O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

INTELECTO E EMOÇÃO

O primeiro exemplo situa-se no campo do intelectual e do emocional.  Alguns crentes são tão friamente intelectuais que se questiona serem eles mamíferos de sangue quente, para não dizer seres humanos, ao passo que outros são tão emocionais que se deseja saber se são possuidores de uma porção mínima de massa cinzenta. Eu me sinto constrangido a dizer que o mais perigoso dos dois extremos é o anteintelectualismo de depois a entrega ao emocionalismo. Vemos isto em algumas pregações evangelísticas, que não consistem em outra coisa senão em um apelo para decisão com pouquíssima, ou nenhuma pregação do evangelho e pouca, ou nenhuma, argumentação com o povo a respeito das Escrituras, à maneira dos apóstolos.

A mesma tendência é evidente na atual busca de experiências emocionais, vividas de primeira mão, e na exaltação da experiência como critério da verdade, ao passo que a verdade deveria ser sempre o critério da experiência. O meu receio é que esta tendência seja um legado semicristianizado do existencialismo secular. O que parece Ter filtrado na consciência pública da famosa distinção de Martin Heidegger entre existência “autêntica” e “inautêntica” é que devemos abandonar cada convenção e disciplina e cada estilo de vida imposto que ameace a nossa autenticidade pessoal.

Devemos, acima de tudo, escolher que seremos nós mesmos, pensando e fazendo somente o que nos pareça ser autêntico no momento. À luz deste princípio, tenho ouvido jovens crentes argumentando assim:

“Ninguém pode esperar que eu creia numa doutrina só porque está nas Escrituras; só crerei se a doutrina autenticar-se a mim como verdadeira. Você não pode esperar que eu vá à igreja, que leia a Bíblia ou que ore só porque estes são deveres cristãos; eu somente posso fazer estas coisas se sentir vontade. E eu não posso, possivelmente, amar o meu próximo (para não dizer o inimigo) só porque sou ordenado a fazer isto, mas somente se o Espírito Santo produzir um relacionamento de amor com o próximo, autêntico e real”.

Ao lado da corrente insistência na experiência existencial, segue uma desconfiança, um menosprezo ou intelecto. A fuga da razão é um sinal distintivo da vida secular contemporânea (pelo menos é assim nos Estados Unidos). O professor Richard Hofstadter documentou isto muito bem em seu livro “Anti-intelellectualism in American Life” (Antiintelectualismo na vida americana) (Vintage, 1962). E um impressionante exemplo, recente, pode ser encontrado em Joe McGinness, quando, sob o título “The Selling of the  President 1968” (A Venda do Presidente, 1968), ele relata a campanha  eleitoral de Richard Nixon, em 1968. Os organizadores da campanha ficaram convencidos de que Nixon perdera a eleição para Kennedy, em 1960, porque Kennedy tinha uma imagem televisiva bem melhor que a de Nixton. Então, consultaram Marshall McLuham para orientá-los em como fazer com que Nixon se “projetasse eletronicamente”, e como transformá-lo de “um advogado seco e sem graça” em um “ser humano afetuoso e animado”.  “Política” – o professor MacLuham assegurou-lhes – “é apenas uma ciência racional”.

“Eleições” – insistiu – “não são ganhas na bancada eleitoral apresentada, mas nas imagens. “Faça os eleitores gostarem da cara do sujeito” e a campanha está virtualmente ganha”.

Esta é, naturalmente, uma situação séria, quando uma nação desenvolvida é, então, levada a abdicar de sua responsabilidade política, deixar de debater os assuntos do dia ou formar sua opinião e votar, não pelo que os candidatos são, mas pelo que vulgarmente é chamado de reação “instintiva” aos candidatos. Porém, este tipo de antiintelectualismo é muito mais sério na igreja evangélica, pois a Palavra de Deus ensina que a nossa razão é parte da imagem divina na qual Deus nos criou. Ele é o Deus racional que nos fez seres racionais e nos deu uma revelação racional. Negar nossa racionalidade é, portanto, negar nossa humanidade, vindo a ser menos do que  seres humanos. As Escrituras proíbem que nos comportemos como cavalos e mulas que são “sem entendimento”, e ao contrário, ordenam que sejamos “maduros” em nosso entendimento” Salmos. 32:9, I Coríntios 14:20. De fato, a Bíblia nos diz constantemente que cada área da vida cristã é dependente do uso cristão de nossas mentes. Permita-me dar um exemplo: o exercício da fé.  Muitos acham a fé e inteiramente irracional. Mas as escrituras nunca colocam fé e razão uma contra a outra, como sendo incompatíveis.

Pelo contrário, fé somente pode nascer e crescer em nós pelo uso de nossas mentes:  “em ti confiarão os que conhecem o teu nome” (Sl 9:10); a confiança deles  brota do conhecimento da fidelidade do caráter de Deus. Novamente, em Isaías 26:3: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti, porque ele confia em ti”. Aqui, confiar em Deus e manter a mente em Deus são sinônimos e uma perfeita paz é o resultado.

À luz desta ênfase bíblica a respeito do lugar da mente na vida cristã, o que é que devemos dizer para a geração moderna dos antiintelectuais, os emocionais? Sinto muito ter de dizer que eles estão se autoproclamando intensamente, como sendo crentes mundanos.

Pois “mundanismo” não é apenas uma questão (como fui ensinado a acreditar) de fumar, beber e dançar, nem tampouco aquela velha questão sobre embelezar-se, ir a cinemas, usar minissaias, mas o espírito do século. Se absorvemos sem qualquer exame os caprichos do mundo (neste caso, o existencialismo), sem que primeiro sujeitemos isto a uma rigorosa avaliação bíblica, já nos tornamos crentes mundanos.

“Temos como princípio fundamental”, disse Wesley para um dos seus primeiros críticos, “que renunciar o uso da razão é renunciar à religião, que “religião e razão seguem de mãos dadas” e que “toda religião irracional é falsa religião” (citado por R.W. Burtner, R. E. Chiles em “A Compend of  Wesley’s Theology”, 1954, p. 26).

Sinto-me na obrigação de acrescentar, contudo, que se o antiintelectualismo é perigoso, a polarização oposta é quase igualmente perigosa. Um hiperintelectualismo árido e sem vida, uma preocupação exclusiva com ortodoxia não é cristianismo do Novo Testamento. Não há dúvida de que os crentes primitivos eram profundamente motivados pela experiência de Jesus Cristo. Se o apóstolo Paulo pode escrever sobre a “excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”, e o apóstolo Pedro pode dizer que os crentes “alegram-se com gozo inefável e glorioso” (Filipenses. 3:8; I Pedro 1:8), ninguém pode facilmente acusá-los de tristonhos ou insensíveis.

A verdade é que Deus nos fez criaturas, tanto emocionais, como racionais. Não somos apenas mamíferos de sangue quente, mas seres humanos, capazes de sentimentos profundos de amor e de ira, de compaixão e de temor. Escrevo sobre isto com convicção pessoal, pois, de alguma forma, diverge da educação que recebi em escola particular da Inglaterra. Não tenho a menor intenção de morder a mão que me alimentou, pois reconheço o quanto devo aos privilégios educacionais que me foram concedidos. Contudo, sinto-me crítico daquela característica distintiva da tradição da escola particular, conhecida como “o lábio superior rígido”.

