ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 9-12

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 9 – Observe:

1. É pela Palavra e pela oração que a nossa comunhão com Deus é mantida. Deus fala conosco por intermédio da sua lei, e espera que nós o ouçamos e prestemos atenção a Ele; nós falamos com Ele por intermédio da oração, e esperamos que ela obtenha uma resposta de paz. Quão reverentes e sérios devemos ser, sempre que estivermos ouvindo o Senhor da glória, ou falando com Ele.

2. Se não considerarmos a Palavra de Deus, as nossas orações não somente não serão aceitas por Ele, como serão uma abominação para Ele, não somente os nossos sacrifícios, que eram indicações cerimoniais, mas até mesmo as nossas orações. que são deveres morais e que, quando são oferecidas pelos justos, são o seu deleite. Veja Isaías 1.11,15. O pecador cujas orações desagradam a Deus é aquele que, voluntariamente e obstinadamente, se recusa a obedecer aos mandamentos de Deus, que não somente não deseja ouvi-los, mas faz com que seu ouvido decline da lei, e se recusa a ouvir quando Deus o chama; por isto. Deus. com razão, se recusará a ouvir; quando ele chamar. Veja Provérbios 1.24,28.

 

V, 10 – Aqui, temos:

1. O destino dos sedutores, que tentam atrair as pessoas de bem, ou as que professam ser boas, ao pecado e à maldade, que se orgulham em fazer com que os justos se desviem para um caminho mau, atraindo-os a uma cilada, para que possam insultá-los. Eles não conseguirão o seu objetivo; é impossível enganar os eleitos. Mas eles mesmos cairão na sua própria cova; e não sendo somente pecadores, mas tentadores, não somente injustos, mas inimigos dos justos, a sua condenação será muito maior (Mateus 23.14,15).

2. A felicidade dos sinceros. Não somente serão preservados do mau caminho ao qual os ímpios desejam atraí-los, como terão boas coisas, as melhores coisas, as graças e as consolações do Espírito de Deus, além de todas as outras bênçãos que receberão.

 

V. 11 – Observe:

1. Os que são ricos são propensos a se julgar sábios, porque, qualquer coisa que desconheçam, sabem como obter e guardar; e os que são orgulhosos das suas posses esperam que tudo o que dizem seja considerado como um oráculo e uma lei, e que ninguém ouse contradizê-los, mas todos devem se curvar a eles; este estado de espírito é alimentado por aduladores, que, por serem alimentados à sua mesa (como os profetas de Jezabel), aclamam a sua sabedoria.

2. Os que são pobres muitas vezes se mostram mais sábios do que os ricos; um pobre, que se esforçou para obter sabedoria, não tendo outra maneira (como tem o homem rico) de obter uma reputação, o examina, e mostra que ele não é o estudioso nem o político que o julgam ser. Veja de que maneiras tão variadas Deus distribui os seus dons; a alguns Ele dá riqueza, a outros, sabedoria, e é fácil dizer qual é o melhor dom, qual devemos cobiçar com maior fervor.

 

V. 12 – Observe:

1. A consolação do povo de Deus é a honra da nação em que eles vivem. Há uma grande glória na terra quando os justos se alegram, quando têm sua liberdade, o livre exercício da sua religião, e não são perseguidos, quando o governo os incentiva e lhes fala de maneira consoladora, quando prosperam e enriquecem, e, muito mais, quando são promovidos e empregados e têm poder colocado em suas mãos.

2. A prosperidade dos ímpios ofusca a beleza de uma nação: quando os ímpios sobem, e progridem, combatem tudo o que é sagrado, e então os homens se escondem, os homens de bem são lançados à obscuridade, e precisam se esconder para a sua própria segurança; as corrupções são tão predominantes que, como nos tempos de Elias, parece não sobrar nenhum homem bom, tantos são os homens ímpios.

