ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 19: 15-17

Alimento diário

CIRCUNSPEÇÃO E CARIDADE

 

V. 15 – Veja aqui o mal de uma disposição preguiçosa.

1. Ela deixa os homens estupefatos, os torna irracionais e descuidados de seus próprios assuntos, como se estivessem mergulhados em um sono profundo, sonhando muito, mas sem fazer nada. As pessoas preguiçosas desperdiçam seu tempo, enterram seus talentos, vivem uma vida inútil, e são os fardos improdutivos da terra; pois qualquer serviço que façam, quando despertas, são tão desprovidos de valor, que elas bem poderiam estar dormindo. As suas almas são ociosas e adormecidas; os seus poderes racionais são resfriados e até mesmo congelados.

2. Ela empobrece os homens e faz com que eles passem necessidades. Os que não trabalham, não podem esperar ter o que comer, mas deverão sofrer fome: uma alma ociosa, que se mantém ociosa nas questões de sua alma, que não se importa nem se esforça em trabalhar pela sua salvação, perecerá, por falta do que é necessário para a vida e a felicidade da alma.

 

V. 16 – Aqui temos:

1. A felicidade dos que andam de maneira circunspecta. Os que se importam em guardar os mandamentos, em tudo, que vivem em obediência à lei, como convém a servos e pacientes, guardam suas próprias almas; eles preservam a sua paz atual, e a sua bênção futura, e estarão bem providos. Se guardarmos a Palavra de Deus, ela nos guardará de tudo o que é realmente nocivo.

2. A desgraça dos que vivem sem limites, e não se importam com o que fazem: o que desprezar os seus caminhos morrerá, perecerá eternamente; ele está no caminho certo para a destruição. Com respeito aos que são descuidados quanto ao objetivo de seus caminhos e não consideram para onde estão indo, e não ordenam os seus caminhos, que andam pelo caminho de seus corações e segundo o curso do mundo (Eclesiastes 11.9), que nunca consideram o que fizeram nem o que deveriam fazer, mas andam de aventura em aventura (Levítico 26.21), para os quais o certo ou o errado são a mesma coisa – o que resultará disto, além de um grande engano?

 

V. 17 – Aqui temos:

I – A descrição do dever da caridade. Ele inclui duas coisas:

1. Compaixão, que é o princípio interior da caridade no coração; é ter piedade dos pobres. É não ser avarento em relação aos pobres, mas sentir piedade deles e ter um interesse caridoso e simpatia por eles; e, se um homem doa todos os seus bens para alimentar os pobres, e não tem esta caridade no seu coração, nada disso se lhe aproveitará (1 Coríntios 13.3). Devemos abrir nossas almas aos famintos (Isaias 58.10).

2. Generosidade e desprendimento. Devemos não somente ter piedade dos pobres, mas dar, conforme a sua necessidade e a nossa capacidade (Tiago 2.15,16). Aquilo que ele deu. Nas anotações de margem lemos: a sua obra. É uma caridade fazer algo pelos pobres, bem como dar; e, se eles tiverem seus membros (braços e pernas) e sabedoria, poderão ser caridosos uns com os outros.

 

II –  O incentivo à caridade.

1. Uma interpretação muito gentil será atribuída a ela. O que é dado aos pobres, ou feito por eles. Deus considerará como emprestado a Ele, emprestado a juros (este é o significado da palavra); Ele o recebe, gentilmente, como se fosse feito para Ele mesmo, e deseja que nós recebamos a consolação disto, e que estejamos tão satisfeitos como qualquer usurário, quando deixou uma boa soma de dinheiro em boas mãos.

2. Uma recompensa muito rica haverá, por ela: Ele lhe pagará, lhe retribuirá em bênçãos temporais, espirituais, e eternas. Dar esmolas é a maneira mais segura e garantida de prosperar.

