ALIMENTO DIÁRIO

SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

Alimento diário - livro

CAPÍTULO 50 – O SEGREDO DA CONSTANTE PROVISÃO

 

Deus disponibilizou a oportunidade de usufruirmos de uma provisão constante do Espírito Santo. Jamais teremos que ficar esgotados espiritualmente, mas aprenderemos a acessar a provisão constante do Espírito que habita em nós. No lugar secreto aumentamos nossa capacidade de fazer uso da graça de Deus e, então, vivemos nossos dias com base na força dos recursos eternos de Deus.

A imagem da “provisão constante” é retratada mais vividamente em Zacarias 4. Abra a sua Bíblia agora e leia essa passagem antes de continuar este capítulo.

Um candelabro com sete lâmpadas alimentadas com azeite foi mostrado a Zacarias. Na parte superior do candelabro havia um recipiente cheio de azeite com canos que alimentava o recipiente de cada lâmpada. Esse recipiente servia como um reservatório de óleo que era alimentado por duas oliveiras que estavam junto ao recipiente, uma à direita e outra à esquerda.

As oliveiras derramavam óleo constantemente em dois receptáculos que alimentavam o óleo do recipiente. As árvores alimentavam o recipiente; o recipiente alimentava as lâmpadas. A provisão era constante e as chamas das lâmpadas queimavam sem cessar.

O que estou prestes a compartilhar não é a única maneira de ver Zacarias 4. Há muitas interpretações válidas para passagens proféticas como essa, portanto, minha interpretação é apenas uma dentre várias interpretações possíveis. Com essa ressalva, gostaria de sugerir que o candelabro representa você – o servo dedicado do Senhor. No contexto de Zacarias 4, o candelabro é Zorobabel, entretanto, ele apenas tipifica o servo dedicado do Senhor. Os candelabros da Bíblia representam várias coisas, mas em Mateus 5.15 Jesus usou uma candeia para se referir a uma pessoa. Portanto, o candelabro é você, ou seja, cada cristão.

A princípio, eu não via o candelabro representando uma pessoa, por­ que pensava que cada cristão tinha apenas um chama queimando dentro dele. Mas então me deparei com a exortação de Jesus: “Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas as vossas candeias” (Lucas 12.35 -ACF).

Jesus colocou “candeias” no plural, dizendo que temos várias dentro de nós. Temos mais de uma candeia queimando dentro de nossos corações – temos sete, para ser mais preciso. Deus planeja que cada um de nós queime com sete chamas sagradas diante da presença de sua glória.

O Espírito Santo é revelado como “sete lâmpadas de fogo” acesas diante do trono (Apocalipse 4.5). Quando você estiver cheio do Espírito Santo, também terá sete lâmpadas de fogo. Não estou preparado para afirmar o que eu acho que são essas sete lâmpadas de fogo, mas acho que a lâmpada principal é o fogo do amor de Deus. É o amor ardente de Deus por Deus e por sua criação.

Quando esse fogo entra em nossas vidas, acende em nós uma paixão fervorosa por Jesus e uma compaixão misericordiosa pelo próximo. E esse é apenas um dos sete fogos. Estou perscrutando os outros seis e talvez escreva mais sobre eles algum dia.

Agora, vamos analisar o contexto histórico da visão de Zacarias. Zorobabel, líder civil israelita, foi incluído na tarefa de construir o templo de Deus. O profeta Zacarias, seu conselheiro, recebeu uma mensagem divina para incentivar Zorobabel em seu projeto de construção. Deus desejava revelar a Zorobabel um paradigma totalmente novo para construir o reino.

A maioria das construções do Reino é feita por líderes visionários que mobilizam um grupo de pessoas para usar sua força e trabalhar com afinco no projeto, empenhou-se ao máximo até terminá-lo. Zacarias teve uma revelação divina, entretanto, para outro tipo de liderança – um estilo de liderança em que o servo do Senhor recebe sua eficiência a partir de uma fonte interna no Espírito. À medida que esse líder é alimentado interna­ mente pela provisão constante do Espírito Santo, é capacitado a conduzir o povo de Deus na construção do Reino. Em vez de buscar um líder sem foco que corre em mil direções ao mesmo tempo, Zacarias viu um líder cujas lâmpadas estão queimando com brilho intenso, porque ele está usando a fonte de vida espiritual de poder e graça. “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zacarias 4.6).

É interessante observar que o recipiente de armazenamento, que está cheio de óleo, fica “acima” do candelabro. Isso significa que o óleo desce do recipiente para as sete lâmpadas. Esse recipiente não só continha óleo mais do que suficiente para sustentar as lâmpadas, mas também abastecia cada uma com a pressão gerada pela gravidade.

Com o óleo pressionando avidamente para baixo cada chama, as lâmpadas não ficavam bruxuleando preguiçosamente, mas queimavam com fervor e muito brilho – verdadeiras tochas de zelo divino. Deus está mostrando a Zacarias que é possível acessar esse Buxo dinâmico de vida divina que arde literalmente com zelo santo diante do trono de Deus e diante do povo na terra.

Vamos parar e tornar isso uma coisa prática e pessoal. Enxergue você mesmo como sendo esse candelabro, como um cristão dedicado que é chamado a ter uma liderança compadecida para a construção do Reino de Deus. À medida que se retira para o lugar secreto, você abre os canais de seu coração e permite que o óleo de vida divina flua em cada câmara dele. O lugar secreto é onde suas lâmpadas são mantidas acesas e onde seu zelo pela face de Cristo é reavivado e renovado até você acender com as sete chamas parecidas com uma tocha, com fervor e brilho.

