ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 11-18 – PARTE I

alimento diário

A Ressurreição

Marcos nos diz que Cristo apareceu, em primeiro lugar; a Maria Madalena (Marcos 16.9). Esta manifestação é aqui detalhadamente relatada, e nós podemos observar:

I – A constância e o fervor do afeto de Maria Madalena pelo nosso Senhor Jesus, v. 11.

1. Ela permaneceu no sepulcro, depois que Pedro e João tinham ido embora, porque ali seu Mestre tinha estado, e porque ali era mais provável que ela tivesse notícias dele. Observe que:

(1) Onde houver um verdadeiro amor por Cristo, haverá uma união constante a Ele, e uma determinação, com propósito sincero, de ser fiel a Ele. Esta boa mulher, embora o tivesse perdido, em lugar de parecer abandoná-lo, permanece junto ao sepulcro, por causa dele, e continua a amá-lo mesmo quando lhe falta o consolo do seu amor.

(2) Onde houver um verdadeiro desejo de conhecer a Cristo, haverá uma busca constante dos meios de conhecimento. Veja Oséias 6.2,3: ”Ao terceiro dia, nos ressuscitará”. E então conheceremos o significado desta ressurreição, se continuarmos desejando conhecer mais e mais ao Senhor, como Maria fez aqui.

2. Ela ficou ali, chorando, e suas lágrimas evidenciaram seu afeto pelo seu Mestre. Aqueles que perderam a Cristo têm motivos para chorar. Ela chorava com a lembrança dos seus amargos sofrimentos; chorava pela sua morte, e pela perda que ela e seus amigos, e toda a nação, tiveram, com esta morte; chorava ao pensar em voltar para casa sem Ele; chorava porque não encontrava seu corpo. Aqueles que buscam a Cristo, devem buscá-lo com fervor, ansiosos (Lucas 2.48), e devem chorar, não por Ele, mas por si mesmos.

3. “Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro”, e olhou dentro, para que seus olhos pudessem influenciar seu coração. Quando estamos procurando alguma coisa que perdemos, nós procuramos diversas vezes no lugar onde a deixamos pela última vez, e onde esperávamos encontrá-la. Ela olhará “sete vezes mais”, sem saber que, finalmente, poderá ver algum encorajamento. Observe:

(1) O pranto não deve impedir a busca. Embora ela estivesse chorando, ela se abaixou e olhou dentro do sepulcro.

(2) Aqueles que procuram com afeto, que procuram em lágrimas, têm probabilidade de procurar e encontrar.

Anúncios

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CRIANDO FILHOS MAIS SAUDÁVIS E FELIZES

Na tentativa de serem “bons pais”, muitos erram apesar das boas intenções: investem em uma rotina cheia de compromissos escolares e extracurriculares para a criança, envolvem-se nas dificuldades dos filhos a ponto de querer resolvê-las ou, ainda, deixam de cuidar de si com a justificativa de que é preciso cuidar do outro. Especialistas apontam atitudes que podem prejudicar o desenvolvimento de habilidades necessárias para uma vida adulta mais feliz e autônoma.

criando filhos mais saudáveis e felizes

 1. PERMITIR MOMENTOS DE ÓCIO E TÉDIO.

Escola, esporte, cursos extracurriculares. Muitas crianças têm agendas dignas de adultos muito atarefados, com poucas horas livres ao longo do dia. Até mesmo nos fins de semana e férias, que não raro são pré-programados com passeios e viagens. Efeito da nossa cultura, que não vê com bons olhos “não ter o que fazer”. No entanto, estudos sugerem que seguir rotina cheia de compromissos desde cedo pode prejudicar a criança. Um deles, publicado na Frontiers of Psychology em 2014, relaciona a quantidade de atividades estruturadas, como aulas de futebol ou dança, no dia a dia de crianças de 6 anos ao menor desenvolvimento de uma “função executiva autodirigida”. Basicamente, esse processo mental ajuda os pequenos a regular emoções e definir e atingir metas por conta própria, além de ser associado a maior estabilidade emocional e profissional na vida adulta. O que os pais podem fazer então? “Deixe que seus filhos caiam na monotonia e descubram algo para fazer por conta própria”, sugere o psicólogo Michael Ungar, codiretor do Centro de Pesquisa de Resiliência da Universidade Dalhousie, em Nova Escócia. “O tédio num contexto hiperestimulado pode permitir exercer a criatividade e desenvolver a iniciativa, a persistência e a sensação de que podem influenciar o mundo”, explica.

2. DEIXAR QUE RESOLVAM PROBLEMAS.

Não são poucos os pais excessivamente protetores, que se envolvem nas dificuldades cotidianas dos filhos além da conta. A superproteção não favorece o desenvolvimento de habilidades que serão necessárias na vida adulta, como autonomia e resiliência. Pesquisas no campo da autodeterminação relacionam a super­proteção a níveis mais elevados de ansiedade e depressão, notas mais baixas na escola e menor satisfação com a vida quando adultos. “Pouco comprometimento dos pais não é positivo. Mas o envolvimento em demasia também não”, afirma a psicóloga do desenvolvimento Holly H. Schiffrin, professora associada da Universidade de Mary Washington, na Virginia. ” Percebo esse comportamento em sala de aula. Há pais que me procuram para ajustar o horário de aula dos filhos ou ligam para conversar sobre as notas deles. Costumo responder que os próprios alunos podem marcar uma reunião comigo para discutir o assunto”, diz.

3. “COLOCAR A MÁSCARA DE OXIGÊNIO PRIMEIRO”.

A instrução dada antes das viagens de avião é uma boa metáfora da parentalidade – é preciso cuidar de si mesmo para poder cuidar bem de outra pessoa. Mães com diagnóstico de depressão, por exemplo, são mais propensas a ignorar ou a exagerar comportamentos inadequados dos filhos, segundo um estudo longitudinal de dois anos publicado na Psychological Science. Pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia constataram que adultos com TDAH também se tornam pais atenciosos depois de receber tratamento para o distúrbio. Todas as outras atividades cotidianas relacionadas com a saúde também importam. Um estudo de 2015 sobre os dados nacionais de saúde do Reino Unido sugere que o modo de vida dos pais pode ser tão decisivo como a genética na “transmissão” da obesidade. Outra evidência: crianças que participaram de uma pesquisa de 2014 da Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e com pais biológicos com excesso de peso tinham probabilidade 27% maior do que outras de apresentar sobrepeso. Filhos adotados também demonstraram susceptibilidade similar, de 21%. Seguindo essa linha de raciocínio, adotar uma dieta mais saudável e colocar atividades físicas na rotina vai além do autocuidado: é um gesto de amor por aqueles que dependem de nós. Um bom motivo para começar, não?

