ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 18: 9–13

Alimento diário

A TOLICE E A SOBERBA SÃO REVELADAS

 

V. 9 – Observe:

1. O desperdício é uma administração muito ineficaz. Aqueles que não somente são considerados, com razão, tolos, entre os homens, mas também apresentam uma explicação desconfortável para Deus sobre os talentos que Ele lhes confiou, que desperdiçam seus bens, que vivem acima do que têm, que gastam e doam mais do que seus bens lhes permitem, na verdade, praticamente jogam fora o que têm, e permitem que seja totalmente desperdiçado.

2. A ociosidade não é melhor. Aquele que é negligente no seu trabalho, cujas mãos estão penduradas (este é o significado da palavra), que fica, como diríamos, sem fazer nada, que negligencia o seu trabalho, não faz nada, ou é como se não fizesse nada, é irmão daquele que desperdiça, isto é, é igualmente tolo, e está em um caminho igualmente assegurado para a pobreza; um esparrama o que tem, e o outro deixa que escape por entre os seus dedos. A observação é também verdadeira em questões relacionadas à religião; aquele que for escarnecedor e descuidado ao orar e ouvir, será considerado irmão daquele que não ora nem ouve; e as omissões do dever são tão fatais para a alma quanto as comissões do pecado.

 

V. 10 – Aqui temos:

1. A suficiência de Deus para os santos: o seu nome é uma torre forte para eles, em que eles podem descansar quando estão cansados, e se refugiar, quando perseguidos, onde poderão ser exaltados acima de seus inimigos, e protegidos deles. Há o suficiente em Deus, e nas revelações que Ele fez de si mesmo, para nos tranquilizar, em todas as ocasiões. A riqueza armazenada nessa torre é suficiente para enriquecê-los, é um banquete continuo e um contínuo tesouro para eles. Esta torre é forte e resistente o suficiente para protegê-los. O nome do Senhor é tudo aquilo com que Ele se fez conhecer como Deus, e nosso Deus, não somente os seus títulos e atributos, mas o seu concerto e as promessas dele; tudo isto constitui uma torre, uma torre forte, impenetrável, inexpugnável, para todo o povo de Deus.

2. A segurança dos santos em Deus. O nome do Senhor é uma torre forte para os que sabem como usá-lo como tal. Os justos, pela fé e oração, pela devoção a Deus e confiança nele, correm para ela, como sua cidade de refúgio. Tendo assegurado o seu interesse no nome de Deus, eles recebem a consolação e o benefício dele; eles saem por si só, se afastam do mundo, vivem acima dele, habitam em Deus e Deus neles, e assim estão a salvo, assim se consideram, e assim estarão.

 

V. 11 – Tendo descrito a firme e fiel proteção do homem justo (v. 10), aqui Salomão mostra qual é a proteção falsa e enganosa do rico, que tem a sua porção e o seu tesouro nas coisas deste mundo, e se dedica a elas. A sua riqueza é a sua confiança, a tal ponto que ele espera tanto dela como um homem devoto espera do seu Deus. Veja:

1. Como ele se mantém. Ele faz da sua riqueza a sua cidade, onde habita, onde governa com grande autocomplacência, como se tivesse uma cidade toda sob o seu comando. É a sua fortaleza, onde ele se abriga, e então desafia o perigo, como se nada pudesse feri-lo. A sua balança é o seu orgulho; a sua riqueza é o seu muro, onde ele se encerra, e ele julga que é um muro alto, tão alto que não pode ser escalado ou sobre o qual não se pode pular (Jó 31.24; Apocalipse 18.7).

2. Como ele se engana nisto. É uma fortaleza, e um muro alto, mas somente no seu próprio conceito; na verdade, não é nada disto, mas é como a casa edificada sobre a areia, que falhará ao construtor, quando ele mais necessitar dela.

 

V. 12 – Observe:

1. A soberba é o prenúncio da ruína, e a ruína, no final, será a punição pela soberba; pois, antes da destruição, os homens normalmente estão tão impressionados com o justo juízo de Deus, que são mais arrogantes do que nunca, de modo que a sua destruição será mais amarga, e mais surpreendente. Ou, se a soberba nem sempre resistir, ainda assim, depois que o coração estiver exaltado com orgulho, virá uma queda (Provérbios 16.18).

