AUTO LIDERANÇA

PRINCÍPIOS DE LIDERANÇA CRISTÃ

Recruit, recruiter, hire.

A LIDERANÇA E O PODER

 Exercer cargo de liderança é ter poder nas mãos. E o uso ético do poder é fundamental para o líder cristão. O problema não é o poder que o líder tem, mas o que faz com ele. É interessante observar como uma pessoa demonstra o seu caráter quando ocupa o cargo de líder e tem nas mãos o exercício do poder que é inerente. Ela pode exercer esse poder para o bem do próximo ou para o bem próprio. O poder exercido para o bem próprio leva à corrupção (corrupção vem de corromper que significa tornar podre, estragar, adulterar, perverter). “Há um paradoxo do poder: quanto mais forte, mais fraco.” (Mudança e Decisão, de Francisco G. de Matos). O poder pode levar facilmente à vaidade, à soberba, à infalibilidade. Isso é um passo para a queda.

Jesus enfrentou o maior desafio para exercitar o poder em benefício próprio (Mateus 4: 1-11). Michael Youssef, em “O Estilo de Liderança de Jesus”, diz: “satanás levou-o ao alto do monte e ofereceu-lhe todos os reinos do mundo. Foi uma tentativa de manipulá-lo, de despertar nele a sede do poder. Mesmo a transformação de pedras em pão implicaria a manipulação das forças da natureza em benefício próprio. Saltar do alto templo seria, sem dúvida, uma tentativa de manipular Deus Pai, coagindo-o a salvar o Filho”. E Jesus não cedeu. Ele é o nosso modelo de liderança.

Existe poder da posição que se refere à influência que o líder tem por causa do seu cargo. Por exemplo: uma pessoa pode não fazer determinada coisa se solicitada por outra, mas se for o líder (ou o pastor), que pedir ela o fará. Também o poder pessoal ou o carisma, que é poder exercido pela personalidade, pela maneira de ser do líder. O poder pessoal pode levar o líder ao perigo, manipulando as pessoas e dessa forma abusando do poder. Um líder cristão, seja em qualquer grupo, jamais deverá alimentar a ânsia pelo poder, pois pode haver distorção e tragédia. O grande ponto é que ao assumirem posições de liderança, de poder, há pessoas que fazem de tudo para nunca mais saírem do cargo. Em vários segmentos de nossa sociedade, corre dinheiro como forma de comprar os interessados e a isso denominamos corrupção. Mas, no meio religioso, embora não haja dinheiro por detrás, há métodos da mesma forma corruptos para se manter no poder. Temos visto grupos se suicidando coletivamente por causa do poder que o líder exerce sobre todos. Outros que aceitam qualquer movimento novo doutrinário só porque o líder insiste e ameaça. Há líderes que para se manterem no poder lançam mão de meios como:

Persuasão – Ou tentativa de convencer o outro a aceitar as suas ideias. Há a persuasão legítima, que usa a lógica dos fatos e argumentos e que leva o outro a pensar. Mas há a persuasão deturpada, que insinua o outro e o impede de pensar e agir por si mesmo. Por exemplo: quando o líder diz: “Não vá me dizer que você não está a fim de cooperar, você é tão crente…”. Ele está persuadindo e chantageando ao mesmo tempo.

Culpa ou Ignorância – O líder faz comentários referentes a alguém de forma que provoca neste um sentimento de ignorância, de culpa ou mesmo de vergonha. Como a pessoa assume esse sentimento não fazendo contra-argumentos, o líder continua no poder.

 Ameaças – Há líderes que ameaçam os membros do grupo dizendo que Deus vai castiga-los, caso não façam o que está sugerindo; ou dizem que Deus lhes falou isto ou aquilo e deve ser feito, senão…; outros ainda ameaçam o grupo dizendo que sofrerá um enfarto, um problema físico qualquer, caso o grupo rejeite as suas ideias. Isso é ameaça, é corrupção, e é uma atitude condenada por Deus no exercício de uma liderança cristã sadia.

Essas e outras situações são usadas, sem contar o líder que usa a expressão “vontade de Deus” para justificar sua eterna posição na liderança. Há casos em que só o líder sente que é vontade de Deus continuar, todos já perceberam que a hora de mudar já passou, mas o líder insiste em continuar. É vontade de Deus como?

O modelo do uso do poder está em Jesus Cristo, conforme relata João 13, como vimos na introdução. A fonte do verdadeiro poder na liderança cristã é serviço e submissão.

Ética na liderança é a maneira simples e coerente de o líder tratar os liderados e conviver com o poder sem se corromper. O seu “eu” está sempre sob sujeição à vontade do Senhor. Qualquer coisa fora disso, Deus está fora. E, quando Deus está fora da liderança já não há mais liderança cristã, apenas alguém à frente de um grupo, mas sem a unção do Espírito que dá brilho ao trabalho.

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Ética na Liderança

6 – A ÉTICA NA LIDERANÇA

Ética vem da palavra grega “êthos”, que possui dois significados: residência ou moradia e modo de ser ou caráter. Em latim ficou como a palavra “mos”, que também tem dois significados: costume ou inclinação natural para fazer algo. Daí a origem da palavra moral, moralidade e seus derivados. Moral é o conjunto de regras de conduta consideradas como válidas por qualquer tempo, lugar, grupo ou pessoa.

E ética é o estudo dos princípios que regem a conduta humana quer do ponto de vista do bem ou do mal de uma sociedade. Ética cristã é a explanação sintomática do exemplo de Jesus aplicado à totalidade da vida do indivíduo na sociedade. É incentivada pelo poder do Espírito Santo.

Há uma diferença entre moral e ética. Moral são regras a serem observadas. São leis que vêm de fora para dentro da pessoa. São impostas pelo grupo. Já ética são princípios e valores que construímos dentro de nós. São leis que vêm de dentro para fora. Na vida cristã esses princípios são fundamentais na Palavra de Deus.

O cristão, especialmente o líder cristão, pauta a sua vida no modelo central que é Jesus Cristo, e daí a sua ética, o seu caráter, o seu modo de proceder, é o mesmo de Jesus. Praticam ou não determinados atos não porque tem medo de ser julgado e condenado por alguém, mas porque no seu coração tem os valores cristãos bem claros e o seu maior desejo é agradar ao Senhor.

O maior e mais completo Código de Ética está em Êxodo 20, que são os Dez Mandamentos que, na realidade, só Jesus Cristo conseguiu cumpri-lo.