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PROVÉRBIOS 19: 12-14

Alimento diário

AS ANGÚSTIAS DOMÉSTICAS

 

V. 12 – Isto tem o mesmo propósito que vimos em Provérbios 16.14,15; e este propósito é:

1. Tornar os reis sábios e atentos na dispensação de seus olhares de repreensão e seus sorrisos. Eles não são como os das pessoas comuns; os seus olhares de repreensão são terríveis, e os seus sorrisos, consoladores, e por isto eles devem ser muito cuidadosos para jamais amedrontar um homem, fazendo com que ele deixe de fazer o bem, por seus olhares de repreensão, como também jamais estimular um homem ímpio em suas más atitudes, com seus sorrisos, pois então estarão usando mal sua influência (Romanos 13.3).

2. Tornar os súditos fiéis e obedientes aos seus príncipes. Que reprimam toda deslealdade, pela consideração das terríveis consequências de ter o governo contra eles; e que sejam incentivados em todos os bons serviços ao público, pelas esperanças do favor de seu príncipe. Cristo é um Rei cuja ira contra os seus inimigos será como o bramido de um leão (Apocalipse 10.3), e a sua benevolência para com o seu povo é como o orvalho refrescante (Salmos 72.6).

 

V. 13 – É um exemplo da futilidade do mundo o fato de que estejamos sujeitos à maior tristeza por aquelas coisas nas quais prometemos, a nós mesmos, a maior consolação. Que maior consolação temporal pode ter um homem, senão uma boa esposa e bons filhos? Todavia:

1. Um filho tolo é uma grande aflição, e pode fazer um homem desejar mil vezes que não tivesse tido filhos. Um filho que não se dedica a nenhum estudo ou profissão, que não aceita conselhos, que vive uma vida libertina, sem rumo, devassa, e gasta de maneira extravagante o que tem, desperdiçando-o em tumultos, ou que é soberbo, convencido e arrogante, este filho é uma grande miséria para seu pai, porque é a desgraça, e provavelmente será a ruína, de sua família. Ele aborrece todo o seu trabalho e esforço, quando vê a quem deverá deixar o fruto desse trabalho.

2. Uma esposa rabugenta e que está sempre contrariada e irritada é uma aflição igualmente grande: suas contenções são contínuas; todos os dias, e todas as horas do dia, ela encontra oportunidades para provocar desconforto a si mesma e a todos os que estão à sua volta. Aos que estão acostumados a criticar nunca faltará uma coisa ou outra para criticar; mas isto é como um gotejar contínuo, isto é, uma irritação contínua, é como ter uma casa tão mal conservada, em que a chuva penetra, e um homem não fica seco dentro dela. Tem uma vida desconfortável, e tem necessidade de uma grande quantidade de sabedoria e graça, que lhe permitam suportar a sua aflição e cumprir o seu dever, o homem que tem um beberrão como filho, e uma mulher rabugenta como esposa.

 

V. 14 – Observe:

1. Uma esposa discreta e virtuosa é uma dádiva excelente da providência de Deus para um homem – uma esposa que é prudente, em oposição a uma que é contenciosa (v. 13). Pois, embora uma esposa que está continuamente à procura de defeitos e falhas possa julgar que é inteligente e sábia, isto é, na realidade, a sua tolice; uma esposa prudente é mansa e quieta, e tira o melhor proveito de todas as coisas. Se um homem tem uma esposa assim, prudente, não deve atribuir isto à sabedoria da sua própria escolha, ou ao seu próprio controle (pois até os mais sábios foram enganados por uma mulher), mas sim à bondade de Deus, que lhe criou uma adjutora apropriada, e talvez, por algumas voltas da providência que pareceram casuais, trouxe esta mulher para ele. Cada criatura é aquilo que Ele faz com que ela seja. Os casamentos felizes, temos certeza, são planejados no céu; o servo de Abraão orou, com esta fé (Genesis 24.12).

2. Uma esposa prudente é uma dádiva mais valiosa do que uma casa e riquezas, contribui mais para a consolação e a reputação da vida de um homem, e para o bem-estar da sua família, é um sinal maior e melhor da benevolência de Deus. A providência divina age, de maneira especial, neste sentido. Uma boa propriedade pode ser herança dos pais, que, pela orientação comum da Providência, vem ao caminho de um homem; mas nenhum homem tem uma boa esposa por descendência ou herança. Os pais que são materialistas, nos seus cuidados com seus filhos, não desejam nada além de casá-los com casas e riquezas; mas, se além disto, o filho tiver uma esposa prudente, que Deus tenha toda a glória.

