ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 17: 6-11

Pensando biblicamente

VERDADES COMUNS

 

V. 6 – Eles são assim, isto é, deveriam ser assim; e, caso se comportem com dignidade, o serão.

1. É uma honra para os pais, quando já estão velhos, deixar filhos, e ver os filhos de seus filhos crescendo, seguindo os passos de suas virtudes, e tendo a possibilidade de manter e promover a reputação de suas famílias. É uma honra para um homem viver o suficiente para ver os filhos de seus filhos (Salmos 128.6; Genesis 50.23), ver a sua casa edificada neles, e vê-los com possibilidades de servir à sua geração, de acordo com a vontade de Deus. Isto coroa e completa a sua consolação neste mundo.

2. É uma honra para os filhos terem pais sábios e tementes a Deus, e vê-los continuar assim, mesmo depois que eles mesmos envelheceram e se estabeleceram no mundo. São filhos não naturais os que consideram seus pais idosos um fardo, e pensam que eles já viveram de­ mais; ao passo que, se os filhos forem sábios e bons, será uma grande honra para eles o fato de serem consolações para seus pais, nos dias desagradáveis de sua velhice.

 

V. 7 – Duas coisas aqui são descritas como muito absurdas:

1. O fato de que homens de nenhuma reputação sejam ditadores. O que pode ser mais inconveniente para os tolos, que são conhecidos por ter pouco senso e discernimento, do que ter pretensões de algo que está acima deles, e para o que eles não foram talhados? Um tolo, nos provérbios de Salomão, significa um homem ímpio, a quem não convêm palavras excelentes, porque o seu modo de vida desmente as suas excelentes palavras. Que direito têm de recitar os estatutos de Deus as pessoas que odeiam a instrução? (Salmos 50.16). Cristo não permitiu que os espíritos impuros dissessem que sabiam que ele era o Filho de Deus. Veja Atos 16.17,18.

2. O fato de que homens de grande reputação sejam enganadores. Se não é apropriado que um homem desprezível se atreva a falar como um filósofo ou político, e ninguém lhe dê ouvidos, por preconceitos quanto ao seu caráter, muito menos apropriado é que um príncipe, um homem honrado, se aproveite da sua posição e da confiança depositada nele, e aja como hipócrita e não se incomode em infringir a sua palavra. A mentira é inapropriada a qualquer homem, porém ainda menos para um príncipe. A política moderna é tão corrupta que insinua que os príncipes não devem ser escravos de suas palavras, não além do que é de seu interesse, e Aquele que não sabe dissimular não sabe como reinar.

 

V. 8 – O desígnio desta observação é mostrar:

1. Que muitos que têm dinheiro em suas mãos pensam que podem fazer qualquer coisa com ele. Os ricos valorizam um pouco de dinheiro como se fosse uma pedra preciosa, e se valorizam com relação a ele, como se ele não lhes desse somente ornamento, mas poder, e todos tivessem que estar à sua disposição, até mesmo a própria justiça. Para onde quer que dirijam este reluzente diamante, esperam que ele ofusque os olhos de todos e faça com eles exatamente o que eles desejam que façam. Pague o alto preço, e poderá ter o que deseja.

2. Que os que têm dinheiro diante dos olhos e seus corações voltados a ele, farão qualquer coisa para consegui-lo: pedra preciosa é o presente aos olhos dos que o recebem; tem uma grande influência sobre ele, e ele se certificará de seguir pelo caminho pelo qual o suborno o conduzir, ainda que seja contrário à justiça e incoerente consigo mesmo.

 

V. 9 – Observe:

1. A maneira de preservar a paz com os parentes e amigos é aproveitar ao máximo todas as coisas, não dizer aos outros o que foi dito ou feito contra eles, quando isto não for indispensável para a sua segurança, nem prestar atenção ao que foi dito ou feito contra nós mesmos, mas desculpar todas estas coisas, e atribuir-lhes a melhor interpretação possível. Foi um descuido; por isto, ignore-o. Foi feito por negligência; por isto, negligencie. Talvez isto tenha sido um desprezo; então, também despreze isto.

2. O relembrar dos erros destrói o amor, e nada é mais propenso a separar os amigos e fazer com que divirjam do que a repetição de coisas que causaram divergência; pois normalmente não se perde nada com a repetição, mas pelo contrário, as próprias coisas são agravadas, e as paixões são revividas e exasperadas. Um dos melhores métodos de se obter a paz é por meio da anistia ou do esquecimento.

 

V. 10 – Observe:

1. Uma palavra é suficiente para o sábio. Uma repreensão amável penetrará não somente na cabeça, mas também no coração de um homem sábio, de modo a exercer uma forte influência sobre ele; pois, se apenas uma pista for dada à sua consciência, ela prosseguirá e tirará as suas próprias conclusões.

