ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 7 – PORNOGRAFIA ESPIRITUAL OU INTIMIDADE ESPIRITUAL? VOYEURISMO OU VISITAÇÃO?

 

Certa vez, Deus falou com um ministro bem conhecido e disse: “Eu tenho visto o seu ministério, agora quer ver o Meu?” Ele está dizendo a mesma coisa à Igreja agora. A maioria dos pregadores aprende bem cedo como atrair uma multidão em seu ministério, mas eles usualmente não aprendem isso de Deus. Somos escolados em atrair a atenção dos homens, mas ignorantes em como atrair a atenção de Deus.

Eu sei como planejar uma reunião, promover um evento e pregar uma mensagem para “resultados humanos” máximos, mas estou relutante em prosseguir nesse caminho. Já estive naquela estrada e, na verdade, não gostei de ver onde ela acaba. Mas tenho de dizer que a verdadeira razão para minha desilusão é que eu fui destruído com Sua presença. Isaías disse isso, então eu posso dizer! “Vou perecendo.” – (Isaías 6:5). A palavra hebraica ali significa “perdido”. O encontro com Ele destrói seu apetite para encontro com o homem. Líderes de louvor também aprendem como elevar a alma com a unção sobre seus dons, e não há nada errado nisso. Mas eu, às vezes, pergunto para mim mesmo o que aconteceu com os verdadeiros líderes de louvor, cujo único propósito é levar o povo de Deus até Sua presença em consideração a Ele.

A unção pode facilmente dirigir uma grande multidão, mas o problema com aqueles tipos de reunião com homens é que você pode captar o favor dos homens sem jamais buscar o favor de Deus. Há uma maneira melhor e Jesus demonstrou com Sua vida. A Bíblia diz que Jesus cresceu em graça com ambos, Deus e os homens. – (Lucas 2:52). E Ele sempre, sempre colocou Deus em primeiro lugar.

Ao longo do Seu ministério, o único foco de Jesus era ouvir o que o Pai estava dizendo e dizê-lo, e ver o que o Pai estava fazendo e fazê-lo. – (Veja João 5:30; 7:16-18; 8:28-29; 12:49-50). Esta é a razão pela qual Jesus e os ministros que seguiram Seus passos nunca se preocuparam em atrair grandes multidões. Se você conhece a Deus e O agrada mediante a obediência total, a fome por Ele trará multidões até você. O que aconteceria com as nossas reuniões se fizéssemos isso? Eu posso lhe garantir que elas certamente seriam diferentes do que são agora.

Receio que a maior parte dos nossos cultos de igreja cuidadosamente orquestrados e reuniões de avivamento iriam muito bem sem a ajuda, aprovação ou comparecimento de Deus. Julgando pelo fruto de algumas das nossas intermináveis reuniões, elas já têm funcionado dessa maneira há um longo tempo. Comentário triste. É uma declaração do nosso baixo nível de fome, que se contentaria com menos de Deus do que Ele quer que experimentemos.

A TENTAÇÃO É CONTINUAR PROMETENDO QUANDO VOCÊ NÃO PODE CUMPRIR

Temos praticado e aperfeiçoado a arte de divertir o homem, mas durante o percurso temos perdido a arte de divertir a Deus. Já falamos sobre a zona do choro, aquele lugar de intercessão sacerdotal entre a corte do homem e o altar de Deus, onde alcançamos a Deus com uma das mãos e o homem, com a outra. Às vezes, ficamos tão envolvidos em atrair o homem à nossa mão estendida, que perdemos o desejo e a habilidade de atrair a Deus com a outra. Quando você pode puxar os homens até você, mas não pode fazer Deus Se aproximar mais, a tentação é continuar prometendo a Ele apesar de não poder cumprir.

Repetidas vezes, reunimos grandes multidões de pessoas embaixo de um cartaz de plástico que proclama “avivamento”! Então nos tornamos como perpétuos co-anfitriões de TV da madrugada, da cena de igreja dizendo: “Aqui está Deus!” Com entonação de voz bem praticada e manejar de mão floreado, convidamos e O anunciamos – só que não temos nenhum lugar para Ele Se assentar. Em nosso percurso para agradar os homens, aos esquecemos de agradar a Deus. Não há trono de misericórdia.

Assim, Ele nunca realmente aparece. Ele somente surge detrás das cortinas (ou da treliça, como Salomão disse), liberando apenas o suficiente de Sua unção para que você saiba que Ele está lá, mas não o suficiente para ter um encontro como o da estrada de Damasco que o mudará completamente.

Parte do nosso problema é o hábito de usar impropriamente a terminologia para artificialmente levantar as expectativas do povo, nós perpetuamente prometemos demais e produzimos de menos. Como eu disse anteriormente, se alguém diz: “A glória de Deus está aqui” de uma postura emprumada, você tem minha permissão para questionar a validade do comentário. Somos culpados de fazer tempestade em copo d’água, mas, somente em nossa vã imaginação. Quando o povo do mundo entra, eles dizem: “É bom aqui dentro. Eu sinto paz. Bom, isso é Deus. Não há dúvidas sobre isso, é Deus. Mas quanto de Deus?’’ Então eles saem.

A MÃO DE DEUS PODE SUPRIR, MAS SOMENTE SUA FACE PODE SATISFAZER

Nós prometemos a glória de Deus, mas frequentemente, na melhor das hipóteses, damos uma medida limitada da unção de Deus. A unção de Deus não foi feita para satisfazer a fome da nossa alma. A unção e os dons autorizados por ela são simplesmente armas para nos assistir, habilitar, encorajar e direcionar à sua Fonte. Somente o próprio Deus pode satisfazer a fome que Ele colocou em nós. Sua mão pode suprir nossas necessidades, mas somente Sua face pode satisfazer nossos anseios. À medida que contemplamos Sua face somos trazidos a uma união com o nosso destino e desfrutamos o favor de Seu amoroso olhar e do incomparável beijo de Seus lábios.

Há uma grande diferença entre encontrar a unção de Deus e encontrar Sua glória. Eu, na verdade, não estou mais muito interessado na unção – não quando ela é comparada com a glória da Sua presença manifesta. Eu digo isso porque é a única maneira que sei para ajudar as pessoas a entender a dramática diferença entre unção e glória de Deus.

A unção de Deus, em todas as suas várias formas, tem um sentido válido em Seus planos e propósitos. O problema é que temos nos tornado tão viciados na maneira que a unção nos faz sentir, que tiramos nossos olhos e nosso coração da glória e da face de Deus para conseguirmos mais da unção em Suas mãos. A unção habilita nossa carne e nos faz sentir bem. É por isso que a Igreja está cheia de “drogados com a unção” em ambos os lados do púlpito. A maioria (não todas) das bobices em nossos cultos que atraem fogo do mundo e vários segmentos da Igreja pode se encontrar nesse estranho vício.

Se você não acredita em mim, pergunte a si mesmo por que as pessoas atropelam umas às outras para conseguir um “lugar quente” na fila de oração nas conferências mais importantes. Expliquem-me por que cristãos nascidos de novo mentirão, conspirarão e quebrarão todas as regras do livro para conseguir os “melhores assentos” nos salões da convenção, quando o “Evangelista do Fogo X” vem à cidade? Honestamente, há muitos pregadores nacionalmente conhecidos que têm fã-clubes hoje em dia. Eles não o chamam de fã-clube, é claro, porque isso seria muito embaraçoso, mas isso é a pura verdade. Este é um típico comportamento quando pregadores e seus fãs se tomam viciados no poder da unção.

DESEJOS INCONTROLÁVEIS POR EMOÇÕES ESPIRITUAIS BARATAS SE TORNAM PORNOGRAFIA ESPIRITUAL

Nós, frequentemente, preferimos ser indiretamente emocionados pelo toque de Deus na vida de alguém do que buscar isso em nossa própria vida. Ou, se estamos no ministério, podemos nos tornar viciados na paixão das pessoas por nós, por causa da unção. É tão gostoso estarmos no fluir!

O vício transforma mesmo a mais forte unção em uma emoção barata. E o pior, o desejo incontrolável do pregador de ministrar sob a unção – e a compulsão que impele um crente a receber ministério sob a unção – se torna uma forma de “pornografia espiritual.” Como na variação física dessa compulsão, “pornógrafos espirituais” querem conseguir suas emoções observando a intimidade experimentada por outros, ao invés de arcar com a responsabilidade do relacionamento com Deus. Este é o único canal apropriado, através do qual devemos obter intimidade pessoal com Deus. O Senhor não quer que sejamos apaixonados por Suas mãos c as bênçãos que elas trazem ao espírito, à alma e ao corpo. Ele quer que nos rendamos em amor por Ele!

Estamos essencialmente dizendo: “Eu não vou entrar na íntima presença de Deus por mim mesmo. Vou conseguir uma emoção barata compartilhando do encontro com Deus de alguém. Se eles forem descritivos e dinâmicos, conseguirei arrepios suficientes para manter minha unção fixa.” Quando ministros expõem a unção na própria vida, descaradamente, sem considerar a busca de intimidade com o próprio Deus ou se preocuparem em levar o povo de Deus a uma intimidade pessoal com Ele, eles se tornam exibicionistas espirituais. Estão mais preocupados com o prazer que vem da sua exibição pessoal da unção do que em buscar a face de Deus e ministrar a Ele. Aqueles que “assistem” sem buscar Deus para si mesmos se tornam meros “voyeurs”23 espirituais, cujas vidas não possuem o genuíno relacionamento que Deus deseja para eles.

Ficamos viciados na unção da mesma maneira que os filhos de Israel ficaram. – (Veja Êxodo 19). O ministério de Moisés e os milagres que ele fez depois de falar com Deus claramente representaram unção divina, mas Deus queria dar mais aos israelitas. Em Êxodo, capítulo 19, Ele convidou a todos do grupo para subir e ouvi-Lo falar. Esta foi uma oportunidade de ir acima da unção e experimentar Sua glória pessoalmente. Os filhos de Israel disseram: “Moisés, você vai falar com Deus e descubra o que Ele diz. Você tem intimidade – somente pegue algumas descrições interessantes e traga a unção de volta para nós.” – (Êxodo 20:19, paráfrase). Eles não queriam ter o seu próprio encontro com Deus porque isso requeria um relacionamento que envolvia responsabilidade e morte ao ego.

Quando você pessoalmente paga o preço para encontrar a glória de Deus para bem perto, não pode voltar atrás naquilo que Ele lhe fala, porque naquele ponto você está “casado” com Ele. Quando você pega tudo de segunda mão pode dizer: “Isso pode ou não ser Deus, não sei dizer, porque isso é apenas uma ‘descrição’.”

Eu tentei mandar uma mensagem para meus filhos pedindo a um deles que dissesse aos outros: “Papai disse”. Isso não funciona. Se eu disser: “Vá dizer à sua irmã que eu falei que ela precisa arrumar o quarto dela e varrer o quintal” – o “mensageiro” do momento gosta de entregar estes tipos de mensagem porque eles se sentem poderosos, mas essas mensagens nunca têm o mesmo impacto do que a coisa verdadeira. Eu ainda consigo ouvir minhas filhas dizendo umas às outras depois da entrega de uma “mensagem de segunda mão”: “Você não manda em mim!” Nós dizemos isso (ou equivalente adulto) para nossos pastores, líderes espirituais e patrões constantemente, mesmo sendo adultos. Tudo isso é interrompido quando o Pai Celestial aparece pessoalmente e manifesta a Sua glória.

OS VICIADOS SÃO CONSUMIDOS COM SUA PRÓXIMA “FIXAÇÃO” DE UNÇÃO

Se não vigiarem, os pregadores podem se tornar um grande obstáculo para “Deus descer” em suas igrejas porque estão viciados na unção. Eles prefeririam pregar a adorá- Lo até que Sua glória entre. A verdade é que nossos melhores sermões nunca poderão ser igualados a sequer uma palavra falada por Deus diretamente a nós. As congregações podem se tornar da mesma forma viciadas na unção que flui de seus líderes bem- dotados ou dos dons residentes na congregação. Os viciados estão todos muito esgotados a fim de conseguir fixar sua unção para se preocupar em buscar a face de Deus.

“Por que Deus simplesmente não toma de volta os dons ungidos que Ele dá a tais pregadores viciados?” Ele não trabalha dessa forma. Uma vez que Ele abre esta porta de unção na vida de uma pessoa, Seus dons e chamados são sem arrependimento. – (Veja Romanos 11:29). Quando um pregador ultrapassa a linha na direção de puro vício pela unção, Deus não vai “retê-lo” removendo Seu dom. Ele simplesmente Se afasta dele pessoalmente porque Ele está mais compromissado com o caráter do que com o talento.

Quando o caráter se esgota e o talento ou dom continua, a pessoa está patinando em gelo fino e, finalmente, ele ou ela afundará. Qualquer dom de Deus que esteja separado da Sua permanente presença vai deteriorar com o tempo (isso talvez seja uma boa descrição do que aconteceu com muitas das denominações de igrejas que foram fundadas sobre sólidas verdades e experiências genuínas com Deus em certo tempo.). Por que esses ministros espiritualmente falidos simplesmente não voltam ao seu primeiro amor? Eles querem manter a pose diante do povo, mesmo quando sabem que o testemunho particular deles não combina com a unção pública que demonstram ter.

TEMOS PROSTITUÍDO MUITOS PROCESSOS DE DEUS

Deixe-me assegurar a você que há uma grande diferença entre uma representação unidirecional e a coisa real. Temos prostituído muitos processos de Deus buscando o que vem do homem como uma completa representação de Deus. Algumas pessoas falam sobre coisas do Espírito como se estivessem lá, mas estão simplesmente falando sobre o que ouviram. Elas não tiveram um encontro legítimo próprio, então a descrição que fornecem de Deus encontra-se em uma dimensão plana e única. Essa é a diferença entre olhar para o retrato do seu filho, ou filha, ou acariciar o cabelo dessa criancinha que começa a andar, a quem você ama.

A Igreja tem pervertido e prostituído sua unção por perseguir a aprovação do homem quando este não é o propósito real da unção. Quando Deus primeiramente apresentou a Moisés o óleo da unção ele disse:

Disto farás o óleo sagrado para a unção, o perfume composto segundo a arte do perfumista; este será o óleo sagrado da unção. Com ele ungirás a tenda da congregação, e a arca do Testemunho, e a mesa com todos os seus utensílios, e o candelabro com os seus utensílios, e o altar do incenso, e o altar do holocausto com todos os utensílios, e a bacia com o seu suporte. Assim consagrarás estas coisas, para que sejam santíssimas; tudo o que tocar nelas será santo. Também ungirás Arão e seus filhos e os consagrarás para que me oficiem como sacerdotes. Dirás aos filhos de Israel: Este me será o óleo sagrado da unção nas vossas gerações. Não se ungirá com ele o corpo do homem que não seja sacerdote, nem fareis outro semelhante, da mesma composição; é santo e será santo para vós outros. – (Êxodo 30:25-32).

Parece impróprio que a Escritura diga, “ungirás” e “não… a carne do homem” na mesma passagem. Não na carne não consagrada! A carne dedicada e ”morta para si mesma” está pronta para ser ungida.

O Salmo 133, no verso 2, nos mostra como este óleo da unção foi usado: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, o qual desce para a barba, a barba de Arão, e desce para a gola de suas vestes.” – (Salmos 133:2). Os israelitas fizeram óleo da unção em um litro porque quando era tempo de ungir algo, eles despejavam, ungiam, encharcavam e na ocasião borrifavam excessivamente. Agora pense em Arão, o sumo sacerdote.

VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA DEUS ARRUINAR SEU CARPETE?

Quanto óleo você teria de despejar sobre a cabeça de um homem adulto (talvez um homem que não cuidou em cortar o cabelo) para que esse óleo descesse pela barba dele (uma barba inteira) e, então, descesse por toda a altura de suas vestes de linho sacerdotal tão generosamente a ponto de gotejar para fora da bainha até a planta dos pés? Eu não posso dizer o quanto gastaria, mas posso lhe garantir que se Deus recriasse aquele evento em nossa igreja, isso arruinaria o seu carpete (e quem quer que estivesse no lugar de Arão necessitaria de um novo penteado).

Eu quero o tipo de culto desarrumado que tem “intervenção divina” estampada em todos eles. Quando os homens ungem outros para aprovação do homem, eles usam só o suficiente para ganhar aplausos e levantar arrepios. Quando Deus unge o homem, Ele praticamente nos afoga com Sua fragrância. Somente assim Ele possa suportar chegar perto.

Essa é a maneira como “o primeiro culto de igreja” aconteceu. Leia o segundo capítulo de Atos e me explique por que os discípulos tropeçavam e cambaleavam fora do cenáculo de tal modo embriagados do Espírito que o povo os acusava de estarem caindo bêbados. Quão simpático foi isso? Pedro teve de refutar as acusações com a lógica de um advogado e poder do Alto para dizer-lhes: “Olhem, é muito cedo. Os bares não estão nem mesmo abertos. E cheirem o nosso hálito.” Simpático ou não, a primeira Igreja de cento e vinte “bêbados embriagados” do Espírito realizou um chamado no altar, e três mil pessoas vieram a Cristo.

Temos de ver isso acontecer em alguns de nossos cultos. Eu amaria ver a unção de Deus nos arrasar e à igreja. Eu amaria ver as pessoas cambaleando no templo simplesmente transbordando de óleo. Eu posso lhe dizer isto: nós não pareceríamos sãos, não pareceríamos normais e certamente não seriamos considerados “atraidores do público”, mas um culto como aquele só pôde acontecer porque Deus apareceu. O que você escolheria – limpar o carpete ou limpar o coração; um penteado bonito ou uma oleosa, mas perfumada bagunçai

MANTEMOS NOSSA COMPOSTURA A CUSTO DE NOSSAS CONVICÇÕES

Será que você fica chocado quando eu digo que o mundo está cansado da “igreja normal”? Ela pode ser tudo o que temos, mas não tem feito o seu trabalho. Não estou dizendo que precisamos nos tornar um bando de fanáticos insensatos, mas a verdade é que nossa maior tentação é o desejo de manter nossa compostura a custo de nossas convicções.

Nós não somos o que deveríamos ser, e não estamos fazendo o que deveríamos fazer. Por quê? Porque achamos que temos uma reputação a manter. As reputações não significam nada para Deus. Estou pensando em um Rei que esvaziou-Se a Si mesmo e tomou a forma de servo para que pudesse fazer o que precisava fazer. – (Veja Filipenses 2:7). Você não pode buscar a face d’Ele e salvar a sua. Você deve perder sua dignidade na busca pela divindade d’Ele.

Francamente, tenho notado que precisamos destes cultos imprevisíveis que nos forçam a perder nossa compostura, porque esta é frequentemente a única maneira pela qual permitiremos que Deus rompa algo.

Novamente, você deve perder sua dignidade em busca da dignidade d’Ele. Quando o povo de Deus se compromete a ver os céus abertos em sua igreja e cidade, eles se tornam grávidos com os propósitos de Deus. Essas pessoas irão, inevitavelmente, terminar numa “sala de parto” quando a matriz divina do Céu se abrir para liberar a glória de Deus.

Se você já esteve lá, deixe-me assegurá-lo de que a típica sala de parto não é um lugar de compostura. Eu estive lá de verdade como um espectador (minha esposa era quem ia dar à luz). Aprendi em primeira mão que uma mulher vai à porta da morte para trazer de volta a vida. Da mesma maneira, o Calvário não era um lugar de compostura. Foi um solo sangrento de parto no qual o Filho de Deus desceu à sepultura e voltou para nos trazer nova vida.

TEMOS EVITADO A CRUZ E REDUZIDO O CUSTO DO COMPROMISSO

A “igreja com uma reputação” tem tentado formular “Salvação num pacote” onde convertidos simplesmente andam até a frente e apertam a mão de alguém num evento organizado e arrumado. Às vezes, as igrejas até mesmo providenciam lenços para secarem as lágrimas que podem ou não se formar 110 olho de alguém. Entendo o pensamento atrás de tudo isso, mas tenho uma imagem persistente de como nossa Salvação foi originalmente entregue. Continuo vendo o Cristo esbofeteado despojado em vestes ensanguentadas, e penso comigo mesmo se temos exageradamente evitado a cruz e reduzido o custo do compromisso. Ele morreu despido, indicando uma perda total de dignidade. Mesmo prestes a morrer! Ele perdeu Sua dignidade e nós buscamos preservar a nossa.

Deus está ativamente cortejando nosso amor, mas pensamos que as coisas se tornam bagunçadas demais da maneira que ocorre. Queremos reduzir o avivamento até que ele possa ser oferecido às pessoas num pacote simples, embalado a vácuo e produzido em massa e que seja agradável e arrumado. Infelizmente, para o orgulho do homem, algumas das coisas que fazem Deus se sentir confortável, tendem a fazer os homens incrivelmente desconfortáveis.

Quando é que alguém vai arcar com a responsabilidade e dizer: “Derrame o óleo em mim até atrapalhar o meu cabelo e escorrer em tudo que eu tocar. Encharque-me em Sua presença até que tudo que estiver em minha volta se torne uma bagunça ungida e eu nem mesmo pareça ou aja da mesma maneira. Desabilite-me com o Seu toque até que eu manqueje. Isso vai mudar a maneira que meu irmão olha para mim. Despeje sobre mim”? Deixe-me tropeçar da sala mais alta até as mais baixas ruas. A “sala de parto”, chamada de sala superior, produzia discípulos descompostos para mudar o mundo para sempre.

ESQUEÇA ATALHOS: MANTENHA A COISA PRINCIPAL COMO PRINCIPAL

Não se preocupe em procurar atalhos para o avivamento ou para a revelação da glória de Deus. Se você quer dedicar-se a Deus, então terá que fazê-lo da maneira que eles O atraíram e venceram, e O perseguiram e O buscaram no passado. Não há nenhum novo método ou caminho para o avivamento. Nós só temos de redescobrir a receita original de Deus e parar de fazer coisas sem fundamento. Temos priorizado a coisas de menor importância por tanto tempo que perdemos a dedicação ao próprio Deus. Deixe-me compartilhar com você um sábio conselho que meu pai me deu: O principal é manter a coisa principal como principal. O principal é Ele. A centralidade de Cristo!

Cantares de Salomão revela o real propósito da unção. O Noivo chama Sua Noiva e diz: “Quanto melhor é o teu amor do que o vinho, e o aroma dos teus unguentos do que toda sorte de especiarias!” – (Cantares de Salomão 4:10). A verdadeira unção deveria fazer Deus dizer à Sua Noiva, à Igreja: “O seu cheiro conquistou meu coração.” Há algo sobre a unção perfumada na oração, no louvor e na adoração dos santos que fascina Deus.

Se pudermos direcionar a doce fragrância da nossa unção e do nosso sacrifício de louvor para cima em direção ao Céu, ao invés de horizontalmente na direção um do outro, deveremos ver os céus abertos. Há pelo menos 131 referências para “ungido, ungindo ou ungir” no Antigo Testamento:

1. A maior parte das referências do Novo Testamento indica a unção de Jesus para Seu ministério, morte e sepultamento como o Cordeiro de Deus, o Sacrifício Divino. – (Veja Marcos 14:8; 16:1; Lucas 7:46).

2. Às vezes, ela significa a autorização para o homem fazer trabalhos divinos entre os homens (ou de reis para governar sob a autoridade de Deus). – (Veja Lucas 4:18; Atos 10:38).

3. Às vezes ela significa o selo de Deus sobre os homens. – (Veja 2 Coríntios 1:21).

4. Ela revela o poder de Deus para curar ou libertar – representando uma medida da virtude de Deus emprestada para trazer glória a Ele e a Ele somente. – (Veja Marcos 6:13; João 9:6; Tiago 5:14-15).

5. Em raras ocasiões, é a maneira de Deus separar e abençoar pessoas ungidas (como Jesus) para devoção total à justiça e às coisas de Deus. – (Veja Hebreus 1:9).

6. Na epístola de João, é um dom que recebemos de Jesus que habita em nós e nos ensina todas as coisas. – (Veja 1 João 2:27).

NÓS PROSTITUÍMOS A UNÇÃO PORQUE QUEREMOS CHEIRAR BEM

O principal propósito da unção tanto no Antigo quanto no Novo Testamento era separar as coisas e o povo, e fazê-los aceitáveis a Deus (e ocasionalmente para reis). Infelizmente, tendemos a prostituir a unção porque queremos cheirar bem para todos os demais.

De acordo com o capítulo 2 do livro de Ester, depois que a esposa do rei Assuero da Pérsia se recusou a mostrar-se aos convidados do banquete dele, cheio de bêbados, ele iniciou uma busca em todo o reino por uma nova rainha. Certa moça judia, cujo nome era Ester, foi selecionada para ser uma das candidatas para o harém do rei. Como eu disse em Os caçadores de Deus, Ester e as outras candidatas passaram “um ano em preparação para uma noite com o rei.” – (Tommy Tenney, Os Caçadores de Deus, Editora Dynamus, p.62).

Ester passou seis meses impregnando-se em óleo de mirra, e seis outros meses embebendo-se em outros aromas suaves somados para se purificar e preparar para uma noite com o rei. Apenas uma das candidatas veria o rei uma vez e raramente ou nunca o veria novamente. A Bíblia diz: “O rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e ela alcançou perante ele favor e benevolência mais do que todas as virgens; o rei pôs-lhe na cabeça a coroa real e a fez rainha em lugar de Vasti.” – (Ester 2:17).

Ester também “alcançava graça aos olhos de todos quantos a viam.” – (Ester 2:15). Você pode imaginar como Ester estava perfumada após passar um ano embebendo-se em óleo ungido? Ele estava em suas vestes e impregnado em sua pele e cabelo. Ela deixava uma nuvem de incenso por onde andava. O cheiro da preciosa mirra estava nela. Quando percorria o palácio, todo homem por perto levantava suas sobrancelhas para ela e dizia: “Oh, olhe! Olhe para Ester.”

ESTER ESTAVA BUSCANDO A APROVAÇÃO DO PRÓPRIO REI

Eu não acho que Ester retornou um único ou piscadela de flerte. Ela não quis desperdiçar todo o tempo que havia gasto na unção somente para ganhar a aprovação dos homens. Ela estava buscando a aprovação do próprio rei. Será que podemos dizer o mesmo da Igreja, a Noiva de Cristo? Temos crescido acostumados a vestir a unção de Deus para ganhar a aprovação da corte do Rei em vez do próprio Rei. Nos dias de Moisés, a unção era reservada para as coisas de Deus e carne santificada ou separada. Ungir qualquer outra coisa era pecado. Muitas pessoas desperdiçam a unção em carne não santificada e não arrependida para ganhar a aprovação do homem. Se a raiz for um coração orgulhoso, corrupto e não arrependido, a unção poderá fazer a carne apodrecida cheirar melhor somente por algum tempo.

Se você é um pregador, um professor, um líder de adoração, ou ocupar qualquer cargo de responsabilidade no corpo local, não desperdice a preciosa unção de Deus para buscar a aprovação do homem. Use-a para preparar a Noiva para o Rei.

O propósito da unção é unir Deus e o homem em santa comunhão. Moisés sabia a diferença entre a unção e a glória. Ele teve a unção de Deus. Ele conhecia a emoção de operar milagres, sinais e maravilhas por intermédio da unção. Moisés tinha uma boa coisa, mas pediu a Deus a melhor coisa. Ele disse: “Por favor, mostre-me Sua glória.” – (Êxodo 33:18).

Tenho de admitir, eu me sinto da mesma maneira que Moisés sentiu – apesar de nem se comparar o meu ministério com o dele. As evidências do poder de Deus na unção não mais são suficientes. Os dons, as bênçãos e provisões de Suas mãos são apreciáveis, mas eu quero mais. Eu O quero. Eu desejo ver Sua glória e habitar em Sua presença manifesta mais do que eu desejo as bênçãos de Suas mãos.

Como Moisés, temos a oportunidade de ir além da onipresença e da unção de Deus para ver a glória de Deus. Nosso espírito foi instantaneamente transformado em nova criatura pela Salvação, mas ainda precisamos fazer algo sobre nosso corpo manchado- de-pecado e nossa alma suja, antes que Deus possa nos expor a Sua glória resplandecente. O sangue de Jesus cobre nosso pecado e nos preserva da morte, mas isso não significa que somos particularmente atraentes para Deus, sem a cobertura da nuvem perfumada da adoração arrependida e quebrantada.

A GLÓRIA DE DEUS PAIRA POR TRÁS DA PORTA DE ENTRADA ENCHARCADA DE SANGUE DO ARREPENDIMENTO

Não era permitido a Moisés ver a glória de Deus até que sua carne tivesse morrido. Como mencionei repetidamente em Os caçadores de Deus, meu primeiro livro, o equivalente da morte no Novo Testamento é arrependimento. Podemos não gostar disso, mas a glória de Deus paira por trás da porta de entrada encharcada de sangue do arrependimento. Se quisermos entrar na glória manifesta da presença de Deus, teremos de passar através da porta chamada arrependimento. Gostamos de evitar o arrependimento dizendo que tudo foi resolvido no dia em que recebemos Jesus. Sim, o Senhor fez a parte d’Ele na cruz, mas você e eu ainda não terminamos. O arrependimento é uma necessidade diária e contínua na vida de todo discípulo de Cristo. Esta é a razão pela qual Jesus disse: “Se alguém quer vir após Mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz (morra para si mesmo pelo arrependimento diário) e siga-Me.” – (Lucas 9:23). (Parênteses e maiúsculas acrescentados pelo autor). Gostamos de ocupar posições pomposas atrás de nossos púlpitos, apontar para o mundo sufocado com o pecado e ordenar que eles se arrependam. Será que um dia vamos aprender que nunca seremos capazes de forçar o mundo ao arrependimento – especialmente quando os mesmos problemas que existem dentro da igreja são os que existem no mundo? Estamos em pé numa falsa plataforma de hipocrisia que brevemente irá desmoronar. A Igreja não deve mais apontar na direção do arrependimento; devemos ir à frente do caminho com estilo de vida de arrependimento. Devemos abraçar o arrependimento como um corpo.

Deus usa Sua unção para nos treinar, limpar, curar e preparar para Sua presença manifesta de maneira semelhante à que os empregados do rei prepararam Ester para o rei da Pérsia. Finalmente, a unção nos leva de volta ao altar de Deus e ao lugar de arrependimento. O arrependimento, por sua vez, pode introduzir a própria glória de Deus.

A UNÇÃO É SOBRE NÓS; A GLÓRIA É SOBRE ELE

Se você é ungido, vai pregar melhor, orar melhor, ministrar melhor e adorar melhor e com maior liberdade, mas este não é o maior propósito de Deus. A unção é totalmente sobre nós, mas a glória é totalmente sobre Ele. A unção se refere ao que Ele derrama, unge ou coloca sobre nós para nos ajudar a fazer Sua vontade. Às vezes, ela age como um “perfume” para nos preparar para a intimidade, como no caso de Ester. Quando a unção de Deus repousa sobre você, ela faz com que tudo que você faça seja melhor. Não importa se você prega, canta, testemunha, profetiza, ora ou ministra aos bebês. Quando a unção vem sobre você, ela habilita seus dons, talentos e chamados com o poder de Deus. No entanto, isto ainda é a unção e ela repousa sobre a carne.

A glória é diferente. Quando a glória de Deus vem, você repentina e claramente entende por que Deus disse: “a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus.” – (1 Coríntios 1:29). Uma tradução mais literal dessa passagem pode ser: “Nenhuma carne se glorie ante a face de Deus.” Eu posso testemunhar por experiência pessoal e provar pelas Escrituras que no momento em que a glória vem, sua carne não consegue fazer nada. Você já percebeu que sempre que as pessoas têm um “encontro com Deus” na Bíblia, elas geralmente terminam com o rosto em terra? Isto é porque eles não tiveram realmente uma escolha. A diferença entre a unção de Deus e a glória de Deus é como a diferença entre uma pequenina faísca azul de eletricidade estática e a força bruta de uma linha aérea de 440 volts de força ou uma descarga de raio sobre sua cabeça. Estamos tão ocupados esfregando nossos pés no carpete das promessas de Deus e dando uns aos outros pequeninas chamas azuis de unção que não percebemos que Deus quer nos sacudir com Sua linha de glória de 440 volts do Céu. O primeiro pode emocioná-lo um pouco, mas você sente que o último pode matá-lo ou mudar sua vida para sempre.

A UNÇÃO POR SI MESMA NÃO FARÁ O SERVIÇO

Eu amo a unção de Deus e me sinto grato por todo dom bendito que Ele nos deu. Ainda assim, estou convencido de que a primeira escolha de Deus é que busquemos por Sua face generosa em vez de Sua mão de unção. Tenho passado a maior parte da minha vida na igreja (múltiplos cultos, até cinco dias por semana, desde a infância). Pessoalmente, já tive pregações e cânticos ungidos o suficiente para durar por duas vidas. É bom e emocionante, mas eu tenho de lhe dizer que a unção por si mesma não fará o serviço. Devemos ter a presença manifesta do próprio Deus à mostra para o mundo.

DEUS QUER UMA IGREJA QUE TENHA OLHOS SOMENTE PARA ELE

A falha em discernir entre o bom e o melhor pode nos levar a realizar negócios desiguais. Ester se recusou a negociar a aprovação de piscadinhas dos homens na corte do rei em troca do favor do próprio rei. Como resultado, o rei disse a Ester bem na frente do seu (de Ester) inimigo (A.D. da revisora): “Qual é a tua petição? E se te dará. Que desejas? Cumprir-se-á, ainda que seja metade do reino.” – (Ester 5:6). Deus está procurando por uma Igreja-Noiva que tenha olhos somente para Ele. Então, Ele Se regozijará em lhe dar a chave da cidade e a vida da nação.

Não cometa o erro de prostituir a unção para atrair o homem para que sua igreja possa crescer. Apenas diga: “Eu me importo mais com a presença d’Ele do que com Seus presentes. Eu dou mais valor à ‘glória’ do que ao crescimento.” Não, isto não é uma heresia. Minha Bíblia não tem sequer um único exemplo de Deus agindo preocupado com o tamanho de Sua Igreja. Se as coisas forem certas, você não tem de se preocupar sobre o crescimento da igreja. Apenas seja sério em buscá-Lo. Esteja perfumado com a unção e adore-O tão intensamente que você não se importe com quem esteja ou não no lugar.

Concentre-se no objetivo de escancarar os céus para contemplar Sua glória sobre sua cidade e nação. É fácil distinguir as igrejas que têm aprendido como enfocar a unção verticalmente para o favor de Deus ao invés de horizontalmente na direção dos homens. Basta olhar as pegadas cheias da glória de Deus direcionando para as suas portas.

Estas tiveram uma visitação.

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CONHECENDO ACALCULIA E DISCALCULIA

Os discalcúlicos têm inteligência dentro dos padrões ou até acima da média, mas encontram problemas unicamente com o conhecimento matemático

Conhecendo acalculie e descalculia

“Sou uma professora de Matemática atípica, porque só consigo resolver uma equação ou conta usando papel e lápis, ainda faço contas usando os dedos e para gravar qualquer informação eu preciso escrever.” Relato da professora de Matemática Ana Maria. Assim como muitas crianças e adolescentes, a professora teve sérios problemas com o aprendizado matemático por mudar constantemente de escola. Entretanto, essas dificuldades foram passageiras, não impossibilitando a continuidade nos estudos e, principalmente, não interferindo na sua escolha de graduar-se em Matemática.

Hoje, infelizmente, encontram-se muitas crianças que apresentam dificuldades de aprendizagem em Matemática por diversos motivos, como de ordem psicossocial, pedagógica e outras que, infelizmente, possuem um distúrbio neurológico relacionado com a aquisição da linguagem matemática. Esse distúrbio é conhecido por discalculia.

Discalculia vem do grego e significa dis + calculo, ou seja, dificuldade ao calcular. Os discalcúlicos apresentam dificuldades específicas em Matemática, como tempo, medida, resolução de problemas etc. Acomete pessoa de qualquer nível de QI, logo, é importante salientar que o discalcúlico tem uma inteligência normal, ou até acima da média. Seu problema está relacionado unicamente com o conhecimento da Matemática.

Até o momento, não existe uma prevalência maior em meninos ou meninas e acredita-se que cerca de 5% a 7% da população tenham discalculia.

Esse distúrbio não acontece por falha no sistema de ensino, por problemas psicológicos, como, por exemplo, a separação dos pais, perda de um ente querido ou por recorrente mudança de escola/cidade, como ocorreu com a professora Ana Maria.

A discalculia não é oriunda de problema emocional, pedagógico e social, pois nesses casos seria considerada uma dificuldade de aprendizagem em Matemática, algo transitório. Vale destacar, também, que a discalculia não é ocasionada por um dano cerebral, como o acidente vascular cerebral ou alguma outra lesão no cérebro. Em tais casos, a perda das habilidades matemáticas decorrente desses problemas é conhecida como acalculia.

Acalculia é a perda das habilidades que já estavam consolidadas e em desenvolvimento, Segundo Garcia, as lesões estão relacionadas ao hemisfério esquerdo parieto-temporal e parieto-occipital, e afetam o raciocínio lógico. As características da acalculia são o prejuízo na leitura e escrita de números; cálculo mental; disposição espacial dos números, como alinhar os números em uma coluna; dificuldade de saber quantas semanas tem o ano; dificuldade de saber qual número é maior ou menor; dificuldade de ler e escrever os números de complexidades diferentes.

Segundo Rosselli e Ardila, os estudos demonstram associação entre acalculia e afasia. Afasia é a perda da fala ou da articulação das palavras. A acalculia também se torna mais visível em adultos e idosos que sofreram acidente vascular e traumatismo craniano. Nesse caso, a intervenção deverá seguir o mesmo critério que se utiliza para crianças e adolescentes, adaptando as atividades de forma a contemplar a necessidade do indivíduo adulto. Até o momento, não se sabe ao certo o índice de pessoas com acalculia, pois o seu diagnóstico se confunde com outras comorbidades, como afasia, apraxia e síndrome de Gerstmann.

Desse modo, compreender a diferença entre discalculia e acalculia é importante para ajudar a criança e o adolescente de forma eficaz. Assim, a acalculia é uma comorbidade adquirida, diferente da discalculia, cuja definição se baseia em critérios comportamentais e de exclusão, não existindo, ainda, claros marcadores biológicos para o diagnóstico clínico. Contudo, estudos recentes demonstram que um dos fatores tem procedência genética. Cerca de 40% das crianças e adolescentes que têm discalculia podem ter dislexia, porém isso não é uma regra, já que é possível apresentar diversas patologias ao mesmo tempo, como apresentar hiperatividade e discalculia, dislexia e discalculia e assim por diante.

Todavia, discalculia e acalculia vão além de problemas relacionados com a Matemática. São de origem psicossocial, pois a criança que apresenta essas comorbidades tem toda sua vida desestruturada, com prejuízos sociais, emocionais e psicológicos.

Ladislav Kosc teria descoberto a discalculia em 1974. Na época, ele classificou a discalculia em seis tipos:

VERBAL – dificuldades para nomear as quantidades matemáticas, os números, termos, símbolos e as relações;

PRACTOGNÓSTICA – dificuldade para enumerar, comparar e manipular objetos reais ou em imagens, matematicamente;

LÉXICA – dificuldade na leitura dos símbolos matemáticos;

GRÁFICA – dificuldade na escrita de símbolos matemáticos;

IDEOGNÓSTICA – dificuldade em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos;

OPERACIONAL – dificuldade em fazer cálculos e na execução de operações.

A neurociência nos mostra que vivência, motivação e estímulos ativam as conexões cerebrais, auxiliando o processo de aprendizagem referente à Matemática. Estudos neurocientíficos demonstram que existe uma parte do cérebro especializada em reconhecer números. Esses estudos ainda não foram concluídos, mas os estudos de neuroimagem funcional apontam que as áreas responsáveis podem ser as seguintes: parte inferior esquerda do lobo parietal, que é a área cerebral responsável pela representação de domínio específico de quantidades, das funções verbais, espaciais e do foco de atenção para a resolução de operações de quantidades, grandezas, proporções e números. A primeira rede neural tem a participação do lobo frontal inferior esquerdo e do giro angular bilateral, áreas envolvidas na representação linguística (símbolos numéricos, conceitos e regras), que são ativadas durante tarefas de cálculos exatos e funcionam de suporte no gerenciamento de operações aritméticas sucessivas que envolvem a participação de memória operacional e rotinas de memória verbal. O suco intraparietal bilateral é a estrutura anatômica-chave envolvida na realização de todas as tarefas de natureza numérica, juntamente com outras áreas como o giro angular esquerdo, o córtex frontal medial bilateral e o sistema parietal bilateral póstero-superior.

Não basta só conhecer as áreas cerebrais ou a neurociência, neurobiologia, tudo isso é importante, mas, acima de tudo, é preciso levar em conta que nem todos aprendem da mesma maneira e que existem, segundo Gardner, várias formas de inteligência, como a musical, lógico-matemática, interpessoal, linguística etc. É necessário aceitar que cada pessoa é diferente da outra, respeitar as limitações de cada uma e procurar ajudar essas crianças e adolescentes a terem um aprendizado significativo e de sucesso.