Do primeiro ao quarto, nos versículos 3,4,7 e 8, são os deveres do ser humano para com Deus. Do quinto ao nono, nos versículos 12,13, 14,15 e 16, são os deveres para com o próximo e o décimo, no versículo 17, é o dever da pessoa para consigo mesma.

Observe que, de dez, metade deles se refere ao relacionamento om o próximo e são esses princípios que você usará em sua liderança, pois vai tratar com pessoas o tempo todo. Porém, os quatro primeiros é que serão a base do seu sucesso.

Quando vamos ao Novo Testamento, logo no início, temos o Sermão do Monte, que é a nova versão revista e atualizada por Jesus Cristo do decálogo do Velho Testamento. Este código de ética dado por Jesus vem lubrificado pelo óleo do amor e da graça que Deus coloca em nosso coração para administrar cada situação e conviver com cada liderado de modo que o Senhor mesmo seja glorificado.

Podemos agir com as pessoas em vários níveis, como por exemplo:

1 – Instintos – Reagir deixando os instintos falarem mais alto demonstra um cristão que não tem uma parte do fruto do espírito que é o domínio próprio (Gálatas 5:22,23). A maturidade espiritual e emocional nesta área pode ser um desastre em sua liderança. A busca do crescimento é individual. Se o líder não se interessa fica difícil. Já viu como reage uma criança quando lhe tiram o brinquedo? Por instinto chora, bate, grita, briga. Há líderes que reagem assim. É um perigo. Perdem a moral diante do grupo.

2 – Costume – “Todo mundo age assim; porque eu vou ser diferente, só porque sou líder?” Igualar-se pela mediocridade ou para não ficar de fora é o pensamento de muitos. O líder cristão deve se lembrar que ele é referencial do grupo.

3 – À moda de Jesus – Quando princípios cristãos são vividos no dia a dia, o trato com os outros torna-se possível. Eu não disse fácil. Nem sempre o será. Mas possível porque o leva a dizer “Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

Uma outra observação é o tratamento ético do líder com outros líderes. Há líderes invejosos, ciumentos, que minam a liderança de colegas e amigos para se manterem em evidência. Querem ser melhores que os outros líderes para serem lembrados. Líderes que comentam ou difamam outros estão dando péssimo exemplo aos liderados, mas, infelizmente isso é comum no meio evangélico. O fato é que gastamos nossas energias tentando destruir uns aos outros enquanto o mundo se perde sem Cristo e crentes fracos saem da igreja. Acabamos com as nossas energias físicas, mentais e emocionais que nos ajudam a proclamar a Cristo e viver saudavelmente em comunhão uns com os outros, porque elas já foram gastas em desavenças pequenas e mesquinhas. Sem dúvida, essa é uma estratégia de satanás para minar a nossa liderança e nem nos apercebemos. Lembre-se de que ser líder cristão é estar na mira de satanás. Ele está armando tudo o que pode para derrubar a liderança cristã e com isso enfraquecer a igreja de Cristo. Temos que estar atentos a isso. Entendo que não devemos culpa-lo de tudo, pois há uma parte humana também, mas que ele está vivo e ativo, disso não tenhamos dúvidas.

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Liderança Cristã - Princípios

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5 – CARACTERÍSTICAS DO GRUPO

 O Grupo é Formado de Pessoas Diferentes.

 Sem o grupo, sem os liderados, não há liderança. No entanto, é um desafio constante conviver com pessoas e manter um clima agradável e de equipe. Paulo, escrevendo aos Romanos, diz: “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:8). Há um velho ditado que diz: “Quando um não quer, dois não brigam”. Se cada pessoa se conscientizar de que a paz começa com ela e que é responsável por suas palavras e atitudes, a convivência será mais tranquila. Mas há pessoas que têm uma facilidade incrível de suscitar dissensões e desavenças. Quando é um liderado, o líder pode ajudá-lo, mas o problema sério é quando essa pessoa é o próprio líder. Portanto, a saúde emocional do líder é imprescindível para a saúde emocional do grupo.

O líder sábio observará (eu não disse “fará juízo de”) cada elemento seu grupo e tentará ajuda-lo na medida do possível. Há pessoas muito difíceis de se lidar: são temperamentais, explosivas, agressivas, mas são as que mais precisam de ajuda. Por outro lado, o líder contará com pessoas dóceis, equilibradas, que ajudarão a manter o equilíbrio do grupo. O problema sério é que há uma tendência natural do líder em colocar de lado a pessoa difícil e dar privilégios e vantagens, além da atenção ao mais fácil. Isto é discriminação e é preciso estar atenta para não cometer esse pecado. Lembre-se de que os mais difíceis o levarão a se curvar diante de Deus para ajuda-los. Eles são importantes para o seu crescimento espiritual na liderança. Portanto, dê graças a Deus pelas pessoas difíceis. É fácil? Não, mas quem ganha e cresce é você. Depende de sua atitude.

Se o líder trabalha com um grupo de crianças ou adolescentes, a atenção é redobrada, porque uma criança que se sente rejeitada, mal amada, será um adulto com seríssimos problemas de relacionamentos. Líderes de todos os grupos, quer sejam crianças, adolescentes, jovens ou adultos, precisam se inteirar das características naturais de cada faixa etária. Quando se conhece as características é mais fácil detectar se tal comportamento é normal, comum à idade ou não, e que precisa de mais cuidado e carinho.

Geralmente, em qualquer grupo, há as mais variadas formas de comportamento adotadas pelos liderados e isso é natural. Cada pessoa é um ser singular. Abordaremos algumas delas de uma forma generalizada, já que analisar o comportamento humano é praticamente impossível num espaço tão pequeno. Há livros e, muitos, que ajudam no entendimento melhor de cada um deles e que o líder poderá buscar pessoalmente para o seu próprio conhecimento e desenvolvimento.

Há pessoas com as quais o líder pode contar e são fundamentais no grupo. Caso o líder seja inseguro ou prepotente, poderá espantar essas pessoas e acabar prejudicando o grupo todo. No entanto, elas poderão ajudar muito o líder a melhorar seu estilo de liderança, se ele permitir, é claro.

Há outras pessoas que além de não contribuírem, muitas vezes, tumultuam o ambiente. As razões são várias, desde uma infância mal orientada, lares problemáticos, destruídos, com privação de alimentação adequada, com falta de atenção, carinho, valorização, até mesmo problemas genéricos que interferem no temperamento (sobre esse assunto é bom você ler mais sobre traumas na infância que prejudicam o adulto.)