Quem entrar em contato com você será impactado por sua paixão por Jesus e seu amor altruísta pelas pessoas. Será possível perceber que você está liberto de ambições egoístas e agendas pessoais. Seu fogo é incandescente e sua chama é pura. Seu coração foi cativado pela beleza de seu Rei. Seus interesses e afeições são voltados unicamente para o seu noivo celeste.

Quando você ouve um chamado para construir, os santos se juntam a você entusiasticamente, porque sabem que você está funcionando de acordo com o útero da manhã criativo (lugar secreto), onde você recebeu ordens e percepções divinas. Sua produtividade se torna desproporcional em relação a seus recursos.

O que eu quero dizer é que o trabalho é acelerado mais rapidamente do que parece ser possível com os recursos limitados que você dispõe. Por quê? Porque você não está trabalhando somente com a capacidade e o poder dos recursos humanos; você está operando com a sinergia e o fluxo do impulso do Espírito Santo à medida que o próprio Deus opera com e em você. Você encontrou a dimensão de Deus.

Então os recursos financeiros surgirão aparentemente do nada; voluntários surgirão do nada; corporações pagãs começarão a fazer doações; portas se abrirão onde antes existia somente um muro; santos se juntarão para realizar o objetivo do Reino; pecadores sentirão temor em relação à graça de Deus que se derramará na comunhão dos crentes. E tudo isso será liberado porque um líder servo saiu do lugar secreto ardendo com o fogo concedido por Deus!

Agora, voltemos à visão de Zacarias 4. Ele se consumia em dúvida enquanto o anjo estava lhe trazendo aquela revelação. Zacarias faz três perguntas ao anjo: O que significa isso, meu senhor? (veja os versículos 4, 11 e 12).

A resposta do anjo foi: “São os dois homens que foram ungidos para servir ao Soberano de toda a terra!” (Zacarias 4.14). Essa resposta é muito vaga e, por isso, continuamos perguntando: o que essas duas oliveiras representam?

Zacarias desejava saber o que eram as duas oliveiras porque elas eram a fonte do óleo. Quando conhecemos a fonte, passamos a conhecer o segredo de viver com uma constante provisão de vida e graça divinas. Portanto, essa realmente é uma constante pergunta. Qual é a fonte de provisão inesgotável dos recursos infinitos de Deus?

As duas oliveiras, em minha opinião, são a Palavra e o Espírito Santo.

Precisamos tanto da Palavra quanto do Espírito Santo, combinados e fluindo em nossos espíritos, se formos construir o Reino através do poder de Deus. Quando o Espírito de Deus se move em sua Palavra e fala no âmago do nosso ser, somos vivificados com o fogo santo!

Esse é o motivo porque, quando Jesus se revelou para os dois discípulos no caminho de Emaús, expondo as Escrituras relativas a Ele mesmo aos corações deles através do Espírito Santo, aqueles discípulos mais tarde declararam: “Não estava queimando o nosso coração, enquanto ele nos falava no caminho e nos expunha as Escrituras?” (Lucas 24.32). Quando a Palavra sob o poder Espírito Santo for ministrada ao seu coração, você também queimará por Ele!

O lugar secreto é onde fazemos uso da vida da Palavra e do Espírito Santo. É o lugar onde abrimos nosso Espírito para Ele, por isso, um fluxo maior de seu óleo pode chegar às nossas lâmpadas.

O que realmente desejamos são canos mais largos. Os canos que conduzem o óleo do recipiente das sete lâmpadas são fundamentais para o grau de luz emitido pelo candelabro. Se os canos estiverem abertos e desobstruídos, o óleo fluirá livremente para as chamas de nossos corações. Quando esta combinação de óleo (a Palavra e o Espírito) fluir para nossos corações e nos acender para Ele, o Reino avançará em e através de nossas vidas em proporções descomunais.

A questão não é “trabalhar mais arduamente”! A questão é “obter óleo”! O segredo é: dedique-se a aumentar sua conexão com a fonte de óleo divino. Quanto mais deste óleo fluir para o seu interior, mais brilhantes suas lâmpadas serão diante de Deus e dos homens.

Nada é mais perigoso para o reino das trevas do que um homem ou uma mulher que encontrou a fonte incessante de vida proveniente de Deus. Quando o servo do Senhor é alimentado com este fluxo de óleo e suas sete lâmpadas são verdadeiras tochas de zelo fervoroso por seu Amado, então nenhuma força do inferno poderá apagar esse fogo.

Ainda que o inferno tente apagar essa chama com as inundações da boca do dragão, esse fogo é alimentado por uma fonte interna. Nada que venha de fora poderá apagá-lo.

Que maravilhoso segredo estou tentando descrever! John Wesley disse algo parecido com o seguinte: “Incendeie-se por Deus e deixe as pessoas virem observar você queimar”.