Visto que o primeiro sinal externo de profunda emoção interna é geralmente o tremor do lábio superior, mantê-lo rígido é reprimir as emoções e cultivar as virtudes (mais masculino que feminino, mais anglo-saxão que latino) de coragem, vigor e autocontrole. O que não poderia acontecer era um rapaz chorar em público; choramingo era reservado às moças e crianças.  Desde aqueles dias de pré-guerra, contudo, tenho lido o Novo Testamento muitas vezes e descoberto que Jesus não teve o acanhamento de demonstrar suas emoções. Em duas ocasiões diferentes somos informados de que Ele, na realidade, caiu em prantos em público, primeiro ao lado do túmulo de um amigo e, depois, na impenitente Jerusalém. Neste caso, então, Jesus não foi  educado no mesmo sistema, da escola particular britânica!

Se é um perigo negar nosso intelecto, é um perigo também negar nossas emoções. Mesmo assim, é o que muitos de nós estamos fazendo.

Alvin Toffer escreve sobre alguns jovens americanos que estão exibindo os sintomas do que ele chama de “choque do futuro”. Ele se refere a uma pequena aldeia marítima em Creta, cujas 40 ou 50 cavernas estão ocupadas por “trogloditas americanos, desertores”: rapazes e moças que, na maior parte, desistiram de fazer qualquer esforço maior para enfrentar a alta velocidade explosiva das complexidades da vida. Um repórter visitou-os em 1968 e comunicou-lhes a notícia do assassinato de Robert F. Kennedy. Resposta: silêncio: “Nenhum choque, nenhuma emoção, nenhuma lágrima!” É este o novo fenômeno:  Desertores dos Estados Unidos e desertores das emoções. Eu compreendo o não-envolvimento, o desencanto e, mesmo o não-comprometimento. Porém, para onde foi todo o sentimento?” (Future Shock, Pan Books 1971, p.331).

Pamela Hansford Johnson, que fez a reportagem dos horrores sádicos  dos assassinatos dos “Moors”, escreveu que assassinos por lucro ou  gratificação são quase sempre destituídos daquilo que os psicólogos chamam  de “comoção” – capacidade de penetrar nos sentimentos dos outros; e  continuou dizendo: “corremos o risco de criar uma sociedade sem qualquer  comoção, na qual ninguém se preocupe com o ouro, senão consigo mesmo, ou  com outra coisa que não auto-satisfaça instantâneamente.

Procuramos sexo sem amor, violência por “prazer”. Estamos encorajando o entorpecimento da sensibilidade…” (On Iniquity, McMillan 1967, pp. 18 e 24).

Uma das causas da insensibilidade da nossa sociedade é a televisão, pois ela traz para os nossos lares, numa sequência que nunca pára, cenas de violência, brutalidade e tragédia que assaltam tão poderosamente nossas emoções de maneira tal que não conseguimos suportar. Fazemos, então, duas coisas: ou nos levantamos e desligamos o aparelho, ou fazemos pior:  permitimos que a imagem continue a brilhar na tela, mas desligamos o nosso interior do que está sendo mostrado.

Continuamos assistindo, mas sem nos envolver emocionalmente.

Talvez eu possa dar um exemplo pessoal, desta vez não a respeito da televisão, mas de um concerto da peça “O Messias”, de Handel, no Royal Albert Hall. Quando o concerto atingiu seu clímax com o coro Aleluia, com a afirmações majestosas de que “o Senhor Deus onipotente reina… Rei dos reis e Senhor dos senhores” e com o “Amém “final, confesso que fiquei profundamente comovido. Quando os músicos pararam, a audiência explodiu num estrondo de aplausos, que foi uma maneira perfeitamente apropriada de expressar sua apreciação pelo maestro, coro, orquestra e solistas. Mas, então, à medida que os aplausos se extinguiam, todos começaram a pegar seus chapéus e casacos, a rir, a conversar e a empurrarem-se ao se dirigirem para as portas de saída.

Será presunção minha dizer que eu não podia mover-me?  Eu tinha sido transportado para o Céu, para a eternidade, para a presença do próprio grande Rei. Não foi suficiente para mim aplaudir os músicos; eu quis curvar a cabeça e adorar a Deus. Sou eu estranho ao reagir com tão profunda emoção religiosa? Ou será que estou certo ao perguntar o que estão as pessoas fazendo com suas emoções a ponto de ouvir um concerto ou ir a um culto e permanecer insensíveis? Eu não estou questionando por emocionalismo, pois é uma exibição artificial, uma pretensão espúria. Mas emoções, sentimentos genuínos surgidos legitimamente que devem ser expressados, e não sufocados.

Qual, então, a verdadeira relação entre o intelecto e a emoção?

Muhammed Iqbal, o jurisconsulto e poeta, que se tornou presidente da Liga Muçulmana, que preparou o caminho para um Paquistão independente e que trabalhou por um novo entendimento entre o Oriente e o Ocidente, escreveu em um dos seus poemas:

“No Ocidente, intelectos é a fonte da vida.

No Oriente, amor é a base da vida.”

Através do amor, intelecto cresce familiarizado com a realidade.

“Intelecto dá estabilidade ao trabalho do amor.

Levantai e lançai os fundamentos de um novo mundo.

Enlaçando intelecto ao amor”.

Isto está perfeitamente certo. Porém, o intelecto não é prerrogativa do Ocidente, nem o amor (ou emoção), do Oriente. Algumas nações ou raças podem verdadeiramente ter mais de intelecto e outras mais de emoção, mas intelecto e emoção não podem estar restritos a alguns temperamentos ou algumas culturas, pois ambos são parte de toda a humanidade que Deus criou.  Ambos – intelecto e emoção – pertencem à autêntica experiência humana.

Em particular, nada coloca o coração tão em fogo como a verdade.

A verdade não é fria e seca. Pelo contrário, é cheia de calor e paixão, e em qualquer que seja o momento em que novas perspectivas da verdade de Deus surgem diante de nós, não podemos ser apenas contemplativos.

Somos movidos a responder, seja em penitência, ira, amor, ou adoração.

Pense nos dois discípulos a caminho de Emaús; na primeira páscoa, á tarde, quando o Senhor ressuscitado falava com eles. Quando Ele desapareceu, eles disseram um para o outro: “Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava e quando nos abria as Escrituras?” (Lucas. 24:32). Eles tiveram uma experiência emocional durante toda a tarde. Por isso, descreveram a sensação que tiveram como um coração ardente. E qual foi a causa do ardor espiritual? Foi Cristo, abrindo-lhes as Escrituras!

É o mesmo hoje. Sempre que lemos as Escrituras e Cristo as abre para nós, para que captemos verdades novas, nossos corações devem arder dentro de nós. Como F.W. Faber disse: “Teologia profunda é a melhor lenha para a devoção, pega fogo, que é uma beleza e, uma vez acesa, queima por muito tempo” (citado por Ralph G. Turnbull, em A Minister’s Obstacles, 1946, Baker 1972, p. 97).

Esta combinação verdadeira de intelecto e emoção deveria ser visível, tanto na pregação como na compreensão da Palavra de Deus.

Ninguém expressou isto melhor do que o Dr. Martyn Lloyd Jones, que bem define o que é pregação: “Lógica em fogo! Razão eloquente! São contradições? Claro que não! Razão acerca da verdade tem de ser poderosamente eloquente, como você pode verificar no caso do apóstolo Paulo e de outros. É teologia em fogo. E uma teologia que não traz fogo (eu afirmo), é uma teologia defeituosa. Pregação é teologia vinda através de um homem em fogo” (Preaching and Preachers, Hodder & Stoughton 1971, p. 97).

 

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PSICOLOGIA ANALÍTICA

CONSELHO OU CARATER

CONSELHO OU CARÁTER – A QUEM QUESTIONAMOS?

