PSICOLOGIA ANALÍTICA

COMPORTAMENTO DESMOTIVADOR

Críticas e comparações não indicam novos caminhos, não ajudam a melhorar a performance nem tornam crianças e jovens mais fortes e determinados para enfrentar e superar as próprias frustrações.

Comportamento desmotivador

Comparar é, de modo geral, relacionar sejam coisas animadas ou inanimadas, concretas ou abstratas, da mesma natureza ou que apresentem similaridades, para conferir as semelhanças ou diferenças que entre elas existem.

Constitui uma das operações mentais mais importantes, que nos permite desenvolver a aprendizagem e adquirir conhecimentos e comportamentos cada vez mais complexos, fazer escolhas inteligentes e instrumentaliza-nos a sermos capazes de optar por aquilo que nos favorece.

Assim, é desejável que se aprenda a comparar e que se ensine às crianças a usar essa ferramenta mental que pode ser um guia seguro em diversas situações desafiadoras ao longo do desenvolvimento: quem não compara, não classifica, e quem não classifica, não analisa, não sintetiza, não compreende, não transfere saberes e competências a novas situações.

Mas nem sempre a comparação é de ordem objetiva, principalmente se falamos sobre relações humanas, em que a subjetividade é um campo comprometido por experiências passadas e pelo viés da personalidade de cada um.

Nas relações humanas, quando a comparação é realizada sob emoções descontroladas, acaba por servir de estopim para o surgimento de muitos percalços no desenvolvimento de valiosas habilidades latentes, que terminam por se perder. A comparação nesse caso torna-se uma crítica não construtiva e fonte de sofrimento emocional, que se desdobra em baixa autoestima e problemas comportamentais em adultos e principalmente nas crianças.

O ser humano é de natureza física, mental e emocional intricadas, possui características individuais, que constituem seu diferencial no mundo e o distinguem do outro sem que perca, entretanto, a humanidade que o une aos semelhantes, como espécie, esteja em qual cultura estiver.

Pode-se dizer que é nessa complexa inter-relação entre as semelhanças e diferenças das pessoas, adultas e crianças, que se embasa boa parte dos desafios educacionais em todos os aspectos e níveis em que se pratica, desde o familiar ao acadêmico, ao social, ao mundo profissional, entre outros que as pessoas vão estabelecendo durante o desenrolar da vida.

Um cuidado maior se deve ter quando as relações são familiares e se dão entre pais, professores e crianças, pois é a partir dessa fase inicial que se desenvolverão as potencialidades de cada um ou se criarão barreiras ao seu crescimento saudável.

É inevitável nós adultos pensarmos em termos de comparação, até porque muito do que aprendemos foi e é construído mentalmente por comparação e exclusão. Quando se trata de objetos ou situações quantificáveis, objetivas, em geral só obtemos vantagens usando dessa operação mental tão estudada pela Psicologia e pela educação. Mas nos relacionamentos familiares, na educação infantil, a questão passa por importantes crivos como a motivação, a frustração, as expectativas e o potencial de cada um.

A frustração, por exemplo, que advém da diferença entre nossa pretensão e o resultado obtido, deve ser compreendida pelo adulto sob um olhar pessoal e não na relação com o outro, principalmente se tratando de crianças que são seres em desenvolvimento e para quem críticas familiares são parâmetros poderosos. Uma derrota inesperada, notas baixas, uma repetência já anunciada, uma decepção que seja mal trabalhada pela família pode implementar uma imagem negativa que a criança projetará de si mesma, de sua capacidade pessoal para o desempenho escolar, por exemplo.

O papel que os adultos exercem em relação aos filhos não é, de forma alguma, o de aplaudir sempre, elogiar sem motivos, mas o cuidado deve ser semelhante ao fazer críticas e comparações

com outros, especialmente quando as suas próprias aspirações pessoais não forem atingidas pelos filhos.

Não se pode projetar mentalmente e exigir, na prática, que teremos em casa um campeão esportivo ou o aluno com as melhores notas da classe, e cobrar isso de nossos filhos. Devemos incentivá-los a alcançar o seu melhor, através do estímulo ambiental, da oportunização de experiências valiosas, da motivação, da atenção diária, do apoio material e emocional, e depois receber com tranquilidade o resultado de seu esforço, sem elogios vazios, sem frustrá-los ou magoá-los, através de comparações com nossos padrões pessoais ou com a performance de outras crianças. Devemos ter em mente que comparações negativas causam mágoas, ressentimentos, marcas importantes e indeléveis, especialmente quando são oriundas da opinião das pessoas que mais amam e querem agradar nesse mundo: seus pais. A própria desmotivação escolar, muitas vezes, se origina nas comparações entre irmãos ou mesmo coleguinhas, feitas de modo pouco adequado pelos adultos. É necessário haver um referencial positivo, sim, mas guardado o respeito pelo potencial particular e por fatores ligados à individualidade e à história de vida de cada um, sob o risco de gerar um sentimento de inadequação pessoal altamente impactante em novas tentativas de acerto.

A crítica, que é produto da comparação mal dirigida, leva a um movimento de afastamento entre pais e filhos: enquanto os primeiros, decepcionados e frustrados nos seus desejos pessoais se lastimam, os segundos sofrem duplamente a derrota, por si mesmos e pelos seus familiares que frustraram, gerando culpa, medo, desânimo.

A experiência mostra que adultos frustrados que desejam alcançar através dos filhos seus próprios sonhos perdidos criam tuna cadeia infinita de fracassados. Mas também nos ensina que adultos equilibrados fazem críticas positivas e comparações motivadoras aos filhos, estimulam e apoiam as crianças a se empenharem sempre e apontam para a importância de serem bem-sucedidas na medida de suas potencialidades, no que particularmente desejam e têm habilidades pessoais.

 

MARIA IRENE MALUF – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia – ABPp (gestão 2005/07). É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprendizagem. irenemaluf@uol.com.br

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PSICOLOGIA ANALÍTICA

A IMPORTÂNCIA DO VÍNCULO AFETIVO

 A troca é vital desde o nascimento e permanece como necessidade básica do ser humano. Essa demanda pode ser suprida pelas mais diversas pessoas e formas de relacionamento.

A importância do vínculo afetivo

Uma das principais buscas do ser humano é relacionar-se. Todos nós precisamos ser observados, aprovados, amados e acariciados. Todas as relações podem ser fonte de trocas afetivas: pais e filhos, marido e mulher, namorados, amigos, parentes, professores, colegas de trabalho etc.

Todas as pessoas têm algum tipo de relacionamento. Essas relações podem ser fonte de enorme contentamento ou, ao contrário, terreno propício para a geração de conflitos de toda espécie. Pensamos: qual é o segredo de relacionamentos saudáveis? O que é, afinal, um relacionamento saudável? Quais são os elementos que favorecem as pessoas a se relacionar de forma harmoniosa? Certamente esse assunto gera muita especulação, curiosidade e interesse. Um assunto bem complexo e amplo, que já merecem a atenção de inúmeros psicanalistas, psicólogos, filósofos e cientistas sociais. Podemos pensar que um relacionamento saudável ocorre no encontro de pessoas saudáveis psiquicamente. O contato com o outro é o que promove o crescimento e o desenvolvimento.