Anúncios

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 5-8

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Observe:

I – Da mesma maneira como a predominância dos desejos dos homens se deve às trevas do seu entendimento, também as trevas do seu entendimento se devem, em grande parte, ao domínio de seus desejos: os homens não entendem o juízo, não discernem entre a verdade e a falsidade, entre o certo e o errado; eles não entendem a lei de Deus como aquilo que deve governar o seu dever ou o seu destino; e:

1. Por isto, são homens maus; a sua iniquidade é o resultado da sua ignorância e do seu erro (Efésios 4.18).

2. Por isto, não entendem o juízo, porque são homens maus; as suas corrupções cegam os seus olhos, e os enchem de preconceitos, e, como fazem o mal, odeiam a luz. É justo que Deus os entregue a fortes ilusões.

 

II – Da mesma maneira como o fato dos homens buscarem ao Senhor é um bom sinal de que entendem tudo, também é um bom meio para que entendam mais, todas as coisas necessárias para eles. Os que colocam a glória de Deus diante de si, como seu objetivo, a sua benevolência como sua felicidade, e a sua Palavra como sua lei, e recorrem a Ele, em todas as ocasiões, por meio da oração, estes buscam o Senhor, e Ele lhes dará o espirito de sabedoria. Se um homem fizer a sua vontade, conhecerá a sua doutrina (João 7.17). Um bom entendimento eles têm, e um entendimento melhor terão, os que obedecem aos mandamentos do Senhor (Salmos 111.10; 1 Co 2.12,15).

 

V. 6 – Aqui:

1. Supõe-se que um homem possa andar na sua sinceridade e ainda assim ser pobre neste mundo, o que é uma tentação para a desonestidade, e ainda assim possa resistir à tentação e continuar a andar na sua sinceridade – e também que um homem possa ser perverso, em seus caminhos, ofensivo a Deus e ao homem, e ser rico, e prosperar no mundo durante algum tempo, e estar sob grandes obrigações e ter grandes oportunidades para fazer o bem, mas ser perverso em seus caminhos e fazer uma grande quantidade de mal.

2. Considera-se um paradoxo para um mundo cego que um homem pobre, honesto e piedoso seja melhor do que um homem rico, ímpio e profano, que tenha melhor caráter, esteja em melhor condição, tenha mais consolação em si mesmo, seja uma maior bênção para o mundo, e seja muito mais merecedor de honra e respeito. Não somente é certo que o seu caso será melhor na morte, mas é melhor na vida.

Quando Aristides foi censurado por um homem rico pela sua pobreza, respondeu: as tuas riquezas te fazem mais mal do que a minha pobreza, a mim.

 

V. 7 – Observe:

1. A religião é a verdadeira sabedoria, e torna os homens sábios. Aquele que guarda a lei conscienciosamente é sábio, e será particular mente um filho sábio, isto é, agirá com prudência com seus pais. pois a lei de Deus o ensina a fazer isto.

2. As más companhias são um grande obstáculo à religião. Os que são companheiros de homens desordenados. que os escolhem como seus companheiros e se alegram com o seu convívio, certamente serão impedidos de guardar a lei de Deus, e levados a transgredi-la (Salmos 119.115).

3. A iniquidade não somente é uma vergonha para o próprio pecador, mas para todos os que se relacionam com ele. Aquele que tem companheiros devassos. e gasta o seu tempo e dinheiro com eles, não somente entristece seus pais, mas os envergonha; será uma vergonha para eles, como se eles não tivessem cumprido a sua obrigação com ele. Eles se envergonham com o fato de que um filho seu escandalize e maltrate os seus vizinhos.

 

V. 8 – Observe:

1. Aquilo que é obtido ilicitamente, ainda que possa crescer, não durará muito tempo. Um homem pode, talvez, aumentar a sua fazenda com usura e onzena, fraude e opressão aos pobres, e tudo isto em pouco tempo, mas isto não continuará: ele ajunta para si mesmo, mas verá que reuniu para outra pessoa pela qual não sente bondade. A sua propriedade decairá, e a de outro homem surgirá, das ruínas da sua.

