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O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

VOCÊ TEM CERTEZA DA SALVAÇÃO?

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo os corações purificados de má consciência, e lavado o corpo com água pura (Hebreus 10:19-22).
Esta passagem bíblica diz-nos, primeiramente, o que o Senhor realizou por nós e a seguir o que devemos fazer. Visto que recebemos tanto devemos aproximar-nos de Deus com sincero coração, em plena certeza de fé.
Aqui está algo especial que requer nossa atenção. Devemos conhecer a diferença entre a antiga e a nova aliança. Na nova aliança os homens prosseguem, passo a passo, a partir da posição que já obtiveram, enquanto na antiga aliança devem avançar passo a passo até conseguir a posição correta. Em outras palavras, durante a época do Antigo Testamento os homens não tinham absolutamente nenhuma posição perante Deus. Eram semelhantes a alunos que fazem exame de admissão e não sabem se vão passar ou não. Os homens dos tempos antigos não tinham certeza alguma na presença de Deus e em sua tentativa de agradá-lo, eram constantemente provados. Tinham de exercer seu esforço máximo a fim de chegarem-se a Deus em adoração e culto, esperando com isso que algum dia pudessem afinal chegar à posição de vida eterna no futuro.
Mas na nova aliança verifica-se o inverso. E a pessoa que conhece esta mudança é, deveras, abençoada. A nova aliança é totalmente diferente da antiga pois sob a nova aos homens é dada uma posição, posição essa que nunca muda. De forma que todos os crentes hoje que estão sob a nova aliança têm garantida uma posição em Cristo. E com base nesta posição de vida eterna, já concedida, chegam-se a Deus com sincero coração, em plena certeza de fé.
Hoje, nós, os crentes em Cristo, devemos firmar-nos na posição que Deus nos concedeu. Depois que a pessoa é salva, o primeiro passo que deve dar é reconhecer qual é, de verdade, a posição que ocupa. A Palavra de Deus diz que todo o que está em Cristo já conseguiu esta posição. Em outras palavras, tendo-nos tornado filhos de Deus, agora chegamo-nos a ele. As obras que agora praticamos têm base na posição que primeiro recebemos. Não nos esforçamos para praticar o bem a fim de sermos salvos. Os que ainda abraçam tal conceito não conhecem a Deus nem compreendem sua Palavra.
Examinemos, pois, cuidadosamente a questão de se o crente pode ou não ter a certeza da vida eterna. Pode o cristão saber com certeza absoluta que é salvo? Com respeito a este assunto vital, porém, nada desejo dizer de mim mesmo, mas apenas permitir que o Livro Sagrado — a Bíblia — fale. Leiamos e examinemos juntos algumas passagens das Escrituras a fim de vermos se realmente podemos saber se temos a vida eterna.
“Estas cousas vos escrevi a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1 João 5:13). Apeguemo-nos ao que nos é dito aqui. Diz o versículo que a pessoa pode esperar? De maneira nenhuma. Pelo contrário, diz que a pessoa pode saber que tem a vida eterna. Para quem João escreve esta carta? Para os que creem em o nome do Filho de Deus. Quem é este Filho de Deus? É Cristo. Logo, João escreve para os que já creram em Jesus Cristo para que saibam que têm a vida eterna. Logo, a Bíblia afirma que podemos conhecer este assunto. Tudo o que João escreve tem o propósito de fazer com que os que creem em o nome do Filho de Deus saibam, com toda certeza, que têm a vida eterna.
“Tomai, pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia a remissão de pecados por intermédio deste; e por meio dele todo o que crê é justificado de todas as cousas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (Atos 13:38, 39). Como é que inicia esta passagem? Começa ela dizendo: “Esperai” ou “Possais crer?” Não, não diz nada disto. Antes, começa da seguinte maneira: “Tomai, pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia a remissão de pecados por intermédio deste.” Podemos saber que estamos perdoados dos pecados? Paulo, na passagem acima, declara, inequivocamente, que podemos saber e devemos ter o conhecimento de que estamos perdoados e justificados. Todos os que creem devem conhecer este fato e não precisar que ninguém mais lhes diga.
“Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Coríntios 5:1). Esta passagem é diferente da de Atos, citada acima, que traz uma palavra de ordem dizendo que a pessoa deve saber. Aqui, em vez disso, afirma-se claramente que já sabemos — isto é, sabemos sem necessidade de que ninguém mais no-lo diga. O que sabemos? Paulo diz que sabemos que se este tabernáculo terrestre (nosso corpo físico) se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus (nosso corpo de ressurreição). Paulo sabe, sem sombra de dúvida, que depois que nosso corpo terrestre morre, teremos um corpo eterno e ressurreto no céu. Em outras palavras, seremos salvos. Paulo, ao fazer a afirmativa acima, toma bastante cuidado para que ninguém o interprete mal pensando que ele, como apóstolo que sabe como servir, definitivamente haveria de ir para o céu depois da morte, mas que as pessoas como nós, que não somos zelosos nem amamos ao Senhor, provavelmente não receberiam um corpo ressurreto depois da morte e assim não seriam salvas. Mas Paulo toma todo o cuidado na maneira de expressar-se. Ele não diz: “Sei que, se a minha casa terrestre deste tabernáculo se desfizer”; antes, ele diz: “Sabemos” — não somente eu mas vocês também; isto é, todos os que creem no Senhor terão um edifício da parte de Deus, todos teremos uma casa não feita por mãos, eterna, nos céus, depois que a casa terrestre deste nosso tabernáculo se desfizer. Logo, mostra-se aqui que todo o que crê pode ter a certeza da vida eterna e, portanto, é salvo.
Este pensamento continua nos versículos 6 e 8: “Temos, portanto, sempre bom ânimo, sabendo que, enquanto no corpo, estamos ausentes do Senhor… Entretanto estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor.” Paulo não tem dúvida alguma do lugar para onde vai ao deixar o corpo. Ele sabe que ele e todos os que crerem jamais irão para o lugar eternamente temido; antes, irás a estar com o Senhor para sempre. É por isso que ele podia ter bom ânimo e não temer a morte. Mostra também que no assunto da salvação, não precisamos esperar até o futuro para sabermos estas coisas. Podemos conhecê-las agora.
“E por isso estou sofrendo estas cousas, todavia não me envergonho; porque sei em quem tenho crido, e estou certo de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2 Timóteo 1:12). Por que Paulo diz isso? Que confiou ele ao Senhor no dia em que creu? Entregou seu futuro, a vida eterna e a salvação ao Senhor. Ele crê no Senhor e está certo de que o Senhor é poderoso para guardar o seu depósito até aquele dia. Ele sabe com toda certeza e compreende muito claramente que tudo o que entregou nas mãos do Senhor será guardado.
Estas poucas passagens bíblicas que examinamos testificam do fato de que podemos saber aqui na terra se temos ou não a vida eterna e se somos salvos ou não. Portanto, todo crente deve saber hoje se é salvo ou não. Logo não dê desculpas, dizendo: “Não sei se irei para o céu ou para o inferno depois de ser julgado por Deus no futuro.”
Com respeito à certeza da salvação, precisamos discutir algumas coisas mais. Como saber quem tem a vida eterna e é salvo? Precisamos saber como conseguir a vida eterna. Se conhecemos o caminho da justificação e do perdão dos pecados, poderemos determinar se já o palmilhamos. Se já andamos por este caminho, temos a vida eterna; se ainda não andamos, não temos a vida eterna. Examinemos, pois, o caminho da vida eterna.
Há, no Novo Testamento, pelo menos cerca de cento e cinquenta lugares onde os escritores declaram que a pessoa que crê tem a vida eterna, tem a vida, não é julgada, ou está salva. O que João 3:16, um dos versículos mais conhecidos, tem a dizer sobre isto? Diz-nos que Deus nos ama. Como nos ama ele? A quanto chega seu amor? Deus amou ao mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, Jesus, que morreu pelos pecadores e realizou a obra da redenção. De modo que agora “todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Este precioso versículo levanta três questões: um grande fato, uma grande condição e uma grande consequência. O grande fato é que Deus enviou Jesus como propiciação pelos pecados dos homens, como Salvador do mundo. A grande condição é o que todo homem deve fazer: crer. A grande consequência é, na verdade, tão boa que vai além do pensar humano: todo aquele que crê não perece, mas tem a vida eterna. Não há outro fato no mundo, maior ou mais real do que o que acabamos de mencionar. A grande condição ou exigência agora é posta perante todos os homens para que a cumpram — crer no fato do que Deus fez e realizou. Essa é a única condição. O grande fato é realizado por Deus mas a grande condição é cumprida pelos homens. E com a grande consequência de não perecer, mas ter a vida eterna, a pessoa entra na posse da salvação. Ora, já que o Senhor disse isto em sua Palavra, poderá alguém pensar que se uma pessoa crer, seja homem ou mulher, não obstante, há de perecer? Isso tornaria Deus injusto, o que ele não é. Ele é o Deus da justiça. Logo, a Palavra de Deus é certa: todo aquele que crê em Jesus não perecerá, mas tem a vida eterna.
Tendo crido no Senhor e depois dizer que não tem a vida eterna não é sinal de humildade e, sim, marca de descrença. Tal posição é duvidar da Palavra de Deus, de sua justiça e do seu caráter imutável. Todo aquele que está em Cristo tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida. No dia em que crê, a pessoa nasce de novo para a nova vida. Este é o evangelho. Coloco este assunto na sua presença para que saiba que tem a vida eterna.
Examinemos também João 6:47: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem crê, tem a vida eterna.” Se todos os versículos das Escrituras desaparecessem e restasse somente este, seria o suficiente para resolver o problema da certeza da salvação. Fé não é expectativa. Não espera o futuro nem requer a realização de obra alguma, pois a Bíblia diz: “Quem crê, tem a vida eterna”, e a Palavra de Deus jamais muda.
Muitos que creem não ousam dizer que estão salvos por não compreenderem o fundamento de sua salvação. É certo que as pessoas sabem que as coisas más que praticaram antes de crerem no Senhor foram, de fato, lançadas sobre Jesus, mas incorretamente pensam que tudo de mal que fizerem daí em diante fará com que pereçam. Daí voltam à posição da antiga aliança.
A nova aliança, contudo, dá-nos primeiro uma posição. Por meio da fé recebemos a plenitude da nova vida e depois aproximamo-nos de Deus com sincero coração em plena certeza de fé. Os homens não vêm a Deus mediante boas obras; ao contrário, é-lhes dada uma posição antes que se aproximem de Deus. E esta posição jamais será perdida, nem na eternidade.
Hoje em dia as pessoas não têm a alegria da salvação porque confiam em suas boas ações para conservar a salvação que uma vez receberam. Mas a salvação não se ganha por uma vida de boas obras. Se perguntarmos a uma pessoa verdadeiramente salva, como foi que recebeu a salvação, sua resposta indubitavelmente será:
— É Jesus quem me salva porque não tenho absolutamente nenhum poder pelo qual salvar-me. Tudo me foi dado pelo Senhor.
Só os que assim agem podem regozijar-se sempre.
Sabemos que o ladrão que foi crucificado com o Senhor foi salvo naquele dia. Ao aceitar a Jesus, ele foi salvo instantaneamente na cruz. Sua salvação dependeu inteiramente da morte substitutiva de Jesus. Suponhamos que ele não tivesse morrido naquele dia mas vivesse mais cinquenta anos. E suponhamos que ele tivesse tido a oportunidade de praticar as boas obras como o fez o apóstolo Paulo, e permanecer firme como Pedro e manifestar tão grande amor como João. Em outras palavras, suponhamos que toda a força de Paulo, Pedro e João se concentrassem neste ladrão. Acha você que essas habilidades e boas obras tê-lo-iam ajudado a alcançar o Paraíso? Torná-lo-iam estes esforços mais digno de ser salvo? Não. Ainda que ele pudesse ter vivido e praticado o bem, salvo muitas pessoas como o fizeram os apóstolos mencionados, estas obras não lhe serviriam de base para salvação. Pois o único fundamento da salvação é o Senhor Jesus e não as obras do próprio ladrão. Por conseguinte, aquele que crê pode ousar dizer que é salvo. E daqui em diante pode viver uma vida santa e boa como o fez o seu Senhor porque está salvo.
Suponhamos que uma pessoa caia na água e os que estão na praia tentem salvá-la. Tirando-a da água aplicam-lhe respiração artificial, proveem-lhe roupas secas, acendem um fogo para ela se aquecer e dão-lhe alimento a fim de que viva. Se depois, alguém perguntar a essa pessoa: “Onde você está agora? Em terra?” e se essa pessoa responder: “Embora eu não esteja na água, contudo sinto-me como se ainda estivesse lá. Se disser, porém, que agora estou em terra, seria culpado de arrogância; portanto, posso somente esperar que esteja em terra”, você acha que tal pessoa realmente está sendo humilde? Permita-me dizer-lhe que isto não é humildade. Da mesma forma, se aquele que de fato creu em Jesus como Salvador não ousa confessar que está salvo, também não é sinal de humildade, mas de ingratidão para com a graça espantosa do Senhor. Além disso, é negar a grande obra da redenção de Deus. Tal atitude insinua que o Senhor é incapaz de salvar o crente por completo.
Permita-me observar que os crentes que tomam tal atitude nunca poderão louvar a Deus. De suas bocas não sairá o som de ação de graças, pois se os tais não sabem para onde se dirigem, não é de admirar que não possam louvar a Deus nem glorifica-lo. Quão triste é que o louvor dos lábios não se encontre nas vidas de muitos cristãos. Mas os que sabem que estão salvos louvarão continuamente a Deus e dar-lhe-ão graças. Quem poderá louvar a Deus no inferno? O inferno está cheio de ruído de maldição. Não há aí palavras de louvor. Se as pessoas não louvarem a Deus agora, quando é que o louvarão?
Estou bem cônscio de que algumas pessoas dizem ser perigoso ao que crê afirmar que tem a vida eterna, que é salvo e que não perecerá. Pois após ser salvo, alegam essas pessoas, ousará fazer tudo sem o espírito de temor e precaução.
Entretanto, os que expressam tal sentimento têm-se exposto como sendo miseravelmente ignorantes da salvação e da graça de Deus.
Saiba, com certeza e compreenda de uma vez por todas que a salvação segundo a Bíblia tem os seus lados subjetivo e objetivo. Cristo foi crucificado e Deus declara que os pecados de todos os que creem em Cristo foram levados por ele na cruz; portanto, seus pecados são completamente perdoados e não irão para o inferno mas são justificados e salvos. Este é o lado objetivo. Ao mesmo tempo, contudo, a salvação do Senhor tem sua obra subjetiva, a saber, crucificar para a morte nossa vida antiga que gosta de pecar e tem prazer na impureza. Além disso, Deus dá-nos sua vida — uma nova vida. E tal é a salvação no lado subjetivo.
O Senhor não somente nos dá a salvação objetiva, ele também nos regenera. Não é que nossos pecados sejam apenas perdoados, também nascemos de novo. Deus coloca em nós uma nova vida, um novo espírito. Todo crente tem o Espírito Santo habitando nele. Logo, sabe o que é certo e o que é errado. Sua vida é de bondade e alegria. Jamais a pessoa se sentirá incomodada por algo santo e bom depois que seus pecados são perdoados e receber a vida de Deus. Antes, não ousava pecar abertamente por medo de má reputação; agora não pratica o mal por saber que é pecado e impuro. Hoje ela despreza o pecado uma vez que o Espírito Santo agora habita nela e por isso não ousa pecar.
Se a pessoa professa crer no Senhor Jesus e continua a pecar sem nenhum sentimento de ódio contra o pecado, tal pessoa não nasceu de novo. E o que não nasceu de novo não tem a vida e, portanto, não é salvo. Sua fé não é real. Percebamos que a vida de Deus não nos permite pecar. Logo, todos os que creem -podem não pecar, embora nem todos os crentes sejam perfeitamente sem pecados. Portanto, apeguemo-nos a esta palavra: o crente não apenas recebeu a salvação objetiva de Deus; foi-lhe também garantida a salvação subjetiva.
Que viajante haveria de decorar seu quarto de hotel — que ocupa apenas por algum tempo — com perfeição de beleza e equilíbrio? Mas ele decoraria sua habitação -permanente com alto grau de beleza e conforto. Há tempos tive um colega de escola que nunca se vestia decentemente. Deixou o cabelo crescer, não lavava o rosto, seu corpo era imundo e não amarrava os sapatos. Seus colegas o criticavam, dizendo que ele não era humano. Até as pessoas da rua o desprezavam. Mas dois anos mais tarde, ao encontrá-lo certo dia na rua, notei que o seu rosto estava barbeado e o cabelo penteado e ele usava roupas decentes. Mal pude reconhecê-lo. Pensei comigo mesmo: “Será este o mesmo que foi meu colega de escola por sete anos?” E ao falar com ele, para surpresa minha, perguntou-me acerca da vida e costumes do Ocidente. Por que uma pessoa tão descuidada como ele agora desejava aprender a etiqueta do Ocidente? Não pude conter-me, de modo que fui perguntar ao seu tio. Descobri que o motivo de tal interesse era que logo ele estaria de partida para o exterior, temporariamente, a fim de estudar. Por isso começou a vestir-se bem e desejava aprender tudo sobre os costumes ocidentais.
Se a pessoa que vai para o exterior a fim de estudar por apenas dois ou três anos veste-se no estilo ocidental e aprende a falar a língua desse país, pergunta acerca da vida no Ocidente e dá atenção à etiqueta do país a que se dirige, quanto mais devíamos nós, os crentes — que no futuro habitaremos -permanentemente nosso lar brilhante, lindo e glorioso no céu — preparar-nos para aprender a respeito da vida e dos costumes celestiais?
Todo crente deve saber que é salvo e que em breve voltará para o lar celestial a fim de encontrar-se com o Pai Celeste. E se tal for verdade (e certamente é), então é concebível que o crente haveria de pensar que uma vez que não terá oportunidade de pecar no céu, poderia muito bem pecar mais e experimentar mais a amargura e a escravidão do pecado enquanto na terra? Não, jamais! Sabendo que vamos para o lar celestial a fim de habitar na linda cidade de Deus, nós, os salvos, procuraremos, pelo contrário, abandonar os prazeres do pecado e as coisas da carne e seus desejos de modo que não nos impeçam nem perturbem nosso progresso.
Que todos nós saibamos que somos salvos e que temos a vida eterna de Deus. E manifestemos a vida de Deus em nós e para fora de nós como prova de nossa salvação. Com nossa vida devemos testificar perante os homens e ser usados por Deus para salvar a muitos.