2. Açoites não são suficientes para um tolo, para fazer com que ele se dê conta dos seus erros, para que possa se arrepender deles e ter mais cautela no futuro. Aquele que é embotado e obstinado muito raramente será beneficiado pela severidade. Davi é abrandado com a expressão, “Tu és este homem”; mas o Faraó continua obstinado, mesmo sob todas as pragas do Egito.

 

V11 – Aqui estão o pecado e a punição de um homem ímpio.

1. O seu pecado. É verdadeiramente um homem ímpio aquele que busca todas as oportunidades para se rebelar contra Deus e sobre o controle que Deus estabeleceu sobre ele, e contradizer e discutir com todos os que estão à sua volta. Ele procura contendas (segundo alguns). Há alguns que agem com um espírito de oposição, que irão contradizer puramente para contradizer, que prosseguirão obstinados em seus caminhos ímpios, apesar de todas as restrições e tentativas de controle. Um homem rebelde busca o mal, observa todas as oportunidades para perturbar a paz pública.

2. A sua punição. Como ele não poderá ser recuperado por meio de métodos mansos e gentis, um mensageiro cruel se enviará contra ele, um ou outro juízo terrível, como um mensageiro de Deus. Os anjos, os mensageiros de Deus, serão empregados como ministros da sua justiça contra ele (Salmos 78.49). Satanás, o anjo da morte, será liberado sobre ele, e também os mensageiros de Satanás. O seu príncipe enviará um sargento para prendê-lo, um executor para destruí-lo. Aquele que luta contra tudo terá a espada à sua espera.

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PROVÉRBIOS 17: 1 – 5

Pensando biblicamente

A FALSIDADE E A OPRESSÃO SÃO REPROVADAS

 

V1 – Estas palavras recomendam o amor familiar e a paz, corno conduzindo para a consolação da vida humana.

1. Os que vivem em união e tranquilidade, não somente livres de ciúmes e animosidades, mas competindo em atos mútuos de ternura e gentileza uns para com os outros, vivem de maneira muito confortável, ainda que sejam humilde s no mundo, trabalhem arduamente e ganhem pouco, ainda que tenham apenas um pouco de comida para cada um, um bocado seco. Pode haver paz e quietude onde não há três refeições por dia, desde que haja uma satisfação comum na providência de Deus e uma mútua satisfação na prudência, uns dos outros. O santo amor pode ser encontrado em uma cabana.

2. Os que vivem em contendas, que estão sempre vociferando e discutindo, e criticando, uns aos outros, ainda que tenham abundância de manjares, uma casa cheia de sacrifícios, vivem desconfortavelmente; eles não podem esperar a bênção de Deus sobre eles e sobre o que têm, nem podem ter qualquer verdadeiro prazer em suas realizações, e muito menos paz em suas próprias consciências. O amor dará um doce sabor a um bocado seco, mas a contenda tornará amarga uma casa cheia de sacrifícios. Um pouco da levedura da maldade azeda todos os prazeres.

 

V. 2 – Observe:

1. O verdadeiro merecimento não se baseia na dignidade. Todos concordam que, na família, o filho é mais louvável do que o servo (João 8.35), porém, às vezes, acontece que o servo é sábio, e é uma bênção e uma honra para a família, quando o filho é um tolo, e um fardo e uma vergonha para a família. O damasceno Eliezer; embora Abrão não pudesse suportar a ideia de que ele fosse seu herdeiro, foi um esteio para a família, quando obteve uma esposa para Isaque, ao passo que Ismael, um filho, foi uma vergonha para a família, quando escarneceu de Isaque.

2. A verdadeira dignidade se baseia no merecimento. Se um servo for sábio, e administrar bem as coisas, merecerá ainda mais confiança. e não somente governará com o filho, mas governará acima de um filho que causa vergonha; pois Deus e a natureza designaram que o tolo seja servo do sábio de coração. Na verdade, um servo prudente pode, talvez. vir a achar tal graça aos olhos de seu senhor, a ponto de ser aceito para receber uma quota dos bens, como um filho, e ter parte da herança, como os irmãos.

 

V. 3 – Observe:

1. Os corações dos filhos dos homens estão sujeitos, não somente aos olhos de Deus, mas ao seu juízo; O crisol é para a prata, tanto para testá-la como para aprimorá-la; mas o Senhor prova os corações; Ele sonda para ver se estão bem ou não. e estes são os que Ele refina e purifica (Jeremias 17.10). Deus prova os corações pela aflição (Salmos 66.10.11), e frequentemente escolhe o seu povo naquela fornalha (Isaias 48.10); Ele sabe como purificá-los da melhor maneira possível.

