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POR QUE NÃO EXISTE VACINA CONTRA A COVID PARA PETS?

Embora cães e gatos possam contrair o vírus, um crescente conjunto de evidências sugere que eles desempenham pouco ou nenhum papel em sua disseminação –  além disso, raramente adoecem

Nos últimos meses, as vacinas contra o coronavírus foram parar em bilhões de braços humanos – e também nas ancas felpudas de inúmeros animais de zoológico, Jaguares estão recebendo suas doses. Bonobos também. Assim como orangotangos e lontras, furões e morcegos frugívoros e, claro, leões, tigres e ursos.

No entanto, duas criaturas muito próximas das pessoas andam sendo negligenciadas: os cães e gatos domésticos. E os donos desses animais de estimação já se deram conta.

Tecnicamente uma vacina para animais de estimação é plenamente viável. Vários pesquisadores inclusive dizem que já há fórmulas promissoras para cães e gatos – as doses que os animais do zoológico andam recebendo foram inicialmente projetadas para cães.

Mas vacinar animais domésticos simplesmente não é uma prioridade, dizem os especialistas. Embora eles possam pegar o vírus, uma crescente conjunto de evidências sugere que os pets desempenham pouco ou nenhum papel em sua disseminação – e raramente adoecem.

“Uma vacina é bastante improvável para cães e gatos. O risco de propagação de doenças em animais de estimação é tão baixo que não valeria a pena”, disse Will Sander, veterinário da Universidade de Illinois Urbana-Champaign.

LULU INFECTADO

Em fevereiro de 2020, uma mulher em Hong Kong foi diagnosticada com Covid-19. Duas outras pessoas em sua casa logo testaram positivo para o vírus, assim como um membro inusitado da casa: um cachorro idoso da raça Lulu da Pomerânia. Que se saiba, o animal de 17 anos foi o primeiro pet a contrair o vírus.

Mas não o último. Um pastor alemão em Hong Kong logo testou positivo também, assim como gatos em Hong Kong, Bélgica e Nova York. Os casos foram extremamente leves – os animais apresentavam poucos ou nenhum sintoma, e os especialistas concluíram que foram os humanos que espalharam o vírus para eles, e não o contrário.

“Até o momento não houve nenhum caso documentado de cães ou gatos espalhando o vírus para as pessoas”, disse Elizabeth Lennon, veterinária da Universidade da Pensilvânia.

Mas o risco de haver uma pandemia nos animais de estimação despertou o interesse em uma vacina. A Zoetis, empresa farmacêutica veterinária com sede em Nova Jersey, começou a trabalhar em uma fórmula assim que ouviu falar do lulu de Hong Kong.

No outono de 2020, a Zoetis tinha quatro candidatas promissoras para uma vacina, cada uma delas provocando respostas “robustas” de anticorpos em cães e gatos.

Mas é cada vez mais evidente que a infecção de pets provavelmente não representaria uma ameaça séria para animais ou pessoas.

Quando os pets adoecem, eles tendem a ter sintomas leves, como letargia, tosse, espirros, coriza ou diarreia. Eles normalmente se recuperam totalmente sem tratamento, embora alguns casos mais graves ocorram ocasionalmente.

Além disso não há evidências de que cães ou gatos espalhem o vírus para humanos- e há poucos sinais de que o transmitam entre si. Gatos de rua, por exemplo, são menos propensos a ter anticorpos contra o vírus do que gatos que vivem com pessoas, sugerindo que os animais estão se infectando principalmente de nós, e não uns dos outros.

“Não parece que cães ou gatos jamais seriam um reservatório para esse vírus. Se não houvesse pessoas doentes ao seu redor, eles não seriam capazes de continuar a espalhar de animal para animal, e (o vírus) não continuaria a existir em sua população”, disse Jeanette O’Quin, veterinária da Universidade Estadual de Ohio.

Juntos, esses fatores convenceram os especialistas de que não era necessária uma  vacina para animais de estimação. Em novembro de 2020, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que regulamenta os medicamentos veterinários, disse que não estava acenando nenhum pedido de vacinas para cães ou gatos porque os dados não indicam que tal vacina teria valor”.

PROTEÇÃO PARA O VISON

Mas, à medida que a ameaça ao animal de estimação diminuía, outro problema ganhava visibilidade: o vison. Os mamíferos esguios, que são criados em grande número, revelaram-se altamente suscetíveis ao vírus. E não apenas eles estavam morrendo por causa dele, mas estavam espalhando uns para os outros e de volta para os humanos.

“Acho que a situação do vison certamente justifica uma vacina”, disse Lennon.

As autoridades americanas também entenderam assim e, no mesmo aviso de novembro em que a agência disse que não estava considerando vacinas para cães ou gatos, declararam-se abertas a pedidos de uma vacina para o vison.

Assim, o laboratório Zoetis decidiu reaproveitar uma de suas vacinas caninas para o animal. Outros pesquisadores também estão desenvolvendo vacinas para visons, e a Rússia já aprovou uma injeção para todos os carnívoros, incluindo visons, e já teria começado a administrá-la nos animais.

Os estudos sobreo vison estão em andamento, mas, quando se espalhou a notícia sobre o trabalho de Zoetis, os 200 zoológicos começaram a ligar. Alguns de seus animais, incluindo gorilas, tigres e leopardos da neve, já haviam contraído o vírus, e eles queriam dar uma chance à vacina de vison.

A Zoetis, que decidiu fornecer a vacina a zoológicos em caráter experimental, agora se comprometeu a doar 26 mil doses – o suficiente pata vacinar 13 mil animais.