 

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

CAMINHOS PARA O INFERNO

Voltemo-nos para um versículo bíblico muito importante, cujas palavras foram proferidas pelo próprio Jesus Cristo: “Larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para a perdição” (Mateus 7:13b). Esta passagem parece informar-nos que há um lugar chamado destruição. A entrada a esse lugar é por meio de uma porta larga e além da porta encontra-se um caminho espaçoso. Gente incontável apressa-se para este lugar; até mesmo parecem estar indo de trens expressos, tanta é a velocidade com que se dirigem para este destino! Visto que a porta é larga, tudo pode ser levado para dentro. E uma vez que o caminho é espaçoso é muito fácil viajar por ele. Mas esta porta e este caminho conduzem para a perdição.

O lugar da perdição é o inferno. Assim, o que o Senhor Jesus diz aqui é que larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz para o inferno e são muitos os que entram por ela. Pode ser que você se encontre entre os que estão entrando.

Não fique a especular, dizendo não haver porta para o inferno. Pelo contrário, a porta para o inferno existe e é larga. Não fique a imaginar que não há caminho para o inferno: existe um caminho que conduz ao inferno e é mais espaçoso do que qualquer via expressa deste mundo. É muito mais espaçoso do que a rodovia mais espaçosa que se construiu. De fato, os caminhos do inferno são muitos — não há somente um. Se a pessoa desejar ir para o inferno pode encontrar muitas estradas secundárias à sua escolha. Embora sejam muitos os caminhos, um só é o destino. Embora os pontos de partidas possam variar, a linha de chegada é a mesma. Embora as pessoas viajem por caminhos diversos, todas acabam no inferno.

De forma que se você está decidido a ir para esse lugar a Bíblia pode, facilmente, mostrar-lhe muitos caminhos a seguir. Destes muitos caminhos para a destruição mencionarei aqui apenas cinco. Todos os que desejarem ir para o inferno podem tomar qualquer destes cinco caminhos e terão a segurança de acabarem lá. Entretanto, os que não quiserem acabar no inferno podem aprender desta apresentação como escapar de tal destino. Como anseio que nenhum de vocês vá para o inferno; mas se alguém insiste em palmilhar este caminho, quem poderá fazê-lo mudar de ideia?

O PRIMEIRO CAMINHO PARA O INFERNO: SUICÍDIO
O suicídio é um atalho para o inferno. Não há caminho que leve para o inferno tão rapidamente quanto este. Observe esta breve passagem bíblica: “Indo [Judas] para o seu próprio lugar” (Atos 1:25b). Judas jamais crera em Jesus Cristo.
Embora externamente aparentasse ser um dos discípulos, era “o filho da perdição” (João 17:12) que nunca tivera a experiência da salvação. Depois de morrer ele foi “para o seu próprio lugar”. Qual era seu próprio lugar? Era a destruição ou perdição. Depois da morte ele foi para o inferno. Como foi ele para o inferno? Matou-se enforcando-se.
Se alguém desejar ir para o inferno o método mais conveniente para isso é o suicídio. Uma navalha, uma corda ou um copo de veneno rapidamente enviará a alma para o lugar de sofrimento eterno. O inferno pode estar bem distante de você nesta vida; de fato, pode ser que você leve muitos anos para acabar lá. Mas se você cometer o suicídio, encurta os seus dias de vida na terra e apressa-se para o lugar de perdição eterna.
Certa vez um patrão incrédulo perguntou a seu chofer cristão qual era o caminho mais curto para o inferno. Nesse instante o carro corria pela estrada. O motorista abriu a porta do carro e disse para o patrão: “Se o senhor pular do carro chegará lá imediatamente. Uma vez que não crê no Senhor Jesus, irá para o inferno assim que morrer.”
O caminho mais fácil e mais rápido para o inferno, deveras, é o suicídio. Se desejar chegar ao inferno em poucas horas, tome uma boa dose de ópio e chegará ao seu destino. Se deseja chegar ao inferno em alguns minutos, tome cianureto e com certeza lá estará. Se achar que estes caminhos são lentos demais e deseja descer ao inferno em menos de um minuto, dê um tiro no ouvido e, com toda certeza lá estará. Há muitas outras maneiras de suicidar-se. Por exemplo, você pode deixar-se morrer de fome ou jogar-se no mar. Ou você pode deitar no trilho e deixar que o trem o esmague.
Ao suicidar-se, a pessoa priva-se da esperança da salvação. Mas se continuar a viver na terra, poderá ouvir o evangelho da morte substitutiva do Senhor Jesus e crer para a salvação. Matando-se a si mesma, destrói para sempre a possibilidade de ouvir o evangelho. Por favor, tome nota disto: a salvação ou a perdição é assunto que se decide nesta vida. Se você se recusar a crer no Senhor Jesus nesta vida, não terá mais oportunidade de ouvir o evangelho e ser salvo depois da morte. Ao matar a si mesmo você acaba com a vida e perde toda oportunidade de salvação. Assim, a vítima do suicídio irá diretamente para o inferno. Seu próprio sangue é o selo de seu bilhete para lá.
Por que você procura a morte? Sei que está insatisfeito com a vida. Sei que muitas vezes se sente solitário e triste. Sei que sua vida é monótona. Sei que suspira com frequência. Percebe o tédio da vida. E as lágrimas não lhe são estranhas. Embora você possua muitas coisas neste mundo, estas não podem satisfazer-lhe o coração. Na profundeza do ser você percebe uma necessidade, um anseio por algo que não conhece mas que espera há de preencher esse vazio.
É verdade que além de dor e aborrecimento, a vida não tem outro sabor. E por isso você às vezes pensa em suicidar-se. Mas por que deve tomar essa direção? Jesus Cristo veio para salvar os que sofrem. Ele confortou muitos corações, satisfez muitas almas, transformou muitas vidas e enxugou muitas lágrimas. Ele está disposto a ajudá-lo a transformar sua vida de aborrecimentos em alegria. Ele pode ser o sol em seus dias nublados e a canção em suas noites escuras.
Com ele sua alma pode receber conforto e alegria. Por que, então, deseja você morrer? Por que suicidar-se e acabar no inferno? É preciso que hoje você dê ouvidos ao evangelho. O Senhor é poderoso e tem cuidado de você. Aceite-o como Salvador e Senhor e os seus problemas serão resolvidos.

O SEGUNDO CAMINHO PARA O INFERNO: INDISPOSIÇÃO EM LIDAR COM O PECADO
E, se tua mão te faz tropeçar, corta-a; pois é melhor entrares maneta na vida do que, tendo as duas mãos, ires para o inferno, para o fogo inextinguível (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga).
E se teu pé te faz tropeçar, corta-o; é melhor entrares na vida aleijado do que, tendo os dois pés, seres lançado no inferno (onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga).
E se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois, seres lançado no inferno, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga (Marcos 9:43-48).
Quem fala nesta passagem é o Senhor Jesus e claramente diz-nos como podemos ir para o inferno. Se a mão nos faz tropeçar — isto é, se a mão nos faz pecar — devemos cortá-la. Isto não quer dizer que devemos cortar literalmente nossa mão física; simplesmente indica que devemos cortar a lascívia e o pecado de nossa mão. O cortar a mão é doloroso e algo que às vezes estamos indispostos e relutantes em fazer. Da mesma forma, lidar com a lascívia e o pecado da mão é também doloroso e contra nossa vontade natural. Entretanto, se amarmos nossa mão (e a lascívia e o pecado que a mão representa), encontraremos grande desastre. Não é apenas a mão que peca; nosso pé, nosso olho e nosso corpo todo peca também. A mão, o pé e o olho representam o corpo inteiro.
E com que frequência nossa mão peca! Fazemos tantas coisas que não devemos fazer, ao passo que há tantas que devemos fazer mas que não fazemos. Erga a mão direita e coloque-a à sua frente; olhe para ela. Olhando-a com atenção, pergunte a si mesmo o que sua mão tem feito. Quantos pecados tem ela cometido? Quantas vezes tem ela resistido a Deus? Quantas coisas tem ela feito que são mais ou menos prejudiciais aos homens? Quantos atos tem ela praticado ao pecar contra você mesmo? Olhemos todos nós para nossas mãos e recordemos as coisas que fizeram. Creio que ao terminar esse exame você derramará lágrimas por elas. Você não pode ser descuidado nem levar a vida na esportiva. Deve sentir dor e chorar pelos muitos males que suas mãos têm feito, livrar-se de seus pecados e ser salvo crendo no Senhor Jesus.
Examine também neste instante os caminhos de seus pés. Quantas vezes seus pés o levaram para onde você não devia ter ido? Quantos pecados têm seus pés cometido? Está você agora à porta da destruição? Viaja você hoje no caminho da perdição? Desce tão consistentemente que já quase chega ao ponto de onde não pode voltar? Volte, pecador; por que perecer? Por que prosseguir no caminho do pecado? Esta não é uma estrada de paz. Pelo contrário, é o caminho mais triste que pode haver. Por que não se volta para o Senhor Jesus e livra-se de seus pecados?
Imploro que volte e ande pelo caminho da vida.
E os olhos? Nossos olhos servem de contato principal entre nosso mundo interior e o mundo externo. Mediante eles transferimos para dentro as coisas que estão ao nosso redor e levamos impressões para nosso coração. Que coisas estão sendo transferidas para o seu interior? Sem dúvida que nossos olhos têm pecado e nos têm feito pecar. Com os olhos lemos livros e jornais que não devíamos ler e vemos filmes que não devíamos ver. Desejamos ler certos romances, mas fingimos fazê-lo por amor à literatura. Sentimos o desejo de ver pornografia mas o fazemos em nome da apreciação da arte. Como nossos olhos anseiam ver cenas que despertam a lascívia! Quem poderá contar os pecados que nossos olhos cometeram? Eva olhou para a árvore proibida e achou-a deleitável; como consequência cometeu o pecado da rebeldia. Davi viu Bate-Seba tomando banho e cometeu o pecado do adultério. Os seus olhos têm pecado? Você sabe e Deus também o sabe.
Quão difícil é livrarmo-nos dos pecados da mão porque nos trazem tanto prazer. Como as pessoas gostam de seus pés pecadores. Quão natural e confortável é andar no caminho do pecado e quão frustrada se sente sua alma se não andar segundo esse antigo caminho. Como você se deleita em contemplar coisas imundas! Um olhar — um olhar atento — gratificar-lhe-á a lascívia e lhe dará prazer momentâneo. Realmente não é fácil livrarmo-nos da lascívia e dos pecados das mãos, dos pés e dos olhos. Contudo, o problema verdadeiro não é que não possamos livrar-nos deles (pois no Senhor Jesus há salvação), mas nossa indisposição em livrar-nos deles (pois sua alma sofrerá se eliminar a lascívia e os pecados). Ninguém pode forçá-lo a livrar-se dos seus pecados. Não obstante, a decisão de Deus permanece: ele declara em sua Palavra que ninguém que não seja nascido de novo poderá entrar no reino dos céus. Você pode deleitar-se com os pecados de suas mãos, pés e olhos; pode ser que não esteja disposto a livrar-se deles; de fato, pode ser que você os abrace de todo o coração. Mas uma coisa é certa: pecador não salvo algum poderá entrar no reino de Deus. Ninguém que pecar terá a vida eterna.
Você ou suporta a dor de um momento em sua disposição de cortar o pecado para que possa ter a vida eterna e entrar no reino dos céus ou levará consigo o pecado para sentir-se cômodo e prazenteiro durante a vida terrena mas ir para o inferno a fim de ser queimado pelo fogo e consumido pelos vermes. Livre-se do pecado e salve-se ou carregue o pecado e acabe no infer¬no. A fim de entrar na vida é preciso eliminar o pecado. A fim de entrar no inferno não é preciso preocupar-se com o pecado mas apenas conti¬nuar pecando e tendo prazer nele. Visto que no céu não existe pecado, ninguém que deseje ir para lá pode levar consigo o pecado. Pecado deve ser ou deixado no Calvário ou levado para o inferno. O céu somente permite a entrada de pecadores salvos. Portanto, não espere entrar com pecados no céu. Você deixa-o e entra ou ambos ficam de fora.
A porta do inferno é larga. Se deseja entrar lá, pode levar todo o pecado, quer seja ele orgulho, ciúmes, porfia, adultério, imundícia ou qualquer outro. O inferno não tem medo de demasiado pecado; teme tê-lo pouco. Se deseja ir para o inferno pode pecar livremente. O inferno não o lançará fora por causa do seu muito pecar; está pronto para receber os piores pecadores. Jamais recusa ninguém. Dá boas-vindas a todos os que lá chegam. Se preferir ir para lá sofrer a ira de Deus, permita-me dizer-lhe que pode pecar à vontade e fazer tudo o que seu coração desejar. Doutra forma, imploro-lhe que se livre dos pecados, crendo no Senhor Jesus. Os pecados da mão e os pecados dos olhos e dos pés devem ser cortados. Está você, pecador, disposto a parar de pecar? Ou está pensando em cometer aquele pecado que premeditou uma hora atrás? Deixe-me preveni-lo que tenha cuidado para não acabar no inferno. O Senhor recebe o pecador que está disposto a deixar o pecado e voltar-se para ele.
Todos os pecadores devem perceber que o fogo do inferno se aproxima. Você que é pecador está numa situação muito precária. Sua mão está oprimida pelo pecado. Embora um único dos seus membros peque, isso é suficiente para privar seu corpo inteiro da liberdade. O pecado desse membro é bastante para fazer com que você perca a vida e se queime no fogo eterno. O fogo do inferno aproxima-se mais e mais. Você poderia estar vivendo os seus últimos cinco minutos. Pode ser agora ou nunca. Num instante a oportunidade pode estar perdida para sempre. Portanto, você deve fugir para salvar sua vida imediatamente; do contrário, perecerá, Por que deixar que o corpo todo vá para o inferno por causa do pecado de um membro recalcitrante? Por amor do seu corpo inteiro deve estar disposto a suportar a dor momentânea, livrar-se do pecado e confiar no Senhor Jesus. Assim, entrará para a vida. Caso contrário, permita-me dizer-lhe francamente, se insistir em conservar as mãos e os pés, o corpo inteiro será queimado até a morte. Se não estiver disposto a suportar a dor de cortar uma mão ou um pé o corpo inteiro acabará no inferno.

