PSICOLOGIA ANALÍTICA

A ÉTICA DO CACHORRO – O QUE ENSINAMOS E APRENDEMOS COM ELES

Quando eles se comportam mal ou acidentalmente machucam um companheiro de brincadeiras, logo procuram se desculpar, exatamente como faria um ser humano bem- educado.

A ética do cachorro

Todos que convivem com cães sabem: eles aprendem as regras da casa que os acolhe e quando quebram alguma norma expressam fisicamente o arrependimento alguns se escondem e cobrem os olhos, outros se abaixam ou arrastam-se pelo chão, num gesto geralmente gracioso o bastante para garantir o rápido perdão dos donos. Porém, poucas pessoas param para se perguntar por que esses animais têm um senso tão aguçado de certo e errado. Estudos recentes mostram que canídeos (animais da família dos cachorros, como raposas e lobos) seguem um código estrito de conduta ao brincar, ensinando aos filhotes as regras de engajamento social que permitem a manutenção de sociedades bem-sucedidas.

Os chimpanzés e os outros primatas que não o ser humano são notícia nos jornais quando os pesquisadores, usando a lógica, procuram nesses parentes mais próximos do homem traços semelhantes aos nossos – e descobrem evidências de seu senso de justiça. Nosso trabalho, entretanto, sugere que as sociedades canídeas selvagens podem ser as melhores análogas aos grupos de hominídeos primitivos: ao estudarmos cachorros, lobos e coiotes descobrimos comportamentos que nos remetem às raízes dos valores éticos humanos.
Podemos definir a moralidade como um conjunto de comportamentos inter-relacionados em deferência aos outros, que tem por finalidade desenvolver e regular as interações entre os indivíduos. Atitudes como altruísmo, tolerância, disponibilidade para o perdão e a empatia, bem como a noção de justiça, ficam evidenciadas rapidamente na forma igualitária com que os animais da família dos cachorros brincam entre si. Nessas situações, os lobos e os coiotes adultos, por exemplo, seguem um código estrito de conduta.

A brincadeira também tem a função de ajudar a construir a relação de confiança entre os membros da matilha, permitindo divisões de trabalho, hierarquias de domínio e cooperação na caça, na criação dos mais novos e na defesa de comida e de território. Essa estrutura lembra muito a dos homens primitivos, e a observação de suas brincadeiras pode oferecer um vislumbre do código moral que permitiu o desenvolvimento das sociedades ancestrais.

Quando os canídeos e os outros animais se divertem juntos adotam comportamentos como morder com força, montar em cima do outro, chocar os corpos – ações que podem ser facilmente interpretadas de forma equivocada pelos participantes. Porém, anos de análises feitas por um de nós (Bekoff) mostraram que esses indivíduos negociam cuidadosamente a brincadeira, seguindo quatro regras gerais para impedir que a atividade lúdica se transforme em briga.

 

A comunicação deve ser clara.

Os animais anunciam que querem brincar e não lutar ou acasalar. Os canídeos abaixam a cabeça para indicar essa intenção, engatinham sobre as patas dianteiras, apoiando-se nelas, enquanto as pernas traseiras continuam eretas. Os acenos são usados quase que exclusivamente durante a brincadeira e são altamente estereotipados, ou seja, sempre parecem os mesmos (para que o recado “Venha brincar comigo” ou “Ainda quero brincar” fique bem claro). Mesmo quando um animal sinaliza a predisposição para brincar com uma inclinação da cabeça e prossegue com ações aparentemente agressivas, como mostrar os dentes, rosnar ou morder, seus companheiros demonstram submissão ou fuga apenas em 15% dos casos, sugerindo que eles confiam no recado de que qualquer coisa que se siga não será arriscada. A confiança na comunicação honesta do outro é essencial para o bom funcionamento do grupo.

 

Cuidado com os modos.

Os animais tendem a considerar as aptidões lúdicas de seus companheiros e se engajam na tarefa de dar vantagens ao mais fraco e na troca de papéis para criar e manter igualdade de condições durante a interação. Por exemplo, um coiote talvez não morda seu companheiro de brincadeira tão forte quanto seria capaz, na tentativa de equilibrar a situação para manter o jogo justo. Um membro dominante da matilha pode desempenhar uma troca de lugar, deitando-se de costas (sinal de submissão que nunca seria oferecida durante uma agressão efetiva) para deixar seu companheiro de status inferior ter a sua vez de “vencer”.

As crianças também se comportam dessa forma ao brincar, por exemplo, intercalando os papéis de vencedores numa simulação de luta. Ao manterem as coisas justas dessa forma, todos os membros do grupo se aproximam uns dos outros, participam de atividades descontraídas e, ao mesmo tempo, constroem laços – o que faz com que o grupo permaneça coeso e forte.

 

Admita quando estiver errado.

Mesmo quando todos querem manter as coisas certas, a brincadeira às vezes desanda. Quando um animal se comporta mal, exagera na animação e acidentalmente machuca seu companheiro, ele se desculpa, exatamente da mesma forma como a maioria dos seres humanos faria em situação similar. Após uma mordida mais forte, um aceno de cabeça envia o “recado”, como se afirmasse: “Desculpe pela minha atitude, mas ainda é uma brincadeira, apesar do que fiz. Não vá embora; vou brincar de forma mais respeitosa”. Para a brincadeira continuar o indivíduo que sofre a ofensa deve aceitar as desculpas – e isso de fato ocorre na maioria das vezes. A compreensão e a tolerância surgem durante o “jogo”, assim como em outras situações da vida rotineira da matilha, como no momento da caça ou da divisão de alimentos.

 

Seja honesto. 

Tanto um pedido de desculpa como um convite para brincar devem ser sinceros; os indivíduos que continuam a brincar de forma desleal ou a enviar sinais desonestos rapidamente serão excluídos pelo grupo. E isso traz consequências bem mais graves que a simples redução do tempo de diversão. A extensa pesquisa de campo de um dos autores (Bekoff) mostra, por exemplo, que os coiotes jovens que não brincam de forma adequada com frequência acabam deixando sua matilha e têm probabilidade quatro vezes maior de morrer que os indivíduos que permanecem com os outros.

Do ponto de vista evolutivo, a violação de regras sociais estabelecidas durante as brincadeiras não faz bem para a perpetuação dos genes. O jogo honesto e divertido para todos pode ser entendido como uma adaptação evoluída que permite aos indivíduos formar e manter os vínculos sociais. Assim como acontece com os humanos, os canídeos formam intrincadas redes de relacionamentos, desenvolvem normas básicas da justiça que guiam o jogo social entre semelhantes e se apoiam em regras de conduta capazes de manter a sociedade estável. Em última instância, o objetivo é garantir a sobrevivência de cada indivíduo. Essa inteligência moral é evidente tanto em animais selvagens quanto em cães domesticados. É bem possível que tal noção de certo e errado tenha permitido às sociedades humanas florescer e se espalhar pelo mundo. Pena que o homem moderno às vezes se esqueça de procedimentos simples e eficazes, como ser claro, cuidadoso, humilde e sincero. Talvez seja hora de voltarmos a aprender algumas lições com nossos amigos de estimação.

 

No lugar do terapeuta

Ao longo dos séculos, os animais sempre estiveram próximos do homem participando de atividades de caça, tração, locomoção, pastoreio, guarda e companhia. Esses vínculos com bichos de estimação transformaram tanto o estilo de vida das pessoas quanto os hábitos dos bichos (embora na maior parte das vezes eles sejam vítimas do ser humano). Nas últimas décadas, porém, surgiu um dado novo: o crescente interesse científico pelo estudo do potencial terapêutico dessa interação. Várias possibilidades de intervenção com a participação de animais têm aberto perspectivas de uso de recursos terapêuticos auxiliares para os profissionais da saúde e da educação. Atualmente, muitos reconhecem que em geral os cães reúnem características que facilitam a aproximação com pacientes, como disponibilidade para oferecer carinho, o que desperta o afeto nos seres humanos e instiga o desejo de cuidar do outro – ainda que esse outro seja um cão.
O primeiro relato da participação de animais em tratamento de saúde na sociedade ocidental contemporânea é do final do século XVIII, na Inglaterra. O Retiro de York, instituição psiquiátrica que empregava métodos terapêuticos considerados mais humanos para a época, mantinha coelhos, gaivotas, falcões e aves domésticas nos pátios e jardins frequentados pelos pacientes. Essas criaturas eram, geralmente, muito familiares, e acredita-se que, muito mais que um prazer inocente, despertavam sentimentos de sociabilidade e benevolência nos internos.
No século XIX houve um grande crescimento da participação de animais nas instituições mentais de vários países. Mais tarde, quando os primeiros textos científicos começaram a ser publicados, tal prática já não era tão rara. Em 1944, James Bossard escreveu um artigo sobre o papel dos animais domésticos na família, em especial para crianças pequenas. Mas foi na década de 60 que o psicólogo americano Boris M. Levinson iniciou uma série de estudos de situações clínicas nas quais a presença do animal era fundamental no processo terapêutico. Um cachorro, por exemplo, poderia satisfazer a necessidade humana de lealdade, confiança e obediência. A relação da criança com o animal permite nuances num nível intermediário, que diferem das interações estabelecidas com pessoas e objetos inanimados.
Afinal, ainda nos primeiros anos é possível perceber que brinquedos não podem dividir sentimentos, pois não são vivos, não crescem nem respondem. Segundo Levinson, “diferentemente da relação que estabelece com a boneca, a criança pode conceber o animal como parte de si mesma, de sua família, capaz de passar pelas mesmas experiências que vive”. Esse relacionamento oferece aos pequenos a possibilidade de se expressar com mais liberdade.
Posteriormente aos estudos de Levinson, merecem destaque as pesquisas dos psiquiatras Samuel e Elizabeth Corson. Na década de 80, eles usaram cães na psicoterapia em instituições psiquiátricas. A experiência foi realizada com 50 pacientes com alto grau de introversão que não respondiam ao tratamento convencional e relutavam em estabelecer contatos. Apenas três deles não apresentaram melhoras em seu estado clínico. Os demais desenvolveram, gradualmente, desejo de independência, sentimentos de autoestima e senso de responsabilidade. (Por Sabine Althussen, mestre em psicologia clínica pela USP)

 

Fonte: Revista Mente e Cérebro

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Pode a Moralidade Salvar-nos?

Pode a moralidade salvar-nos? A resposta do mundo a esta pergunta é: “Sim”; mas a resposta de Deus, mediante a Bíblia é um grande e enfático “Não!” O poder de nossa salvação está nas mãos de Deus e não em nosso pensamento, pois nossa salvação tem origem nele; não é algo que nós mesmos arbitrariamente possamos decidir. Neste assunto precisamos ouvir a voz de Deus. Precisamos ouvir o que ele tem a dizer e não imaginar que nossas obras nos salvarão. Devemos compreender claramente que o assunto da salvação é determinado por Deus e por ele somente.

Bem-aventurado é o homem que reconhece que a moralidade não o pode salvar de modo nenhum! Hoje em dia as pessoas geralmente vêm a ideia de alguém pregando-lhes acerca de “crer em Jesus” como uma tentativa em persuadi-las a praticar o bem. Entretanto, o próprio conceito de persuasão demonstra o fato de que o homem não pode fazer o bem. Mesmo muitos crentes não compreendem por completo que as boas obras não podem salvá-los. Pensam que se fizerem o melhor que puderem a fim de conservar a fé, frequentarem a igreja, contribuírem com seu dinheiro e ajudarem nas atividades da igreja — isto é, se procurarem fazer o melhor em realizar o bem — que Deus se agradará deles e que os salvará. Entretanto, como ignoram eles o vazio de todas estas coisas! Pois no caso da salvação, estas coisas não ajudarão nem um pouco! (Não quero dizer aqui que não devemos conservar a verdade, e assim por diante. Digo apenas que não seremos salvos por meio dessas coisas.)

É vão arrazoar e argumentar com palavras humanas. Ouçamos, antes, a Palavra de Deus. O que Deus diz a respeito de um assunto, é a solução.

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Romanos 3:28). A frase “obras da lei” significa a prática do bem. Ora, a lei é estabelecida por Deus e define o que o homem deve fazer. Se alguém pudesse cumprir a lei de Deus, seria tido como a melhor pessoa no mundo. Entretanto, por meio do autor da carta aos Romanos, Deus diz que é absolutamente claro e certo que o homem não é justificado pelas obras da lei.

O que significa ser justificado? Significa que Deus não somente perdoará os pecados da pessoa mas também declarará ser ela justa. Em outras palavras, ser justificado é ser salvo. O que Deus nos ensina aqui é isto: não podemos ser justificados e salvos pelo praticar as obras da lei. Nenhum de nós pode, portanto, confiar em suas boas ações como se elas pudessem salvar. Logo, paremos de confiar em nossas próprias boas obras, confessemos que de nós mesmos somos pecadores sem esperança e aceitemos a Jesus como nosso Senhor e Salvador. Ao fazer isto, seremos salvos.

Louvado seja Deus, pois ele não salva porque as pessoas fazem o bem. Pelo contrário, ele salva segundo este princípio: “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Romanos 5:20b). Deixe-me perguntar-lhe: Você sabe que é pecador? A sua consciência o acusa? Você ainda não concluiu em seu coração que uma pessoa como você está sem esperança? Não se engane ao pensar que pode ser salvo por fazer o bem ou por unir-se a uma igreja para que entre nas boas graças de Deus mediante o cântico e a oração. Não tente usar meios humanos para remediar seus pecados. Você é pecador; não importa o quanto você tente consertar as coisas, ainda é pecador. Portanto, não confie em suas boas obras. Embora seus pecados possam ser muitos, o sangue precioso de Cristo pode purificá-lo e o purificará. Venha a ele agora!

Charles H. Spurgeon, pregador inglês, foi grandemente usado pelo Senhor. Certa vez Spurgeon afirmou que se o Senhor desejasse que ele fizesse o bem a fim de ser salvo ele não gostaria de ser cristão. Explicou sua afirmativa, ilustrando o seu ponto como segue:

— Depois de ter praticado muito o bem, apresentei minhas obras a Deus e perguntei se eu já era bom o suficiente para ser salvo. Ele, sendo Deus de todo o bem, naturalmente ficou insatisfeito com minhas boas ações. De modo que sacudindo a cabeça, disse: “O seu bem não é suficiente.” Com tristeza segui meu caminho. E procurei fazer mais boas obras. Mais tarde, depois de vários anos, tornei a levar as minhas boas ações a Deus e uma vez mais perguntei se eram suficientes para minha salvação. De novo, ele respondeu: “O seu bem ainda não é suficiente; você não pode ser salvo.” Isto poderia continuar indefinidamente, e Deus jamais ficaria satisfeito. Nesse caso, como é que eu ficaria sabendo que poderia ser salvo? Se Deus realmente exigisse de mim que eu fizesse o bem a fim de ser salvo, é provável que eu tivesse de trabalhar até a morte e ainda não ser salvo porque ele ainda estaria insatisfeito. Que estado lastimável! Por esse motivo, não gostaria de ser crente se Deus exigisse que eu fizesse o bem a fim de ser salvo; pois eu poderia praticar boas obras a vida toda e ainda ele não ficaria satisfeito. Não seriam vãos todos os meus esforços?

Mas graças a Deus o Pai que não somos salvos por praticar o bem, mas por crer em seu Filho. Embora ele não esteja satisfeito com nossos esforços (pois não temos bem nenhum), não obstante, deleita-se no bem de seu Filho Jesus. Ele está completamente satisfeito com a justiça que seu Filho realizou na cruz. Embora nós mesmos não possamos fazer o bem, podemos, contudo, ser salvos crendo no Filho de Deus, aceitando o mérito do sangue de Jesus vertido na cruz.

Não deixe que Satanás o engane levando-o a pensar que pode ser salvo pelas boas obras. Assim como você não consegue construir uma escada que alcance o céu, da mesma forma não obterá a salvação de Deus pela prática das boas obras. Não somos justificados por Deus mediante boas obras de nenhuma natureza que tenhamos praticado, mas somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”; pois “se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Romanos 3:24; 11:6). Não são estes versículos da Escritura muito claros? Somos justificados e salvos por Deus não pelas obras, mas pela graça.

Graça e obras são dois princípios diametralmente opostos. “Graça” significa que não importa seja o homem bom ou mau, Deus deseja salvá-lo. Este ou aquele homem não é digno de ser salvo, entretanto, por meio da graça de Deus ele tem à sua disposição a salvação gratuita. “Obras”, por outro lado, é um assunto inteiramente diverso. “Obras” significa que os bons serão salvos e os maus perecerão. Em outras palavras, o homem deve fazer o bem a fim de salvar-se; e todo aquele que não puder salvar a si mesmo desta maneira deve ir para o inferno.

Sabemos que todos nós somos pecadores. Embora não cometamos pecados tão horríveis como assassínio ou como o incêndio de alguma propriedade, nossa natureza, contudo, é totalmente corrupta e nossos pensamentos e ações, cheios de engano. Somos deveras pecadores! Mas graças e louvor a Deus, porque ele não nos salva por nossas obras; pelo contrário, salva-nos por sua graça — gratuitamente e sem reservas.

Hoje em dia muitas pessoas têm a ideia de que a salvação não é somente pela graça de Deus: é também por nossas obras. A graça de Deus mais nossas obras é igual à salvação. Se não for assim estaremos perdidos. Que lástima! Como o homem natural sempre procura ser salvo por seus próprios esforços! Entretanto, lembremo-nos das palavras de Romanos 11:6: “Se é pela graça, já não é obras [graça e obras não podem co-existir. Se não for graça, serão obras; se não forem obras, será graça. A salvação não pode vir pela graça e pelas obras]; do contrário [e aqui o autor inverte o argumento, dizendo, de fato, que se graça e obras forem unidas, então… ] a graça já não é graça [o imensurável favor especial de Deus será deturpado pelos trapos da imundícia das obras humanas.].” As obras do homem não somente não podem cumprir a graça de Deus, mas além disso anularão sua graça. Portanto, se você, pecador, deseja ser salvo, não pense que suas obras o ajudarão. Pelo contrário, você deve humilhar-se a si mesmo, reconhecer seu estado de pecador sem esperança e aceitar com gratidão a graça de Deus mediante a fé na obra realizada na cruz do seu Filho. Tal graça maravilhosa é concedida gratuitamente a todos os pecadores!

Mas continuemos a ler a Palavra de Deus. “O homem não é justificado por obras da lei” — “Não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado” — “Todos quantos, pois, são das obras da lei, estão debaixo de maldição” — “É evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus” (Gálatas 2:16; 3:10, 11).

Ora, já observei que obras da lei é praticar o bem, e que ser justificado pelas obras da lei significa ser salvo pelas obras. Mas o que indicam estes versículos de Gálatas? O homem não somente não pode ser salvo por praticar o bem, mas o que procura ser salvo por meio das obras está debaixo de maldição. A Bíblia diz-nos explicitamente que homem algum jamais foi justificado diante de Deus pelas obras da lei. Por que, pois, você ainda tenta o impossível? Em vez disso, por que não contemplar e abraçar a obra consumada de Cristo? Ele já pagou o preço total, e por amor de você dispôs-se a ser crucificado. Desta forma, ele realizou tudo. De modo que você não precisa procurar a salvação com grande angústia. Antes, pode ser salvo tão-somente aceitando a obra da salvação que Cristo consumou por você. Por que insistir em seu próprio caminho? Creia nele e depois de ter crido, louve-o. Porque ele o amou tanto a ponto de prover-lhe salvação completa e gratuita.

Há dois versículos da Escritura que explicam a salvação divina de uma maneira muitíssimo clara. Paulo, servo de Deus, escreve aos crentes de Éfeso: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8, 9). Sabemos imediatamente desta passagem que trata do assunto da salvação uma vez que começa com as palavras “Porque pela graça sois salvos”.

Como é que os leitores de Paulo haviam sido salvos? Pelas obras? Não. Por serem mais fortes do que as outras pessoas? Também, não. Como, pois, foram salvos? Esta passagem diz-nos duas coisas necessárias para a salvação deles: a graça de Deus e a fé. Eis o primeiro elemento: “Pela graça sois salvos.” Graça é o que Deus dá; ele providenciou para nós um Salvador — “mas o Senhor fez cair sobre ele [Cristo] a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6b). Deus fez com que Cristo morresse na cruz para levar os nossos pecados. Cristo sofreu e bebeu por completo o cálice da justa ira de Deus para que pudesse realizar para nós a salvação perfeita. Quão profunda é a graça! A graça de Deus é o fundamento da salvação. Aqui o homem não presta ajuda alguma. Deus, sozinho, realiza tudo por nós. E agora ele apresenta a salvação completa a cada pecador, inclusive você. Como, pois, podemos ser salvos? Não pelas obras da lei, nem pela autonegação, nem pela melhoria pessoal, nem por frequentar a igreja, mas ao aceitar a graça de Deus manifestada na cruz do Calvário.

Voltemos-nos agora para o outro lado da salvação: ‘Pela graça sois salvos, mediante a fé.” Deus, deveras, dá a graça, mas devemos também crer. Pois embora Deus conceda a graça, se não crermos não seremos salvos. Uma vez que a graça de Deus já nos providenciou salvação substitutiva na cruz do Calvário, devemos crer em sua provisão, a saber, o Senhor Jesus e sermos salvos.

O que significa ter fé? Crer significa receber (João 1:12). Deus preparou a graça, e somos salvos por recebê-la. Suponha que alguém lhe envie um presente. O presente é seu desde que você o receba. Da mesma forma, Deus lhe envia a graça salvadora que será imediatamente sua no momento em que a receber. Insto com você que não demore mais. Receba-a agora. Estenda a mão da fé e receba a espantosa graça de Deus.

Não seja como os que duvidaram; pois se o fizer, sofrerá a perda eterna infligida por si mesmo! Simplesmente aceite a graça divina e o dom da salvação será seu.

Efésios 2 ensina-nos que é “mediante a fé” e também “pela graça”. Instrui-nos ainda mais a respeito da natureza da salvação, que, (1) não “vem de nós, é dom de Deus”, e (2) “não de obras, para que ninguém se glorie”. A salvação envolve dois “nãos”: “não vem de vós” e “não de obras”. Quão clara ela é!

Note, primeiramente que a salvação não é de vós. Quer sua moralidade seja superior ou inferior, quer seja você rico ou pobre — nada disso tem absolutamente nenhum efeito sobre sua salvação. Se você estiver disposto a aceitar a graça de Deus, poderá ser salvo independentemente de ser sábio ou tolo, santo ou ímpio. E, também não importa o que você seja, perecerá se recusar-se a aceitar o Salvador. Portanto, a salvação nada tem que ver com o que você é; Deus oferece-a gratuitamente como um dom.

Note também que a salvação não é de obras. “Vós” refere-se ao que você é e “obras” ao que você faz. Deus não disse que a pessoa pode ser salva por praticar o bem; declarou, contudo, que a salvação não vem das obras. Consequentemente, você não será salvo ainda que faça o melhor que puder, nem necessariamente perecerá por praticar o pior. O ser salvo ou perecer não depende de suas obras mas do seu aceitar ou não a graça de Deus.

Gostaria de dizer-lhe o seguinte: não pense em suas boas obras; antes, considere mais seus pecados. Por que não vir a Deus com coração contrito e confessar que é pecador e que não possui boas obras das quais se gabar e que não tem mérito do qual depender? Por que não confiar simplesmente na graça que Deus lhe oferece mediante seu Filho na cruz? Peço-lhe que venha sem demora. Ainda hoje, neste mesmo instante, ajoelhe-se e ore; diga a Deus que você recebe ao Senhor Jesus como seu Salvador e peça-lhe que lhe perdoe os pecados e o salve.

Por que Deus não salva o homem mediante as obras? Pode haver muitas razões, mas uma muito básica dada aqui é “para que ninguém se glorie”. Se o homem fosse salvo pelas obras, sem dúvida haveria de gloriar-se de si mesmo e deixaria de render glória a Deus. O maior pecado no mundo é ser independente de Deus e não confiar nele. Este fato aplica-se também à salvação. Por que prefere o homem ser salvo por suas próprias obras a aceitar a salvação grátis que lhe foi preparada por Deus? Por causa do orgulho. Quão humilhante é depender de Deus! Não deixa lugar para a vangloria. O homem, portanto, deseja salvar-se a si mesmo mediante suas obras para que possa ter algo de que se gabar. Mas Deus não deseja que o homem seja salvo desta maneira para que ele não se glorie.

Leiamos outro versículo bíblico: “Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou” (Tito 3:5a). Esta passagem ensina-nos que Deus não nos salva por nosso muito acúmulo de justiça, pois como Deus disse mediante o profeta Isaías, no Antigo Testamento: “Todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como o trapo da imundícia” (64:6a). Podemos pensar que nossa justiça seja digna de louvor, mas à vista de Deus é menos do que nada! Se ele fosse salvar-nos segundo nossa justiça, todos nós pereceríamos; pois sem exceção, nossa justiça é como o trapo de imundícia. Pode tal justiça jamais ser considerada justiça verdadeira? Como poderia então salvar-nos? Como pode Deus salvar-nos à base de trapos imundos? Ele absolutamente não pode.

Mas graças a Deus, ele mostra-nos graça “segundo sua misericórdia”. Ele não nos salva por nossa justiça nem por nossas obras, mas segundo sua misericórdia. O significado da misericórdia é que a graça é concedida ao que não a merece, a despeito da impiedade da pessoa. Como pecadores, não merecemos a salvação de Deus. Entretanto, ele nos ama sem causa. Não se deixando impedir por nossas transgressões, ele fez com que o Senhor Jesus morresse na cruz por nós a fim de dar-nos graça. “Segundo a sua misericórdia ele nos salvou”

De modo que não pense que pode ser salvo por praticar o bem. Creia rapidamente no Senhor Jesus Cristo. Ele não exige de você nenhuma de suas obras; ele está disposto a salvá-lo sem elas. Você não precisa acumular méritos; precisa apenas crer nele. Embora você não possa praticar o bem, embora você seja por demais pecador, ele está disposto a ser crucificado a fim de fazer propiciação por seus pecados, isto é, levar seus pecados de omissão e também de comissão. Venha agora, assim como está, e receba-o como Senhor e Salvador. Ele o salvará, aceitá-lo-á e o transformará.

Não argumente que já é membro de uma igreja ou que já foi batizado e que já participou da Ceia do Senhor ou que até seja líder na igreja. Compreenda e admita que estas coisas não salvam e nem jamais podem salvar. A menos que você creia no Salvador que levou seus pecados e morreu por nós todos, você está perdido — a despeito de sua moralidade ou posição. Você não é diferente dos outros. Nada há que proteja o pecador da ira de Deus a não ser o sangue precioso do Senhor Jesus. Toda tentativa boa falhará; somente a obra da cruz de Cristo permanecerá. Todo caminho de salvação que dependa de obras do ego procede do abismo e para lá há de voltar, porque Deus estabeleceu um único modo de salvação: a aceitação de sua graça mediante a fé na cruz de Cristo. A fim de sermos salvos, devemos seguir esse caminho — e esse caminho somente.

Concluindo, deixarei com vocês um versículo bíblico: “Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morreu Cristo em vão” (Gálatas 2:21). Se as boas obras podem salvar, então Cristo morreu em vão. Teria Deus sido tão tolo ao ponto de enviar seu Filho ao mundo para morrer desnecessariamente se os homens pudessem operar sua salvação de modo que o satisfizesse? A resposta é óbvia! Permita-me dizer-lhe que se você concluir que as obras podem ajudá-lo a ser salvo, estará automaticamente anulando a graça de Deus. Todos os pecadores devem compreender que “a loucura de Deus é mais sábia do que os homens” (1 Coríntios 1:25a). Ele não teria sacrificado seu amado Filho se os homens pudessem ser salvos pelas obras. O próprio fato de ele ter feito com que seu Filho levasse nossos pecados e morresse por nós prova que não podemos ser salvos por nossas próprias boas obras. Você e eu seremos salvos somente se aceitarmos o Senhor Jesus como Salvador. Verdadeiramente, somos pecadores; entretanto, Deus nos ama sem questionar-nos e está pronto a receber-nos! Embora não tenhamos boas obras nem justiça das quais gloriar-nos, nem por isso sua salvação é diminuída; na verdade, é aumentada. Quão maravilhoso isto é!

Oro para que você seja movido pelo amor de Deus e venha a ele com fé, confessando: “Ó Deus, verdadeiramente sou pecador. Sei que as minhas obras nada são à tua vista. Peço-te que me recebas e me salves agora por amor da morte substitutiva de meu Senhor e Salvador Jesus Cristo.”

“O que vem a mim”, disse Jesus, “de modo nenhum o lançarei fora” (João 6:37).

 

Texto retirado do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE” de Watchmann Nee

PSICOLOGIA ANALÍTICA

PSICOLOGIA DA TIRANIA

Comportamentos autoritários e brutais dependem da personalidade e da organização social. Grupos não suprimem valores e crenças pessoais, mas tendem a acirrar características individuais

Psicologia da Tirania

Imagens de desumanidades e atrocidades estão gravadas em nossa memória. Judeus – homens, mulheres e crianças – sendo levados para as câmaras de gás. Vilas inteiras destruídas por bandos enfurecidos em Ruanda. Reincidência sistemática de estupro e destruição de comunidades como estratégia de “limpeza étnica” nos Bálcãs. O massacre de My Lai no Vietnã do Sul, a tortura de prisioneiros iraquianos em Abu Graib e, mais recentemente, a carnificina causada por ataques suicidas de homens-bomba em Bagdá, Jerusalém, Londres e Madri. Quando refletimos sobre esses fatos, uma pergunta é inevitável: o que faz com que as pessoas sejam tão brutais? Elas têm problemas psiquiátricos? São produto de famílias desajustadas? Será que, dadas as condições certas – ou melhor, erradas – qualquer um é capaz de protagonizar atos extremos de violência coletiva? As pesquisas mais recentes, incluindo o que é provavelmente o maior experimento de psicologia social das últimas três décadas, estão abrindo novos caminhos para a explicação desses enigmas.

As perguntas sobre a crueldade coletiva foram responsáveis por alguns dos maiores desenvolvimentos da psicologia social desde a Segunda Guerra. Começando pela necessidade de entender os processos psicológicos que tornaram possíveis o horror do Holocausto, os cientistas têm procurado saber como pessoas aparentemente civilizadas e decentes podem perpetrar atos tão pavorosos.

Inicialmente, os teóricos procuraram explicar o comportamento patológico de alguns grupos por meio do estudo da psicologia individual. Em 1961, a historiadora e filósofa política americana de origem alemã Hannah Arendt acompanhou em Jerusalém o julgamento de Adolf Eichmann, um dos principais mentores do Holocausto. Ela concluiu que o acusado, longe de apresentar uma “personalidade sádica e pervertida” (como afirmavam os psiquiatras da acusação), era um homem comum e surpreendentemente simples. Arendt afirmaria que Eichmann era a encarnação da “banalidade do mal”.

Publicada em 1963 na revista New Yorker, a análise de Arendt foi considerada chocante e herética. No entanto, vários estudos feitos na mesma época chegaram às mesmas conclusões da filósofa. Em experimentos realizados em acampamentos de verão no final da década de 50, o psicólogo social Muzafer Sherif, nascido na Turquia e naturalizado americano, descobriu que meninos em idade escolar se tornavam cruéis e agressivos com seus colegas quando colocados em grupos que tinham de competir por recursos escassos.

Ainda mais impressionantes são os estudos sobre obediência realizados na Universidade Yale no começo dos anos 60 por Stanley Milgram. Em experiência simulada sobre a memória, homens comuns foram orientados a dar choques com intensidade crescente numa pessoa que se passava por aluno (era na verdade um assistente do coordenador da pesquisa, e não sentia os choques). Todos os “professores” estavam dispostos a aplicar “choques intensos” de 300 volts e dois terços deles fizeram tudo que o coordenador da pesquisa pediu, dando o que acreditavam ser choques de 450 volts. Os participantes da experiência continuaram a punir os alunos mesmo depois de saberem que eles tinham problemas cardíacos e de ouvi-los gritar de dor. Milgram concluiu que “a concepção de banalidade do mal de Hannah Arendt está mais próxima da realidade do que gostaríamos de imaginar”.

Essa linha de pesquisa teve seu ponto culminante no “experimento do prisioneiro”, realizado pelo psicólogo Philip G. Zimbardo na Universidade Stanford em 1971. A pesquisa distribuiu aleatoriamente estudantes universitários nos papéis de prisioneiro ou de guarda numa prisão simulada. Estudaram-se a dinâmica intra e a intergrupal por duas semanas. Os guardas (com Zimbardo no papel de supervisor) exerceram poder de forma tão cruel que o experimento teve de ser suspenso apenas seis dias depois de iniciado.

Os pesquisadores concluíram que membros de grupos não conseguem resistir às pressões da posição que assumem e que a brutalidade é a expressão “natural” de papéis associados a grupos que têm poderes desiguais. Duas máximas com enorme influência tanto no nível científico como no cultural surgiram em consequência do experimento de Stanford. A primeira é que os indivíduos perdem a capacidade de realizar julgamentos intelectuais e morais quando estão em grupo; portanto, os grupos são perigosos por natureza. A segunda é que as pessoas têm um impulso inevitável de agir de modo tirânico quando se reúnem coletivamente e detêm poder.

O impacto do experimento de Stanford se deve tanto às suas descobertas impressionantes como às conclusões simplistas que suscitou. Com o passar dos anos, no entanto, os psicólogos sociais começaram a questionar as conclusões que o senso comum tirou da experiência.

A ideia de que grupos dotados de poder se tornam automaticamente tirânicos não leva em consideração a liderança efetiva que os pesquisadores desempenharam. Zimbardo teria dito o seguinte a seus guardas: “Podem criar nos prisioneiros um sentimento de medo em algum grau e uma noção de arbitrariedade de modo que a vida deles pareça depender completamente de nós. Prisioneiros não têm liberdade para agir, não podem fazer nem falar nada sem a nossa permissão. Nós vamos roubar sua individualidade de diversos modos”.