O desenvolvimento significa que muitos felinos que vivem em zoológicos, como leões e tigres, estão sendo vacinados, enquanto seus primos domésticos, não. Em parte, isso ocorre porque essas espécies parecem ser mais suscetíveis ao vírus; alguns morreram após serem infectados. Além disso, os animais do zoológico estão expostos a muito mais pessoas do que a maioria dos gatos domésticos, e muitos estão ameaçados de extinção.

Não quero diminuir a importância do animal de estimação de ninguém. Eu também tenho um gato. Mas muitos desses animais estão em alto status de conservação. Eles são geneticamente muito valiosos”, argumenta Sander.

É certamente possível que pesquisas futuras – ou mudanças no vírus – possam alterar o cálculo de uma vacina para animais de estimação.

Por enquanto, pessoas com teste positivo para o vírus devem se isolar de seus pets, se possível, ou usar máscara enquanto cuidam deles.

“A melhor maneira de prevenir a Sars-CoV-2 nos animais de estimação é prevenir a doença nas pessoas. Então, vacinem-se”, conclui Jeanette O’Quin.

ALIMENTO DIÁRIO

GOTAS DE ALEGRIA PARA A ALMA

DIA 07 DE JANEIRO

A MAIOR EXPRESSÃO DE AMOR

Acrescentou Deus: Toma teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; oferece-o ali em holocausto, sobre um dos montes, que eu te mostrarei (Genesis 22.2).

Há momentos em que Deus parece estranho. Há momentos em que a fé parece lutar contra a esperança. O mesmo Deus que prometera um herdeiro a Abraão e demorara 25 anos para cumprir a promessa agora ordena a Abraão sacrificar o filho da promessa. Abraão não discute com Deus; apenas obedece, e o faz imediatamente. Naquela mesma madrugada, o velho patriarca racha lenha, chama dois de seus servos e parte com Isaque rumo ao monte Moriá, onde ofereceria seu filho em holocausto. O texto bíblico não traz a essa narrativa uma perspectiva emocional, mas isso não significa que Abraão fez aquela caminhada sem profunda emoção. Ele sabia que estava caminhando para sacrificar o amado de sua alma. Cada passo rumo a Moriá era como se o universo inteiro desabasse sobre sua cabeça. Sua fé inabalável lhe dava plena certeza de que Deus ressuscitaria seu filho. Ele sabia que o altar do sacrifício seria palco de adoração. Sabia que, no monte do Senhor, Jeová Jiré é poderoso para prover o cordeiro substituto. No topo daquela montanha, Abraão levanta um altar e oferece seu filho, mas Deus ergue sua voz e impede o sacrifício, oferecendo um cordeiro substituto. Dois mil anos depois, o Filho de Deus estava preso no leito vertical da morte, suportando o peso do mundo sobre si, quando clamou: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27.46). Para o Filho de Deus não houve um cordeiro substituto, pois ele é o único Cordeiro que tira o pecado do mundo. Porque Deus nos amou, entregou seu Filho como sacrifício pelo nosso pecado. Ó bendito amor! Ó amor eterno! Ó incomensurável amor!

GESTÃO E CARREIRA

PRODUTIVIDADE TÓXICA

O mito de que o valor de um profissional se mede pela quantidade de tarefas que ele realiza tem levado muitos talentos ao excesso de trabalho. Saiba por que isso pode ser prejudicial para as pessoas e a empresa – e como evitar que o comportamento nocivo se espalhe

“E se ninguém mais achasse que estar ocupado é ser importante?” Esta é uma das provocações do consultor londrino de liderança e negócios Greg McKeown, em seu livro Essencialismo: A Disciplina da Busca por Méritos (Editora Sextante). De acordo com ele, o mais importante é pensar em fazer melhor, não em fazer mais. Há uma lógica nessa afirmação: o excesso de tarefas e a ausência de limites prejudicam a carreira e a vida. Isso quer dizer que, quanto mais horas extras cumpridas, mais sobrecarga, menor constância, piores resultados e, claro, menos saúde.

Mas não é de hoje que o excesso de trabalho é glamourizado. Muitos profissionais sentem até certo orgulho ao dizer que mal almoçaram por causa das demandas e que passaram o fim de semana em meio a relatórios. Esse sempre foi, inclusive, um perfil típico de quem veste a camisa da empresa.

Com a pandemia e a adesão das companhias ao home office, a rotina exaustiva ganhou ainda mais força, como mostram pesquisas recentes. Segundo um levantamento feito pela plataforma Capterra, sete em cada dez pessoas tiveram algum sintoma de burnout desde que começaram a trabalhar a partir de casa. Outro estudo, do Instituto lpsos, mostrou que 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou no último ano.

Não à toa, especialistas em carreira passaram a falar sobre produtividade tóxica, que acontece quando o profissional tem a sensação de que precisa, o tempo todo, fazer algo considerado produtivo. Isso significa, por exemplo, trabalhar mais horas do que antes, estar constantemente conectado, usar todos os períodos livres para produzir e deixar de almoçar para participar de uma reunião.

Há três motivos principais por trás desse comportamento. O primeiro é que muitas empresas reduziram seu quadro de funcionários, e os que ficaram passaram a ter mais demandas. “Os times mais enxutos acabam forçando essa produtividade tóxica. Isso quer dizer que, para o profissional conseguir entregar o resultado e atingir as metas, precisa trabalhar mais do que antes da pandemia”, diz Rafael Souto, presidente da Produtive, consultoria de planejamento e transição de carreira. E o mercado de trabalho ainda tem a expectativa de que o colaborador dê conta de tudo. “Apesar de isso estar mudando, muitas empresas ainda esperam que as pessoas produzam bastante. Vejo muitos discursos simpáticos, com falas do tipo ‘nós nos preocupamos com saúde física e emocional’, mas na prática isso não acontece.”