Desde o nascimento até os primeiros anos de vida, nossa espécie não sobrevive sozinha. Não se trata só de cuidados básicos como alimentação e higiene. Estes podem garantir a sobrevivência, mas não o desenvolvimento e a saúde psíquica. Somos seres complexos.

O psicanalista René Spitz em seu Livro O Primeiro Ano de Vida realizou pesquisas sistemáticas sobre o desenvolvimento dos bebês. Spitz pesquisou crianças abrigadas em instituições, que eram privadas do contato materno contínuo ou outra figura substitutiva. Esses bebês, apesar de receberem alimentação adequada, cuidados médicos e de higiene, desenvolviam patologias graves e às vezes irreversíveis como depressão Anaclítica e o hospitalismo. Isso acometia os bebês que eram privados de contato físico e afetivo contínuos e suficientes. As relações iniciais insuficientes geravam desde os casos mais graves até comprometimento em vários graus no desenvolvimento intelectual, psíquico e motor. Muitos outros autores da Psicanálise discorreram sobre as relações parentais como constituintes da psique do indivíduo.

Um dos importantes nomes da Psicanálise, Donald Winnicott, desenvolveu sua teoria baseada na qualidade das primeiras relações, como base do desenvolvimento da saúde mental e maturacional do indivíduo. O título de alguns de seus trabalhos denotam essa importância: Tudo Começa em Casa, Os Bebês e suas Mães e A Família e o Desenvolvimento Individual.

“A partir do nascimento, o bebê pertence ao meio social no qual seus pais biológicos vivem, e a vida representa para ele uma série de experiências boas e más, mas terrivelmente intensas” (Winnicott, D. Vl., 1971).

De acordo com Winnicott, é a qualidade e suficiência desses primeiros relacionamentos, que se dão geralmente com os pais ou figuras substitutivas, que vão influenciar diretamente a capacidade ou não do indivíduo desenvolver-se e, consequentemente, estabelecer relacionamentos futuros satisfatórios. Esses primeiros vínculos são determinantes para o indivíduo criar uma base para seu desenvolvimento posterior. Com a plasticidade da psique, a pessoa pode evoluir num processo contínuo por toda a sua vida. Vários fatores também podem bloquear esse progresso, e ocorrer urna fixação em determinada fase quando ocorrem traumas.

São inúmeros os fatores que irão influenciar as formas de se relacionar com o mundo e as escolhas de um parceiro afetivo. Dentre eles, podemos citar: modelos ou contra modelos materno/paterno, cultura, relações com a família extensa e transmissão transgeracional do sistema de crenças familiar. Todos esses fatores podem criar obstáculos no relacionamento, caso estejam inconscientes. Tudo aquilo que é seu, mas não há apropriação da consciência pode escravizá-lo. As falhas no amadurecimento do indivíduo estão diretamente ligadas ao sucesso em estabelecer vínculos saudáveis.

As pessoas geralmente buscam em suas relações afetivas preencher o que lhes faltou nas primeiras relações objetais, depositando no parceiro amoroso tudo que lhes foi insuficiente ou inexistente nesses primeiros contatos. Os processos inconscientes distorcem a importância dada ao parceiro de fato e geram expectativas irreais do que a relação pode oferecer. O que acontece é que os relacionamentos se iniciam idealizados, com a promessa de ser a solução para angústias pessoais pregressas. Receita certeira para dificuldades.

Se cada um procurasse olhar para a parte que lhe cabe dentro da relação, teríamos melhor convivência e harmonia. O processo de análise é uma grande oportunidade de examinarmos os bloqueios e as lacunas que ocorreram no desenvolvimento afetivo/vincular do indivíduo. Essas falhas refletem-se na vida adulta, como problemas nas relações pessoais e dificuldades para conseguir dar conta das demandas da vida cotidiana. Cito Platão para resumir esse conceito: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerá os deuses e o universo”.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga, Pós-graduada na área Sistêmica – Psicoterapia de Família e Casal pela PUC-SP. Participa do Núcleo de Psicoclínica e Estudos Transdisciplinares da SBPA (Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica). Atuou na área de dependência de Álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O QUE MOTIVA VOCÊ?

Estamos sempre buscando recompensas – que podem aparecer em forma de bens materiais, prazeres sensoriais, afeto ou sentimentos de profunda autorrealização – e evitando punições. Na prática, pessoas motivadas procuram se superar e buscar melhores resultados, são mais entusiasmadas, responsáveis, comprometidas – e, principalmente, mais felizes e realizadas. O problema é que nem sempre nosso empenho está alinhado com os resultados obtidos. Novas pesquisas indicam a importância de rever o que queremos e, eventualmente, corrigir rotas.

O que motiva você

Todo mundo que cursa psicologia – ou mesmo outras formações na área de ciências humanas – em algum momento assiste à aula sobre a famosa pirâmide de Abraham Maslow (1908-1970). O psicólogo americano estabeleceu uma hierarquia, expressa graficamente, localizando as necessidades mais básicas (como alimentação, por exemplo) na base da figura geométrica. No topo, ficam aspectos ligados à realização pessoal. Psicólogos e neurocientistas acreditam, porém, que as coisas não são tão simples. O que nos faz trabalhar, estudar, viajar, tomar banho, fazer ginástica, correr riscos, iniciar e manter relacionamentos? Resolvidas as necessidades básicas, o que nos move mesmo é uma exigência interna de autonomia, conhecimento, envolvimento e dinamismo. Fácil? Nem tanto. Em plena era da tecnologia, em que as possibilidades se multiplicam diante dos nossos olhos, muitos pesquisadores têm questionado ideias simplistas sobre as necessidades e os anseios humanos. Alguns estudiosos veem a maior fonte da motivação humana na ampliação das próprias competências e falam de dois sistemas de razões antagônicas que se formaram ao longo da evolução: curiosidade e medo, ambos repletos tanto de oportunidades quanto de riscos. É o caso do psicólogo Clemens Trudewind, pesquisador da Universidade de Bochum, na Alemanha, que durante algum tempo estudou essa interação. Ele comprovou algo que muitos pais e educadores já sabiam: crianças curiosas e destemidas resolvem problemas com mais eficácia do que as temerosas e passivas. No entanto, a curiosidade e o medo não são opostos: meninas e meninos muito medrosos e ao mesmo tempo curiosos também se revelaram bons solucionadores de problemas, segundo Trudewind. Razões supostamente antagônicas, portanto, não são obrigatoriamente excludentes.

TRÊS ELEMENTOS CRÍTICOS

Uma grande vantagem bastante prática da motivação é que ela nos faz mais entusiasmados, comprometidos, empenhados em buscar os melhores resultados e, em última instância, felizes – no que quer que estejamos empenhados. Além disso, aumenta a capacidade criativa e favorece as habilidades de comunicação. Especialistas chegam a argumentar que a motivação – aquilo que move a ação – pode ser até mais importante e decisiva para o sucesso do que o talento. Mas, afinal, de onde vem esse ânimo de direcionar a energia (um misto de empenho de tempo, capacidade intelectual e afetiva) em direção a um objetivo? A psicologia identifica três “elementos críticos” que oferecem suporte à motivação. A boa notícia é que todos podem ser ampliados e ajustados em nosso próprio benefício.

AUTONOMIA.