Quando alguém é criticado, muitas vezes levam-se em conta suas crenças, traços físicos e modos de pensar, negligenciando o que está em discussão

Uma médica recomenda à paciente que perca peso. A moça pensa: “Se ela realmente acreditasse que emagrecer faz bem, ela não seria tão gorda”. Um aficionado por cinema critica de forma severa um filme de Tom Cruise porque discorda das declarações sobre política que o ator deu em uma entrevista recente. Um gerente de banco evangélico ignora o conselho do vizinho no cuidado do seu jardim, porque o homem que mora na casa ao lado é um ateu convicto. Esses exemplos ilustram usos clássicos de ataques ad hominem, nos quais um argumento é rejeitado ou promovido com base numa característica pessoal de um indivíduo, em vez de razões a favor ou contra a própria afirmação.
Colocar o foco no argumentador ou na pessoa que está sendo tema da discussão pode nos distrair das questões que de fato importam. Em vez de nos concentrarmos no caráter de um indivíduo, devemos, nesses casos, propor a nós mesmos perguntas do tipo: O conselho da especialista é correto e pode favorecer a saúde da paciente? O filme de Cruise é divertido? O gramado do vizinho parece saudável? Não se pode negar que ataques ad hominem também podem desacreditar um indivíduo de maneira injusta, especialmente porque tais críticas com frequência são aceitas como eficientes, principalmente se a conduta do outro esbarra em nossas crenças mais arraigadas ou em mecanismos de defesa contra o que nos angustia.
Embora argumentos contra a pessoa há muito venham sendo considerados erros de raciocínio, uma análise recente sugere que nem sempre foi assim. Em seu novo livro, Media argumentation: dialectic, persuasion, and rhetoric, o filósofo Douglas Walton, da Universidade de Winnipeg, propõe que falácias tais como os ad hominem são mais bem entendidas como perversões ou corrupções de argumentos plenamente satisfatórios. Em relação ao ad hominem, Walton defende que embora tais ataques sejam normalmente falaciosos, eles podem ser legítimos quando uma crítica do caráter está direta ou indiretamente relacionada à ideia que está sendo articulada.

Se Walton estiver certo, distinguir de forma clara entre esses casos é importante para avaliar a validade de declarações que as pessoas fazem para nós sobre outros. Usos bons ou justos de críticas ad hominem devem, na verdade, nos persuadir, enquanto usos indevidos não devem.
Quais seriam então os argumentos a serem ignorados? No chamado ataque ad hominem abusivo, alguém defende que pelo fato de a pessoa ter um caráter duvidoso, não devemos aceitar as afirmações que venham dela. Por exemplo, durante a campanha presidencial de 1800, nos Estados Unidos, John Adams foi chamado de “tolo, hipócrita descarado e opressor sem princípios”. Seu concorrente, Thomas Jefferson, por outro lado, foi considerado “um ateísta incivilizado, antiamericano, uma ferramenta para os franceses hereges”. Acusações como essas podem facilmente impedir um discurso político inteligente sobre o que pode fazer de qualquer um dos candidatos um bom presidente.
Outra forma ilegítima de ad hominem é a versão tu quoque, ou “você, também”, que é uma tentativa de desacreditar as afirmações de uma pessoa porque ela não foi capaz de seguir seu próprio conselho. O exemplo da médica acima do peso que prescreve o emagrecimento incide nessa categoria. Seu uso é injusto porque, afinal, há boas razões para perder peso – e o fato de a médica não ter atendido seu próprio conselho não deve dissuadir os outros de tentar segui-lo. O mesmo poderia se aplicar, por exemplo, a psicoterapeutas que podem oferecer acompanhamento de qualidade às pessoas de quem cuidam sem precisar, necessariamente, ser exemplos de sucesso durante todo o tempo, em todas as áreas da vida.
O ataque a Cruise, por outro lado, é um exemplo de “envenenamento do poço”, outra forma de ataque ad hominem na qual a investida ao caráter é lançada antes de o ouvinte ter chance de formar sua opinião sobre um assunto – nesse caso, o filme de Cruise. A lembrança de que Cruise tem opiniões diversas das do crítico de cinema, poderá predispor esse último contra o filme. Isso é parcialmente injustificado, porque as opiniões pessoais do ator não influem de maneira relevante em sua capacidade de atuação ou no valor de entretenimento do filme.

Que tipos de ad hominem podem ser justificados então? Walton defende que essa postura é válida quando as afirmações feitas sobre o caráter ou as ações de uma pessoa são relevantes para as conclusões a que se chega. Vejamos, por exemplo, o ex-governador do estado de Nova York Eliot Spitzer, que foi pego numa escuta telefônica contratando uma prostituta por US$ 4.300. Como esse comportamento ia contra a plataforma anticorrupção de Spitzer, sua revelação iria impedi-lo de governar com sucesso; portanto, a crítica desse aspecto do seu caráter era relevante e justa. Num escândalo anterior, em 1987, o tele evangelista Jimmy Swaggart foi visto num motel com uma prostituta. Como seu comportamento minava sua pregação e seu status como um modelo cristão exemplar, um ataque a seu caráter com base nesse incidente seria completamente certo.
Em outro caso, quando o presidente Bill Clinton mentiu em cadeia nacional sobre seu caso com a estagiária da Casa Branca Monica Lewinsky, acusações de que ele era um mentiroso não eram completamente injustas. Embora alguém que o apoie pudesse argumentar que a vida sexual de Clinton não era diretamente relevante para sua capacidade de governar, sua capacidade de manter-se fiel à verdade com certeza o era, e sua disposição para mentir nessa ocasião colocava em dúvida a veracidade de seus comentários sobre outros assuntos.
É claro, nós não devemos ignorar tudo que uma pessoa diz, ainda que ela tenha sido incrivelmente desacreditada. O fato de uma pessoa mentir ou se comportar de maneira inapropriada em uma ocasião não significa que ela minta ou se comporte de maneira inapropriada o tempo todo. Novamente, uma crítica do caráter de uma pessoa não deve impedir um exame mais aprofundado dos argumentos disponíveis. Afinal, definir que posição é a certa, em geral independe do caráter ou da conduta da pessoa.
Estar ciente de como o ataque ad hominem funciona pode nos ajudar a avaliar quais ocorrências do seu uso deveríamos ignorar e quais deveríamos levar em conta. Pergunte a si mesmo: quão relevante é o caráter ou a ação de um candidato político para sua capacidade de desempenhar seu cargo? Quão pertinente é o passado de uma pessoa ou sua afiliação a grupos para sua qualificação num campo específico? Se os ataques com base no caráter não são relevantes para essas questões maiores, então é melhor ignorá-los. Em vez disso, devemos atentar para o que é realmente importante: o que a pessoa está afirmando? Por que ela oferece um ponto de vista em particular? Esse ponto de vista é defensável?

Fonte: Yvonne Raley – Revista Mente e Cérebro

GESTÃO E CARREIRA

Teste sua liderança

TESTE SUA LIDERANÇA

COMO A ARTE DE LIDERAR PODE DEFINIR O FUTURO DE UMA EMPRESA?