2. A humildade é o prenúncio da honra, e prepara os homens para ela, e a honra será, no final, a recompensa da humildade, como o escritor tinha dito antes (Provérbios 15.33). É necessário repetir com frequência aquilo que os homens são relutantes em acreditar.

 

V. 13 – Veja aqui como os homens frequentemente se expõem por aquela mesma coisa pela qual esperam conseguir aplauso.

1. Alguns se orgulham de serem rápidos. Respondem a alguma coisa antes de ouvir, ou melhor, mal ouvindo, já respondem. Eles pensam que é sua honra aceitar uma causa repentinamente, e, depois que tiverem ouvido a um dos lados, julgarão que a questão é tão clara que não precisarão se incomodar em ouvir o outro; acreditam que já estão familiarizados com o caso, e dominam todos os méritos da causa. Ao passo que, embora uma inteligência pronta seja algo agradável com a qual brincar, ela é juízo genuíno e sabedoria verdadeira, que realizam obras.

2. Os que se orgulham por serem rápidos comumente caem sob a justa crítica de serem impertinentes. É tolice que um homem saia falando sobre uma coisa que ele não entende, ou que avalie uma questão da qual não esteja plenamente e verdadeiramente informado, e não tenha a paciência para investigar rigorosamente; e, se for loucura, é e será vergonha.

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PROVÉRBIOS 18: 4–8

Alimento diário

A LINGUAGEM DA TOLICE

 V. 4 – As similitudes aqui parecem elegantemente transpostas.

1. A fonte da sabedoria é como águas profundas. Um homem inteligente e instruído tem em si um bom tesouro de coisas úteis, o que o capacita com algo a dizer praticamente em todas as ocasiões, algo que é pertinente e benéfico. É como águas profundas, que não fazem ruído, mas que nunca se esgotam, nunca secam.

2. As palavras da boca deste homem são como ribeiro transbordante. O que ele vê, faz com que as palavras fluam naturalmente dele, e com grande facilidade, e liberdade, e fluência natural: as suas palavras são limpas e frescas, limpam e revigoram; das suas águas profundas flui aquilo que a oportunidade exige, transbordando sobre os que estão à sua volta, como os ribeiros transbordam sobre as terras baixas.

 

V. 5 – Isto condena, com razão, os que, empregados na administração da justiça, pervertem o juízo:

1. Tolerando os crimes dos homens, e protegendo-os e aceitando-os, na opressão e violência, por causa da sua posição, ou riqueza, ou alguma simpatia pessoal que possam ter por eles. A despeito de quaisquer desculpas que os homens possam apresentar para isto, certamente não é bom aceitar assim a pessoa do ímpio; é uma ofensa para Deus, uma afronta para a justiça, uma injustiça para a humanidade, e um serviço realmente feito para o reino do pecado e de Satanás. Os méritos da causa devem ser considerados, e não a pessoa.

2. Dando causa contra a justiça e a equidade, porque a pessoa é pobre e humilde no mundo, ou não do mesmo grupo ou convicção, ou um estrangeiro, de outra nação. Isto é derrubar o justo em juízo, que deveria ser apoiado, e a quem Deus fará com que se levante e permaneça.

V. 6 e 7 – Salomão mostrou frequentemente o mal que os homens ímpios fazem aos outros, com suas línguas descontroladas: aqui, ele mostra o mal que fazem a si mesmos.

1. Eles se envolvem em contendas: os lábios do tolo, sem qualquer causa, entram em contendas, ao promover noções tolas às quais os outros se vêm obrigados a se opor, e, desta maneira, começa uma contenda, ou se envolvem em contendas por meio de palavras provocadoras, que causarão ressentimento, e exigirão satisfação, ou ainda por meio de desafios aos homens, convidando-os à contenda, se tiverem coragem. Os homens soberbos, e inflamados, e os ébrios, são tolos, cujos lábios entram em contendas. Um homem sábio pode, contra a sua vontade, ser arrastado para uma contenda, mas é um louco quem entra nela por sua espontânea vontade, quando poderia evitá-la, e certamente o tal se arrependerá disto, quando já for tarde demais.Eles se expõem à correção: a sua boca brada por açoites, ele disse aquilo

2. que merece ser punido com açoites, e ainda está dizendo o que precisa ser repreendido, e restringido, com açoites, como Ananias injustamente ordenou que Paulo fosse ferido na boca.