O TERCEIRO CAMINHO PARA O INFERNO: ORGULHO
Leiamos várias passagens bíblicas. A primeira encontra-se no evangelho segundo Lucas, capítulo 18, versículo 14. Aqui o Senhor Jesus conta-nos como termina a história do fariseu e do publicano. O fariseu é um fanático religioso e também uma pessoa muito moral, ao passo que o publicano não apenas é extremamente imoral mas também muito mundano. Não obstante, ambos vão ao templo orar. O bom fariseu não se humilha reconhecendo ser pecador e pedindo a misericórdia de Deus, mas o ímpio publicano humildemente confessa os pecados na presença do Senhor e pede que eles sejam perdoados porque sabe não ter nada de bom com que agradar a Deus. No versículo 14 o Senhor Jesus registra os seus fins respectivos: “Digo-vos que este [o publicano] desceu justificado para sua casa, e não aquele [o fariseu]; porque todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.” De forma que o fariseu moral não foi justificado enquanto o publicano fora da lei o foi.
Ser justificado não significa apenas ser perdoado, pois o perdão quer dizer apenas a remissão dos pecados. Para que a pessoa seja justificada é preciso que seja declarada sem pecado. Daí que o que dizia estar sem pecado foi condenado por Deus, o outro, porém, que se considerava pecador, é declarado sem pecado algum.
Mas como uma pessoa tão moral como o fariseu da história pode ser condenada e um publicano tão imoral justificado? A única razão é dada por Jesus, na parábola: “Todo o que se exalta, será humilhado; mas o que se humilha, será exaltado.” Dizendo-o de uma maneira mais dura, o ser justificado significa ir para o céu e não ser justificado significa ir para o inferno. Daí vermos como o orgulhoso vai para o inferno. Os orgulhosos devem precaver-se.
Examinemos alguns outros versículos da Bíblia: “O Senhor deita por terra a casa dos soberbos” (Provérbios 15:25a) — “Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune” (Provérbios 16:5) — “Porque o dia do Senhor dos Exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido” (Isaías 2:12). Estas passagens dizem-nos claramente que o orgulhoso será punido no dia em que Deus julgar toda a terra. Ir para o inferno é sofrer dores eternas. Se alguém realmente desejar ir para o inferno, basta simplesmente ser orgulhoso e chegará ao destino desejado.
O que é, pois, o orgulho? Orgulho significa exaltar a si mesmo, colocar-se acima do que realmente conseguiu. Reivindicar um nome que está além da realidade — isso é orgulho. Na história de Lucas 18, o Senhor tornou este ponto muito claro. Ele disse que o fariseu se exalta e é orgulhoso. Em que é ele orgulhoso? Não é sua moralidade digna de admiração? Mas na presença de Deus e sob sua luz, o fariseu não está disposto a confessar-se pecador. Em vez disso, tenta relatar a Deus toda a sua bondade e. omitir toda e qualquer menção de sua fraqueza, fracasso e derrota. Recusa-se a reconhecer que é pecador; pelo contrário, deseja apresentar perante Deus sua própria justiça. Este é seu orgulho.
O fariseu é orgulhoso, porque insiste em fingir perante Deus ser homem justo; embora seja pecador, não admite, na presença de Deus, o seu estado real. No entanto, Deus não interfere em seu orgulho. Permite-lhe autojustificar-se e ser autocomplacente. Deus não discute com ele. Tampouco o justifica; antes, permite-lhe perecer e ir para o inferno.
Daí o verdadeiro significado do orgulho é que o homem não está disposto a humilhar-se perante Deus, nem a reconhecer ser pecador e aceitar a obra expiatória do Senhor Jesus a fim de ser salvo. Os orgulhosos perecerão — contudo, não diretamente por causa do orgulho, mas indiretamente porque o orgulho impede-os de receber a salvação. O orgulho é apenas um dentre muitos pecados. O Senhor Jesus morreu por todos os pecados do mundo; ele levou a penalidade de todos os nossos pecados. Até mesmo o pecado do orgulho já foi punido na cruz. Mas se permitirmos que o orgulho permaneça não podemos crer na morte viçaria do Senhor Jesus e receber a vida eterna. Os orgulhosos perecerão porque o orgulho impede que sejam salvos.
A menos que a pessoa confesse os pecados e se coloque no lugar do pecador, não aceitará a Jesus como Salvador. Sou pregador do evangelho e ainda estou para ver ser salva a pessoa que, embora esteja disposta a crer na morte substitutiva do Senhor Jesus, não deseja confessar seus pecados. Para ser salvo é preciso humildade. A pessoa precisa confessar-se pecadora.
Por que você, neste instante, não examina o assunto dos seus pecados? Se você se humilhar e confessar que deveras é pecador, pode ser salvo. Se, entretanto, não confessar, mas permanecer orgulhoso, seu orgulho apressará sua ida para o inferno. Todos os que quiserem ir para o inferno podem enganar-se a si mesmos à vontade, ser arrogantes e desacreditar o fato de serem pecadores. Não é preciso humildade no inferno.

O QUARTO CAMINHO PARA O INFERNO: PROSTITUIÇÃO
Como Sodoma e Gomorra e as cidades circunvizinhas que, havendo-se entregue à prostituição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para exemplo do fogo eterno, sofrendo punição (Judas 7).
Vemos aqui que certo tipo de pessoas sofrerá a punição do fogo eterno. São punidas por terem-se prostituído. Os fornicadores impenitentes devem ir para o inferno. Pois o fogo eterno é a punição do inferno. Ali o fogo nunca se apaga. Assim, se alguém deseja ir para o inferno, basta apenas entregar-se à prostituição. O inferno não se exime da impureza e fornicação. De fato, dá as boas-vindas a todos os fornicadores. Se você não deseja ir para o inferno, deve cortar o pecado da prostituição.
E quão comum é este pecado! A modéstia e a virgindade tornaram-se fora de moda e foram desprezadas pela grande maioria da sociedade. Apanhe um jornal e veja quantos casos de fornicação se registram por dia. Leia as notícias referentes aos tribunais e verifique quantos casos de adultério estão sendo tratados na justiça. Literatura pornográfica é impressa e divulgada abertamente.
Não sei quantos de vocês têm cometido adultério. Nem tampouco sei quantos conservaram sua virgindade quando solteiros, tanto os homens como as mulheres. Essa é uma questão que só vocês podem responder. Cada pessoa sabe que pecado cometeu e Deus também o sabe. Acha você que a fornicação é muito agradável? Bem, pense nisto: todos os adúlteros só têm um fim à sua espera: o inferno.
Por favor, não leve este assunto na brincadeira. Os que quebram o relacionamento amoroso entre marido e esposa são os indivíduos mais horrendos do mundo. Por que rouba você o marido de outrem e faz com que a esposa sofra pesares indizíveis no lar? Por que tenta você a esposa de alguém fazendo com que ela seja infiel a seu marido? O adultério tem destruído a paz de muitos lares. Incontável número de mães, maridos, esposas, e filhos têm o coração partido, estão separados sem esperança de consolação — tudo por causa do adultério. Faça meia-volta ou estará indo em direção ao inferno.
Examinemos, por instantes, a definição de adultério que nos é dada pelo Senhor Jesus: “Eu, porém, vos digo: Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela” (Mateus 5:28). De acordo com esta definição haverá poucos, se existir alguém, que ainda não cometeram o pecado do adultério. Quantos há que cometem adultério em pensamento! Inumeráveis são os que têm cometido este pecado através da imaginação! Por que peca você com tais pensamentos contra a mulher virtuosa? Por que concebe tais pensamentos impuros para com aquela que não tem relação nenhuma com você? Entretanto, ao fazer isso, você verdadeiramente peca contra ela. E vocês, mulheres, não pensem que só os homens pequem desta maneira. Por que têm eles desejos impuros ao vê-las? Se eles precisam ser punidos por terem desejos impuros para com vocês, então vocês que os excitam também devem ser punidas. Se o seu vestir, sua maquiagem, sua atitude e sua conduta leviana despertam a lascívia dos homens, você de igual forma deve levar a culpa e ser punida.
O mundo está cheio de fornicação e adultério. Contudo, não pense que determinado lugar na terra seja pior que os outros. Com vistas à quantidade, não há lugar na terra que se compare com o inferno, pois é aí o lugar principal de detenção para todos os fornicadores e adúlteros de todas as eras. Devo dizer com toda a franqueza que se você for um fornicador que ainda não se arrependeu, seu fim será o inferno. Mas há salvação no Senhor Jesus. Ele serviu como substituto para todos os pecadores. Todo aquele que o aceita como Salvador não perece mas tem a vida eterna. O adultério o enviará para o inferno, mas não é preciso que você vá para lá, pois muitos fornicadores foram salvos e já não estão a caminho do abismo.
O adultério, deveras, pode mandá-lo para o inferno; entretanto, você não acabará lá especificamente por causa dele. Como posso explicar isto? Primeiramente compreendamos que a morte de Cristo foi para a propiciação pelo pecado. Ele morreu por todos os pecados, inclusive o pecado da fornicação. Ele já levou o castigo devido por nosso adultério. Nós, portanto, não precisamos ir para o inferno por causa de tal pecado. Mas a fim de nos salvarmos do inferno, temos de crer no Senhor Jesus. Embora ele tenha morrido por nós, ainda pereceremos se não o aceitarmos como Salvador. A despeito do fato de o adultério não necessariamente mandar-nos para o inferno, ele, não obstante, tem o poder de impedir-nos de aceitar o Senhor Jesus como nosso Salvador. E quantos perecem hoje — porém não por causa da grandeza de seu pecado, mias por impedirem eles as pessoas de irem ao Senhor para que tenham vida. O Senhor pode salvá-los mas amam a seus pecados muito mais do que as suas próprias almas. Muitas mulheres apegam-se aos seus relacionamentos adúlteros e muitos homens aos seus casos amorosos ilícitos. Não desejam separar-se; não estão dispostos a cortar sua afeição impura. E por conseguinte, não vêm ao Senhor Jesus para serem salvos.
Aqui devo falar, com toda a sinceridade, que a não ser que a pessoa corte o relacionamento adúltero e se volte para o Senhor, irá para o inferno juntamente com essa pessoa. Hoje você deve escolher entre a salvação de Deus e o seu parceiro de adultério; entre o céu e seu pecado. Se não desfizer o laço que o liga a seu amor ilícito, já decidiu contra o céu. Por amor ao céu, é preciso deixar o pecado do adultério.
Posso não conhecer seu passado nem saber o que você tem praticado às escuras, mas suspeito haver muitos que têm cometido o pecado do adultério. Insto com vocês, sinceramente, a fazerem a escolha da vida eterna e cessarem a atividade pecaminosa.