1 – Em sua opinião, o sucesso de uma liderança está totalmente envolvido com:

a) Competitividade

b) Cooperação

c) Flexibilidade

2 – Em se tratando de uma visão transformadora, a verdadeira liderança deve:

a) Envolver as pessoas para um único objetivo

b) Centralizar as principais atividades nas pessoas que transmitem confiança

c) Inspirar pessoas para que tenham oportunidade de desenvolver suas competências

3 – A globalização mudou a mentalidade social em relação à liderança. Antes, tínhamos uma política rígida baseada em “comando e regras”. Na sua realidade, o mercado sugere quais tipos de gestão?

a) Liderança que minimiza os erros por meio do acompanhamento das mudanças

b) Liderança que além de bem informada, minimiza erros e encoraja os liderados para importantes desafios

c) Liderança que envolve pessoas, transforma liderados em seguidores e minimiza erros por meio da informação compartilhada

4. – O que você acredita que limita o sucesso de uma empresa?

a) Colaboradores desmotivados

b) Liderança sem conhecimentos técnicos e/ou sem experiência complementar

c) Salários in compatíveis

5 –  Para você, qual a verdadeira arte de liderar?

a) Apresentar a visão futura dos acontecimentos, sem medo de correr riscos, motivando pessoas para que trabalhem com prazer sem perder a qualidade prezada pela empresa

b) Centralizar autonomia, traçando regras e passos claros para atingir os objetivos da   empresa

c) Romper com o passado e buscar novos desafios, fazendo com que os liderados atuem de forma espontânea na realização das suas atividades

6 – Em sua opinião, quais as qualidades que mais se adéquam a um verdadeiro líder?

a) Integridade, sensibilidade, entusiasmo e humildade

b)  Iniciativa, persuasão, rigidez e imparcialidade

c)   Criatividade, alegria, coragem e flexibilidade

7 – Por meio da sua experiência profissional, cite uma das opções abaixo que é imprescindível na realidade de um líder.

a) Capacidade de lidar com problemas

b) A importante missão de saber lidar com pessoas

c) Apenas designar tarefas importantes para os colaboradores de sua confiança

8 –  Das frases de liderança citadas abaixo, qual você escolheria?

a) “Um dos testes de liderança é a habilidade de reconhecer um problema antes que ele se torne uma emergência” (Arnold Glasgow)

b) “Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las” (Carlos Drummond de Andrade)

c) “A diferença entre um chefe e um líder: um chefe diz ‘Vá’! um líder diz, Vamos!”‘ (E. M. Kelly)

9 – Como a liderança pode superar situações desestimulantes?

a) Fazendo da empresa um “laboratório”, analisando os aspectos negativos e propondo soluções eficazes para novos ânimos

b) Analisando o comportamento da equipe e propondo diferentes estímulos

c) Na verdade, você acredita que uma boa liderança jamais passaria por essas situações

10 –  Qual fundamento básico para uma liderança eficaz?

a) Não acredita que exista uma fórmula

b) Traçar metas de forma planejada, conduzindo as pessoas para o êxito organizacional e profissional

c) Depende dos fatores internos e suas possibilidades

 

 

 

                   PONTUAÇÃO
Questão a  b  c
   1 1  3  2
   2 2  1  3
   3 1  2  3
   4 2  3  1
   5 3  1  2
   6 3  1  2
   7 2  3  1
   8 2  1  3
   9 3  2  1
 10 1  3  2

 

RESULTADO

Acima de 20

Parabéns, a cooperação está totalmente ligada ao sucesso de uma empresa, a verdadeira liderança inspira pessoas e fazem com que elas tenham oportunidade de desenvolver suas habilidades e competências de forma integrada. Você está correto(a), a liderança de sucesso inspira e transforma os liderados em verdadeiros seguidores.

Com a acirrada competitividade é importante destacar que o bom líder está sempre preparado para as mudanças, buscando a todo o momento o aperfeiçoamento técnico e interpessoal.

A verdadeira arte de liderar para você é a liderança com olhos no futuro, uma gestão motivadora e engajada na colaboração mútua. Sua visão está totalmente correta, é necessário que exista sensibilidade, entusiasmo e outros fatores importantes que agreguem qualidades a uma equipe e valores sustentáveis para o sucesso de qualquer organização. Como diz E. M. Kelly: “A diferença entre um chefe e um líder: um chefe diz ‘Vá’! Um líder diz ‘Vamos!”‘

Entre 16 e 20

Considero que está próximo a fazer parte dos “artistas da arte de liderar”, realmente é necessário muito talento. A liderança é mais profunda do que se imagina, alguns detalhes são essenciais para conduzir as pessoas e organizações ao sucesso.

Nem sempre flexibilidade é a alma do negócio, pois encontrar o equilíbrio é fundamental. A cooperação é uma característica que deveria ser “nata” para qualquer líder, ainda mais em um mercado tão transformador desta nova era.

A verdadeira liderança motiva, instiga e investe em seus profissionais. Também maximiza confiança, oportunidades e entusiasmo.

Um líder precisa estar sempre atento às mudanças. Nem sempre basta resolver os problemas, é necessário uma visão holística da sua equipe e do seu negócio. Nem sempre a empresa é a responsável pelos resultados negativos de uma equipe, mas sim como a liderança traça e conduz suas metas e seus liderados. Como diz Arnold Glasgow: “Um dos testes de liderança é a habilidade de reconhecer um problema antes que ele se torne uma emergência.”

Abaixo de 16

Infelizmente, seu resultado não foi satisfatório, mas não desista. Diferente do que muitos imaginam, o sucesso de uma empresa não está na competitividade ou na flexibilidade. É essencial que a organização tenha o ponto de equilíbrio, hoje a cooperação é essencial entre os líderes, colaboradores e departamentos. A política centralizadora é totalmente arcaica, o momento é de transformação e colaboração. Mais que minimizar erros, uma liderança precisa de outros atributos para garantir o sucesso de sua equipe, precisa ter uma visão abrangente em relação ao futuro, informando-se e buscando novas formas de acompanhar a transformação intensa do mercado.

Não podemos pensar que uma equipe desmotivada ou uma lide rança desestimulante são frutos de uma empresa injusta, que não oferece salários com­ patíveis com o mercado, é função desta mesma liderança buscar estímulos e soluções que façam emergir os negócios da sua organização.

Podemos também destacar a importância do eleito a um cargo de liderança, é essencial que ele contribua mais com bom humor, entusiasmo e criatividade. O importante são as atribuições necessárias para conduzir pessoas e uma empresa ao sucesso. Como diz Carlos Drummond de Andrade: “Fácil é ditar regras. Difícil é segui-las”.

 

 

Aline Santos: consultora de Marketing e Vendas, proprietária e diretora de Novos Negócios da empresa Marka Criativa Marketing e Novos Negócios – w.ww.markacriativa.eom.br / e-mail: contato@markacriativa.com.br. Graduada em Propaganda e Marketing com especialização em Psicologia do Consumidor. Palestrante em administração e marketing.

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Unidade, Liberdade e Caridade

Minha preocupação é chamar a atenção para uma das grandes tragédias da cristandade contemporânea, que é especialmente visível no meio de todos nós que somos chamados (e, na verdade, é como nós nos chamamos) cristãos evangélicos. Numa única palavra: essa tragédia chama-se polarização. Serei mais específico sobre o que quero dizer.

O pano de fundo para a tragédia é a nossa substancial concordância no histórico cristianismo bíblico. Nossa união nos fundamentos da fé cristã é coisa grande e gloriosa. Cremos em Deus Pai, infinito e pessoal, santo, criador e sustentador do Universo. Cremos em Jesus Cristo, o único Deus-homem; em seu nascimento virginal, em sua vida encarnada, na autoridade do seu ensino, em sua morte expiatória, na sua ressurreição histórica, e em seu retorno pessoal à terra. Cremos no Espírito Santo por cuja inspiração especial as Escrituras foram escritas e por cuja graça pecadores são hoje justificados e nascidos de novo, transformados na imagem de Cristo, incorporados à Igreja e enviados para servir no mundo. Nestas e em outras grandes doutrinas bíblicas, permanecemos firmes pela graça de Deus, e permanecemos juntos.

