ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 16: 6 – 9

Pensando biblicamente

A SOBERANIA DA PROVIDÊNCIA DIVINA

 

V. 6 – Veja aqui:

1. Como a culpa do pecado é tirada de nós – pela misericórdia e pela verdade de Deus, a misericórdia contida na promessa, a verdade na realização, a misericórdia e a verdade que se encontram em Jesus Cristo, o Mediador – pelo concerto da graça, em que a misericórdia e a graça brilham de maneira tão reluzente – pela nossa misericórdia e verdade, como a condição para o perdão, e uma qualificação necessária para ele – por elas, e não pelos sacrifícios legais (Miqueias 6.7,8).

2. Como o poder do pecado é rompido em nós. Pelos princípios de misericórdia e verdade dominantes em nós, se purifica a iniquidade; no entanto, pelo temor do Senhor, e a influência desse temor, os homens se desviam do mal; não ousarão pecar contra Deus os que conservarem, em suas mentes, um santo temor e reverência por Ele.

 

V. 7 – Observe:

1. Deus pode converter adversários em amigos, quando desejar. Aquele que tem todos os corações em suas mãos pode acessar os espíritos dos homens, e dominá-los, trabalhando imperceptivelmente, mas irresistivelmente, neles; pode fazer com que os inimigos de um homem tenham paz com ele, pode fazê-los mudar de ideia, ou forçá-los a urna submissão aparente. Ele pode matar todos os inimigos, e reunir os que estavam muito afastados, uns dos outros.

2. Ele fará isto por nós, quando nós o agradarmos. Se nos preocuparmos em nos reconciliarmos com Deus, e nos conservar no seu amor, Ele inclinará os que nos invejam e nos perturbam, para que alimentem uma boa opinião a nosso respeito, e se tornem nossos amigos. Deus fez com que Esaú tivesse paz com Jacó, Abimeleque com Isaque, e que os inimigos de Davi buscassem a sua benevolência e desejassem uma aliança com Israel. A imagem de Deus aparecendo para os justos, e a sua benevolência particular para com eles, são suficientes para recomendá-los ao respeito de todos, até mesmo dos que têm os mais elevados preconceitos contra eles.

 

V. 8 – Aqui:

1. Supõe-se que um homem bom e honesto possa ter apenas um pouco da riqueza deste mundo (penso que a maioria dos justos não é rica) – que um homem possa ter apenas um pouco, e ainda assim possa ser honesto (embora a pobreza seja uma tentação à desonestidade, Provérbios 30.9. mas não uma tentação invencível) – e que, por algum tempo, um homem possa enriquecer por meio de fraude e opressão, vindo a ter grandes rendas, mas ele não pode fazer bom uso do que é obtido e conservado sem justiça.

2. Sabe-se que uma pequena propriedade obtida com honestidade, com que um homem se satisfaz, de que usufrui confortavelmente, com que serve a Deus com alegria, e à qual dedica a um uso com justiça, é muito melhor, e mais valiosa, do que uma grande propriedade, obtida com injustiça, e então conservada ou gasta de maneir a injusta. Ela traz consigo mais satisfação interior, uma melhor reputação para os que são sábios e bons; ela durará mais tempo, e terá maior valor no grande dia, quando os homens serão julgados, não segundo o que tiveram, mas segundo o que fizeram.

 

V.  9 – O homem aqui nos é descrito:

1. Como uma criatura racional. que tem a faculdade de considerar por si só: “O coração do homem considera o seu caminho”, traça um objetivo, e planeja caminhos e meios que conduzam a este fim, coisa que não conseguem fazer as criaturas inferiores, que são governadas pelos sentidos e instintos naturais – o que torna mais vergonhoso para o homem, não considerar a maneira como agradar a Deus e se preparar para o seu estado eterno.

2. Mas, como uma criatura dependente, que se sujeita à orientação e ao domínio do seu Criador. Se os homens considerarem seu caminho, de modo a fazer da glória de Deus o seu objetivo e da sua vontade a sua lei, poderão esperar que Ele lhes dirija os passos, pelo seu Espírito e sua graça, de modo que não errem o seu caminho nem deixem de chegar ao seu fim. Mesmo que os homens conduzam suas questões terrenas polidamente, e com grande probabilidade de sucesso, ainda assim Deus ordena o evento, e às vezes dirige os seus passos, para onde eles menos pretendiam. A intenção é nos ensinar a dizer: “Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo” (Tiago 4.14,15, na versão RA), e a dirigirmos os nossos olhos para Deus, não somente nas grandes reviravoltas de nossas vidas, mas em cada passo que dermos. Que Cristo encaminhe a nossa viagem (1 Tessalonicenses 3.11).

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ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 16: 1-5

Pensando biblicamente

A SOBERANIA DA PROVIDÊNCIA DIVINA

 

V. 1 – Ao lermos este versículo, vemos que ele nos ensina uma grande verdade, a de que não temos suficiência, para pensar ou falar por nós mesmos, nada que seja sábio e bom, mas que toda a nossa suficiência está em Deus , que está com o coração e com a boca, e opera em nós tanto o querer como o efetuar (Filipenses 2.3; Salmos 10.17). Mas muitos interpretam de outra maneira: a preparação do coração está no homem (ele pode planejar e designar, isto e aquilo), mas a resposta da língua. não somente a transmissão do que ele decidiu falar, mas o resultado e o sucesso do que ele decidiu fazer, vêm do Senhor. Isto é, em resumo:

1. O homem propõe. Ele tem liberdade de pensamento e livre arbítrio; que forme seus projetos, e conceba seus esquemas, conforme julgar melhor: mas, afinal:

2. Deus dispõe. O homem não pode continuar com suas atividades sem o auxílio e a bênção de Deus, que criou a boca do homem e nos ensina o que temos que dizer. Na verdade, Deus pode, facilmente, contrariar os propósitos dos homens, e frequentemente o faz, e frustra os seus desígnios. Era uma maldição que estava preparada no coração de Balaão, mas a resposta da língua foi uma bênção.