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PROVÉRBIOS 19: 8–11

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AS ANGÚSTIAS DOMÉSTICAS

 

V. 8 – São aqui encorajados:

1. Os que se esforçam para obter sabedoria, para conquistar conhecimento, e graça, e conhecimento com Deus; os que fazem isto mostram que amam suas próprias almas, e serão revelados como tendo feito, a si mesmos, a maior bondade imaginável. Nenhum homem odiou a sua carne, mas a ama, mas a muitos falta o amor pelas suas próprias almas, pois somente amam suas próprias almas, e consequentemente somente amam a si mesmos, adequadamente, os que obtêm a sabedoria, a verdadeira sabedoria.

2. Os que se empenham em conservá-la, depois de tê-la conseguido; é saúde, e riqueza, e honra, e tudo, para a alma, e por isto aquele que guarda o entendimento, como mostra no amor por sua própria alma, certamente encontrará o bem, todo o bem. Aquele que retém as boas lições que aprendeu, e ordena as suas palavras de acordo com elas, encontrará o benefício e a consolação na sua própria alma, e será feliz, aqui e para sempre.

 

V. 9 – Aqui temos:

1. Uma repetição do que foi dito antes (v. 5), pois precisamos ser sempre advertidos do perigo do pecado da mentira e do falso testemunho, uma vez que nada tem consequências mais fatais.

2. Um acréscimo a isto, em uma palavra; ali, foi dito, “O que profere mentiras não escapará”, indicando que ele será punido. Aqui, é dito que a sua punição será tal que será a sua destruição: ele perecerá; as mentiras que ele falou contra os outros serão a sua própria ruina. É um pecado incriminador e destruidor.

 

V. 10 – Observe:

1. O prazer e a liberdade não convêm a um tolo: “Ao tolo não está bem o deleite”. Um homem que não tem sabedoria e graça não tem direito à verdadeira alegria, e por isto ela lhe é inconveniente. Não convém que aqueles que não têm prazer em Deus, ou que não sabem se comportar, e por isto apenas se expõem, tenham prazer em qualquer outra coisa. Convém que os tolos, que não têm a graça, sejam afligidos, e lamentem, e chorem, e não que riam e sejam felizes; para eles, são mais apropriadas repreensões do que prazeres. O deleite é conveniente para um homem de negócios, para revigorá-lo, quando estiver fatigado, mas não para um tolo, que vive uma vida de ociosidade e abusa de suas recreações. A prosperidade dos tolos revela a sua tolice, e os destrói.

2. O poder e a honra não são convenientes a um homem de espírito servil. Nada é mais inapropriado do que um servo dominando príncipes; é um absurdo, e muito ilógico, pois ninguém é tão insolente e intolerável como um mendigo quando anda a cavalo, ou como um servo, quando reina (Provérbio 30.22). É muito inapropriado, para alguém que é um servo, que peque, e que os seus desejos dominem e oprimam os que são homens livres de Deus, e se tornaram reis e sacerdotes para Ele.

 

V. 11 – Um homem sábio irá observar estas duas regras sobre a sua ira:

1. Não ser precipitado em seus rancores: o discernimento nos ensina a adiar a nossa ira, a adiar a admissão da ira, até que tenhamos considerado exaustivamente todos os méritos da provocação, vendo-os sob uma luz verdadeira e ponderando sobre eles, de maneira imparcial; e então, adiar a execução dessa ira, até que não haja nenhum risco de ato impróprio. Dê tempo à ira, e ela esfriará.

2. Não ser excessivamente crítico em seus rancores, ainda que normalmente se considere perspicácia apreender rapidamente uma afronta, aqui a glória de um homem é passar sobre a transgressão, como se não a tivesse, isto (Salmos 38.13), ou, se julgar adequado observá-la, ainda assim perdoá-la e não pensar em vingança.

