PSICOLOGIA ANALÍTICA

A Angustia da decisão

DUVIDA: A ANGÚSTIA DA DECISÃO

 Antecipar as consequências de uma escolha ruim ajuda a evitar frustrações; o córtex orbito­ frontal tem papel importante nessa tarefa.

Imagine que você tenha de escolher entre dois empregos que igualmente lhe agradam. Ambos oferecem bom salário, mas um exige poucos deslocamentos, enquanto o outro impõe viagens frequentes. Você opta pelo primeiro e apesar de gostar do trabalho, descobre um dia que a pessoa admitida para a outra vaga ganha agora bem mais que você. Decepcionado com sua opção, você se sente responsável por essa escolha, e se arrepende.

Numa outra situação você tem de escolher se viaja para a praia ou para o campo. Você fecha os olhos e imagina o vento do mar no rosto. Então pensa: “Será que, se for para a praia, vou ficar pensando no charme de um chalé com lareira e no clima ameno da montanha?”. Conclui que sim e escolhe viajar para o campo. Você não se arrepende.

Neste caso, foi possível antecipar o arrependimento que a outra escolha causaria. A manobra mental ajuda na decisão. Todos nós procedemos assim, de modo que os arrependimentos ” fictícios”, aqueles que imaginamos como consequência eventual de nossas escolhas, estão na essência de muitas decisões.

Todos os dias nos confrontamos com escolhas. Às vezes essas decisões são difíceis, pois é preciso apostar na qualidade daquilo que vamos escolher e na satisfação que nos trará.

OPÇÕES RACIONAIS?

Segundo as teorias clássicas da economia, os profissionais da decisão (corretores da bolsa de valores, por exemplo aprimoraram suas estratégias de escolha, fundando-se sobreo “valor esperado”, isto é, a probabilidade de obter certo resultado multiplicado por esse resultado. Um jogador de cassino calcula a probabilidade de ganhar R$ 100 no vermelho e R$500 no verde. Se a chance de ganhar R$ 100 é de uma em dez e a de conseguir R$500 é de uma em cem. o “valor esperado” é de 10 no primeiro caso e de 5 no segundo. Se for racional, ele preferirá apostar no vermelho

Entretanto, sabe-se que as decisões humanas, na prática, são influenciadas por diversas considerações pouco racionais. Muita gente prefere uma soma menor (digamos R$450) com probabilidade de ganho de 100% (tem-se a certeza de ganhar a quantia) a um valor superior associado a uma probabilidade menor (RS l mil, com chance de50%), ainda que neste caso o lucro possível seja maior. Por que somos tão racionais?

É possível examinar esse mecanismo, voltando-nos para algumas pessoas que, por conta de uma lesão cerebral no córtex orbito-frontal (na altura da testa, bem acima dos olhos), nunca se arrependem. Elas têm dificuldades consideráveis na vida cotidiana e, sem saber antecipar os arrependimentos a que estão sujeitos, são incapazes de tomar decisões que possam satisfazê-las. Em nosso estudo, propusemos a esses pacientes – e a voluntários sãos – um jogo cujo princípio é análogo ao da roleta.

Na competição, os jogadores são colocados diante de um monitor de computador onde aparecem, a intervalos regulares, duas roletas. Eles escolhem uma delas para jogar depois de pensar bem, já que as possibilidades de ganho não são as mesmas.  Pode-se escolher entre uma roleta que ofereça 50% de oportunidade de ganhar R$ 40,00 e 50% de perder R$ 10, por exemplo, e outra com 80% de chance de perder R$ 1º e 20% de ganhar R$ 40. Logicamente, os jogadores escolhem a primeira. Durante uma hora, diversos pares de roletas são apresentados, cada uma com apostas financeiras e probabilidades variáveis.

Na primeira parte do teste, os participantes desconhecem os resultados da roleta que não escolheram. Assim, é impossível haver arrependimento: no máximo, eles podem ficar satisfeitos ou decepcionados com o resultado da sua roleta, como a pessoa que escolheu o emprego sem viagens, e ignora o destino de quem aceitou o outro.

Observamos as reações dos participantes de dois modos. No primeiro, colocamos eletrodos em seus dedos e constatamos que quanto mais forte a emoção, maior a corrente elétrica registrada, pois as mãos ficavam umedecidas de suor. No outro, pedimos que descrevessem como se sentiam naquele momento anotando, numa escala de -50 a +50, se estavam bem ou mal. Todos tiveram reações similares. Se o ponteiro parava, por exemplo, num ponto da roleta que representasse perda de R$ 1O, quando poderia parar numa área que lhes faria ganhar R$ 40, todos eles se decepcionavam.

Além disso os dois grupos não sentiram nenhuma emoção particular ao ganhar R$ 10 numa situação em que poderiam ganhar R$ 40: a alegria de ganhar menos é temperada pela decepção de não ter ganhado mais. Do mesmo modo, eles expressaram pouca emoção ao perder R$ 1O numa situação em que poderiam ter perdido R$ 40: a decepção de perder R$10 é compensada pelo alívio de não ter perdido mais. Por outro lado, ficaram contentes em ganhar R$10 quando poderiam ter perdido mais, desta vez, eles realmente tiveram sorte. O fato de os participantes com ou sem lesão cerebral terem apresentado as mesmas reações mostra que a zona cerebral em questão não intervinha na capacidade de ficar contente ou descontente com o resultado de uma experiência.

ANTECIPAÇÕES PREJUDICADAS

Num segundo momento, os participantes tiveram de optar entre as duas roletas, mas, depois de feita a escolha, foram informados sobre o resultado da outra roleta. Com isso, tinham chance de se arrepender quando o resultado da segunda roleta se mostra melhor que o da escolhida. Eles estavam numa situação parecida à do trabalhador que fica sabendo dos ganhos do colega do emprego que recusou.

Neste caso, os participantes sãos mostraram se muito decepcionados ao perder R$ IO e ver que na outra roleta teriam ganho R$40. Eles haviam feito uma escolha e eram responsáveis pelas consequências, já que teriam ganhado mais se tivessem escolhido o outro equipamento. Ficaram igualmente desapontados ao ganhar R$ 1O e ver que poderiam ler conseguido quatro vezes mais. Quando desconheciam os resultados da segunda roleta, ficavam contentes de embolsar os R$ 1O. Mostraram-se, porém, mais satisfeitos de perder a quantia ao ver que na outra roleta teriam perdido R$40. Se ganhassem R$40, sabendo que na outra perderiam o mesmo valor, então estariam muito satisfeitos.

A diferença mais evidente verificou-se nos jogadores cujo córtex orbito-frontal é lesado, eles ficam decepcionados se perdem R$ 1O, mas essa decepção não é reforçada por saber que na outra roleta seria possível faturar R$40; ela é a mesma de quando não sabem o outro resultado. Do mesmo modo, se ganham R$ 10, ficam contentes. Mas a satisfação não aumenta se contamos a eles que na outra roleta teriam perdido R$ 40.

A ausência de arrependimento parece invejável, mas, de fato, tem um lado negativo. Pessoas capazes de se arrepender antecipam no presente os arrependimentos que terão se fizerem uma ou outra escolha, graças a seu córtex orbito-frontal, essa antecipação aprimora as escolhas, no fim do jogo, constatamos que os participantes normais ganharam em média R$ 60, enquanto aqueles com lesão no córtex orbito frontal terminaram devendo R$ 20. O córtex orbito-frontal, que nos permite antecipar o arrependimento no momento de tomar decisão,  traz uma vantagem substancial em termos de  ganho.