2. É somente Deus que prova os corações. Os homens podem provar sua prata e seu ouro, com o crisol e a fornalha, mas eles não têm como provar os corações. uns dos outros; somente Deus faz isto, Deus, que é, ao mesmo tempo, o que sonda o coração e o seu soberano.

 

V4 – Observe:

1. Os que têm desígnios de fazer o mal se sustentam com falsidades e mentiras: o malfazejo atenta, com grande prazer, para o lábio iníquo, que o justificará no mal que ele praticar, como aqueles que desejam promover desordens públicas, que esperam ambiciosa­ mente as calúnias e as mentiras, que difamam o governo e a administração.

2. Os que tomam a liberdade de dizer mentiras têm prazer em ouvir mentiras: “O mentiroso inclina os ouvidos para a língua maligna”, para que possa ter algo onde enxertar suas mentiras, e com que dar-lhes algum aspecto de verdade, fundamentando-as. Os pecadores fortalecerão as mãos, uns dos outros. Aqueles que têm prazer em conhecer os iníquos, e que precisam do auxílio deles, demonstram que são realmente ímpios.

 

V. 5 – Veja aqui:

1. O grande pecado de que são culpados os que humilham os pobres, que ridicularizam suas necessidades e a simplicidade de seu modo de viver, que os censuram por sua pobreza, e se aproveitam de suas fraquezas para maltratá-los e ofendê-los. Eles insultam o seu Criador, e o desprezam e afrontam, a Ele, que designou os pobres à condição em que se encontram, e os reconhece, e toma conta deles, e pode, quando assim o desejar, reduzir qualquer pessoa a esta condição. Que aqueles que assim insultam o seu Criador saibam que terão que responder por isto (Mateus 25.40, 41; Provérbios 14.31).

2. O grande perigo que correm, de cair em dificuldades, os que se alegram por ver e ouvir os problemas dos outros: que aquele que se alegra com as calamidades – para que possa ser edificado sobre as ruínas dos outros e se satisfaça com os juízos de Deus, quando forem liberados – saiba que não ficará impune; o cálice será posto na sua mão (Ezequiel 25.6,7).

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PROVÉRBIOS 16: 31 – 33

Pensando biblicamente

A SOBERANIA DA PROVIDÊNCIA DIVINA

 

V. 31 – Observe:

1. As pessoas mais velhas devem ter, como maior preocupação, ser encontradas no caminho da justiça, no caminho da religião e da piedade séria. Tanto Deus como o homem as procurarão nesse caminho; espera-se que os que são mais velhos sejam bons, que a multidão de seus anos tenha lhes ensinado a melhor sabedoria; portanto, devem ser encontrados nesse caminho. A morte virá; o Juiz se aproxima; o Senhor é chegado. Para que sejam por Ele encontrados em paz, devem ser encontrados no caminho da justiça (2 Pedro 3.4), servindo assim (Mateus 24.46). Que os idosos sejam velhos discípulos; que perseverem até o fim no caminho da justiça, no qual começaram a andar há muito tempo, para que possam, então, ser encontrados nele.

2. Se as pessoas mais velhas forem encontradas no caminho da justiça, a sua idade será a sua honra. A velhice, desta maneira, é honrosa, e exige respeito (Diante das cãs te levantarás, Levítico 19.32); mas, se for encontrada no caminho da iniquidade, a sua honra será perdida, a sua coroa, profanada, e atirada ao chão (Isaias 65.20). As pessoas mais velhas, portanto, se desejarem preservar a sua honra, devem ainda se apegar à sua integridade, e então os seus cabelos brancos serão, realmente, uma coroa para elas; elas são merecedora s de dupla honra. A graça é a glória da velhice.

 

V. 32 – Isto nos recomenda a graça da mansidão, da longanimidade, que bem nos convirá, a todos, particularmente às cabeças grisalhas (v. 31). Observe:

1. A sua natureza. Ela é tardia em irar-se, não se inflama facilmente, não se ressente de provocações, dedica algum tempo para considerar antes de permitir que a nossa paixão irrompa, para que não transgridamos os limites devidos, ela nos leva a ser tão lentos em nossos movimentos rumo à ira, de modo que possamos facilmente ser interrompidos e apaziguados. Ela nos capacita a ter o domínio sobre os nossos próprios espíritos, nossos apetites e sentimentos, e todas as nossas tendências, mas particularmente as nossas paixões, a nossa ira, conservando-a sob orientação e controle, e a administração rígida da religião e da razão justa. Devemos ser senhores da nossa ira, como Deus é.