A segunda razão para o aumento da produtividade tóxica está relacionada ao home office. Hábitos que os profissionais tinham na empresa, como caminhar pelo escritório e tomar um café com os colegas – ações que ajudam o cérebro a descansar – , foram substituídas pelo cotidiano doméstico. “Em casa, são várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, como o WhatsApp que não para de apitar, o filho pedindo algo, o almoço para fazer”, explica Cristiano Nabuco, psicólogo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Um entendimento que passou a ser comum para parte da liderança é o de que as pessoas, por estarem em casa – sem precisar encarar as horas de trânsito, por exemplo – , devem acumular mais afazeres. Assim, o limite da vida privada se perde. “Muitos gestores começaram a mandar e-mails às 11 da noite ou nos fins de semana, fazendo com que os funcionários trabalhassem sem interrupção e estimulando a produtividade a todo momento e a qualquer hora do dia”, afirma Cristiano.

Outro ponto importante é que, sem o contato pessoal, as pessoas perderam o retorno imediato do líder sobre suas atividades. ”Por meio de alguns sinais não verbais, como um levantar de sobrancelhas ao ver um relatório, o funcionário entendia de forma rápida como estava seu trabalho”, afirma. Com o distanciamento e a falta de feedbacks constantes, os profissionais passaram a trabalhar mais, na expectativa de mostrar bons resultados. “É um círculo vicioso, no qual a sensação de realização nunca é alcançada, e a percepção que fica é a de que sempre se pode fazer mais e melhor para conseguir cumprir seu dever”, diz Cristiano.

Para Luciana Ferreira, professora de gestão de pessoas na Fundação Dom Cabral, a falta da presença física como métrica fez com que a maioria das pessoas passasse a se preocupar mais com a produtividade que, com o trabalho remoto, o desempenho ficou pouco claro: o gestor não sabe o que esperar das pessoas nem como cobrar, e a equipe não entende como demonstrar que trabalha. “O tempo que os funcionários ganharam por não terem que se deslocar para o trabalho passou a ser usado também para as tarefas profissionais, e não para o bem-estar e a qualidade de vida”, afirma Luciana.

O terceiro motivador do mito da produtividade é que aprendemos desde pequenos que o trabalho intenso é o segredo do bom resultado. “Fomos criados para acreditar que, se nos  esforçássemos o suficiente, poderíamos ganhar no sistema –  do capitalismo e da   meritocracia”, diz Anne Helen Petersen, autora de Não Aguento Mais Não Aguentar Mais (Harper Collins Brasil). Assim, segundo ela, convencemos trabalhadores de que as péssimas condições são normais e de que se rebelar contra isso é sintoma de uma geração mimada.

SEGURANÇA PSICOLÓGICA

Alterar esse cenário exige uma mudança de cultura, como explica Izabella Camargo, jornalista especialista em saúde mental e autora do livro Dá Um Tempo: Como Encontrar Limites num Mundo sem Limites (Editora Principium). “O mundo de hoje não é igual ao de dez anos atrás, mas estamos fazendo as mesmas coisas”, diz. É preciso tornar o ambiente corporativo propício à segurança psicológica dos funcionários.” Não adianta apenas levar à companhia um palestrante que fale sobre saúde mental nem criar alguma ação isolada. É necessário haver uma mudança de cultura”, afirma Izabella. “Assim como as empresas e pessoas resguardam a segurança física, com a adesão dos equipamentos de proteção individual (EPls), precisamos hoje de defensores da saúde mental.”

Portanto, é fundamental pensar em quais são os EPis do bern-estar emocional. E as respostas para algumas destas perguntas podem ajudar a es ta bele cê -los : es ta mos s obrec a rr ega nd o alguns profissionais’? Existe, durante o expedie nte, urn in­ tervalo para as pessoas se recomporem, ou a agenda está tomada -por reuniões e de n1and as ‘? Os líderes costumam recompensar quem produz melhor, ou quen1produz mais? U1na empresa que coloca o foco no “quanto”, e não no “con10,”valoriza, reconhece e eslimula apenas a busca por resultados.

Quem dá o tom das condutas praticadas numa empresa são os líderes e a alta gestão. Se a relação deles com as equipes estiver desalinhada e não for baseada na confiança, comportamentos como a produtividade tóxica vão surgir. “A falta de empatia com o time e um relacionamento pautado apenas pelo comando e controle estimulam os excessos”, afirma Irene Azevedo, diretora de transição de carreira da consultoria LHH. Para ela, o preparo da liderança é essencial. “Os gestores precisam saber o impacto que causam na equipe”, diz.

PRODUTIVIDADE SUSTENTÁVEL

A jornalista lzabella Camargo, que já viveu um episódio grave de burnout, e entrevistou mais de 4.000 pessoas que também passaram por isso, defende a promoção da produtividade sustentável: a capacidade de trabalhar sem causar danos à saúde e aos relacionamentos. Significa não deixar o estresse e a falta de tempo desencadear comportamentos agressivos e outros desequilíbrios emocionais que tornam as relações mais difíceis. “A forma como muitas pessoas trabalham, sem descansar nem rever processos, é insustentável”, afirma Izabella.

Mas o combate a esse problema não pode ser apenas uma pauta da área de recursos humanos: precisa estar nas discussões estratégicas da companhia, com o CEO e o conselho endereçando o tema e inspirando equipes. “O RH é o propositor dessa discussão, mas o exemplo precisa vir de todos”, afirma Rafael Souto, da Produtive.