Assim, a capacidade de se projetar emocionalmente no futuro é um benefício para a decisão. A diferença entre a decepção e o arrependimento está no sentimento de culpa: pacientes com lesão cerebral se decepcionam quando a seta pàra num valor negativo, o que mostra que são capazes de antecipar um bom resultado e de sofrer uma emoção negativa se o objetivo não é alcançado. Todavia, a decepção não aumenta se a outra roleta tem um bom resultado, eles não imaginam que teriam sedado melhor se tivessem feito outra opção. A capacidade de pensar em termos, hipotéticos, engendra o sentimento de responsabilidade diante da situação presente.

UMA CONQUISTA DA EVOLUÇÃO

Do ponto de vista neurobiológico, o arrependimento pode ser definido como a emoção ligada à capacidade de representar a si mesmo situações hipotéticas. Sendo um sentimento desagradável associado à noção de responsabilidade, tirariam dele lições de nossas experiências e, assim, diminuiriam os riscos de decepções quando precisassem decidir algo. Essas experiências esclarecem muito sobre a maneira como tomamos decisões e mostram que cada um se projeta inconscientemente no futuro quando se confronta com escolhas. Eis a origem do arrependimento: em tempos pré-históricos, o cérebro humano teria desenvolvido essa capacidade, que lhe conferia uma condição superior na tomada de decisões. Tal superioridade é tão clara que numerosos estudos mostram que pessoas com lesão no lobo orbito-frontal encontram grande dificuldade para tomar decisões no meio social. Por exemplo, tendem a perder o emprego, são incapazes de manter relações pessoais estáveis com as pessoas próximas e fazem repetidamente investimentos financeiros desastrosos. Curiosamente, essa anomalia não resulta de falta de conhecimento ou de inteligência.

Segundo o neurologista António Damásio, ela seria consequência de um déficit emocional. Os pacientes seriam incapazes de produzir “marcadores somáticos, isto é, reações emocionais manifestadas quando antecipamos uma decisão, as quais nos previnem dos resultados prováveis da escolha que nos preparamos para fazer (por exemplo, o desconforto que sentimos diante da ideia de repreender severamente um amigo). Nossos estudos sugerem que o arrependimento constituiria um marcador somático controlado primeiramente pelo córtex orbito-frontal. Essa região teria se tornado muito importante por conduzir todas as situações de escolha, notadamente pela produção de “arrependimentos antecipados”. Assim, o arrependimento seria um efeito secundário” de nossa capacidade de tomar decisões. Inversamente, as pessoas incapazes de se arrepender tomam decisões que com frequência as colocam em dificuldade.

ANGELA SIRIGU – é diretora de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e responsável pela equipe de neuropsicologia do Instituto de Ciências Cognitivas de Lyon, onde NATHAUE CAMILLE é pós-doutoranda.

GIORGIO CORICE lll – é neuroeconomista da mesma equipe.

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GESTÃO E CARREIRA

Vendendo em tempos de crise

VENDENDO EM TEMPOS DE CRISE

 Os últimos anos não foram favoráveis para vendas na maioria dos setores do Brasil, já que, com a crise econômica, houve um grande aperto no orçamento das empresas e do governo. Neste cenário, a área comercial é uma das mais afetadas devido ao aumento da concorrência, diminuição das margens e escassez de novos negócios. Diante dessa constatação, o que podemos fazer para melhorar os resultados das vendas?

A negociação, tanto em vendas quanto em compras, passa a ser estratégica para as empresas manterem suas margens, sempre pressionadas em tempos de crise, e seus clientes, cada vez mais escassos e com orçamento limitado. Esta é a nova realidade das empresas: redução nas margens de lucro em um mercado acirrado. Dessa forma, garantir maiores índices de lucratividade exige negociação e, por isso, organizações passaram a buscar mais eficácia na gestão de seus negócios, fazendo uso principalmente das técnicas de negociação com fornecedores e clientes para tornarem-se mais competitivas.

Nas compras empresariais, o uso das técnicas, princípios e o correto cumprimento de todas as etapas do processo de negociação já é uma constante há algum tempo, desde que os executivos perceberam que cortar custos em compras é a melhor forma de melhorar a lucratividade da empresa. O caminho de menor esforço para melhorar o resultado das empresas é o ganho através das negociações em compras, pois, com a crescente competitividade nos pontos de venda, grandes aumentos são raros. Além disso, as empresas já trabalham com estruturas extremamente enxutas, o que dificulta a redução dos gastos gerais. Comprar bem influencia diretamente a lucratividade dos negócios.

O perfil do profissional de compras nas empresas também mudou, passando a ser mais jovem, bem selecionado e formado, com cotas de cortes de custos incidindo sobre seu salário variável e, sem dúvidas, investimentos em treinamentos e sistemas de informação para apoio às negociações de compras (procurement) também contribuem para o trabalho. Este profissional precisa agora ter visão sistêmica, conhecer a organização, saber negociar (não apenas com fornecedores, mas também com clientes internos), tomar decisões com base nos indicadores de desempenho e estar atento ao ambiente externo de modo a adotar estratégias de negociação coerentes com a conjuntura econômica e as necessidades da empresa. Resumindo, empresas necessitam de compradores que detenham conhecimentos em assuntos estratégicos, sejam bons negociadores, tenham iniciativa, capacidade de decisão e credibilidade.

Em vendas, o atual cenário econômico brasileiro também fez com que a importância da utilização de técnicas, princípios e processos de negociação aumentassem. Um aluno que trabalha em empresa do ramo de óleo e gás em Campos/RJ fez a seguinte colocação em aula: “Alguns anos atrás, quando o petróleo estava com alto valor de venda e altas margens de lucratividade, tudo estava certo. Agora que a crise chegou, os preços das commodities caíram e as margens diminuíram, começaram a acontecer os cortes e a aparecer os problemas de má gestão, até mesmo em vendas”.

Em um cenário de crise econômica como o atual, a necessidade de preparar-se para as negociações mais importantes é fundamental para os vendedores de empresas de serviços e produtos. Porém, nem sempre damos o devido valor a esta etapa do processo de negociação. Queremos ter um bom resultado nas negociações, mas não dedicamos o devido tempo antes de fazê-las para que o acordo seja mais satisfatório para as partes envolvidas.

Quando me perguntam qual é o “pulo do gato·; a sacada que caracteriza e difere o bom vendedor em tempos de crise, respondo utilizando o artigo O Pulo do Gato, de Max Gehringer, no qual ele mostra que o pulo do animal gato é, literalmente, seguir a metodologia, pois dessa forma ele consegue livrar-se da queda no chão de mau jeito, sempre seguindo a metodologia. Analisando vendedores de alta performance podemos notar que utilizar as metodologias e os estudos em vendas e negociação é o melhor caminho para enfrentar os momentos de crise.

A palavra metodologia às vezes nos leva a pensar que é uma coisa difícil, complicada, mas na verdade metodologia é exatamente para ajudar a executar algo difícil, normalmente dividindo um processo complexo e longo em etapas, como no caso de vendas e negociação. Para executar vendas precisamos de preparação, e o uso de uma metodologia de preparação é fundamental para o vendedor atual.

Nos sistemas de CRM (Customer Relationship Management), na parte de funil vendas – gestão de clientes, existe a metodologia de verificação da saúde da oportunidade, fundamental para identificar se o cliente está “quente ou frio”. No meu ponto de vista, isso é umas das coisas mais importantes em gestão de vendas consultivas (grandes) e previsão de vendas (forecast).

Nos livros de negociação existem as metodologias de apoio à preparação das negociações e vendas com seus formulários para preenchimento prévio, que lembram itens-chave para a negociação antes de executá-las, além de servir de material de apoio para a execução da venda/negociação. Portanto, vendas e negociação têm sim estudos, não precisam ser feitas empiricamente como a maioria dos vendedores insiste em fazer, podem e devem ser feitas metodologicamente.