 

V. 2 – Observe:

1. Todos nós somos propensos a ser parciais, na avaliação de nós mesmos: todos os caminhos do homem, todos os seus desígnios, todas as suas obras, são limpos aos seus olhos, e ele não vê nada de errado neles, nada que o condene, ou que prove que os seus projetos não sejam para o bem; e por isto ele tem confiança de sucesso, e de que a resposta da língua será de acordo com as expectativas do coração; mas há uma grande dose de contaminação que se prende aos nossos caminhos, da qual não estamos cientes, ou não julgamos tão má como deveríamos.

2. Temos a certeza de que o juízo de Deus, a nosso respeito, é segundo a verdade: “O Senhor pesa os espíritos”, em uma balança justa e inequívoca, Ele conhece o que há em nós, e profere a sentença de maneira correspondente, escrevendo TEQUEL, pesado foste na balança e achado em falta; e de acordo com o seu juízo, devemos permanecer ou cair. Ele não somente vê os caminhos dos homens, mas pesa os seus espíritos, e nós somos como nossos espíritos.

 

V. 3 – Observe:

1. É uma coisa muito desejável, ter os nossos pensamentos estabelecidos, e não jogados e precipitados, por temores e preocupações inquietantes – para prosseguirmos em um caminho firme de honestidade e piedade, sem sermos perturbados, ou desestabilizados, por qualquer evento ou mudança – satisfeitos, na certeza de que tudo terá bom resultado, no final, e por isto, estar sempre calmos e tranquilos.

2. A única maneira de termos os nossos pensamentos estabelecidos é confiar as nossas obras ao Senhor. As grandes preocupações das nossas almas devem se r confiadas à graça de Deus. com uma dependência e submissão à conduta dessa graça (2 Timóteo 1.12); todas as nossas preocupações devem ser confiadas à providência de Deus, e à soberana, sábia e piedosa disposição dessa providência. Confia as tuas obras ao Senhor (este é o significado da palavra); transfere o fardo das tuas preocupações para Deus. Apresenta o problema diante dele, em oração. Torna tuas obras conhecidas do Senhor (assim alguns interpretam), não somente as obras da tua mão, mas as do teu coração; e então deixa-as com Ele, com fé e confiança nele, submissão e resignação a Ele. A vontade do Senhor será feita. Nós poderemos, então, ficar tranquilos, quando decidirmos que o que quer que agrade a Deus. agradará a nós.

 

V. 4 – Observe:

1. Deus é a primeira causa. Ele é o primeiro de todas as coisas e todas as pessoas, a fonte da existência; a cada criatura, Ele deu a sua existência, e indicou o seu lugar. Até mesmo os ímpios são suas criaturas, ainda que sejam rebeldes; Ele lhes deu os poderes com os quais eles lutam contra Ele, entretanto o fato de que não permitam que aquele que os criou os governe agrava a sua iniquidade, e, portanto, embora Ele os tenha criado, não os salvará.

2. Deus é o fim derradeiro. Tudo pertence a Ele, e se origina dele, e por isto, tudo é para Ele, e por Ele. Ele criou tudo. conforme a sua vontade e para o seu louvor; Ele se determinou a servir aos seus próprios propósitos com todas as suas criaturas, e não falhará em seus desígnios; todos são seus servos. Ele não é glorificado pelo ímpio, mas por causa dele, será glorificado. Ele não torna ímpio nenhum homem, mas criou àqueles a quem previu que seriam ímpios: ainda assim, Ele os fez (Genesis 6.6), porque sabia como obter honra por causa deles. Veja Romanos 9.22. Ou (como alguns interpretam), Ele criou os ímpios, para que fossem empregados por Ele, como instrumentos da sua ira no dia do mal, quando Ele trouxer o juízo ao mundo. Ele faz algum uso, até mesmo dos ímpios, como de outras coisas, para que sejam a sua espada, a sua mão (Salmos 17.13,14). O rei da Babilônia é chamado seu servo.

 

V. 5 – Observe:

1. A soberba dos pecadores coloca Deus contra eles. Aquele que, sendo exaltado em posição, é altivo de coração, cujo espirita é exaltado com a sua condição, de modo que se torna insolente na sua conduta, para com Deus e o homem, que saiba que, ainda que ele admire a si mesmo, e os outros o bajulem, ainda assim é uma abominação para o Senhor. O grande Deus o despreza; o santo Deus o detesta.

2. O poder dos pecadores não os pode proteger de Deus, ainda que eles se fortaleçam, unindo as mãos. Embora eles possam se fortalecer, uns aos outros, com suas confederações e combinações, unindo suas forças contra Deus, não escaparão ao seu justo juízo. Ai daquele que contende com o seu Criador (Provérbios 11.21; Isaias 45.9).

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PROVÉRBIOS 15: 25-33

Pensando biblicamente

O CONTRASTE ENTRE OS JUSTOS E OS ÍMPIOS

 

V. 25 – Observe:

1. Deus se alegra em abater os que são exaltados, e normalmente faz isto, no curso da sua providência: Os soberbos, que se exaltam a si mesmos, que desafiam a Deus que está acima deles, e pisam nos que estão à sua volta, são aqueles a quem Deus resiste, e a quem irá destruir, não somente a eles, mas também às suas casas, de que se orgulham e de cuja continuidade e perpetuidade são confiantes. A soberba é a ruína de multidões.

2. Deus se alegra em sustentar os que estão aflitos, e frequentemente o faz de maneira admirável: ele firmará a herança da viúva, que homens ofensivos e soberbos dilapidam, e que a pobre viúva não é capaz de defender e confirmar. A honra de Deus consiste em proteger os fracos e defender os que são oprimidos.

