A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MATÉRIA-PRIMA DO PENSAMENTO

A linguagem vai além do campo cognitivo. ela auxilia na identificação de sensações e na construção da inteligência emocional

Matéria-prima do pensamento

Quando você ensina conceitos emocionais às crianças, você ensina mais que comunicar: cria a realidade dessas crianças – uma realidade social”, destaca a neurocientista Lisa Barrett, autora de How Emotions Are Made, baseado em suas pesquisas sobre a construção das emoções. Conforme foi destacado, estudos neurocientíficos apontam uma nova perspectiva na compreensão dos sentimentos, não como respostas pré-programadas, mas como construções sociais – o que leva a uma visão mais flexível sobre a forma como podemos lidar com elas, saindo do papel de reféns da s emoções para ganhar o poder de desconstruí-las.

A linguagem tem um papel fundamental no desenvolvimento da inteligência emocional. Sua função, portanto, não se limita à expressão das nossas experiências e emoções, com a finalidade de influenciar de incontáveis maneiras aqueles com os quais interagimos. É a matéria-prima do pensamento, o conjunto de peças que molda a forma como percebemos o ambiente, como interpretamos o outro e como compreendemos as próprias emoções.

Diferentemente de palavras que representam elementos concretos, os conceitos abstratos geralmente dependem do contexto para serem definidos e explicados. E é nessa maleabilidade que está a riqueza de uma língua – e também, de acordo com Barrett, do repertório emocional que cada um carrega. Por isso, com o ensino de conceitos, damos às crianças e adolescentes “ferramentas que irão ajudar a regular seu equilíbrio fisiológico, a encontrar significado nas suas sensações e a influenciar os outros de forma mais eficaz. São habilidades que elas usarão a vida inteira”.

A linguagem abstrata permite enxergarmos coisas que antes se encontravam em um ponto cego da percepção. Como se fossem lanternas da mente, as palavras expandem os limites do nosso mundo interno, como defendeu o filósofo alemão Wittgenstein. Um mundo que é inteiramente guiado pelas emoções e sentimentos – das grandes conquistas às piores decisões. Para conseguir identificá-los é necessário nomeá-los. Com a consciência dos ingredientes que os compõem, a partir da clareza trazida pelas palavras certas damos ao cérebro a capacidade de categorizar, perceber e predizer as emoções – ferramentas fundamentais para que possamos lidar melhor com eles e responder aos estímulos de forma mais flexível e funcional. Quanto maior o vocabulário, portanto, maior o que Barrett chama de “granularidade emocional”. Um repertório que possibilita expressar da forma mais acurada possível o leque de nuances emocionais que as diversas situações e estímulos podem evocar está relacionado à capacidade de construir experiências emocionais mais refinadas, levando a melhores predições e instâncias de emoções que são modeladas de acordo com cada situação.

O desenvolvimento da inteligência emocional a partir da identificação das emoções por meio de linguagem é o que chamam os de processo top-bottom: do cognitivo para o emocional, ou das regiões corticais para as subcorticais. Como muitos processos mentais, a relação cognição/emoção ocorre por um a via de mão dupla: os estímulos que envolvem o pensamento, ou seja, que operam no modo cognitivo, agem sobre as emoções, da mesma forma como o contrário também é verdade.

Dentro dessa mesma perspectiva, o neurocientista e psiquiatra Daniel Siegel defende que o vocabulário relacionado às inúmeras experiências internas seja ensinado a crianças e adolescentes como forma de educação emocional – uma técnica que ele chama de name it to tame it (uma rima em inglês que significa nomeie para amansar, ou domar). Não saber o que sente, ele explica, pode ser confuso e até aterrorizante. “Dividir a sua experiência com outros pode muitas vezes fazer com que momentos terríveis sejam compreendidos e não se transformem em trauma. Tanto seu mundo interno quanto relações interpessoais irão se beneficiar da identificação do que está acontecendo, trazendo mais integração à sua vida”, explica Siegel, no livro Cérebro do Adolescente (Editora Versos, 2016).

Há muitos estudos que confirmam esse raciocínio. Em uma investigação conduzida pelo Centro de Inteligência Emocional de Yale, foram trabalhados conceitos emocionais em 62 classes de crianças em sessões de meia hora por semana, durante dois anos, e avaliados seus desempenhos acadêmico e social. Em ambos domínios, aquelas que participaram do programa apresentaram melhores resultados que alunos que não tiveram a instrução.

Outra pesquisa indicando que o aprendizado de palavras relacionadas aos diversos estados emocionais leva a um refinamento dos sentimentos envolveu pessoas com aracnofobia: foram avaliadas três abordagens distintas, e aquela que utiliza o repertório mais rico de sensações mostrou-se mais eficaz e duradoura que as outras.

Os resultados do ensino e da evocação de conceitos abstratos, portanto, não se restringem a um enriquecimento cognitivo, mas expandem-se ao universo social e emocional, afetando profundamente essas experiências. No próximo post veremos como o cérebro constrói sentido na linguagem abstrata, um conhecimento que nos fornece meios e formas mais eficazes de ensinar esses conceitos.

 

MICHELE MÜLLER – é jornalista, pesquisadora, especialista em Neurociências. Neuropsicologia Educacional e Ciências da Educação. Pesquisa e aplica estratégias para o desenvolvimento da linguagem. Seus projetos e textos estão reunidos no site www.michelemuller.com.br

OUTROS OLHARES

O FUTURO DA MENTE

Como a inteligência artificial pode melhorar o cérebro humano e ajudar na criação de máquinas conscientes

O futuro da mente

Penso na natureza fundamental da mente e na natureza do “eu”. Ultimamente, tenho refletido sobre essas questões tendo em vista tecnologias emergentes. Tenho pensado sobre o futuro da mente e, mais especificamente, sobre como a tecnologia de inteligência artificial (IA) pode remodelar a mente humana e criar mentes sintéticas. À medida que a IA fica mais sofisticada, uma coisa que me interessa bastante é saber se os seres que talvez consigamos criar poderão ter experiências conscientes.

A experiência consciente é o aspecto sensorial de sua vida mental. Quando você vê os exuberantes tons de um pôr do sol ou sente o aroma de café pela manhã, você está tendo uma experiência consciente. Ela lhe é bastante familiar. Inclusive, não há um momento de sua vida em que você não seja um ser consciente.

O que quero saber é, se tivermos uma inteligência artificial geral — capaz de conectar ideias de maneira flexível através de diferentes domínios e de talvez ter algo similar a uma experiência sensorial —, seria ela consciente ou tudo estaria sendo computado no escuro — envolvendo coisas como tarefas de reconhecimento visual de uma perspectiva computacional e pensamentos sofisticados, mas sem ser verdadeiramente conscientes?

Ao contrário de muitos filósofos, especialmente aqueles na mídia e transumanistas, costumo ter uma abordagem de “esperar para ver” em relação à consciência das máquinas. Primeiro porque rejeito a linha totalmente cética. Existiram filósofos muito conhecidos no passado que não acreditavam na possibilidade de consciência das máquinas — notoriamente John Searle —, mas creio que seja cedo demais para falar. Haverá muitas variáveis que determinarão se má- quinas conscientes existirão.

Em segundo lugar, temos de nos perguntar se a criação de máquinas conscientes é ao menos compatível com as leis da natureza. Não sabemos se a consciência pode ser implementada em outros substratos. Não sabemos qual será o microchip mais rápido, portanto não sabemos de que material uma inteligência artificial geral será feita. Então, até este momento, é muito difícil dizer que algo altamente inteligente será consciente.

Seria provavelmente mais seguro agora colocar uma barreira conceitual entre a ideia de inteligência sofisticada, de um lado, e a consciência, de outro. O que devemos fazer é manter a mente aberta e suspeitar que, talvez, com tudo que sabemos no momento, a mais sofisticada das inteligências não será consciente. Há muitas questões, e não apenas as que envolvem substratos, que determinarão se má- quinas conscientes serão possíveis. Imagine, por um minuto, que é concebível, ao menos em tese, construir uma inteligência artificial consciente. Quem ia querer fazer isso? Pense nas discussões que estão ocorrendo agora sobre os direitos dos androides, por exemplo.

Imagine que todos esses androides japoneses, criados para cuidar dos mais velhos e da casa das pessoas, acabem se tornando conscientes. Não haveria preocupações quanto a forçar criaturas a trabalhar para outras sendo elas seres conscientes? Não seria parecido com escravidão? Não creio que produzir esses seres seja uma vantagem para as companhias de IA. Na verdade, elas podem decidir retirar-lhes a consciência. Claro, não somos capazes de dizer se a consciência pode ser incluída ou retirada de uma máquina. Até onde sabemos, poderia ser uma consequência inevitável de um cálculo sofistica- do, e então teríamos de nos preocupar com os direitos de androides e de outras IAs.

Caso as máquinas se mostrem conscientes, não vamos apenas aprender sobre suas mentes, mas também sobre as nossas. Poderíamos descobrir mais sobre a natureza da experiência consciente, o que nos levaria a refletir, como cultura, sobre o que é ser um ser consciente. Humanos deixariam de ser especiais, no que tange a sua capacidade de ter pensamentos intelectuais. Estaríamos compartilhando essa posição com seres sintéticos que não são feitos das mesmas coisas que nós. Essa seria uma lição de humildade para os humanos.

Conforme as civilizações ficam mais inteligentes, elas podem se tornar pós-biológicas. Então, a inteligência sintética acabaria sendo um resultado natural de civilizações tecnológicas bem-sucedidas. Num espaço de tempo relativamente curto, conseguimos criar inteligências artificiais interessantes e sofisticadas. Agora estamos direcionando essa inteligência para dentro, em termos de construção de próteses neurais para melhorar o cérebro humano. Já vemos gurus da tecnologia, como Ray Kurzweil e Elon Musk, falando sobre aperfeiçoar a inteligência humana com chips cerebrais — não apenas para auxiliar quem tem distúrbios neurológicos, mas para ajudar as pessoas a viver mais e de maneira mais inteligente. Pode ser que civilizações ao longo do universo tenham se tornado pós-biológicas e melhorado sua inteligência para se transformar, elas próprias, em seres sintéticos. De certa maneira, a IA poderia ser um resultado natural de uma civilização tecnológica bem-sucedida. Claro, não estamos dizendo que o Universo tenha uma abundância de vida. Talvez não tenha. Esse é um questiona- mento empírico, embora muitos de meus colegas na Nasa estejam otimistas. E não estamos sugerindo que, mesmo que outros planetas tenham vida, essa vida seria tecnológica. Ainda não sabemos quão provável é que a própria vida continue a progredir e existir além de sua maturidade tecnológica.

Comecei minha vida acadêmica como economista e em seguida topei com uma aula de Donald Davidson, o eminente filósofo. Descobri que gostava de filosofia anglo-americana e trabalhei com Jerry Fodor, famoso filósofo da mente e crítico das ideias que deram origem à aprendizagem profunda (modelo de aprendizado de computadores a partir de algoritmos que simulam redes neurais do cérebro).

Fodor e eu passávamos horas discutindo sobre o escopo e os limites da inteligência artificial. Eu discordava dele quanto a essas visões iniciais sobre a aprendizagem profunda. Não achava que eram tão impossíveis como ele sugeria. Naquela época, elas eram chamadas de “visões conexionistas”. Ele alegava que o cérebro não é computacional e que a inteligência artificial provavelmente não prosperaria quando chegasse ao nível de inteligência artificial de domínio geral por- que havia uma característica especial no cérebro humano não computacional. A saber, ele estava se referindo ao que chamava de “sistemas centrais”, áreas do cérebro que podemos classificar como sendo de domínio geral, indo além de funções mentais altamente compartimentalizadas — aquele material de primeira que dá origem à criatividade humana e à cognição.

Argumentei que o cérebro era computacional de cabo a rabo. Por exemplo, havia teorias bem-sucedidas de memória de trabalho e atenção que envolviam funções de domínio geral. Enquanto eu estava trabalhando com Fodor, li bastante sobre neurociência computacional. Insisti que o cérebro talvez seja um sistema híbrido que possa ser descrito nos termos da abordagem da rede neural discutida em neurociência computacional, mas no qual essas descrições de alto nível tratadas na psicologia cognitiva fazem referência à forma de pensar a que pessoas como Jerry Fodor recorrem — a linguagem do pensamento, que afirma que o cérebro é um dispositivo de processamento de símbolos que os manipula de acordo com regras.

Teria sido divertido conversar com Fodor sobre sistemas de aprendizagem profunda. Imagino que ele ainda estaria um tanto cético quanto à possibilidade de esses sistemas se desenvolverem ainda mais, tornando-se o que algumas pessoas chamariam de inteligência artificial geral. De forma alguma estou sugerindo que os recursos atuais poderiam originar algo tão sofisticado. Entretanto, acho que, com todo dinheiro que vem sendo investido em inteligência artificial, com todo sucesso com que a velocidade dos cálculos vem aumentando ano após ano, sempre encontrando microchips mais rápidos e melhores, com a possibilidade de computação quântica sendo desenvolvida de maneira séria — todas essas coisas militam fortemente pela inteligência artificial, que progressivamente se torna cada dia melhor. Enquanto isso, podemos observar recursos em diferentes áreas da neurociência, como a neurociência computacional, e aprender com o funcionamento do cérebro. Podemos fazer uma engenharia reversa de IA a partir do cérebro quando precisarmos.

À medida que comecei a pensar sobre as histórias de sucesso da Deep Mind — com sistemas de domínio específico, por exemplo —, passei a acreditar que, com toda ênfase em tecnologia de IA e tecnologias aperfeiçoadas disponíveis, mais IAs sofisticadas seriam criadas. Não apenas criaremos robôs inteligentes; também colocaremos a IA em nossa cabeça e mudaremos o molde da mente humana. Então comecei a me preocupar com a maneira como isso poderia transformar a sociedade.

Vejo muitos mal-entendidos nas discussões atuais sobre a natureza da mente, como a suposição de que, se criarmos IAs sofisticadas, elas inevitavelmente criarão uma consciência. Também existe essa ideia de que deveríamos “nos fundir com a IA” — que, para que humanos possam acompanhar os desenvolvimentos nesse campo e não sucumbira IAs superinteligentes ou ao desemprego tecnológico causado por elas, precisamos melhorar nosso próprio cérebro com essa tecnologia.

Uma coisa que me preocupa nisso tudo é que eu não acho que empresas de IA deveriam estar resolvendo problemas referentes ao molde da mente. O futuro da mente deveria ser uma decisão cultural e uma decisão individual. Muitas das questões em jogo aqui envolvem problemas clássicos de filosofia que não têm soluções fáceis. Estou pensando, por exemplo, nas teorias metafísicas sobre a natureza de uma pessoa. Digamos que você implante, em si, um microchip para se integrar à internet e continue colocando melhorias após melhorias. Até que ponto você ainda vai ser você? Quando pensamos em aperfeiçoar o cérebro, a ideia é melhorar a vida — ficar mais inteligente ou mais feliz, talvez até viver mais ou ter um cérebro mais afiado à medida que envelhece —, mas e se todas essas melhorias nos alterassem de formas tão drásticas que já não fôssemos mais a mesma pessoa?

Há questões apresentadas por filósofos como Hume, Locke, Nietzsche e Parfit que vêm sendo pensadas há anos no contexto de debates sobre a natureza humana. Agora que temos a oportunidade de, possivelmente, esculpir nossa própria mente, acredito que precisamos dialogar com essas posições filosóficas clássicas sobre a natureza do “eu”. Preocupo-me profundamente com a obsessão com a tecnologia. Eu me considero uma tecnoprogressista, no sentido de que quero ver a tecnologia ser usada para melhorar a vida humana, mas precisamos ter cuidado com a aceitação inabalável dessa ideia de fundir-se com IAs ou até de ter uma internet das coisas a nosso redor o tempo todo.

O que precisamos fazer agora, conforme essas tecnologias de aprimoramento neurais estão sendo desenvolvidas, é ter um diálogo público sobre isso. Todas as partes interessadas precisam se envolver, dos pesquisadores dessas tecnologias aos legisladores e até pessoas comuns, especialmente os jovens, contanto que, à medida que tomem essas decisões quanto ao aperfeiçoamento do cérebro, eles sejam capazes de fazer isso com mais escrutínio. Aqui, as questões filosóficas clássicas sobre a natureza do “eu” e a natureza da consciência dão as caras.

Conselhos de ética de IA em grandes empresas são importantes, mas, de certa forma, é a raposa cuidando do galinheiro. A única maneira de termos um futuro positivo quando se trata do uso de tecnologias de IA para criar mentes sintéticas e melhorar a mente humana é trazer essas questões diretamente para o público, e é por isso que eu me importo bastante com o engajamento popular e com a garantia de que todas as partes interessadas estejam envolvidas.

Em um mês, serei a ilustre acadêmica da Livraria do Congresso para o próximo ano, então poderei levar essas questões à capital americana. Espero que, embora muitos líderes de tecnologia estejam ocupados demais para pensar seriamente sobre algumas das questões filosóficas subjacentes, o próprio público se dedique a esse tópico.

Como saberíamos se uma máquina é consciente? Eu sugeri que não podemos presumir que uma IA sofisticada será consciente. Além disso, pode ser que a consciência seja desenvolvida apenas em certos programas de IA ou com certos substratos, certos tipos de microchips e não em outros. Até onde sabemos, talvez sistemas de base de silicone possam ser conscientes, mas sistemas que usem nanotubos de carbono não. Não sabemos. É um questionamento empírico. Então, seria útil fazer alguns testes.

A parte complicada é que, mesmo hoje em dia, não podemos dizer com exatidão o que sistemas de aprendizagem profunda es- tão fazendo. O problema da caixa-preta da IA questiona como podemos saber quais cálculos estão nos sistemas de aprendizagem profunda, inclusive no nível inicial de sofisticação em que se encontram hoje.

Em vez de olhar por baixo do capô da arquitetura da IA, a maneira mais eficaz de determinar a consciência em máquinas é fazer uma abordagem em duas partes. A primeira coisa a se fazer é um teste com base em comportamento, que desenvolvi no Instituto de Estudos Avançados com o astrofísico e prodígio dos exoplanetas Edwin Turner. É um teste simples. Uma das coisas que mais chamam a atenção na consciência humana é o fato de que temos a capacidade de compreender situações imaginárias que envolvam a mente. Quando você era criança, talvez tenha visto o filme “Sexta-feira muito louca”, em que mãe e filha trocam de corpo. Por que isso fez sentido para nós? Fez sentido porque conseguimos imaginar a mente deixando o corpo. Não estou dizendo que a mente de fato saia do corpo, mas conseguimos imaginar situações, pelo menos em linhas gerais, que envolvam uma vida após a morte, reencarnação, experimentos de pensamentos filosóficos.

O que precisamos fazer, então, é promover IAs capazes de imaginar esses tipos de situações. Há, porém, uma boa objeção a isso, que é o fato de podermos programar uma IA para agir como se fosse consciente. Hoje em dia, já existem IAs que conversam e agem como se tivessem vidas mentais. Pense em Sophia, da Hanson Robotics. Ela fala com você, e a imprensa até conversa com ela como se fosse um ser consciente. Creio que tenha sido oferecida a ela cidadania na Arábia Saudita, o que é interessante.

O que precisamos fazer para determinar se uma IA é consciente é confiná-la. Essa é uma estratégia usada na pesquisa de segurança de IAs para evitar que ganhem conhecimento sobre o mundo ou ajam nele durante o estágio de pesquisa e desenvolvimento, em que se aprende sobre as capacidades de um sistema. Nesse momento, se você não fornece à inteligência artificial conhecimento sobre neurociência e consciência humana e percebe comportamentos anômalos quando a examina à procura de experiência consciente, faça experimentos de pensamento e veja como ela reage. Pergunte, simplesmente: “Você consegue se imaginar existindo após a destruição de suas partes?”.

Turner e eu escrevemos várias perguntas, uma espécie de teste de Turing para consciência de máquinas, projetado para despertar comportamentos contanto que elas estejam confinadas apropriadamente, e isso serve para garantir que não tenhamos falsos positivos. Dito isso, não acho que o teste seja a única maneira de abordar essa questão. É o que filósofos chamam de “condição suficiente” para a consciência de máquinas. Então, se uma má- quina passar no teste, temos motivo para acreditar que ela é consciente. Mas, se for reprovada, outros testes podem ainda assim de- terminar que ela é consciente. Talvez não seja devidamente linguística, talvez não tenha noção do “eu”, e por aí em diante.

Como mencionei, ofereço uma abordagem de duas partes. Deixe-me falar sobre a segunda maneira de determinar se máquinas podem ser conscientes, porque esse é um caminho sensível devido aos desenvolvimentos recentes em chips cerebrais. Conforme usamos neuropróteses ou chips em partes do cérebro que fundamentam a experiência consciente em humanos, se esses chips forem bem-sucedidos e se não notarmos déficit de consciência, então temos motivo para crer que aquele microchip feito de um substrato em particular — digamos, silicone — possa proporcionar consciência quando está no ambiente arquitetônico certo.

Isso seria importante se determinássemos que outro substrato, quando inserido no cérebro humano, não muda a qualidade de nossa experiência consciente quando está em áreas do cérebro que acreditamos ser responsáveis pela consciência. Isso significaria que, em tese, poderíamos desenvolver uma consciência sintética. Talvez façamos isso simplesmente ao substituir de forma gradual o cérebro humano por componentes artificiais até que, no fim, tenhamos um ser que seja uma IA plena.

Eu amo a interseção entre filosofia e ciência ou a parte em que a ciência fica turva e precisa pensar sobre suas implicações. Exemplos disso seriam as teorias da emergência do espaço- tempo na física, nas quais é necessário observar teorias matemáticas e então tirar conclusões a partir delas sobre a natureza do tempo. Questões como essa envolvem um equilíbrio delicado entre considerações matemáticas ou empíricas e questões filosóficas. Este é o momento em que eu gosto de intervir e me envolver.

Estou bastante interessada no escopo e no limite do que podemos saber enquanto humanos. Somos seres humildes e talvez, conforme aperfeiçoemos nossos cérebros, encontraremos respostas para alguns dos clássicos problemas filosóficos. Quem sabe? Por enquanto, se desenvolvermos tecnologia de inteligência artificial sem ter o cuidado de pensar sobre questões envolvendo a natureza da consciência ou a natureza do “eu”, veremos que essas tecnologias talvez não façam aquilo que as pessoas que as desenvolveram queriam que fizessem: melhorar as nossas vidas e pro- mover a prosperidade dos humanos.

Precisamos ter cuidado para nos assegurar de que saberemos se estamos criando seres conscientes e de que saberemos se melhorias radicais em nossos cérebros serão compatíveis com a sobrevivência da pessoa, se- não essas tecnologias levarão à exploração e ao sofrimento de seres conscientes, em vez de melhorar as nossas vidas.

Gosto daquele lugar de humildade em que deparamos com uma parede epistemológica, porque isso nos ensina o escopo e os limites do que conseguimos compreender. Às vezes é importante lembrar, nos dias atuais, com as abundantes inovações tecnológicas, que sempre existirão questões para as quais não temos respostas definitivas. Um bom exemplo é o questionamento sobre cérebros em tonéis — se estamos ou não vivendo dentro de simulações de computador. Essas são questões epistemológicas, sobre a natureza do conhecimento, e que não apresentam respostas fáceis. 

O futuro da mente. 2

GESTÃO E CARREIRA

ESQUEÇA O QUE APRENDEU SOBRE MILLENNIALS E XERS

Quem tem filhos pequenos já notou: o cenário muda muito em dois anos com a I.A., vamos lidar não com gerações, e sim com indivíduos

Esqueça o que aprendeu sobre Millenials e XERs

O conceito de gerações, como o usamos hoje, vem de uma série de estudos de sociólogos e filósofos que escreveram sobre o tema nas primeiras décadas do século 20. Em especial Karl Mannheim, com um artigo intitulado O Problema das Gerações, publicado em 1928.

Embora na época se considerasse que uma geração tinha um ciclo de 30 anos, Mannheim deixa claro que o determinante do período não é a questão cronológica, mas sim a homogeneidade das influências externas no indivíduo. Segundo ele, mais importante do que nascer num mesmo período é a possibilidade de presenciar os mesmos acontecimentos e processar as experiências de forma semelhante.

Naquela época, os períodos entre grandes transformações eram bem mais longos do que hoje. Enquanto o telefone levou 70 anos para atingir 90% da população, a TV colorida levou 20 anos e o celular, menos de dez. Enquanto a internet levou quatro anos para atingir milhões de usuários, o Facebook levou dois anos, o YouTube, dez meses e o Pokémon Go, 19 dias. As curvas de adoção de novas tecnologias se tornam cada vez agressivas, e isso significa que as influências externas estão mudando o tempo todo.

Se as influências mudam com velocidade crescente, isso significa que uma criança de 10 anos hoje está exposta a um ambiente muito diferente do que outra criança estará daqui a dois ou três anos, ao chegar à mesma idade. Tem sentido falarmos em uma geração a cada 20 ou 30 anos?

Quem tem filhos pequenos sabe bem o que estou afirmando. Até as escolas se transformam e precisam se atar a um mundo que evolui muito rapidamente. Vive uma era em que as experiências se tornam mais personalizadas. Com o uso cada vez mais imenso de inteligência artificial, isso vai aumentar. Com a computação quântica vai dar outro salto.

A inteligência artificial vai permitir que as difere pessoais. de personalidade, background, gostos e preferências sejam valorizadas numa dimensão nunca a vista. Os aplicativos serão únicos, e cada usuário vai viver experiências especificas. Isso estará em constante mutação, numa evolução ditada pelo consumidor. Imagine entrar numa loja de roupas, identificar-se na tela do espelho e imediatamente começar a se ver vestido com uma série de roupas sugeridas pelo algoritmo do varejista, que leva em consideração seu histórico de compras, suas curtidas nas redes sociais, as pessoas que você segue, seus influenciadores e amigos. Essa tecnologia já existe hoje, num centro de inovação da varejista japonesa de roupas Uniqlo, em Tóquio. É muito diference da experiência a que estamos acostumados. Mas é muito provável que em pouco tempo se dissemine por todo o varejo. O que vai mudar o layout das lojas, o perfil e a quantidade dos seus funcionários, o tempo que passamos dentro das lojas, além de outras consequências desconhecidas que só veremos na prática. O espaço de tempo paro a adoção de uma tecnologia como essa será muito curto comparado ao conceito de uma geração. E uma tecnologia como essa muda o comportamento das pessoas de forma significativa. É provável que período de, digamos, cinco anos após sua implementação, outras inovações causem outros impactos no comportamento do consumidor. Pessoas com pequenas diferenças de idade terão sofrido influências externas muito diferentes. Ainda serão da mesma geração?

As crianças de até 10 anos hoje já têm uma dificuldade muito grande de entender o conceito de televisão como seus pais a concebem. Mas ainda poderão compreender como era usado esse dispositivo, com muita explicação. Uma criança que hoje tem 5 anos, entretanto, quando chegar aos 10, terá uma capacidade de compreensão mais limitada do mesmo conceito. O esforço de abstração precisará ser imenso. Porque, em cinco anos, muita coisa tem mudado no entretenimento.

Se você estava pensando que o ambiente de negócios ganhou uma complexidade adicional por dar voz a mais gerações no ambiente de trabalho ao mesmo tempo com comportamentos muito diferentes, dou-lhe uma boa e uma má notícia: a boa é que, ao esquecer o conceito de gerações, você deixa de se preocupar com os estereótipos (aplicados às gerações X, Y. Z…) e de pensar pela ótica de tribos ao definir políticas de atração e estímulo de talentos, e de melhoria do ambiente de trabalho. A má notícia é que a complexidade leva à granularidade. Não estamos falando de quatro ou cinco grupos, e sim de diversidade real. Vamos lidar não com gerações, e sim com indivíduos.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

Qualificados - Tony Cooke

CAPÍTULO QUATRO – CARACTERÍSTICAS DOS QUALIFICADOS

“O nosso Senhor deixou claro para Tiago e João que, no Reino de Deus, a alta posição está reservada para aqueles cujos corações — até mesmo nos lugares secretos onde ninguém mais sonda — são qualificados.”  Oswald Sanders

Pensamento-chave: Todos os líderes espirituais deveriam empenhar-se diligentemente para se tornarem e permanecerem qualificados.

Se chamássemos a nós mesmos para o serviço — se nos “autodesignássemos” — então, teríamos o direito de determinarmos os nossos próprios padrões. Mas se Deus nos chama para o serviço, então iremos prestar contas a Ele, e Ele tem o direito de estabelecer o que nos qualifica para servi-Lo de modo eficaz.

Moisés estava em um ponto de total sobrecarga. Ele estava tentando ser sozinho os poderes executivo, legislativo e judiciário do governo de Israel. Seu sogro, Jetro, o aconselhou a respeito dos ajudantes que ele deveria escolher (Êxodo 18:21): “Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza”. A versão da Bíblia A Mensagem traduz esses traços de qualidade como “homens competentes, que temam a Deus e sejam íntegros, incorruptíveis”.

Por acaso alguém foi qualificado por Moisés para servir como juiz sob a sua liderança? Não, mas as seguintes características comuns foram identificadas:

  • Eles tinham que ser capazes e competentes.
  • Eles tinham que ser tementes a Deus.
  • Eles tinham que ser pessoas de integridade e honestidade.
  • Eles tinham que ser incorruptíveis, odiando a avareza e imunes ao suborno.

Aqueles que foram selecionados para servir em posição de alta responsabilidade tinham que personificar credibilidade e integridade, para que a corrupção e a injustiça não alcançassem o povo da aliança de Deus. Muitos anos depois, o rei Davi disse: “Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus” (2 Samuel 23:3).

Em Atos 6, os apóstolos reconheceram a necessidade de trabalhadores que auxiliariam na distribuição diária de comida (tinha havido acusações de parcialidade e negligência nessa área). Os apóstolos também listaram certas qualificações que foram necessárias quando eles deram a seguinte orientação (Atos 6:3): “… escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço”.

Os apóstolos não estavam simplesmente procurando “descarregar” trabalho em alguém, mas era imperativo que aqueles que executariam a tarefa de distribuição tivessem certas qualificações e pudessem lidar com essa responsabilidade.

  • Eles tinham que ser bem respeitados, confiáveis e ter uma boa reputação.
  • Eles tinham que ser cheios do Espírito Santo.
  • Eles tinham que ser cheios de sabedoria.

Além disso, como o Evangelho espalhou-se e igrejas foram estabelecidas em outras nações, Paulo providenciou certas diretrizes para aqueles que serviriam como diáconos.

Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, caso se mostrem irrepreensíveis, exerçam o diaconato. Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo. O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa. — 1 Timóteo 3:8-12

Ao ler essa vasta lista de qualificações, você percebeu que a maioria das exigências tinha a ver com caráter? Em todas essas situações, o serviço oferecido a Deus deveria ser executado por pessoas tementes a Deus. Os traços que são mencionados nessa lista (temente a Deus, integridade, bem respeitado, inocente, temperado, etc.) são, na realidade, simplesmente as características da maturidade daquele que busca ser como Cristo. Elas não são “emblemas de distinção” inalcançáveis que estão disponíveis apenas para alguns indivíduos especialmente chamados. Na verdade, todo cristão, a despeito de qualquer atribuição ministerial específica, é chamado para crescer em temor a Deus e à semelhança de Cristo.

O apóstolo Pedro disse:

…reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor.

Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele a quem estas coisas não estão presentes é cego, vendo só o que está perto, esquecido da purificação dos seus pecados de outrora.

Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição; porquanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum. Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. — 2 Pedro 1:5-11

Como você está nas seguintes áreas?

  • Excelência moral
  • Conhecimento
  • Domínio próprio
  • Perseverança
  • Temor a Deus
  • Fraternidade
  • Amor para com todos

Se o desenvolvimento em todas essas áreas fosse automático para os cristãos, Pedro não teria destacado a necessidade de crescermos nesses pontos, nem teria mencionado a   

possibilidade de algumas pessoas fracassarem em desenvolvê-las.

A última coisa que eu desejo para qualquer um que leia este livro é decidir que não é perfeito o suficiente e desista da ideia de servir a Deus. Precisamos entender que Deus é por nós! Ele não é um Deus crítico em busca de falhas e que está à procura de meios para impedir de nos engajarmos no serviço cristão. Ele está procurando nos ajudar a nos tornarmos tudo o que Ele nos chamou para ser, para que possamos ter credibilidade diante dos outros e trazer glória para Ele.

Mesmo cristãos jovens, que acabaram de entregar os seus corações a Deus, podem procurar por oportunidades para amar e servir a outros. Certamente, existem qualificações que se aplicam especialmente a ofícios ministeriais mais elevados e a serviços de maior expressividade, mas não significa que jovens cristãos não possam ser usados por Deus enquanto ainda estão crescendo.

QUANDO SE TRATA DE POSIÇÕES MAIS ELEVADAS…

Quando se trata de funções de maior visibilidade e influência na igreja, certo crescimento e desenvolvimento são exigidos. Paulo falou dos diáconos e disse: “Também sejam estes primeiramente experimentados; e, caso se mostrem irrepreensíveis, exerçam o diaconato” (1 Timóteo 3:10). Indicando a necessidade de liderança espiritual, Paulo também ensinou: “Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1 Timóteo 3:6). A palavra “neófito”, no grego, literalmente significa “recentemente plantado” e se refere a um recém ou novo convertido.

A Bíblia nos ensina que “àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lucas 12:48). É bom convocar jovens para   servir a Deus de alguma forma “apropriada à sua idade”, assim como é bom para uma criança aprender a ter responsabilidade guardando os seus brinquedos. À medida que uma criança amadurece, ela se torna capaz de fazer mais e mais. 

Cristãos “bebês” não devem sentir que não podem fazer alguma coisa para Deus; ao contrário, eles precisam entender que, ao crescerem em maturidade e fidelidade, serão capazes de serem chamados para executar níveis mais altos de responsabilidade.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DOAR PARA GANHAR

É importante ensinar às crianças quais suas necessidades reais de consumo, aprender a olhar a necessidade do outro e ter em mente que esse é um processo de amadurecimento

Doar para ganhar

No começo de uma nova estação do ano, ou antes de datas festivas, quando novas roupas, brinquedos e coisas serão adquiridos, é comum as famílias separarem peças de vestuário, objetos e jogos usados para doar a instituições e, assim, conseguir criar um espaço destinado a guardar as coisas novas e deixar tudo em ordem para o novo período.

Sobre vários aspectos, essa é uma ação importante e louvável. Constitui ato de cidadania que deveria fazer parte da rotina de todas as famílias. Além disso, é uma forma de ensinar às crianças e jovens que objetos que eles já não usam nem precisam podem ser de grande valia para outras pessoas. Um aprendizado de valores e convívio em sociedade.

Tomar consciência de possuir peças repetidas, roupas sem uso, livros que nem foram lidos, brinquedos na caixa que ninguém nem lembra de ter ganhado, ao serem vistos, traz à razão o quanto podemos ser perdulários, consumistas.

É uma boa hora para se refletir sobre um outro lado da questão: podem os pais, sem risco de desrespeitar os filhos como pessoas, dispor das coisas que lhes pertencem, sem os comunicar? Até que ponto essa decisão é dos pais e até onde os filhos devem ser ouvidos? Qual a idade certa para a criança opinar?

Todos lemos objetos, roupas e livros que consideramos especiais, quer porque nos agradam muito, nos foram oferecidos por alguém muito querido, em uma data memorável, ou porque têm um valor simbólico e sentimental inestimável. Por que não pode ser assim para as crianças? Elas devem participar dessa seleção e ter oportunidade para manifestar sua opinião!

É conveniente, antes de tudo, explicar por exemplo que se precisa do espaço para guardar os no vos materiais escolares no lugar dos antigos e até trocar com outras crianças alguns jogos que se tornaram desinteressantes porque elas estão mais amadurecidas. No caso de resistência exagerada, os pais devem ser mais persuasivos e até firmes, pois sempre há aquelas crianças que não se desprendem de nada, não conseguem abrir mão mesmo de coisas pelas quais nunca mostraram interesse. E esse é um aprendizado necessário e formativo para todos, embora possa demorar algum tempo para se tornar uma rotina familiar tranquila.

Mas deixar de atender todos os pedidos dos filhos em favor da manutenção de um brinquedo especial, ou qualquer outro bem de valor sentimental, é uma medida que vai consolidar a ideia de que as coisas estão sendo “roubadas” deles, sem respeito algum pelos seus sentimentos pessoais. E isso vai torná-los mais egoístas, diminuindo ou mesmo fazendo desaparecer o espírito de colaboração social e de desprendimento que se objetivava ensinar.

Talvez algumas estratégias precisem ser adotadas pelos familiares encarregados dessa tarefa em relação aos pequenos. Em primeiro lugar, fazer disso um hábito periódico, para que a criança desde cedo se acostume. Segundo, a arrumação deve começar pelos armários dos próprios adultos e as crianças podem acompanhar a tarefa, ajudando a empacotar e etiquetar, por exemplo. Assim também começam a compreender o que significa doar, o que vai acontecer com as coisas depois que forem separadas e as razões para fazer essa doação. A postura dos adultos nesse momento é decisiva para o sucesso do aprendizado: contar como foi levar as coisas para este ou aquele local, como foi recebido e para que foi utilizado.

Terceiro, antes de retirar as coisas dos armários das crianças é aconselhável explicar o critério que será usado na seleção das coisas dela: brinquedos já muito usados, que perderam o interesse para sua idade, roupas justas, pequenas, livros que não serão mais usados etc. Podem ser colocadas caixas ou sacolas para cada fim.

Ao separar o material, mostrar à criança peça por peça e perguntar o que ela acha que deve ser doado. E estar atento para a sua atitude para poder intervir com sensibilidade e serenidade, antes que os problemas comecem. A doação deve ser pensada e espontânea.

Dar à criança a oportunidade de pensar o que deseja ou precisa guardar é respeitar sua maneira de lidar com perdas e seu grau de maturidade. Por muitas vezes a própria criança acaba por entregar para doação e com grande desprendimento algo que horas antes tanto queria guardar.

A maior lição, entretanto, está justamente no ensinar aos mais jovens que o respeito pelo outro independe de hierarquia, de poder ou de força. O respeito é um exercício de deferência ao direito do próximo e enobrece a imagem de quem, podendo simplesmente dar ordens por ser o mais velho ou ter maior poder, se preocupa verdadeiramente com o outro.

Aliás, a doação não precisa ser apenas de objetos, pode ser de tempo, de atenção aos outros: escrever um bilhete ao amigo doente, doar uma tarde de domingo para ajudar em um mutirão, participar em um bazar beneficente. Tudo depende da idade e interesse da criança: se aos 3 anos já pode opinar sobre os brinquedos e roupas que deseja doar, antes dos 10 anos visitar creches e asilos pode não ser para todas uma boa ideia.

De toda forma, doar tempo, atenção ou objetos faz muito bem a quem doa, pois estimula a empatia e a solidariedade, aumenta a autoestima por ter aprendido a ser generoso e menos consumista.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos e publicações nacionais e internacionais. Coordena cursos de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

OUTROS OLHARES

A ERA DA DEPRESSÃO DIGITAL

O drama do youtuber Whindersson Nunes, que teve um esgotamento, ilumina um problema atual: a saúde psíquica em tempo de redes sociais

A era da depressão digital

Nascido de um famoso comercial de televisão de biscoitos dos anos 1980, o dilema do Tostines se resumia à seguinte e conhecidíssima indagação: “Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?”. Transfira-se, com alguma liberdade de raciocínio, a indagação para o mundo das redes sociais: por que tantos youtubers têm ansiedade e depressão ou, ao avesso, por que tantos indivíduos que sofrem de ansiedade e depressão se tornam youtubers? Não há uma resposta definitiva, é impossível assegurar o que é causa, o que é efeito, mas há algumas hipóteses. O sujeito que vive pendurado na web, falando de si e de seu mundo à procura de curtidas e visualizações, acaba por entrar numa angustiante roda-viva de querer e precisar de mais e mais, atalho para desordens comportamentais. A pessoa deprimida no universo analógico muitas vezes usa as janelas digitais para pedir socorro, para ter algum contato, para sair do fundo do poço psicológico.

Como a dúvida sempre permanecerá, um bom modo de tentar desenhar a depressão na era da internet é entender o que se passa na cabeça dos grandes campeões de cliques – e poucos personagens são mais adequados a essa investigação do que o piauiense Whindersson Nunes, ex- ajudante de garçom que, em 2013, pousou no YouTube para compartilhar gravações engraçadas feitas dentro do próprio quarto e, debochado, virou fenômeno. Seu canal, que registra 36 milhões de inscritos e 2,9 bilhões de acessos, está entre os maiores do Brasil. Ele chegou a fazer vinte shows por mês, tem programa no Multishow, virou estrela de cinema – e alcançou faturamento anual de pelo menos 35 milhões de reais.

É um superstar de nosso tempo, incapaz de ser enquadrado em qualquer um dos escaninhos do passado (não é propriamente um humorista, não é exatamente um ator). Cresceu tanto, mas tanto, que explodiu – teve o que no universo empresarial é chamado de burnout, a palavra em inglês que designa o esgotamento profissional de caráter psíquico. Comoveu seus fãs ao admitir a depressão em uma de suas postagens, e depois se recolheu. Falou muito pouco ou quase nada do assunto. Agora, ele revelou com exclusividade o que de fato aconteceu. “Será que eu fiquei famoso para morrer como os artistas que partem aos 20 e tantos anos?”, indaga Whindersson. Ele assegura não ser viciado em smartphone – “Fico numa boa” -, mas essa é uma postura improvável, uma contradição em termos, para quem vive de se expor – o que no YouTube significa estar quase sempre plugado, 24 horas por dia. Outros nomes de peso desse time, como Felipe Neto (33 milhões de fãs no YouTube e 9 milhões no Twitter) e Kéfera Buchmann (11milhões de inscritos em seu canal no YouTube), já revelaram ter perdido o prumo. Ele admitiu medicar-se diariamente, com acompanhamento psicológico. Ela disse, em vídeo, e não poderia ser de outra maneira: “Se você sofre de depressão (…) tenho uma coisa para te falar. Não pense no suicídio como uma opção (…) você não quer acabar com sua vida, quer que a dor pare(…)depressão é uma doença muito séria. Não é doença de rico, de quem não tem nada para fazer da vida, ou coisa de desocupado”.

Afinal de contas, os problemas de Whindersson, Felipe e Kéfera, e de tantos outros youtubers, no Brasil e no mundo, são o retrato de uma nova modalidade de disfunção, que poderia ser chamada de depressão digital? E, se ela realmente existe, no que difere da depressão desplugada, do tempo de nossos pais? Ressalve-se, como premissa, que, do ponto de vista dos sintomas, a depressão dos tempos atuais e a de antes, quando não havia o smartphone, são semelhantes. Contudo, a influência das novíssimas tecnologias soa incontestável. “Ninguém está reinventando a depressão, mas a utilização excessiva das redes sociais e smartphones pode estar na base dos gatilhos depressivos”, diz o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo. “Ou seja, a internet acaba alavancando uma eventual predisposição genética que o indivíduo já carrega e que, sem esse uso exagerado, talvez não apresentasse”.

A depressão é um transtorno de múltiplos fatores e se caracteriza por tristeza profunda e forte sentimento de desesperança. Suas origens biológicas e suas causas ainda não foram totalmente desvendadas pela ciência.

Fatores genéticos, ambientais e psicológicos a tornam ainda mais desafiadora. A história familiar também é decisiva – alguém cujo pai ou mãe seja vítima do problema tem um risco 40% maior de desenvolver depressão. Pelo menos três dezenas de genes já foram identificados como uma chave de risco para a aguda aflição.

As pessoas propensas à depressão demonstram pouca habilidade para regular as emoções, têm resiliência frágil e, invariavelmente, tendem a levar a autoestima à lona – nesse aspecto, as redes sociais são o ambiente propício para embaralhar a saúde mental. O uso à noite, na hora de dormir, prejudica o sono; as notificações incessantes afetam a concentração; os likes (e que sorte não haver dislikes) aceleram a montanha-russa emocional; e a busca pela selfie perfeita termina como uma desnecessária briga de egos. Além disso, o ambiente virtual é habitado pelos haters, que adoram odiar, escrevem e falam o que pensam, atacam a vida dos outros sem medo de repercussões, incentivando o cyberbullying. Enfim, a vida digital mudou completamente a forma como as pessoas se comunicam, interagem e trabalham. Estudos recentes mostram que elas checam seu celular oitenta vezes por dia. Os brasileiros são os mais assíduos. Passam mais de nove horas diárias ligadíssimos, período inferior apenas ao dos filipinos e bem superior à média global, de pouco mais de seis horas no ar. O limite, considerado saudável, dentro do equilíbrio, é restrito a três horas diárias.

Do ponto de vista científico, as respostas sobre a influência que o uso massivo das redes sociais tem na saúde mental são embrionárias, mas interessantes demais para ser negligenciadas. Embora os smartphones tenham se popularizado já há uma década, com o lançamento do iPhone, a base de dados dos pesquisadores ainda está em construção. Um estudo publicado no início deste ano pela Universidade College London, do Reino Unido, mostrou que as meninas são duas vezes mais propensas a ter depressão devido ao uso das redes sociais do que os meninos. O levantamento analisou as associações entre redes sociais e sintomas depressivos em cerca de 11.000 jovens britânicos. Para a pesquisa, todos os participantes responderam a um questionário com informações sobre o tempo diário de uso de internet, a frequência de assédios on­line, os padrões de sono e impressões sobre a autoestima. Algumas conclusões: 25% das meninas apresentaram sinais clínicos de depressão; entre os meninos, a taxa foi de 11%. Outro levantamento, também do Reino Unido, avaliou quanto as principais redes (YouTube, Instagram, Twitter e Snapchat) influenciavam os jovens entre 14 e 24 anos. O canal mais nocivo, de acordo com o estudo, seria o Instagram. A necessidade, ou melhor, a imposição de fotos bem posadas e tratadas com filtros impacta a autoimagem e multiplica um medo recentíssimo, com direito a sigla –   POMO, que significa fear of missing out, ou medo de ficar de fora (veja o quadro abaixo).

O uso excessivo da internet é especialmente preocupante na adolescência, período em que o cérebro é mais vulnerável ao surgimento de doenças mentais. “As redes amplificam algumas fraquezas comuns entre os adolescentes – a busca por ser valorizado, a aprovação pelos grupos, a apreensão com as aparências”, diz Guilherme Polancyzk, psiquiatra de crianças e adolescentes da Universidade de São Paulo. “Essa transição para a vida adulta pode tornar-se mais difícil.” É tão preocupante o risco de o admirável mundo novo produzir uma geração doente, psiquicamente desguarnecida, que as grandes empresas de tecnologia começam a se mexer, criando mecanismos de freio. Recentemente, o Instagram anunciou um recurso para tentar ajudar usuários com transtornos de ansiedade e depressão. Se alguém fizer uma busca por hashtags associadas a essas condições, receberá rapidamente uma mensagem com sugestões de cuidados. E mais: o Instagram chegou a cogitar uma experiência radical, ao testar o fim da contagem de curtidas. A tentativa é reduzir a ansiedade pelos likes. Mas a pressão é permanente, talvez seja inescapável, e continuará a acelerar, na velocidade das redes, explosões como a de Whindersson Nunes.

A era da depressão digital. 2

GESTÃO E CARREIRA

RECREIO DIGITAL E CONSCIENTE

A fintech Nutrebem possibilita que pais acompanhem os gastos e as escolhas alimentares de seus filhos nas cantinas escolares

Recreio digital e consciente

A preocupação com a alimentação e o balanceamento nutricional das crianças em idade escolar tem sido uma constante, tanto para os pais quanto para as escolas. Afinal, essa é mais uma fase em que os pequenos precisam se alimentar corretamente e de maneira mais saudável. Estudos indicam que as crianças estão mais obesas e cada vez mais se alimentando de industrializados ou porções calóricas demais.

Para essa questão, a fintech Nutrebem descobriu o “pulo do gato” e criou uma conta digital para o acompanhamento nutricional das crianças nas cantinas escolares. Além de dar mais segurança aos pais com relação ao consumo nutricional das crianças, o objetivo da empresa é ensinar os alunos a lidar com dinheiro e também manter o serviço com preços mais acessíveis. Seu sistema tem dado tão certo que acaba de receber um novo aporte de R$5 milhões de investimentos dos fundos Kviv Ventures, Confrapar e Barn e prevê crescimento de 100% em 2019, alcançando 300 escolas particulares atendidas.

TOTENS NAS ESCOLAS

O serviço funciona de uma maneira bem simples. A Nutrebem fornece uma conta digital em que os pais colocam o saldo e podem fazer o acompanhamento dos gastos e checar a classificação nutricional do consumo dos filhos durante os intervalos das aulas. Para facilitar o serviço, a empresa oferece a cada aluno uma conta digital, em que o responsável pode ativá-la e adicionar valores ao saldo pelo aplicativo da Nutrebem ou diretamente na cantina do colégio. O aluno também possui acesso à conta a partir de totens instalados na escola, o que reduz filas, acelera o atendimento e encerra eventuais problemas com dinheiro vivo.

A plataforma oferece outras opções, como a montagem do cardápio e o mapeamento nutricional dos produtos, assim o responsável consegue acompanhar em tempo real a classificação do consumo. Para mais orientações, são enviados e-mails de alertas com dicas de melhoria dos hábitos alimentares das crianças.

“Queremos ajudar os pais na educação financeira e alimentar dos filhos. Afinal, o primeiro dinheiro que uma criança recebe é justamente aquele dado para utilizar na cantina da escola e é lá onde faz suas primeiras escolhas na vida”, explica o fundador e CEO da Nutrebem, Henrique Mendes.

O serviço prestado pela empresa vai além e auxilia também os operadores das cantinas escolares não só ao ofertar outras opções nutricionais no cardápio, mas também na mensuração da aceitação desses novos produtos. “Mais de 95% das cantinas aceitam apenas dinheiro em espécie, o que demonstra o grande potencial do mercado para a Nutrebem”, exemplifica Mendes.

INVESTIMENTOS E RETORNO

A Nutrebem nasceu do desejo de Henrique e de sua esposa falarem com os filhos sobre dinheiro, alimentação, habilidades comportamentais, entre outros assuntos. Fora isso, eles tinham muitas dificuldades de cuidar e acompanhar a rotina dos pequenos na escola. Como uma forma de solucionar essa falta, o CEO da Nutrebem acabou encontrando em empresas do exterior esse foco de atuação e nelas baseou o seu negócio.

Inicialmente, o empresário teve muitas dificuldades no recrutamento de pessoas e na captação de investimentos, por isso teve que dedicar mais tempo a essas etapas. A receita que Mendes dá para quem deseja ingressar nesse setor é ter muita resiliência: “a maioria das pessoas vai dizer que é muito complicado, não funciona, ou que é legal, mas não vai investir. Resiliência e motivação precisam caminhar juntas nessa montanha-russa do empreendedorismo”.

Mendes não acredita em uma receita específica para o sucesso de um negócio como o seu, entretanto, ressalta a importância de os empreendedores conhecerem bem o mercado em que sua empresa atua e buscarem uma equipe de sócios complementar. “Isso dará muito mais assertividade nas decisões rápidas a serem tomadas diariamente”, opina. Tirou da vida, dos seus mais de 47 anos, os aprendizados com o negócio. Os anos em que trabalhou fora do Brasil o ajudaram muito nessa nova carreira como empreendedor. “Porque fui ajudar a montar operações do zero, as chamadas green field”, relata.

O esforço deu certo! Com investimento inicial de R$ 350 mil, hoje a Nutrebem possui 28 funcionários e está presente em 202 escolas, sendo 55% delas em São Paulo, 30% no Rio de Janeiro e em Minas Gerais e o restante nos demais estados do Brasil. A empresa impacta 150 mil alunos. Com sede no Rio de Janeiro e escritório em São Paulo, a companhia atende todas as regiões do Brasil e tem como público-alvo alunos de 6 a 18 anos de idade.

Henrique Mendes não conta quanto lucra, mas explica que investiram muito em seu crescimento. “Transacionamos R$20 milhões em 2018 e estimamos fechar R$35 milhões em 2019”, relata. Ele espera conquistar mais de 400 escolas e transacionar R$60 milhões em 2020, sempre de olho em melhorias entre as opções de alimentação.

Para incrementar ainda mais o negócio, lançou em fevereiro o acesso à conta do aluno para a compra do lanche sem precisar usar o cartão. Atualmente, 34 escolas já operam com a funcionalidade. Os números mostram que quase 50% dos pedidos são feitos por meio dela e há escolas em que seu uso tem passado de 70%. ”Começamos também um cardápio exclusivo do Fundamental, em que uma única escola duplicou o número de alunos que lancham na escola, basicamente porque deixamos os pais mais seguros sobre o uso do dinheiro e a qualidade nutricional do lanche”, lembra.

 LANCHE VIA QR CODE

Em julho, a Nutrebem deve lançar mais uma facilidade, a compra do lanche pelo celular através de QR Code. Para que a implementação ocorra com sucesso, a empresa pretende investir ainda em equipe, tecnologia, marketing e novos serviços. “Temos concorrentes, mas o maior deles ainda é o dinheiro em espécie, que domina mais de 90% das escolas particulares na compra de lanches”, esclarece. O marketing digital, que gera conteúdo sobre segurança financeira e nutricional, também é preocupação. Fora isso, a empresa participa de feiras para gestores de escolas. O feedback vem de seus clientes e da equipe de campo: “Já erramos bastante também, mas vamos aprendendo com os erros”.

O principal dessa história é o amor que Mendes tem pela empresa e a missão que ela carrega. “Quero ajudar a construir um negócio que gere lucro e melhore a relação dos alunos com dinheiro e alimentação, dando mais segurança aos pais. Atualmente somos a maior empresa dessa área e a que cresce mais rapidamente focados no nosso maior concorrente, que é o dinheiro em espécie. Sonhamos grande e executamos com muita resiliência e motivação”, finaliza.