Concluindo, em tempos de crise, o “pulo do gato” em vendas é seguir as metodologias de vendas e negociação, preparar-se cada vez mais, dedicar tempo ao momento antes, ou seja, na preparação da negociação e também depois, na fase de controle, para fazer uma avaliação (feedback) da negociação. Tudo isso nada mais é do que fazer o processo de vendas e negociação completo; em outras palavras, foque no processo que o resultado virá como consequência. Esse é o “pulo do gato”.

 

 

ALFREDO BRAVO –  é professor, palestrante na área de vendas, consultor da empresa GC-5 Soluções Corporativas e um dos autores do livro ‘Gestão Estratégica de Vendas’. É doutorando em Administração pela Universidade Federal de Rosário, na Argentina, mestre em Sistemas de Gestão pela Universidade Federal Fluminense (UFF), MBA em Administração de Empresas e Negócios pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e graduado em Administração de Empresas pela UFF.

PSICOLOGIA ANALÍTICA

Comer com inteligência

COMER COM INTELIGÊNCIA

Nosso comportamento alimentar, diferentemente do de outros primatas, baseia-se no aprendizado e na imitação: escolhemos provar uma nova comida de acordo com o que fazem os outros.

Deixando de lado as diferenças culturais, as atividades humanas inerentes à alimentação – do cultivo à colheita, do preparo ao consumo –  são todas influenciadas pela sociabilidade. O contexto social em que vivemos tem um papel importante na determinação de nossas escolhas alimentares e, frequentemente, os alimentos preferidos não são os mais adequados do ponto de vista nutricional, mas os que agradam às pessoas ao lado das quais nos alimentamos. Também os macacos – a espécie mais próxima do homem do ponto de vista filogenético – comem reunidos, prestando atenção ao que fazem os companheiros.

Dada sua semelhança morfológica e comportamental com o homem, sempre se pensou que os macacos aprendem o que devia comer observando o comportamento de outros símios e que a difusão de novos hábitos alimentares seja fruto dessa observação. No caso do macaco-prego – símio sul americano onívoro como o homem -, porém, a pesquisa experimental não confirmou essa suposição aparentemente verossímil.

Os animais onívoros, que devem procurar frequentemente novos recursos alimentares, enfrentam um difícil dilema. Comer algo desconhecido pode causar intoxicação, mas evitar o novo pode significar perder a oportunidade de descobrir um alimento bom e nutritivo. O que fazer? Para resolver a questão pode-se experimentar o alimento com extrema cautela, e assim aprender pela própria experiência, ou atentar para como se comportam indivíduos mais experientes e fazer o mesmo. Mas, como os bebês e os símios se comportam diante de alimentos desconhecidos? A neofobia – isto é, a pequena aversão a experimentar novas comidas é um traço cultural característico da alimentação humana. Geralmente, essa característica exibe uma trajetória em forma de parábola, é reduzida nos bebês ainda dependentes do leite materno, atinge o ápice durante o desmame e decresce novamente quando esta fase se completa, momento em que muitos alimentos já fazem parte da dieta.

Além disso, a neofobia é influenciada pelo tipo de amamentação. Os bebês amamentados no seio, precocemente expostos aos vários sabores dos alimentos consumidos pela mãe, são geralmente menos neofóbicos que os nutridos com leite artificial. A oferta constante de novos alimentos pode reduzira relutância em experimentá-los: na idade pré-escolar as crianças tendem a incluir espontaneamente determinadas comidas na dieta após experimentar pequenas quantidades uma dezena de vezes.

Mas o homem não é o único primata neofóbico: saguis, chimpanzés e macacos-prego também o são. O macaco-prego é extremamente cauteloso em relação a novos alimentos, seja na natureza, seja no laboratório. Quando no Parque Nacional de Iguazú, na Argentina, Llaria Agostini apresentou a um grupo de 25 macacos-prego alimentos familiares (banana) e novos (amêndoas descascadas, maçãs secas e outros alimentos que os macacos de nosso laboratório comiam com entusiasmo), o que era conhecido foi devorado em poucos minutos, ao passo que as novidades quase não foram degustadas. Embora todos mostrassem cautela, os menos temerários foram os adultos, cujo acesso limitado aos recursos do grupo os obriga a procurar alternativas.

Embora representando uma proteção eficaz contra a ingestão de alimento novo em quantidades que podem ser perigosas, a neofobia é uma solução muito radical para uma espécie onívora como o macaco prego, cuja sobrevivência depende da capacidade de ampliar novos recursos nutritivos. Nesse macaco, assim como no homem, a neofobia é atenuada pela experiência: se a ingestão de novos alimentos não é seguida por mal-estar gastrointestinal, basta um certo número de contatos para que a comida seja aceita e consumida. Mas a neofobia pode ser influenciada pelo comportamento dos outros? Diante de um novo alimento, o indivíduo presta atenção no que fazem os demais e se comporta da mesma forma?

O PRATO DO VIZINHO

Para um bebê, o contexto social em que o novo alimento é encontrado é fundamental para que seja incluído na dieta. Diversos experimentos mostraram que a novidade é aceita mais rapidamente quando um adulto a come e que a observação do que fazem outros bebês pode alterar preferências alimentares já adquiridas. Também para o símio, a alimentação é uma atividade social. Segundo a antropóloga americana Barbara King, quando as símias comem próximas umas das outras, observando e cheirando o alimento e a boca alheios, adquirem informações sobre a comida. Ê dessa forma, observando os companheiros, que os indivíduos mais jovens e menos experientes aprendem o que comer.

Para verificar a hipótese, realizamos alguns experimentos com macacos-prego. há alguns anos já havíamos mostrado que, para esse animal, o contexto social influencia a aceitação e o consumo de novos alimentos: um macaco-prego inexperiente é mais inclinado a comer algo novo quando está em grupo, e quanto mais companheiros estiverem presentes, tanto mais ele comerá.

É importante notar, entretanto, que a observação de indivíduos experientes só permite adquirir a dieta correta se a comida que eles consomem e aquela que o animal inexperiente encontra forem a mesma. Por outro lado, não é possível inferir do comportamento de companheiros experientes que ingerem uma comida diferente se o alimento novo é comestível ou não. Portanto, se os símios de fato aprendem o que comer com os outros, então um macaco-prego observador deveria consumir mais alimento novo quando os demonstradores comem algo da mesma cor do que quando ingerem alimentos de cor diferente.

Surpreendentemente, nossos experimentos revelaram que os observadores aceitam um alimento novo prescindindo da cor do alimento ingerido pelos demonstradores. Nem mesmo quando devem escolher entre dois alimentos de cor diferente eles se deixam influenciar pela cor da comida que os demonstradores estão consumindo. Crianças em idade pré-escolar, porém, só aceitam alimento novo quando o adulto observado come algo de cor idêntica.

Embora possa nos parecer óbvio que o indivíduo deva considerar bom e comer o mesmo alimento consumido por outros, esse processo mental não é imediato para o símio. Para chegar a essa conclusão, o animal avalia a semelhança entre os alimentos e emprega um raciocínio de tipo condicional. Ela pensa que, se o seu alimento é igual ao de seus companheiros experientes, então o fato de que estes o estão comendo significa que é bom. Ao contrário, se sua comida difere da consumida pelos outros, então o que estes estão ingerindo é irrelevante para ela.

Nos macacos-prego, as influências sociais reduzem a neofobia, mas não parecem fornecer indicações sobre o que comer. A criança de 3 anos, porém, já está em condições de empregar esse sofisticado raciocínio e, portanto, de comer apenas quando é “seguro” fazê-lo: vale dizer. quando sua comida e a do demonstrador têm a mesma cor.