Outro questionamento leva em conta que grupos não praticam apenas atos anti sociais. Em pesquisas – como na sociedade – os grupos em geral surgem como meio de resistir à opressão e aos incentivos para agir destrutivamente. Em estudos parecidos com os testes de obediência de Milgram, os participantes eram muito mais propensos a resistir aos aplicadores da pesquisa quando eles eram apoiados por outros participantes que também desobedeciam aos aplicadores.

Além disso, estudos realizados após o experimento de Stanford têm confirmado os aspectos dos grupos que são enriquecedores e positivos para a coletividade. Uma abordagem sobre grupos bastante influente na psicologia social contemporânea é a da identidade social, desenvolvida em 1979 pelos psicólogos sociais John Turner, atualmente na Universidade Nacional da Austrália, e Henri Tajfel, então na Universidade de Bristol, Inglaterra. Essa teoria sustenta que é sobretudo em grupo que as pessoas – especialmente aquelas que são desprovidas de poder – podem se tornar agentes efetivos que desenham seu próprio destino.

Quando compartilham uma identidade (por exemplo, “somos todos americanos”, “somos todos católicos”), os indivíduos procuram o consenso, confiam mais uns nos outros, são mais propensos a seguir os líderes dos grupos e formam organizações mais eficientes. Isso é evidenciado nos extensos estudos sobre cooperação em grupos conduzidos recentemente por Steven L. Blader e Tom R. Tyler, da Universidade de Nova York. Os estudos concluíram que as pessoas podem se unir para criar um mundo social baseado nos valores que compartilham – gerando um estado de “auto realização coletiva”, o que é muito bom para o bem-estar psicológico. Possuir o apoio social para controlar o seu destino pode fazer com que o indivíduo tenha maior auto estima, menos stress e níveis mais baixos de ansiedade e pressão.

Preservação da identidade
As pessoas que compartilham senso de identidade em grupo apresentam duas características sociais preponderantes. Primeiro, não perdem a capacidade de fazer julgamentos, mas a base de suas decisões se desloca de suas noções individuais para as crenças coletivamente estabelecidas.

Como foi demonstrado por estudos de campo realizados por um de nós, Reicher, mesmo as ações coletivas mais extremas, como uma rebelião, apresentam padrão de comportamento que reflete crenças, normas e valores do grupo. Segundo as respostas das pessoas variam de acordo com qual noção de pertencimento a um grupo é mais forte em cada momento. Normas e valores que usamos em nosso trabalho, na condição de empregados, podem ser diferentes daqueles que nos governam como fiéis em nossos lugares de devoção, como militantes em uma manifestação política ou como patriotas durante o hasteamento da bandeira.

Assim, ao contrário das conclusões tiradas a partir do experimento de Stanford, os teóricos da identidade social têm argumentado contra a ideia de que as pessoas aceitam automaticamente a filiação a grupos que outros atribuem a elas. Com muita frequência os sujeitos se distanciam dos grupos, principalmente aqueles que são desvalorizados na sociedade.

Por exemplo, na década de 70, Howard Giles e Jennifer Williams, ambos da Universidade de Bristol, chamaram a atenção para o fato de que muitas mulheres reagiam à desigualdade menosprezando seu próprio gênero, enfatizando qualidades pessoais e buscando o sucesso. Apenas quando elas acreditam que não podem escapar – isto é, quando os limites entre os grupos são “impermeáveis”, como argumentaram as feministas quando apontaram o “telhado de vidro” – elas se identificarão com o grupo desvalorizado e agirão coletivamente. Além disso, elas somente estarão preparadas para usar o seu poder coletivo para confrontar o status quo e tentar melhorar a posição de seu grupo se acharem que o sistema social é suscetível a mudanças.

Uma grande quantidade de pesquisas, incluindo experimentos controlados de laboratório, extensos levantamentos por questionários e observações de campo detalhadas, corrobora a abordagem da identidade social. Ainda assim, até recentemente, não havia um único estudo do tipo realizado por Sherif, Milgram e Zimbardo que pudesse ilustrar e combinar as várias proposições da teoria de modo amplo e convincente. Mais do que isso, parecia impossível realizar um estudo desses. Apesar de todas as dúvidas que pairam em torno do experimento de Stanford, sua própria radicalidade parecia tolher projetos nos mesmos moldes.

A situação mudou com o recente experimento do prisioneiro realizado pela BBC. Colaboramos com a pesquisa da British Broadcasting Corporation, que a financiou e televisionou em quatro documentários de uma hora cada.

Nosso primeiro desafio foi desenvolver procedimentos éticos para garantir que, apesar de sua intensidade, o estudo não causaria mal a seus participantes. Instituímos uma série de medidas de proteção, apoio psicológico em tempo integral e uma equipe de ética. Segundo as conclusões do relatório da equipe, mostramos que é possível conduzir estudos de campo dinâmicos com balizamento ético.

O experimento da BBC
Como no experimento de Stanford, o da BBC dividiu aleatoriamente guardas e prisioneiros em um ambiente construído especialmente para isso. O cenário era uma prisão, mas nosso objetivo era representar uma classe mais ampla de instituições – escritório ou escola – em que um grupo tem mais poder e privilégio que o outro. Acompanhamos o comportamento dos participantes através de câmeras escondidas e monitoramos seu estado psicológico com testes diários. O bem-estar de cada um foi medido pela quantidade de cortisol – um indicador de stress – coletado da saliva.

Apesar de termos seguido o mesmo paradigma do experimento de Stanford, nossa pesquisa era diferente em muitos pontos. Para estudar as dinâmicas de grupo sem interferir diretamente nessas interações, não presumíamos nenhum papel específico na prisão, ao contrário de Zimbardo. Além disso, manipulamos características de hierarquia que, de acordo com a teoria da identidade social, deveriam afetar a identificação dos prisioneiros com seu grupo e as formas de comportamento que eles adotariam em consequência disso. Mais importante, no entanto, foi que nós variamos a permeabilidade dos limites dos grupos, permitindo oportunidades de promoção de um prisioneiro a guarda, mas depois eliminando-as. Esperávamos que, com a possibilidade de promoção, os prisioneiros procurassem rejeitar sua identidade e trabalhassem para melhorar sua própria posição. Prevíamos que essa estratégia reforçaria o status quo e permitiria aos guardas manter ascendência sobre os prisioneiros. Depois de suprimida a possibilidade de promoção (no terceiro dia), achávamos que os prisioneiros começariam a colaborar entre si para resistir à autoridade dos guardas.

Os resultados confirmaram as previsões. Inicialmente, eles eram submissos e trabalhavam duro para melhorar sua situação. Passaram a se identificar como grupo e pararam de cooperar com os guardas apenas quando ficaram sabendo que continuariam a ser prisioneiros apesar de todo e qualquer esforço. Mais importante, essa identidade compartilhada levou a uma melhor organização, eficiência e bem-estar psicológico. À medida que o experimento avançava, os prisioneiros se tornavam mais confiantes.

Os guardas, contudo, nos surpreenderam. Vários deles, assombrados pela ideia de que a associação de grupos e poder é perigosa, relutavam em exercer controle. Desconfortáveis com suas tarefas, discordavam de outros guardas sobre como desempenhar seus papéis e não chegaram a desenvolver um senso de identificação. Essa ausência de identidade levou à diminuição da capacidade organizacional, o que reduziu a eficiência em manter a ordem e os deixou cada vez mais desanimados e esgotados. Com o progresso do experimento, a administração dos guardas ficou mais e mais frágil.

Depois de seis dias, os prisioneiros se uniram para desafiá-los. A essa altura eles estavam bastante divididos. A situação levou a uma fuga organizada e ao colapso da estrutura guarda-prisioneiro. Sobre as ruínas do antigo sistema, prisioneiros e guardas criaram espontaneamente um sistema mais igualitário – em suas palavras, “uma comuna autogovernada e autodisciplinada”. Mais uma vez, no entanto, alguns dos membros se sentiam desconfortáveis com a ideia de exercer poder. Eles não puniam os indivíduos que se negavam a realizar as tarefas que lhes eram atribuídas e quebravam as regras do acordo.

Nesse ponto tivemos uma segunda surpresa. Os participantes passaram a não acreditar que poderiam manter a comuna funcionando, o que deixou seus membros completamente perdidos. Como resultado, alguns prisioneiros e guardas tramaram um golpe que os tornaria os novos guardas: requisitaram boinas pretas e óculos escuros como símbolos de uma nova forma de comando autoritário sobre os demais. Eles queriam recriar a divisão guarda-prisioneiro, mas desta vez assegurando controle sobre os prisioneiros – até mesmo com o uso da força, caso necessário.

Esperávamos que os apoiadores da comuna defendessem a estrutura democrática que tinham adotado. Não foi o que aconteceu – ao contrário, eles careciam de vontade individual e coletiva para desafiar o novo regime. Dados psicológicos indicavam que eles haviam se tornado mais autoritários e dispostos a aceitar líderes severos.

De qualquer modo, o golpe não ocorreu. Por razões éticas, não podíamos correr o risco de permitir uso da força como ocorreu no experimento de Stanford, o que nos levou a encerrar o estudo no oitavo dia. Se, por um lado, o resultado final era parecido com o de Stanford, o caminho que os participantes de nossa pesquisa tomaram para chegar a esse ponto foi muito diferente. O fantasma da tirania claramente não era resultado da ação “natural” dos grupos. A tirania surgiu por causa da falência desses grupos: entre os guardas, por causa da dificuldade de criar laços de coesão; no caso da comuna, pelo fracasso na tarefa de transformar crenças coletivas em realidade.

Lições para a sociedade
Por que os participantes que haviam rejeitado desigualdades impostas e que lutaram para estabelecer um regime democrático terminaram optando pela tirania? Encontramos a resposta em um corolário básico de nossos argumentos. Grupos, segundo definimos, são orientados para a realização individual. Usam o poder social para assegurar comportamentos baseados na imagem que fazem de suas crenças e valores comuns. Mas quando os grupos não conseguem produzir esse modo de funcionamento, seus membros se tornam mais dispostos a aceitar outras estruturas sociais, mesmo se os novos sistemas não vão ao encontro de seu modo de vida.

Assim, quando os guardas não conseguiram impor sua autoridade, eles se tornaram mais dispostos a concordar com a democracia. Entretanto, e de modo mais preocupante, quando a comuna caiu por terra, seus membros se tornaram menos propensos a defender a democracia contra a tirania.

Desse estudo e de outras pesquisas sobre processos de identidade social, podemos tirar importantes conclusões. Em termos gerais, concordamos com Sherif, Milgram, Zimbardo e outros que a tirania é o resultado de processos de grupo, não de patologias individuais. Discordamos, no entanto, no que se refere à natureza desses processos. De nosso ponto de vista, as pessoas não perdem a cabeça quando estão agrupadas, não sucumbem inapelavelmente aos requisitos de seus papéis sociais e não abusam automaticamente do poder coletivo. Pelo contrário, identificam-se com grupos apenas quando esse processo tem sentido para elas. E quando o fazem, tentam, de forma consciente e ativa, implementar valores coletivos – e o modo como elas exercem o poder depende desses valores. Em suma, grupos não impedem seus participantes de escolher – ao contrário, oferecem a seus integrantes bases e meios para exercer suas escolhas.

Evidentemente, esse argumento não nega que as pessoas podem fazer coisas terríveis quando reunidas. Mas nem todos os grupos no comando e com certeza nem todos os guardas de prisão são brutais. Propor que há algo inerente na psicologia de grupo que torna inevitável a crueldade excessiva é retirar o foco dos fatores específicos que fazem certos grupos tornar-se perversos, brutais e tirânicos.

Dois conjuntos relacionados de circunstâncias podem levar a uma dinâmica tirânica. O primeiro surge quando um grupo com valores sociais opressivos obtém sucesso. Já foi constatado o fato de que grandes atrocidades são cometidas quando pessoas acreditam agir para se defender de um inimigo ameaçador. Alguém poderia se perguntar: como se adotam tais crenças? De nossa parte, perguntamos qual o papel de líderes nacionais ao demonizar grupos “estranhos” – judeus, tutsis ou muçulmanos. E quanto a superiores imediatos de unidades militares que encorajam a brutalidade ou a aceitam passivamente? Qual o papel de homens e mulheres comuns quando riem ou fingem não ver a humilhação de um membro de grupo discriminado? Como fica implícito em nossas perguntas, acreditamos que pessoas ajudam a nutrir uma cultura coletiva de ódio e são, portanto, responsáveis por suas consequências.

De modo menos evidente, o segundo conjunto de fatores que pode gerar tirania ocorre quando grupos que tentam introduzir valores humanos e sociais democráticos não são bem-sucedidos. Quando um sistema social entra em colapso, as pessoas acabam se tornando mais abertas a alternativas, mesmo àquelas que antes pareciam pouco atraentes. Além do mais, quando o colapso de um sistema causa tanta destruição que uma vida social regular e previsível se mostra inviável, a promessa de uma ordem rígida e hierarquizada se torna mais sedutora. Assim, a queda caótica da democrática República de Weimar levou ao nazismo; a divisão deliberada imposta pelos poderes coloniais facilitou a ascensão de regimes extremamente brutais na África pós-colonial e nos Bálcãs após a queda do regime soviético; e a supressão de formas de organização depois da Guerra do Iraque preparou o terreno para o ressurgimento de forças antidemocráticas no país. Em todos esses casos, a rejeição da democracia pode ser atribuída a estratégias políticas que procuraram, de forma deliberada, destruir grupos e apeá-los do poder. Nossa sugestão é que, melhor que tentar fazer as pessoas temer os grupos e o poder, é encorajá-las a trabalhar juntas para usar sua força com responsabilidade.

 

Autores: S. Alexander Haslam e Stephen D. Reicher

GESTÃO E CARREIRA

FEEDBACK: HORA DE DISCUTIR A RELAÇÃO

Estabelecer um feedback franco (e eficiente) sobre erros e acertos dos subordinados ainda é um desafio para muitos gestores. Veja como o RH pode ajudar nesse processo.

Feedback

Acontece pelo menos uma vez por ano. Chega a hora em que líder e liderado vão precisar bater um papo. Aquele recomendado (às vezes obrigado) pela área de recursos humanos. O momento do papo em si recebe diferentes nomes, dependendo da organização. Mas ele é bem compreendido numa única palavra: feedback. Fazê-lo, você de RH sabe, é fundamental para o alinhamento das competências e o desenvolvimento dos times. Fazer com que o gestor entenda isso, porém, é outra história. E aí o que é uma ferramenta poderosa pode se transformar em uma perigosa arma na organização.

Uma pesquisa da consultoria Hay Group com profissionais de 120 empresas revelou como os gestores patinam na hora de conversar com seus subordinados. Segundo o levantamento, apenas 47% dos funcionários acham que o superior imediato dá feedback claro e consistente. “Nós, do RH, sabemos que o feedback é uma ferramenta de desenvolvimento, mas, na hora de praticar, surgem as dificuldades, que são gerais e iguais em todas as áreas”, afirma Vera Saicali, diretora executiva de recursos humanos, que aplica uma avaliação formal em seus colaboradores duas vezes por ano. “O RH, no entanto, precisa atuar como um modo de implementar o processo com eficiência dentro de casa antes de exportá-lo para outras áreas.”

Entre os fantasmas que mais assombram o processo estão o bloqueio tupiniquim de falar com transparência sobre pontos que devem ser melhorados e a dificuldade de reunir exemplos do comportamento. Culpa, muita, vezes, dos próprios gestores, que não prestam atenção nas atitudes de seus colaboradores e, como consequência, não têm fatos para apresentar. “Se, num feedback, o funcionário pedir exemplos do que está sendo criticado e você não tiver, a conversa morre ali”, alerta Rolando Pelliccia, diretor do Hay Group.

Para minimizar atritos como esse e tornar o processo realmente rico, a área de recurso s humanos deve passar algumas lições aos gestores. A primeira delas é estimulá-los a criar uma relação de confiança e transparência com suas equipes. “Feedback é um presente que você dá a uma pessoa para ela melhorar. No entanto, para que a pessoa queira receber esse retorno, preciso que haja, confiança entre vocês)”, a firma Francisco Ramirez, sócio da ARC Executive Talent Recruiting. A segunda lição é fazer com que o gestor invista tempo (por mais que ele diga que seu tempo é escasso) num diálogo, para que o subordina do perceba que, por trás dessa conversa, há vontade de ajudar. A terceira é cobrar dos gestores que eles reúnam exemplos bons e maus de comportamento ou performance para que possam apresentá-los no momento mais indicado. Pautar o feedback em fatos, e não em opiniões diminui o risco de o colaborador levar a crítica para o lado pessoal. “Se o brasileiro tem dificuldade tanto de dar como de receber feedback negativo, o desafio é fazer com que não pareça uma crítica pessoal, fundamentada apenas numa opinião”, afirma Ricardo BeviIacqua, diretor-geral da Robert Half, consultoria de recrutamento, com escritório em São Paulo.

Para checar se o seu time está agindo bem, os especialistas indicam um simples termómetro. Quanto mais tensão a frase “vem aqui que eu vou te dar um feedback” causar, menor será a eficiência desse processo. “Na cabeça de muitos gestores feedback é uma ferramenta para punir pessoas e simplesmente dizer o que e!as não fazem bem Sem sugerir como ela podem fazer para melhorar”, explica Pelliccia, do Hay Group. Uma armadilha e tanto. “Cabe ao RH ser um multiplicador, fazer com que as outras áreas entendam o conceito de Feedback e o utilizem da melhor forma, diz forma”, diz Augusto Puliti, gerente da divisão de recursos humanos da Michael Page. ” Quanto mais essa cultura for forte na organização, mais natural e eficiente será esse processo.”

 

APRENDENDO COM OS ERROS

É preciso ter consciência de que discutir a relação não é fácil. Até os profissionais de RH (teoricamente mais aptos a compreender esse momento já derraparam. Vera se lembra de diversas situações em que errou ao dar feedback. “No começo, apresentava minha conclusão de cara”, lembra. Depois de passar por relações delicadas com profissionais da equipe, ela começou a evitar julgamentos. ” Hoje, antes da conclusão, passo pelo processo de discussão com o interlocutor. Aprendi que dar a oportunidade de ele discutir comigo e chegar a uma conclusão conjunta torna o feedback muito mais eficiente,” afirma Deborah de Toledo, diretora de relações humanas da Totvs, empresa brasileira de software de gestão com 9.000 funcionários, aprendeu a mesma lição há mais ou menos três anos. “Hoje, não digo o que a pessoa tem de fazer. Apenas mostro o que não está bom e pergunto o que ela poderia fazer para melhorar. Os gestores devem saber que essa é uma boa forma de envolver pessoas”, recomenda.

Há também quem descobriu que feedback está muito além de uma conversa formal. Paulo Amorim, diretor de recursos humanos da fabricante de computadores Deli Brasil, aprendeu que feedback é coisa para se fazer em cima do lance. “Adoro a linha do retorno imediato”, diz ele. Os 15 profissionais de sua equipe já sabem que, se durante uma reunião eles não tiverem um comportamento muito adequado, serão chamados logo em seguida para um bate-papo. “Muita gente posterga o momento do feedback e deixa o fato cair no esquecimento, o que é um erro. Precisamos de exemplos concretos do comportamento que queremos modificar ou reforçar num colaborador”, afirma ele.

Também contra o esquecimento, Amorim passou a registrar os feedbacks. Depois da conversa com o subordinado, ele tem por hábito enviar um e-mail relembrando o que foi discutido e acordado entre eles. ” Eu recomendo esse cuidado aos gestores de modo geral. É preciso lembrar que nem você nem seus colaboradores ficarão no mesmo cargo para sempre. O registro será válido quando for preciso resgatar uma determinada situação”, afirma Pelliccia, do Hay Group, concorda com a ideia dos feedbacks instantâneos. “Não adianta uma vez por ano dizer a um profissional que ele chegou atrasado nas 12 reuniões de que participou. Ele vai perguntar por que você não disse isso na segunda reunião, quando ele ainda teria dez oportunidades de fazer diferente”, afirma Pelliccia.

A necessidade de dar feedback em tempo real, no entanto, não deve deixar a ansiedade atropelar outro ponto igualmente importante, o da preparação. É preciso pensar antes de    chamar para a conversa. Foi o que aprendeu Veridiana Fernandes, diretora de recursos humanos do Renaissance São Paulo Hotel. No início de sua carreira, a ânsia por fazer tudo certo atrapalhava o processo.” Eu era muito afoita, tinha que falar com a pessoa na hora, mesmo sem me preparar para aquilo”, afirma. Hoje, com dez pessoas em sua equipe, ela aprendeu, antes de chamar uma delas para conversar, a pensar nos pontos que deseja focar, nos exemplos que vai apresentar e no melhor momento e local. “Esse preparo é essencial, mas não deve ser longo. O feedback tem que ser dado no momento em que o erro acontece ou no máximo, 48 horas depois, recomenda.

Controlar a ansiedade também ajuda o gestor a usar a sensibilidade para se colocar na pele do interlocutor e observar sua reação. Um feedback tem que ser construtivo sempre, seja para elogiar, seja para criticar. A pior coisa que pode acontecer a um profissional é receber um feedback destrutivo. em que ele se sente humilhado, alerta Puliti, da Michael Page.

 

FÓRMULA IDEAL

Segundo Rolando Pelliccia, do Hay Group, a fórmula mágica do feedback poderia ser resumida em uma sigla, FIM: fato (sobre o qual estou falando), impacto (desse fato no comportamento ou no resultado do profissional) e motivo (razão de negócios ou desenvolvimento que leva o gestor a dar esse feedback). “Se o gestor não tem resposta para esses três pontos, é melhor nem começar o diálogo”, afirma.

Por fim, vale a pena relembrar regras básicas do feedback eficiente. Primeiramente, evitar a linguagem subjetiva. É melhor substituir coisas do tipo “Eu tenho a impressão de que você está sempre atrasado” por algo como ” as últimas três reuniões, você chegou atrasado e isso atrapalhou o andamento do projeto. Como poderíamos melhorar sua pontualidade?”. “Quando você não coloca um rótulo ou um adjetivo no profissional, tem mais chances de modificar o comportamento dele”, diz Pelliccia.

É importante também que o gestor seja tão factual para criticar quanto para elogiar. A falta de objetividade no feedback de mudança ou de reforço faz com que o profissional não entenda o que deve mudar ou manter em seu comportamento.” O mais importante é ter em mente que, embora o feedback seja especialmente difícil para brasileiros, que não querem ficar mal com ninguém, ele é uma situação profissional”, afirma Veridiana, do Renaissance. “Você dá todas as chances para a pessoa saber o que você pensa dela e reverter o quadro, se for o caso”, afirma.

 

CONVERSA TRUNCADA

Conheça, os principais erros na hora de dar feedback:

  • Basear a conversa apenas em impressões. É preciso apontar fatos e exemplos de bom e mau comportamento do colaborador.
  • Perder a hora. O melhor momento de dar o feedback é quando o erro (ou o acerto) ocorre. Quem posterga demais acaba deixando o fato cair em esquecimento.
  • ir direto à conclusão. Estabelecer um diálogo é a melhor forma de envolver as pessoas.
  • Usá-lo como ferramenta de punição. Dar feedback não é só criticar. É preciso apontar caminhos para que a pessoa saiba por onde seguir para melhorar.
  • Uma conversa cheia de adjetivos tem mais chances de ser levada para o lado pessoal.
  • Não se colocar no lugar do outro. É preciso ter sensibilidade gerencial para saber se o interlocutor está preparado para receber e compreender o feedback.

 

Fonte: Fernanda Bottoni / Revista Você RH

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

Deus Está Disposto — E Você?

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3:16).

 

Ser mal compreendido é algo que a maioria das pessoas detesta ardentemente. A pessoa tem boas intenções e, no entanto, o que faz é mal interpretado como se fosse para o mal. Ela faz algo em amor, mas é interpretado de modo oposto. Há muitas coisas no mundo que irritam as pessoas, e o serem mal compreendidas certamente é uma delas. Contudo, desejo falar-lhes acerca daquele que é o mais mal compreendido pelo mundo inteiro: o próprio Deus!

No instante em que ouvimos a palavra “Deus” imediatamente tornamo-nos infelizes e nos sentimos mal, como se acreditássemos que esse Deus fosse alguém que não tivesse nenhum pensamento bom para com os homens.

Assim, temos dois grupos de pessoas no mundo: o que já ouviu falar de Deus e crê no Senhor Jesus e o outro que ainda não crê em Deus e no Senhor Jesus. Creio ser mais do que provável que os que já creram podem testificar que antes de crerem, sentiam-se incômodos até com a menção de Deus ou de Jesus. Mas ao crer de verdade, todos eles, sem exceção, provavelmente disseram: “Como gostaria de ter crido antes!”

A vantagem de crer no Senhor Jesus excede em muito a de receber uma herança. Pois a Palavra de Deus nos diz que ao crermos no Senhor Jesus iremos para o céu e teremos a vida eterna. Eu também ouso testificar da verdade desta afirmativa. A primeira coisa que pediria de você é que não tivesse medo de ouvir falar de Deus e que também não imaginasse que o pensamento dele para com você seja para o mal.

Você pode estar-se perguntando que tipo de Deus ele é. Ele me salvará? Pode ele salvar uma pessoa como eu? Você está, pois, cheio de dúvidas. Desejo dizer-lhe que Deus não somente tem pena de você, não somente tem cuidado de você e não somente o nota, mas que também o ama! Desde o início do tempo, a coisa mais difícil para Deus era amar os homens. Entretanto, a primeira coisa que fez depois de o homem ter pecado contra ele foi amar. Seu pensamento para com os homens é bom. Como anseia ele que os homens sejam salvos! Mas você pode nutrir a ideia de que Deus é por demais feroz e cruel a deseja que você fique longe dele. O Livro de Deus, porém, declara que ele é amor! Você é pecador, contudo Deus o ama. Você está longe dele, no entanto ele o ama.

Vez após vez, Deus enviou seus servos para transmitir a mensagem de amor ao homem. Por exemplo: “Acaso pode uma mulher esquecer-se do filho que ainda mama, de sorte que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta viesse a se esquecer dele, eu, todavia, não me esquecerei de ti” (Isaías 49:15). Quanto ele nos ama! Até mesmo exemplifica seu amor com um exemplo extremo: “Se um homem repudiar sua mulher, e ela o deixar e tomar outro marido, porventura aquele tornará a ela? Não se poluirá com isso de todo aquela terra? Ora, tu te prostituíste com muitos amantes; mas ainda assim, torna para mim, diz o Senhor” (Jeremias 3:1).

Quão desejoso Deus está de receber-nos a nós, pecadores; entretanto, não estamos dispostos a acreditar no fato de que Deus ama os homens. As pessoas continuamente indagam sobre como Deus poderia ser tão bom. Não obstante, devo dizer-lhe que Deus é, deveras, amor! Ele amou o mundo de tal maneira que finalmente concebeu um plano pelo qual ele próprio viria ao mundo como homem para que pudesse falar-nos do seu amor.

Ele nos ama, ele gosta de nós, ele deseja que estejamos perto dele, mas não compreendemos o seu coração. A Palavra de Deus informa-nos como, outrora, mediante seus servos Deus revelou à humanidade o desejo do seu coração amoroso para conosco mediante porções diversas e maneiras diferentes (ver Hebreus 1:1, 2), mas o homem falhou em compreender. Assim, ele não teve alternativa senão vir a este mundo e tornar-se homem; e este homem é quem conhecemos como Jesus Cristo. Pudesse eu ter-me tornado um pássaro, teria sido aclamado como humilde. Entretanto, é preciso que Deus seja muito mais humilde para tornar-se homem.

O Deus da glória condescende em ser homem. Que grande humildade! Aquele que está acima de tudo esvaziou-se a si mesmo tomando a forma de homem. Permitam-me dizer que a vida terrena do Senhor Jesus teve o propósito de expressar o coração amoroso de Deus para com os homens. Se você ler a biografia de Jesus, descobrirá que ele não é apenas um homem bom, mas o Deus do céu que se tornou homem. Antes compreendíamos mal a Deus, pensando que ele nos odiava; agora ele se torna homem. Como é Jesus, assim também é Deus. Em seus trinta e três anos na terra Jesus nada mais manifestou que o coração de Deus. A maneira pela qual ele tratou as pessoas na terra é o modo pelo qual Deus sempre nos trata.

Certo dia um leproso chegou-se a Jesus e adorando-o, disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me” (Mateus 8:2). Teria sido fácil para Jesus purificá-lo com uma simples palavra; no entanto, ele “estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero, fica limpo!” (v. 3). Imagine a sujeira e o mau cheiro de um leproso. Não obstante, o Senhor, estendendo a mão, o tocou, mostrando sua infinita simpatia para com o homem. É como se o Senhor dissesse: “Por que não estás disposto a vir a mim? Porém, se vieres, tocar-te-ei.”

Em outra ocasião trouxeram ao Senhor uma mulher apanhada no ato do adultério. Seus acusadores, judeus, diziam que segundo a lei de Moisés ela devia ser apedrejada até morrer. O Senhor Jesus não podia negar que ela houvesse pecado; entretanto, seu coração não permitiu que ela fosse apedrejada. Assim, ele desafiou a multidão: “Aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra” (João 8:7b). A consciência dos acusadores convenceu-os de seus próprios pecados, e um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, retiraram-se dali, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Que lhe disse Jesus? “Ninguém te condenou?” foi sua pergunta. Respondeu ela: “Ninguém, Senhor.” Então lhe diz Jesus: “Nem eu tão pouco te condeno; vai, e não peques mais” (w. 10b, 11). E digo a todos os que me ouvem: Deus não os odeia, ele os ama.

Ainda em outra ocasião, um coletor de impostos chamado Mateus convidou a Jesus e a muitos publicanos e pecadores para jantarem em sua casa. Segundo o consenso daquele tempo, os publicanos (ou coletores de imposto) eram detestados pelo povo. Durante este período, Judá, como nação, estava destruída e sob o governo romano. O cidadão do país vencido que trabalhasse para aquele que havia conquistado sua gente e tratado mal seus conterrâneos, era considerado deveras desprezível. Esses conterrâneos jamais se sentariam à mesma mesa com tal pessoa. Mas o Senhor Jesus foi à casa de Mateus e lá partiu pão com muitos publicanos. Ao ver isto os fariseus, disseram aos discípulos de Jesus: “Por que come vosso Mestre com os publicanos e pecadores?” (Mateus 9:11). Começaram a discutir com eles e a criticá-los. Qual foi a resposta do Senhor Jesus a essas críticas? Ele disse: “Os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes… Pois não vim chamar justos, e, sim, pecadores” (w. 12, 13). Percebem aqui que Jesus abriu o coração de Deus para que os homens o vissem? Talvez você pense ser um pecador tão mau que está a se perguntar se Deus o odeia. Ou pode ser que você tenha sido ladrão, adúltero, mentiroso, ou pecador lascivo. Você indaga se Deus jamais o aceitará. Entretanto, o Senhor Jesus abriu o coração de Deus para que você o visse. Ele diz-lhe que Deus o quer e que o ama. O que Jesus quer dizer é que Deus é como o médico que não tem medo dos doentes. Logo, devem os enfermos ter receio do médico? Não, não devem. Entretanto, alguns podem dizer que daqui em diante estão decididos a ser bons, que não mais perderão o controle, e que não mais jogarão. Não obstante, em dois ou três dias voltarão aos seus antigos hábitos. Ora, alguns, portanto, poderão pensar que Deus não os ama e deseje que pereçam. Mas isso não é verdade de maneira alguma. Pelo contrário, Deus os quer, porque os ama. Ah, espero fervorosamente que você faça o seguinte: retire o véu dos olhos a fim de ver que Deus não tem má intenção contra você. Antes, ele o ama.

Os que conhecem a Palavra de Deus podem testificar que ele só está contente quando nos tem. Isto acontece porque ele não apenas tem piedade e cuidado de nós; ele também nos ama. A mãe pode amar o filho, mas Deus nos ama com amor muito mais profundo. O casal pode amar um ao outro, mas Deus nos ama com amor maior. Pode ser que vocês jamais tenham pensado na maneira de Deus tratar as pessoas. Desejo informá-los hoje de que Deus ama a cada um de vocês!

Ora, porque Deus é amor ele fez duas coisas na terra. Ele sabe muito bem que o mundo não pode amá-lo, achegar-se a ele e adorá-lo por um motivo: todos pecaram. Os pecadores, portanto, devem perecer e ir para o inferno. Consequentemente, primeiro Deus veio ao mundo na pessoa do seu Filho e morreu por nós na cruz do Calvário fora de Jerusalém. O Filho de Deus levou os nossos pecados para que não pereçamos, mas tenhamos a vida eterna.

Você, muitas vezes, ouve pregadores declararem que os homens pecaram, que devem ir para o inferno e que o Senhor Jesus levou nossos pecados ao morrer na cruz em nosso lugar. Você tem-se indagado por que o pregador lhe entrega mensagem como essa? É porque basta a pessoa cometer um único pecado, um pecado que dure apenas um segundo, para que ela vá para o inferno. Será que você não pecou em um mês, ou em um ano? É possível que você não tenha feito nada mau nem dito nada errado? Pode ser que por um minuto, ou até mesmo por um segundo, você deu guarida a um pensamento impróprio, que nem mesmo seus pais ou sua esposa conhecem. Tal pensamento é suficiente para mandá-lo para o inferno. Compreendamos que Deus odeia o pecado com grande intensidade. Nosso sentimento humano contra os pecados mais horríveis não é para se comparar com o ódio que Deus tem até mesmo pelo menor dos pecados.

O ódio que pudéssemos ter contra todos os pecados do mundo seria muito menor do que a repugnância de Deus pela menor de nossas mentiras. Ele sabe que os homens pecaram e só encontrou uma solução: ele próprio deve vir ao mundo e tornar-se homem e levar o pecado do mundo na cruz cruel. E isto ele fez, mostrando seu coração de amor. E essa foi a primeira grande coisa que Deus realizou na terra.