QUANDO SURGE

A discalculia torna-se aparente durante o segundo ou terceiro ano do ensino fundamental. Entretanto, desde a educação infantil a criança já apresenta dificuldades em compreender símbolos numéricos, algarismos arábicos e valores cardinais. Quando associado a um QI elevado, a criança consegue acompanhar o mesmo nível dos seus colegas durante os primeiros anos escolares, e o problema só vai se manifestar após o quinto ano de escolaridade.

Independentemente de ter discalculia, acalculia ou dificuldades de aprendizagem em Matemática, é importante um diagnóstico precoce, que aumenta as chances de sucesso na intervenção e minimiza os efeitos deletérios, como o abandono escolar e a depressão. As dificuldades específicas de cada indivíduo devem ser mapeadas, e torna-se necessário o planejamento de um ensino eficiente e direcionado às dificuldades específicas do discalcúlico, um professor dedicado e uma família acolhedora.

Os critérios de diagnósticos da discalculia são pautados nas dificuldades apresentadas pelas crianças e adolescentes, devendo ser levado em conta se as dificuldades persistem por mais de seis meses; se estiverem substancial e quantitativamente abaixo do esperado para a idade cronológica da pessoa, conforme testes padronizados; se as dificuldades se iniciarem durante os anos escolares, especialmente desde a pré-escola, sendo necessário documentar essas dificuldades. No entanto, o diagnóstico deve ser feito idealmente após o segundo ou terceiro ano do ensino fundamental. Importante lembrar que essas dificuldades não podem ser explicadas por deficiências intelectuais.

O diagnóstico deve ser feito através de uma equipe multidisciplinar (fonoaudiólogo, psicopedagogo, psicólogo, neuropediatra, neurologista, pedagogo e pediatra). Porém, para que esse diagnóstico ocorra é necessário que a criança já tenha sido exposta ao conhecimento matemático.

As crianças com discalculia conseguem entender alguns conceitos matemáticos, mas têm grande dificuldade em trabalhar com números, fórmulas e enunciados. Elas podem reconhecer e compreender símbolos matemáticos, mas vai ser difícil resolver um problema. Algumas dificuldades apresentadas pelo discalcúlicos: visualizar conjuntos de objetos dentro de um conjunto maior; conservar a quantidade, o que a impede de compreender que 1 quilo de café é igual a quatro pacotes de 250 gramas; compreender os sinais de soma, subtração, divisão e multiplicação (+, –, ÷ e x); sequenciar números, como, por exemplo, o que vem antes do 13 e depois do 15 (antecessor e sucessor); classificar números; montar operações; entender os princípios de medida; lembrar as sequências dos passos para realizar as operações matemáticas; estabelecer correspondência um a um, ou seja, não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras; dificuldade de compreender os números cardinais e ordinais. Entretanto, pessoas que têm acalculia também apresentam, às vezes, as mesmas características. O que irá fundamentar o diagnóstico são os exames de neuroimagem e os relatos médicos. Até o momento, não existe cura para essas comorbidades, mas a intervenção eficaz, estimulação e reabilitação pedagógica, psicopedagógica e psicológica, com atividades para reaprender ou contornar as dificuldades relacionadas à Matemática, proporcionarão um tratamento adequado, lembrando que devem ser pautadas nas necessidades individuais de cada um.

 RECURSOS

A intervenção para discalculia, acalculia e dificuldades de aprendizagem deverá ser pautada em recursos materiais (uso de calculadoras, jogos e atividades lúdicas, caderno quadriculado, imagens, contação de histórias, questões claras e objetivas etc.); recursos metodológicos (métodos, técnicas de ensino organizativas, planejamento, adequação de conteúdos e avaliativas); recurso multiprofissional (fonoaudiólogo, psicopedagogo, psicólogo, neurologista, neuropediatra, pedagogo, psiquiatra, terapeuta etc.).

Sem a intervenção adequada, as crianças podem arrastar, ao longo de sua vida, sérias dificuldades aritméticas, daí a importância e a necessidade da realização de uma intervenção precoce e eficaz. Desse modo, a intervenção deve se pautar nas características peculiares de cada indivíduo, de modo a reabilitar seus comprometimentos aritméticos e potencializar as habilidades já apresentadas.

Não é insistindo na mesma coisa feita em sala de aula e repetindo o conteúdo que a criança irá aprender Matemática. É preciso ensinar a criança a aprender a manipular os números de diferentes perspectivas, evitando procedimentos rotineiros, e um ensino mais prático do sentido do número e com um tempo maior para desenvolver a atividade. O aprendizado acontece de maneira lenta, logo a compreensão sobre as habilidades matemáticas é dificultada, e um novo olhar, uma alteração nas ações em sala de aula podem minimizar tais dificuldades.

Valorizar os conhecimentos e habilidades conquistados durante o processo de aprendizagem, mostrando as barreiras já vencidas, é uma ferramenta para despertar o interesse em aprender, e isso trará de volta a autoestima e bem-estar dessas crianças e adolescentes. É preciso intervir, motivar, estimular e cuidar para que esses alunos não se sintam impotentes diante do aprendizado, criando uma relação afetiva que contribua para o desenvolvimento educacional desses alunos. O professor será um mediador entre a teoria e a prática em sala de aula, e ajudar os colegas a respeitar a individualidade dos alunos com discalculia será a sua tarefa. Os discalcúlicos precisam de apoio, afetividade e socialização.

 ALFABETIZAÇÃO

A Matemática é uma linguagem, e como tal a criança precisa ser alfabetizada matematicamente. A criança que compreender a relação da Matemática com a vida não terá medo, e sim desejo de descobri-la. Segundo Luria, é fundamental existir a habilidade visuo- espacial, tanto para o cálculo quanto para o desenvolvimento das operações aritméticas, e ainda para a distinção entre aspectos procedurais (regras/procedimentos) e conceituais (que são compreendidos) envolvidos na Matemática.

Desse modo, crianças e adolescentes com acalculia e discalculia podem e devem utilizar dos recursos visuais para adquirirem as habilidades e competências matemáticas. Por isso, os jogos de tabuleiro e on-line são tão utilizados na intervenção. Aprender com a ludicidade significa construir conhecimentos por meio de vivências prazerosas e potencialmente significativas, tendo o jogo, o brinquedo e a brincadeira como base da aprendizagem. Através dos jogos, é possível reforçar conhecimentos e habilidades conquistados e valorizá-los durante o processo de aprendizagem, mostrando as barreiras já vencidas. É uma ferramenta para despertar o interesse em aprender e isso trará de volta a autoestima e o bem-estar dessas crianças e adolescentes.

Para que crianças aprendam a fazer a leitura do mundo através da Matemática será fundamental compreender os fundamentos do discurso matemático (palavras, sinais, símbolos, procedimentos, habilidades etc.) e como aplicá-los para resolver problemas em uma variedade de situações, entendendo, assim, sua função social.

As crianças que conceituam o número (para tal é necessário trabalhar: correspondência, comparação, sequenciação, classificação, seriação, ordenação, inclusão de classe, conservação e enumeração) não terão dificuldades nos anos advindos. Claro que é preciso levar em conta as experiências, vivências e o meio social que a criança está inserida, pensando se a mesma está sendo estimulada e motivada ao aprendizado.

Isso posto, devemos utilizar o brincar, o lúdico, imagens, jogos e brinquedos, com a finalidade de auxiliar o processo ensino-aprendizagem das crianças e adolescentes, pois quando a criança compreende a função social da Matemática ela acaba desmistificando a fábula de que a Matemática é para poucos e de que não serve para nada.

OUTROS OLHARES

 UMA NOVA CHANCE PARA 4 ESPÉCIES AMEAÇADAS

Uma nova chance para 4 espécies ameaçadas.

 

Uma nova chance para 4 espécies ameaçadas.png

ARARA-AZUL-GRANDE

Um exemplar de arara-azul-grande nasceu no zoológico de Curitiba (PR), tornando-se o quarto da espécie a ser gerado no local. Na imagem, os pais observam o filhote, que está com 4 meses. A ave, típica do Pantanal e da Amazônia, é vulnerável na escala de risco de extinção, pois está ameaçada pelo desmatamento e pelo comércio clandestino.

Uma nova chance para 4 espécies ameaçadas. 2

GUEPARDO

Também conhecido como chita, o felino africano em situação vulnerável foi abraçado pelo Zoológico Nacional Smithsonian, em Washington, que investe 350.000 dólares por ano no cuidado e na reprodução do animal. Desde 2007, já nasceram 56 filhotes no local, dos quais 44 sobreviveram.

Uma nova chance para 4 espécies ameaçadas. 3

RINOCERONTE-NEGRO

Criados em um zoológico da República Checa, cinco rinocerontes-negros foram levados para Ruanda, onde serão liberados em um parque que replica seu hábitat e já conta com vinte outros animais desse tipo. A espécie, vítima da caça e da captura para exibição na Europa, está extinta na África.

Uma nova chance para 4 espécies ameaçadas. 4 

PANDA-GIGANTE

Além do esforço de diversos países para reproduzir o animal em cativeiro, o panda­ gigante saiu da lista de ameaçados de extinção em 2016 para entrar na de vulneráveis graças ao investimento chinês na plantação de bambus, o principal alimento do bicho: foram cinquenta anos até esse resultado.

GESTÃO E CARREIRA

A CRIPTOMOEDA DO FACEBOOK

Em um consórcio com gigantes dos meios de pagamento e da tecnologia, a rede social entra em um novo capítulo da sua história com o desenvolvimento da Libra

A criptomoeda do facebook

O mítico Satoshi Nakamoto, que lançou o “manifesto” do Bitcoin em uma lista de emails de criptografia em 2008 e liberou, alguns meses depois, o código aberto da moeda virtual talvez não imaginasse que sua invenção fosse capaz de atrair tantos seguidores ilustres. O fato, porém, é que as criptomoedas deixaram o submundo da internet e saíram das sombras. A consagração desse dinheiro misterioso veio na terça 18, quando o Facebook anunciou a criação do seu próprio meio de pagamento, a Libra. A intenção de Mark Zuckerberg é fazer com que transações e transferências financeiras sejam tão simples quanto o envio de uma mensagem de texto. Até por isso, a intenção é que ela seja compatível com os aplicativos de troca de mensagem da empresa, como o Messenger e o WhatsApp.

O anúncio da Libra rapidamente gerou tumulto entre os governos dos países mais poderosos do mundo. O G7, que reúne os mais ricos, anunciou uma força tarefa para avaliar a Libra, buscando entender como pode regular a criptomoeda, protegendo os direitos dos consumidores e evitando a lavagem de dinheiro. Nos Estados Unidos, onde o Facebook está sediado, uma audiência no Congresso foi marcada para que a empresa seja submetida a questionamentos. A intenção é bastante clara: não deixar que a rede social se torne muito poderosa e faça os bancos centrais do mundo de refém. Constituem a “associação Libra”, por enquanto, 28 parceiros que envolvem empresas de pagamentos, tecnologia e ONGs, incluindo Mastercard, Visa, Uber e eBay. O consórcio terá sede em Genebra, na Suíça, e afirma não ter fins lucrativos.

Além disso, a empresa desenvolverá a própria subsidiária para comandar o fluxo de moedas virtuais, a Calibra. A empresa garante que a carteira digital será completamente paralela à rede social, afirmando que por ser independente do Facebook, não será possível acessar o vasto banco de dados da empresa – o que garantiria ainda mais informações cruciais para manipulação certeira de produtos e marketing. Tentando tranquilizar os bancos centrais do planeta, o Facebook afirmou que a Libra terá lastro nas moedas de menor variação nos mercados financeiros, como o dólar e o euro – sem valor inicial anunciado – supostamente garantindo, dessa forma, a autonomia de política monetária dos países envolvidos. Mesmo assim, apenas a associação Libra terá o controle para “cunhar e queimar” as moedas.

 

A criptomoeda do facebook. 2

ALTA DO BITCOIN

O potencial no anúncio de Zuckerberg é muito maior do que o de dominar o mercado de criptomoedas. Com a Libra, se ela realmente for tão simples quanto uma mensagem de texto, é possível atingir públicos que não estão contemplados pelo sistema bancário, mas que possuem uma conta no Facebook. No anúncio mais recente, a empresa afirmou contar com cerca de 2.27 bilhões de perfis na rede. “A libra é mais que uma moeda. O que está por trás disso é uma infraestrutura de transação facilitada. Se as pessoas reconhecem a tecnologia, se é fácil de utilizar, então ela fará toda a diferença”, avalia Caio Ramalho, coordenador do FGVNest – núcleo de estudos em Startups e Inovação da Fundação Getúlio Vargas.

Apesar do preço do Bitcoin ter disparado desde então, foi de R$ 38 mil no dia do anúncio para R$ 50 mil na quarta-feira 26, as ações do Facebook permaneceram estáveis, com leve baixa de 0,2% no período. Isso indica cautela com a atratividade da empresa, que ainda tenta se recuperar dos escândalos de vazamentos de dados da Cambrige Analytica, com impacto nas eleições dos EUA de 2016, e de um péssimo balanço de contas divulgado em julho de 2018. Independente da aceitação futura da Libra – mero exercício de adivinhação por enquanto – Mark Zuckerberg, sob inspiração de Nakamoto, mais uma vez se coloca na posição de influenciador global, podendo mudar a forma como a sociedade se relaciona, agora impactando diretamente as relações das pessoas com o dinheiro.

A criptomoeda do facebook. 3

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 6 – NUNCA CONFIE EM ALGUÉM “QUE NÃO ANDE MANCANDO”

 

LUTANDO COM O DESTINO DIVINO

O povo de Deus precisa de mais do que outra “boa reunião” que cause arrepios de alto abaixo em sua espinha. Precisamos de um encontro com Deus que nos deixe mancos! Somos os Jacós que irão agarrar a manifestação visível de Deus e lutar com nosso destino até que sejamos mudados. Quem vai segurar Deus e dizer, “não o deixarei ir até que Você me abençoe”?

Ficando ele só; e lutava com ele um homem, até ao romper do dia. Vendo este que não podia com ele, tocou-lhe na articulação da coxa; deslocou-se a junta da coxa de Jacó, na luta com o homem. Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó; Não te deixarei ir se me não abençoares. – (Gênesis 32:24-26).

Muitas pessoas ficam se perguntando como Jacó podia usar linguagem tão imprópria e impertinente com o Deus Altíssimo.

Eu acredito que Jacó, “o segurador de calcanhar”, usou a única terminologia que ele conhecia. Ele pode ter se tomado um patriarca, mas não era um teólogo. O povo apaixonado irá buscar desesperadamente o que os instruídos dizem que não pode ser conseguido. Jacó sabia o que era uma bênção porque se lembrava do que aconteceu quando seu pai colocou a mão sobre sua cabeça: “Tudo que eu sei é que a bênção do meu pai mudou minha vida e tornou as coisas diferentes, e tenho de ter algo como aquilo novamente. A única concepção que tenho para essa mudança é chamá-la de uma ‘bênção’, então me toque. Eu tenho de ter isso. Já tive uma bênção na perspectiva terrena. Agora eu preciso de uma na perspectiva espiritual. Eu não vou deixá-Lo ir até que me abençoe.”

ISTO NÃO É NENHUMA CELESTIAL “LUZ AZUL ESPECIAL ”

Muito frequentemente, nos aproximamos de Deus com uma mentalidade de desconto de loja. Não importa se fomos até Ele por avivamento, cura física ou uma bênção financeira. Esperamos conseguir o que queremos com o preço mais barato no menor tempo possível. Eu não sei quanto a você, mas eu nunca vi Deus fazer coisas desta maneira. Gostamos de fazer fila com nossas listas de orações e petições como se tivéssemos achado alguma “oferta de luz azul” celestial. Então dizemos: “Abençoe-me.” Eu tenho começado a orar para que Deus não responda segundo nossos exatos pedidos, mas de acordo com nossa necessidade. Sabemos o que queremos – mas será que sabemos o que precisamos?

O nome de Jacó literalmente significa “usurpador” ou “enganador.” Ele foi um enganador durante toda a sua vida. Um enganador que roubou a primogenitura do seu irmão mais velho e a bênção do seu pai. Dizer que ele não era confiável seria provavelmente uma subestimação. Ainda mais que Jacó veio de uma boa família. O filho de um dos homens mais famosos da história. Ele cresceu “na igreja” porque Abraão e Isaac tinham passado a seus filhos as histórias de seus encontros com Deus. Jacó tinha um chamado na sua vida e um destino divino a cumprir, mas ele não era confiável em seu presente estado. Tudo aquilo estava para mudar com um encontro.

Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó. Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. Tornou Jacó: Dize, rogo-te, como te chamas? Respondeu ele: Por que perguntas pelo meu nome? E o abençoou ali. Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva. – (Gênesis 32:27-30).

Após uma ou duas horas de luta e esforço para ganhar vantagem, Jacó provavelmente se sentiu bastante confiante que iria receber a bênção. Acredito que ele tenha pensado consigo mesmo: “Bem, em algum momento, este ser angelical com o qual estou lutando, esta manifestação de Deus dirá: ‘Tudo bem, tudo bem, eu o abençoarei. Agora, ajoelhe-se aqui e eu colocarei minhas mãos sobre sua cabeça’.” Havia uma surpresa guardada para ele.

NÃO ABENÇOE MINHA VIDA ATRAPALHADA; DÊ-ME UMA NOVA VIDA

Jacó não precisava de outra bênção em sua vida estragada, mas necessitava de uma vida nova. Por isso, o Senhor não estendeu o braço com uma de Suas mãos aberta de bênção. Em vez disso, Ele dobrou Seu punho e bateu na coxa de Jacó com tanto poder que lhe deslocou a junta da coxa e lesou permanentemente o seu ligamento. Como resultado Jacó mancou o resto de sua vida.

Quando o irmão mais velho de Jacó, Esaú, finalmente avistou Jacó e o viu cocheando, ele provavelmente pensou: Este não é o mesmo Jacó que roubou a minha primogenitura. Ele nem mesmo anda como antes. Há humildade no seu andar; há uma nova ternura nele. Ele está diferente. Eu não posso matá-lo; aquele é o meu irmão. Ele queria matar o velho irmão, mas ele abraçou o novo Jacó. Se “abraçarmos” o ego morto e arrependido, aqueles que antes nos odiavam verão uma nova versão de nós.

Jacó provavelmente queria uma bênção que iria fazer seu enraivecido irmão mais velho submisso a ele, mas Deus o abençoou de uma maneira diferente. Ele o mudou para que seu irmão gostasse dele. É hora de a igreja mudar também.

A Igreja tem vivido pomposamente, arrogante pelas calçadas do mundo, com dedos apontados de incriminação em cada direção dizendo a todos para “consertar”. Ao mesmo tempo, temos uma trave projetando-se para fora do nosso olho com mais de 1 km de tamanho. É hora de dizermos: “Deus, eu não sei se Você vai produzir uma bênção ou uma mudança, mas alguma coisa tem de acontecer. Ensine-nos como construir tronos de misericórdia ao invés de tronos de julgamentos.”

ESTOU CANSADO DE SER TOCADO, MAS NÃO MUDADO

Precisamos ter encontros com Deus que nos deixem mudamos para sempre. Estou cansado de ir para igreja e ser tocado, mas não mudado. Devemos nos trancar na presença de Deus e dizer: “Eu não vou deixar Você ir até que algo aconteça dentro de mim e eu nunca mais seja o mesmo.”

Este é o tipo-de-mudança-de-Deus que permanentemente fere o velho homem e as velhas maneiras de fazer as coisas. Ela causa a morte de algo em nós, que marca uma mudança para melhor. As pessoas deveriam nos ver aproximando com um novo mancar, uma nova ternura nascida do dia que perdemos nossa luta de competição com Deus. Isso deveria fazer as pessoas dizerem: “Eu gosto daquela pessoa. Ela não está falando de uma posição de pomposa arrogância; ela fala como se soubesse como é vir lá de baixo.” E por isso que o meu lema é: “Nunca confie em alguém ‘que não anda mancando’.”

TODOS OS AVIVADORES TÊM LUTADO

Duncan Campbell do Hebrides revival fame (Fama do avivamento Hebrides) sabia como era “lutar com o destino e perder”. Ele disse:

Vou lhes dizer como o avivamento Hebrides começou. Ele, na verdade, não iniciou comigo aparecendo para pregar em alguma enorme convenção. Começou em meu estudo. Anos antes, fui parte do que eles chamavam Movimento Missão de Fé (Faith Mission Movement), na Inglaterra. Antes de eu me casar, pedalei minha bicicleta por toda Inglaterra espalhando o evangelho, pregando e praticando da melhor maneira que eu sabia. E aquele foi o começo dos grandes dias. Aquele foi o leito das sementes de tudo que eu consequentemente me tornei. Naquele processo, decidi voltar para a escola e prosseguir minha educação. Saí no topo da lista do reitor e comecei a ser reconhecido como o Justo Reverendo Duncan Campbell.

Campbell se tornou o pregador mais famoso da Inglaterra naquele tempo. O evento auge do mundo da igreja inglesa era uma conferência nacional anual chamada Keswick Week. Ela ainda acontece hoje, apesar de não ser tão grande como era. Somente os melhores e mais brilhantes eram convidados para falar na Keswick Week, e o Justo Reverendo Duncan Campbell era o pregador-chave desta conferência, ano após ano. Então, um comentário oportuno feito por sua filha adolescente lançou-o em um debate com Deus que mudou seu ministério – e as ilhas Hebrides – para sempre.

POR QUE DEUS NÃO USA MAIS VOCÊ COMO ANTES?

Duncan Campbell tinha em torno de 45 anos e havia entrado no que pensou ser seu auge. Estava trabalhando em seus sermões de estudo preparados para outra Keswick Week, quando sua filha de 15 anos entrou para vê-lo. Filhas são conhecidas pela habilidade de falarem a verdade sem realmente saberem o impacto do que estão dizendo. (A maior parte das coisas que aprendi de Deus, pessoalmente aprendi por intermédio das minhas filhinhas!) À medida que Duncan Campbell e sua filha conversavam, ela lhe fez esta pergunta: “Papai, por que Deus não te usa como Ele costumava usar?”

Campbell disse ao meu amigo inglês Alan: “Isso foi como me jogar um balde de água fria, pois achei que estava no auge. Quando ela me fez aquela pergunta, eu preparava sermões que afetariam toda a Inglaterra, ou assim eu pensava. Então, abaixei minha caneta e perguntei a ela: ‘Minha querida, o que é que você quer dizer?’ Ela respondeu: ‘Papai, você me contou as histórias sobre o que costumava acontecer quando você trabalhava no Movimento Missão de Fé (Faith Mission Movement). Por que Deus não faz mais aquilo com você?’ Elaborei algumas fracas desculpas e tentei falar sobre isso teologicamente para que não perdesse a pose diante da minha filha” – ele disse. “Mantive minha compostura… até que ela deixou a sala. Quando ela saiu, cai sobre o s joelhos e disse: ‘Deus, ela está certa.’ Com o rosto no carpete, chorei lágrimas quentes e disse: ‘Deus, se Você me der de volta o que eu tinha, eu farei o que Você me disser para fazer.’ Três semanas mais tarde, estava assentado no púlpito em uma conferência. Já tinha pregado e estava agendado para falar novamente. Então, Deus falou comigo: ‘Levante-se e vá para as ilhas Hebrides, para a Ilha de Lewis’.”

SE VOCÊ FOR, EU LHE DAREI

Campbell continuou: “Eu disse: ‘Deus, estou agendado para falar.’ E Ele me falou tão claramente como jamais O ouvi dizer outra coisa: ‘Duncan, no chão de sua sala de estudos, você Me prometeu que faria qualquer coisa que Eu lhe pedisse se Eu lhe desse de volta o que você tinha. Se você for, Eu lhe darei.”’

Duncan Campbell deixou o púlpito imediatamente e se inclinou diante dos congressistas para dizer: “Sinto muito, algo ocorreu. Eu tenho de ir.” Em três dias ele estava na Ilha de Lewis. Quando saiu da balsa e perguntou pelo pastor, o povo da cidade respondeu: “Não há pastor. Há somente três igrejas aqui; duas estão fechadas e uma tem reunião de senhoras idosas com o carteiro. Mas se você está procurando um homem religioso, é o carteiro a quem estará procurando.”

O carteiro era um ancião que basicamente mantinha na igreja as coisas juntas e servia como um pastor provisório. Duncan Campbell encontrou a casa do carteiro e bateu na porta, não sabendo o que esperar. O carteiro abriu a porta e imediata’ mente disse: “Oi! Senhor Campbell, você chegou bem na hora. Temos exatamente o tempo suficiente para um chá antes que a reunião comece esta noite.” Durante o chá, ele explicou: “As senhoras e eu temos orado, e Deus nos falou que você estava vindo. Seis semanas atrás, imprimi pôsteres anunciando que as reuniões começariam nesta noite.” Campbell disse ao meu amigo inglês: “Comecei a perceber, então, que Deus na realidade não precisava de mim. Ele já tinha preparado tudo isso, mas, na verdade, Ele me queria.”

Duncan Campbell lutou com Deus sobre o seu destino. Levantou do seu carpete manchado de lágrimas um homem transformado. Somente um homem “coxo” poderia ser confiável naquilo que mais tarde seria chamado “Novo Avivamento de Hebrides”. Esse avivamento nos deu um vislumbre do que poderia acontecer se Deus descesse sobre uma região inteira! Milhares vieram a Cristo sem ouvir sequer um sermão, sem ouvir um único pregador ou colocarem os pés dentro de uma igreja! E isto aconteceu aproximadamente há um século, época de pequena disponibilidade da mídia para alcançar as massas. Este lacônico e quebrantador avivamento espalhou-se por uma região inteira e foi nada menos que puramente milagroso. Ele começou nas orações quebrantadas de adoradores persistentes e lançou-se no coração de Duncan Campbell no dia em que ele lutou com Deus e perdeu.

JACÓ DEIXOU A LUTA COM UM TROFÉU PERMANENTE DE SUA DERROTA

Quando Jacó perdeu sua luta com Deus, ele foi transformado de um homem que estava inapto para levar o número um de qualquer maneira que pudesse, em um príncipe do povo escolhido de Deus. Ele lutou com Deus por seu destino e deixou a luta com um troféu permanente de sua derrota. Era a luta que ele necessitava perder para seu próprio bem. Ele precisava de uma mudança para caminhar continuamente no destino que Deus lhe ordenara. A igreja precisa de uma mudança também.

Se vamos subir para o próximo nível, devemos transferir nossa ênfase das mãos de Deus para Sua face. Eu viajo tanto que, particularmente, valorizo o tempo que passo com meus filhos. Certa vez, quando minha filha mais velha tinha seis anos, cheguei em casa e me assentei na cadeira reclinável. Então, ela veio e subiu no meu colo. Estava cansado, lendo jornal ou assistindo as notícias na televisão, mas ela estava determinada a receber a minha atenção. Então, esticou seus dedinhos gorduchos de seis anos de idade e agarrou meu rosto. Naquele tempo, ela ainda tinha um pouco do cecear22 infantil e, virando meu rosto, disse: “Paizinho, olha pra mim.”

Então ela simplesmente me sufocou em beijos, e eu lhe dei um abraço antes de tentar voltar para o meu jornal. Mais uma vez ela disse: “Paizinho, olha pra mim!”, até finalmente conseguir minha atenção. Após quinze minutos de beijos e incríveis carícias de minha filhinha de seis anos, ela finalmente derreteu meu coração. As crianças geralmente querem algo quando agem assim. Então, eu lhe dei um grande abraço e perguntei:

“Andréa, o que você quer?” Ela disse: “Nada. Eu só quero você, paizinho.” Eu lhe dei um pouco mais do meu amor e, então, ela simplesmente esfregou meu rosto com suas mãozinhas e olhou para mim com aqueles grandes olhos castanhos enquanto virava sua cabecinha para o lado. Ela selou isso tudo sorrindo e dizendo: “Eu te amo, papai.”

“Está bem, o que você quer?” – eu disse pensando que se aquilo durara tanto é porque era algo grande. Por três vezes, eu perguntei: Ό que você quer?” E, a cada vez, ela respondeu: “Nada paizinho, eu só quero você!” Finalmente, eu disse a Andréa: “Está bem, entre na ‘van.” Nós nos dirigimos para a cidade e eu disse: Ό que você quer garotinha?” Mais uma vez, ela respondeu: “Nada paizinho, eu só quero você.” Então, ela desceu na frente de uma loja de brinquedos muito famosa e seus olhos se iluminaram. Naquela hora, meu coração já estava tão derretido que tudo que eu queria era dizer: “Ok, garotinha, diga-me somente qual metade da loja você quer. Você pode ter aquela metade ou a outra, não importa.” Eu disse: “Escolha o que você quiser!”

HÁ ALGUÉM AQUI QUE SIMPLESMENTE ME QUEIRA?

Sabe o que ela escolheu? Uma pequena garrafinha de bolhas de sabão com uma varinha redonda que você sopra através dela para fazer bolha. De repente, ficou claro que ela, de fato, não queria nada. Ela somente me queria! E porque somente me queria, eu teria lhe dado qualquer coisa. Quão frequentemente, vamos aos cultos para apresentar nossas petições, profetizar isto e dizer aquilo, enquanto Deus diz: “Há alguém aqui que simplesmente Me queira?”

O nível mais alto de adoração é quando colocamos as mãos d’Ele de lado e buscamos Sua face! Sua face significa Seu favor. Nos tempos bíblicos, quando o povo não virava o rosto na sua direção, aquilo significava que você era aceito na presença dele, mas não tinha o seu favor. Absalão viveu em Jerusalém por dois anos sem ver seu pai ou estar diante da face do rei. – (Veja Samuel 14:28). Ele podia viver na cidade, mas não, entrar na sala do trono.

É possível viver no Reino e não ver a face d’Ele – usufruir a infraestrutura da cidade, a proteção dos bombeiros, da polícia -, mas não ter o favor do Rei. Por quanto tempo a Igreja tem deixado de buscar o verdadeiro favor de Deus? Temos vivido no Reino, reivindicando o que é nosso, e conseguimos! Como o Pai atendendo ao pedido egoísta do pródigo, Ele lhe deu sua porção, sabendo o que ele ia fazer com isso. É um abuso de bênçãos tirar das mãos do Pai para financiar sua jornada para fora da Face do Pai – colocando a ‘‘bênção’’ acima do “abençoador”!

Devemos amadurecer a ponto de dizer: “Não é Sua mão.” – e colocar as mãos d’Ele de lado para buscar Sua face e dizer: “Eu serei um servo” e “Eu só quero estar onde Você está.” Então, nosso louvor não será mais um autosserviço para conseguir algo; ao invés disso, começaremos a Lhe dar verdadeiramente tudo. Ao invés de “abençoe-me”, se tornará “Bendito seja Ele!” Não mais daremos para receber, mas distribuiremos por paixão.

Há uma mudança chegando, e para aquele tipo de pessoas apaixonadas, Ele dará o anel da autoridade e a veste de bênção. Ele sabe agora que eles não vão desperdiçar o relacionamento deles buscando Sua mão em vez da Sua face. Deus também está determinado a mudar a maneira pela qual “temos igreja”. Presença acima de presentes! Ele anseia pelo adorador que buscará o “Doador” mais do que os “presentes”! Você é essa pessoa? Você v um restaurador da casa favorita de Deus?

PAPAI, VOCÊ PODE SENTAR ONDE QUISER

Certa vez, eu estava fora de casa quando liguei para falar com minha filha mais nova, Andréa. Eu disse: “O que você está fazendo, garotinha?” Ela respondeu: “Estou brincando de festa do chá, papai.” E eu lhe disse: “Prepare um lugar para mim agora e faremos de conta que eu estou aí e tomaremos chá.” “Eu já fiz isso.” – ela replicou. “Bem, onde eu estou sentado?” Eu perguntei e ela respondeu: “Bem, eu não sabia, então preparei cinco lugares para você.” Aquilo derreteu meu coração.

Quanto tempo faz desde que a Igreja era tão desesperada por Ele que simplesmente dizíamos: “Pai, Você pode sentar onde quiser. Aqui, ali, não importa. Somente venha.” Eu respondi à minha filha: “Quando chegar em casa, papai vai brincar de festa do chá com você.”

Tudo isso aconteceu no meio do verão em Lousiana quando a temperatura alcançava 35°C na sombra e 95% de umidade. A casinha de brinquedo de plástico de Andréia estava no quintal, bem no sol quente. No minuto que entrei pela porta com as malas nas mãos, Andréia estava dizendo: “Venha, papai.” Eu ainda nem havia desarrumado as malas, mas precisava cumprir uma promessa. Era hora de o papai ir brincar de festa do chá.

A casinha de brinquedo dela era tão pequena que eu não tenho certeza se havia entrado ou a vestido. Minha cabeça estava sustentando o teto enquanto sentava no chão. Estava mal acomodado na casinha de brinquedo de Andréia, quando ela me deu uma pequena xícara com um comando: “Prove.” Estava com a mesa pronta esperando por mim. Assim, começamos a beber o nosso chá imaginário. Ela pegou uma xícara e disse: “Aqui, papai.” Então ela deu uma volta na mesa: “Aqui, Dolly.

E esta é para mim.” Então, ela se assentou e “bebemos” juntos. Andréa me perguntou: “Está bom?”

“Ahhh sim, está bom.” Mesmo suando no sol quente, bebericando o chá imaginário. Então, Andréa disse: “Aqui, coma alguns biscoitos.” (Eram biscoitos imaginários). Mais uma vez, ela perguntou: “Está divertido?” A verdade do fato é que eu estava em um estado deplorável, mas eu me encontrava com ela. Por isso era divertido. De modo que eu disse: “Sim, meu bebezinho, está divertido.”

Finalmente, Andréia disse: “Papai, está quente e eu sinto sede. Vamos até a casa grande pegar algo para beber.” Eu disse: “Vamos, filhinha.” Eu a levei até a casa grande e a assentei à mesa de verdade. Servi um pouco de chá gelado de verdade e me assentei lá com ela. Então ela me disse: “Agora, esta é uma verdadeira festa do chá.” Temos brincado de festa do chá em nossas casinhas de plástico também, só que chamamos isso de “ter igreja”. Estamos forçando Deus a estar confinado dentro de nossas limitadas estruturas de casas de brinquedo enquanto O alimentamos com louvor e adoração faz- de- conta. Então, olhamos para Ele e perguntamos: “Não estamos nos divertindo?”

PAPAI, ESTAMOS CANSADOS DE JOGAR JOGOS FEITOS POR HOMEM

A resposta dele é “sim”, mas isto somente porque Ele fará qualquer coisa para ter comunhão conosco. Ele até mesmo aprisionará Sua força (Salmos 78:61) para vir Se assentar conosco porque quer desesperadamente que estejamos com Ele. Mas, na verdade, Ele espera que digamos: “Papai, estamos cansados de brincar de jogos de igreja feitos por homem. Você nos levaria à casa grande para termos comunhão verdadeira?”

Estou cansado de chegar da igreja com nada mudado. Eu preferiria voltar mancando de um encontro com Deus ao invés de saltando – somente para meu destino ser diferente.

Você pode não gostar de sentimento de frustração, mas precisa entender que algumas frustrações são santas assim como certas fomes são santas; foram estabelecidas por Deus para produzir algo. Eu não disse isto; Ele disse; “Bem aventurados os que têm fome e sede.” – (Mateus 5:6).

Fome santa e frustrações santas podem produzir uma luta alteradora de destino. Você deveria experimentar perder essa luta… mas não até que esteja marcado pelo toque de Deus. O toque de Deus paralisou permanentemente o tendão da coxa de Jacó – tanto que os judeus não comeriam o tendão “de Jacó” de nenhum animal. O código de dieta hebraica proíbe comer criaturas que morreram. Deus pôs um toque de “morte” na vida de Jacó para assegurar seu futuro. Carne morta frequentemente produz destino futuro. Seu programa deve morrer para que o propósito de Deus viva.

Eu acredito que estamos tão cheios de carreiras, agendas e maquinaria feita pelo homem que temos perdido a simplicidade da presença manifesta de Deus. Precisamos desesperadamente aceitar o lema de João Batista e colocá-lo para funcionar em nossa vida: “É necessário que Ele cresça e eu diminua.” — (João 3:3 0). E tempo de gritar pelos Jacós que têm crescido tão cansados de si mesmos que vão lutar contra o seu destino até serem tocados por Deus – ainda que vão para casa permanentemente mancos e com uma eterna mudança de coração.

Mude meu coração, ó Deus! Mude meu caminho, eu oro! Toque-me com Tua vara…

Para que eu vá pelo Teu caminho.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANGÚSTIA: A PATOLOGIA DA VIDA PÓS-MODERNA

A sociedade contemporânea mudou o perfil do homem, e a Psicanálise é um caminho no qual o sujeito busca alternativas para aliviar suas dores e criar uma responsabilidade por si e também pelos outros

Angústia - a patologia da vida pós-moderna

A sociedade pós-moderna vem se transformando de uma forma galopante. O homem que a opera é um ser tomado pela sua própria ânsia de sempre se superar e está sentindo na pele os reflexos de sua criação. De um lado tem-se o avanço científico e tecnológico, que facilita a vida do homem, e de outro lado tem o dilema de ter que enfrentar os efeitos colaterais de sua própria criação.

Hoje, as pessoas se deparam com uma sociedade narcísica, onipotente, onipresente, onisciente, centrada no modelo do capitalismo selvagem, que está deixando o sujeito suspenso no estado de desamparo, pois acabou por centrar-se apenas em si mesmo, esquecendo de que existe um outro que é essencial em uma relação entre humanos. As mudanças contínuas que acontecem no mundo estão definindo o modo de ser do homem pós-moderno.

Freud, criador da Psicanálise, em sua obra memorável de 1930, coloca que o homem tem sua própria natureza de lidar com o “mal-estar da civilização”, e a forma de amenizar esse estado está centrada no estabelecimento de relações saudáveis entre os seres, que começam com as relações parentais.

Para que haja uma constituição psíquica saudável é preciso um modelo familiar equilibrado, pautado no afeto amoroso, no amparo e na lei que interdita a demanda de gozo infindável do infante. A criança nasce totalmente dependente de um adulto, este que mantém sua sobrevivência, e daí surge a constituição psíquica que se dá na primeira infância (0 a 9 anos). Isso significa que a criança precisa de uma relação afetiva que a ampare, proteja e signifique o mundo interno e externo. E nesse processo é necessário que o adulto imponha limites que protejam a criança, garantindo sua evolução física e psíquica. É o sujeito adulto que faz isso, nenhuma outra coisa substitui essa relação. Mesmo havendo o estabelecimento desses laços, as pessoas estão fadadas a lidar com as frustrações, com a dor, com a incompletude; nas relações humanas, algo sempre escapa, pois todos são seres culturais.

A cultura impõe suas condições, ninguém fica fora dela. Pode-se observar esse movimento ao longo da história da humanidade. Por exemplo, pode-se citar o modelo da sociedade vitoriana, que predominou até o início do século XX, que era um modelo de sociedade repressora, impunha valores morais rígidos, fundados no poder patriarcal. A sociedade era organizada de uma forma vertical, pois a lei maior era do “pai”, e não podia ser questionada. Essa organização social deixou seus rastros registrados nas neuroses (histeria, neurose obsessiva e fobias).

Hoje, houve uma ruptura com o modelo vitoriano. As mudanças vêm ocorrendo desde os anos 1960, abrindo novos vértices para a constituição da sociedade pós-moderna, que se pauta na liberalidade sexual, social, política e cultural da vida moderna. A modernidade impõe suas condições ao sujeito, cuja principal característica foi o individualismo. Nesse modelo o outro foi perdendo espaço e consistência, a relação interpessoal ficou diluída, liquidificada. O homem modelo é o da consciência, herdeiro do cartesianismo e do discurso das ciências. Ele se empodera do conhecimento e traz a tecnologia como instrumento de transformação.

Freud surge nessa época, anunciando que o ser não é o da consciência, é determinado por uma “coisa”, denominada inconsciente, que imputa suas ações. Ele diz que o homem é um ser de desejo e não da consciência. É uma mudança de paradigma na concepção do entendimento humano. A ideia do homem soberano, racional e detentor de todo saber é abalada. Freud anuncia que o comportamento do homem está atrelado a uma representação inconsciente que ele não domina. O movimento pulsional ultrapassa os limites da consciência, o que pode ser constatado pelos sintomas que trazem sofrimento, e este, se não consegue evitar. Esse movimento desejante é dinâmico e incessante e vai definir as características da vida pós-moderna.

O homem moderno empoderado do seu narcisismo traça o psiquismo da geração pós-moderna. Hoje, há uma busca infindável de realização de desejo. Desejo, para a Psicanálise, é diferente de vontade, é um impulso inconsciente que atende o princípio do prazer. Este, por sua vez, é insaciável, insólito, inefável. Não há limite para o gozo, tornando-o um processo mortífero que aprisiona. Essa é a característica da modernidade.