3. Eles se envolvem em destruição: a boca do tolo, que já foi, ou teria sido, a destruição dos outros, acaba sendo é a sua própria destruição, talvez pelos homens. A boca de Simei foi a sua própria destruição, e também a boca de Adonias, que falou contra a sua própria cabeça. E quando um tolo, por suas palavras tolas, se envolve em alguma discórdia, e pensa escapar, justificando o que disse, a sua defesa acaba sendo a sua ofensa, e os seus lábios acabam sendo um laço para a sua alma, enredando-o ainda mais. No entanto, quando os homens, por suas palavras perversas, forem condenados no juízo de Deus, as suas bocas serão a sua destruição, e serão um agravamento à sua ruína, a ponto de não admitir uma gota de água, uma gota de consolação para abrandar a sua língua, que é o seu laço, e ali serão fortemente atormentados.

V. 8 – Os mexeriqueiros são aqueles que levam estórias secretamente, de casa em casa, estórias que talvez contenham algo de verdade, mas são segredos que não devem ser contados, ou são de modo infame apresentadas de maneira inadequada, e são deturpadas, e contadas com a intenção de prejudicar a reputação das pessoas, romper amizades, provocar maldades entre parentes e vizinhos, e fazer que se desentendam. As palavras dessas pessoas são aqui descritas:

1. Como quando os homens são feri­ dos (segundo a margem); eles fingem estar muito abalados com as dificuldades deste ou daquele indivíduo, e sofrer por eles, e fingem que é com a maior angústia e relutância imaginável que falam sobre eles. Eles dão a impressão de terem sido, eles mesmos, feridos, ao passo que, na realidade, eles se alegram na iniquidade, apreciam a história, e a contam com orgulho e prazer. Assim parecem suas palavras, mas elas descem como veneno até o íntimo do ventre, como uma pílula dourada e doce.

2. Como feridas (isto diz o texto), feridas profundas, feridas mortais, feridas no íntimo do ventre: o ventre médio ou inferior, o tórax ou o abdômen, e em qualquer um deles as feridas são mortais. As palavras do mexeriqueiro ferem aqueles de quem se fala, ferem a sua reputação e interesse, e ferem também aqueles a quem são ditas, ferem seu amor e caridade. Elas trazem consigo o pecado à vida do homem, o que é uma ferida para a consciência. Talvez ele pareça desdenhá-las, mas elas o tornarão insensível, afastando o seu afeto de alguém a quem ele deveria amar.

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PROVÉRBIOS 18: 1–3

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SABEDORIA E TOLICE

 

V. 1 – O texto original aqui é difícil, e tem sido interpretado de várias maneiras.

1. Alguns entendem que se trata de uma repreensão a uma singularidade fingida. Quando os homens se orgulham de se separar dos sentimentos e da sociedade dos outros, contradizendo tudo o que foi dito diante deles, e promovendo novas noções de sua própria mente, às quais, ainda que muito absurdas, eles aderiram, isto visa gratificar um desejo ou luxúria de vanglória, e eles buscam e se envolvem com aquilo que não lhes diz respeito. Busca seu próprio desejo aquele que se separa, e se envolve com todos os assuntos, e pretende julgar os assuntos de todos os homens. É ressentido e arrogante. Em geral, essas pessoas são obstinadas e arrogantes, e assim se tornam ridículas, e perturbam os outros.

2. Algumas traduções parecem interpretar como um incentivo à diligência, na busca da sabedoria. Se nós quisermos obter conhecimento ou graça, devemos desejá-lo, como aquilo de que precisamos, e que será muito benéfico para nós (1 Coríntios 12.31). Nós devemos nos separar de todas aquelas coisas que nos desviam ou retardam na busca, e nos afastam do ruído das futilidades deste mundo, e então buscar e nos envolver com todos os meios e as instruções da sabedoria, estar dispostos a nos esforçar e tentar todos os métodos para nos aprimorar, estar familiarizados com várias opiniões, para que possamos provar todas as coisas e nos apegar ao que é bom.