O QUINTO CAMINHO PARA O INFERNO: DESOBEDIÊNCIA AO EVANGELHO
A Bíblia mostra-nos outro caminho para o inferno. Este pode parecer mais limpo e menos feio do que os outros. Qual é? É desobedecer ao evangelho de Jesus Cristo. Leiamos uma passagem bíblica:
Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu -poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que “não obedecem “ao evangelho de nosso Senhor Jesus.
Estes sofrerão — penalidade de — “eterna destruição”, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder (2 Tessalonicenses 1:7-9).
Destruição eterna é sofrimento eterno no inferno. Esta passagem bíblica, de forma apropriada, diz-nos que todos os que não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo vão para o inferno.
O que é o evangelho do Senhor Jesus? A Bíblia contém ensino explícito quanto a este assunto. O Senhor Jesus não veio para servir nem para ensinar. Não veio para pregar princípios de liberdade, igualdade e fraternidade nem tampouco serve como o grande e perfeito exemplo. Por meio do apóstolo Paulo Deus diz-nos o seguinte com respeito ao evangelho: “Antes de tudo vos entreguei o que também recebi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Coríntios 15:3, 4). Logo, o evangelho de Cristo é sua morte e ressurreição.
Por que Cristo morreu? Certamente que não foi para ser um exemplo, nem para martírio nem para serviço, mas “pelos nossos pecados”. Isto é substituição, visto que Jesus não tinha pecado algum. O que era sem pecado fez-se pecado por nós. Tomou o lugar do pecador e sofreu a penalidade por todos nós, pecadores. Nós pecamos, mas Cristo não. Nós somos pecadores mas Cristo não o é. Entretanto, ele, não nós, levou nossos pecados e foi punido em nosso lugar. Como se chama isso? Chama-se substituição. O Cristo sem pecado morreu pelos pecadores. Isto é o evangelho, são as boas-novas.
O evangelho diz-nos que um Salvador veio a fim de salvar pecadores e levar a sua penalidade para que eles não mais fossem punidos. O evangelho ou boas-novas de Cristo não persuade os homens a tornarem-se melhores, reformarem-se, fazerem penitências nem mudarem a fim de serem salvos. Simples mas gloriosamente anuncia ao povo do mundo que Jesus Cristo já realizou a salvação, de modo que os pecadores não precisam fazer nada nem acrescentar nada a esta salvação perfeita. Tudo o que precisam fazer é aceitar a salvação que Cristo já preparou para eles.
Jesus Cristo não apenas morreu pelos pecadores a fim de remir os seus pecados mas também ressuscitou dentre os mortos para que os pecadores pudessem ser justificados. Jesus “foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Romanos 4:25). Sua morte realiza obra negativa desfazendo a penalidade de nossos pecados para que não sejamos condenados; sua ressurreição opera obra positiva e dá-nos nova posição na presença de Deus visto que nos justificou, isto é, declarou-nos justo. Perdão significa não mais haver pecado e, portanto, estamos firmados em terreno perfeitamente justo e puro, o qual não requer perdão algum. É isto que a ressurreição de Jesus Cristo fez por nós. Todos morrem mas ninguém ressuscita porque o salário do pecado é a morte. Jesus Cristo morreu e ressuscitou dentre os mortos para provar que Deus aceitou sua obra viçaria e que ele era sem pecado.
Consequentemente, por um lado, mediante a morte do Senhor Jesus recebemos o perdão, e por outro lado, por intermédio de sua ressurreição recebemos a prova de que somos justificados. A justificação é edificada sobre o perdão. Primeiro vem o perdão do pecado, depois a justificação. Através da morte do Senhor Jesus obtivemos perdão; pela sua ressurreição temos a segurança da justificação. E tudo isso já foi realizado. O pecador, ao crer no Senhor Jesus como Salvador, pode receber instantaneamente, perdão e justificação.
Tal é o evangelho. Você já o ouviu? Deus agora manda que todos os homens obedeçam a esse evangelho. Este é o evangelho da graça que oferece a todo pecador a possibilidade de ser salvo. Deseja você obedecer a este evangelho? Quão fácil é ir para o inferno! Não é preciso que você cometa pecados tais como adultério e orgulho. Você pode estar a caminho do inferno neste instante — simplesmente por não obedecer ao evangelho. O rejeitar a morte viçaria do Senhor Jesus é suficiente para mandar qualquer pessoa para o inferno. Não pense que deva pecar mais a fim de qualificar-se para o inferno. Sua qualificação é suficiente desde que desobedeça ao evangelho.
Não pense que os que vão para o inferno sejam pecadores horrendos. Há também ali muitos religiosos, moralistas, filantropos e agentes sociais. A pessoa pode ser moral, amável e reta e, contudo, pode acabar sendo habitante do inferno. E o que o espera é a morte e o juízo. E este é seu destino por uma única razão: desobedeceu ao evangelho. Religião alguma e moralidade alguma pode salvar uma única alma; somente o evangelho da graça de Deus pode salvar. Rejeitar este evangelho é rejeitar o único caminho de salvação. E tal atitude naturalmente mandará a alma para o inferno. A pessoa pode ser boa, mas não consegue ser perfeita. Quem poderá dizer que durante a vida jamais pecou nem por um segundo? Se a pessoa pecar uma única vez em um segundo, necessitará de um Salvador porque seu pecado deve ser punido. Ao rejeitar o Salvador manda a si mesmo para o inferno. Não abrigue o pensamento de que se você praticar boas obras, não irá para o abismo. A menos que você nunca tenha, desde o nascimento até a morte, nem por um único segundo, cometido pecado por ação, palavra ou pensamento, você está destinado para o inferno. Hoje você ouviu o evangelho. Imploro-lhe que aceite ao Senhor Jesus como seu Salvador nesta hora.
Mediante a morte e a ressurreição do Senhor Jesus realizou-se a redenção. O que lhe está sendo entregue agora é o evangelho. Por que é ele chamado de boas-novas, evangelho? Porque todos os pecadores na terra, sem exceção, podem ser salvos. O Senhor Jesus morreu por todos eles. Ele crucificou todo o pecado do mundo. Logo, todos os que estiverem dispostos a aceitá-lo como Salvador serão libertos da opressão e também do castigo do pecado.
O caminho do homem é sempre tentar gradativamente reformar a si mesmo, acumulando mais méritos e esperando, ao final, alcançar a salvação. Isso não são boas-novas; são notícias de miséria. Pois quantos neste mundo são capazes de disciplinar a si mesmos de tal forma a acumular virtudes nesta vida, se é que alguém possa fazê-lo? E todos os que desejam salvar a si mesmos mediantes as boas obras façam a seguinte observação: a não ser que sua boa obra seja perfeita e sem mácula, o seu assim chamado bem em si mesmo é pecado. A menos que sua justiça alcance os céus e satisfaça a Deus, é como trapos da imundícia. Na solidão da noite sua consciência o acusará de misturar o ego, a fama, a reputação e outros pensamentos impuros com seus atos justos; como é que Deus pode ficar satisfeito com “justiça” como essa? Será que você pode praticar o bem que satisfaça a Deus (e não somente satisfazer a si mesmo ou aos seus vizinhos)? Dificilmente. Visto que você não pode praticar o bem, as notícias de que você deve realizar o bem a fim de ser salvo, na verdade, são notícias más.
Mas graças a Deus que ele não pede que façamos o impossível. Ele conhece nossa fraqueza e por isso faz com que seu Filho morra por nós e leve a penalidade de todos os nossos pecados. Não precisamos, gradativamente, praticar o bem em antecipação da salvação; podemos ter a vida eterna imediatamente depois de crermos no Filho de Deus como nosso Salvador pessoal, e aceitá-lo como tal.
Isso não significa, é claro, que nós, os que cremos no Senhor Jesus, não precisemos praticar o bem; quer simplesmente dizer que, inicialmente, não podemos ser salvos por meio das boas obras. Nossa salvação depende inteiramente da graça de Deus (Efésios 2:8). Depois de sermos salvos, porém, o Senhor dá-nos nova vida e essa vida praticará o bem espontaneamente. Primeiro, seja salvo, depois pratique o bem. Não queira primeiro praticar o bem para ser salvo.
Há alguém oprimido pelo pecado? Há alguém que trema só em pensar na vida depois da morte? A sua consciência não lhe diz que é pecador? Você não tem medo da morte e do juízo? Eis a salvação para o pecador contrito. O Senhor Jesus veio para salvar tais pecadores. Venha a ele assim como está, e ele o salvará. Ele mesmo declarou: “o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37). O seu temor deve ser em não vir, mas não tenha medo algum de que ele não o receba.
Agora você não tem desculpa alguma porque já ouviu o evangelho. Obedecerá a ele? O evangelho trouxe o Salvador até você e informou-o que o caminho da salvação é mediante a aceitação de Cristo. Agora a decisão de obedecer é sua. Se você perecer não será por causa de seus pecados passados mas por não obedecer ao evangelho.
Suponha que você esteja doente e quase à porta da morte e alguém lhe traz um remédio que pode curá-lo. E suponhamos que você se recuse a tomar o remédio. Se morrer, não será por causa da doença, mas por ter recusado o remédio que podia tê-lo curado e salvado. Não há dúvida de que você pecou, mas eis um Salvador cuja especialidade é salvar pecadores. Se você perecer> será porque não deseja obedecer ao evangelho e aceitar o Salvador dos pecadores. E quantas almas estão agora no inferno — contudo, não por causa dos seus pecados mas por rejeitarem ao Salvador. Portanto, não deixe que a palavra do Salvador que diz: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40) se cumpra em sua vida.

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

O JUÍZO

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez e, depois disto, o juízo (Hebreus 9:27).

É desconfortável ler e desagradável ouvir este solene versículo bíblico, pois aponta duas coisas: que os homens hão de morrer e que depois da morte haverá o juízo. Se você puder escapar da primeira ordenação de Deus poderá, também, escapar da segunda. Se a primeira ordem, a morte dos homens, é cumprida, a segunda, o juízo, também o será. Daí que a primeira pergunta a ser feita não deve ser se você será julgado ou não; antes, se você morrerá ou não. Contudo, o assunto que se nos apresenta para consideração não é a morte, mas o juízo. Este é um assunto que ninguém gosta de ouvir nem tem prazer em discutir. Mas não há como escapar dele, pois se a morte é certa, o juízo também o é. Se você há de morrer, então também será julgado. A menos que você possa evitar a primeira ordenação, não evitará a segunda.
A Bíblia apresenta-nos certos fatos. Quer você creia na veracidade deles quer não, não obstante, são verdadeiros. O fato não se tornará ficção apenas por sua descrença. Um fato para sempre permanece fato.
Ora, o primeiro fato que a Bíblia ensina é que Deus existe. Pode ser que você creia ou não nele, entretanto, Deus é um fato. O cego pode crer ou não que exista o sol; não obstante, o sol permanece como um fato.
O segundo fato que a Bíblia ensina é que o pecado existe. Uma vez mais, os homens podem crer ou não que o pecado exista, entretanto, o fato de sua existência permanece.
A Bíblia não só nos ensina que Deus existe e que o pecado igualmente existe mas também nos instrui quanto à morte. A morte também é um fato. A Bíblia o menciona mais frequentemente do que as pessoas em geral o mencionariam. Ora, quer você creia quer não que a morte seja real, não obstante, está ordenado aos homens morrerem.
A Bíblia apresenta-nos ainda outro fato — aquele que se relaciona com o futuro. Uma vez que pertence ao futuro, ele é, muitas vezes, negligenciado. Entretanto é tão real quanto os outros três fatos já mencionados. Este fato é o juízo. Quer você creia nele quer não, haverá um juízo. Seja um pecado grande ou pequeno, seja ele refinado ou grotesco, seja popular ou infame, será julgado por Deus; pois o juízo é um fato bíblico. Não necessito de gastar tempo para provar que haverá um juízo.
A Bíblia simplesmente diz que Deus existe e nunca tenta provar esse ponto. Da mesma forma, a Bíblia não necessita de demonstrar que você pecou, porque você pecou. Nem tampouco precisa substanciar o fato de que você morrerá, porque você morrerá. Da mesma forma, portanto, a Bíblia não tem necessidade de demonstrar-lhe que haverá um juízo, visto ser ele um fato. Permita-me fazer-lhe uma pergunta: O problema de seus pecados já foi resolvido? Pode ser que você já tenha ouvido o evangelho várias vezes mas ainda não resolveu o problema de seu pecado; você, portanto, ainda não está salvo. E a morte sendo certa, o juízo certamente se seguirá. Entretanto, você não sabe quando há de morrer ou quando será julgado. Por isso urge que você resolva o problema do seu pecado hoje, doutra forma encontra-se em grande perigo. Muitos dão pouca atenção ao juízo, mas permita-me dizer-lhe que se você não resolver o problema do seu pecado hoje e esclarecer o assunto do juízo, não achará misericórdia quando o juízo, afinal, vier sobre você. Insto com você que não coma nem durma sem primeiro resolver o problema do seu pecado. Isto é de suma importância para que o juízo não lhe sobrevenha sem aviso prévio.

QUAL É O RESULTADO DO JUÍZO?
A Bíblia não somente nos diz que haverá o juízo; informa-nos também do seu resultado. Um dia Deus julgará o pecado do mundo, “tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de Nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2Tessalonicenses 1:8, 9). Este castigo é a perdição eterna, a saber, o inferno. O que a Bíblia nos diz de “Deus ter amado ao mundo” é verdade. Contudo, o que nos diz do fogo do inferno é igualmente verdadeiro. Se ainda não recebemos a graça do perdão, estamos em estado muito perigoso, pois os incrédulos serão lançados da presença do Senhor e descerão para o inferno, a perdição eterna.

HAVERÁ DESCULPAS NO JUÍZO?
Talvez alguns pensem que, ao se apresentarem perante o trono do juízo de Deus, possam argumentar que ele não os pode lançar no inferno porque eles ou não compreenderam ao ouvir o evangelho ou não o ouviram direito. Você pode preparar-se para arrazoar com Deus no dia do juízo, mas o Senhor já decidiu quanto à resposta que lhe dará e esta não lhe oferece desculpa alguma.
Ouça as palavras sóbrias de Jesus: “Ninivitas se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas” (Mateus 12:41). O Senhor diz-nos o que acontecerá no juízo. Será o próprio Deus quem condenará seus pecados no juízo? Não. Ele simplesmente ficará assentado observando os ninivitas levantarem-se para condená-los por seus pecados.