2. Às vezes, Deus, na sua providência, ordena que aquilo que alguém obteve injustamente, seja utilizado por outra pessoa de uma forma caridosa; estranhamente, os bens vão parar nas mãos de alguém que terá piedade dos pobres. e fará o bem com eles, transformando em bênçãos a maldição que foi trazida por aquele que conseguiu os bens por meio de fraude e violência. A mesma Providência, então. que pune os cruéis, e os incapacita a fazer mais males, recompensa os misericordiosos, e os capacita a fazer uma quantidade ainda maior de bem. Ao que tem dez minas daí a mina que o mau servo escondeu no lenço, pois a qualquer que tiver, e usar bem, ser-lhe-á dado (Lucas 19.24). Assim os pobres são recompensados, a caridade é encorajada, e Deus é glorificado.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 1-4

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

 V. 1 – Veja aqui:

1. Os espantos contínuos a que estão sujeitos os que andam em caminhos ímpios. A culpa na consciência torna os homens um terror para si mesmos. de modo que estão prontos a fugir quando ninguém os persegue; como aquele que se esconde por causa de dívidas, que pensa que todos os que encontra são oficiais de justiça ou cobradores. Ainda que finjam estar em tranquilidade, há temores secretos que os assombram, onde quer que estejam, de modo que temem quando não existe nenhum perigo presente ou iminente (Salmos 53.5). Os que fizeram de Deus seu inimigo, e sabem disto, não podem deixar de sentir que toda a criação está em guerra contra eles, e por isto não têm o verdadeiro prazer, não têm confiança, nem coragem, mas somente uma espera temerosa pelo juízo. O pecado torna os homens covardes.

Se fogem quando ninguém os persegue, o que farão, quando virem o próprio Deus perseguindo-os com seus exércitos? (Jó 20.24; 15.24). Veja Deuteronômio 28.25; Levítico 26.36.

2. A santa segurança e paz de espírito de que desfrutam aqueles que se empenham em se conservar sem transgressões e no amor de Deus: O “justo está confiado como o filho do leão”; nos maiores perigos, eles têm um Deus Todo-Poderoso, em quem confiar. Portanto, “não temeremos ainda que a terra se transtorne” (Salmos 46.2. na versão RA). Quaisquer que sejam as dificuldades que encontrarem no caminho do seu dever, eles não se assustam com elas. Nada destas coisas me incomoda.

 

V. 2 – Observe:

1. Os pecados nacionais trazem desordens nacionais e a perturbação da paz pública: Por causa da transgressão da terra, e do abandono geral de Deus e da religião, em busca da idolatria, profanação ou imoralidade, muitos são os seus príncipes; são muitos que, ao mesmo tempo, têm pretensões de soberania, e que disputam o poder, e assim o povo é dividido em grupos e facções que se mordem e se devoram, uns aos outros; talvez muitos, sucessivamente, em pouco tempo, eliminem-se uns aos outros, como lemos em 1 Reis 6.8 e versículos seguintes, ou logo sejam cortados pela mão de Deus, ou pela mão de um inimigo estrangeiro, como lemos em 2 Reis 24.5, e versículos seguintes. Da mesma maneira como o povo sofre pelos pecados do príncipe, O governo, também, às vezes sofre pelos pecados do povo.

2. A sabedoria impedirá ou desviará estas dificuldades: por um homem, isto é, por um povo, de entendimento, que caia em si outra vez e ao seu juízo perfeito, as coisas são mantidas em boa ordem, ou, se perturbadas, voltam ao antigo caminho outra vez. Ou, por um príncipe de entendimento e conhecimento, um conselheiro ou ministro de estado, que restrinja ou suprima a transgressão da terra, e adote as medidas corretas para curar o estado dela, a sua boa condição será prolongada. Não podemos imaginar o bom e grande serviço que um homem sábio pode prestar a uma nação, em uma situação crítica.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. Quão insensíveis são alguns pobres frequentemente, uns com os outros, não somente não fazendo as boas coisas que poderiam fazer, uns aos outros, mas oprimindo e sobrepujando, uns aos outros. Os que conhecem, por experiência, as desgraças da pobreza deveriam ter misericórdia dos que sofrem dificuldades semelhantes, mas são imperdoavelmente bárbaros se forem cruéis com eles.

2. Quão imperiosos e opressores são os que, sendo pobres e necessitados, chegam ao poder. Se um príncipe promove um pobre, e este se esquece de que já foi pobre, ninguém oprimirá tanto os pobres como ele, nem os tratará com tanta crueldade. A sanguessuga faminta e a esponja seca sugam muito. Coloque um mendigo sobre um cavalo, e ele cavalgará sem misericórdia. Ele é como uma chuva impetuosa, que varre o trigo do chão, e golpeia e destrói tudo o que cresceu, de modo que não sobra nenhum alimento. Os príncipes, portanto, não devem colocar em posições de confiança os que são pobres, e endividados, nem ninguém que possa fazer de sua principal ocupação o enriquecimento de si mesmos.