Essas pessoas existem e o líder precisa ajuda-las a crescerem não só na arte de se relacionar com outros como no autoconhecimento e no conhecimento de Deus como pai amoroso, e na ação do Espírito Santo como libertador e regenerador. Muita paciência e oração são os ingredientes para o tratamento com esses liderados.

Eis alguns estilos de comportamento que encontramos em nossos grupos e os desafios que são para a nossa liderança.

O Consolador – É a pessoa que sempre busca um denominador comum. É a apaziguadora, a que promove a paz. Ela sempre tenta harmonizar as ideias sem ofender as pessoas. Alivia as tensões do grupo. Quando o assunto está provocando um clima de tensão, essa pessoa conciliadora estará tentando acalmar os ânimos.

O Animador ou O Alegre – Em qualquer grupo sempre precisamos de uma ou mais pessoas alegres para descontrair o grupo. Não é o palhaço ou o irresponsável, mas a pessoa capaz de contagiar os demais com sua alegria e bom humor. Tem a capacidade de perceber quando o clima está mais pesado e conta uma história onde todos riem e se acalmam.

O Referencial Positivo – Sempre há no grupo uma pessoa que transmite ao líder segurança. Em geral, o líder quando fala olha para esse liderado aguardando uma aprovação ou não através de um olhar, um gesto, ou sinal, Essa pessoa é imprescindível em qualquer grupo. A maneira de falar faz com que ele conquiste o respeito de todos.

O Dominador –  É o que sempre está dando ordens, interrompe todo mundo. Na realidade, está querendo se auto afirmar; É inseguro e precisa desse comportamento para se sentir importante. Ele não percebe que está perturbando os outros.

O Tímido – Há no grupo pessoas tímidas que têm dificuldades em expressar suas ideias. Um líder atento oferecerá oportunidades para essas pessoas e as incentivará. Muitas vezes, são pessoas que têm excelentes ideias, mas ficam inibidas diante dos demais. O líder pode ajuda-lo bastante a se desenvolver. Nunca será um extrovertido e brincalhão, mas pode crescer com a ajuda de outros.

O Agressivo – Uma pessoa agressiva é amarga internamente. Ela aproveita ironias e brincadeiras para machucar as pessoas. Como se sente machucada, inconscientemente ela quer que os demais sintam a mesma coisa. É uma pessoa que precisa de muito carinho, atenção e paciência.

O Reivindicador – É o porta voz do grupo. É aquele que fala em nome de todos sobre um interesse geral. É uma pessoa importantíssima no grupo, pois é através dela que o líder sabe como as pessoas estão reagindo a tudo o que acontece. Essa pessoa é a ponte. Quando é uma pessoa positiva ajuda o grupo, mas às vezes encontramos reivindicadores que brigam por uma ideia só para o prazer da vitória e massagear o seu ego e não visando o bem do grupo.

Esses são apenas alguns exemplos. Há outros tipos que você mesmo pode descobrir no seu grupo. O importante é saber tratar as pessoas individualmente, respeitando suas qualidades e defeitos para que elas se sintam consideradas no grupo, pois as pessoas só ficam num determinado grupo quando se sentem bem. Caso contrário elas saem.

Manter o clima gregário onde as pessoas, por mais diferentes que sejam os temperamentos, se sintam bem, é uma tarefa extremamente difícil, mas compensadora, pois é impossível realiza-la sem a ação do Espírito Santo de Deus na vida pessoal do líder.

Zig Ziglair, no livro “Desenvolvendo sua liderançadiz: “O pessimista se queixa do vento, o otimista espera que ele mude, o líder ajusta as velas”.

Esta é a função do líder, o ponto de equilíbrio. Se ele se desequilibra, o restante está perdido.

 

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4 – PERFIL DO LÍDER

Perfil é o contorno de uma pessoa ou objeto; é a descrição de uma pessoa em traços mais ou menos rápidos (Aurélio). De maneira simples e prática, vamos traçar o perfil do líder cristão observando quatro aspectos: pessoal, espiritual, gerencial e custos da função.

PESSOAL

O perfil pessoal é fundamental. Que tipo de pessoa é? Como considera as pessoas? O que significa a liderança para ele? Como ele se vê ou se sente como ser humano? Tudo isso interfere no estilo de liderança de cada pessoa.

Ted Engstron, autor de Como se forma um líder cristão diz: “os bons líderes não só têm fé em Deus e nas pessoas, mas acreditam em si próprios. A boa intenção só não adianta muito quando o líder tem dificuldades pessoais. Amar a Deus e querer servi-lo fielmente é um compromisso básico, mas isso é comprovado no relacionamento com as pessoas (1 João 2:9 -11). Um líder que tenha problemas de relacionamento – ora ajuda, ora ignora, ora adula ou mesmo provoca mal-estar entre os seus liderados pela sua maneira de agir e reagir – está precisando, primeiro, olhar para dentro de si. Quem não se ama não consegue amar ao próximo. Quem não se aceita como ser humano com virtudes e defeitos dificilmente aceitará as qualidades do próximo e seus defeitos. Quando Jesus fala sobre “amar ao próximo como a si mesmo” (Marcos 12: 30-31), ele estava tocando no centro da questão.

O líder cristão é a pessoa que canaliza a harmonia e a paz no grupo. Ele é como um “bombeiro” que apaga o fogo de uma discussão quando os ânimos se exaltam facilmente; como a “enfermeira” que trata das feridas deixadas por palavras mal colocadas; como o “promotor de vendas” que sempre tem ideias novas e sugestões para o grupo poder se desenvolver e se atualizar; como o “mestre” que passa o conhecimento aos liderados sem que isso lhe traga “ares” de superioridade, como a “cozinheira” que prepara alimentos para o grupo crescer emocional e espiritualmente, etc. Quando o líder não está bem consigo mesmo, essas funções na liderança ficam faltando, e muitas vezes é o próprio líder a fonte de discórdia de mal entendimentos, de inimizades, o que, convenhamos, é lamentável.