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PROVÉRBIOS 19: 5–7

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AS DESVANTAGENS DA POBREZA

 

V. 5 – Aqui temos:

1. Os pecados ameaçados – dar falso testemunho em juízo e mentir na conversação normal. Os homens não poderiam chegar a tal nível de impiedade a ponto de dar falso testemunho (quando a culpa por uma mentira é adicionada à de perjúrio e ofensa), se não tivessem se permitido falar falsidades, sob a forma de brincadeira e zombaria, ou sob o pretexto de fazer o bem. Assim os homens ensinam a sua língua a falar a mentira (Jeremias 9.5). Aqueles que se atreverão a mentir devem ser considerados, com razão, culpados da maior iniquidade que é o falso testemunho, sempre que forem tentados a isto, ainda que pareçam detestá-lo. Os que podem engolir uma palavra falsa fraudam suas consciências, de modo que um juramento falso não os fará engasgar.

2. A ameaça, propriamente dita: eles não ficarão impunes; eles não escaparão. Isto indica que aquilo que lhes dá a ousadia no pecado é a esperança da impunidade, sendo um pecado que comumente escapa à punição dos homens, ainda que a lei seja rígida (Deuteronômio 19.18,19). Mas não escapará à justa justiça de Deus, que é zeloso e não permitirá que o seu nome seja profanado; nós sabemos onde todos os mentirosos terão a sua sorte eterna.

 

V. 6 e 7 – Estes dois versículos são um comentário sobre o versículo 4, e mostram:

1. Como os que são ricos e nobres são cortejados e adulados, e têm servos em abundância. O príncipe que tem poder em sua mão, e primazias à sua disposição, tem sua porta e sua antecâmara cheia de suplicantes, que estão prontos a venerá-lo pelo que podem conseguir. Muitos suplicarão o seu favor; e se considerarão felizes com isto. Mesmo os nobres são humildes suplicantes perante o príncipe. Quão ansiosos, então, devemos ser pela benevolência de Deus, que é muito superior à de qualquer príncipe terreno. Mas, aparentemente, a liberalidade irá além da própria majestade, para conquistar respeito, pois há muitos que cortejam o príncipe, mas cada homem é amigo daquele que dá presentes; não somente aqueles que receberam ou que esperam presentes dele estarão como amigos, prontos a servi-lo, como os outros também, como amigos, o recomendarão. Os esbanjadores, que são tolamente desprendidos do que possuem, terão muitos parasitas que os elogiarão, enquanto seus bens durarem, mas os deixarão depois que tiverem gastado tudo. Os que são prudentemente generosos têm interesse pelo que lhes pode ser útil; os que são considerados benfeitores exercem urna autoridade que poderá lhes dar urna oportunidade de fazer o bem (Lucas 22.25).

2. Como os que são pobres e humildes são desprezados. Os homens podem, se quiserem, cortejar o príncipe e os nobres, mas não podem pisar sobre os pobres e olhá-los com desdém. Mas isto frequentemente acontece: todos os irmãos do pobre o aborrecem; até mesmo seus próprios parentes o evitam, porque ele passa necessidade e espera alguma coisa deles, e porque eles o consideram como uma mancha para a sua família; e então, não é de admirar que outros dos seus amigos, que não são seus parentes, se afastam dele, saem do seu caminho. O pobre os busca com palavras, esperando, com o seu importunismo, levá-los a tratá-lo com bondade, mas tudo em vão; nada têm para ele. Eles o buscam com palavras (assim alguns interpretam), para se desculparem por não lhe darem alguma coisa; eles lhe dizem que ele é ocioso e impertinente, que ele se levou à pobreza, e por isto não deve ser aliviado; como Nabal disse aos mensageiros de Davi: “Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé? Muitos servos há hoje, e cada um foge a seu senhor”. Que os pobres, portanto, façam de Deus seu amigo, que o busquem com suas orações, e Ele não lhes deixará desprovidos.