 

V. 26 – A primeira parte deste versículo fala de pensamentos, a segunda, de palavras, mas o significado é o mesmo: pois os pensamentos são palavras de Deus, e as palavras são avaliadas pelos pensamentos de que se originam, de modo que:

1. Os pensamentos e as palavras dos ímpios, que são, como eles mesmos, ímpios, que visam maldades, e têm alguma má intenção, são uma abominação para o Senhor; Ele sente desprazer com eles, e os levará em conta. Os pensamentos dos ímpios, na sua maioria, são odiados por Deus, e são uma ofensa para Ele, que não somente conhece o coração e tudo o que acontece nele, mas exige o lugar mais íntimo e mais elevado nele.

2. Os pensamentos e as palavras dos puros, dos limpos, sendo, como eles mesmos, limpos, puros, honestos e sinceros, são palavras agradáveis e pensamentos agradáveis, agradáveis ao santo Deus, que se alegra na pureza. Isto pode ser interpretado, tanto sobre as suas devoções a Deus (as palavras de suas bocas e as meditações dos seus corações, em oração e louvor, são aceitáveis a Deus. Salmos 19.14; 69.13), como sobre as suas palavras para com os homens, que tendem à edificação. Ambos são agradáveis, quando se originam de um coração puro, sim, de um coração que foi purificado.

 

V. 27 – Observe:

1. Os que são cobiçosos provocam problemas às suas famílias: o que se dá à cobiça, e por isto se torna um escravo do mundo, levantando-se cedo, ficando desperto até tarde, e comendo o pão da preocupação, devido à cobiça – aquele que se apressa, e pressiona, a si mesmo e a todos ao seu redor, nos negócios, se irrita com cada perda e desapontamento, e discute com todos os que atrapalham o seu lucro – perturba a sua casa, é um fardo e uma irritação, para os seus filhos e os seus servos. Aquele que, na sua cobiça, recebe subornos (RA), e usa maneiras ilícitas de obter dinheiro, deixa uma mal­ dição, com o que obtêm, aos que vierem depois dele, que mais cedo ou mais tarde trará aflições à sua casa (Habacuque 2.9,10).

2. Os que são generosos, além de justos, transmitem uma bênção às suas famílias: “O que aborrece as dádivas” (“o que odeia o suborno”, na versão RA), que não permite que suas mãos peguem os subornos que são postos nelas, para perverter a justiça e que abomina­ rá todas as maneiras indiretas e pecaminosas de obter dinheiro – que detesta ser torpe e mercenário, e está disposto, se houver oportunidade, a fazer o bem gratuitamente – viverá; ele terá o conforto da vida, e viverá em prosperidade e prestígio; o seu nome e a sua família viverão e continuarão.

 

V. 28 – Aqui temos:

1. Um homem bom prova ser sábio com o bom controle da sua língua; aquele que faz isto, é um varão perfeito (Tiago 3.2). E parte do caráter de um homem justo que, convencido da importância que deve dar às suas palavras, e da boa ou má influência que elas têm sobre os outros, deve se preocupar em falar sinceramente (é o seu coração que responde, isto é, ele fala o que pensa, e não ousa fazer outra coisa, ele fala verazmente segundo o seu coração, Salmo 15.2), e falar de maneira pertinente e benéfica, e por isto procura responder, de modo que suas palavras possam ter graça (Neemias 2.4; 5.7).

2. Um ímpio prova ser um tolo, pelo fato de que nunca presta atenção ao que diz, mas a sua boca derrama em abundância coisas más, para a desonra de Deus e da religião, sua própria vergonha, e sofrimento para os outros. Sem dúvida, é um mau coração que transborda o mal.

 

V. 29 – Observe:

1. Deus se coloca à distância dos que o desafiam: os ímpios dizem ao Todo-Poderoso, aparta-te de nós, e por isto, Ele está longe deles; Ele não se manifesta a eles, não tem comunhão com eles, não deseja ouvi­ los, não os irá ajudar, nem mesmo no momento da sua necessidade. Eles estarão para sempre banidos da sua presença, e Ele os manterá à distância. “Apartai-vos de mim, malditos”.

2. Ele se aproximará, com misericórdia, dos que se aproximam dele, no caminho do dever; Ele escutará a oração dos justos, e a aceitará, ficará satisfeito com ela, e concederá uma resposta de paz a ela. É a oração de um justo que pode muito em seus efeitos (Tiago 5.16). Ele se aproxima deles, é uma ajuda presente, em tudo o que lhe pedirem.

 

V. 30 – Aqui, duas coisas são declaradas como agradáveis:

1. É agradável ter uma boa perspectiva de ver a luz do sol (Êxodo 11.7), e com ela, ver as maravilhosas obras de Deus, com que este mundo inferior é embelezado e enriquecido. Os que têm necessidade de misericórdia sabem como valorizá-la; como “a luz dos olhos alegra o coração”! Esta consideração deve nos tornar agradecidos pela nossa visão.

2. É mais agradável ter um bom nome, um nome respeitado por Deus e pelas pessoas boas, devido às boas coisas que se pratica: é como um unguento precioso (Eclesiastes 7.1). “A boa fama engorda os ossos”; ela traz um prazer secreto, que é fortalecedor. É também muito consolador ouvir (como alguns interpretam) um bom relato, a res­ peito dos outros; um homem não tem maior alegria do que a de ouvir que seus amigos andam na verdade.

 

V31 – Observe:

1. Um homem sábio está sempre disposto a ser repreendido, e por isto convive com os que, tanto por suas palavras como por seus exemplos, lhe mostram o que há de errado nele: “Os ouvidos que escutam a repreensão” amarão aquele que repreende. As repreensões fiéis e amistosas são aqui chamadas de “repreensão da vida”, não somente porque devem ser feitas de maneira vigorosa, e com prudente zelo (e devemos repreender por meio de nosso modo de viver, e também por nossa doutrina), mas porque, quando são bem aceitas, são meios de vida espiritual, e levam à vida eterna, e (como pensam alguns) para distingui-las de censuras e repreensões por sucesso, que são, na verdade, repreensões de morte, que não devemos considerar, nem pelas quais nos devemos influenciar.