OS ANTÍDOTOS

Conheça as quatro práticas que combatem a produtividade tóxica

LÍDERES COMO EXEMPLO

“A liderança é responsável por definir o tom e os limites da empresa”, diz Anne Helen Petersen, autora do livro Não Aguento Mais Não Aguentar Mais (Harper Collins Brasil). Segundo ela, é essencial que a iniciativa de acabar com a produtividade tóxica venha da alta gestão e siga para os demais níveis. “Lideres que são bons exemplos e que enaltecem comportamentos saudáveis ajudam os funcionários a trabalhar de forma mais equilibrada”, diz Rafael Souto, presidente da Produtive. “Mas o que acontece, muitas vezes, é valorizar a atuação de quem trabalha 20 horas, não tira férias ou faz reuniões nos fins de semana”.

COMUNICAÇÃO TRANSPARENTE

Não adianta apenas ter bons projetos. É preciso saber comunicar e demonstrar, com transparência e simplicidade, em quais valores e comportamentos a empresa acredita. “O RH deve se questionar  se as pessoas, de fato, estão entendendo as ações da forma que a empresa  quer e espera”, diz Izabella Camargo, especialista em saúde mental. Alguns pontos podem ajudar nesse processo, como a elaboração de um guia de boas práticas e a criação de estratégias para que os funcionários não acessem equipamentos ou ambientes corporativos nos fins de semana e depois de determinado horário.

REVISÃO DE PROCESSOS

É preciso realizar uma revisão geral de processos para identificar desperdícios e sobrecargas. “Trata-se de entender quem está fazendo o que, quais são as demandas e entregas esperadas”, afirma Izabella.”De maneira geral, os líderes sabem quem está sobrecarregado”. Além disso, é importante fazer a gestão de talentos de forma estruturada , revisando cargos e demandas. “O RH precisa realizar um diagnóstico para descobrir se cada profissional ocupa o cargo certo, pois uma pessoa pode adoecer por estar na função errada”, diz.

PROGRAMAS ESTRUTURADOS

As ações da empresa precisam refletir sua cultura e os comportamentos que ela valoriza. “Não adianta apenas promover uma palestra, por exemplo, sem que os ensinamentos abordados estejam no dia a dia corporativo”, afirma Bianca Vilela, especialista em saúde no trabalho e autora de Respire: Sua Jornada Diária para Alcançar a Máxima Performance (Editora Bridge3). Ela recomenda criar programas estruturados de saúde que englobem ginástica funcional durante a jornada de trabalho, sistema de pausas, reuniões mais assertivas e com menor duração, inclusão de subsídio para atividade física e estímulo e orientação para uma alimentação saudável.

O PREÇO DOS EXCESSOS

O que a empresa pode perder ao incentivar – ou deixar de coibir – a produtividade tóxica

MENOS INOVAÇÃO

Quando as pessoas não têm momentos de pausa, a criatividade fica em segundo plano. Afinal, as novas ideias surgem quando há tempo para reflexão e troca entre as pessoas. Sem inovar, a empresa se torna burocrática e centrada no cumprimento de metas. É como se o negócio entrasse no piloto automático.

CLIMA PESADO

O trabalho em excesso deixa as pessoas nervosas, impacientes emais agressivas. Isso se reflete no clima organizacional e tem impacto na felicidade.

FOCO NO CURTO PRAZO

Sem tempo para pensar no futuro, a empresa começa a funcionar apenas para atender as demandas momentâneas e as urgências. Assim, até os processos de gestão de carreira, como o desenvolvimento de sucessores, ficam comprometidos, já que o líder não encontra tempo para preparar sua equipe. Isso pode prejudicar, inclusive, a competitividade da companhia.

FUGA DE TALENTOS

Com um ambiente ruim, os talentos começam a buscar outras alternativas de carreira, e a empresa perde a atratividade, prejudicando a marca empregadora. Ninguém quer trabalhar em um lugar que não valoriza a qualidade de vida.

MAIS AFASTAMENTOS

A produtividade sem limites gera transtornos como burnout, depressão e ansiedade crônica. Além de comprometer a saúde dos funcionários, os excessos trazem mais gastos à empresa.

Nos tópicos abaixo, entenda como quatro empresas – SAPBrasil, Fesa Group, Zé Delivery e LinkedIn – têm conseguido envolver os funcionários, do topo à base, nessa missão.

CULTURA DO BEM-ESTAR

 Criar um ambiente que ofereça segurança psicológica, para que os funcionários possam falar abertamente sobre temas como transtorno mental e bem-estar emocional, é o objetivo do programa Mental Health Matters, da multinacional SAP, que fornece softwares de gestão para empresas. A iniciativa, elaborada e coordenada pelas equipes de RH, diversidade e inclusão, marketing e comunicação, teve início em 2019 – e a unidade brasileira da companhia serviu de piloto. A campanha, que divulgou conteúdos para apoiar os colaboradores no cuidado com a saúde mental, ganhou ainda mais relevância com a pandemia. Segundo Fernanda Saraiva, diretora de recursos humanos da SAP Brasil, o programa foi aprimorado com a inclusão de palestras e workshops virtuais com especialistas, como psicólogos e psicanalistas. “Temos uma página na intranet dedicada à saúde mental, com questionários baseados em dados da Organização Mundial da Saúde para que as pessoas avaliem, por exemplo, seus níveis de estresse e de satisfação no trabalho”, diz Fernanda. Há, ainda, orientações e estímulo para que as equipes imponham seus limites, como horário livre para preparar o almoço ou necessidade de sair para um compromisso. A empresa também realiza pesquisas pontuais para entender como os funcionários se sentem, abrindo espaço, inclusive, para que apontem quais questões têm atrapalhado seu desempenho. “Alguns relataram o excesso de reuniões, outros disseram que a rotina estava pesada”, afirma Fernanda. As respostas deram origem a Iniciativas como o dia de folga no mês de abril para os mais de 100.000 profissionais da empresa no mundo.