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PROVÉRBIOS 19: 1–4

Alimento diário

AS DESVANTAGENS DA POBREZA

 

V. 1 – Aqui, veja:

1. O que será a reputação e a consolação de um homem pobre, e o tornará mais excelente do que o seu próximo, ainda que a sua pobreza possa expô-lo ao desprezo, e possa desanimá-lo. Ele deve ser honesto, e andar em sinceridade, deverá manter uma boa consciência e mostrar isto, deve falar e agir sempre com sinceridade, quando estiver sob as maiores tentações de ludibriar e quebrar a sua palavra, e então deverá se considerar com base nisto, como todos os homens sábios e bons o considerarão. Ele é melhor, tem caráter melhor, está em melhor condição, é mais amado, e vive com propósito melhor, do que muitos que parecem excelentes.

2. O que será a vergonha de um homem rico, apesar de toda a sua pompa. Se ele tiver uma cabeça frívola e uma língua perversa, se for perverso de lábios e tolo, se for ímpio e conseguir o que tem por meio de fraude e opressão, é um tolo, e um homem honesto e pobre deverá ter toda a preferência em relação a ele.

 

V. 2 – Aqui duas coisas são declaradas como tendo más consequências:

1. Ignorância: não ter conhecimento da alma não é bom, é a interpretação de alguns. Não conhecemos a nós mesmos, aos nossos próprios corações? “Ficar a alma sem conhecimento não é bom”. É um grande privilégio o fato de que tenhamos almas, mas, se estas almas não têm conhecimento, em que somos melhores? Se o homem não tem entendimento, é como os animais (Salmos 49.20). Uma alma ignorante não pode ser uma alma boa. O fato de que uma alma não tenha conhecimento não é seguro, nem agradável; que bem pode fazer a alma, para que ela serve, se não tiver conhecimento?

2. Precipitação. Aquele que se apressa com seus pés (que faz coisas impensadamente e com precipitação, e não dedica tempo para ponderar sobre o caminho dos seus pés) peca; frequentemente erra o caminho e dá muitos passos em falso – algo que os que consideram os seus caminhos evitam. Não conhecer é equivalente a não considerar.

 

V. 3 – Temos aqui dois exemplos da loucura dos homens:

1. Eles se envolvem em dificuldades e problemas, e ficam estagnados e confusos: ”A estultícia do homem perverterá o seu caminho”. Os homens encontrarão obstáculos e desapontamentos em seus negócios, e as coisas não acontecerão como eles esperavam e desejavam, e isto é devido a eles mesmos e à sua própria tolice; é a sua própria iniquidade que os corrige.

2. Quando tiverem se envolvido em dificuldades e problemas, colocarão a culpa em Deus, e seus corações se irarão com Ele, como se Ele os tivesse prejudicado, quando, na verdade, eles prejudicaram a si mesmos. Na nossa ira, somos inimigos da nossa própria paz, e atormentamos a nós mesmos; na nossa ira contra o Senhor, nós o afrontamos, à sua justiça, à sua bondade e à sua soberania; e é muito absurdo aproveitarmo-nos dos problemas que trazemos sobre as nossas próprias cabeças, pela nossa determinação ou negligência, para contender com Deus, quando deveríamos culpar a nós mesmos, pois é nossa própria obra. Veja Isaías 50.1.

 

V. 4 – Aqui:

1. Podemos ver quão forte é o amor pelo dinheiro que sentem os homens, a ponto de levá-los a amar a qualquer homem, por menos que ele mereça, se o tal tiver apenas uma quantidade de dinheiro e puder usá-lo com liberdade, de modo que eles possam esperar, deste, algo melhor. A riqueza permite que um homem envie muitos presentes, crie muitas diversões e realize muitos bons trabalhos, e assim lhe conquistará muitos amigos, que fingirão amá-lo, pois o adulam e cortejam, mas, na realidade, amam o que ele tem, ou melhor, amam a si mesmos, esperando conseguir algo dele.

2. Podemos ver o quanto é fraco o amor dos homens, uns pelos outros. Aquele que, enquanto prosperava, era amado e respeitado, se empobrecer, é separado de seu próximo, não é reconhecido nem considerado, não é visitado, e lhe dizem que fique à distância, e que é importuno. Mesmo aquele que foi seu amigo desviará seu rosto dele, e passará do outro lado da rua. Como as consciências dos homens lhes dizem que deveriam aliviar e socorrer esta pessoa, eles se dispõem a dar a desculpa de que não a viram.