 

V. 4 – Observe:

1. Os que louvam os ímpios mostram que deixaram a lei, e são contrários a ela, pois ela amaldiçoa e condena os ímpios. Os ímpios falarão bem, uns dos outros, e fortalecerão as suas mãos em seus caminhos ímpios, esperando, com isto, silenciar os clamores de suas próprias consciências e servir aos interesses do reino do diabo; e a maneira mais eficaz de fazer isto é conservando uma reputação falsa.

2. Os que realmente guardam a lei de Deus irão, em seus lugares, combater vigorosamente o pecado, e dar o seu testemunho contra ele, e fazer tudo o que puderem, para reprová-lo e suprimi-lo. Eles reprovarão as obras das trevas, e silenciarão as desculpas que são apresentadas para essas obras, e farão tudo o que puderem para trazer os transgressores à punição, para que os outros possam ouvir e temer.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 12-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 12 – Nós já vimos isto antes (Provérbios 22.3). Observe:

1. O mal pode ser previsto. Onde há tentação, é fácil prever que se nos atirarmos a ela, haverá pecado, e é igualmente fácil prever que se nos aventurarmos no mal do pecado, teremos o mal da punição; e, de modo geral, Deus adverte antes de ferir, tendo colocado vigias sobre nós (Jeremias 6.17).

2. Isto será bem ou mau para nós, conforme aproveitemos ou não a previsão que temos do mal à nossa frente: o homem prudente, prevendo o mal, age de maneira apropriada, se previne e se esconde, mas o simples, ou porque é tão tolo que não o prevê, ou porque é tão obstinado e preguiçoso que não toma cuidado para evitá-lo, e assim passa, considerando-se em segurança, é punido. Nós fazemos o bem a nós mesmos quando nos prevenimos para o futuro.

 

V. 13 – Isto também já foi visto antes (Provérbios 20.16).

1. Isto mostra quem são os que se apressam rumo à pobreza, os que são tão pouco precavidos, a ponto de serem fiadores de todos os que lhes pedirem, e os que são dados a mulheres (conforme a versão RA). Estes tomarão tanto dinheiro quanto seu crédito lhes permitir, mas certamente, no final, enganarão os seus credores, ou melhor, já os es­ tão enganando o tempo todo. Um homem honesto pode vir a ser um mendigo; mas aquele que finge que é um mendigo não é honesto.

2. Este versículo nos aconselha a sermos tão criteriosos na administração de nossos assuntos, a ponto de não emprestar dinheiro aos que estão abertamente esbanjando seus bens, a menos que nos ofereçam boas garantias. Emprestar dinheiro tolamente é injustiça para com as nossas famílias. Salomão não diz: “Consegue outro que seja o fiador”, pois aquele que precisar de um fiador terá, como garantia, aqueles que são tão insolventes quanto ele mesmo; por esta razão, a sua roupa é tomada.

 

V. 14 – Observe:

1. É uma grande tolice ser extravagante no louvor, até mesmo dos melhores dos nossos amigos e benfeitores. É nosso dever dar a cada um o louvor que lhe é devido, aplaudir os que se sobressaem em conhecimento, virtude e utilidade, e reconhecer as gentilezas que recebemos, com gratidão; mas fazer isto em voz alta, madrugando pela manhã, e estar sempre tocando neste tema, em todos os grupos, e até mesmo diante do nosso amigo, ou de modo que ele não poderá deixar de ouvi­ lo, fazer isto de modo planejado, como fazemos aquilo para o que nos levantamos cedo, enaltecer os mérito s do nosso amigo além das medidas e com hipérboles, é grosseiro, e enjoativo, e tem aparência de hipocrisia e intenções duvidosas. Louvar os homens pelo que fizeram é uma atitude que indica que se deseja obter mais deles: e todos concluem que o parasita espera receber uma generosa recompensa por seu panegírico ou epístola de recomendação. Não devemos dar ao nosso amigo o louvor que é devido som ente a Deus, como alguns pensam que é sugerido, no levantar-se de madrugada para fazer isto, pois pela manhã Deus é que deve ser louvado. Não devemos ter excessiva pressa em louvar os homens (esta é a interpretação de alguns), nem aclamá-los cedo demais por suas habilidades e realizações, mas deixar que eles sejam postos à prova antes; isto, para que eles não se encham de soberba, e se ponham a dormir. na ociosidade.