COMO SERÁ ISTO?
Nínive foi uma cidade antiga, grande e famosa. Seus habitantes pecaram grandemente. De modo que Deus enviou um profeta chamado Jonas a fim de proclamar-lhes que em quarenta dias Nínive seria destruída. Deram ouvidos ao que Jonas anunciava. Proclamaram jejum e vestiram-se de saco — desde o maior deles até ao mais pequenino. Buscaram a Deus com todo o coração e Deus viu as suas obras e o seu arrependimento e não os destruiu. Eles, portanto, receberão a graça dos pecados perdoados. Muito mais tarde, o Senhor Jesus usou o acontecimento da história antiga a fim de provar que os ninivitas condenariam a geração dos dias de Jesus pelos pecados que havia cometido.
Ora, os ninivitas ouviram a palavra de Jonas e se arrependeram. Contudo, eis aqui alguém muito maior do que Jonas! Hoje as pessoas ouvem o Filho de Deus falando. Hoje muitos já leram a Bíblia, especialmente o evangelho segundo São João. Quem, pois, pode dar desculpa de jamais ter ouvido falar do Filho de Deus? E se você ouviu, como espera escapar do juízo futuro? Pois, no dia do juízo os ninivitas levantar-se-ão e o acusarão, dizendo: “Nós ouvimos a Jonas e nos arrependemos. Como, pois, poderá você escapar, visto que ouviu o evangelho do Filho de Deus mas não se arrependeu?”
Talvez alguém argumente, dizendo: “Os ninivitas tiveram a oportunidade de se arrependerem porque Jonas foi lá para pregar. Mas eu sou uma pessoa que vive na roça. Ninguém pregou o evangelho em minha região para que eu pudesse ouvir. Deus, provavelmente, não condenará uma pessoa como eu.”
Como resposta, dir-lhe-ei o que o Senhor afirmou acerca de outro incidente, o que desfará sua desculpa.
“A rainha do Sul se levantará no juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão” (Mateus 12:42). No dia do juízo, “a rainha do Sul” se levantará para responder ao argumento de tais pessoas e condenará esta geração por seus pecados.
“A rainha do Sul” era a rainha de Sabá. Sabá é a Abissínia (Etiópia de hoje). Este país fica muito mais ao sul do Egito. Esta rainha ouviu falar da fama do rei Salomão — quão cheio de sabedoria era ele; de modo que viajou milhares de quilômetros para ver o rei. Contudo, “eis aqui está quem é maior do que Salomão”. Nosso Senhor Jesus é muito maior do que o Salomão de outrora! E o que ele diz é muito mais sábio do que as palavras de Salomão. O que ele fala tem consequência muito maior, visto que pertence à vida e à morte eterna. Uma rainha do Sul estava disposta a viajar milhares de quilômetros a fim de ouvir a sabedoria do rei Salomão; poderia você, que mora a apenas cerca de cinquenta quilômetros da cidade não ir até lá e ouvir a verdade em uma igreja que prega o evangelho! Ainda que você morasse a duzentos quilômetros distante da cidade, mesmo assim poderia encontrar algum lugar perto onde pudesse ouvir o evangelho e crer nele. Se não o fizer, a rainha do Sul se levantará e condená-lo-á por seus pecados. Ela veio “dos confins da terra!” Por que você não pode sair de casa e ir a uma igreja próxima de onde você mora? Por conseguinte, nenhum dos não-salvos hoje tem desculpa alguma para apresentar no dia do juízo.

PODE-SE ESCAPAR DO JUÍZO?
Alguns podem tentar conceber uma maneira de escapar do juízo. E uma idéia um tanto tola, mas alguns podem tentar. Por que não esconder no abismo, depois da morte, a fim de evitar o juízo? “Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5:29). Se, ocultando-se no profundo do abismo, a pessoa não for ressurreta, escapará ela do juízo? Tal coisa é completamente inútil. Ouça o que diz a Palavra de Deus: “Ainda que desçam ao mais profundo abismo, a minha mão os tirará de lá” (Amos 9:2a; veja Salmo 139:8). Você acha que pode ocultar-se no inferno e selar a porta, escapando, assim do juízo? A mão de Deus o tirará de lá. Não importa que você desça ao mais profundo abismo, a sua mão o tirará de lá.
Há outro grupo de pessoas, possivelmente cientistas e aviadores modernos, que pensam poder voar no espaço e escapar do juízo. Mas isso também é fútil. Ouça: “Se subirem ao céu, de lá os farei descer” (Amos 9:2b). Você pode subir, mas Deus o fará descer. É difícil para você subir mas é fácil para ele fazê-lo descer.
Talvez alguns pensarão em fugir para as montanhas e florestas onde não possam ser encontrados. Contudo, diz a Palavra de Deus: “Se se esconderem no cume do Carmelo, de lá buscá-los-ei, e de lá os tirarei” (Amos 9:3a). Você pensa que o ocultar-se no interior das montanhas ou entre as muitas árvores pode livrá-lo do juízo, mas Deus o buscará e o tirará.
Outros poderiam dizer que se nem o abismo profundo nem os céus nem as montanhas podem ocultá-los, por que não tentar o fundo do mar? Aqui, também, a Palavra de Deus admoesta: “E se dos meus olhos se ocultarem no fundo do mar, de lá darei ordem à serpente e ela os morderá” (Amos 9:3b). Se você se esconder no fundo do mar, será mordido pela serpente e não encontrará escape.
O que ficou dito acima são representações pictóricas de seus fúteis esforços. No abismo, no céu, nas montanhas ou no fundo do mar você pode ocultar-se das mãos dos homens, mas jamais poderá escapar da mão de Deus. Segundo a Bíblia, absolutamente não há maneira de escapar.

QUE MAIS ACONTECERÁ NO DIA DO JUÍZO?
“Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano, de saco e cinza. E contudo vos digo: No dia do juízo haverá menos rigor para Tiro e Sidom, do que para vós outros. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá no dia do juízo para com a terra de Sodoma, do que para contigo” (Mateus 11:21-24). Quanto mais a pessoa ouve o evangelho, tanto menos terá o que dizer no dia do juízo. Aconselho-o a dar atenção a este assunto se ainda estiver ocupado com pecados, com o mundo e com os prazeres. Você não pode evitar a morte e, portanto, não escapará do juízo. O juízo está ordenado assim como a morte.
Nos dias antigos antes do nascimento de Cristo e antes de ele morrer pelos pecados do mundo, as pessoas poderiam ter dado desculpas por não terem conhecimento do pecado nem do juízo. Hoje, entretanto, você já ouviu falar que o Filho de Deus morreu por você. Se ainda não resolveu o problema do pecado, minhas lágrimas e também as lágrimas de todos os pregadores do evangelho são derramadas por você, pois o juízo que há de vir é por demais solene! O mundo passará e os seus prazeres também, mas o juízo jamais passará até que se cumpra.

COMO SE ESCAPA DO JUÍZO?

Agora quero dizer-lhes como se pode escapar do juízo. A fim de escaparmos, primeiro devemos perguntar por que devemos ser julgados no futuro. Visto que todos pecaram, todos serão julgados. Se você puder escapar ao pecado, poderá também livrar-se do juízo.
“Juízo” no grego é a mesma palavra usada para “condenação”. Logo, a frase “depois da morte, o juízo” pode ser traduzida, com a mesma exatidão: “depois da morte, a condenação.” Ninguém escapa ao pecado. Se não houvesse pecado, poderíamos destruir os templos porque não haveria necessidade deles. E também eu não precisaria ser cristão. Poderia queimar a Bíblia e ousar praticar tudo o que desejasse. Mas o pecado é real, é um fato; portanto, preciso de um Salvador. Sei que o Filho de Deus existe e que levou meus pecados derramando seu sangue para nossa propiciação. Sei também que se a questão do pecado for resolvida o problema do juízo também o será. Precisamente aqui está o caminho da salvação.
De que maneira Deus nos salva de nossos pecados? Pequei e por tê-lo feito mereço ser julgado e condenado no inferno. Mas a Palavra de Deus diz que seu Filho morreu por nossos pecados. Quão doce é o nome de Jesus! Seu som é mais agradável do que a música para meus ouvidos e é o mais poético de todos os temas para a minha imaginação.
O Filho de Deus veio a fim de morrer por mim. Ele levou meus pecados na cruz e sofreu por mim a penalidade deles. Assim, estou salvo e livre. Isto é o evangelho! Meu propósito não é anunciar-lhes a condenação, dizendo que vocês devem morrer e ser julgados. Mostro-lhes o juízo apenas a fim de fazer com que percebam a necessidade — vocês precisam de um Salvador, alguém que tire o pecado.
Não imaginem incorretamente que Jesus veio a fim de servir à sociedade pregando fraternidade e igualdade e ao mesmo tempo servindo de exemplo para os homens. Já li o Novo Testamento pelo menos cem vezes e nunca encontrei tal conceito em suas páginas. Pois tal ideia não seria o evangelho, antes, o anúncio da miséria de Satanás e do inferno. A Bíblia diz-nos que Jesus veio para sofrer o juízo por mim. Eu devia morrer mas Jesus morreu por mim. Na cruz, ele exclamou: “Meu Deus, meu Deus, porque me desamparaste?” (Mateus 27:46b). Deus teve de abandonar seu Filho Jesus porque naquele instante ele levava nossos pecados. Jesus desceu do céu a fim de levar-nos para lá. Deixou o Pai a fim de descer a este mundo para que nos aproximássemos de Deus. Tornou-se pobre para que fôssemos ricos. Veio à terra para que fôssemos libertos do cativeiro terreno. Levou nossos pecados para que fôssemos livres deles. Sofreu o juízo por nós para que todos os que nele creem sejam poupados. Tenho certeza de que você muitas vezes ouviu a menção da cruz na apresentação do evangelho. A cruz simplesmente significa que o Senhor Jesus sofreu nosso juízo e levou sua penalidade por nós.
O que estou tentando transmitir-lhe é a necessidade de perceber, por um lado, que aos homens está determinado morrer e que depois da morte vem o juízo, mas por outro lado, Deus amou tanto ao mundo que nos preparou o caminho da salvação — a saber, que seu Filho morreu por nós. Como resultado, você pode aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor agora.
Dê ouvidos a este versículo bíblico: “Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:18). Lembre-se que as palavras “julgar” e “condenar” têm o mesmo significado no original grego. Portanto, podemos, com exatidão igual, dizer: “Quem nele crê não é condenado; o que não crê já está condenado.” E esta palavra não é minha, antes, é a palavra do Senhor Jesus.
Ouça outro versículo: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5:24). Esta passagem diz-nos que se a pessoa ouve a palavra do Senhor e crê em Deus que o enviou, tem (1) a vida eterna, (2) não entra em juízo ou condenação, e (3) passou da morte para a vida.
Pergunto-lhe hoje se já creu no Filho de Deus. Se ainda não o fez, convido-o a aceitá-lo como seu Salvador agora.
Ah, não espere até o dia em que estiver morrendo para crer, não deixe sua decisão para o último instante. Ore a Deus, agora, dizendo: “Ó Deus, agora recebo teu Filho.” Sim, deveras, o Filho de Deus já foi julgado por você e já morreu em seu lugar. Portanto, venham pecadores!

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Reconciliados com Deus

Você já se reconciliou com Deus? Esta é uma pergunta da máxima importância. Sua salvação ou perdição descansa inteiramente nesta questão. Que grande é sua bênção seja se reconciliou com Deus! Já passou da morte para a vida a fim de gozar da bênção que Deus preparou para você no Senhor Jesus. Mas quão lamentável e precária é sua situação se ainda não se reconciliou com Deus! Quão terrível é ter a ira dele sempre pairando sobre sua cabeça! É preciso que você responda, com honestidade, a esta pergunta: já se reconciliou com Deus?

Não seja descuidado ou tolo. Ou você já se reconciliou com Deus ou está em inimizade com ele; não há posição neutra. Se ainda não se achegou a ele mediante a morte do Senhor Jesus, então é seu inimigo, pois o mundo é inimigo de Deus. Ser inimigo de Deus não necessariamente significa que você há de levar sua rebeldia até ao céu; simplesmente quer dizer que você pratica as coisas segundo a carne por preocupar-se apenas com suas paixões e lascívia e não com o que Deus requer de você. A Bíblia declara que “o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Romanos 8:7). Inimigos de Deus não são apenas os que têm o coração e mente voltados contra Deus; são também aqueles cujo pendor é para a carne.

Pode ser que, em verdade, você aprove a religião, pode até verdadeiramente admirar a Cristo, pode até ter ajudado, com frequência, a igreja — todas estas coisas podem ser muito boas; não obstante, não há provas de que você não seja inimigo de Deus. É preciso que você compreenda que segundo a Palavra de Deus, todo aquele que pende para as coisas da carne está em inimizade contra ele. Pender para carne é rebelar-se contra a lei de Deus. Ora, a palavra “pendor” parece, a princípio, tão inocente e casual: pode ser que você não se engaje em um ato externo de rebeldia contra Deus, você pode apenas ter pendor para ele nos recessos ocultos e secretos do coração. Contudo, basta isso para se estar em inimizade contra ele e em rebeldia à sua lei!

O homem não somente não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo -pode estar: não possui o poder e a força para tanto. Isso demonstra a privação completa da natureza humana! Você sabe que a natureza humana é corrupta? A lei de Deus, porém, é santa e justa. Pode você guardada? As pessoas, de fato, às vezes consideram a lei de Deus boa e seu mandamento justo e daí o desejarem cumpri-la. Mas qual é o resultado? Não a guardam nem a podem guardar. Conquanto às vezes desejemos cumprir a lei de Deus, descobrimos em nós um poder que nos segura e nos força a pender para a carne em vez de obedecer à lei. A natureza humana é tão corrupta que a esperança de guardar a lei de Deus deve ser abandonada por completo. Não é verdade que muitas vezes as pessoas não desejem viver desregrada e licenciosamente, no entanto afundam-se nesse lodaçal? E por causa da natureza humana corrupta. Compreendamos que devemos reconhecer nossa corrupção total antes que nos possa vir a salvação de Deus.

Outra prova de que somos inimigos de Deus jaz no fato de que nosso coração ama muito o mundo. Não é verdade que a glória e o louvor do mundo emocionam nosso coração? Encontramos no Novo Testamento esta afirmativa reveladora: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus?” (Tiago 4:4a). Esta é palavra de Deus, não minha. Deus chama de infiéis às pessoas que cometeram o ato do adultério na carne, mas também chama outros por esse nome; pois o significado mais inclusivo aqui é o abraçar uma amizade que não deve ser abraçada. Ora, visto que o mundo crucificou a Cristo, como pode alguém, amigo desse mundo, não ser considerado inimigo de Deus? Será que o mundo e sua atitude jamais mudarão? O mundo hoje é melhor do que o foi no dia de Cristo? Se ele não mudou para melhor, como é que você pode ter comunhão com ele?