Os psicólogos Edward L. Deci e Richard M. Ryan, da Universidade de Rochester, acreditam que aumentamos nosso grau de motivação quando nos sentimos responsáveis. Os pesquisadores trabalham com grupos de estudantes, atletas e funcionários e descobriram que a percepção de autonomia prediz a energia com a qual os indivíduos perseguem uma meta.

Junto com o psicólogo Arlen C. Moller, Deci e Ryan desenvolveram vários experimentos para avaliar as consequências emocionais e cognitivas de uma ação controlada por outras pessoas em comparação aos efeitos das próprias escolhas. Eles descobriram que os voluntários que tiveram a oportunidade de desenvolver uma ação com base em suas opiniões (contra ou a favor de algum tema) persistiram mais tempo em uma atividade subsequente de resolução de um quebra-cabeça (tarefa aparentemente desvinculada da anterior). Os cientistas afirmam que agir sob coação gera uma espécie de “tributário mental”, enquanto perseguir um objetivo no qual acreditamos nos deixa energizados.

VALOR.

Motivação também costuma persistir quando permanecemos fiéis às nossas crenças. Atribuir valor a uma atividade pode restaurar o senso de autonomia, uma descoberta de grande interesse para os educadores. Em um artigo de revisão, os psicólogos Allan Wigfield e Jenna Cambria, pesquisadores da Universidade de Maryland, observaram que vários estudos haviam encontrado correlação positiva entre a valorização de um assunto na escola e a vontade do estudante de investigar a questão de forma independente. Felizmente, valores podem ser mudados. O psicólogo Christopher S. Hulleman, professor da Universidade da Virgínia, descreveu uma intervenção realizada no final do semestre letivo com dois grupos de estudantes do ensino médio. Um deles escreveu sobre como a ciência se relacionava com sua vida e outro deveria simplesmente resumir o que fora aprendido nas aulas de ciências. Os resultados mais marcantes vieram de estudantes com baixas expectativas de desempenho. Aqueles que descreveram a importância da ciência em sua vida melhoraram suas notas e relataram maior interesse, em comparação aos alunos em situação semelhante no grupo de resumo-escrita. Em suma, parece que pensar sobre algo (uma situação, uma área de conhecimento etc.) tende a aumentar nosso comprometimento. Não por acaso, um tema básico de meditação analítica do budismo é o fato de que o praticante vai morrer, mas não sabe quando isso vai acontecer, o que leva à reflexão sobre a preciosidade da vida – e à motivação para desfrutá-la de forma significativa.

COMPETÊNCIA.

Gostamos do que fazemos ou fazemos o que gostamos? Tudo indica que, à medida dedicamos mais tempo a uma atividade, percebemos que nossas habilidades melhoram nessa área e adquirimos senso de competência. Psicólogos das universidades Democritus da Trácia e da Tessália, ambas na Grécia, entrevistaram 882 alunos sobre suas atitudes e o engajamento com o atletismo durante um período de dois anos. Os estudiosos descobriram uma forte ligação entre o sucesso obtido por um aluno nos esportes e o desejo de praticar determinada modalidade. A conexão funcionou em ambas as direções – a prática tornou os jovens mais propensos a se considerar competentes e o senso de competência determinou a perseverança na prática esportiva. Estudos semelhantes, considerando atividades como música e rendimento acadêmico, reforçam essas constatações. A psicóloga Carol S. Dweck, pesquisadora da Universidade Stanford, mostrou que a competência está bastante associada às próprias crenças. Em uma série de estudos, ela descobriu que aqueles que se apoiam mais em talentos inatos que no trabalho árduo desistem mais facilmente quando enfrentam um novo desafio, porque temem que ele exceda sua capacidade. Já acreditar que o esforço promove a excelência pode inspirar a continuar aprendendo. Em geral, quando enfrentamos uma dificuldade em relação a atingir aquilo que desejamos, convém perguntar o que está faltando. Muitas vezes, a resposta está em uma (ou mais de uma) destas três áreas: falta de autonomia, sensação de que a tarefa é inútil ou dúvida sobre sua capacidade. Enfrentar essas fontes de resistência pode fortalecer sua determinação. A escolha é pessoal, claro.

 

BUSCAR E ALCANÇAR

No começo da década de 50, o psicólogo James Olds, professor da Universidade McGill, no Canadá, chegou à conclusão de que a busca pela satisfação e a satisfação em si são processadas na mesma região no cérebro dos ratos. Outras pesquisas realizadas depois revelaram que o funcionamento mental de seres humanos segue a mesma lógica. Isso explica por que buscamos prazeres continuamente. Mas a maioria das pessoas também consegue postergar a realização dos seus desejos: na expectativa de viver algo que queremos, nosso cérebro já nos dá uma provinha da satisfação. O professor de psicologia da Universidade de Michigan Kent Berridge fez uma descoberta fundamental sobre motivação: nosso cérebro tem dois sistemas de recompensa, um que nos leva a querer e outro, à sensação de satisfação. Sentimos vontade de obter algo e, na sequência, a alegria da conquista. Por estarem muito próximos, esses dois movimentos mentais confundiram os cientistas, mas hoje se sabe que eles podem funcionar separadamente. Quando estamos muito ansiosos, estressados, ou sob o efeito de drogas, por exemplo, a vontade de conseguir o que almejamos é potencializada e a capacidade de escolha fica comprometida. Talvez você mesmo já tenha se flagrado, em momentos de grande tensão e cansaço, comprando e comendo com avidez (mesmo sem fome) guloseimas pouco saudáveis, das quais sequer gosta de verdade. Podemos pensar que naquele momento você queria aquilo, embora realmente não gostasse. O neurocientista Jaak Panksepp, pesquisador da Universidade de Washington, mapeou centenas de cérebros de animais e constatou que o prazer está muito mais em buscar o que queremos do que em conseguir. Talvez isso explique, do ponto de vista da neurociência, por que suportamos postergar o recebimento de recompensa – como o pagamento no fim do mês ou uma boa nota depois de passar o fim de semana estudando para a prova. Segundo Panksepp, isso também é observado no comportamento de muitos mamíferos que preferem procurar comida a encontrá-la de uma forma fácil. Entre humanos, a lógica pode ser a mesma em muitas áreas da vida. Por exemplo, na paquera ou no início do namoro, em que existe a constante motivação da conquista, em contraste com a “calmaria” da relação estável após algum tempo.

O QUE VALE A PENA?

Durante uma das mais comentadas palestras do TED, a maior convenção de ideias do mundo, que acontece anualmente na Califórnia, o professor do departamento de psicologia da Universidade de Chicago Mihaly Csikszentmihalyi fez uma pergunta à plateia: “O que faz a vida valer a pena?”. Em 15 minutos de apresentação, ele chegou à seguinte conclusão: Não podemos ter uma ótima vida sem o sentimento de que fazemos parte de algo maior do que nós mesmos. Talvez seja esse o propósito maior da nossa motivação. Além de atender às nossas necessidades biológicas de sobrevivência, de sermos recompensados por aquilo que fazemos bem feito e realizar com autonomia algo que importa, precisamos ter a sensação de que o que queremos e do que gostamos tem um significado. Ganhar dinheiro? Assistir a séries? Viajar? Receber elogios? Ter um corpo considerado bonito segundo os padrões de beleza vigentes? Tudo isso é ótimo. Mas se empenhar continuamente em conseguir o que se deseja pode ser muito mais gratificante. Principalmente se o objetivo não for obter apenas satisfação pessoal, mas encontrar um objetivo maior para motivar suas ações.