OUTROS OLHARES

SEM DANOS

Nova cirurgia para extração de tumor de próstata não causa impotência e nem perda de controle urinário.

sem danos

Na medicina brasileira, o mês de novembro é dedicado as campanhas de conscientização sobre o câncer de próstata. De acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Câncer, neste ano devem surgir 68 mil novos casos e o registro de mortes ultrapassará a marca de 13 mil homens. Com características diversas — uns de evolução lenta, outros mais agressivos —, todos podem ser prevenidos a partir da realização regular de exames a partir dos 45 anos. Quando a doença se instala, é possível tratá-la com medicações e radioterapia, por exemplo, para tentar preservar a glândula, responsável pela parte do líquido que forma o esperma. Se isso não for possível, a opção é sua total retirada.

Até muito recentemente, a extração completa da próstata trazia como efeitos colaterais, na maioria dos casos, a perda do controle urinário e da capacidade de ereção. Um grupo de médicos brasileiros, italianos e americanos descreveu na edição de julho do jornal da Associação Europeia de Urologia — o principal do mundo no campo de cirurgias urológicas — uma nova técnica que preserva as funções mesmo com a retirada total da glândula.

O grande desafio de tratar qualquer problema na próstata é ter que trabalhar dentro da área onde a glândula está localizada. Ela fica entre a bexiga e a pelvis, região bastante vascularizada e provida de nervos. Por isso são tão comuns sequelas como a perda da continência urinária e da ereção. O que os médicos fizeram foi modificar a técnica padrão usada na prostatectomia robótica, como é a chamada a cirurgia feita por meio do robô (Da Vinci). “Na operação tradicional, é necessário cortar alguns vasos e nervos que estão na parte anterior da próstata para que seja feita sua remoção”, explica o urologista Rafael Coelho, cirurgião robótico do Hospital Nove de Julho, de São Paulo, e um dos especialistas que assina o artigo publicado no jornal europeu de urologia. “Desenvolvemos um método inédito de retirar a próstata preservando esses vasos.”

RETORNO RÁPIDO

A técnica vem sendo usada pelo mesmo time no Brasil desde 2014. De lá para cá, já são mais de mil pacientes operados. Na amostra usada para o estudo, foi avaliada a evolução de 128 pacientes. Os resultados mostraram eficácia e, mais importante, danos mínimos. Nada menos do que 85% apresentaram controle urinário logo após a cirurgia e, depois de um ano, 98% estavam continentes. “E 87% dos homens recuperaram a capacidade de ereção doze meses após o procedimento”, informa Coelho.

Geralmente, o paciente fica apenas um dia no hospital e é liberado para voltar as atividades em torno de quinze dias. Isso é possível porque a operação é minimamente agressiva, o que reduz riscos de infecção e de sangramento além do devido.

sem danos.2

GESTÃO E CARREIRA

INOVAÇÃO É A ALMA DO NEGÓCIO

Netflix, Dotz e Magazine Luiza on-line são as supercampeãs de atendimento. Executivo da Leroy Merlin vence entre CEOs

inovação é a alma do negócio

Não existe mais zona de conforto no mundo dos negócios. Com a revolução digital, tudo ficou mais rápido, o que parecia cena de filme de ficção científica virou realidade. Carros já podem andar sozinhos. Robôs humanoides – como a Sophia, que esteve numa reunião das Nações Unidas –    ganharam inteligência e emoção. Drones andam fazendo entrega a jato. O mundo virou disruptivo; abalando setores tradicionais da economia, que passaram a ser vistos como ultrapassados na Quarta Revolução Industrial. A Netflix virou o exemplo mais bem-acabado da inovação disruptiva,  segundo Clayton Christensen, o professor da Harvard Business School, que cunhou o termo.

Com 130 milhões de assinaturas pagas em mais de 190 países, o principal serviço de entretenimento por internet do mundo foi escolhido pelos consumidores, no último dia 29, como a empresa supercampeã do Prêmio Época Reclame AQUI 2018. Queremos oferecer uma experiência incrível, diz Luciane Carrillo, gerente da companhia na América Latina. A Netflix deixou a concorrência pelo caminho e já é, desde o começo do ano, um negócio com valor de mercado superior ao da Disney – um feito que os executivos da extinta locadora de vídeo americana Blockbuster, sua principal rival, não puderam prever. E o pior: eles chegaram a apostar, em 2002, que a empresa “não seria financeiramente viável”.

Ao simbolizar a nova era da indústria do entretenimento, a Netflix revolucionou o mercado ao trazer o lazer para todas a plataforma inclusive para a palma da mão. Virou corriqueiro seus assinantes assistirem a filmes ou a séries no metrô, no ônibus, no avião. “O Brasil é um mercado muito relevante para a Netflix, sendo uma de nossas primeiras expansões internacionais, que       começamos há sete anos”, lembrou Carrillo. Grandes players do mercado perderam para empresas   de menor porte que estão provocando uma transformação na economia e desestabilizando mercados tradicionais empresa líderes de seus segmentos.

Dotz, uma marca jovem e dinâmica, criou uma moeda virtual que pode ser trocada por produtos, serviços e viagem. Foi eleita a empresa que mais evoluiu em 2018. “Comemos o Brasil pela beirada e viramos o maior programa de fidelidade do país por número de participantes”, comentou Daniel José de Oliveira Neto, gerente de Experiência com o Cliente. Não à toa a empresa ganhou o prêmio de maior evolução. Todos os diretores gravaram vídeos se desculpando pessoalmente com o cliente em caso de alguma reclamação. Oliveira Neto, por exemplo, já protagonizou pouco mais de 120 vídeos. Tudo é gravado num estúdio montado dentro da empresa. Não falamos um texto-padrão porque a ideia é conversar diretamente com o consumidor, explicou.

Em 2019, a Dotz vai colocar o pé em São Paulo, o maior mercado consumidor do país. Está de olho no varejo de alimentação, no qual colocará em circulação sua moeda virtual, seu cartão de compra, batizado com o nome da empresa, irá circular em supermercados, postos de gasolina, farmácias e      empresas de telefonia. E também em lojas de brinquedos, roupas e material de construção. “Queremos ser a maior empresa de coalização do varejo”, disse Oliveira Neto.