Cada pessoa tem sua história de vida. O lar onde nasceu, o relacionamento entre pai e mãe, a forma como foi tratada pelos pais, a atenção que recebeu de amigos e parentes na infância e adolescência, as oportunidades ou não de estudo e trabalho, a forma de relacionamento com irmãos e amigos, as necessidades físicas, financeiras e emocionais não atendidas, a formação religiosa, a forma de casamento feito ou a não aceitação de ser solteira, tudo isso são fatores que fazem a história de cada pessoa. Há muitas que superam os desequilíbrios dessa cadeia de acontecimentos e conseguem uma saúde emocional. Com isso são líderes alegres, autoconfiantes, que passam tranquilidade para seus liderados. Em compensação, há outras pessoas que não dão conta de vencer seus problemas pessoais, e ao assumirem um cargo de liderança se projetam nos outros. Inveja, ciúmes, falta de autodomínio, sentimento de culpa, de inferioridade ou de superioridade, são obstáculos sérios para uma liderança saudável, equilibrada e eficaz. Quem quer melhorar e crescer para exercer uma liderança cristã saudável, onde Deus seja realmente glorificado e as pessoas abençoadas, pode buscar ajuda para isso com leituras, com profissionais ou com um conselheiro capaz.

A tendência, segundo psicólogos, é a pessoa se projetar (projetar é lançar, arremessar) nos outros o tipo de EU (amor próprio) que possui. Veja o esquema abaixo (extraído do livro Liderança cristã, a arte de crescer com as pessoas).

 

 

         eu – OUTROS

         EU – outros

         EU – OUTROS

         eu –  outros

O primeiro caso (eu – OUTROS) diz respeito à pessoa que se anula, tem sentimentos de inferioridade, acha que não tem capacidade para fazer nada direito, se acha péssima, enquanto que os outros parecem mais capazes. Segundo essas pessoas, elas sabem o que querem, sabem das coisas, são inteligentes, etc. Um líder com essa atitude está aquém do seu grupo e pouca contribuição poderá dar. Ele passará pessimismo, e o grupo dificilmente crescerá.

O segundo caso (EU – outros) é daquele que se acha único no mundo. Não delega porque não confia nos outros, pois só ele é capaz. Tem um superego tão marcante que não consegue ver seus próprios defeitos e limitações. Consciente ou inconscientemente, se julga um superior. Um líder com este autoconceito terá grandes dificuldades em exercer a humildade cristã, um fruto do Espírito Santo.

No terceiro caso, (EU – OUTROS) o líder se vê no mesmo nível do outro. Reconhece suas virtudes e defeitos, sabe conviver com elas e da mesma forma reconhece no próximo seus valores e limitações. Essas atitudes não o fazem sentir-se maior ou menor. Há um equilíbrio saudável, perfeito e edificante, de forma que a convivência no grupo traz uma contribuição para o crescimento mútuo.

Já no quarto caso, (eu – outros) além de se anular e achar que não tem competência, projeta esse mesmo sentimento no outro e o nivela por baixo. Em muitos casos, o mecanismo de maledicência funciona observando este tipo de “eu”, porque a pessoa se julga ruim, então não aceita que os outros sejam melhores, daí ela mina o “ego” do outro com comentários maldosos.

Os psicólogos e estudiosos do comportamento humano estão convencidos de que a imagem que cada um tem de si mesmo é essencial para alguém aproveitar sua potencialidade ou para impedir a sua utilização. Consideram eles que uma mudança ou melhora no conceito que temos de nós mesmos pode conseguir um grande efeito no que podemos fazer de nossas vidas.

Líderes doentes emocionalmente em geral o são fisicamente. O ser humano é um todo: corpo / alma / espírito. Não há como separá-los. As emoções são capazes de alterar o equilíbrio endócrino (produção de vários hormônios), assim como o fluxo sanguíneo e a pressão arterial, de inibir o processo digestivo, de alterar a respiração e a temperatura da pele. (Fenômenos Psicossomáticos, de Howard R e Martha E. Lewis). Sentimento de culpa, de hostilidade e raiva guardadas podem prejudicar o equilíbrio físico e provocar doenças. Quantas pessoas há sofrendo de úlceras de estômago, duodeno, intestinos ou constante pressão alta, dor nas costas, enxaquecas, artrites, simplesmente por guardarem no seu consciente ou inconsciente um sentimento negativo em relação aos pais, professores, parentes, amigos, etc. É bem verdade que há as que sofrem problemas de saúde originários de alguma deficiência orgânica congênita. Mas há muitos que os adquirem porque seus conflitos interiores são intensos e a tendência natural é fugir de si mesmo. E como se foge de si mesmo? De várias formas; uma delas é assumindo responsabilidades além de suas disponibilidades e daí o organismo não suportando toda a exigência adoece. Há muitos líderes nessa situação.

A cura é um processo longo, doloroso, porém, libertador. Vale a pena investir em si mesmo procurando uma saúde emocional através de leituras que o ajudem e contando com a indispensável ação do Espírito Santo de Deus para colocar em ordem o seu EU interior.

Se sua história pessoal é tranquila e você tem evidências de uma saúde emocional, se no seu relacionamento com o próximo a projeção sempre é EU – OUTROS (eu estou bem e quero que você também esteja), vá em frente. Porém, se a situação é uma das outras três, é hora de se cuidar para que você se torne uma benção para os outros. Lembre-se que “liderar é facilitar o crescimento do outro”. Só consegue isso quem está de bem consigo mesmo.

 

ESPIRITUAL

A formação espiritual do líder cristão é fundamental em seu trabalho. E essa formação não tem que ser acadêmica, isto é, baseada em muitos cursos, inclusive teológicos ou de educação religiosa. Inúmeras pessoas são excelentes líderes com vida espiritual transparente, e nunca fizeram cursos tradicionais. Há por outro lado, pessoas que fazem seus cursos, inclusive teológico, cuja vida espiritual é um desastre. Mas como fala bem, têm boa aparência, bom relacionamento, acabam exercendo a liderança.

A vida espiritual do líder é cultivada no dia a dia em seu contato com Deus. Para tanto, é necessário que ele tenha:

Fé Genuína – Uma vida espiritual de verdade começa com o reconhecimento da salvação dada por Jesus Cristo. Sem esse primeiro passo, não são possíveis os demais. Há muito líder que se diz cristão, sem uma experiência real de conversão a Cristo. Não praticam em suas vidas, os valores do Reino de Deus. Apenas são bons comunicadores, planejadores, técnicos, mas sem unção do Espírito.