O que motiva você. 2 

PIRÂMIDE DE MASLOW

O psicólogo estabeleceu uma hierarquia, expressa graficamente, localizando as necessidades mais básicas na base da figura geométrica e, no alto, os aspectos ligados à realização pessoal

O que motiva você. 3PISTAS PODEM ESTAR NO CORPO

Um dos inimigos do “passar à ação” para realizar objetivos nas diversas áreas, de maneira compatível com nossos valores, anseios e expectativas, é a falta de clareza a respeito do que se deseja. Por isso, é tão importante ter consciência das próprias metas. Nesse caso, é possível contar com a ajuda preciosa dos marcadores somáticos, que são sinais da memória emocional, onde todas as experiências são armazenadas e classificadas. Essa referência mnêmica influi permanentemente sobre os dados captados do ambiente. A capacidade de uma pessoa saber o que é importante e bom para si mesma depende em grande parte da atenção que dispensa às mensagens enviadas por seus marcadores somáticos. Essas informações são decisivas para tomar decisões na possibilidade de encontrar motivação para concretizar objetivos. Os marcadores somáticos funcionam como orientadores internos: são percebidos como sensações físicas, sentimentos ou uma mistura de ambos. Embora tenham origem na experiência emocional, sua base neurológica é um agrupamento de estruturas cerebrais que memoriza e classifica eventos significativos. Vivências desagradáveis, que devem ser evitadas, produzem marcadores negativos; já as experiências que provocam prazer geram sinais positivos. No fundo, a memória das experiências emocionais constitui nada mais do que o “eu” de uma pessoa. Ou seja, aquilo que faz com que ela se reconheça como indivíduo, independentemente de eventuais transformações que enfrente ao longo da vida. Sob condições favoráveis, é possível manter um nível habitual de motivação – e, consequentemente, de satisfação. Aqueles que desenvolvem autopercepção para registrar conscientemente os sinais de seu eu – seus marcadores somáticos – adquirem maior consciência de si e podem, com isso, estimular ativamente a busca de bem-estar, independentemente das circunstâncias externas. A longo prazo, só costuma ficar realmente satisfeito com a própria vida quem tem autonomia para fazer escolhas e arcar com as consequências delas.

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SE FOR DIFÍCIL DEMAIS, DESANIMA

Existe uma complexa relação entre esforço, motivação e capacidade intelectual; aparentemente, nosso cérebro confunde facilidade de apreender instruções sobre tarefas com a simplicidade da execução.

 O cartunista americano Rube Goldberg (1883-1970) ficou conhecido por ser o criador das “máquinas de Goldberg”. Cada uma de suas invenções cômicas mostrava um conjunto de instruções complexas para realizar o que deveria ser uma tarefa cotidiana simples. Seu “guardanapo automático”, por exemplo, apresentava 13 passos sequenciais, envolvendo um papagaio, um acendedor de charutos, um foguete e uma foice – junto com diversos elásticos, tiras e pêndulos. As charges se tornavam engraçadas porque, com bom humor, cutucavam uma ironia fundamental da psicologia humana: não raro, as pessoas tendem a tornar tarefas simples mais complicadas do que o necessário. Na realidade, o oposto, em geral, também é verdadeiro: as confusas regras de “como fazer” de Goldman podem nos fazer rir, mas também nos deixam exaustos. Se for necessário fazer tudo aquilo para usar um guardanapo, por que tentar? Psicólogos estão muito interessados em descobrir mais sobre a complexa relação entre esforço, motivação e cognição – a facilidade com a qual pensamos sobre tarefas. É possível que a simplicidade (ou complexidade) com a qual uma atividade é descrita e processada, de fato, afete nossa atitude com relação a essa atividade e, por fim, nossa vontade de realizá-la. Dois psicólogos da Universidade de Michigan em Ann Arbor, nos Estados Unidos, decidiram investigar essa ideia em laboratório. O desafio de Hyunjin Song e Norbert Schwarz era conseguir motivar um grupo de universitários de 20 anos a praticar atividade física regularmente. Eles deram instruções escritas aos voluntários para que estabelecessem uma rotina com exercícios regulares, mas utilizaram um método para tornar as orientações de “como fazer” cognitivamente agradáveis ou desafiadoras: alguns alunos receberam as instruções escritas com a fonte Arial, plana e desenvolvida para facilitar a leitura; outros receberam em fonte Brush, que, basicamente, parece letra manuscrita com um pincel japonês, o que dificulta a leitura. Depois que os alunos haviam lido as instruções, os pesquisadores perguntaram a eles, por exemplo, quanto tempo acreditavam que levaria a conclusão das atividades, se fluiria naturalmente ou pareceria não ter fim, se seria chata ou interessante. Eles questionaram também sobre a probabilidade de tornar os exercícios parte de sua rotina. As descobertas foram surpreendentes: os que haviam lido as instruções em uma fonte simples estavam mais dispostos a realizar a tarefa – acreditavam que duraria pouco tempo e que fluiria de maneira fácil. E, mais importante, eles tinham mais vontade de tornar o exercício parte da rotina. Aparentemente, o cérebro dos estudantes confundiu a facilidade em ler sobre os exercícios com facilidade para realizar flexões e abdominais, e essa confusão motivou-os a pensar em uma mudança de vida. Os que brigaram com as pinceladas japonesas não tinham a menor intenção de ir à academia; a leitura, por si só, já os deixou cansados. Song e Schwarz decidiram verificar novamente esses resultados com outra pesquisa, envolvendo outra atividade: a culinária. Novamente usaram uma fonte mais clara e outra rebuscada. Mas, nesse caso, as instruções ensinavam a fazer um rolinho de sushi. Depois de os voluntários lerem a receita, deveriam estimar o tempo para execução do prato e se estavam ou não inclinados a fazê-lo. Os resultados foram basicamente os mesmos, conforme publicado no periódico científico Journal of Psychological Science: aqueles que leram as instruções muito rebuscadas, que pareciam exigir grande capacidade intelectual, acharam que a tarefa seria demorada e necessitaria de alto nível de habilidades culinárias; os participantes observaram a estranheza da escrita como sendo da própria tarefa e, como resultado, tentaram evitá-la. Já aqueles que receberam informações de forma mais objetiva ficaram bem mais dispostos a ir para a cozinha. Conclusão: o cérebro emprega todos os tipos de truques e atalhos para que o indivíduo atravesse o dia com o mínimo de esforço físico e mental, mas é bom prestar atenção nesses julgamentos automáticos. Se não forem verificados, a tendência de confundir pensamentos e ações pode levar a opções duvidosas, que parecem ser mais fáceis e desejáveis do que de fato são, ou pode afastar as escolhas saudáveis e a exploração criativa.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A FUNCIONALIDADE DAS EMOÇÕES POSITIVAS E NEGATIVAS

É preciso compreender o que há de mais recente a respeito da experiência emocional e esclarecer aspectos referentes à funcionalidade e à disfuncionalidade das emoções “positivas e negativas”.