2. A sua honra. Aquele que obtém e conserva o controle de suas paixões é melhor do que o valente, melhor do que aquele que depois de um longo cerco conquista uma cidade, ou depois de uma longa guerra subjuga uma cidade. Aqui está alguém melhor do que Alexandre ou César. A conquista de nós mesmos e das nossas paixões desenfreadas exige a sabedoria verdadeira, e um controle mais firme, constante e regular, do que a conquista de uma vitória sobre os exércitos de um inimigo. Uma conquista racional é mais honrosa para uma criatura racional do que uma conquista brutal. É uma vitória que não traz nenhum dano a ninguém; não sacrifica vidas nem tesouros, mas apenas alguns desejos vis. É mais difícil; portanto, mais glorioso, reprimir uma insurreição em casa, do que resistir a uma invasão de fora; na verdade, os ganhos da mansidão e da longanimidade são tais que, por elas, nós somos mais do que vencedores.

 

V. 33 – Observe:

1. A divina Providência ordena e designa aquelas coisas que, para nós, são perfeitamente casuais e fortuitas. Nada acontece por acaso, nem um só evento é determinado por um destino cego, mas tudo acontece pela vontade e conselho de Deus. Deus está intimamente envolvido naquilo de que o homem não participa.

2. Quando são feitos apelos solenes à Providência, pelo lançar de sortes, para decidir aquele problema do momento que não poderia ser decidido de outra maneira, nem tão bem decidido, Deus deve ser buscado em oração, para que o resultado seja apropriado (A sorte perfeita, 1 Samuel 14.41; Atos 1.24); e, uma vez decidido o assunto, devemos aquiescer satisfeitos com o fato de que a mão de Deus estava nele. e que esta mão o orientou, pela sabedoria infinita. Todas as disposições da Providência a respeito dos nossos assuntos devem ser consideradas como sendo a decisão da nossa sorte, a determinação do que entregamos a Deus, e devem ser apropriadamente conciliadas.

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PROVÉRBIOS 16: 25 – 30

Pensando biblicamente

A MALÍCIA E A INVEJA

 

V. 25 – Nós já lemos isto antes (Provérbios 14.12), mas aqui é repetido, como algo que é muito necessário que consideremos:

1. Como advertência para que todos nós evitemos nos enganar com as grandes preocupações das nossas almas, apoiando-nos no que pareça correto e justo, e não no que realmente seja correto e justo; e também para evitar que enganemos a nós mesmos, para que sejamos imparciais ao examinarmos a nós mesmos, e que conservemos um zelo por nós mesmos.

2. Como terror, para aqueles cujo caminho não é justo, que não é como deveria ser, independentemente do que possa parecer para eles mesmos ou para os outros; o seu fim certamente será a morte; para isto, há uma tendência direta e assegurada.

 

V. 26 – Este versículo pretende nos engajar na diligência, e nos estimular a fazer, com todas as nossas forças, o que a nossa mão encontrar para fazer, tanto nas nossas atividades terrenas como na obra da religião; pois, no original, o texto diz: A alma que trabalha, trabalha para si mesma. O trabalho aqui mencionado é o trabalho sincero. É o trabalho da alma que é aqui recomendado a nós:

1. Como o que será absolutamente necessário. A nossa boca nos instiga continuamente; as necessidades, tanto da alma como do corpo, são insistentes, e requerem constante alívio, de modo que precisamos trabalhar ou morrer de fome. Ambas requerem o pão diário; portanto, deve haver trabalho diário; pois no suor do nosso rosto, devemos comer (2 Tessalonicenses 3.10).

2. Como o que será indescritivelmente benéfico. Nós sabemos quem será beneficiado pelo trabalho que realizamos: aquele que trabalha colherá os frutos do seu trabalho; será para ele mesmo; ele se alegrará com o seu próprio trabalho e comerá o trabalho das suas mãos. Se fizermos da religião o nosso trabalho, Deus fará dela a nossa bem-aventurança.

 

V. 27 e 28 – Há aqueles que não somente são odiosos, mas rancorosos e perversos com os outros, e estes são os piores homens; dois tipos destes homens são descritos aqui:

1. Os que invejam a um homem a honra do seu bom nome, e fazem tudo o que podem para miná-la, com calúnias e deturpações: eles cavam o mal; eles se esforçam para descobrir uma ou outra coisa sobre a qual fundamentar uma calúnia, ou algo que possa ser distorcido. Se não houver nada aparentemente, ao invés de se abster de fazer o mal, eles cavarão, em busca dele, mergulhando no que é secreto ou examinando o passado, ou ainda usando de suspeitas e conjeturas malévolas, e deduções forçadas. Nos lábios de um caluniador e maledicente, há um fogo, não somente para manchar a reputação do próximo, mas um fogo ardente, para destruí-la. E que grande destruição causa um pouco deste fogo, e com que dificuldade é extinto! (Tiago 3.5,6).