CONHECER PARA EVITAR

Aprender, mediante observação do comportamento alheio, que um alimento é tóxico deve ser mais vantajoso do que tentar aprender sozinho, por tentativa e erro. Todavia, se para nós isso é óbvio, para os símios não é. Até agora não há provas experimentais mostrando que as símias aprendem a evitar um alimento por meio da observação de indivíduos experientes que não o comem. Quando um grupo de macacos-prego de nosso laboratório deparou com uma comida desagradável, nenhum deles deu atenção ao fato de que os outros a evitaram: todos experimentaram um pouco. Os macacos-prego não são a única espécie que não aprende com os outros a evitar um alimento. Também nesse caso, aquilo que nos parece algo óbvio, que requer apenas um raciocínio elementar, é de fato um problema de notável complexidade. Aprender algo observando o que outros não fazem é muito mais difícil, do ponto de vista cognitivo, do que aprender com o que fazem. Para ser instruído por um fato que não se verificou, o indivíduo deve imaginar o evento que deveria ter acontecido, notar a sua ausência e deduzir a possível causa que impediu sua ocorrência.

No fascinante livro Fome e Abundância, História da alimentação na Europa, Massimo Momanari, professor de história medieval da Universidade de Bolonha e historiador da alimentação – narra a experiência de um ermitão que, retirando-se para meditar no deserto, não sabia distinguir entre plantas boas e venenosas. Após dias de jejum, observou o comportamento de uma cabra. Agora que sabemos como é difícil para os animais aprender com os outros, podemos avaliar a inteligência desse homem.

Outra opinião bastante difundida, fruto de nossa visão antropomórfica, é a de que as mães símias ensinam aos filhotes o que comer e o que evitar. Ensinar é uma atividade complexa do ponto de vista cognitivo, para ensinar o que comer é preciso saber se determinado alimento é tóxico ou não, se o outro sabe disso e, caso não saiba, que é necessário instruí-lo.

Sempre que a capacidade de ensinar foi sistematicamente estudada, concluiu-se que as mães não tentam “orientar” a escolha alimentar feita pelos filhotes. De fato, há apenas raras observações sobrea intervenção ativa para evitar que o filhote coma determinado alimento, provavelmente tóxico. O ensino ativo também é raro em outros domínios do comportamento. Por exemplo, ao contrário do que ocorre em nossa espécie, as mães não ensinam ativamente aos filhos como resolver um problema ou usar certo instrumento.

Do que vimos até aqui, conclui-se que o ensino e o aprendizado com a observação e a repetição de detalhes do comportamento alheio ou com a ausência deste exigem capacidades cognitivas que os símios não parecem possuir. Sabemos, porém, que as diversas espécies de símios evitam predadores, resolvem inúmeros problemas e elaboram uma dieta que não coloca suas vidas em risco.

Observando o comportamento espontâneo dos macacos-prego, nota-se uma série de influências sociais vagas que aumentam a probabilidade deque o indivíduo se comporte como seus companheiros: por exemplo, a tolerância entre indivíduos, a proximidade que favorece o encontro dos alimentos, o ato de pegar a comida da boca do outro ou a ingestão dos restos deixados por um companheiro.

APRENDER COM A EXPERIÊNCIA

A experiência individual pode ser suficiente para a formação de dietas corretas. Os símios, assim como muitos outros animais, têm três características fisiológicas e comportamentais fundamentais para que o indivíduo aprenda, com a própria experiência, a ampliar a dieta evitando riscos fatais: a preferência por certos sabores, a cautela em relação a alimentos jamais experimentados e a aquisição da aversão alimentar.

Os símios revelam acentuada preferência por alimentos doces e evitam os amargos, resultado do processo evolutivo que plasmou o paladar de forma a maximizar a obtenção de energia e minimizar a ingestão ele substâncias tóxicas (na natureza, em geral, os alimentos doces não contêm alta concentração de substâncias tóxicas, abundantes nos amargos).

Além disso, as símias são extremamente cautelosas quando experimentam alimento novo. Um mecanismo simples permite que elas aprendam, com a experiência, a evitar comida tóxica: quando experimenta algo novo e sente problemas gastrointestinais, ela associa o alimento ao mal-estar e, assim, aprende a não comê-lo mais.

Esse fenômeno – tecnicamente chamado de “aprendizado de aversão alimentar” –  é extremamente eficaz, pois exige um número limitado de experiências, persiste por muito tempo e é mais rápido se o alimento é novo. O aprendizado é bastante disseminado no reino animal e, no homem, pode determinar idiossincrasias em relação a novas comidas e às que eram anteriormente apreciadas. As influências sociais, que em nossa espécie têm canta importância, são abafadas pela força da aversão que a pessoa adquiriu sozinha.

À luz de nossos resultados, parece que no macaco-prego, mas provavelmente também em outras espécies de símios, as influências sociais genéricas e a experiência individual permitem que o indivíduo aprenda o que comer sem que sejam empregados processos cognitivos mais complexos, cuja presença nessas espécies ainda precisa ser demonstrada.

Quando foram oferecidos sete tipos de alimentos aos macacos-prego, alguns dos animais estavam sozinhos (condição individual) e outros em companhia de membros do grupo (condição social). Independentemente da condição social ou individual, as preferências se orientaram pelas comidas energéticas. Isso mostra que, também no que diz respeito à aquisição de preferências alimentares, o papel do contexto social é secundário.

COMO O MACACO-PREGO ESCOLHE

Segundo a teoria do optimal foraging, a seleção natural favorece as espécies que privilegiam a obtenção de energia e de substancias nutritivas, escolhendo os alimentos mais adequados. Todavia, quando se experimenta um alimento, o feedback sensorial devido ao sabor precede as consequências fisiológicas de sua Ingestão, geradas pelas substâncias, nutritivas ou tóxicas, que contém. Investigamos se as símias avaliam um alimento novo desde as primeiras mordidas e se essa avaliação muda quando a comida se toma familiar. Pesquisamos ainda se as influências sociais modificam as preferências alimentares. Gloria Sabbatini e Margherita Stammati ofereceram sete novos tipos de alimentos a 26 macacos-prego. Cada um deles era apresentado em par, cobrindo todas as 21 combinações possíveis: cada alimento devia ser escolhido seis vezes. Após essa limitada experiência, os macacos já efetuavam escolhas conforme o conteúdo de glicose e de frutos e dos alimentos. Alimentos com alto conteúdo de açúcar (como abacaxi) eram preferidos aos que tinham pouca quantidade dessa substância (como couve). Após contatos posteriores em que puderam comer os sete alimentos à vontade, as preferências mudaram e as símias não mais se basearam apenas no conteúdo de açúcar, mas também na energia total, independentemente da fonte dessa energia (açúcar, proteína ou gordura).

Esses resultados mostram que o feedback sensorial Imediato, isto é, o gosto doce do alimento, determina inicialmente as preferências. Mas, em seguida, o indivíduo aprende a levar em conta outros fatores e, nesse ponto, privilegia os alimentos com alto conteúdo de energia e que produzem um feedback fisiológico positivo, isto é, uma sensação de saciedade.