A funcionalidade das emoções positivas e negativas

Definir emoção é uma tarefa que exige algumas considerações prévias. Do ponto de vista do senso comum, as emoções são experiências vividas em primeira pessoa e, por isso, quando são referidas, o são pela perspectiva subjetiva de quem as experimenta. Quando observadas no outro, através das expressões faciais e corporais, muitas vezes são definidas por analogia com a experiência de quem observa. Reeve refere-se à emoção como um constructo psicológico que coordena as dimensões subjetiva, biológica, propositiva e social. Como fenômeno multidimensional, a emoção só pode ser definida como um sistema sincronizado que coordena sentimento, ativação biológica, propósito (direção a metas) e expressão social.

Este artigo aborda o que há de mais recente sobre a experiência emocional. Iniciaremos introduzindo as dimensões da emoção para em seguida esclarecer aspectos relacionados à funcionalidade e à disfuncionalidade das emoções “positivas e negativas”.

DIMENSÕES DA EMOÇÃO

Do ponto de vista da ciência, o aspecto subjetivo é apenas um dos modos de se ter acesso à emoção. Para os cientistas, a emoção é um constructo que envolve o entrelaçamento de variáveis subjetivas e objetivas, incluindo aspectos corporais, sociais e motivacionais.

SENTIMENTO

Aspecto subjetivo da emoção, refere-se à consciência fenomenológica do sujeito que se emociona. Envolve os processos cognitivos de construção e atribuição de significado ao evento emocional. Nesse sentido, implica os processos de percepção, processamento avaliativo e memória que conferem à experiência o significado e a importância pessoal característicos da emoção. Podemos entender o sentimento como a emoção vista de dentro, a partir do olhar do sujeito que a experimenta.

ATIVAÇÃO CORPORAL

Envolve a ativação dos sistemas fisiológicos responsáveis pelo preparo e regulação corporal para a adaptação ao evento emocional. O preparo do corpo para a ação necessária à adaptação implica o recrutamento dos sistemas corporais que respondem pelo funcionamento das vísceras e dos músculos.

MOTIVAÇÃO

Representa o componente pro­ positivo da emoção. Envolve o direcionamento da ação emocional em relação às metas implicadas na emoção. Pode ser investigada objetivamente através da observação da conduta.

EXPRESSÃO

Aspecto comunicativo e social da emoção. Envolve o comportamento não verbal da emoção, inclusive as expressões faciais, a para-linguagem, a postura corporal e os gestos.

ALGUMAS TEORIAS

De acordo com Ekman, os seres humanos nascem com seis emoções básicas, que têm valor de sobrevivência para a espécie: raiva, tristeza, medo, nojo, alegria, surpresa. Existem indícios (como estudos que revelam que crianças cegas e surdas de nascimento apresentam as expressões faciais das emoções citadas) que comprovam que as expressões faciais são inatas e não aprendidas socialmente.

Dessas emoções, quatro delas são negativas (raiva, medo, tristeza e nojo), uma é positiva (alegria) e a outra é neutra (surpresa). Isso evidencia que os circuitos de emoções negativas já se encontram prontos quando nascemos, ou seja, temos muito mais emoções negativas inatas do que positivas.

Para Plutchik, existem oito emoções básicas: raiva, medo, tristeza, nojo, surpresa, interesse, confiança e alegria. Segundo o autor, essas emoções representam um gatilho de comportamento com elevado valor de sobrevivência. As emoções básicas ou primárias para ele podem combinar-se, produzindo uma gama variada de outras emoções.

De acordo com Haidt, as reações às situações desagradáveis e às ameaças são mais facilmente percebidas, fortes, e inibem as respostas a situações prazerosas e às oportunidades. No processo de seleção natural, os peixes, por exemplo, reagem mais intensamente ao perigo do predador do que a uma oportunidade de comida.

Segundo o autor, a mente humana reage com mais rapidez, força e persistência a episódios. Assim, simplesmente não podemos perceber tudo como sendo bom, porque nossa mente foi projetada para reagir mais intensamente a ameaças, violações e limitações.

TEORIA EVOLUTIVA

Segundo Seligman, sentimentos positivos em relação a uma pessoa ou objeto provocam aproximação, enquanto sentimentos negativos geram afastamento.

Para o autor, a teoria evolutiva mostra que as emoções negativas funcionam como defesa contra ameaças externas. Por exemplo, tristeza e depressão geram retraimento e desistência; ansiedade e n1edo levam à preparação para luta ou fuga, geran1 proteção; raiva causa disposição para atacar.

As emoções positivas têm papel importante na evolução. Elas fortalecem nossos recursos intelectuais, sociais e físicos, criando reservas que podemos utilizar quando aparecem oportunidades e ameaças. Quando estamos em estados emocionais positivos, somos vistos como mais amáveis e atraentes e as relações sociais têm mais chances de se desenvolverem e se solidificarem. Segundo Fredrickson, emoções positivas estão associadas a:

Expansão do foco de atenção;

Ampliação do uso da informação capturada;

Aumento da criatividade;

Uso de estruturas mais gerais de conhecimento;

Ampliação de escopo da ação;

Construção de recursos físicos e psicológicos a serem usados no futuro;

Construção de recursos sociais para relações positivas com aqueles que funcionam em reciprocidade;

Proporcionam um escudo contra depressão e doenças;

Aumentam a expectativa de vida.

A emoção positiva aumenta a imunidade. Pessoas com emoção positiva alta desenvolvem menos resfriados do que as com emoção positiva média. E estas, por sua vez, têm menos resfriados do que as pessoas com emoção positiva baixa.

Emoções positivas constroem e reforçam forças pessoais, criam bons hábitos mentais, constroem e solidificam relações significativas e melhoram a saúde física. Elas reduzem os níveis de hormônios ligados ao estresse e liberam mais dopamina e opiáceos. Segundo Fredrickson, emoções positivas criam uma espiral ascendente de emoções positivas, ou seja, experiências de emoções positivas ampliam repertórios de pensamento-ação momentâneos que constroem recursos pessoais duradouros, os quais transformam as pessoas e geram aspirais ascendentes.

Para a autora, emoções negativas limitam as ideias sobre ações possíveis e propiciam retração social. As emoções positivas ampliam as ideias, geram flexibilidade e abertura cognitiva e comportamental, melhoram a solução de problemas, criatividade e facilitam as interações sociais. Por exemplo, a alegria desperta a necessidade de brincar e ser criativo. O interesse estimula a exploração e o aprendizado.

Para Portella, é importante trabalhar emoções positivas para ampliar a cognição, assim fica mais fácil o trabalho com estilo atributivo, reestruturação de crenças disfuncionais e fortalecimento de crenças funcionais.

Fredrickson define dez formas de positividade ou estados positivos que “colorem” o dia a dia das pessoas. São elas: alegria, gratidão, serenidade, interesse, esperança, orgulho, diversão, inspiração, admiração e amor.

Em suma, emoções positivas melhoram a qualidade de vida, ampliam a cognição, constroem forças pessoais e solidificam as relações significativas. No entanto, ao contrário do que o senso comum supõe, as emoções negativas também têm suas funcionalidades e possuem, inclusive, valor de sobrevivência para nossa espécie.

RAIVA

Os teóricos do desenvolvimento Sternberg e Campos fizeram uma metáfora para equiparar a raiva dos bebês aos sentimentos que possivelmente geram raiva em crianças e adultos : “Segurar seus braços de modo que ele não consiga se libertar”, ou seja, algum tipo de obstáculo ou entrave à persecução dos seus objetivos faz com que a raiva seja muitas vezes ativada.