 Dependência de Deus – É fundamental uma dependência da ação de Deus na vida do líder. Mas deve ser uma dependência ativa, não inerte. É alguém que age confiando na direção de Deus, mesmo nas mais simples questões de desempenho, seja em programações, em discussões, planejamento, etc. 

 Contato Diário com Deus – Isto é feito através da leitura da Palavra de Deus e da oração. Há situações na liderança que, humanamente olhando, são impossíveis de serem resolvidas, mas quando se ora e confia, Deus responde. O problema é que alguns líderes primeiro resolvem a seu modo e depois oram para Deus confirmar sua atitude. Ou oram e oram, mas resolvem as situações a seu modo. Você acha certo isso? Como você age?

Transparência – A vida espiritual do líder cristão deve ser transparente. Não há lugar para hipocrisia. As pessoas podem ver sua sinceridade e piedade sem sofisticação, sem máscaras, mas autênticas. É o que é, sem esconder!

 Integridade – A integridade de caráter é o resultado de uma vida espiritual autêntica; E essa qualidade é o concreto, o visível, de seu compromisso interno com Deus. É na integridade moral e de caráter que o líder cristão mostra a sua diferença. Quantos crentes, inclusive líderes, professam uma crença, falam de sua dependência de Deus, leem a Bíblia e oram com ardor, mas na vivência do dia a dia na escola, colam; no mercado, comem as coisas e não pagam; no comércio, não são fiéis com seus empregados, explorando-os; ou empregados que chegam atrasados, saem antes da hora, conversam demais durante as horas de trabalho, etc.

O líder pode ter limitações acadêmicas, mas se sua vida é um espelho que reflete a justiça, a graça e o amor de Deus e se ele tem o caráter moral de Cristo, seus liderados serão motivados ao crescimento.

 

GERENCIAL

A pessoa que lidera é forçosamente levada a uma atividade gerencial, isto é, ela terá que harmonizar os objetivos a serem alcançados, com as pessoas que são do grupo, e com os recursos materiais disponíveis. Na realidade, gerenciar é resolver problemas. O líder que não está pronto a resolver problemas não está pronto para liderar. Parece fácil, mas não é. Vai depender de muita sabedoria, estratégia, agilidade, relacionamento, etc. “A liderança deve estar sempre dedicando-se ao problema de alvos e estratégias; onde iremos depois e por que vamos lá? Gerentes perguntam como, os líderes onde e por que? (Hans Finzel,do livro “Dez erros que o líder não pode cometer, página 182). Stephen R.Covey, autor conhecido na área de administração de recursos humanos, declarou em 1991: “Gerência é eficiência ao subir a escada do sucesso; a liderança determina se a escada está inclinada sobre a parede certa”. Não adianta espiritualizar a nossa liderança, é preciso competência. Muitos líderes não buscam crescimento na arte de liderar contando com a ajuda Deus para tudo. Deus ajuda, é fato, mas a nossa responsabilidade humana ele não assume. Afinal, somos parceiros e cada um deve fazer a sua parte. Deus não falha na dele, mas inúmeras vezes falhamos na nossa.

Neste perfil gerencial há dezenas de itens a serem considerados, mas vamos observar só alguns deles. Caso você deseje obter mais informações, há livros em administração de empresas riquíssimos nessas orientações.

 Visão – Um líder sem visão é um fracasso. Ele deve estar sempre vendo além do grupo. É a visão global do que o grupo pode fazer lá adiante sem perder os passos que estão sendo dados agora. O líder de visão leva o grupo a crescer e a enxergar mais longe, desafiando-o a novas conquistas. É uma visão sonhadora e realista ao mesmo tempo, pois enquanto sonha com o que quer lá adiante, também tem os pés no chão para perceber até onde é possível leva-lo. Caso contrário, o líder frustra o grupo e o desanima.

Criatividade – Criatividade é a chave para vencer a rotina. Programações repetitivas, assuntos fora de contexto da vivência das pessoas, horários impróprios para a grande maioria levam uma organização à estagnação, e daí para a morte é um passo. Portanto, criatividade é uma das funções gerenciais. As pessoas motivadas por novos desafios e situações são mais alegres e produtivas. Criatividade não é sinônimo de mudar só por mudar, mas é gerar novas ideias e desafios de acordo com as necessidades emergentes. A pessoa criativa tem olhos de investigador. Está sempre atenta, observando o que se passa. Essa função gerencial é muito importante na sua liderança.

Comunicação – O líder é respeitado pela maneira como respeita os seus liderados, e isso ele o faz através da maneira como se comunica e como transmite as decisões, planos e desafios da organização. Comunicações bem feitas, claras, sem esconder nada, ditas com prazos cabíveis, a pessoas certas, é o óleo que mantém a alegria e integridade do grupo. Comunicar é uma arte que precisa ser desenvolvida e aperfeiçoada no dia a dia. Uma comunicação malfeita, com informações incorretas, dita de maneira grosseira é um palito de fósforo aceso perto de material combustível.

Tomar Decisões – A posição do líder forçosamente o leva a tomar decisões que nem sempre é uma fácil tarefa de realizar. As decisões podem ser feitas com a cabeça, com o coração e com os dois. Quando elas são feitas com a cabeça, corre-se o risco de ser frio demais, sem pensar nas pessoas e seus sentimentos. Quando com o coração, corre-se o risco de tomar decisões erradas por estar debaixo de emoção forte; O ideal é uma combinação das duas: cabeça/coração. Desta forma, o líder considera as razões da decisão e o quanto isso pode ou não afetar as pessoas. Por mais simples ou complicada que seja uma tomada de decisão, sempre haverá os que aprovam e os que não aprovam. O líder precisa estar seguro para não se deixar levar pelas decisões e reações das pessoas.

 Entusiasmo – Na tarefa gerencial uma das qualidades do líder é o entusiasmo pelo que faz; Se quem está à frente não vibra com os objetivos da organização, os seus liderados não se sentirão desafiados à mesma coisa. Entusiasmo é alegria, bem estar. É acreditar no que se faz, e ele é contagiante.

Equipe – Trabalhar em equipe não é tão simples quanto parece. As pessoas pensam e agem de maneiras diferentes, mas uma das características do ser humano é a necessidade de estar junto de outras pessoas; O ser humano é um ser gregário. O líder atento observa as pessoas e o que elas são capazes de fazer e agrega-as de forma que, cada uma contribuindo com a sua parte, o todo seja beneficiado. Trabalhar em equipe é reconhecer que todos são tão importantes no conjunto como no individual. É bom ler sobre tipos diferentes de personalidades e suas mais variadas formas de ação e reação para facilitar o seu trabalho ao liderar sua equipe.