Venha comigo para o próximo capítulo. Desejo enfatizar esta verdade com mais uma imagem bíblica que retrata uma provisão constante de vida divina

 

 

 

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A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PREOCUPAÇÃO NA MEDIDA

Preocupar-se não é algo totalmente negativo. Entenda

Preocupação na medida

No artigo The Surprising Upsides of Worry”, publicado no periódico Social and Personality Psychology Compass, a pesquisadora Kate Sweeny comenta achados sobre o lado bom da preocupação – ela gera um comportamento preventivo e protetor e um senso de planejamento que evita riscos e insucessos. Isso melhora corpo e mente, livrando-nos de emoções negativas e situações indesejáveis, além de melhorar as estratégias de solução de problemas e conflitos.

Segundo o estudo, a preocupação gera benefícios quando utilizada na medida certa, não sendo benéfica quando de menos ou em demasia.

Na proporção exata, ela é um motivador comportamental que age positivamente, por três razões, segundo o artigo:

1. A preocupação serve como uma sugestão que a situação é séria e requer a ação. As pessoas usam suas emoções como fonte de informação ao fazer julgamentos e decisões;

2. Preocupar-se com um estressor faz com que o mantenhamos sob nosso foco e leva as pessoas à ação;

3. O sentimento desagradável de preocupação motiva as pessoas a encontrar maneiras de reduzir a sua preocupação.

Entre os efeitos danosos da preocupação em excesso estão transtornos como os de ansiedade, o burnout e a depressão, entre outros.

OUTROS OLHARES

O REMÉDIO É A INOVAÇÃO

Gigantes da indústria farmacêutica apostam na aquisição de startups da área de bio e nanotecnologia para incrementar a criação de medicamentos que podem salvar vidas

O remédio é a inovação

O ano começou agitado – e saudável – para a indústria farmacêutica mundial. Em janeiro, a centenária americana Bristol-Myers Squibb (BMS), conhecida por ter entre suas criações o Luftal e o Naldecon, anunciou a compra do gigante de biotecnologia Celgene por vistosos 74 bilhões de dólares. Seu objetivo não era exatamente adquirir os laboratórios ou as fábricas de medicamentos e sim as cada dia mais valiosas patentes de tratamentos modernos – e caríssimos – para males complexos como câncer e doenças autoimunes. Para evitarem gastar tanto dinheiro numa só tacada, as concorrentes globais da BMS estão à caça de startups em estágios mais incipientes de desenvolvimento – e que, por isso, custam menos. Há duas semanas, a Peloton Therapeutics, cujo carro-chefe é um novo tratamento para o câncer renal, foi comprada pela alemã Merck por 1 bilhão de dólares – valor que pode dobrar se a empresa, fundada em 2010, no Texas, cumprir metas de vendas e conseguir aprovações regulatórias. A lista de grandes negociações no setor conta ainda com o pagamento de 8 bilhões de dólares que a tradicional americana Eli Lilly (do célebre Prozac) aceitou fazer para ter a nova-iorquina Loxo Oncology, de tratamentos para cânceres raros, além dos 4,8 bilhões de dólares que a suíça Roche ofereceu pela também americana Spark Therapeutics, de terapias genéticas. O movimento é uma mudança do tradicional modelo de negócios do setor, que sempre teve como motor o altíssimo investimento em pesquisa e desenvolvimento de remédios. Ao apostarem nessa nova direção, as grandes farmacêuticas dão a terapias de vanguarda uma escala global – o que amplia a oferta de medicamentos de ponta, capazes mesmo de salvar vidas.

A busca dos gigantes farmacêuticos por inovação fora dos próprios laboratórios não é só uma questão de custo. É que a expertise tradicional de desenvolver moléculas que interagem com o corpo humano, vírus e bactérias produz cada vez menos resultados. Os remédios de base química, que enriqueceram a indústria a partir dos anos 60, já foram exaustivamente explorados. A maior longevidade da população e a incidência de doenças crônicas, como diabetes, exigem terapias que estão além da capacidade dos remédios alopáticos. É aí que entram a biotecnologia e a nanotecnologia, inaugurando um promissor horizonte de oportunidades para desbravar. Para não ficarem no fim da fila, as empresas da área estão indo atrás de quem está nessa vanguarda. No primeiro trimestre de 2019, as fusões e aquisições dos setores farmacêutico e de ciências da vida – recorte que inclui biotecnologia e aparelhos médicos – sornaram 147,3 bilhões de dólares. Foi o maior resultado trimestral dos últimos dois anos, segundo a consultoria PwC. No Brasil, o movimento de investimentos em companhias inovadoras também já se insinua. A indústria local se concentra na fabricação de genéricos e similares, mas o cenário está mudando. A Roche, que anunciou o fechamento de sua unidade brasileira de produção em cinco anos, prevê repetir aqui neste 2019 os investimentos de quase 190 milhões de reais registrados em 2018 em pesquisa e desenvolvimento. A empresa aposta em um programa de seleção de startups que já está em sua terceira edição. A suíça Novartis segue pelo mesmo caminho, e ainda promete anunciar em junho as seis primeiras companhias brasileiras a receber seus aportes financeiros.

Os avanços também vêm de indústrias nacionais. A Eurofarma, após uma experiência bem-sucedida com programas para startups, lançará um fundo de investimentos no segundo semestre. A empresa acabou de fechar um acordo de cooperação com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, para fortalecer a pesquisa de novos medicamentos. O mesmo direcionamento tem movido a Libbs. Em seu programa Portas Abertas, startups recebem aconselhamento ou até se tornam fornecedoras. Uma delas, a paulistana Pluricell, que desenvolve um tratamento para regenerar células cardíacas de pessoas que sobreviveram a infartos, recebeu em maio um aporte da Libbs de 1 milhão de dólares. A inovação da Pluricell pode levar até dez anos para entrar no mercado. “É uma aposta de alto risco”, afirma Lívia Prado, executiva de inovação da Libbs.”Mas, se der certo, pode gerar uma grande revolução”.