Ah, quão lindas são as pessoas do mundo, quão interessantes os seus negócios e quão adoráveis as suas coisas! E por causa das pessoas, dos negócios e das coisas deste mundo, você formou um laço inquebrável com ele. E esta é a própria razão pela qual você se tornou inimigo de Deus. Em verdade, a mente dos que não foram reconciliados com ele nem regenerados está posta nas pessoas, negócios e coisas do mundo dia e noite. Os homens buscam fama, ganho e poder do mundo. Viram os rostos em direção da terra e as costas para o céu. Desprezam as exigências de Deus e estão em inimizade contra ele. Permita-me perguntar-lhe: você já foi lavado com o precioso sangue do Senhor? Se não o foi, e é amigo do mundo, então é inimigo de Deus.

A conduta humana é também prova inegável de ser o homem inimigo de Deus. O que Deus deseja que os homens façam, não fazem; mas o que deseja que não façam, isso fazem. Quem pode contar o número de pecados que os homens cometem dia e noite? Os atos ímpios do corpo traem a inimizade existente no coração: “E a vós outros também que outrora éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas” (Colossenses 1:21). Obras malignas! Pecados! Impureza! São estas as provas infalíveis da inimizade do homem contra Deus. “Não há justo”, declara a Bíblia, “nem sequer um” (Romanos 3:10). Carne alguma ousa apresentar-se justa na presença de Deus, pois ninguém pode ser justificado à vista dele mediante as próprias obras. Todas as obras dos homens são ímpias aos olhos divinos. Embora muitas obras possam ser passáveis aos olhos dos homens, são cheias de defeitos à vista de Deus e, portanto, ainda são consideradas como obras malignas.

As suas obras dão testemunho perante Deus de que você está em inimizade contra ele? Não pense que é melhor do que as outras pessoas; reconheça, antes, que as suas assim chamadas boas obras contêm muitos males, tais como orgulho, fama e auto-satisfação. Portanto, confesse sua situação patética e venha para a confiança no Senhor Jesus Cristo a fim de ser salvo. De outra forma, por causa de sua autojustiça e autocontentamento, morrerá em seus pecados. Possa o Espírito Santo convencê-lo de seus pecados e fazer com que veja sua verdadeira condição. Pois a menos que as pessoas assumam a posição de pecadores e confessem que estão em inimizade contra Deus, não poderão receber sua graça. Como poderá alguém vir à cruz procurando a salvação de Deus se não perceber que não pode agradar-lhe e que sua própria natureza é contra ele? A menos que essa pessoa reconheça sua terrível condição de inimizade contra Deus e as consequências futuras da ira eterna, sua profissão de fé em Cristo não pode ser real.

O que são as pessoas do mundo? Não são elas como o pó? Como insetos? Quão pequeno é o lugar que ocupam no universo! Há, pois, fundamento para a vangloria? Mas Deus, quem é ele? Ele é o Altíssimo, o Soberano incomparável. O céu é o seu trono e a terra o escabelo de seus pés. Portanto, quem, neste século, pode falar de sua grandeza? Como é que homens tão pequenos e inimigos de tão grande Deus, poderão escapar da perdição? Não declara a Bíblia que: “sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3:36)? Por este motivo, não engane a si mesmo pensando possuir algumas boas obras. Sua inimizade contra Deus pode ser fatal. Jamais pense que o ser inimigo dele não tenha consequências. Nada no mundo é mais sério do que isto.

Precisamos lembrar-nos de que Deus amou ao mundo de tal maneira que deseja que todos os homens sejam salvos. Não quer vê-los perecer, nem condená-los por seus pecados. Embora o mundo (e isto inclui você e eu) seja hostil para com ele, ele pacientemente espera. Deus enviou seu Filho unigênito, o Senhor Jesus, a fim de morrer na cruz para que fosse nossa propiciação (satisfação) para a remoção da justa ira de Deus. A penalidade de nossos pecados recaiu sobre ele. Rebelamo-nos contra Deus e segundo nossa própria natureza, pensamentos e desejos merecemos a conseqüência maligna da perdição; mas seu Filho Jesus suportou tudo em nosso lugar. Pois, por nós, ele tomou o lugar de rebeldes e pecadores. E como resultado, o Senhor Jesus clamou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46b). Jesus é o amado Filho de Deus, é seu deleite e está sempre próximo dele. Entretanto, levou nossos pecados, tomou nosso lugar de hostilidade e sofreu a justa ira do juízo de Deus. Até mesmo seu Pai amoroso desamparou-o, pois se fez pecado por nós e morreu por nós de uma vez por todas. Desamparado por seu Pai e por amor a nós, ele, não obstante, alcançou paz e cumpriu a graça. E que graça espantosa é esta!

Portanto, agora podemos usufruir o bem da obra consumada de Cristo. Podemos ser “reconciliados… com Deus, por intermédio da cruz” (Efésios 2:16a). Contudo, não é que tenhamos mudado para melhor, nem que possamos controlar a nós mesmos ou melhorar a nós mesmos — esforços dessa ordem jamais poderão satisfazer o coração de Deus. Não, “por intermédio da cruz” é o único meio suficiente. A obra já foi consumada e nada precisamos acrescentar a ela: “Havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz” (Colossenses 1:20a). O sangue que nosso Senhor Jesus verteu, enquanto sofria na cruz, fala muito mais alto do que o sangue do justo Abel (veja Hebreus 12:24). E assim alcançamos a paz e a salvação consumada por completo em nosso benefício.

Antes que Cristo consumasse a obra da salvação, Deus não podia atrair os homens a si, nem podiam os homens aproximar-se de Deus. Embora Deus amasse ao mundo, os pecados dos homens se interpunham entre Deus e eles. Mas agora o Filho de Deus já morreu. “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19a). O relacionamento entre Deus e o homem agora está mudado. A morte de Cristo, porém, não mudou o coração de Deus, pois ele sempre amou ao mundo; nem a morte de Cristo modificou o coração do homem, pois ainda se encontra no pecado e recusa submeter-se a Deus. Mas graças sejam dadas a Deus, a inimizade entre ele e os homens foi desfeita pela morte de Cristo. Deus julgou o mundo ao julgar a seu Filho, o Senhor Jesus, para que agora ele possa aceitar os homens sem nenhum impedimento.

Podemos ilustrar este ponto da seguinte maneira:

Certo juiz tinha um único filho a quem muito amava. O filho roubou dinheiro do erário público e fugiu. Embora o pai o amasse com ternura, o relacionamento entre ambos havia se alterado.

Qual era seu relacionamento agora? Se o filho fosse preso, o pai já não poderia tratá-lo como alguém inocente. O pai teria de julgá-lo como um criminoso como qualquer outro, como já havia feito com muitos.

Por mais que o pai o amasse, nada podia fazer pelo filho a não ser vender a propriedade da família a fim de pagar pelo furto. Somente então poderia o filho ser livre e o pai recebê-lo de volta sem nenhum impedimento.

Nós, seres humanos, pecamos contra Deus; portanto, merecemos ser julgados e condenados à perdição eterna. Mas Deus amou-nos tanto que se fez homem (o Senhor Jesus é Deus) a fim de sofrer na cruz para que pudesse pagar nossa dívida do pecado e restaurar o relacionamento quebrado entre Deus e os homens. O resultado é que agora Deus pode receber-nos a nós, pecado­res, visto que a paz já foi alcançada entre as duas partes. A salvação ou a perdição da pessoa agora depende de estar ela disposta ou não a aceitar esta paz.

Volto à minha pergunta inicial: Você já se reconciliou com Deus? Você é uma pessoa salva? Já fez as pazes com Deus por intermédio do Senhor Jesus? O caminho da reconciliação divina é que “fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho” (Romanos 5:1, 10a). Você não entra em paz com Deus por meio de suas supostas boas obras.  Embora você possa já pertencer a uma igreja, tendo sido batizado e participado da Ceia do Senhor — ou ter, com frequência ido aos cultos e lido com frequência a Bíblia e orado muitas vezes, ou pode ser que até já tenha convidado outros a crer no Senhor ou ter pregado do púlpito ou dirigido um culto, ainda é pecador perdido e inimigo de Deus, se não se reconciliou com ele por meio da morte do Senhor Jesus, crendo que Cristo morreu, levou seus pecados e realizou a obra da reconciliação.

Se Deus acha que a morte do Senhor Jesus é absolutamente necessária, então tudo o que ficar aquém de sua morte é totalmente inaceitável. Os homens ou se reconciliarão com Deus mediante Jesus Cristo ou continuarão sendo inimigos dele, confiando em suas próprias obras.

Deus já pagou todo o preço da reconciliação. Já realizou a obra da redenção perfeita. O Senhor Jesus alcançou salvação eterna. Agora, apresenta-se-lhe a salvação ou a perdição. Você não pode ser salvo por sua própria justiça e também não precisa perecer por causa de seus pecados. A salvação ou perdição depende de sua disposição em aceitar a salvação que o Senhor Jesus consumou para você.

Deus colocou a cruz do Calvário como a terra de paz para todos os homens. Você, como muitos neste mundo, tem estado em inimizade com ele; entretanto, se neste instante você estiver disposto a desistir de seus pecados e postar-se ao pé da cruz, confiando na paz que Cristo alcançou para você, será salvo. Mas se ainda duvidar e não crer, morrerá em seus pecados. No caso da Guerra Civil a diferença entre os que viveram e os que morreram estava em entrar ou não na área designada de refúgio. Alguns podem ter chegado a poucos metros da terra, e poderiam facilmente ter entrado se tão-somente dessem um passo. Contudo foram mortos porque permaneceram fora da terra. Portanto, não demore mais. Não se perca por deixar de dar um pequeno passo. Confie no Senhor e será salvo. “Quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22:17d). Por que não o fazer hoje?

Agora, se estiver verdadeiramente disposto a aceitar a paz que o Senhor alcançou, será liberto tanto do pecado como da sua penalidade. Pois a Bíblia declara: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (2 Coríntios 5:19a, b). Além disso, que alegria experimentamos quando não mais estamos debaixo da acusação! — “Mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem acabamos agora de receber a reconciliação” (Romanos 5:11).

Gostaria de perguntar uma vez mais: Você já se reconciliou com Deus? Deve responder sem hesitar. Seu futuro depende de sua resposta hoje. “Somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2 Coríntios 5:20). “E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe [os gentios], e paz também aos que estavam perto [os judeus]” (Efésios 2:17). Possa o Espírito Santo tocar o coração de todo aquele que receber esta mensagem, levando-o a aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de sua alma.

Se decidiu aceitar a Jesus como Salvador, ore comigo:

“Ó Senhor, eu era teu inimigo, mas agora estou disposto a crer em ti por causa do amor que manifestaste na cruz e por causa da paz que alcançaste. O Senhor, salva-me, pois sou pecador!”

 

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee 

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Pode a Moralidade Salvar-nos?

Pode a moralidade salvar-nos? A resposta do mundo a esta pergunta é: “Sim”; mas a resposta de Deus, mediante a Bíblia é um grande e enfático “Não!” O poder de nossa salvação está nas mãos de Deus e não em nosso pensamento, pois nossa salvação tem origem nele; não é algo que nós mesmos arbitrariamente possamos decidir. Neste assunto precisamos ouvir a voz de Deus. Precisamos ouvir o que ele tem a dizer e não imaginar que nossas obras nos salvarão. Devemos compreender claramente que o assunto da salvação é determinado por Deus e por ele somente.

Bem-aventurado é o homem que reconhece que a moralidade não o pode salvar de modo nenhum! Hoje em dia as pessoas geralmente vêm a ideia de alguém pregando-lhes acerca de “crer em Jesus” como uma tentativa em persuadi-las a praticar o bem. Entretanto, o próprio conceito de persuasão demonstra o fato de que o homem não pode fazer o bem. Mesmo muitos crentes não compreendem por completo que as boas obras não podem salvá-los. Pensam que se fizerem o melhor que puderem a fim de conservar a fé, frequentarem a igreja, contribuírem com seu dinheiro e ajudarem nas atividades da igreja — isto é, se procurarem fazer o melhor em realizar o bem — que Deus se agradará deles e que os salvará. Entretanto, como ignoram eles o vazio de todas estas coisas! Pois no caso da salvação, estas coisas não ajudarão nem um pouco! (Não quero dizer aqui que não devemos conservar a verdade, e assim por diante. Digo apenas que não seremos salvos por meio dessas coisas.)

É vão arrazoar e argumentar com palavras humanas. Ouçamos, antes, a Palavra de Deus. O que Deus diz a respeito de um assunto, é a solução.

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3:28). A frase “obras da lei” significa a prática do bem. Ora, a lei é estabelecida por Deus e define o que o homem deve fazer. Se alguém pudesse cumprir a lei de Deus, seria tido como a melhor pessoa no mundo. Entretanto, por meio do autor da carta aos Romanos, Deus diz que é absolutamente claro e certo que o homem não é justificado pelas obras da lei.

O que significa ser justificado? Significa que Deus não somente perdoará os pecados da pessoa mas também declarará ser ela justa. Em outras palavras, ser justificado é ser salvo. O que Deus nos ensina aqui é isto: não podemos ser justificados e salvos pelo praticar as obras da lei. Nenhum de nós pode, portanto, confiar em suas boas ações como se elas pudessem salvar. Logo, paremos de confiar em nossas próprias boas obras, confessemos que de nós mesmos somos pecadores sem esperança e aceitemos a Jesus como nosso Senhor e Salvador. Ao fazer isto, seremos salvos.

Louvado seja Deus, pois ele não salva porque as pessoas fazem o bem. Pelo contrário, ele salva segundo este princípio: “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5:20b). Deixe-me perguntar-lhe: Você sabe que é pecador? A sua consciência o acusa? Você ainda não concluiu em seu coração que uma pessoa como você está sem esperança? Não se engane ao pensar que pode ser salvo por fazer o bem ou por unir-se a uma igreja para que entre nas boas graças de Deus mediante o cântico e a oração. Não tente usar meios humanos para remediar seus pecados. Você é pecador; não importa o quanto você tente consertar as coisas, ainda é pecador. Portanto, não confie em suas boas obras. Embora seus pecados possam ser muitos, o sangue precioso de Cristo pode purificá-lo e o purificará. Venha a ele agora!