Ativar a raiva pode ser benéfico. O prejudicial é quando ela extrapola os limites de nosso controle, torna-se fúria e nos leva a reagir de forma inadequada ao contexto, levando-nos a reagir de forma agressiva despropositadamente.

Para Strongman, a raiva não deve ser sentida como negativa, pelo contrário, deve ser vista como funcional, pois proporciona ao indivíduo energias para a sua defesa. Ou seja, inclui a organização e regulação de processos fisiológicos e psicológicos relacionados com a autodefesa e com o domínio, além da regulação dos comportamentos sociais e interpessoais.

Ekman destaca funções úteis dessa emoção, como, por exemplo, agir para promover mudanças ao se deparar com uma injustiça ou defender a integridade física ou moral de si mesmo ou de alguém estimado.

Ainda para o mesmo autor, o que nos motiva a regular nossa raiva é o nosso interesse em continuar a relação com a pessoa de quem sentimos raiva. Se a pessoa é nossa amiga, cônjuge ou filho, tendemos a regular a raiva, uma vez que acreditamos que, se continuarmos a senti-la e não nos controlarmos, poderemos danificar inevitavelmente o nosso relacionamento com eles. Daí ser de suma importância sermos capazes de gerir a nossa raiva.

Nesse sentido, a raiva é a emoção que as pessoas têm mais dificuldade em regular. Contudo, é a “mais sedutora das emoções negativas, em que o monólogo autojustificativo interior a alimenta, enche a mente com os argumentos mais convincentes para lhes dar largas”, dando energia ao indivíduo.

 FUNCIONALIDADE NAS NEGOCIAÇÕES

Numa série de estudos, os participantes tiveram a tarefa de vender pelo maior preço possível um celular e esse mesmo montante arrecadado nas negociações se reverteria em ganhos para seus próprios bolsos. No entanto, alguns foram escalados para atender compradores irritadiços e outros para atender compradores alegres ou neutros; o resultado foi que os compradores mais irritados conseguiram maiores abatimentos, diminuindo assim os dividendos dos vendedores. O estudo sugere que pessoas com raiva eram vistas como poderosas e de alto status na situação.

 FUNCIONALIDADE NO AUMENTO DA CRIATIVIDADE

Os psicólogos usaram o teste de utilidade do tijolo para medir a criatividade e fizeram experimentos com dois grupos que foram submetidos a dois testes, o primeiro somente para suscitar feedbacks negativos ou positivos, e o segundo, sim, era o teste da criatividade com os tijolos. Ocorreu que os que tiveram feedbacks irritados (negativos) se saíram melhor do que os que tiveram os feedbacks neutros ou positivos.

CULPA

Parte dos estudos de Tangney) nos ajuda a ter um olhar mais amplo e menos estereotipado acerca dessas emoções (culpa e vergonha).

A vergonha e a culpa fazem parte de um conjunto de emoções autoconscientes, que surgem a partir da autorreflexão e da autoavaliação. São emoções negativas relevantes para o indivíduo, que ocorrem em resposta a fracassos ou transgressões e cumprem uma função importante tanto em nível individual como relacional. Esta autoavaliação poderá estar implícita ou explícita, pode ser consciente ou inconsciente. No entanto, de uma maneira ou de outra, a pessoa é o objeto dessas emoções.

Aumento da fibra moral e a motivação para sermos mais conscienciosos.

Um treinador de futebol que possa estar tendo problemas com o estilo de conduta de algum joga­ dor pode unir o time e iniciar um discurso a fim de conscientizar todos sobre a importância da colaboração mútua, para que se chegue a um bom resultado, direcionando seu discurso propositadamente para inflar certa dose de culpa naqueles que não estão sendo coesos com o time; ele assim consegue acionar um poderoso gatilho interno nos desviantes, que desejarão colaborar ainda mais para compensar os erros.

CULPA E ARREPENDIMENTO CONSTRUTIVO

Segundo estudos publicados pelo Bureau of Justice dos Estados Unidos, o índice de presos libertos que voltam a cometer transgressões chega a 67%. Tangney explica que os presos com tendência à culpa sofriam mais pelos atos cometidos e eram mais motivados a se confessar, pedir perdão e reparar os problemas que causaram e, após serem libertados, apresentavam menor probabilidade de serem presos novamente.

TRISTEZA

Em nossa cultura ocidental, o hedonismo acaba fazendo com que rechacemos mais avidamente a vivência de certos estados tidos como “negativos”, assim como é o caso da tristeza. Contudo, segundo Vaillant, eles são extremamente úteis, pois as emoções negativas trazem benefícios a curto prazo.

Para Ekman, a mensagem comunicada por intermédio da tristeza é: “Estou sofrendo; console-me e me ajude”. Complementa o autor dizendo que “quando nos sentimos tristes é que somos capazes de enriquecer a experiência do que a perda significa, permitindo ao indivíduo reconstruir os seus recursos e conservar a sua energia”.

Segundo Melo, a tristeza tem função adaptativa, pois é capaz de levar o sujeito a avaliar as fontes dos problemas, a procurar suporte social e a favorecer o estreitamento das relações com os outros. A tristeza ainda aparenta ser uma emoção­ chave para o desenvolvimento da capacidade de empatia, dado que a inibição comportamental e a lentificação que a acompanha favorecem e dão espaço para que o indivíduo se coloque na perspectiva do outro.

Para Goleman, a tristeza “força uma espécie de retirada reflexiva das atividades da vida, deixando-nos num estado de suspensão para chorar a perda, meditar sobre o seu significado e, finalmente, fazer os ajustamentos psicológicos necessários e os novos planos que permitirão à nossa vida prosseguir”.

ANSIEDADE

A ansiedade é um sistema de resposta cognitiva, afetiva, fisiológica e comportamental complexo que é ativado quando eventos ou circunstâncias são consideradas altamente aversivas, porque são percebidas como eventos imprevisíveis, incontroláveis, que poderiam potencialmente ameaçar os interesses vitais de um indivíduo.

Viver sem esse “sistema de reposta” seria prejudicial aos seres humanos e a história de nossa evolução nos ensina isso. Contudo, não só nas eras remotas como nos dias atuais a ansiedade, em doses passageiras e adequadas ao contexto, nos motiva, energiza e nos ajuda a alcançar nossos objetivos. Uma vida sem ansiedade seria enfadonha e colocaria nossa mente num estado de hibernação.

É nos momentos ansiosos que conseguimos acessar as relíquias remanescentes em nosso disco rígido, propiciando um aumento da percepção, inclusive uma ampliação da visão, capaz de enxergar a uma grande distância, além de uma amplificação da audição, capaz de sintonizar com maior clareza ruídos aleatórios vindos de uma determinada direção, uma maior capacidade de solução de problemas.