GESTÃO E CARREIRA

SEM DORES DE CABEÇA

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Não quer ter problemas com o eSocial? Um dos caminhos para isso é redobrar a atenção, em especial a dos responsáveis pela inclusão dos dados no sistema. Um erro e pronto: gera uma inconsistência e, depois fiscalização. Alexandre Eisenmann, sócio da Soft Trade, empresa de tecnologia que desenvolve soluções para RH, dá alguns exemplos de inconsistências que o profissional de gestão de pessoas deve evitar.

DIFERENÇA DE SALÁRIO

Prática relativamente comum nestes tempos de crise econômica, quando a empresa paga o salário parcialmente e faz o acerto algum tempo depois, Eisenmann recomenda às organizações reabrirem a folha de pagamento do mês relativo ao valor pago a menos, recalcular o pagamento informando a diferença e recolher os encargos com as multas. “Se chamar de diferença no mês corrente, por exemplo, se a empresa paga uma diferença de salário, significa que é relativa a um valor que deveria ter sido pago em algum mês que passou, o eSocial vai identificar a inconsistência”, aponta.

DISSÍDIO

O dissídio acontece quando a correção anual de salário vai a julgamento, e o resultado sempre sai com atraso. Se determinado profissional foi promovido antes da divulgação do dissídio, o RH precisa saber encaixar a informação sobre o aumento salarial relativo à promoção e depois fazer uma outra operação relativa ao reajuste da data-base definido no dissídio. Por exemplo, um profissional cuja categoria tem data-base no mês de julho é promovido no mês de agosto e o dissídio é publicado em outubro: o RH precisa proceder o aumento salarial relativo à promoção em agosto, depois proceder o reajuste da data-base sobre o salário de julho. “Esse é um problema principalmente para as empresas pequenas, pois as pessoas nem sempre sabem fazer”, adverte.

ERROS DE DIGITAÇÃO

Eisenmann alerta para uma atenção especial na inclusão de dados no eSocial, especialmente no cadastramento de cargos, pois, se o responsável pelas informações digitar “perdeiro” em vez de pedreiro, será necessário corrigir o código relativo ao cargo digitado errado e também alterar todas a admissões. “No caso de uma construtora, no exemplo citado, se ela fizer 500 admissões de pedreiros e o cargo estiver digitado errado será necessário alterar uma por uma. É preciso ter muito cuidado ao fazer a primeira inclusão para não ter nenhum erro de digitação e não incorrer nesse tipo de problema”, adverte.

AUTÔNOMOS

Embora o eSocial ofereça a opção de cadastrar o autônomo com trabalhador sem vínculo empregatício, como é feito para os estagiários e diretores estatutários, por exemplo, Eisenmann recomenda informar apenas o pagamento, pois há uma opção com somente quatro ou cinco campos, ao contrário das outras categorias em que é necessário registrar outros dados do trabalhador.

PROCURAÇÕES ELETRÔNICAS E SEUS PERFIS

No eSocial, existe uma série de informações que precisa ser enviada. Por exemplo, primeiro devem ser enviados os dados a respeito da empresa, cargos, rubricas, funções, estabelecimentos, processos jurídicos que a organização tem; depois, são enviados as admissões e os pagamentos. Para uma software house hospedar uma aplicação de um cliente ou um escritório de contabilidade enviar as informações em nome de um cliente, é preciso ter uma procuração eletrônica, pois é necessário um certificado digital.

A polêmica está na definição dos perfis, pois o Governo criou alguns níveis de acesso para evitar que a empresa dê uma procuração a uma pessoa com acesso total aos dados. Por exemplo, um médico do trabalho só vai poder cadastrar os atestados de saúde ocupacional no sistema, sem acesso às demais áreas. Entretanto, uma empresa pequena pode não utilizar um software para enviar os dados e cadastra as informações pelo portal do eSocial na internet. Só que a procuração para acesso ao portal é ilimitada. Nesse caso, a empresa precisa colocar uma pessoa de extrema confiança, que sabe que não irá alterar dados que não são de sua responsabilidade, ou contrata uma software house que ofereça um sistema eSocial que faz a separação por perfis.

ATESTADOS

Uma “dor de cabeça” muito recorrente para o pessoal de RH está relacionada aos afastamentos. Os quinze primeiros dias de afastamento são pagos pela empresa. Se o funcionário se afastou por cinco dias, volta, mas tem uma recaída e fica mais 15 dias afastado, o que a organização normalmente faz é considerar como dois afastamentos, pagando cinco dias do primeiro afastamento, depois paga mais 15 dias do segundo. O eSocial considera o segundo afastamento como continuidade do primeiro, de modo
que a empresa deve pagar os cinco primeiros dias, mais dez do segundo, perfazendo os quinze dias legais.