Charles H. Spurgeon, pregador inglês, foi grandemente usado pelo Senhor. Certa vez Spurgeon afirmou que se o Senhor desejasse que ele fizesse o bem a fim de ser salvo ele não gostaria de ser cristão. Explicou sua afirmativa, ilustrando o seu ponto como segue:

— Depois de ter praticado muito o bem, apresentei minhas obras a Deus e perguntei se eu já era bom o suficiente para ser salvo. Ele, sendo Deus de todo o bem, naturalmente ficou insatisfeito com minhas boas ações. De modo que sacudindo a cabeça, disse: “O seu bem não é suficiente.” Com tristeza segui meu caminho. E procurei fazer mais boas obras. Mais tarde, depois de vários anos, tornei a levar as minhas boas ações a Deus e uma vez mais perguntei se eram suficientes para minha salvação. De novo, ele respondeu: “O seu bem ainda não é suficiente; você não pode ser salvo.” Isto poderia continuar indefinidamente, e Deus jamais ficaria satisfeito. Nesse caso, como é que eu ficaria sabendo que poderia ser salvo? Se Deus realmente exigisse de mim que eu fizesse o bem a fim de ser salvo, é provável que eu tivesse de trabalhar até a morte e ainda não ser salvo porque ele ainda estaria insatisfeito. Que estado lastimável! Por esse motivo, não gostaria de ser crente se Deus exigisse que eu fizesse o bem a fim de ser salvo; pois eu poderia praticar boas obras a vida toda e ainda ele não ficaria satisfeito. Não seriam vãos todos os meus esforços?

Mas graças a Deus o Pai que não somos salvos por praticar o bem, mas por crer em seu Filho. Embora ele não esteja satisfeito com nossos esforços (pois não temos bem nenhum), não obstante, deleita-se no bem de seu Filho Jesus. Ele está completamente satisfeito com a justiça que seu Filho realizou na cruz. Embora nós mesmos não possamos fazer o bem, podemos, contudo, ser salvos crendo no Filho de Deus, aceitando o mérito do sangue de Jesus vertido na cruz.

Não deixe que Satanás o engane levando-o a pensar que pode ser salvo pelas boas obras. Assim como você não consegue construir uma escada que alcance o céu, da mesma forma não obterá a salvação de Deus pela prática das boas obras. Não somos justificados por Deus mediante boas obras de nenhuma natureza que tenhamos praticado, mas somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”; pois “se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Romanos 3:24; 11:6). Não são estes versículos da Escritura muito claros? Somos justificados e salvos por Deus não pelas obras, mas pela graça.

Graça e obras são dois princípios diametralmente opostos. “Graça” significa que não importa seja o homem bom ou mau, Deus deseja salvá-lo. Este ou aquele homem não é digno de ser salvo, entretanto, por meio da graça de Deus ele tem à sua disposição a salvação gratuita. “Obras”, por outro lado, é um assunto inteiramente diverso. “Obras” significa que os bons serão salvos e os maus perecerão. Em outras palavras, o homem deve fazer o bem a fim de salvar-se; e todo aquele que não puder salvar a si mesmo desta maneira deve ir para o inferno.

Sabemos que todos nós somos pecadores. Embora não cometamos pecados tão horríveis como assassínio ou como o incêndio de alguma propriedade, nossa natureza, contudo, é totalmente corrupta e nossos pensamentos e ações, cheios de engano. Somos deveras pecadores! Mas graças e louvor a Deus, porque ele não nos salva por nossas obras; pelo contrário, salva-nos por sua graça — gratuitamente e sem reservas.

Hoje em dia muitas pessoas têm a ideia de que a salvação não é somente pela graça de Deus: é também por nossas obras. A graça de Deus mais nossas obras é igual à salvação. Se não for assim estaremos perdidos. Que lástima! Como o homem natural sempre procura ser salvo por seus próprios esforços! Entretanto, lembremo-nos das palavras de Romanos 11:6: “Se é pela graça, já não é obras [graça e obras não podem co-existir. Se não for graça, serão obras; se não forem obras, será graça. A salvação não pode vir pela graça e pelas obras]; do contrário [e aqui o autor inverte o argumento, dizendo, de fato, que se graça e obras forem unidas, então… ] a graça já não é graça [o imensurável favor especial de Deus será deturpado pelos trapos da imundícia das obras humanas.].” As obras do homem não somente não podem cumprir a graça de Deus, mas além disso anularão sua graça. Portanto, se você, pecador, deseja ser salvo, não pense que suas obras o ajudarão. Pelo contrário, você deve humilhar-se a si mesmo, reconhecer seu estado de pecador sem esperança e aceitar com gratidão a graça de Deus mediante a fé na obra realizada na cruz do seu Filho. Tal graça maravilhosa é concedida gratuitamente a todos os pecadores!

Mas continuemos a ler a Palavra de Deus. “O homem não é justificado por obras da lei” — “Não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado” — “Todos quantos, pois, são das obras da lei, estão debaixo de maldição” — “É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus” (Gálatas 2:16; 3:10, 11).

Ora, já observei que obras da lei é praticar o bem, e que ser justificado pelas obras da lei significa ser salvo pelas obras. Mas o que indicam estes versículos de Gálatas? O homem não somente não pode ser salvo por praticar o bem, mas o que procura ser salvo por meio das obras está debaixo de maldição. A Bíblia diz-nos explicitamente que homem algum jamais foi justificado diante de Deus pelas obras da lei. Por que, pois, você ainda tenta o impossível? Em vez disso, por que não contemplar e abraçar a obra consumada de Cristo? Ele já pagou o preço total, e por amor de você dispôs-se a ser crucificado. Desta forma, ele realizou tudo. De modo que você não precisa procurar a salvação com grande angústia. Antes, pode ser salvo tão-somente aceitando a obra da salvação que Cristo consumou por você. Por que insistir em seu próprio caminho? Creia nele e depois de ter crido, louve-o. Porque ele o amou tanto a ponto de prover-lhe salvação completa e gratuita.

Há dois versículos da Escritura que explicam a salvação divina de uma maneira muitíssimo clara. Paulo, servo de Deus, escreve aos crentes de Éfeso: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8, 9). Sabemos imediatamente desta passagem que trata do assunto da salvação uma vez que começa com as palavras “Porque pela graça sois salvos”.

Como é que os leitores de Paulo haviam sido salvos? Pelas obras? Não. Por serem mais fortes do que as outras pessoas? Também, não. Como, pois, foram salvos? Esta passagem diz-nos duas coisas necessárias para a salvação deles: a graça de Deus e a fé. Eis o primeiro elemento: “Pela graça sois salvos.” Graça é o que Deus dá; ele providenciou para nós um Salvador — “mas o Senhor fez cair sobre ele [Cristo] a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6b). Deus fez com que Cristo morresse na cruz para levar os nossos pecados. Cristo sofreu e bebeu por completo o cálice da justa ira de Deus para que pudesse realizar para nós a salvação perfeita. Quão profunda é a graça! A graça de Deus é o fundamento da salvação. Aqui o homem não presta ajuda alguma. Deus, sozinho, realiza tudo por nós. E agora ele apresenta a salvação completa a cada pecador, inclusive você. Como, pois, podemos ser salvos? Não pelas obras da lei, nem pela autonegação, nem pela melhoria pessoal, nem por frequentar a igreja, mas ao aceitar a graça de Deus manifestada na cruz do Calvário.

Voltemos-nos agora para o outro lado da salvação: ‘Pela graça sois salvos, mediante a fé.” Deus, deveras, dá a graça, mas devemos também crer. Pois embora Deus conceda a graça, se não crermos não seremos salvos. Uma vez que a graça de Deus já nos providenciou salvação substitutiva na cruz do Calvário, devemos crer em sua provisão, a saber, o Senhor Jesus e sermos salvos.

O que significa ter fé? Crer significa receber (João 1:12). Deus preparou a graça, e somos salvos por recebê-la. Suponha que alguém lhe envie um presente. O presente é seu desde que você o receba. Da mesma forma, Deus lhe envia a graça salvadora que será imediatamente sua no momento em que a receber. Insto com você que não demore mais. Receba-a agora. Estenda a mão da fé e receba a espantosa graça de Deus.

Não seja como os que duvidaram; pois se o fizer, sofrerá a perda eterna infligida por si mesmo! Simplesmente aceite a graça divina e o dom da salvação será seu.

Efésios 2 ensina-nos que é “mediante a fé” e também “pela graça”. Instrui-nos ainda mais a respeito da natureza da salvação, que, (1) não “vem de nós, é dom de Deus”, e (2) “não de obras, para que ninguém se glorie”. A salvação envolve dois “nãos”: “não vem de vós” e “não de obras”. Quão clara ela é!

Note, primeiramente que a salvação não é de vós. Quer sua moralidade seja superior ou inferior, quer seja você rico ou pobre — nada disso tem absolutamente nenhum efeito sobre sua salvação. Se você estiver disposto a aceitar a graça de Deus, poderá ser salvo independentemente de ser sábio ou tolo, santo ou ímpio. E, também não importa o que você seja, perecerá se recusar-se a aceitar o Salvador. Portanto, a salvação nada tem que ver com o que você é; Deus oferece-a gratuitamente como um dom.

Note também que a salvação não é de obras. “Vós” refere-se ao que você é e “obras” ao que você faz. Deus não disse que a pessoa pode ser salva por praticar o bem; declarou, contudo, que a salvação não vem das obras. Consequentemente, você não será salvo ainda que faça o melhor que puder, nem necessariamente perecerá por praticar o pior. O ser salvo ou perecer não depende de suas obras mas do seu aceitar ou não a graça de Deus.

Gostaria de dizer-lhe o seguinte: não pense em suas boas obras; antes, considere mais seus pecados. Por que não vir a Deus com coração contrito e confessar que é pecador e que não possui boas obras das quais se gabar e que não tem mérito do qual depender? Por que não confiar simplesmente na graça que Deus lhe oferece mediante seu Filho na cruz? Peço-lhe que venha sem demora. Ainda hoje, neste mesmo instante, ajoelhe-se e ore; diga a Deus que você recebe ao Senhor Jesus como seu Salvador e peça-lhe que lhe perdoe os pecados e o salve.

Por que Deus não salva o homem mediante as obras? Pode haver muitas razões, mas uma muito básica dada aqui é “para que ninguém se glorie”. Se o homem fosse salvo pelas obras, sem dúvida haveria de gloriar-se de si mesmo e deixaria de render glória a Deus. O maior pecado no mundo é ser independente de Deus e não confiar nele. Este fato aplica-se também à salvação. Por que prefere o homem ser salvo por suas próprias obras a aceitar a salvação grátis que lhe foi preparada por Deus? Por causa do orgulho. Quão humilhante é depender de Deus! Não deixa lugar para a vangloria. O homem, portanto, deseja salvar-se a si mesmo mediante suas obras para que possa ter algo de que se gabar. Mas Deus não deseja que o homem seja salvo desta maneira para que ele não se glorie.

Leiamos outro versículo bíblico: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tito 3:5a). Esta passagem ensina-nos que Deus não nos salva por nosso muito acúmulo de justiça, pois como Deus disse mediante o profeta Isaías, no Antigo Testamento: “Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como o trapo da imundícia” (64:6a). Podemos pensar que nossa justiça seja digna de louvor, mas à vista de Deus é menos do que nada! Se ele fosse salvar-nos segundo nossa justiça, todos nós pereceríamos; pois sem exceção, nossa justiça é como o trapo de imundícia. Pode tal justiça jamais ser considerada justiça verdadeira? Como poderia então salvar-nos? Como pode Deus salvar-nos à base de trapos imundos? Ele absolutamente não pode.

Mas graças a Deus, ele mostra-nos graça “segundo sua misericórdia”. Ele não nos salva por nossa justiça nem por nossas obras, mas segundo sua misericórdia. O significado da misericórdia é que a graça é concedida ao que não a merece, a despeito da impiedade da pessoa. Como pecadores, não merecemos a salvação de Deus. Entretanto, ele nos ama sem causa. Não se deixando impedir por nossas transgressões, ele fez com que o Senhor Jesus morresse na cruz por nós a fim de dar-nos graça. “Segundo a sua misericórdia ele nos salvou”

De modo que não pense que pode ser salvo por praticar o bem. Creia rapidamente no Senhor Jesus Cristo. Ele não exige de você nenhuma de suas obras; ele está disposto a salvá-lo sem elas. Você não precisa acumular méritos; precisa apenas crer nele. Embora você não possa praticar o bem, embora você seja por demais pecador, ele está disposto a ser crucificado a fim de fazer propiciação por seus pecados, isto é, levar seus pecados de omissão e também de comissão. Venha agora, assim como está, e receba-o como Senhor e Salvador. Ele o salvará, aceitá-lo-á e o transformará.

Não argumente que já é membro de uma igreja ou que já foi batizado e que já participou da Ceia do Senhor ou que até seja líder na igreja. Compreenda e admita que estas coisas não salvam e nem jamais podem salvar. A menos que você creia no Salvador que levou seus pecados e morreu por nós todos, você está perdido — a despeito de sua moralidade ou posição. Você não é diferente dos outros. Nada há que proteja o pecador da ira de Deus a não ser o sangue precioso do Senhor Jesus. Toda tentativa boa falhará; somente a obra da cruz de Cristo permanecerá. Todo caminho de salvação que dependa de obras do ego procede do abismo e para lá há de voltar, porque Deus estabeleceu um único modo de salvação: a aceitação de sua graça mediante a fé na cruz de Cristo. A fim de sermos salvos, devemos seguir esse caminho — e esse caminho somente.

Concluindo, deixarei com vocês um versículo bíblico: “Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão” (Gálatas 2:21). Se as boas obras podem salvar, então Cristo morreu em vão. Teria Deus sido tão tolo ao ponto de enviar seu Filho ao mundo para morrer desnecessariamente se os homens pudessem operar sua salvação de modo que o satisfizesse? A resposta é óbvia! Permita-me dizer-lhe que se você concluir que as obras podem ajudá-lo a ser salvo, estará automaticamente anulando a graça de Deus. Todos os pecadores devem compreender que “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” (1 Coríntios 1:25a). Ele não teria sacrificado seu amado Filho se os homens pudessem ser salvos pelas obras. O próprio fato de ele ter feito com que seu Filho levasse nossos pecados e morresse por nós prova que não podemos ser salvos por nossas próprias boas obras. Você e eu seremos salvos somente se aceitarmos o Senhor Jesus como Salvador. Verdadeiramente, somos pecadores; entretanto, Deus nos ama sem questionar-nos e está pronto a receber-nos! Embora não tenhamos boas obras nem justiça das quais gloriar-nos, nem por isso sua salvação é diminuída; na verdade, é aumentada. Quão maravilhoso isto é!

Oro para que você seja movido pelo amor de Deus e venha a ele com fé, confessando: “Ó Deus, verdadeiramente sou pecador. Sei que as minhas obras nada são à tua vista. Peço-te que me recebas e me salves agora por amor da morte substitutiva de meu Senhor e Salvador Jesus Cristo.”