 

O LADO NEGATIVO

Em 1991, Ed Diener e seus colaboradores fizeram um estudo sobre o custo das emoções positivas e encontraram vários pontos em que a experiência positiva muito intensa pode ter um custo:

EFEITO CONTRASTE – Esse efeito ocorre quando a euforia emocional tira o brilho de outros eventos. Exemplo: ganhar um milhão de reais na loteria faz com que achar cem reais na rua ou ganhá-los numa raspadinha pareça sem valor;

EFEITO DE TRANSFERÊNCIA – Esse efeito ocorre quando as pessoas amplificam mentalmente as experiências positivas e automaticamente amplificam as negativas. Pessoas que dão pulos de alegria por causa de uma vitória são vulneráveis a um sentimento de perda total ao sofrer uma derrota.

Algumas pesquisas, citadas por Todd B. Kashdan e Robert Biswas-Diener, sugerem, ainda, que nem sempre estados emocionais positivos são proveitosos, e que reconhecer isso nos dá certa vantagem frente aos que tendem somente a evitar as emoções tidas como negativas ou desagradáveis. Algumas delas:

A FELICIDADE PODE INTERFERIR COM O SUCESSO A LONGO PRAZO – Shigehio e seus colaboradores internacionais compilaram verbetes de felicidades em 30 países e viram que em 24 deles a felicidade estava associada à sorte, acaso ou destino. Justamente um dos países mais pragmáticos ficou na minoria desses seis que não atribuíam à sorte o seu bem-estar e qualidade de vida. A felicidade era tida como resultado de um bom planejamento e trabalho árduo para se ter saúde, emprego, parceiros e lazer.

PESSOAS FELIZES SÃO MENOS PERSUASIVAS – Para persuadir alguém, você tem que convencê-lo de que sua ideia é melhor que a de outra pessoa e que tem mérito. Não adianta tão somente um sorriso ou transmitir boas emoções, isso na verdade pode gerar efeito oposto, diminuindo a credibilidade e levando a suspeitas.

Saber comunicar a mensagem de forma concreta e detalhada não é característica de pessoas cheias de emoções positivas. Estas tendem a passar por cima de detalhes e se fixar numa imagem geral, o que em certas situações da vida pode ser vantajoso emocionalmente. Na questão de persuasão, vimos que não é o caso, pois as pessoas respeitam autoridades nos assuntos e se predispõem a seguir a liderança de peritos.

Em pesquisas nas quais juízes teriam que avaliar os argumentos referentes a questões do cotidiano, verificou-se que pessoas infelizes criaram argumentos muito mais fortes que as felizes. Resultado: a qualidade dos argumentos das pessoas infelizes era 25% mais eficaz e 20% mais concreta do que a das pessoas felizes.

“Aquele que transforma embeleza todas as emoções, sejam de melancolia, de tristeza, prazer ou dor, vive na perfeita alegria:’ Graça Aranha (um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, em 1897).

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PARA EVITAR DISTRAÇÕES

Em meio a vários estímulos, nosso cérebro “escolhe” os mais importantes e suprime outros.

Para evitar distrações

Você sabe que a saída está em algum lugar daquele trecho da rodovia, mas nunca a utilizou antes – e obviamente não quer perdê-la. Enquanto olha atentamente para o lado da estrada em busca da sinalização, numerosas distrações se intrometem em seu campo visual: cartazes, um conversível cheio de estilo que passa ao seu lado, a música no rádio, o toque que anuncia a chegada de uma mensagem no celular. Como o seu cérebro se concentra na principal tarefa que está realizando naquele momento?

Para responder a essa pergunta, muitos neurocientistas têm estudado o modo como o cérebro reforça sua resposta para o que você está procurando, condicionando-se com um impulso elétrico especialmente forte quando vê o que procura. Outro truque mental pode ser igualmente importante. De acordo com um estudo divulgado na publicação científica Journal of Neuroscience, o cérebro enfraquece sua reação deliberadamente perante tudo o mais, de modo que, comparativamente, o “alvo” parece ser mais importante. Isso pode ser um risco, por exemplo quando desviamos nossa atenção para o celular enquanto dirigimos. Os neurocientistas cognitivos John Gaspar e John McDonald, ambos da Universidade Simon Fraser, na Colúmbia Britânica, no Canadá, chegaram a essa conclusão sobre o enfraquecimento da reação cerebral depois de terem pedido a 48 voluntários que fizessem testes de atenção em um computador. Os participantes do experimento deveriam identificar rapidamente um círculo amarelo isolado em meio a um conjunto de círculos verdes sem serem distraídos por um círculo vermelho ainda mais chamativo. Os pesquisadores acompanharam e registraram a atividade elétrica cerebral dos estudantes utilizando uma rede de eletrodos conectados ao couro cabeludo. Os padrões neurais revelaram que o cérebro dos voluntários suprimira consistentemente as reações a todos os círculos, exceto aquele que estavam procurando. “Neurocientistas estão cientes da supressão há algum tempo, mas ela não recebe tanta atenção quanto os mecanismos que aumentam a atenção”, observa McDonald. “A novidade deste trabalho é que determinamos como é possível evitar distração por meio da supressão.” Ele aposta que esse tipo de pesquisa algum dia poderá ajudar cientistas a entender o que ocorre no cérebro de pessoas com problemas de atenção, como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. E, em um mundo cada vez mais marcado pelo excesso de estímulos e distrações – diariamente responsáveis por acidentes de todo tipo, em especial de trânsito –, qualquer informação consistente sobre como o cérebro se concentra deve atrair nossa atenção

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PODEMOS APRENDER A ESQUECER?

Neurocientistas americanos tentam apagar recordações desagradáveis; porém, ainda que esse processo seja bem-sucedido, provavelmente o mero esquecimento do fato não ser á suficiente para evitar o aparecimento de sintomas físicos e mentais.

Podemos aprender a esquecer

Depois de estender a mão num reflexo para segurar uma panela quente que cai do fogão, você pode ser capaz de puxá-la de volta no último instante para não se queimar. Tudo isso em frações de segundo. Isso ocorre porque o controle executivo do cérebro pode intervir para interromper uma cadeia de comandos automáticos. Várias novas evidências sugerem que algo parecido acontece com o reflexo da recordação: o sistema cerebral é capaz de parar a recuperação espontânea de memórias dolorosas. Primeiro é preciso considerar que as memórias fazem parte de uma espécie de teia de informações conectadas. Por isso, uma lembrança pode agir como gatilho de outra, trazendo-a à tona sem esforço consciente. “Quando você recorda algo, a resposta automática da mente é lhe fazer um favor, tentando recuperar o que estiver associado a isso, mas às vezes somos lembrados de coisas sobre as quais preferiríamos não pensar”, diz o neurocientista Michael Anderson, pesquisador da Universidade de Cambridge. Estudos prévios sugerem que as áreas frontais do cérebro reduzem a atividade do hipocampo, uma estrutura crucial para a memória, e assim evitam a recuperação de lembranças. Para entender melhor, Anderson e seus colegas investigaram o que acontece depois que o hipocampo é suprimido. Eles pediram a 381 universitários para aprender pares de palavras pouco relacionadas. Depois, mostrou-se a eles uma das palavras e pediu-se que lembrassem da outra – ou que fizessem o contrário e, intencionalmente, não pensassem na outra. Às vezes, entre as tarefas, mostravam a eles imagens incomuns, como um pavão parado num estacionamento. Em artigo publicado no periódico científico Nature Communications, os cientistas afirmaram que a capacidade dos participantes de lembrar de pavões e outras imagens pouco convencionais foi cerca de 40% menor nos testes em que foram instruídos a suprimir memórias de palavras, antes ou depois de verem as imagens, em comparação com os testes em que foram solicitados a recordar as palavras. O achado traz mais evidências de que há um mecanismo de controle de memória, e sugere que tentar esquecer ativamente uma lembrança particular pode afetar negativamente a memória geral. O fenômeno é chamado de “sombra amnésica”, porque parece bloquear a recordação de eventos não associados que ocorrem por volta do momento em que a atividade do hipocampo é reduzida. “Os resultados talvez expliquem por que há vários registros de pessoas que viveram traumas (e depois tentaram esquecê-los) e têm memória fraca de fatos cotidianos”, observa Anderson. Ele e a colega Ana Catarino agora desenvolvem um novo experimento: monitoram em tempo real a atividade cerebral de pessoas que querem esquecer algo específico e informam a eles o quanto da atividade hipocampal está suprimida. Os pesquisadores acreditam que isso possa ajudar a aperfeiçoar o esquecimento seletivo, uma aptidão que poderia minorar a dor de pessoas com transtorno de estresse pós-traumático.  O que não foi considerado é que a experiência deixa uma marca emocional que não se restringe à lembrança em si e os resquícios traumáticos podem aparecer em forma de sintomas e quadros graves de doença mental. Mais útil do que simplesmente esquecer, parece fundamental recorrer a processos psicoterapêuticos que permitam o reconhecimento da dor e a elaboração da vivência dolorosa.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