E mais, Deus reconhece que apesar do fato de o Senhor Jesus ter morrido por nossos pecados, ainda podemos transgredir depois de termos crido nele. Por este motivo Deus dá o Espírito Santo (seu próprio Espírito) para habitar em nós para que possamos ter o poder de não pecar. E essa foi a segunda grande coisa realizada por Deus que também mostra seu coração de amor e interesse pela humanidade., Logo, Deus oferece-nos duas grandes graças: a primeira fez com que Jesus morresse por nós para perdoar-nos os pecados; a outra faz com que o Espírito Santo habite naqueles de nós que cremos a fim de que possamos ter o poder de não pecar no futuro.

Percebem quanto é difícil vencer o pecado? Tomem a honestidade como exemplo. Fico a imaginar quantos de nós somos honestos. Muitas vezes você pode ter um pensamento mau e do qual não consegue livrar-se. Pode ser que você odeie alguém e não consiga perdoar-lhe. Pode ser que você deseje criticar alguém ou disseminar a discórdia. Você pode mentir frequentemente e agir com astúcia. Deus sabe o quanto você pecou. Entretanto, ele não somente perdoará todos os seus pecados, mas também colocará em você o seu Espírito para que você tenha o poder de vencer o pecado e ser uma pessoa pura. É esse o coração de Deus! E o que Deus deve fazer, já o fez. Ouso dizer hoje que no que se refere à salvação, não há -problema do lado de Deus. O problema hoje está do seu lado: se você vai crer ou não. Ouso dizer hoje que Deus o quer. Com referência a isto deixe-me ler algo que o próprio Senhor Jesus disse enquanto estava na terra.

“Jerusalém, Jerusalém! que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mateus 23:37). Deus em Cristo está desejoso, mas os homens não querem. O Senhor chorou por Jerusalém. Como ele gostaria de proteger as pessoas na cidade, pois as amava; mas elas não quiseram permitir-lhe. Se houver alguém aqui que já percebeu ser pecador, então saiba que o Senhor Jesus diz: “Eu o amo, desejo salvá-lo,” Você está disposto hoje? Não há dúvida quanto a Deus, mas está você disposto? Quem pode culpar a Deus se a pessoa ouvir o evangelho hoje e for para o inferno no futuro? Permita-me reiterar o fato de que Deus o deseja e o ama. Quantas vezes ele diz que o quer e você diz que não!

Há outra passagem que merece nosso exame: Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1 Timóteo 2:14). Ele deseja que todos os homens sejam salvos. Este é o coração de Deus!

Há outro versículo bíblico que gostaria de deixar com vocês: “Contudo não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:40). Não é Deus quem não quer dar-nos vida; somos nós que não estamos dispostos a receber a vida. Portanto, compreenda, por favor, que se você tiver um desejo, pequeno que seja, de ser salvo, de ter a vida eterna, de ser liberto dos pecados e de ir para o céu, então compreenda claramente que você pode ter tudo isso, porque Deus está desejoso de dá-los a você. Pois qual é a vontade dele? Que todos os homens se salvem. Não tenha medo, pois: não há problema no lado de Deus; o problema é inteiramente seu.

Quantas vezes nos vem o pensamento: “Sou pecador; Deus jamais haveria de querer-me!” Mas, permita-me apresentar-lhe as boas-novas de que ele jamais trancou a porta. Portanto, não há absolutamente nenhum problema da parte de Deus; o problema todo reside em você. Se hoje o pecador dispuser-se a vir a Deus, dizendo: “Sou pecador, compreendi-te mal, mas sei que estás disposto a aceitar-me hoje”, ele será salvo.

Certo dia o Senhor Jesus contou uma parábola acerca de um filho que pediu ao pai a parte da herança que lhe pertencia e foi para um país distante; lá gastou tudo o que tinha e finalmente decidiu voltar para casa. Mas estando ainda longe o filho pródigo, o pai o viu e, movido de compaixão, correu, abraçou-o e beijou-o (veja Lucas 15:11-32). Isto também revela o coração de Deus. Declaro a todos hoje que Deus os chama de volta ao lar, pois o Senhor Jesus já morreu por você e o Espírito Santo já veio.

Ninguém precisa ir para o inferno. Pelo contrário, é preciso lembrar que Deus é amor. Você será salvo se hoje estiver disposto a dizer a ele: “Ó Deus, sou pecador, desejo vir a ti, pois quero tua salvação.” Se isto deveras acontecer, você e também ele terão grande júbilo.

Porque Deus é amor.

Extraído do Livro “CHEIO DE GRAÇA E DE VERDADE”, de Watchmann Nee

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A FELICIDADE A QUALQUER PREÇO?

 Cultivamos o mito de que se nos amamos e permanecemos juntos tudo ficará bem. Mas em civilizações como a nossa, obcecadas com a satisfação, prevalecem também a competição e a inveja

A Flicidade a qualquer preço

Butão e Costa Rica disputam atualmente o título mundial de felicidade. Nos anos 30, o troféu coube às Ilhas Salomão, onde os antropólogos mostraram que havia liberdade com os costumes sexuais e compreensão para com a educação das crianças. Na Idade Média os paraísos medievais eram feitos de comida abundante e segurança, assim como as utopias modernas giraram em torno da liberdade e da igualdade. As variações de conteúdo sugerem uma constante: a felicidade é composta do que nos falta, mais exatamente, da relação com o que nos falta. Se entre nós e o que nos falta está o trabalho, temos uma relação com a felicidade. Se entre nós e o que nos falta está o amor, eis que a felicidade muda de figura. Se nos falta dinheiro, poder ou fama, ali estará a substância da felicidade.

A felicidade depende da teoria da transformação que carregamos conosco. Se entre nós e o que nos falta existe apenas e tão somente uma imagem, a transformação desta imagem será o processo mesmo a que chamaremos felicidade.  Se entre nós e o que nos falta existe um oceano (que nos levaria às Ilhas Salomão), então nossa felicidade tem estrutura de viagem. Se entre nós e a felicidade está a presença incômoda de pessoas indesejáveis e seus costumes perturbadores, então nossa felicidade seguirá a gramática da guerra ou da segregação.

O terceiro critério de produção da felicidade diz respeito ao outro. Por exemplo, nos faltam asas, mas em geral não nos lamentamos sobre isso. Afinal, ninguém tem asas. Nossa felicidade depende de como supomos a felicidade de nosso vizinho. Se ele aparecesse com asas biônicas, imediatamente nos tornaríamos seres infelizes, afetados por esta privação. Civilizações obcecadas com felicidade, como a nossa, são também culturas de inveja e da competição.

É porque nossa felicidade depende de nossa teoria transindividual da transformação em relação ao que nos falta que a tarefa de educar nossas crianças tornou-se um desafio contemporâneo. Queremos tanto fazê-las felizes porque isso realiza nossa felicidade, satisfação perdida. Aqui a armadilha tem sido fatal. Imaginamos que o encontro de contrariedades reais traz infelicidades, por isso tentamos poupar nossos alunos de experimentarem sua própria falta. Supomos, depois, que nossa teoria da transformação será igual à deles (afinal, vivemos mais, sabemos como é o mundo), por isso não trabalhamos para que eles construam responsabilidade ou implicação com a felicidade que lhes concerne inventar.  Além disso, sancionamos a ilusão da felicidade indiferente, baseada no conforto e na satisfação de si, custeada pelo mito de que se nós nos amamos e ficamos juntos e protegidos tudo vai terminar bem. Infelizmente, usado desta maneira o amor mata ou imbeciliza.

Praticada dessa maneira, produzimos com eles uma felicidade feita de negação de diferenças reais (que, portanto, não serão tratadas), de recusa de falsidade nas experiências de reconhecimento (que, portanto, serão odiadas) e de imperativos de sucesso que correspondem à realização, empobrecida, de nossa própria felicidade, não da deles. É assim que estamos prometendo uma felicidade venenosa e ainda queremos fazer das escolas uma extensão deste projeto mórbido. Precisamos de uma felicidade mais cara – esta está dando errado.

Fonte;

Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

Revista Mente e Cérebro, 08/2017

GESTÃO E CARREIRA

ESTRESSE OCUPACIONAL: SEUS SINTOMAS E COMO COMBATER

O estresse ocupacional vem com as exigências e o ritmo de trabalho atuais, assim como a falta de autonomia ou um ambiente profissional ruim, um dos principais problemas dos trabalhadores e empresas atualmente.

estresse no trabalho

No Brasil, segundo dados da Isma-BR (International Stress Management Association), 9 entre 10 pessoas que estão no mercado de trabalho têm sintomas de ansiedade e 47% da população sofre de depressão. Complicações cardiovasculares e transtornos do sono são algumas consequências do estresse ocupacional na saúde, assim como o isolamento social e produtividade baixa no trabalho. Este tipo de estresse é um dos desafios que a grande maioria dos trabalhadores tem de enfrentar atualmente, já que seus efeitos acontecem no local de trabalho, mas também podem repercutir no ambiente social e familiar. A Dra. Blanca Usoz, especialista em Medicina Ocupacional e Familiar da Doctoralia, relata abaixo os principais fatores que levam ao estresse em ambientes profissionais.

Quais fatores estão por trás do estresse ocupacional?

Os fatores causadores do estresse ocupacional são chamados de “riscos psicossociais”, e são: falta de controle ou autonomia sobre os processos, carga de trabalho excessiva, baixo apoio social, horário de trabalho incompatível ou pouco flexível, compensação insuficiente, entre outros.

Como o estresse ocupacional afeta a saúde?

O estresse ocupacional é um tipo de estresse crônico, por isso tende a afetar a saúde das pessoas, contribuindo para o surgimento de transtornos ou doenças cardiovasculares, doenças musculoesqueléticas, Síndrome de Burnout(esgotamento) e depressão. Também pode levar à adoção de um estilo de vida pouco saudável: má alimentação, transtornos do sono e, inclusive, maior consumo de tabaco e álcool. Estes transtornos estão relacionados de tal forma ao estresse ocupacional que alguns países chegaram a incluí-los em listas de patologias do trabalho.

O estresse ocupacional pode afetar a vida social e o trabalho?

No ambiente social, o estresse ocupacional pode provocar isolamento e negligência pelas relações sociais (família, amigos, cônjuge…). No ambiente ocupacional, essa situação pode levar falta de engajamento, diminuição de motivação e satisfação, rendimento reduzido, entre outros, afetando a produtividade e a competitividade da empresa.

Não tenho excesso de trabalho. Posso estar estressado?

Mesmo que tudo indique que o estresse ocupacional venha a ser consequência de excesso de trabalho, nem sempre é assim. Uma atividade ocupacional pouco exigente, sem conteúdo, na qual o trabalhador não possa desenvolver suas capacidades pessoais pode ser igualmente causadora de estresse.

Quais medidas podem ser adotadas para controlar e prevenir o estresse ocupacional?

As empresas e os trabalhadores têm responsabilidade sobre a prevenção e o controle do estresse ocupacional. É fundamental que as empresas percebam a importância desse assunto e adotem medidas para detectar possíveis riscos e preveni-los, tanto coletivamente dentro da organização, quanto individualmente. Entre as principais medidas, é preciso estimular a participação dos funcionários, para que todos se sintam envolvidos, ter uma boa comunicação dos objetivos da empresa e a adaptar a carga de trabalho, de acordo à aptidão de cada empregado. Por outro lado, entre as medidas de caráter individual, deve-se reforçar o estilo de vida saudável e a resiliência pessoal. Recomendo fazer pausas ou descansos no trabalho e praticar técnicas de relaxamento, pois são ações que ajudam a administrar melhor as pressões e exigências do trabalho causadoras do estresse ocupacional.

Fonte: Assessoria de Imprensa Doctoralia

PSICOLOGIA ANALÍTICA

AS DUAS FACES DO NASCISISMO

Para entender melhor esse traço, psicólogos criam “subdivisão”, com base em características de personalidade.

Narcisismo

Narcisismo é um daqueles termos bastante usados por muita gente, mas nem sempre da forma como o fazem psicólogos e psicanalistas. No senso comum, aliás, muitas vezes assume conotação pejorativa, como sinônimo de egoísmo ou orgulho. Para a psicanálise, é um aspecto fundamental para a constituição psíquica. Nos primeiros anos de vida, é importante ter a sensação de que somos amados e valorizados para um desenvolvimento emocional saudável. Aos poucos, porém, conforme vamos crescendo e nos fortalecemos, percebemos que as frustrações são inevitáveis e podemos sobreviver a elas. Fundamental para confirmar e sustentar a autoestima, o amor-próprio se traduz de maneiras variadas, que incluem desde cuidados consigo mesmo até tolerância aos próprios erros e capacidade de se expor, seja dançando ou falando em público, por exemplo. O exagero, no entanto, indica a fixação numa identificação vivida na infância – o que pode comprometer relacionamentos tanto na vida pessoal quanto profissional e causar grande insatisfação.

Atualmente, vários psicólogos consideram uma distinção entre dois aspectos marcantes do narcisismo: busca de admiração e reconhecimento de um lado; competição e tendência a desenvolver rivalidades do outro. Pesquisas recentes se dedicaram a investigar o comportamento de um tipo específico de profissional, associado à busca literal de aplausos: os atores. As observações revelam nuances interessantes de personalidades em que predominam traços narcísicos. Por exemplo, os artistas pareciam desejar a admiração muito mais fortemente do que a maioria das pessoas, no entanto tendiam a ser menos competitivos do que a média: almejavam ser o centro das atenções, mas não necessariamente tentavam impedir que os outros alcançassem esse lugar.

Esse novo jeito de compreender o narcisismo, considerando duas dimensões, aparece pela primeira vez em um artigo publicado no Journal of Personality and Social Psychology. “Teorias e medidas anteriores abordavam o traço a partir de uma construção unitária, relacionando aspectos denominados “agênticos”, como assertividade e dominância, com antagônicos, agressividade e desvalorização dos outros, por exemplo”, observa o psicólogo Mitja Back, professor da Universidade de Münster, na Alemanha, principal autor do estudo. Juntar esses dois elementos, porém, pode confundir a compreensão do comportamento narcisista.

A equipe de Back estudou centenas de indivíduos saudáveis e descobriu que as características relacionadas a esse tipo de personalidade podem ser agrupadas em duas categorias que, de qualquer forma, servem para manter a autoimagem positiva. Quem se autopromove pode aumentar as chances de conseguir elogios, enquanto aqueles que assumem uma posição defensiva, não raro, tentam humilhar outros para se defender de críticas. A busca pela admiração e a rivalidade provocam efeitos diferentes sobre a linguagem do corpo, a qualidade dos relacionamentos e a personalidade.

O artigo mais recente sobre o tema, publicado na Social Psychological and Personality Science, mostra que atores e estudantes de teatro foram considerados por si mesmos e por outros como mais preocupados com a admiração quando comparados com pessoas que não eram da área. “Embora ganhar papéis relevantes exija competir com os colegas, trabalhar em grupo requer colaboração – e esse aspecto também os atrai: os resultados mostram que atores tendem a apresentar poucos comportamentos de rivalidade”, diz o coordenador da pesquisa, psicólogo Michael Dufner, da Universidade de Leipzig, na Alemanha, que colaborou com Back nos dois artigos. “Esse resultado nos faz pensar que, embora as pessoas sejam egoístas, não vão necessariamente ‘puxar o tapete’ das outras.” Back observa ainda que aquilo que nos atrai em parceiros sociais à primeira vista não costuma ser o que nos deixa satisfeitos em relações de longo prazo. “Mas em todos os casos um fato tende a se repetir: mesmo que pessoas com traços predominantemente narcisistas apresentem um lado brilhante e encantador, quase sempre é questão de tempo antes que essa imagem se desfaça e aqueles que estão por perto se afastem”, acredita Back.

O RAPAZ QUE SE APAIXONOU PELA PRÓPRIA IMAGEM

Segundo o mito grego, Narciso era uma criança tão bela que sua mãe resolveu pedir conselhos ao sábio Tirésias sobre o futuro do garoto. O ancião lhe disse que o menino teria uma vida curta se mirasse a própria imagem. Na adolescência, Narciso era um jovem belíssimo, mas muito orgulhoso. Um dia, inclinou-se num lago para matar a sede, quando viu seu reflexo e encantou-se pela própria imagem. Deslumbrado, não comia nem dormia. Uma jovem chamada Eco, apaixonada por ele, tentava chamar sua atenção, mas Narciso só olhava para si mesmo. Realiza-se, então, a profecia de Tirésias: o rapaz mergulha no espelho e desaparece no encontro impossível, perdendo-se na própria imagem, sem perceber a possibilidade de um encontro efetivo com Eco.

Com base no mito, Freud desenvolveu um dos conceitos mais importantes de sua teoria – o narcisismo. Mencionado pela primeira vez em seus escritos em 1909, é apresentado como uma fase própria do desenvolvimento humano, quando se realiza a passagem do autoerotismo, do prazer centrado no próprio corpo, para o reconhecimento e a busca da satisfação fora de si mesmo.

GESTÃO E CARREIRA

business team standing

ROUPA DE TRABALHO: HOMENS, MULHERES E ROUPAS

A despeito das infindáveis diferenças que há entre nós, uma coisa é certa: todos, homens e mulheres (e todas as variações de gênero que têm se incorporado a este binômio), amanhã nos levantaremos e vestiremos alguma coisa antes de sair à rua, seja para ir à padaria, ao trabalho ou a uma festa.

Eleger e carregar uma roupa sobre si é inescapável e, embora eu arrisque dizer que uma grande porcentagem da população o faz de maneira automática, vez ou outra o indivíduo se verá diante do espelho fazendo escolhas — ou, diante de outras pessoas, descobrindo-se sujeito a toda sorte de leituras pelas escolhas feitas ou não.

A questão é que não estamos acostumados a pensar sobre roupas como ferramenta de comunicação e ficamos reféns de uma leitura superficial, estimulada pela mídia e pelo senso comum, que pretensamente nos ensinam a originalidade ou a adequação. A situação se agrava quando nos damos conta de que tal conteúdo é oferecido maciçamente ao público feminino, reforçando a ideia de que esse tema não interessa — e não interfere — na vida dos homens. Mas voltemos à primeira frase deste texto: amanhã, todos, homens e mulheres, nos vestiremos antes de sair de casa. E, sim, depois estaremos todos igualmente sujeitos às leituras de nosso discurso visual. Por que, então, deveriam estar os homens à margem dessa conversa?

A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA MASCULINIDADE

Historicamente, o vestuário masculino passou por inúmeras mudanças, mas sempre manteve a intenção de traduzir os atributos ligados à ideia de masculinidade — entenda-se, aqui, o homem cisgênero, heterossexual, num contexto patriarcal e economicamente favorável. Durante anos a vestimenta masculina mereceu mais atenção e elaboração do que a feminina, reforçando justamente seu grau de importância — Luís XIV, o Rei Sol, talvez seja a melhor ilustração para a suntuosidade do traje masculino e a vaidade permitida (e estimulada!) aos homens então. Esse percurso de diferenciação entre gêneros se explicita já no final do século XII com as inovações nas armaduras medievais, que tanto emulavam o corpo potente do guerreiro quanto exigiam a produção específica de trajes de baixo por um armeiro que trabalhava com linho, deixando claro que as técnicas de produção também são uma forma de conferir importância ao traje. Até o século XVIII, o vestuário masculino estava pautado pela opulência que tornava visíveis as relações de poder. Enquanto isso, o vestuário feminino pouco se alterou em relação às conservadoras formas clássicas tradicionais.

Um novo contexto, porém — guerras, ascensão burguesa e expansão do protestantismo — engendra outra forma de vestir para os homens. Assim como a arte e a arquitetura, o vestuário de fins do século XVIII vai buscar na Antiguidade clássica um visual de linhas mais simples que ecoa as ideias de aproximação da natureza, racionalidade e até mesmo liberdade e igualdade em voga nas principais capitais europeias, em oposição à artificialidade empoada e maneirista da nobreza decadente. A silhueta neoclássica evoca o heroísmo inato em cada homem e volta-se para as representações gregas em que a nudez do corpo masculino, perfeito, traduz também suas qualidades morais e mentais. Os alfaiates da época buscaram soluções para a construção de um traje que se aproximasse anatomicamente desse corpo e exaltasse, como ele, a nobreza, a força e a honestidade desse novo homem — está dado assim o primeiro passo para a consagração do traje moderno: sua excelência, o terno.

O HERÓI DESMASCARADO

Pois bem, chegamos assim ao ponto de convergência entre esta breve digressão histórica e a inquietação que me move a escrever para o público masculino. Dois séculos depois de uma invenção que antecipou a modernidade pela sagacidade com que estruturou tecido e desejo e consolidou a imagem de masculinidade lapidada ao longo do tempo, o terno torna-se então e, por isso mesmo, quase prisão. Tão bem materializou os anseios do papel social do homem que hoje é um dos elementos do discurso visual de significado mais fechado e, portanto, reiterador não apenas de um modo de vestir, mas principalmente de pensar.

A sociedade industrial do século XIX e início do século XX consagrou as roupas de trabalho, que explicitavam as relações hierárquicas e a organização social de classes com códigos facilmente reconhecíveis. Mas mudanças em todos os âmbitos da sociedade, inclusive na própria produção têxtil, com a popularização do prêt-à-porter, pavimentaram caminhos para outras e diferentes formas de se entender e usar a moda.

Nos últimos 60 anos, a determinação do gosto pela classe dominante deixou de ser exclusiva e vimos a ampliação dos discursos possíveis, com a apropriação de códigos específicos de determinados grupos, legitimados pelo cinema, pela música e por outros movimentos culturais e incorporados pela indústria da moda. A roupa de lazer — e própria valorização do tempo de lazer — abriu espaço para maior expressão da individualidade. A pós-modernidade autorizou voos de imaginação do vestuário que transcendem a visão austera de gêneros e papeis sociais.

Tudo isso pode ser uma incrível possibilidade de reinvenção para o homem contemporâneo. Mas esse não é um movimento fácil e, devo frisar, tampouco deve ser exclusivamente masculino. A fantasia heroica da qual é tão difícil despir-se foi legitimada por homens e mulheres durante muito tempo — e traz consigo também uma construção do que seja o feminino que merece igualmente ser analisada. Naturalizamos ideias e pré-conceitos dos quais sequer nos damos conta, mas é preciso desautomatizar. Temos que nos arriscar juntos a novas sintaxes.

Somos sujeitos do tempo presente; podemos fluir com ele ou esperar que nos arraste. Propor que revisemos nossa própria imagem é uma provocação que faço com imenso prazer: ela é o disparador para que olhemos atentamente para nós mesmos e, em seguida, à nossa volta. E sei que, se estivermos disponíveis, vamos encontrar diferentes interlocuções e muitas novidades, dentro e fora. Como Drummond, não quero — e tampouco acredito que alguém queira — ser o poeta de um mundo caduco. Então sigamos e “não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas”.

Daniele Baumgartner é consultora de imagem, educadora e especialista em História da Arte.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SAÚDE MENTAL: É HORA DE PROCURAR AJUDA?

Grande parte das pessoas enfrenta, em algum momento da vida, transtornos de saúde mental que podem ser tratados; é o caso da depressão e do estresse, mas a falta de informação e o preconceito ainda fazem com que adultos e crianças sofram sozinhos em vez de procurar um profissional qualificado.

Saude mental

Vinte e três milhões. Este é o número de brasileiros que necessitam de acompanhamento na área da saúde mental. Desse total, pelo menos 5 milhões sofrem com transtornos graves e persistentes, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse universo encontram-se crianças e adultos que sofrem de patologias como depressão, transtornos de ansiedade, distúrbios de atenção e hiperatividade e dependência de álcool e drogas. Aproximadamente 80% das pessoas que sofrem com esses transtornos não recebem nenhum tipo de tratamento. Mas a situação não é prerrogativa do Brasil. Ainda de acordo com a OMS, um em cada quatro americanos passa por um transtorno psiquiátrico diagnosticável em algum momento da vida. Exageros à parte, no decorrer de nossa existência muitas vezes nos perguntamos se somos mentalmente saudáveis e se não estaria na hora de buscar ajuda profissional. A preocupação faz sentido: de fato, quase metade da população do planeta apresenta algum tipo de transtorno durante a vida. Infelizmente, porém, em cerca de dois terços dos casos os problemas comportamentais e emocionais jamais são diagnosticados e acompanhados, embora muitos deles possam ser tratados de maneira eficaz. Mais de 80% das pessoas com depressão grave, por exemplo, são capazes de se beneficiar significativamente da combinação de medicação e terapia.
O preconceito, porém, ainda é um empecilho para a busca de auxílio especializado. Não raro, ouve-se até mesmo de pessoas razoavelmente bem informadas que “psicoterapia é coisa para louco”. A postura defensiva pode se mostrar de várias maneiras, como pela desqualificação dos profissionais ou de si próprio. Para muitos prevalece, por exemplo, a ameaça de que “o psicoterapeuta saberá mais sobre mim do que eu mesmo; descobrirá segredos dos quais nem suspeito”. Pode também surgir a fantasia onipotente de que “ninguém pode me ajudar”. Ou ainda o pensamento persecutório referenciado na opinião alheia: “O que os outros vão pensar se souberem que vou a um psicólogo?”. Qualquer que seja a forma como se apresente, a resistência não aparece por acaso: em geral, é inerente à própria patologia e tem a ver com o funcionamento psíquico da pessoa. E, infelizmente, às vezes persiste por muito tempo, até que o paciente decida buscar ajuda.

O QUE É NORMAL? 

Quando trabalhei como editor-chefe da Psychology Today, com frequência os leitores me pediam que sugerisse testes de triagem para pessoas com problemas de saúde mental. Procurei por esse material no intuito de ajudar homens e mulheres a encontrar respostas às perguntas como “Será que este meu sentimento de desânimo é normal?”, “Por que eu grito com a minha mulher e meus filhos o tempo todo, mesmo não querendo fazer isso?”, “Será que perdi o controle da bebida?”. Encontrei milhares de testes “caseiros” na internet, mas nenhum havia sido validado cientificamente. Pior ainda, muitos serviam como veículos de marketing para vídeos, livros ou serviços, encaminhando o leitor que respondesse às questões direto para um setor de vendas. Não parecia existir nenhum teste amplo, confiável, favorável ao consumidor, que ajudasse alguém a refletir melhor sobre si mesmo.
Assim, desenvolvi o teste Triagem Epstein em Saúde Mental (Epstein Mental Health Inventory) (EMHI), baseado na quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV), compêndio no qual médicos americanos se baseiam para fazer diagnósticos. O teste cobre 18 problemas psiquiátricos comuns nos Estados Unidos, como depressão maior, fobias, transtorno bipolar e abuso de substâncias, que selecionei usando dados preponderantes do Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos Estados Unidos, entre outras fontes. Para cada distúrbio são considerados três critérios do DSM-IV, que reescrevi em linguagem para leigos.
A ferramenta, porém, não tem o papel de diagnosticar ninguém. Seu objetivo é alertar para possíveis riscos de um transtorno, estimulando a busca por ajuda psicológica. O mais importante é ajudar as pessoas a se sentir e viver melhor, pois minha experiência tem mostrado que qualquer meio legítimo de levá-las a consultar um psicoterapeuta é válido. No ano passado, Laura Muzzatti, aluna da Universidade da Califórnia em San Diego, e eu apresentamos uma avaliação da EMHI usando uma amostragem de 3.403 pessoas que fizeram o teste depois de ele ter sido colocado na internet, em 2007. Verificamos que os resultados previram sete fatores importantes relacionados à saúde mental. A avaliação incluía o grau de felicidade declarado; o quanto se sentiam ativamente responsáveis por seu sucesso pessoal e profissional; se estavam empregados; se fizeram terapia em alguma ocasião, se alguma vez já haviam sido hospitalizados por problemas comportamentais ou emocionais e se, na época do teste, estavam em terapia. A pontuação não diferia de acordo com etnia, mas variava segundo o gênero: a pontuação das mulheres foi 17% mais elevada que a dos homens, parecendo apresentar mais problemas de saúde mental, um resultado consistente com os de outros estudos. Ou, pelo menos, foram mais sinceras e analíticas ao responder o questionário.

Em busca de um diagnóstico
Muitas pessoas chegam aos consultórios de psicologia e psicanálise ansiosas para encontrar um nome que abarque aquilo que sentem, uma palavra que encerre a dor, a angústia e, às vezes, a culpa ou as dúvidas que as afligem. Isso, porém, nem sempre é fácil, e de pouco adianta se o paciente não puder compreender o que se passa com ele e se responsabilizar pelo próprio tratamento, atribuindo sentidos a sua patologia. A atração que os testes exercem sobre muitos leigos (haja vista quantos questionários são respondidos nas revistas e na internet) pode ser explicada pelo desejo de quantificar e medir características pessoais e comportamentos. E em alguns casos eles têm sua função. Mas ainda que tenham validação científica e possam ser usados para ajudar a entender o quadro clínico, os testes não são definitivos, seja para medir inteligência, seja para determinar a presença de um transtorno mental. Sem dúvida, em algumas abordagens (e em determinados casos) eles são úteis na tarefa de oferecer informações que favoreçam a compreensão da situação clínica de forma mais ampla. Mas não sempre – e raramente de maneira perene. Há ocasiões em que as palavras impressas em um prontuário ou ditas por um profissional acerca de determinado quadro psíquico podem soar como uma espécie de sentença, promovendo a desastrosa rotulação do paciente. No Brasil, muitos psicólogos evitam recorrer a essa ferramenta, pelo menos no primeiro momento. Em vez de apostar em um diagnóstico único, pleno e “definitivo”, acreditam que, em muitos casos, mais importante que reduzir a situação a um único termo é ouvir o paciente, entender sua lógica e seus sintomas. Afinal, é na possibilidade de elaboração, ampliação do espaço psíquico e transformação que se embasa o ofício do psicoterapeuta. (Da redação)

Teste – Sentir, pensar e agir
Para conhecer o teste completo basta acessar o site http://DoYouNeedTherapy.com. A seguir, a versão abreviada que abrange dez transtornos. Para fazê-lo, marque todas as afirmações que se aplicam a você:

1- TRANSTORNOS DO CONTROLE DE IMPULSOS

(a) Às vezes não sou capaz de controlar a minha raiva
(b) Frequentemente ajo por impulso, o que, às vezes, traz grandes problemas
(c) Estou preocupado com as apostas, parece que tenho dificuldades em controlar meu comportamento quanto ao jogo

2- ABUSO DE SUBSTÂNCIAS

(a) Durante o ano passado, tive de ingerir mais bebidas alcoólicas ou usar mais drogas para satisfazer
minhas necessidades
(b) No ano passado tentei, mas não consegui, diminuir a quantidade de bebidas alcoólicas, de drogas ou de cigarros
(c) Durante o ano passado tive de ingerir quantidades cada vez maiores de bebidas alcoólicas ou drogas para me satisfazer ou lidar com meus problemas

3- DEPRESSÃO MAIOR

(a) Nas últimas duas semanas venho tendo dificuldade em sentir qualquer prazer nas atividades diárias de que costumava gostar
(b) Há cerca de 15 dias venho pensando com frequência que quero morrer
(c) Pelo menos durante as duas últimas semanas, venho me sentindo deprimido quase todos os dias

4- FOBIAS ESPECÍFICAS

(a) Tenho medo excessivo ou irracional de algum objeto ou situação
(b) Estou com muito medo de algo, e meu medo interfere em minha capacidade de desenvolver o meu trabalho ou em conduzir a minha vida de maneira normal
(c) Tenho muito medo de um objeto ou uma situação, e quando me exponho a esse estímulo entro em pânico

5- FOBIAS SOCIAIS

(a) Sinto medo de ficar perto de outras pessoas em determinadas situações e percebo que meus medos podem ser irracionais ou excessivos
(b) Em determinadas situações sociais, sinto extrema ansiedade
(c) Sinto grande temor em uma ou mais situações em que eu precise interagir com outras pessoas

6- TRANSTORNOS DA ALIMENTAÇÃO

(a) Costumo comer muito e, em seguida, vomitar ou usar laxantes, ou outros meios radicais, para evitar ganho de peso
(b) Estou preocupado com meu peso ou com a forma do meu corpo e, consequentemente, como ou me exercito de uma forma que algumas pessoas poderiam considerar incomum
(c) Não estou disposto ou não sou capaz de comer ou digerir o alimento em quantidade suficiente para manter o peso saudável

7- TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

(a) Tenho lembranças perturbadoras relacionadas a um acontecimento traumático que experimentei no passado
(b) Costumo ter sonhos perturbadores sobre uma experiência terrível ocorrida no passado
(c) Às vezes me vejo revivendo o horror de um fato traumático que experimentei no passado

8- TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

(a) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho sentindo preocupação e nervosismo excessivos, difíceis de controlar
(b) No mínimo nos últimos seis meses, tenho ficado extremamente ansioso e preocupado com uma série de acontecimentos e atividades diferentes
(c) Pelo menos durante os últimos seis meses, venho me sentindo excepcionalmente agitado, cansado, irritado, tenso ou distraído

9- TRANSTORNO BIPOLAR

(a) Durante o ano passado tive variações súbitas de humor, sem qualquer razão aparente
(b) Meu humor muda rapidamente, de depressivo a esfuziante, sem qualquer motivo aparente
(c) Durante o ano passado o meu humor mudou mais de uma vez de deprimido para esfuziante

10- TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO

(a) Repito excessivamente certos comportamentos ou pensamentos, sem conseguir parar
(b) Pensamentos frequentes me causam grande ansiedade
(c) Acredito que esses pensamentos possam ser irracionais ou exagerados. Faço ou penso repetidamente

PONTUAÇÃO

Se você deixou todos os itens em branco, parabéns! É provável que a sua saúde mental esteja muito bem. Caso contrário, lembre-se de que esta não é a versão completa do teste e, ainda que fosse, sua aplicação não tem peso diagnóstico. Mas os resultados podem ajudá-lo a pensar como tem se sentido e lidado com os problemas. Se marcou um item em uma ou mais categorias, é possível que esteja passando por situação de angústia que poderia ser mais bem compreendida (ou contornada) com a ajuda de um profissional. Se assinalou dois ou três itens em uma ou mais categorias, talvez seja mesmo uma boa hora para consultar um psicólogo e evitar sofrer sem necessidade, já que a maioria dos problemas de saúde mental podem ser tratados. Mais importante que o resultado do teste, entretanto, é voltar-se para si e perguntar-se se não seria o momento de cuidar de si mesmo. Afinal, quando temos uma dor de dente, por exemplo, não hesitamos em buscar um dentista. Se a dor é na alma, o psicoterapeuta é o profissional mais indicado para cuidar desse desconforto.