2. Os que são sábios a ponto de suportar a repreensão se tornarão mais sábios (Provérbios 9.9), e acabarão sendo contados entre os sábios da sua época, e terão habilidade e autoridade, para repreender e instruir outras pessoas. Os que aprendem bem, e obedecem bem, provavelmente, com o tempo, ensinarão bem, e governarão bem.

 

V. 32 – Veja aqui:

1. A tolice dos que não desejam ser ensinados, que rejeitam a instrução, que não dão ouvidos a ela, mas que lhe dão as costas, ou que não a ouvem, mas fecham seu coração a ela. Eles rejeitam a correção; eles não a aceitarão, nem do próprio Deus, mas lutarão contra ela. Os que fazem isto menosprezam as suas almas; eles mostram que têm uma má opinião sobre as suas almas, e se preocupam pouco com elas, esquecendo-se que elas são racionais e imortais, e que a instrução é designada a cultivar a razão e preparar para o estado imortal. O erro fundamental dos pecadores é menosprezar suas próprias almas; desta maneira, eles negligenciam o que têm que prover para elas, e as maltratam, as expõem, preferem o corpo à alma, e prejudicam a alma, para satisfazer o corpo.

2. A sabedoria dos que estão dispostos, não somente a ser ensinados, mas também a ser repreendidos: o que escuta a repreensão e corrige os erros pelos quais é repreendido, adquire entendimento, pelo qual a sua alma é protegida dos maus caminhos e conduzida nos bons caminhos, e assim ele evidencia a apreciação que tem pela sua própria alma e também lhe atribui verdadeira honra.

 

V. 33 – Veja aqui o grande interesse como também o dever que temos:

1. Que nos submetamos ao nosso Deus e conservemos uma reverência por Ele: o temor do Senhor, assim como é o princípio da sabedoria, também é a instrução e correção da sabedoria; os princípios da religião, se aderidos fortemente, aprimorarão o nosso conhecimento, corrigirão nossos erros, e serão o melhor guia do nosso caminho. Um temor por Deus sobre nossos espíritos nos dará os mais sábios conselhos e nos castigarão, quando falarmos ou agirmos tolamente.

2. Que nos curvemos diante de nossos irmãos. e tenhamos respeito por eles. Onde há humildade, há um feliz prenúncio de honra e preparativos para ela. Aqueles que se humilharem serão exaltados, tanto aqui como no futuro.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 15: 14-24

Pensando biblicamente

SABEDORIA E TOLICE

 

V14 – Aqui há duas coisas a admirar:

1. Um sábio não satisfeito com a sua sabedoria, mas ainda procurando aumentá-la; quanto mais ele tem, mais deseja ter: “O coração sábio buscará o conhecimento”, alegrando-se tanto no conhecimento que já obteve, que ainda cobiça mais, e no uso dos meios do conhecimento ainda busca mais, crescendo em graça, e no conhecimento de Cristo.

2. Um tolo satisfeito com a sua tolice, e sem buscar a cura para ela. Enquanto um homem bom tem fome das genuínas satisfações da graça, uma mente carnal se banqueteia com as satisfações de apetites e caprichos. A alegria vã e os prazeres dos sentidos são o seu prazer, e com eles ele pode ficar satisfeito, lisonjeando-se destas maneiras tolas.

 

V. 15 – Veja aqui a grande diferença que existe entre a condição de alguns dos filhos dos homens. e outros.

1. Alguns estão em meio a muita aflição, e com um espírito angustiado, e todos os seus dias são maus, como os da velhice, e dias sobre os quais dizem não ter prazer. Eles comem nas trevas (Eclesiastes 5.17) e nunca comem com prazer (Jó 21.25). Quantas são as aflições dos aflitos deste mundo! Eles não devem ser censurados nem desprezados, mas merecem piedade e oração, socorro e consolação. Poderia ter sido a nossa própria sorte, ou ainda pode vir a ser, ainda que estejamos alegres no presente.

2. Outros desfrutam de grande prosperidade e têm um espírito alegre; e eles não têm somente dias bons, mas um banquete contínuo; e se, na abundância de todas as coisas, servirem a Deus com alegria no coração, e forem obedientes (fazendo tudo isto, como também se faz no céu), então estarão servindo ao bom Mestre. Mas não devem se banquetear sem temor; uma súbita mudança pode acontecer; “alegrai-vos com tremor”.

V.  16,17 – Salomão disse, no versículo anterior, que aquele que não tem uma grande propriedade. nem uma grande renda, mas tem um espírito alegre, tem um banquete contínuo; o contentamento cristão, e a alegria em Deus, tornam a vida fácil e agradável; aqui, Salomão nos diz o que é necessário para esta alegria de espírito, que dará um banquete contínuo para um homem, ainda que ele tenha pouca coisa no mundo – santidade e amor.

I – Santidade. O pouco, se bem administrado e desfrutado no temor do Senhor, será mais consolador e terá um resultado melhor do que o de um grande tesouro, pois as inúmeras riquezas trazem consigo muitos problemas. Precisamos manter uma boa consciência e seguir o caminho do dever, servindo a Deus fielmente, com o pouco que tivermos. Observe, aqui:

1. É, muitas vezes, a sorte dos que temem a Deus ter apenas um pouco neste mundo. Muitas vezes os pobres recebem o Evangelho, e ainda continuam pobres (Tiago 2.5).

2. Os que têm grandes tesouros frequentemente têm grandes problemas com eles; tão longe tais tesouros estão de tranquilizá-los, que na verdade aumentam a sua preocupação. ”A fartura do rico não o deixa dormir”.

3. Se um grande tesouro traz dificuldades consigo, é por falta do temor a Deus. Se os que têm grandes propriedades fizessem o seu dever com elas, e então os confiassem a Deus, os seus tesouros não teriam a companhia de tantos problemas.

4. Portanto, é muito melhor, e mais desejável, ter apenas um pouco no mundo, e possuí-lo com boa consciência, para conservar a comunhão com Deus, e viver pela fé, do que ter a maior abundância e viver sem Deus no mundo.

II – Amor. Além do temor a Deus, a paz com todos os homens é necessária para a consolação nesta vida.