A loja on-line do Magazine Luiza foi a campeã de atendimento. O negócio vem registrando taxa de crescimento bem acima da média do mercado. No balanço do segundo trimestre, a empresa registrou um crescimento de 66,1 % no e-commerce em comparação a uma expansão de 13,2% desse segmento de mercado. As vendas das lojas on-line respondem atualmente por 33% das vendas totais do grupo, incluindo as lojas físicas, que somam 900 pontos de venda. “Estamos crescendo acima da média do mercado”, comemorou Beatriz Menezes, gerente de atendimento da empresa.

Coube ao executivo Alain Rickeboer, diretor-geral da Leroy Merlin, o título de CEO RA 1000. O francês chegou ao Brasil há 21 anos e, como expatriado do grupo, começou a trabalhar em São Paulo. A época, a Leroy Merlin não tinha ainda nenhuma loja no país. Duas décadas depois, o grupo soma 41 loja distribuídas por 12 estados, além do Distrito Federal. A frente de 9.500 colaboradores e administrando um negócio que fatura R 5,3 bilhões, o grupo tem no Brasil um de seus mercados mais importantes entre os 14 países em que está presente

ALIMENTO DIÁRIO

JOÃO 20: 1-10 – PARTE IV

alimento diário

A Ressurreição

 

IV – Pedro e João, tendo chegado ao sepulcro, pros­ seguem com as buscas, mas não descobrem muita coisa.

1. João não foi mais além do que Maria Madalena.

(1) Ele teve a curiosidade de olhar dentro do sepulcro, e viu que estava vazio. Ele se abaixou e olhou dentro. Aqueles que desejam encontrar o conhecimento de Cristo devem se abaixar, e olhar para dentro, devem, com o coração humilde, se submeter à autoridade da revelação divina, e devem olhar com atenção.

(2) Mas ele não teve coragem de entrar no sepulcro. Os mais calorosos afetos nem sempre são acompanhados pela determinação mais ousada. Muitos são rápidos na corrida da religião, mas não se esforçam o suficiente para lutar suas batalhas com a coragem, a robustez e a perseverança necessárias.

2. Pedro, embora chegasse depois, entrou primeiro, e fez uma descoberta mais precisa do que aquela que João tinha feito, vv. 6,7. Embora João corresse mais depressa do que ele, Pedro não voltou para trás, nem permaneceu parado, mas correu atrás dele, tão rápido quanto podia. E, enquanto João olhava dentro, com muita atenção, Pedro chegou e, com grande coragem, “entrou no sepulcro”.

(1) Observe aqui a ousadia de Pedro, e como Deus reparte seus dons de maneira variada. João podia correr mais depressa do que Pedro, mas Pedro tinha mais coragem do que João. Raramente, é verdade para todas as pessoas o que Davi diz poeticamente a respeito de Saul e Jônatas, que eles eram “mais ligeiros do que as águias” e “mais fortes do que os leões”, 2 Samuel 1.23. Alguns discípulos são rápidos, e são úteis para despertar aqueles que são mais lentos. Outros são ousados, e são úteis para incentivar aqueles que são medrosos. Diversidade de dons, mas um só Espírito. Pedro aventurando-se no sepulcro pode nos ensinar:

[1] Que aqueles que, com ardor, procuram a Cristo, não devem se assustar com temores irracionais e fantasias tolas: “Há um leão no caminho, um fantasma no sepulcro”.

[2] Que os bons cristãos não devem ter medo do sepulcro, uma vez que Cristo já esteve nele. Pois para eles não há nada assustador no sepulcro. Não é o poço da destruição, nem são os vermes que nele há, vermes eternos. Portanto, não alimentemos, mas derrotemos, o medo que podemos sentir com a visão de um cadáver, ou por estarmos sozinhos entre os sepulcros. E, como em breve deveremos morrer e estar no sepulcro, devemos tornar a morte e o sepulcro familiares, como se fossem nossos parentes próximos, Jó 17.14.

[3] Devemos desejar passar pelo sepulcro para ir até Cristo. Este caminho, Ele percorreu para sua glória, e também nós devemos fazê-lo. Se não pudermos ver a face de Deus e viver, será melhor morrer, contemplando-a, do que nunca vê-la. Veja Jó 19.25ss.

(2) Observe a posição na qual Pedro encontrou as coisas no sepulcro.

[1] Cristo tinha deixado seus lençóis ali. Com que roupas Ele se manifestou aos seus discípulos, não sabemos, mas Ele nunca apareceu nos seus lençóis, como se supõe que fazem os fantasmas. Não, Ele os deixou ali, “à parte”, em primeiro lugar, porque, “havendo Cristo ressuscitado dos mortos, já não morre; a morte não mais terá domínio sobre ele”, Romanos 6.9. Lázaro saiu com seus lençóis, pois ele iria usá-los outra vez. Mas Cristo, ressuscitando para uma vida imortal, saiu livre destes estorvos. Em segundo lugar, porque Ele seria vestido com as vestes da glória, por isto deixa de lado estes trapos. No paraíso celestial, não haverá mais ocasião para roupas, como havia no terreno. O profeta que ascendeu deixou cair seu manto. Em terceiro lugar, quando ressuscitamos da morte do pecado para avida da justiça, nós precisamos deixar para trás nossos lençóis, devemos nos despir de toda a nossa corrupção. Em quarto lugar, Cristo os deixou no sepulcro, de certo modo, para nosso proveito, mostrando que o sepulcro é uma cama temporária para os santos. Assim, o Senhor preparou esta cama, e a deixou pronta para eles. O lenço propriamente dito é para o uso dos sobreviventes pranteadores, para enxugarem suas lágrimas.

[2] Os lençóis foram encontrados arrumados, o que serve como evidência de que seu corpo não tinha sido roubado enquanto os homens dormiam. Ladrões de sepulcros eram conhecidos por levar as roupas e deixar o corpo. Mas nenhum [anteriormente às práticas dos ressurrecionistas modernos] jamais levou o corpo e deixou as roupas, especialmente quando eram lençóis finos e novos, Marcos 15.46. Qualquer pessoa preferiria levar um corpo vestido nas suas roupas a levá-lo nu. Ou, se aqueles que supostamente o roubaram deixaram os lençóis, então não se pode supor que eles tenham tido o tempo suficiente para dobrar os lençóis, e o cuidado de fazê-lo.