 

V. 2 – Um tolo pode ter pretensões ao entendimento, e buscar e se envolver com os meios para isto, mas:

1. Ele não tem verdadeiro prazer no entendimento; é somente para agradar seus amigos, ou salvar a sua reputação; ele não ama os seus estudos, nem seus negócios, nem a sua Bíblia, nem as suas orações; ele preferiria estar se fazendo de tolo com suas diversões. Os que não têm prazer no aprendizado ou na religião não farão qualquer esforço para obter nenhum deles. Nenhum progresso será feito neles, se forem considerados uma tarefa e um trabalho árduo.

2. Ele não tem um bom desígnio nisto, somente em que se descubra o seu coração, para que ele possa ter algo a exibir, algo com que encobrir a sua tolice, para que possa transmitir melhor impressão, porque ele ama se ouvir falar.

V. 3 – Isto pode incluir um duplo sentido:

1. Os ímpios são pessoas desdenhosas, e desprezam os outros. Quando o ímpio entra em algum grupo, seja nas escolas de sabedoria ou nas assembleias para adoração religiosa, então vem o desprezo por Deus, pelo seu povo e os seus ministros, e sobre tudo o que é dito e feito. Você não pode esperar nada diferente dos que são profanos, exceto que sejam desdenhosos; eles serão uma ignomínia e uma vergonha; eles zombarão de tudo o que é sério e grave. Mas que os homens sábios e bons não considerem fazer a mesma coisa, pois o provérbio dos antigos diz: esta iniquidade vem do ímpio.

2. Os ímpios são pessoas vergonhosas, e trazem o desprezo sobre si mesmos, pois Deus disse que quem desprezar a Ele será pouco considerado. Tão logo o pecado entrou, a vergonha o seguiu. e os pecadores se tornaram desprezíveis. Os ímpios não somente trarão desprezo sobre si mesmos, como trarão ignomínia e vergonha para suas famílias, seus amigos, seus ministros, e todos os que, de alguma maneira, se relacionam com eles. Aqueles, portanto, que desejarem conservar a sua honra, deverão manter a sua virtude.

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PROVÉRBIOS 17: 25 – 28

Alimento diário

A TOLICE E A INIQUIDADE

 

V25 – Observe:

1. Os filhos ímpios são uma aflição para os seus pais. Eles são um motivo de ira para o pai (este é o significado da palavra), porque desprezam a sua autoridade, mas de angústia e amargura para a mãe, porque abusam da sua ternura e carinho. Os pais, que sofrem juntos, devem, portanto, ter consolação mútua, que os sustente nesse sofrimento, e procurar torná-lo tão cômodo quanto puderem: a mãe, aplacando a ira do pai, e o pai, aliviando a tristeza da mãe.

2. Salomão frequentemente repete esta observação, provavelmente porque era o seu próprio caso; é um caso comum, entretanto.

V. 26 – Diante das diferenças que acontecem entre os magistrados e os súditos (e estas diferenças surgem frequentemente):

1. Que os magistrados se certifiquem de jamais punir os justos, de maneira que não sejam, em nenhuma situação, um terror para as boas obras, pois isto é abusar do seu poder e trair a grande confiança que foi depositada neles. Isto não é bom, isto é, é uma coisa muito má, e terminará mal, qualquer que seja o objetivo que possam ter nisto. Quando os príncipes se tornam tiranos e perseguidores, os seus tronos já não são mais cômodos nem firmes.

2. Que os súditos se certifiquem de que não têm o que criticar no governo, por fazer o seu dever, pois é uma coisa ímpia atacar príncipes por sua equidade, difamar a sua administração ou, por algum esforço secreto contra eles, atingi-los, como as dez tribos que se revoltaram contra Salomão, por imposição de taxas necessárias. Alguns interpretam do seguinte modo: Nem atacar os simples por sua equidade. Os magistrados devem se certificar de que ninguém sujeito a eles sofra, por fazer o bem, por agir com justiça; nem os pais devem provocar seus filhos à ira, com repreensões injustas.