HERANÇA ALIMENTAR

As tradições são elementos constitutivos da cultura e as relações entre aprendizado social. Tradições e cultura são ainda objeto de pesquisa intensamente debatido. Um comportamento é considerado tradicional ou cultural se: (a) está amplamente disseminado entre os membros de uma ou mais populações e ausente em outras que vivem em áreas ecologicamente similares;

(b)  a presença em uma população e a ausência na outra não puder ser atribuída a diferenças ecológicas entre as áreas em que vivem e/ ou a diferenças genéticas; e (c) mantém-se ao longo do tempo e é transmitido de uma geração a outra mediante aprendizado social. Alguns primatólogos observaram diversas populações de chimpanzés por um período que seria equivalente a 151 anos e concluíram que existe entre eles um número considerável de comportamentos culturais. Por exemplo, os chimpanzés de determinada população usam pedras e bigornas para quebrar nozes muito duras, ao passo que em outra população nenhum instrumento é usado. Também a limpeza recíproca dos pelos (grooming) varia entre as populações. Comportamentos culturais estão presentes ainda nos orangotangos e em algumas espécies de cetáceos. Em populações naturais de Cebus copucinus há tradições comportamentais relativas às técnicas de processamento de certos alimentos ou à modalidade de captura de presas. Dado que tais diferenças não parecem ocasionadas por fatores genéticos ou ecológicos, cabe pensar que se trata de tradições. Recentemente, nessa mesma população de Cebus copucinus, Susan Perry e colaboradores observaram um comportamento singular em que uma símia inseria os dedos no nariz ou na boca de outra símia, que por sua vez fazia o mesmo com a companheira. Os pesquisadores elaboraram a hipótese de que esse arriscado hábito tinha a função de avaliar a qualidade das relações sociais. Mas são necessários estudos controlados de laboratório para compreender quais processos de aprendizagem social permitem a difusão desses comportamentos e para estabelecer o papel da influência social na experiência individual. Nossas pesquisas são um primeiro passo nessa direção.

ELISABETTA VISALBERCHI – é primatóloga e pesquisadora do Instituto de Ciência e Tecnologia da Cognição (ISTC)do Conselho Nacional de Pesquisa Italiano.

ELSA ADDESSI – é pesquisadora em biologia animal e bolsista no ISTC.

GESTÃO E CARREIRA

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#PARTIU NOVOS DESAFIOS

Como saber se chegou o momento de encerrar um ciclo na sua vida e virar a página.

 Anos desafiadores como os de crise, que estamos enfrentando neste agora, pedem coragem em vários sentidos. É preciso coragem para se manter produtivo e otimista, para continuar fazendo um bom trabalho apesar das diversidades e, também, para dar uma guinada na sua vida quando as coisas não estão seguindo o caminho que você imaginava. Mas essa coragem para mudar nem sempre é uma tarefa fácil. Afinal, é comum que os profissionais entrem em uma zona de conforto e se mantenham lá até serem obrigados a se reinventar. Só que quem percebe qual é o momento de partir para outra sai na frente: essa consciência é essencial para que a realidade de uma demissão, por exemplo, não pegue você de surpresa. É claro que mudar é assustador, mas, quando isso acontece, essa é a melhor decisão a ser tomada. “Se a pessoa não muda, fica esperando eternamente algo que não vem”, diz Telma Guido, especialista em transição de carreira da Right Management Brasil, consultoria de São Paulo. Ao longo desta reportagem, mostramos como virar a página da sua vida e como entender se está na hora de correr atrás de um novo emprego, abandonar um projeto que não vinga, fechar um empreendimento, aca- bar com um mau hábito, repensar os seus objetivos de carreira ou encerrar um ciclo. Os profissionais desta matéria vão inspirar você a respirar fundo e se jogar sem medo em um novo desafio.

#É HORA DE MUDAR UM HÁBITO

Seja tomar café, colocar o cinto de segurança, roer as unhas ou fumar, de acordo com uma pesquisa da Universidade Duke, dos Estados Unidos, os hábitos estão presentes em 40% dos nossos dias – tanto os bons quanto os ruins. “Hábito é toda ação que não envolve um processo de decisão, quando entramos no piloto automático e não temos mais consciência de que estamos fazendo algo”, diz Sâmia Simurro vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida, de São Paulo.

Assim como no dia a dia, os hábitos ruins no trabalho podem ter consequências na saúde e nos relacionamentos. “Quando a pessoa começa a ter prejuízos e negligencia tarefas, é sinal de que convive com um mau hábito”, diz Renata Maransaldi, psicóloga e coach, de São Paulo. Clarissa Soneghet, de 35 anos, só percebeu que o hábito de trabalhar demais era prejudicial quando teve um problema sério no quadril. Formada em turismo, ela assumiu uma posição como gerente de produção de eventos e chegava a passar dez, 12 horas no trabalho – inclusive aos finais de sema- na. “Mais que o tempo, o ritmo de trabalho era muito frenético, eu sou perfeccionista e queria acompanhar tudo de perto, nada podia dar errado”, afirma Clarissa.

Quando saiu da área de eventos, Clarissa migrou para marketing em uma agência e o cenário não mudou. “Eu era responsável pelos lançamentos dos produtos. Chegou uma hora que não tinha tempo de fazer mais nada, o trabalho consumia toda a minha dedicação”, afirma Clarissa. Mesmo sofrendo constantemente de enxaqueca crônica foi só em 2012, quando teve o problema no quadril, que ela repensou seu estilo de vida. “Comecei a questionar por que eu gastava tanta energia em projetos com os quais eu não me identificava. Os prazos sempre para ontem me incomodavam também. Daí eu decidi que era hora de construir algo para mim”, afirma Clarissa.

Ela queria mudar e, para isso, fez um exercício de autoconhecimento parecido com o descrito no best-seller O Poder do Hábito, lançado em 2012. No livro, o escritor Charles Duhigg afirma que os hábitos são compostos de três etapas e que precisamos compreendê-las para nos livrarmos deles. São elas: o sinal ou o gatilho que desencadeia aquela ação, a rotina ou a frequência com que o realizamos e aquilo que buscamos ao repetir o hábito. Para Clarissa, o impulso surgiu após um curso de empreendedorismo, no qual ampliou sua visão sobre outras formas de trabalho e conheceu sua atual sócia, Nathália Roberto. Juntas fundaram, em 2014, a Kind, uma empresa de consultoria voltada para o universo feminino. Hoje, com horários flexíveis e mais autonomia, Clarissa nem cogita voltar ao modelo antigo de trabalho. “Agora faço exercícios e tenho flexibilidade para escolher parceiros de negócios”, diz.

5 PERGUNTAS PARA MUDAR UM HÁBITO

1.Esse hábito está prejudicando algum aspecto da minha vida?

2.Qual o motivo pelo qual eu realizo essa ação?

3.Eu estou motivado a mudar esse hábito?

4.Qual o meu plano de ação para isso?

5.Como eu vou me manter afastado desse hábito?

#É HORA DE ENCERRAR UM CICLO

Mesmo que os ciclos profissionais tenham encurtado, encerrar uma etapa ainda gera conflitos. “A maioria das pessoas não possui um plano para a carreira e, por isso, esse momento vem associado a uma crise”, diz Vera Vasconcelos, da Produtive, consultoria de carreira, de São Paulo. E, quando as causas desse desejo de mudança são originadas pelas emoções, o processo fica mais complicado. “Quando a pessoa tem uma visão clara do que quer, lê o cenário e encerra uma etapa porque não possui mais possibilidades de concretizar os objetivos. Isso acontece naturalmente”, diz Telma Guido, da Right Management.