Contudo, nós não somos unidos. Nós nos separamos uns dos outros por assuntos pouco importantes. Algumas das questões que nos dividem são teológicas; outras temperamentais. Teologicamente, por exemplo, podemos discordar na relação exata entre soberania divina e responsabilidade humana, na ”ordem”  e ministério pastoral da igreja (se deve ser episcopal, presbiteriano ou independente) e até onde os crentes podem envolver-se numa “mistura” denominacional sem que se comprometam a si mesmos e a fé que  professam; nas relações Igreja-Estado; em quem está qualificado para ser  batizado e no volume de água a ser usado; em como interpretar profecia, em  quais dons espirituais estão disponíveis hoje e quais são os mais importantes.  Estas são algumas das questões nas quais crentes igualmente dedicados e bíblicos discordam entre si. São questões que os reformadores chamam de “adiaforia”, questões “indiferentes”. Desta forma, embora pretendemos continuar defendendo nossa própria convicção das Escrituras, em conformidade com a luz que nos tem sido dada, procuraremos não pressionar dogmaticamente a consciência de outros crentes, mas tratar a cada um com liberdade, em amor e respeito mútuo. Não se pode fazer coisa melhor do que mencionar o famoso epigrama atribuído a um certo Rupert Meldenius e citado por Richard Baxter. Em coisas essenciais, unidade; nas não-essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade.

Estamos, também, separados uns dos outros temporariamente.

Esquecemo-nos, às vezes, que Deus ama a diversidade e tem criado uma rica profusão de tipos humanos, temperamentos e personalidades. Além disso, o nosso temperamento tem mais influência na nossa teologia do que geralmente imaginamos ou admitimos. Embora a nossa compreensão da verdade bíblica dependa da iluminação do Espírito Santo, ela é inevitavelmente colorida pelo tipo de pessoa que somos, pela época na qual vivemos e pela cultura a que pertencemos. Alguns de nós, por disposição e formação, são mais intelectuais que emocionais; outros, mais emocionais que intelectuais. Repetindo, a disposição mental de muitos é conservadora (detestam mudanças e sentem-se ameaçados), enquanto outros são, por natureza, rebeldes à tradição (o que eles detestam é monotonia, considerando mudança como algo próprio de sua natureza). Questões como estas surgem de diferenças temperamentais básicas.  Porém, não devemos permitir que o nosso temperamento nos controle. Pelo contrário, devemos deixar que as Escrituras julguem nossas inclinações naturais de temperamento. Caso contrário, acabaremos por perder o nosso equilíbrio cristão.

O título deste ensaio é “Cristianismo Equilibrado”, pois uma das maiores fraquezas que os cristãos (especialmente os evangélicos) manifestam é a tendência para o extremismo ou desequilíbrio. Parece que não existe outro passatempo de que Satanás mais goste do que o de tirar o equilíbrio dos crentes. Embora eu não reivindique qualquer amizade pessoal com ele e nem tampouco qualquer conhecimento íntimo da sua estratégia, suponho ser este um dos seus hobbies favoritos.

Por “falta de equilíbrio”, entendemos o deleite que sentimos em habitar em uma ou outra das regiões extremas da verdade. Se pudéssemos apoiar-nos em ambos os polos, simultaneamente, exibiríamos um saudável equilíbrio bíblico. Em lugar disto, tendemos a “cair em extremos”. Como

Abraão e Ló, nos separamos uns dos outros. Empurramos outras pessoas para um polo, enquanto que o polo oposto é mantido como nossa propriedade.

Teologicamente falando, ninguém na história da igreja britânica nos preveniu melhor deste perigo do que Charles Simeon, professor do Kings Colige e pároco da igreja Hely Trinity, em Cambridge, no início do século passado. Considere esta conversa imaginária com o apóstolo Paulo, que ele incluiu numa carta para um amigo em 1825. “A verdade não está no meio e nem no extremo, mas nos dois extremos. Aqui estão dois extremos:  calvinismo e arminianismo. – Paulo, como te situas em relação a eles? No meio-termo intermediário? – Não. – Nos extremos? – Não. – Como então? –  Nos dois extremos: hoje eu sou um calvinista convicto: amanhã, um convicto arminiano. – Bem, bem, Paulo, compreendo a tua esperteza: vai a Aristóteles e aprende o meio termo intermediário!

Simeon continua: – “Mas, meu irmão, eu sou um desventurado. Primeiramente li Aristóteles e gostei muito; mas, desde que comecei a ler Paulo, tenho captado algo de seus estranhos conceitos, oscilações (não vacilações) de um polo para o outro. Às vezes, sou um poderoso calvinista e, outras, um débil arminiano. Desta forma, se extremos te deleitarem, sou a pessoa certa para ti; lembra-te somente: não é para um extremo que devemos ir, mas para ambos” – um adágio que Charles Smyth descreveu como “tão naturalmente desconcertante para a mente inglesa” (Memoirs of the Life of the Ver. Charles Simeon, editado por Willian Carus 1847, p. 600. Simeon and Church Order por Charles Smyth, 1940, p. 185).

As palavras de Simeon são sabedoria para hoje. Sejam nossas polarizações basicamente teológicas ou temperamentais, devemos evitá-las.  Meu irmão, permita-me dar quatro exemplos da inutilidade de polarizações desnecessárias, o que será feito nos capítulos seguintes.

Extraído do Livro “CRISTIANISMO EQUILIBRADO”, de John Sttot

GESTÃO E CARREIRA

LIDERANÇA AMADORA

FORMAÇÃO DE LIDERANÇA – POR QUE AINDA SOMOS TÃO AMADORES?

Ao longo dos últimos anos o tema da formação de Liderança alcançou o primeiro lugar disparado nas preocupações de treinamento na maior parte das empresas. Poderíamos dizer que o tema desceu na pirâmide de Maslow logo para cima do primeiro degrau, onde estão os treinamentos obrigatórios de procedimentos técnicos, qualidade e segurança. Na última pesquisa da ABTD 80% das empresas pesquisadas declaram que o tema é sua primeira prioridade no ano. A mesma pesquisa afirma que a verba alocada para treinamento não está tão longe da média americana (0,8% do faturamento aqui contra 1,1% do faturamento lá). Bom, não? Deveríamos estar bem felizes! Certo? Não. Não deveríamos. Longe disto!

O investimento em formação de liderança no Brasil ainda é mínimo e errático. O discurso é bom. Todo mundo reconhece a necessidade, diz que é importante… Mas, na prática, não é essencial. O orçamento existe, mas flutua com a maré. Este ano, por exemplo, que teve a conjuntura um pouco mais desafiadora e as expectativas um pouco mais desinfladas (embora estruturalmente o quadro seja o mesmo), os orçamentos de treinamento foram reduzidos imediatamente. A dedicação é secundária às emergências mais prosaicas… Qualquer reunião para resolver questões banais de curto prazo (sempre advogadas como urgências urgentíssimas) tira executivos da sala de aula de programas caros e torturantemente difíceis de serem agendados. E todo mundo acha isto normal. E isto é um grave problema.

Formação de Liderança é essencial. Liderança tem valor econômico comprovado. A Gallup no seu célebre estudo “The Gallup Way” provou, muitos anos atrás, a correlação direta entre líderes eficazes, funcionários engajados, clientes fiéis, lucro sustentável e valor econômico da organização. Os guias do tipo “Melhores para se trabalhar” demonstram a mesma coisa, ano após ano… Duvida? Cheque a flutuação no valor da ação das empresas que pontuam melhor. Flutua menos. Líderes eficazes geram menor rotatividade e menor absenteísmo. Os índices de qualidade de suas áreas são melhores e mais previsíveis. O que significa maior produtividade. Isto é fácil de medir e fácil de comprovar.