A sociedade pós-moderna se organizou horizontalmente. O poder do “pai” foi quebrado, a lei enfraquecida. Agora, os desdobramentos disso se dão pela falta de limite, incapacidade de lidar com as frustrações, desamparo, violência, empobrecimento da subjetividade e o esvaziamento interno pela falta de simbolização. É a sociedade robótica.

RELAÇÕES PARENTAIS

Psicanálise mostra que o sujeito é constituído a partir das relações parentais. Para tal é necessário que haja um adulto com afeto amoroso e uma lei que ampare e proteja esse infante. Freud denomina como uma lei primária de castração, que é primordial para que haja a organização subjetiva de um ser humano. Para que se tenha desejo é necessário que haja uma falta, e isso é o que a sociedade pós-moderna quer eliminar totalmente. Essa cultura prega que se pode ter todos os prazeres possíveis, ela fornece todos os objetos para o sujeito gozar, estão disponíveis no mercado, estão à mostra nas vitrines, nas esquinas, nas ruas; quem tem dinheiro compra, quem não tem tira de quem tem e compra. Se adoecer, também tem como comprar a cura, pois a doença está mercantilizada pelos laboratórios, que fabricam as pílulas mágicas. O consumo desenfreado, a flexibilidade das ideias e dos costumes, o pensamento fragmentado e automatizado, a falta de ideais políticos e sociais, a vulnerabilidade e o despreparo emocional abrem caminho para o desapontamento amoroso e criam uma onda de medo, dúvida e desamparo.

Esse modus operandi da pós-modernidade desfavorece a formação de laços saudáveis, instalando vínculos patológicos. Diante desse cenário, o homem depende cada vez menos do outro e instala a lei do vale-tudo. O afeto amoroso está cedendo lugar para o agressivo. Trata-se de uma sociedade que valoriza os meios e não os fins e, em consequência, os valores morais e éticos estão fragilizados e superficiais. As ofertas são infinitas para que o sujeito possa tapar os buracos deixados pelo esvaziamento da subjetividade.

A sociedade esvaziada de linguagem simbólica convoca o ato, e a objetivação ocupa o lugar da subjetivação – é o que se tem observado como sintoma da atualidade. O discurso está cedendo lugar para a imagem, para o imaginário, criando um terror sem nome que faz com que o sujeito vá para o ato para se aliviar do alto grau de angústia.

NO DIVÃ

A clínica psicanalítica está repleta de queixas referentes a mutilações, atitudes passionais, dependências químicas, consumismo, síndrome de pânico, explosões violentas, alto grau de somatizações físicas e mentais, podendo chegar no ponto máximo do ato, que é o suicídio. Recentemente, a mídia vem divulgando o jogo da Baleia Azul, no qual jovens entram em um jogo de morte, pois o máximo é tirar a própria vida. É, sem dúvida, algo preocupante, mas é preciso pensar que isso é apenas o reflexo da loucura social que está sendo produzida. Esse modelo convoca atos violentos, como morte, assassinatos e suicídios, pois acaba sendo a forma que se encontra para aliviar a dor da angústia, provocada pela impotência, da fissura, aniquilamento e falta de completude fusional dos amantes.

A sociedade está doente por falta de simbolização, de discurso de ética. É fundamental pensar novos vértices, que possam conduzir a vida humana a voltar-se para o processo de humanização. Para tanto, precisa-se de esforços interdisciplinares, pois o sujeito está acometido por comorbidades múltiplas, que favorecem a prevalência da pulsão de morte.

 RELAÇÃO SEGURA

Psicanálise é um processo terapêutico especifico, que tem como pilar o estabelecimento de uma relação segura e de confiança entre paciente e analista. Traduz-se pela transferência, pautada pela ética e conduzida pela técnica. Esse processo permite que o paciente tenha uma experiência singular e, no processo transferencial com o analista, vai encontrar um campo para se reinventar.

A transferência é um termo técnico que Freud utiliza para definir a relação paciente-analista. Nesse campo o paciente direciona para o analista as vivências de protótipos infantis experienciados com as figuras parentais. Como o inconsciente não tem tempo, espaço, limite, contradição, o analista pode trabalhar em tempo real os afetos ligados às figuras parentais, possibilitando que o sujeito faça uma reorganização psíquica.

A Psicanálise é um caminho que o sujeito pode buscar para aliviar sua dor e criar uma responsabilidade por si e pelos outros, além de novos segmentos da sociedade, como saúde, família, sociais, políticos etc. É preciso que as pessoas se movimentem no sentido de refletir sobre os danos causados ao homem, e buscar uma nova maneira de preservá-lo, porque sem o homem não se tem sociedade, não se tem nada. A sociedade está doente, sangrando, e é imprescindível união para curá-la.

OUTROS OLHARES

E ÀS CINZAS VOLTARÁS

A cremação deixou de ser tabu e é cada vez mais aceita no Brasil e em todo o mundo ocidental. Aqui, só no ano passado, houve aumento de 35%. Nos EUA, ela já é adotada pela maioria

E as cinzas voltarás

O que era impensável, cinquenta anos atrás tornou-se realidade sem que a maior parte da sociedade se desse conta: a cremação, procedimento que as pessoas viam com horror e a maioria das religiões condenava, é cada vez mais aceita no Ocidente. No Brasil, o número de crematórios aumentou 1000% nos últimos vinte anos; em apenas doze meses, entre 2017 e 2018, houve 35% mais cremações no país. “Não queria pensar no meu marido em lugar tão triste quanto um cemitério”, justifica a dona de casa Clinedora Montenegro, de Guaratinguetá – cidade do interior de São Paulo colada ao santuário católico de Aparecida -, explicando porque decidiu cremar José Sena, morto em decorrência de um câncer.

Um dos fatores da popularização no mundo ocidental de um procedimento comum no Oriente é justamente a mudança na maneira de encará-lo. O que antes era visto como crueldade, imagem reforçada pela revelação de que a Alemanha nazista sacrificou milhões de judeus em fornos crematórios, foi aos poucos sendo aceito como um método funerário digno e mais simples que o sepultamento tradicional No Brasil, contribuiu muito para isso o fato de a Igreja Católica deixar claro que cremar não é pecado, posição seguida pela maior parte das religiões (veja o quadro abaixo), Também sai mais barato. Os dois métodos partem de 3.000 reais em instituições particulares, no orçamento mais básico. Mas, enquanto cremar em alto estilo custa por volta de 9.000 reais, um enterro com tudo do bom e do melhor pode passar de 20.000 reais.

Contam ainda a favor da cremação a escassez de espaço nas metrópoles e até a correria da vida moderna. “Neste mundo acelerado, não há tempo de ficar remoendo a dor da perda”, diz José Carlos Rodrigues, antropólogo e professor da PUC-Rio. De acordo com o Sincep, o sindicato dos cemitérios e crematórios do Brasil, Porto Alegre é a capital onde a cremação é mais aceita – alcança 25% dos óbitos -, seguida de São Paulo e Rio de Janeiro. Segundo estudo da Associação de Crematórios da Grã-Bretanha, entre 2017 e 2018 o número de crematórios subiu 22% no país, 55% no Canadá e impressionantes 45% na Alemanha, que superou um tabu de décadas. Nos Estados Unidos, crema-se (50,2%) mais do que se enterra desde 2016, e a previsão é chegar a 56% no ano que vem e a quase 80% em 2035.

Responsável pelo maior crematório da América Latina e o primeiro do Brasil, o da Vila Alpina, em São Paulo, Claudio Beluna explica que a cremação requer a assinatura de dois médicos-legistas (o sepultamento só exige um) e um intervalo de 48 horas depois da morte. Removidos todos os metais, a urna é transferida para dentro de um forno à temperatura média de 1.000 graus, suficiente para fazer evaporar as células do corpo e a madeira. “A ação dura cerca de duas horas. Componentes dos ossos que resistem ao calor são colocados em outro compartimento para ser triturados”, explica Alberto Benner Júnior, superintendente do Crematório do Cemitério da Previdência, no Rio de Janeiro. Os crematórios costumam oferecer uma sala para cerimônias com o caixão presente, projeção de vídeo e trilha sonora personalizada. Ao fim, a urna é removida por elevador ou esteira, com maior ou menor pompa.

O Crematório da Penitência, no Rio de Janeiro, dispõe de columbário, um ambiente climatizado com nichos individuais para as cinzas, que podem ser decorados com flores e objetos pessoais – uma espécie de túmulo sem corpo. Pode- se inclusive acessar o espaço pela internet a qualquer momento. No Estado de Washington, na Costa Oeste americana, uma lei recém-aprovada permite que, a partir do ano que vem, os mortos sejam encaminhados para “decomposição na superfície”, em espaços preparados para transformar corpos em material de compostagem (um processo que leva, em média, quatro semanas). É a morte, ela também, adaptando-se aos ditames da tecnologia e da proteção do meio ambiente.

E as cinzas voltarás. 2

GESTÃO E CARREIRA

AS OPORTUNIDADES NA CARREIRA

Uma graduação já não é certificação especial na trajetória profissional. O investimento no processo pessoal de administração emocional pode ser um tempero mais relevante nos dias atuais

As oportunidades na carreira

Quando ouvimos a palavra oportunidade associamos naturalmente a outra que, de fato, pouco tem a ver: sorte. Esse é um pensamento muito comum entre profissionais que observam outros em plena ascensão sem se dar conta dos fatores envolvidos no processo de crescimento no ambiente institucional e como isso pode ser possível se todos ao mesmo tempo só falam de crise em diversos setores.

Alguns pontos devem ser observados, e o primeiro deles é o preparo do profissional que deseja alçar voos mais altos. O investimento deve ser apenas na direção de aquisição dos conhecimentos técnicos necessários para uma determinada posição. Lógico que isso faz parte do processo, mas, nos dias atuais, uma graduação, apenas, não é certificação que garanta um brilho especial no currículo.

Dessa forma, o profissional precisa se especializar cada vez mais. A busca por cursos livres, pós-graduações e especializações diferenciadas pode fazer toda diferença na hora da escolha de um novo gestor na organização. No entanto, o investimento no processo pessoal de administração emocional provavelmente é o tempero mais relevante quando a oportunidade sai em busca de preparo.

Sabemos que o gestor eficiente não é necessariamente um expert em todos os perfis profissionais que gere. De fato, o gestor é o elemento que consegue navegar bem entre pessoas cuidando de aspectos gerais e individuais, mantendo a equipe focada no objetivo principal. Por isso, ele é, antes de mais nada, um gestor de emoções. Cabe então ressaltar que não se pode aplicar fora o que não se tem dentro e, nesse caso, a administração emocional é um forte elemento diferenciador de um bom ou mau gestor.

As oportunidades estão sempre nas mãos das pessoas que decidem quem deve subir ou descer na empresa. Por isso, agir com ética e respeito a todos é o mínimo que se espera de alguém que deseja ser notado como preparado pela linha de comando. Deixar claro que possui ambição de crescer e que está se preparando para isso deve ser parte dos temas de conversas entre os companheiros de trabalho. Nem sempre as pessoas são concorrentes diretos, pois algumas não querem as- sumir responsabilidades, mesmo que isso possa trazer maior valor financeiro em seus contracheques.

O ambiente sempre é favorável ao crescimento. Se ocorre uma crise é necessário um novo plano de intervenções, e se o mercado está em amplo crescimento, é preciso mais profissionais de talento para gerirem a demanda. Ou seja, as oportunidades sempre estão diante de nós, que podemos ou não percebê-las como tal.

Um exemplo de aproveitamento de uma boa chance de mercado ocorreu no Rio de Janeiro, cidade sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Com a questão da acessibilidade em alta, o comércio teve de se adaptar rapidamente para prover rampas para cadeirantes. Alguns pequenos empresários criaram rampas metálicas de fácil encaixe que podem ser colocadas e tiradas das entradas das lojas todos os dias, eliminando assim o custo e a confusão causada por obras de adaptação. O resultado pode ser visto por toda a cidade com pequenas rampas de alumínio facilitando o acesso em cumprimento a uma determinação legal.

Estar atento às informações de forma ampla faz parte do empreendimento quando o objetivo é aproveitar oportunidades que nem sempre estão visíveis para todos. Pensar além do trivial pode apresentar uma rede de possibilidades, antes imperceptíveis, por ter um foco direcionado aos elementos do dia a dia. Quando não se consegue ir além do que o próprio caminho oferece, é melhor buscar um novo destino com probabilidades de sucesso.

Por isso, o trabalho emocional é provavelmente o mais importante de todos: estar bem consigo mesmo e com a autoestima no lugar é imprescindível. O investimento do preparo só irá obter resultado se houver coragem de se lançar como possível candidato à próxima promoção ou a uma nova realidade de atuação profissional que pode ser em outra instituição ou mesmo como empreendedor de sua própria ideia de negócios.

Só há destino finalizado para quem nisso acredita. Alguns aspectos são sempre importantes destacar, como manter o networking em constante crescimento, observe outras atividades fora de seu eixo principal. Muitas vezes, a oportunidade pode estar em outro modelo profissional próximo ao seu perfil de atuação. Converse mais, ouça mais, leia mais. As boas informações já existem: é somente necessário acessá-las.

Hoje, um profissional que está estagnado numa mesma posição por muitos anos pode ser considerado obsoleto se não agregar novas habilidades às suas capacidades já existentes. Procurar o crescimento não é somente uma busca por mais altas remunerações, é também uma apresentação de dinamismo e proatividade. Toda instituição, mesmo em momentos de severa crise, preserva aqueles que agregam mais valor. São esses que podem possuir a chave de ignição para o sucesso esperado por todos.

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 4 – CONSTRUINDO UM TRONO DE MISERICÓRDIA, NÃO UM TRONO DE JULGAMENTO

 

Alguns têm sido abençoados com uma visitação da presença de Deus, outros não. Mas todos nós queremos mais d’Ele. Damos boas-vindas à visitação de Deus, mas nosso real desejo é pela habitação, onde sua presença persiste e vive conosco todo o dia. O que podemos fazer para que Ele se sinta bem-vindo todo o tempo ao invés de parte do tempo? Sabemos que Sua vontade é pela Sua permanente presença, para abençoar nossas cidades e nações; mas como conseguiremos fazê-Lo ficar?

Deus falou comigo sobre isso, através de um grande amigo meu, que tem uma visível desordem genética. Essa desordem faz com que ele seja grotescamente obeso. Ele não tem mais de 1 metro e 70 centímetros de altura, mas parece ser tão grande para os lados quanto ele é para cima. Disseram-me que quando tinha 12 anos de idade pesava 135 Kg. Ele lutou contra o seu peso toda a vida.

Lembro-me de tempos quando assentávamos juntos e ele começava a choramingar dizendo: “Eu sei que as pessoas riem de mim.” Esse homem tem uma forte unção em sua vida e é um dos verdadeiros apóstolos do Corpo de Cristo. Deus me ensinou algo sobre uma reflexão que esse meu amigo compartilhou comigo. Eu quero compartilhá-la com você. Ele é tão pesado que isso o inibe socialmente. Ele me disse: “Eu tenho muitos bons amigos que iriam amar que eu os visitasse. Regularmente, passamos tempo juntos em restaurantes, mas eu adoraria somente sentar na intimidade de suas casas e ter comunhão com eles. Mas não posso.” Ele começou a chorar e muitas lágrimas começaram a rolar de suas bochechas gorduchas. A próxima coisa que o meu querido amigo disse, iria mudar a minha visão de igreja para sempre.

“Tommy, quando eu chego à casa deles” – ele disse – “fico em pé na varanda vestido com meu chapéu e casaco o tempo todo (é sempre frio na região nordeste onde meu amigo vive). Eu nunca os tiro até que esquadrinho a sala. Eu já estive lá antes.” Então, ele olhou para mim de novo e disse: “Eu já decidi. Quebrei minha última cadeira. Eu me recuso a assentar num assento que parece que não vai suportar meu peso. Não vou ficar constrangido mais. Simplesmente não visito se tiver de fazer isso. Então, esquadrinho a sala pelo vão da porta.”

“Eu ouço meus amigos me dizendo com toda a seriedade e sinceridade: ”Entre, sente-se conosco, tome um café” – ele disse. “O tempo todo que estou falando com eles, sondo sua sala de jantar e cozinha para ver se adicionaram algum móvel desta vez que suportará meu peso. Eu sabia que não havia nada lá durante a minha visita anterior.”

NADA NA SUA CASA PODE SUPORTAR MEU PESO

Com um suspiro, meu amigo disse: “Aquelas visitas frequentemente terminavam em tristeza porque eu tinha de inventar uma desculpa: ‘Eu tenho de ir, não posso ficar’. A verdade é que eu só me retirava porque não havia móvel na casa deles que pudesse me suportar.” Ele me disse com lágrimas nos olhos: “Geralmente, chego ao meu carro e somente choro. Volto novamente algum tempo mais tarde esperando que encontre alguma coisa em que me assentar.” – ele disse. Era de se esperar que as pessoas olhassem para mim e percebessem que eu não posso simplesmente sentar em qualquer lugar.

No Antigo Testamento, a palavra hebraica traduzida como “glória” é kabod. Ela, literalmente, significa peso ou esplendor pesado. De certa forma, Deus tem o mesmo problema como meu amigo. Eu penso comigo mesmo sobre quantas vezes a “glória pesada” de Deus nos visitou, mas não entrou! Com que frequência Ele fica em pé nas portas dos fundos, em nossas assembleias com Sua glória ainda escondida por Seu “chapéu e casaco” enquanto Ele esquadrinha a sala.

Paramos para contar nosso arrepiado espiritual porque sentimos uma brisa fria entrar na sala quando as portas do Céu se abrem. Dizemos um ao outro: “Oh, Deus está aqui. Ele está nos visitando novamente!” Nossos cantores regozijam e a banda sobe o compasso, mas muito rapidamente tudo escapa porque não temos o que Ele está procurando. A maioria dos que já experimentaram visitações fazem esta pergunta: “Por que é que Ele não fica? Nós O imploramos para ficar. Por que não podemos manter esses momentos?”

A resposta é muito simples: Nós não construímos um trono de misericórdia para conter a glória de Deus. Não há lugar para Ele se assentar! O que é confortável para você e para mim, não é confortável para a kabod, o peso de Deus. Estamos felizes em assentar em nossas confortáveis reclináveis cadeiras espirituais todos os dias, mas o assento de Deus, o trono de misericórdia, é um pouco diferente. Ele é o único assento na Terra que pode suportar o peso de Sua glória e convencê-Lo a entrar e ficar.

Deus está procurando uma igreja que aprendeu a construir um assento de misericórdia para Sua glória. Quando Ele encontrar uma casa que pagou o preço para Lhe construir um lugar de repouso, Ele virá e ficará. E então veremos o avivamento que é diferente de qualquer outro que jamais vimos antes. Estou convencido de que nem mesmo temos uma palavra para isso. Esse tipo de avivamento só pode vir quando Deus vem com Sua intensa glória e toma Seu assento de honra em Sua casa – para ficar.

SE VOCÊ CONSTRUIR, ELE VAI…

Quando o Senhor me lembrou da história do meu amigo, minha mente começou a fazer várias conexões. Outro importante pedaço do quebra-cabeça tinha aparecido. Devemos aprender como construir um trono de misericórdia, pensei comigo mesmo. Então, lembrei-me da mensagem de uma imagem em movimento que vi durante um voo transoceânico e que me afetou grandemente a primeira vez que a vi. A figura em movimento era O campo dos sonhos, e o pensamento que me veio à mente naquele instante foi: “Se você construí-la, Ele virá…” – uma lição que Davi aprendeu.

A região Sul dos Estados Unidos é geralmente reconhecida por sua “hospitalidade sulina”. Como sou um garoto do Sul, pensei que entendia alguns princípios básicos de hospitalidade. Eu me senti daquela maneira até que Deus me enviou, sem perguntar, em uma viagem que me levou a investir em torno de trinta por cento do meu ministério entre os chineses naquele ano. (Eu ainda ministro bastante no continente da China e Taiwan). Ele disse: “Eu vou lhe ensinar algo sobre honra que a maioria dos orientais não sabe.”

Aprendi que o povo oriental tem a habilidade de honrar que supera tudo que jamais testemunhei em qualquer outro lugar. Praticamos hospitalidade no ocidente, mas somos de certa forma descuidados nisso: “Oi. Entre. Se quiser, pode se assentar.” Não é dessa maneira com os chineses. Eles são muito cuidadosos em focar toda a atenção e a energia em seus hóspedes. Eles colocam o bem-estar dos seus hóspedes em primeiro lugar e trabalham incansavelmente para priorizar o conforto, a paz e a alegria deles em detrimento dos seus próprios. A maneira prévia com que os chineses cuidadosamente preparam para a chegada dos seus hóspedes é uma evidente declaração afirmando que eles, hóspedes, são valorizados e respeitados. Eles até mesmo, atentamente, reservam o assento de honra… a cadeira mais afastada e voltada para a porta.

DEUS, NÓS SABEMOS COMO CONTINUAR SEM VOCÊ

Francamente, acho que perdemos a nossa habilidade de honrar a Deus em nossas igrejas. Cantamos nossas músicas de louvor com entusiasmo por um tempo, mas assim que algumas pessoas mais radicais da congregação começam a pressionar para entrar em adoração genuína, começamos a olhar para os nossos relógios. Talvez também falemos o que está em nosso coração: “Tudo bem, Deus. Com certeza, gostaríamos que Você viesse, mas se não fizer isto rapidamente, sabemos como continuar sem Você. Temos um programa a cumprir, Você sabe. Não podemos deixar a Igreja Primitiva nos privar do Banquete do Primeiro Eu.” Acredito que não percebemos que Sua resposta é: “Continue. Tudo bem. Talvez Eu o pegue outro dia.” Minha Bíblia diz que Jesus chorou sobre Jerusalém e Seu povo quando eles perderam a hora de Sua visitação. Penso comigo mesmo, se Deus chora por nossa causa quando magoamos Seu espírito por nos apegarmos em nossas agendas, nossos programas e garfos do jantar, em vez de persistimos, buscarmos e O atrairmos com nossa adoração e nosso louvor! (Quem se responsabilizará por nossas cidades se também perderem a visitação d’Ele?)

Esse triste cenário continua culto após culto. Submetemo-nos a propósitos e trabalhos religiosos semana após semana e ano após ano pensando havermos “chegado”. A verdade é que o maquinário da rotina da prática religiosa vai repicar durante muito tempo, depois que o óleo e a unção de Deus tiverem enfraquecido. E inevitável, fricção surge quando os homens tentam funcionar sem o óleo da alegria que vem somente de Sua presença. Consequentemente, tudo irá se desgastar e até parar quando a máquina religiosa do homem começar a enguiçar.

Quando Deus Se revelou ao jovem Davi nos campos de ovelha, o desejo de ter a presença de Deus perto de si, dia e noite, nasceu em seu coração. A mesma coisa está acontecendo em todo o globo em nossa geração. Deus está criando milhões de caçadores de Deus que estão sendo consumidos pelo desejo da presença de Deus. Todos necessitamos aprender com as experiências do rei Davi, como um caçador de Deus. Sabemos que foi um desastre sua primeira tentativa de trazer a arca de volta a Jerusalém, mas ele foi bem-sucedido na segunda vez. Foi capaz de abrir os céus sobre Jerusalém por intermédio de uma busca sacrificial e suada da glória Shekinah de Deus. Agora é nossa vez – e das nossas cidades!

ALGUÉM TEM DE CUIDAR DO FOGO!

Davi fez duas coisas para ter certeza de que a presença de Deus permanecesse em Jerusalém. Primeiro, ele preparou um lugar para a presença de Deus construindo um tabernáculo sem paredes e sem véu. Segundo, ele fez algo especial quando os levitas chegaram ao tabernáculo e colocaram a arca da Aliança no lugar. Ele criou um trono de misericórdia “vivo” para que Deus sentisse prazer de Se assentar e permanecer naquele santuário humilde.

Davi aprendeu um segredo vital em algum lugar no processo de trazer a presença de Deus para Jerusalém. Ele entendeu que se você quiser manter a chama azul lá, alguém tem de cuidar do fogo! “Quer dizer que temos de jogar gravetos no fogo?” Não, você não abastece Aquela chama azul da presença da Shekinah de Deus com combustível terreno. Você o abastece mediante a adoração sacrificial. Nós não temos direito de requerer o fogo de Deus a não ser que estejamos dispostos a ser o combustível de Deus.

Davi estava simplesmente seguindo o padrão celestial que Moises tinha recebido para o propiciatório (trono de misericórdia):

Farás dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório; um querubim, na extremidade de uma parte, e o outro, na extremidade da outra parte; de uma só peça com o propiciatório fareis os querubins nas duas extremidades dele. Os querubins estenderão as asas por cima, cobrindo com elas o propiciatório; estarão eles de faces voltadas uma para a outra, olhando para o propiciatório. – (Êxodo 25:18-20).

As asas dos querubins que Moisés construiu tocavam umas às outras à medida que circulavam e cobriam o propiciatório onde a presença de Deus assentaria logo acima da tampa ou cobertura. Se você ler esta passagem cuidadosamente, vai notar que os dois querubins de ouro não eram lançados ou despejados em moldes. Deus disse que o ouro usado para formar a cobertura do querubim tinha de ser “moldado” nas formas e posições apropriadas.

A maneira pela qual podemos construir um propiciatório é tomar nossa posição como adoradores purificados e “molda’ dos”. Um problema é que Deus ainda requer que adoradores-propiciatório sejam formados de ouro provado no fogo (purificados), moldados (fundidos) até atingirem a imagem da perfeição e movidos à posição apropriada de unidade para adoração. – (Veja Apocalipse 3:18; Romanos 8:29). Isso fala de pureza, quebrantamento e unidade: os três componentes da verdadeira adoração sob a nova Aliança do Sangue de Jesus. Quebrantamento na Terra gera abertura nos céus.

Acho interessante que ao refinar o ouro em temperatura extrema, as primeiras coisas a virem à tona e serem destruídas são os “refugos”, as impurezas evidentes e o material estranho. A última coisa a ser separada do ouro é a prata, um metal menos precioso que frequentemente se mistura com o minério de ouro bruto. Muitas vezes temos dificuldade em separar o “bom” do “melhor’’.

AS PANCADAS DA VIDA VÃO NOS INCLINAR PARA DEUS SE…

Muitos de nós só queremos ser pré-formados ou pré-moldados em uma rápida e fácil “fórmula um-dois-três de avivamento”. Eu não posso lhe dar isso. No entanto, posso lhe dizer que suas asas de adoração podem ser formadas somente desta maneira: elas devem ser batidas para tomar a posição e a imagem apropriadas. As pancadas da vida vão nos inclinar para Deus se nossas respostas aos desafios da vida forem corretas. Às vezes, respondemos erroneamente para o que a vida nos entrega; e, então, a adversidade nos joga para fora da posição. Ao invés de nos tomarmos melhores, nos tomamos amargos. Isso significa que nossas asas de adoração não estão onde deveriam estar. Elas estariam no lugar apropriado, mas na posição errada; na igreja, mas com uma atitude errada.

Deus pretendia que as pancadas da vida movessem suas asas de adoração para uma posição a fim de criar alguém que “em todas as coisas dá graça”. – (Veja 1 Tessalonicenses 5:18). O apóstolo Paulo sabia disso. Ele escreveu: “Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro.” – (Veja Filipenses 1:21). Ele escreveu essas palavras enquanto estava na prisão da casa romana, esperando o veredicto de César. Paulo poderia declarar: “Todas as vezes que você me bate, tudo que isso faz é me ensinar como adorar.” Sua visita ao terceiro céu aconteceu enquanto estava sendo apedrejado em Listra! Alguém quer ir lá agora?

Quando os adoradores em volta do propiciatório tomam suas posições, Deus pode mover para Sua posição e ocupar o centro no meio deles

Os querubins de ouro batido da arca da Aliança eram apenas uma pobre representação terrena da realidade celestial. Moisés viu o modelo no monte quando espreitou o Céu e viu a sala do trono em uma visão. Ele foi instruído a recriar aquela visão celestial, mas isso é como se o mais próximo que ele poderia obter na Terra era criar querubins de ouro maciço que só tinham duas asas. Os serafins que circundam o verdadeiro trono celestial de Deus têm seis asas.

O propiciatório na arca era apenas uma representação do verdadeiro trono de Deus no terceiro céu. O trono nas regiões celestiais não está situado num plano bidimensional para que possa ser descrito unicamente com largura e altura. A arca da Aliança destacava dois querubins montados na tampa reta da arca. Em contraste, as escrituras descrevem o trono de Deus como multidimensional e cercado por adoradores de todos os lados, quase como uma pérola suspensa em vidro ou o Sol no meio de nosso sistema solar. A Bíblia diz que há serafins com seis asas em ambos os lados do trono, e mais acima e abaixo também. Esses serafins adoradores cobrem suas faces com duas asas, enquanto cobrem seus pés com duas outras asas e voam com o outro par. – (Veja Isaías 6:2).

Mesmo que o querubim na arca equivalesse a uma “imitação terrena barata” da realidade celestial, ainda há tanto mistério em torno da arca que produtores de Hollywood gastaram milhões de dólares simplesmente falando sobre a “arca perdida” em um filme de aventura.

Quando será que a Igreja vai perceber que Deus não está procurando pela arca perdida? Ele sabe onde ela está. Deus está procurando pelos “adoradores perdidos” para que Ele possa repor a glória perdida na Terra.

O PESO REPENTINO DE SUA CHEGADA SACUDIU A TERRA

O “trono de misericórdia” (propiciatório) raramente ou nunca aparece no meio de desfiles e circunstâncias religiosas. Sob a aliança do Sangue de Cristo, ele só vem entre dois ou mais sacrifícios vivos. Paulo e Silas estavam longe dos templos ornamentados e das sinagogas de Jerusalém e Israel; eles se encontravam ensanguentados e surrados, com os pés presos em um tronco, bem no fundo de uma cela na prisão de Filipos.

Mesmo nesta hora mais sombria, esses homens começaram a cantar ao Senhor em louvor e adoração. Tudo que eles fizeram foi trazer juntos suas surradas asas de adoração, e a glória de Deus desceu do Céu para se unir a eles. A adoração deles criou o “trono de misericórdia” para Deus vir e assentar-se entre eles – mesmo na prisão.

Você pode estar “na prisão” mesmo à medida que lê estas palavras. Talvez as circunstâncias da vida o tenham trancado e jogado a chave fora. Há uma maneira de escape. “Adore” uma abertura nas regiões celestiais. Deus irá descer. Ele prometeu. O que Ele fez por Paulo e Silas, Ele fará por você.

O peso repentino de Sua chegada sacudiu a Terra e balançou os fundamentos da prisão. O peso da presença de Deus não apenas libertou Seus adoradores, mas também abriu todas as portas e libertou todos os prisioneiros da vizinhança. Nossa adoração pode libertar cativos. A visitação de Deus em poder levou a Salvação a um carcereiro que tinha colocado as algemas nos pés de Paulo e Silas.

Não temas a adversidade! Os querubins foram formados de ouro batido. E adoradores formados de ouro provado no fogo e batidos pelas adversidades e provas em nossos dias refletem a luz da glória de Deus em casa muito melhor que apressadas versões pré-moldadas. Cada recuo do martelo, cada marca da picareta e da furadeira, e cada dobra de transformação sob pressão do moedor é outro refletor para a multifacetada glória de Deus.

Quando adorarmos em espírito e em verdade a glória de Deus virá! O que experimentaremos naquele momento é simplesmente um precursor do que vai acontecer naquele grande dia, quando o Rei da Glória pessoalmente voltar à Terra pela segunda vez. Na primeira vez que Ele veio, carregou Sua glória levemente porque andava em humildade. Ele andou nas pontas dos pés em nosso mundo para que não incomodasse a Sua criação, assim como um adulto anda nas pontas dos pés no quarto de brinquedo de uma criança para evitar quebrar os brinquedos. Na próxima vez que Jesus aparecer, Ele estará montado em um cavalo e virá em poder e autoridade ilimitados para Se reapossar da casa inteira. Quando Seus pés tocarem o topo do monte das Oliveiras, Sua Kabod, Sua intensa glória, será tão grande que o monte das Oliveiras vai, literalmente, se partir em dois. O portão do Ocidente vai repentinamente se abrir para permitir a “real” entrada triunfante do Senhor. A primeira vez foi somente um ensaio. Na próxima vez, Ele estará em Seu traje! Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor. – (Veja Filipenses 2:10-11).

TODAS AS COISAS IMPURAS SERÃO ARRASADAS SOB O PESO DE SUA GLÓRIA

Você sabe o que vai escancarar os portões da cidade? Sabe como dividir as montanhas que bloqueiam o seu caminho para o avivamento? Apenas faça o que Paulo e Silas fizeram na prisão. Se você pode cantar à meia-noite com as costas machucadas, os pés algemados e a porta da sua cela trancada, então pode entrar nas manifestas glória e presença de Deus mediante sua adoração. Todas as coisas impuras serão arrasadas e cada cadeia cairá sob o peso de Sua glória: “De repente, sobreveio tamanho terremoto, que sacudiu os alicerces da prisão; abriram-se todas as portas, e soltaram-se as cadeias de todos.” – (Atos 16:26).

Tudo isso acontece quando as asas batidas dos adoradores se chocam, criando o trono de misericórdia de Deus. A Nova Versão Americana do Salmo 22:3 diz que “Deus está entronizado sobre os louvores de Israel”. Disseram-me que a tradução japonesa do texto original hebraico para este verso diz, de modo literal, que o nosso louvor “constrói uma grande cadeira para Deus Se assentar”. Jesus também nos disse: “Porque, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” – (Mateus 18:20). Isso significa que Deus vem habitar no “meio” de nós quando começamos a adorá-Lo juntos.

O que aconteceria se Deus literalmente se movesse do Seu trono no Céu para Se assentar na “grande cadeira” que temos construído para Ele? Acredito que Ele provavelmente diria: “Miguel, Gabriel, vejo vocês depois. Os filhos de Adão construíram para Mim uma cadeira. Eles construíram um trono de misericórdia vivo somente para Mim para que Eu, mais uma vez, possa habitar no meio dos homens.”

DAVI ABASTECEU A CHAMA DA PRESENÇA DE DEUS COM ADORAÇÃO DE VINTE Έ QUATRO HORAS

Como podemos recriar ou competir com o tipo de adoração que Deus recebe no Céu? Davi instruiu levitas santificados para continuarem abastecendo a chama da presença de Deus, com adoração vinte e quatro horas todos os dias. Não entre em legalismo e pense: “Eu tenho de ajudar minha igreja a levantar uma vigília de oração vinte e quatro horas.” Se Deus falou isso com você e a liderança da sua igreja quiser fazê-lo, então faça. Se não, pergunte a Ele o que quer que você faça, e faça-o.

Lembre-se que você pode implorar o quanto quiser para Deus vir, mas até que prepare um lugar onde Sua intensa glória possa seguramente habitar, Ele pode visitá-lo, mas não pode ficar. Eu não sei quanto a você, mas estou cansado de visitas. De algum modo, temos de reclamar a habilidade de hospedar o Espírito Santo. Davi sabia como fazer isso.

Davi cercou a arca com adoradores para que a glória de Deus continuasse reluzente. Pela primeira vez na história israelense, pagãos podiam chegar perto do monte Sião em Jerusalém e, literalmente, ver a chama azul da glória de Deus tremulando entre os braços erguidos e os pés dançantes dos adoradores no tabernáculo de Davi! Como isso foi possível? Foi porque o tabernáculo de Davi era um lugar marcado por adoração de véu aberto e sem regras controladoras.

Frequentemente, ilustro este conceito de cercar a Deus com adoração em reuniões públicas chamando três a quatro voluntários para se juntarem a mim em frente ao auditório ou congregação. Quase sempre, um dos voluntários vai dar um passo na posição de frente para público, porque esta é a maneira como temos sido condicionados. Eu direi ao voluntário (para ajudar os ouvintes): “Não filho, não se volte para congregação ou coral. Fique em pé aqui, levante suas mãos em uma postura de adoração em direção Aquele que está no trono.”

Talvez esta seja a explicação por que o mundo não pode ver a Deus quando Ele olha para a Igreja – a Igreja só olha para si mesma. Este é, provavelmente, o motivo de não ficarmos na brecha e preferirmos encarar o mundo ao invés de Deus, enquanto desempenhamos nossos deveres religiosos. Há coisas demais do homem na igreja e poucas de Deus. Encarar o homem pode apenas nos induzir a corresponder à aprovação do homem. Para adoração “trono de misericórdia”, temos de virar as costas para o homem. Buscar a face de Deus. Perder o medo do homem – e ganhar o temor de Deus.

ESTE É O MILAGRE DA CASA FAVORITA DE DEUS

Davi fez mais do que cercar a arca de Deus com adoradores santificados. Ele se assegurou de que o seu foco primordial era ministrar a Deus por intermédio do louvor e da adoração. Os levitas, ministros de louvor e adoração do Antigo Testamento, se posicionavam entre o mundo, do lado de fora, e a glória de Deus sem véu, descoberta, no lado de dentro.

Pela primeira vez desde a Sua caminhada final com Adão e Eva no jardim do Éden, Deus encontrou uma casa onde não havia véu ou paredes divisórias entre Sua glória e a frágil carne dos homens. Isso não era necessário, porque os adoradores se tornaram o véu e as paredes protetoras à medida que eles rodeavam a glória de Deus com a cobertura da nuvem do arrependimento, da adoração e do louvor sacrificiais. Por falta de um termo melhor, eu chamo este precário lugar entre a varanda do homem e o altar de Deus de a “zona do choro”. Este é o milagre que fez a humilde tenda de Davi se tornar a casa favorita de Deus.

Duas passagens-chave das Escrituras podem ajudá-lo a entender por que Davi planejou construir um tabernáculo sem um véu ou paredes, sem ver pessoas morrendo às centenas ou milhares. Na primeira, Deus disse: “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim, a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei.” – (Ezequiel 22:30). Na segunda, João parece descrever os dois componentes da glória de Deus quando escreveu: “Vimos a Sua glória […] cheio de graça e de verdade.” – (João 1:14 – RC).

ESQUEÇA O QUE AS PESSOAS DIZEM. SOMENTE UMA OPINIÃO IMPORTA

Se você realmente quer uma explosão da glória de Deus em sua igreja e cidade, terá de esquecer o que qualquer um, exceto Deus, pensa. O avivamento real acontece somente quando verdadeiros adoradores esquecem o homem e voltam sua total atenção e adoração a Deus. Devemos esquecer as opiniões, a aprovação ou a desaprovação do povo. Precisamos não nos lembrar o que eles parecem, deixar de lado o que estão dizendo e não nos preocuparmos com o que estão pensando. Somente uma opinião importa.

Eu desejo que o povo de Deus ignore tudo, exceto o que Deus quer. É hora de a centralidade de Cristo Jesus nos dominar e conquistar tanto, que nos tornaremos totalmente separados das distrações do reino do homem. Não estou falando de nos tornarmos religiosos a ponto de sermos absolutamente desagradáveis para Deus ou o homem. Algumas pessoas dizem que você pode se tornar tão espiritualmente propenso que deixa de se adaptar aqui na Terra. Mas eu não sei se isso é possível. Na verdade, essa frase é uma boa descrição da “zona do choro”; aquele lugar entre a varanda do homem e o altar de Deus. Posso lhe dizer o que você faz nessa posição? A zona do choro é o lugar de intercessão diante do trono de Deus onde você entra na brecha para interceder por outros.

TOME UMA POSIÇÃO ENTRE A GLÓRIA E OS HOMENS PECAMINOSOS

Uma praga do pecado e da morte está varrendo toda a nossa nação e o mundo atual. Esta não é a hora de correr ou esconder. Esta é a hora para você e eu entrarmos na zona do choro com nossos incensários de adoração e tomarmos nossa posição entre os vivos e os mortos, entre a intensa glória de Deus e a carne desprotegida dos homens pecaminosos. No momento em que Arão transportava o carvão do fogo do altar e misturou no incenso de adoração e louvor, ele se tomou uma ponte entre dois mundos.

Deus tem um coração que deseja ver todos os homens salvos, mas Ele depende de você e de mim para cumprir nosso ministério de reconciliação na zona do choro. Ele nos tem chamado para nos tornarmos pontes entre o reino da luz e o reino das trevas. A melhor Ponte de todas é Jesus Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote, que vive sempre para interceder por nós diante de Deus. – (Veja Hebreus 7:25). Quando você e eu entramos na “zona do choro”, chegamos ao lado do Grande Intercessor e contemplamos o trono, estendendo uma das mãos para Deus e outra para o homem. Somos chamados para interceder em adoração até que Deus e o homem tenham se encontrado.

Quando você se põe na brecha, está literalmente parando o julgamento de Deus e removendo os obstáculos do inimigo no segundo céu. Como vimos anteriormente, João disse: “Vimos a sua glória… cheio de graça e de verdade.” – (João 1:14 – RC).