2. Os que invejam a um homem a consolação da sua amizade, e fazem tudo o que podem para rompê-la, sugerindo, aos dois lados, aquilo que os fará divergir; embora tenham um relacionamento íntimo e antigo – eles no mínimo esfriarão os sentimentos existentes dos dois lados, e os afastarão. O homem rebelde, que não consegue encontrar no seu coração amor por ninguém senão por si mesmo, se incomoda por ver que outros vivem em amor, e por isto se dedica a semear contendas, fazendo descrições vis dos homens, dizendo mentiras, e transmitindo estórias mal intencionadas entre grandes amigos, de modo a separá-los, um do outro, e fazer com que se irem, um com o outro, ou pelo menos, suspeitem, um do outro. São homens maus, e mulheres más também, os que realizam estas coisas perversas; eles estão realizando a obra do diabo, e dele também virão os seus salários.

 

V. 29 e 30 – Aqui, outros tipos de homens iníquos nos são descritos, para que não gostemos deles, nem tenhamos algo a ver com eles.

1. Os que (como Satanás), cometem todo tipo de engano que puderem, por meio da força e da violência, como leões ruidosos, e não somente por meio de fraudes e insinuações, como sutis serpentes; são homens violentos, que fazem tudo por meio de roubo e opressão, são homens que fecham seus olhos, meditando, com a maior atenção e dedicação, para planejar perversidades, para imaginar como poderão causar o maior dano ao seu próximo, e como poderão realizá-lo eficazmente e asseguradamente; e então, movendo seus lábios, dando a palavra de ordem aos seus agentes, causam o mal, efetuam a maldade planejada, mordendo seus lábios (assim alguns interpretam) com irritação. Quando o ímpio planeja contra o justo, range seus dentes sobre ele.

2. Os que (ainda como Satanás) fazem tudo o que podem para seduzir e atrair os outros, para que se unam a eles, na execução de perversidades, conduzindo-os por um caminho que não é bom, que não é honesto, nem honroso, nem seguro, mas ofensivo a Deus, e que será, no final, pernicioso para o pecador. Assim, o diabo planeja destruir alguns neste mundo, conduzindo-os a dificuldades, e outros, no outro mundo, levando-os ao pecado.

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PROVÉRBIOS 16: 20 – 24

Pensando biblicamente

OS BENEFÍCIOS DA SABEDORIA

 

V. 20 – Observe:

1. A prudência conquista respeito e sucesso para os homens: o que lida com sabedoria com uma questão (que é senhor da sua profissão e mostra que entende daquilo que empreende, que é atencioso em seus negócios, e, quando fala ou escreve sobre qualquer assunto, o faz de maneira pertinente), achará o bem, terá uma boa reputação; será alguém diligente.

2. Mas é apenas a piedade que garantirá a verdadeira felicidade aos homens: Os que lidam prudentemente com uma questão, se forem soberbos e se apoiarem no seu próprio entendimento, ainda que possam encontrar algum bem, não terão uma grande satisfação nisto, mas aquele que confia no Senhor, e não na sua própria sabedoria, é bem-aventurado, e será bem sucedido no final. Alguns entendem que a primeira parte do versículo se refere à piedade, que é, na verdade, a verdadeira sabedoria: o que atenta prudentemente para a palavra (a Palavra de Deus, Provérbios 13.13) achará o bem, nela, e por ela. E o que confia no Senhor, na sua palavra, à qual obedece, será bem-aventurado.

 

V. 21 – Observe:

1. Aqueles que têm a sabedoria genuína terão credibilidade, isto lhes conquistará prestígio, e eles serão considerados homens prudentes e sérios, e haverá deferência para com o seu juízo. Faça o que for sábio e bom, e terás louvor por isto.

2. Os que, com sua sabedoria, têm uma firme elocução, que transmitem seus sentimentos com facilidade e graça, transmitem a sua sabedoria, e têm palavras à vontade – e o bom linguajar, bem como o bom senso, aumenta o ensino; eles difundem e propagam o conhecimento aos outros, e realizam uma boa obra com isto, e desta maneira, aumentam o seu próprio conhecimento. Eles acrescentam doutrinas, aprimoram conhecimentos, e prestam serviço à comunidade do ensino. A qualquer que tiver, e usar o que tem, ser-lhe-á dado.

 

V. 22 – Observe:

1. Sempre há algum bem a ser obtido de um homem sábio e bom: O seu entendimento é uma fonte de vida, que sempre jorra, e nunca se esgota; ele tem algo a dizer, sobre todas as situações, que é instrutivo, e útil para os que farão uso do fruto de seu entendimento; ele extrai coisas novas e velhas do seu tesouro; no mínimo, o seu entendimento é uma fonte de vida para ele mesmo, dando-lhe abundante satisfação; nos seus pensamentos, ele satisfaz e edifica a si mesmo, senão a outros.