2. É uma tolice ainda maior apreciar quando somos extra­ vagantemente louvados. Um homem sábio, na verdade, considera isto uma maldição, não somente com a intenção de lhe tomar dinheiro, mas que realmente pode ser um prejuízo para ele. Os louvores modestos (como observa um grande homem) convidam os que estão presentes a acrescentar os seus elogios, mas os louvores desmedidos os tentam a menosprezar, em lugar de louvar; e a criticar aquele que é alvo dos louvores. Além disto, o louvor excessivo torna o homem um objeto de inveja: cada homem investe em busca de uma parcela de reputação, e por isto se considera prejudicado se outra pessoa tiver toda a reputação, ou se algo lhe for dado, maior do que a parcela que lhe cabe. E o maior de todos os perigos é o fato de que existe uma tentação à soberba; os homens são pro­ pensos a se julgar acima do que é adequado, quando os outros falam sobre eles mais do que é adequado. Veja o cuidado que tinha o abençoado apóstolo Paulo, em não ser valorizado excessivamente (2 Coríntios 12.6).

 

V. 15 e 16 – Aqui, corno anteriormente, Salomão lamenta o caso daquele que tem urna esposa rixosa, que está continua­ mente reclamando, e que atormenta, a ele mesmo, e a todos à sua volta.

1. É uma reclamação contínua, à qual não há maneira de escapar, pois é como um gotejar contínuo em um dia chuvoso. A contenda de um próximo pode ser semelhante a uma forte chuva, angustiante no momento, mas, enquanto ela dura, podemos nos abrigar, mas a contenda de uma esposa é como um temporal constante, para o qual não há remédio, senão a paciência. Veja Provérbios 19.13.

2. É uma reclamação da qual não há corno se esconder. Um homem sábio se esconderia, se pudesse, por sua própria causa e também pela reputação de sua esposa; porém ele não pode fazê-lo, assim como não consegue esconder o ruído do vento quando sopra, nem o aroma de um perfume forte. Os que são rebeldes e briguentos proclamarão a sua própria vergonha, mesmo quando seus amigos, por bondade para com eles, a encobrirem.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 20 – 22

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 20 – Duas coisas são mencionadas como insaciáveis, e são duas coisas semelhantes – a morte e o pecado.

1. A morte é insaciável. A primeira morte, e a segunda morte, ambas. A sepultura não está saturada com a multidão de cadáveres que diariamente são atirados a ela, mas continua sendo um sepulcro aberto, e clama, Dá, dá. O inferno também foi dilatado, e ainda tem lugar para os espíritos condenados que são enviados a esta prisão. O inferno é profundo e amplo (Isaias 30.33).

2. O pecado é insaciável. Os olhos dos homens nunca estão satisfeitos, nem os apetites da mente carnal, com relação ao lucro ou prazer. O olho não se satisfaz em ver, nem aquele que ama a prata se satisfaz com a prata. O homem trabalha por aquilo que sacia, mas não satisfaz; na verdade, é insatisfatório; esta perpétua insatisfação faz com que os homens sejam, com razão, condenados, desde que os nossos primeiros pais não se satisfizeram com todas as árvores do Éden, mas precisaram se envolver com a árvore proibida. Aqueles cujos olhos estão sempre voltados para o Senhor estão satisfeitos nele, e para sempre estarão.

 

V21 – Aqui temos um critério pelo qual podemos nos colocar à prova. O ouro e a prata são provados, colocando-os na fornalha e no crisol; já o homem é provado pelos louvores. Que ele seja elogiado e honrado, e logo mostrará o que realmente é.