Se os dois componentes da glória de Deus são graça e verdade, então isso explica por que sempre houve um véu separando o homem da glória de Deus. O mundo precisa da graça de Deus, mas Sua verdade está ligada a ela. A verdade é: Todos pecamos e carecemos da glória de Deus. – (Veja Romanos 3:23). Precisamos de Sua graça – mas não podemos suportar a “verdade”. Sua verdade é equivalente ao Seu julgamento, mas, separados da graça de Deus, nenhum de nós tem qualquer chance. Isto significa que se a presença manifesta de Deus – aquilo pelo que estamos orando – se apressar e encontrar carne não arrependida, então a verdade ou o julgamento de Deus vai instantaneamente destruí-la assim como a luz remove as trevas.

SIGA-O À “ZONA DO CHORO” PARA OS PERDIDOS

Jesus Cristo fez um trabalho completo na cruz e Ele estende o dom gratuito da vida a todos. Nosso “ministério da reconciliação” envolve tomarmos Sua cruz diariamente e segui-Lo até a “zona do choro” para os perdidos. Quando adoradores sacrificiais arrependidos, com mãos ensanguentadas, tomam o lugar entre os não-redimidos e a consumidora glória de Deus, algo interessante acontece.

Sabemos pelas Escrituras que o julgamento começa e termina na casa de Deus. – (1 Pedro 4:17). Quando o povo de Deus se torna adoradores e se posicionam na brecha, eles “filtram” a verdade e o componente julgamento da glória. Isto significa que o único componente da glória de Deus que vai junto com eles para fluir nas ruas da cidade é graça e misericórdia. Isso é uma lembrança dos dias de Davi, quando todos, qualquer um, podia olhar para a glória Shekinah de Deus e viver, porque eles estavam fitando o trono da misericórdia através do filtro que os revestia, que eram os braços levantados dos adoradores.

Nossas cidades não precisam de melhores sermões ou melhores músicas. Elas precisam de “pessoas na brecha” que possam alcançar Deus com uma das mãos e o mundo com a outra. Você é chamado para tomar posição na “zona do choro”? Você pode esquecer o que o homem diz enquanto você busca Deus com uma das mãos em arrependimento, adoração quebrantada e alcança os homens não redimidos com a outra? Com aquela mão estendida, você declara: “Eu vou abrir os céus e mantê-los bem abertos até que o avivamento se espalhe por minha cidade!” Como os intercessores da antiguidade, devemos clamar: “Se Você vai matá-los, então me mate. Se Você não mandar o avivamento para minha nação, então me mate. Dê-me filhos espirituais, senão eu morro.” – (Veja Êxodo 32; Gênesis 30:1).

Você realmente quer avivamento? Construa um propiciatório (trono de misericórdia) para Deus. Prepare algo que seja tão desejável e atraente a Deus que Ele não possa resistir em se juntar a você e aos adoradores. Permita que Ele construa novamente o tabernáculo de Davi em seu meio. Cerque-O com louvor e adoração se você quer atraí-Lo a vir e ficar com você. Construa um trono de misericórdia!

DEUS HABITA NO MEIO DA ADORAÇÃO

Você consegue imaginar o que aconteceria se Ele deixasse Seu trono no Céu para vir e Se assentasse conosco no propiciatório (trono da misericórdia) composto de nosso louvor e nossa adoração? Há uma razão pela qual o mundo não pode vê-Lo como Ele é. Nunca construímos um lugar para Ele Se assentar. As raposas têm seus covis, e os pássaros, os seus ninhos, mas a glória de Deus não tem lugar para se assentar – nenhum trono de misericórdia terreno! E claro que nossos móveis são simples comparando-os aos padrões do Céu, e nunca poderia ser comparado a serafins de seis asas. Como poderia adoração terrena equivaler à adoração celestial? Eu não sei, mas sei que não é preciso muito! Jesus disse: “Se eu apenas puder ter dois ou três de vocês para concordar, Eu entrarei – não pelos lados, mas estarei no meio de vocês.” – (Veja Mateus 18:20). Por quê? Porque Deus habita no meio da adoração.

Se você quer que a glória de Deus se manifeste em sua igreja e cidade, então se lembre que Ele provavelmente não virá a mim nem a você sozinho. Sua primeira escolha e Sua promessa é que Ele virá no meio de nós, à medida que O adoramos de acordo com o padrão celestial.

Se você construí-la, Ele virá!

Pai, Você disse que dos lábios das crianças tiraste perfeito louvor. Admitimos que nosso melhor é um louvor miserável, que não pode se igualar à visão celestial, e não pode atingir as alturas da perfeição que entendemos ser no Céu.

No entanto, de acordo com o padrão celestial, nos deleitamos em cercá-Lo com nossa adoração arrependida. Reconstrua Seu amado tabernáculo de Davi em nosso coração, querido Senhor. Sim, nós O adoraremos com todo o nosso coração. Sim, com regozijo nos prostraremos diante de Ti como nosso Senhor e Rei.

Todos clamamos por Sua presença manifesta para encher este lugar, Pai. Pedimos que o Senhor encha esta cidade, esta nação, este mundo até que toda a Terra esteja coberta com Sua glória, ó Deus, como as águas cobrem o mar. Venha Se assentar em nosso meio no Seu trono de misericórdia!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

RELAÇÃO ROBÓTICA

A ligação entre tecnologia, internet e atividade erótica é mais do que conhecida, porém nessa era moderna atinge patamares de solidão extrema

Relação tobótica

Poderia ser como no início de uma história para crianças: “Era uma vez…” e seguiria o texto relatando em tempo passado um evento, uma aventura. Então: era uma vez o sexo virtual.  Por telefone ou pela internet, com mensagens de texto ou ligações com vídeo. Hoje é o tempo das “bonecas” do tamanho de humanos, incrementadas com inteligência artificial para uso sexual ou companhia apenas. Embora seja fenômeno recente, na Ásia em particular várias pessoas já foram vistas levando suas bonecas para o shopping, onde escolhem roupas para elas. Há também notícias de bordéis que oferecem exclusivamente réplicas destas.

Em 2016, na Universidade Goldsmiths, em Londres, algumas das questões levantadas na segunda edição da conferência “Amor e Sexo com Robôs” foram: Você faria sexo com um robô ou casaria com um? O robô teria direito a rejeitar esse tipo de união?

Uma outra vertente é o uso de brinquedos sexuais e realidade virtual, que permitiriam intimidade entre parceiros a distância. Você toca uma superfície aqui, ele sente lá. Há quem goste. Nada mais óbvio, poderíamos pensar.

Nessa temática, o filme A Garota Ideal 2 serve como apoio. Um personagem, Lars, tem como sua mulher Bianca, uma réplica feita de silicone. Lars é tímido, introspectivo, sem iniciativa alguma na vida. Tem o perfil típico do que seria hoje um nerd, com dificuldades de relacionamento e para quem a internet costuma ser forma protegida de conexão com o mundo.

Novamente, e para além da obviedade: Lars acredita realmente que Bianca é uma mulher de verdade. Nada de psicose ou alucinação, como apressadamente se poderia pensar.

Em algum lugar, tempos atrás, li a matéria sobre a relação entre um homem e uma réplica. Para ele, ela era “muito mais que uma boneca”, era compreensiva e carinhosa, era sua companhia para as noites.

Tanto o filme quanto o descrito no depoimento angustiam, mesmo quando tomamos o cuidado de não cair no engodo de que seria a tecnologia a causa das solidões e desencontros.

Se muitos vislumbram nessas réplicas fontes inesgotáveis e ilimitadas de satisfação de todo e qualquer desejo (o ideal narcísico), o personagem Lars faz pensar num contraponto: muitas vezes, subjacente às compulsões, mesmo as sexuais, o que se busca inconscientemente é eliminar ansiedade e obter carinho. A erotização avassaladora pode ser apenas defesa contra o sentimento doloroso de solidão.

 

NCOLAU JOSÉ MALUF JR.  é psicólogo, analista reichiano, doutor em História das Ciências, Técnicas e Epistemologia (HCTE/ UFRJ). Contato: nicolaumalufjr@g.mail.com

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Jovens ídolos musicais coreanos, que fazem sucesso no papel de bons mocinhos, enfrentam denúncias em série por crimes como assédio, estupro e uso de drogas

O lado B do K-Pop

Adolescentes sul-coreanos com roupas bem cortadas e coloridas, cabelo de corte assimétrico e pele de boneco de cera conquistaram o coração, o bolso e o Spotify de fãs ao redor do mundo. A febre do k-pop, como é conhecido o movimento, começou a alastrar-se pelo planeta em 2012, com o hit Gangnam Style, do rapper Psy. Parecia um universo perfeito. Nos últimos meses, no entanto, a imagem de bons mocinhos ostentada pelas estrelas asiáticas caiu por terra. Vários ídolos estão envolvidos em um roteiro cabeludo que inclui crimes como estupro, consumo de drogas e compartilhamento de imagens pornográficas.

Em março, o cantor Jung Joon­ Young acabou preso por ter filmado mulheres durante a relação sexual, sem que elas soubessem. Depois, enviou o conteúdo a amigos pelo aplicativo Kakao Talk, equivalente ao WhatsApp. A descoberta do crime aconteceu por acaso, quando Young mandou o celular para o conserto. O artista confessou os malfeitos. “Não vou contestar as acusações apresentadas pela agência de investigação e aceitarei a decisão do Tribunal”, disse, em depoimento prestado em março. Hoje, ele busca fechar um acordo com as mais de dez vítimas para tentar reduzir a pena.

O rapaz, que já faturou 262 milhões de dólares com sua gravadora, não está envolvido apenas nessa encrenca. Young integra um grupo de artistas investigados por drogar e estuprar modelos. Depois da farra, eles ainda compartilhavam o conteúdo criminoso entre amigos no Kakao Talk. Chamado de “sex chat” pelos coreanos, o escândalo vem afetando a imagem de outros ídolos do movimento. Entre eles, Seungri, um dos queridinhos das fãs, o guitarrista Lee Jong-hyun, da banda CN Blue (que esteve no Brasil em 2014), e Yong Jun-hyung, do Highlight (este veio ao Brasil em 2011).

Só em 2018, o K-pop faturou 5 bilhões de dólares com shows, séries e outros produtos. A febre se repete no Brasil, que tem uma população de 50.000 descendentes de coreanos. Mas os fãs de K-pop vão muito além da colônia. A banda BTS fez dois shows em São Paulo em maio. Fãs acamparam durante três meses em busca de um bom lugar. Os sete garotos da banda não estão envolvidos em nenhum escândalo.

Tal qual o movimento #MeToo, que liquidou a carreira de atores e diretores de Hollywood devido às denúncias em série de assédio sexual, a força das redes sociais só fez crescer a pressão. Há duas semanas, o diretor-fundador da gravadora YG Entertainment, Yang Hyun -suk, afastou-se com receio de todo o catálogo de artistas de sua empresa sofrer retaliação. Ele é acusado de sonegar imposto, acobertar uso de drogas e promover prostituição. Hanbin, líder da banda iKon, da mesma gravadora, também deixou os palcos após a descoberta de suas tentativas de compra de substâncias ilícitas. “Os coreanos são conservadores. Não toleram desvios”, diz Carol Akioka, diretora do portal Korea Line especialista em K-pop. Nas engrenagens do rock, rebeldia e excessos fazem parte do show. Já para aqueles que precisam vender a imagem de mocinhos românticos e comportados, o lado B do K-pop representa uma desafinada que pode ser fatal para os negócios.

O lado B do K-Pop. 2

GESTÃO E CARREIRA

O CRACHÁ DEPOIS DOS 50

As empresas só têm a perder ao desprezar o talento dos profissionais mais maduros – mas uma melhor diversidade etária também pressupõe a adaptação desses trabalhadores

O crachá depois dos 50

Em 2017, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo IBGE, mostrou que o Brasil chegou a 30,2 milhões de “idosos”. A Organização Mundial da Saúde estimava até então que o país fosse alcançar esse número somente em 2025. Em cinco anos aumentou em 18% a parcela de pessoas com 60 anos ou mais, e pelo ritmo atual o Brasil ganhará 1 milhão de “idosos” anualmente daqui em diante.

Escrevi a palavra idosos entre aspas porque não conheço ninguém com idade entre 60 e 70 anos que se considere idoso. Esse termo carrega o estereótipo daquele símbolo de vaga para idosos em que há uma pessoa com bengala – o que está longe da realidade da maioria dos que estão nessa faixa etária. Na década de 80, quando eu nasci, quem tinha 60anos era considerado um velhinho. Hoje em dia a coisa é bem diferente. Dizem que os 60 são os novos 40. E a pessoa com 50, então? É e se sente (e normalmente está mesmo) jovem, cheia de energia e de planos.

O fato é que muita gente simplesmente parou de ter filhos. Também é fato que, com o avanço da medicina e das demais ciências, hoje conseguimos viver mais e melhor. A idade biológica do ser humano se estende cada vez mais. Assim, boa parte dos nossos filhos atuais será centenária amanhã. Na contramão disso, há quem não tenha se dado conta dessa nova realidade, como é o caso de um grande número de empresas, principalmente no que diz respeito à contratação de talentos 50+.

O cenário macroeconômico de crise, a necessidade de cortar custos e despesas e o avanço da tecnologia no mercado de trabalho potencializam a chamada “juniorização” dos talentos nas empresas. Tal efeito se contrapõe à realidade e à tendência de envelhecimento da população – e da força de trabalho – no Brasil e no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nosso país é um dos que envelhecem mais rápido hoje e será o sexto com maior número de idosos em 2025.

Outra pesquisa, realizada pela FGV e pela Price waterhouse Coopers em 2013, mostrou que, muito embora se reconheça que os profissionais 50+ sejam bem qualificados, as empresas no Brasil não os contratam. Nesse mesmo sentido, conforme os dados mais recentes sobre o assunto, não chega a 3% a média de funcionários com mais de 50 anos nas 150 melhores empresas para trabalhar no país.

Há quatro anos pesquisando sobre preconceito etário na MaturiJobs, percebi que, especialmente nos cargos mais baixos, fora das posições de gerência ou direção, já se torna difícil conseguir um emprego no Brasil (sobretudo para as mulheres) após os 40 anos. Quando se avança nos 50, fica praticamente impossível. Por isso focamos nosso trabalho a partir dessa faixa etária – que ainda não é “idosa” mas já é considerada velha e desinteressante para o mercado. Para se ter uma ideia, já ultrapassamos a marca de 90.000 profissionais de 50 anos ou mais que se cadastraram em nossa plataforma e conseguimos empregar somente 1% desse total até hoje. Por outro lado, por sorte muitas dessas pessoas começam a se reinventar profissionalmente de diversas maneiras.

O que as empresas estão perdendo com isso? Estão perdendo o que é cada vez mais valorizado em tempos de automatização e de inteligência artificial. Ou seja, perdendo parte significativa dos soft skills (predicados comportamentais). As habilidades ligadas às relações intra e interpessoais – que têm muito a ver com autoconhecimento e trato com pessoas – são esferas intangíveis potencializadas com os anos e com a experiência de vida dos profissionais.

Mas não só isso: atualmente as empresas têm sofrido bastante com a alta rotatividade dos jovens, que pedem demissão para procurar diferentes contextos, propósitos, empreendedorismo etc. – e, muitas vezes, falham ao deixar de buscar o comprometimento, a resiliência e a postura dos mais maduros. Alguém viu of time Um Senhor Estagiário, com Robert De Niro e Anne Hathaway? Além de ser zeloso e dedicado, o personagem de De Niro apresentava uma flexibilidade incomum ante novas situações. No filme ele aprendia com os mais novos, e os mais novos com ele.

Assim, integrar as gerações é o caminho para fundir as aspirações e os olhares de modo a proporcionar equilíbrio ao ambiente de trabalho e trazer à mesa a diversidade etária, assunto ainda raramente discutido nas organizações.

Os 50+ – atualmente mais de 25% da população brasileira -, que enfrentam tanta dificuldade em se recolocar, devem por sua vez buscar continuamente atualização (já ouviu falar do Lifelong learning, o aprendizado pela vida toda?). As capacitações técnica e comportamental são essenciais, assim como o autoconhecimento, o networking, a integração com os mais jovens e a procura por novos caminhos profissionais como o empreendedorismo, além da manutenção da autoestima, para aproveitar o conhecimento e não temer processos seletivos com jovens nem ter receio de lidar com um chefe mais novo.

Hoje em dia há vários caminhos a ser percorridos e é preciso pensar “fora da caixa” para ir além daquele formato tradicional de trabalho que se aprendeu vinte ou trinta anos atrás. O próprio setor voltado para os 50+, em seus mais diversos segmentos, carece de muitos serviços e melhor atendimento, e essa é uma grande oportunidade para os maduros – que “sentem na pele” essa realidade – perceberem e criarem oportunidades de negócio.

Conto aqui sobre minha experiência pessoal. Criamos recentemente um programa em que startups estão recebendo alguns 50+ para trabalhar por um curto período para que possam se conhecer e a partir daí estabelecer um modelo de trabalho como empregado, sócio, investidor, estagiário, mentor ou consultor.

Aliás, um estudo recente do MIT Sloan School of Management mostrou que a idade média para o sucesso de um empreendedor nos Estados Unidos é de 45 anos, desfazendo o mito de que startup é coisa só de jovem. A experiência dos “longevos” faz toda a diferença – Google e Airbnb são cases conhecidos de empresas que viram seu negócio crescer exponencialmente após trazerem CEOs mais maduros.

É hora de repensar não apenas o que significa trabalhar, mas a própria natureza do trabalho. A longevidade é um fato que está aí e estará cada vez mais presente, portanto se faz urgente enxergar além dos desafios.

Há muitas oportunidades que os trabalhadores que passaram dos 50 anos e as empresas poderão desfrutar, a partir do momento em que começarmos a entender que a soma da idade não subtrai, só multiplica, e criarmos uma consciência social em torno disso, como diz a espanhola Raquel Roca, pesquisadora desse tema.

Que tal então revermos nossos conceitos a respeito da idade, já que todos nós seremos “idosos”?

 

MORRIS LITVAK, de 36 anos, é engenheiro de software e criador da plataforma digital MaturiJobs

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

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CAPÍTULO 3 – ABRINDO O CÉU E FECHANDO AS PORTAS DO INFERNO

 

O sinal do Senhor veio sem aviso em um sábado, durante minha pregação no culto de uma igreja no Texas. Em certo momento, eu só “sabia” que deveria ir a uma cidade, em outro estado, domingo à noite. O problema era que eu teria de pregar no Texas no mesmo dia. Eu nunca havia cancelado um compromisso como aquele, mas precisava, de qualquer maneira, realizar o que Deus queria que eu fizesse.

Quando disse ao pastor anfitrião da igreja onde eu estava que não poderia ficar para o culto de domingo à tarde, porque algo mais tinha aparecido, ele foi muito benévolo. No final do culto tia manhã de domingo, meus anfitriões me levaram diretamente ao aeroporto. (Senti tanta urgência que nem mesmo almocei.)

O voo mais próximo estava cheio, mas comprei uma passagem mesmo assim e esperei como passageiro reserva. Não fiquei surpreso quando Deus interveio e me deram um assento no avião.

Quando o avião decolou, aluguei um carro às minhas próprias custas para dirigir até a igreja de mais ou menos três mil pessoas onde já havia ministrado. Pelo caminho, Deus confirmou a decisão sussurrando: “Você está no caminho certo.”

Cheguei ao estacionamento da igreja uma hora antes do culto de domingo à tarde começar, esperando encontrar-me bem cedo com o pastor para que pudéssemos conversar. Pensei que ele poderia me ajudar a entender por que Deus me dissera para vir tão de última hora e sem convite.

Quando tranquei o carro e olhei para as vagas do estacionamento, notei que um grande número já estava ocupado. Bem, talvez algo esteja acontecendo – pensei. Isso foi confirmado quando andei até o templo e percebi os porteiros posicionados às portas do santuário. Eles sorriram quando me aproximei, mas disseram: “Não podemos deixá-lo entrar.”

NOSSO PASTOR FICOU REALMENTE DESESPERADO POR DEUS

Em minha mente, não me importava por que ou de quão longe eu tinha vindo, porque acreditava estar sob autoridade. Então eu disse: “Entendo que vocês não possam me deixar entrar, mas o que está acontecendo aí dentro?” Eles responderam:

“O nosso pastor acordou realmente desesperado por Deus nesta manhã. Ele convocou uma reunião de oração para as quatro horas desta tarde e nos disse para fecharmos as portas do templo depois deste horário. A reunião deve durar até as seis horas, aí estarão abertas as portas para o público geral. Agora são cinco horas, então não podemos deixá-lo entrar.”

“Entendo” – eu disse. “Vou ficar no saguão.” Encontrei um assento perto da porta e comecei a orar com as pessoas no santuário de onde eu estava assentado. Em questão de minutos, os porteiros olharam para mim novamente e disseram: “Você parece um pregador.” Quando lhes contei quem eu era, eles disseram: “Bem, nós discutimos e achamos que devemos deixá-lo entrar. Sabemos que o pastor disse para não abrirmos a porta, mas realmente acreditamos que devemos abrir para você.”

Tudo que eu disse naquele momento foi: “Provavelmente sim.” Quando eles abriram a porta, eu entrei e vi, aproximadamente, quatrocentas pessoas prostradas diante de Deus. Calmamente, me uni a elas e, quando o culto começou certo tempo depois, assentei-me em um lugar imperceptível, próximo às laterais das dependências. Quando o pastor finalmente levantou o rosto, ele me notou e pareceu assustado. Muitas lágrimas escorriam por seu rosto, e sua gravata estava posta de lado. (Sua conduta e vestimenta são sempre impecáveis).

Quando o culto começou, o pastor e o grupo de louvor pareciam sufocados, porque a presença de Deus estava muito intensa no auditório. Um preletor nacionalmente conhecido fora convidado para falar naquela reunião, e quando o pastor se levantou para introduzi-lo, disse: “Temos, aqui, um convidado tão digno quanto o nosso preletor agendado. Vejo o meu amigo Tommy Tenney.” E continuou: Tive um sonho nesta semana. Sonhei que Tommy Tenney aparecia aqui sem se anunciar e sem ser convidado. Ele está neste lugar. Não sei o que Deus quer fazer, mas só quero que Tommy venha compartilhar algo conosco.

LÁ ESTAVA UMA BOA CHANCE PARA QUE DEUS MUDASSE A AGENDA

Eu não sabia o que Deus queria, mas tinha convicção de que aquela era uma chance para que Ele mudasse a agenda de reuniões. À medida que passamos um pelo outro nos degraus da plataforma, parei tempo suficiente para dizer ao pastor: “Não sei o que vai acontecer quando eu chegar lá.” Ele olhou para mim com uma expressão extremamente séria para o momento, sem se preocupar em dizer: “Oi, como vai você?” ou “É bom te ver.” O clima espiritual estava sério demais para aquilo. Tudo que ele me disse naqueles degraus foi: “Eu não me importo.” Pude entender que aquilo significava que ele queria ver Deus Se manifestar.

Inicialmente, eu apenas falaria à congregação por aproximadamente dez minutos. Mas quinze segundos depois que pisei no púlpito, as janelas do Céu se abriram sobre aquele lugar. A presença de Deus estava incrivelmente forte, mas aquilo não tinha nada a ver comigo. Era como se Deus tivesse me pedido para encontrá-Lo naquele lugar e naquela hora. E fui feliz o suficiente para aparecer no encontro marcado. Naquele momento, estávamos na “casa que a obediência construiu’. O pastor tinha sido obediente a clamar a Deus e chamar a sua congregação para a oração. O preletor convidado estava presente e pronto, e eu havia sido obediente para vir também. Deus, de certa forma, nos preparou e nos moveu para lugar e posição certos naquela noite.

Em dez minutos, as pessoas estavam literalmente correndo para o altar. (Quando Deus realmente Se manifesta, não me importa qual seja o seu título ou por quanto tempo você O conhece. De repente, você se torna consciente da necessidade de cobrir- se em arrependimento. Isso se deve à poderosa influência da aproximação da Sua glória). Foi como se Deus simplesmente desprendesse um pedaço do Céu e deixasse um raio da Sua glória atingir aquele lugar.

COMO DUNCAN CAMPBELL DISSE: “DEUS DESCEU·’

A primeira pessoa a chegar ao altar foi o pregador nacionalmente conhecido, e o pastor local logo após ele. Assisti a pessoas correndo naquela direção enquanto, literalmente, mergulhavam no chão, gemendo e chorando diante de Deus. Enprestando uma frase da descrição de Duncan Campbell, do grande avivamento de Hebrides: Deus desceu. Ele realmente abriu as janelas do Céu e Se manifestou entre nós.

Toda vez que isso aconteceu em minha experiência e na história da Igreja, Deus desceu como resultado do arrependimento e desespero na atmosfera da adoração. Eu posso lhe assegurar que os programas da igreja nunca vão alcançar isso. O verdadeiro avivamento acontece quando o Avivador vem para os habitantes da cidade!

O verdadeiro avivamento é mais como uma enchente do que um rio. E uma explosão sobrenatural da presença de Deus na Terra além da Sua onipresença contínua. A Escritura nos diz: “A terra se encherá com o conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.” – (Habacuque 2:14). Quão profundamente a água cobre o leito do mar? A “grande enchente” dos dias de Noé foi enchente de julgamento, mas pode nos oferecer pistas sobre como o conhecimento da glória de Deus vai cobrir a Terra. A Bíblia diz que pouco antes da grande enchente no livro de Gênesis: […] “naquele mesmo dia se romperam todas as fontes de grande abismo, e as janelas do céu se abriram.” – (Gênesis 7:11). A Nova Versão Internacional diz: “Todas as fontes do grande abismo se romperam e os portões da enchente nos céus se abriram.”

Uma maneira de liberar a enchente na Terra é liberar as torrentes vindas de duas direções de uma vez – é como adicionar chuva a um rio. No reino de oração e avivamento, uma maneira de abrir as janelas do Céu é quebrar vasos e liberar torrentes de arrependimento e adoração entre o povo de Deus na Terra. Tem de haver profundo quebrantamento entre nós se quisermos romper e ver uma janela aberta no Céu. Quebrantamento na Terra gera quebrantamento no Céu!

O QUE É UM CÉU ABERTO?

O que eu quero dizer quando falo sobre um Céu aberto? Um “Céu aberto” na terra é um lugar de fácil acesso a Deus. Sabemos, pelas cartas de Paulo, que há pelo menos três “céus”. Ele disse à igreja de Corinto que certa vez foi “arrebatado ao terceiro céu.” – (Veja 2 Coríntios 12:2-4). Se há um terceiro céu, necessariamente deve haver um segundo e um primeiro céu. O terceiro céu só pode ser o domínio de Deus e Seus santos anjos. Este é o reino e “residência” de Deus. Seu domínio do terceiro céu afeta os outros céus abaixo deste.

Já que a Bíblia descreve satanás como “o príncipe da potestade do ar”, o segundo céu é o domínio demoníaco. – (Veja Efésios 2:2). O primeiro céu se refere ao “firmamento” sobre nossa cabeça e o domínio geral do homem, ou, tudo que está ao alcance do homem. O capítulo 10, do livro de Daniel, nos dá uma clara figura de todos os três céus em conflito dinâmico. Quando Daniel orou a Deus, estando no primeiro céu, um conflito eclodiu no segundo céu entre o arcanjo Miguel e o anjo caído dominador, chamado príncipe da Pérsia. A resposta de Deus à oração de Daniel veio independente de todo o esforço no reino das trevas para retardá-la ou atrasá-la. Lembre-se, atraso não é uma recusa. A persistência tem um poderoso papel em abrir o Céu.

E se Daniel tivesse parado de orar após dezoito ou vinte dias? Você não pode deixar que “céus conturbados” o desanimem!

Quando usamos o termo “céus conturbados”, não estamos querendo dizer que Deus não está ouvindo nossas orações. -(Veja Deuteronômio 28:23). Ele ouviu a oração de Daniel e, instantaneamente, enviou um anjo com Sua resposta. O problema é que este anjo passou pelo segundo céu, onde satanás enviou seus anjos caídos para atrapalhar a comunicação. O adversário vai tentar impedir que sua oração suba a Deus, e vai tentar retardar a entrega da resposta de Deus para você, porque o segundo céu é o seu domínio – por enquanto.

Em Efésios 2:2, Paulo descreve satanás como o “príncipe da potestade do ar”. O adversário não tem domínio completo sobre o segundo céu; seu domínio é limitado. Ele é apenas um ser criado e um príncipe angélico caído; não pode sequer ser comparado ao eterno Deus e Altíssimo Rei. Um príncipe somente tem poder delegado a ele pelo rei. Nosso Deus tem todo o poder. Satanás, o príncipe caído, só tem autoridade liberada a ele pelo Rei. Virá um dia em que mesmo essa autoridade lhe será tirada. Jesus já tirou de satanás as chaves do inferno e da morte. – (Veja Apocalipse 1:18). Satanás não tem nem mesmo as chaves da sua própria “casa”. Mas ele ainda tem a “casa”. Naquele grande dia, Deus virá e promoverá o “reempossamento da casa”.

Você quer ver as janelas do Céu abertas? Além dos personagens bíblicos e suas experiências, figuras heroicas da história da Igreja também deixaram pistas sobre como abrir o Céu. John Bunyan é um deles. Sua clássica parábola, A jornada do Peregrino, deve ser o melhor livro cristão conhecido escrito. Mesmo assim, Bunyan não considerou como sendo seu melhor livro. Sua escolha foi um pequeno livro intitulado: O sacrifício aceitável, o qual ele escreveu no fim de sua vida. Ele é um livro sobre quebrantamento baseado na exegese ungida do Salmo 51. Bunyan morreu enquanto o livro estava sendo impresso, mas ele disse que o livro era “o cume do trabalho da minha vida.” Foi no Salmo 51 que Davi declarou: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” – (Salmos 51:17). Esta é a chave preciosa que destranca as riquezas da presença de Deus. Esta é a fragrância que Deus não pode ignorar.

Ele responderá. Os céus de ferro estarão quebrados!

A CAMINHADA LONGA E SUADA DE DAVI VERSUS AVIVAMENTO SEM SUOR

Cristãos em todo mundo estão dizendo: “Queremos avivamento. Queremos o mover de Deus.” Infelizmente, não aprendemos com os erros de Davi. Frequentemente, tentamos fazer a mesma coisa que ele fez na primeira vez que tentou trazer a presença de Deus para Jerusalém. Entulhamos as coisas santas de Deus numa carroça feita pelo homem, pensando que Deus vai Se agradar. Então, ficamos chocados quando descobrimos que Ele despreza! Ele não permitirá que bois puxem as carroças carregando Sua glória! Esperamos que alguém, ou alguma coisa, ou algo mais faça o esforço e “sue” a parte difícil do avivamento. Tudo que queremos fazer é cantar e dançar na procissão. – (Salmos 42:4). Estas celebrações imaturas, antropocêntricas de avivamento são tão suaves quanto a primeira “festa da arca” de Davi – até que recebamos uma sacudida de Deus na eira de Nacom.8

Essas sacudidas rápidas na estrada para o avivamento podem ser a mão de Deus dizendo:

“Chega disto! Eu não deixarei vocês lidarem Comigo casual e desrespeitosamente por muito tempo! Somente até certo ponto permitirei que vocês lidem comigo sem suar. No entanto, se realmente quiserem Me mover “do Céu para a terra”, vocês terão de “suar” muito. Não tentem transportar Minha glória nos seus frágeis programas, agendas e métodos humanos. Vocês podem ter suas carroças ou Minha arca – não ambos.”

Davi se retratou e fez pesquisas depois que Uzá caiu morto na eira de Nacom. Uzá morreu depois de tentar estabilizar o que Deus tinha balançado. Nós ainda insistimos em suavizar as sacudidas e completar os mandamentos de Deus. Estamos, futilmente, tentando criar um ambiente “amigo de Uzá” quando valorizamos o conforto do homem acima do conforto de Deus. Eu sempre coloco desta forma: Ser agradável aos amigos é muito bom, mas ser amigo do Espírito é fogo!

Davi descobriu que Deus tinha dito a Moisés para que a arca fosse transportada somente nos ombros de levitas santificados. Deus estava cansado das maneiras do homem e sacudiu a carroça para mostrar isso à tripulação de Davi. O Senhor não queria ninguém sustentando o que Ele estava derrubando.

Em primeiro lugar, por que Deus iria pôr a arca numa carroça? Para a mente do homem era lógico colocar a arca pesada em uma carroça para uma viagem tão longa. Além disso, foi assim que os filisteus o fizeram. A arca da Aliança era uma caixa construída de madeira de acácia e banhada a ouro por dentro e por fora. Ela media aproximadamente 1,30 m de comprimento, 0,78 m cm de largura e 0,78 m de profundidade. A arca também tinha uma tampa de ouro com dois querubins de ouro maciço montados sobre ela e era carregada com varas banhadas a ouro, encaixadas em anéis de ouro maciço localizados nos lados. O ouro é um dos materiais mais densos e pesados que existem na Terra. Você pode imaginar quanto a arca pesava? Sem dúvida, eles fizeram a viagem em uma carroça! Davi aprendeu, de maneira dura, que Deus não pensa como os homens. Seus caminhos — o caminho para um avivamento santo – são mais altos e “mais suados”.

HOMENS DE VERDADE TÊM DE SUAR

Quando Davi fez sua segunda tentativa de trazer a arca para Jerusalém, ele cuidadosamente seguiu as instruções de Deus. O Senhor não queria uma carroça de madeira ou um boi carregando Sua presença – Ele queria homens reais. De fato, a cada seis passos, eles sacrificavam um boi para deixar tanto Deus como o homem saberem: “Chega de gado”. O boi é um símbolo de força, riqueza e poder. Deus não será manipulado pela sua riqueza terrena ou força física. A fraqueza do homem é que vai carregar a arca da presença de Deus. Os levitas tinham de carregar a arca pesada em seus ombros por uma viagem estimada de 16 quilômetros. Aqueles homens devem ter suado!

Este processo de trazer a glória de Deus para dentro de Jerusalém é uma figura simbólica de como devemos trazer a Sua glória manifestada para dentro da igreja. (É essencial que nos lembremos da distinção entre a glória Shekinah de Deus e Sua onipresença).

A casa de Obede-Edom ficava em torno de 11 a 22 quilômetros distantes de Jerusalém, de acordo com vários teólogos. Estabelecendo arbitrariamente a distância de 16 quilômetros, podemos fazer uma ilustração deste processo de sacrifício e viajar para Jerusalém. Os levitas iam matar um boi e um novilho gordo, mover adiante seis passos e passar pelo processo de sacrifício novamente. – (Veja 2 Samuel 6:13). Estudiosos da Bíblia estão divididos neste assunto, mas se Davi e sua procissão paravam a cada seis passos para fazer sacrifício, então eles colocaram um pesado trabalho no caminho para o avivamento.

Aqueles levitas não colocaram aquelas pesadas caixas no ombro e casualmente andaram por 16 quilômetros como se estivessem fazendo um pequeno passeio de domingo no parque. Não andavam pelos portões de Jerusalém parecendo refrescados e impecáveis em suas roupas “de igreja” gritando: “Ei! Olhem para nós, estamos tendo um avivamento!”

QUANDO VOCÊ BUSCA A GLÓRIA DE DEUS, AS COISAS FICAM MAIS DIFÍCEIS E NÃO MAIS FÁCEIS

Davi e sua procissão de levitas, sacerdotes e adoradores pagaram um preço para introduzir a glória de Deus em sua cidade naquele dia. Não há dúvida de que quando aquela equipe finalmente chegou ao portão de Jerusalém, Davi se transformou em um bobo dançando e girando! Por quê? Eles estavam felizes por sobreviverem à viagem! Eu acho que todos na procissão estavam gritando: “Conseguimos!” De qualquer maneira que você olhar, este foi um processo sangrento e fumegante.

Acredito que será o mesmo para nós hoje. Ouça-me amigo: quando você sai de um nível de unção para clamar para que a glória de Deus venha, as coisas não se tornam mais fáceis. Elas se tornam mais difíceis.

A maioria das pessoas vai pelo método da carroça nova, porque ele representa um método de adoração de baixo custo e sem suor. Deus advertiu Adão e Eva no início da vida que teriam fora dos portões do Paraíso: “Vocês irão viver do suor do próprio rosto.” – (Veja Gênesis 3:19).

“Suor” tem um significado particular para Deus. É a maneira pela qual o valor é transferido na terra. Em termos modernos, se você quer transferir dinheiro da conta do patrão para o seu bolso, você terá de suar ou trabalhar de alguma forma. Da mesma maneira, fazendeiros têm de suar se eles quiserem transferir o valor do solo para a conta bancária e alimentar suas famílias.

Pode ser que você “sue” em um escritório com ar condicionado. Ou você poderia encharcar-se com suor, literalmente, pregando pregos numa construção. Davi entendeu isto e se recusou a oferecer a Deus coisas que lhe chegaram sem nenhum custo. – (Veja 2 Samuel 24:24). Ele gastaria o dinheiro que ganhou, suando com os problemas do reino, para comprar o solo e animais para sacrificar. Ele também oferecia adoração suada na dança.

Suor transfere valor. É necessário “suor” para adorar! Adoração é, na verdade, um “DOC”; a transferência de valor, de nós para Deus. Essa é a razão pela qual dar dízimos e ofertas é uma parte da adoração. Transferimos suadas horas em dinheiro em

um ato de adoração. Esta é apenas uma maneira de transferir o nosso “tempo” para Ele. Quer você sue figurada ou literalmente, vai suar se quiser sobreviver. Você vai suar se realmente quiser adorar.

Quando a carne de nossa humanidade se torna preguiçosa, tentamos importar ou carregar as coisas de Deus usando métodos sem suor para que possamos passar por elas e ficar muito entusiasmados sobre “transportar a glória”. A verdade é que não queremos dar o nosso suor.

VOCÊ ESTÁ DISPOSTO A PAGAR UM PREÇO PELA PRESENÇA DE DEUS?

Jesus mesmo nos ensinou a fazer exatamente o oposto. Ele veio à Terra como servo que esvaziou-Se a Si mesmo. – (Veja Filipenses 2:7). Se você não acredita que o suor tem valor, imagine Jesus dando Seu suor no jardim do Getsêmani. Jesus moveu Sua carne até o último nível de obediência sacrificial à vontade de Seu Pai quando Ele “deu o Seu suor”. As coisas acontecem quando você derrama o suor da carne em sua fome pelo Pai. O valor eterno é movido daqui (seu coração) para lá (coração de Deus).

Preocupo-me com o fato de que a maioria dos cristãos não está interessada em pagar nenhum preço pela presença de Deus. Esperam que ela seja trazida numa bandeja de prata. Somos como espectadores assistindo atores pagos, ou gado tentando arrastar à força a presença de Deus para a igreja. É tempo de abandonar os cultos em que você é espectador. Torne-se um participante! Às vezes, fazemos ainda pior. Fazemos o papel de Mical, filha de Saul. Olhamos fixamente de nossos palácios religiosos como expectadores reais, escarnecendo daqueles que se tornam sujos, ensanguentados e suados, em sua pressão sacrificial para a glória de Deus. Infertilidade sempre será o resultado de falta de intimidade!

Estou falando de Salvação por obras? Absolutamente não. Estou falando sobre a apaixonada busca por Deus, o tema central que domina a narrativa da Bíblia de Gênesis a Apocalipse. Estou falando sobre retornar ao nosso primeiro Amor, à nossa primeira Paixão! (Paixão se tornou uma palavra suja em muitas de nossas igrejas centradas no intelecto). Uma vez que fomos salvos, nos tornamos “Seu povo” pela graça; temos de buscá-Lo primeiro, seguir Seus mandamentos e viver nossa vida para Ele e não para nós mesmos. É aí que o suor da obediência em adoração arrependida aparece.

AS VESTES DO APAIXONADO SÃO MANCHADAS COM AS MARCAS DO SACRIFÍCIO SANGRENTO

Os adoradores triunfantes que entraram pelas portas de Jerusalém carregando a arca da glória de Deus romperam as marcas da sua luta para adquirir o fogo azul da Sua presença. Aqueles que trabalham para restaurar a presença e o favor de Deus são facilmente distinguidos de adoradores inférteis que ficam no conforto da cidade esperando ver o que vai acontecer. As vestes do apaixonado são marcadas com as marcas do sacrifício sangrento. A lama e o suor nas suas vestes sacerdotais são lembranças visíveis de sua cara jornada para trazer a presença de Deus da eira da preparação para sua cidade.

Isto significa que sob a nova aliança de Cristo temos de pular, saltar e ficar literalmente suados para que a presença de Deus entre em nossas reuniões? Não, mas precisamente estar dispostos a isso. Deus, que é Espírito, deve ser adorado em espírito e em verdade. – (Veja João 4:24). O alto sacrifício de Jesus na cruz aboliu o sacrifício de animais para sempre, mas Deus nunca aboliu o conceito de sacrifício em adoração.