Atualização – “Meu maior temor é que nossos melhores dias sejam nossos dias passados. Odeio o pensamento de que possamos desaparecer na irrelevância” (Hans Finzel). Quem olha para o passado e joga flores sobre ele sem olhar para o futuro e as mudanças que estão ocorrendo no mundo tem sua morte decretada. Valorizar o passado sim. Mas trabalhar no presente olhando para o futuro é a dinâmica da liderança bem sucedido.

Para enfrentar um futuro cheio de mudanças aceleradas a cada dia é preciso atualizar-se. Um líder que não lê, não acompanha seu tempo, não se adapta às novas transformações está fadado ao fracasso. Não é mudar só porque o mundo está mudando, mas adaptar essas mudanças ao trabalho de forma que possamos ter um resultado maior, melhor em menos tempo possível. Não estou falando de superficialidade espiritual, nem de abrir mão de conceitos bíblicos fundamentais da fé. Estou me referindo a forma de se liderar e levar o grupo a atingir seus objetivos. Quer um exemplo? Como marcar uma reunião semanal ou mensal no meio da semana à tarde ou pela manhã e querer que todas as mulheres ou pertencentes ao grupo estejam presentes? Já parou para pensar que hoje em dia são pouquíssimas mulheres que estão em casa com o horário disponível? A necessidade de sobrevivência empurrou a mulher para fora de casa e isso complicou o planejamento das reuniões da igreja. O que fazer?  Existe um modelo para todos? Não acredito. Cada grupo deve se adaptar a essa nova realidade do mundo moderno. Lembra-se da moderna definição de liderança que mencionamos no início? Liderar é estar atento às mudanças que ocorrem e levar o grupo a adaptar-se a elas. Isso é estratégia. É sabedoria.

Ler, ouvir, participar de cursos de atualização são itens fundamentais para o crescimento pessoal do líder. Isto não significa que você vá dominar todas as técnicas, mas ter uma abertura para aceitar e humildade para pedir ajuda quando necessitar. No entanto isso não deve ser só para crescimento pessoal, mas para repartir com os liderados sem dar a impressão de que sabe mais, porém sempre com atitude de serviço cristão.

“Quem não se atualiza, fossiliza”, uma velha frase que cai bem neste caso. Líderes ultrapassados, fechados, autoritários, inseguros, que não mudam com a mudança do clima do nosso mundo futuro, são considerados apenas como uma atração de museu. Na linguagem popular, “já era”. É natural a resistência às mudanças. Mudar desinstala, incomoda. As pessoas são rápidas para fazerem críticas às inovações porque as mudanças as deixam inseguras. O líder eficiente ajuda os seus liderados a se sentirem bem sobre as mudanças que vão acontecer porque ele confia no que está fazendo e tem visão clara de onde quer chegar. É esse o seu caso?

 

CUSTOS

Quanto custa ser líder? Este é um lado importante do perfil do líder, porque se ele não estiver disposto a pagar o preço, dificilmente conseguirá sucesso no seu posto. Ou ele abandonará o grupo ou agirá com arbitrariedade e desconsideração para com as pessoas. Vamos considerar alguns desses custos.

Cansaço – O líder cristão é antes de tudo um ser humano. Ele também se cansa. O exercício da liderança é estressante e uma pessoa cansada tem menos condições de rendimento. Ser um “super líder” não leva a nada, a não ser ao esgotamento físico e mental. Equilíbrio entre atividades sérias e descontraídas é muito importante. Além disso, dar tempo para si mesmo, para um bom descanso, é ser bom mordomo do que Deus oferece a você – sua saúde e corpo. Há líderes que ficam com a consciência de culpa quando saem de férias ou tiram um dia para total descanso. Já ouvi de líderes a frase: “Há quatro anos que não tiro férias” como se fosse um troféu. Intimamente fico lamentando, “que pena, vai durar pouco”.

Reflexão – Outro preço a ser pago pelo líder é o tempo gasto com meditação, reflexão e pensamento criativo. Esse tempo é precioso e poucos sabem dar o devido valor a ele. A comunhão com Deus é fundamental na arte de liderar. De joelhos caminha-se mais longe e sem cair.

Estar Só – A solidão é um dos preços que a líder paga por sua posição. É a capacidade de estar só por ter perdido parte de sua liberdade pessoal. Manter o equilíbrio entre identificar-se com as pessoas para que não seja um estranho no grupo, e isolar-se delas para manter uma distância natural e necessária nem sempre é tão fácil na prática. Essa linha divisória é quase imperceptível. O líder ficará muitas vezes só, devido a decisões tomadas e que eram necessárias, mas que não são compreendidas pelo grupo.

Rejeição – O sentimento de rejeição é muito difícil de ser trabalhado. Mas haverá momentos em que o líder terá esse sentimento devido a decisões, ou quando chega para um grupo e o mesmo preferia outro líder, ou mesmo quando tem ideias diferentes e que as pessoas não aceitam. Às vezes esse sentimento aparece através de pessoas que são invejosas e amargas e com isso prejudicam sua liderança. Um líder maduro emocionalmente e dependente de Deus enfrentará essa situação de cabeça erguida.

Críticas – Talvez esse seja o preço mais alto da liderança – críticas. Muitas delas são necessárias e bem vindas, mas outras machucam e desanimam. Nenhum líder está isento de críticas, quer benéficas ou não. Há duas situações para as críticas: quando você, como líder faz as críticas para que o trabalho melhore, e para isso é preciso observar alguns cuidados para não espantar seus liderados como: orar antes, falar com honestidade, fazer isto em particular, nunca em público, ser objetivo, ser honesto, oferecer o direito ao outro de explicar etc. por outro lado, o que é deveras mais complicado é quando você recebe as críticas. Da mesma forma cultive algumas atitudes: ore pela pessoa que está falando, evite ficar na defensiva, deixe que a outra pessoa complete seu pensamento, verifique se as críticas procedem, tenha cuidado em como responder, explique honestamente o que aconteceu.

AUTO LIDERANÇA

 

Liderança Transformacional
O LÍDER SÁBIO

Nestes tempos, em que há uma profusão de informações e elevado nível de competição, individualismo e materialismo, o arquétipo do Velho Sábio alerta-nos para o que mais falta na gestão moderna: a virtude da sabedoria.