(3) Veja como a coragem de Pedro incentivou João: agora ele se encorajou e entrou (v. 8), “e viu, e creu”. Não creu simplesmente no que Maria tinha dito, que o corpo tinha sido levado (não se lhe deve elogio por ter crido na­ quilo que viu), mas começou a crer que Jesus tinha res­ suscitado, embora sua fé ainda fosse fraca e hesitante.

[1] João seguiu a Pedro na aventura. Aparentemente, ele não teria entrado no sepulcro, se Pedro não tivesse entrado antes. Observe que é bom ser encorajado em um bom trabalho, pela coragem de outros. O temor da dificuldade e do perigo será removido observando a resolução e a coragem de outros. Talvez a rapidez de João tivesse feito Pedro correr mais rápido, e agora a coragem de Pedro fazia João aventurar-se mais do que um ou o outro, de outra maneira, teriam feito. Embora Pedro tivesse recentemente caído na desgraça de ser um desertor, e João tivesse sido promovido à honra de um confidente (tendo Cristo lhe confiado a tarefa de cuidar de sua mãe), ainda assim João não somente se associou a Pedro, mas não viu nenhum disparate em segui-lo.

[2] Mas, aparentemente, João antecipou a Pedro na fé. Pedro viu e admirou-se (Lucas 24.12), mas João viu e creu. Uma mente disposta à contemplação pode, talvez, receber a evidência da verdade divina mais rapidamente do que uma mente disposta à ação. Mas qual foi o motivo pelo qual eles foram tão lentos de coração em crer? O evangelista nos diz (v. 9): “Porque ainda não sabiam a Escritura”, isto é, eles não levaram em consideração, nem aplicaram, nem aproveitaram devidamente, o que conheciam da Escritura, “que diz que era necessário que [Ele] ressuscitasse dos mortos”. O Antigo Testamento falava da ressurreição do Messias. Eles creram que Ele era o Messias. Ele mesmo lhes tinha dito frequentemente que, de acordo com as Escrituras do Antigo Testamento, Ele ressuscitaria. Mas eles não tiveram a presença de espírito suficiente para explicar as aparências atuais com base nas Escrituras. Observe aqui, em primeiro lugar, como os discípulos foram inaptos, a princípio, a crer na ressurreição de Cristo, o que confirma o testemunho que posteriormente eles deram, com tanta segurança, a respeito dela. Pois, pela sua lentidão em crer, parece que eles não foram crédulos a respeito dela, nem foram daqueles que creem em tudo o que ouvem. Se eles tivessem tido qualquer desejo de promover seus próprios interesses com isto, avidamente teriam capturado o primeiro lampejo da sua evidência, teriam incentivado e apoiado as expectativas um do outro, e teriam preparado as mentes daqueles que os seguiam para receber as notícias deste fato. Mas nós vemos, ao contrário, que suas esperanças se frustraram, isto lhes pareceu uma coisa estranha, e uma das coisas mais distantes dos seus pensamentos. Pedro e João estavam tão relutantes em crer nisto, a princípio, que nada menos do que a mais convincente prova que o evento pudesse produzir poderia levá-los a testemunhá-lo, posteriormente, com tanta segurança. Parece que eles não somente eram homens honestos, que não desejavam enganar aos outros, mas homens cautelosos, que não desejavam ser coagidos. Em segundo lugar, qual foi a razão da sua lentidão em crer: “Ainda não sabiam a Escritura”. Este parece ser o reconhecimento do evangelista, da sua própria culpa, entre os demais. Ele não diz: “Porque Jesus ainda não tinha se manifestado a eles, não tinha mostrado a eles suas mãos e seu lado”, mas: “Porque Ele ainda não tinha aberto seu “entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lucas 24.44,45), pois esta é a mensagem profética mais segura.

3. Pedro e João não prosseguiram na sua busca, mas desistiram, oscilando entre a fé e a incredulidade (v. 10): “Tornaram, pois, os discípulos para casa”. Eles voltaram para seus amigos e companheiros, os demais discípulos, nos seus próprios alojamentos, pois eles não tinham nenhuma casa em Jerusalém. Eles foram embora:

(1) Por medo de serem considerados suspeitos de roubar o corpo, ou de serem acusados disto, agora que o corpo tinha desaparecido. Em vez de fortalecerem sua fé, sua preocupação é a de proteger a si mesmos, de fugir para sua própria segurança. Em tempos difíceis e perigosos, é difícil, até mesmo para os homens bons, prosseguir no seu trabalho com a determinação que lhes convém.

(2) Porque estavam confusos, e não sabiam o que deveriam fazer a seguir, nem como entender o que tinham visto. Portanto, não tendo coragem de permanecer no sepulcro, eles decidem ir para casa, e esperar até que Deus lhes revele o que aconteceu, uma atitude que exemplifica a fraqueza que ainda tinham em si mesmos.

(3) É provável que os demais discípulos estivessem reunidos. Eles retornam para junto deles, para contar o que tinham descoberto, e para consultar com eles o que devia ser feito, e, provavelmente, agora convocaram a reunião para o período da tarde, quando Cristo veio a eles. Deve-se observar que antes que Pedro e João fossem ao sepulcro, um anjo tinha aparecido ali, afastado a pedra, assustado os guardas e consolado as mulheres. Tão logo eles se afastaram do sepulcro, Maria Madalena vê dois anjos no sepulcro (v. 12), mas Pedro e João foram ao sepulcro, e entraram nele, e não viram nenhum anjo. Como devemos entender isto? Onde estavam os anjos quando Pedro e João estavam no sepulcro, tendo aparecido ali antes e depois dos apóstolos?

[1] Os anjos aparecem e desaparecem quando querem, de acordo com as ordens e instruções que lhes são dadas. Eles podem estar, e estão, realmente, onde não são visíveis. Na verdade, aparentemente, podem ser visíveis a uns e não a outros, ao mesmo tempo, Números 22.23; 2 Reis 6.17. É presunção desejarmos perguntar como eles se fazem visíveis, e depois invisíveis, e depois visíveis novamente. Mas o fato de que fazem isto fica evidente, com base nesta história.

[2] Este favor foi mostrado àqueles que foram muito adiantados e constantes na sua procura por Cristo, e foi a recompensa daqueles que vieram primeiro e ficaram até o final, mas foi negado àqueles que fizeram uma visita rápida.