1. Se um homem se tornar, pelo aplauso que lhe é dado, soberbo, convencido, arrogante e escarnecedor – se tomar para si mesmo a glória que deveria transmitir a Deus, como fez Herodes – se, quanto mais ele é louvado, mais descuidado é, em tudo o que fala e faz – se fica na cama até o meio-dia, porque o seu nome é exaltado – mostrará ser um homem tolo e fútil, e um homem que, ainda que seja louvado, não tem nada em si mesmo que seja digno de elogios.

2. Se, ao contrário, um homem se tornar, pelo seu louvor, mais agradecido a Deus, mais respeitoso com seus amigos, mais vigilante contra tudo o que poderá manchar a sua reputação, mais diligente em se aprimorar e fazer o bem aos outros, para que possa atender às expectativas de seus amigos, com isto mostrará ser um homem sábio e bom. Tem um bom temperamento aquele que sabe como passar por más avaliações e boas avaliações, e ainda permanece o mesmo (2 Coríntios 6.8).

 

V. 22 – Salomão tinha dito: ”A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele” (Provérbios 22.15). Então a mente deverá ser moldada, enquanto os hábitos maldosos ainda não criaram raízes; mas aqui Salomão nos mostra que, se isto não for feito, então, na devida ocasião, a seguir será quase impossível fazê-lo. Se a doença estiver arraigada, há o perigo de que seja incurável. “Pode o etíope mudar a sua pele?” Observe:

1. Alguns são tão perversos que necessitam do uso de métodos cruéis e severos, depois que métodos gentis foram tentados em vão; eles devem ser pisados. Deus adotará este método com eles, por seus juízos; os magistrados devem adotar este caminho com eles, pelo rigor da lei. A força deve ser usada com aqueles que não desejam ser governados pela razão, pelo amor, e pelos seus próprios interesses.

2. Alguns são tão incorrigivelmente perversos que nem mesmo os métodos cruéis e severos alcançam o seu objetivo; a sua tolice não se afasta deles, tão completamente seus corações estão dedicados a fazer o mal; eles se encontram frequentemente sob a vara, e ainda assim não se humilham, na fornalha, e não se purificam, mas, como Acaz, transgridem ainda mais (2 Crônicas 28.22); e o que lhes resta, se não ser rejeitados como prata rejeitada?

 

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 17 – 19

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 17 – Isto indica tanto o prazer corno os benefícios da convivência. Um homem sozinho não é ninguém; e a leitura de um livro em urna esquina não capacita o homem como a leitura e o estudo intensivo. As palavras sábias e proveitosas estimulam o intelecto dos homens; e os que têm muito conhecimento perceberão que algo lhes foi acrescentado. As palavras aguçam a aparência dos homens, e, alegrando seus espíritos, adicionam urna prontidão e vivacidade à sua aparência, dando a um homem uma aparência que mostra que ele está satisfeito consigo mesmo e o torna agradável aos que estão à sua volta. As graças dos homens bons são aguçadas pela conversa com os que são bons, e os maus desejos e paixões dos homens são aguçadas pelo convívio com os que são maus, assim como “o ferro com o ferro se aguça”. Os homens (que são difíceis, tediosos e inativos) são suavizados, e se tornam brilhantes e aptos para os negócios através de uma boa convivência. Isto:

1. Pretende nos lembrar do modo como podemos aguçar a nós mesmos, mas com uma advertência, para que tomemos cuidado com um detalhe importante: com quem decidimos conviver, sim, porque a influência sobre nós é muito grande, para melhor ou para pior.

2. Pretende nos orientar sobre qual deve ser o nosso objetivo na nossa convivência, especificamente, aprimorar a nós mesmos e aos outros, não desperdiçar o tempo nem zombar, uns dos outros, mas incentivar uns aos outros a amar e fazer boas obras, desta maneira tornando-nos, uns aos outros, mais sábios e melhores.

 

V18 – Isto pretende encorajar a diligência, a fidelidade e a constância, mesmo em atividades inferiores. Embora a chamada seja cansativa e desprezível, os que a seguirem descobrirão que conseguirão algo com ela.

1. Que um pobre jardineiro, que guarda a figueira, não seja desencorajado; ainda que seja necessário constante cuidado para cuidar das figueiras, e. depois que atingirem a maturidade, conservá-las em boa ordem e colher os frutos na época correta, ele será recompensado pelo seu esforço: “Comerá do seu fruto” (1 Coríntios 9.7).