Como notamos anteriormente, Davi disse que os sacrifícios para Deus são “um coração quebrantado e contrito.” Você faz sacrifícios a Ele sempre que canta hinos e põe a virtude da sua vida neles. Como afirmei, outra maneira pela qual você “transfere suor” para o Reino é mediante sua doação. Quando você “sua” ou trabalha para ganhar dinheiro no reino natural, você transfere parte de si mesmo para Deus ao colocar essa oferta voluntária para o Reino. Você está transferindo valor.

NÃO OFEREÇA A DEUS UM “SACRIFÍCIO” QUE NÃO LHE CUSTA NADA

Novamente, acredito que necessitamos aprender o que Davi descobriu sobre o conceito de valor do sacrifício. Lembre-se, ele disse: “[…] não oferecerei ao Senhor, meu Deus, holocaustos que não me custem nada […]” – (2 Samuel 24:24 – itálico do autor). Ele sabia que a única maneira de restaurar a presença e o favor de Deus ao Seu povo era derramar suor em adoração sacrificial e arrependida. Se a glória de Deus virá pelas portas da cidade, alguém tem de carregá-la!

Todos que estão buscando avivamento hoje vão dizer: “Esta coisa de avivamento é trabalho duro.” Pergunte aos introdutores, membros do grupo de louvor e pastores, que têm de lidar com a pressão da humanidade faminta dia após dia, e semana após semana, em seus templos superlotados de adoradores. Ou pergunte aos intercessores que oram e entram nas brechas do céu de bronze. Um homem não pode carregar a arca da glória de Deus por todo caminho, sozinho, nesta geração. Outros têm de pôr seus ombros santificados sob o peso da jornada para Jerusalém e dizer: “Aqui, deixe-me ajudar.”

DEUS NÃO É OBRIGADO A ALIMENTAR BELISCADORES CASUAIS

A maneira de abrir os céus sobre você é buscar a revelação nova de onde Deus está. Na maioria das vezes, vivemos com menos do que o melhor de Deus porque temos a tendência para nos focarmos na verdade de onde Deus esteve. Esta revelação nova deve ser buscada porque Deus não alimenta beliscadores casuais, Ele alimenta o faminto. Quando Ele se revela a você e a mim, essa revelação nunca é tirada de verdades passadas. Apenas adicionadas àquelas.

Deixe-me ilustrar a diferença entre concentrar em verdades passadas e buscar nova revelação. Se você fosse um habilidoso caçador de tigre na índia, poderia me contar muito sobre a sua proeza apenas por examinar os rastros. Você provavelmente seria capaz de me dizer o tamanho do tigre, o sexo, a idade aproximada e há quanto tempo ele deixou as pegadas. Na verdade, você até poderia ficar entusiasmado sobre aquelas pegadas por causa do significado que elas têm para você. No entanto, há uma grande diferença entre estudar os rastros do tigre e olhar nos olhos daquele tigre.

Na maior parte do tempo, os cristãos se tornam tão enamorados com as verdades de onde Deus esteve que eles falham em perceber que Ele está nos visitando bem agora. Como eu mencionei em Os caçadores de Deus, os fariseus da época de Jesus estavam dentro do templo orando para que o Messias viesse, e se encontravam totalmente inconscientes do fato de que Ele estava lá fora, passando por eles em Sua entrada triunfante em Jerusalém! Então, eles perderam Sua visitação porque estavam tão trancados nas “pegadas impressas do passado” profético que se recusavam a reconhecer o momento do Messias à frente dos próprios olhos.

Todos necessitamos ler e estudar a Palavra de Deus diariamente, mas não precisamos adorar revelações passadas excluindo as novas revelações. Lutero teve uma maravilhosa revelação da graça de Deus e compartilhou esta “pegada de Deus” com o mundo. Uma vez que a verdade da “Salvação pela fé” foi estabelecida como uma doutrina, os homens sentiram compelidos a construir um santuário em torno desta verdade como se aquela fosse tudo o que houve e jamais será.

Eu creio que Deus está constantemente dando novas revelações de Sua pessoa. Isso é, em parte, porque o nosso imutável Deus se move continuamente e trabalha no meio do Seu sempre mutável povo. A parte maligna entra quando o povo começa a dizer: “a nossa pegada é o único rastro da floresta” ou “nossa revelação é a revelação final”.

AS VERDADES DE QEUS DEVERIAM GUIÁ-LO AO DEUS DA VERDADE

Sempre se lembre que as verdades de Deus devem guiá-lo ao Deus da verdade, à Pessoa que Ele é. Deus quer que você siga estas pegadas da verdade até que chegue à revelação de quem Ele é. Trinta segundos contemplando a glória de Jesus por uma abertura nos céus transformou o homicida Saulo no mártir chamado Paulo. Este é o poder de um Céu aberto!

Ele começou seguindo as pegadas dos fariseus, mas depois, subitamente, O viu! Saulo estava fielmente seguindo as velhas e as empoeiradas pegadas da lei que se transformaram em legalismo. Aquele legalismo vazio, sem revelação, fez com que Saulo perseguisse os cristãos que estavam seguindo as novas pegadas de revelação. Saulo pensou que estava fazendo o certo – até que viu o Cristo ressurreto. Então, o próprio Saulo disse: “eu estava fazendo tudo errado.”

Eu me pergunto: quantos mais como Saulo-Paulo estão lá fora somente esperando a igreja “abrir o Céu” para que eles também possam ter um encontro transformador mediante a glória de Deus?

Honestamente, se você tiver uma visitação real da presença manifesta de Deus em sua igreja, isso provavelmente vai bagunçar sua teologia, destruir sua estrutura e mudar tudo o que tem feito! Por quê? Porque desta vez você vai experimentar a glória de Deus em vez de simplesmente estudar onde ela estava. Verdadeiramente, este é o meu objetivo. Eu estou em busca da glória de Deus e quero abrir as janelas do Céu.

FAZENDO FUMAÇA

Ao longo da Bíblia, quando os céus se abriam e a glória de Deus aparecia, uma nuvem estava frequentemente envolvida. Quando Deus escolhe visitar a humanidade, Ele traz Sua nuvem para nossa proteção. A nuvem nos protege de ver demais para que não vejamos Sua face e morramos. – (Veja Êxodo 33:20). Estamos perto, mas cobertos. Quando você escolhe visitar a Deus, tem de fazer sua própria nuvem. Considere o Antigo Testamento, em Levítico 16, precedente para qualquer sumo sacerdote que fosse escolhido para chegar perto da presença de Deus “atrás do véu”:

Tomará também, de sobre o altar, o incensário cheio de brasas de fogo, diante do Senhor, e dois punhados de incenso aromático bem moído e o trará para dentro do véu. Porá o incenso sobre o fogo, perante o Senhor, para que a nuvem do incenso cubra o propiciatório, que está sobre o Testemunho, para que não morra. – (Levítico 16:12-13)

Um incensário frequentemente, é um pequeno recipiente feito de metal ou ouro, que está sempre suspenso numa corrente. É designado para fazer fumaça quando o incenso queimável é colocado no recipiente junto com uma brasa quente. A oração salpicada com paixão faz fumaça. Antes que o sumo sacerdote fosse para trás do véu, ele colocava incenso no incensário e empurrava-o através do véu com sua mão. Tinha de fazer fumaça suficiente para encher o Santo dos santos e cobrir o propiciatório antes de desafiar o risco atrás do véu. A atmosfera cheia de fumaça também o forçava a fazer seus deveres sacerdotais pelo toque ou tato. Ele não conseguia ver nada! Este é o cumprimento de uma verdade do Antigo Testamento expressada pelo profeta Habacuque e em três citações do Novo Testamento: O justo viverá pela fé (E não por vista). – (Veja Habacuque 2:4; Romanos 1:17; Gálatas 3:11; Hebreus 10:38).

O SANGUE DÁ ACESSO A DEUS; ADORAÇÃO ARREPENDIDA ATRAI DEUS

A nuvem de fumaça era literalmente a última camada de proteção do sacerdote, escondendo sua carne da glória de Deus e morte certa. E o sangue de Jesus Cristo que nos dá acesso à sala do trono de Deus hoje, mas é a nossa adoração sacrificial e arrependida que O atrai e permite que Ele se mova para perto de nós. Da mesma maneira, adoração verdadeira faz fumaça suficiente para permitir que você chegue perto d’Ele. Adoração é o componente-chave para a manifesta presença de Deus descer entre nós.

 Quando você adora, está “fazendo fumaça” com um incenso suave, uma fragrância favorita para atrair a presença de Deus. Se você fizer fumaça suficiente, a misericórdia de Deus o cobrirá e Ele poderá vir ainda mais perto; então você poderá aproximar-se d’Ele. A “nuvem de adoração” libera Sua cobertura de misericórdia para que você possa ter comunhão com Ele em uma intimidade e proximidade que não pode ser criada em nenhuma outra hora.

MARQUE AS MEMÓRIAS QUE SE DESTACAM SOBRE DEUS

Faça um retrocesso da sua vida em Cristo e marque as memórias do toque de Deus que se destacam. Você pode se lembrar sobre o que o pregador ministrou quando teve o seu encontro mais próximo com Deus? Você pode recordar o que os cantores cantaram? Poucos de nós podemos recordar esses detalhes, mas todos nós conseguimos claramente lembrar como sentimos a presença de Deus naquele momento. E como um encontro com a eletricidade. Se você já tomou um choque nunca se esquece como se sentiu. Se Ele já chegou perto… você nunca se esquece! Eu anseio por aqueles momentos. Eu vivo para aqueles momentos.

O princípio é este: quanto mais fumaça você faz, mais perto você chega. Novamente, a chave é a adoração. O valor da adoração não é medido em termos de quantidade, mas de intensidade. Nós sabemos mais sobre louvor do que sabemos sobre adoração. Ações de graça o levam aos portões, louvor, ao átrio, mas a adoração o leva à presença de Deus. Frequentemente, ficamos paralisados no átrio e nunca chegamos à sala do trono. Talvez a inclinação mínima requerida, quando entramos na sala do trono e primeiramente vemos o Rei, é um pouco humilhante para nós. O arrependimento nunca foi familiar com a carne.

A Palavra de Deus nos diz que há cinco coisas distintas e definitivas que abrem as janelas do Céu. Não é uma fórmula; é um estilo de vida de adoração e dedicação a Deus em todas as coisas. Todos os seguintes são vários elementos de adoração.

1. DIZIMAR é uma chave antiga para os céus que até mesmo veio antes da lei dada a Abraão. – (Veja Gênesis 14:18-20). O princípio de dar a Deus as “primícias” da nossa renda ou lucro é claramente descrita no livro de Malaquias 3:10.

Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança.

2. PERSEGUIÇÃO também abre os céus, como demonstrado no livro de Atos quando Estêvão foi martirizado:

Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, em pé à destra de Deus. Eles, porém, clamando em alta voz, taparam os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele. E, lançando-o fora da cidade, o apedrejaram. – (Atos 7:55-58)

3. PERSISTÊNCIA é uma arma efetiva para “manter abertos” os portões do Céu. Elias orou sete vezes e continuou mandando seu servo voltar e pesquisar os céus até que, na sétima vez, o servo viu uma nuvem do tamanho da mão de um homem se erguer do mar. Aquela pequenina nuvem vinda de Deus cresceu a ponto de provocar uma poderosa tempestade que os céus se tornaram pretos com chuva e vento. – (Veja 1 Reis 18:42-45). Jesus disse aos Seus discípulos que a porta estaria aberta para aqueles que persistentemente pedirem, buscarem e baterem na porta de Deus. – (Veja Mateus 1:1-8).

4. UNIDADE abrirá as janelas do Céu: ela convida a presença de Deus onde dois ou três concordarem “acerca de alguma coisa que pedirem”. Jesus literalmente disse: Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles. O lado oposto deste princípio é ilustrado na advertência de Pedro onde maridos e esposas devem permanecer unidos “para que não se interrompam as vossas orações.” – (1 Pedro 3:7).

5. ADORAÇÃO é a quinta chave para o terceiro céu. Davi, o salmista, profetizou: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó portais eternos, para que entre o Rei da Glória.” – (Salmos 24:7). Você já viu uma “cabeça” numa porta? É óbvio que Davi estava se referindo a pessoas como “portas” e “entradas eternas” através das quais o Rei da Glória pode vir à terra. Esta é uma chamada para a adoração.

Goste disto ou não, a única maneira pela qual podemos começar a abrir os céus sobre nossas igrejas e cidades é nos tornarmos doadores, persistentes e unidos adoradores que não têm medo de sacrificar tudo por Cristo.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ANONIMATO E CURIOSIDADE: O USO DO SARAHAH

As pessoas postam em redes sociais o que consideram o melhor de si, assim como são capazes de expressar, em perfis falsos ou não, o lado mais preconceituoso e agressivo de seu ser

Anonimato e curiosidade - o uso do SARAHAH

Aplicativos que funcionam como redes sociais anônimas não são novidades. Apesar disso, a cada ciclo de poucos meses, novas propostas são lançadas e milhões de usuários voltam a apostar nesse tipo de reverberação da cibercultura. O objetivo desses recursos tecnológicos é permitir ao usuário receber perguntas e comentários sem que o autor delas seja identificado. Alguns exemplos são o Curious Cat, o Secret e o Ask.fm.

A nova febre é o Sarahah. O quantitativo de downloads deste aplicativo, que significa franqueza, em árabe, já passou o YouTube, Instagram e o WhatsApp. Apesar do objetivo do Sarahah ser positivo (nas palavras do criador), os usuários não estão, mais uma vez, aproveitando essa oportunidade de forma virtuosa. A criação desse recurso não reverberou em manifestações de sujeitos que possam gerar críticas e feedbacks positivos (mesma ideia do Secret, que foi cancelado após a ocorrência frequente de ciber-bullying). Mas por qual motivo?

Kallas menciona que o conceito de intimidade, de espaço público e privado mudou. Antes, segundo a autora, protegidos entre paredes de nosso quarto, líamos, escrevíamos nossos diários, nossos poemas e os trancávamos no espaço mais protegido do olhar alheio, como uma preciosidade que só a nós pertencia. O espaço privado era bem diferenciado do espaço público. Sabe-se que com o uso do Facebook, Instagram e outras redes sociais muitos podem, inclusive, acompanhar ao vivo o que estamos fazendo e onde estamos, isso não é novidade. Kallas revela que hoje escrevemos os diários em blogs, expomos nossa intimidade na internet, exibimos imagens das situações mais banais no Instagram, montamos um espetáculo de nós mesmos e buscamos o olhar do outro e sua aprovação por meio de curtidas. A intimidade tem se deixado infiltrar pelas redes.

A perda dessa intimidade, associada ao uso de aplicativos que permitem o anonimato, infelizmente, gerou críticas negativas. É possível verificar, por exemplo, em diversos endereços eletrônicos, a grande quantidade de comentários ofensivos ou irrelevantes dirigidos ao receptor das mensagens no Sarahah. Kallas comenta que as pessoas postam em redes sociais o que consideram o melhor de si, assim como são capazes de expressar, em perfis falsos ou não, o lado mais preconceituoso e agressivo de seu ser. O ciberespaço, segundo a autora, propicia que pessoas anônimas postem e compartilhem seus pensamentos, suas ideias, músicas, dotes artísticos, vídeos que se tornam virais, dentre outros elementos.

Megale e Teixeira, há quase 20 anos, alertam que os processos de subjetivação são fundamentalmente desconhecidos e descentrados do indivíduo, mas são fabricados no registro social, já que estamos imersos em uma sociedade marcada e constituída pela informática, pela comunicação a distância, pela invasão dos computadores em todos os espaços, desde os públicos até os priva- dos. Os computadores e as redes digitais estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano. Mais ainda, parece estar se delineando um caminho onde praticamente todas as questões e os fazeres da ordem pública poderão ser realizados na esfera do privado, determinando desse modo um certo tipo de relação entre os indivíduos e os objetos. É possível refletir então: com uma quebra tão notável da esfera do privado, o Sarahah pode funcionar como um catalisador do anonimato, ou seja, como uma tentativa de quebrar a exposição pública do usuário por meio da não identificação do mesmo? Ou será que esse tipo de aplicativo aumenta a exposição e torna ainda mais pública a intimidade daquele que recebe os comentários?

Sabe-se que apesar do aparente benefício do anonimato na internet, ele provoca outros tipos de problemas. De acordo com Silva Barbosa, Ferrari, Boery e Filho, há uma frequente divulgação e/ou manipulação de fotos e vídeos cotidianos sem o consentimento de seus proprietários na internet, os casos de bullying virtual, estelionato, pedofilia, as manifestações preconceituosas e depreciativas contra minorias. Embora esses problemas já existissem antes do advento do mundo virtual, na internet podem adquirir maiores proporções, atingir um maior número de pessoas, causar danos mais sérios e difíceis de serem remediados, afetando a esfera das relações humanas em todos os seus âmbitos.

Na soma dos posicionamentos dos autores e das avaliações em relação ao Sarahah verifica-se que a maioria dos usuários ainda não utiliza diversas redes sociais com um caráter positivo, ou seja, ao invés de utilizar essa oportunidade como possibilidade de crescimento pessoal ou do receptor, existe uma série de comentários pejorativos, degradantes e, como dito anteriormente, inócuo. De forma paralela, os usuários que são atingidos pelos ataques de terceiros, seguros pelo anonimato, podem, se vulneráveis mentalmente, desenvolver problemas na autoestima e ansiedade. Em alguns casos, esses ataques são gatilhos para o desenvolvimento de psicopatologias, por isso cabe uma reflexão para que possamos utilizar as novas redes com uma perspectiva madura e virtuosa.

 

IGOR LINS LEMOS – é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail: igorlemos87@hotmail.com

OUTROS OLHARES

OS DINOS NÃO ERAM COMO IMAGINÁVAMOS

Réplicas cientificamente precisas mostram que os animais eram muito diferentes do que o cinema fez parecer e destacam espécies pouco conhecidas que se desenvolveram no território brasileiro

Os dinos não eram como imaginávamos

Quase todo mundo tem uma ideia de como é a aparência de um dinossauro. A “dinomania” que tomou conta da cultura pop dos anos 90 ­— muito impulsionada pelo sucesso do filme “Jurassic Park”, lançado em 1993 — popularizou a figura reptiliana desses animais, que assumem contornos monstruosos no caso de predadores como o Tiranossauro Rex e o Velociraptor. A representação estava correta para a época, mas com mais de 25 anos de progressos científicos na paleontologia, a visualização deles na comunidade científica é um pouco diferente. A descoberta em fósseis de penas e estruturas de cerdas, que remetem a plumagens, se tornou cada vez mais corriqueira, permitindo a reprodução de dinos com características comuns às aves.

Foi essa diferença entre a representação popular dos animais e as descobertas da ciência que animou os paleontólogos Tito Aureliano, Aline Ghilardi e Rafael Delcourt, em parceria com o designer Hugo Cafasso, a desenvolverem o projeto Dino Hazard.

Ele consiste na fabricação de bonecos de dinossauros com o selo de “precisão científica”. A iniciativa também é inovadora porque seleciona espécies que viveram no Brasil durante o período Cretáceo — cerca de 100 milhões de anos atrás e que são bem menos conhecidas do que aquelas que viveram no Hemisfério Norte. O projeto foi a evolução de um livro publicado por Tito em 2016, intitulado “Realidade Oculta”, que se apoia num roteiro de ficção científica para divulgar a paleontologia produzida no Brasil. Hugo, fã do livro e aficionado por dinossauros, conheceu Tito e Aline, também responsáveis pelo canal “Colecionadores de Ossos” no YouTube, durante a produção de um trabalho de conclusão de curso em Design Industrial. A partir daí o grupo deu rumo para a fabricação de figuras cientificamente precisas.

 CONSULTORIA CIENTÍFICA

O designer conta que a elaboração dos dinos envolve trabalho artístico, mas sempre amparado em dados científicos e baseado em informações e hipóteses fornecidas pelos paleontólogos. “A direção dos cientistas é essencial para fazer a interpretação mais correta possível. Os bonecos resultam de uma grande compilação de dados e de informações técnicas”, afirma Hugo. O produto de estreia do Dino Hazard será o Charcarodontossauro, apelidado por eles de “Carcaro”, um predador carnívoro e feroz que viveu na versão cretácea do Maranhão e que era ainda maior que o temido Tiranossauro Rex. Media 14 metros de comprimento e pesava cerca de 13 toneladas.

Até a coloração do boneco foi pensada com base em hipóteses científicas. Um predador pesado e lento como o “Carcaro” exigia cores discretas para se camuflar em beiradas de florestas. Há versões com preços mais baixos e cores atraentes como laranja e vinho e há também produtos especiais para colecionadores com pintura ultrarrealista, que serão feitas de forma artesanal com o auxílio de um artista.

Os bonecos serão bancados por uma campanha de financiamento coletivo, que superou as expectativas. Até quarta-feira 19, 315 pessoas tinham contribuído com o projeto, que acumula R$ 47,8 mil em arrecadação. Tito afirma que pelo menos metade dos apoiadores é do exterior — gente interessada em conhecer espécies brasileiras por meio dos brinquedos. A previsão inicial de arrecadação era de R$ 22,2 mil e devido ao sucesso da campanha e ao grande interesse despertado, outro modelo será produzido. É o Irritator Chalengeri, animal que também viveu na região do Brasil no período Cretáceo, descrito por Tito como uma mistura de crocodilo com pelicano, que deve atrair mais interessados a contribuir com a iniciativa de produção de novos bonecos.

O paleontólogo afirma que pretende continuar concentrado em réplicas de dinossauros brasileiros. Ele explica que as espécies mais conhecidas e populares retratadas em filmes, como o Tiranossauro e o Velociraptor, habitavam o hemisfério Norte, enquanto para os animais do Sul o conhecimento ainda é limitado e gera cada vez mais demanda. Sabe-se relativamente pouco sobre os animais que viveram no que hoje é a América do Sul. “As características dos dinossauros do Sul eram completamente diferentes das espécies do Norte. Todo livro recente de paleontologia tem um capitulo de animais do Brasil, por isso vale tanto a pena produzir conteúdos daqui”, diz. Resta saber quando a revisão da aparência dos animais chegará às telas dos cinemas e se os temidos predadores serão finalmente retratados como de fato eram.

Os dinos não eram como imaginávamos. 2

 

A PSIQUE E AS PSICOLOLGIAS

O MEDO DE AMAR

Para iniciar um relacionamento temos que ter suficiência narcísica para as nuances que envolvem o processo de ficar exposto a uma nova experiência sempre ameaçadora

O medo de amar

A dor de um amor não correspondido é um dos grandes sofrimentos na vida humana. Perder alguém que se ama é um pesadelo. Quase sempre altera diretamente o equilíbrio emocional do indivíduo afetando sua auto­estima. Difícil encontrar alguém que nunca passou por essa dor. Quando se vive essa experiência, o medo de amar aumenta.

Freud em O Mal-estar da Civilização escreveu: “[sendo] dependentes do objeto do amor escolhido, (…) nós nos expomos à mais forte das dores se somos desprezados por ele ou se o perdemos por motivo de infidelidade ou de morte”.

Já o psicanalista norte-americano Alexandre Lowen em seu livro Medo da Vida registra: “Quando abrimos o coração ao amor, ficamos vulneráveis ao risco da mágoa; quando estendemos os braços à frente, nos arriscamos à rejeição (…). Por termos medo da vida procuramos controlá-la, dominá­la”. Amar alguém é algo que, de certa forma, nos tira parte do domínio sobre nós mesmos. Junte-se a isso o fato de não termos controle sobre atitudes e sentimentos da outra pessoa. Por idealização excessiva corre-se o risco de achar o outro perfeito, e acredita-se que nossas necessidades serão adivinhadas, priorizadas e supridas. Isso não só pode não se realizar assim como quando acontece não sucede de imediato, é uma conquista que depende de: negociação, sensibilidade, comunicação e flexibilidade.

Muitas pessoas por idealizar demais as relações ou por extrema carência falham em sua capacidade de fazer avaliações sobre o outro e sobre o andamento do relacionamento que se inicia. A realidade, o medo, a fantasia e expectativas se entrelaçam, dificultando uma clara visão de quem é o parceiro.

Para Winnicott, essa capacidade de dosar as idealizações de maneira não patológica se encontra no início da vida “quanto mais se estabeleceu nas fases iniciais do desenvolvimento do indivíduo a formação do seu Eu verdadeiro, melhor condição terá o indivíduo de considerar o Outro.

Seria bom “medir a temperatura da água” antes de dar um mergulho, mas não é o que geralmente acontece. Muitas pessoas que conhecem alguém que as agrade podem alterar o desenvolvimento natural da relação precipitando-se por ansiedade e inseguranças. Querem garantir que não haverá rejeição. Importante lembrar que em uma relação nunca há garantias. Se por acaso o interesse e a paixão não são correspondidos, o medo de se entregar é reforçado, gerando um círculo vicioso.

O tempo para conhecer o outro, os desencontros e todo o caminhar que envolve o início de um relacionamento podem ser ameaçadores para algumas pessoas. O risco é grande e temos que estar prontos para qualquer resultado. A relação que se inicia pode não durar e as decepções podem aparecer como parte da experiência. Qualquer situação nova, em muitos aspectos da vida, é imprevisível. Nunca saberemos ao certo se aquele emprego novo vai ser bom, ou se uma mudança de cidade nos fará felizes. Temos a ilusão do controle das situações, e sem uma boa quantidade de princípio de realidade a tarefa de ficar exposto a uma nova experiência é ameaçadora, principalmente nas relações afetivas. A ansiedade para se assegurar de que se é amado, ou que se está em um terreno seguro nos tempos iniciais, pode antecipar o fim. É difícil conter a ansiedade e deixar que o relacionamento cresça ao seu próprio tempo. Não podemos pressionar uma criança a falar ou andar antes da hora. E o tempo para cada coisa acontecer é pessoal.

As vivências pessoais desde o nas­ cimento serão determinantes para garantir que a pessoa tenha uma estrutura psíquica que não a faça desestruturar-se na ocorrência do rompimento de um vínculo amoroso. A tristeza e o luto por algo que se findou são esperados, mas em alguns casos a vida pode ficar paralisada. Os mecanismos de defesa neuróticos constituídos ditam o comportamento das pessoas na hora de se relacionar. Quanto mais consolidado o mecanismo de defesa maiores o medo e as dificuldades para estabelecer relações. O medo inconsciente da rejeição faz as pessoas comportarem-se com ambiguidade. Apesar de desejarem um relacionamento, podem estabelecer uma defesa neurótica, por exemplo, adotando uma postura extremamente crítica cm relação ao outro, impossibilitando o convívio, antecipando-se a uma possível rejeição.

Se houve traumas e insuficiência ambiental recorrentes na formação primária do indivíduo, ele pode estacionar na linha do desenvolvimento do amadurecimento. Em seu livro Abismos Narcísicos, o psicólogo PhD Roberto Rosas Fernandes diz: “O indivíduo imaturo possui um narcisismo que não foi elaborado nem integrado em seu processo de amadurecimento. Ele dá respostas emocionais muito primitivas em seus conflitos afetivos, já que possui uma expectativa irrealista em relação ao outro, que invariavelmente será quebrada, como um espelho que se parte”.

O trabalho psicanalítico deve ser um campo afetivo e seguro, que com sucesso possa resgatar o desenvolvimento emocional do indivíduo onde ele ficou estagnado. Espaço onde a pessoa possa olhar para seus medos e defesas e fortalecer-se a ponto de aos poucos abrir destes.

 

ELAINE CRISTINA SIERVO – é psicóloga. Pós-graduada na área Sistémica- Psicoterapia de Família e Casal pela PUC-SP. Participa do Núcleo de Psicodinâmica e Estudo Transdisciplinares da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica – SBPA Atuou na área de dependência de álcool e drogas com indivíduos, grupos e famílias

OUTROS OLHARES

O ESPAÇO É LOGO ALI

Abrir a Estação Espacial Internacional a missões comerciais é o próximo passo da Nasa rumo ao seu maior objetivo: transferir os custos das viagens para a iniciativa privada

O espaço é logo ali

Em 1967, dois anos antes de Neil Armstrong pôr os pés na Lua, e logo depois de os soviéticos pousarem uma sonda, a Lunik-9, em seu chão rochoso, Gilberto Gil escreveu uma de suas mais bonitas composições, celebrando o feito, mas preocupado com o futuro. “A mim me resta disso tudo uma tristeza só / Talvez não tenha mais luar para clarear minha canção/ O que será do verso sem luar? O que será do mar, da flor, do violão?” Ao alcançarmos o inalcançável, talvez tenhamos perdido um pouco de poesia, vá lá, mas deu-se um imenso salto cientifico – doze astronautas pisaram na Lua, 561 foram ao espaço. O encanto agora é outro, o cosmo deixou de ser algo apenas ao alcance de uma estrofe lírica para o comum dos mortais. Na sexta-feira 7, a Nasa, a agência espacial americana, anunciou que abrirá as portas da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) a missões privadas, a qualquer pessoa. Ou seja: a partir do ano que vem será possível reservar assento numa das viagens tripuladas rumo à ISS, que viaja a 28.000 quilômetros por hora na órbita terrestre.

Só terá chance de embarcar quem for aprovado numa bateria rigorosa de testes de capacidade física e de saúde – quase nada, em comparação com o salgado preço da aventura. O voo de ida e volta sairá por 50 milhões de dólares por passageiro. A diária chegará a 35.000 dólares – e como cada visita prevê no mínimo trinta dias de estada, somando-se adaptação e permanência, acrescente-se aí pouco mais de 1 milhão de dólares. Estão incluídas amenidades como oxigênio, água e pensão completa. Haverá internet disponível, mas cada gigabyte enviado e recebido custará 50 dólares. O preço exorbitante da empreitada evidencia não se tratar de um destino meramente turístico, embora a Nasa deixe aberta essa possibilidade. O anúncio envolve outro grande passo para a humanidade (ou melhor, para os Estados Unidos): a ideia central é acelerar a transição da exploração espacial dos cofres públicos para a iniciativa privada.

Desde a aposentadoria do programa de ônibus espaciais, em 2011, o governo americano não tem meios próprios para mandar novos astronautas à ISS. Há contratos assinados com dois fornecedores privados para enviar carga e tripulantes ao espaço, ao custo estimado de 7 bilhões de dólares. Um deles é a divisão espacial da Boeing, a fabricante de jatos comerciais, em parceria com a Lockheed Martin, gigante do setor de defesa. O outro é a SpaceX, companhia criada pelo empresário sul-africano Elon Musk, que fundou o PayPal e hoje comanda a montadora de carros elétricos Tesla. O britânico Richard Branson, dono do conglomerado Virgin, é outro magnata que investe no setor. Sua intenção é promover voos na fronteira da Terra para os interessados em desembolsar cerca de 25.0000 dólares pelo passeio. Não bastasse a vista espetacular a 100 quilômetros de altitude, haverá a experiência de alguns minutos em gravidade zero, quando as pessoas poderão flutuar livremente pela aeronave.

O incentivo ao dinheiro das empresas, para além de evitar rombos suplementares ao contribuinte em troca de promessas futuras, pouco palpáveis, encaixa- se perfeitamente na nova estratégia da Nasa. Ao dividir os custos operacionais da ISS (4 bilhões de dólares anuais) com marcas comerciais, a agência espacial pretende destinar seus recursos a voos mais longos, num aceno à conquista de cinquenta anos atrás. No ano passado, Donald Trump anunciou uma nova missão tripulada à Lua até o ano 2028 – prazo encurtado pelo vice-presidente Mike Pence para 2024. Em seu estilo, misturando alhos e bugalhos, um tanto no mundo da lua, quase incompreensível, Trump tuitou no dia seguinte ao do anuncio do turismo espacial na ISS: “Eles (a Nasa) deveriam estar focados em coisas muito maiores, incluindo Marte (de que a Lua já faz parte), defesa e ciência!”. Lua, parte de Marte? Críticas a uma iniciativa que vai poupar recursos públicos e concentrá-los no real objetivo? Só no peculiar universo de Donald Trump

O espaço é logo ali. 2

GESTÃO E CARREIRA

NA COLA DO INIMIGO

A dona das marcas Casas Bahia e Pontofrio adota estratégia que deu certo para o Magazine Luiza – e até tira executivos do concorrente 

Na cola do inimigo

Era uma terça-feira, 25 de junho de 2019. Uma nova loja das Casas Bahia estava sendo inaugurada em Morro Agudo, cidade com cerca de 30.000 habitantes localizada no Estado de São Paulo. Os alto-falantes reproduziam o Tema da Vitória – aquele que embalava as conquistas de Ayrton Senna na Fórmula 1 -, enquanto um palhaço abordava populares na rua. Talvez não fosse a intenção, mas a cena remetia a um passado glorioso da varejista – o de campeã de vendas de eletrodomésticos no país. Como a loja de Morro Agudo, mais de 120 outras foram inauguradas nos últimos dezoito meses, numa estratégia da dona das Casas Bahia, a Via Varejo – comandada pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA) até um mês atrás -, para tentar manter a dianteira nas vendas perante o concorrente Magazine Luiza. Não deu certo. A empresa ficou sem caixa e sem lucro, enquanto a “Magalu” deslanchava com seu comércio eletrônico e ganhava a atenção – e o dinheiro – de investidores e consumidores.

Exatos onze dias antes daquela festa no interior, os fundadores das Casas Bahia, a família Klein, tomaram a Via Varejo do GPA, e agora estão reformulando toda a estratégia de crescimento. A companhia precisa voltar a gerar lucro – o que já não acontece há um ano – sem que seus clientes tenham de pagar a mais por isso.

Ao assumir o conselho de administração da Via Varejo, Michael Klein (filho do criador da empresa, Samuel Klein) demitiu doze diretores. Para ocupar o lugar deles, buscou profissionais que já haviam trabalhado com ele. Os nomes mais alardeados são Roberto Fulcherberguer, presidente executivo, e Sérgio Leme, vice-presidente administrativo. De todos que Klein trouxe, ele não conhecia em profundidade apenas um – ou melhor, uma. Ilca Sierra passou dez anos no Magazine Luiza e era a diretora de marketing do concorrente –   foi a responsável pela criação da mascote Magalu. A custosa contratação de Sierra escancarou a tática de Klein de roubar nomes do principal concorrente para absorver o que lhe permitiu se valorizar tanto. Aguarda-se no momento o anúncio do novo diretor de e-commerce –   e o mais cotado é um ex-diretor do Magazine Luiza, exatamente para replicar a integração entre o varejo on-line e o físico que fez sucesso no inimigo. “Vendemos 10 bilhões de reais a mais que o nosso concorrente (Magazine Luiza) em 2018, porém ele vale 34 bilhões de reais a mais que nós. Vamos corrigir isso”, ressaltou Fulcherberguer, em vídeo distribuído aos funcionários.

Na segunda-feira 8, a Via Varejo – que registrou prejuízo de 49 milhões de reais no primeiro trimestre para vendas de 7,4 bilhões – valia 8,7 bilhões de reais. Em comparação, o Magazine Luiza, comandado por Frederico Trajano, lucrou 132 milhões no começo do ano em cima de um faturamento de apenas 4,3 bilhões, entretanto está avaliado em 43,7 bilhões de reais. A distância já foi maior. Desde que Klein comprou as ações do GPA, os papéis da Via Varejo subiram quase 40% – o mercado está em frenesi com a expectativa de que, com a troca de comando, ela se porte novamente como a líder do setor. “A empresa só deve voltar a ser lucrativa no último trimestre, mas o mercado vem gostando da história que está sendo contada”, diz Pedro Galdi, analista da corretora Mirae. Essa história, contudo, pode se complicar. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o xerife do mercado financeiro, suspeita que a forma como Klein comprou a participação do GPA tenha prejudicado acionistas minoritários. Dias antes da aquisição, uma assembleia feita às pressas autorizou uma mudança no estatuto da Via Varejo que permitiu que o GPA – o maior acionista até então – vendesse sua parte sem estender a oferta aos minoritários. Klein, que se associou a cinco fundos e vendeu 33 imóveis comerciais para pagar 2,3 bilhões de reais, poderia ter de desembolsar até 6,3 bilhões de reais sem a alteração. A investigação, aberta em 17 de junho, pode gerar sanções à companhia.

Samuel Klein fundou as Casas Bahia em 1952, em São Caetano do Sul, São Paulo. O que impulsionou a empresa – o crédito e o aumento da renda do consumidor – não cresce mais como antes. Em cinco anos, o varejo físico encolheu 12%, segundo a consultoria Euromonitor International. Em contrapartida, o on-line cresceu 70%. Além de focar no e-commerce, a Via Varejo vai apostar em um relacionamento estreito com fornecedores – outra estratégia adotada por Trajano. Um importante executivo da maior fornecedora da Via Varejo afirmou que espera uma forte pressão para baixar preços. Casas Bahia e Pontofrio, que também integra o grupo, somados, são os maiores clientes de fornecedores como Whirlpool, Samsung e LG. Todavia, o que nos anos 1990 representava mais da metade das vendas dessas marcas equivale hoje a um quarto. “Concorrentes como Magazine Luiza, Lojas Americanas e Mercado Livre permitem que fornecedores endureçam as negociações”, disse o executivo. Klein sabe bem que ser o maior não é sinônimo de ser líder. Será difícil tirar esse rótulo do Magazine Luiza – o inimigo a ser batido.

ALIMENTO DIÁRIO

A CASA FAVORITA DE DEUS

A Casa Favorita de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 1 – A CASA FAVORITA DE DEUS

Eu nunca havia percebido que Deus tinha uma casa favorita, até aquele verão em que levei minha família em uma excursão para onde tinha sido meu lar na infância. Tínhamos de ir para a minha cidade natal, West Monroe, Louisiana, para ver meu avô de qualquer maneira. Como já estávamos na cidade, certa tarde quente de Louisiana, coloquei minha família em nossa ‘van’ para um tour na vizinhança da casa onde eu fora criado.

Algumas pessoas diriam que não há nada demais em West Monroe, mas ela é especial para mim, porque ali era o meu lar. Vivíamos numa casa branca, coberta de madeira, na rua Slack, 114. A enorme árvore de magnólia, numa das extremidades do jardim de frente, ainda está lá (elas são as melhores árvores para garotinhos escalarem). O carvalho da outra extremidade, porém, já se fora há muito tempo (estas não são tão boas para escalar). Cada esquina parecia armazenar outra memória comovente que eu, fascinado, tinha de compartilhar com a minha família à medida que lá passávamos. Mostrei o lugar pelo qual ia à escola e descrevi tudo o que acontecia ao longo da nossa rota (completamente inconsciente dos bocejos mal escondidos da minha plateia).

Quando saímos do carro em frente à casa, mostrei o córrego onde o valentão da vizinhança, Clint, e eu, tivemos uma briga depois que ele chamou minha irmã de um nome feio. Na época, ela parecia uma batalha de proporções bíblicas, mas a curta versão dela é que eu dei um soco no nariz do Clint, e ele me atingiu “com um no estômago, e ambos fomos para casa chorando.

Eu amava a casa onde vivi e fui criado. Naturalmente, presumi que meus filhos a amariam também. Era óbvio para mim que ninguém estaria em casa naquela tarde, mas cidades do norte da Louisiana compartilham uma camaradagem e um tradicional código que abre espaço para um “tour da herança”. Eu não sabia quem era o atual dono da casa, mas, realmente, não achei que alguém ficaria aborrecido se a “equipe dos Tenney” excursionasse pela propriedade.

EU TINHA MEMÓRIAS PODEROSAS DA MINHA CASA FAVORITA

A grande excursão começou com histórias sobre o jardim da frente, suficientes para gastar pelo menos trinta minutos. Eu tinha muitas memórias nostálgicas sobre o que acontecera na minha casa favorita, e queria que meus filhos tivessem o próprio senso de tradição e uma conexão histórica com aquela casa.

Vagarosamente, fizemos nossa trajetória ao redor da casa, enquanto eu mostrava os locais históricos mais importantes e relembrava velhas histórias sobre a vida no “paraíso”. À medida que passamos pelo portão da varanda dos fundos, contei para os meus filhos sobre o dia em que o cachorro mordeu o entregador. Eu nunca tinha visto um entregador dançar tão habilmente com pacotes nos braços. Meu cachorro não era, na verdade, um grande cachorro, mas ele inspirou aquele homem suficientemente para motivá-lo a fazer uma dança rápida, digna de um prêmio, atravessando aquele quintal. Pessoalmente, achei hilário, mas o entregador não ficou nada feliz.

MINHA FAMÍLIA TINHA ME ABANDONADO

Eu descrevi a casa de brinquedo no quintal e o meu balanço caseiro feitos na árvore sobre a qual minha irmã conseguira cumprir a profecia da minha mãe, dizendo que ela quebraria o braço. Eu estava realmente começando a me sentir bem com aquela excursão quando, aproximadamente a três quadras do caminho ao redor da casa, olhei para trás e percebi que ninguém estava lá. Pensei: bem, eles encontraram algo realmente interessante e ainda estão espantados com o que viram. Tinha acabado de mostrar o local da sepultura onde minha irmã e eu enterrávamos nossos animais de estimação quando morriam, limão, pensei que talvez eles estivessem tristes ou teriam se encantado com a jardineira onde minha mãe me ensinara a plantar flores.