Esse foi o caso do engenheiro Eduardo Lima, de 38 anos, CEO da eduK, plataforma de cursos online. Após anos trabalhando na área de mineração e siderurgia, Eduardo percebeu que seus objetivos haviam mudado: “Eu ia trabalhar todo dia e questionava o que eu estava fazendo ali, pensava que precisava encontrar outro caminho profissional”, diz. O sonho de empreender era uma inquietação. Então o mineiro fez um plano para dar uma guinada. “Pesquisei modelos de negócios, mas nunca tinha achado algo com que eu me identificasse, até que, em 2007, surgiu o convite de um amigo de Belo Horizonte que estava montando uma franquia de e-commerce, a Neomerkato.” No começo, ele trabalhava nas horas livres, mas depois começou a investir, o empreendimento cresceu e ele abandonou de vez a engenha- ria, passando a trabalhar de casa.

Embora a mudança de Eduardo tenha ocorrido em poucos meses, não existe um prazo correto para definir quando é exatamente a hora de encerrar um ciclo. Algumas pessoas precisam sempre de estímulos, de mudanças, de adrenalina e, para elas, os ciclos fecham mais rápido. Para outras, é necessário estabilidade e movimentos de carreira mais tranquilos. “Fazer algumas perguntas como: ‘O que eu ganho se eu continuar aqui? E o que perco?’ ajudam a analisar se o problema está no lugar em que você trabalha ou em você mesmo”, diz José Roberto Marques, presidente do Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), de São Paulo. A motivação e a satisfação com o trabalho são alguns dos sinais mais claros que devem ser levados em conta na hora de decidir partir pra outra. “Todo ser humano busca felicidade, e isso está diretamente ligado com engajamento, com o sentimento de ter uma missão e contribuir para algo”, diz José Roberto.

Depois que encontrou seu caminho no empreendedorismo, Eduardo estava próximo desse estágio. Mas conseguiu conquistar de fato o tão desejado propósito quando montou, ao lado de um amigo, a eduK.

Criada em 2013, a empresa tem estúdios para gravação de aulas online dos mais diversos tipos – de empreendedorismo a moda – e hoje conta com mais de 100 mil assinantes. “Sinto que mudei pela minha qualidade de vida e porque queria mais satisfação. No começo, cheguei a ganhar menos. Mas agora eu trabalho com um propósito, que é a educação”, afirma Eduardo.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DESISTIR DE UM CICLO

1.Quais foram os meus aprendizados?

2.Eu entreguei todos os projetos com os quais me comprometi?

3.A causa da minha insatisfação está em mim ou no meu trabalho?

4.Onde estou não existe mais possibilidade de mudanças?

5.O que eu faço deixou de fazer sentido?

#É HORA DE MUDAR DE EMPREGO

Os motivos para querer deixar um emprego podem ser inúmeros. Na crise, costuma pesar a falta de reconhecimento, a remuneração baixa, a pressão, as equipes enxutas. E o fator chefe chato sempre é uma questão. Antes de pedir demissão, porém, é preciso identificar esses problemas, avaliar se existe uma solução e medir a temperatura do mercado. “Mesmo sendo um momento difícil, cada um precisa saber avaliar se vale a pena continuar em um lugar que não lhe faz bem”, diz Isabella Santoyo, coach de vida e carreira, de São Paulo. Essa foi a estratégia de Lara Hammoud, de 24 anos, gerente de finanças na Bidu, startup de seguros, de São Paulo. Formada em administração, ela trabalhava em uma consultoria onde aprendeu bastante, mas tinha medo de ficar presa em uma carreira mais consultiva e não conhecer a rotina de uma empresa. “Além disso, me incomodava o fato de ser prestadora de serviços e não desenvolver relações de longo prazo”, diz Lara.

Para encontrar qual caminho trilhar, a paulistana fez algo altamente recomendado pelos especialistas: conversar com amigos e colegas que já enfrentaram a situação. “Fazer um planejamento da mudança é fundamental para encontrar uma saída e entender aonde você quer chegar”, diz Isabella. Com isso em mente, Lara começou a entender que não queria uma carreira numa multinacional, por exemplo, e que desejava algo mais dinâmico. Um dos amigos sugeriu que, talvez, ela tivesse perfil para trabalhar em uma startup e a indicou para entrar na Bidu. “Foi tudo muito rápido, eles precisavam de alguém e, em menos de duas se- manas, eu já tinha sido contratada”, diz Lara. Mas, antes de dar a palavra final, ela voltou várias vezes na empresa, conversou com gestores e colegas com os quais trabalharia. “Expliquei que não possuía experiência em diversas atuações e que precisava de um tempo para aprender e de suporte”, afirma. As portas da empresa anterior continuaram abertas. Isso porque a administradora não saiu de supetão: indicou ao chefe que estava se sentindo estagnada – o que é fundamental. “Fazer uma análise detalhada de que a insatisfação continua mesmo depois de pensar em alternativas dentro do atual emprego é funda- mental”, diz Isabella.

Além da ânsia por se demitir logo, outro erro que os profissionais cometem é de postergar demais a decisão da saída. Quando há muito desgaste emocional (e até físico) e os valores não estão mais alinhados, não tem jeito: é hora de partir para outra. “Quando há essa combinação, a pessoa não se sente mais engajada e sair faz todo o sentido”, diz Isabella. Ficar no em- prego apenas por receio do que os outros vão achar da sua decisão ou porque você prefere insistir em algo que está lhe fazendo mal em vez de encontrar outra solução é terrível. Isso só vai minar as suas energias e minguar sua força de vontade para tentar algo novo.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DEIXAR SEU EMPREGO

1.Meus valores estão alinhados aos valores da empresa?

2.Minhas habilidades estão sendo utilizadas?

3.Sinto vontade para desempenhar o que esperam de mim?

4.Vejo um futuro e desejo crescer junto com a empresa?

5.Estou ficando doente por causa de aspectos do trabalho com os quais não consigo lidar?

#É HORA DE DESAPEGAR DE UM PROJETO

Quem trabalha com projetos sabe como é grande a pressão para que as empreitadas deem certo rapidamente – ainda mais na crise, quando os investimentos minguam. “A principal habilidade para trabalhar bem com isso é decidir rápido”, diz Randes Enes, professor da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. É evidente que projetos precisam de um tempo hábil para dar certo, e muitas vezes a ansiedade acaba atrapalhando. Mas há um limite entre insistir em algo que vai parar em pé e em algo que está fadado a dar errado.

Alexandre da Silva, de 53 anos, líder da área de sistemas inteligentes do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil, lida com essas questões. Ele é responsável por coordenar um grupo de pesquisadores que trata de automação industrial avançada e atua em diferentes negócios da GE, em setores como óleo e gás, energia elétrica, transportes ferroviários e aviação. Todo ano, ele administra uma carteira de 12 projetos, mais ou menos. “A decisão entre perseverar ou interromper acontece em todos os projetos”, diz Alexandre. O passo a passo ideal para estruturar um projeto é avaliar o grau de risco, traçar um plano e definir parâmetros para avaliar se as coisas estão caminhando bem ou não. Segundo Randes, a experiência de realizar um projeto é semelhante à de ler um livro. A pessoa gosta da capa, começa a ler o livro, e no primeiro capítulo já não aprecia. Em vez de largar a leitura, muitos continuam lendo. “Isso é uma mentalidade cultural, ler um livro é um projeto. Mas, uma vez que não está gostando, vira uma perda de tempo”, afirma Randes. “Ela sabe que não vai dar certo, que não é lucrativo, mas, só porque já começou, acha que precisa terminar – mesmo que isso envolva recursos desnecessários e que não atinja o resultado desejado. Essa é uma decisão extremamente emocional e que envolve o ego”, diz o professor. E o mesmo raciocínio nos acomete quando nos dedicamos a um projeto que não vai render. Depois que se fez a análise de que é preciso mudar de rumo ou partir para outra, o mais importante é não se deixar consumir pela sensação de fracasso e incompetência nem encarar esses “erros” de maneira negativa. O melhor é abandonar o barco furado rapidamente – para não afundar junto.