As grandes organizações, e muito pulverizadas, delegam a gestão de pessoas para o RH da filial ou normalmente para o gerente da unidade. E podem acontecer situações como, por exemplo, uma funcionária gestante se afastar para ter o filho, volta e entrega cópia da certidão de nascimento ao gerente; só que o RH nem estava sabendo e recebe o documento para incluir a criança no plano médico. Esse caso tem um problema grave, pois era necessário trocar as rubricas – itens relativos aos pagamentos e descontos no holerite – e fazer os pagamentos como licença-maternidade.

Se não fizer esse procedimento, o empregador estará pagando salário e não afastamento e a empresa perde dinheiro, pois recupera os valores pagos da licença-maternidade do INSS. “Se tiver de informar a licença de forma retroativa, vai dar tanto trabalho que muitas vezes nem compensa. A organização precisa ter formas de treinar seus gestores de que o RH deve ser informado sobre todos os procedimentos relativos aos funcionários, porque os gestores acham que as coisas acontecem automaticamente, ao deixar a funcionária afastada durante quatro meses. Sem contar a possibilidade de a funcionária sofrer algum acidente ou ter complicações pós-parto, como computar essa situação se ela estava afastada, mas não oficialmente?”, questiona.

PAGAMENTOS PÓS-DESLIGAMENTOS

As empresas comumente utilizam um termo chamado “quitação complementar” para o pagamento de itens depois da homologação como, por exemplo, PLR, stock options etc. Na verdade, essa quitação complementar não existe. O que existe é a correção da quitação. Portanto, toda vez que for feita uma alteração na quitação depois do prazo, será necessário recolher os encargos com multa. “Na verdade, fazemos um alerta para que a empresa pague tudo de uma vez”, observa Eisenmann.

Em relação ao 13º salário, o especialista adverte que a segunda parcela não deve ser paga no mês de novembro. “O correto é pagar a primeira parcela até novembro e a segunda em dezembro. A segunda parcela nunca deve ser antecipada”, alerta.

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SEGREDOS DO LUGAR SECRETO

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CAPÍTULO 49 – O SEGREDO DE COMPRAR ÓLEO

 

O óleo na Bíblia normalmente representa o Espírito Santo, portanto, ter óleo em nossas candeias significa termos a presença interna do Espírito Santo iluminando nossas vidas com seu zelo e sua glória. Sem o óleo do Espírito Santo, nossas vidas se tornam estéreis e nossa luz é apagada. O lugar secreto é onde compramos óleo. Quando nos retiramos para ter comunhão com nosso Senhor, somos renovados no Espírito Santo e nossos níveis de óleo são reabastecidos.

A ideia de “comprar óleo” é derivada da parábola das dez virgens. Então, vamos ver a passagem e fazer uma observação especial de como a palavra “óleo” aparece na parábola. Jesus disse:

“O Reino dos céus será, pois, semelhante a dez virgens que pegaram suas candeias e saíram para encontrar-se com o noivo. Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes. As insensatas pegaram suas candeias, mas não levaram óleo. As prudentes, porém, levaram óleo em vasilhas, junto com suas candeias. O noivo demorou a chegar, e todas ficaram com sono e adormeceram. À meia-noite, ouviu-se um grito: O noivo se aproxima! Saiam para encontrá-lo! Então todas as virgens acordaram e prepararam suas candeias. As insensatas disseram às prudentes: Deem-nos um pouco do seu óleo, pois as nossas candeias estão se apagando. Elas responderam: Não, pois pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês. Vão comprar óleo para vocês. E saindo elas para comprar o óleo, chegou o noivo. As virgens que estavam preparadas entraram com ele para o banquete nupcial. E a porta foi fechada. Mais tarde vieram também as outras e disseram: ‘Senhor! Senhor! Abra a porta para nós! Mas ele respondeu: A verdade é que não as conheço! Portanto, vigiem, porque vocês não sabem o dia nem a hora!”.

Não temos espaço neste breve capítulo para um estudo completo dessa parábola. Ela é incrivelmente fascinante e ganhou uma grande variedade de interpretações e aplicações. Entretanto, a grande maioria concorda que o óleo na candeia representa ter um reservatório interno da realidade do Espírito Santo. Nosso foco aqui é o óleo. Se não formos preenchidos com o óleo do Espírito Santo não sobreviveremos ao caos e às calamidades dos últimos dias.

Todas as dez virgens tinham óleo em sua candeia, mas as cinco virgens prudentes trouxeram uma vasilha de óleo extra com elas. Elas fizeram isso porque anteciparam o fato de que a volta do noivo poderia demorar além das expectativas. As virgens insensatas fizeram a pressuposição fatal de que a volta do noivo seria breve. Elas estavam confiantes de que não precisariam de óleo extra; elas pensaram que suas candeias tinham óleo suficiente para sustentá-las até a volta do noivo.

Todas as dez eram virgens. Isso indica que todas elas eram crentes fiéis. Mike Bickle sugeriu, com base no contexto, que essas virgens representam os líderes de igreja. Se isso for verdade, então, podemos dizer que o óleo representa a unção ministerial do líder que é cultivada no lugar secreto. As virgens insensatas tinham a mentalidade de “se virar”.

Elas investiram no lugar secreto somente até o grau em que as responsabilidades de seus ministérios pareciam exigir. As prudentes mostraram sua diligência ao aprofundarem seu relacionamento com Deus, o que era mais do que seus atuais ministérios exigiam delas. As prudentes não vinham ao lugar secreto simplesmente para comprar óleo para abastecer o ministério; elas também vinham para comprar óleo para si mesmas para terem um relacionamento fervoroso e particular com o Senhor.