“O que vem a mim”, disse Jesus, “de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37).

 

Texto retirado do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE” de Watchmann Nee

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Deus Está Disposto — E Você?

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16).

 

Ser mal compreendido é algo que a maioria das pessoas detesta ardentemente. A pessoa tem boas intenções e, no entanto, o que faz é mal interpretado como se fosse para o mal. Ela faz algo em amor, mas é interpretado de modo oposto. Há muitas coisas no mundo que irritam as pessoas, e o serem mal compreendidas certamente é uma delas. Contudo, desejo falar-lhes acerca daquele que é o mais mal compreendido pelo mundo inteiro: o próprio Deus!

No instante em que ouvimos a palavra “Deus” imediatamente tornamo-nos infelizes e nos sentimos mal, como se acreditássemos que esse Deus fosse alguém que não tivesse nenhum pensamento bom para com os homens.

Assim, temos dois grupos de pessoas no mundo: o que já ouviu falar de Deus e crê no Senhor Jesus e o outro que ainda não crê em Deus e no Senhor Jesus. Creio ser mais do que provável que os que já creram podem testificar que antes de crerem, sentiam-se incômodos até com a menção de Deus ou de Jesus. Mas ao crer de verdade, todos eles, sem exceção, provavelmente disseram: “Como gostaria de ter crido antes!”

A vantagem de crer no Senhor Jesus excede em muito a de receber uma herança. Pois a Palavra de Deus nos diz que ao crermos no Senhor Jesus iremos para o céu e teremos a vida eterna. Eu também ouso testificar da verdade desta afirmativa. A primeira coisa que pediria de você é que não tivesse medo de ouvir falar de Deus e que também não imaginasse que o pensamento dele para com você seja para o mal.

Você pode estar-se perguntando que tipo de Deus ele é. Ele me salvará? Pode ele salvar uma pessoa como eu? Você está, pois, cheio de dúvidas. Desejo dizer-lhe que Deus não somente tem pena de você, não somente tem cuidado de você e não somente o nota, mas que também o ama! Desde o início do tempo, a coisa mais difícil para Deus era amar os homens. Entretanto, a primeira coisa que fez depois de o homem ter pecado contra ele foi amar. Seu pensamento para com os homens é bom. Como anseia ele que os homens sejam salvos! Mas você pode nutrir a ideia de que Deus é por demais feroz e cruel a deseja que você fique longe dele. O Livro de Deus, porém, declara que ele é amor! Você é pecador, contudo Deus o ama. Você está longe dele, no entanto ele o ama.

Vez após vez, Deus enviou seus servos para transmitir a mensagem de amor ao homem. Por exemplo: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15). Quanto ele nos ama! Até mesmo exemplifica seu amor com um exemplo extremo: “Se um homem repudiar sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura aquele tornará a ela? Não se poluirá com isso de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o Senhor” (Jeremias 3:1).

Quão desejoso Deus está de receber-nos a nós, pecadores; entretanto, não estamos dispostos a acreditar no fato de que Deus ama os homens. As pessoas continuamente indagam sobre como Deus poderia ser tão bom. Não obstante, devo dizer-lhe que Deus é, deveras, amor! Ele amou o mundo de tal maneira que finalmente concebeu um plano pelo qual ele próprio viria ao mundo como homem para que pudesse falar-nos do seu amor.

Ele nos ama, ele gosta de nós, ele deseja que estejamos perto dele, mas não compreendemos o seu coração. A Palavra de Deus informa-nos como, outrora, mediante seus servos Deus revelou à humanidade o desejo do seu coração amoroso para conosco mediante porções diversas e maneiras diferentes (ver Hebreus 1:1, 2), mas o homem falhou em compreender. Assim, ele não teve alternativa senão vir a este mundo e tornar-se homem; e este homem é quem conhecemos como Jesus Cristo. Pudesse eu ter-me tornado um pássaro, teria sido aclamado como humilde. Entretanto, é preciso que Deus seja muito mais humilde para tornar-se homem.

O Deus da glória condescende em ser homem. Que grande humildade! Aquele que está acima de tudo esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de homem. Permitam-me dizer que a vida terrena do Senhor Jesus teve o propósito de expressar o coração amoroso de Deus para com os homens. Se você ler a biografia de Jesus, descobrirá que ele não é apenas um homem bom, mas o Deus do céu que se tornou homem. Antes compreendíamos mal a Deus, pensando que ele nos odiava; agora ele se torna homem. Como é Jesus, assim também é Deus. Em seus trinta e três anos na terra Jesus nada mais manifestou que o coração de Deus. A maneira pela qual ele tratou as pessoas na terra é o modo pelo qual Deus sempre nos trata.

Certo dia um leproso chegou-se a Jesus e adorando-o, disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me” (Mateus 8:2). Teria sido fácil para Jesus purificá-lo com uma simples palavra; no entanto, ele “estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo!” (v. 3). Imagine a sujeira e o mau cheiro de um leproso. Não obstante, o Senhor, estendendo a mão, o tocou, mostrando sua infinita simpatia para com o homem. É como se o Senhor dissesse: “Por que não estás disposto a vir a mim? Porém, se vieres, tocar-te-ei.”

Em outra ocasião trouxeram ao Senhor uma mulher apanhada no ato do adultério. Seus acusadores, judeus, diziam que segundo a lei de Moisés ela devia ser apedrejada até morrer. O Senhor Jesus não podia negar que ela houvesse pecado; entretanto, seu coração não permitiu que ela fosse apedrejada. Assim, ele desafiou a multidão: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra” (João 8:7b). A consciência dos acusadores convenceu-os de seus próprios pecados, e um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, retiraram-se dali, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Que lhe disse Jesus? “Ninguém te condenou?” foi sua pergunta. Respondeu ela: “Ninguém, Senhor.” Então lhe diz Jesus: “Nem eu tão pouco te condeno; vai, e não peques mais” (w. 10b, 11). E digo a todos os que me ouvem: Deus não os odeia, ele os ama.

Ainda em outra ocasião, um coletor de impostos chamado Mateus convidou a Jesus e a muitos publicanos e pecadores para jantarem em sua casa. Segundo o consenso daquele tempo, os publicanos (ou coletores de imposto) eram detestados pelo povo. Durante este período, Judá, como nação, estava destruída e sob o governo romano. O cidadão do país vencido que trabalhasse para aquele que havia conquistado sua gente e tratado mal seus conterrâneos, era considerado deveras desprezível. Esses conterrâneos jamais se sentariam à mesma mesa com tal pessoa. Mas o Senhor Jesus foi à casa de Mateus e lá partiu pão com muitos publicanos. Ao ver isto os fariseus, disseram aos discípulos de Jesus: “Por que come vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (Mateus 9:11). Começaram a discutir com eles e a criticá-los. Qual foi a resposta do Senhor Jesus a essas críticas? Ele disse: “Os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes… Pois não vim chamar justos, e, sim, pecadores” (w. 12, 13). Percebem aqui que Jesus abriu o coração de Deus para que os homens o vissem? Talvez você pense ser um pecador tão mau que está a se perguntar se Deus o odeia. Ou pode ser que você tenha sido ladrão, adúltero, mentiroso, ou pecador lascivo. Você indaga se Deus jamais o aceitará. Entretanto, o Senhor Jesus abriu o coração de Deus para que você o visse. Ele diz-lhe que Deus o quer e que o ama. O que Jesus quer dizer é que Deus é como o médico que não tem medo dos doentes. Logo, devem os enfermos ter receio do médico? Não, não devem. Entretanto, alguns podem dizer que daqui em diante estão decididos a ser bons, que não mais perderão o controle, e que não mais jogarão. Não obstante, em dois ou três dias voltarão aos seus antigos hábitos. Ora, alguns, portanto, poderão pensar que Deus não os ama e deseje que pereçam. Mas isso não é verdade de maneira alguma. Pelo contrário, Deus os quer, porque os ama. Ah, espero fervorosamente que você faça o seguinte: retire o véu dos olhos a fim de ver que Deus não tem má intenção contra você. Antes, ele o ama.

Os que conhecem a Palavra de Deus podem testificar que ele só está contente quando nos tem. Isto acontece porque ele não apenas tem piedade e cuidado de nós; ele também nos ama. A mãe pode amar o filho, mas Deus nos ama com amor muito mais profundo. O casal pode amar um ao outro, mas Deus nos ama com amor maior. Pode ser que vocês jamais tenham pensado na maneira de Deus tratar as pessoas. Desejo informá-los hoje de que Deus ama a cada um de vocês!

Ora, porque Deus é amor ele fez duas coisas na terra. Ele sabe muito bem que o mundo não pode amá-lo, achegar-se a ele e adorá-lo por um motivo: todos pecaram. Os pecadores, portanto, devem perecer e ir para o inferno. Consequentemente, primeiro Deus veio ao mundo na pessoa do seu Filho e morreu por nós na cruz do Calvário fora de Jerusalém. O Filho de Deus levou os nossos pecados para que não pereçamos, mas tenhamos a vida eterna.

Você, muitas vezes, ouve pregadores declararem que os homens pecaram, que devem ir para o inferno e que o Senhor Jesus levou nossos pecados ao morrer na cruz em nosso lugar. Você tem-se indagado por que o pregador lhe entrega mensagem como essa? É porque basta a pessoa cometer um único pecado, um pecado que dure apenas um segundo, para que ela vá para o inferno. Será que você não pecou em um mês, ou em um ano? É possível que você não tenha feito nada mau nem dito nada errado? Pode ser que por um minuto, ou até mesmo por um segundo, você deu guarida a um pensamento impróprio, que nem mesmo seus pais ou sua esposa conhecem. Tal pensamento é suficiente para mandá-lo para o inferno. Compreendamos que Deus odeia o pecado com grande intensidade. Nosso sentimento humano contra os pecados mais horríveis não é para se comparar com o ódio que Deus tem até mesmo pelo menor dos pecados.

O ódio que pudéssemos ter contra todos os pecados do mundo seria muito menor do que a repugnância de Deus pela menor de nossas mentiras. Ele sabe que os homens pecaram e só encontrou uma solução: ele próprio deve vir ao mundo e tornar-se homem e levar o pecado do mundo na cruz cruel. E isto ele fez, mostrando seu coração de amor. E essa foi a primeira grande coisa que Deus realizou na terra.

E mais, Deus reconhece que apesar do fato de o Senhor Jesus ter morrido por nossos pecados, ainda podemos transgredir depois de termos crido nele. Por este motivo Deus dá o Espírito Santo (seu próprio Espírito) para habitar em nós para que possamos ter o poder de não pecar. E essa foi a segunda grande coisa realizada por Deus que também mostra seu coração de amor e interesse pela humanidade., Logo, Deus oferece-nos duas grandes graças: a primeira fez com que Jesus morresse por nós para perdoar-nos os pecados; a outra faz com que o Espírito Santo habite naqueles de nós que cremos a fim de que possamos ter o poder de não pecar no futuro.

Percebem quanto é difícil vencer o pecado? Tomem a honestidade como exemplo. Fico a imaginar quantos de nós somos honestos. Muitas vezes você pode ter um pensamento mau e do qual não consegue livrar-se. Pode ser que você odeie alguém e não consiga perdoar-lhe. Pode ser que você deseje criticar alguém ou disseminar a discórdia. Você pode mentir frequentemente e agir com astúcia. Deus sabe o quanto você pecou. Entretanto, ele não somente perdoará todos os seus pecados, mas também colocará em você o seu Espírito para que você tenha o poder de vencer o pecado e ser uma pessoa pura. É esse o coração de Deus! E o que Deus deve fazer, já o fez. Ouso dizer hoje que no que se refere à salvação, não há -problema do lado de Deus. O problema hoje está do seu lado: se você vai crer ou não. Ouso dizer hoje que Deus o quer. Com referência a isto deixe-me ler algo que o próprio Senhor Jesus disse enquanto estava na terra.

“Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mateus 23:37). Deus em Cristo está desejoso, mas os homens não querem. O Senhor chorou por Jerusalém. Como ele gostaria de proteger as pessoas na cidade, pois as amava; mas elas não quiseram permitir-lhe. Se houver alguém aqui que já percebeu ser pecador, então saiba que o Senhor Jesus diz: “Eu o amo, desejo salvá-lo,” Você está disposto hoje? Não há dúvida quanto a Deus, mas está você disposto? Quem pode culpar a Deus se a pessoa ouvir o evangelho hoje e for para o inferno no futuro? Permita-me reiterar o fato de que Deus o deseja e o ama. Quantas vezes ele diz que o quer e você diz que não!

Há outra passagem que merece nosso exame: Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:14). Ele deseja que todos os homens sejam salvos. Este é o coração de Deus!

Há outro versículo bíblico que gostaria de deixar com vocês: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40). Não é Deus quem não quer dar-nos vida; somos nós que não estamos dispostos a receber a vida. Portanto, compreenda, por favor, que se você tiver um desejo, pequeno que seja, de ser salvo, de ter a vida eterna, de ser liberto dos pecados e de ir para o céu, então compreenda claramente que você pode ter tudo isso, porque Deus está desejoso de dá-los a você. Pois qual é a vontade dele? Que todos os homens se salvem. Não tenha medo, pois: não há problema no lado de Deus; o problema é inteiramente seu.

Quantas vezes nos vem o pensamento: “Sou pecador; Deus jamais haveria de querer-me!” Mas, permita-me apresentar-lhe as boas-novas de que ele jamais trancou a porta. Portanto, não há absolutamente nenhum problema da parte de Deus; o problema todo reside em você. Se hoje o pecador dispuser-se a vir a Deus, dizendo: “Sou pecador, compreendi-te mal, mas sei que estás disposto a aceitar-me hoje”, ele será salvo.

Certo dia o Senhor Jesus contou uma parábola acerca de um filho que pediu ao pai a parte da herança que lhe pertencia e foi para um país distante; lá gastou tudo o que tinha e finalmente decidiu voltar para casa. Mas estando ainda longe o filho pródigo, o pai o viu e, movido de compaixão, correu, abraçou-o e beijou-o (veja Lucas 15:11-32). Isto também revela o coração de Deus. Declaro a todos hoje que Deus os chama de volta ao lar, pois o Senhor Jesus já morreu por você e o Espírito Santo já veio.

Ninguém precisa ir para o inferno. Pelo contrário, é preciso lembrar que Deus é amor. Você será salvo se hoje estiver disposto a dizer a ele: “Ó Deus, sou pecador, desejo vir a ti, pois quero tua salvação.” Se isto deveras acontecer, você e também ele terão grande júbilo.

Porque Deus é amor.

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee