PSICOLOGIA ANALÍTICA

Te cinheço

TE CONHEÇO?

A prosopagnosia é uma inabilidade perceptiva, uma acentuada “cegueira para feições”. Pessoas com o distúrbio podem ver o rosto dos outros quase sempre tão bem quanto qualquer um, mas não conseguem retê-los na memória ou reconhecê-los. Para elas, essa parte do corpo fica praticamente isenta de peculiaridades: é como se a face equivalesse ao joelho ou à panturrilha. Esse grau de dificuldade é variável e, em muitos casos, as pessoas nem sequer se dão conta de que têm um distúrbio – acreditam que os demais veem o mundo exatamente como elas, povoado de faces indistintas.

O conceito de prosopagnosia é uma invenção moderna. A palavra resulta da junção do vocábulo grego prosopon (face) e agnosia (não reconhecimento). Foi cunhada pelo neurologista alemão Joachim Bodamer, que iniciou seus estudos sobre o tema durante a Segunda Guerra, quando trabalhou no Sanatório Winnental, um hospital psiquiátrico perto de Stuttgart. Ele observou em dois soldados com lesões graves na cabeça uma acentuada inabilidade de reconhecimento facial. Eles olhavam o rosto dos companheiros, mas não conseguiam coordenar a percepção com a capacidade de identificá-los.

Projeções feitas pelo Instituto de Genética Humana da Universidade de Münster, na Alemanha, sugerem que aproximadamente 2% da população é afetada por essa inabilidade em algum grau. Em amostragem realizada com 689 estudantes, 17 apresentaram indícios do distúrbio. Em 14 dos indivíduos pesquisados, foram descobertos sintomas de prosopagnosia tanto em parentes próximos quanto nos do círculo familiar ampliado.

“Sabemos hoje que, se o pai ou a mãe apresenta essa inabilidade perceptiva, a probabilidade de ela aparecer também nos filhos será de 50%; o sinal característico é, portanto, hereditário dominante”, afirma o neurocientista Thomas Grüter, professor da Universidade de Münster. E, uma vez que a prosopagnosia afeta igualmente homens e mulheres, evidencia-se que nela não tem participação nenhum cromossomo sexual, mas provavelmente um “autossomo”.

O especialista ressalta que a inabilidade congênita de reconhecer rostos não necessariamente tem a mesma base neuronal da prosopagnosia adquirida por lesão cerebral. “Até o momento, só sabemos que ela parece responsável pelo distúrbio hereditário de uma única mutação genética; a exemplo de todos os primatas, os seres humanos têm pouca habilidade olfativa em comparação com outras espécies, o que em geral não nos permite reconhecer nossos semelhantes pelos odores, como fazem, por exemplo, os cães”, observa Grüter. Em vez disso, temos uma visão altamente aperfeiçoada para identificá-los.

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PSICOLOGIA ANALÍTICA

Desafios da Tecnologia

DESAFIOS DA TECNOLOGIA

Laptops, internet e telefones celulares oferecem possibilidades há poucos anos inexistentes, tornam o trabalho mais rápido e, em muitos casos, mais fácil. Mas também apresentam desafios para o psiquismo.

 

Quem tem menos de 30 anos mal consegue imaginar um tempo sem computador, internet ou celular. E não é raro que se questione como há poucas décadas inúmeras atividades eram desempenhadas sem o auxílio da tecnologia disponível atualmente. Pesquisas escolares, por exemplo, eram muito mais demoradas e trabalhosas, já que não havia a enorme quantidade de informações disponíveis hoje na rede. No tempo do papel e da máquina de escrever qualquer equívoco, que já pode ser apagado com o simples toque numa tecla, significava rasuras e exigia o uso dos corretores líquidos – o que, invariavelmente, comprometia a apresentação do trabalho.
Mais que facilitar a elaboração de textos, atualmente é possível controlar estoques, movimentação comercial e, em poucos segundos, rastrear bancos de dados on-line, sites e armazenar uma infinidade de dados em sistemas que, se estivessem no papel, certamente ocupariam inúmeras salas. Se antes um jornalista levava vários dias para encontrar os mais conceituados especialistas em determinada área para uma entrevista, hoje uma breve pesquisa virtual oferece dicas bastante úteis de como fazer contato.
Na Alemanha, uma pesquisa realizada com 34 mil trabalhadores pelo Instituto de Pesquisas Profissionais e de Mercado, em 1999, mostrou que 62% dos assalariados daquele país – o que equivale a mais de 20 milhões de pessoas – faziam uso pelo menos eventual de máquinas ou equipamentos informatizados em sua atividade profissional. Dentre eles, mais de 11 milhões, inseridos nas mais diversas funções, eram categóricos: acreditavam não ter nenhuma condição de trabalhar sem computadores.
É indiscutível que de diversas maneiras a “colega” tecnologia tornou o trabalho bem mais rápido – e, em alguns casos, bastante flexível. Mas tanto para a psique humana quanto para as organizações essa nova realidade representa um enorme desafio. Afinal, as aquisições de qualquer ordem têm um preço. Nesse caso, podemos citar os inconvenientes da torrente de informações que chega até nós quase em tempo integral, o isolamento social e a confusão entre vida privada e trabalho. “Os desafios impostos à competência técnica de profissionais tiveram um aumento estratosférico nos últimos anos; tecnologias disponíveis tornam-se cada vez mais variadas, complexas e interligadas. E espera-se que profissionais aprendam rapidamente a lidar com essa nova realidade”, comenta o professor de sociologia da tecnologia e da indústria Günter Voss, da Universidade de Chemnitz.

DO DESERTO À SELVA
Segundo Voss, há alguns anos, havia um grande problema comum às mais variadas áreas: reunir dados sobre qualquer assunto. Atualmente, a escassez foi substituída por um asfixiante excesso de ofertas – uma verdadeira selva de informações. Em muitas caixas de e-mail acumulam-se dezenas ou mesmo centenas de mensagens. Ante esse excesso, são postas à prova diariamente as capacidades de seleção e avaliação de qualquer pessoa que trabalhe conectada à rede internacional. O questionamento é inevitável: a que comunicado dou atenção e qual mensagem ignoro? Como posso deixar de receber informações e notícias que não me interessam? O que convém passar adiante? Ao fim de algum tempo, uma conclusão parece inevitável: é impossível absorver todas as que chegam até nós. E, para algumas pessoas, deparar com essa limitação deflagra a sensação (ainda que equivocada) de incapacidade ou ineficiência. É como se sempre estivéssemos em débito com a tecnologia.

QUEDA NA PRODUTIVIDADE
Fazer um PC voltar de alguma pane ou decifrar um programa de texto coalhado de erros criptográficos são desafios do trabalho cotidiano que nossos avós nem imaginavam que alguém pudesse enfrentar. Dados empíricos indicam que funcionários de empresas são obrigados a destinar cerca de um décimo da jornada diária para lidar com esse tipo de adversidade. Além dos custos desse conflito entre homem e máquina para os empresários, há outro inconveniente: o intenso stress vivido pelos profissionais.
O coordenador de psicologia organizacional e do trabalho Dieter Zapf, da Universidade Johann Wolfgang Goethe, em Frankfurt, pesquisou minuciosamente a relação entre panes de computador e stress. Seus estudos mostram que a ocorrência frequente desse tipo de problema afeta a qualidade de vida do trabalhador e, indiretamente, contribui para a apatia, a falta de iniciativa, o desinteresse pela atividade profissional e a queda na produtividade.
Como a correção das falhas costuma levar algum tempo, durante esse período a atenção do profissional se volta para o equipamento, e o trabalho propriamente dito fica em segundo plano. Tentando solucionar o problema, os mais ousados correm o risco de acionar algum dispositivo errado sem saber como voltar à posição anterior e, num piscar de olhos, se ver encalhados nos bancos de areia do mundo digital. “Os erros acontecem em cascata. Uma vez que o usuário sai do ambiente do programa com o qual está habituado, acumulam-se erros sobre erros, porque a pessoa é super exigida pela situação”, diz Zapf.

Em geral, só quando o usuário não consegue continuar sozinho é que pede ajuda a um colega ou algum técnico do departamento de informática. Além do tempo que todo esse processo consome, dependendo das características da pessoa e do grau de auto exigência, há outro agravante: o fato de o funcionário ter de buscar ajuda externa por não conseguir lidar com um problema por si só tende a aumentar seu nível de stress.
Os “mistérios” da máquina também podem acarretar desconfortos psicológicos causados por fantasias irracionais. A alta complexidade e impenetrabilidade dos microcomputadores suscitam em muitos usuários representações mágicas sobre o seu funcionamento, o que pode despertar medos e inseguranças. O tema motivou um estudo do Instituto de Psicologia e Pesquisa Social da Universidade de Bremen. Um grupo coordenado pelo professor Thomas Leithäuser acompanhou durante alguns anos a informatização da administração municipal de Bremen. Ele observou que sobretudo as pessoas inexperientes aventavam com frequência a possibilidade de apertar uma tecla errada e fazer cair o sistema ou causar a perda de todos os dados. E, mesmo após anos de uso, muitos mantêm associações que revelam insegurança – por exemplo, a imagem do interior de um PC como um labirinto de fios entrelaçados, no qual a pessoa poderia facilmente se perder.

MAIS ANSIEDADE?
Mesmo a auto estima muitas vezes sucumbe no trabalho com a “colega” tecnologia. Segundo Leithäuser, as dúvidas a respeito do que de fato acontece dentro de um computador podem causar reações de alienação. E, não raro, a impressão de completa incapacidade para lidar com tecnologia acomete até os mais capazes. Embora com menos frequência, o computador também proporciona momentos de poder e triunfo – quando a instalação de um novo software funciona de primeira ou o trabalho em rede segue sem nenhum percalço, por exemplo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Tele trabalho e tele atividades (Sobratt), cerca de 4,5 milhões de brasileiros trabalham em casa. E, por ano, esse número aumenta em torno de 20%. Entre essas pessoas estão prestadores de serviço, empreendedores e até funcionários contratados. Para reduzir custos, cada vez mais empresas preferem que, dependendo da atividade que exercem, os funcionários trabalhem parte do tempo em casa. Entusiasmados com a tranquilidade que isso pode trazer ou na intenção de conciliar melhor a vida familiar e a profissional, muitos aplaudem a ideia.

Trabalhar amparado na tecnologia – mas não atrelado a um espaço físico específico – significa para muitos a possibilidade de rotina mais flexível. Para pesquisadores como o sociólogo Frank Kleemann, da Universidade Técnica de Chemnitz Kleemann, porém, esse modelo não significa, necessariamente, melhor qualidade de vida. Pelo contrário: em alguns casos pode implicar uma série de problemas como isolamento, dificuldade de se organizar e sobrecarga de atividades. Afinal, quando o escritório fica a poucos passos da sala de jantar ou do quarto pode ser difícil para alguns encerrar o expediente e evitar fazer “horas extras” em horários em que, em outras circunstâncias, estariam longe da empresa.
Não raro, a nítida separação entre vida profissional e privada desaparece. Além disso, com o trabalho muitas vezes um elemento estranho adentra o refúgio familiar. Crianças pequenas podem ter dificuldade em compreender que o pai ou a mãe estão em casa, mas não disponíveis. “O trabalho a distância traz consigo uma crescente “empresarização” no modo de conduzir a vida. A lógica da vida profissional, do procedimento e do planejamento auferidos pelo alcance de objetivos é transferida para a esfera privada”, segundo Kleemann.
Para ele, o trabalho a distância é um dos grandes responsáveis pela pouca interação entre colegas, o que dificulta a troca de conhecimentos – até porque as pessoas esperam ter um motivo concreto para fazer uma ligação telefônica ou escrever um e-mail. Com isso, fica limitado o intercâmbio de informações muitas vezes necessárias e o comportamento competitivo aumenta.
Um estudo desenvolvido pela psicóloga social e organizacional Renata Schmook, professora da Universidade de Halle, indica que pessoas que não têm um ambiente profissional específico tendem a se sentir mais inseguras: falta-lhes o feedback imediato, não podem se orientar pelos colegas e a execução de suas tarefas parece apartada do conjunto, o que a longo prazo desperta sensação de não pertencimento ao grupo – enfatizando sentimentos de rejeição e ansiedade.
Estudos desenvolvidos pelo psicólogo organizacional Jürgen Wegge, da Universidade de Dortmund, apoiam o que outras pesquisas, realizadas em várias partes do mundo, têm indicado: a cooperação intensiva entre colegas tende a aumentar o grau de satisfação das pessoas com o próprio trabalho. Isso, porém, não vale para atividades em que o computador desempenha papel central. Segundo Wegge, o funcionário que se encarrega do abastecimento de dados de outros ou precisa de relatórios eletrônicos sobre suas atividades vivencia com frequência irritações, raiva e angústias, o que costuma provocar dores de cabeça e na nuca, além de mal-estar generalizado. O quadro se torna mais agudo quando a função é desempenhada de maneira solitária.

O correio eletrônico também contribuiu para mudar muito a vida profissional nos últimos tempos. As vantagens da correspondência eletrônica estão ao alcance da mão: escrever um e-mail é simples, ele chega rápido ao destinatário e pode ser feito de qualquer PC que estiver conectado. A pessoa que escreve pode formular de maneira precisa o que pretende dizer, sem ter de se prender a formalismos, como no tempo das cartas. Diferentemente dos telefonemas, quem recebe a mensagem não é importunado e pode responder a seu tempo, do modo que lhe convier.
Mas também causam problemas inesperados. Os comunicados eletrônicos têm um efeito desinibidor, são escritos em tom descontraído, o discurso é articulado de maneira menos formal e as emoções, externalizadas. Os erros de escrita acabam aparecendo mais. Outros estudos mostram que informações negativas (como anúncios de medidas impopulares numa empresa, motivadas por maus resultados) são comunicadas de maneira mais direta e menos cuidadosa que em conversas pessoais.

SEM ENTONAÇÃO
O volume de informações que chega aos computadores pessoais é muito maior do que nossa capacidade de absorvê-las. Além disso, os e-mails profissionais podem ser lidos a qualquer momento quando os espaços pessoal e de trabalho estão pouco delimitados – e aí o risco de invasões de privacidade e conflitos aumenta.
Outra característica do correio digital é que, por suas próprias características, faltam a esse tipo de mídia as pequenas indicações não-verbais que facilitam o entendimento. Nas conversas face a face, a mímica e a linguagem corporal, bem como o modo de vestir, a escolha do local de encontro ou o estado de organização de um escritório são informações preciosas sobre a pessoa com quem se trata. Mesmo em um telefonema, sinais como entonação e intensidade da voz, ênfases e pausas no discurso sinalizam procedimentos. Nos e-mails estão simplesmente as palavras nuas e cruas na tela, à disposição. E facilmente suscitam mal-entendidos. “Por que um colega de repente usa o neutro “olá”, se até há pouco iniciava os e-mails com a palavra “caro”?” “As palavras digitadas pelo chefe significam que ele está bravo comigo?” “Por que o parceiro de negócios já há dois dias não me responde?” Essas perguntas podem abrir a porta para interpretações errôneas e irritações.
“Incertezas e dubiedades relacionadas a e-mails induzem a pessoa que escreve a projetar no receptor suas expectativas, desejos e receios”, diz o psicólogo americano John Suler, que pesquisa os aspectos psicológicos do relacionamento virtual na Universidade Rider, Nova Jersey. Segundo ele, quem espera que um chefe desaprove seu projeto toma os e-mails que recebe dele como mais críticos do que de fato são. Nesses casos, o funcionário não ouve a mensagem do outro – mas as vozes em sua própria cabeça. E, assim, corre-se o risco de que a tecnologia, que deveria tornar a vida mais confortável, se transforme em mais um problema a ser resolvido.

DE PAPO COM A MÁQUINA

De modo geral, o ser humano tem grande capacidade de se adaptar às novas tecnologias. O intercâmbio eletrônico de pensamentos por e-mail, por exemplo, desenvolveu um tipo de comunicação exigente e expressiva, assumindo uma forma de escrita própria, entre a linguagem oral e a escrita. Especialistas em estilo chegaram até a cunhar uma nova classificação: o text talk – a fala pelo texto.
Essa capacidade de adaptação se revela também no embate com um aparelho eletrônico em pane, principalmente computadores. Pesquisadores liderados por Holger Luczak, do Instituto de Ciência do Trabalho da Escola Superior Técnica de Aachen, realizaram em 2003 um levantamento detalhado com 100 pessoas e constataram que quando há algum problema a grande maioria dos usuários começa a “conversar” com suas máquinas.
Como se o problema estivesse relacionado a um ser vivo e inteligente, o micro é questionado, xingado ou estimulado. Alguns chegam a pedir que ele “por favor” funcione. “Essa personificação de um aparato tecnológico serve como estratégia psicológica eficaz para diminuir o stress”, ressalta Luczak. E nessas ocasiões nem costuma haver preocupação com o discreto olhar de reprovação e outras reações negativas das pessoas à sua volta: segundo o estudo dos pesquisadores de Aachen, as conversas com a máquina são vistas como um comportamento perfeitamente aceitável.

 

Fonte: Annette Schäfer – Revista Mente e Cérebro

GESTÃO E CARREIRA

Liderança Estratégica - 4 caminhos

OS QUATRO CAMINHOS E ARMADILHAS DA LIDERANÇA ESTRATÉGICA

Existe uma visão míope de que o planejamento é a parte mais importante da estratégia

 Quando se fala em pessoas estratégicas, a primeira imagem que surge é de um grupo em uma sala de reuniões desenhando cenários, criando gráficos SWOT ou definindo budget. Sim, definir objetivos e metas é parte importante da estratégia. Mas, ser estratégico é muito mais do que isso.

A estratégia é um fluxo, pois da mesma forma que não podemos avaliar a saúde de um rio olhando apenas um trecho, uma empresa não pode ser priorizada apenas na fase na qual se desenham cenários.

O primeiro grande engano das lideranças que se dizem estratégicas é focar apenas no planejamento. As pessoas de forma geral não gostam ou não sabem acompanhar o processo estratégico como um todo e o ganho que havia sido planejado se esvai pelo caminho. Isto porque estratégia é muito mais do que planejamento.

É possível destacar quatro caminhos que garantem uma visão estratégica mais ampla e inclusiva. E o melhor, culmina na inovação, que é a melhor forma de perpetuar um negócio.

 

PRIMEIRO CAMINHO

A liderança estratégica começa pelo posicionamento. Quando a empresa possui um bom posicionamento e conhece de forma precisa seus pontos fracos e fortes, as coisas se tornam mais claras e o espaço para viver de aparências é reduzido.  Organizações que se posicionam corretamente estimulam a autenticidade e deixam explícitos os líderes que atuam com efetividade e aqueles que se escondem atrás de relacionamentos e de favores.

O posicionamento estimula a coerência nas decisões e incentiva a responsabilidade. Os líderes educadores que utilizam o posicionamento são disciplinados e evitam os atalhos obscuros, promovendo uma comunicação aberta e ampla.

ARMADILHAS DO PRIMEIRO CAMINHO

Uma organização que não se posiciona corretamente cria a sua primeira armadilha, a soberba. Ela faz com que as pessoas se achem autossuficientes e desestimula o trabalho em equipe. Empresas que foram líderes de mercado por muito tempo costumam ser possuídas pela soberba. Enquanto isso, seus concorrentes trabalham em silêncio e quando menos se espera ganham o seu mercado.

Quando organizações se preocupam em analisar cenários, conjuntura e tendências percebem que não são tão poderosas como imaginam e descem do “salto”. Ambientes assoberbados são contaminados por relações artificiais, que não se sustentam com o tempo, mas como o processo de deterioração é muitas vezes lento e definitivo, não há muito poder de reação para organizações que se consideram mais do que realmente são.

Os clientes também percebem quando seu fornecedor está tomado pela soberba e isto faz com que tomem a decisão de abandoná-lo, na maioria das vezes. Resta para a empresa, culpar a área de vendas e marketing, que não entendem as necessidades dos seus clientes, segundo a visão da alta direção. Isto é o resultado de um mau posicionamento.

 

SEGUNDO CAMINHO

O segundo caminho da liderança estratégica é a gestão de pessoas. Após a organização construir seu posicionamento, deve agora criar sistemas de Recursos Humanos que façam as pessoas serem reconhecidas pelo seu potencial e entrega, por meio de um eficaz processo de avaliação de desempenho e remuneração compatível com cada grupo de profissional, alinhada ao mercado.

A liderança estratégica irá buscar formas de atrair bons profissionais e manter um ambiente interno adequado ao alto desempenho de forma multivariada. Isto é, não basta focar na tarefa, mas olhar o processo como um todo, colocando a equipe a serviço dos diversos stakeholders, acompanhando e eliminando dúvidas.

O líder estratégico que acredita na gestão de pessoas incentiva o reconhecimento e a confiança, provendo a transparência e o incentivo da verdade. Ele se envolve com o grupo e cria os vínculos necessários ao bom desempenho da equipe.

ARMADILHAS DO SEGUNDO CAMINHO

A armadilha da falta de uma boa gestão de pessoas são os feudos. Empresas em que a comunicação e os papéis não são claros e os mecanismos de premiação não estimulam a meritocracia incentivam a criação de feudos, que é uma forma de sobrevivência de pessoas em organizações baseadas apenas em relacionamento e não em potencial ou desempenho.

Quando os feudos estão instalados é muito difícil desfazê-los, pois existem de forma velada e ninguém reconhece a sua existência. Programas para team building são uma tentativa utilizada pelas empresas e muitas vezes são gastos muitos recursos com resultados pífios. Isto ocorre porque os contratantes não percebem as causas enterradas nos feudos. É muito mais profundo do que simplesmente passar um final de semana juntos. Acabar com feudos dá trabalho e remove os interesses obscuros.

 

TERCEIRO CAMINHO

O terceiro caminho é a aprendizagem. Empresas abertas à ela conseguem ampliar seus horizontes e buscar soluções de longo prazo. Uma organização que aprende de forma estruturada cria em seus líderes uma visão inclusiva e diversa e isto faz com que todos os stakeholders sejam contemplados nas soluções desenvolvidas.

As empresas com visão de curto prazo serão predatórias e muitas vezes inviabilizarão a vida do próprio cliente. O aprendizado traz o respeito ao cliente e aos demais parceiros, pelo conhecimento da sua importância e suas necessidades. A empresa aprende a fugir do amadorismo e começa a estruturar melhor suas soluções, sendo mais rigorosa com suas ofertas.  A aprendizagem contínua leva ao profissionalismo.

Os líderes estratégicos promovem a gestão do conhecimento e aceita os erros, mas incentiva as melhores práticas de gestão. Os papéis também são bem definidos e os procedimentos associados irão facilitar o seu desempenho.

ARMADILHAS DO TERCEIRO CAMINHO

Empresas pouco propensas a aprender caem na armadilha do foco no curto prazo. Este é um dos maiores motivos para o desaparecimento ou perda de competitividade de organizações, pois ao focar no curto prazo, agem como predadoras e exploradoras do ambiente de negócios.

A busca pelo relacionamento com os clientes e sustentabilidade representam a tentativa de fugir do foco apenas no curto prazo para que seja possível a criação de relações duradouras. Quando uma organização coloca sua força de vendas para ganhar o máximo no curto prazo, pode conseguir bons resultados em um primeiro momento, mas, muitas vezes, as consequências são irreversíveis para a sua imagem e seu futuro no mercado.

 

QUARTO CAMINHO

O quarto e último caminho é a inovação, porque somente podem criar novas e vencedoras soluções, as empresas realmente estratégicas. Ou seja, aquelas que trilharam todos os caminhos necessários à sua saúde. A inovação faz com que as pessoas confiem em si mesmas e nas demais e acelera o ritmo empresarial. Empresas inovadoras possuem processos simples e pessoas com o poder e autoridade necessários ao lançamento de novas soluções que as diferenciam da concorrência.

Empresas burocráticas não estimulam a geração de ideias. Tudo fica emperrado e depois de frustradas tentativas de contribuir, os colaboradores desistem e os feudos se instalam ainda mais. Vida é fluxo e sem este movimento o novo não terá espaço para nascer. O processo começa com um bom posicionamento, gestão de pessoas, aprendizagem e o resultado é uma empresa preparada para inovar, se destacar e gerar valor aos stakeholders.

Os líderes estratégicos compartilham seus objetivos e metas, querem a autenticidade e promovem a criatividade, que é obtida pelos talentos gerados por uma boa gestão de pessoas. As pessoas inovadoras enxergam oportunidades onde os outros percebem apenas obstáculos.

ARMADILHAS DO QUARTO CAMINHO

A burocracia é a armadilha das empresas que não conseguem inovar. Ela é o resultado de uma organização mal posicionada, cheia de feudos e com visão de curto prazo. Tudo será uma ameaça para uma empresa com estes atributos e a empurra para a burocracia, que é a forma encontrada para que ela se garanta por falta de um posicionamento correto.

A burocracia bloqueia o fluxo das coisas na organização. Nada ocorre com agilidade, muitas pessoas precisam ser consultadas, porque ninguém quer assumir riscos. Empresas burocráticas não conseguem inovar, pois a criatividade e o empreendedorismo são substituídos por ambientes focados em relações obscuras, pessoas assoberbadas e visão estreita.

Autor: Fábio Cássio Costa Moraes

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

EM CRISTO

Não devemos jamais nos esquecer de que todos nós fomos pecadores porque todos estivemos em Adão. Todo aquele que nasceu de Adão herdou a natureza de Adão. Quando pecadores, não precisávamos esforçar-nos para perder a calma, contar uma mentira, e assim por diante uma vez que a vida, natureza e comportamento de Adão fluíam em nós. Ora, a nossa salvação não vem do fato de Deus nos ter tornado bons, mas de ter-nos salvo de Adão colocando-nos em Cristo. De modo que agora, tudo o que é de Cristo flui para dentro de nós. A Bíblia mostra-nos que no momento em que estamos em Adão, pecamos, e que somente permanecendo em Cristo praticamos a justiça. Permita-me lembrar a você e a mim que à espreita, no secreto de muitos de nossos corações, está o erro: a ideia de esperar que Deus nos mude. Mas Deus não faz e jamais fará nada dentro de nós; antes, colocar-nos-á em Cristo.
Nosso padrão de pensamento é que uma vez que a raiz do pecado está em nós, devemos pedir a Deus — depois de sermos salvos — que arranque a raiz do pecado assim como pedimos que o dentista extraia um dente doído de nossa boca. Talvez alguns até mesmo digam a você e a mim que devemos orar pedindo que Deus extraia a raiz de nosso pecado. Talvez possam também informar-nos que depois de longo tempo em oração eles mesmos tiveram êxito nisto e desta forma alcançaram a santidade.
Mas deixe-me apressar-me a dizer-lhe que se você espera que Deus desarraigue o seu pecado, ficará desapontado, pois Deus jamais o fará. O que a Bíblia nos mostra é que todas as obras de Deus foram realizadas em Cristo. Desde o dia em que Cristo morreu, todas as coisas do mundo espiritual foram completadas nele. Deus não pode fazer mais. De modo que se você pedir que Deus faça algo parecido em você, ele não o pode fazer. Você somente pode receber o que ele já fez em Cristo.
Tudo está em Cristo. Você espera, em oração, ver uma luz especial ou ouvir alguma voz especial dizendo-lhe que seu pecado particular agora está sendo erradicado? Ou procura uma sensação distinta que o encha de alegria? Você pode pensar que estas coisas sejam boas; em verdade, entretanto, isto mostra que seu coração é ímpio e incrédulo. Pois tudo o que Deus faz ele o faz em Cristo, não em você. De modo que agora não é mais o que Deus faz em você mas o que Deus fez em Cristo.
E ao crer nesta última alternativa, você a receberá. Somente a possuirá apropriando-se dela em Cristo.
Amiúde quando enferma a pessoa pensa que ficará bem se tão somente Deus a tocar com o dedinho. Mas Deus já o curou em Cristo; não pode fazer mais nada em você. Se você crer nisto e apropriar-se deste fato em Cristo, deveras ficará são e saudável. Você está pensando em vitória? A vitória de Cristo somente é seu triunfo. Deseja vencer o mundo? Outra vez, foi Cristo quem venceu o mundo. Ou você espera que Deus faça algo para você algum dia? Permita-me dizer uma vez mais: não; Deus já fez tudo para você em Cristo. Logo a vitória não é questão do dia atual, porque Cristo já triunfou. Que Deus nos possa dar revelação tal que possamos ver o que já temos em Cristo.
Se não cremos, nada recebemos; mas se cremos temos tudo. Em Cristo estão a vitória, a justificação, a santificação, o perdão e todas as outras bênçãos espirituais. Deus não pode fazer mais do que isto por nós. Se estivermos em Cristo, tudo o que é de Cristo será nosso. Não é como se tirássemos alguma coisa de Cristo a fim de nutrir a nós mesmos, mas é entrarmos em Cristo de modo a permitirmos que flua em nós o que já está nele.
Ao sermos batizados, somos batizados em Cristo — não meramente somos batizados na água, mas somos batizados em Cristo. Segundo a última cláusula de Romanos 6:3 (“fomos batizados na sua morte”), a água do batismo mencionada nesse versículo aponta para a morte. Mas segundo a primeira cláusula do mesmo versículo (“fomos batizados em Cristo”), a água também se refere a Cristo. Frequentemente vamos a Deus buscando um copo d’água. Não, Deus quer que entremos em Cristo. Se esclarecermos este ponto, saberemos que não é uma questão de nós mesmos, nem o nosso pedir que Deus faça algo em nós; é, antes, Cristo, e todas as coisas estão nele.

I. O QUE TEMOS EM CRISTO:
“Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1).
Como não podemos ser condenados? Estando em Cristo. Você pode dizer a Deus: “Sou pecador, por favor, perdoa-me e não me condenes”? Não, Deus não pode fazer isto diretamente para você, ele somente pode perdoá-lo em Cristo. Você não deve olhar para si mesmo; deve olhar para Cristo. Permita-me perguntar: — Como é que você sabe que não será condenado no futuro? Pode você confiar na experiência que teve em certa época, em determinado dia?
É claro que você somente pode firmar-se e estar seguro no que as Escrituras dizem. Então nem eu nem todos os pregadores do mundo nem o próprio Deus podemos refutá-lo; e isto porque a Palavra de Deus afirma: “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.”
“E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura: as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:17).
Diz esta passagem o quanto fui mudado? De maneira nenhuma. Simplesmente diz que se alguém está em Cristo, é nova criatura. Alguém pode asseverar ter sido um cristão fraco por vários anos até que em certo ano e em determinado mês foi vivificado, assim tornando-se uma nova criatura. A tal pessoa perguntaria: — Qual é o fundamento para sua afirmação de que em tal tempo você se tornou uma nova criatura?
A única base verdadeira reside não no fato de que, em certa hora de reavivamento a pessoa transformou-se em nova criatura, mas no que a Palavra de Deus declarou; a saber, se alguém está em Cristo Jesus, é nova criatura.
Talvez alguém argumente que a despeito do que as Escrituras dizem a respeito de ser ele uma nova criatura, examinando-se a si mesmo não parece ser muito novo.
Talvez alguém argumente que a despeito do que as Escrituras dizem a respeito de ser ele uma nova criatura, examinando-se a si mesmo não parece ser muito novo.
Novamente minha resposta seria: — São muitos os pecadores e os santos que têm falta de fé!
Permitam-me encorajar a todos nós a ajoelhar-nos e orar: “Deus, louvo-te e dou-te graças; tua Palavra diz que se alguém está em Cristo é nova criatura. Estou em Cristo, portanto sou nova criatura.” Sempre que lhe vier a tentação que lhe diz que você ainda é uma velha criatura, você precisa somente responder com a Palavra de Deus que diz que você está em Cristo e logo é nova criatura; Satanás baterá apressadamente em retirada. Ou se você simplesmente ficar do lado da Palavra de Deus e não der nenhuma atenção à tentação, você também terá a vitória. Pois a vitória não depende de sentimentos, mas da Palavra de Deus.
Permita-me reiterar uma vez mais a verdade que Deus nada fará em você. Se ele extraísse a raiz de nosso pecado, não teríamos necessidade de confiar nele desse dia em diante. Mas Deus realizou todas as coisas em Cristo a fim de que possamos ir a ele dia após dia. Ele não pode mentir; o que ele diz é verdade. E se crermos, tal confiança será nossa. Este é o segredo da vitória.
“Para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado” (Efésios 1:6).
Deus aceita-nos somente eu seu Amado — a saber, em Cristo. Ninguém pode ser aceito por Deus fora de Cristo, pois Deus somente pode receber-nos e aceitar-nos nele.
“No qual [o Filho do amor de Deus] temos a redenção, a remissão dos pecados” (Colossenses 1:14).
Redenção e remissão são algo que só se encontra em Cristo. Suponhamos que um crente tenha pecado e peça a Deus que lhe perdoe. Você sabe quando Deus lhe perdoa? Alguns dizem que oremos até recebermos paz no coração, pois é esta a evidência do perdão. Não existem muitos que têm cometido muitos pecados e, no entanto, seus corações estão em paz? Não há muitos também cujos pecados já foram perdoados, mas ainda se sentem conturbados? Quão totalmente incerto é o sentimento humano! Caso o cristão tenha pecado, por quanto tempo você lhe dirá que deve orar a fim de receber o perdão? Que se saiba que há mais de mil e novecentos anos Cristo já tinha levado nossos pecados: que você já tinha morrido na morte de Cristo, e assim já recebeu o perdão. Tudo está bem se simplesmente você se apropriar do que Cristo já realizou por você. Se esperar que Deus faça algo novo em você, poderá ter de esperar até que chegue a eternidade. Hoje, quando pedimos perdão a Deus, isto significa simplesmente deixar que o perdão que já está em Cristo flua para dentro de nós. Recebemos perdão por crermos que Deus já nos perdoou em Cristo. Isso não depende de sentimento.
“Aquele [Cristo] que não conheceu pecado, ele [Deus] o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).
Somos justificados por estarmos em Cristo. Não é por termos feito boas obras que Deus nos justifica. Deus nos justifica em seu Filho. Se esperarmos até sermos justos para crer, jamais creremos.
“À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Coríntios 1:2).
Assim como somos justificados por estarmos em Cristo, também somos santificados por estarmos nele. O grande erro de muitos é presumir que em dado mês ou em certo dia Deus lhes concede santificação e assim são santificados. Permita-me dizer-lhe que se você hoje espera que Deus o santifique, você jamais será santificado. Você somente pode apropriar-se do que Cristo já realizou por você.
Preferiríamos ser como a luz de um carro que provém da pouca eletricidade armazenada no carro. Mas se estamos em Cristo, seremos como uma luz de uma casa. Embora a eletricidade não esteja na lâmpada, flui para ela; pois assim que se liga o interruptor, a conexão é feita e a luz se acende. Mas quando se desliga o interruptor e a conexão é desfeita, a luz se apaga. Ora, enquanto permanecemos unidos com Cristo, temos tudo; mas se houver interrupções, seremos como os gentios. Nunca obra alguma foi feita em nós, uma vez que tudo foi feito em Cristo. Somos simples condutores.
“Porque eu estou bem certo de que nem morte, nem vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 8:38, 39).

Nenhuma destas coisas pode separar-nos do amor de Deus por um motivo muito importante — e este é o amor em Cristo Jesus. “Nele [Cristo] estais aperfeiçoados” (Colossenses 2:10).
Nosso aperfeiçoamento não é devido a alguma coisa feita em nós, mas devido ao nosso estar em Cristo. “Porque a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus te livrou da lei do pecado e da morte” (Romanos 8:2). Somos libertos não por causa de nós mesmos, mas por estarmos em Cristo. Bem-aventurado é aquele que crê nisto,
Deus “nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). Podemos desfrutar deste versículo sem limite de tempo. toda sorte de bênção que existe, está em Cristo. Tendo um versículo como este, a pessoa pode continuamente dizer: “Graças e louvor a Deus, pois Ele me deu toda a sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.”
A extensão de sua fé no que Deus disse, a essa extensão, tudo o que Ele disse será real para você.
“Para que tenhais paz em mim [Jesus]” (João 16:33). Não se encontra paz fora do Senhor. Enquanto permanecemos no Senhor temos a paz do Senhor.
“Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias” (Filipenses 2:1). Tudo está em Cristo.
“Conheço um homem em Cristo” (2 Coríntios 12:2). Eis um homem em Cristo, um homem que está totalmente nele.
Oh, se cuidadosamente lermos a Bíblia, não pediremos que Deus faça nada em nós. No caso de estarmos esperando que ele faça algo em nós, ficaremos desapontados não somente hoje e amanhã, mas até o dia em que partirmos deste mundo. No reino natural, se o interruptor estiver desligado, como é que alguém pode esperar que a luz brilhe? Mas assim que ligamos o interruptor, a luz chega imediatamente. Assim também é no reino espiritual; sem crer constantemente em Cristo, não temos a vitória. Precisamos de Cristo em cada momento. Nele temos tudo.

II. COMO ESTAR EM CRISTO
(1) Aquele que crê em Cristo está em Cristo. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Isto é união. Cremos em Cristo.

(2) Tendo crido em Cristo, devemos também ser batizados nele. Ser batizado na água é ser batizado em Cristo: “Ou, porventura, ignorais que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados na sua morte?” (Romanos 6:3). Assim como a pessoa é batizada na água, também é batizada em Cristo. Se colocássemos uma moeda de cobre numa garrafa de ácido sulfúrico, a moeda de cobre desapareceria porque se derreteria no ácido. Da mesma forma, quando a pessoa é batizada em Cristo torna-se uma com ele. Isto é fé.

(3) De Deus somos um em Cristo (veja 1 Coríntios 1:30). É Deus quem nos batiza em Cristo. Ao crermos interiormente e sermos batizados externamente, Deus nos une a Cristo. E assim temos a justiça, a santificação e a redenção. Não temos justiça nenhuma, porém Cristo é a nossa justiça. Não temos santificação alguma, mas Cristo é nossa santificação. Não temos redenção alguma, mas ele é nossa redenção. Veremos Cristo em todas as coisas. Possa Deus tirar o véu que nos cobre para que vejamos quão perfeita é a obra que realizou para nós.
Hudson Taylor despendeu grande esforço na busca da vitória. Ele reconheceu que a despeito de seu pedir constante, Deus não lhe concedia vitória. Certo dia ele leu as palavras de Cristo em João 15:5: “Eu sou a videira, vós os ramos.” Instantaneamente recebeu a luz. Ajoelhando-se, orou: “Sou a pessoa mais boba do mundo inteiro. A vida vitoriosa que procuro é algo que já possuo. Vós sois os ramos, disse Jesus; ele não disse que nos tornaríamos um ramo.” Por muitos anos ele pediu que fosse ligado à árvore como um ramo, sem perceber que já era um ramo ligado à árvore. Mas foi somente depois de receber a revelação de Deus que teve fé real. Desse dia em diante teve uma vida vitoriosa e realizou grandes coisas para o Senhor. Algum tempo mais tarde, pediram-lhe que falasse na Convenção de Keswick, na Inglaterra, e foi essa a história que ele contou lá. Ele disse: “Eu estava derrotado, logo procurava a vitória; mas a vitória nunca chegava. Mas no dia em que eu cri, a vitória chegou.”
Percebamos que não é preciso esforçar-nos a fim de receber a seiva da raiz para alimentar-nos, pois já somos ramos unidos à árvore. Não precisamos nos preocupar com nada, exceto permanecermos ramos. Não devemos tentar conseguir algo da árvore, mas simplesmente que somos os ramos. Deus nos uniu a Cristo, a árvore. E tudo o que é de Cristo é nosso. Crendo, temos a vitória. Por um lado, somos batizados em Cristo e por outro, mantemos contato com ele por meio do pão e do cálice. Assim fazendo, permitimos que sua vida flua através de nós.

 

GESTÃO E CARREIRA

negociacao ganha-ganha

O MITO DO GANHA-GANHA

Em gestão, muitos mitos vão se criando impune ou – às vezes – inocentemente. Há os que acreditam de verdade que a propaganda é a alma do negócio. Os que chegam a jurar que o cliente tem sempre razão. Além dos que defendem, com unhas e dentes, que é melhor vender alguma coisa que o cliente não quer ou não precisa comprar do que sair da entrevista sem um “pedidinho”. E por aí vai.
Nos seminários e palestras que faço, sempre procuro discutir os deletérios efeitos que a crença em alguns desses mitos acabam por produzir nas organizações.
Hoje quero conversar com você sobre um dos mais frequentes mitos da negociação: o do método ganha-ganha.
Se formos a qualquer dicionário, verificaremos que a palavra método pode ser traduzida como forma ou processo de se fazer alguma coisa. Inspirados pelo mito, alguns negociadores chegam à conclusão que é possível percorrer cada passo do processo de negociação “ganhando” alguma coisa. Vejamos se essa ideia faz sentido.
Se toda a negociação tem origem numa divergência quanto aos meios e numa convergência quanto aos fins, o único método possível para chegar a um acordo favorável para ambas as partes é o cede-cede.
Tomemos por base uma negociação comercial. O lado (a) quer vender um produto, mas só pode entrega-lo em 90 dias. O lado (b) quer comprar o produto – eis aí a tal convergência quanto os fins – mas tem que recebê-lo em, no máximo, 45 dias – logo, há aqui uma divergência quanto aos meios. Supondo que os prazos reivindicados pelas partes sejam verdadeiros, a única forma de estabelecer o acordo é obtendo de cada lado uma concessão e, por exemplo, fechando o negócio para entrega daqui a 70 dias (ambos tiveram que ceder, não é verdade?).
Não quero aqui negar que muitas vezes as partes pedem muito mais do que consideram o mínimo aceitável. Aqui a tática é fingir que se está fazendo concessões para obter contrapartidas do outro (em outras palavras: aquilo que dizemos ser o máximo que podemos conceder é apenas o mínimo). Algumas vezes, batemos pé em uma determinada solicitação quando o que verdadeiramente queremos é algo bastante diferente (chamamos isso de agenda oculta). Nesse caso, a estratégia é levar a outra parte a conceder coisas que ela imagina não ser o nosso principal objetivo (um exemplo seria o cliente que insiste em redução de preço quando o que realmente lhe interessa é o prazo de pagamento). Mas isso é praticar o ganha-perde, não é verdade?
Existem inúmeras táticas que, embora levem ao ganha-perde, são amplamente utilizadas visando forçar o outro lado a fazer concessões acima do que seria possível considerar razoável:
Cobertor: consiste em revelar tudo aquilo que queremos para depois verificar do que abriremos mão (a analogia é: vamos deixar os pés ou a cabeça descoberta?).

Colchete: consiste em isolar aquilo que a outra parte mais deseja visando colocá-la na defensiva.

Surpresa: consiste na súbita mudança do objeto da negociação, deixando a outra parte desconcertada e despreparada para negociar.

Intimidação: consiste em ameaçar a outra parte – sugerindo encerrar a negociação imediatamente, por exemplo.
Silêncio: consiste em não emitir qualquer opinião ou crítica quanto ao que está sendo proposto, visando desorientar a outra parte.

Drible: consiste em insistir que queremos uma determinada coisa quando o que nos interessa é outra.

Autoridade limitada: consiste em criar uma instância superior que precisa ser consultada antes de darmos uma resposta final sobre uma proposta.

Mocinho/bandido: negociadores que trabalham em dupla. Um faz o papel do bonzinho e o outro é o mal.

Poderíamos aqui mencionar uma lista muito mais ampla, que envolveria truques, artimanhas e falcatruas. Ao conversarmos sobre isso com os participantes dos nossos eventos, um número muito grande afirma utilizar-se desses recursos para obter o acordo. Sua opinião é que estão agindo da forma que propõem os livros e manuais (infelizmente muitos deles realmente propõem isso) e, consequentemente, não se percebem infringindo qualquer limite ético ou moral.
Sinceramente, eu não penso assim. É por isso que sempre enfatizo que “é melhor perder um bom negócio do que fazer um mau negócio”.
Acredito sinceramente que o principal elemento da negociação é o comportamental. Por isso valorizo tanto o autoconhecimento. Mas há coisas que você, como gestor, pode incentivar a equipe a fazer para visando a melhora da performance como negociador:

a) incentive as pessoas a se debruçar sobre o processo para identificar pontos fortes da sua oferta e pontos fortes da oferta da outra parte, para que as obrigatórias concessões que farão possam ser recompensadas com vantagens – financeiras, emocionais, estratégicas – oferecidas pelo outro lado;

b) defina empatia como uma das melhores estratégias para conseguir “pensar como o outro pensa”;

c) esclareça que a ideia de ganhar em uma negociação não implica que a outra parte tenha que perder;

d) estabeleça limites de autoridade para os negociadores, permitindo que eles exercitem sua capacidade de convencimento e troca;

e) reforce comportamentos que levam a construção de confiança entre as partes e desestimule aqueles que levam os outros a desconfiar de nós.

Por último, vale a pena dizer que minha crença é que o ganha-ganha existe sim, mas não no processo. Ele é atingido quando ao final da negociação cada parte avalia as concessões que fez e as compara com os resultados que obteve e chega à conclusão que, realmente, valeu a pena todo o esforço.

Autor: João Batista Vilhena é consultor sênior do Instituto MVC. Tem 35 anos de experiência profissional em Treinamento, Consultoria e Coaching, nas áreas de educação, gestão, marketing, negociação, vendas e distribuição.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SEDUÇÕES INTIMAS – O QUE ESTÁ POR BAIXO DAS ROUPAS SENSUAIS

Meias de seda, sutiãs que realçam as formas dos seios, cintas liga e calcinhas sensuais fazem mais que despertar a fantasia sexual: atualmente essas peças revelam preferências, desejos e medos de quem os usa ou os admira.

Sedução

Há peças de roupa feminina que servem para cobrir, proteger ou esquentar – e existem aquelas que escolhemos para instigar o prazer daqueles que desejamos atrair. Qualquer que seja a motivação da escolha, aquilo que vestimos – ainda que junto à pele, longe do olhar da maioria das pessoas – faz revelações sobre nossos medos e fantasias. Embora hoje as rendas e os lacinhos já não estejam tão escondidos, até há poucos anos sutiãs, calcinhas, combinações, anáguas e corpetes, sempre em cores discretas, eram encontrados apenas em lojas de armarinhos ou nas prateleiras dispostas disfarçadamente nas grandes lojas. Atualmente a roupa íntima é um fenômeno de moda presente em campanhas publicitárias famosas; tornou-se um aspecto da cultura. Quem não se lembra, por exemplo, do comercial dos anos 80 cujo tema era o “primeiro sutiã”, ou do advento do modelo wonderbra, que inaugurou as curvas falsas?

“Essas peças estão em uma posição ‘intermediária’ entre a pele e o tecido das roupas comuns; é essa carga simbólica que faz com que um corselete cause um impacto visual muito diferente daquele provocado por um maiô inteiro, que também cobre – ou deixa de cobrir – exatamente a mesma extensão do corpo de uma mulher”, afirma o semiólogo Ugo Volli, pesquisador da Universidade de Turim. Até o século 18, porém, eram os homens que usavam meias e ligas para deixar as pernas e até os genitais à mostra. As calcinhas também são uma invenção moderna. “No passado, acreditava-se que a mulher deveria ser ‘aberta embaixo’, uma ideia que ainda permanece disfarçadamente presente no imaginário erótico e é expressa por meio de imagens como a de Sharon Stone no filme Instinto selvagem, de 1992”, ressalta Volli. Segundo o estudioso de sistemas de signos e símbolos, essa crença, que estimula a fantasia de descobrir algo “secreto”, pode explicar por que os homens preferem, por exemplo, as meias femininas que vão até a altura das coxas, em vez dos modelos inteiriços.

“O fascínio da roupa íntima está na brincadeira do vejo/não vejo que atrai a atenção para as zonas erógenas, o que faz com que estar vestido seja, em geral, mais erótico que ver o corpo completamente nu”, afirma o psicólogo e terapeuta de casais Giuseppe Rescaldina.

O pesquisador dinamarquês Per Ostergaard lembra que, em certas situações, usar determinada roupa é uma espécie de ritual, um momento de passagem: há peças que, na intimidade, despertam o imaginário erótico e permitem ao casal encarnar o que ele chama de “personagens de si mesmos”. Em geral a renda branca, por exemplo, evoca a ideia de pureza; já a cor preta costuma ser associada à ideia de mistério e sofisticação. Para grande parte das pessoas o vermelho vivo lembra tanto sensualidade quanto transgressão, enquanto estampas que imitam pele de animais podem remeter ao erotismo e à sensualidade. Embora não haja consenso, fatores culturais também entram em jogo, e persiste um imaginário erótico constantemente incrementado pela mídia. O fato é que a roupa íntima “fala de nós” e nos permite viver diferentes papéis. Talvez por isso a renda transparente, o corselete e as meias 7/8 continuem sendo tão atraentes por tantas décadas. Embora a tecnologia proponha cortes e tecidos confortáveis outrora inimagináveis, as imagens que realmente seduzem são as da roupa íntima que parece ser usada justamente para ser tirada.

LIMPO E CONFORTÁVEL
Já para os homens, a visão é um dos sentidos fundamentais para alimentar a excitação, enquanto mulheres costumam se voltar para o conjunto. Não é à toa que a maioria delas conseguem manter vários focos de atenção simultaneamente. “Trata-se de uma herança da época na qual o macho deveria escolher uma parceira com a qual propagar os próprios genes, por isso se voltava para detalhes, enquanto a fêmea precisava de um companheiro para criar a prole, e fazer essa avaliação exigia observar o conjunto com um olhar mais abrangente”, observa o sexólogo Fabrizio Quattrini, presidente do Instituto Italiano de Sexologia Científica, em Roma. É por isso que peças transparentes em cores que se destacam do tom da pele, cobrindo (e ao mesmo tempo evidenciando) as zonas erógenas excitam tanto os homens. Ou pelo menos grande parte deles.

A cor da pele, em geral, é menos apreciada porque lembra demais a própria carne – e a suavidade, remetendo à realidade concreta, causando uma dicotomia entre carinho e paixão. “Simplificando, podemos afirmar que homens apreciam elementos que ‘forçam’ e ressaltam a imagem, que em nossa imaginação poderiam ser usados por um travesti ou uma prostituta. O vermelho forte, o sutiã que realça os seios ou a bota de salto fino superalto têm algo de tentador e ao mesmo tempo de proibido”, comenta a sexóloga Chiara Simonelli. “É uma espécie de fantasia que, para algumas pessoas, ajuda a acordar os sentidos, dá asas à imaginação e permite experimentações que, se estivessem vestidas de forma ‘comum’, dificilmente fariam”, diz. Neste contexto, a preparação até que a roupa seja exibida ao olhar alheio – a escolha da cor, dos detalhes, da maquiagem, a admiração da própria imagem antes, no espelho, e o momento da surpresa para o parceiro – compõe um ritual de apropriação de aspectos nem sempre óbvios da personalidade. A sexóloga ressalta que a característica arcaica da sensibilidade masculina é despertada por estereótipos, o que faz com que elementos eróticos pareçam especialmente interessantes. Essa produção pode, em determinados casos, apresentar-se para o homem como a sedutora imagem da mulher que se oferece a ele como um presente e, assim, o reafirma em seu papel dominante – na prática, um lugar cada vez menos efetivo.

Já o olhar feminino costuma valorizar o conjunto, o que torna as mulheres mais benevolentes. Elas demonstram preferência por roupas íntimas masculinas que combinem conforto, elegância e higiene. Antigamente, um homem que dedicasse muita atenção à própria roupa de baixo seria classificado como pouco viril. Hoje, embora esse interesse exagerado continue a ser uma característica do universo homossexual masculino, a afirmação da própria imagem já comporta a descoberta do cuidado com o corpo e – algo antes impensável – maior preocupação com a roupa de baixo.

MELHOR SEM ROUPA?
Para muitas mulheres, o uso da lingerie pode ajudar a enfatizar ou resgatar a feminilidade: em muitos casos, admirar-se ao espelho com um conjunto bonito de calcinha e sutiã é um recurso para fazer as pazes com o próprio corpo – e aceitar que não é necessário ser perfeita para ser bonita, sensual e desejada. Segundo Ostergaard, porém, a roupa íntima sedutora traz contradições. Ao mesmo tempo que reforça a autoestima, pode exaltar inseguranças. Serve para realçar a feminilidade e tem o “poder mágico” de enfatizar a feminilidade, particularmente apreciada em uma época na qual as diferenças de gênero têm sido suplantadas. E existe quem se refira à lingerie como um estímulo a experimentações em relação à própria sexualidade. Essas peças, no entanto, têm sido um instrumento de controle do corpo feminino, aproximando-o do estereótipo imposto pela mídia: para se sentir bem com determinadas produções é indispensável aderir aos padrões estéticos oficiais. É como se as mulheres tivessem interiorizado certa imagem sem se dar conta de que ela não tem nada de natural, de que é apenas o resultado de recursos para aumentar o volume das formas ou sustentá-las. Isto também acontece porque aumentou a oferta de peças que antes pareciam reservadas a strippers ou garotas de programa.

Parece, contudo, que a maioria não aprecia os excessos e prefere se mostrar sensual, em vez de declaradamente sexy. “Não seria exagero dizer que cada vez mais mulheres reconhecem o cérebro como o instrumento de sedução por excelência”, ressalta o sociólogo Francesco Morace, da empresa Future Concept Lab, especializada em pesquisas de opinião e comportamento. De qualquer forma, independentemente da classe socioeconômica, quase todas as mulheres têm alguma roupa íntima “especial”, embora o significado do termo seja subjetivo. Algumas valorizam seda e laços, enquanto outras preferem um conjunto clássico de calcinha e sutiã ou guardam com cuidado aquele que “deu sorte” em determinada ocasião. As peças adquirem valor simbólico, tanto que muitas vezes são guardadas de uma maneira diferente e não são emprestadas nem mesmo para as amigas mais íntimas com as quais se poderia tranquilamente dividir um biquíni, por exemplo.

E não se pode esquecer que existe uma roupa íntima certa para cada ocasião. “Elas são escolhidas como um instrumento de comunicação com base em quem imaginamos encontrar”, observa Volli. Existe aquela para mostrar ao médico, às colegas da academia de ginástica e para o parceiro em uma noite especial. Não raro, as mulheres reservam a melhor calcinha para a noite em que sabem que irão para a cama com alguém. E há até aquelas que evitam um encontro íntimo quando não estão usando uma peça que não lhes pareça suficientemente adequada.
Parece não haver dúvida de que a roupa íntima serve para seduzir, “esquentar” o relacionamento ou, em alguns casos, simplesmente garantir mais segurança quando chega o momento de tirar a roupa. “De fato a escolha da lingerie pode ajudar a trazer de volta o componente lúdico de uma relação, o que é certamente positivo, mas é preciso que haja certa cumplicidade entre o casal para que ambos se divirtam”, afirma Volli.

E obviamente há o risco de que a mulher que apostou numa roupa íntima sexy tenha alguma desilusão. Isto acontece quando, por exemplo, o conjunto comprado com tanto cuidado não recebe nenhum comentário, já que alguns homens (ainda) consideram os elogios como um sinal de fraqueza. E quando se recebe a lingerie de presente? “O gesto expressa desejo de intimidade e pode abrir possibilidades de diálogo”, acredita Rescaldina, embora muitas vezes os artigos escolhidos pelos parceiros sigam mais o próprio imaginário que as formas de quem deve usá-los.

Na opinião do psicólogo, um look ousado, composto de meias aderentes, cinta-liga e sapatos de salto alto, exibido por quem sempre usou roupas folgadas tanto encanta quanto assusta o parceiro, principalmente se a relação passa por uma crise. A atitude feminina provocativa, principalmente quando surge de forma repentina, pode amedrontar homens mais inseguros, que tendem a ver a ousadia ou a sensualidade explícita de forma desvinculada do afeto que consideram “condizente” com uma relação estável. Apesar das transformações sociais e culturais, em alguns segmentos da sociedade o preconceito ainda ronda o imaginário coletivo marcado pelo machismo. E mesmo que inconscientemente, muitas vezes prevalece o conceito arcaico de que a fêmea é uma presa a ser dominada. Por isso, a maneira como uma mulher se veste (ou se despe) para se colocar no lugar de objeto de desejo do parceiro pode fazer com que ela seja vista como uma ameaça, um perigo, já que terá aquele que a quer sob seu domínio. Nesses casos, em vez de obter o resultado esperado, uma produção mais ousada pode surtir resultado oposto. E no lugar da atração, surgir o medo e, consequentemente, a rejeição. E poucas frases são menos bem-vindas do que a pergunta: “Mas o que você está vestindo?!”.

Embora grande parte dos homens tenha ideias bastante precisas sobre seus gostos em relação ao vestuário feminino –, e não poderia ser de outra forma, tendo em vista a frequência com que certas imagens são alardeadas pela publicidade e oferecidas pela mídia – muitos realmente não se interessam por essas peças. Pensam que, quando se chega ao ponto de ver a lingerie, o jogo de sedução já está em andamento, e são sinceros quando afirmam que preferem a parceira simplesmente “sem roupa alguma”.

A orientação dos especialistas para evitar decepções? Sondar a opinião do parceiro antes de fazer uma surpresa. De preferência, escolher peças que deixem quem usa à vontade – permitindo-se brincar com o imprevisível e com a sensualidade, porque talvez o mais importante não seja a roupa em si, mas o modo como ela é usada e toda a fantasia que evoca. Afinal, com atmosfera certa, até o agasalho macio e confortável pode mexer com a imaginação.

Fonte: Paola Emília Cicerone – Revista Mente e Cérebro

GESTÃO E CARREIRA

Líder - Ritos de Passagem

LÍDER: RITOS DE PASSAGEM E SUA IMPORTÂNCIA NA GESTÃO

As empresas podem e devem auxiliar os líderes proporcionando um momento ritualizado onde todo o grupo vai conhecer melhor o novo líder

Ao longo dos tempos, é natural que alguns hábitos existentes nas sociedades se modifiquem. Igualmente natural é que situações que fazem parte da vida das comunidades tenham graus de importância diferentes para cada uma delas. Estamos nos referindo a passagens naturais da vida, algumas alegres, comemorativas, outras muito tristes. No geral, todas provocam as mais diferentes emoções e não seria diferente no processo de construção de líderes dentro de organizações.