ESCUTAR PARA MUDAR

Em março de 2020, quando a maioria das empresas adotou o home office por causa da pandemia, fazia apenas oito meses que Fernanda Azzi, diretora de RH e sócia da Fesa Group, estava na companhia especializada em recrutamento, seleção e gestão de profissionais. Para se familiarizar melhor com as pessoas e os processos, ela criou a rotina de ligar para cada um dos 100 funcionários para um bate-papo informal, com o objetivo de saber como estavam se adaptando à nova realidade. Essa escuta ativa se mostrou uma ferramenta eficiente para promover um ambiente mais saudável. “Eu perguntava sobre a família, os sentimentos, os pensamentos”, afirma Fernanda. “A ideia foi manter uma conexão com cada um deles e saber como a empresa poderia ajudar.” A partir das demandas levantadas, o RH criou uma série de ações. Uma delas foi oferecer um treinamento sobre gestão do tempo. “Percebemos que as pessoas estavam se sentindo culpadas por realizar atividades pessoais ao longo do dia. Uma das questões que surgiram foi: ‘Como parar para fazer o almoço se tenho tanto trabalho?’.” Por isso, a empresa organizou um curso sobre boas práticas, como evitar as horas extras e valorizar o lazer, e promoveu também rodas de conversa para debater o tema e compartilhar as dificuldades e os aprendizados. “Consegui identificar, por exemplo, quem era o colaborador que estava passando do horário e qual era o gestor que exigia demais. E observei que alguns líderes que trabalhavam à noite, por precisarem tocar outras questões pela manhã, estavam enviando mensagens aos funcionários no período noturno. Fui mapeando todos os casos e falei com cada profissional”, diz Fernanda, que acredita no poder da sensibilização da liderança para que a produtividade não se torne tóxica.

EMPATIA E CONFIANÇA

“Às vezes, a melhor coisa que você pode fazer pelo seu trabalho é descansar.” A frase é uma das várias proposições de um guia de trabalho criado pela Zé Delivery, empresa de entrega de bebidas, para ajudar os funcionários a atuar de forma saudável. “Queremos mostrar para nosso time qual é o jeito de trabalhar em que acreditamos, com autonomia, empatia e confiança”, diz Nara Zarino, gerente sênior de experiência do colaborador na empresa. Uma das iniciativas da companhia para favorecer a criação de um ambiente leve é não medir a produtividade pela quantidade de horas trabalhadas. “Focamos a qualidade das entregas, e não o cumprimento de uma grade de horários”, afirma. Por lá, os funcionários têm liberdade para organizar o dia da melhor maneira. Para isso, há a possibilidade de compartilhar a agenda com os demais, para que as pessoas respeitem os compromissos dos colegas. “Todos sabem, por exemplo, que em determinado horário alguém está fazendo ioga ou tem uma consulta médica. Há pessoas que registram até a hora de dar banho no filho”, diz Nara. A empresa conta, ainda, com o programa Zen Delivery, que dá direito a práticas online de ioga às terças e de mindfulness e de alongamento às quintas, além de quatro consultas por mês com um profissional de psicologia, 100% subsidiadas pela companhia. Quem enfrenta situações de luto ou crises de ansiedade ou depressão não precisa apresentar atestado para se ausentar do trabalho. “Um de nossos colaboradores perdeu dois parentes em um curto espaço de tempo e ficou três semanas afastado da empresa”, afirma Nara.

MAIS QUALIDADE, MENOS HORAS EXTRAS

Em abril de 2021, o LinkedIn deu uma semana de folga remunerada aos mais de 15.000 funcionários ao redor do mundo. A medida foi parte da estratégia da empresa para evitar problemas de saúde mental, como o burnout, entre as equipes e permitir que as pessoas se concentrassem no bem-estar. Com todos em descanso, a garantia de que ninguém seria “solicitado” por e-mail, chamadas ou mensagens deu à ação muito mais efetividade. “A produtividade está bem mais ligada ao aproveitamento do tempo e à qualidade das entregas do que às horas trabalhadas “, diz Alexandre Ullmann, diretor de recursos humanos do LinkedIn. “Ficar até tarde e estar disponível o tempo todo não significa, necessariamente, que o trabalho esteja sendo feito corretamente.” Segundo o executivo, a medida surtiu efeitos bastante positivos, e a companhia decidiu ir além, criando o Half-Day Fridays, programa que permite que todos os colaboradores, de qualquer país, trabalhem apenas meio período às sextas-feiras durante os meses de julho e agosto. “A jornada mais curta tem o intuito de promover uma oportunidade de relaxar, descansar e cuidar de si e dos outros”, explica Alexandre. Para o executivo, o RH precisa sempre ouvir os funcionários para entender quais são as necessidades e as dores deles. “Um ambiente saudável e produtivo deve ser baseado em uma cultura corporativa que acredite nesse modelo e que incentive os funcionários a não viver somente para o trabalho”, afirma Alexandre. A empresa realiza também o No Meeting Day, um dia por mês sem reuniões, e o Self-Car e Workshops & Resources, programa de workshops para os funcionários prevenirem o esgotamento, praticarem o autocuidado e promoverem conexões sociais.