2. Não há nada de bom a ser obtido de um tolo. Até mesmo a sua instrução, os seus discursos preparados e solenes, são apenas estultícia, como ele mesmo que é tolo, e tende a fazer com que os outros sejam como ele. Quando ele faz o melhor de si, é apenas tolice, em comparação até mesmo com as palavras comuns de um homem sábio, que fala melhor à mesa do que um tolo na cadeira de Moisés.

 

V. 23 – Salomão tinha elogiado a eloquência, ou a doçura dos lábios (v. 21), e parecia preferi-la à sabedoria; mas aqui, ele se corrige, por assim dizer, e mostra que, a menos que haja um bom tesouro interior que apoie a eloquência, ela vale muito pouco. A sabedoria no coração é a questão principal.

1. É ela que nos orienta a falar, que ensina a boca sobre o que falar, e quando, e como, de modo que o que é dito possa ser apropriado, pertinente, e oportuno; não fosse assim, ainda que o linguajar seja muito elegante, seria melhor que nada fosse dito.

2. São a força de raciocínio e de argumentação que respaldam o que falamos, e acrescentam ensino às nossas palavras; sem ambos, ainda que algo seja expresso com boas palavras, será rejeitado, como algo insignificante. As expressões estranhas e singulares agradam os ouvidos e satisfazem os caprichos, mas é a doutrina nos lábios que deve convencer o juízo, e dominá-lo, e para isto a sabedoria no coração é necessária.

 

V. 24 – As palavras suaves aqui elogiadas são as que o coração do sábio ensina, e às quais acrescenta doutrina (v. 23), palavras de conselho oportuno, instrução e consolação, palavras extraídas da Palavra de Deus, pois era isto que Salomão tinha aprendido, com seu pai, a considerar mais doce do que o mel e o favo de mel (Salmos 19.10). Estas palavras, para aqueles que sabem como saboreá-las:

1. São doces. São como o favo de mel, doces para a alma, que prova nelas que o Senhor é piedoso e misericordioso; nada é mais gratificante e agradável para o novo homem do que a Palavra de Deus, e as palavras que são tomadas emprestadas dela (Salmos 119.103).

2. São saúde. Há muitas coisas agradáveis que não são benéficas, mas estas palavras agradáveis são saúde para os ossos, para o homem interior, e também são doces para a alma. Elas fazem com que se alegrem os ossos que o pecado quebrantou. Os ossos são a força do corpo, e a boa palavra de Deus é um meio de força espiritual, que cura as doenças que nos enfraquecem.

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PROVÉRBIOS 16: 16 – 19

Pensando biblicamente

A SOBERBA E A HUMILDADE

 

V. 16 – Aqui, Salomão não somente declara que é melhor obter sabedoria do que ouro ( Provérbios 3.14,8 ,19), mas fala disto com certeza, que é muito melhor, indescritivelmente melhor – com admiração (Quão melhor!), como alguém maravilhado com a desproporção – com um apelo à consciência dos homens (”Julguem vocês mesmos o quanto é melhor”) – e com uma adição com o mesmo propósito. que é mais excelente adquirir a prudência do que a prata e todos os tesouros dos reis, e também dos seus favoritos. Observe:

1. A sabedoria celestial é melhor do que a riqueza terrena, e deve ser preferida a ela. A graça é mais valiosa do que ouro. A graça é a dádiva do favor peculiar de Deus; o ouro, somente da providência comum. A graça é para nós mesmos; o ouro, para os outros. A graça é para a alma e a eternidade; o ouro, somente para o corpo e o tempo. A graça nos prestará bons serviços à hora da morte, quando o ouro não nos terá qualquer utilidade.

2. Obter esta sabedoria celestial é melhor elo que obter a riqueza terrena. Muitos se esforçam e sofrem para obter riquezas, sem conseguir; mas a graça nunca foi negada a qualquer pessoa que a buscasse com sinceridade. Existe urna vaidade e perturbação de espírito na obtenção da riqueza, mas alegria e satisfação de espírito na obtenção da sabedoria. Grande paz têm os que a amam.

 

V. 17 – Observe:

1. É o caminho dos retos desviarem-se do pecado e de tudo o que se parece com pecado ou que conduza ao pecado; e é um alto caminho, assinalado com autoridade, trilhado por muitos que o trilharam antes de nós, no qual nos encontramos com muitos que nos farão companhia; é um caminho fácil de encontrar, e seguro para se percorrer, como um alto caminho (Isaias 3 5.8). ”Apartar-se do mal é a inteligência”.