EXPECTATIVAS X RESPONSABILIDADES DOS LÍDERES

Uma promoção a um cargo de liderança vem acompanhada de expectativas novas de relacionamento com superiores, pares, colaboradores.
Limites de atuação reconfigurados, entregas esperadas. Eventuais temores que podem surgir no momento que somos informados da mudança.
Se já nos conhecemos, temos ideias formadas uns sobre os outros. Se não, temos fantasias, suposições. Altera-se naturalmente o contrato psicológico existente entre as partes.
Segundo Charles Handy, em “Como compreender as Organizações”, contrato psicológico é um conjunto de expectativas nem sempre explicitado. Ao contrário do contrato social, conhecido pelas partes, baseado que é em legislação e políticas de pessoal. Esse conjunto de expectativas vai definir a natureza de entregas, resultados e relacionamento entre um novo líder e sua equipe, o que não sendo bem esclarecido pode gerar conflitos dolorosos.
Até que ponto estamos propiciando os rituais necessários à explicitação e combinação desses acordos que se iniciam com o novo líder ao desempenhar este papel?
Até que ponto não consideramos que esses scripts são naturalmente assimilados sem que se converse a respeito deles? Será que os valores que nortearão nossas ações nessa nova relação estão suficientemente compreendidos por todos?
Há casos em que o profissional sabe que foi promovido porque recebe cumprimentos dos colegas. Há outros em que a informação vem por e-mail.

 

QUAL O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES AO PROMOVER SEUS LÍDERES?

As empresas podem e devem auxiliar os líderes proporcionando um momento ritualizado em que todo o grupo vai conhecer melhor o novo líder, conhecer suas expectativas e sentimentos com relação ao novo papel ou novo grupo.
Como são as pessoas que trabalham nessa equipe? Como essas pessoas se veem, o que esperam do novo líder, o que já sabem dele, o que não sabem e querem saber. Como esse líder chegou até esse momento da carreira? O que ele espera desse grupo?
Atividades simples, que se programadas, trarão muitos benefícios para a vida daquelas pessoas que começam a produzir resultados juntas e que serão seguramente avaliados também pelos comportamentos que têm. Aliás, muitas demissões ocorrem por problemas comportamentais, muito mais que competência técnica, mais uma razão para negociarmos previamente as expectativas desses comportamentos.
Portanto, todas as vezes que os grupos se reconfiguram, seja com a promoção a de alguém que já pertencia ao grupo, seja com alguém novo na organização, ou naquele grupo participar dessa reunião de trabalho com uma pauta integrativa, que proporcione que os itens citados acima sejam compartilhados, é algo que a organização deve incentivar o líder a fazer.
Se não nos detivermos na importância desse momento, mais tarde nos defrontaremos com comportamentos inesperados, originados simplesmente da não contratação de expectativas no início da mudança do papel, ou mesmo tensões e até angústias decorrentes de dúvidas sobre o que fazer e como se relacionar.

 

CASO PRÁTICO DE RELACIONAMENTO E COMO ISSO IMPACTA UMA LIDERANÇA

Tive oportunidade certa vez de verificar duas pessoas que trabalhavam juntas há 28 anos e tinham mágoas uma da outra nunca explicitadas. Essa situação gerou não propriamente conflitos, porque eram pessoas maduras, mas uma impossibilidade de relação mais verdadeira, os contatos eram econômicos, muitas boas ideias devem ter se perdido nessa relação que não era inteira. Ideias criativas podem ter sido evitadas pela falta de abertura.
Essa possibilidade apareceu numa ocasião de ritualização de mudança da área…, mas 28 anos depois do que poderia…
No filme Invictus há uma passagem que mostra a força de um rito de integração. Mandela, ao chegar no palácio em seu primeiro dia de governo, percebe os brancos se preparando para deixarem seus postos de trabalho.
Apesar de ser avisado pela sua secretária que havia uma agenda a ser cumprida, ele não deixou passar o momento e pediu que ela chamasse todos os funcionários para uma conversa. Falou por menos de 5 minutos e o semblante das pessoas começou a mudar em uma demonstração clara de que haviam se convencido a ficar. O que houve foi um rito de Integração.
A cena mostra que o que caracteriza um rito não é necessariamente o tempo que se dedica a ele e nem um ambiente requintado. Importa sim que quem o realize esteja realmente presente, demonstre acreditar no que fala, tenha credibilidade, e suas palavras façam sentido para as pessoas.
Em sua fala ele citou a visão que tinha para a África do Sul e a importância daquelas pessoas para que ela fosse alcançada. Com certeza deu um significado ao trabalho delas. Deixou claro sua posição em relação à cor da pele e reforçou seu firme propósito em tornar realidade a causa pela qual lutou e perdeu sua liberdade por mais de 20 anos. Assim ele demonstrou a coerência entre discurso e ação.
Deixou inclusive todos à vontade até para deixar o trabalho, se quisessem.
Um exemplo de rito de chegada verdadeiro.

 

OUTROS RITOS IMPORTANTES NA VIDA DE UM LÍDER…

Continuando sua trajetória, esse líder vai se deparar com outras inúmeras situações de mudança: receber um colaborador novo, por exemplo. Quantas pessoas não se lembram do seu primeiro dia de trabalho? Chegar num lugar onde ainda não conhecem as regras do jogo. Como fomos recebidos pelos nossos líderes naquele momento?
Os ritos também são mais uma oportunidade para o líder exercitar os valores da empresa. A cada rito realizado deve ser mostrado quais valores estão sendo praticados. Por exemplo, se a empresa tem como valor “desenvolver seus profissionais”, o rito de acompanhamento e avaliação é uma prática desse valor.
Ouvimos muitas vezes subordinados reclamarem que não recebem feedback. Pode ser que recebam sem a ritualização necessária, sem que se ponha “legenda” na ação. Feedbacks express, feitos no café ou andando pelo corredor não costumam ter esse significado para quem os recebe.
As empresas podem e devem incentivar os líderes a realizar essas atividades dando nome a elas, fazendo a “solenidade” necessária. Afinal, são ritos de mudança, de ajustes.
Nos ritos de celebração de melhorias conseguidas, um exemplo de valor praticado pode ser “busca da qualidade”. Enfim, cabe ao líder trazer para o cotidiano do trabalho a prática dos valores, mostrar que não há um momento específico para praticá-los, mas há alguns ritos que privilegiam alguns valores em especial. Ao praticar os valores da empresa o líder está mostrando sua coerência.
Os ritos de celebração também devem ser incentivados. Todo nosso sistema de educação ainda privilegia as falhas em vez de acertos; “você errou 2 questões” e não “você acertou 8 questões”. Se não forem preparados com ferramentas simples e concretas no seu desenvolvimento, os líderes vão reproduzir esse comportamento. E sabemos que pessoas que trabalham juntas necessitam e qualificam reconhecimento traduzido em celebrações.
Um líder que investe 5 minutos num café junto com a equipes para comemorar um resultado especial tem um grande ganho com isso.

OS LÍDERES SÃO CELEBRADORES DE RITOS, SÓ ELES PODEM FAZÊ-LOS.

O processo de desenvolvimento dos líderes deve, além de privilegiar competências já conhecidas, abordar essas passagens como ritos indelegáveis e ferramentas para realizá-los, possibilitando que vivam cada um deles com abertura, verdade e consequência.
Pensemos também numa importante mudança na vida de todos dentro das organizações: a aposentadoria.
Dentre as inovações da ciência temos o prolongamento da vida. Milhares de pessoas têm de rever seus projetos de aposentadoria, porque nenhum sistema de Previdência vai sustentar esse processo. Temos que continuar produtivos mais tempo do que esperávamos há algum tempo atrás.
Até que ponto o líder está ajudando essas pessoas, a além de ter prazer merecido, reinventar sua vida de contribuição e conseguir renda, adaptar-se a novas gerações com comportamentos bastante diferentes, adaptar-se a um ritmo de vida que seja consistente com a faixa etária atual?
Integrar, mudar, ser promovido, adaptar-se a mudanças organizacionais, trocar de equipe, de superior imediato, despedir-se: passagens naturais, frequentes.
Portanto, nosso convite à reflexão consiste em analisar com coragem o quanto estamos auxiliando nossos líderes a assumir essas passagens com um repertorio de ações consistentes e que permitam transformar essas passagens em marcos produtivos, que diminuam angústias e dúvidas e aumentem limites negociados e consequentes.

Autoras: Tereza Vianna e Eliana Sader – consultoras em desenvolvimento de pessoas e coaching