EU ACHO …

ATERRISSANDO NOS 70

Encaro a chegada da idade com alegria: a hora de viver é agora

Pois é. Nos próximos dias vou fazer 70 anos. Lembro de quando tinha 12 e me falaram de alguém de 30. “Que velho!” – comentei. Agora, encaro os 70 com alegria. Não é uma idade difícil como sempre imaginei. Continuo com a vida animada – por vezes, animadíssima. Muita coisa muda, é verdade. Viajo com uma coleção de remédios. Tem o da tireoide, os de pressão, os para ansiedade. Tem os “e se precisar?”. Aspirina, antialérgico, para enjoo, flora intestinal. Finalmente, os para tomar antes e depois de beber, vitamina C para prevenir gripe e todo arsenal de skincare. (Não para rejuvenescer, mas para não despencar de vez.) Tudo isso pesa, e pesa, e pesa. A boa notícia é que aos 70 ainda consigo carregar a mala. Ah, sim, ainda tenho de beber 3 litros de água por dia, maneirar nas feijoadas, evitar torresmos. Pior: chamo personal trainer só para fugir depois.

Tenho vontade de chorar quando não tem elevador, porque meu joelho sofre. Já anunciei que não pretendo conhecer as pirâmides simplesmente porque elas não têm escada rolante. Adoro entrar na frente no avião, pegar toda e qualquer fila para idosos. Ainda prometo fazer regime todo aniversário, mas não cumpro, e, com esperança, chegarei aos 80 reclamando da barriga. Mas se eu for avaliar, as vantagens ganham.

Tenho experiência, consigo passar por situações difíceis, não me abalo por qualquer coisa. Leio muito, vejo televisão e, principalmente, escrevo e escrevo. Sem a vontade frenética de pegar uma balada, de sair para aproveitar a vida. Já aproveitei muito. Também, à medida que envelhecia, tive uma surpresa. Há um número imenso de pessoas que sentem atração por gente mais velha. Verdade que os jovens estão nas passarelas, na tela da TV. Nós estamos na imaginação.

Um segredo para uma velhice feliz? Trabalhar. No meu caso, sempre gostei de escrever, e continuo escrevendo. Mas também é a hora de cultivar hobbies, cozinhar para os amigos, morar longe, viver como sempre sonhou. Pescar, pintar e até montar uma dupla caipira. Por que não?

Há um filme francês da minha juventude, A Velha Dama Indigna (La Vieille Dame Indigne), de René Allio, baseado em um conto de Bertolt Brecht. Nele, a personagem central, após uma vida casada com o mesmo homem, bem certinha, fica viúva. E resolve viver como sempre quis. Atira as convenções burguesas para o alto. No lugar da velhinha triste que os netos esperavam, surge uma mulher plena, com vontade de se divertir. Eu não posso me tomar como exemplo, porque nunca fui tão convencional. Mas, para quem está chegando aos 70, ver o filme é uma inspiração. (É fácil de achar na internet).

Sempre me perguntam que conselho eu daria a mim mesmo jovenzinho. Respondo: “Seja teimoso”. Nunca me achei o mais talentoso de meus amigos que ambicionavam escrever. Meus primeiros textos eram horrorosos (tenho guardados, e nem quero ler). Mas fui o mais teimoso. Insisti e aprendi.

Garanto que eu serei mais teimoso que aos 20. Ainda há muita coisa boa para acontecer. Insista no que você sonha. O bom dos 70 é saber que a hora é agora.

*** WALCYR CARRASCO

ESTAR BEM

COMO AUMENTAR O FOCO E DIMINUIR O SONO DURANTE O DIA

Uso excessivo de estimulantes pode gerar o oposto do que seus consumidores buscam. Sono, dieta e atividade física são a resposta

Que atire o primeiro coador quem consegue começar o dia sem um cafezinho. Para alguns, puro prazer. Para outros, necessidade. Mas e quando a cafeína, presente na bebida não é suficiente para fornecer a energia necessária para provas finais ou de grandes projetos ao trabalho, por exemplo? Aí entram as doses exageradas dos shots de café, energéticos, e quem sabe até um nootrópico (substância que promete aumentar o desempenho cognitivo)? Apesar da boa sensação de dever cumprido ao momento, a longo prazo o excesso de cafeína – e tantos outros componentes – pode fazer mal.

”Quimicamente, a cafeína é muito parecida com a adenosina, que é a molécula que se liga aos receptores cerebrais ao longo do dia e faz com que nos sintamos cansados pela noite. Então a cafeína ‘engana’ o cérebro a pensar que não existe cansaço, suprimindo temporariamente a pressão do sono e fazendo com que a gente se sinta mais desperto”, explica a neuropsicóloga Malu Maia. ”O que acontece é que a adenosina continua a se acumular no corpo, então no dia seguinte desse excesso de cafeína, sentimos muito mais cansaço e, consequentemente, ingerimos ainda mais cafeína. Vira um ciclo”, alerta.

É preciso entender, antes de mais nada, o porquê de tanto cansaço. “Nosso corpo é um todo. Então se a gente não está funcionando bem, com um estilo de vida saudável, que é uma dieta equilibrada, sono de qualidade e prática de atividade física, não adianta ficar dando um monte de substância para fazer o corpo tentar funcionar. Você vai sobrecarregar o motor”, pontua a nutricionista esportiva Monique Gonçalves.

De acordo com os especialistas entrevistados, cada um vai ter um limite de cafeína no organismo, mas a base recomendada por pessoa é de 3 mg a 5 mg por quilo (abaixo dos 12  anos não é recomendado o consumo). Assim, uma pessoa de 50 kg, por exemplo, poderia consumir 250 mg de cafeína. Mas em 100g de um café expresso há, em média, 212 mg de cafeína. Além disso, com o tempo, o corpo adquire uma certa tolerância à substância, por isso uma xícara não é mais o suficiente. Ou seja, se antes ela o deixava desperto por uma hora, depois de alguns anos de consumo, deixará por 30, 40 minutos. “Nosso organismo se adapta, produzindo proteínas que quebram a cafeína mais rapidamente, e os receptores de adenosina em nosso cérebro se multiplicam, para regular nosso sono”, diz Malu.