V. 27 e 28 – Duas maneiras pelas quais um homem pode mostrar que é um homem sábio:

1. Pelo bom temperamento, a doçura e a serenidade da sua mente: o homem de entendimento é de espírito excelente, um precioso espírito (este é o significado da palavra); ele é alguém que cuida do seu espírito, para que seja como deve ser, e assim o mantém agradável, para si mesmo e para os outros. Um espírito benevolente é um espírito precioso, e torna um homem amistoso e mais excelente do que o seu próximo. Ele tem espírito tranquilo (assim alguns interpretam), não acalorado com a paixão, nem levado a nenhum tumulto ou desordem, pelo ímpeto de um temeroso de dizer algo indevido: aquele que tem conhecimento, e deseja fazer o bem com ele, é cuidadoso; quando fala, fala de maneira pertinente, e diz pouco, para que tenha tempo de deliberar. Ele poupa as suas palavras, porque é melhor que elas sejam poupadas do que mal usadas.

2 – De modo geral, é interpretado como indicação segura de sabedoria, que um tolo possa conquistar a reputação de ser um homem sábio, se tiver apenas inteligência sufi­ ciente para refrear sua língua, para ouvir, e observar, e dizer pouco. Se um tolo se calar, os francos o julgarão sábio, porque nada dará impressão contrária, e porque pensarão que ele está observando o que os outros dizem, e ganhando experiência, e ponderando consigo mesmo o que dirá, para que possa falar de maneira pertinente. Veja como é fácil conquistar a boa opinião dos homens e se aproveitar deles. Mas quando um tolo se cala, Deus conhece o seu coração, e a tolice que está contida ali; os pensamentos são palavras para Ele, e por isto Ele não pode ser enganado, nos juízos que faz dos homens.

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PROVÉRBIOS 17: 20 – 24

Alimento diário

A TOLICE E A INIQUIDADE

 

V. 20 – Observe:

1. Tramar perversidades não será vantajoso para nós; não se obtém nada com elas: O perverso de coração, que semeia discórdia e é cheio de ressentimentos, não pode se prometer que vá obter o suficiente para contrabalançar a perda do seu repouso e da sua reputação, nem poderá ter nenhuma satisfação racional com isto, e assim sendo, nunca achará o bem.

2. Usar de palavras más será uma grande desvantagem para nós: O que tem a língua dobre, perversa e cruel, maledicente e vulgar, virá a cair no mal, uma maldade após outra, ele perderá seus amigos, provocará seus inimigos, e trará problemas à sua própria cabeça. Muitos têm pago muito caro por uma língua sem controle.

 

V21 – Isto expressa muito enfaticamente o que muitos homens sábios e bons sentem profundamente: a sensação angustiosa que é ter um filho tolo e ímpio. Veja aqui:

1. Quão incertas são todas as nossas consolações de criaturas, de modo que frequentemente não somente somos desapontados por elas, como aquilo em que nos prometemos maior satisfação frequentemente acaba sendo o nosso maior fardo. Havia alegria quando um filho de homem nascia neste mundo, mas, se ele fosse ímpio, seu próprio pai desejaria que ele nunca tivesse nascido. O nome Absalão significa a paz de seu pai, mas foi o seu maior problema. O fato dos filhos poderem ser uma angústia para seus pais deveria moderar o desejo de ter filhos, e o prazer dos pais pela vida deles; mas no caso em que um filho é um tolo, o fato dele ser um tolo gerado por seu pai deveria silenciar as queixas do pai aflito, e, por isto, ele deve fazer o melhor que puder pelo seu próprio filho, e assumi-lo como a sua cruz, particularmente porque cada homem gera filhos à sua própria semelhança.

2. Quão tolos somos nós, em permitir que uma aflição (e a de um filho insensato, tão provavelmente como qualquer outra ) sufoque a percepção de mil bênçãos. O pai do insensato não se alegrará com nada mais. Porém ele pode ser grato a Deus, pois há alegrias suficientes para contrabalançar até mesmo esta tristeza.