2. Os justos têm o cuidado de preservar as suas almas, para que não sejam contaminados com o pecado, e para que, pelas dificuldades do mundo, não venham a ser privados delas, especialmente para que não pereçam para sempre (Mateus 16.26). Portanto. eles se preocupam em guardar o seu caminho. e não se desviar dele, para qualquer lado, mas seguir, rumo à perfeição. Os que aderem ao seu dever asseguram a sua felicidade. Guarda o teu caminho, e Deus te guardará.

 

V. 18 – Observe:

1. A soberba cairá. Os que têm um espírito soberbo, que se julgam acima do que é apropriado, e que olham aos outros com desprezo, que com sua soberba afrontam a Deus e inquietam outras pessoas, serão abatidos, quer por arrependimento, quer por ruína. É a honra de Deus humilhar os soberbos (Jó 40.11,12). É um ato de justiça que aqueles que se exaltaram sejam abatidos. Faraó, Senaqueribe, Nabucodonosor, foram exemplos disto. Os homens não podem punir a soberba, mas admirá-la ou temê-la, e por isto Deus tomará a punição por ela em suas próprias mãos. Deixai-o, que lide com os soberbos.

2. Os soberbos são frequentemente mais soberbos, e insolentes, e presunçosos, pouco antes da sua destruição, de modo que há certo prenúncio de que estão à beira da morte. Quando os soberbos desafiam os juízos de Deus, e se consideram à maior distância deles, é sinal de que estão à porta; veja o caso de Ben-Hadade e Herodes. Ainda estava a palavra na boca do rei (Daniel 4.31). Não devemos, portanto, temer a soberba dos outros, mas temer imensamente a soberba em nós mesmos.

 

V. 19 – O fato de que é melhor ser pobre e humilde do que ser rico e soberbo é um paradoxo que os filhos deste mundo não conseguem entender, e ao qual irão endossar.

1. Os que dividem o despojo normalmente são soberbos; eles valorizam a si mesmos, e desprezam os outros, e as suas mentes se exaltam com a sua condição; portanto, os que são ricos neste mundo têm a necessidade de ser instruídos para que não sejam altivos (1 Timóteo 6.l7). Aqueles que são soberbos e que desejam ser vistos, que pressionam, lutam e cavam em busca de promoção, são os homens que comumente dividem o despojo, e o dividem entre si; eles têm o mundo à sua disposição; tudo está ao alcance de suas mãos. 

2. Sob todos os pontos de vista, é melhor compartilhar a sorte daqueles cuja condição seja humilde, e cuja mente não seja altiva, do que cobiçar e desejar aparentar algo no mundo, em meio a uma condição bastante alvoroçada. A humildade, ainda que nos exponha ao desprezo no mundo, nos recomenda ao favor de Deus, nos qualifica para as suas benevolentes visitas, nos prepara para a sua glória, nos protege de muitas tentações, e preserva a tranquilidade e o repouso de nossas almas, e é muito melhor do que a altivez que, embora arrebate a honra e a riqueza do mundo, coloca o homem em uma situação terrível: Deus passa a ser o seu inimigo, enquanto o diabo passa a ser o seu senhor.

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PROVÉRBIOS 16: 10 – 15

Pensando biblicamente

OS DEVERES DOS REIS

 

V. 10 – Nós gostaríamos que isto fosse sempre verdadeiro, como uma proposição, e deveríamos fazer disto a nossa oração pelos reis e por todos os que estão investidos de autoridade: que uma sentença divina estivesse em seus lábios, tanto para dar ordens (para que o fizessem com sabedoria), quanto ao proferirem sentenças (para que o fizessem com equidade), e que ambas as coisas estivessem comprometidas com o juízo, de modo que, em nenhuma delas, suas bocas pudessem cometer transgressões (1 Timóteo 2.1). Mas frequentemente as coisas não são assim; portanto:

1. Isto pode ser interpretado como um preceito, para que os reis e juízes da terra sejam sábios e instruídos. Que sejam justos e governem com temor a Deus; que ajam com tal sabedoria e consciência em tudo o que disserem ou fizerem a ponto de suas palavras ressoarem corno oráculos divinos, e que sejam guiados por princípios sobrenaturais; não prevarique a sua boca em juízo, pois o juízo pertence a Deus.

2. Isto pode ser interpretado corno uma promessa para todos os reis bons, para que, se sinceramente desejarem a glória de Deus e buscarem a sua orientação, Ele os qualificará com sabedoria e graça, acima dos outros, de maneira proporcional à eminência de sua posição e às confianças depositadas em suas mãos. Quando o próprio Saul foi feito rei, Deus lhe deu outro espírito.

3. Isto era verdade, a respeito de Salomão, que escreveu isto; ele tinha sabedoria extraordinária, de acordo com a promessa que Deus lhe tinha feito, veja 1 Reis 3.28.