2. Ou melhor, que um pobre servo não se julgue incapaz de prosperar e ser promovido; pois se for diligente no serviço do seu senhor, submisso e obediente a ele, se guardar o seu senhor (este é o significado da palavra), se fizer tudo o que puder para a proteção e reputação do seu senhor, e cuidar para que os seus bens não sejam desperdiçados ou danificados, não somente obterá elogios, mas será promovido e recompensado. Deus é um Mestre que se dedica a honrar os que o ser vem com lealdade (João 12.26).

 

V. 19 – Isto nos mostra que existe uma maneira:

1. De conhecermos a nós mesmos. Assim como a água funciona como um espelho, em que podemos ver o reflexo de nossos rostos, também há um espelho pelo qual o coração de um homem é revelado a um homem, isto é, a si mesmo. Que um homem examine a sua própria consciência, os seus pensamentos, sentimentos e intenções. Que ele contemple o seu rosto natural no espelho da lei divina (Tiago 1.23), e poderá discernir que tipo de homem ele é, e qual é o seu verdadeiro caráter, o que será muito útil que cada homem conheça.

2. De conhecermos, uns aos outros, por nós mesmos; pois, da mesma maneira como existe uma semelhança entre o rosto de um homem e o seu reflexo na água, também existe esta semelhança entre o coração de um homem e o de outro, pois Deus criou os corações dos homens da mesma maneira; e, em muitos casos, podemos julgar os outros com base em nós mesmos, o que é uma das bases sobre as quais é edificada a regra de fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós (Êxodo 23.9). Nada é tão semelhante entre si como dois homens. Em outras palavras, nenhuma pessoa tem em si uma semelhança maior consigo mesma, do que com cada pessoa que está ao seu redor.

3. Um coração corrupto é como outro coração corrupto; e assim, também, um coração santificado é como outro coração santificado; pois o primeiro traz a imagem do terreno, e o segundo a imagem do celestial.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 7-11

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 7 – Aqui Salomão, como faz frequentemente neste livro, mostra que os pobres têm, em alguns aspectos, mais vantagens que os ricos; pois:

1. Eles saboreiam melhor os seus prazeres do que os ricos. A fome é o melhor tempero. A comida simples, com um bom apetite, tem um prazer perceptível, que não conhecem os que estão sobrecarregados com os excessos. Os que comem suntuosamente todos os dias se enjoam até mesmo de comidas delicadas, como aconteceu com os israelitas, e as codornizes; ao passo que aqueles que não têm mais do que o seu alimento necessário, ainda que seja aquilo que a alma satisfeita chamaria de amargo, para eles é doce; eles o comem com prazer, e o digerem, e são revigorados por ele.

2. Eles são mais agradecidos por seus prazeres: Os famintos bendirão a Deus pelo pão e pela água, ao passo que os que estão plenamente satisfeitos pensam que as maiores delícias e variedades dificilmente merecem agradecimentos. Maria parece se referir a isto, quando diz (Lucas 1.53). “O Senhor encheu de bens os famintos”, que sabem como valorizar as bênçãos do Senhor, “mas despediu vazios os ricos”, que desprezam as suas bênçãos.

 

V. 8 – Observe:

1. Há muitos que não sabem quando são prósperos, mas ficam inquietos com a sua condição, e são dados a mudanças. Deus, na sua providência, lhes indicou um lugar, adequado para eles, e o tornou confortável para eles, mas eles exibem inquietude; eles amam vagar; eles se alegram com um pretexto para sair de seu lugar, e não gostam de ficar por muito tempo em um lugar, e assim se ausentam, desnecessariamente, do seu próprio trabalho, e se intrometem com o que não lhes diz respeito.

2. Os que abandonam o posto que lhes foi designado são como uma ave que abandona o seu ninho. É um exemplo da sua tolice; são como uma ave tola; estão sempre vagando, como a ave peregrina, que salta de um arbusto a outro, e não descansa em nenhum lugar. Isto é perigoso; a ave que vaga está exposta; o lugar de um homem é o seu castelo; aquele que o abandona se torna uma presa fácil do passarinheiro. Quando a ave deixa o seu ninho, seus ovos e filhotes são negligenciados. Os que amam sair não fazem o seu trabalho em casa. Que cada homem, portanto, permaneça na vocação em que foi chamado, permanecendo, assim, com Deus.