Quando delineamos o perfil de um líder moderno, devemos ter em mente, não somente a responsabilidade do ocupante do cargo, mas, principalmente, um convite para que todos trilhem um caminho, uma vez que todos, potencialmente possam vir a liderar. A liderança não é um privilégio, mas uma responsabilidade. O líder é responsável tanto por comandar uma organização como por zelas pelos valores e princípios que a sustentam.

Essa responsabilidade deve leva-lo a cuidar dos interesses coletivos e não dos próprios interesses. E isso pressupõe fortalecer e desenvolver outros líderes. Ele sabe, também, que em cada seguidor há um líder em potencial; sabe disso porque tem consciência de que a liderança é, sobretudo, um estado de relacionamento entre ele e seus liderados, uma experiência de convivência e de contato, que permite conhecer cada um, respeitando-os igualmente. Dessa maneira, zelando pela organização e pelas pessoas, ele saberá escolher novos líderes.

Em toda a sua trajetória, o ser humano – e o líder – deve fazer escolhas. E as melhores escolhas, acontecem quando se cultiva o silêncio, quando se medita e se observam os próprios sentimentos e pensamentos. Essa atitude de interiorização é que permite ampliar a consciência para a escuta sensível e sondar o próprio coração e o dos seguidores.

A sabedoria ensina que a credibilidade do líder vem de sua reputação, de seu caráter, de sua conduta íntegra. Por isso, ele alerta para não se deixar corromper, mas, com disciplina, enveredar pelo caminho dos valores espirituais para tornar-se um ser humano melhor.

A vida do líder deve demonstrar que a integridade se alcança pela evolução da consciência, da harmonia interior e com os demais seres, e da harmonia com o universo. O caminho para se desenvolver essa consciência é o caminho do silêncio e da solidão, isto é, o momento de encontro consigo mesmo, no qual se deve buscar discernimento e sabedoria.

A virtude da justiça é essencial para liderar; é com essa virtude que o líder cuidará de cada um, porém sem transigir com a indisciplina e comportamentos inadequados para a vida da comunidade, ou seja, toda atitude que afete negativamente o bem comum, a vida da equipe e da organização não poderá ser tolerada e deverá ser corrigida. A correção será fraterna porque, mesmo nessas situações, o amor deve prevalecer, entendendo-se amor como o respeito à dignidade intrínseca do ser humano.

O amor – valor essencial da liderança – faz com que o líder não seja um comandante superior aos demais, mas um servidor da equipe. Servidor não é um serviçal; é alguém que está junto, caminha junto e contribui para que todos caminhem igualmente juntos, de maneira solidária, fraterna, em direção a um mesmo objetivo. Assim como Jesus Cristo fez no seu tempo, ao lavar os pés de seus discípulos: “Não vim para ser servido, mas para servir (Mateus 20:28)”. Seu interesse é que os outros cresçam e desenvolvam as suas potencialidades.

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                                 ANIMA/ANIMUS: CONHECENDO OS COMPLEXOS

Arquétipos Jungianos - Anima-Animus

Em sua investigação da psique, constatou-se que não existe homem que seja só e exclusivamente masculino, isto é, que não possua em si mesmo algo de feminino. No inconsciente de cada homem há uma imagem coletiva da mulher. Esse é o arquétipo que recebeu o nome de “Anima”, que constitui a feminilidade da alma – ela compensa no homem a consciência masculina. Do mesmo modo, há o arquétipo contra sexual na mulher, com características masculinas, ao qual denomina-se “Animus. Não se trata de alma, mas do arquétipo da própria vida. Seria como uma “figura feminina” no inconsciente masculino na qual estão depositadas todas as experiências que o homem já teve da mulher. Por isso, ele projeta nela a imagem da “Anima”.

É a “Anima” que transmite as imagens do inconsciente para a consciência, assumindo um papel de ponte entre essas duas dimensões da psique; e tudo que ela toca torna-se numinoso. Cada um de nós sabe exatamente quando vive uma experiência numinosa; quando se chega à conclusão de que não se poderá mais viver como vivia antes.

Entende-se, pois que “Anima/Animus” tem vida própria por detrás da consciência e um caráter que se manifesta no sexo oposto. Exemplificando: como o que não é masculino é feminino e, assim – inconsciente -, é percebido fora de si, a “Anima” aparece geralmente projetada na mulher e o “Animus” no homem.

Eles se opõem à “Persona”, de modo que, se exteriormente um homem demonstra ser forte, interiormente ele esconde uma fraqueza feminina que o leva a fazer a projeção, incapaz de reconhecer suas próprias fragilidades porque se identificou totalmente com a “Persona”.

Assim como os demais arquétipos, “Anima/Animus” só podem ser conhecidos pela própria experiência interior, visto que cada homem e mulher experimentam a sua energia, que age de maneira autônoma promovendo a unidade, a integração dos opostos.

A mulher, com sua peculiar psicologia, é uma fonte de informação e inspiração para o homem, sobre coisas que ele sequer percebe. Ela não só o inspira, como é capaz de indicar-lhe caminhos que, sem a sua ajuda, certamente ele não descobriria.

A tomada de consciência dessa influência e dessa energia psíquica dentro de cada um de nós, certamente, será o caminho para se tornar mais inteiro. Quando o homem reprime em si essa força, ele se desvirtua de si mesmo e dos seus mais profundos anseios. Desse modo, a “Anima” consiste nos anseios inconscientes do homem. Em termos de padrão emocional, isso equivale aos estados de espirito, ansiedades, aspirações emocionais, medos e sensibilidade, capacidade de se relacionar, etc.

Historicamente, a não admissibilidade desse conteúdo em si, ou o medo da “Anima”, provocou, além de um grande sofrimento no homem, um processo grave de discriminação das mulheres e depreciação de tudo o que fosse considerado feminino.

Para corrigir o rumo da história coletiva e buscar a própria integração em seu processo evolutivo, o homem deverá primeiramente tomar consciência da atuação desse arquétipo dentro de si, recuperando assim a sua inteireza ou unidade primordial. Sabendo-se da força que o inconsciente exerce sobre o indivíduo, é preciso integrar a energia da “Anima” para poder incrementar o progresso em seu próprio ambiente cultural.

O desafio, então, é confrontar-se com a “Anima”, e desse árduo confronto pode surgir um novo indivíduo, integrado, harmonizado, porque terá passado pela maior das provas: o contato com suas feridas e, sobretudo, com o complexo materno.