[3] Os apóstolos não deviam receber suas instruções dos anjos, mas do Espírito da graça. Veja Hebreus 2.5.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

BEBÊS SÃO MAIS ESPERTOS DO QUE VOCÊ IMAGINA

Crianças desvendam o mundo de um modo muito semelhante ao dos cientistas: por meio de experimentos, análises estatísticas e formação de teorias intuitivas em relação à fenômenos físicos, biológicos e psicológicos.

bebês são mais espertos do que você imagina

Há 30 ou 40 anos, a maioria dos psicólogos, filósofos e psiquiatras julgava que bebês e crianças pequenas eram irracionais, egocêntricas e amorais. Acreditavam que se limitavam ao concreto, ao aqui e agora – incapazes de compreender causas e efeitos, imaginar as experiências de outras pessoas ou apreciar a diferença entre a realidade e a fantasia. E, frequentemente, crianças ainda são vistas por leigos como “adultos imperfeitos”.

Nas últimas três décadas, porém, cientistas descobriram que até os bebês com poucas semanas sabem bem mais do que supúnhamos. Além disso, estudos têm mostrado um fato curioso:     crianças desvendam o mundo de um modo muito semelhante ao utilizado por cientistas, recorrendo a experimentos, análises estatísticas e formação de teorias intuitivas no âmbito físico, biológico e psicológico. No entanto, há pouco mais de uma década pesquisadores começaram a   compreender os mecanismos computacionais, evolutivos e neurológicos subjacentes que escoram   notáveis aptidões precoces. Essas descobertas revolucionárias não apenas mudam nossos conceitos sobre bebês, mas também apresentam novas perspectivas sobre a natureza humana.

Por que nos enganamos tanto, e durante tanto tempo, sobre os bebês? De fato, se observarmos crianças de 4 anos ou menos, poderemos concluir que não há grande atividade intelectual. Afinal, bebês não sabem falar. E até as crianças em idade pré-escolar não têm muita destreza para relatar o que pensam. Faça uma pergunta vaga a uma criança de 3 anos e provavelmente receberá como resposta um lindo – mas incompreensível – monólogo, com palavras fluindo livremente, nem sempre com a coerência valorizada pelos adultos. Até precursores do estudo do funcionamento da mente infantil, como o psicólogo suíço Jean Piaget, concluíram que o pensamento dos pequenos era egocêntrico, “pré – causal” (sem noção de causa e efeito), irracional e ilógico.

bebês são mais espertos do que você imagina.2

FÍSICA PARA OS PEQUENOS

Abordagens científicas iniciadas no final da década de 70 dependem de técnicas que focalizam o que bebês e crianças pequenas fazem – e não o que falam. Bebês se detêm mais demoradamente em situações novas e inesperadas que naquelas previsíveis – e os pesquisadores podem utilizar esse comportamento para tentar descobrir o que os pequenos esperam acontecer.  Entretanto, os resultados mais contundentes vêm de estudos que também consideram as ações: que objetos os bebês tentam agarrar ou alcançar engatinhando? Como imitam as ações de crianças mais velhas e de adultos?

Embora os muito jovens tenham grande dificuldade para nos dizer o que pensam, podemos utilizar a linguagem com mais sutileza para induzi-las a revelar o que sabem. O pesquisador Henry Wellman, da Universidade de Michigan em Ann Arbor, por exemplo, analisou gravações de conversas infantis espontâneas para obter pistas sobre como os pequeninos pensam. Podemos lhes fazer uma pergunta muito direta, pedindo que escolham entre apenas duas alternativas, em vez de outra mais vaga e aberta.

Em meados dos anos 80 e até a década seguinte, os cientistas que aplicaram essa técnica descobriram que os bebês já sabem muita coisa a respeito do mundo que os cerca. E esse conhecimento vai muito além do concreto, das sensações de aqui e agora. Pesquisadores como as doutoras em psicologia Renée Baillargeon, da Universidade de Illinois, e Elizabeth S. Spelke, da Universidade Harvard, constataram que bebês entendem relações físicas elementares, como trajetórias de movimento, gravidade e contenção. Olham mais pausadamente para um carrinho que parece atravessar uma parede sólida que para situações que se encaixam em princípios fundamentais da física cotidiana.

Ao atingirem 3 ou 4 anos, as crianças têm ideias básicas sobre biologia e uma compreensão inicial de crescimento, herança genética e processos de adoecimento. Isso revela que elas vão além das aparências perceptivas superficiais quando pensam sobre objetos ou fenômenos. A doutora em psicologia com especialização em linguística Susan A. Gelman, também de Michigan, descobriu que elas acreditam que animais e plantas têm uma “essência” – algo invisível que permanece imutável, mesmo quando os aspectos externos mudam. Para bebês e crianças pequenas, o conhecimento mais importante de todos é o de outras pessoas. O doutor em psicologia Andrew N. Meltzoff, codiretor do Instituto do Aprendizado e Ciências do Cérebro e pesquisador da Universidade de Washington, demonstrou que recém-nascidos já entendem que pessoas são especiais e imitarão suas expressões faciais.

A cientista Betty Repacholi e eu constatamos, em 1996, que bebês de 18 meses entendem que eu posso querer uma coisa, enquanto você quer outra. Durante o experimento, uma pesquisadora mostrava a dois grupos de crianças, um de 1 ano e 2 meses e outro de 1 ano e meio, uma tigela com brócolis e outra com biscoitos em forma de peixinhos, e depois experimentava um pouco dos dois, fazendo uma expressão de desagrado ou apreciação. Em seguida, ela entregava o recipiente aos bebês e, na sequência, estendia a mão e perguntava: “Vocês podem me dar um pouco?”. As crianças de 1 ano e meio lhe deram brócolis quando ela agiu como se gostasse, embora não o escolhessem para si mesmas. (As de 1 ano e 2 meses sempre lhe deram biscoitos). Conclusão: nem mesmo nessa tenra idade as crianças são completamente egocêntricas, pois têm a capacidade de assimilar a perspectiva de outra pessoa, ainda que de modo simplificado. Aos 4 anos, sua compreensão de psicologia cotidiana é ainda mais refinada. Conseguem explicar, por exemplo, se uma pessoa está agindo estranhamente porque acredita em algo que não é verdade.