Fonte: Robert Epstein / Revista Mente e Cérebro, 10/2010

GESTÃO E CARREIRA

COM QUE ROUPA EU VOU? – COMO SE VESTIR PARA UMA ENTREVISTA

Como se vestir para uma entrevista

As expectativas da empresa e teor do profissional 

O telefone toca e você é informado de que foi um dos selecionados para a entrevista de emprego. Data, horário, orientações gerais e, antes de desligar, a voz do outro lado frisa: “e, por favor, venha mais social”. Será que ela se lembrou especialmente de você dentre tantos naquela sala, à espera da chamada para se inscrever? Teria sido tão desabonador o moletom que você vestia a ponto de a secretária gentilmente aconselhá-lo sobre o que usar? Talvez não, você pensa; pode ser um mero cacoete preventivo que é dito a todos ao telefone. Pode ser que, não apenas você, mas outros tantos candidatos precisem ser lembrados do código de vestimenta que se alinha à política da empresa. Pode ser, e provavelmente é, que tal código esteja distante da maneira como cotidianamente vestem-se os jovens profissionais disputando a vaga ali.

Deixando de lado essas divagações que, por fim, não mudam o fato de você agora ter um problema a resolver, abra o armário em busca da solução materializada na roupa “mais social”. Jeans, camisetas, os adorados pares de tênis, uma jaqueta e, lá atrás, algumas camisas olham para você sem nenhuma compaixão. A entrevista sequer começou, mas a primeira pergunta já está posta: afinal, que roupa corresponde às expectativas da empresa sobre o funcionário que querem contratar?

Esse não é um cenário incomum na trajetória de muitos profissionais começando ou fazendo mudanças em suas carreiras. A famosa “roupa de entrevista” assombra muita gente que entende a importância de se causar uma boa primeira impressão, mas normalmente não sabe com exatidão como fazê-lo. Pululam artigos, manuais e dicas de como escolher o traje adequado, mas nesse tipo de orientação genérica sobra muito pouco espaço para considerar as particularidades daquele que se candidata e também da empresa que o solicita.

Diante disso, duas situações são recorrentes: a adoção literal das sugestões dos manuais ou a opção por ignorá-los e seguir em frente apresentando-se como habitualmente, confiante de que o conteúdo tornará desimportante a roupa. Devo adiantar que nenhuma das duas é ideal; vejamos porquê.

A arquitetura começa quando você junta dois tijolos com cuidado

Concorrer a uma vaga implica em mostrar-se a opção mais interessante para ocupar tal espaço. Isso diz respeito à sua competência, à adequação do seu perfil e trajetória para aquele cargo, à sua visão de mundo, sua postura ética, sua capacidade de relacionar-se e tantas outras qualidades impalpáveis que, provavelmente, nem alguns meses de atuação sejam capazes de expressar por completo. E você terá, para isso, talvez uma hora diante de um entrevistador com a difícil tarefa de reconhecer rapidamente os atributos que a empresa procura. Ser bem articulado e contar com um bom currículo ou portfólio, quem sabe uma indicação, são recursos estratégicos. Mas antes das palavras, vem a sua figura. Espera-se, num contato breve, que ela antecipe coisas que você não terá tempo de dizer. Ou, ao menos, que ela corrobore aquilo que está sendo dito.

Seguir o manual parece ser a maneira mais segura de não errar, especialmente para quem não tem intimidade com o dress code corporativo padrão. É verdade que a cultura das empresas vem mudando em muitos aspectos, o que abre espaço para novas interpretações do que seja a roupa adequada ao ambiente de trabalho. Mas, em geral — e não apenas no mundo corporativo —, os parâmetros de leitura do discurso visual ainda são bastante conservadores.

Por isso, a ideia da roupa social como a melhor representação do indivíduo em seu modus profissional não é arbitrária: na maior parte das sociedades contemporâneas, ternos, camisas, tailleurs, gravatas, scarpins, cores sóbrias e neutras estão atreladas a qualidades como seriedade, discrição, comprometimento, foco, determinação, solidez, poder. Essa leitura quase automática de signos, mesmo para quem nunca se deteve a pensar sobre eles, tem a ver com uma longa história de construção cultural de valores e suas representações. O que significa dizer que a associação entre vestuário e comportamento é sempre resultado de uma articulação de forças (econômicas, políticas, sociais), muitas vezes anterior a nós.

Pois bem, que o saibamos. Mas como tudo isso se incorpora ao processo concreto de elaboração da imagem pessoal e profissional?

 

Somente um interior vívido possui um exterior também vívido

A chave para um discurso visual eficiente é, antes de tudo, pensar sobre ele. Tanto seguir à risca a vestimenta padrão (de um grupo, circunstância ou ambiente) como não se importar com o que veste são ações que enfraquecem sua imagem pessoal.

No primeiro caso, é preciso tomar cuidado, pois fórmulas que supostamente servem a todos tendem a nos homogeneizar — e, veja, é justamente aquilo que temos de particular o que nos torna interessantes. Entre comigo na sala de espera da entrevista e observemos: à esquerda um tailleur bege, meia-calça cor da pele, sapato fechado de salto médio marrom; mais adiante, o terno marinho, camisa branca, sapatos pretos com meias combinando; junto ao bebedouro, a calça social preta, camisa azul clara sob o suéter cinza, sapatos pretos. Os cabelos estão curtos ou presos, os rostos confiantes barbeados ou pontuados por um discreto brilho coral nos lábios. Quem tem relógios, os leva em couro ou metal, de tamanho regular para pequeno; nos braços femininos, uma corrente muito fina dourada ou nos lóbulos pequenas pérolas. Parece harmonioso e adequado, não?

De fato. Ninguém nessa sala foi traído por seu discurso visual; ainda. O que conseguimos saber sobre essas pessoas à primeira vista? Que elas se preocuparam em adequar-se, que entendem o caráter da empresa e aparentam carregar os tais adjetivos que se busca no indivíduo em modus profissional. Agora aproxime-se: o quanto podemos realmente saber sobre elas sob esta superfície?

Se você não tem o hábito de se vestir como imagina que a situação demande, juntar as peças que tem no armário, pedir emprestadas ou mesmo ir a uma loja e comprar o visual completo para emular a foto que você viu no site não garante um discurso consistente. Mais que um corpo que carrega a roupa, VOCÊ precisa estar lá. Precisa sentir-se confortável, representado, saber que sua visão de mundo está identificada com aquilo que veste. Isto dá autenticidade ao seu discurso e, naturalmente, lhe dará também confiança. Estamos falando aqui do traje social, mas vale para qualquer tentativa de vestir algo que não lhe é natural. A mesma inconsistência seria percebida se do terno predileto de todo dia se tentasse repentinamente passar ao visual do designer hipster. A roupa, mesmo que se transforme para cada diferente ocasião, não deve ser uma fantasia.

 

Deus está nos detalhes

A chave para conectar a sua essência à situação está em saber articular a linguagem: entenda verdadeiramente os pressupostos da imagem adequada àquela circunstância e trabalhe com o que você já tem e é. Expresse a sua criatividade escolhendo pôr sob o suéter uma camisa de cor vibrante e deixando aparecer o nó de uma gravata estampada; mostre a sua irreverência usando suspensórios sob o paletó; não corra para o barbeiro, use um fixador ou uma tiara discreta para domar o cabelo longo; traga jovialidade ao tailleur bege mantendo seu esmalte colorido; use pérolas sim, mas experimente trocar os brincos pequenos por um colar mais longo com um nó na ponta. Não tem um sapato social? Vale uma bota de couro (limpa e em bom estado, claro!) da cor da calça de alfaiataria. Não tem uma calça de alfaiataria? Procure os jeans mais escuros, com menos bolsos e costuras da mesma cor e combine com uma camisa e um blazer bem passados.

Acima de tudo, estude-se: saiba quais são suas características mais interessantes, pense em como elas convergem para o universo da empresa e da função e observe como a combinação de diferentes palavras-roupas criam novas sintaxes. Mies van der Rohe, o arquiteto autor das frases que subtitulam os blocos deste texto, pensava a construção como o que mais atende à função, mais bem se adequa às condições do entorno e melhor partido tira das qualidades específicas dos materiais.

E se você for um recrutador, por favor, lembre-se disso também!

 

Daniele Baumgartner é consultora de imagem, educadora e especialista em História da Arte.

EDIFICANDO A FAMÍLIA CRISTÃ

CONSTRUINDO UMA FAMÍLIA SEGUNDO OS MODELOS E PADRÕES BÍBLICOS – 11

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A PRESENÇA DE CRISTO NO LAR

 

 Um lar cristão é o lugar onde a presença de Cristo é a característica mais forte e a principal atração. Cada membro da família tem total consciência de sua presença, governo e orientação.

 

Tudo o que falamos nos capítulos anteriores são importantes para colocar em ordem a família, mas não é o suficiente. O que faz com que a família seja dinâmica, vital e espiritual é a presença de Cristo agindo em nosso interior, transformando-nos à sua semelhança.

 

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela” Salmos 127.1.

 

Tal como expressa o salmista, sem a presença de Cristo no lar, todas as ações, aspirações e esperanças se frustram. Como podemos ter a presença de Deus no lar diariamente? Qual é a nossa responsabilidade para que isso ocorra?

 

 OS PAIS SÃO OS SACERDOTES DO LAR

 

Antes de Deus estabelecer uma ordem sacerdotal em Israel, os pais atuavam como sacerdotes de seu lar. Notemos alguns exemplos:

 

Noé (Gênesis 8.20-22); Abraão (Gênesis 12.7,8; 13.4,18; 15.1-8; 17.1-22; 18.20-33); Jó (Jó 1.5).

 

A função específica do sacerdote é vincular Deus com os homens. Os pais (marido e mulher) tem uma responsabilidade sacerdotal diante de seus filhos. Deus os comissionou para formá-los e criá-los, a fim de que sejam integrados na grande família de Deus. Também devem interceder por eles diante do Senhor, comunicar as instruções da parte de Deus, ser o exemplo de conduta e orientar a respeito do culto que devemos prestar ao Senhor.

 

Todo esse ministério se fundamenta na pessoa e obra de Jesus Cristo, a quem os pais se sujeitam e em nome de quem ministram (Gênesis 18.17-19; Efésios 6.4; Números 30; Lucas 2.21-38).

 

 

JESUS CRISTO: UMA REALIDADE GLORIOSA NA VIDA FAMILIAR

 

Esta realidade se alcança quando a presença de Cristo é notória na vida dos pais. Entretanto, Deus quer se revelar de uma forma pessoal e íntima a cada membro da família.

 

As crianças têm uma grande capacidade para perceber a presença de Deus, crer e confiar nele. Encontram-se nas escrituras muitos exemplos disso:

 

a) Samuel conheceu a Deus quando pequeno (1Samuel 3);

 

b) Davi foi testemunha da presença de Deus em sua infância (Salmos 22.9,10);

 

c) Timóteo foi instruído na fé e no conhecimento de Deus por sua mãe e avó desde a infância (2Timóteo 3.15);

 

d) Jesus exorta para não subestimar a fé de uma criança (Mateus 18.6).

 

O Senhor usa as orações e os testemunhos (especialmente dos pais) para conduzir outros membros da família à fé (Ver o caso da mulher samaritana – João 4.39-42). Observar alguns casos bíblicos em que a fé dos pais envolveu o resto da família:

 

Josué (Josué 24.15); Cornélio (Atos 11.12-15); Lídia (Atos 16.14,15); Carcereiro de Filipos (Atos 16.30-34).

 

Existem dois indicadores claros na vida familiar que evidenciam a presença de Cristo:

 

a) O bom uso do tempo. Dedicar-se diariamente para orar, ler e meditar na palavra, conversar com a família sobre os interesses do Senhor e o discipulado, indicam que a família reconhece a gloriosa presença de Cristo.

 

b) O bom uso do dinheiro e de todos os bens materiais da família, mostra que ela reconhece Deus como o provedor e dono de tudo.

 

A generosidade é a maior evidência disso. Todos devem ser ensinados quanto a ser generosos e a repartir com outros em suas necessidades. Os filhos imitam naturalmente a seus pais. Por isso devem eles ser o exemplo prático de tudo o que Deus espera deles.

 

 

 

 COMO APRESENTAR JESUS CRISTO A NOSSOS FILHOS

 

É imprescindível viver diante de nossos filhos em total integridade, buscando a presença e direção do Senhor em toda situação. Seja em momentos de tensão ou tranquilidade, de alegria ou dificuldade, tanto nas boas como nas más. Há certos elementos que devem ser levados em conta:

 

 Ø Nosso exemplo – Gênesis 18.17-19

 

O fundamento do sacerdócio dos pais é o amor e a devoção a Deus. Se os pais querem que seus filhos amem a Deus e o sigam, devem antes dar o exemplo. Esse amor e devoção estão expressos numa vida de oração e dependência de Deus. Sua fé será conhecida pela maneira como vive. Caso contrário, será notória a hipocrisia.

 

Ø A palavra de Deus – Deuteronômio 6.6-9; 11.1,19-21; Josué 1.8

 

Na medida em que os filhos crescem, deve-se comunicar-lhes a palavra de Deus. Eles devem amá-la, obedecê-la com reverência e apreciá-la como o maior valor que eles possuem. Para isso, deve-se usar tudo o que for possível: ler e contar histórias das sagradas escrituras para os filhos, fazer referências a ela, cantar porções da palavra, memorizar e citar textos.

 

 Ø Representações Simbólicas – Josué 4.20-24

 

Os quadros, fotos, textos, mapas, desenhos e demais expressões gráficas que adornam a casa, e especialmente o dormitório dos filhos, exercem muita influência sobre seus pensamentos e desenvolvimento espiritual.

 

Ø Música – Colossenses 3.16

 

É extraordinária a influência que a música exerce sobre o ser humano!

 

O Senhor deseja que seus filhos o louve e o adore com cânticos e hinos espirituais. Cantar a palavra é uma forma não só de louvar, mas de memorizar e proclamar as verdades do Senhor. Por isso é bom que o papai e a mamãe contem para seus filhos desde o nascimento e que essa prática sempre esteja presente na vida da família.

 

 Ø Nossa Bênção – Marcos 10.13-16

 

A imposição de mãos e a oração abençoam, protegem, liberam, acalmam e saram a nossos filhos. Em virtude da autoridade paterna (e materna) e do nome do Senhor Jesus Cristo invocado sobre eles, a família é abençoada. É uma viva e poderosa expressão de nosso sacerdócio como pais.

 

 Ø Estudo em Família

 

Longe de tornar algo mecânico e frio, o estudo em família é uma oportunidade grandiosa de poder demonstrar a presença de Jesus no lar. Dentre muitas coisas, sugere-se algumas que podem fazer parte desse ministério sacerdotal na família.

 

 a) Leitura da palavra.

 

Buscando sempre aplicar a palavra ao momento em que vive a família, quer seja de alegria ou de tristeza, de prosperidade ou de dificuldade, etc. E que seja sempre inspirativo, ou seja, aplicado com fé e ardor. Nunca como algo enfadonho. Para a crianças pequenas, sugere-se a leitura própria para a idade, com figuras e ilustrações.

 

 b) Memorização de textos bíblicos.

 

O melhor é acompanhar o que a igreja já pratica, usando a catequese das apostilas. Entretanto, textos que estejam relacionados a vida familiar também podem ser repetidos e memorizados.

 

 c) Testemunhos e transparência.

 

Este é algo bom de se fazer. Abre- se um espaço para comunhão onde todos podem se inteirar das necessidades uns dos outros e poder cooperar em conselhos e sugestões.

 

 d) Oração.

 

Este é um bom momento para ensinar pelo exemplo. Orações com objetivos específicos ajudam a ordenar a vida de oração. Que a família tenha uma lista comum de oração e que todos orem. É uma boa oportunidade para ensinar sobre ter fé e depender de Deus.

 

 

TESTEMUNHO DO LAR: UMA LUZ ENTRE OS VIZINHOS

 

A presença de Jesus Cristo na vida cotidiana da família é o melhor testemunho que se pode dar do lar. Esta característica se constitui numa grande atração para os vizinhos que, ao verem a vida que levam, desejarão conhecer o Senhor da família. A presença de Jesus na família faz a diferença entre o amor e a discórdia, entre a obediência e a rebelião, entre a ordem e a confusão, entre a disciplina e a desordem. É o mesmo que dizer: o reino de Deus é um reino de amor e poder.

Todos os membros da família devem manter sua disposição de compartilhar o amor com seus vizinhos e estar atentos às situações especiais quando se permite uma expressão maior de amor e de serviço.

Deste modo se estendeu a Igreja no começo e, da mesma maneira, deve-se estender melhor em nossos dias.

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A linguagem do amor

A LINGUAGEM DO AMOR

Casais com bom relacionamento costumam usar o mesmo tipo de palavras funcionais – preposições, pronomes, artigos e conjunções – e com frequência equivalente

Casais apaixonados ou que mantêm um relacionamento de longo prazo não raro se atribuem apelidos carinhosos ou mudam o tom de voz quando falam um com o outro. Segundo pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, a identidade afetiva por meio das palavras não para por aí. Um estudo conduzido pelo psicólogo James Pennebaker mostra que pares “bem-sucedidos” ou com mais chances de sê-lo costumam usar o mesmo tipo de palavras funcionais – preposições, pronomes, artigos e conjunções – e com frequência equivalente. Usados em vários contextos, esses termos são, em geral, processados de forma rápida e inconsciente.

Para chegar a essa conclusão, o psicólogo reuniu 80 homens e mulheres e solicitou que cada um conversasse com alguém do sexo oposto por alguns minutos. Em seguida, questionou-os sobre a possibilidade de saírem juntos. Curiosamente, os pares que usaram tipos similares de palavras funcionais se mostraram mais inclinados a marcar outro encontro – mesmo aqueles que declararam não ter muitos pontos em comum.

Em outro estudo, Pennebaker analisou o conteúdo de mensagens de celular enviadas por 86 casais e perguntou aos voluntários quão felizes eles se sentiam com o compromisso assumido. Três meses depois, o pesquisador verificou se os pares ainda estavam juntos. Ele observou que os pares estáveis eram os que trocavam torpedos com mais palavras funcionais em comum. O curioso é que isso se aplicou também a quem declarou estar insatisfeito com o companheiro, na primeira fase da pesquisa.

Agora os pesquisadores querem entender se o vocabulário em comum provoca atração ou se na verdade as pessoas adaptam sua forma de falar, ficando parecidas com o outro. Os dois processos são possíveis, mas Pennebaker acredita que o último seja mais provável: “A linguagem prediz o sucesso dos relacionamentos porque reflete a forma como os casais ouvem um ao outro e se entendem”, reforça o psicólogo.

Fonte: Revista Mente e Cérebro

GESTÃO E CARREIRA

Como reconhecer mentira

COMO RECONHECER MENTIRAS
Se você acredita que quem tenta enganar alguém sua frio e evita o olhar do interlocutor, surpreenda-se: esses estereótipos raramente são verdadeiros

Como podemos perceber se estamos sendo enganados? Existem sinais claros que indicam uma mentira, algo que possa ser comparado à tão conhecida metáfora ao nariz do Pinóquio que se tornava cada vez maior quando ele ocultava a verdade? Infelizmente não. Durante muito tempo as pessoas acreditaram que podiam identificar um mentiroso por comportamentos ou sinais corporais – como coçar a cabeça com frequência; movimentar-se de forma agitada ou ficar com as faces coradas. No entanto, um grupo de pesquisadores coordenado pela psicóloga Bella M. DePaulo, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, Estados Unidos, garante que normalmente não é isso que acontece. Em 2003 ela já havia reunido e analisado resultados de 120 estudos sobre os sintomas físicos que acompanham mentiras. Conclusão: os estereótipos raramente são verdadeiros; em geral, mentirosos não escorregam nervosos na cadeira, nem evitam o contato visual de seu interlocutor.
Na verdade, para a maioria das pessoas é realmente muito difícil discernir se uma declaração é verdadeira ou falsa. Foi a essa conclusão a que chegaram Bella e seu colega Charles F. Bond, da Universidade Cristã do Texas, em 2006, em outro estudo sobre o tema. Para tanto, os dois pesquisadores resumiram os resultados de 206 estudos sobre a cota de acertos em julgamentos sobre credibilidade. No total, apenas 54 desses julgamentos sobre a veracidade ou não de uma declaração estavam corretos, um valor estatisticamente pouco significativo – que talvez pudesse ter sido atingido também por meio de pura adivinhação. Mas convém levar em conta que, na média, os sujeitos reconheceram mais frequentemente afirmações verdadeiras do que mentiras. No entanto, há estratégias com as quais as enganações podem ser descobertas com alguma margem de segurança.
Tomando por base os estudos levantados por Bond e Bella, pesquisadores da mesma equipe compararam diversos canais sensoriais. Ao analisar os resultados dos exames, os estudiosos chegaram à conclusão de que sinais acústicos ajudam mais a reconhecer engodos que visuais: nos experimentos, os sujeitos podiam diferenciar de forma mais nítida as mentiras quando ouviam a declaração duvidosa com atenção, em vez de observar o falante, à procura de sinais reveladores.
Se os participantes assistiam a um vídeo sem som, a cota de acertos eram apenas aqueles 50%, obtidos também por adivinhação. Mas se durante a exibição das imagens eram apresentadas as vozes correspondentes, a cota de acerto de seus julgamentos aumentava para 54%. Mais uma vez, nada assombroso, mas de qualquer forma, havia uma alteração estatística. O que de fato surpreendeu os pesquisadores foi que o resultado não foi pior quando somente o som foi apresentado sem imagem. Ou seja: quem se concentra apenas no comportamento não verbal do outro reduz suas chances de desmascarar um mentiroso. Aparentemente, nossos olhos se deixam enganar mais facilmente e, no final das contas, contribuem pouco para a descoberta de afirmações falsas.
Por isso, vale a pena prestar atenção principalmente no que uma pessoa diz, ficando alerta, por exemplo, para possíveis contradições. Especialistas afirmam que os mentirosos contumazes são, em geral, pouco plausíveis e lógicos. Além disso, raramente admitem que tenham de corrigir sua descrição ou que não consigam se lembrar de algo – para “encobrir os brancos da memória” eles simplesmente inventam informações. Se a pessoa ainda parece nervosa e fala em tom mais alto do que o de costume, então devemos ter cuidado: ela tem grandes possibilidades de estar mentido. Os estudos avaliados por Bond e Bella também revelaram que vários participantes conseguiram reconhecer as declarações falsas de forma mais clara quando o mentiroso foi pego de surpresa e não teve tempo de planejar o que diria. Por isso, cobrar explicações imediatas pode desmascarar um potencial discípulo do Barão de Münchhausen.
Na opinião do psicólogo Aldert Vrij, pesquisador da Universidade Britânica de Portsmouth, uma boa estratégia é fazer a pessoa da qual desconfiamos que esteja mentindo falar o máximo possível. Nesse momento ela precisa pensar rapidamente e corre o risco de contradizer-se. E quanto mais ela falar, mais difícil será para ela controlar tanto o conteúdo do que diz quanto o próprio comportamento. Portanto, pedir para que repita trechos do que foi dito também costuma ser eficaz para detectar brechas nos discursos. “Essa técnica de interrogatório, muito conhecida de romances e filmes policiais, revela-se, de fato, sensata”, observa Vrij.
No entanto, os defensores da lei não são fundamentalmente melhores em detectar mentirosos. Juízes e psiquiatras, aos quais é comum atribuirmos, intuitivamente, uma capacidade de detecção de mentiras acima da média, tampouco obtiveram melhores cotas de acerto nos testes, segundo Bond e Bella. Da mesma forma, não há diferença entre homens
e mulheres, descobriu o psicólogo Mike Aamodt da Universidade Radford, estado da Virgínia, Estados Unidos, ao realizar outra análise, em 2006. Além disso, a idade e o grau de instrução de uma pessoa pouco influenciam sua capacidade como detector humano de mentiras.

VANTAGEM DA INSEGURANÇA
Junto com o psicólogo Patrick Müller, da Universidade de Utrecht, na Holanda, investiguei em 2008 outra hipótese, elaborada com base em pesquisas antigas: como a insegurança emocional leva as pessoas a ficar mais atentas ao outro e a prestar mais atenção ao conteúdo de suas afirmações, ela poderia ajudar a diferenciar mentiras e verdades. Com a ajuda de um questionário, inicialmente registramos o grau de insegurança emocional individual de 600 voluntários. Em seguida, cada um assistiu a um vídeo com oito relatos de pessoas que descreviam como tinha sido para elas enfrentar a prova para obtenção da habilitação como motorista. Mas havia um porém: apenas a metade dos relatos era verdadeira, as outras pessoas ainda não tinham carteira de habilitação nem vivido a experiência de passar pela prova.

Realmente, quanto mais inseguros emocionalmente os participantes se sentiam, melhor puderam reconhecer os falsos relatos. A fim de demonstrar que a insegurança era mesmo o motivo dessa capacidade, e não apenas um efeito colateral, realizamos um segundo experimento, no qual elevamos a insegurança artificialmente. Para isso, pedimos a uma parte dos sujeitos de nossa pesquisa que respondesse a duas questões: “Você é acometido de que emoções quando pensa em assistir televisão? Como você se sente fisicamente quando assiste à televisão?”. Essas perguntas não têm nenhuma relação com insegurança e, portanto, não poderiam influenciá-los. O verdadeiro grupo-teste foi objetivamente manipulado: “Você é acometido por quais emoções quando se sente inseguro? Como você se sente fisicamente quanto está inseguro?”. Um questionário aplicado em seguida aos participantes do experimento comprovava: depois de responder a essas duas perguntas – que evocavam determinadas emoções –, os sujeitos se sentiam, em geral, mais inseguros que os membros do grupo de controle.
Em seguida, todos os participantes assistiram a duas sequências de vídeo, nas quais as pessoas falavam sobre filmes que apreciavam muito ou que não gostaram nem um pouco. Os sujeitos do grupo manipulado – ou seja, os que estavam mais inseguros – diferenciaram melhor entre relatos verdadeiros e falsos: eles classificaram corretamente, em média, 58% dos depoimentos. Os integrantes do grupo de controle, por sua vez, tiveram uma cota de acerto de apenas 50% – mais uma vez idêntica à esperada ao acaso.
Portanto, convém evitar o excesso de confiança quando tentar desmascarar um mentiroso. Afinal, não é novidade que quem acredita já saber uma resposta procura apenas por indícios que a comprovem – independentemente de sua veracidade. E, por fim: se tiver de admitir que foi enganado por alguém, não fique muito chateado. Talvez seja um consolo saber que outras pessoas também passam por isso, como mostrou outro estudo publicado pelos psicólogos Bond e De Paulo em 2008. Segundo eles, os indivíduos pouco se diferenciam em sua habilidade de reconhecer invencionices – a maioria de nós é um verdadeiro fracasso como detector de mentira. Já a amplitude da capacidade individual de contar inverdades é maior, de forma inversamente proporcional. O espectro vai do perfeito enganador até o Pinóquio humano, no qual se percebe uma mentira mesmo a 10 metros de distância. Conclusão: para desmascarar alguém, dependemos menos de nossa própria capacidade – e quase exclusivamente da habilidade do outro de esconder a verdade.

Fonte: Marc-André Reinhard – Revista Mente e Cérebro

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

Jesus nos 4 evangelhos

JESUS NOS 4 EVANGELHOS

Em Mateus, escrito para os judeus – Jesus é apresentado como “Rei”, Filho de Davi, descendente direto de Israel, simbolizado pelo Leão;

Em Marcos, escrito para os romanos – Jesus é apresentado como o “Servo”, sem genealogia e sem direitos, simbolizado pelo Boi;

Em Lucas, escrito para os gregos cristãos – Jesus é apresentado como “Filho do homem”, simbolizado pelo homem;

Em João, escrito para a igreja dispersa em meio à falsas doutrinas – Jesus é apresentado como o “Filho de Deus”, simbolizado pela águia.
“E a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e do lado direito todos os 4 tinham rosto de leão, e do lado esquerdo todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham rosto de águia todos os quatro” (Ezequiel 1:10).

E para você, o que ele representa? Aproveite o espírito natalino e tire alguns minutos para refletir sobre isso e encontre o verdadeiro motivo pelo qual você deve celebrar o verdadeiro natal…

Sejam abençoados em o Nome de Jesus,

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

PAULO E OS DONS ESPIRITUAIS

Paulo ensinou que o Espírito Santo distribuiu vários dons espirituais, tão essenciais à liderança, expansão e edificação da Igreja. Esses dons ou qualificações especiais são valiosos e só devem ser desejados quando servirem a fins práticos — a edificação da Igreja. Para ser eficaz, é preciso que o Espírito Santo inspire e capacite todo tipo de ministério, e esses dons são a provisão graciosa de Deus para esse fim. Visto que combatemos um inimigo sobrenatural, só as armas sobrenaturais funcionam a contento.
Duas palavras são empregadas com relação a esses dons — pneumatika, algo procedente do Espírito, e charismata, dons da graça (1 Coríntios 12:1,4). Os dons espirituais são conferidos soberanamente a indivíduos para o serviço da Igreja. Distinguem-se dos dons naturais, embora muitas vezes operem por intermédio destes. Há dons para todos os crentes (1 Coríntios 12:7), não meramente para uma elite espiritual, mas as dádivas individuais não podem ser reivindicadas como de direito (1 Coríntios 12:11). Para que sejam proveitosas, devem ser exercidas em amor (1 Coríntios 13:1,2).
Nenhum dom deve ser menosprezado, mas alguns são mais valiosos do que outros (1 Coríntios 12:31; 14:5). Paulo insta na superioridade da profecia, visto que o ministério da Palavra é o dom de maior valor. Ele nos adverte de que os dons espirituais podem atrofiar-se pela negligência (1 Timóteo 4:4) e precisam ser estimulados (2 Timóteo 1:6).
Esses dons não são concedidos para a mera alegria ou enaltecimento do crente, ou mesmo por causa de sua própria vida espiritual, mas antes de tudo para servir aos outros (1 Coríntios 14:12), e para levar os santos à maturidade espiritual (Efésios 4:11-13). É significativo que nenhum dos dons se refere diretamente ao caráter; são todos dons para serviço.
Poucos descobrem seus dons no começo da vida cristã, e amiúde esses dons permanecem dormentes até que uma ocasião propícia os revele. Muitas vezes são mais evidentes a outros do que a nós mesmos, mas podemos estar certos de que, no momento preciso, Deus manifestará o dom ou combinação de dons necessários ao cumprimento do ministério no Corpo de Cristo que ele nos atribui.
Nos capítulos 12 a 14 de 1 Coríntios, Paulo adverte os coríntios contra o uso indigno dos dons espirituais, e traça as diretrizes para seu exercício na Igreja.

GESTÃO E CARREIRA

pRECONCEITOS INVISIVEIS

PRECONCEITOS (IN)VISÍVEIS

Quando o dress code invade a esfera pessoal e reitera velhos padrões de pensamento.
Se não aconteceu com você, provavelmente alguém por perto já mencionou ter feito mudanças na aparência para o exercício de uma atividade profissional. Muitas vezes, antes mesmo que a empresa oriente algum tipo de “adequação”, nos antecipamos para atender à expectativa que se imagina terem os recrutadores ou chefes. Os conselhos recorrentes a quem vai disputar uma vaga versam sobre coisas muito parecidas, fundamentalmente apoiadas em “ter uma boa aparência”.
Aqui mesmo já falamos sobre a roupa de entrevista e sigo repetindo o quanto entender a imagem pessoal como ferramenta de comunicação e saber utilizá-la de forma inteligente em cada contexto é importante. Não há dúvida de que o seu discurso pessoal está impregnado naquilo que você veste, da mesma forma que também se espera encontrar o discurso da empresa na maneira como se apresentam os seus funcionários.
E é justamente nessa superposição de discursos que se encontram alguns nós de comunicação sobre os quais eu gostaria que pensássemos. É legítimo que o empregador estabeleça normas que permitam estruturar e organizar a empresa da maneira que lhe pareça mais coerente com seus propósitos e visão. Nesse pacote incluem-se, claro – e em especial quando se reconhece a potência do discurso visual – aspectos ligados à imagem dos funcionários. Ao mesmo tempo, é igualmente legítimo que o funcionário queira preservar a sua individualidade, que se expressa também visualmente e diz respeito à maneira como ele, para além dos papéis que exerce (que exercemos todos, cotidianamente), organiza a própria vida da maneira que lhe parece mais coerente com seus propósitos e visão. Deu para perceber onde começa o enrosco?

O indivíduo é mais que seu papel profissional
Este não é um assunto fácil e sobre o qual se tenha diretrizes claras, inclusive na esfera do direito. Muitas ações vêm tramitando na Justiça nos últimos anos em função do que se tem nomeado discriminação estética – e tanto as alegações como os resultados são bastante diversos. A grande questão é que se trata de um debate travado no delicado terreno das ideias, alicerçadas em concepções de mundo e construções culturais, sempre subjetivas.
Para ilustrar essa conversa, vejamos algumas situações. Em 2010, uma ação movida por funcionários do Bradesco, que impediu o uso de barba pelos homens, teve como resultado a condenação do banco e a proibição entendida como “conduta patronal que viola inequivocamente o direito fundamental à liberdade de dispor e construir a sua própria imagem em sua vida privada”. Um ano depois, porém, alguns juízes derrubaram a decisão anterior por entender que “uma eventual norma que proibisse o uso de barba não seria abusiva, pois não estaria fora do poder diretivo do empregador”.
Até que ponto o conjunto de prerrogativas do empregador pode interferir na esfera das escolhas individuais? Em que medida a organização interna e a comunicação visual de uma empresa permitem dispor dos corpos dos seus funcionários sem ferir os limites constitucionais que garantem a preservação da dignidade do trabalhador e a proteção contra práticas discriminatórias? Afinal, e para saltar a um aspecto ainda mais relevante do debate, como são construídas as percepções que temos, coletivamente, dos atributos físicos e construções visuais enquanto representação de atributos morais?