O preço para obter óleo para o ministério não é muito alto, mas o preço para obter um relacionamento de intimidade com Jesus é muito alto. Então, quando o tempo para o abastecimento do ministério termina, você ainda permanece de maneira fervorosa na presença de Deus.

O óleo do relacionamento autêntico é comprado ao preço de investimento de tempo e energia no lugar secreto. Os insensatos permitem que as questões urgentes do momento os arrebatem do lugar secreto após terem feito o abastecimento mínimo. Os prudentes permanecem e continuam sendo abastecidos com óleo até seus corações serem energizados por seu relacionamento de amor com Jesus.

Quando sua insensatez torna-se óbvia, o insensato se volta para o prudente e diz: “Preciso de um pouco de seu óleo”. Ele reconhece que o prudente tem um relacionamento profundo com Deus que nunca teve tempo e disposição para cultivar. Ele diz: “Preciso de um pouco de sua autoridade ministerial”. Mas o prudente compreende que não há atalhos para se obter autoridade ministerial. Você não pode obter autoridade a partir da unção de outra pessoa; você tem que obtê-la por si mesmo no lugar secreto. Quando o noivo demora a voltar, as virgens são sobrepujadas com coração doente, por causa da esperança que se retarda (Provérbios 13.12). O coração doente fará com que elas durmam dominadas pela tristeza (Lucas 22.45). A demora do noivo tem um modo de diferenciar o insensato do prudente. Ela revela aqueles que desenvolveram sua própria história pessoal de um relacionamento avivado com o noivo.

Aqueles que perseveram em amor através de um coração doente por causa da esperança que se retarda serão revestidos com a autoridade ministerial para libertar os cativos. Por fim, os prudentes se tornam poderosos libertadores.

Nós precisamos de um reservatório no Espírito para nos sustentar na hora da provação que está para vir sobre todo o mundo (Apocalipse 3.10). O tema da parábola é – compre óleo! Dedique-se ao lugar secreto até seu coração estar transbordando de amor e zelo por seu Amado. Então, torne isso a prioridade máxima do seu dia para manter esse reservatório de óleo abastecido. O segredo é este: o lugar secreto é o limiar para se obter o reabastecimento necessário para sustentá-lo durante a noite escura da demora de Cristo.

Compre óleo!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TÉCNICAS PARA DEPENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS

O uso abusivo da tecnologia tem sido pauta constante no setting terapêutico e exige que os profissionais se atualizem sobre as estratégias que podem ser usadas em consultório para o tratamento

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Nesta edição serão reveladas, de forma diretiva, estratégias cognitivo-comportamentais para as dependências tecnológicas. Em diversos momentos, nesta coluna, foram discutidas psicopatologias referentes ao campo tecnológico. Sugere-se, então, que o leitor possa ler inicialmente essas temáticas, já publicadas, e materiais básicos de psicoterapia cognitivo-comportamental para melhor compreensão do texto a seguir. As estratégias fazem parte de um material desenvolvido para uso em consultório, intitulado baralho das dependências tecnológicas. Estas são apenas algumas das possibilidades de intervenção com este tipo de demanda (Lemos, 2016).

A primeira estratégia que deve ser utilizada em consultório é a psicoeducação (sendo a prevenção de recaídas e manutenção dos ganhos a última). Nesse momento, o profissional educa o paciente sobre o que é caracterizado como dependência tecnológica, quais são as possíveis causas (fatores etiológicos), as comorbidades (psicopatologias que ocorrem de maneira concomitante), os sintomas, os prejuízos decorrentes desse adoecimento e como a psicoterapia cognitivo-comportamental poderá auxiliar o paciente nessa evolução. Nesse momento o psicoterapeuta torna o paciente ativo no processo de melhora (embasado no empirismo colaborativo). É essencial que o profissional que lida com essa demanda tenha um conhecimento básico sobre tecnologia: os jogos mais utilizados, os aplicativos de celular mais debatidos no cotidiano etc. É visto que compreender o campo tecnológico aumenta a adesão terapêutica e torna o profissional mais seguro no momento das intervenções e debates com o paciente.

Uma segunda importante estratégia é auxiliar o paciente a abster-se de um aplicativo ou jogo específico (temporariamente). Comumente algum recurso tecnológico, para um paciente dependente, é considerado como “predileto”, sendo nele que o indivíduo despende a maior parte do tempo. Nos jogos eletrônicos, os títulos mais mencionados no consultório são: League of Legends, DOTA 2 e Minecraft; nas redes sociais, Facebook, Instagram e Whatsapp. Dessa forma, sugere-se que, para o paciente diminuir seu nível de dependência, o elemento de maior risco na manutenção do transtorno deve ser reestruturado em relação ao tempo e frequência de uso. Ex.: *João (nome fictício) menciona que utiliza excessivamente o jogo League of Legends, porém outros títulos são pouco jogados. Para que o paciente não tenha uma redução completa do seu uso de tecnologia (ressalto: o objetivo é sempre o uso moderado), é solicitado que ele interrompa, por ao menos uma semana, esse recurso tecnológico, mas não os outros. Após essa intervenção é possível organizar seu cotidiano e observar quais são os pensamentos disfuncionais, as emoções em desequilíbrio e os comportamentos inadequados relacionados a essa “abstinência”.