1. Se os irmãos viverem juntos, em unidade, se forem amistosos, sinceros e agradáveis, tanto em suas refeições diárias como em eventos mais solenes, isto fará de uma refeição de hortaliças um banquete suficiente; ainda que o cardápio seja humilde, e os bens tão poucos que eles não tenham como comer nada melhor, ainda assim o amor tornará a refeição saborosa e eles poderão ser tão felizes com ela como se tivessem todos os tipos de guloseimas sofisticadas.

2. Se houver inimizade mútua e contendas, ainda que haja um boi inteiro para a refeição, um boi gordo, não haverá consolação nesta refeição; o fermento da perversidade, de odiar e de ser odiado, é suficiente para azedar toda a refeição. Alguns entendem que isto se refira àquele que oferece a refeição; é melhor ter uma refeição modesta e ser sinceramente bem-vindo, do que ter uma mesa farta com um olhar murmurador e maligno.

 

V. 18 – Aqui temos:

1. A paixão, a grande criadora de contendas. Dela vêm as guerras e as pelejas. A ira atiça o fogo que incendeia cidades e igrejas: um homem iracundo, com suas reflexões mesquinhas, suscita contendas, e dá ocasião para que outros discutam, e aproveita as oportunidades criadas pelos outros, ainda que sejam triviais. Quando os homens levam os seus ressentimentos longe demais, uma contenda ainda produz outra.

2. A mansidão, a grande apaziguadora: o longânimo não somente evitará contendas, para que não se acendam, como apaziguará a luta, se já tiver sido iníciada; ele traz água para apagar a chama, une aqueles que se separaram, e com métodos amáveis os traz a mútuas concessões, para que haja a paz.

 

V. 19 – Veja aqui:

1. De onde surgem as dificuldades insuperáveis que os homens deverão encontrar no caminho do seu dever. Elas não se originam de nada na natureza do dever, mas da preguiça dos que realmente não se importam com ele. Aqueles que não se dedicam ao seu trabalho fingem que o seu caminho é como uma sebe de espinhos, e que não podem realizar o seu trabalho (como se Deus fosse um Mestre duro, colhendo onde não semeou), pelo menos que o seu caminho está cheio de espinhos, que não podem realizar o seu trabalho sem uma grande dose de dificuldades e perigos; portanto, eles passam por este caminho com tanta relutância como se tivessem que andar descalços por uma sebe de espinhos.

2. Como estas dificuldades imaginárias podem ser vencidas. Um desejo honesto e um empenho para cumprirmos o nosso dever, pela graça de Deus, tornará o caminho mais fácil, e nós o encontraremos repleto de rosas: “A vereda dos retos está bem igualada”; é fácil andar por ela, não é árdua, é fácil de ser encontrada, e não é intrincada.

 

V. 20 – Observe aqui:

1. O louvor dos bons filhos, que são a alegria de seus pais, que devem se alegrar com eles, tendo tido muitos cuidados e sofrimentos com eles. Contribui muito para a satisfação dos que são bons, se tive­ rem razões para pensar que foram um consolo para seus pais, em seus últimos anos, quando vêm os maus dias.

2. A insensatez dos filhos ímpios, que, com a sua iniquidade, desprezam os seus pais, ignoram a sua autoridade e recompensam mal a bondade deles: “O homem insensato despreza a sua mãe”, que provavelmente teve muita tristeza com ele, e talvez o tenha mimado muito, o que torna ainda mais pecaminoso o seu pecado, ao desprezá-la, e a tristeza dela, ainda mais dolorosa.

 

V21 – Observe:

1. É uma caracte1istica de um homem ímpio o fato de que ele tem prazer no pecado; ele tem um apetite para com a isca, e a engole apetitosamente, e não teme o anzol, nem o sente , quando o engole: a estultícia é alegria para ele; a dos outros também o é, e a dele, muito mais. Ele peca, não somente sem arrependimento, mas com prazer, não somente não se arrepende de pecar, como se vangloria de fazê-lo. Este é um dos sinais de que uma pessoa não possui a graça de Deus.

2. É uma característica de um homem sábio e bom o fato de que ele tem consciência do seu dever. Um tolo vive à solta, com aventuras, mas sem lei, não age com sinceridade nem constância; mas um homem de entendimento, entendi­ mento este esclarecido pelo Espírito (e os que não têm um bom entendimento não têm entendimento nenhum), anda retamente, vive uma vida sóbria, ordeira, regular, e se esforça, em tudo, para estar em conformidade com a vontade de Deus; e isto é, para ele, constante prazer e alegria. Mas qualquer tolice que permaneça nele, ou se origine dele, em qualquer ocasião, é uma angústia para ele, e ele se envergonha disto. De acordo com estas características, podemos avaliar a nós mesmos.

 

V. 22 – Veja aqui:

1. A má consequência de agir precipitadamente e impensadamente, e sem conselho: “Onde não há conselho os projetos saem vãos”, as medidas são rompidas, e os homens não alcançam seus objetivos, não chegam ao seu fim, porque não desejaram pedir conselhos sobre o caminho. Se os homens não dedicarem tempo e esforços para deliberar consigo mesmos, ou se estiverem tão confiantes sobre o seu próprio juízo, que desdenham consultar outras pessoas, não é provável que realizem qualquer coisa considerável: eles são derrotados por circunstâncias que, com algumas consultas, poderiam ter sido previstas e evitadas. É uma boa regra, tanto em questões públicas como domésticas, não fazer nada impensadamente e precipitadamente.

2. O quanto será benéfico para nós pedir o conselho de nossos amigos: “Com a multidão de conselheiros (com a condição de que sejam criteriosos e honestos, e não deem conselhos com um espírito de contradição), se confirmarão os projetos”. O filho de Salomão não fez bom uso deste provérbio, uma vez que não aquiesceu com o conselho dos anciãos, mas como desejava ter uma multidão de conselheiros, considerando mais o número que a ponderação, pediu conselhos aos jovens.