O perigo dos estigmas sociais
As explicações dadas pelos empregadores ou presentes nas sentenças nos permitem perceber como o problema é anterior ao próprio código de vestimenta. O Metrô do Distrito Federal, que elaborou um regulamento bastante restritivo – incluindo proibições como pintar o cabelo de cor diferente do natural ou usar brincos e relógios maiores que um determinado padrão estabelecido -, justificou-se dizendo que “não é apropriado alguém com cabelo rosa ou corte moicano prestando serviço em uma empresa que pretende passar segurança a seus passageiros. A ideia é manter um padrão normal.” Na mesma linha, a decisão dos ministros do TST, que julgaram não abusiva a proibição do uso de piercing pelos funcionários de um supermercado do grupo Carrefour, se apoia na ideia de que “se uma parte da população vê tal uso com absoluta normalidade, é de conhecimento público que outra parte não o aceita” e, portanto, o supermercado tem o poder de fixar normas para “não agredir nenhuma parcela de seu público consumidor”.
A Turkish Airlines proibiu, em 2013, o uso de esmalte ou batom de cores vivas por suas funcionárias, mas voltou atrás após várias vozes se levantarem questionando o caráter sexista e a influência religiosa do Estado Islâmico na determinação. Nos Estados Unidos, uma funcionária foi advertida por usar um lenço étnico sobre os cabelos (ainda que discreto e combinando perfeitamente com o terninho que trajava). Um agente de trânsito em Sorocaba foi demitido por se recusar a cortar o cabelo e o porteiro da biblioteca de uma universidade em Minas Gerais por não tirar o cavanhaque (mas ambos ganharam as ações movidas contra as respectivas empresas). Algumas organizações não permitem que os funcionários homens usem brincos, enquanto às mulheres é vetado o batom vermelho ou cabelos soltos. A bermuda masculina ainda é um tabu mesmo no mais infernal verão, e nos tribunais ainda subsiste desconforto por mulheres vestirem calças.

Novos consumos, antigos conceitos
Poderíamos seguir com outras tantas histórias em que elementos visuais são razão de advertências – ou de sua versão mais cínica, as chacotas. Mas o que interessa é perceber que, no fundo, o dress code das empresas é apenas reflexo – e perpetuação – de um padrão estético socialmente estabelecido. E que esse padrão passa a ser um problema se ignorarmos que ele é uma construção cultural-midiática e não uma verdade universal e imutável. O que essas normas que visam adequação, boa aparência ou uma suposta normalidade falam sobre nossos juízos morais mais arraigados? Em um mundo ainda tão refratário à diferença, como cuidar para que ideias perigosamente naturalizadas não ecoem preconceitos de gênero, raça, crença, origem, orientação sexual e outros mais?
As empresas se dizem preocupadas com o bem estar e a felicidade de seus colaboradores, mas não estão atentas às mudanças de comportamento pelas quais passam as comunidades em que elas se inserem. Mais que isso: da mesma maneira que se estimulam novos olhares e comportamentos para engendrar outras formas de consumo, por que não fazê-lo também no âmbito de nossas relações?

Fonte: T&D Gestão Corporativa

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

CONSUMO E FANTASIA

shutterstock_128241929 [Convertido]

Quem observa o mundo corporativo a média distância, com alguma ciência da complexidade representada por assuntos como motivação, emoção ou liderança, percebe um grande descompasso. A exigência de controle, verificabilidade e “compliance” dos processos não é compatível com o universo errático dos palestrantes, dos livros de gerência miraculosa ou com os discursos “neuroeconômicos” sobre o capital humano. Ao mesmo tempo é preciso um discurso e uma linguagem que tornem o consumo, a realização, a expressão e a invenção de nossas fantasias. Decisões sobre campanhas de marketing e suas escolhas discursivas são tomadas em meio a palpites sustentados pela arrogância personalista dos envolvidos.
É neste cenário que os livros de Isleide Fontanelle, Cultura do consumo (FGV, 2017), e Sintoma e fantasia no capitalismo comunicacional, de Luiz Aidar (Estação das Letras e Cores, 2017), surgem como um oásis de sobriedade. Uma caravana de lucidez atravessando o deserto das opiniões. A relação econômica entre produção, a estilística identitária do consumo e os prazeres emocionais nele envolvidos são analisados de forma convergente. No primeiro caso se reconstitui um debate que remonta ao nascimento do liberalismo com Adam Smith e sua noção de interesse, retirada de Mandeville, este, médico e filósofo do século 17, que escrevia como a supressão de nossos desejos pode nos fazer adoecer. As disciplinas do consumo dividem-se, desde a origem, entre o marketing e a psicologia comportamental de um lado e as relações públicas e a psicanálise do outro. O papel de Edward Bernays, sobrinho de Freud, na criação do negócio da propaganda nos Estados Unidos do pós-guerra é recuperado, com o intrigante caso sobre como as mulheres são levadas a fumar como um “ato de libertação”. Também não se deixará de lado que John Watson, criador do behaviorismo e mentor de Skinner, deixou suas atividades acadêmicas para integrar o mundo da publicidade.
A emergência e consolidação da cultura do consumo (1945-1990), bem como suas formas contemporâneas marcadas pelo consumo de experiências, pelo prossumo (fusão do produtor com o consumidor), pelo consumo consciente, responsável, verde, sustentável, ético ou ativista, não pode ser compreendida sem o entendimento do capitalismo em sua forma imaterial, baseado na força da marca, na cultura estruturada como entretenimento, no branding e no papel identitário e expressivo do consumo, particularmente, com a vida digital.
Escritos de forma envolvente e convincente, os dois livros têm um mérito adicional para o leitor brasileiro, pois concorrem para profissionalizar a discussão sobre o consumo e os meios de comunicação, mostrando como muito além da prática há um conjunto de problemas mais ou menos recorrentes nesta matéria, para a qual economia e sociologia ou antropologia e psicologia não podem ser dispensadas. A passagem de uma sociedade da produção para uma cultura do consumo inverterá o papel do Supereu, de interditor para o de instância que nos obriga a gozar, nos levando assim à obrigação de felicidade. Como um carro que acelera e freia, como uma educação que teme o consumismo assim com a exclusão do mercado, que detesta logomarcas até transformar o próprio eu em uma delas, que quer a liberdade do consumo sem pagar por isso, sem incorporar sua substância perigosa. Assim, o circuito do consumo é, necessariamente, ambíguo, paradoxal e cínico. Sua estrutura precisa ser a da fantasia para nos fazer acreditar, mas não muito.

Fonte:
Christian Ingo Lenz Dunker, psicanalista, professor titular do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).
Revista Mente e Cérebro, 08/2017

EDIFICANDO A FAMÍLIA CRISTÃ

CONSTRUINDO UMA FAMÍLIA SEGUNDO OS MODELOS E PADRÕES BÍBLICOS – 10

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COMPORTAMENTO DOS FILHOS

A Bíblia tem instruções para todas as áreas da vida familiar. Instrui aos pais como devem se comportar com seus filhos, e aos filhos como obedecer aos pais. Neste capítulo vamos considerar o que Deus espera dos filhos em relação aos seus pais (Provérbios 10.1; 15.20; 17.25).
O jovem tem duas atitudes para obedecer aos pais: ou por princípio e amor, ou por necessidade.
A atitude correta nasce do conhecimento de Deus e da direção do Espírito Santo. Por outro lado, a atitude de necessidade leva o jovem a desprezar os conselhos dos pais e se rebelar contra sua autoridade. O apóstolo Paulo escreveu a Timóteo acerca desse tema e disse que nos últimos dias o diabo induziria os filhos à desobediência aos pais (1Timóteo 3.2). Hoje é comum essa franca rebeldia às autoridades.
A maneira como os jovens pensam e atuam, tem muito a ver com a influência deste mundo. Mas Deus quer reverter essa situação na vida familiar de Seu povo. Os jovens devem conhecer seu papel como filho dentro do propósito de Deus para a família.

DIREITOS E PRIVILÉGIOS
Enquanto o filho estiver debaixo do cuidado paterno, ele desfrutará de benefícios e privilégios. Alguns são obrigatórios, ou seja, seus pais não podem deixar de providenciar. Outros, entretanto, são outorgados aos filhos por uma atitude de amor, carinho e graça dos pais.
Na verdade, os filhos recebem muito mais do que realmente necessitam. Entretanto, muitos filhos não sabem reconhecer a diferença que existe nisso. Os pais têm a obrigação de prover alimento, roupa, educação e residência enquanto os filhos não possam conseguir isso por si mesmos. Tudo o que vai além disso, é privilégio.
Seria muito bom que os filhos sustentados por seus pais depois dos 18 anos de idade, e ajudados a cursar universidade ou qualquer outro curso, soubessem reconhecer e agradecer-lhes pelo favor recebido. Quando isso ocorre, traz grande alegria e satisfação aos pais.
Esta é uma atitude sábia: reconhecer e valorizar os benefícios recebidos dos pais, quer sejam por direito ou por privilégio.

RESPONSABILIDADES

Obediência e submissão (Efésios 6.1; Colossenses 3.20; Levítico 19.3)
A obediência aos pais não é opcional, porque é um mandamento do Senhor. Deve haver submissão voluntária.
Submissão é um ato da própria vontade através da qual nos sujeitamos ao governo de outra pessoa. Não é humilhação nem rebaixamento. Não é uma desvalorização própria, mas sim o reconhecimento da autoridade de alguém, considerando uma maior capacidade para conduzir ou guiar sua vida. Naturalmente, a sabedoria e experiência dos pais é superior à dos filhos.
Deus declara que é justo os filhos obedecerem seus pais (Efésios 6.1) e por isso, é agradável a Ele (Colossenses 3.20). Jesus, quando jovem, foi obediente e submisso aos pais. Ele é o nosso exemplo (Lucas 2.51).
A rebeldia e insubmissão tem origem no coração de Satanás, portanto, nada de bom pode produzir. Diante de Deus, a rebeldia é uma falta grave porque conduz a uma degradação do caminho e leva o jovem a uma vida de pecado (Deuteronômio 21.18-21).

Honra e respeito (Efésios 6.2,3; Êxodo 20.12)
A vontade de Deus é que os filhos tenham uma alta estima pela sabedoria e experiência de seus pais. Devem considerar que a sabedoria não se adquire na escola, mas sim num longo aprendizado da vida. A experiência de errar e acertar, meditar e avaliar, ganhar e perder vão formando uma base para conduzir outros na vida.
Quando os filhos apreciam seus pais, é fácil respeitá-los e honrá-los. O respeito brota de uma atitude interior de reconhecimento e apreço pela função dos pais. Esse respeito se manifesta pelo trato cordial, amável, cuidadoso. O contrário, ou seja, faltar de respeito se manifesta por gestos e palavrões, prepotência, altivez e desprezo. Isto é muito comum no mundo. Ao se converter, o jovem terá que aprender como tratar seus pais. Será como que remar contra a correnteza deste mundo e não se deixar influenciar pelos exemplos negativos tão abundantes hoje em dia.
Muitos pais, quando atingem uma idade avançada, são abandonados e considerados como algo pesado. Sobretudo quando ficam enfermos e precisam de cuidados especiais. São deixados de lado, ignorados e muitos são levados aos asilos para que morram. Isso é fruto da rebelião e do menosprezo.
Honrar os pais é o primeiro mandamento com promessa. Quem o fizer, pode ter a segurança de que será próspero e terá longa vida (1Timóteo 5.4,8; Levítico 19.32).
Honrar é um ato de amor, por exemplo: dizer a eles o quanto são importantes, falar deles a outros, presenteá-los fora das datas especiais, passar tempo com eles e conversar sobre o que eles gostam, etc.

Amor e Amizade
É preciso desenvolver um relacionamento afetuoso entre pais e filhos, expressando o amor em gestos e palavras. É bom para um pai receber expressões de amor por parte de um filho. Muitas vezes os filhos deixam passar oportunidades para demonstrarem seu afeto e carinho. Uma palavra, uma flor, um beijo, um gesto, um cartãozinho, um chocolate, são meios sensíveis de transmitir amor, gratidão e apreço.
Para que se crie amizade, é necessário que os filhos se determinem a se aproximarem de seus pais. Criem situações em que possam estar juntos para desenvolver companheirismo e amizade.
O tempo do jovem em casa é muito curto. Portanto, o jovem discípulo deve aproveitar esses anos da juventude para firmar bem a sua amizade com seus pais.

OBRIGAÇÕES ESPECÍFICAS NAS TAREFAS DOMÉSTICAS
Desde pequenos, os filhos são orientados a assumirem obrigações específicas. Por isso é necessário que os filhos atentem para as orientações dos pais, e façam exatamente o que eles pedem. Com o tempo, essas obrigações devem a ser mais voluntárias.
É agradável aos pais que os filhos façam mais do que se espera deles. Não só a deixar o quarto arrumado como também ajudar no trabalho da mãe. Há muitas maneiras de fazê-lo, como por exemplo: ajudar a lavar a roupa, limpar a casa, fazer compras, e até mesmo ajudar na cozinha. Numa emergência em que ela não possa fazê-lo, os filhos não sentirão dificuldade em substituí-la.
O importante é que assumam essas obrigações com responsabilidade e atenção. Devem saber que não estão fazendo isso por favor a sua mãe ou pai, mas sim por terem a responsabilidade de compartilhar do trabalho doméstico.
Quando os filhos são pequenos, a mãe faz tudo. Mas é uma injustiça permitir que ela continue a fazer tudo. Os filhos podem e devem assumir a responsabilidade de tarefas comuns no lar.
Todo trabalho deve ser realizado com esmero, dedicação e da melhor forma possível, não razoavelmente. É nesta etapa da vida que se adquire hábitos de trabalho. Quem se acomoda com desorganização e desordem, se acostuma a este estilo de vida e depois é difícil mudar. Em tudo deve-se buscar a excelência.

Nos Estudos
O estudo é o trabalho fundamental dos filhos, portanto devem fazê-lo com esmero. Devem dedicar tempo e esforço suficientes não para concluir estágios, mas sim para aprender bem a matéria.
A linha de pensamento corrente entre a maioria dos jovens é fazer o mínimo necessário para passar de ano. Isso é mediocridade. O jovem deve se esforçar para atingir o máximo de sua capacidade e extrair tudo o que for possível do conhecimento.
É preciso que todo jovem se capacite intelectualmente e em trabalhos manuais, a fim de ser apto para desempenhar qualquer atividade diante de qualquer necessidade.

No Trabalho
Muito embora alguns jovens fiquem debaixo do cuidado dos pais até terminarem seus estudos, é necessário que os rapazes e as moças comecem a trabalhar desde cedo. Ainda que sejam algumas horas por dia e que aprendam a ganhar algum sustento. Se conseguirem suprir seus próprios gastos, será de grande ajuda aos pais e trarão um sentido de dignidade e autoestima. O trabalho traz maturidade.

A RELAÇÃO ENTRE OS IRMÃOS
A boa relação entre os irmãos é uma das maiores riquezas que a família pode ter. Fortalecem os laços familiares e desenvolve vínculos de amizade que perduram por toda a vida. Por isso é importante que os irmãos procurem conviver onde o bom trato seja a nota dominante.
Há atitudes e condutas que contribuem para isso:

O que Destrói
A indiferença e o isolamento são atitudes que dificultam o bom relacionamento. Quando alguém se fecha em si mesma, automaticamente deixa outros de fora. Fora de seus pensamentos, de seus interesses e de suas emoções. Quem se isola não pode compartilhar nem as alegrias nem as tristezas de seu semelhante. O resultado é que se torna egocêntrico e individualista.
Deus nos tem chamado para vivermos em família e com necessidades da presença, contato e afeto dos demais. O isolamento obedece às maquinações de Satanás cujo objetivo é a destruição da família. Deus quer restaurar nossa sensibilidade para com o outro. Assim, é preciso quebrar a barreira da indiferença e sair ao seu encontro.
Devemos fugir das pelejas, dos gritos e ofensas. Essas coisas provocam o ressentimento nas relações. Precisamos evitar a todo custo as divisões dentro da família (Tiago 3.2-10).

O que Edifica
O tratamento afetuoso ao expressarmos o amor que sentimos uns pelos outros. Também depende de como damos lugar ao companheirismo e a comunhão espiritual. A presença do Senhor em nosso relacionamento produzirá mudança, profundidade e enriquecimento dessa relação. Assim se cria um ambiente onde pode ser praticado o perdão e a restauração de comunhão, caso ocorra algum conflito.
Os irmãos devem ser amigos e ajudarem-se mutuamente. Devem demonstrar o genuíno interesse um pelo outro e jamais trair ou defraudar a confiança.

RELAÇÃO COM PAIS INCRÉDULOS
Dentro deste aspecto destacamos dois pontos básicos:

A Sujeição
A sujeição que o filho deve a seus pais incrédulos é a mesma daquele que tem pai convertido. A única exceção é quando o pai ou a mãe exige que seus filhos pratiquem aquilo que vá contra as orientações de Deus. Nesse caso é importante consultar seus líderes e avaliar se realmente a exigência dos pais está ou não contra a palavra de Deus.
Muitos jovens tomam essa exceção com a atitude de não serem obedientes naquilo em que devem ser. Por isso é necessário que os irmãos que o aconselham sejam maduros e responsáveis.

O Testemunho
Os pais recebem um maior impacto pela vida transformada de seus filhos do que por suas palavras. Por isso é importante que o filho viva de conformidade e obediência a cada palavra do Evangelho do Reino. Uma vida santa, sensível, comprometida e humilde é a maior pregação que um pai incrédulo pode receber.

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

OPINIÕES E CONVICÇÕES DO APÓSTOLO PAULO

O que a Bíblia me ensinou

 

Mente aberta e atitude tolerante são características elogiadíssimas nos círculos intelectuais; é justo que assim seja, desde que as condições de referências sejam corretas. Há, porém, uma abertura de mente e tolerância que não passa de falta de caráter.

Em muitos assuntos, é perfeitamente certo suspender o julgamento; por exemplo, questões moralmente neutras; ou interpretações especulativas da Bíblia sobre as quais não há ensino claro; problemas políticos ou de outra natureza sobre os quais se justificam opiniões alternativas.

Há, porém, algumas questões a respeito das quais é certo ter a mente fechada. Quando o cristão, após cuidadosa meditação e pesquisa bíblica, chega a conclusões definitivas, é correto que ele mantenha firmes essas conclusões. Mostra porventura um estudante de matemática mente aberta quanto a dois mais dois serem quatro? Tal atitude mereceria a acusação de obscurantismo. Não quer dizer, porém, que não se deve estar pronto para considerar outros fatos indiscutíveis. Mas para que o indivíduo mude de opinião é preciso haver prova incontroversa. No caminhar cristão, devemos formar convicções firmes como um ancoradouro no mar encapelado da vida.

Diz o dicionário que convicção é a “certeza adquirida por demonstração”. As opiniões nos custam apenas um fôlego, mas as convicções muitas vezes custam a própria vida. Todos nós somos férteis em opiniões, mas poucas são as que chegam a convicções fortes. Alguns confundem preconceitos com convicções. Os preconceitos, contudo, só nos fazem fanáticos. Devemos alcançar a certeza da realidade básica de nossa fé.

Como qualquer líder valoroso, Paulo nutria fortes e duráveis convicções. Ele tinha crenças inabaláveis concernentes a Deus e ao homem, à vida e à morte, a este mundo e ao vindouro. Tais crenças davam colorido e autoridade à sua liderança. As pessoas seguem de boa vontade o crente que se firma nas suas crenças.

“Não é a sabedoria do pregador, mas a sua convicção, que se comunica aos outros. A chama verdadeira acende outra chama. O homem que tem convicções falará e será ouvido… Não há quantidade de leitura ou de brilho intelectual que tome o lugar da convicção e da sinceridade.”

As convicções não são produto apenas da razão e da pesquisa. Em seus Pensa- mentos, Pascal escreveu: “O coração tem razões que a própria razão desconhece. É o coração, e não a razão que sente a Deus. Há verdades que são sentidas e verdades que são provadas, porque conhecemos a verdade não só pela razão, mas pela convicção intuitiva a que se pode chamar coração. As verdades primárias não são demonstráveis, e não obstante nosso conhecimento delas não é menos correto… A verdade pode estar acima da razão e não ser contrária a ela.”

O dirigente cristão deve estar seguro de certas convicções básicas; vamos considerá-las a seguir.

Concernentes às Escrituras

As convicções de um líder concernentes às Escrituras afetarão profundamente a natureza de sua liderança. Aquele que tem reservas mentais quanto à inspiração e autoridade absolutas da Bíblia não fará uma apresentação e aplicação positivas da verdade divina. Aqui, como em tudo o mais, Paulo estabelece o padrão.

Sua única Bíblia era o Antigo Testamento, e já antes de sua conversão ele a tratava com reverência como oráculos de Deus. Em sua preparação ele decorava longos trechos — prática inapreciável e pouquíssimo observada hoje em dia. Quando estive no Japão, há pouco tempo, um pastor japonês me disse que havia lido a Bíblia 86 vezes nos últimos sete anos! Demasiado grande é o número dos cristãos que já a leram do princípio ao fim uma única vez!

Em suas cartas, Paulo não dá a mais leve impressão de alimentar dúvidas sobre a origem e inspiração divinas das Escrituras. Ele teve de enfrentar, como seu Mestre antes dele, os mesmos problemas textuais, todos os assim chamados erros e discrepâncias do Antigo Testamento com os quais temos de contender hoje; mas não há uma centelha de evidência de que esses problemas lhe houvessem dado qualquer preocupação. Ao assumirmos a mesma posição, estamos em boa companhia.

A confiança de Paulo na autoridade e integridade das Escrituras expressa-se nestes versículos inequívocos: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).

Ele compartilhava a convicção de seu Senhor de que “Até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5:18).

Disse John Stott: “A Escritura é a Palavra de Deus porque é inspirada por Deus. Teve origem na mente divina, procede da boca de Deus, embora, é claro, tenha sido proferida por autores humanos sem destruir a individualidade deles e sem perder a autoridade divina no processo.”

As cartas de Paulo estão cheias de referências ao Antigo Testamento. Um diligente estudioso da Bíblia contou 74 citações em Romanos, 29 em 1 Coríntios, 20 em 2

Coríntios, 13 em Gálatas, 21 em Efésios, 6 em Filipenses, 4 em Colossenses, 7 em 1 Tessalonicenses, 9 em 2 Tessalonicenses, 2 em 1 Timóteo, 4 em 2 Timóteo, 3 em Tito — 192 ao todo.

Paulo nem sempre se dava ao cuidado de citar as palavras exatas do original, mas extraía o seu sentido, guiado pelo Espírito Santo; sempre que recorria às Escrituras, descobria princípios e verdades que se ajustavam exatamente às suas próprias necessidades e às de seus leitores.

Sua ilimitada confiança na exatidão e confiabilidade das palavras da Bíblia evidencia-se, por exemplo, quando ele constrói toda a sua argumentação sobre o uso do singular. “As promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo” (Gálatas 3:16). Em sua defesa perante Félix, ele declarou: “acreditando em todas as coisas que estejam de acordo com a lei, e nos escritos dos profetas” (Atos 24:14).

Ele cria com todas as forças que as Escrituras do Antigo Testamento eram aplicáveis à vida e experiência dos cristãos do Novo Testamento. Referindo-se às experiências de Israel no deserto e ao juízo que caiu sobre o povo por causa do pecado, Paulo escreveu: “Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos, e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado” (1 Coríntios 10:11). E de novo: “E não somente por causa dele [Abraão] está isso escrito que lhe foi levado em conta, mas também por nossa causa” (Romanos 4:23,24).

Em face do óbvio amor e reverência de Paulo pelo Antigo Testamento, e do frequente uso que dele fez, segundo escreveu R. E. Speer, “é triste pensar que é provável que ele não possuísse um exemplar do Antigo Testamento. As Escrituras do Antigo Testamento eram escritas em rolos incômodos de carregar, e eram caras demais. Em suas longas viagens, seria difícil para Paulo levá-las consigo, caso lhe tenha sido possível adquiri-las.” Quanto deveríamos nós prezar nossas Bíblias compactas, fáceis de ler e de carregar!

Concernentes às críticas desfavoráveis

Quanto mais alto um homem sobe em liderança, tanto mais fica sujeito à crítica e ao cinismo dos rivais ou dos que se opõem às suas opiniões e ações. A maneira pela qual ele reage terá efeitos de longo alcance sobre a sua obra. A busca da popularidade pode significar a perda da verdadeira liderança espiritual.

Paulo estabeleceu um valioso padrão nesta área. Embora ele desejasse que seus companheiros pensassem bem dele, ele recusava a ser popular a expensas do favor do seu Mestre. Ele expressou sua ambição em 2 Coríntios 5:9: “É por isso que também nos esforçamos… para lhe ser agradáveis”. Escrevendo aos gálatas, ele pergunta: “Porventura procuro eu agora o favor dos homens, ou o de Deus? ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo” (Gálatas 1:10).

A opinião contrária de seus companheiros não o perturbava indevidamente, em- bora ele não procurasse ser criticado. “Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por tribunal”, escreveu ele aos coríntios. “Porque de nada me argui a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor. Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que venha o Senhor” (1 Coríntios 4:3-4, 5).

Visto que Paulo sabia ser fiel aos “mistérios de Deus” que lhe foram confiados (4:1), ele podia dar-se ao luxo de não levar em conta a mera opinião humana. “A mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós. ”Tem-se salientado que se a crítica da Igreja apenas trinta anos após o Pentecoste podia ser assim ignorada pelo fiel líder, a censura da igreja morna dos nossos dias não precisa causar-nos muitos terrores.

Nem temia ele o julgamento do mundo — qualquer tribunal humano. O mundo não era seu juiz; contudo, ele tinha o cuidado de preservar certo equilíbrio. Também escreveu: “Não vos torneis causa de tropeço… assim como também eu procuro em tu- do ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1 Coríntios 10:32, 33).

“Mendelssohn não teria submetido seus oratórios ao julgamento de um surdo-mudo, nem Rafael suas telas ao juízo de um cego de nascença”, escreveu D. M. Panton, “como Paulo não submeteria os mistérios de Deus a um mundo que não o conhece.”

Ele foi além, e afirmou que a posse de uma consciência perfeitamente limpa, por mais valiosa que seja, não o justificava. Embora a consciência o lisonjeasse, ele desconfiava até do seu próprio veredicto, pois conhecia a sutileza de seu próprio coração. “Nem eu tampouco julgo a mim mesmo. Porque de nada me argui a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado.”

“Quem me julga é o Senhor” — e ele conhece tudo. Ele pode pesar os motivos bem como avaliar os fatos. É ele o supremo tribunal de apelação. Seu juízo é justo e infalível — portanto devemos suspender o julgamento. “Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que venha o Senhor.” Nossos poderes são limitados demais, nosso conhecimento é insuficiente, nossas mentes demais tendenciosas para podermos chegar a um juízo correto. Podemos e devemos confiar tudo às competentes mãos divinas, e no final, “cada um receberá o seu louvor da parte de Deus”.

Resta dizer que a indiferença pela opinião humana pode ser desastrosa se não vier ligada com o temor de Deus. Mas, cumprida esta condição, certa independência das avaliações humanas pode ser um grande bem ao crente disciplinado cujo alvo é a glória divina. Para Paulo, que tinha o ouvido afinado com a voz mais alta da avaliação de Deus, a voz do homem era fraca. Ele não temia o juízo humano porque sabia encontrar-se diante de um tribunal mais elevado.

Concernentes à Igreja

A esfera da liderança de Paulo era preeminentemente a Igreja. Na verdade, olhando do ângulo humano, poder-se-ia dizer que ele é seu principal arquiteto. Sob a orientação do Espírito Santo ele foi em grande parte responsável por moldá-la no instrumento de comunhão local e de evangelização mundial que ela veio a ser posterior- mente. Ele via com clareza que a Igreja ocupava lugar central nos propósitos de Deus.

Conquanto Paulo estivesse dolorosamente cônscio da fraqueza e das falhas da Igreja, e, em certo sentido, fosse individualista, ele não a abandonou nem estabeleceu alguma organização de sua própria inventiva, “responsável só perante Deus”, como ocorre com tanta frequência em nossos dias. Ele procurou fortalecê-la de dentro. Seu ensino e exemplo em nada apoiam aqueles que costumam denegrir a Igreja.

“Portanto, o cristão individualista, cuja lealdade à Igreja é leviana, e às vezes é tentado a depreciar o ‘Cristianismo organizado’, não deve esperar a simpatia de Pau- lo.”

Na estrada de Damasco ele começou a aprender o valor que Cristo dava à sua Igreja. “Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos 9:4). Aquele que tocava sua Igreja tocava a Cristo! Ele aprendeu que “Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25). Era propósito de Deus que, “pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida agora dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus nosso Senhor” (Efésios 3:10-11).

Esta elevada estima da Igreja levou Paulo a conservá-la no centro do seu pensamento e planejamento. É interessante notar que a maioria das figuras que Paulo emprega para retratar a Igreja são vivas. Um organismo que cresce, em vez de mera organização — o corpo místico de Cristo (Colossenses 1:24). Na Igreja ele via unidade em meio à diversidade: “Porque, assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função; assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (Romanos 12:4-5).

O conceito que Paulo tinha do relacionamento conjugal como um quadro da Igreja (Efésios 5:25) é desenvolvido ainda mais ao chamar a Igreja de Noiva de Cristo, com toda a riqueza de imagens que essa figura encerra (Apocalipse 19:7,9). Não se poderia imaginar relacionamento mais terno e afetuoso.

Paulo não via a Igreja como uma instituição rígida e fria, mas como uma família afetuosa e amorosa, a família de Deus com todos os relacionamentos felizes que a verdadeira vida familiar envolve. Deus, que “faz que o solitário more em família”, estabelece os cristãos em Igrejas, onde, idealmente, o povo de Deus serve uns aos outros e leva as cargas uns dos outros. Ele é o Pai, “de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra” (Efésios 3:15).

Paulo também adota a figura de um edifício, um templo que está sendo construído tendo Cristo como alicerce e principal pedra de esquina. E um templo santo, uma “habitação de Deus no Espírito” (Efésios 2:22). Cada crente é uma pedra viva coloca- da nesse edifício divino.

A Igreja é também a guardiã da verdade divina e testemunha dela, porque ela é “a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (1 Timóteo 3:15). Em lugar algum Paulo representa a Igreja como perfeita e infalível — ele conhecia muito bem suas fraquezas. Quando ele falou de Cristo apresentando a sua Igreja “gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante”, sabia que esse dia estava distante no futuro (Efésios 5:27).

Embora a unidade da Igreja deva ser nosso constante objetivo e esforço, não de- vemos buscá-la a expensas da verdade. “A unidade torna-se imoral”, escreve R. E. Speer, “quando adquirida ao preço da fidelidade a Cristo ou à lei de Cristo na vida… Para Paulo só duas coisas serviam de motivo para rompimento e divisão. Uma era deslealdade e infidelidade a Cristo; a outra, o pecado impenitente.” O Cristo assunto ao céu enriqueceu a Igreja com dons espirituais apropriados para cumprir seu propósito eterno. Porém, mesmo em seus melhores dias, alguns desses dons sofreram abuso. Isto deu margem às instruções de Paulo nos capítulos 12-14 de 1 Coríntios, concernentes ao exercício correto desses dons. Ele acentuou que a finalidade desses dons era a edificação da Igreja, e não o engrandecimento de quem os possuía, e que a ausência do amor autêntico neutralizaria sua eficácia.

Assim, para ele, a Igreja era o centro focal de adoração e testemunho, de conselho e ensino, de exortação e estímulo, de treinamento para o serviço.

GESTÃO E CARREIRA

DIVERSIDADE CORPORATIVA

Cresce a preocupação das empresas em promover a inclusão e a ascensão das minorias em seus postos estratégicos. As mulheres são o principal alvo.

Mistura Corporativa

Em janeiro de 2009, a executiva americana Ellen Kullman assumiu o cargo de CEO global da DuPont, gigante da indústria química. Foi a primeira mulher na empresa a alcançar esse cargo. Mas não deverá ser a última. Fruto de um longo trabalho de diversidade, ascensão de mulheres a posições e liderança vem crescendo na empresa. Em 2003, elas representavam apenas 1% dos postos estratégicos na filial brasileira. Hoje,34% dos cargos de gestão são ocupados por mulheres. ” O nosso objetivo é manter o crescimento percentual da presença das mulheres em cargos de liderança de 2% ao ano, como vem acontecendo nos últimos três anos”, afirma Ana Cristina Piovan, diretora de recursos humanos da DuPont Brasil.

O movimento feito pela DuPont vem sendo, cada vez mais, acompanhado por outras companhias. Preocupadas em aumentar a diversidade de seus times, empresas de diferentes portes e setores estão empenhadas em criar estratégias de inclusão e ascensão não apenas de mulheres, mas das chamadas minorias. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Ethos e pelo Ibope Inteligência com o apoio institucional da lnter-American Foundation(IAF), em 2007, 79% da s 500 maiores empresas do Brasil promoveram ações em favor da diversidade. Dois anos antes, apenas 52% delas se preocupavam com o tema. “Apesar desse tipo de discussão não ser brasileiro, acabou chegando também aqui”, diz a antropóloga carioca Lívia Barbosa, professora da Universidade Federal Fluminense. “O que era um assunto periférico passou a ser um tema importante.”

A discussão ganhou importância à medida que as empresas perceberam que o discurso de “ser diferente”, mais do que bonito, realmente fazia diferença nos negócios. Há dez anos, um estudo realizado pela revista americana Fortune demonstrou que as ações de 50 companhias dos Estados Unidos que estimulavam a gestão da diversidade tiveram desempenho superior à média de mercado. De lá par a cá, os olhos dos gestores começaram a se voltar para essa questão. “A diversidade não é mais uma política de RH, mas uma estratégia do negócio”, afirma Alessandro Bonorino, diretor de recursos humanos da IBM para a América Latina. “A principal vantagem é que isso permite ter o melhor time de talentos para enfrentar o mercado, também formado por diferenças.”