 

V. 11 – Observe:

1. A administração da justiça pública pelo magistrado é urna ordenança de Deus; nela, é suspensa a balança, que deve ser segurada por uma mão firme e imparcial; e devemos nos submeter a ela, por causa do Senhor, e ver a sua autoridade na dos magistrados (Romanos 13.1; 1 Pedro 2.13).

2. A observância da justiça no comércio entre os homens é, igualmente, urna recomendação divina. Ele ensinou ao homem a liberdade no uso de balanças e pesos, para o ajuste da justiça, com exatidão, entre comprador e vendedor, para que nenhum deles fosse injustiçado; e todas as outras invenções úteis para a preservação da justiça se originam dele. Ele também recomendou, pela sua lei, que eles fossem justos. É, por­ tanto, urna grande afronta para Ele, e para o seu governo, usar de fraude, e, desta maneira cometer injustiça, sob o pretexto de agir corretamente, o que é iniquidade, em lugar de juízo.

 

V. 12 – Aqui temos:

1. O caráter de um bom rei, a que Salo­ mão não se referiu para o seu próprio louvor, mas corno instrução para os seus sucessores, seus vizinhos e os vice-reis, subordinados a ele. Um bom rei não somente faz justiça, corno também é uma abominação para ele agir de outra maneira. Ele detesta a ideia de agir mal e perverter a justiça; não somente abomina a iniquidade feita pelos outros, como abomina cometer, ele mesmo, iniquidade, embora, tendo o poder, pudesse cometê-la facilmente e com segurança.

2. A consolação de um bom rei: o seu trono é estabelecido pela justiça – “porque com justiça se estabelece o trono”. Aquele que se dedica a usar o seu poder corretamente perceberá que esta é a melhor garantia do seu governo, tanto porque irá agra­ dar as pessoas, deixá-las tranquilas, e manter nelas o interesse, como obterá a bênção de Deus, o que será uma firme base para o trono e uma forte proteção a ele.

 

V. 13 – Aqui está outra característica dos bons reis: o fato de que amam e sentem prazer naqueles que falam coisas retas.

1. Eles detestam parasitas e os que os adulam, mas desejam intensamente que todos os que estão à sua volta lidem fielmente com eles, e lhes digam o que é verdade, quer seja agradável ou desagradável, tanto a respeito de pessoas como de coisas, de modo que tudo esteja sob uma luz correta, e nada esteja encoberto ou disfarçado (Provérbios 29.12).

2. Não somente eles mesmos agem com justiça, como têm o cuidado de empregar; como seus subordinados, os que também agem com justiça, o que é de grande consequência para o povo, que deve se submeter não somente ao rei, como supremo, mas aos governantes enviados por ele (1 Pedro 2.14). Um bom rei, portanto, dará poder a quem é consciencioso e que dirá aquilo que é justo e criterioso, e que saberá como falar coisas retas e relevantes.

 

V. 14 e 15 – Estes dois versículos mostram o poder dos reis, que é grande em todas as partes, mas particularmente naquelas nações orientais, onde eles eram absolutos e arbitrários. Eles matavam a quem quisessem, e conservavam vivos a quem quisessem. A sua vontade era a lei. Temos razões para bendizer a Deus pela feliz constituição do governo sob o qual vivemos, que mantém a prerrogativa do príncipe, sem nenhuma mácula à liberdade do súdito. Mas aqui é sugerido:

1. Quão terrível é o furor de um rei: é como um mensageiro da morte; a ira de Assuero assim foi, com Hamã. Uma palavra irada de um príncipe inflamado foi, para muitos, como um mensageiro da morte, e infligiu tal terror sobre alguns como se uma sentença de morte tivesse sido pronunciada sobre eles. Certamente é um homem muito sábio o que sabe como aplacar o furor de um rei com uma palavra adequadamente pronunciada, como Jônatas certa vez aplacou a ira de seu pai contra Davi (1 Samuel 19.6). Um súdito prudente pode, às vezes, aconselhar a um príncipe enfurecido, e desta forma acalmar seus ressentimentos.

2. Quão valioso e desejável é o favor do rei para os que incorreram no seu desprazer: se o rei vier a se reconciliar com eles isto lhes será como a vida entre os mortos. Para outros, é como uma nuvem da chuva serôdia, que revigora e refresca o solo. Salomão lembrou seus súditos disto, para que não fizessem nada que provocasse a sua ira, mas que fossem cuidadosos para se recomendar ao seu favor. Nós devemos nos lembrar do quanto nos interessa escapar à ira, e obter a benevolência do Rei dos reis. O seu desagrado é pior do que a morte, mas a sua benignidade é melhor do que a vida; por isto, são loucos os que escapam à ira e obtêm a benevolência de um príncipe terreno, porém fogem da benevolência de Deus. e se tornam odiosos à sua ira.