 

V. 23 – Observe:

1. Nós falamos com sabedoria quando falamos oportunamente: a resposta da boca será nossa credibilidade e nossa alegria, quando for pertinente e relevante, e dita no momento oportuno quando for necessária, será muito considerada, e, como dizemos, “acertará na mosca”. Muitas boas palavras não fazem todo o bem que poderiam ter feito, por não serem oportunas. Nada contribui mais para a beleza do discurso do que ter uma resposta apropriada e imediata, exatamente quando houver ocasião para ela e ela for bem recebida.

2. Se falarmos bem e com sabedoria. isto redundará em nossa própria consolação. e no benefício dos outro s: “O homem se alegra na resposta da sua boca”; ele pode ter prazer a ponto dos ouvintes o admirarem e dizerem: “Quão boa é, e quão bem nos faz’.”, mas de maneira nenhuma deverá se orgulhar por ter falado de maneira tão aceitável.

 

V.  24 – O caminho da sabedoria e da santidade é aqui recomendado:

1. Como sendo muito seguro e confortável: É o caminho da vida o caminho que conduz à vida eterna, em que encontraremos a alegria e a satisfação que serão a vida da alma. e em cujo fim encontraremos a perfeição da bem-aventurança. “Sê sábio, e viverás”. É o caminho para escapar àquela infelicidade, à qual não podemos deixar de nos ver expostos, ou em risco dela. E o caminho para nos afastarmos do inferno que está embaixo, dos laços do inferno, das tentações de Satanás. e de todas as suas fraudes, das dores do inferno, daquela destruição eterna que os nossos pecados merecem.

2. Como muito sublime e honroso: É para cima. Um homem bom coloca os seus afetos nas coisas do alto, e procede de acordo com estas coisas. O seu interesse está no céu, os seus caminhos conduzem diretamente para lá; ali está o seu tesouro, acima, fora do alcance dos inimigos, acima das mudanças deste mundo inferior. Um homem bom é verdadeiramente nobre e grande; os seus desejos e desígnios são elevados, e ele vive acima dos outros homens. Acima da capacidade e fora da vista dos homens tolos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 15: 9 – 13

Pensando biblicamente

 

V. 9 – Esta é uma razão para o que foi dito no versículo anterior.

1. Os sacrifícios dos ímpios são uma abominação para Deus, não por falta de detalhes na cerimônia, mas porque o seu caminho, todo o curso e o teor do seu modo de vida é ímpio, e, consequentemente, uma abominação para Ele. Os sacrifícios pelo pecado não eram aceitos dos que decidiam continuar no pecado, e eram, até o mais alto grau, abomináveis, se feitos com a intenção de obter uma tolerância com o pecado e uma permissão para continuar nele.

2. Portanto, a oração do justo é o prazer do Senhor, porque o justo é um amigo de Deus, e Ele ama aquele que, embora ainda não tenha alcançado, busca a justiça, avançando e prosseguindo, como o apóstolo Paulo (Filipenses 3.13).

 

V. 10 – Isto mostra que aqueles que não conseguem tolerar ser corrigidos devem esperar ser destruídos.

1. É comum que aqueles que já conheceram o caminho da justiça, mas o abandonaram, considerem uma grande afronta ser repreendidos e admoestados. Eles se sentem muito desconfortáveis com a repreensão; eles não podem e não desejam suportá-la; na verdade, porque odeiam ser modificados, odeiam ser repreendidos, e odeiam os que os tratam fielmente e amavelmente. Dentre todos os pecadores, os que mais se ressentem com as repreensões são os apóstatas.

2. É certo que aqueles que não desejaram ser repreendidos serão arruinados: aquele que odeia a repreensão, e insensibiliza o seu coração a ela, e se une aos seus ídolos; deixai-o. Ele morrerá, e perecerá para sempre em seus pecados, uma vez que não desejou ser separado deles, “Bem vejo eu que já Deus deliberou destruir-te, porquanto fizeste isso e não deste ouvidos a meu conselho” (2 Crônicas 25.16; veja também Provérbios 29.1).

 

V. 11 – Isto confirma o que foi dito (v. 3) a respeito da onipresença de Deus, e do seu juízo sobre os justos e os ímpios.

1. Deus conhece todas as coisas, até mesmo aquelas coisas que estão escondidas dos olhos de todos os vivos: “O inferno e a perdição estão perante o Senhor”, não somente o centro da terra, e as suas cavernas subterrâneas, mas o sepulcro, e todos os cadáveres que estão ali sepultados, longe dos nossos olhos; estão todos perante o Senhor, todos diante dos seus olhos, de modo que nenhum deles poderá estar perdido, quando ressuscitarem outra vez. Ele sabe onde cada homem está enterrado, até mesmo Moisés, incluindo o local onde estão os corpos daqueles que foram enterrados na maior obscuridade; e Ele não precisa de nenhum monumento com a frase Hic jacet Aqui jaz, para orientá-lo. O lugar dos condenados, em particular, e todos os seus tormentos, que são in­ descritíveis, a condição das almas separadas, em geral, e todas as suas circunstâncias, estão sob os olhos de Deus. A palavra aqui usada com o significado de perdição é Abadom, que é um dos nomes do diabo (Apocalipse 9.11). Este destruidor, ainda que nos engane, não consegue fugir ou escapar ao conhecimento divino. Deus lhe pergunta de onde vem (Jó 1.7), e vê através de todos os seus disfarces, ainda que ele seja astuto, sutil, e rápido (Jó 26.6).

2. mas porque o seu caminho, todo o curso e o teor do seu modo de vida é ímpio, e, consequentemente, uma abominação para Ele. Os sacrifícios pelo pecado não eram aceitos dos que decidiam continuar no pecado, e eram, até o mais alto grau, abomináveis, se feitos com a intenção de obter uma tolerância com o pecado e uma permissão para continuar nele.

3. Portanto, a oração do justo é o prazer do Senhor, porque o justo é um amigo de Deus, e Ele ama aquele que, embora ainda não tenha alcançado, busca a justiça, avançando e prosseguindo, como o apóstolo Paulo (Filipense 3.13).