A IBM conta com anos de tradição na história da diversidade. Muito antes de o assunto entrar na pauta de discussão dos movimentos sociais, em 1935, a em presa já havia iniciado a política de equidade salarial entre homens e mulheres. No Brasil, as ações ganharam mais foco em 2002. Com 17.000 funcionários na subsidiária brasileira, a companhia convidou os profissionais que fazem parte dos grupos de minoria a liderar junto com os executivos as iniciativas de diversidade. Foram criadas equipes de trabalho para discutir dificuldades e construir ações. São comitivas de mulheres, portadores de deficiência, afrodescendentes e GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais).  “Criamos esses grupos porque não são executivos tentando adivinhar as necessidades, mas as pessoas que vivem na pele as dificuldades encontradas no dia-a-dia”, afirma Bonorino.

Aproveitando a expertise de quem realmente entende das minorias, há oito anos a IBM criou grupos de vendas para esse público. Com eles, a empresa fatura 500 milhões de dólares por ano em todo o mundo. “Para conseguir esses resultados, a IBM precisou contratar pessoas que integravam minorias e que pudessem apoiá-la em seu processo de aproximação com esse público”, afirma Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos e vice-presidente da região sul da Federação Interamericana de Associações de Gestão Humana. Ao longo desses anos investindo em minorias, a IBM provou que a diversidade traz vantagem competitiva para o negócio. “É o que faz uma empresa ser ou não inovadora”, acredita Bonorino.

 

 PRIMEIRO LÁ FORA, DEPOIS AQUI

Apesar de estar mais atento ao assunto, o Brasil ainda está abaixo da média em ações de diversidade comparado com outros países. É o que aponta o ranking Workplace Survey, baseado numa pesquisa elaborada pela empresa de recrutamento Robert Half.  A pesquisa, que ouviu 2.481 executivos de recursos humanos em empresas de 17 países, revelou que36% das companhias brasileiras afirmam ter políticas de diversidade. A média mundial é de 44%. “O tema já vem sendo desenvolvido nas empresas, mais comumente em grandes companhias e principalmente nas multinacionais, em que essa preocupação já existe há mais tempo”, afirma Fernando Mantovani, diretor da Robert Half.

A Unilever, grupo anglo-holandês de bens de consumo, reflete bem esse exemplo. Apesar de hoje a subsidiária brasileira ter uma política consistente de diversidade, a iniciativa partiu da matriz. A meta da empresa era aumentar a participação de mulheres em cargos executivos em todas as suas subsidiárias. A partir daí criou um amplo programa de diversidade. O Brasil teve liberdade para incluir dois outros públicos no programa: portadores de necessidades especiais e pessoas menos favorecidas socialmente. Para atingir o objetivo, a Unilever primeiro prestou atenção aos motivos que afastavam as mulheres do poder. Constatou que grande parte delas abria mão da carreira para dedicar mais tempo à família, especialmente aos filhos. A empresa passou a adotar algumas medidas, como horário flexível, possibilidade de trabalhar remotamente e até licença não remunerada de um ano para as que desejavam esticar o tempo de permanência com os filhos.

Os outros dois públicos escolhidos pela filial brasileira também receberam planos de ação. A empresa passou a sensibilizar outros funcionários, por meio de vídeos, cartilhas e palestras sobre a importância de ter deficientes no ambiente de trabalho. No pilar Inclusão Social, desde 2004 a Unilever passou a escolher todo ano seis candidatos entre 30 jovens de 16 a 18 anos pré-selecionados por ONGs. Além da graduação, eles fazem curso de inglês e informática.

As ações, que começaram há seis anos, já tem resultados, especialmente no pilar Mulheres. Em 2002, 30% dos cargos gerenciais eram ocupados por elas. No ano passado, eram 47 %. Na vice-presidência, em que não existiam mulheres, hoje elas já somam 20% do quadro.

 

MULHERES NA LINHA DE FRENTE

Embora o tema diversidade inclua negros, homossexuais, portadores de deficiências, etc., as mulheres parecem ser o alvo preferido das empresas. A história pode explicar esse fenómeno. Os negros e as mulheres, foram os primeiros a se fazer ouvir, como consequência de seu pioneirismo na luta por direitos iguais.” Passou de um pedido de discriminação para um pedido de reconhecimento do direito às diferenças”, afirma Lívia Barbosa.  Hoje, tornou-se parte da estratégia de muitas companhias.

O plano de retenção e promoção da população feminina vem surtindo a passos lentos, é verdade seus primeiros efeitos. Segundo o Instituto Ethos, a presença de mulheres, que formam 43,5% da população economicamente ativa, saltou de 6% para 11,5% nos últimos oito anos. ” O crescimento ainda é pequeno, mas já sentimos a evolução”, afirma Paulo Itacarambi, vice-presidente do Ethos.

Na DuPont, o primeiro passo na disseminação da diversidade também foi o trabalho de inserção nos postos de liderança. Para isso, a empresa investiu no desenvolvimento do time feminino para que, quando chegasse a hora, elas estivessem prontas para assumir as posições. Há sete anos, a empresa criou um programa chamado Network de Mulheres, pelo qual elas dividem experiências de carreira. Hoje, com os resultados já garantidos, o programa não existe mais. ” Quando uma ação funciona naturalmente, não precisa mais da intervenção da empresa”, diz Ana Cristina Piovan, da DuPont. “Deixou de ser uma atribuição e passou a ser um compromisso das mulheres que já chegaram lá de preparar outras para também alcançar posições de liderança.”

Também na IBM, que mantém seus vários grupos de minoria, o investimento em desenvolvimento para garantira ascensão de mulheres é uma das ações prioritárias. Com o treinamento denominado Tomando Palco, a empresa orienta as 100 profissionais com potencial decrescimento a se posicionar no mundo corporativo. A companhia também identificou 15 mulheres com potencial acima da média e desenhou programas específicos de desenvolvimento para elas. Um deles é o Programa Sombra, pelo qual elas acompanham outros executivos, recebem mentoring e podem mudar de cargo para adquirir experiência em outros setores. Hoje, as mulheres representam 35% do time da IBM. Nos cargos de gestão, elas já são 2%.

O horário flexível – adotado pela Unilever para segurar suas mulheres também foi abraçado pela IBM e pela DuPont. Ambas perceberam que a flexibilidade de horários permite que as mulheres encarem de outra forma o trabalho. A IBM chegou a criar até um programa que dá suporte aos filhos dos funcionários, uma preocupação bastante presente na população feminina. O site Família 24 Horas ajuda as crianças na rotina escolar e conta com professores para tirar dúvidas.

A Fersol, fabricante de defensivos agrícolas, foi além no plano de segurar suas funcionárias. Ainda quando ninguém falava no assunto, a empresa adotou a licença maternidade de seis meses, esticada com mais um mês de férias. Para o pai, a licença é de dois meses, também com direito a completar com férias de 30 dias. Os processos e produção da empresa também foram revistos. Para que elas pudessem trabalhar em posições antes apenas ocupadas pelos homens, a Fersol colocou, por exemplo, máquinas na linha de montagem para carregar as caixas dos produtos. Antes o trabalho era manual, impossibilitando que as mulheres fizessem esforço. Com as ações, as mulheres chegaram a representar 64% do quadro da empresa, que conta com 200 colaboradores. Dos 13 cargos de liderança, oito são ocupados por mulheres. A companhia chegou a ter de repensar a estratégia para manter o equilíbrio entre as populações.

A VEZ DOS HOMOSSEXUAIS

Desde 1996, a Fersol vem investindo em diversidade, passando a contratar pessoas que fazem parte de minorias. Na época, com 90% do quadro formado por homens brancos com idade entre 20 e 40 anos, a companhia começou a fazer parcerias com ONGs para selecionar mulheres, negros e portadores de deficiência. “A qualificação é fundamental, mas, quando não conseguimos um profissional que tenha todos os requisitos necessários para o cargo, criamos uma posição com menor responsabilidade para treiná-lo “, diz Michael Haradom, presidente da Fersol. “Dessa forma, conseguimos mudar a formação da

empresa.” Já em 2004, a Fersol contava com 64% de mulheres, 53% de afro-brasileiros, 26% de pessoas acima de 45anos, 3% de portador es de deficiência, 3% de homossexuais e 5% de pessoas em processo de liberdade assistida. No mesmo ano, a empresa bateu recorde em seu faturamento: 100 milhões de dólares.

Os homossexuais também foram conquistando seu respeito no ambiente corporativo. Prova disso é o crescimento de empresas que passaram a estender os benefícios do plano de saúde para parceiros do mesmo sexo. Segundo a terceira edição da pesquisa sobre benefícios de assistência à saúde da consultoria Watson Wyatt, em 2008 houve aumento de 13% na concessão da assistência pelas companhias em relação ao ano anterior, quando esse índice era de 20%.

Os especialistas fazem um alerta para esse tipo de ação. “Algumas empresas optaram por um caminho mais conservador, como oferecer benefícios”, afirma Klecius Borges, terapeuta de homossexuais. “Isso é importante para mostrar que elas se preocupam com essa questão, mas não vai eliminar a insegurança do profissional. “O mais importante, segundo ele, é tornar as políticas claras e educar os colaboradores a praticar o respeito às diferenças.

Tendo a diversidade como um dos pilares de seu negócio, a Du­Pont deixa claro, desde o início, que não tolera o trato desrespeitoso. Assim que o funcionário entra, passa por treinamentos que envolvem a questão da diversidade. O código de conduta da empresa também inclui essa questão e estabelece padrões de convivência. Além dos benefícios no plano de saúde, a IBM trabalha a conscientização para garantir um ambiente tolerante. Realiza palestras sobreo assunto, nas quais os colaboradores que já viveram discriminação contam suas experiências. No grupo de diversidade GLBT participam cerca de 20 profissionais. Uma das ações lideradas por esse grupo são os workshops com duração de três dias, voltados para as lideranças. Neles, os homossexuais se reúnem com executivos para discutir como acelerar a carreira. “É um mentoring reverso, o qual eles orientam os líderes sobre o processo de entendimento da vivência desse grupo”, explica Alessandro Bonorino.

 

ALÉM DAS COTAS

Começou como uma exigência da legislação brasileira que, a partir de 1999, determinou que, as empresas com mais de 1.000 funcionários, tivesse 5% de seu quadro composto de pessoas com deficiência. A necessidade se transformou num desafio e tanto para os profissionais de recursos humanos, exigindo ações rápidas. Segundo o Instituto Ethos, programas para inclusão de pessoas com deficiência tornaram-se os campeões entre as ações afirmativas listadas em sua pesquisa. Em 2003, apenas 32% das empresas diziam possuir algum programa específico para essa finalidade. Em 2007, 67} das organizações disseram “sim” à questão. A Unilever contratou uma assessoria especializada para recrutar os profissionais. Até 2008, a empresa passou de 0,4% para 4,3% no número de colaboradores com deficiência.

Uma alternativa encontrada pelas organizações foi a flexibilização das atividades. ” Quando um profissional desse grupo não possui todos os requisitos para a função, flexibilizamos as exigências e criamos um plano de desenvolvimento para que eles fiquem aptos”, diz Ana Cristina, da DuPont. Preparada antes mesmo do decreto federal, a multinacional atingiu dentro dos prazos a meta dos 5%. O Programa Network, que nasceu para as mulheres, agora migrou para os deficientes. Nas reuniões são trabalhados desde a formação dos profissionais até o relacionamento com os líderes. Ao todo, 200 pessoas participam do grupo no Brasil.

Desenvolver os deficientes também foi a solução encontrada pela IBM para incluí-los em sua força de trabalho. Em 2008, a empresa realizou uma parceria com o Instituto Eldorado, em Campinas, no interior de São Paulo, para formar 20 profissionais em tecnologia, para programação de sistemas em inglês. Para acelerar a capacitação dos profissionais e ter massa crítica para contratar, especialmente as pessoas com deficiência, a empresa está realizando um projeto em parceria com o Centro Paula Souza “O perfil da IBM é mais alto que o de muitas indústrias. A maioria possui curso superior”, diz Bonorino. “Nosso desafio é investir na preparação de mais pessoas desde a base.” O desafio dele e de muitas outras empresas que buscam efetivamente levar o discurso de diversidade para a prática.

 

RANKING DA DIVERSIDADE

A pesquisa Workplace Survey foi elaborada pela empresa de recrutamento Robert Half em junho de 2008. A segunda edição incluiu, pela primeira vez, o Brasil na avaliação. A pesquisa, que ouviu 2.481 executivos de recursos humanos em empresas de 17 países por todo o mundo (excluindo Estados Unidos e Canadá), resultou num ranking dos países com mais ações de diversidade nas empresas. No Brasil, foram ouvidos 202 executivos. Veja os lugares que mais praticam a diversidade no mundo:

 

Irlanda 83%

Austrália 68%

Reino Unido 59%

4º Hong Kong 49%

5º Bélgica       44%

6º Espanha     44%

7º Singapura  44%

8º França        40%

9º Brasil          36%

10º Suíça        36%

11º Alemanha 33%

12º Itália        30%

13º Japão       28%

PSICOLOGIA ANALÍTICA

presentes-criativos

PRAZER POR RECEBER PRESENTES

As modulações bioquímicas influenciam a dinâmica cerebral e o estado de espírito; satisfação está relacionada à liberação dos “hormônios da expectativa”

 

No fim do ano, as vitrines decoradas das lojas nos lembram que o Natal está chegando. E quanto mais próxima a data, maior o frenesi de consumo. Muitos são tomados pelo receio de não conseguir concluir as compras a tempo e de não serem capazes de escolher os presentes adequados para cada pessoa. Por que esse estado de espírito numa época em que deveriam coexistir o prazer de dar e o de receber? Essa angústia se deve ao fato de as festas enunciarem, de forma explícita ou não, a existência de vínculos – ou a ausência deles. A escolha de uma lembrança e a hora em que é oferecida estão inseridas em uma complexa demonstração social – com múltiplas formas de troca – que oferece pistas sobre aspectos psíquicos, relações familiares e laços sociais.
No momento em que recebemos uma lembrança que corresponde às nossas expectativas sentimos uma onda de prazer, uma ação que reside em conjuntos de neurônios específicos. Surgidos ao longo da evolução, eles cumprem uma função crucial: a manutenção da vida. Os sistemas cerebrais que mais influenciam o comportamento são os que nos levam a satisfazer as necessidades vitais (comer, beber, reproduzir-se e proteger-se). E o prazer é o meio empregado pelo processo evolutivo para que essas funções sejam asseguradas. Para favorecê-las foi desenvolvido o sistema neuronal da recompensa.
Ao longo dos séculos, o cérebro dos humanos e de outros mamíferos tornou-se diferente, principalmente em razão do desenvolvimento do córtex, o que propiciou um aumento na complexidade das conexões neurais. As estruturas mais antigas – onde estão as células neurais do sistema de recompensa no animal – permaneceram inseridas no cérebro ancestral, denominado reptiliano. Na década de 50, os fisiologistas ingleses James Olds e Peter Milner fizeram uma experiência sobre o circuito da recompensa: foram implantados eletrodos em determinada região do cérebro de ratos, o núcleo accumbens, ligados a uma alavanca que o roedor podia acionar. Durante a experiência, observou-se que o animal se apoiava sem cessar sobre a alavanca, estimulando essa região de seu cérebro, esquecendo-se até mesmo de comer e beber. Depois, os mesmos estudos foram feitos com seres humanos que haviam passado por cirurgia, e os resultados foram similares. Ou seja, o cérebro de fato anseia por gratificação.

Neurocientistas consideram também importante um componente da sensação de prazer que experimentamos ao ganhar um presente: a tensão que precede a recompensa. O neurologista Ray Dolan e outros pesquisadores do Instituto de Neurologia da Universidade de Londres mostraram que o prazer associado ao alimento, por exemplo, só é acompanhado por uma liberação de dopamina (hormônio do prazer por excelência) se o consumo já era esperado, o que corresponde à noção de desejo. A dopamina é liberada sob a influência de dois tipos µ e δ de substâncias chamadas neuropeptídeos, secretadas pelo cérebro: os peptídeos opioides endógenos (encefalinas) fixam-se sobre receptores engendrando prazer e euforia e resistência à dor, e, em caso de excesso, sedação imitando a ação da morfina.
Nos dois últimos anos, a importância do sistema opioide interno na dependência psíquica às drogas foi demonstrada em ratos desprovidos dos receptores de tipo µ. As encefalinas intervêm no comportamento ligado à dependência e são provavelmente secretadas enquanto aguardamos uma recompensa. Utilizando a técnica conhecida como microdialise, pesquisadores mediram a concentração sináptica desses peptídeos no núcleo accumbens de ratos previamente condicionados à morfina.
O dispositivo experimental era constituído por duas áreas diferenciadas pela cor das paredes e pelo revestimento do chão. A primeira etapa foi de aprendizagem ou condicionamento. A cada dois dias, os animais tomavam uma injeção de morfina e eram colocados em uma das divisões; no dia seguinte recebiam um placebo antes de trocar de área: assim aprendiam a relacionar um meio específico com os efeitos positivos da morfina. Após o período de condicionamento, os ratos eram recolocados (sem injeção da droga) em uma das divisões e depois na outra. Quando os animais retornavam ao meio associado à morfina, os pesquisadores constatavam um aumento das encefalinas: o roedor antecipava a recompensa. Ao ser colocado no compartimento associado ao placebo, notava-se uma diminuição das encefalinas.
Com base nessas pesquisas seria possível falar em neurobiologia do prazer ligado aos presentes? Sem dúvida. As modulações bioquímicas observadas durante certas situações, no período de festas, por exemplo, certamente influenciam a química cerebral – e o estado de espírito. Extrapolando esses dados, podemos dizer que o prazer experimentado quando ganhamos um presente está ligado à ativação do sistema hedônico, proporcionada por neuromediadores de prazer (dopamina e encefalinas). Se, por infelicidade, o presente não chegar, é possível que a atividade hedônica diminua, ocasionando uma baixa momentânea de encefalinas. Essa reação desencadeia uma sensação de frustração – como a decepção da criança que não ganha um presente ou recebe algo diferente do esperado.

Fonte: Helen Thompson / Florence Noble – Revista Mente e Cérebro

EDIFICANDO A FAMÍLIA CRISTÃ

CONSTRUINDO UMA FAMÍLIA SEGUNDO OS MODELOS E PADRÕES BÍBLICOS – 9

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RELACIONAMENTO COM FILHOS ADOLESCENTES

A adolescência é uma etapa de muitas mudanças, tanto no corpo como na mente. É nessa época que o jovem começa a descobrir a sua independência. Isto demonstra seu progresso rumo à maturidade. Mas nessa época, começam os conflitos de rebelião contra todo tipo de autoridade, sobretudo a dos pais.

Salomão aconselha os pais de adolescentes que orientem a seus filhos sobre a vaidade da adolescência e juventude. Para que cuidem do coração e dos olhos, pois deverão prestar contas a Deus acerca das decisões que tomam. Também sobre as consequências que essas decisões acarretam. Aconselha aos jovens para que se lembrem de Deus na juventude, ao invés de desenvolver a vida em vaidade (Eclesiastes 11.9 – 12.1).

ENTENDENDO A ADOLESCÊNCIA

Dos 12 aos 16 anos, o adolescente começa a descobrir a sua própria identidade. Adquire uma consciência de si mesmo e do sexo oposto. Tem noção das diferenças sociais. As amizades são mais duradouras. Valorizam a lealdade e a confiabilidade. Há um maior desenvolvimento da independência. Os filhos desta idade precisam estabilidade em seu lar e muita paciência e compreensão por parte de seus pais.

A partir dos 17 anos, o jovem continua debaixo do cuidado paternal, mas leva uma vida mais independente. Estes podem ser anos de grande companheirismo com os pais ou, de maior distanciamento. Os pais têm que saber “soltar as rédeas” aos poucos e confiar na formação que deu a seus filhos durante os anos anteriores. Esta etapa pode ser de profunda relação com Deus, mas, justamente por ser assim, deve ser orientada pelos pais.

É indispensável, nessa fase, haver uma boa comunicação entre pais e filhos. É um tempo de idealismo, ilusões, sonhos e fantasias. O jovem precisa de modelos dignos, e com alvos definidos para a vida. É um tempo para fixar metas, estabelecer relações e determinar o nível de compromisso onde irá desenvolver sua vida.

METAS A SEREM ESTABELECIDAS:

 Os pais devem levar seus filhos a:

a) No lar: Assumir responsabilidade pessoal quanto ao uso do tempo, nas tarefas domésticas, no cuidado e conservação da propriedade familiar. Bem como, desenvolver bons hábitos e estabelecer uma forma correta de relacionamento com os demais membros da família.

b) Na escola: Dedicar-se aos estudos, fazendo o melhor possível para aprender controlar-se e vencer o desânimo que leva muitos a abandonar os estudos. Ter em mente que está se preparando para o futuro.

c) No trabalho: Aprender a cuidar dos interesses do patrão e que seja diligente, esforçado e cumpridor. Bem como, a ser pontual, honesto, disposto e manter uma atitude correta para com os colegas de trabalho.

d) Na Igreja: Aprender a respeitar os líderes e aos demais irmãos, identificando-se claramente com eles. Participar de todos os eventos e cooperar com o avanço do Reino de Deus. E, acima de tudo, criar uma profunda relação com Deus.

e) Na sociedade:  Respeitar as autoridades e as leis, e cultivar uma boa atitude para com elas. Escolher suas amizades com cuidado.

DISCIPLINA DOS FILHOS ADOLESCENTES

Um dos piores sentimentos que um adolescente pode sentir é a culpa causada pela desobediência. Isto é produzido pela ação do Espírito Santo (João 16.8). A culpa produz dor na alma, mas a disciplina e o castigo o liberta dela.

Por esta razão, o adolescente espera e necessita ser disciplinado quando desobedece. Faz parte da ordem de Deus na formação dos filhos. A disciplina e o castigo educam e reforçam a vontade. Ajudam o jovem a afirmar sua consciência e a atuar com resolução diante das pressões e influências externas. São duas as influências sobre os adolescentes: o satânico (todas as formas mundanas de pressão) e o divino. Diante delas, ele terá que decidir.

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” Salmos 11.10.

Os filhos devem saber que a desobediência sempre será castigada segundo o que Deus determinou. Se os filhos não forem disciplinados, Deus disciplinará os pais (1Samuel 3.13-14).

a) O uso da vara.

Este é o método estabelecido pelo Senhor. Até uma determinada idade é plenamente eficaz e suficiente, podendo ser usada em casos graves ou repetitivos. Seguir o padrão ensinado no Capítulo 8. Entretanto, com filhos que nunca foram disciplinados anteriormente, as opções abaixo são mais adequadas. Deve-se, no entanto, buscar orientações dos mais experientes.

b) Admoestação Verbal Somente.

 Não é gritar ou “jogar na cara” o erro do adolescente. Mas levá-lo a entender a gravidade do seu erro. Pode ser um sólido conselho até uma dura repreensão. Apele para a razão e para a sua própria auto estima.

c) Admoestação com privação de algo que lhe agrade.

Tem como objetivo provocar dor. A privação deve estar relacionada com o mal que o filho tenha cometido. CUIDADO: Não cortar algo que envolva sua formação intelectual ou espiritual (ex.: proibir de ir ao colégio ou de ir aos compromissos da igreja). Bem como não obrigar a fazer um trabalho para não incutir que trabalho é castigo.

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS

a) Depender do Espírito Santo em tudo (João 16:13).

b) Buscar de Deus sabedoria. (Tiago 1:5-6).

É importante anotar que um filho sábio será, em grande parte, resultado de ter tido um pai e/ou mãe sábio.

“Produzir um filho prudente e sábio vale mil vezes mais que um filho simplesmente dócil por estar subjugado pela força paterna”.  “Keith Bentson”

c) Nunca perder a comunicação com os filhos.

Falar a verdade em amor (Efésios 4:25). Conversar com eles. Deve-se escutar os filhos com calma, atenção e compreensão e juntos buscarem as soluções. Responda sempre a todas as perguntas sem meias verdades. Sendo sempre sinceros para que eles aprendam a sinceridade.

d) Amizade sincera.

Serem realmente amigos dos filhos. A comunicação, a educação e o relacionamento será bem mais proveitoso dentro de uma amizade sincera

e) Respeitar sempre as áreas mais sensíveis do adolescente: sua aparência.

Animá-los constantemente, pois todos já passaram por isso. Mas, cuidado, não usar de falsos elogios.

Seus gostos e opiniões (roupas, modas, comportamento), nada se refere a pecado ou aparência do mal, só gostos e opiniões.

f) Elogiar sempre, criticar só quando realmente for indispensável.

Quando os filhos atuarem bem, deve-se elogiar e estimulá-los. Felicitá-los por seu esforço e pelos seus resultados alcançados, isso os animará a prosseguirem.

g) Ser fiel aos filhos.

Em se tratando de adolescentes ainda mais. Não se deve contar o que foi revelado no íntimo. É importante não expor a intimidade, os sentimentos, as paixões e opiniões, só quando permitido por eles.

h) Colocar alvos e metas (Salmos 127:3-5).

Como os adolescentes estão muito preocupados em viver o presente, em sentirem-se participantes, não sabem colocar metas de longo prazo. Isto cabe aos pais. É necessário tratá-los em áreas específicas da sua vida: no lar, na escola, na Igreja e na vida social. Deve-se tratar uma área de cada vez.

i) Colocar desafios.

Mostrar diversas profissões, diversas atividades, prepará-los para a vida. Eles são como flechas nas mãos dos guerreiros (pais). A responsabilidade de dar a direção é dos pais e não deles. Todavia sempre respeitando seus gostos. Desafiem os adolescentes para:

  • Pregação da palavra;
  • Ser e fazer discípulos na escola;
  • A influenciar a outros e não serem influenciados;
  • Boas músicas;
  • Boas leituras.

j) Ser Exemplo de conduta aos filhos.

Eles tendem a ser como seus pais, mesmo quando resistem a eles.

k) Aplicar a disciplina com firmeza, e de forma razoável, mesmo que ameacem sair do lar.

Os pais não podem permitir que a rebelião destrua a integridade do lar. Se admitir a atitude rebelde do filho em casa, perderá o controle e a autoridade.

l) Confiar em Deus. O Senhor é fiel.

CONCLUSÃO

A criação dos filhos implica numa enorme responsabilidade. Muitas vezes vai além da capacidade natural dos pais para fazê-la. Mas, se esta tarefa é aceita com fé e na dependência de Deus, encontraremos graça do Senhor para realizá-la.

Sempre deve ser lembrado que criar filhos é para Deus. Criá-los para que sejam participantes responsáveis em sua grande família. Assim os pais desempenharão sua tarefa com eficiência e fé, contando com a presença e bênção do Senhor.

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

O que a Bíblia me ensinou

PAULO ENSINA COMO TREINAR  UM LÍDER 

Dizia John R. Mott que os líderes devem buscar a multiplicação de suas vidas preparando jovens, dando-lhes total liberdade de ação e adequada vazão para suas forças. Para esse fim, deve-se lançar sobre eles pesadas cargas de responsabilidade, incluindo oportunidades cada vez maiores de iniciativa e poder de decisão final. Deve-se dar-lhes reconhecimento e crédito generoso por suas realizações.
O método paulino de preparar Timóteo para a obra de sua vida foi profunda- mente instrutivo. Ele andou nas pegadas do seu Mestre, e suas técnicas estavam em plena harmonia com a receita de Mott. Paulo derramou sua própria personalidade e convicções sobre seu discípulo, e estava preparado para passar muito tempo na companhia do jovem.
Timóteo andava por volta dos vinte anos quando começou a ser tutelado. Criado numa atmosfera feminina, ele era mais propenso à dependência do que à liderança. Sua timidez inata e a tendência para a autocompaixão necessitavam, também, de correção e seu caráter carecia de mais firmeza. De referências incidentais poder-se-ia in- ferir que ele fosse por demais tolerante e parcial com pessoas importantes, e tendia a ser inconstante com relação ao seu trabalho.
Da exortação de Paulo para que Timóteo reavivasse o dom que nele havia, parece que, à semelhança de muitos outros, ele dependia de antigas experiências espirituais em vez de reacender a chama em novos encontros com o Senhor. A despeito dessas deficiências, Paulo nutria uma elevada opinião de seu potencial e tinha aspirações muito altas e precisas para ele. Paulo tinha-o na mais alta conta e não lhe poupava experiências difíceis. Nem o protegia das dificuldades que lhe enrijeceriam a fibra e comunicariam virilidade. Atribuía-lhe tarefas muito acima de sua capacidade, mas incentivava e fortificava-o na sua execução. De que outra maneira poderia um jovem desenvolver suas forças e capacidades senão tentando resolver situações que o forçavam a ir além do limite?
Uma grande parte do treinamento de Timóteo foi realizada no trabalho, enquanto viajava com Paulo — privilégio singular para uma pessoa tão jovem. Ele entrou em contato com homens de todos os tipos, homens cujas personalidades e realizações despertaram nele uma ambição sadia. De seu tutor ele aprendeu a enfrentar triunfante- mente as contrariedades e crises que pareciam rotina na vida e ministério de Paulo.
Foi-lhe permitido compartilhar o ministério com os colegas. Paulo confiou-lhe a responsabilidade de estabelecer núcleos cristãos em Tessalônica e confirmá-los na fé, tarefa que mereceu a aprovação do apóstolo. Foi enviado a Corinto — uma cidade difícil onde a autoridade apostólica de Paulo era contestada — para resolver certos problemas. Pode ser que ele tenha fracassado, mas enquanto trabalhava, aprendeu lições valiosas. Como geralmente acontece, os padrões exigentes de Paulo, as elevadas expectativas e as pesadas demandas serviram para revelar o que havia de melhor no jovem e livrá-lo da mediocridade.
Diz o adágio que os grandes homens se fazem mais por seus fracassos do que por seus sucessos. Abraão Lincoln é, talvez, um dos exemplos mais bem conhecidos dessa afirmativa. Fracassou nos negócios; fracassou como advogado; fracassou como candidato à câmara legislativa estadual. Foi impedido em sua tentativa de tornar-se comissário do Departamento Geral de Terras. Foi derrotado em seus esforços para alcançar a vice-presidência da República e o Senado. Mas ele não permitiu que o fracasso lhe arruinasse a vida, nem deixou que fizesse dele um homem amargo.
Numa época em que um homem abaixo de trinta anos não era considerado digno de muita atenção, a juventude de Timóteo era uma nítida desvantagem. Mas isso não impediu que Paulo lhe desse responsabilidades desde logo e o incentivasse a não se desanimar.
“Ninguém despreze a tua mocidade”, aconselhou o apóstolo; “pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4:12). Essas são qualidades nas quais a juventude tende a ser deficiente. A vida exemplar poderia compensar sobremodo a desvantagem da pouca idade. Paulo ensina a importante lição de que é sábio confiar a pessoas jovens promissoras e estáveis razoável responsabilidade, de preferência mais cedo do que mais tarde.
A exortação de Paulo
Paulo concentrou seu conselho a Timóteo numa exortação de quatro partes.
A fim de encorajar e fortificar o jovem pastor para sua difícil tarefa em Éfeso, e para a qual ele se sentiria de todo insuficiente, Paulo dirigiu-lhe quatro solenes exortações, das quais podemos aprender o que ele julgava mais importante na obra pastoral.
Guarda o que te foi confiado
“E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos, e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam, pois alguns, professando-o, se desviaram da fé” (1 Timóteo 6:20, 21).
A Timóteo foram confiadas as verdades da salvação de Deus, e ele teria de prestar contas de sua administração. Ele devia usar os dons espirituais da melhor maneira possível na promoção do Reino de Deus. Ele fora nomeado arauto, e devia, portanto, fazer soar a Palavra: “Deste evangelho fui constituído arauto”. E ao proclamá-lo devia estar seguro de conservar intacto o que lhe fora confiado. Devia defender a fé contra os ataques dos falsos mestres, bem como pregá-la positivamente.
Em nossa reação justificável a um fundamentalismo frio que tem traído a sua causa mediante ataques cáusticos às personalidades, é preciso que não nos tornemos tão tolerantes que deixemos de guardar o que nos foi confiado. É possível contender pela fé sem ter espírito contencioso.

Atuar sem parcialidade
“Conjuro-te perante Deus e Cristo Jesus e os anjos eleitos, que guardes estes conselhos, sem prevenção, nada fazendo com parcialidade” (1 Timóteo 5:21).
Teria, porventura surgido esta exortação do temor que tinha Paulo de que o jovem Timóteo fosse facilmente influenciado pela pressão de certos grupos — situação que não é desconhecida na obra cristã de nossos dias?
Todos nós estamos sujeitos a considerações subjetivas e necessitamos do enrije- cimento provido por esta severa exortação. Na obra cristã são essenciais a imparcialidade absoluta, a honestidade e a integridade irrepreensíveis. Nossas próprias aversões ou afinidades devem ser postas de lado. A palavra “parcialidade” implica preconceito — que é prejulgamento. Até os homens do mundo esperam justiça e imparcialidade, e a Igreja deveria determinar o padrão, visto que o seu bem-estar depende de uma disciplina imparcial.

Guardar imaculados os princípios
“Exorto-te… que guardes o mandato imaculado, irrepreensível, até à manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo; a qual em suas épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano” (1 Timóteo 6:13-15).
Parece que Paulo estava exortando Timóteo a guardar a incumbência que lhe fora confiada, os princípios entesourados na Palavra de Deus, imaculados e sem defeitos até à manifestação de Cristo. O líder é o guardador dos princípios da igreja, da missão ou da organização sob sua responsabilidade. Compete-lhe praticá-los, ensiná-los e prezá-los, e cuidar para que sejam conscienciosamente observados pelos que estão sob seus cuidados.

Conservar o senso de urgência
“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino; prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta” (2 Timóteo 4:1, 2). Convém ter em mente que Paulo previa sua morte para breve e estava, portanto, mais do que o comum, sob a influência do mundo vindouro. Sua exortação seria especialmente solene para o jovem colega.
“Prega a palavra — proclama-a em toda a sua glória e perfeição”, instava ele. “Esteja preparado, quer a oportunidade pareça favorável, quer desfavorável. Aproveita todas as oportunidades. Nunca perca seu senso de urgência. Tome a iniciativa e vá em frente com zelo infatigável.”
O velho guerreiro adquirira o direito de transmitir essas exortações ao mais jovem, pois ele as havia demonstrado a um grau único em sua própria vida e ministério.