 

V9 e 10 – Aqui temos:

1. Uma recomendação feita, para que sejamos fiéis e constantes aos nossos amigos, nossos antigos amigos, que conservemos a intimidade com eles, e que estejamos sempre dispostos a lhes fazer tudo o que estiver em nosso poder. É bom ter um amigo, um amigo do peito, com quem podemos ter liberdade e com quem podemos trocar conselhos. Não é necessário que este amigo seja um parente, embora seja melhor quando, entre os nossos parentes, encontramos algum de quem podemos fazer um amigo. Pedro e André eram irmãos, bem como Tiago e João; mas Salomão frequentemente faz distinções entre um amigo e um irmão. Porém é aconselhável escolher um amigo entre os nossos vizinhos, que vivem perto de nós, para que a familiaridade possa ser mantida, e as gentilezas mais frequentemente trocadas. É bom, também, ter um respeito especial com os que são amigos da nossa família: “Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai”; não deixes de servi-lo e de ser servido por ele, quando houver oportunidade. Ele é um amigo já posto à prova, conhece os teus assuntos; tem um interesse particular por você; por isto, recebe os conselhos dele. É um dever que temos com os nossos pais, depois que se forem, de amar os seus amigos, e receber os conselhos deles. Um dos filhos de Salomão se destruiu, abandonando o conselho dos amigos de seu pai.

2. Uma boa razão oferecida para valorizarmos a verdadeira amizade e fazermos questão dela.

(1) Por causa do prazer que há nela. Há uma grande doçura no convívio e na consulta com um amigo cordial. É como o óleo e o perfume, que são muito agradáveis ao olfato, e alegram o espírito. Alegram o coração; o peso da preocupação fica mais leve quando a compartilhamos com nosso amigo, e é uma grande satisfação ouvir os seus sentimentos a respeito dos nossos assuntos. A doçura da amizade não está na alegria sincera, nem no riso sincero, mas no conselho sincero, no conselho leal, dado sinceramente e sem adulação, pelo conselho da alma (este é o significado da palavra), o conselho que é apropriado para o caso e que chega ao coração, o conselho sobre os interesses da alma (Salmos 66.16). Nós devemos reconhecer que a conversa mais agradável é aquela sobre coisas espirituais, que promove a prosperidade da alma.

(2) Por causa dos seus benefícios e vantagens, especialmente em dias de adversidade. Aqui somos aconselhados a não entrar na casa de um ir­ mão, nem esperar alívio ou auxílio de um parente, meramente pelo parentesco, fiados naquilo que normalmente vai pouco além da obrigação de primos, e que fracassa quando acontece a prova de uma bondade ou generosidade verdadeira; mas, em vez disto, devemos nos dirigir ao nosso próximo, sim, aos nossos amigos que estejam perto de nós e que estejam dispostos a nos ajudar nessa necessidade. É sensato ser prestativo a eles, por serem amistosos, e teremos este benefício em uma situação de aflição, descobrindo que também serão prestativos para conosco (Provérbios 18.24).

 

V. 11 – Aqui, os filhos são exortados a serem sábios e bons.

1. Para que possam ser uma consolação para seus pais, e alegrar seus corações, mesmo quando vierem os dias maus, recompensando-os, assim, pelos seus cuidados (Provérbios 23.15).

2. Para que possam ser um louvor para eles: que eu possa responder àquele que me censura por ter sido rígido e severo na criação de meus filhos, e de ter adotado com eles um método considerado errado, restringindo-os da liberdade que outros jovens têm. Sê sábio, filho meu, e então ficará evidente, na verdade, que eu segui o caminho mais sensato no trabalho com os meus filhos. Aqueles que foram abençoados com uma educação religiosa devem, em tudo, se comportar de modo a serem um louvor para a sua educação, e também silenciar os que dizem, “Um jovem santo, um velho demônio”; eles devem comprovar, em sua vida, um ditado contrário: “Um jovem santo, um velho anjo”.