Líderes eficazes geram desempenho superior. As pessoas sob sua supervisão batem suas metas mais consistentemente, principalmente quando o cenário fica desafiador. Cheque em sua própria empresa. Líderes eficazes gerenciam mudança melhor. Os projetos em suas áreas têm maior taxa de sucesso e menos atrasos. Lidam melhor com os jovens, lidam melhor com a tecnologia, lidam melhor com a diversidade, tem quantidade menor de ações trabalhistas…

Mesmo com um mar de evidências estatísticas e econômicas, mesmo com centenas de casos de sucesso, mesmo com excelente literatura disponível, mesmo com métodos comprovados… Mesmo assim, no Brasil do século XXI, ainda é uma tortura tentar alocar dinheiro e tempo para programas de formação de liderança. Sabem por quê? Por puro amadorismo.

A imensa maior parte de nossos líderes empresariais são líderes amadores bem sucedidos. Eu não quero ser injusto ou cruel. A maior parte deles é formada por excelentes engenheiros, fantásticos financistas, deslumbrantes negociadores. São incríveis empreendedores, grandes políticos. Dominam métodos estatísticos e sistemas de informação inimagináveis para a maioria dos mortais. Assistiram (e foram aprovados) em MBAs dificílimos. Sabem gerir Inovação, Fusões e Aquisições…Mas, falham na hora de dar um prosaico feedback. São péssimos em estabelecer diálogo. Conduzem reuniões pavorosamente. Não sabem avaliar ou desenvolver pessoas. São duros, personalistas, egocêntricos. Criam mitos e lendas sobre si mesmo. São apaixonados pelo som da própria voz mesmo quando estão emitindo as bobagens mais óbvias. E, acima de tudo, são péssimos exemplos.

Mas, como apesar disto tudo, são muito bem sucedidos, geram dois problemas: o primeiro é que geram uma falsa impressão de que formação em liderança não é essencial, afinal se eles não precisaram… O segundo é que como são eles que aprovam os orçamentos e definem as prioridades, este tema nunca é realmente visto como prioridade (apesar do discurso) o que causa um contingenciamento crônico do investimento, que muitas vezes se move de um ano para o outro, e para o outro, para desespero dos gestores de RH que não tem força suficiente para superar as objeções.

Formar liderança é complicado. Demora tempo. Anos. Requer dedicação e consistência. Mês passado assisti a uma apresentação magistral da Professora Marisa Eboli em que ela relatava uma viagem que fez aos EUA e à Europa para visitar grandes Universidades Corporativas. As fotos e os relatos tinham um clima de sonho, de tão diferente da nossa realidade aqui. Perguntei o que ela tinha visto que não existia no Brasil. E ela me respondeu, com simplicidade, “comprometimento”. No Brasil não temos comprometimento. Não temos nada nem remotamente parecido com a Crotonville, a célebre universidade da GE, fundada em 1956. (Não, você não leu errado).

Nossa abordagem por aqui normalmente é errática e imediatista, sem nenhum comprometimento.  E isto já seria ruim o suficiente. Mas, se o comprometimento é baixo, o lado técnico é ainda pior. Pra começar, normalmente não existe nenhuma conexão entre a estratégia e a metodologia de formação de liderança. É como se treinar liderança em um startup ou numa indústria consolidada fosse a mesma coisa. Quase nunca os objetivos do programa estão conectados aos objetivos estratégicos da organização. Quase nunca. E depois ficamos discutindo bobagens do tipo “como provar o ROI do treinamento”… Nonsense!

Todos nós já lemos o “Pipeline de Liderança” do Ram Charan. Todos nós admiramos o livro. Nunca encontrei ninguém que não o considere essencial e estruturante. Quantos programas de formação de liderança incorporam de fato o aumento de complexidade de cada degrau da liderança? Quantos programas são customizados para a forma específica como o Pipeline se desenvolve na organização? Quantos programas são complementados por acompanhamento no dia a dia para checar se os participantes estão conseguindo incorporar adequadamente os conceitos à sua realidade específica? Quase nenhum.

A maior parte dos programas de formação de liderança que eu já vi são (1) exclusivamente focados em comportamento, como se formar um líder empresarial fosse igual a formar líderes comunitários ou políticos, (2) ancorados em programas genéricos e superficiais de competências que não estruturam a subida pela organização de jeito nenhum e (3) completamente desconectados do modelo organizacional e da realidade operacional da organização.

Vamos ser sinceros…Desta forma não funciona. É puro amadorismo.

Autor: Daniel Castello

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

ANSIEDADE

ANALISANDO A ANSIEDADE

 Não é preciso ter depressão para acordarmos numa manhã qualquer e, sem motivo específico, nos sentirmos sem esperança no futuro e incapazes de lembrar eventos gratificantes. Uma simples falta de ânimo já é o suficiente para acionar uma espécie de filtro que faz nossa mente captar e recordar apenas informações negativas. É dessa forma que a ansiedade atua: direcionando a atenção para estímulos específicos (em geral negativos).
Para compreender se ela é um problema, é preciso observar como se manifesta. Há diferença entre ficar ansioso diante de uma situação que representa ameaça real e ter esse sentimento como um traço de personalidade. No primeiro caso, ela é normal e saudável, pois cumpre uma função adaptativa essencial para a existência. A ansiedade nos incita a focar toda atenção naquilo que nos preocupa em um momento específico, mantendo-nos alertas para que possamos nos prevenir de consequências que podem ser prejudiciais.
Pessoas com transtorno de ansiedade, no entanto, tendem a se fixar com frequência em informações irrelevantes. Chegam, por exemplo, a observar um mesmo ambiente repetidas vezes, à procura de estímulos ameaçadores que, uma vez localizados, são evitados e controlados com dificuldade. Elas interpretam informações de maneira desfavorável e são mais suscetíveis a pensamentos negativos. Esse comportamento interfere em praticamente todas as áreas de seu cotidiano.

 Emoções e respostas

A ansiedade determina o tipo de informações que priorizamos e a forma como as interpretamos. Quando nos sentimos pressionados por alguma situação, a maioria de nós não é capaz de considerar mais de uma opção nem de acreditar que existem alternativas viáveis. No entanto, nos dias em que estamos felizes e otimistas, confiamos mais em nossas capacidades e a mente fica mais aberta para enxergar diferentes pontos de vista sobre o que nos preocupa. O problema pode ser o mesmo e talvez as opções sempre estejam ao alcance, mas a forma de processar as informações recebidas é sensivelmente diferente.
Essas diferentes maneiras de perceber o mundo são determinadas pelas emoções. De fato, alguns estados afetivos parecem moldar o funcionamento da mente para responder de maneira eficaz às demandas de uma situação. A ansiedade restringe o campo de visão da realidade e nos faz ver o mundo em “modo de ameaça”.
O modo como diferentes emoções acionam maneiras opostas de se processar uma mesma tarefa foi o tema de um de nossos experimentos. Selecionamos três grupos de estudantes para assistir a um vídeo que mostra um homem armado assaltando um banco. Em seguida, cada grupo visualizou, em separado, imagens com conteúdos emocionais diferentes: positivo (esportistas recebendo troféus, paisagens, famílias), negativo (acidentes, pessoas doentes, guerras) ou neutro (móveis, utensílios de cozinha). Após serem expostos a esses estímulos, os estudantes foram convidados a tentar reconhecer, entre fotos de vários homens, o rosto criminoso do vídeo.