Quando refiz o mesmo caminho, percebi que minha família havia me abandonado. Eu admito que estávamos no meio de um dia quente da Louisiana, 35 graus lá fora e 100% de umidade; mas será que eles não entendiam que aquele era o pequeno preço que tinham de pagar para entrar no “paraíso”? A verdade é que estavam convencidos de que eu falava um “blábláblá”. Eles haviam voltado para a ‘van’ onde o ar condicionado estava ligado no máximo. Seus rostos demonstravam estado de absoluto tédio enquanto argumentavam sobre qual fita cassete ouvir “enquanto o papai fazia sua pequena viagem de memórias”.

Eu estava ofendido. Não, eu me encontrava mais que ofendido. Sentia-me bravo. “O que há com vocês?” – eu perguntei. “Estou tentando mostrar todas as coisas…”

“Estamos entediados…” interrompeu Andréa, minha filha mais nova. “Papai, esta casa não significa nada para nós”, replicou Natasha, minha filha do meio.

Por um momento, esperei ver raios saindo da nossa ‘van’. Afinal de contas, não se fala de um “terreno sagrado” daquela maneira. Era quase um sacrilégio! Então, minha irreverente filha mais velha disse: “Papai, a única razão pela qual esta casa significa alguma coisa para você é por causa das suas memórias. Nós não temos nenhum passado relacionado a ela”.

Assim sendo, comecei a perceber que minha filha estava certa. Minha família não precisava, necessariamente, se interessar por aquela casa da mesma maneira que eu. Posso contar histórias sobre minha vida quando lá morei, pois estes contos são reais para mim; uma vida. Eles são minha vida guardada nas memórias da minha casa favorita.

POR QUE DEUS QUER RECONSTRUIR AQUELA CASA?

Poucos dias depois, estava olhando vários versos da minha Bíblia quando minha atenção se voltou para esta passagem em Atos 15:16. – (referindo-se a Amós 9:11-12).

“Cumpridas estas coisas, voltarei e reedificarei o tabernáculo caído de Davi; e, levantando-o de suas ruínas, restaurá-lo-ei.”

Pensei comigo mesmo: Por que Deus quer reconstruir aquela “casa”? Por que Ele não deseja construir o tabernáculo de Moisés com toda sua originalidade? Afinal de contas, aquele foi o primeiro lugar de habitação sagrado construído por mãos humanas. E mais do que isso, por que Deus não iria querer reconstruir o templo de Salomão em todo seu esplendor! Por que Deus disse que Ele queria reconstruir o tabernáculo de Davi?

Naquele momento, era como se eu ouvisse a voz do Senhor sussurrar para mim: “Porque esta é a minha casa favorita.” Que declaração! Por que Ele disse aquilo? – Perguntei a mim mesmo. Deus parecia responder pela minha experiência: Por causa das memórias. Eu acredito que Deus tenha algumas memórias de eventos preciosos naquele tabernáculo que não aconteceram em nenhum outro lugar.

Este livro não é sobre uma reprodução mecânica do tabernáculo de Davi, mas discorre a respeito do renascimento da paixão que fez com que ele fosse construído em primeiro lugar. O tabernáculo de Davi era menos estrutura e mais “acontecimentos”. A igreja, hoje, é mais estrutura e menos “acontecimentos”. Essa é a diferença entre uma “casa” e um “lar”. Isso também é o que fez a rua Slack, 114, tão viva para mim e sem importância para minhas filhas.

Se a paixão do coração de Davi pôde ser restaurada, então o próprio Deus vai ajudar no processo de reconstrução do tabernáculo (lugar de habitação). Ele disse isso!

De todos os edifícios, estruturas, tendas e templos que já foram construídos e dedicados a Deus, por que Ele distinguiu o abrigo provisório de Davi no Monte Sião e disse: Este é o que Eu vou reconstruir? A resposta para esta pergunta desafia muitas das nossas ideias mais queridas a respeito do papel da Igreja, transformando minha vida e gerando a mensagem contida neste livro.

O ABRIGO PROVISÓRIO DE DAVI MAL SE QUALIFICA COMO TABERNÁCULO

Como mencionei anteriormente, é curioso como Deus não escolheu reconstruir o tabernáculo ermo de Moisés. Esta é a receita original. O tabernáculo de Moisés é o começo; é o conceito de tabernáculo revelado na sua forma mais primitiva e pura. Por outro lado, muitos de nós iríamos escolher o templo de Salomão com todo o seu esplendor de multibilhões de dólares. Por que Deus não disse que reconstruiria aquela residência real para Ele mesmo?

O abrigo provisório de Davi mal se qualifica como tabernáculo quando comparado com o tabernáculo de Moisés, e, certamente, quando comparado com o templo de Salomão. Este reunia pouco mais que uma lona estendida sobre algumas varas de tenda, para proteger a arca do sol e dos elementos da natureza. Mesmo assim, Deus disse: “Eu vou reconstruí-lo”. Evidentemente, o que impressiona Deus e o que impressiona os homens são duas coisas diferentes.

Ao dizer, “Eu voltarei e reconstruirei o tabernáculo de Davi que estava caído; reconstruirei suas ruínas e o levantarei”, Deus deixa claro que Ele não o derrubou. Este caiu por si mesmo. Isto também indica que o tabernáculo de Davi fora escorado de certa forma pelo homem. Como é que eu sei disso? Pela certeza de que nada que está apoiado ou sustentado pelo Deus Eterno pode cair, porque Ele nunca fica fraco ou cansado.

Deus parecia estar dizendo: “Eu sei que o tabernáculo de Davi era um tabernáculo de homem, e que as mãos do homem se tornaram fracas e cansadas. Então, Eu vou começar um processo que fortalece a raça humana e a traz de volta à mesma casa que Davi tinha. Aquela é a Minha casa favorita.”

DEUS NUNCA SE IMPRESSIONOU COM CONSTRUÇÕES

Por alguma razão, o mundo cristão se esqueceu de que Deus nunca se impressionou com construções. Pastores e membros que se reúnem em estruturas simples, ou abrigos, constantemente batalham por reconhecimento terreno, para serem reconhecidas como uma igreja legítima na cidade.

Provavelmente, alguns complexos de igrejas esplendorosas e multibilionárias na mesma cidade batalham por reconhecimento celestial, para serem identificadas como uma igreja legítima. Nossa afeição por torres e vitrais pode entrar no nosso caminho e impedir a adoração verdadeira. Se for preciso escolher, Deus prefere paixão a palácio! Se você recordar, Davi queria construir um templo, mas Deus lhe disse que Ele não estava interessado. Se você observar mais atentamente nas passagens bíblicas, descrevendo a dedicação do enorme templo de Salomão, verá Deus dizendo coisas tais como:

Sucedeu, pois, que, tendo acabado Salomão de edificar a casa do Senhor […] o Senhor tornou a aparecer-lhe […] e o Senhor lhe disse: Ouvi a tua oração e a tua súplica que fizeste perante mim; santifiquei a casa que edificaste, a fim de pôr ali o meu nome para sempre; os meus olhos e o meu coração estarão ali todos os dias. Se andares perante mim como andou Davi, teu pai […] então, confirmarei o trono de teu reino sobre Israel para sempre […]. Porém, se vós e vossos filhos, de qualquer maneira, vos apartardes de mim e não guardardes os meus mandamentos e os meus estatutos, que vos prescrevi, mas fordes, e servirdes a outros deuses, e os adorardes, então, eliminarei Israel da terra que lhe dei, e a esta casa, que santifiquei a meu nome, lançarei longe da minha presença; e Israel virá a ser provérbio e motejo entre todos os povos. E desta casa, agora tão exaltada, todo aquele que por ela passar pasmará, e assobiará, e dirá: Por que procedeu o Senhor assim para com esta terra e esta casa? Responder-se-lhe-á: Porque deixaram o Senhor, seu Deus […] e se apegaram a outros deuses, e os adoraram, e os serviram. Por isso, trouxe o Senhor sobre eles todo este mal. – (1 Reis 9:1-9).

Quando os discípulos de Jesus comentaram sobre a magnificente beleza do templo de Herodes em Jerusalém, Ele profetizou: “Vedes estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada” – (Lucas 21:6).

Mas Deus nunca disse tais coisas sobre o tabernáculo de Davi. De fato, Ele falou exatamente o oposto. Ele parece não estar dizendo: “estava caído”, mas sim: “Posso ajudar a levantar as varas de sua tenda uma vez mais? Posso ajudar a restaurar o que o tempo roubou e o que a fraqueza do homem permitiu que viesse a colapso? Eu quero preservar esta casa – as memórias dos ‘encontros com os homens’, aqui, significam muito para Mim.”

Nós queremos encontros com Deus, mas Deus quer encontros com o homem, porque encontros com Seus filhos O comovem. Ele vai “rasgar véus” e interromper o tempo para ter uma visita com Seus filhos. Quando ponho meus compromissos de lado para “tomar um chá” no chão ou na casinha de brinquedo com a Andréa, isto constrói memórias vividas para ela; e isto também constrói memórias preciosas para mim.

DAVI ESTAVA INTERESSADO NA CHAMA AZUL

O componente mais poderoso do tabernáculo de Davi começou muito antes de a verdadeira tenda ser construída. Ele iniciou no coração de Davi, quando ele ainda era um menino pastor nos campos, aprendendo como adorar e comungar com Deus. E floresceu durante sua caminhada para retornar a arca da Aliança ale Jerusalém. Sua jornada é importante para nós porque também é uma figura, para a Igreja em nossos dias, da nossa marcha de retorno à presença de Deus. A passagem seguinte, extraída do meu livro Os caçadores de Deus, descreve os motivos de Davi como o último caçador de Deus dos seus dias:

“Quando Davi começou a trazer a arca da Aliança de volta para Jerusalém, ele não estava interessado na caixa coberta de ouro com os artefatos dentro dela. Ele estava interessado na chama azul que pairava entre as asas estendidas do querubim no topo da arca. Isto é o que ele queria, porque havia algo sobre a chama que significava que o próprio Deus estava presente. E aonde quer que aquela glória ou presença manifestada de Deus fosse, havia vitória, poder e bênção. Intimidade irá produzir ‘benção’, mas a busca de ‘bênção’ nem sempre irá produzir intimidade.”

DEUS FICOU INTENSAMENTE COMOVIDO COM A BUSCA DE DAVI PELA SUA PRESENÇA

De alguma maneira, Davi capturou algo na essência de Deus. Algo que ninguém mais parecia alcançar. Eu não entendo como isso funciona, mas sei que a paixão de Davi pela presença de Deus foi crucial. Somente espero que seja contagiosa. Desde aquela úmida tarde em West Monroe, Louisiana, eu ouvi um sinal do Céu: “Se você a construir, Eu virei.”

Lembre-se de que Davi é o único homem descrito nas Escrituras desta maneira: “Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade.” – (Atos 13:22).

Estou convencido de que há dois significados para esta frase: “segundo o meu coração”. A interpretação padrão é que Davi era um homem “como” o coração de Deus ou cujo coração era “como” o coração de Deus.

Eu também creio que Davi era um homem que constantemente “buscava” o coração de Deus. Ele era um caçador de Deus, um perseguidor da presença de Deus. Sua determinação de trazer a arca para Jerusalém era uma prova viva do seu intenso amor pela presença de Deus. Essa segunda interpretação é suportada, nos Salmos, pelas descrições incomparáveis de Davi em sua íntima caminhada espiritual com Deus.

Eu não vou entrar em detalhes, mas há muitas similaridades entre o tabernáculo de Davi, o templo que Salomão construiu e o tabernáculo de Moisés.3 O tabernáculo de Moisés e o templo de Salomão caracterizaram três áreas cercadas distintas: o átrio exterior, o Lugar Santo e o Santo dos Santos.

Um grande véu (uma grande cortina no nosso coloquialismo moderno) estava estendido cruzando o tabernáculo para separar o Tabernáculo Santo do Santo dos Santos onde a arca da Aliança descansava.

A arca era uma caixa de madeira, coberta de ouro, construída por Moisés de acordo com instruções recebidas por Deus. Sua tampa era equipada com sólidas figuras de querubins (duas figuras angelicais) de ouro, com asas estendidas, olhando um para o outro. O espaço entre eles era chamado: “propiciatório” (o lugar da misericórdia), e era lá que a chama azul da presença manifesta de Deus pairava (também a glória, shekinah). A arca, o lugar da misericórdia e a chama azul da presença de Deus estavam sempre escondidos atrás do tecido grosso do véu.

Deus nunca gostou daquele véu. Ele precisava tê-lo, mas não gostava dele. Quando Jesus morreu na cruz do Calvário, foi Deus quem rasgou o véu de alto a baixo no templo de Herodes, em Jerusalém. Ele o rasgou de tal forma que nunca mais poderia ser costurado de novo. Ele odiava aquele véu como um prisioneiro odeia a porta de sua cela! Ele representava a parede, a linha de divisão que O separava da humanidade. Até aquele dia no Calvário, Deus tinha de Se esconder atrás do véu para preservar a vida da humanidade caída, que vinha adorá-Lo em Sua santidade.

ESTOU CANSADO DE ESTAR SEPARADO DOS MEUS FILHOS

Talvez o ingrediente que falta é a chave do favor: o tabernáculo de Davi era o único, entre todas estas construções, que não tinha véu.

Esta chave pode começar a desenrolar um dos pedaços mais importantes da sabedoria de todos os tempos: Deus, realmente, não quer estar separado de nós. De fato, Ele fará o possível para destruir as coisas que O separam e O escondem de nós. Deus odeia o pecado porque ele traz separação. Deus foi tão longe a ponto de rasgar o “véu” da carne de Seu Filho no monte Calvário. Ao mesmo tempo, mãos invisíveis rasgaram o véu no monte Sião, para dizer: “Eu jamais quero isto costurado de novo! Estou cansado de estar separado de Meus filhos.” Deus não quer somente horas de visitas com Seus filhos. Ele quer tempo integral! Ele “quebrou a parede mediana da separação.” – (Ver Efésios 2:14).

Agora, estamos começando a coletar algumas pistas que nos dizem por que Deus gostou mais da casa de Davi do que de qualquer outra construída em Seu nome. Moisés seguiu as direções de Deus e construiu a tenda, ou tabernáculo, com paredes suspendidas de tenda, cercadas por uma parede de linho de 4,6 m de altura, numa moldura de madeira, em torno do seu perímetro externo. Em contraste, não havia véu nem paredes de qualquer tipo em torno do tabernáculo de Davi. Nada separava a humanidade da chama azul de Deus na casa da Davi. De fato, a única coisa que cercava a presença de Deus no tabernáculo de Davi eram os adoradores, que ministravam a Ele durante as vinte e quatro horas do dia, sete dias da semana, trezentos e sessenta e cinco dias do ano, por aproximadamente trinta e seis anos!

Durante aquele tempo, se o rei Davi se levantasse no meio da noite com uma insônia da realeza, ele poderia ouvir o cantar, o louvar e o tilintar dos címbalos vindos do tabernáculo. Ele podia olhar na direção da lareira próxima ao seu quarto e ver as sombras de pés se arrastando e dançando ao redor da arca, iluminadas por luzes de velas tremulantes e lamparinas.

Talvez tenha sido naquele tempo que ele escreveu:

“Bendizei ao Senhor, vós todos, servos do Senhor, que assistis na Casa do Senhor, nas horas da noite; erguei as mãos para o santuário e bendizei ao Senhor.” – (Salmos 134:1-2).

Dia e noite, os adoradores encontravam-se, dançavam e adoravam a Deus em Sua presença. Era como se eles estivessem mantendo os céus abertos com suas mãos levantadas. Se Davi olhasse diligentemente, se o ângulo estivesse bem correto e se os adoradores se movessem também desta maneira, ele veria o brilho azul da glória de Deus irradiando entre seus braços levantados e os pés dançantes.

NO TABERNÁCULO DE DAVI, A GLÓRIA DE DEUS ERA VISTA POR TODOS

O tabernáculo de Davi era único. Em todos os outros lugares de adoração onde a arca da Aliança estava abrigada, os adoradores tinham de adorar quem estava atrás do véu sem nunca saber ou ver o que estava lá. Somente o sumo sacerdote poderia se arriscar a ir atrás daquele véu – mesmo assim, apenas uma vez ao ano. Mas, no tabernáculo de Davi, a glória de Deus era vista por todos – não importava se eram adoradores, transeuntes ou ímpios. A adoração sem véu criou visão sem impedimento!

O milagre da “Casa favorita de Deus” pode ser esboçado no desejo de Davi pela presença de Deus. Ele disse: “Como posso pegar a arca de Deus para mim?” Ele agiu sobre este desejo com todo o seu ser. Sua primeira tentativa de trazer a arca da Aliança para Jerusalém terminou em desastre; resultou em uma completa revisão dos métodos de Davi para “lidar com o Santo”. Quando Davi e sua linhagem de levitas e adoradores finalmente chegaram a Jerusalém, após uma viagem árdua de 20 quilômetros a pé, Davi devia estar dançando tanto de alívio quanto de alegria: “Conseguimos!”

Em algum lugar no processo de transportar a arca e honrar a Deus, Davi começou a dar importância às coisas que Deus valoriza. Por outro lado, sua esposa Mical valorizou a dignidade mais do que a Divindade. Ela foi amaldiçoada com a esterilidade, embora o fato de não ter filhos pudesse ser atribuído à sua falta de intimidade com Davi.

Encontros íntimos com Deus são, às vezes, embaraçosos na vida do homem. O panorama da cristandade americana, e de várias partes do mundo, está semeado com igrejas áridas que viraram as costas para a intimidade da adoração. São as Micals dos dias modernos que também têm escolhido valorizar dignidade mais do que intimidade com a Divindade.

Lembre-se de que Davi não estava atrás do ouro; ele tinha muito ouro. Ele não andava atrás da caixa; podia ter outras caixas construídas. Davi não se interessava pelos artefatos da caixa; eles eram boas lembranças das aparições de Deus para os outros muito antes de ele nascer; mas não representavam fascinação para ele. Davi estava buscando aquela chama azul da glória de Deus. Pelas suas ações, Davi estava dizendo: “Eu tenho de aprender a carregar aquela chama azul.”

Podemos construir prédios melhores, criar corais maiores, escrever músicas melhores e pregar melhores sermões – podemos fazer tudo com mais excelência do que antes. Mas se não estivermos carregando a “chama azul”, Deus não estará se agradando. E Ele fará com que igrejas “sem chama” se tornem irrelevantes para os homens como queremos apenas o suficiente de Deus em nosso lugar de adoração para nos dar um formigamento ou fazer um calafrio subir por nossa espinha. Então dizemos: “Oh, Ele está aqui.” A questão é: “Ele ficará”? A questão não é sobre nós, mas sobre Deus.

Tem de haver mais nisto do que emoções e arrepios. Davi não se sentia contente com uma visitação temporária. Ele estava buscando mais, e esta foi a razão pela qual disse aos adoradores levitas: “Vocês não vão a lugar algum. Eu quero você e seu grupo pegando as primeiras três horas. Quanto aos outros, fiquem com a próxima vigia, e vocês, com a terceira.”

Eu anseio pelo dia em que o povo de Deus vai adorá-Lo e honrá-Lo durante vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana – “24/7”. Com raras exceções, os santuários das igrejas são as salas menos usadas nos Estados Unidos e em todo o mundo. Enquanto uma constante multidão de pessoas aflui a lojas de conveniência vinte e quatro horas para estocar necessidades terrenas e passageiras, nossas igrejas mal funcionam duas horas por semana, porque a demanda para seus “produtos” é muito baixa. Devemos cultivar o estilo de vida “24/7” antes que embarquemos em uma estrutura organizada, para que isto não se torne como todas as outras coisas que temos feito – mecânicas.

Este livro não foi escrito para defender artificialmente estacas que mantêm as portas da igreja abertas. Ele é um chamado para a paixão do coração de Davi, um adorador. Seu tabernáculo se tornou a casa favorita de Deus por causa de quem adorava ali! Assim como a rua Slack, 114 se tornou minha casa favorita, não em razão da árvore de magnólia ou da pintura branca e do carpete verde da sala de estar, mas por causa de quem morava lá – Mamãe, Papai e a família.

Deus só quer estar com Seus filhos. Estábulos serão suficientes. Funcionou em Belém e na rua Azusa.5 Qualquer coisa para se aproximar. Se Davi olhasse para o seu humilde tabernáculo e dissesse: “Algum dia, espero fazer melhor”, então Deus responderia: “Uma tenda é suficiente, Davi. Somente mantenha seu coração quente!”

Temos construído lindos santuários com quase ninguém dentro deles, porque, se não há chama, não há nada para se ver. Não há glória shekinah em nossas igrejas, pois temos perdido nossa habilidade de hospedar o Espírito Santo. Por que Deus disse que Ele iria reconstruir a casa de Davi? Eu acredito que seja porque o tabernáculo de Davi não tinha véu ou muros de separação. Deus deseja intimidade entre Ele e Seu povo; Ele quer revelar Sua glória a um mundo perdido e morto. Ele tem de reconstruí-lo, porque as fracas mãos do homem cansaram de manter abertos os portões do Céu com sua adoração e intercessão.

Será que estamos querendo redescobrir o que Davi aprendeu ou já estamos entediados com o “tour da herança” de Deus? Será que já escapamos para a ‘van’ e ligamos o ar condicionado enquanto dizemos: “Isso não significa nada para mim porque eu não tenho nenhuma memória relacionada a este lugar”?

Penso comigo mesmo o que significou para Deus, em toda a Sua glória, poder estar no tabernáculo rústico de Davi, sentar bem no meio do Seu povo, sem véus ou paredes separando-O de Sua criação, pela primeira vez desde o jardim do Éden.

Volte sua face na direção d’Ele agora e Lhe pergunte o que Ele realmente quer. A resposta vai mudar você para sempre.

 

 

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FOTOGRAFIAS DE COMPORTAMENTO – II

Todo criminoso deixa sua marca no crime praticado. É a fotografia de seu comportamento e por ele podemos conhecer seu aspecto psíquico

Fotografias de comportamento

Como prometemos voltar ao assunto, vamos ver hoje delitos praticados por doentes mentais e suas “imagens”.

Quando doentes mentais praticam crimes e há nexo de causa e efeito, invariavelmente são ações bizarras, inusitadas ou semelhante. Assim, uma característica significativa desses atos é o fato de que não podem ser compreendidos psicologicamente, como pode, por exemplo, um indivíduo caluniar alguém por vingança, ser xingado e devolver o xingamento, estar sem dinheiro e assassinar uma pessoa para roubar sua carteira etc. Esses comportamentos, jurídica e moralmente, são condenáveis, mas, por sua vez, psicologicamente compreensíveis.

Já nos crimes dos doentes mentais tal relação não existe. Repetindo, são incompreensíveis psicologicamente.

A bem ver, há dois tipos predominantes de delito praticados por doentes mentais. O primeiro liga-se aos doentes-criminosos que mantêm a inteligência, podem ser sagazes, raciocinam e agem premeditadamente graças a um processo doentio que nasce deformado no conteúdo do pensamento e torna-se delirante, evolui e determina a conduta criminosa. No segundo tipo de crime, são doentes mentais cujos atos são praticados em curto-circuito, em um impulso momentâneo.

Como exemplo do primeiro grupo, cite-se o caso do sextanista de Medicina que, em estado psicótico (ruptura com a realidade), comprou uma metralhadora, entrou no cinema e atirou na plateia, matando pessoas que não conhecia, sem reivindicar ou roubar nada, deixando-se dominar, sem reagir, com a metralhadora carregada.

Por sua vez, um exemplo de delito por explosão momentânea (segundo grupo) — embora os criminosos envolvidos não tenham assumido a autoria do crime — é o caso que envolveu a menor Isabella Nardoni. Recordando, a menina, à época, foi defenestrada pelo pai. Antes disso, a madrasta, em estreitamento epiléptico de consciência, sem reflexão e por impulso, bateu(?), sacudiu(?) a menina, que não morreu de fato, mas parecia morta. Então o pai, em folie à deux (loucura a dois), atirou a criança, ainda viva, pela janela, para se livrar do “cadáver”.

Esses dois casos, sextanista de Medicina e Isabella, somente podem ser compreendidos por meio da psicopatologia. Ou admitimos a existência de transtornos mentais graves ou ambas as condutas delituosas são incompreensíveis psicologicamente.

As “fotografias” dos crimes revelam que os praticantes estavam em estado de alienação mental, de doença mental. Ninguém, em sã consciência, metralha pessoas de maneira aleatória, bem como mata crianças e arremessam filhos pela janela.

Para finalizar, é preciso recordar que doença mental não é psicopatia. O psicopata não é nem louco nem normal, mas uma espécie de chauve-souris (morcego), como dizem os franceses: criatura que tem asas, voa e não é pássaro; tem pelos e não é animal pilífero. Seus crimes também guardam características peculiares, fotografias de comportamento.    

OUTROS OLHARES

ASSIM COMO NÓS

Estudo de brasileiros e britânicos indica algo surpreendente: além de usarem ferramentas, símios são capazes de desenvolvê-las, do mesmo modo que os humanos

Assim como nós

“Temos de redefinir o que são ‘ferramentas’, e redefinir o ‘homem’, ou aceitar chimpanzés como humanos”, disse o paleontólogo queniano Louis Leakey (1903-1972), um dos nomes mais célebres de sua área, após saber de uma fascinante descoberta da colega Jane Goodall, hoje com 85 anos, em 1960. Ela havia observado chimpanzés torcendo galhos para usá-los para fisgar cupins em seus ninhos. Até aquele momento, acreditava-se que humanos seriamos únicos capazes de utilizar ferramentas. Desde então, muito do que se tinha como certo sobre a diferença entre o Homo sapiens e outros animais, especialmente os primatas, foi desmentido. Gorilas, bonobos e outros macacos possuem formas simplificadas de linguagem, capacidade empática, emoções e até mesmo organizações hierárquicas nos territórios em que habitam. “Se olharmos profundamente nos olhos de um chimpanzé, uma personalidade autoconsciente e inteligente nos olhará de volta. Se eles são animais, o que somos nós?”, resumiu, de forma algo poética, o primatólogo e escritor holandês Frans de Waal, no livro Chimpanzee Politics (A Política dos Chimpanzés), publicado em1982. Pois há agora um novo verso, por assim dizer, no imaginário poema que tematiza nossa proximidade de alguns dos demais primatas. Dois cientistas da Universidade de São Paulo, em parceria com três colegas britânicos, acabam de divulgar, em um periódico da inglesa Nature, a comprovação de que existe uma nova e importante semelhança entre os seres humanos e os símios. Depois de um cuidadoso e demorado estudo, os pesquisadores descobriram que aqueles animais não só sabem utilizar ferramentas como também são capazes de desenvolvê-las como passar do tempo.

A conclusão é resultado de observações iniciadas em 2004 no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, a maior e a mais antiga concentração de sítios pré-históricos da América do Sul. Foi lá que os cientistas encontraram 122 amostras de rochas, datadas de 3.000 anos, que guardavam uma surpresa: a análise das pedras revelou que elas tinham sido moldadas pelas mãos de macacos-prego para abrir sementes e nozes, cavar o solo, processar frutas e até mesmo servir como peças de exibição durante preliminares sexuais. Até aí, a novidade não era tremenda; afinal, chimpanzés e bonobos africanos, além dos próprios macacos-prego que ainda hoje habitam o Piauí, fazem o mesmo. A descoberta desconcertante foi outra: no decorrer dos últimos três milênios, as ferramentas evoluíram de acordo com as necessidades da espécie. Quinhentos anos atrás, por exemplo, os macacos só recorriam a pequenas pedras como ferramentas auxiliares na hora de se alimentar. Mais recentemente, há três séculos, passaram a preferir rochas maiores –   ideais, por exemplo, para abrir castanhas de casca dura.

“É o primeiro caso, fora da linhagem humana, de adaptação de uma ferramenta de acordo com seu uso”, afirma o biólogo paulistano Tiago Falótico, um dos autores do estudo – o outro brasileiro é o biólogo e psicólogo também paulistano Eduardo Ottoni. “A criação de ferramentas de pedra é um elemento de extrema importância na evolução humana. Temos de compreender como essa habilidade foi desenvolvida em outras espécies.”

Essa formidável aptidão dos macacos-prego para elaborar uma tecnologia vem se juntar a outras características humanas, demasiado humanas, de outros primatas – como a que fica evidente, por exemplo, quando se assiste a um vídeo que viralizou em 2016 (mais de 10 milhões de visualizações no YouTube). Nele, o primatólogo holandês Jan Van Hooff reencontra a fêmea de chimpanzé Mama no zoológico de Arnhem. Eles não se viam fazia alguns anos, apesar de se conhecerem desde 1972. Nenhuma pessoa estranha conseguiria se aproximar de Mama, que estava doente e poderia responder com agressividade. No entanto, ao avistar Van Hooff, ela o abraçou e acariciou, emocionada, como fariam dois amigos nas mesmas circunstâncias. Duas

GESTÃO E CARREIRA

ELAS GANHAM ESPAÇO

Ranking elaborado pela consultoria GPTW premia as 55 melhores empresas para a mulher trabalhar no brasil. Em sua terceira edição, a pesquisa reforça que a equidade de gênero faz bem aos negócios

Elas ganham espaço

O que você faria para que sua empresa tivesse um aumento na receita seis vezes superior ao da média do mercado? E se, de quebra, os funcionários se engajassem mais no trabalho e a rotatividade de pessoal diminuísse?

Simples: diversifique. Contrate mulheres.

A receita está na terceira e última edição do ranking “As melhores empresas para a mulher trabalhar”, elaborado pelo braço brasileiro da consultoria global GPTW (Great Place to Work). Das 444 inscritas, representando cerca de 1 milhão de funcionários, foram selecionadas 55 empresas – 30 de grande porte, e 25 de médio.

Para participar do GPTW Mulher, a companhia tem de preencher três requisitos. Possuir, no mínimo, cem funcionários; preencher 15% ou mais dos cargos por mulheres; e do total de gestores, 15%, ao menos, deve ser do sexo feminino. Atender a esses quesitos ainda não é fácil, mas, aos poucos, cresce o número de empresas aptas a concorrer a uma vaga no ranking –  e, consequentemente, aumenta a lista de empresas agraciadas. Em 2017, na primeira edição do GPTW Mulher no Brasil, elas foram 30. No ano passado, foram 40. A palavra-chave para conseguir colher os frutos da equidade é consistência. “Esse assunto está pipocando nos últimos cinco a sete anos, mas percebemos que as empresas que estão mais avançadas nas práticas de gestão de pessoas com um olhar voltado à mulher começaram a trabalhar nesse tema há mais de 15 anos”, diz Daniela Diniz, diretora do GPTW Brasil.

A igualdade de gênero deixou de ser um tema exclusivo do setor de recursos humanos e hoje é discussão frequente entre a alta liderança das organizações, São inúmeras as evidências de que ter mais mulheres nas diretorias, criar políticas inclusivas e investir na carreira delas desde a base tem efeito positivo no resultado financeiro das en1- presas. A equação não é complicada.

Na economia 4.0, a equidade tem se revelado essencial. “A diversidade importa não apenas para o bem da sociedade, mas porque melhora o negócio”, diz Karen Greenbaum, CEO da Association of Executive Search and Leadership Consultants (AESC), associação internacional que reúne companhias de recrutamento. A diversidade promove o encontro de pontos de vista, referências e backgrounds distintos. E o encontro dos diferentes promove naturalmente a criatividade e a inovação – consequentemente, a produtividade e a lucratividade. As empresas premiadas pelo GPTW Mulher 2019 tiveram um aumento de faturamento de 12,2%, em média – um crescimento seis vezes maior do que o registrado no mercado em geral.

Tem mais. “Se uma mulher chega em nossa companhia e percebe que é possível fazer carreira e ascender a um posto de liderança, esse ambiente torna-se mais atraente”, diz Guilherme Rhinov, diretor de RH da Johnson & Johnson no Brasil (a número 1 entre as organizações de grande porte).

DE CIMA PARA BAIXO

Para convencer toda a organização de que o tema da igualdade deve ser levado a sério, a discussão precisa estar no dia a dia da empresa, fazer parte da cultura corporativa, diz Fabiana Cymrot, vice-presidente de Recursos Humanos para o Brasil e o Cone Sul da Mastercard (líder entre as empresas médias). Ao que Karen, da AESC, complementa: “A promoção da equidade é também um trabalho da diretoria de marketing, tanto quanto do CFO, do CIO e é claramente um dos trabalhos do CEO. Se a empresa não tem um CEO interessado ou comprometido com a diversidade, é muito mais difícil”.

Entre as 30 empresas de grande porte do GPTW, a IBM segue à risca essa premissa – tanto que o aumento no número de líderes mulheres é uma das métricas para o cálculo do bônus de Ana Paula Assis, presidente da empresa para a América Latina. “Sem alinhamento estratégico, você sempre vai tratar o tema da diversidade como acessório, como algo que pode ser deixado para depois”, defende a executiva. Incentivar a participação feminina pressupõe mudar antigas políticas. “Costumo dizer que o nome do jogo para a mulher no mercado corporativo é a flexibilidade. Ainda cabe às mulheres uma série de responsabilidades nos cuidados da casa e dos filhos”, lembra Ana Paula. “As empresas precisam se adaptar às necessidades delas e não o contrário, como sempre aconteceu.”

Essa preocupação, no entanto, não vale como regra – ainda. É o que mostra o levantamento “Mulheres na Liderança 2018”, fruto da parceria da Will (Women in Leadership in Latin America) com o Valor Econômico, realizado pela Ipsos, entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019. Das 165 empresas pesquisadas, apenas 41% têm alguma política formal sobre equidade de gênero, com metas claras e ações planejadas.

ESTRATÉGIA E MÉTRICAS

Se a equidade precisa estar entre as prioridades estratégicas da empresa, é preciso que ela seja tratada como tal. Isso significa criar métricas para acompanhar o avanço nesse setor. “What gets measured gets managed” (O que é medido, é gerenciado), já dizia, em 1954, o professor, escritor e consultor austríaco Peter Drucker (1909-2005), tido como o pai da administração moderna.

Quando o assunto é salários, por exemplo, a análise de dados se mostra importante. “As empresas partem do pressuposto de que não há diferenças salariais entre homens e mulheres, argumentando que não existe uma tabela de rendimentos para o sexo masculino e outra, para o feminino”, conta Ricardo Sales, sócio da consultoria Mais Diversidade e pesquisador na Universidade de São Paulo (USP). “Quando, no entanto, essas empresas fazem um estudo detalhado, percebem que homens e mulheres exercendo a mesma função não recebem a mesma remuneração.” Como frisa Ricardo, um levantamento desse tipo, para ser bem-feito, envolve muita estatística para excluir todas as variáveis que podem impactar o resultado final, com o tempo de casa e experiência. Na Mastercard, todos os anos é feita uma análise dos salários da empresa. “Não adianta fazermos isso neste ano e ficarmos cinco anos sem analisar. É um processo, não podemos deixar de acompanhar essas métricas”, diz a executiva Fabiana.

 PARTICIPAÇÃO MASCULINA

“Antes, quando a gente começava a falar de equidade de gênero, ou mesmo sobre práticas voltadas às mulheres, era sempre o clube da Luluzinha – mulheres falando para mulheres sobre mulheres”, lembra Daniela, do GPTW. “Agora, vejo um envolvimento para incluir os homens nessa discussão, inclusive com treinamentos e workshops sobre viés inconsciente.” Segundo ela, isso indica uma maior maturidade das empresas em relação ao tema da diversidade. “O papel dos homens é fundamental nesse processo, até porque eles hoje ainda são maioria nas posições de liderança”, faz coro Ana Paula, da IBM.

Na 11° posição na lista das grandes, a Accor até mudou o nome do programa de diversidade para incluir os homens na discussão. No ano passado, o Women At Accor Hoteis Generation (WAAG) virou RiiSE – o “ii” simbolizando mulheres e homens. “Mudamos um pouco o foco do programa, passamos a falar mais em igualdade de gênero. A gente entende que é muito difícil levar essas iniciativas adiante sem o envolvimento masculino”, explica Magda de Castro Kiehl, vice-presidente jurídica da Accor na América do Sul e responsável na região pelo RiiSe.

Mesmo entre as empresas premiadas no GPTW Mulher, a presença feminina nos cargos de liderança ainda é menor do que a masculina. Apesar de serem maioria, elas ocupam 45 % das posições de média liderança e 26% das cadeiras na alta liderança. Nos conselhos das organizações, a participação das mulheres é ainda menor – 7,3%, nas companhias listadas no Novo Mercado da B3, segundo a consultoria Enlight. Nesse segmento da bolsa brasileira, encontram se as empresas que, voluntariamente, adotam práticas adicionais de governança corporativa. Das 142, 92 (65%) têm conselhos formados exclusivamente por homens. Em apenas sete, a participação feminina no conselho supera 30%.

 MENTORIA

Como adverte Karen, da AESC, “você não pode achar que por ter uma mulher na diretoria, a lição de casa está feita”. Isso não basta. A ênfase no desenvolvimento da carreira das funcionárias e funcionários é um traço comum, entre as premiadas no GPTW, com mentoria, coaching e incentivo ao desenvolvimento de novas habilidades.

Na Mastercard, desde o início deste ano, há um programa de mentoria para ajudar homens e mulheres a crescerem profissionalmente. “As oportunidades devem ser iguais”, diz Fabiana. Segundo a executiva, a mentoria é um dos fatores que ajudam, a cada ano, 30% dos funcionários a mudar de área dentro da companhia ou receber uma promoção. “É mais uma forma de você trabalhar seu desenvolvimento, entender como se conecta com uma pessoa que tem senioridade maior que a sua, e isso aumenta não só a visibilidade das pessoas dentro da companhia, como a integração entre as áreas.”

Para o consultor Ricardo, iniciativas como essa são especialmente benéficas às mulheres. “É importante acompanhar o desenvolvimento da carreira delas, para que tenham de fato oportunidade de crescer dentro da empresa e ajudá-las na promoção do networking.” Segundo ele, os espaços de networking, “como o futebol”, em geral não são receptivos à presença feminina.

VIÉS INCONSCIENTE

O debate em torno da equidade de gênero tem ganhado impulso também nos processos de seleção. Uma das práticas mais adotadas é o estabelecimento de metas – ter, entre os candidatos entrevistados para qualquer vaga, pelo menos uma mulher, por exemplo. Isso obriga os gestores a olhar para uma amostra mais diversa de profissionais. ”A gente sempre vai contratar o melhor candidato, independente de gênero, idade, raça, religião ou orientação sexual, mas em todos os processos seletivos a orientação é a de que haja mulheres como finalistas”, conta a executiva Fabiana, da Mastercard. Para driblar a escassez feminina na tecnologia, a Accenture (12° lugar no rol das grandes) promove treinamentos específicos para mulheres na área. “O papel do recrutador é entregar ao gestor uma lista diversa de candidatos. A escolha é por mérito, mas se você já começa com uma lista desequilibrada, a probabilidade de contratar mulheres é menor”, diz Beatriz Sairafi, diretora de RH da Accenture.

Além disso, há entre as empresas uma crescente busca por workshops sobre o viés inconsciente. “É um traço cultural no Brasil que as pessoas neguem seu próprio preconceito. É preciso fazer uma capacitação dos gestores para que eles entendam que todo mundo tem algum preconceito”, recomenda o consultor Ricardo, da Mais Diversidade. “Temos de ter consciência de onde mora nosso preconceito. Só assim você diminui o risco de o preconceito se transformar em discriminação.” É um primeiro – e importantíssimo – passo rumo à igualdade (de gênero, raça, idade, orientação sexual…) não apenas no trabalho, mas na vida.

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 10 – MOISÉS: 1500 ANOS DE BUSCA PELA GLÓRIA DE DEUS

 

VOCÊ NÃO PODE BUSCAR A FACE DE DEUS E PRESERVAR A SUA PRÓPRIA “FACE “

Quando Deus nos diz: “Vocês não podem ver Minha face”, muitos, rapidamente, retornam às atividades normais e ficam satisfeitos, pensando já terem cumprido seu dever religioso. Quando descobrimos que os mais valiosos tesouros requerem a morte para si mesmos, para o “eu”, interrompemos nossa “caçada”. Nem mesmo questionamos, ou tentamos descobrir por que Sua presença nos vem sem que paguemos um preço. Talvez, porque tenhamos medo de sermos impertinentes, ou porque tenhamos medo da resposta. Moisés insistiu e aprendeu que “perseguir” a Deus, movido por amor à Sua pessoa, não o incomodava, mas, sim, significava a maior alegria do Seu coração.

O desejo ardente de ver a glória de Deus, de vê-Lo face a face, é uma das chaves mais importantes para o avivamento e para o cumprimento dos propósitos de Deus sobre a terra. Analisemos atentamente a “caçada” de 1500 anos que o antigo patriarca Moisés empreendeu atrás da glória de Deus. Como vimos anteriormente no Capítulo 4, quando Moisés pediu a Deus: “Mostre-me Sua glória”, o Senhor respondeu: “Não, Moisés, você não pode vê-La. Somente os que já morreram podem ver a Minha face.” Felizmente, Moisés não parou por aí. Infelizmente, a Igreja, sim.