No fim do século 20, os experimentos haviam mapeado um impressionante conhecimento abstrato e sofisticado sobre bebês, bem como uma igualmente admirável quantidade de informações à medida que as crianças cresciam. Alguns cientistas chegam a argumentar que os bebês parecem nascer cientes de muita coisa que os adultos sabem sobre objetos, pessoas e seus comportamentos. Sem dúvida, recém-nascidos estão longe de ser páginas em branco, mas as mudanças no conhecimento infantil sugerem também que os bebês aprendem sobre o mundo que os cerca por meio das próprias experiências.

bebês são mais espertos do que você imagina.3

EXPERTS EM ESTATÍSTICA

Um dos maiores mistérios da psicologia e da filosofia é como os seres humanos desvendam o mundo com base em um desnorteante emaranhado de dados sensoriais. No decorrer da última década, pesquisadores começaram a entender muito mais como bebês e crianças pequenas são capazes de aprender com tanta rapidez e perspicácia. Em particular, descobrimos que têm uma extraordinária habilidade de assimilação de padrões estatísticos.

Os pesquisadores Jenny R. Saffran, Richard N. Aslin e Elissa L. Newport, todos então da Universidade de Rochester, demonstraram essa capacidade pela primeira vez em estudos sobre os padrões de sons da linguagem. Eles tocaram sequências silábicas com regularidades estatísticas para alguns bebês de 8 meses. Por exemplo, “bi” podia seguir a sílaba “ro” apenas 30% das vezes, enquanto “da” sempre ocorria na sequência de “bi”. Em seguida, tocaram novas séries de sons que podiam ou não seguir esse padrão. Os bebês prestaram atenção mais demoradamente às sequências estatisticamente incomuns. Estudos mais recentes mostram que bebês conseguem detectar padrões estatísticos de tons musicais e cenas visuais, bem como padrões gramaticais mais abstratos.

São até capazes de compreender a relação entre uma amostra estatística e população. Em um estudo de 2008, minha colega Fei Xu, da Universidade da Califórnia em Berkeley, mostrou a bebês de 8 meses uma caixa cheia de bolas de pingue-pongue misturadas: por exemplo, 80% brancas e 20% vermelhas. A pesquisadora então tirava cinco bolas de modo aparentemente aleatório. Os bebês ficaram mais surpresos (ou seja, observaram a cena mais demorada e intensamente) quando ela tirava da caixa quatro bolas vermelhas e uma branca – resultado improvável – do que quando ela extraia quatro brancas e uma vermelha.

Detectar padrões estatísticos é apenas o primeiro passo na descoberta científica. Mais impressionante ainda é que, assim como cientistas, as crianças usam esses dados para tirar conclusões sobre o mundo. Em uma variante do estudo com bolas de pingue-pongue, envolvendo bebês de 1 ano e 8 meses, foram utilizados sapos verdes e patos amarelos. A pesquisadora tirava cinco brinquedos da caixa e em seguida pedia a uma das crianças que lhe desse um bichinho igual aos que estavam sobre a mesa. Os pequenos voluntários se envolveram plenamente na brincadeira e não demonstraram espontaneamente nenhuma preferência de cor quando a experimentadora retirava mais sapos verdes da caixa de brinquedos onde a maioria era verde. Mas lhe davam especificamente um pato amarelo quando ela retirava mais patos da caixa. As crianças concluíram que sua seleção estatisticamente improvável significava que ela não agia de forma aleatória, mas simplesmente devia preferir patos.

Em meu laboratório temos investigado como crianças pequenas utilizam evidências estatísticas e experimentações para descobrir causas e efeitos e concluímos que sua maneira de pensar está longe de ser “pré ­ causal”. Nós lhes mostramos um aparelho que chamamos de detector blicket, uma máquina que acende uma luz e toca música quando você deposita certas coisas nela, mas não outras. Com ela, podemos fornecer às crianças padrões de evidências sobre o detector e observar suas conclusões causais. Quais são os objetos do blicket?

Em um trabalho com a mestre em estatística e doutora em psicologia cognitiva Tamar Kushnir, diretora do Laboratório de Cognição na Primeira Infância da Universidade Cornell, descobrimos que crianças em idade pré-escolar sabiam aplicar probabilidades para aprender como a máquina   funciona. Colocamos várias vezes um de dois blocos sobre o aparelho, e a luz acendia duas em cada três vezes para o cubo amarelo, mas apenas duas em cada seis vezes para o azul. Então demos os blocos às crianças e pedimos que “acendessem a máquina”. Embora ainda incapazes de somar ou subtrair, elas provavelmente colocariam o cubo amarelo, de maior probabilidade, em cima da máquina.

E realmente escolheram de forma correta quando balançamos o bloco de alta probabilidade   sobre o equipamento, ativando-o, mas sem tocá-lo. Embora pensassem que esse tipo de “ação a distância” fosse improvável no início do experimento (nós perguntamos sobre isso), meninos e meninas sabiam como empregar a probabilidade para descobrir fatos inéditos e surpreendentes a respeito do mundo.

Em outro experimento, a doutora em ciência cognitiva Laura Schulz e eu mostramos a crianças de 4 anos um brinquedo com um interruptor e duas engrenagens em cima – uma azul e outra vermelha. As engrenagens giram quando você aciona o interruptor. Esse brinquedo simples pode funcionar de várias maneiras. Talvez o interruptor faça as duas engrenagens se moverem simultaneamente, ou talvez o interruptor acione a engrenagem azul, que aciona a vermelha, e assim por diante. Mostramos às crianças fotos ilustrando cada uma das possibilidades – a engrenagem vermelha empurraria a azul, por exemplo. Depois, mostramos brinquedos que funcionavam de um ou outro desses jeitos e lhes fornecemos evidências bastante complexas sobre o funcionamento de cada um deles. Por exemplo, as crianças que receberam o “brinquedo causal sequencial” percebiam que, se você removesse a engrenagem azul e acionasse o interruptor, a engrenagem vermelha continuava se movendo; mas, se a engrenagem vermelha fosse tirada e o interruptor acionado, nada acontecia. Pedimos às crianças que escolhessem a imagem que ilustrava o funcionamento do brinquedo. As de 4 anos foram as que se saíram surpreendentemente bem ao determinar como o brinquedo funcionava, com base no padrão de evidências que lhes foi apresentado. Além disso, quando outras crianças foram deixadas a sós com o aparelho, elas brincaram com as engrenagens de um modo que as ajudasse a aprender como ele funcionava – como se estivessem   experimentando.

Outro estudo de Laura Schulz envolveu um brinquedo com duas alavancas que faziam aparecer um pato e um fantoche. A um grupo de pré-escolares foi mostrado que o pato surgia quando se pressionava uma alavanca, e o fantoche, ao apertar a outra. O segundo grupo viu que, ao acionar as duas alavancas simultaneamente, os dois brinquedos despontavam, mas as crianças desse grupo nunca tiveram uma chance de ver o que as alavancas faziam separadamente. Em seguida, a pesquisadora fez com que as crianças brincassem com a engenhoca. As do primeiro grupo se entretiveram muito menos que as do segundo. Já sabiam como ela funcionava e estavam menos interessadas em investigá-la. A segunda turma deparou com um mistério, brincou espontaneamente com o aparelho e logo descobriu qual alavanca fazia o quê.