Desempenhos diferentes
Os resultados mostraram que o grupo que havia visualizado as imagens com conteúdo positivo realizou o teste de forma mais eficiente. Todos os participantes do estudo haviam assistido ao vídeo do assalto e nenhum fora previamente avisado do que teria de fazer, mas os estímulos recebidos por cada grupo favoreceram ou complicaram a forma como a tarefa foi realizada.
A explicação dos resultados obtidos é simples, se considerarmos que o reconhecimento de um rosto requer um estilo de processamento global: nossa atenção apreende desde aspectos gerais, como tamanho ou formato da cabeça, o tipo do cabelo ou a cor dos olhos até algum detalhe que pareça tornar aquele rosto inconfundível, mas que de forma isolada não seria determinante. Os estímulos positivos parecem favorecer esse estilo de processamento, que é o mais adequado para realizar tarefas que exigem a observação de aspectos gerais – dessa forma, esse grupo obteve “vantagem” sobre os que receberam estímulos neutros ou apreensivos.
Após esse experimento, os mesmos voluntários foram convidados a participar de mais um teste. Dessa vez, a tarefa exigia a atenção em detalhes. Orientamos os participantes a encontrar diferenças em jogos do tipo “sete erros”. Os três grupos tiveram a mesma quantidade de tempo para localizar diferenças entre pares de imagens aparentemente iguais. Como a ansiedade incita a observar detalhes e informações aparentemente irrelevantes (que podem converter-se em ameaça), as pessoas do grupo em estado de ansiedade foram mais eficazes nessa tarefa, achando um maior número de diferenças em menos tempo que os outros grupos.
Essa pesquisa mostra como a ansiedade age sobre nossa capacidade de atenção: ela pode nos ajudar a localizar até a mais insignificante ameaça, mas também pode contribuir para que vivamos continuamente apreensivos.

Fonte: Antonia P. Pacheco Unguetti – Revista Mente e Cérebro

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

O CAPACETE DA SALVAÇÃO

Do solo fez o SENHOR Deus brotar toda sorte de árvore agradável à vista e boa para alimento; e também a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal… mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gênesis 2:9, 17).

Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram cintas para si (Gênesis 3:6, 7).

Porque a nossa glória é esta: o testemu­nho da nossa consciência, de que com santidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria humana, mas na graça divina, temos vivido no mundo, e mais especial­mente para convosco (2 Coríntios 1:12). Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus (Efésios 6:17).

E vos renoveis no espírito do vosso en­tendimento (Efésios 4:23).

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2).

Porque os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz (Romanos 8:5, 6).

PRIMEIRO

No meio de todas as árvores do jardim do Éden encontravam-se a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. Deus orde­nara a Adão: “De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gêne­sis 2:16b, 17). Isto indica quão opostas eram estas duas árvores. De um lado está a árvore da vida, do outro, a árvore do conhecimento do bem e do mal. Podemos, portanto, dizer que uma é a árvore da vida e a outra, a árvore da morte, pois ao comer da árvore do conhecimento do bem e do mal o homem morre.

Podemos notar um resultado tremendo na vida de Adão e Eva depois de terem pecado: ganharam conhecimento; tendo comido do fruto, ficaram conhecendo o bem e o mal. Em outras palavras, o primeiro efeito subjetivo no homem depois da queda foi o aumento da capacidade de funcionar da mente. Antes da queda, o homem possuía um tipo de mente; depois da queda seu cérebro começou a conter maior porção de coisas que era do propósito original de Deus que ele tivesse com o tempo — mas não da maneira pela qual os homens, nessa época, obtiveram tais coisas. Por este motivo Paulo menciona em Efésios 6:17 que o crente deve “tomar o capacete da salvação”. Esta pas­sagem confirma a necessidade da libertação da mente humana. Muitos, depois de crerem no Senhor Jesus, sofrem mudanças de vida, mas suas mentes ainda precisam ser libertas. Se as mentes não forem libertas, ficarão sem proteção na época de conflito espiritual. Daí ser da major importância que tomemos o capacete da sal­vação.

Ocorre um fenômeno um tanto espantoso entre os filhos de Deus: encontramos muitas pessoas de bom coração e bom comportamento que ainda levam consigo a mente que pertence à velha natureza. Em outras palavras, sua vida é a vida de Cristo mas sua mente é a de Adão. Isto diminui sua capacidade de conhecer a vontade de Deus. Portanto, a fim de medir a vida espiritual de uma pessoa, precisamos somente medir sua cabeça. Ao grau em que sua mente é liberta, a esse grau a pessoa é liberta de Adão e por conseguinte liberta da velha criatura. A diferença básica entre o viver na velha criatura e o viver na nova pode ser vista no relacionamento entre a mente da pessoa e Deus.

SEGUNDO

“Não com sabedoria humana, mas na graça divina, temos vivido no mundo” (2 Coríntios 1:12b).

Como precisamos pedir que Deus nos livre de nossa própria inteligência! O princípio do viver cristão é confiar na vontade de Deus e não na inteligência humana, depender da graça de Deus e não de nossa própria sabedoria. É necessário que aprendamos esta lição.

Suponhamos que exista algo que você tem de fazer, mas não sabe como fazê-lo, ou se não deve fazê-lo de modo nenhum. Você não tem ideia alguma de como proceder. De modo que você começa a deliberar sobre o resultado da ação que você deve tomar. Se fizer tal coisa desta ou daquela maneira, o que dirão as pessoas? De modo que você tenta ser inteligente. Como? Dizer ou fazer o que causará o mínimo de problemas e evitará o máximo de oposição. Este tipo de conduta significa que a pessoa se esqueceu de que os filhos de Deus não vivem na terra pela inteligência humana. Ser cristão é bastante simples. A pessoa simplesmente deve fazer a pergunta: “Deus, o que queres que eu faça?”

Está claro que a árvore do conhecimento do bem e do mal ainda se encontra entre os filhos de Deus hoje. Muitos ainda se alimentam de seus frutos diariamente. Não comem da árvore da vida; pelo contrário, não cessam de pergun­tar: “O que é melhor?” — Pergunta esta que procede da árvore do conhecimento do bem e do mal. Entretanto, Paulo diz-nos que hoje nossa vida perante Deus é muito simples, não depen­demos da sabedoria humana, mas da graça divina. Somos responsáveis por uma coisa so­mente: fazer a vontade de Deus.

TERCEIRO

“Transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, a agradável e perfeita vontade de Deus” (Roma­nos 12:2b).

Que cada um de nós se lembre de que é responsável somente pela vontade de Deus, e que a responsabilidade de Deus é fazer com que experimentemos a consequência certa depois de termos feito sua vontade. Temos a tendência de procurar o caminho agradável. Mas com referên­cia a isto, descobrimos que o Filho de Deus trilhou a estrada mais difícil enquanto na terra, fez-se responsável pela vontade de Deus, e Deus, por sua vez, foi responsável por dar-lhe a estrada difícil. Ao testificarmos que a sabedoria humana do cristão é totalmente inútil, não sugerimos que ele deva ir em frente e praticar coisas tolas. Pois nem sua sabedoria humana nem a própria tolice possuem qualquer utilidade para Deus. Deus não necessita de nossa estultícia, assim como não precisa de nossa sabedoria. Nem todas as coisas tolas são corretas; somente as coisas que procedem da vontade divina são corretas. Devemos perceber tal distinção. Não estamos corretos de modo nenhum quando deliberadamente dizemos algumas palavras to­las ou praticamos ações bobas. Nossa responsa­bilidade é fazer a vontade de Deus. O que quer que o Senhor deseja que eu faça, isso devo fazer. O resultado é responsabilidade dele, não sua nem minha.