 

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PROVÉRBIOS 18: 19 – 24

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 19 – Observe:

1. Deve-se tomar grande cuidado para evitar contendas entre parentes, e os que têm algum compromisso especial, uns com os outros, não somente porque estas contendas são pouco naturais e totalmente inconvenientes, mas porque entre estas pessoas as coisas são normalmente ditas e recebidas com muita crueldade, e os ressentimentos vão longe demais. A sabedoria e a graça, na verdade, devem fazer com que nos seja fácil perdoar nossos parentes e amigos, se nos ofendem, porém a corrupção faz com que nos seja muito difícil perdoá-los; devemos, portanto, tomar cuidado para não afrontar um irmão, ou alguém que nos seja como um irmão – a ingratidão é uma grande provocação.

2. Devem ser feitos grandes esforços para decidir as questões que geram divergências entre os parentes. o mais rapidamente possível, porque é algo de extrema dificuldade, e, consequentemente, é muito honroso que seja feito. Esaú foi um irmão ofendido, e pareci a mais difícil de conquistar do que uma cidade forte, mas, por uma obra de Deus em seu coração, em resposta à oração de Jacó, ele foi conquistado.

 

V. 20 – Observe:

1. A nossa consolação depende do testemunho das nossas próprias consciências, a nosso favor ou contra nós. Aqui, o ventre significa a consciência, como em Provérbios 20.27. É muito importante para nós que ela fique satisfeita, e que esteja cheia do que será a nossa satisfação e a nossa paz interior.

2. O testemunho elas nossas consciências será a nosso favor; ou contra nós, conforme tenhamos tido um bom ou mau controle de nossas línguas. Conforme o fruto da boca, bom ou mau, de iniquidade ou de justiça, assim é o caráter do homem, e, consequentemente, o testemunho da sua consciência a seu respeito. “Devemos tomar um cuidado tão grande com as palavras que proferimos como com os frutos de nossas árvores ou a produção da terra, que iremos comer; pois, conforme sejam saudáveis ou não, também será o prazer ou a dor com que seremos cheios”.

 

V. 21 – Observe:

1. Um homem pode fazer uma grande quantidade ele bem ou uma grande quantidade de mal, tanto para os outros como a si mesmo, conforme o uso que faz da sua língua. Muitos provocaram a sua própria morte, por uma língua traiçoeira, ou a morte de outros por uma língua mentirosa; e, por outro lado, muitos sal­ varam a sua própria viria, ou buscaram a sua consolação, por uma língua gentil e prudente, e salvaram as vidas de outros, por um oportuno testemunho ou intercessão a favor deles. E, se pelas nossas palavras nós devemos ser justificados ou condenados a vida e a morte, sem dúvida, estão no poder da língua. A língua foi o melhor alimento de Êsopo, e o pior.

2. As palavras dos homens serão julgadas pelos sentimentos com que falam; aquele que não somente fala de maneira correta (o que um homem ímpio pode fazer, para salvar sua reputação ou agradar a seus amigos), mas ama falar bem, fazendo-o voluntariamente, e com prazer, para o tal a língua será a vida; e aquele que não somente fala de maneira equivocada (o que um homem bom pode fazer, inadvertidamente), mas ama falar assim (Salmos 52.4), para este a língua será a morte. Conforme os homens a amem, comerão os seus frutos correspondentes.

 

V. 22 – Observe:

1. Uma boa esposa é uma grande bênção para um homem. O que acha uma mulher (isto é, uma esposa, verdadeiramente; uma má esposa não merece ser chamada por este nome de tanta honra ), que encontra uma adjutora adequada para ele (isto é uma esposa, na acepção original da palavra), que busca uma esposa com cuidado e oração, e encontra o que busca, acha uma coisa boa, uma joia muito valiosa, uma joia rara; ele achou aquela que não somente contribuirá, mais do que qualquer coisa, para o seu conforto nesta vida, mas o auxiliará no caminho para o céu.