Palavras dignas
Nas cartas pastorais que Paulo escreveu para estimular e apoiar a Timóteo, ele pormenoriza cinco “palavras dignas”, cada uma das quais apresenta aspectos importantes da vida e do serviço cristãos. Ao empregar a fórmula: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação”, ele chamava a atenção para as palavras que evidentemente eram correntes nas igrejas da época, e nos dias de hoje também.

Salvação
“Fiel é a palavra e digna de toda aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Timóteo 1:15).
Esta palavra que resume o evangelho é um epigrama surpreendente, porém simples, que tem resistido ao teste severo do desafio e da experiência. Ele emergiu com brilho total do cadinho do ridículo e da perseguição, e deve, portanto, receber assentimento espontâneo e entusiasta.
Paulo emprega aqui a expressão “veio ao mundo”, não meramente para exprimir troca de local, mas também mudança de estado e de meio ambiente. Está implícito o sacrifício supremo — “salvar os pecadores”. Quanto mais ele compreendia a magnitude do sacrifício de Cristo e da graça de Deus, tanto mais profunda era a consciência que tinha de sua própria desvalia — “dos quais eu sou o principal”.

Liderança
“Fiel é a palavra: Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1 Timóteo 3:1). Conviria notar que a excelência está na própria tarefa, e não no prestígio que ela possa conferir.
Seria de perguntar: “Não tende esta palavra a incentivar a ambição indigna ou pecaminosa?” Não deveria o ofício buscar o homem, em vez de o homem buscar o ofício?
Sim e não! Hoje o ofício de bispo ou supervisor é prestigioso, mas na época em que Paulo escreveu essas palavras, continha um grande grau de sacrifício e perigo. Assumir este ofício na igreja era um convite à perseguição, às dificuldades e até mesmo à morte — como ainda hoje acontece em algumas terras. Isto, certamente, tenderia a sufocar as ambições erradas.
Nas circunstâncias daqueles dias, necessitava-se de forte incentivo para levar o tipo certo de pessoa a aceitar o episcopado, e Paulo procurava proporcionar tal incentivo.

Santificação
Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, a fim de que, justificados por graça, nos tornemos seus herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Fiel é a palavra, e quero que, no tocante a estas coisas, faças afirmação (Tito 3:5- 8).
Quais eram as coisas que o jovem líder devia afirmar? (a) A filantropia de Deus (v. 4) — sua infalível bondade e longanimidade. Isto se contrasta com a maldade humana do versículo 3, e realça as trevas do seu passado com a luz da presente experiência; (b) o poder regenerador e renovador do Espírito Santo (v. 5); (c) a graça de Cristo em tornar-nos seus herdeiros (v. 7). Como resultado desta ação da Trindade, temos a esperança da vida eterna; (d) o Espírito Santo não é dado parcimoniosamente, mas derramado “sobre nós ricamente” (v. 6). Tito deve proclamar essas verdades com absoluta certeza.

Sofrimento
“Fiel é a palavra: se já morremos com ele, também viveremos com ele; se perseveramos, também com ele reinaremos; se o negamos, ele por sua vez nos negará; se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo” (2 Timóteo 2:11-13).
Este é um dos hinos da igreja primitiva que realça o fato de que a Igreja é herdeira da Cruz. Nos dias perturbados em que vivemos, quando a violência e a revolução parecem endêmicas, nosso ensino deveria preparar as pessoas para tais situações como as que os cristãos enfrentam em muitos países. Lutero escreveu: “Se morrermos por lealdade a Cristo, também viveremos com ele na glória.”
A lealdade a Cristo será recompensada, e a deslealdade trará sua própria retribuição. Se escolhemos morrer para as comodidades e vantagens terrenas por amor a Cristo, teremos compensações celestiais.
Como deveríamos alegrar-nos por haver algumas coisas que Deus não pode fazer — “de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo”.

Autodisciplina
“Exercita-te pessoalmente na piedade. Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser. Fiel é a palavra e digna de inteira aceitação” (1 Timóteo 4:7-9).
O quadro apresentado nesses versículos é de uma praça de esportes onde a juventude atlética treinava para a arena. Paulo exorta Timóteo a não limitar-se meramente à meditação, mas a exercitar-se vigorosamente no viver piedoso. A passagem transmite energia e disciplina. O atleta não poupa esforço ou abnegação a fim de conquistar o prêmio. Assim como ele descarta tudo quanto impede o progresso, do mesmo modo deve proceder o cristão. A musculatura morai e os tendões espirituais desenvolvem-se mediante sério exercício no domínio do Espírito, e pagará belos dividendos na vida por vir.
A disciplina e o exercício físico são valiosos, mas quando comparados com a disciplina espiritual, seus benefícios são limitados. Aquela resulta em beleza física; esta, na vida eterna. Aquela concerne ao tempo presente; esta tem efeitos eternos. Não se deve, contudo, menosprezar o exercício físico, pois o corpo é templo do Espírito Santo.

Reavivar o Dom
Na ordenação de Timóteo, Paulo e os presbíteros impuseram as mãos sobre ele, e ele recebeu o dom da graça do Espírito que o prepararia como representante apostólico. Ciente da fraqueza do jovem, Paulo fez-lhe uma dupla exortação.
“Não te faças negligente para com o dom que há em ti, o qual te foi concedido mediante profecia, com a imposição das mãos do presbitério” (1 Timóteo 4:14). Não descuides o depósito sagrado! Tratava-se de um dom do Espírito concedido soberana- mente — não uma operação externa, mas uma graça interior. Evidentemente, a eficácia do dom não era automática — ela podia declinar. “Não deixes que ele sofra por negligência”, foi o conselho.
“…que reavives o dom de Deus, que há em ti pela imposição das minhas mãos. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2 Timóteo 1:6-7). Não era o caso de ele precisar de um novo dom. “Reaviva o fogo interior” é a tradução de J. B. Phillips. O fogo havia diminuído.
Percebia Paulo que o zelo de Timóteo começara a arrefecer? A chama não aumenta automaticamente; a tendência é sempre a abaixar. No caso de Timóteo havia muita coisa que podia extinguir a chama. “Mantenha a chama bem viva” ou “reacenda” o fogo se ele se apagou! Coloque novo combustível nas brasas que estão a apagar- se!
Paulo desafia a Timóteo e o incentiva, dirigindo-lhe a atenção para a natureza do dom divino. O dom, charisma do versículo 6, caminha ao lado do Espírito, pneuma do versículo 7.
Perguntemos a nós mesmos: temos negligenciado o dom? A chama de nossa vi- da precisa ser reavivada?

 

GESTÃO E CARREIRA

APRENDENDO A LIDERAR

Aprendendo a liderar

COMO FAZER DA LIDERANÇA UM FATOR DE SUCESSO E LUCRATIVIDADE PARA A EMPRESA?

Foi-se o tempo em que liderança corporativa era sinônimo de supremacia, de inacessibilidade e até de temor. Os conceitos de liderança foram sofrendo transformações ao longo do tempo, adaptando­ se às particularidades de cada negócio. Atualmente, valoriza-se a autoridade que é exercida de forma harmônica, sem imposições severas, principalmente quando lidamos com pessoas de variados níveis de instrução e cultura.
Para que o líder contemporâneo consiga motivar seus colaboradores a atingir resultados positivos para a empresa é imprescindível ter uma postura de parceria e proximidade, compartilhar visões, experiências, conquistas e, consequentemente, comemorar os objetivos atingidos. “O verdadeiro líder entende com clareza que o que está em jogo não é a sua pessoa, mas sim a marca, a entidade, o legado do próprio negócio, enquanto que o autoritarismo soa como imposição, muitas vezes alcançada pelo simples poder que ostenta, pondo em xeque toda a sua liderança”.
Com o passar do tempo, percebeu-se que o líder é uma referência para os seus liderados, e sua atitude perante eles influencia diretamente no comportamento da equipe. Isso é um processo de cultura corporativa, que se instaurou quando as empresas começaram a notar que as pessoas são fundamentais para seu sucesso: são elas que tomam as decisões, tanto boas quanto más, que atendem a clientes, desenvolvem produtos, assumem ou eliminam riscos, etc.

ENTENDA OS OBJETIVOS
Entretanto, para que isso realmente funcione, é preciso que os gestores tenham clareza e compreensão do que significa um colaborador motivado, quais as condições necessárias para que alcance esse objetivo e ser facilitador das relações de trabalho.
Pesquisas recentes conduzidas em grandes empresas mostram que não bastam os bônus e benefícios para estimular os funcionários, é preciso ajudá-los a encontrar motivação intrínseca. O bom líder precisa ser capaz de fazer sua equipe enxergar os objetivos da companhia e o progresso que conquistam para compreenderem que estão crescendo juntos, e, assim, terem cada vez mais vontade de fazer um bom trabalho.
É fundamental para o sucesso de uma empresa que a comunicação seja praticada em todos os níveis, nos sentidos vertical e horizontal. O líder de hoje precisa ser flexível e estar próximo dos seus funcionários, não pode mais existir distância entre os diferentes níveis hierárquicos. Essa é a única maneira de acompanhar seu desenvolvimento e poder motivá-los”. Comprometimento, união e motivação são essenciais para o sucesso dos negócios.

SEMPRE ANTENADO
Independentemente do tipo de liderança, uma pessoa com cargo central deve adotar a ética, a transparência e a motivação como premissas para obter sucesso na sua gestão e, consequentemente, nos resultados da empresa. Além disso, para ser líder, é preciso conhecer a fundo o seu negócio, estar antenado com as novidades do mercado, entender como a concorrência se posiciona e direcionar os seus colaboradores a buscar soluções inteligentes e criativas.
A percepção do mercado atrelada ao estilo agregador de liderança pode produzir excelentes resultados. “Melhor ainda se for um líder que procura orientar o grupo para a mesma postura e, com isso, multiplicar o domínio do mercado por parte dos colaboradores.”
Embora haja uma necessidade de se ter um conhecimento específico sobre um determinado segmento, dada as particularidades de cada negócio, o líder não pode ser indiferente às demais questões envolvendo outros segmentos. Sobretudo porque, em virtude da globalização, os segmentos estão inevitavelmente interligados. Assim, uma decisão estratégica adotada por uma empresa ou pelo mercado pode perfeitamente impactar em outras atividades, com resultados positivos ou negativos.
“É imprescindível que o líder esteja muito bem informado e posicionado, mantendo uma visão generalista, mas com atuação pontual”.

CADA ÁREA COM SEU PERFIL
Para o especialista em gestão comportamental e profissional, vice-presidente da Thomas Brasil e sócio do Your Life, Edson Rodriguez, o conceito de liderança se aplica a várias situações e prevê comportamentos diferentes. “Por exemplo, um líder de uma área técnica ou de controle de qualidade tem que assumir posturas condizentes com essa situação, abordando seus comandados de forma exata, comedida, enquanto que um líder de vendas tem que ser muito mais motivador e verbal”, defende ele.
“No nosso caso, temos o exemplo do mercado imobiliário que representa 80% do faturamento da Bloom. Este é um segmento em que a concorrência é acirrada, exigindo maior dinamismo e pro atividade por parte dos profissionais. Daí, para manter o controle das campanhas de lançamento, a liderança precisa ser bastante enérgica e presente”, diz a empresária e sócia diretora de atendimento e planejamento da agência de publicidade Bloom, Julia Maciel.
Quem também concorda com essa forma de pensar é a diretora executiva da Apdata, desenvolvedora de soluções para gestão de RH e BPO, Luiza Nizoli. “Diferentes objetivos para alcançá-los podem definir as necessidades de cada segmento, o que também define o perfil profissional adequado e o exercício da liderança”, argumenta.

EXISTE A HORA CERTA?
Em relação ao momento certo de ser líder, os especialistas são categóricos: liderança não está, necessariamente, relacionada ao fator idade, mas à maturidade e à postura desse profissional com suas responsabilidades e com os objetivos da empresa. O melhor momento de assumir uma equipe é quando se é reconhecido pelas pessoas como líder.
Experiência de vida contribui muito para solidificar comportamentos, mas não podemos precisar em que idade e momento a pessoa pode assumir uma liderança. Mais importante do que a idade é a qualidade da experiência e a bagagem que o líder carrega. Além do tempo, é fundamental avaliar como o profissional soube aproveitar as oportunidades que teve.
O fato é que as pessoas não nascem líderes, mas são constituídas assim. E as melhores empresas têm reconhecido isso e percebido que é preciso reter e cultivar aqueles que demonstram talento para esse papel. Faz parte das competências de um bom líder saber reconhecer aqueles que têm perfil de liderança e treiná-los para assumir esse tipo de cargo. Independentemente da idade que temo líder, sua equipe precisa sentir que pode contar com ele, porque este já passou por diversas situações e soube superá-las, transmitindo tranquilidade e confiança em si mesmo. Esse é o tipo de reconhecimento que se conquista.
Alguns já nascem com o espírito de liderar, sendo, portanto, da própria pessoa. Ao passo que outras se tornam líderes pelas habilidades que vão desenvolvendo ao longo do tempo, destacando-se a experiência, inclusive a profissional, e a maturidade, aliados importantíssimos para alcançar esse estágio, no caso daqueles, cuja liderança vem a ser adquirida. Quando o ego do líder é deixado de lado em prol do grupo ou da empresa, significa que ele está preparado para ser um verdadeiro líder.

ASSÉDIO MORAL: COISA DO PASSADO
Todo trabalho exige ética e comprometimento daquele que se propõe a fazê-lo, portanto, assédio moral não cabe mais nos dias de hoje e já existem punições previstas em lei, já que posturas nesse modelo são repudiadas por empresas que valorizam o ambiente de trabalho e a qualidade de vida.
O assédio moral é um fenômeno destruidor do ambiente de trabalho, não só diminuindo a produtividade como também favorecendo o absenteísmo, provocando a desmotivação, a perda da autoestima e produzindo outros tipos de problemas psicológicos. “Uma eventual cobrança junto a determinado colaborador que ainda não compreendeu a importância de tornar aquele sonho em realidade exige que o líder tenha um mínimo de discrição e não exponha o colaborador perante a equipe, sob pena de perder a credibilidade de como coordena todo o trabalho.
Em caso de assédio moral, é muito importante que o funcionário busque suporte em outros líderes e profissionais, que poderão avaliar o caso. O líder precisa ser flexível para conseguir exercer o que é conhecido como liderança situacional. Isso significa aplicar determinada atitude dependendo tanto do perfil do colaborador como da situação em si.
A liderança coercitiva, o famoso “faça o que eu digo”, poderia ser recomendada em situações de crise intensa, nas quais são exigidas respostas imediatas. Mas, no cotidiano, esse tipo de atitude precisa ser evitada, pois seu impacto no clima da organização é extremamente negativo.
Quando se depara com uma situação de assédio moral, por exemplo, o líder pode adotar uma postura agregadora, que visa estimular a comunicação entre os membros da equipe para que construam relacionamentos mais duradouros. “É uma prática valiosa, para todos os profissionais, e mais relevante, para os gestores de pessoas, relacionarem-se eticamente com todos os membros de sua equipe, sem preconceitos ou favoritismo, com capacidade de desenvolver ideias e de fazer com que o grupo as aceite, assim conquistando a cooperação dos membros e agregando valores para a empresa.

O QUE UM BOM LIDER PRECISA TER?
• Capacidade de influenciar pessoas para a realização de um objetivo comum: as metas da empresa.
• Facilidade de expressão
• Profissionalismo
• Pro atividade
• Bom senso
• Capacidade para promover a cultura do bom relacionamento interpessoal
• Criatividade
• Equilíbrio emocional
• Capacidade de investir na sua equipe
• Hábito de buscar informação sobre seu negócio de atuação
• Flexibilidade
• Capacidade para compartilhar visões, experiências, conquistas e resultados com sua equipe

FONTE: Flávia Ghiurghi / Revista Gestão e Negócios

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SUTILEZAS DO PRECONCEITO

“É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito”. Albert Einstein (1879-1955)

Sutilezas do Preconceito

Mesmo pessoas bem informadas e tolerantes costumam ter convicções que conscientemente abominam; a intenção de rever as próprias ideias, porém, pode levar o cérebro a fazer novas associações.

Não há nada mais doloroso para mim nesta fase de minha vida do que caminhar pela rua, ouvir passos e começar a pensarem um possível assalto; depois olhar à volta, ver uma pessoa branca e me sentir aliviado”, disse certa vez o ativista político americano Jesse Jackson. A observação ilustra um fato básico de nossa existência, do qual nem mesmo um ativista negro, que defendeu os direitos civis ao lado de Martin Luther King, pôde escapar: ideias que não endossamos racionalmente podem se alojar na mente e, sem nossa permissão ou consciência, influenciar percepções, expectativas e avaliações.
Utilizando métodos sofisticados, psicólogos têm comprovado que as pessoas inteligentes e bem informadas aderem, involuntariamente, a um assustador elenco de crenças e atitudes estereotipadas sobre os grupos sociais, com o de negros, brancos, homens, mulheres, idosos, jovens, homossexuais, heterossexuais, gordos, magros e tantos outros. Embora preconceitos implícitos estejam presentes em todos nós, diferimos em relação a alguns aspectos, dependendo do meio ao qual pertencemos, do nosso desejo consciente de evitar as ideias pré-formadas e da configuração de nosso meio cotidiano.
Essa forma velada de preconceito predomina sobre o tipo aberto ou explícito, que associamos com os nazistas ou grupos como a Klu Klux Klan, e estudos mostram que seus efeitos são igualmente insidiosos. Isso não significa dizer que a discriminação explícita desapareceu, nem que seja menos relevante do que a forma encoberta. Segundo um relatório federal de 2005, cerca de 200 mil crimes de ódio ocorrem nos Estados Unidos todos os anos.
No Brasil, os números mostram que a violência tem cor, raça e território: os principais atingidos são os negros, os pobres e os moradores de favelas. Segundo o estudo sobre violência contra crianças, encomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em cada grupo de dez jovens de 15 a 18 anos assassinados no Brasil, sete são negros.
É consenso que, em certos casos, cenários e situações podem ativar, automaticamente, estereótipos que afetam nossas percepções, juízos e conduta. Pesquisadores tentam agora aprofundar a questão. Eles querem saber coisas como: de onde exatamente provêm tais preconceitos? Até que ponto influenciam nosso comportamento? Se as atitudes estereotipadas estão inscritas em nosso psiquismo, um maior conhecimento a respeito do tema pode nos auxiliar a superá-las?
Associações implícitas surgem a todo momento e são inerentes à cognição humana. Revelam-se em nossa tendência para categorizar e absorver mensagens. Para dar sentido ao mundo à nossa volta e lembrar das relações entre objetos, ações e adjetivos dispomos em grupos as coisas que nos cercam, suas características e as sensações que despertam. Por exemplo, notamos automaticamente que carros podem se deslocar com rapidez, aviões voam, bolos são doces e mosquitos picam. Sem as deduções, teríamos enormes problemas para nos orientar no mundo e sobreviver, pois, a cada momento tudo pareceria novidade.
Chegamos a tais associações de forma extremamente rápida e, com frequência elas escapam da compreensão consciente. Assim, para medi-las, os psicólogos recorrem a testes indiretos que não dependem da capacidade ou disposição do sujeito para refletir sobre seus sentimentos e pensamentos. Vários métodos comumente usados aferem a velocidade com que as pessoas relacionam palavras ou figuras representando grupos sociais – jovens e idosos, homens e mulheres, negros e brancos, gordos e magros, judeus e muçulmanos – com termos positivos ou negativos ou traços estereotipados.
Como os conceitos intimamente ligados estão vinculados na mente, a pessoa responderá mais rapidamente a pares relacionado de ideias – digamos, martelo e prego” – do que a um par aparentemente não relacionado. como “chafariz e tênis”. O tempo de resposta, portanto, pode revelar associações ocultas, tais como “negro e perigo” ou “mulher e incapacidade”, que formam a base do preconceito subjacente. Mas podemos nos livrar das associações implícitas? “A resposta é não. E é bom que seja assim, pois se nos desvencilharmos completamente delas perderemos um instrumento muito útil, necessário à vida cotidiana”, diz o psicólogo Brian A. Nozek, da Universidade de Virgínia.
O problema surge quando formamos associações que contrariam nossas intenções, crenças e valores. Muitas pessoas vinculam, involuntariamente, deficiência com fraqueza, árabe com terrorismo ou pobre com inferioridade, mesmo que tais estereótipos contrariem a racionalidade e até mesmo valores que lhes são caros, como o de justiça ou igualdade.
Questões pessoais, relativas à auto- imagem, muitas vezes encobrem associações implícitas. Para favorecer nosso próprio status, estamos predispostos a atribuir características superiores a grupos aos quais pertencemos e a exagerar as diferenças em relação aos que estão fora deles. Até mesmo nossas percepções visuais básicas tendem a favorecer nossos pares. Vários estudos mostram que as pessoas se lembram com mais facilidade do rosto de indivíduos de sua própria etnia
A identificação com um grupo ocorre de forma surpreendentemente rápida. Em estudo de 2002, o psicólogo Anthony G. Greenwald, da Universidade de Washington, e seus colegas solicitaram a 156 pessoas que lessem os nomes de quatro membros de duas equipes hipotéticas, Purpura e Dourado. Os participantes tinham 45 segundos para memorizar o nome dos membros de apenas uma das equipes. Em seguida, realizaram duas atividades em que deviam distribuir rapidamente os nomes. Primeiro, eles agrupavam os integrantes de uma das equipes no conceito “vencedor” e os demais sob a palavra “perdedor”, na tarefa seguinte, vinculavam cada equipe com a noção de “eu” e de “outro”. Os pesquisadores descobriram que os 45segundos que as pessoas passaram pensando em um time fictício fez com que se identificassem com o grupo, vinculando-o consigo e passando a considerar implicitamente os seus membros como “vencedores”.
Alguns preconceitos disfarçados parecem enraizados em emoções intensas. Em estudo de 2004, o psicólogo Wil A. Cunninghanm, de Ohio State, mediu a atividade cerebral de pessoas brancas, enquanto estas visualizavam rostos negros e brancos. Os pesquisadores descobriram que, em comparação com as faces claras, as negras, iluminadas por apenas 30 milissegundos (rápido demais para que os participantes as notassem atentamente), desencadeavam maior atividade na amigdala, área do cérebro associada à vigilância, emoção e, às vezes, ao medo. O efeito foi mais acentuado entre as pessoas que mostraram preconceito racial implícito mais forte.
O mesmo estudo revelou que, quando os rostos eram mostrados durante meio segundo – intervalo suficiente para que os voluntários os processassem conscientemente -, as faces negras provocavam intensa atividade nas áreas pré-frontais do cérebro, associadas à detecção de conflitos internos e ao controle de respostas. Isso sugere que os indivíduos estavam tentando, conscientemente, eliminar suas associações implícitas.
Por que os rostos negros provocam vigilância? A psicóloga social Jennifer A. Richeson, professora da Universidade Northwestern, em Evanston, Illinois, especula que os estereótipos culturais vinculando jovens negros do sexo masculino ao crime, à violência e ao perigo são tão sólidos que nosso cérebro pode, automaticamente, dar maior atenção a negros como uma categoria, assim como dá a animais ameaçadores (cobras, por exemplo). Em estudo recente ainda não publicado, Richeson e colegas descobriram que a atenção visual de estudantes brancos se dirigia mais rapidamente a fotografias de negros, mesmo que as imagens fossem fugazes demais para que os participantes as notassem conscientemente. Esta vigilância intensificada não surgiu, porém, quando os homens nas imagens não estavam olhando para a câmera. O olhar baixo, sinal de submissão nos humanos e em outros animais, elimina a percepção explícita da ameaça.

TRAÇOS NEGATIVOS
Quaisquer que sejam as bases neurais do preconceito implícito, fatores culturais – como piadas étnicas depreciativas e insultos jocosos manifestados por pais, professores, amigos e meios de comunicação – o forçam. Sinais socioculturais sutis podem ter efeitos particularmente insidiosos. Em estudo ainda não publicado, o psicólogo Luigi Castelli, da Universidade de Padova, na Itália e colegas investigaram comportamentos raciais de 72 famílias italianas brancas. Eles descobriram que as preferências das crianças não eram influenciadas pelas posturas explícitas dos pais (talvez porque aquelas atitudes fossem silenciosas). As crianças cuja mãe tinha mais atitudes depreciativas implícitas em relação a negros, porém, tendiam a escolher um companheiro branco e atribuíam mais traços negativos a uma criança negra fictícia do que a uma branca. As crianças cuja mãe revelou menos preconceito racial implícito nos testes eram menos propensas a exibir tais preferências.
Isso leva a crer que muitas dessas associações veladas sobre grupos sociais se formam antes de sermos maduros o suficiente para considera-las racionalmente. Em experimento inédito, os psicólogos Mahazarin R. Banaji, professor da Universidade Hatvard, e Yarrow Dunham, da Universidade da Califórnia, descobriram crianças brancas em idade pré-escolar tendiam a categorizar expressões faciais zangadas racialmente ambíguas como negras, mas não faziam o mesmo quando se tratava de rostos alegres. E, 2006, Banaji e Andrew S. Baron, estudante da Harvard, mostraram que o preconceito racial implícito surge nas crianças por volta de 6 anos.
Em 4 de fevereiro de 1999, quatro policiais de Nova York foram ao apartamento do imigrante africano Amadou Diallo, de 23 anos. Eles pretendiam interrogá-lo, pois a descrição física do rapaz coincidia com a de um homem suspeito de estupro. Momentos depois, Diallo caía morto. Os policiais, acreditando que ele sacaria uma arma, dispararam 41 tiros, 19 dos quais atingiram o alvo. O que o jovem procurava em seu bolso não era uma arma, mas sua carteira. Os policiais foram acusados de assassinato, mas argumentaram que atiraram porque acreditaram que suas vidas estavam em perigo. O argumento foi aceito e os réus, absolvidos.
No caso de Diallo, a repentina decisão de atirar teve consequências trágicas. O processo e os protestos públicos que se seguiram suscitaram questões perturbadoras. Em que medida nossas decisões são influenciadas por preconceitos sociais disfarçados? Como esses preconceitos velados motivam nossas escolhas? Se nosso comportamento é de fato influencia­ do por convicções que nem sempre admitimos, ações; reflexas e juízos instantâneos podem ser perigosamente vulneráveis às associações implícitas. Vários estudos mostram, por exemplo, que tanto negros como brancos tendem a confundir um objeto inofensivo, como um telefone celular, com uma arma se um rosto negro estiver acompanhando o objeto. Essa ocorrência é mais frequente em situações nas quais as pessoas precisam avaliar a situação rapidamente.
Em estudo de 2002 a respeito de atitudes raciais e comportamento não-verbal, o psicólogo John F. Dovidio, hoje na Universidade Yale, mediu as atitudes raciais implícitas e explícitas de 40 estudantes brancos. Ele solicitou que os participantes conversassem com uma pessoa negra e outra branca e filmaram a interação. Dovidio descobriu que as atitudes explícitas dos participantes brancos mais previsíveis representavam os tipos de comportamento que podiam controlar facilmente, como o caráter amigável das palavras. Os sinais não-verbais, porém, como a quantidade de contato visual que mantinham, dependiam de suas atitudes implícitas. Segundo Dovidio, as pessoas das duas etnias saíram da conversa com os voluntários, com impressões muito diferentes. Os brancos consideraram as interações satisfatórias, mas os negros, atentos ao comportamento não ­ verbal dos universitários, consideraram que os jovens eram conscientes dele e apontaram a intolerância dos interlocutores.
Os preconceitos implícitos também podem contaminar decisões deliberadas. Os psicólogos Laurie A. Rudman e Richard D. Ashmore, da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, descobriram, em pesquisa feita em 2007, que brancos que manifestam maior preconceito implícito em relação aos negros também têm mais tendência a realizar atos discriminatórios na vida cotidiana, como evitar a convivência com negros e depreciar seu trabalho, contar piadas raciais, insultá-lo s, ameaçá-los ou agredi-los fisicamente. Ou seja: ainda que as palavras neguem, os atos falam por si.
Em uma segunda pesquisa relatada no mesmo artigo, Rudman e Ashmore conceberam um cenário experimental para examinar com mais detalhe o elo entre o preconceito implícito contra judeus, asiáticos e negros e o comportamento discriminatório em relação a cada um desses grupos. Eles pediram aos participantes que observassem uma proposta orçamentária em avaliação na universidade e que fizessem recomendações para a alocação de fundos a organizações estudantis. Os estudantes que manifestaram maior intolerância não assumida em relação a determinado grupo minoritário tenderam a sugerir alocações desfavoráveis às organizações dedicadas aos interesses desses grupos. O preconceito implícito também pode influenciar as decisões relativas à contratação de empregados. Em experimento ainda não publicado, o economista Dan-Olof Rooth, da Universidade de Kalmar, na Suécia, enviou a t 9 3 empregadores candidaturas fictícias a emprego, com nomes de homens árabe-muçulmanos e suecos. Em seguida, o pesquisador entrevistou os profissionais de recursos humanos que avaliaram os currículos e mediu seus preconceitos implícitos em relação a árabe-muçulmanos. Ele constatou o que era de se esperar: quanto maior o preconceito do empregador, menor a probabilidade de um candidato com nomes como Mohamed ou Reza ser chamado para entrevista. O curioso é que as pessoas não admitem esse comportamento e chegam mesmo a condená-lo nos outros.

MENTE ABERTA
O preconceito racial inconsciente ainda pode contaminar decisões médicas cruciais. Em estudo de 2007, Banaji e colegas de Harvard apresentaram a 287 médicos de pronto-socorro uma fotografia e um breve resumo clínico descrevendo um paciente de meia-idade – em alguns casos branco, em outros, negro – que chegava ao hospital se queixando de dores no peito. Os médicos, em sua maioria, não admitiram o preconceito racial, mas, na média, revelaram, segundo os testes realizados, uma tendência desfavorável aos negros, de forma moderada a intensa. Quanto maior o preconceito racial do profissional, menor a probabilidade de dar a pacientes negros as modernas – e dispendiosas – drogas trombolíticas (que dissolvem coágulos).
Os pesquisadores acreditaram, durante muito tempo, que como as associações implícitas se desenvolvem bastante cedo e somos inconscientes delas, seria praticamente impossível mudá-las. Mas a pesquisa recente sugere que podemos reelaborar nossas crenças e atitudes implícitas ou, pelo menos, controlar seus efeitos.
Contemplar os grupos-alvo em contextos sociais mais favoráveis pode ajudar a enfrentar atitudes tendenciosas. Em estudos de laboratório, ficou demonstrado que diversas estratégias permitem enfraquecer o preconceito implícito. Surre efeito, por exemplo, ver um rosto negro com uma bonita paisagem ao fundo em vez de uma rua deteriora da; considerar exemplos de negros admirados, como Denzel Washington e Miichael Jordan, ou, ainda, ler sobre as contribuições que árabes e muçulmanos deram à humanidade. Estudantes que assistiram a um curso sobre redução de ideias preconcebidas com professor negro mostraram, ao final do semestre, menos preconceitos implícitos e explícitos do que os estudantes que tiveram o mesmo curso com professor branco. O psicólogo Nilanjana Dasgupta, pesquisador da Universidade de Massachusetts Amherst, descobriu em pesquisa recente que alunas de engenharia que tiveram um professor de matemática, em vez de uma professora, manifestavam atitudes implícitas negativas em relação à disciplina e consideravam a matemática como “masculina”. O mesmo não ocorria com as estudantes que tiveram aulas com uma mulher.

Há mais de meio século, o psicólogo social Gordon Allport denominou os rótulos dados a grupos de “nomes que operam divisões”, apontando assim o poder que as
palavras têm de dar forma ao modo como categorizamos e percebemos os outros. A pesquisa recente sugere que as palavras têm o mesmo poder no nível implícito. Em estudo de 2003, o psicólogo Jason Mitchell, de Harvard, junto com Nozek e Banaji, solicitou que estudantes do sexo feminino categorizassem nomes típicos de mulheres negras e homens brancos segundo a etnia ou o gênero. Os pesquisadores descobriram que a divisão das palavras segundo a raça desencadeava uma tendência pró-branco, mas a categorização segundo o gênero levava a uma tendência implícita pró-mulher (e, portanto, pró-negro). “Essas atitudes se formam e também podem mudar rapidamente, se reestruturarmos o meio para substituir as associações estereotipadas por posturas mais flexíveis”, acredita Dasgupta.
Em outras palavras, as mudanças nos estímulos externos, muitos das quais estão fora de nosso controle, podem levar o cérebro a fazer novas associações. Uma estratégia mais óbvia seria confrontar as atitudes tendenciosas com o esforço consciente.
Evidências sugerem que a força de vontade pode funcionar. Entre os médicos da pesquisa sobre drogas trombolíticas que estavam cientes do propósito do estudo, os que mostraram mais preconceito racial não admitido foram os mais propensos a receitar o tratamento a pacientes negros. Isso sugere que o reconhecimento da presença do preconceito implícito ajudou a superá-lo. Além disso, aquele que manifesta uma forte motivação para não ser preconceituoso tende a ser menos implicitamente tendencioso.