Assim, devemos pedir que Deus nos livre de nossa mente: que nosso pensar possa ser salvo ao tomarmos o capacete da salvação. Sempre que encontrarmos alguma coisa, primeiro devemos confessar a Deus: “Deus, minha mente ou minha inteligência não é o princípio do meu viver cristão. Tudo o que me importa é procurar a tua vontade.” Isto não significa que você deva fingir ser uma pessoa tola. Deixe-me dizer-lhe de novo que Deus não tem utilidade nem para o tolo nem para o sábio. Insistimos somente em que os cristãos neste mundo não devem viver mediante a deliberação de suas mentes mas pela boa, aceitável e perfeita vontade de Deus.

Algumas pessoas possuem tino de comercian­tes. Sempre que alguma coisa lhes vem à mente, sua primeira reação é calcular o ganho ou a perda pessoal. Esse traço é característico das coisas espirituais e também das seculares. Tal mente precisa ser admoestada. O fator decisivo das coisas espirituais não é o ganho ou a perda pessoal, mas a vontade de Deus. Oh, que realmente possamos perceber que temos um único princípio pelo qual viver, e este se encon­tra “na graça de Deus” — em fazer a vontade divina.

QUARTO

“E vos renoveis no espírito do vosso entendi­mento” (Efésios 4:23).

Isto quer dizer que a mente humana precisa de renovação. Romanos 12 dá o mesmo parecer: “Transformai-vos pela renovação da vossa mente.” O resultado é que “experimenteis qual seja a boa, a agradável e perfeita vontade de Deus”. Depois de sua mente ser renovada você pode provar qual seja a vontade de Deus. De modo que o conhecer ou não a vontade de Deus não é questão de método mas de pessoa. Muitos estão familiarizados com métodos de conhecer a vontade de Deus mas sua pessoa não é correta; consequentemente, não podem conhecer a vontade dele.

Que tipo de pessoa pode conhecer a vontade de Deus? A pessoa a quem Deus libertou do poder mental. Sua mente deve ser renovada antes que você prove qual seja a vontade de Deus. Conserve isto sempre em mente: a parte mais forte da vida natural do homem é seu aparelho pensador. Algumas pessoas podem ter sua força natural na vontade, outras, na emoção. A maioria das pessoas, porém, tem sua força natural na mente. Ao conhecer uma pessoa com uma mente vigorosa, você conhece seu pensa­mento. À medida que você se aproxima dela, seus pensamentos começam a fluir. Seu pensa­mento é maior do que seu espírito. Parece ser muito inteligente, pois seu caráter é refletido pelo pensamento. Se isto que é sua força não for quebrantado pelo Senhor, não terá maneira de conhecer a vontade de Deus. Da mesma forma, devemos pedir que o Senhor faça com que não confiemos no poder de nosso entendimento.

A pessoa pode continuamente confessar quão errada é sua vida carnal ou natural, e o tempo todo dar valor ao seu entendimento e opinião. Embora admita sua fraqueza com a boca, o coração ainda está cheio dos seus próprios pensamentos e sabedoria. Pensa que seu ponto de vista é superior ao dos outros e que seu modo de vida é melhor do que o dos outros. Sua inteligência não foi quebrantada pelo Senhor e seu pensamento não foi mudado. Por causa disto, essa pessoa não tem como conhecer a vontade de Deus. Há pessoas cujos lábios estão cheios da vontade de Deus, mas na realidade nada conhecem dela. Lembremo-nos de que se a pessoa não estiver correta, não tem possibilida­de de conhecer a vontade divina. O Senhor deve executar a obra básica da cruz nas vidas dos crentes, especialmente na renovação dos seus entendimentos. Ele os quebrantará de tal modo que não mais pensem ser mais inteligentes ou melhores do que o restante. Depois de Deus lidar com sua inteligência, podem então provar e conhecer a vontade de Deus.

O problema, muitas vezes, está em substituir a vontade de Deus pelo entendimento do ho­mem. Nossa mente, portanto, precisa de reno­vação. A pessoa que não conhece a cruz, não conhece a vontade de Deus. Assim, a questão toda resume-se na necessidade da cruz. Você sabe realmente como a cruz lida com sua vida natural? Você tem alguma ideia de como Deus lida com você como pessoa? Um dia, mediante a graça do Senhor, você será levado ao lugar onde poderá ver a sua falta de confiança e admitir quão ineficaz é seu pensamento; então não ousará crer em si mesmo nem terá em grande consideração sua força natural; nesse dia muitas coisas tornar-se-ão claras. A medida que Deus lidar com sua vida natural, você começará a ver claramente a vontade dele.

QUINTO

“Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da carne; mas os que se inclinam para o espírito, das coisas do espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do espírito para a vida e paz” (Romanos 8:5, 6)

Qual é o pendor da carne? Tem uma característica principal: crer em si mesmo como sabedor de tudo e capaz de tudo. O pendor do espírito no crente tem sua característica principal também: não crer em si mesmo nem ousar dizer ou fazer nada, mas sempre estar em temor e tremor. O pendor da carne está constantemente ocupado, apressado, cheio de sabedoria própria e inquieto. O resulta­do é a morte. O pendor do espírito não é controlado pela sabedoria carnal, mas governa­do pelo mandamento de Deus; não confia na carne nem ousa seguir sua própria ideia, e o resultado é a vida e paz. Nossa mente precisa ser libertada para que não mais sejamos dirigidos pelo pensamento carnal, mas guiados pela von­tade espiritual.

SEXTO

“Não com sabedoria humana, mas na graça divina, temos vivido no mundo, e mais especial­mente para convosco” (2 Coríntios 1:12b).

Note esta última frase: “Mais especialmente para convosco.” Os Coríntios eram inteligentes, mas Paulo declara que não devemos viver pela sabe­doria humana, e sim, pela graça divina, e isto mais especialmente para com pessoas como os inteligentes Coríntios. Louvado seja o Senhor, não precisamos comparar nossa inteligência com pessoas inteligentes. Quanto mais calculistas forem os outros, tanto menos inteligência usare­mos; vivemos pela graça divina. Especialmente nas coisas de Deus e da igreja, estamos decidi­dos a não usar a sabedoria nem a inteligência humana.

Portanto precisamos aprender a lição de nun­ca colocar nossa mente carnal nas coisas espiri­tuais. Não temos tanta certeza se esta mente carnal é eficaz em outros assuntos, mas temos certeza disto: a mente carnal é totalmente inútil nas coisas espirituais. Os métodos e táticas carnais, a manobra e a inteligência carnal podem produzir resultados em outras áreas, mas no reino espiritual são totalmente ineficazes. Na casa de Deus não é a mão nem a sabedoria do homem que têm valor, mas, a vontade de Deus. O importante não é o que o homem diz ou pensa, mas o que diz o Senhor. Perguntaremos a Deus: “Senhor, que padrão desejas mostrar-nos? Pois não poderemos ter nenhum outro padrão a não ser o teu.”

Aprendamos a fazer a vontade de Deus e a não depender de nosso próprio entendimento. Quando realmente aprendermos a fazer a vonta­de de Deus, entregar-nos-emos a ele a fim de que nos leve por todo e qualquer problema que possamos encontrar no processo. E daí para a frente pediremos que Deus nos faça viver, não na sabedoria humana, mas na graça divina, realizando sua vontade.

Extraído do Livro “O MENSAGEIRO DA CRUZ”, de Watchmann Nee