Seria mais fácil, para aquele homem, ter-se contentado com a primeira resposta de Deus, mas ele não se deu por satisfeito. Moisés não estava sendo egoísta ou presunçoso. Ele não estava buscando coisas materiais ou fama pessoal. Ele nem mesmo estava buscando milagres ou dons (e olha que Paulo nos exorta a buscarmos os melhores dons em sua Carta aos Coríntios). Tudo que Moisés queria era Deus, e desejá-Lo é a maior alegria que Lhe podemos proporcionar. Mesmo para Moisés, aquele que buscou Deus, as coisas não foram fáceis.

“Então ele [Moisés] disse: Rogo-te que me mostres a tua glória. Respondeu-lhe: Farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o nome do Senhor; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer.

E acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá. Disse mais o Senhor: Eis aqui um lugar junto a mim; e tu estarás sobre a penha. Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha, e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado.

Depois, em tirando eu a mão, t u me verás pelas costas; mas a minha face não se verá.” (Êxodo 33.18-23.)

Quando Moisés, no Monte Sinai, teve tal conversa com o Senhor, os israelitas já tinham virado as costas para fugir de Deus, após Ele lhes pedir que se aproximassem. Somente Moisés se achegara à nuvem da presença de Deus. Em temor e tremor, Israel, por causa de seus pecados, tinha implorado que Moisés e, depois, os sacerdotes araônicos se colocassem entre eles e o temível Deus. Muitas vezes, Moisés já tinha se achegado à nuvem na tenda da congregação: ainda assim ele ousou desejar mais.

BUSCAREMOS A DEUS OU A APROVAÇÃO DOS HOMENS?

Enquanto Moisés buscava a presença de Deus em favor dos israelitas, no alto do monte, seu irmão Aarão, o sumo sacerdote, constrangido pela pressão da opinião pública, concordou em fazer um bezerro de ouro para ser idolatrado. Enquanto Moisés via os dedos de Deus escreverem a lei nas tábuas de pedra, o povo perseguia seus próprios prazeres no vale. Depois deste episódio, Deus disse a Moisés que ainda permitiria que os israelitas subissem em direção à terra prometida, mas desta vez, um anjo iria à frente deles: “…eu não subirei no meio de ti, porque és povo de dura cerviz, para que te não consuma eu no caminho” (Êxodo 33.3b). E Moisés respondeu:

“… Tu me dizes: Faze subir este povo, porém, não me deste saber a quem hás de enviar comigo; contudo, disseste: Conheço-te pelo teu nome; também achaste graça aos meus olhos.

Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça, e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo. Respondeu-lhe: A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso. Então lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar .” (Êxodo 33.12- 15)

Moisés, juntamente com todos os israelitas, não só viu como também experimentou os milagres e a sobrenatural provisão de Deus. A Igreja moderna também experimentou manifestações semelhantes, só que em escala bem inferior.

Muitos de nós teríamos saltado de alegria ao ouvir a promessa de que Deus iria conosco por onde quer que andássemos. Mas será que ao menos sabemos para onde ir? Moisés foi sábio em responder: “Se o Senhor não nos guiar, não vamos a lugar nenhum.” Moisés compreendeu que era muito “bom” ter Deus por perto, mas o “melhor” mesmo era ir com Ele.

Deus negociou com Moisés: “Eu te darei descanso.” Creio que, no Novo Testamento, o cumprimento do “descanso” de Deus para a Igreja são os dons do Espírito, os quais nos capacitam a treinar e ministrar ao Corpo com um esforço humano mínimo. A Bíblia diz em Isaías 28.11,12a:

“Pelo que por lábios gaguejantes e por língua estranha falará o Senhor a este povo, ao qual ele disse: Este é o descanso…”

Acredito que os dons do Espírito (incluindo línguas) são o “descanso” referido. Metaforicamente, Deus estava dizendo: “Moisés, Eu lhe darei os dons, o ‘descanso’.” E Moisés dizia: “Eu não quero os dons, quero o Senhor.” A Igreja está tão encantada com os dons do Espírito que não conhece o Doador destes dons. Estamos nos “divertindo” tanto com os dons de Deus, que até mesmo nos esquecemos de agradecer-Lhe. O melhor que podemos fazer, como filhos de Deus, é colocá-los de lado e sentarmos no colo do Pai. Não busque os dons, busque Aquele que os concede! Busque Sua face e não Suas mãos!

MOISÉS QUERIA A PERMANÊNCIA DE DEUS, E NÃO SOMENTE UMA VISITA

Raramente os israelitas tiravam um tempo para agradecer a Deus por Seus poderosos feitos. Eles estavam ocupados demais organizando “listas de pedidos” e reclamações referentes às suas necessidades físicas e pessoais. E o que a grande maioria tem feito hoje. Moisés, no entanto, queria algo mais. Ele experimentara os milagres. Ele ouvira a voz de Deus e testemunhara Seu poder de libertação. Mais do que qualquer outra pessoa, naquele tempo, Moisés provara da manifestação da presença de Deus em porções, visitações temporárias.

Mas tudo o que viu ou experimentou indicava que havia ainda mais esperando por ele além da nuvem. Moisés esperava por mais do que uma visitação, sua alma queria a permanência do Senhor. Ele queria mais do que ver o dedo de Deus ou ouvir Sua voz através de uma nuvem ou de uma sarça ardente. Ele ultrapassou a barreira do medo e chegou ao amor. Assim, a presença de Deus, Sua habitação, passou a ser seu maior anseio. Por isso, ele implorou a Deus em Êxodo 33.18:

“Rogo-te que me mostre a tua glória.”

Ele queria ver a face do Senhor! Deus foi rápido em atender ao pedido de Moisés por Israel. Sua presença continuaria a ir adiante deles, mas Ele não atendeu, diretamente, o pedido mais urgente de Moisés. Primeiro, Deus disse que faria toda Sua bondade passar diante de Moisés e afirmou que o conhecia pelo nome. Mas quando o

Senhor explicou:

“Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá.”(Êxodo 33.20)

Tal afirmação parecia encerrar o caso, mas Moisés sentiu que deveria haver alguma maneira. O Senhor disse a ele: “Olhe, você não pode ver Minha face, mas há um lugar junto a Mim onde você pode Me ver, à distância, depois que Eu passar por você” (Êxodo 33.21-23).

Muitas pessoas teriam ficado mais do que contentes com essa resposta, mas Moisés já havia provado da alegria sobrenatural da presença do Senhor e adquiriu um gosto tão apurado por Deus, que não podia se sentir satisfeito à distância. Havia uma fome em seu ser que, para ser satisfeita, o impulsionava a arriscar a própria vida na presença de Deus. Tal fome atravessaria longos 1.500 anos e perpassaria a própria morte para ser satisfeita.

O Senhor disse a Moisés para “apresentar-se” a Ele sobre a pedra, na manhã seguinte, e Ele o esconderia na fenda da pedra, enquanto estivesse passando com Sua glória. Um procedimento interessante. Deus disse: “Antes que Eu passe, vou cobri-lo com Minha mão. Depois que Eu houver passado, retirarei Minha mão para que você olhe em Minha direção. Então você Me verá pelas costas, enquanto desapareço à distância” (Êxodo 33.22,23).

E, então, o Senhor veio na velocidade da luz (ou mais rápido) para proclamar Seu nome divino e passar com Sua glória. Depois que Ele passou, retirou Sua mão da fenda para que Moisés pudesse ver “as costas” de Sua glória desaparecendo à distância. Embora esta revelação tenha sido tão rápida quanto o clarão de um raio, causou tamanho impacto em Moisés que ele foi capaz de ditar, para gerações posteriores, “as costas” ou a história de Deus no Livro de Gênesis, onde foi descrita a criação.

“O PROBLEMA É QUE VOCÊ AINDA ESTÁ VIVO”

Moisés viu o lugar onde Deus esteve. Ele viu as trilhas de Deus, quando inventou e invadiu o tempo. Moisés foi capaz de recuperar a história com um discernimento sobrenatural, após um simples lampejo da glória de Deus diante de seus olhos. Mesmo depois desta experiência, Moisés queria mais. Porém, as palavras de Deus ainda permanecem: “Você está vivo, Moisés: não pode ver Minha face.”

Moisés sabia que havia um propósito maior por trás do tabernáculo e de tudo mais que ele havia recebido da parte Deus, ele sentiu necessidade impulsiva de conhecer Deus e ver o cumprimento de Seu propósito eterno. Moisés sabia que, para isso, precisava contemplar a face de Deus. Tenho que ver Sua glória, tenho que ver o produto final. A fome no coração de Moisés suscitou uma súplica e uma perseverança que desafiou os limites do tempo e espaço.

Se você está tão faminto de Deus a ponto de buscá-Lo, Ele vai fazer por você o que não fará por mais ninguém.

A conclusão desta história não pode ser encontrada no Antigo Testamento. Para encontrar o desfecho da fome que começou na vida de Moisés, no Livro de Êxodo, você tem que saltar 1.500 anos adiante, para uma nova era e uma nova aliança. A fome de Moisés por Deus produziu o que eu chamo de “oração permanente”. A oração de Moisés pedindo a Deus que lhe revelasse Sua Glória, continuou a ecoar nos ouvidos do Todo-Poderoso a cada dia, a cada semana, a cada ano através dos séculos, até alcançar o dia em que Jesus, muitas gerações depois, chamou Seus discípulos para um certo monte em Israel. Aquela oração, nascida divinamente, era algo eterno, que não conhecia limites de tempo. Ela não se extinguiu no dia em que Moisés deu seu último suspiro sobre a terra, mas continuou a ecoar pela sala do trono de Deus até o momento em que foi respondida.

O momento chegou durante o ministério terreno de Jesus, no dia em que Ele separou três de Seus seguidores mais fiéis para acompanhá-Lo ao topo de um monte. Jesus já começara a preparar Seus discípulos com afirmações do tipo: “Porquanto, quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, achá-la-á” (Mateus 16.25). Esta é uma afirmação que ainda hoje nos incomoda, porque fala de morte.

Jesus derramara Sua vida em Seus discípulos, mas eles pareciam ter um sério problema de entendimento a respeito do que Ele estava fazendo e por quê. Eles gostavam de Seus ensinamentos, mas, raramente, pareciam compreendê-los. Eles ficavam maravilhados ao vê-Lo operando milagres, mas não eram capazes de alcançar o propósito maior que havia por detrás. Os discípulos, simplesmente, O seguiam, tentando entender um pouco do que Ele estava fazendo.

QUASE TODOS OS DISCÍPULOS CAEM NO SONO DURANTE REUNIÕES DE ORAÇÃO

Naquele dia, Jesus levou três de Seus discípulos ao monte e começou a orar. Acredito que os discípulos do primeiro século não eram muito diferentes dos discípulos do século vinte, porque todos eles parecem cair no sono durante as reuniões de oração.

“Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura.

Eis que dois varões falavam com ele, Moisés e Elias. Os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém. Pedro e seus companheiros achavam-se premidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões que com ele estavam.

Ao se retirarem estes de Jesus, disse-lhe Pedro: Mestre, bom é estarmos aqui; então façamos três tendas: uma será Tua, outra de Moisés e outra de Elias, não sabendo, porém, o que dizia.

Enquanto assim falava, veio uma nuvem e os envolveu; e encheram-se de medo ao entrarem na nuvem. ” (Lucas 9.28-34)

Lá estava a nuvem de novo. Era quase como “Oh, oh! Se os discípulos acordarem, vão ver a ‘glória’. Rápido, nuvem, cubra-nos!”

Você percebeu que, somente depois que os discípulos dormiram, Deus abriu o manto que cobria Sua própria glória em Jesus Cristo? Hoje, chamamos aquele monte de “Monte da Transfiguração”, pois a Bíblia diz que as vestes do Senhor “resplandeceram de brancura”. O termo grego original para resplandecer, EXASTRAPTO, significa “reluzir como um raio, brilhar, estar radiante”1. Enquanto os discípulos dormiam, Jesus estava sozinho e Sua glória estava sendo revelada, banhando a terra com Sua luz, a luz da glória de Deus que existe desde sempre!

JÁ É HORA DE ME VER

Naquele momento, era como se Deus tivesse ordenado: “Tudo bem, Miguel, Gabriel (os dois arcanjos), busquem Moisés! Já é hora de ele ver Minha glória.” Então eles baixaram a “escada de Jacó” até a terra e Moisés desceu a um lugar onde nunca estivera antes – a terra prometida de seu povo. Em sua existência mortal, Moisés só pôde contemplar, de longe, a terra prometida para o avivamento, no qual ele jamais tomaria parte. Ele orou para ver a glória de Deus, mas ele nunca pôde vê-La, até que morresse. Naquele dia, 1.500 anos após sua morte, tendo a sua oração ecoado aos ouvidos do Senhor através dos séculos, Moisés, “o morto ambulante”, viu a revelação da glória de Deus.

É preciso que você compreenda que, mesmo após sua morte, suas orações permanecem vivas. Por 1.500 anos a oração de Moisés continuou a dizer: “Mostre-me Sua glória! Mostre-me Sua glória! Mostre-me Sua glória!” Deus teve que marcar um compromisso divino e fixar o dia em que a eternidade invadiria as limitadas esferas do tempo e do espaço. “Moisés, agora que você está morto, tenho uma resposta para aquela oração!”

Por esta razão, fico emocionado ao ler a respeito dos intercessores fiéis e perseverantes que vieram antes de nós. Meu espírito se comove quando vejo, em nossos dias, santos unindo suas fervorosas orações às de cristãos exemplares, como Aimee Semple McPherson e como William Seymour, que, na rua Azusa, frequentemente prostrava sua cabeça sobre caixas de maçã, em oração, para que a glória do Senhor se manifestasse.

Quando as orações do povo de Deus se unirem e, finalmente, com uma intensidade cada vez maior, ressoarem nos ouvidos de Deus, então, o Senhor não vai mais esperar. Ele não vai desprezar as orações dos quebrantados e contritos que buscam Sua face. Vem o dia em que o Senhor, de Seu alto e elevado trono, dirá: “Está na hora.”

Foi o que aconteceu, na Argentina, quando o Sr. Edward Miller e seus 50 alunos lançaram suas intercessões diante do trono. Ele conta que a Argentina era um deserto espiritual, em 1950, e havia cerca de 600 crentes cheios do Espírito em toda Nação. Porém, alguns alunos de um pequeno instituto bíblico começaram a interceder. Eles clamaram, movidos por uma compaixão sobrenatural, em favor de uma nação que nem sequer sabia que eles existiam. Deus trovejou Sua resposta para a Argentina. O mesmo vem acontecendo em muitos lugares, ao redor do mundo, onde o avivamento está irrompendo como um fogo inextinguível. Estamos cansados de fazer tudo segundo métodos humanos. Queremos que o “Pai” Se manifeste, mesmo que, para isso, tenhamos que morrer através do arrependimento e do quebrantamento.

Moisés orou: “Mostre-me Tua glória”, esta oração levou 1.500 anos para ser atendida. Três discípulos sonolentos foram beneficiados da oração permanente de Moisés, mas eles caíram na mesma armadilha que ameaça a Igreja “sonolenta” de hoje. Moisés desceu àquele monte e viu a revelação da glória de Deus. Quando os discípulos acordaram, tudo já estava no final. Mesmo assim, eles ficaram tão extasiados com aquele breve lampejo da glória de Deus, que queriam construir três tendas naquele lugar e permanecer ali! Mas Deus Pai interveio dos céus e disse: “Vocês ainda não viram nada” (Lucas 9.34,35).

ALGUMAS VEZES PARAMOS CEDO DEMAIS

Alguns de nós nos empolgamos com revelações momentâneas da parte de Deus quando, na verdade, Ele quer que nos esforcemos na busca de Seus mistérios. Ele adora honrar orações de “caçadores” persistentes como Moisés, mas não vai permitir que construamos “tendas” para breves revelações de Sua glória – principalmente, se não estivermos com nossas orações no altar do quebrantamento. Apreciamos as coisas práticas, instantâneas e baratas, por isso, buscamos um avivamento de microondas. O Senhor sabe que tais coisas não produzem o caráter divino em nós. Ele diz:

“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa, achá-la-á. Pois, que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? ou que dará o homem em troca da sua alma?” (Mateus 16.24b-26)

Tenho tentado explicar o inexplicável, mas tudo que sei é que “quanto mais morro, mais Deus se aproxima”. Não sei o quanto você tem da presença do Senhor em sua vida ou o quanto O conhece, mas saiba que Ele vai Se revelar cada vez mais, desde que você esteja disposto a morrer para si mesmo.

Na sua Segunda Epístola aos Coríntios, o apóstolo Paulo diz conhecer um homem (ele mesmo) que tinha sido arrebatado ao terceiro céu (2 Co 12.2). Este apóstolo não conhecia Deus “só de ouvir”, mas realmente andava com Ele. Como Paulo chegou a um relacionamento tão íntimo com o Pai? Ele disse: “Diariamente, eu morro” (1 Coríntios 15.31).

Muitos cristãos hoje em dia estão perdendo tempo procurando atalhos para alcançarem a glória de Deus. Queremos o máximo com o mínimo de esforço. Queremos o avivamento em nossas cidades, mas não queremos que ninguém nos diga que ele só virá quando houver fome, quando intercessores forem movidos a um arrependimento vicário, por pecados que nunca cometeram, em favor de pessoas que nunca conheceram. Paulo disse:

“…porque eu mesmo desejaria ser anátema, separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne.” (Romanos 9.3)

Você está lendo este livro por um desígnio divino. Em algum lugar, de alguma forma, uma oração permanente está sendo respondida hoje. Mas pode ser que você esteja se poupando da morte, fugindo do altar do sacrifício que Deus colocou diante de você – Não se aflija: é a realidade de todos nós! A maior bênção não vem das mãos de Deus, e, sim, de Sua face, através de um relacionamento de intimidade. Quando você, finalmente, contemplá-Lo e conhecê-Lo em Sua glória, encontrará a verdadeira fonte de todo poder.

 QUANTO MAIS VOCÊ MORRER, MAIS O SENHOR PODERÁ SE APROXIMAR

Agora, deixe-me contar as boas novas que se encontram além do altar da morte e do quebrantamento. Enquanto a carne morre diante da glória de Deus, tudo que provém do Espírito vive eternamente. Uma parte de seu ser viverá eternamente, mas algo em sua carne terá que morrer. Permita-me expressar nestes termos: A sua carne afasta a glória de Deus. O Deus de Moisés deseja revelar-Se a você hoje, mas lembre-se de que esta bênção tem preço. Você tem que se dispor a morrer, e, quanto mais você morrer, mais o Senhor poderá Se aproximar.

Esqueça as opiniões e expectativas dos que estão em seu redor. Coloque de lado o “protocolo religioso”. Para Deus, só existe um protocolo concernente à carne: a morte. Deus está ávido para transformar a Igreja. De uma forma ou de outra, Ele vai mandar Seu fogo consumir tudo que não provém de Sua vontade, então, você não tem nada a perder… a não ser sua carne. Deus não está procurando pessoas religiosas, mas aqueles que estão dispostos a buscar Seu coração. Ele deseja pessoas que O queiram, que desejem o Abençoador mais que as próprias bênçãos.

Podemos continuar buscando Suas bênçãos e nos divertindo com Seus “brinquedos”, ou simplesmente dizer: “Não, Pai, não queremos mais bênçãos, queremos o Senhor! Queremos que o Senhor venha para perto de nós. Toque nossos olhos, nossos corações e ouvidos! Mude-nos, Senhor! Estamos cansados de ser as mesmas pessoas. Compreendemos que, se nós mudarmos, então, nossa cidade e nossa nação também mudarão.”

VOCÊ VAI PERMITIR QUE ELE SE APROXIME?

Acredito que esta geração está muito próxima de um avivamento, mas não quero ficar assistindo ao Senhor passar pelas ruas em direção aos que, realmente, O querem. “Isto vai acontecer em algum lugar, mas se não conosco, com quem, Senhor? Não queremos nos satisfazer com Seus dons, por mais maravilhosos que sejam. Queremos o Senhor!” A “equação do avivamento” ainda é a mesma:

“…se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar [morrer no altar do arrependimento], orar e me buscar [a Sua face e não um avivamento passageiro ou uma visitação momentânea], e se converter de seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2 Crônicas 7.14.)

“PAI, É SUA FACE QUE BUSCAMOS!”

Transformada por Deus, é muito provável que a Igreja que emerge da nuvem de Sua glória será bem diferente daquilo que eu e você pensamos ser seu formato ideal. Isto porque Deus está tomando a Igreja para conduzi-la próxima a Ele.

Será que vamos ter coragem de nos aproximar de Sua glória? Deus queria que os filhos de Israel subissem com Moisés ao monte e recebessem os Dez Mandamentos diretamente de Suas mãos. Mas eles correram da presença de Deus. A Igreja corre o risco de fazer o mesmo hoje. Podemos correr o risco de que algo em nós venha a falecer, quando ousarmos a nos aproximar da Sua glória, ou podemos correr de volta às nossas tradições carnais e à segurança dos cultos legalistas operados por homens.

Vamos proporcionar um ambiente confortável para Deus e incômodo para o homem através do culto de arrependimento. Nossas igrejas, com seus bancos acolchoados, são muito agradáveis para os homens, mas não para Deus que consome a “carne”!

Os israelitas, literalmente, se isolaram e ficaram ilhados da íntima presença de Deus, pois temeram a morte. Moisés, por outro lado, aproximou-se da espessa nuvem da glória de Deus. Já é hora de a Igreja abraçar, de verdade, a cruz de Cristo. Nossa fome deve nos impelir para além da morte da carne à vida na glória de Deus. Este é o destino da Igreja que pertence ao Deus vivo. Mas só vai acontecer no dia em que abrirmos mão da segurança da “lei da nova aliança” que regulamenta nossos cultos e renunciarmos às visitações “sobrenaturais” cuidadosamente controladas, preferindo o “risco” de viver face a face com nosso Deus.

Deus não quer que nos apartemos de Sua glória para construirmos “monumentos” que abriguem a revelação momentânea que não nos custou nada. A salvação é um dom gratuito, mas a glória de Deus nos custará algo. Ele quer que O busquemos e vivamos na eterna habitação de Sua glória. quer que estejamos tão plenos de Sua glória, que levemos Sua presença poEle r onde andarmos. Talvez esta seja a única maneira de a glória de Deus fluir pelos shoppings, salões de beleza, supermercados e lojas de nossa nação.

É desta forma que a glória de Deus vai encher a terra. Há de começar em algum lugar. As “nascentes” da carne precisam ser extintas e as janelas do céu abertas para que a glória comece a fluir como um rio e cubra a terra. Jesus disse: “…do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7:38b). Se a glória de Deus vai encher a terra, temos que nos render totalmente a Ele.

A diferença entre a unção e a glória é a diferença entre as mãos de Deus e Sua face. O caminho para a glória de Deus nos leva direto ao altar, que é o lugar devemos colocar tudo de lado e morrer. E, no fim, nos encontraremos face a face com Deus, como uma nação de “mortos ambulantes”, nas possessões de Sua glória. Nada mais é necessário. Uma vez que os filhos de Deus coloquem seus “brinquedos” de lado e subam ao colo do Pai para buscar Sua face, a Casa do Pão vai transbordar de pão e de boas dádivas. Os famintos finalmente serão fartos e encontrarão a satisfação eterna que tanto procuram.

O Senhor não vai nos decepcionar. Ele vai permitir que O capturemos. Assim como um pai permite que filho sorridente e amoroso o capture, quando brinca com ele, o Pai celestial vai permitir que Seus filhos o “apanhem”. Na verdade, justamente, quando você já estiver cansado, Ele Se voltará para pegá-lo. Ele quer ser capturado pelo seu amor. Ele anseia por este encontro. Ele sente falta desses momentos com o homem desde o Jardim do Éden. Os Caçadores de Deus sabem disso, intuitivamente. Eles querem “caçar” o Que ninguém consegue capturar, sabendo que Aquele que é impossível de ser capturado, pode capturá-los. De fato, um famoso caçador de Deus escreveu:

“… mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus.” (Filipenses 3.12b)

Paulo conseguiu! Você também pode! Junte-se à companhia dos caçadores de Deus!

A temporada de “caçada” está aberta…

F I M

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FOTOGRAFIAS DE COMPORTAMENTO – I

Como quem determina a ação é a mente, resulta que se olharmos essa fotografia teremos dados do psiquismo do delinquente

Fotografias de comportamento

Todo crime é, sem exceção, uma fotografia exata e em cores do comportamento do criminoso.

Com efeito, os comportamentos elaborados, não instintivos, exigem que antes sejam pensados. Em outas palavras, o ato complexo pressupõe entendimento prévio.

Assim, é correto afirmar que o criminoso comum (em oposição ao doente mental criminoso) entende o caráter delituoso do que está fazendo. Do contrário, se não entendesse e, mesmo assim, delinquisse, não seria criminoso comum, mas portador de distúrbio mental, por desconhecimento do que faz.

Porém, para ser criminoso comum não basta somente entender a natureza ilegal da ação, é necessário, ainda, ser capaz de se determinar de acordo com esse entendimento. Dito de outro modo, se entende o que faz e não age de acordo com tal compreensão é, da mesma forma, portador de transtorno mental, por falta de capacidade de determinação.

Disso resultam duas conclusões básicas:

1- Se o indivíduo é criminoso comum (que entende e se determina), vai delinquir sob certa lógica mental e, consequentemente, a sua ação será compreensível psicologicamente.

2- Se o indivíduo é doente mental (não entende e/ou não se determina), vai delinquir em desordem mental, ou seja, a sua ação será incompreensível em termos psicológicos.

Assim, compreensibilidade na “fotografia” do comportamento criminoso se dá quando podemos inferir ação e reação proporcionais em espécie. Por exemplo, o indivíduo está sem dinheiro, mata e se apodera da carteira da vítima; quer queimar arquivo e elimina a fonte; assassina o cônjuge por motivo de traição etc. Claro que são todas ações condenáveis moral, social e culturalmente, mas compreensíveis.

Por sua vez, incompreensibilidade psicológica ocorre quando não há possibilidade de analisar a ação criminosa sem admitir uma dose grande ou pequena de psicopatologia. Por exemplo, um indivíduo vai ao cinema portando metralhadora e a descarrega em pessoas desconhecidas, ou melhor, nunca as tinha visto, não rouba nada, não reivindica nada, não leva qualquer vantagem, não esboça reação ao ser preso. Nesse sentido, se não admitirmos uma anormalidade mental (psicopatologia), a ação fica incompreensível. Outros casos: o indivíduo violou vários túmulos e manteve relação sexual com os cadáveres; mãe ateou fogo em três filhos informando que estava purificando-os; um homem assassinou algumas mulheres e comeu pedaços de seus corpos etc.

Voltando ao assunto (todos os crimes são fotografias exatas do comportamento do criminoso nas quais podemos ver aspectos do psiquismo de quem os praticou), no próximo número vamos abordar características dos crimes praticados pelos doentes mentais, ou seja, ações incompreensíveis psicologicamente (e compreensíveis psicopatologicamente).

OUTROS OLHARES

OS ALIMENTOS SÃO REMÉDIO?

Ganha força uma nova tendência na nutrição, baseada na ciência: a de considerar a comida como recurso para prevenir e tratar doenças. Mas há exageros que precisam ser evitados

Os alimentos são remédio

 A intuição aguçada do filósofo grego Hipócrates (460 a.C.-375 a.C.) o autorizou, muito antes, evidentemente, dos avanços da medicina, a lançar uma das máximas mais permanentes dos cuidados com a saúde: “Que o seu remédio seja o seu alimento e que o seu alimento seja o seu remédio”. A ideia atravessou séculos, ora ancorada na divulgação da mais milagrosa das dietas, ora debruçada na descoberta dos mágicos poderes terapêuticos de uma fruta, de um legume, de uma semente. A gangorra nunca parou, mas há uma novidade, alheia a modismos: recentes e minuciosos estudos comprovam os reais benefícios dos alimentos no combate e na prevenção de doenças. É ciência pura, em uma das áreas de investigação que mais crescem, no avesso das simpáticas crenças de nossos avós, para quem o leite fechava úlceras e a canja de galinha liquidava gripes. “Hoje, conhecemos melhor os mecanismos de atuação de um alimento no organismo. A comida certa pode melhorar problemas que envolvam excesso de peso, doenças cardiovasculares, fadiga e muitas outras patologias”, disse o cardiologista americano Mehmet Oz, o celebrado doutor Oz, um dos grandes entusiastas do tema, que acaba de lançar no Brasil o livro Fuja da Farmácia.

Antes de tudo, e convém afirmar com ênfase, comida não é medicamento – e, na maioria dos casos, não substitui a ação de um composto químico ou de uma intervenção cirúrgica. Não se combate, por exemplo, a insônia pesada com o consumo diário de bananas, fruta com nutrientes que relaxam o corpo. Não dá também para substituir a quimioterapia contra o câncer por doses diárias de alho, apesar da evidente capacidade da planta cujo bulbo ajuda a fortalecer o sistema imunológico do organismo. O extraordinário, agora, é a certeza sobejamente comprovada de que os alimentos podem, sim, ser aliados poderosos e, muitas vezes, protagonistas no combate de enfermidades que matam. A recomendação médica clássica de que uma “dieta equilibrada”, com porções de carboidratos, verduras e proteínas, é suficiente para garantir a saúde tornou-se extremamente simplista diante das evidências atuais – ainda que seja postura de muito bom-senso. Tome-se como exemplo a obesidade. Muitos especialistas continuam a defender enfaticamente o conceito básico de desequilíbrio energético. Ou seja, ganha peso quem ingere mais calorias do que gasta, e ponto.

O jogo é mais complexo. Não se trata mais apenas de medir calorias, de equilibrar o que sai e o que entra. O tipo de alimento ingerido faz toda a diferença – influi na sensação de recompensa, nos picos de glicemia e na atividade do fígado. “Até pouco tempo atrás, as recomendações das sociedades médicas eram simplistas em relação à dieta”, diz o endocrinologista Rodrigo Moreira, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “Com as novas pesquisas, os médicos se sentem mais seguros para sugerir uma alimentação específica como parte de um tratamento. “Daí ganham espaço, naturalmente, dietas mais inteligentes que as badaladas tempos atrás, como a low carb (que reduz o consumo de carboidratos) ou a dieta mediterrânea (que favorece a comida natural, não industrializada, com destaque para peixes, azeite, grãos e oleaginosas, produtos afeitos a reduzir o LDL, o colesterol ruim).

O papel da alimentação no tratamento e na prevenção de doenças começou a ter respaldo científico muito recentemente. Em 2002, o governo dos Estados Unidos divulgou os resultados de um estudo que comparou pacientes com pré-diabetes que seguiram dieta e faziam atividade física com aqueles que só fizeram o tratamento medicamentoso. Quem cuidou do cardápio se saiu melhor. Outra pesquisa, publicada em The Lancet, há dois anos, foi além. Mostrou que 86% dos pacientes que tinham diabetes e seguiram uma dieta radical tiveram remissão da doença. Ou seja, todos os sinais do problema desapareceram e os ex-diabéticos já não precisariam mais tomar remédios. Há estudos, embora ainda iniciais, que apontam para o sucesso da alimentação adequada na lida contra males autoimunes, como a artrite reumatoide ou a síndrome do intestino irritável. A teoria por trás é que a flora intestinal impacta diretamente o bem-estar do organismo. Um adequado balanço da comunidade de bactérias do aparelho digestivo tende a aliviar os sintomas inflamatórios tão frequentes nas doenças autoimunes.

Os alimentos não são, pura e simplesmente, remédios, porque pesquisá-los foi sempre um enorme desafio, somente agora parcialmente superado. O impacto que um alimento tem sobre o organismo não é tão simples de entender quanto o de um medicamento. “Há diversas variáveis que desempenham um papel determinante na saúde, como genética, exercício, stress. As decisões sobre comida se misturam a todas elas, amplificando algumas e contrabalançando outras, e todas trabalham em conjunto para determinar o bem-estar geral”, diz Oz. Não existiriam, portanto, os chamados superalimentos. Eles são uma ficção. O suco verde já cumpriu esse papel, depois vieram a cúrcuma e o óleo de coco. Agora é a vez do aipo, que já foi apontado como aliado do emagrecimento, rico em vitaminas, com ação antioxidante. Não fazem mal, mas não representam o cobiçado santo graal. “As pessoas buscam um alimento que cura, que é o melhor. Isso não existe”, diz o nutrólogo Eduardo Rauen.

A boa alimentação deve ser celebrada, as recentes descobertas são um notável impulso, novos avanços virão – mas dificilmente terão a decisiva influência, a título de comparação, da penicilina, o primeiro antibiótico de amplo espectro, descoberto por Alexander Fleming na década de 20 do século passado. Um exemplo do que não deve ser feito, na excessiva valorização dos alimentos, é o que ocorreu com Steve Jobs (1955-2011), o gênio criativo da Apple. Em 2003, ele foi diagnosticado com câncer de pâncreas. Adiou sucessivamente as terapias recomendadas, com quimioterápicos, para tratá-lo à base de suco de frutas, ervas e acupuntura. Não deu certo, numa comprovação da eficácia apenas secundária dos alimentos. É bom conhecê-los, é bom saber o que comprovadamente

Os alimentos são remédio. 2

GESTÃO E CARREIRA

FRANQUIAS DAS ESTRELAS

Celebridades superam a condição de garotos-propaganda, identificam novas oportunidades e investem na prestação de serviços

Franquias das estrelas

Empreender tem sido um caminho cada vez mais frequente das celebridades. E diversos atores, atrizes, apresentadores de TV e famosos em geral descobriram um filão atraente e promissor: as franquias. Para diversificar suas atividades e ter novos ganhos financeiros, eles ultrapassaram a condição de garotos propaganda para se tornarem donos do próprio negócio, contando com a força de sua marca pessoal e o esforço para levar um novo projeto adiante. Ser uma celebridade é uma vantagem ao entrar nesse mercado. A participação de gente estrelada tem um efeito imediato e positivo de marketing na franquia. Mas sem trabalho duro não há garantia de rentabilidade e nem do sucesso da empreitada.

O nome da celebridade é em si um chamariz para a marca. E a franquia pode parecer uma maneira de empreender mais segura, embora apresente riscos, como qualquer negócio. Nos últimos tempos, atrizes como Giovanna Antonelli, apresentadores como Sabrina Sato, Rodrigo Faro e Ana Hickmann e cantores como Rogério Flausino, da banda Jota Quest, abriram suas franquias, seguindo uma tendência iniciada há uma década. “A ideia de investir em estética, bem-estar e saúde surgiu intuitivamente”, diz Giovanna, que criou a marca Giolaser, de depilação e estética, em 2013. “Fui pesquisar sobre o mercado e vi que poderia ser algo interessante”. A atriz participa ativamente dos negócios, em especial dos assuntos de marketing e conta com a ajuda da médica Carla Sarni, que cuida da parte gerencial. Desde 2015, a Giolaser foi incorporada pelo grupo Sorridents, maior holding de saúde do Brasil.

Um aspecto fundamental na adesão a uma franquia é entender da atividade que se pretende executar. O Grupo Kalaes, por exemplo, que reúne franquias de vários setores, tem cinco parcerias com famosos e os apoia na gestão do negócio. Seu último acordo foi com Sabrina Sato, que investiu na marca OdontoSpecial, rede de clínicas odontológicas. Por não ser do ramo, Sabrina entrou no negócio em parceria com seu cunhado, que é dentista. Outra apresentadora que se associou ao grupo Kalaes foi Ana Hickmann. Ela montou o Instituto Ana Hickmann MaisLaser, centro de depilação e estética. Rogério Flausino investiu em educação, na escola Brasil Canadá de Educação Bilingue. Pelo que se vê, não faltam oportunidades de ganhar algum dinheiro com uma franquia

Franquias das estrelas. 2

ALIMENTO DIÁRIO

OS CAÇADORES DE DEUS

Os Caçadores de Deus - Tommy Tenney

CAPÍTULO 9 – DESPOJE-SE DE SUA GLÓRIA

 

O SEPULTAMENTO DA GLÓRIA DO HOMEM É O NASCIMENTO DA GLÓRIA DE DEUS

Esquecemo-nos da arte de adorar ao Senhor. Nosso louvor está tão cheio de uma interminável torrente de palavras inúteis e vazias, dando a impressão de que tudo o que fazemos é preencher o tempo com um monólogo que, talvez, o próprio Deus ignore.

Alguns se agarram a isso de tal forma, que não conseguem contemplar o Pai ou perceber o quanto Ele nos ama. Precisamos retornar àquela simplicidade de nossa infância.

Todas as noites, quando estou em casa, embalo minha amada filha de seis anos para dormir. Geralmente, ela deita em meus braços e, antes que adormeça, me conta todos os problemas que enfrentou durante o dia: “Papai, aquele menino da escola brigou comigo.” Ou: “Papai, não fui bem na prova hoje.” Sei que, para ela, estes problemas são verdadeiros gigantes. Nestes momentos, sempre tento confortá-la dizendo que ela está comigo, que a amo muito e tudo vai ficar bem. Não importa o que disseram contra ela na escola, nem seus pequenos erros: nada pode atingi-la agora que está em meus braços.

O melhor mesmo é quando consigo caminhar pelo labirinto da mente de minha filha e lhe trazer paz. Então, minha garotinha olha para mim, com seus olhinhos quase se fechando, e sorri. Só posso dizer que, nestes momentos, seu semblante me revela o mais puro amor e confiança. Ela não tem que dizer mais nada: eu compreendo. Assim, em completa paz, ela se ajeita no meu colo para dormir, com um sorriso que reflete plena segurança e confiança estampado no rostinho.

Deus quer que façamos a mesma coisa. Muitas vezes, ao final do nosso dia, vamos até Ele e O “adoramos” com algumas palavras mecânicas que já sabemos de cor. Ficamos tão absorvidos pelos problemas que nos sobrevieram na “escola”, durante o dia, que nos deitamos na presença de Deus somente o tempo suficiente para despejar nossa torrente de palavras e entregar nossa lista de pedidos. Depois, voltamos para a correria de nossas vidas. Parece que não encontramos aquele lugar onde reside a paz perfeita.

VOCÊ VAI TER QUE OLHÁ-LO FACE A FACE

O que Deus quer é simplesmente que olhemos para Ele. Sim, podemos dizer-Lhe aquilo que sentimos, precisamos fazer isto. Mas, o que o Senhor realmente espera é receber nossa mais íntima adoração e louvor, em nível que transcenda meras palavras e ações exteriores. Ele deixou, diante de você, uma porta aberta, mas você tem que olhá-Lo face a face. Não fique parado na porta da eternidade: é preciso que entre. Você tem que parar de ficar olhando e ouvindo outras coisas. Ele está acenando: “Suba até aqui e lhe mostrarei o que dever acontecer…” (Apocalipse 4.1). É isto que deveria trazer paz a um filho cansado.

Não podemos nos deixar levar pelo nosso intelecto matemático para não corrermos o risco de racionalizarmos os propósitos de Deus. Podemos acabar perdendo a hora de nossa visitação, como os fariseus, saduceus e os escribas do tempo de Jesus. Eu, por exemplo, não quero ver isto acontecer. Jesus chorou sobre Jerusalém – que, naquele tempo, simbolizava a habitação da presença de Deus, dizendo essencialmente: “Vocês não reconheceram o tempo certo. Eu vim para vocês e vocês Me ignoraram. Vocês conhecem a Palavra, mas não Me conhecem” (Lucas 19.41-44). ”Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1.11).

Não quero dizer que você e os outros não conheçam a Palavra de Deus. Pelo contrário, escrevo estas coisas porque o Senhor deseja um novo nível de intimidade com Seu povo. Ele não quer que saibamos a Palavra de cor, Ele quer que tenhamos conhecimento da Pessoa d’Ele. Paulo diz que, antes de se converter a Cristo, ele compreendia a lei (Filipenses 3.5,6). Mas depois de sua conversão, ele disse: “Eu sei em quem tenho crido” (2 Timóteo 1.12b). Uma coisa é saber a respeito de Deus, outra, é conhecê-Lo.

Deus está chamando você para Sua intimidade. Se ousar responder a este chamado, terá conhecimento de uma faceta do caráter de Deus que, até então, você desconhecia. O Senhor vai colocá-lo tão perto d’Ele que você poderá respirar o ar puro dos céus. O único caminho para o lugar que Davi chamava de “esconderijo” passa pela porta da adoração. Ao passar por este caminho, você deixa de lado todas as demais distrações e concentra seu corpo, mente e espírito em Deus (Veja Filipenses 3.5,6).

Quando a presença d’Ele se tornar tão forte, que você não mais se importe com nada a seu redor, você vai experimentar um encontro com Deus do qual nunca se “recuperará”. Seu coração ficará permanentemente afetado pelo amor, assim como a perna de Jacó ficou pelo manquejar.