 

V. 22 – Observe:

1. É saudável ser alegre. O Senhor é, para o corpo, e providenciou para ele, não somente alimento, mas remédio, e aqui nos disse que o melhor remédio é um coração alegre, não um coração viciado em alegrias vãs, carnais, sensuais; o próprio Salomão disse, sobre esta alegria: Não é remédio, mas desvario; não é alimento, mas veneno; de que serve? Mas ele se referia a uma sincera alegria em Deus, e servi-lo com contentamento, e então receber a consolação dos prazeres externos, e particularmente a alegria de um modo de vida agradável. É uma grande misericórdia que Deus nos dê permissão de sermos alegres, e causas para sermos alegres, especialmente se pela sua graça, Ele nos der corações para sermos alegres. Isto faz bem a um remédio (assim alguns interpretam); tornará o remédio mais eficiente. Ou faz bem como um remédio para o corpo, tornando-o adequado para o trabalho. Mas, se a alegria for um remédio (com o significado de diversão e recreação), deve ser usada com parcimônia, e somente quando houver oportunidade, não deve ser convertida em alimento, mas deve ser usada de maneira medicinal, como uma dieta prescrita.

2. As tristezas da mente frequentemente contribuem, em grande parte, para as doenças do corpo: o espírito abatido, oprimido pelas aflições, e especialmente uma consciência ferida com a sensação da culpa e o temor da ira, virá a secar os ossos, exaurindo a própria medula óssea, e tornando o corpo um mero esqueleto. Devemos, portanto, vigiar e orar contra todas as disposições melancólicas, pois elas nos levam a problemas, e também à tentação.

 

V23 – Veja aqui:

1. Que coisa terrível é o suborno: O ímpio tira o presente (ou “suborno”) do seio, para dar um falso testemunho, veredicto ou juízo; quando faz isto, ele se envergonha disto, pois tira o presente com toda a discrição imaginável, do seio onde sabe que já está preparado para ele; ele está escondido habilmente, e de maneira tão furtiva que, se pudesse, ele o esconderia da sua própria consciência. Um presente é tirado do seio de um ímpio (assim alguns interpretam); pois é um homem mau o que dá subornos, e também o que os aceita.

2. Que coisa poderosa é o suborno. Ele tem tal força que perverte as veredas da justiça. O curso da justiça não somente é obstruído, mas é também convertido em injustiça; e as maiores injustiças são feitas com o pretexto de se fazer justiça.

 

V. 24 – Observe:

1. Deve ser considerado inteligente aquele que não somente tem sabedoria, mas que a tem pronta para uso, quando chega a oportunidade de utilizá-la. Ele coloca a sua sabedoria diante de si mesmo, como sua bússola, pela qual se orienta, tem sempre seus olhos sobre ela, assim como aquele que escreve tem a sua cópia; e ele a tem diante de si; não para procurar, mas à mão.

2. Aquele que tem uma mente volúvel, um capricho divagante, nunca será adequado para nenhum trabalho sadio. É um louco, e não serve para nada, é alguém cujos olhos estão nas extremidades da terra, aqui, ali, em todas as partes, em qualquer lugar, menos onde deveriam estar; os tais não conseguem fixar seus pensamentos em nenhum assunto especifico, nem buscar nenhum propósito com alguma firmeza. Quando a sua mente deveria se aplicar ao seu estudo e às suas atividades, ela se enche de mil coisas, alheias e irrelevantes.

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PROVÉRBIOS 17: 17–19

Alimento diário

A AMIZADE FIEL

 

V.  7 – Isto indica a força dos laços pelos quais estamos ligados, uns aos outros, e aos quais deveríamos ser sensíveis.

1. Os amigos devem ser constantes, uns com os outros, em todas as ocasiões. Não é uma amizade fiel aquela que não é constante; ela o será se for sincera, e motivada por um bom princípio. Os que são caprichosos ou egoístas em sua amizade não amarão depois que o seu capricho tiver sido satisfeito e o seu interesse, servido, e por isto os seus sentimentos mudam com o vento e variam com o clima. Amigos como andorinhas, que voam ao seu encontro no verão, mas desaparecem no inverno; estes amigos não fazem falta. Mas se a amizade for prudente, generosa, e cordial, se eu amar meu amigo porque ele é sábio, e virtuoso, e bom, e continuar assim, ainda que ele venha a cair em pobreza e desgraça, eu o amarei. Cristo é um amigo que ama em todas as ocasiões (João 13.1), e devemos amá-lo assim também (Romanos 8.35).