Para tomar uma decisão desse tipo, Alexandre tenta alinhar sua visão e intuição ao julgamento técnico. “Interromper requer mais coragem do que insistir”, diz. O que o ajuda na análise, além de sua experiência prévia, é ouvir feedbacks dos clientes e colegas e fazer projetos com ciclos mais curtos. “Antigamente, a gente levava entre três e cinco anos para desenvolver um produto novo, hoje esses ciclos foram encurtados significativamente, para menos de um ano”, afirma Alexandre. Isso dá agilidade para abastecer o mercado de novidades e, também, para errar rápido.

5 PERGUNTAS ANTES DE ABANDONAR UM PROJETO

1.A equipe que trabalha comigo está alinhada para atingir a meta estabelecida?

2.Eu tenho indicadores objetivos que apontam que estou no caminho certo?

3.O projeto está chegando ao final de seu prazo sem a maioria dos resultados esperados?

4.Já tentei reajustar o plano para tentar salvar o projeto?

5.Estou apegado demais ao plano e não consigo enxergar saídas?

#É HORA DE TER UMA NOVA META

Ainda na época da faculdade, o publicitário Felipe Versati, de 29 anos, já tinha decidido qual caminho gostaria de seguir: iria trabalhar na área de criação de uma grande agência. “A gente acredita que vai encontrar um ambiente informal, onde você pode trabalhar de bermuda, ter liberdade para criar e ainda ganhar prêmios com seu trabalho”, diz Felipe. Mesmo passando por outras áreas, o desejo persistia e, em 2011, prestes a concluir a graduação, Felipe aceitou a proposta de trabalhar na Bilheteria.com, agência especializada em serviços culturais, em São Paulo. Chegando lá, o publicitário encontrou uma realidade totalmente diferente da que esperava. Trabalhando mais de 18 horas por dia, sem horário para comer e dormir e sem vida social, o paulista percebeu que, mesmo alcançando o seu sonho, ele se sentia insatisfeito. “Muitas pessoas criam expectativas irreais sobre algo porque olham apenas para as coisas boas e acreditam que isso representa o todo. Daí, quando se deparam com a realidade, acabam se frustrando”, diz Daniela do Lago, coach de São Paulo.

Um ano e uma úlcera depois, Felipe entendeu que era hora de mudar seu objetivo, mesmo com expectativas de crescimento na agência. “Eu já havia me tornado analista sênior e tinha a perspectiva de uma promoção em breve, mas isso não compensava a minha falta de adaptação ao modelo de trabalho e vi que tinha que almejar outra coisa”, diz Felipe. E essa mudança de ambição é normal. Muitos entram no mundo corporativo acreditando que sucesso é sinônimo de uma posição elevada, por exemplo, mas conforme o tempo passa as expetativas mudam e você precisa se ajustar.

Com um MBA que o auxiliou a ampliar seus horizontes, em 2013, Felipe quis resgatar um sonho antigo e começou a procurar oportunidades no terceiro setor, onde havia estagiado. Mesmo com ganhos menos agressivos, ele aceitou a proposta de estruturar a área de marketing da Associação Cruz Verde, organização filantrópica que atende pessoas com paralisia cerebral grave, em São Paulo. “Mu- dei as minhas expectativas”, diz. Um dos pontos mais difíceis na hora de largar uma ambição é, por vezes, reconhecer que a definição de sucesso que cada um de nós possui pode ser diferente daquela que aprendemos ser a mais acertada. “Precisamos conhecer nossos objetivos e expectativas e compreender que nossa satisfação tem que estar relacionada com as nossas crenças”, diz Paulo Moraes, diretor da Talenses, empresa de recrutamento do Rio de Janeiro. Outro ponto é não olhar para essa mudança de ambição como um fracasso. “Quando você entende que aquele desejo não lhe pertencia, precisa encarar como uma alternância de caminho, e não um passo para trás”, diz Vera.

Hoje, quase três anos após a escolha, a associação é um dos empregos mais duradouros de Felipe. “Antes, com um ano eu queria mudar de trabalho, agora me sinto muito recompensado. Por mais que você seja premiado, nunca seus produtos vão te dar um abraço de agradecimento, como os que eu ganho dos pacientes diariamente”, conclui.

5 PERGUNTAS PARA SE FAZER ANTES DE DESISTIR DE UMA META

1.O que eu valorizo de verdade?

2.Eu tenho condições reais de concretizar essa ambição onde estou?

3.Eu fiz algo no sentido de concretizar esse objetivo?

4.Essa meta está prejudicando outros aspectos da minha vida?

5.Eu ainda quero me tornar aquilo que planejei há algum tempo?

#É HORA DE FECHAR SEU EMPREENDIMENTO

O advogado Francisco Pereira, de 35 anos, trilhou uma carreira na área de consultoria. Em 2008, era supervisor da multinacional Terco e queria se tornar gerente. Tudo mudou quando um amigo o chamou para empreender na área têxtil. “Sempre tive esse sonho e, quando fui convidado para ser responsável pela gestão da empresa, aceitei”, diz Francisco. Os dois montaram uma companhia que concebia e fabricava peças de vestuário. Em sete meses, o investimento havia sido quitado, eles fecharam contratos, tinham uma equipe de 12 pessoas e cada sócio lucrava 5 000 reais mensais.

Só que as coisas pioraram em 2009, quando sofreram um baque. Um cliente que já havia retirado 50% das peças desapareceu, o que gerou um rombo. Os sócios pegaram dinheiro emprestado, cobriram os gastos com funcionários e com a manutenção. Até que, seis meses depois, outro cliente deu calote. “Com a dívida anterior e sem dinheiro para brigar judicialmente, ficamos com um prejuízo de mais de 217 000 reais”, diz Francisco.

Nesse momento, o advogado sentiu o drama comum aos empreendedores: sabia que talvez fosse melhor voltar atrás, mas ainda se sentia muito ligado ao negócio para desistir. “É como uma bateria que está sempre no vermelho, chega uma hora que não vai aguentar mais”, diz Tiago Aguiar, mentor empresarial e sócio da QI Empreender Grandes Ideias, de São Paulo. Desistir é sempre difícil no mundo do empreendedorismo porque é fácil se iludir com histórias mirabolantes de perseverança que se assemelham aos “doze trabalhos de Hércules”. Claro que a persistência é boa – desde que o empreendedor tenha um olhar racional sobre suas metas e sobre seus erros e encontre saídas viáveis para continuar tentando até esgotar todas as possibilidades. Sem isso, é provável que a persistência se transforme em teimosia. “O teimoso passa anos e não sabe quais ações deram errado, não estabelece um plano e não se adapta à nova realidade”, diz Tiago.

Para não fazer parte desse grupo, Francisco e seus sócios analisaram tudo friamente. Notaram que, por causa das dívidas, pagariam juros sobre juros, o que não valeria a pena. A saída foi fazer um novo empréstimo para fechar o negócio em 2010. Além da tristeza com o fracasso, o advogado tinha que lidar com uma dívida de 12 000 reais, dividida entre os sócios, que demorou três anos para quitar. Desempregado, vendeu o carro e precisou de ajuda familiar para pagar as contas. A solução foi começar tudo de novo – só que, desta vez, no mundo corporativo. Ele entrou em contato com seu antigo gerente da Terco, que o indicou para uma vaga em outra consultoria, a BDO, onde é, hoje, gerente sênior da área de tributos. “Voltar foi difícil porque eu não aceitei esse baque, tive que vir de cabeça baixa, ganhando menos”, diz. Mas essa humildade o ajudou a perceber que poderia aprender com os erros e que, pelo menos em médio prazo, o seu lugar é onde há uma carteira assinada.