PRODUTIVIDADE

O modo como operamos hoje em dia, com exigências de produtividade e multitarefas até nas atividades de prazer, faz com que a gente não dê tanta atenção ao nosso corpo. Escutá-lo, apesar de parecer utópico, pode ser a melhor decisão. “Está tudo conectado. Quanto maior o tempo de tela, maior o consumo de alimentos ultraprocessados e menor o consumo de frutas, verduras e legumes. Isso dá menos energia e tira a vontade de fazer atividade física, que libera vários hormônios do  prazer que diminuem a vontade de comer doce”, explica a nutricionista.

É importante lembrar que o cansaço de nosso cérebro não é, necessariamente, o que nós consideramos cansaço. Um estresse familiar ou uma pressão de demanda, pode gastar muito da nossa energia. “O excesso de cafeína a longo prazo, no fundo, afeta mais o emocional do que o neurológico. Existe a pressão por produtividade, por conclusões de tarefas, prazos, que fazem com que a gente não necessariamente foque ou seja produtivo naquilo, mas faça questão de tomar mais ‘anestesias’ que acreditamos que vão mudar isso”, informa Malu. Por isso, o descanso é tão fundamental.

ALTA VOLTAGEM

Investir em substâncias que ajudam a melhorar o sono talvez seja mais interessante do que se preocupar com as que estimulam. “O coração é comandado por hormônios que freiam (do sistema parassimpático) e aceleram o coração, os adrenérgicos. A  pessoa que está em constante atividade adrenérgica, movida por trabalho, estresse e estimulante, tende a não ter esse freio, fazendo com que o coração trabalhe sempre numa voltagem maior, o que vai implicar um sono ruim. E isso tende a levar à pressão alta, arritmia, palpitações. A gente precisa do freio”, explica o cardiologista Daniel Petlik.”Tenha uma boa noite para ter um bom dia e tenha um bom dia para ter uma boa noite.”

PRÓS E CONTRAS DO USO DE ESTIMULANTES PARA O FOCO

CAFÉ

O queridinho de todos já era meu queridinho também. Diferentemente dos outros suplementos, ele costuma envolver um ritual, como conversar com os amigos, por exemplo. “Pode ser que esse descanso que damos para o cérebro seja o que dá energia, e não necessariamente a quantidade de cafeína ingerida”, diz a neuropsicóloga Malu Maia.

PÓ DE GUARANÁ

Por vir de uma planta e ser algo natural, ele tem menos probabilidade de causar efeitos colaterais. No entanto, a ingestão em altas doses por longos períodos pode causar insônia, irritabilidade e inquietação. O ideal é tomar pela manhã, pois a concentração de cafeína que ele tem pode ser até quatro vezes maior do que a presente no café.

ENERGÉTICO

“O energético é uma bebida ultraprocessada que, por si só, é nociva à saúde. O que pode levar a consequências cardiológicas é o conjunto da obra, não é algo imediato”, reforça o cardiologista Daniel Petlik. ”Você passa a tomar uma quantidade maior e aí pode aumentar sua pressão arterial, desencadear arritmias, palpitações, irritabilidade, gastrite e outros problemas”.

BLEND ENERGÉTICO

Seu cheiro de chocolate realmente foi um atrativo a mais. Senti que me deu muita energia para o exercício, mas não tanto para o trabalho. “A cafeína foi desenvolvida para atletas, para o treino. Não dá para você ficar 12 horas na frente de uma tela e depois maratonar uma série”, brinca a nutricionista Monique Gonçalves.

SUPLEMENTO ALIMENTAR

Nem sempre o que está descrito nos ingredientes é o correto, pois é preciso saber se esses produtos são realmente testados por uma agência reguladora. Normalmente, existe uma idade mínima e recomendação de uso para que o valor diário das substâncias não seja ultrapassado. Talvez a adrenalina de tomar algo tão diferente tenha me motivado bastante na hora, mas o efeito durou pouco.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PROCRIAR OU NÃO EM UM MUNDO TÃO CONTURBADO?

Em um planeta pós-pandêmico e em crise climática, casais começam a repensar se vão ter filhos ou se postergam a decisão

Antes de se casar com o marido, Kiersten Litlle o considerava um pai ideal. “Sempre tivemos aquela mentalidade de que teríamos filhos de pois de nos casar”, disse ela. – É o esperado.

Esperado até o casal fazer uma viagem de oito meses pelos Estados Unidos.

”Quando dirigimos pelo oeste (Califórnia,Oregon, Washington e Idaho), passamospor áreas onde toda a floresta está morta e as árvores derribadas. No sul da Louisiana, que foi atingida por dois furacões no ano passado, cidades inteiras foram arrasadas, com enormes árvores arrancadas pelas raízes”, ela recorda.

Agora, aos 30 anos de idade e casada, Litlle sente “o peso da consciência”. O casal acompanha o crescente caos ao ler os últimos relatórios sobre as mudanças climáticas e fóruns sobre o gelo do Ártico. A ansiedade por ter filhos se instalou.

“No ano passado, pensei: “Meu Deus, tenho que tomar uma decisão, não tenho mais tanto tempo”. Mas não sei como poderia mudar de ideia. Nos próximos 10 anos, sinto que só haverá mais razões para não querer ter um filho, e não o contrário”, disse ela.

PEGADAS DE CARBONO

Esses temores não são necessariamente infundados. Todo novo ser humano vem com uma pegada de carbono. Em uma nota aos investidores no verão passado, os analistas do banco Morgan Stanley concluíram que o movimento para não ter filhos devido aos temores sobre as mudanças climáticas está crescendo e afetando as taxas de fertilidade mais rapidamente do que qualquer tendência anterior no campo do declínio da fertilidade”.