 

V. 12 – Um escarnecedor é alguém que não somente tenta zombar de Deus e da religião, mas que desafia os métodos empregados para a sua própria condenação e reforma, e, como evidência disto:

1. Não consegue suportar as repreensões da sua própria consciência, nem permitirá que ela lide claramente com ele: “Não ama o escarnece­ dor aquele que o repreende”; ele não consegue se isolar em seu próprio coração e se comunicar seriamente com ele, não admitirá nenhum pensamento ou argumentação razoável consigo mesmo, nem permitirá que seu próprio coração o fira, se puder evitar isto. É triste o caso do homem que teme familiarizar-se e discutir consigo mesmo.

2. Ele não consegue suportar os conselhos e as admoestações de seus amigos: “Ele não se chegará para os sábios”, para que não lhe deem conselhos sábios. Devemos não somente receber os sábios, quando vêm a nós, mas também ir até eles, como mendigos, à porta do rico, em busca de esmolas; mas isto o escarnecedor não fará, por medo de que lhe digam quais são os seus erros, e de que o levem a se transformar.

 

V. 13 – Aqui:

1. Alegria inofensiva e inocente nos é recomendada, como a que contribui com a saúde do corpo, vivificando os homens e tornando-os adequados para o trabalho, perante a aceitabilidade do seu modo de vida, fazendo o rosto brilhar e tornando-os agradáveis. uns aos outros. Um espírito alegre, sob o controle da sabedoria e da graça, é um grande ornamento para a religião, acrescenta brilho à formosura da santidade, e torna os homens mais capazes de fazer o bem.

2. A melancolia nociva é aquilo contra o que somos advertidos, como um grande inimigo para nós, tanto em nossa devoção quanto em nosso modo de vida: “Pela dor do coração”, quando esta domina e tiraniza (como poderá vir a fazer por algum tempo se cedermos a ela), o espírito se abate, e se torna inadequado para a obra de Deus. A tristeza do mundo opera a morte. Por isto, choremos, como se não chorássemos, como um ato de justiça a nós mesmos, e também em conformidade com Deus e com a sua providência.

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PROVÉRBIOS 15 – 1-2

Pensando biblicamente

O USO APROPRIADO DA LÍNGUA

 

V. 1 – Salomão, como conservador da paz pública, aqui nos diz:

1. Como a paz pode ser mantida, para que possamos saber como mantê-la, em nosso lugar; é com palavras brandas. Se a ira se erguer, como uma nuvem ameaçadora, cheia de tempestades e trovões, uma resposta branda a dispersará e desviará. Quando os homens forem provocados, fale gentilmente com eles, e dirija-lhes palavras boas, e eles serão pacificados, como foram os efraimitas, pela mansidão de Gideão (Juízes 8.1-3); ao passo que, em ocasião similar, pela aspereza de Jefté, se exasperaram, e as consequências foram más (Juízes 12.1-3). A razão se expressará melhor, e uma causa justa será mais bem defendida com mansidão, em lugar de paixão; os argumentos mais fortes são melhor expressos através de palavras brandas.

2. Como a paz será rompida, de modo que nós não façamos nada para o seu rompimento. Nada incita tanto a ira, e semeia a discórdia como palavras duras e o uso de nomes ofensivos, como “Raça”, e “louco”, repreendendo os homens por suas fraquezas e infelicidades, por sua origem ou educação, ou qualquer coisa que os diminua e os torne inferiores; ideias escarnecedoras e iníquas, com as quais os homens exibem a sua sagacidade e perversidade, suscitam a ira dos outros, e isto aumenta e inflama a sua própria ira. Em lugar de perder a oportunidade de fazer uma zombaria, alguns preferirão perder um amigo e fazer um inimigo.

 

V. 2 – Observe:

1. Um bom coração no controle da língua se torna muito útil. Aquele que tem conhecimento não deve apenas usá-lo para seu próprio proveito, mas usá-lo, usá­lo apropriadamente, para a edificação de outros; e é a língua que deve fazer uso dele, em palavras proveitosas e piedosas, ao fornecer instruções apropriadas e opor­ tunas, conselhos e consolações, com todas as expressões possíveis de humildade e caridade, e então o conhecimento é usado de maneira apropriada; e a qualquer que tiver, e que use o que tem, será dado.

2. Um coração ímpio no controle da língua se torna muito prejudicial; pois a boca dos tolos derrama a estultícia, que é muito ofensiva; e as palavras corruptas que resultam de um mau tesouro (a imundície, e a conversa fútil, e as zombarias) corrompem as boas maneiras de alguns, e os perverte, e entristece os bons corações dos outros e os perturba.

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PROVÉRBIOS 15:  3 – 8

Pensando biblicamente

O CONTRASTE ENTRE OS JUSTOS E OS ÍMPIOS

 

V. 3 – As grandes verdades da divindade são muito úteis para reforçar os preceitos da moralidade, e nenhum mais do que este – que os olhos de Deus estão sempre sobre os filhos dos homens.

1. Olhos para discernir a tudo, não somente dos quais nada pode ser escondido, mas pelos quais tudo é efetivamente inspecionado, e nada é ignorado ou considerado com negligência. Os olhos do Senhor estão em todo lugar; pois Ele não somente tudo vê das alturas (Salmos 33.13), mas está presente em todos os lugares. Os anjos estavam cheios de olhos (Apocalipse 4.8), mas Deus é todo olhos. Isto indica não somente a sua onisciência, e que Ele tudo vê, mas a sua providência universal, com que Ele sustenta e governa tudo. Todos os pecados, obras e tristezas que são praticados em segredo estão bem patentes aos seus olhos.

2. Olhos para discernir pessoas e atos. Ele contempla os maus e os bons, tendo um grande desagrado nos iníquos e maus, e aprovando os justos e bons, e julgará os homens segundo aquilo que os seus olhos virem (Salmos 1.6; 11.4). Os ímpios não ficarão impunes, nem os justos deixarão de ser recompensados, pois o Senhor tem os seus olhos sobre ambos, e conhece o seu verdadeiro caráter; isto transmite tanto consolação aos santos como terror aos pecadores.