Esses estudos sugerem que, quando crianças brincam voluntariamente, deixando-se envolver livremente, exploram também causas e efeitos e fazem experimentos – o modo mais eficaz de descobrir como funciona o mundo.

bebês são mais espertos do que você imagina.4

“VAMOS DESCOBRIR…”

Obviamente, crianças não fazem experiências nem analisam estatísticas do modo intencional e consciente como cientistas adultos. Entretanto, o cérebro infantil deve estar processando informações inconscientemente de uma maneira que se iguala aos métodos de descobertas científicas. Embora depois da descoberta da plasticidade neural a ideia de que o cérebro funcione como uma máquina tenha se tornado controversa – e, sob muitos aspectos, simplista -, podemos tomar aqui, com ressalvas, a liberdade de compará-lo a um tipo de computador desenvolvido pela evolução e programado por experiência. Cientistas de computação e filósofos começaram a aplicar   ideias matemáticas sobre probabilidade para compreender as potentes habilidades de aprendizagem de cientistas – e crianças. Uma nova abordagem para desenvolver programas de computador para aprendizado mecanizado utiliza os chamados modelos probabilísticos, conhecidos também como modelos bayesianos ou redes de Bayes. O programa pode solucionar complexos problemas de expressões genéticas ou ajudar a entender mudanças climáticas. Essa abordagem também levou a novos conceitos sobre como os computadores cerebrais infantis poderiam funcionar.

Os modelos probabilísticos combinam duas ideias básicas. Primeiro, aplicam a matemática para descrever as possíveis explicações que as crianças têm para coisas, pessoas ou palavras. Por exemplo, podem os representar o conhecimento causal de uma criança como um mapa das relações causais entre acontecimentos. Para reproduzir essa hipótese, uma seta poderia apontar, por exemplo, “pressione a alavanca azul” para “pato aparece”.

Segundo, os programas sistematicamente vinculam as hipóteses à probabilidade de diferentes padrões de acontecimentos – como os modelos que emergem de experimentos e análises estatísticas na ciência. Suposições que se adequam melhor aos dados tornam-se mais prováveis. Tenho argumentado que o cérebro infantil também poderia relacionar hipóteses sobre o mundo a padrões de probabilidade. Crianças raciocinam de maneira complexa e sutil, que não pode ser explicada através de simples regras ou associações.

Em pesquisa recente, meu grupo constatou que crianças pequenas que pensam estar sendo instruídas modificam suas análises estatísticas e, consequentemente, podem tornar-se menos criativas. Nesse caso, a experimentadora mostrou a meninos e meninas de 4 anos um brinquedo que tocava música se elas executassem a sequência correta de ações nele, como puxar uma alça e depois apertar uma lâmpada. A pesquisadora disse a algumas das crianças “não sei como esse brinquedo funciona – vamos descobrir”. E começou a experimentar diante delas várias ações sequenciais mais longas, algumas das quais terminavam com a sequência curta e produziam música, outras não. Ao pedir às crianças que fizessem o brinquedo funcionar, muitas delas tentaram a série curta e correta, omitindo, de forma astuta, movimentos que provavelmente eram supérfluos com base nas estatísticas do que haviam observado.

A outro grupo de crianças, a experimentadora disse que ensinaria como o brinquedo funcionava ao lhes mostrar as sequências que produziam música e as que não o faziam, e ela manuseou o equipamento de acordo com isso. Ao serem solicitadas a fazer o brinquedo funcionar, essas crianças nunca tentaram um atalho de ações. Em vez disso, elas imitaram exatamente toda a sequência de movimentos mostrada. Essas crianças estavam ignorando as estatísticas do que viram? Talvez não. O comportamento delas é precisamente descrito por um modelo bayesiano, em que se espera que o “professor” escolha as sequências mais instrutivas. Em outras palavras: se ela soubesse que séries mais curtas de ações funcionavam, não lhes teria mostrado os movimentos desnecessários.

bebês são mais espertos do que você imagina.5

PROJETADOS PARA APRENDER

Se o cérebro é um computador projetado pela evolução, também podemos perguntar quais são as   justificativas evolucionárias e a base neurológica para as extraordinárias aptidões de aprendizagem que observamos em crianças muito jovens. O pensamento biológico recente está plenamente de acordo com o que constatamos no laboratório de psicologia.

Da perspectiva evolucionária, uma das coisas mais admiráveis sobre os seres humanos é nosso longo período de imaturidade. Nós temos uma infância muito mais prolongada que qualquer outra espécie. Por que fazer com que os bebês sejam tão indefesos, durante tanto tempo e, assim, exigir que os adultos empenhem tanto trabalho e dedicação para mantê-los vivos?  No reino animal, a inteligência e a flexibilidade dos adultos estão correlacionadas com a imaturidade dos filhotes.  Espécies “precociais”, como galinhas, dependem de capacidades inatas, altamente especificas, adaptadas a um nicho ambiental em particular e, por isso, amadurecem rapidamente. Já as   “altriciais” (cujas proles necessitam de cuidados e alimentação pelos pais) dependem do aprendizado.  As gralhas são capazes de catar um objeto novo, como um pedaço de arame, e   descobrir como transformá-lo em uma ferramenta, mas seus filhotes dependem de seus pais muito mais tempo que os pintinhos.

Uma estratégia de aprendizado tem muitas vantagens, mas até que este se concretize a criaturinha está indefesa. A evolução soluciona esse problema com uma divisão de trabalho entre bebês e adultos. Os bebês desfrutam um período protegido para aprender sobre seu meio ambiente, sem de fato precisarem fazer nada. Ao crescerem, eles podem aplicar seu conhecimento e descobrir o que é melhor para sobreviver e se reproduzir – e cuidar da próxima geração. Os bebês são projetados para aprender.

Neurocientistas começaram a entender alguns mecanismos cerebrais que permitem todo esse aprendizado. O cérebro de bebês é mais flexível que o de adultos, tem muito mais conexões entre os neurônios, embora nenhuma delas seja particularmente eficiente, mas com o passar do tempo os conectores inutilizados são desbastados e os úteis se tornam mais fortes. O cérebro de bebês tem também um nível elevado daquelas substâncias químicas que mudam facilmente as conexões.