2. Deus deve ser reconhecido nisto, com gratidão; é um sinal da sua benevolência, e um feliz prenúncio de nossos benefícios; é um sinal de que Deus se alegra com um homem para lhe fazer bem, e tem misericórdia armazenada para ele; por isto, portanto, Deus deve ser buscado.

 

V. 23 – Observe:

1. A pobreza, embora acompanhada por muitas inconveniências para o corpo, frequentemente tem um bom efeito sobre o espirito, pois torna os homens humildes e submissos, e elimina a sua soberba. Ela os ensina a usar rogos. Quando a necessidade força os homens a implorar, ela lhes diz que não devem ordenar nem exigir, mas aceitar o que lhes é dado e ser gratos. Diante do trono da graça de Deus, somos todos pobres, e devemos usar de súplicas e rogos, não responder, mas suplicar, rogar, devemos agir como um mendigo.

2. Uma condição próspera, ainda que tenha muitas vantagens, frequentemente é acompanhada daquela iniquidade que torna os homens soberbos, arrogantes e altivos: “O pobre fala com rogos, mas o rico responde com durezas”, como Nabal respondeu aos mensageiros de Davi com insultos. É um capricho muito tolo, de alguns homens ricos, especialmente aqueles que começaram com pouco, que pensem que suas riquezas lhes permitirão usar de palavras duras, e, mesmo quando não tencionam nenhuma atitude áspera, que lhes convém responder de maneira dura, quando os cavalheiros devem ser gentis (Tiago 3.17).

 

V24 – Aqui, Salomão nos recomenda a amizade, e mostra:

1. O que devemos fazer para que possamos obter e cultivar amizades: devemos nos mostrar amistosos. Para ter amigos e mantê-los, devemos não somente não afrontá-los nem discutir com eles, mas devemos amá-los, e mostrar­ lhes que os amamos, por todas as expressões de carinho, sendo espontâneos com eles, agradáveis a eles, visitando­ os e recebendo-os, e, especialmente, fazendo todas as boas coisas que pudermos e servindo-os em tudo o que estiver em nosso poder; isto é nos mostrar amistosos.

2. Que vale a pena fazer isto, pois podemos prometer a nós mesmos uma grande quantidade de consolação através de um amigo fiel. Um irmão realmente nasce na angústia, como Salomão tinha dito (Provérbios 17.17). Nas nossas dificuldades, esperamos consolação e alívio dos nossos parentes, mas às vezes há um amigo, que não tem nenhum parentesco conosco, cujos laços de estima e amor provam ser mais fortes do que os da natureza, e, quando chegar à provação, fará mais por nós do que um irmão. Cristo é um amigo de todos os crentes, que é mais intimo do que um irmão; a Ele, portanto, devem todos se mostrar amistosos.

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PROVÉRBIOS 18: 14–18

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 14 – Observe:

1. As aflições externas são toleráveis, desde que a mente seja recreada e esteja tranquila. Neste mundo, estamos sujeitos a muitas enfermidades, muitas calamidades, em nosso corpo, nome e propriedades, as quais um homem pode suportar, se tiver boa conduta e coragem, e for capaz de agir com razão e resolução, especialmente se tiver uma boa consciência e o testemunho desta for a seu favor; e, se o espírito do homem pode suportar a enfermidade, muito mais o espírito de um cristão, ou melhor, o Espírito de Deus, testemunhando e operando em nosso espírito, em dias de dificuldades.

2. As aflições do espírito são, de todas as outras, as mais pesadas e difíceis de suportar; elas fazem doer os ombros que devem suportar as outras fraquezas. Se o espírito for ferido por algum distúrbio da razão, e sofrer algum tipo de desânimo ou tristeza de\ido à dificuldade, qualquer que seja ela, e a falta de esperança de alívio, se o espírito for ferido pelas assombrosas apreensões da ira de Deus, pelo pecado, e pelas temíveis e:x-pectativas de juízo e violenta indignação, quem poderá suportar? Os espíritos abatidos não podem se ajudar, nem os outros sabem como ajudá-los. É, portanto, sensato manter a consciência livre de transgressões.

