividades realizadas em conjunto. Quando esses padrões são interrompidos, um alarme dispara no cérebro, sinalizando alguma desconexão, afirma Amir Levine, psiquiatra e professor-assistente na Universidade de Columbia. Como não estamos cientes de quando nossas amizades se desviaram do padrão de normalidade, ressalta Levine, o que nos resta é a sensação de que algo está errado. Mas, antes de tirar conclusões precipitadas, analise as interações usuais com esse amigo. Se essa pessoa cancela planos no último minuto ou precisa de algumas ligações antes de atender ao telefone, é provável que uma situação semelhante não seja um desvio de seu comportamento.

CERTAS AÇÕES SÃO MAL INTERPRETADAS

Quando não temos clareza sobre o status de nossas amizades ou dos motivos por trás das declarações ou ações de nossos amigos, partimos dessa ambiguidade e acabamos projetando rejeição, explica a especialista em amizades e psicóloga Luísa Franco, de Washington D.C. “Tendemos a perceber rejeição mesmo quando ela não existe”, explica. A tecnologia só amplia essa ambiguidade, segundo a coach de amizade Danielle Jackson. É difícil interpretar o tom da fala em mensagens de texto ou determinar a razão de uma mensagem atrasada. E isso nos leva a presumir o pior.

A escritora Elsa Cavazos sabe que seus relacionamentos estão sólidos quando os amigos interagem com ela nas redes sociais. “Eles sempre curtem todas as minhas fotos”, conta a jovem de 26 anos. Quando ela percebe que seus amigos não estão tão rápidos em curtir um post ou reduzem o uso de emojis, um buraco se abre no seu estômago. “Tenho amigos que trocam mensagens muito secas, mas não são secos pessoalmente”, garante. “Se você manda um OK, fico com a sensação de que pode estar brava comigo, mas para você talvez seja só um jeito de contar que está tudo bem.”

As ações em si não são o problema, mas sim nossa interpretação. Podemos atribuir significado incorreto a uma mensagem de texto não respondida e internalizá-la como um sinal de que a amizade está por um fio ­ quando, na verdade, o amigo talvez esteja só  sobrecarregado, lembra Levine. “É  fácil interpretar a ausência de comunicação como a presença de sentimentos de contrariedade”, diz Vellos. “É importante estarmos cientes de que nossa interpretação não conta toda a história.”

VOCÊ TEM UM ESTILO DE APEGO DIFERENTE DOS SEUS AMIGOS

Desde tenra idade, desenvolvemos certos padrões, comportamentos e abordagens de relacionamentos caracterizados por quatro estilos de apego: seguro, ansioso, evitativo e evitativo com medo. Os marcadores do apego seguro aparecem quando as pessoas confiam e aceitam facilmente o amor e não têm medo da intimidade. As com estilo de apego ansioso têm medo de abandono e são ágeis em identificar ameaças nos relacionamentos. Alguém com evitativo deseja mais distância em seus relacionamentos. E o evitativo com medo combina os estilos ansioso e evitativo.

Embora não seja um fator que inviabilize a amizade, a incompatibilidade de estilos de apego pode levar um amigo com apego ansioso, por exemplo, a perceber a necessidade de espaço do amigo evitativo como rejeição. Nenhum estilo de apego é melhor do que os outros, de acordo com Levine, mas perceber que somos mais sensíveis quando se trata de relacionamentos pode ajudar a determinar se está surgindo alguma rixa ou se cada lado tem necessidades diferentes. Se você perceber que exige um alto nível de proximidade e validação dos amigos, priorize aqueles que dão essa atenção prontamente, aconselha Lavine.

O PASSADO INFLUENCIA O PRESENTE

Relacionamentos anteriores podem dizer muito sobre a maneira como abordamos os atuais. Pesquisas demonstram que a exclusão social é urna forma de bullying adolescente e que nossas experiências negativas na infância podem influenciar nossas crenças de agora. “Se passamos por isso na juventude, fica comum na idade adulta ter essa mesma sensação de “eles estão me evitando”, explica Vellos. Mas também podemos usar a história a nosso favor para tentar entender porque nos preocupamos tanto com o status de nossas amizades, enfatiza Franco. Refletir sobre o passado nos permite localizar a origem de nossos medos e nos dá confiança por saber que a história não precisa se repetir.

PENSAMENTO AUTOCENTRADO

Pensamentos que se centram no que fizemos para deixar algum amigo chateado ignoram o fato de que o problema talvez nem tenha nada a ver conosco. O amigo que fez um comentário ambíguo ou cancelou planos pode estar sobrecarregado ou lidando com alguma crise pessoal. Jackson diz para despersonalizar o problema e demonstrar generosidade – conselho que Hannah Eagle, garçonete de 29 anos, levou a sério: “Nem tudo gira em torno do meu umbigo”. Desde a infância, ela muitas vezes teve medo de que os amigos ficassem chateados com ela: se notasse que algum não tinha entrado em contato depois de alguns dias ou que não tivesse dado risada de suas piadas, achava que havia algo errado. Retirar-se da equação ajudou a diminuir a ansiedade. “Na maioria das vezes, as pessoas não estão pensando em você tanto quanto você pensa nelas pensando em você.”

A única maneira de garantir que um amigo não esteja bravo é perguntando. Jackson recomenda coisas bem específicas: “Deveríamos nos encontrar na quinta, mas, no último  minuto, você disse que não poderia vir. Está tudo bem?”. Fundamentar a pergunta com detalhes e empatia garante que o amigo não se sinta atacado e abre a porta para uma conversa construtiva. ”Gosto de sugerir que você tenha uma atitude de curiosidade antes de desenvolver toda essa suposição e entrar no assunto, porque talvez esteja acontecendo algo de que você não estava ciente”, conclui Jackson.

M.A

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