2. Os parentes devem, de uma maneira especial, cuidar uns dos outros, em tempos de aflição: “Na angústia se faz o irmão” (na versão RA), e este irmão socorre um irmão ou uma irmã em aflição, pois estando assim tão fortemente unido pela natureza, ele pode sentir com mais intensidade os seus fardos, e se inclinar e envolver mais fortemente, como se fosse por instinto, para ajudá-lo. Nós devemos sempre considerar para que nascemos, não somente como homens, mas em que situação e em que família. Quem sabe se viemos a esta família para uma ocasião como esta? Nós não cumprimos o objetivo dos nossos relacionamentos se não realizarmos o dever delas. Alguns interpretam isto da seguinte maneira: “Na angústia nasce o irmão”. Um amigo que ama em todas as ocasiões nasce, isto é, se torna um irmão na angústia, e isto deve ser valorizado.

 

V. 18 – Embora Salomão tivesse elogiado a amizade na angústia (v. 17), que ninguém, sob nenhum pretexto de ser generoso com seus amigos, seja injusto com suas famílias, prejudicando-as; uma parte do nosso dever deve ser consistente com outra. Observe:

1. É sensato evitar dívidas, tanto quanto possível, e, especialmente, temer garantias ou fianças. Pode haver uma ocasião justa para que um homem diga boas coisas sobre seu amigo, na sua ausência, até que ele venha e se envolva pessoalmente, mas ser fiador na presença do seu amigo, quando ele está no local, pressupõe que a sua própria palavra não será aceita, ele será considerado insolvente ou desonesto, e então quem poderia, com segurança, dizer coisas boas sobre ele?

2. Os que não têm entendimento são comumente aprisionados nesta cilada, para prejuízo de suas famílias, e por isto não devem receber excessiva confiança, nem nos seus mesmos próprios negócios, mas devem ser orientados e controlados.

 

V. 19 – Observe:

1. Os que são contenciosos se envolvem com uma grande dose de culpa: O que ama a contenda, que em suas atividades terrenas ama recorrer à lei, que na religião, ama as controvérsias, e que no comportamento comum ama corromper e brigar, que nunca está bem, exceto quando está inflamado, ama a transgressão; pois uma grande quantidade de pecados acompanha este pecado, e o caminho é descendente. Ele finge defender a verdade, e a sua honra e a justiça, mas na verdade, ama o pecado, que Deus detesta.

2. Os que são ambiciosos e as­ piram se expor a uma grande quantidade de problemas, o que frequentemente leva à sua ruína: O que alça a sua porta, que edifica uma casa imponente, no mínimo com uma bela fachada, visando ofuscar seus vizinhos, busca a ruína, e faz grandes esforços para destruir a si mesmo; ele faz tão grande a sua porta que a sua casa e propriedade saem por ela.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 17: 12 – 16

Alimento diário

DECLARAÇÕES IMPORTANTES

 

V. 12 – Observe:

1. Um homem inflamado é um homem embrutecido. Ainda que, em outras ocasiões, ele possa ter alguma sabedoria, surpreenda-o em meio a uma paixão desenfreada, e ele será um louco na sua estultícia; são loucos aqueles em cujo seio há ira, e em quem a ira é estimulada. Ele se despe do homem e se comporta como uma ursa, uma ursa furiosa, a quem roubaram os filhotes; ele gosta das gratificações de seus desejos e paixões, assim como uma ursa gosta de seus filhotes (que, ainda que sejam feios, são seus), está tão ansioso em busca destas gratificações quanto a ursa em busca de seus filhotes, quando privada da companhia deles, e se sente igualmente cheio de indignação, perturbado pela busca.

2. É um homem perigoso, que guerreia com todos os que se põem em seu caminho, embora inocentes, embora seus amigos, como uma ursa à qual roubaram os filhotes ataca o primeiro homem que encontra, como se fosse o ladrão. A ira é uma loucura temporária. Seria mais fácil deter uma ursa enfurecida, ou fugir dela, ou defender-se dela, do que de um homem furioso. Devemos, portanto, vigiar nossas próprias paixões (para que elas não façam o mal), e assim, buscar a nossa própria honra; e devemos evitar a companhia de homens furiosos, e sair do seu caminho, quando estiverem furiosos, e assim buscar a nossa própria segurança.