“OS CULTOS QUE ME AGRADAM NÃO SÃO OS MESMOS QUE LHE AGRADAM”

Durante a minha jornada em direção à presença de Deus, Ele me disse: “Filho, os cultos que Me agradam não são os mesmos que lhe agradam.” Então, compreendi que, muitas vezes, vamos à igreja para “obter algo de Deus”, quando, na verdade, a Palavra sempre nos exorta a “ministrar ao Senhor”. Sim, estamos tão ocupados em ministrar às pessoas e suas necessidades que poucas vezes temos oportunidade de ministrar ao Senhor. E, assim, semana após semana, saímos gratificados com nossas parcas necessidades satisfeitas. Quando é que ouviremos a voz do Senhor a dizer:

“Há alguém aqui que tão-somente Me ame?”

Como eu disse antes, o Salmo 103.1 ainda diz: “Bendize, ó minh’alma ao Senhor…”, mas praticamos o “Oh, Senhor, bendiga a minha alma!”.

Qual seria a nossa definição de herói? Provavelmente não é a mesma usada por Deus. Veja o que o Senhor disse sobre a mulher “pecadora” que quebrou um vaso de alabastro para ungi-Lo com óleo. Se o céu tivesse uma “galeria da fama”, posso dizer-lhes um nome que estaria no topo da lista: Maria, a mulher do vaso de alabastro. O mais espantoso é que os discípulos ficaram tão embaraçados e constrangidos com o ato daquela mulher que quiseram mandá-la embora, mas Jesus fez daquele ato um monumento eterno à adoração desinteressada! E não foi por causa do talento ou da beleza de Maria, nem por seu “esforço religioso”, mas pela sua singela adoração. Os discípulos disseram: “Para que este desperdício?” (Mateus 26.8b) e Jesus respondeu: “Isto não é desperdício, é adoração.”

Com frequência, os discípulos se perdiam em meio a discussões sobre quem se assentaria à direita ou à esquerda, enquanto Jesus estava “faminto de adoração”. Sua fome atraiu uma estranha, alguém disposto a quebrar regras, uma lavadora de pés! Esse tipo de adoradores, enquanto ministram ao Senhor, ignoram os olhares e comentários da igreja politicamente correta.

O Senhor deseja nosso louvor e adoração. A “galeria da fama” do céu está cheia de nomes de ilustres desconhecidos, como aquele leproso que voltou para agradecer a Deus (enquanto os outros nove nem se incomodaram). Pessoas que tocaram o coração do Senhor e ficaram em Sua memória, das quais Ele diz: “Sim, Eu me lembro de você. Sei quem você é. Muito bem, servo bom e fiel!”

Enquanto isto, agimos como filhos ingratos, em nossos cultos, reivindicando nossas bênçãos e tudo o que biblicamente nos pertence. Religiosamente, buscamos as mãos de Deus, mas ignoramos o que seja buscar Sua face e dizer: “Eu O quero, Senhor!”.

ACOMODE-SE NO COLO DO ABENÇOADOR

Deus está nos dizendo: “… eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta…” (Apocalipse 3.8). Deus parece estar deixando abertas as portas dos céus e dizendo: “Venham para um novo lugar de intimidade e comunhão Comigo!” Você não precisa se preocupar com as bênçãos se estiver confortável no colo do Abençoador! Diga-Lhe que O ama e as bênçãos virão como consequência. Busque o Abençoador, não as bênçãos! Busque o Avivador, não o avivamento! Busque a face de Deus, não Suas mãos!

Vejo muitas vezes nos corredores das igrejas pessoas que subiram ao colo do Pai. Vejo-as inclinarem suas cabeças nos bancos enquanto buscam a face de Deus. Algo está acontecendo na Igreja hoje, e não tem nada a ver com a manipulação dos homens. Você já não está cansado de tudo isto? Não está faminto por um encontro com o Senhor, um tipo de encontro que não esteja contaminado com as vãs promoções e manipulações dos líderes carnais? Não anseia pela manifestação do Senhor em sua vida? Acredite, você não está sozinho! Existiu uma mulher que marcou o caminho do arrependimento com suas lágrimas e se despojou de sua glória perante o Senhor.

“Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa.

E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com unguento; e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o unguento.

Ao ver isto, o fariseu que o convidara, disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora.

Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma cousa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre.

Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?

Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta com bálsamo ungiu os meus pés.

Por isso te digo: Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.

Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados.

Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?

Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.” (Lucas 7.36-50)

Você pode estar a poucos passos espirituais de um encontro que mudaria sua vida inteira. Se você deseja ver a face de Deus, siga Maria até os pés de Jesus. Derrame o precioso “bálsamo” do louvor e adoração que está em seu vaso de alabastro. Você tem mantido seu tesouro guardado por muito tempo, mas existe Alguém que é merecedor dele. Não o guarde mais!

Os evangelhos de Mateus e Marcos também relatam este fato e dizem que Simão era, ou tinha sido, leproso (Veja Mateus 26.6,7; Marcos 14.3). Muitos estudiosos acreditam que a relato apresentado pelo Dr. Lucas era a história de um evento anterior. Mesmo assim, Simão, o fariseu, ainda era um leproso espiritual, porque padecia do pecado desfigurador da hipocrisia.

Sempre vemos alguns fariseus com a lepra da hipocrisia, mostrando desprezo, quando derramamos o melhor de nós aos pés do Senhor. Mas quem se importa? Quem é que sabe dos problemas que foram tirados de nossos ombros naquele momento? Quem conhece as preocupações, medos e ansiedades que desapareceram, quando O ouvimos dizer: “Eu aceito você.”

Aos olhos de Deus, somos todos leprosos espirituais. Precisamos ser aqueles que se voltam ao Libertador para oferecer ações de graça. Se o Senhor o aceita, você pode ignorar todas as outras vozes que lhe dizem: “Eu o rejeito.” Não quero ser rude, mas quem se importa com todos os outros leprosos que o rejeitam, se você foi aceito e curado pelo Rei?

Na narrativa registrada nos evangelhos de Mateus e Marcos, os piores críticos de Maria não foram os fariseus ou os saduceus. Eram os próprios discípulos de Jesus que estavam prontos para expulsar Maria, quando Jesus interveio rapidamente.

“Mas Jesus disse: Deixai- a; por que a molestais? Ela praticou boa ação para comigo. (…) Ela fez o que pôde: antecipou-se a um ungir-me para a sepultura. Em verdade vos digo: Onde for pregado em todo o mundo o evangelho, será também contado o que ela fez, para memória sua.” (Marcos 14:6,8,9)

VOCÊ ESTÁ NA MEMÓRIA DO SENHOR?

Jesus disse que a mulher que quebrara o vaso de alabastro, ungindo- 0 para Seu sepultamento, não seria esquecida onde quer que o evangelho fosse pregado. Em outras palavras, ela estaria sempre na memória de Deus. Você anseia por uma visitação do Senhor? Então, terá que preparar lugar para Ele em sua vida: não importa quão cheia e atribulada ela possa parecer agora. Isto significa que seus tesouros mais preciosos precisam ser quebrados para exalar uma fragrância que fique na lembrança do Senhor.

Seu quebrantamento possui um aroma suave diante de Deus. Ele receberá cada lágrima que se derramar pelo seu rosto. A Bíblia diz que Ele guarda um “odre” de memórias para recolher cada lágrima que você derrama (Veja Salmos 56.8). Deus o ama, então, corra para aquele lugar secreto onde você mantém escondido o seu “vaso de alabastro” com a unção preciosa que reservou para este momento especial. Quebre-o aos pés do Senhor e diga: “Jesus, eu O amo mais que qualquer outra coisa. Abandonarei tudo, irei onde for preciso. Só quero o Senhor.”

Mas não se engane: foi necessário que Maria se humilhasse, enxugando os pés do Senhor com seus cabelos. A Bíblia diz que o cabelo da mulher é a sua glória, Maria usou sua glória para enxugar os pés de Jesus. As mulheres, nos tempos de Jesus, geralmente, usavam seus cabelos presos para cima, e, quando saíam de casa, eles eram enrolados em um turbante ou envoltos em um véu. Maria, provavelmente, teve que desfazer seu turbante para enxugar os pés do Senhor.

Não quero escandalizar ninguém, mas é importante que tenhamos noção do que isto significava para a reputação de Maria. Naquele tempo, eram usadas sandálias, quando os convidados entravam em uma casa: elas eram deixadas à porta. A maior parte dos viajantes, em Israel, compartilhava as estradas com camelos, cavalos e jumentos. Era impossível não ter contato com as fezes destes animais durante o percurso. As sandálias protegiam os pés durante a viagem, mas não eram utilizadas na casa de alguém. Certamente as marcas da viagem (inclusive o cheiro dos animais) ainda permaneciam nos pés descalços. Por esta razão, o trabalho “sujo” de lavar os pés de alguém era reservado aos servos mais insignificantes da casa. Qualquer servo que lavasse os pés dos convidados já era, automaticamente, contado entre os escravos mais desprezíveis, e era, abertamente, tratado com indiferença.

Imagine a humildade da adoração apresentada por Maria. Ela desmanchou sua “glória”, seus cabelos, para enxugar os pés do Senhor. Nossa justiça e glória não passam de trapos: só servem para enxugar os pés do Senhor (Veja Isaías 64.6)!

Naquele tempo, se você realmente quisesse desonrar e humilhar uma pessoa que chegasse à sua casa, bastava fazer com que seus servos não se preocupassem em lavar os pés dela. Principalmente na casa de um fariseu, que tanto valorizava a limpeza exterior. Jesus diz claramente que, ao entrar na casa de Simão, ninguém se preocupou em lavar os pés (Lucas 7.44). Simão queria que Jesus estivesse em sua casa, mas não queria honrá-Lo. Quantas vezes queremos a presença de Deus em nossos cultos, mas nos recusamos a louvá-Lo como deveríamos?

NOSSOS CULTOS SÃO REALIZADOS PARA DEUS OU PARA OS HOMENS?

Por muito tempo, a Igreja tem pedido a presença de Deus, mas nunca O coloca em uma posição de honra. Isto significa que tudo o que queremos são Seus “brinquedos”. Queremos as curas, os dons sobrenaturais e todos os milagres que Ele pode fazer. Mas, na verdade, não queremos honrá-Lo. Como eu posso dizer tal coisa? Pergunte a si mesmo se nossos cultos são feitos para entreter os homens ou para honrar a Deus. O que é mais importante, ouvir alguém dizendo: “O culto foi realmente muito bom, gostei muito!”, ou ouvir a aprovação do Senhor?

No passado, quando Deus se fez presente em nossos cultos, quando foi que paramos tudo que estávamos fazendo, simplesmente, para honrá-Lo? Ou será que consideramos que Sua visitação seja um motivo justo para suspendermos todos nossos compromissos, mas somente até certa medida?

Será que, quando Maria quebrou seu vaso de alabastro com o bálsamo precioso, ela percebeu que suas lágrimas, ao caírem nos pés empoeirados do Senhor, deixavam um rastro de limpeza? Será que ela se deu conta do desrespeito mostrado a Jesus naquela casa, embora Ele fosse o convidado? Creio que sim, e isto deve ter partido seu coração. Seu pesar pareceu aumentar a intensidade de suas lágrimas, até que se tornaram como uma torrente. Havia tantas lágrimas caindo sobre os pés de Jesus, que Maria, literalmente, os lavou, tirando de sobre eles o cheiro dos animais!

Mas o que ela poderia usar para enxugar os pés do Senhor? Ela não tinha honra ou autoridade naquele lugar, não podia pedir uma toalha. Como não houvesse nada à mão e nada fora providenciado pelo dono da casa, Maria usou seus cabelos, sua glória, para enxugar os pés de Jesus. Ela tirou d’Ele toda rejeição, desrespeito e desprezo mostrados naquela casa. E tomou, sobre si mesma, todas as evidências da pública rejeição ao Senhor. Você consegue imaginar o que isto causou ao coração de Deus? Ao repreender abertamente Seu anfitrião, Jesus nos dá pistas do que sentiu naquela hora:

“E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta com bálsamo ungiu os meus pés. Por isso te digo: Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.” (Lucas 7.44-47)

VOCÊ TEM QUE SE DESPOJAR DE SUA GLÓRIA PARA MINISTRAR AO SENHOR

O Senhor me disse: “Maria despojou-se de sua glória para ministrar a Mim.” Se todos os discípulos estivessem presentes, havia, no mínimo, mais doze pessoas naquela casa, mas ninguém alcançou o mesmo nível de intimidade que aquela mulher. Os discípulos, embora fossem boas pessoas como Pedro, Tiago e João, fracassaram. Ouça meu amigo: Você pode estar tão ocupado sendo um discípulo atuante, que pode estar fracassando na adoração! Você acha que Deus precisa que façamos coisas para Ele? Não é Ele o Criador que deixou os céus para escavar os sete mares com a palma da mão? Não foi Deus que premeu a terra para fazer as montanhas? Então, é óbvio que Ele não precisa que você “faça” nada. O Senhor quer sua adoração.

Jesus disse à mulher junto ao poço:

“…os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. ” (João 4.23)

Assim como muitos pastores, ministros e diáconos nas igrejas de hoje, os discípulos ficaram nervosos ao ver aquele tipo de fome por Deus: “Alguém pare esta mulher”, teriam dito. Mas Jesus interveio: “Não, finalmente alguém está fazendo algo correto. Não ousem parar esta mulher!” As igrejas hoje não têm lugar para “Marias com vasos de alabastros”, porque elas nos constrangem quando começam a desmantelar sua glória, orgulho e ego na frente de todo mundo (o problema é que nossa glória, orgulho e ego se sobrepõem à humildade).

Deus está dizendo ao Seu povo: “Se vocês estiverem dispostos a se despojarem de sua glória, Eu os trarei para perto de Mim.” Posso ouvi-Lo dizer: “Esqueça sua glória, coloque seu ego de lado. Não Me importa quem você seja, o que sinta ou quão importante pense ser. Eu o quero, mas primeiro você tem que ‘esmigalhar’ sua glória.” Por quê? Porque o sepultamento da glória do homem é o nascimento da glória de Deus.

A paixão de Maria atingira tão alto nível, que ela poderia dizer: “Não ‘estou nem aí’ se as pessoas estão me vendo fazer isso!” Talvez você sinta um aperto no peito ao ler estas palavras. Posso quase garantir que você já aprendeu como manter a pose, mesmo que esteja louco para cair aos pés do Senhor clamando por perdão e misericórdia. Deixe que o amor que existe em você quebre aquela casca que encobre aquilo que você realmente é: “Você é aquilo que pensa.” Deus quer que você, espontânea e corajosamente, deixe que o mundo saiba o quanto O ama – mesmo que tenha você que “esmiuçar” sua glória na frente de vários discípulos criticastros. Quebre seu vaso de alabastro, onde está guardado o que você tem de mais precioso, e mostre publicamente sua paixão pelo Senhor.

Deus não precisa de seu culto religioso: Ele quer a sua adoração. E a única adoração aceita por Ele é a que provém da humildade. Se você quiser vê-Lo, terá que se despojar de sua glória e banhar os pés do Senhor com suas lágrimas -sem se importar com o que haja neles. Não é exatamente para isso que serve nossa glória? Nossa justiça é um trapo imundo aos olhos de Deus.

VOCÊ QUER SER UNGIDO OU SER AQUELE QUE UNGE?

Costumamos colocar num “pedestal” as pessoas que foram ungidas por Deus. Mas quem Deus mantém em Sua lembrança? Jesus disse que o ato de Maria seria contado, para memória sua (Mateus 26.13). Gostamos dos ungidos, Deus, no entanto, gosta daqueles “que ungem”! Estes são os que amam mais a Deus do que aquilo que Ele pode oferecer.

Acredito que, na verdade, Maria ungiu Jesus duas vezes, e ainda iria ungi-Lo uma terceira vez. Primeiro, em Lucas, Capítulo 7, ela veio como uma pecadora e ungiu Seus pés, esperando, a todo custo, receber Seu perdão. Depois, em Mateus 26 e Marcos 14, ela ungiu a cabeça de Jesus no final de Seu ministério terreno. O próprio Jesus disse que o que ela fazia era para Seu sepultamento (Mateus 2612). Agora pense: Jesus estava pendurado na cruz, suspenso entre o céu e a terra (e naquele momento não era merecedor nem de um nem de outro), abandonado por todos, agonizando em seus últimos suspiros de vida.

Mas, que cheiro Ele exalava? Que cheiro suplantava a fragrância do sangue vertido pela Sua face moída? Que cheiro era mais forte que o barulho dos soldados disputando Sua capa? Que cheiro encobria até mesmo o escárnio dos sacerdotes judeus? Era o aroma da adoração que permanecera entre Seus cabelos… Ele exalava o odor do óleo que estava no vaso de alabastro! A memória daquela adoração O encorajava na Sua decisão e Ele consumou Sua obra.

A mesma mulher que O ungiu em vida, testemunhou Sua crucificação, e disse: “Não posso deixá-Lo sem unção em Sua morte.” Ela carregou outros óleos preciosos para ungir o corpo do Senhor no túmulo, mas encontrou, para sua surpresa e dor, o túmulo vazio. Então, começou a chorar e clamar. Ah, o amor daqueles que ungem! Estão dispostos a derramar unção até sobre o que já se foi!

Jesus acabara de sair do túmulo e estava a caminho da glória, onde salpicaria com Seu sangue vertido o trono da misericórdia, quando ouviu um choro familiar. Era potencialmente a Sua missão mais importante, porque era a consumação daquilo que nenhum sumo sacerdote, ainda que revestido de santidade e pureza, conseguira realizar. Os sumos sacerdotes de Israel tinham que ser muito cuidadosos e não permitir que fossem contaminados: nenhuma mulher poderia tocá-los. Jesus estava pronto a consumar tal obra e colocar Seu sangue sobre o propiciatório, mas ouviu aquela que se despojou de sua glória para limpar Seus pés e ungi-Lo.

Talvez Ele estivesse no primeiro degrau da “escada de Jacó” que ascendia aos céus, quando parou e disse: “Lá está ela novamente com suas fragrâncias preciosas e os sacrifícios de louvor, e não estou por perto para receber.” Ele parou quando estava a caminho para cumprir Sua tarefa mais importante: “Não posso deixá-la aqui sem que ela saiba o que aconteceu.”

Um adorador pode, literalmente, interromper os planos e propósitos de Deus. Jesus adiou sua principal missão, para ir à pessoa que havia quebrado o vaso mais precioso que possuía para ungi-Lo. Ele viu as lágrimas dela e, colocando-se por detrás, chamou: “Maria, Maria!”

DEUS FOI INTERROMPIDO PELO CLAMOR DE UMA PROSTITUTA

O que levou o Filho de Deus a fazer isso? Por que o Grande Sumo Sacerdote interrompeu Sua caminhada em direção ao propiciatório, ao ouvir o clamor de uma ex-prostituta? Uma coisa eu posso lhe dizer: Ele só faz isto pelos que estão na “galeria dos verdadeiros adoradores”. Num primeiro momento, Maria não O reconheceu, porque Ele havia mudado. Ela perguntou: “Onde você O colocou? Onde você colocou Aquele Cujo rosto me era tão familiar?” Ela pensou que o Cristo glorificado fosse um simples jardineiro (alguns, hoje, parecem não reconhecer a glória de Deus quando ela está bem diante de nós).

Finalmente, o choro de Maria cessou e ela ouviu a voz de Jesus dizendo: “Maria!” Sua aparência mortal havia sido transformada em imortal, e todas as Suas feições já não eram terrenas, mas celestiais. Ele rapidamente a alertou: “Maria, não Me toque. Não quero ter que passar pelo sacrifício da cruz novamente, não toque em Mim. Só queria que você soubesse que estou bem. Vá e conte aos discípulos” ((Veja João 20.7) Três dias depois, Jesus apareceu para os demais discípulos. Eles poderiam tocá-lo desta vez, mas só depois que Ele completou Sua missão junto ao propiciatório). O Senhor te ve que Lhe dizer para não tocá-Lo. Ele disse isso porque sabia que ela poderia fazê-lo! Ele também estava próximo o bastante para ela O tocar, se quisesse. Jesus arriscou ser crucificado de novo para conversar com aquela que O ungira.

Deus vai revelar Seus segredos proféticos, antes mesmo que eles venham a acontecer, para aqueles que quebram “protocolos” da adoração e O ungem com fragrâncias aromáticas. Ele pode colocar de lado Sua glória por aqueles que estão dispostos a se despojarem de seu ego e glória humana.

VOCÊ ESTÁ ESPERANDO POR UMA REVELAÇÃO DA PARTE DE DEUS?

De certa forma, Jesus estava colocando em perigo os propósitos de Deus Pai por causa de uma adoradora que se despojou de sua glória. É por isso que Ele teve que dizer: “Não toque em Mim!” Que confiança Ele tinha nela! Você já percebeu como algumas pessoas parecem ter uma estreita relação com Deus? Por alguma razão, Deus parece estar próximo a elas o tempo todo. E não é porque elas preguem bem, ou porque cantem louvores divinamente. E porque sabem muito bem como se despojar de seu ego e de sua glória. Deixam tudo de lado, para se renderem aos pés do Senhor, em humildade e quebrantamento. É para estes poucos e preciosos adoradores que o próprio Deus interrompe Sua ascensão ao céu para lhes revelar Seus segredos, para falar a seus corações aquilo que está prestes a fazer.

Você percebeu que não foi Deus quem quebrou o vaso de alabastro de Maria? Ela é quem teve que fazê-lo. Se você quer este tipo de encontro com Deus, terá que você mesmo quebrar seu vaso. Não existem atalhos, métodos ou fórmulas para ajudá-lo a chegar ao mais elevado nível de adoração, porque ele só vem do quebrantamento. E ninguém fará isto em seu lugar, pois é algo que só você pode fazer. E quando assim o fizer, Deus vai parar o que estiver fazendo para passar algum tempo com você.

Se Ele ouvir o menor barulho de seu vaso precioso sendo quebrado, se Ele perceber o menor sinal de que você esteja se despojando de sua glória, então, interromperá o que estiver fazendo, e Se voltará para você, pois não desprezará um coração contrito e arrependido (Veja Salmos 51). Ele vai mover céus e terra para visitá-lo.

Quer saber porque algumas igrejas experimentam avivamento ou porque algumas pessoas têm intimidade com Deus? A resposta é: quebrantamento. O quebrantamento do coração delas chama a atenção de Deus. Tudo começa quando o amor que têm por Ele suplanta o medo do que os outros possam pensar. Você não pode buscar a face do Senhor e preservar a sua própria “face”. A “destruição” da sua glória, o despojamento, se assim lhe aprouver, é o começo da glória de Deus.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SER MULHER

Na atualidade, com o desenvolvimento do capitalismo, o corpo feminino aparece coisificado, como objeto de consumo

Ser mulher

Pensar a representação social da mulher na contemporaneidade implica o resgate da localização do feminino historicamente. Trata-se de um conceito que tem desenvolvimentos históricos e culturais e que não pode ser encarado como “natural”. A maneira como a mulher e o feminino são representados se modifica através dos tempos. Enquanto recorte histórico é possível partir, por exemplo, de um período que marca rupturas importantes na sociedade, o período da Renascença, período este em que a mulher era destinada a amar e obedecer o marido.

Os estudos do historiador Phillip Arriès enumeram o desenvolvimento do lugar da mulher na sociedade (entre outras temáticas). É possível acompanhar com o autor que historicamente a mulher tem sido desprivilegiada no que concerne aos espaços sociais. Se na Idade Média a mulher era alvo de perseguições religiosas, na Era Moderna existe um discurso amoroso, sem as sublimidades da religião, e ele se adaptará às exigências de uma sociedade de consumo para reforçar a definição da mulher como um objeto precioso possuído por aquele que a ama. Faz-se de suma importância o questionamento sobre esses lugares simbólicos destinados ao feminino, tendo em vista o desafio de pensar em contingência ao tempo atual; ou seja, sem a facilitação do historiador que tem a superação das condições estudadas implícitas em sua pesquisa.

A teoria crítica em Ciências Humanas, principalmente da Escola de Frankfurt, se baseia no marxismo para entender a sociedade, enquanto dividida em classes, e também na teoria psicanalítica para tratar das questões dos sujeitos em diálogo com as questões do social, sem criar rupturas entre ambas as perspectivas. De acordo com Olgária Matos, “essa teoria crítica realiza uma incorporação do pensamento de filósofos tradicionais, colocando-os em tensão com o mundo presente”.

Essa mesma teoria (crítica) também possibilita, enquanto “arma teórica”, a desestabilização do império da lógica capitalista no mundo globalizado e da desmarginalização das discussões de temáticas rechaçadas pelo sistema, sendo esse o papel das Ciências Humanas e Sociais enquanto forma de resistência à ideologia do capitalismo e do patriarcado.

Na atualidade, com o desenvolvimento do capitalismo, e o fetichismo da mercadoria, o próprio corpo da mulher aparece reificado (coisificado), como objeto de consumo. É possível articular esse tema à obra cinematográfica A Pele que Habito, do cineasta espanhol Pedro Almodóvar Caballero.

Apenas para contextualizar, o filme de Almodóvar trata de uma trama trágica no seio de uma família, em que, após o suicídio da esposa e o estupro da filha, o médico cirurgião plástico, dr. Robert Ledgard, decide se vingar do malfeitor (Vicente) transformando-o em uma mulher, o que faz através de inúmeras cirurgias. O médico estava desenvolvendo uma pele artificial, que serviria para amenizar as deformidades da esposa causadas por queimaduras que sofreu e que desfiguraram sua aparência, mas ela se suicida, não dando tempo de ele finalizar suas tentativas. Essa obra abre espaço para o questionamento acerca do feminino e de suas modulações representativas na cultura, bem como da cultura enquanto atrelada a um determinado momento histórico: a contemporaneidade.

Dentre alguns estudos já produzidos sobre a obra de Almodóvar, há o de Cascaes e Martins, que irão destacar o aspecto de dominação masculina representado na obra e que dialoga com um modelo social ainda atuante na visão das autoras. Em uma cena, a filha do médico cirurgião se encontra a sós com Vicente em uma festa, e mesmo tendo no início correspondido às investidas do rapaz a moça passa a resistir e demonstra não querer ir adiante com as preliminares e trocas de carícias, o que é repudiado por Vicente, que considera apenas o seu desejo de consumar o ato sexual. Essa cena assinala uma característica ainda atual, de acordo com as autoras citadas, que ilustra uma sociedade de “binarismos hierarquizados marcados pela dominação patriarcal. Neste contexto, especialmente a mulher sofre variadas formas de discriminação em uma evidente relação de subordinação e controle sobre o diferente”.

Para inserir uma reflexão psicanalítica sobre o filme de Almodóvar dentro do contexto atual, político e social, cabe ainda ressaltar que a Psicanálise, desde Sigmund Freud (1856-1939), seu criador, aborda a questão do feminino pela via política. Freud, ao estabelecer seu método de associação livre no tratamento da histeria do século XX, dá a palavra às mulheres de sua época e privilegia o discurso da singularidade acerca de seus sintomas e desejos. Elabora uma nova teoria sobre a sexualidade, que esbarra na impossibilidade de representar unicamente pela via do falo o que é uma mulher, ou seja, de representá-la pela via do que pode ser compartilhado na cultura de forma genérica (representação social); o falo é uma forma representativa de poder, via de regra masculino, limitado e nomeável. A resolução do complexo de Édipo é, segundo Freud (1924), do lado masculino, a identificação à ordem dos possuidores do falo, enquanto que para o lado feminino o pai da Psicanálise não consegue resolver a equação; ou seja, não determina ao certo qual seria a maneira feminina de resolução do Édipo, apenas de sua entrada (a entrada da menina no Édipo) através do complexo de castração, e em seus estudos deixa a questão do feminino em aberto.

Freud tentou transpor essa explicação [a do complexo de Édipo, grifo do autor] para o lado feminino, não sem deparar com muitas surpresas e desmentidos. É importante assinalar, entretanto, que, no final, reconheceu o fracasso de sua tentativa. Seu famoso O que Quer uma Mulher? confessa isso, no final, e poderia traduzir-se assim: o Édipo produz o homem, não produz a mulher.

 CONSTRUÇÃO DO FEMININO

Essa afirmação de que o complexo de Édipo não produz a mulher, do ponto de vista da estruturação social, quer dizer ainda que a mulher não se constrói apenas pela via da identificação social (relação triangular: pai, mãe, criança etc.). No filme de Almodóvar é possível sublinhar algumas tentativas de construção do feminino que são fadadas ao fracasso, por se tratarem justamente de uma construção que vem do Outro. O dr. Robert tenta transformar Vicente em uma mulher, não apenas através das inúmeras cirurgias e procedimentos aos quais o submete, mas também busca que Vicente assuma uma posição feminina para com ele, e, apesar de o desfecho da trama parecer bastante enigmático, é evidente que Vicente resiste. “Sei que respiro’’ é a frase que ele escreve nas paredes de seu quarto. Respirar é o que o mantém na posição ética de seu desejo e de sua existência enquanto não determinada pelo outro (o médico), é o único espaço que possui enquanto ação, inclusive de seu corpo, que o coloca na posição de assumir o controle e não de ser controlado.

Seria Vicente com toda sua resistência uma metáfora da própria posição da mulher na sociedade? Uma vez que a mulher não pode ser construída apenas pela via da identificação e que ela não pode ser apenas construída ou pensada pelos elementos simbólicos da cultura, Vicente, ao ser obrigado a estar nessa posição, metaforiza a resistência feminina aos saberes e lugares estabelecidos pela sociedade para a mulher ainda hoje? Cabe uma reflexão.

Talvez um dos elementos mais valiosos da arte, e da oitava arte em consequência – a de que se trata aqui – seja justamente a possibilidade de levantar questionamentos e enigmas a serem refletidos. A Psicanálise, de maneira muito parecida, também se interessa por reflexões e enigmas acerca do humano. Freud inicia o questionamento sobre o feminino, mas não chega a concluir a teoria sobre o tema, ele o introduz na cena de seus estudos clínicos e, logo, dá espaço para estudá-lo cientificamente, mas não tem tempo de finalizá-lo. Outros psicanalistas deram continuidade aos estudos freudianos. Um desses psicanalistas que vão se atentar bastante aos estudos do feminino e do que é ser uma mulher é o francês Jacques Lacan (1901-1981).

DEMANDA DE AMOR

De acordo com a psicanalista Collete Soler, Freud enfatizava a demanda de amor como propriamente feminina. Lacan (…) ressalta que, na relação dos desejos sexuados, a falta fálica da mulher vê-se convertida no benefício de ser o falo, isto é, aquilo que falta ao Outro. Para Lacan, de acordo com Soler, a falta feminina já está positivada. Em outras palavras, a falta fálica, ou como mencionado a impossibilidade de ser simbolizada e localizada apenas pela via fálica, potencializa a mulher, dizer que ela tem sua falta positivada é afirmar que sua falta possibilita a criação e a construção singular de sua posição. É um signo cultural o quanto a mulher se coloca sempre na tentativa de ser única, essa é a sua falta positivada.

É possível pensar em situações banais, nas quais o feminino alcança destaque justamente pela via da singularidade, enquanto o masculino pela via da generalização. Um bom exemplo, talvez um pouco batido mas útil, é o de uma festa onde as mulheres tentam estar o máximo possível diferentes e singulares em relação a suas vestimentas, enquanto os homens procuram estar o mais parecidos e discretos. Qualquer detalhe extra, como a cor da roupa ou acessório, chama a atenção e fragiliza a masculinidade. Eis aqui um fator limitante e também opressor para aqueles que estão do lado masculino na sociedade.

A partir do exposto é possível articular a problemática das representações sociais do feminino na contemporaneidade, com a posição da Psicanálise acerca da posição feminina e do que é ser uma mulher, uma vez que esta última coloca a resposta na via de uma construção idiossincrática; ou seja, ser uma mulher é para a Psicanálise, desde sempre, o enfrentamento político aos discursos já reinantes e aos lugares simbólicos já estabelecidos (representações sociais).

O filme A Pele que Habito traz à tona o questionamento sobre o que é ser uma mulher, os enfrentamentos de estar na posição feminina e os desdobramentos sociais que enfatizam desde períodos como a época medieval ou a Renascença, citados anteriormente, até a atualidade, onde é possível perceber os determinantes sociais masculinos e a indispensável resistência feminina que aponta para a construção de seu próprio lugar e espaço, enquanto enfrenta a desconstrução desses outros lugares e espaços predeterminados pela cultura.

 

LUCIANA MOUTINHO – é psicanalista, psicóloga de formação e mestre em Psicologia Social pela PUC-SP. Atende em consultório particular e organiza cursos livres de Psicanálise.  Professora e supervisora universitária na faculdade Anhanguera e supervisora clínica na Faculdade de Medicina do ABC – Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica.

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VITAMINA NA VEIA

Disseminam-se no mundo, inclusive no Brasil, e com celebração pública, as aplicações de nutrientes direto no braço, em bolsa de soro. Mas atenção: há riscos

Vitamina na veia

É um pouco estranho, e à primeira vista parece assustador: viralizaram nas redes sociais as fotos de famosos ou quase famosos em clínicas ou mesmo em casa recebendo coquetéis de vitaminas direto na veia, de modo semelhante ao da aplicação de remédios em internações, com bolsa de soro e fios pendurados no braço. Trata-se de uma onda americana, que chegou à Europa e se disseminou no Brasil. “A terapia de soro é excelente para repor nutrientes, dar energia e desintoxicar”, disse em vídeo postado em maio a nutricionista Andrea Santa Rosa, mulher do apresentador Marcio Garcia. A modelo americana Chriss y Teigen pôs a seguinte legenda debaixo de uma foto em que aparece de roupão, na cama: “Hello! Body meet   vitamins”, algo como “Oi! Corpo recebendo vitaminas”.

O método consiste na aplicação de compostos que, a depender da combinação, têm efeito específico. O pacote com as vitaminas B, C e D e o antioxidante glutationa, por exemplo, é usado contra o envelhecimento. O procedimento leva de trinta minutos a uma hora. Cada bolsa de soro de 1 litro pode custar de 25 a 400 dólares. No Brasil, o custo chega a 800 reais. Nos Estados Unidos e no Japão, os locais das aplicações extrapolam os ambientes controlados. A cantora Madonna (sempre ela) foi a pioneira ao aplicar em si própria, em público, durante um voo de Nova York a Londres, compostos de energéticos. Hoje há bares que oferecem blends vitamínicos. No Brasil, as aplicações têm de ser feitas em ambientes hospitalares ou em clínicas. Há pelo menos dez delas que oferecem o produto, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na maioria das vezes, o paciente submete-se a exames para detectar a carência de nutrientes.

A razão do sucesso desse método está no fato de que a absorção das substâncias na forma injetável é muito mais rápida e eficaz em relação à ingestão pela boca. Faz sentido, já que por via intravenosa elas não são absorvidas pelo estômago nem pelo intestino. Mas há aspectos negativos. O excesso de vitaminas e minerais aumenta o risco de sobrecarregar os órgãos, atalho para diarreias, cálculos renais e arritmias. A reposição injetável deve ser reservada apenas para casos particulares, em que há deficiência vitamínica confirmada em laboratório. “Os portadores de doenças gastrointestinais, cuja condição afeta a absorção de vitaminas, e os adeptos de dietas restritivas são os principais beneficiados”, diz a endocrinologista Claudia Cozer Kalil, do Núcleo de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. “Para o metabolismo de um corpo saudável, basta uma dieta equilibrada”. Portanto, convém tratar a nova onda como mais uma injeção milagrosa

Vitamina na veia. 2

GESTÃO E CARREIRA

APRENDA A APRENDER

A vida é feita de novas experiências, seja na área profissional ou pessoal e, desde as situações simples às complexas, é imprescindível que possamos nos maravilhar com as novidades constantemente. Esse já é um aprendizado

Aprenda a aprender

Há sempre mais para ser explorado! Esse talvez seja o pensamento que deveríamos ter ao menos uma vez por dia, para colocar sempre em pauta a necessidade de olharmos por cima do muro do cotidiano e encontrar possibilidades onde antes acreditávamos existir apenas o trivial. Vamos a um exemplo prático?

Imagine que está escrevendo uma carta sobre a sua vida para um amigo que não vê há muito tempo. Logo num primeiro momento, não lhe vêm à cabeça apenas as coisas que já são conhecidas, ou seja, o que já realizou e faz no presente? Dificilmente a primeira ideia a apresentar nessa carta será o seu planejamento para o futuro e as descobertas que tem feito ao longo dos dias. Por uma característica de “sedentarismo mental”, buscamos sempre o estado de equilíbrio baseado nos fatos e nas situações que já nos são familiares e confortáveis, ainda que dentro desse cenário existam situações desagradáveis.

Refletindo sobre essa questão, é imprescindível que a gente possa se maravilhar com as novidades da vida constantemente. Deixe de lado, ainda que por alguns instantes no dia, todas as certezas e busque as perguntas em vez de respostas. Lembre-se de que na história da humanidade ti- vemos a queda de grandes verdades, entre as quais o pensamento de que a Terra era plana. Bem, se a curiosidade – e o empenho em saná-la – nos fez evoluir nesse caso, por que não utilizá-la a nosso favor também nas demandas de nossa existência? Felizmente, não temos a capacidade de aprender algo a ponto de dominá-lo, o que exige uma renovação periódica do que acreditamos conhecer.

Contudo, quando deixamos de in- vestir energia e tempo na tarefa de redescobrir, corremos o risco de cair no mar do “conhecimento ignorante”. Essa é a situação vivenciada pelos profissionais que viajam o mundo todo a trabalho sem se darem a oportunidade de explorar de forma concreta as regiões por onde passam. Após algum tempo, eles até poderão ter muitas histórias interessantes para contar sobre suas idas e vindas, mas poucas terão realmente algo de original, pois é bem provável que não saibam falar sobre a experiência da culinária local ou de como o povo se comporta.

Quantas vezes na semana você faz uma parada para pensar como es- tão se relacionando os fatos ligados a diferentes dimensões da sua vida? Por exemplo, a sua última promoção no trabalho se deu em um momento positivo no âmbito familiar? Além disso, como seu comportamento com amigos e pessoas queridas é modificado quando algo não está bem no escritório? Essas questões podem parecer simples, mas escondem algo importante: a existência do plano macro, ou seja, de uma forma de visualizar o mundo que está diretamente relacionada à sua totalidade e às conexões que se fazem presentes por trás dos fatos.

Como sempre, é necessário um bom planejamento, e essa visão macro o auxilia nesse processo. Estabeleça seus objetivos e pontue as metas sem deixar de lado os efeitos que elas terão no plano geral. Para isso, uma boa dica é ouvir a sua intuição. O que muitos chamam de “aquela voz que fala comigo mesmo” pode ser, quando estimulada da forma correta, uma potente ferramenta para as tomadas de decisão. Em outras palavras, de- vemos confiar em nossa intuição, deixando que ela nos guie e, à medida que essa relação se tornar mais contínua, os insights serão mais precisos e constantes.

Quando ouve a sua própria voz, você vê o que mais ninguém pode ver. Se o caminho para o sucesso pudesse ser escrito de forma simples, encontraríamos a sua síntese ao dizer que ele chega para os que enxergam o que ninguém viu, ainda que olhando para um mesmo referencial. Inovações tecnológicas, novas formas de comportamento e tendências no mercado surgem dessa forma. É fácil comprovar essa situação. Há poucos anos, ninguém   precisava de um telefone celular para dar conta de sua existência. Atualmente, ninguém mais sai de casa sem seu aparelho pessoal, nem mesmo para ir até a padaria. Para os que estão pensando ok, isso já não é mais uma novidade”, fica o convite: qual será o próximo meio de comunicação da humanidade? Vislumbre essa resposta e você pode ser a mais nova personalidade do mundo.

Aprenda a aprender! “Viver e não ter a vergonha de ser feliz. Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.” Eternizada na voz de tantos talentos da nossa música, a canção de Gonzaguinha é o resumo do que há por trás de pessoas que unem sonho e vontade de fazer a diferença. Por isso, deixo aqui um pedido: crie um ambiente bem aconchegante em sua casa para realizar o café da manhã do aprendizado, deixe essa canção de fundo e escreva tudo o que você deve reaprender, abordando tópicos complexos ou simples, como “aproveitar o amanhecer em um dia de folga”. O importante é que você se reconecte com o espírito da boa desconfiança e aprenda o novo, mesmo que ele já seja muito conhecido pelo hábito. Há sempre algo de novo para conhecer e enxergar! Fazer diferente para fazer a diferença!

 

EDUARDO SHINYASHIKI – é palestrante, consultor organizacional, especialista em Desenvolvimento das Competências de Liderança e Preparação de Equipes. É presidente do Instituto Eduardo Shinyashiki e também escritor e autor de importantes livros como Transforme seus Sonhos em Vida (Editora Gente), sua publicação mais recente. http://www.edushin.com.br