Outra intervenção possível é solicitar ao paciente que ele registre o tempo de uso de tecnologia no dia. Se for possível, sugere-se a criação de uma tabela, onde nela será registrado o tempo aproximado de uso de jogo eletrônico em cada turno do dia. Sabe-se que devido ao uso intermitente, não é possível obter um resultado preciso, mas quase, desse usufruto.

A quarta estratégia é limitar o tempo de uso de tecnologia. Apesar de cada paciente registrar um tempo distinto de uso, recomenda-se uma redução para até duas horas diárias (para fins de entretenimento) e sem prejuízos no trabalho, vida acadêmica ou relacionamentos (para adolescentes esse tempo pode ser ainda menor nos dias úteis). Essa meta não é fácil de ser cumprida, por isso, é importante que se for possível um monitoramento do paciente por um parente, ou outra pessoa, esse auxílio é interessante. Além disso, apesar dessa recomendação de limitar o tempo, cada família apresenta um funcionamento distinto, então é necessário adaptar essa estratégia a cada modelo familiar.

Outra intervenção amplamente utilizada na psicoterapia cognitivo-comportamental é a elaboração de uma lista de vantagens e desvantagens do uso de tecnologia. Essa atividade auxiliará o paciente a refletir sobre ambos os aspectos e verificar quais comportamentos podem ser inseridos no seu repertório de estratégias para combater as dependências tecnológicas. Caso ele tenha dificuldades em acessar essas informações, sugira que permita deixar a sua mente fluir para que o máximo de dados possa ser coletado. Em vários momentos o paciente desiste no começo da técnica, por isso é importante que generosamente você insista.

Há também o convite de terceiros para atividades de lazer sem o uso de tecnologia. Essa atividade tem como objetivo auxiliar o paciente a sentir prazer e se envolver em atividades de lazer que não tenham ligação com o objeto de dependência do paciente. Por fim, sugere-se que o paciente possa criar um cronograma de estudo/trabalho. O terapeuta poderá auxiliá-lo nessa construção preenchendo as atividades cotidianas de forma organizada junto ao uso de tecnologia. Essa tarefa não só ajudará o paciente a controlar seu uso, mas também potencializará o cumprimento das obrigações acadêmicas e/ou de trabalho.

Existem diversas outras estratégias que podem e devem ser utilizadas em consultório, para isso é importante que o leitor mantenha suas pesquisas e estudos atualizados (aqui temos um recorte de técnicas). A demanda de pacientes com dependências tecnológicas é grande, porém, infelizmente, ainda há uma substancial lacuna de profissionais preparados para intervir de forma adequada com essa parcela de usuários que estão adoecidos.

 

IGOR LINS LEMOS – é doutor em Neuropsiquiatria e Ciências do Comportamento pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Avançada pela Universidade de Pernambuco (UPE). É psicoterapeuta cognitivo-comportamental, palestrante e pesquisador das dependências tecnológicas. E-mail: igorlemos87@hotmail.com

OUTROS OLHARES

SIM AO SUPLEMENTO…

…e não ao anabolizante. Muitos ainda confundem esses compostos. Um é uma forma saudável de complementar a dieta. O outro custa caro, e não apenas ao bolso – pode matar

Sim ao suplemento...

“Pode até estar bom, mas sempre pode melhorar.” Pensar dessa maneira é sempre benéfico quando se trata da busca pela melhora do desempenho nas atividades Físicas e nos esportes e do desejo de um corpo ideal”/ Até que ponto devemos perseguir esses objetivos? São essas as questões que vamos discutir ao longo deste texto.

Na era das redes sociais, quando o que vale é parecer perfeito, acabamos muitas vezes iludindo não só aos outros, mas principalmente a nós mesmos. E para a nossa saúde fica também o prejuízo, que pode se tornar muito grave ou até irreversível quando decidimos, por exemplo, usar substâncias anabolizantes.

Os anabolizantes são drogas utilizadas com o objetivo de obter ganho de massa e força muscular. Existem as drogas anabolizantes que são esteroides e as não esteroides. Os esteroides são hormônios sintéticos que imitam a testosterona, e os não esteroides são a insulina e o hormônio do crescimento – o GH.

Trata-se de medicamentos lícitos, vendidos em farmácia sob prescrição médica e com retenção da receita.

A indicação médica do uso de substâncias anabolizantes esteroides ou não esteroides é recomendada para o tratamento de doenças. A insulina é utilizada para o tratamento do diabetes mellitus e o hormônio do crescimento (GH), em crianças com atraso no crescimento por deficiência desse hormônio e em adultos que possuem a deficiência na sua produção.

Já os esteroides são indicados para o ganho de massa e força muscular a pacientes com deficiência ou insuficiência do hormônio testosterona ou doenças consumptivas, ou seja, debilitantes – entre elas HIV, câncer, osteoporose, sarcopenia e queimaduras graves. No entanto, as pessoas fazem uso indiscriminado dessas substâncias para fins estéticos e melhora da performance, exagerando na dose e utilizando produtos de origem duvidosa e muitas vezes adquiridos no “mercado negro”.