Se considerarmos que o principal influxo de informações que os homens recebem a respeito de si e a respeito da vida vem da mulher, será fácil constatar que o complexo materno está presente em todos nós: a portadora do arquétipo é, em primeiro lugar, a mãe pessoal, uma vez que a criança vive inicialmente num estado de identificação inconsciente com ela. A mãe não é apenas a condição prévia física, mas também psíquica da criança.

Entende-se, então, complexo materno como a ideia de mãe com toda sua carga afetiva, anseio por carinho, vínculo afetivo e proteção. Quando a experiência inicial em nossa relação com a mãe é positiva, nós nos sentimos como pertencentes à vida, esse é o espaço onde nos sentiremos amados e protegidos; ao contrário, quando a experiência primordial do feminino é dolorosa, negativa, nós nos sentiremos perdidos, desenraizados e desligados de tudo. Se isso ocorre, constata-se um desequilíbrio na psique do indivíduo, que precisa ser cuidada, sob pena de acarretar-lhe graves problemas.

Por esse motivo, é preciso que o homem lute com vigor contra o seu complexo materno, a fim de se tornar um adulto consciente, reconhecendo que se trata de uma batalha interior. Do contrário, ele irá projeta-lo sobre as mulheres, trazendo os efeitos negativos. Seja na forma da submissão a elas ou buscando dominá-las. E, em qualquer situação, o homem que não resolve essa questão vai perpetuando o complexo na relação com os filhos. A força do complexo materno é demonstrada em ambas as situações.

Na verdade, mais que humilhado pelos homens e pelas mulheres, ele é humilhado por si mesmo. Como não suporta a ideia de se sentir frágil, ou de assim ser percebido – como um fraco, um ser vulnerável -, silencia na sua dor e, investido da “Persona”, muitas vezes ataca e faz os outros sofrerem, tentando esconder a si mesmo com um pretenso autoritarismo ou outras formas de demonstração de força e poder que, de acordo com os parâmetros coletivos, sugerem masculinidade.

Assim como o arquétipo materno está presente determinando o comportamento, como foi assinalado anteriormente, o arquétipo do pai também manifesta sua força na vida do indivíduo, de modo indelével. Se a experiência com o pai for positiva, o indivíduo experimentará desde a infância o apoio, a força, e terá um modelo positivo no mundo; ao contrário, se tal experiência for negativa, a psique da criança será esmagada.

Se da mãe a criança recebe proteção e carinho, do pai ela recebe força e poder para lutar pela vida e ingressar no mundo. Se a mãe ativa o complexo materno, que deverá ser transcendido para que o indivíduo não permaneça infantil e dependente, o arquétipo do pai deverá conduzi-lo na jornada rumo à experiência, à maturidade.

Por esse motivo é que é fundamental para os filhos saberem que são amados e aceitos pelo pai. É preciso que o pai diga isso para o filho, pois é verdade que muitos homens sentem grande dificuldade em sua jornada de individuação porque não tiveram apoio paterno. Por faltar-lhe uma referência de companheiro, de sabedoria, de inspiração, o menino terá em sua trajetória muitos percalços, sobressaltos e obstáculos para conseguir se afastar do complexo materno e vir a ser ele mesmo.

Se não houver uma tomada de consciência de que essa “Anima” reside em sua psique, o homem não se encontrará plenamente como indivíduo em sua trajetória. É por isso que esse confronto é atroz, mas vital.

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PUER – A CONSTANTE BUSCA PELO EQUILÍBRIO ENTRE O QUE SOMOS E O QUE DEVEMOS SER.

Arquétipos Jungianos - Puer

O Puer possui como referência a figura do Jovem.

Essa referência pode ser configurada através das atitudes, das vivências e dos comportamentos de um ser humano.

O Puer é o que denominamos a eterna criança em seu mundo de sonhos, brincadeiras e fantasias. O Arquétipo Puer nos remete aquela criança que nunca cresce não se desenvolve e não amadurece.

Um dos exemplos mais comuns deste arquétipo se faz presente no personagem Peter Pan.

Segundo Jung, o arquétipo Puer se destaca pelas suas polaridades positivas e negativas.

No arquétipo Puer, podemos encontrar os seguintes aspectos:
• Curiosidade;
• Liberdade;
• Pressa;
• Fantasia;
• Desligamento da realidade;
• Sensação de “Tudo Posso”.

No Arquétipo Senex, encontramos os seguintes aspectos:
• Lentidão;
• Paz;
• Impotência;
• Negatividade;
• “Pés no chão”;
• Voltado para a realidade.

Para Von Franz (2008), o arquétipo Puer se define como a imagem da criança divina e representa a renovação da vida, o fortalecimento da juventude em nossa psique.

No entanto, essa criança divina carrega em si a sombra da infantilidade, que pode impedir o progresso e também fazer com que nos tornemos dependentes e até mesmo preguiçosos.

Tornamo-nos fugitivos diante dos problemas da vida e não amadurecemos.

Segundo Hilmam (1999), Puer e Senex não podem ser definidos como arquétipos distintos um do outro, pois eles formam apenas um. Juntos eles formam o Pai Tempo e o Jovem Eterno.

Todos nós temos essas duas vivências representadas nesses Arquétipos unidos. Por isso, é importante ressaltar a busca pelo equilíbrio entre as polaridades.

Em muitos momentos na vida é preciso resgatar a criança que reside em nós, para podermos encarar as duras realidades que a vida nos impõe e que carregamos em nós mesmos.

Mas também, não se pode ser criança o tempo todo. Precisamos crescer, evoluir e assumir as responsabilidades que a vida nos propõe.

Tudo aquilo que não é canalizado de uma forma sadia, torna-se unilateral. Toda unilateralidade é prejudicial assim como todo desequilíbrio é patológico.

Assim, concluímos que o arquétipo Puer tem como função plantar, fazer brotar e florescer, enquanto que o Senex se responsabiliza pela colheita dos frutos que a psique produz.

Para atender ao que chamamos de Nova Liderança torna-se mister que, em momentos de decisão, saibamos equilibrar a Razão do Senex com a emoção do Puer; Assim agindo certamente tomaremos decisões importantes e necessárias  sem ferirmos aqueles a quem lideramos cujo modo como lidamos pode influenciar positivo ou negativamente em personalidade.