 

V.4 – Observe:

1. Uma língua saudável é saúde, saúde para consciências feridas, consolando-as; para almas doentes pelo pecado, condenando-as; para a paz e a caridade rompidas, ao ajustar diferenças, conciliando questões em divergência e reconciliando os grupos divergentes; esta é a cura da língua, que é uma árvore de vida, cujas folhas têm um poder de saúde (Apocalipse 22.2). Aquele que sabe como falar fará do lugar onde vive um paraíso.

2. Uma língua perversa fere (a perversidade, a paixão, a falsidade e a imundície nela quebrantam o espirito); ela fere a consciência do maledicente, e causa culpa ou tristeza aos ouvintes, e ambas as coisas devem ser consideradas como quebrantamento do espírito. As palavras duras não quebram, realmente, ossos, mas muitos corações foram quebrantados por elas.

 

V. 5 – Consequentemente:

1. Que os superiores sejam admoestados a dar instrução e repreensão aos que estão sob os seus cuidados, pois responderão por isto no dia do juízo. Eles não somente devem instruir à luz do conhecimento, como reprovar com o calor do zelo; e as duas coisas devem ser feitas com a aut01idade e o afeto de um pai, e devem ser contínuas, ainda que o efeito desejado não seja imediatamente percebido. Se a instrução for desprezada, repreenda e censure asperamente. É realmente com relutância que os homens revelam erros e deixam desconfortáveis os que estão ao seu redor, mas é melhor isto do que permitir que eles prossigam imperturbáveis pelo caminho que os levará à destruição.

2. Que os inferiores sejam admoestados, não somente a se submeterem à instrução e repreensão (até mesmo às dificuldades), mas a valorizá-las como favores e não desprezá-las, usá-las na sua própria orientação, e sempre ter consideração por elas; isto será uma evidência de que são sábios, e um meio de torná-los sábios; ao passo que aquele que despreza a sua boa educação é um tolo, e provavelmente viverá e morrerá tolo.

 

V. 6 – Observe:

1. Onde há justiça, há riquezas, e as suas consolações: “Na casa do justo há um grande tesouro”. A religião ensina os homens a serem diligentes, modera­ dos e justos; e deste modo, normalmente há um aumento em seu patrimônio. Mas isto não é tudo: Deus abençoa a habitação do justo, e esta bênção enriquece, sem trazer problemas ou dificuldades. Ou, se não houver muitos dos bens deste mundo, ainda assim, onde há graça, há um verdadeiro tesouro; e os que têm apenas pouco, se tive­ rem disposição para se satisfazer e desfrutar a consolação deste pouco, já será suficiente; todas as coisas boas são riquezas. Os justos talvez não enriqueçam, mas há um tesouro na sua casa, uma bênção armazenada, cujo benefício os seus filhos poderão colher. Um homem ímpio e materialista somente deseja ter seu ventre cheio desses tesouros, ter o seu próprio apetite sensual satisfeito (Salmos 17.14); mas a primeira preocupação de um homem justo é com a sua alma, e em seguida, com a sua semente, ter o tesouro em seu coração e também na sua casa, do qual poderão se beneficiar os seus parentes e os que estão à sua volta.

2. Onde houver iniquidade, ainda que haja riquezas, há inquietação de espírito: nos frutos do ímpio, na grande renda que ele tem, há perturbação; pois ali há culpa e maldição; há soberba e paixão, inveja e contenda; e estes são desejos incômodos, que privam ao ímpio da alegria de suas rendas e os torna um problema para o seu próximo.

 

V. 7 – Este versículo diz a mesma coisa que o versículo 2, e mostra que bênção é um homem sábio e que fardo é um tolo aos que estão à sua volta. Aqui, porém, observe ainda:

1. Que nós usamos o conhecimento corretamente quando o transmitimos, sem confiná-lo a algumas das pessoas mais próximas, e recusá-lo aos outros que poderiam fazer bom uso dele, mas quando damos uma porção dessa dádiva espiritual a muitas pessoas, não somente informando, mas difundindo este bem, com humildade e prudência. Devemos nos esforçar para espalhar e propagar o conhecimento útil; devemos ensinar alguns, para que possam ensinar a outros, e assim o conhecimento se difunde.

2. Que não é apenas uma falha derramar a tolice, mas é uma vergonha não transmitir conhecimento, pelo menos não transmitir uma ou outra palavra sábia: “O coração dos tolos não fará assim”; ele não tem nada para transmitir, que seja bom, ou, se tivesse, não teria talento nem vontade para fazer o bem com isto; portanto, aqui há pouco valor.

 

V. 8 – Observe:

1. Deus odeia tanto os ímpios, cujos corações são perversos e suas vidas, malévolas, que até mesmo os seus sacrifícios são uma abominação para Ele. Deus tem sacrifícios que lhe são trazidos, até mesmo por ímpios, para calar a voz da consciência e conservar a sua reputação no mundo, do mesmo modo corno malfeitores vêm a um santuário, não porque seja um lugar santo, mas porque os protege da justiça; mas os seus sacrifícios, ainda que tão custosos, não são aceitos por Deus, porque não são oferecidos com sinceridade, nem por um bom princípio; eles são hipócritas com Deus, e no seu comportamento desmentem as suas devoções, e por este motivo, são uma abominação para Ele, porque são um disfarce para o pecado (Provérbios 7.14). Veja Isaías 1.11.

2. Deus tem tal amor pelos justos que, embora eles não possam arcar com um sacrifício (Ele mesmo providenciou isto), a sua oração é um prazer para Ele. A graça da oração é a sua própria dádiva, e a obra do seu próprio Espírito neles, com que Ele se compraz. Ele não somente atende as suas orações, mas se compraz com as suas orações a Ele, e em fazer-lhes o bem.