De acordo com estudos recentes, as pessoas estão usando anabolizantes cada vez mais cedo. Eles fazem parte da vida de jovens ainda em idade escolar. Um problema de saúde pública que ganha aspectos ainda mais preocupantes quando sabemos que aproximadamente 80% desses anabolizantes tem origem clandestina e, consequentemente, questionável. São homens e mulheres arriscando diariamente a vida – e isso vale para qualquer idade.

“Mas, doutor, eu sou (ou quero ser) atleta profissional, preciso de mais massa muscular e melhor desempenho físico.” Aqui respondo: existem alternativas saudáveis e eficazes. Tudo passa pela procura de um profissional sério. O corpo humano é uma estrutura complexa que, muitas vezes, precisa de ajuda para funcionar melhor. Para isso foram desenvolvidos diversos suplementos alimentares e há exames capazes, hoje em dia, de detectar com exatidão a necessidade de cada paciente. Considerando as questões já mencionadas, podemos concluir que “sempre” existe um caminho mais “fácil” e “sedutor” cheio de armadilhas e perigos na busca do imediatismo.

Uma questão extremamente importante que deve ser trazida à baila é a diferença entre anabolizante e suplemento. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Suplemento não é anabolizante. Não é “bomba”! Suplementos são uma forma de entregar o nutriente que não pelo alimento. São muito utilizados por atletas profissionais e amadores. Seu uso também é indicado a crianças, idosos, pessoas com deficiência de vitaminas, como maneira de complementar a dieta e fornecer nutrientes que estão faltando ou não podem ser consumidos em quantidades suficientes por determinada pessoa.

A recomendação da utilização de suplementos, por exemplo, a atletas profissionais ou não se deve à praticidade da entrega desse nutriente antes, durante ou depois da prática de atividade física. Existem ainda os suplementos ergogênicos, que melhoram a performance dos atletas, como cafeína, beta- alanina, creatina, suco da beterraba (nitrato) e bicarbonato de sódio. Um dos suplementos alimentares mais conhecidos e discutidos atualmente é o whey protein. Muitos não sabem, mas ele nada mais é do que um suplemento de proteína derivado do soro do leite e aminoácidos. É tradicionalmente utilizado por quem pratica esporte, mas de uns tempos para cá passou a ser adotado por quem busca uma melhor forma física e mais qualidade de vida. O whey protein pode ser útil para a maioria das pessoas. Como pessoas a partir dos 30 anos, por exemplo. Nessa fase, iniciamos uma perda muscular progressiva de 3% a 8% a cada década. Estudos indicam que uma maior ingestão de aminoácidos reduz essa perda de massa magra progressiva.

Durante muitos anos, os suplementos, inclusive o whey, foram vistos erroneamente como uma ”bomba”, usada apenas para ganho de massa muscular. Pouca gente conhecia os verdadeiros e vastos benefícios dessa substância. Falava-se frequentemente a respeito dos problemas que ele poderia causar, como sobrecarregar o funcionamento do rins ou do fígado.

Na verdade, homens e mulheres, quando iniciam uma atividade física, não raro procuram o caminho mais curto, buscando a melhor roupa de treino, o melhor suplemento, melhor ‘tudo’. Esquecem, porém, que treinabilidade e condicionamento levam tempo. O uso dessas substâncias às vezes tem indicação, mas não no início da atividade física, e sim depois que as pessoas já estiverem treinadas e condicionadas. Aí, sim, o emprego dessas substâncias pode trazer um benefício. E, claro, elas devem ser consumias com critério e supervisão de um profissional da saúde, como médico ou nutricionista.

No entanto, mesmo condicionados e treinados, fazendo uso de suplementos, alguns atletas em diferentes modalidades esportivas pretendem utilizar substâncias anabolizantes, entendendo que isso poderia proporcionar uma melhora da performance. Além de ser tido como conduta antiesportiva, o consumo de drogas ou qualquer outro tipo de substância que melhore de forma artificial o rendimento de um atleta durante uma competição e que traga efeitos prejudiciais é considerado doping.

Aquele atleta que utiliza doping leva certa vantagem (desleal) em relação aos que não o fazem, por isso o procedimento é considerado antiético e é proibido pelo esporte.

Ademais, o uso de anabolizantes para fins estéticos ou de ganho de performance é totalmente contraindicado.

Outro ponto negativo para a saúde daquele que faz uso de anabolizantes são os efeitos colaterais para o coração, o fígado e o cérebro. Aumento da pressão arterial, piora do colesterol, risco de embolias e infarto, câncer de fígado, hepatite, ginecomastia (aumento das mamas), acne e calvície são algumas das complicações mais frequentes em decorrência do uso indevido dessas substâncias, haja vista que o uso médico dessas drogas é feito de forma controlada.

Nas mulheres, além dos efeitos colaterais citados acima, encontramos o aumento do clitóris, rouquidão, infertilidade, problema nas mamas. Sem contar ainda as alterações da mente, tanto em homens como em mulheres, como agressividade, irritabilidade, ansiedade, dependência, risco de suicídio e transtorno dismórfico corporal (vigorexia), além do evento morte. Afora os malefícios para a saúde física e mental no caso dos atletas há a punição pelo órgão esportivo competente, podendo inclusive ser punido o atleta que utilize substâncias impróprias e/ou o profissional que prescreva seu uso.

 

EDUARDO RAUEN – é médico nutrólogo e do esporte do Hospital Albert Einstein e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e diretor técnico do Instituto Rauen, Medicina, Saúde e Bem-Estar