No entanto, há muito debate sobre a ideia de que ter menos filhos é a melhor maneira de resolver o problema. Em uma entrevista à Vox, em abril Kimberly Nicholas, cientista do clima e coautora de um estudo de 2017 sobre as mudanças mais eficientes no estilo de vida para reduzir o impacto no climático disse que a redução da população não é a resposta.

“É verdade que mais pessoas consumirão mais recursos e causarão mais emissões de gases do efeito estufa. Mas agora não é o momento mais relevante para estabilizar o clima de fato, visto que temos esta década para cortar as emissões pela metade”, explica Nicholas.

Mesmo assim, a preocupação parece estar ganhando forças. Entre os adultos sem filhos nos EUA pesquisados pela Morning Consult no ano passado, um em cada quatro citou a mudança climática como um fator que explica porque não tem filhos no momento.

Outra  pesquisa feita em 2018 pela mesma consultoria para o New York Times descobriu que, entre os jovens adultos nos EUA que disseram ter ou esperavam ter menos filhos do que o número que consideravam ideal, 33% listaram as mudanças climáticas e 27% indicavam o crescimento populacional como uma preocupação.

Embora as questões econômicas permaneçam primordiais, com 64% citando o alto custo dos cuidados infantis, 37% apontaram a instabilidade global e 36%, a política doméstica. Para alguns, esses problemas estão todos juntos. Em 2020, a taxa de natalidade americana caiu pelo sexto ano consecutivo, uma queda de 4% que se acredita ter sido acelerada pela pandemia.

O trauma de quase dois anos de coronavírus também fez alguns pais em perspectiva hesitarem. Para Marguerite Middaugh, uma advogada de 41 anos de San Diego, na Califórnia, a pandemia, juntamente com a devastação relacionada ao clima a levou a adiar os tratamentos de fertilidade para o primeiro filho.

“Ver as pessoas não se vacinando, não cuidando de sua comunidade… Isso realmente me fez pensar se eu quero trazer uma criança a este mundo”, afirmou.

AMEAÇAS EXISTENCIAIS

Enquanto os custos de moradia cresceu exponencialmente e os encargos das dívidas da faculdade influenciam, o planejamento familiar de muitos, as ameaças existenciais também fazem parte do cálculo da procriação.

Um aumento do extremismo político, dentro e fora do país. Uma pandemia que matou mais de cinco milhões de pessoas, inundações que destruíram cidades da Europa Ocidental. Incêndios florestais na costa oeste que crescem em escala cada vez mais inimaginável a cada verão.

Diante de notícias tão alarmantes, alguns futuros país se perguntam: quão prejudicial pode ser trazer uma criança para este ambiente (literal e figurativo)?

Para Jenna Ross, uma ceramista de 36 anos que vive no Canadá, a decisão de não ter filhos em um mundo ameaçado pelas mudanças climáticas vem de um instinto protetor.

Poupar meu filho hipoteticamente ainda não nascido de um futuro inóspito me consola. Dessa forma, minha escolha parece um ato de amor.

Essas visões nem sempre cruzam as fronteiras geográficas, políticas ou de classes social – principalmente porque na arena política, a mudança climática é frequentemente pintada como uma questão partidária, e não cientifica.

Na pesquisa de 2018 do New York Times, as pessoas que citaram a mudança climática como motivo para terem menos filhos tinham uma probabilidade significativamente maior de ter ensino superior e de serem democratas, e, muitas vezes, eram brancas, não religiosas e com altos salários.

MAIS PESSOAS NO MUNDO?

Apesar de tudo, essas questões estão se infiltrando no diálogo cultural de uma maneira que lembra o movimento “ecológico” da era hippie quando “The population bomb” (semtradução pra o português), o best-seller sísmico de 1968 do biólogo Paul Ehrlich, da Universidade Stanford, previu um planeta estéril e exausto, onde centenas de milhões morreriam de fome durante os anos 1970.

O senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez abordaram a questão nos últimos anos. Ocasio ­ Cortez chegou a afirmar haver ”um consenso científico de que a vida das crianças vai ser muito difícil”, em uma live no Instagram em 2019, na qual questionou ainda: “Os jovens têm uma pergunta legítima: é certo ainda ter filhos?

Celebridades também levantaram a questão.

“Até eu saber que meu filho viverá em uma Terra com peixes na água não vou botar no  mundo outra pessoa para lidar com esse problema”, declarou Miley Cyrus à revista Elle há dois anos.

Em uma entrevista com Howard Stern em maio, o ator Seth Roger dividiu a decisão que tomou com a mulher de não ter filhos:

“Há crianças suficientes por aí. Precisamos de mais pessoas?

Escritores como Paul Krugman, colunista do New York Times, e Katha Pellitt, poeta ensaísta, também entraram na conversa recentemente.

”O mundo precisa de mais pessoas? perguntou Pollilt em um ensaio em junho passado. “Não se você perguntar às geleiras, às florestas tropicais, ao ar ou às mais de 37,4 mil espécies à beira da extinção graças a expansão implacável dos seres humanos em cada canto e fissura de nosso planeta superaquecido.”

Os medos do fim do mundo dificilmente são a única razão pela qual alguns optam pelo estilo de vida sem crianças.

“Fui criada em uma família que não tentou me condicionar como uma futura mamãe”, disse a cantora e compositora francesa Lili Roquelin, de 41 anos.

Mesmo assim, ela disse que as mulheres que optam por não se reproduzir muitas vezes enfrentam intensa pressão social de todos os lados:

“Ao longo dos anos, fui considerada desumana ou sem amor. Mas tenho muito mais coisas para explorar, que não envolvem criar outros seres humanos em um planeta sem recursos”.

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