MENSAGENS ESCONDIDAS

Os estímulos que recebemos de maneira subliminar, ou abaixo do nível da consciência, surtem algum efeito sobre nossas escolhas, mesmo que não possamos nos dar conta. Essa influência, no entanto, ocorre apenas em situações bastante específicas.

Mensagens escondidas

Recebemos mensagens o tempo todo – tanto a respeito do mundo externo quanto de estados internos. Muitas dessas informações processamos conscientemente, mas inúmeras delas passam despercebidas. Ou seja: registramos, mas não temos consciência de que o fazemos. A música que toca distante, por exemplo, pode influenciar nossas escolhas. E se alguém nos perguntar se o som tem alguma relação com nossa opção, provavelmente vamos jurar que não. Um experimento, porém, mostrou que certos “detalhes” podem ter mais efeito sobre nós do que supomos. O psicólogo Adrian North e seus colegas, na época, na Universidade de Leicester, na Inglaterra, expuseram uma seleção de quatro vinhos alemães e quatro franceses, igualmente caros, em um supermercado britânico. Durante alguns dias, os cientistas intercalaram canções alemãs e francesas no ambiente. Depois, entrevistaram os clientes que compraram a bebida e descobriram que poucos haviam se dado conta de ter escutado alguma música. Porém, aqueles expostos a canções francesas escolheram vinhos dessa nacionalidade com maior frequência, e o mesmo se deu em relação às bebidas alemãs.

“Esse tipo de estudo nos leva a considerar que, assim como a música, a publicidade com mensagens abaixo do nível da consciência pode exercer influência em situações imediatas do cotidiano”, afirma o psicólogo social Wolfgang Stroebe, professor das universidades de Utrecht e de Groningen. Segundo ele, as mensagens teriam de ser curtas, aparecer no momento em que decidimos algo e estarem relacionadas às nossas intenções imediatas ou aos nossos hábitos. “Pelo que sabemos hoje, é improvável que anúncios publicitários com conteúdos subliminares possam induzir consumidores a comprar determinada marca dias depois”, afirma. Na prática, portanto, mensagens “escondidas” em músicas, peças publicitárias ou filmes são menos potentes ou aterrorizantes do que se acreditava no passado.

ASCENSÃO E QUEDA

A noção de que podemos ser influenciados sem nos darmos conta é antiga – evidências históricas sugerem que no século 5º a.C. os pensadores gregos já tentavam empregar linguagem sutil, mas persuasiva para induzir pessoas disfarçadamente. Em meados do século 20, essa famosa ideia capturou a atenção popular, mas só recentemente a ciência começou a analisar os efeitos reais daquilo que é transmitido abaixo do limiar da consciência.

1943 – Mensagens subliminares foram ocasionalmente incorporadas em programas de rádio, cinema e televisão. Em um curta de animação do Patolino daquele ano, por exemplo, as palavras “compre edições” aparecem brevemente na tela. Ninguém sabia se influenciariam as pessoas, mas decidiu-se que tentar não faria mal.

1957 – O pesquisador de mercado James Vicary afirmou que, ao disparar rapidamente as palavras “Coma pipoca” e “Beba Coca-Cola” durante um filme por uma fração de segundo, ele conseguiu aumentar significativamente a venda desses produtos. Cinco anos mais tarde, Vicary admitiu que havia falsificado o estudo. A essa altura, porém, a preocupação do público e o interesse de anunciantes e agências governamentais já tinham crescido em relação ao poder manipulador dessas mensagens.

Final dos anos 1960 até a década de 1980 – Muitos estudos científicos ao longo desse período começaram a desacreditar as alegações de que dados subliminares pudessem influenciar o comportamento de maneira sutil. Uma pesquisa, por exemplo, mostrou que disparar rapidamente as palavras “Chocolates Hershey” numa série de slides durante uma palestra não interferiu na opção de estudantes em relação à escolha desse produto durante um período de dez dias.

1990 – Apesar de muitos estudos continuarem a pôr em xeque os argumentos de que mensagens abaixo do limiar da consciência pudessem causar algum efeito psicológico, outras pesquisas começaram a apontar pequenos efeitos. Em uma delas, em 1992, um grupo de participantes visualizou imagens de uma pessoa envolvida em uma atividade diária comum. Depois de cada figura, os cientistas lançaram rapidamente uma fotografia: metade notou algo positivo e a outra parte, algo negativo. Esses últimos relataram imaginar a pessoa fotografada numa luz mais prejudicial.

Início de 2000 – As pesquisas continuam a sugerir que dados subliminares de fato influenciam nossa percepção; o efeito é apenas mais sutil do que pensávamos.

2006 – Os estudos mostram finalmente que mensagens que passam despercebidas pela consciência podem favorecer a publicidade em certas situações. Por exemplo, uma pesquisa de 2006 constatou que participantes que viam rapidamente uma imagem de uma bebida de marca, nesse caso a Lipton Ice Tea, eram mais propensos a escolhê-la para saciar a vontade de tomar algo. Essa associação só se manteve, porém, entre aqueles que já estavam com sede. (Outro estudo provocador mostrou que figuras embutidas relacionadas com o desejo de beber algo em um episódio de Os Simpsons realmente deixaram as pessoas com mais sede.

2007 – Informações subliminares podem colaborar também no desempenho acadêmico. Em um estudo de 2007, cientistas mostraram rapidamente a estudantes palavras escondidas relacionadas ou não com a inteligência, como “talento” e “grama”, respectivamente, antes de um teste prático. Aqueles que perceberam os termos associados com o intelecto se saíram melhor na avaliação num prazo médio de um a quatro dias.

2010-2016 – Estudos de neuroimagem demonstram que o cérebro responde a mensagens indiretas de maneira mensurável. Os níveis de atividade mudam na amígdala (associada ao processamento das emoções), na ínsula (envolvida com a consciência), no hipocampo (relacionado com a execução das memórias) e no córtex visual.