A VIDA SEM VALOR
Alguns estudos indicam que a pessoa hábil no uso da lógica e da força de vontade para controlar os impulsos mais primitivos exibe menos preconceito implícito. Pesquisas sobre o cérebro sugere que os indivíduos que melhor conseguem inibir os conceitos velados são especialmente hábeis em detectar descompassos entre suas intenções e ações. Elaborar estratégias simples e concretas para superar conceitos preconcebidos em situações particulares também pode eliminar os preconceitos implícitos, sugere estudo. O psicólogo B. Keith Payne, da Universidade da Carolina do Norte, em Chapei Hill, e seu colega Brandon D. Stewart, pós doutorando na Universidade de Queensland, na Austrália, descobriram que os indivíduos decididos a pensar na noção de “segurança” sempre que vêm um rosto negro mostram enorme redução no preconceito racial implícito. “Não é preciso martelar isso na cabeça das pessoas. Basta ter essa estratégia na manga (pense no conceito e na palavra “segurança”), à qual se recorre sempre que necessário. Uma vez realizado ‘o plano’, ele se torna automático “, observa Payne.
Em artigo, publicado de 2007 publicado na revista Group Processes & lntergroup Relations, os psicólogos Laurie A. Rudman e Richard D. Ashmore. Rudman e Ashmore disseram que “o fato de crescermos em uma cultura na qual algumas pessoas são mais valorizadas que outras provavelmente permeará nossas concepções particulares, por mais desanimador que isso seja”.
Mas se aceitarmos essa característica da condição humana, teremos de escolher como lidar com ela. Podemos ficar melancólicos e apáticos ou reagir com determinação, de modo a superar o preconceito. “Nossa capacidade de mudança é grande”, afirma Banaji. “Mas que­ remos mudar? Esta é a questão colocada a cada um de nós como indivíduos, psicólogos, psicanalistas, professores, cientistas, juízes, ou simplesmente seres humanos.”

CONCEITOS-CHAVE
Em algum nível, todos nós temos crenças inconscientes estereotipadas sobre grupos sociais, embasadas na cor da pele das pessoas, local de nascimento, gênero, orientação sexual ou religiosa, características físicas e idade – ainda que essas ideias contrariem nossos valores e não tenhamos coragem de admiti-las.
Preconceitos velados predominam sobre o aberto ou explicito. Estudos mostram que certos cenários sociais podem ativar estereótipos e atitudes implícitas que influenciam nossas percepções, juízos e comporta mentos, como a escolha de amigos, a contratação de empregados e, no caso de profissionais da saúde, como médicos ou psicólogos, o tratamento a ser dispensado.
Felizmente, pesquisas recentes sugerem que podemos rever atitudes e crenças implícitas ou, pelo menos, eliminar seus efeitos no comportamento. Intenção consciente de rever as próprias ideias e informação podem ser decisivas no processo de substituição de associações estereotipadas por posturas mais flexíveis

PARA DETECTAR CRENÇAS ESCONDIDAS
O principal método para medir o preconceito implícito é o Teste de Associação Implícita(IAT) na sigla em inglês), desenvolvido em 1998 por Anthony G. Greenwald e colegas da Universidade de Washington.
Desde então, os pesquisadores usaram i IAT em mais de 500 estudos. O procedimento mede a rapidez com que o indivíduo reparte os estímulos em categorias particulares. Por exemplo, ao investigar atitudes implícitas em relação a jovens e idosos, é usado um dispositivo para as respostas dadas a rostos jovens associados a palavras positivas como “prazer” e “paz” e outro para as respostas a rostos idosos com vocábulos negativos como “agonia” e “terrível”. No momento seguinte, o teste propõe o inverso, apresentando rostos jovens vinculados a palavras negativas e idosos a positivas (os pesquisadores variam a ordem nas várias aplicações do teste). A diferença no tempo de resposta para as duas situações sugere a força com que a pessoa liga esses grupos sociais a conceitos positivos ou negativos.

OS COMENTÁRIOS REVELADORES DOS FAMOSOS
Depois de contar várias piadas racistas durante uma performance, o comediante Michael Richards, de Seinfeld, desculpou -se em um programa de televisão: “Perdi o controle… Estou profundamente arrependido… Não sou racista”. Por fazer comentários antissemitas ao ser detido por dirigir embriagado, o ator Mel Gibson defendeu-se: “Saibam do fundo do meu coração que não sou antissemita ou intolerante. Qualquer tipo de ódio contraria minhas convicções”. Ao desculpar-se por um comentário homo fóbico que fizera, o comediante Jerry Lewis disse: ”Todos que me conhecem sabem que não tenho preconceitos neste aspecto”. Ao recuar da sugestão de que os negros seriam menos inteligentes do que os brancos, o biólogo e prêmio Nobel James Watson expressou espanto e consternação: ” Não entendo como posso ter dito o que alegam que eu disse.
Não há base científica para tal crença”. Tais desculpas públicas indicam certa ingenuidade sobre a natureza do preconceito. Como as pessoas em geral desconhecem a atitude tendenciosa que está em todos nós, ficam chocadas quando comentários racistas, homo fóbicos ou antissemitas são proferidos por personalidades que admira m. Até os que fazem tais comentários ficam, às vezes, perplexos. O conhecimento de como funcionamos ajuda a entender as origens dessas observações: elas surgem de conexões subconscientes enraizadas na mente. O fato é que qualquer um de nós poderia ter proferido essas afirmações. Afinal, não escolhemos de forma plena nossas atitudes, pois nem sempre a mente consciente nos dirige. Assim, desejar não ter preconceito não é o mesmo que não ser preconceituoso. de qualquer forma, é possível ficar atento para evitar vexames.

SIRI CARPENTER é psicóloga social e jornalista, especializada em temas da psicologia comportamental. Em1990 ela estudou o preconceito implícito em relação ao gênero com Mahzarin B. Banaji, da Universidade Yale. Ela é coautora do livro Visualizing psychology Qohn Wiley & Sons,2007).

EDIFICANDO A FAMÍLIA CRISTÃ

CONSTRUINDO UMA FAMÍLIA SEGUNDO OS MODELOS E PADRÕES BÍBLICOS – 8

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A CRIAÇÃO DOS FILHOS

PARA QUE DEUS NOS DÁ FILHOS?
Deus poderia ter feito uma multidão de seres humanos, mas fez apenas um homem e uma mulher. E os encarregou de gerarem uma raça. Entre as muitas razões, três são as mais importantes:
a) Para nos mostrar o seu favor (Salmos 127.3-5).
Deus nos ama. Seu coração paterno desejava compartilhar conosco a linda experiência de criar filhos. Eles não nos são dados para nos sobrecarregar ou nos fazer sofrer inutilmente, mas para formar-nos à semelhança de Deus, o Pai Eterno.
b) Para criá-los em Deus (Efésios 6.1-4; Colossenses 3.20-21). Devemos ter uma atitude de seriedade e fé diante do privilégio de criar filhos no Senhor. Temos apenas uns 18 ou 20 anos para completar em cada filho a etapa de formação. Não podemos perder nenhum desses anos.
c) Para encaminharmos a geração seguinte na vontade de Deus
(Gênesis 18.17-19; Salmos 128). O homem se projeta para o futuro através dos filhos e dos filhos de seus filhos. A maior obra que podemos fazer nesta vida é a de criar filhos para que honrem ao Senhor e abram caminho para a extensão de seu reino. Deus não intervém diretamente na criação de nossos filhos. Nós é que devemos assumir esta responsabilidade. Não podemos ignora-la, porque um dia vamos ter que prestar contas do que fizemos nesta área.
Deus manifestou a sua confiança em Abraão quanto a isto (Gênesis 18.17-19). Entretanto, revelou seu profundo desagrado com o sacerdote Eli por sua irresponsabilidade na disciplina e formação de seus filhos (1 Samuel 2.12,27-30; 3.11-13).

DETERMINANDO OBJETIVOS NA FORMAÇÃO DOS FILHOS
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviara dele” Provérbios 22.6.
Esta tarefa não é fácil. Requer uma dedicação seria durante muitos anos. Mas Deus nos assegura a sua graça e sabedoria.
a) Compreendendo a Natureza da Criança (Provérbios 22.15; Salmos 51.5). Elas não se inclinam naturalmente para o bem. Por isso devemos ensiná-las, formá-las e discipliná-las.
b) As Metas Importantes na Formação da Criança são:
Uma relação pessoal com Deus – consciência de que são parte da família de Deus e devem se relacionar diretamente com ele.

A formação do caráter – capacidade para enfrentar as responsabilidades da vida, trabalho, casamento, solida base moral, autodisciplina, auto estima, domínio próprio, controle sobre os sentimentos, gostos, etc.

Formação Social: Clara consciência de sua identidade, capacidade de se relacionar com outros, assumir compromissos, e sujeição às autoridades.

Formação Física: Hábitos alimentares e higiene.

QUAIS SÃO AS RESPONSABILIDADES DOS PAIS?
Há quatro áreas específicas de responsabilidade dos pais: exemplo, instrução, disciplina e carinho. Tudo isto são expressões práticas do amor. Além de aceitarmos os filhos como eles são, com seu próprio sexo, virtudes e debilidades, cor dos cabelos e da pele, personalidade, devemos considerá-los que são herança do Senhor. Temos, portanto a responsabilidade diante de Deus de criá-los para a Sua glória.

Exemplo:
Os filhos aprendem tudo com o comportamento de seus pais. Ensinamos mais com o exemplo do que com palavras, ordens ou ameaças. O exemplo é a base fundamental para formação do caráter dos filhos. Eles procuraram imitar seus pais no que dizem e no que fazem. Não adianta cobrar ações de graça em toda e qualquer ocasião se os pais não agem assim.

Instrução: (Provérbios 22.6)
Enquanto o exemplo é a base fundamental para a formação da vida dos filhos, a instrução direciona e ordena essa formação. Instruir significa: ensinar, doutrinar, formar, capacitar, comunicar. As crianças não aprendem somente por ver e imitar, elas necessitam ser instruídas na: honestidade, justiça, perdão, generosidade, respeito pelos outros, pudor e asseio, modéstia, diligência e etc.
Também é responsabilidade dos pais incentivar os filhos a desenvolverem sensibilidade espiritual, docilidade e boa disposição diante de Deus.
Áreas que merecem mais atenção dos pais:

  • Realizar trabalhos e cumprir ordens;
  • Ajudar outras pessoas;
  • Concentrar-se nos estudos.
  • Resolver problemas e discórdias sociais.
  • Formar amizades;
  • Vencer a tentação;
    Desenvolver um sentido de dignidade moral;
  • Usar bem o dinheiro e o tempo;
  • Encontrar e permanecer no emprego;
  • Desenvolver um bom comportamento com o sexo oposto;
  • Descobrir sua vocação.
    Os pais devem elogiar, felicitar e aprovar tudo aquilo que os filhos fazem bem ou quando mostram interesse de acertar. Isto ajudará a firmar os valores positivos do caráter. Faz com que os filhos se sintam reconhecidos e apreciados reforçando a auto estima.
    Os filhos, por outro lado, devem conhecer os limites de sua liberdade. Isso se faz com pequenas regras de funcionamento da casa. Essas regras devem ser poucas e razoáveis, e se exigirá o cumprimento.
    Quanto aos adolescentes, é necessário explicar-lhes bem as coisas. Não bom agir com uma atitude simplesmente impositiva. Quando se explica, isso ajuda na formação de critério e bom juízo, ainda que eles resistam diante de normas estabelecidas.
    Entretanto, apesar das boas e devidas instruções que os pais possam dar, nada substitui o exemplo dos pais. Muitos não seguem este princípio e acabam “apagando com o cotovelo o que escrevem com as mãos”.

Disciplina
Colossenses 3.20,21; Provérbios 3.12; 13.24; 19.18; 20.30; 22.15; 23. 13-14 e 29.15).
A relação de uma criança com Cristo prospera na medida em que obedece a seus pais. Jesus Cristo vive e trabalha na vida de um filho obediente.
A obediência não é opcional nem se limita no que o filho considera justo. A obediência deve ser a tudo. A autoridade dos pais foi dada por Deus para formar e disciplinar a seus filhos e tem dele todo o respaldo.
Os pais podem se enganar por diversas vezes, mas, quando isso ocorrer, devem admitir logo seus erros. Ao admitir que estão errados, demonstram ser pessoas a quem Deus pode respaldar. Sua autoridade não vem do fato de estarem certo, mas sim de Deus de quem eles a receberam.

O uso da vara
Os textos acima citados, mencionam o termo vara repetidamente. Isso sugere um castigo físico. Não se trata aqui de simplesmente castigar a criança. O uso das mãos ou de objetos de uso pessoal foge do princípio e dos objetivos. As mãos servem para acariciar, proteger e afagar. Cintos, chinelos, fios elétricos, etc. representam objetos pessoais. Mas a vara (pode ser uma simples varinha de madeira, ou mesmo um objeto de couro) de uso exclusivo, representa um instrumento de correção e disciplina.
Também, a única área adequada para aplicar a disciplina são as nádegas, por ser uma região carnosa e sem nenhum órgão vital. Disciplinar não é torturar, ferir ou espancar. É um ato de amor ordenando o futuro dos filhos.

Quando usar a vara
a) Quando houver uma rebelião clara, quando a criança não acata uma ordem ou por qualquer outra ofensa séria.

b) Não se usa para faltas menores ou para corrigir erros nas crianças (como deixar cair coisas por descuido).

c) Deve-se aplicar a disciplina sobriamente e sem ira. Os pais que disciplinam seus filhos irados, transmitem seus sentimentos negativos.

d) É necessário acalmar-se antes de aplicar qualquer disciplina. A disciplina tem como objetivo corrigir a criança e não descarregar sobre elas nossos desagrados.

e) O objetivo principal na disciplina é ensinar os filhos a obedeceram a seus pais quando eles se dirigem. É assim que Deus deseja: “filhos, obedecei a vossos pais…”

f) As crianças sofrem muito quando seus pais não as disciplinam corretamente. A disciplina justa alivia o sofrimento e os libera do sentimento de culpa e do peso da consciência.

g) O maior problema no ser humano é a rebelião contra a autoridade legítima. Os pais não devem permitir rebelião em seu lar. É responsabilidade dos pais livrar seus filhos de atitudes de rebelião.

ASPECTOS IMPORTANTES DA DISCIPLINA
a) Deus estabeleceu os pais como responsáveis diretos pela conduta de seus filhos (Provérbios 4:1-9; 1Samuel 3.13,14).

b) O pai é a figura principal quanto a disciplina. Ainda que a mãe tenha que disciplinar, o filho deve saber que ela conta com o apoio de seu marido. Isto facilita a tarefa da mãe.

c) Os pais têm que mostrar unanimidade na disciplina. A mulher deve ter o cuidado para não contradizer a seu marido, e o homem deve respaldar a sua esposa, especialmente na presença dos filhos.

d) Os pais não devem proferir ameaças nem expressões de ódio.

e) A disciplina deve ser administrada imediatamente após a ofensa ou desobediência
“Visto não se executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal. ” (Eclesiastes 8.11).

  • A disciplina deve ser:
  • Com firmeza e decisão;
  • Com critérios estabelecidos (não segundo as emoções);
  • Proporcional a ofensa; e,
  • Sem ira ou amargura.

O QUE DEVE OCORRER APÓS A DISCIPLINA
A disciplina correta deve seguir um processo que inclua:
a) Explicação: a criança deve saber o porquê da disciplina.

b) Castigo: Com a vara e proporcional à ofensa.

c) Oração.

d) Perdão: a criança deve saber que a partir da disciplina não há mais culpa pelo ocorrido, e que ela é amada pelos seus pais.

e) Reconciliação: isso significa reparar ofensas, pedir perdão, restituir coisa roubadas, voltar a amizades rompidas, etc.

PRINCIPAIS DEFICIÊNCIAS NO EXERCÍCIO DA DISCIPLINA
a) Condicionar a obediência à compreensão da criança: a criança não obedece, apenas concorda. Não há reconhecimento de autoridade, mas uma negociação.

b) Ajudar na “obediência” para evitar confronto: dar uma ordem e auxiliar na execução quando a criança oferece resistência. Quando isto se torna um hábito (vício) doméstico provoca sérios vexames em ambientes estranhos ou públicos.

c) Achar desculpas e justificativas para as manias: Ex.: “é o gênio”, “são os dentes”, “está com sono”, etc. Nada disso justifica a rebeldia. A criança, mesmo indisposta, pode e deve obedecer aos pais em tudo e prontamente.
Castigo não é uma sentença punitiva, mas visa a formação do caráter e corrigir os defeitos da criança. É formativa e construtiva e nunca punitiva.

d) Diferenciar ordens (mais ou menos importantes): ordens são ordens e devem ser obedecidas prontamente, qualquer que seja. Estabelecendo-se diferenças, confunde-se a criança. Ela não entende porque há mais severidade para umas ordens do que para outras. Ela só sabe que, às vezes, exige-se obediência e outras não. Exemplos: 1° – Não toque na tesoura x vá escovar os dentes; e, 2° – Não suba na janela (quarto andar) x não toque na televisão.

e) Deixar-se manipular: “Só essa vez”, “ó mãe, me perdoe”, “eu prometo que não faço mais”, “estou tão cansado”, “você nunca me deu isto ou aquilo”, etc.

f) Deixar se levar pela desculpa da memória, desobediência cor de rosa: “oh! Esqueci ”. Vara é bom para a memória.

g) Compensação por sentimento de culpa: os pais se sentem culpados por não poderem atender algumas necessidades e desejos, ou até caprichos dos filhos, por não terem recursos, e querem compensar tornando-se muito tolerantes.

h) Não exigir obediência total, irrestrita e imediata: não entender ou não concordar com Deus quanto a autoridade delegada aos pais. A base da relação pais x filhos é a autoridade4. Pais inseguros apelidam frouxidão de “amor” ou compreensão.

i) Não exigir obediência na ausência dos pais, “você não é meu pai nem minha mãe”. Filhos desaforados e desrespeitosos para com os mais velhos e adultos em geral.

j) Contentar-se com uma obediência circunstancial. Não buscar uma disposição de submissão nos filhos nem os levar a ter uma cerviz dobrada. Quem acha muita explicação para os erros dos filhos, também achará para os seus, diante de Deus.

k) Não entender que a disciplina é corretiva e formativa e não punitiva. As Escrituras dizem: “vara da disciplina” – o castigo imposto pela vara, ao contrário de tentar punir, visa, antes, corrigir defeitos e formar o caráter da criança.

l) Falta de perseverança: hoje disciplina, amanhã não, ainda que pelo mesmo motivo. Isto confunde a criança.

m) Papai “Esquecido”: sempre esquece as advertências que fez e volta a advertir. Ridiculariza-se a si mesmo e aos filhos.

n) Papai “Gamaliel” é o super mestre: sempre explica muito e não age nunca. Esquece que é a vara e não o sermão que afasta a estultícia do coração da criança.
No Antigo Testamento os filhos rebeldes e contumazes eram apedrejados. Autoridade não exclui amor, ao contrário, o acentua. Para nada vale amor paternal sem autoridade, senão para deformar o caráter dos filhos. Veja-se o caso de Eli (1 Samuel 2.12, 22-30) e de Davi (Amom) – 2 Samuel 13.1-2; (Absalão) – 2 Samuel 13.23-36; 15.1-14; 16.20-22; (Adonias) – 1Reis 1, 6-10; 2.13-17). Que diferença de Abraão (Gênesis 18.17-19).
o) Papai “Eli” é o super espiritual: quer transmitir uma imagem forte do “Papai-do-Céu”, sendo ele próprio um molenga. Os filhos não aprenderão a temer o “Papai-do-Céu” se não aprenderem a obedecer ao “papai-da-casa” (Êxodo 32.21, 25 x Gênesis 18.19). O Deus de Abraão ficou conhecido, depois dele, como “O Temor de Isaque”.

p) Papai “Fariseu” exige tudo e não faz nada. Os filhos não são estimulados e desafiados pelo exemplo, além de perderem o respeito pelos pais diante da hipocrisia destes.

Carinho
Ser o exemplo, dar instrução e disciplinar, são expressões de amor que muitas vezes não são compreendidas ou consideradas com tal. Nossos filhos têm sentimentos e carências afetivas. É necessário que se some a todas essas ações, muito carinho.
Carinho é o mesmo que afeto, meiguice, docilidade, atenção e cuidado. São maneiras de tratamento que expressam sensibilidade para com aqueles a quem amamos. Nossos filhos sabem quando somos sensíveis a eles e às suas necessidades.
Existem algumas maneiras de se demonstrar isso:

Expressão verbal
Esta é a mais simples de todas, mas não menos importante. Dizer aos nossos filhos que os amamos é o mínimo que podemos fazer. Expressões como: “Eu amo você”, “você é muito importante para mim”, “sou grato a Deus por tua vida”, “você é um presente de Deus para nós”, são simples, mas produzem um resultado maravilhoso.
Todos gostamos de saber que somos amados. Os que tem telefone, liguem especialmente para os filhos, mande-lhes cartões e telegramas. Eles adorarão.

Gestos carinhosos
As palavras muitas vezes não conseguem expressar tudo. É preciso gestos! Um afago, uma carícia, passar a mão pela cabeça, segurar com carinho as mãos, beijar, carregar nos braços, carregar nas costas, rolar pelo chão, correr juntos, brincar de pega-pega e esconde-esconde, podem ser expressões mais fortes que as palavras. Juntas, produzem uma revolução de amor.

Presentes criativos
Nesta época em que o consumismo e a moda nos levam a comprar brinquedos industrializados, diminuiu muito a criatividade dos pais. Presentes criativos, feitos pelos próprios pais (carrinhos de sucata, pipas, barracas, aviões, cavalinhos, etc.…) têm um valor muito maior. As crianças são sensíveis a isso.
Também é necessário que os pais saibam ensinar o valor de cada presente. Eles devem ter um significado pessoal. Hoje em dia se dá presentes em épocas determinadas e não por significados pessoais. Temos que presentear nossos filhos com coisas simples, porém significativas. Cuidado para não trocar carinho por presentes caros. O carinho é insubstituível!

Valorizar suas ideias e coisas
Ouvir os filhos: suas ideias e ideais. Interessar-se pelo que eles se interessam. Buscar suas opiniões e sugestões. Dar oportunidade para que eles se expressem e participem das decisões. Tudo isso são formas de dizer: “O que vocês são e dizem são importantes para nós”.
Respeitando seus gostos e desejos e, levando-os a alcançarem seus alvos, ajudaremos na formação da auto estima deles. Nossos filhos precisam saber que são capazes e aceitos, respeitados como indivíduos.
Amar = Exemplo + Instrução + Disciplina + Carinho

O QUE A BÍBLIA ME ENSINOU

A ARMADURA DE DEUS

Armadurade Deus

Acorrentado a um soldado, Paulo estava muito cônscio da natureza e propósito da armadura. Ele se preocupava muito com que seus seguidores não fossem despreparados para a batalha. Por isso ele se vale desta figura e aconselha aos cristãos efésios — e a nós — a apropriar-se da fortaleza e do poder divinos de que ele se achava graciosamente provido: “Sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder” (Efésios 6:10). Também, o guerreiro cristão deve revestir-se “de toda a armadura de Deus” — que o próprio Deus provê. A omissão de uma simples peça exporia algum ponto fraco.
Visto que o diabo é mentiroso desde o começo, o combatente deve cingir-se “com a verdade” (v. 14). Assim como o cinto do soldado era preso à cintura e segurava todas as demais peças da armadura, assim também a verdade de Deus deve cingir e unificar a vida na sua totalidade. Isto não deixa espaço para a hipocrisia ou insinceridade.
A função da couraça é proteger os órgãos vitais, de modo que o cristão deve vestir-se da “couraça da justiça” (v. 14). Cristo é nossa justiça (1 Coríntios 1:30), mas o guerreiro também deve levar uma vida justa. Ele deve usar a integridade como uma carapaça.
Na guerra é importante que o soldado esteja bem calçado, pois do contrário ele não terá condições de defender o terreno. Ele deve calçar “os pés com a preparação do evangelho da paz” (v. 15). Deve ser rápido e pronto para correr com as Boas Novas — o oposto da letargia e da comodidade.
Cobria-se o corpo todo com um grande escudo oblongo de couro que era satura- do em água antes da batalha. O soldado deve empunhar esse escudo. “Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno” (v. 16). As setas do inimigo, embebidas em piche flamejante, apagar-se-iam ao atingir o couro molhado. Os dardos de Satanás podem tomar a forma de temores irracionais, ou ataques repentinos e inesperados, em especial no reino mental. O exercício de uma fé viva e confiante em nosso vitorioso Salvador e o uso inteligente da Palavra de Deus extinguirá efetivamente as chamas da tentação.
“O capacete da salvação” (v. 17) é a última peça defensiva da armadura e, é claro, protege a cabeça. A mente desprotegida é presa fácil das seduções de Satanás. Se permitirmos que nossa mente se torne terreno baldio, estamos convidando o inimigo a semear nele ervas daninhas. E a mente que Satanás procura controlar, porque ela dirige tudo o mais. A condição trágica do mundo hoje dá testemunho do sucesso dos esforços satânicos. O capacete refere-se à esperança. “Revestindo-nos da couraça de fé e amor, e tomando como capacete, a esperança da salvação”, diz o apóstolo em 1 Tessalonicenses 5:8. A salvação de Cristo traz-nos esperança em um mundo desesperança- do. Podemos estar tão certos quanto Deus de que teremos a vitória (1 Coríntios 15:57).
“A espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (v. 17), serve para defesa e ata- que. Foi ela a única arma que nosso Senhor empregou em seu conflito memorável com o diabo no deserto. Ela se comprovou poderosamente eficaz porque ele sabia como brandi-la com destreza. É responsabilidade do soldado cristão dominar a Palavra de Deus com tal perfeição que, enchendo com ela a mente, o Espírito Santo possa trazer-lhe à memória a verdade oportuna como uma arma poderosa no momento da necessidade.
A espada do Espírito relaciona-se com “toda oração” (v. 18). A batalha da mente e da alma dos homens é travada e ganha antes de tudo pela oração. Devemos guerrear com “todas as formas de oração”, e além disso ela deve ser “toda oração”, pois se trata de uma guerra total e sem tréguas.
Assim, pois, a finalidade de “toda a armadura de Deus” é capacitar-nos para garantir o terreno no dia mau, e havendo feito tudo, permanecer vitoriosos sobre todos os inimigos.

Extraído do livro Paulo, O Líder – Autor: J. Oswald Sanders

GESTÃO E CARREIRA

INOVAÇÃO: HORA DE ABRIR A CABEÇA

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Da caixa de sugestões a ida a museus, conheça as nove técnicas para estimular seus colaboradores a pensar além do óbvio e trazer ideias inovadoras.

Numa época em que as informações são facilmente adquiridas, as transformações cada vez mais rápidas e o ciclo de vida dos produtos cada vez menor, saber inovar tornou- se um desafio vital para as empresas. “Atualmente, existe uma grande oferta em nível global de recursos financeiros, matérias-primas e mão de obra que coloca as companhias em condições muito similares, fazendo com que qualquer vantagem competitiva baseada nesses fatores seja rapidamente superada. Nesse cenário, o único fator mais duradouro para se destacar da concorrência e sobreviver é a capacidade de inovar em produtos e processos que sejam mais difíceis de imitar. Esse alerta, embora já soado em muitas empresas, ainda gera dúvidas. Alguns não sabem exatamente o que significa inovação; outros não sabem como promovê-la em suas equipes. Inovar não é simplesmente empregar uma nova tecnologia ou criar um produto que não existe no mercado, mas transformar ideias em resultados. Um produto ou serviço só se transforma em inovação depois que impactar o mercado. Para isso existe uma série de ferramentas no mercado, mas precisam ser bem administradas e usadas com disciplina. É aí que entra o R H. “O RH é a mola propulsora desse processo, responsável por disseminar o conceito de inovação entre os colabora dores, capacitá-los e amortecer os impactos provocados por mudanças e eventuais fracassos. A seguir, algumas ferramentas, metodologias e sugestões para promover uma sistemática de inovação em sua companhia.

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ESTIMULE O BRAINSTORMING
A técnica de brainstorming é bastante antiga e muito utilizada para estimular e gerar uma grande quantidade de ideias a partir de outras correlatas, sem críticas ou restrições. Na gestão da inovação, ela é aplicada em grupos preferencialmente bem diversifica dos de gestores e colaboradores, par a auxiliar ou dar um primeiro passo na geração de ideias com potencial de inovação. Seu resultado pode ser aproveitado para a explicação de outras técnicas, ou como ponto de partida para aplicar novas estratégias de inovação.

Capacite sua equipe

CAPACITE SUA EQUIPE
Treinamentos e cursos (de curta ou longa duração) sobre o tema podem ser eficientes e ajudar o time a pensar fora da caixa. Para os gestores de nível mais alto que ocupam posições-chave no processo decisório em áreas mais diretamente envolvidas com a inovação é de grande valia um treina­ mento em maior profundidade, como MBAs focados em inovação ou uma especialização em nível de pós-graduação lato sensu. Já para colaboradores com responsabilidades mais técnicas e operacionais, são indicados cursos de curta duração, que vão contribuir para que entendam melhor a dinâmica do processo. Seu papel e a importância do comprometimento. Essa capacitação poderá contribuir para consolidar uma cultura de inovação na empresa e, certamente, aumentar sua vantagem competitiva no médio e longo prazo.

Oxigene o ambiente

OXIGENE O AMBIENTE
Misture áreas, setores e pessoas. Isso vai promover discussões interessantes e novos olhares sobre velhos problemas. Há uma busca pela redução de barreiras interdepartamentais, pois a inovação atualmente é cada vez mais um processo sistêmico que envolve todas as áreas da empresa. Uma das técnicas utilizadas nesse tipo de abordagem é reunir gestores de diferentes departamentos para cada um apresentar seu trabalho e suas ideias aos demais, permitindo que as pessoas possam se conhecer e gerar um maior entendimento de processos. Outra forma é em vez de fazer um benchmark no próprio setor. faça em outros setores relacionados. “É importante para dar uma oxigenada nas ideias e não ficar com o pensamento viciado”.

Abra a caixa

ABRA A CAIXA
A boa e velha caixa de sugestões também pode ser uma aliada para promover a inovação. Em muitas empresas, as boas ideias vêm do chão de fábrica, porque as pessoas que trabalham ali indicam soluções simples que um engenheiro não consegue enxergar. A Caterpillar é um exemplo de empresa que sabe tirar proveito de suas caixinhas. Em 2008, seus colaboradores sugeriram 46.315 ideias de melhorias nos processos de produção e 79% delas foram implementadas – o que gerou uma economia de 1 milhão de reais para a empresa. Críticas de qualquer natureza podem nos tirar da cegueira momentânea, rumo a inovações pequenas e, até mesmo transformação de ruptura. É importante, porém, que haja sempre um direcionamento para as ideias, algo que esteja alinhado com a estratégia do negócio. O u então a companhia corre o risco de ter uma porção de sugestões sem critérios ou potencial de inovação.

Saia da rotina

SAIA DA ROTINA
O chamado lnnovation Day (ou Dia da Inovação) é uma atividade que tira os profissionais da rotina e do ambiente de trabalho por um dia, para que se dediquem a gerar, melhorar e implementar ideias de potencial inovador. “Criar um ambiente físico diferente permite que as pessoas tenham comportamentos diferentes dos das salas de reuniões e das relações rígidas de hierarquias, tornando-se mais propícias a gerar ideias inovadoras”. Vale também promover atividades lúdicas, mas sempre com um propósito definido, como fez a professora Martha Thenzzo, que levou executivos de uma fabricante de óleo de cozinha para preparar receitas com o produto. ‘Alguns deles jamais tinham aberto um frasco de óleo, ou seja, até então essas pessoas não haviam tido acesso ao próprio produto”, conta. Na ocasião, eles puderam sentir as dificuldades que o consumidor tem no dia a dia e viram que há muita coisa que podia ser feita para melhorar o produto.”

Organize workshopps

ORGANIZE WORKSHOPS
Os workshops são utilizados principalmente no início de um processo de inovação. quando a empresa deseja engajar os funcionários por meio da sensibilização, do alinhamento conceituai e da mobilização. “Transferir o conteúdo deve sempre ser o primeiro passo para levantar inovações da empresa”. Assim, os workshops são realizados par a preparar as pessoas para o conceito de inovação e criar uma atmosfera adequada para sua implementação. Geralmente, esse papel cabe ao gestor de inovação. Se sua empresa não tem esse cargo, o próprio RH ou uma consultoria especializada pode trabalha r esse conceito.

Atrele ao bônus

ATRELE AO BÔNUS
Uma boa forma de estimular um trabalho inovador é vincular a gestão da inovação às práticas da gestão de RH, como avaliação de desempenho e remuneração. Você consegue, com isso, gerar um comportamento pró-inovação entre líderes e colaboradores. “Se o profissional puder ser avaliado e remunerado de acordo com suas contribuições em inovação, será muito mais provável que ele dedique seu tempo para fazer coisas novas”. O Serviço Social da Indústria (Sesi) já adotou o alinhamento entre inovação e avaliação de desempenho. “A avaliação de desempenho do Sesi contempla a competência, criatividade e inovação. Nesse processo. é possível mapear o quanto essa competência está presente no desempenho de cada empregado e definir capacitações e ações de desenvolvimento que a estimulem”.

Faça valer

FAÇA VALER
As empresas podem atrelar às boas ideias sugeridas alguns prêmios aos funcionários. Além de estimular novas ideias, o prêmio é uma forma pública de reconhecimento o que valoriza o profissional. As pessoas também ficam felizes de participar e se tornar parte do processo de soluções e inovações da empresa. Além disso, os concursos geralmente exigem a criação de planos e ideias mais elaborados. E, assim como outras técnicas, exigem que haja um direcionamento adequado, para que não se perca o foco de vista e os objetivos da empresa sejam atendidos.

Informatize as ideias

INFORMATIZE AS IDEIAS
Os softwares de inovação integram algumas modalidades anteriores de forma automatizada. Eles possibilitam fazer a coleta e a filtragem de ideias, avaliar o potencial delas por meio de parâmetros e geri-las”. Além disso, permite a participação de fornecedores, clientes e consumidores em suas opiniões sobre produtos e serviços da companhia. As vantagens de uso da ferramenta são agilidade na geração e avaliação de ideias e a ampla participação das pessoas (envolvendo o público externo) no processo de inovação. A evolução da Web 2.0 também vem abrindo um enorme espaço para o surgimento de inúmeras ferramentas que favorecem a inovação compartilhada por um número crescente de participantes, o que permite o uso de uma inteligência coletiva cada vez mais potente.

 

Fonte: Revista VOCÊ RH
Por ELIZA KOBAYASHI – ILUSTRAÇÃO: DENIS FREITAS