 

V. 15 – Observe:

1. Os que são sábios buscarão o conheci­ mento, e dedicarão seus ouvidos e seu coração a esta busca – os seus ouvidos para prestar atenção aos meios de conhecimento, e o seu coração para mesclar fé com o que ouvem, e aproveitá-lo ao máximo. Os que são sábios nunca pensam que já têm suficiente sabedoria, mas verão que ainda têm necessidade de mais; e quanto mais sábio for um homem, mais inquisidor será, em busca do conhecimento, o conhecimento de Deus e do seu dever, e do caminho para o céu, pois este é o melhor conhecimento.

2. Os que buscam prudentemente o conhecimento certamente o obterão, pois Deus nunca lhes dirá: buscai-me em vão, mas, buscai e encontrareis. Se o ouvido o busca,  o coração o obtém, e o guarda, e é enriquecido por ele. Devemos obter o conhecimento, não somente em nossas cabeças, mas também em nossos corações, obter o sabor dele, aplicar o que conhecemos a nós mesmos e sentir o poder e a influência desse conhecimento.

 

V16 – Observe: A grande força que têm os presentes (isto é, os subornos) que Salomão tinha mencionado antes (Provérbios 17.8,23). Aqui, ele mostra o poder dos presentes, isto é, os presentes feitos até mesmo pelos inferiores aos que estão acima deles e que têm muito mais do que eles. Um bom presente leva:

1. À liberdade de um homem: o presente do homem, se ele estiver na prisão, alarga-lhe o caminho; há cortesãos que, se usarem seus interesses, até mesmo para com a inocência oprimida, esperarão receber uma gratificação por isto. Ou, se um homem humilde não souber como conseguir acesso a um nobre, poderá fazê-lo por meio de um pagamento a seus servos, ou enviando um presente para o próprio nobre; isto poderá lhe abrir caminho.

2. À sua promoção. Ele poderá se sentar em meio aos nobres, em uma situação de honra e poder. Veja quão corrupto é o mundo, quando os presentes dos homens passam a fazer parte das questões, sim, até mesmo das questões mais excelentes; na verdade, ganharão com eles os que são indignos e inadequados; e não é de admirar que recebam subornos em seus cargos os que pagaram subornos para consegui-los. Aquele que comprou a lei pode vendê-la.

 

V. 17 – Isto mostra que uma narrativa será boa, até que outra seja contada.

1. Aquele que fala primeiro se certificará de contar uma estória justa, e narrar somente o que lhe é vantajoso, e lhe dará a melhor aparência que puder, de modo que a sua causa pareça reta, quer realmente seja boa ou não.

2. Tendo o queixoso apresentado suas evidências, é apropriado que o acusado ou réu seja ouvido, que tenha permissão de confrontar as testemunhas e interrogá-las, e mostrar a falsidade do que foi alegado, que talvez dê à questão uma aparência muito diferente da realidade. Devemos, portanto, nos lembrar de que temos dois ouvi­ dos, para ouvir os dois lados, antes de julgar.

 

V. 18 – Observe:

1. Normalmente surgem contendas entre os poderosos, que são zelosos de sua honra e direito, e que são meticulosos quanto a ambos, que são confiantes de que são capazes de prosperar; portanto, dificilmente serão condescendentes com os termos necessários de um ajuste ou adaptação; ao passo que os que são pobres são forçados a ser pacíficos, e resultam perdedores.

2. Mesmo as contendas dos fortes podem ser encerradas por sortes, se eles não fizerem concessões, e algumas vezes isto é melhor do que discussões intermináveis, ou concessões às quais é difícil aquiescer, ao passo que não é vergonha para um homem, concordar no que as sortes determinam. Para evitar contendas, Canaã foi dividida por sortes; e, se o uso das sortes não fosse profanado este modo de apelo à Providência, talvez ele fosse usado até agora para a decisão de muitas controvérsias, tanto para a honra de Deus como para a satisfação dos envolvidos, com a condição de que fosse feito com oração e a devida solenidade, como esta e outras passagens das Escrituras parecem instruir, particularmente Atos 1.26. Se a lei fosse uma loteria (como alguns a chamaram ), seria aceitável que uma loteria também pudesse ser a lei.