A região cerebral chamada córtex pré-frontal é distintamente humana e leva um tempo longo para amadurecer. As capacidades de concentração, planejamento e ações eficientes dos adultos são governadas por essa área e dependem do longo aprendizado que ocorre na infância. Os circuitos dessa área podem não estar plenamente desenvolvidos até os 20 e poucos anos.

A falta de controle pré-frontal em crianças pequenas parece ser um enorme obstáculo, mas na realidade pode ser tremendamente útil para o aprendizado. A região pré-frontal inibe   pensamentos ou ações irrelevantes, mas o fato de serem desinibidos pode ajudar bebês e crianças pequenas a explorar o mundo livremente. Existe uma permuta entre a aptidão para explorar criativamente e aprender com flexibilidade, como uma criança, e a capacidade de planejar e agir com eficiência, como um adulto. Mas precisamente essas qualidades necessárias para agir com competência – como um rápido processamento automático e um circuito cerebral refinado e coerente – podem ser intrinsecamente antitéticas às propriedades úteis ao aprendizado, como a flexibilidade.

Uma nova imagem de infância e natureza humana emerge das pesquisas da última década. Longe de serem meros adultos inacabados, os bebês e as crianças pequenas são primorosamente projetados pela evolução para mudar e criar, aprender e explorar. Essas aptidões, tão inerentes ao significado de ser humano, aparecem em suas formas mais puras nos mais tenros anos de nossa vida. Nossas realizações mais valiosas são possíveis porque já fomos crianças dependentes e indefesas, e não apesar disso. Infância e dedicação são fundamentais para nossa qualidade de seres humanos.

bebês são mais espertos do que você imagina.6

O SALTO COGNITIVO E A TEORIA DA MENTE

Do ponto de vista neurológico, nossos cérebros estão equipados para nos permitir pensar sobre nós mesmos e a respeito dos outros – e assim criar formulações, prever intenções e, consequentemente, comportamentos das pessoas. Essa capacidade nos permite a interação social ao fazer parte de grupos, aprender e cooperar. As primeiras hipóteses sobre essa capacidade – denominada teoria da mente – surgiram há quase meio século, quando foi constatado que, por volta dos 4 anos, as crianças experienciavam uma espécie de “salto cognitivo” bastante significativo. A forma padrão para testar a teoria da mente de uma criança é narrar uma história usando fantoches, apresentando a ela cenas que permitem, ao término, questioná-la sobre o que o boneco pensaria em determinada situação. Por volta dos 4 anos, os pequenos costumam dizer, com confiança, o que o personagem gostaria que ocorresse ou que tem intenção de fazer, percebendo nuances da realidade. Por exemplo: se um fantoche está enganado sobre algo, a criança consegue saber o que ele pensa, qual é seu engano e o que de fato aconteceu sem que ele tenha percebido.

Por si só, esse “ir e vir” mental já indica uma sofisticação psíquica bastante grande em crianças pequenas. Há poucos anos, porém, foi publicado na Science um estudo mostrando que a teoria da mente já podia ser observada em bebês a partir de 15 meses. Embora não pudessem responder, eles acompanhavam a história dos bonecos e detinham o olhar em cenas que os surpreendiam. Quando um dos personagens procurava um brinquedo em um lugar onde não deveria esperar encontrá-lo, os meninos se detinham por mais tempo no movimento, parecendo entender que as pessoas podem ter crenças falsas ou simplesmente se equivocar. Curiosamente, o estudo foi repetido em 2010 com crianças de 7 meses e os resultados obtidos foram muito semelhantes.

A cientista cognitiva Rebecca Saxe, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), salienta que atualmente já não é descartada a possibilidade de que desde muito cedo tenhamos uma forma básica, ou implícita, de teoria da mente que, por volta dos 4 anos, se torna mais refinada. Essa, aliás, não seria a única habilidade que passa por um processo de “aprofundamento”. É o que acontece, por exemplo, em relação aos números. Muito antes de ser possível contar, as crianças têm capacidade de distinguir entre muito e pouco, mais e menos, embora não saibam fazer as quatro operações básicas. Nossa capacidade de tomar decisões também pode desenvolver duas etapas. Há fortes indícios de que temos um sistema automático e intuitivo para a tomada de decisões e um segundo, mais lento e detalhista, que se manifesta desde muito cedo. O cientista cognitivo lan Apperly, pesquisador da Universidade de Birmingham, Reino Unido, encontrou evidências de que crianças têm um sistema implícito mais rápido que os adultos. “Pode haver dois tipos de processos, de um lado para a velocidade e eficiência, e de outro para a flexibilidade”, escreveu em um artigo publicado pelo periódico Psychological Review.

OUTROS OLHARES

NOVA ARMA CONTRA A GRIPE

Depois de vinte anos sem novidade na área, governo americano aprova medicamento para combater o Influenza

nova arma contra a gripe

É consenso entre a comunidade científica que uma nova pandemia de gripe acontecerá. Por isso, ao mesmo tempo em que parte dos pesquisadores busca vacinas mais eficazes contra o Influenza, o vírus causador da doença, outra procura remédios para impedi-lo de se replicar e matar os mais fragilizados. Nessa área, a novidade é o Xofluza, remédio recém-aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), a agência americana responsável pela liberação de medicamentos nos Estados Unidos.

Ele não é o primeiro a atuar sobre o Influenza. O Tamiflu e o Relenza já fazem isso. Mas o Xofluxa é a primeira novidade no campo depois de vinte anos e apresenta um modo diferente de atuação.

ADESÃO
Enquanto os outros dois impedem que cópias do vírus saiam das células infectadas para contaminar outras, o Xofluza não permite que o Influenza produza cópias dentro das células.

Essa característica faz com que o remédio baixe a concentração de vírus rapidamente. “Isso diminui a velocidade de propagação do vírus na população, mas ainda não temos evidências populacionais”, explicou Andrew Pavia, chefe da Divisão de Doenças Infecciosas Infantis da Universidade de Utah (EUA), envolvido nos estudos da droga.

O remédio deve ser tomado uma vez por dia, durante cinco dias. Os outros são ingeridos duas vezes ao dia, o que atrapalha a adesão. “Ele também funciona contra variantes do vírus resistentes”, disse Pavia. Para uma área tão necessitada de recursos de ação rápida, qualidades assim fazem diferença, em especial em tempos de endemias, quando a questão tempo é vital para seu controle.

nova arma contra a gripe.2