 

V. 13 – Um homem iníquo é aqui descrito:

1. Como ingrato para com os seus amigos. Frequentemente, ele se comporta de maneira tão absurda e insensível com relação às gentilezas que lhe são feitas, que torna mal por bem. Davi se encontrou com os que eram seus adversários em paga do seu amor (Salmos 109.4). Tornar mal por mal é algo brutal, mas tornar mal por bem é demoníaco. É um homem de má índole aquele que, por estar decidido a não retribuir uma gentileza, realiza uma vingança como retribuição.

2. Como cruel com a sua família, pois transmite uma maldição a ela. É um crime tão hediondo que será punido, não somente na pessoa de seu cônjuge, mas na sua descendência, para quem acumula ira. A espada não se afastará da casa de Davi, porque ele recompensou Urias com maldade pelos seus bons serviços. Os judeus apedrejaram a Cristo por suas boas obras; por isto o seu sangue está sobre eles e sobre seus filhos.

 

V. 14 – Aqui temos:

1. O perigo que existe, no início da contenda. Uma palavra acalorada, uma reflexão mesquinha, uma exigência irada, uma contradição maldosa, gera outra, e depois uma terceira, e assim por diante, até que prove ser como o romper de uma barragem; quando a água tem uma pequena passagem, ela mesma alarga a abertura, derruba tudo o que está à sua frente e então não há como detê-la.

 2. A inferência a uma boa advertência, para que tomemos cuidado com a primeira fagulha da contenda e a apaguemos assim que apareça. Tema o romper do gelo, pois, uma vez rompido, irá se quebrar cada vez mais; por isto, deixe a contenda, não somente quando você vir o pior dela, pois então poderá ser tarde demais, mas quando você vir o princípio dela. Deixe-a antes que seja envolvido; deixe-a, se possível, antes mesmo de começar.

 

V. 15 – Isto mostra a transgressão que é, para Deus:

1. Quando aqueles a quem é confiada a administração da justiça pública, juízes, jurados, testemunhas, acusadores, advogados, absolvem os culpados ou condenam os que não são culpados, ou, pelo menos, contribuem para uma destas situações; isto frustra a finalidade do governo, que é proteger os bons e punir os maus (Romanos 13.3,4). É igualmente provocador a Deus, tanto justificar os ímpios (ainda que seja por piedade e para salvar a vida), como condenar os justos.

2. Quando algum indivíduo defende o pecado e os pecadores, suaviza e desculpa a iniquidade, ou argumenta contra a virtude e a piedade, desta maneira pervertendo os caminhos justos do Senhor e confundindo a eterna distinção entre o bem e o mal.

 

V. 16 – Aqui são mencionadas duas coisas com assombro:

1. A grande bondade de Deus para com os tolos, ao colocar um preço na sua mão, para obter sabedoria, adquirir conhecimento e graça, para adequá-lo para os dois mundos. Nós temos almas racionais, os meios da graça, os esforços do Espírito, o acesso a Deus por meio da oração; nós temos tempo e oportunidade. Aquele que tem boas propriedades (assim alguns interpretam) têm vantagens, portanto, para obter a sabedoria, comprando a instrução. Bons pais, parentes, ministros, amigos, são auxílios para obter sabedoria. É um preço, portanto um valor, um talento. É um preço na mão, um preço de que se tem posse; a palavra está perto de ti. É um preço para obter; é para nosso próprio benefício; é para adquirir sabedoria, exatamente aquilo que, sendo tolos, mais necessitamos. Temos razões para nos maravilhar com o fato de que Deus considerasse a nossa necessidade, e as­ sim nos confiasse tais benefícios, ainda que Ele previsse que não os aproveitaríamos adequadamente.

2. A grande iniquidade do homem, a sua negligência em relação à benevolência de Deus e ao seu próprio interesse, o que é totalmente absurdo e inexplicável: Ele não tem o ânimo necessário nem a sabedoria que deve ser obtida, nem os pré-requisitos básicos para consegui-la. Ele não tem coragem, nem talento, nem vontade, para aprimorar os seus benefícios. Ele se dedica a outras coisas, de modo que não se importa com o seu dever nem com as grandes preocupações da sua alma. Por que um preço seria jogado fora, e perdido, com alguém que o merece tão pouco?