5 PERGUNTAS ANTES DE DESISTIR DE UM EMPREENDIMENTO

1.Acredito na ideia?

2.A ideia está ligada ao meu propósito?

3.Atingi o limite de tempo?

4.Atingi o limite de dinheiro?

5.Esgotei todos os caminhos?

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A dinamica da felicidade

A DINÂMICA DA FELICIDADE

Afinal, quem é feliz? Por que algumas pessoas são mais felizes que outras? Qual a relação entre a riqueza material e a felicidade? Quais características, traços, atributos e circunstâncias marcam as vidas felizes?

O que faz um homem ou uma mulher feliz tem sido objeto de atenção desde os tempos mais antigos e as respostas têm variado desde o materialismo, que busca a felicidade nas condições externas, até o espiritualismo, que a firma que a felicidade é o resultado de uma atitude mental. Se Aristóteles, em seu tempo, já havia notado que os seres humanos valorizavam um grande número de coisas como a saúde, fama e aquisição de bens materiais, porque acreditavam que estas os tornariam felizes, nós na contemporaneidade, também valorizamos a felicidade pelo bem-estar que ela nos proporciona. Assim, felicidade é o único objetivo intrínseco que as pessoas procuram para o seu próprio bem. ou seja, é a linha de base para todos os desejos.

 ANTECEDENTES FILOSÓFICOS

Não foi somente Aristóteles que abordou a felicidade. Outros filósofos, como John Locke e Jeremy Bentham, por exemplo também o fizeram e entendiam que uma boa sociedade é aquela que permite uma maior quota de felicidade para um maior número de pessoas.

Em particular, Locke estava consciente da futilidade de se buscar a felicidade sem qualificações e argumentou que era necessário buscá-la com prudência, isto é, as pessoas não deveriam confundir a felicidade imaginária com a felicidade real. Parece que Locke se inspirou no filósofo grego Epícuro, que há 2300 anos enfatizou claramente que, para gozar uma vida feliz, devemos desenvolver a autodisciplina. O materialismo de Epícuro era solidamente baseado na habilidade de procrastinar a gratificação de modo que, para ele, a felicidade poderia, algumas vezes, ser adiada caso a convivência momentânea com a dor servisse, de algum modo, para evitar uma dor maior.

Todavia, está não é a imagem que muitas pessoas têm atualmente do Epicurismo. A visão popular é que o prazer e o conforto material devem ser sempre alcançados, quaisquer que sejam, e que eles, sozinhos, melhorarão a qualidade de vida das pessoas. Com o avanço tecnológico promovendo a longevidade, parece plenamente justificada a esperança de que as recompensas materiais possam trazer uma melhor qualidade de vida. Entretanto, o século XXI está deixando claro que a solução não é tão simples assim. Ainda que os habitantes das nações industrializadas mais ricas estejam vivendo períodos de riqueza sem precedentes, os mesmos não dão indício de estarem mais satisfeitos com sua vida do que estavam antes. Ou seja, a melhoria de vida não equivaleu a uma maior felicidade.

A PSICOLOGIA POSITIVA

Apesar do reconhecimento de que a felicidade é um objetivo fundamental da vida, tem havido um progresso muito lento no entendimento do que consiste a felicidade e quais os fatores que a caracterizam. A psicologia, por exemplo, tendo redescoberto esse tópico recentemente, tem procurado tratá-lo nos domínios da Psicologia Positiva ou Psicologia do Funcionamento Ótimo. De fato, desde a criação do primeiro laboratório de Psicologia Experimental, por Wundt, em 1879, a Psicologia, como Ciência, tem focalizado mais a doença do que a saúde, mais o medo do que a coragem, mais a agressão do que o amor.

Embora seja plenamente compreensível que muito da atenção dos psicólogos se dirija com maior ênfase para a compreensão do sofrimento humano, vislumbra-se, no início deste milênio, uma Psicologia mais preocupada com a investigação científica do bem-estar subjetivo. E, para isto, duas questões têm sido formuladas: quão felizes são as pessoas? E quais são as pessoas felizes e que características, traços e circunstâncias marcam a vida dessas pessoas?

DINHEIRO VERSUS FELICIDADE

Dados epidemiológicos e levantamentos estatísticos sobre patologias sociais, obtido nos Estados Unidos, servem de evidências indiretas para mostrar que atualmente, as pessoas não são mais felizes do que os seus antepassados. De fato, os dados mostram que duplicaram ou mesmo triplicaram os crimes violentos, os colapsos familiares e os sintomas, sinais psicossomáticos desde a última metade do século passado. Se o bem-estar material conduz a felicidade, por que nem a solução capitalista nem a socialista parecem funcionar? Por que uma grande multidão, vivendo sob a abundância capitalista, está se tornando crescente entre viciados em drogas para dormir, para se animar, para se manter em forma/elegância e para escapar do tédio e da depressão? Porque os suicídios e a solidão são problemas crônicos na Suécia, que tem aplicado os melhores princípios socialistas para fornecer segurança material aos seus habitantes?

Evidências diretas sobre a relação ambígua entre bem-estar material e bem-estar subjetivo se originam dos estudos sobre felicidade que os psicólogos, finalmente, empreenderam, após um longo período de atraso em que a pesquisa sobre felicidade era considerada muito elementar e sem rigor para ser empreendida experimentalmente.

Certamente é verdade que estes estudos são baseados somente em levantamentos envolvendo registros verbais e em escalas que podem ter diferentes significados dependendo da cultura e da linguagem nas quais são escritas. Não obstante, até o presente momento, estes trabalhos representam o estado de uma arte que, inevitavelmente, se tornará mais precisa com o decorrer do tempo.

Estes estudos mostraram que comparações entre nações indicam uma correlação razoável entre a riqueza de um país, como mensurada pelo seu Produto Interno Bruto (PIB), e a felicidade avaliada pelos registros verbais de seus habitantes. Os habitantes da Alemanha e do Japão, por exemplo, nações com um PIB duas vezes maior que o PIB da Irlanda, registraram, todavia, níveis menores de felicidade. Comparações dentro dos países mostraram relações muito mais fracas entre o bem-estar material e o bem-estar subjetivo. Por exemplo, em um estudo no qual foram analisados alguns dos indivíduos mais ricos dos Estados Unidos constatou-se que os níveis de felicidade deles se situavam ligeiramente acima dos indivíduos com um rendimento mediano.

Em outro estudo foi analisado um grupo de ganhadores na loteria e dele se concluiu que, apesar deste aumento repentino na riqueza, o nível de felicidade não foi diferente daquele das pessoas injuriadas por traumas, tais como cegueira ou paraplegia. Outro estudo envolvendo um escalonamento nacional, realizado nos Estados Unidos, também mostrou que o fato de se ter mais dinheiro para gastar não necessariamente conduz a um nível maior de bem-estar subjetivo. Os dados mostram que embora os valores dos rendimentos pessoais, ajustados depois dos descontos do imposto de renda, tenham praticamente dobrado entre os anos de 1960 e1990, a porcentagem de pessoas se auto relatando muito felizes permaneceu praticamente inalterada, por volta de 30%. Logo, apesar da evidência de que a relação entre riqueza material e felicidade é, na melhor das hipóteses, fraca, muitas pessoas se apegam à noção de que os seus problemas seriam facilmente resolvidos se elas tivessem unicamente mais dinheiro.

Face a estes fatos, parece-nos que uma das mais importantes tarefas dos psicólogos será entender melhor a dinâmica da felicidade e imediatamente comunicar estes resultados a um grande público. Se uma das principais justificativas para a existência da Psicologia é ajudar a  reduzir o estresse e suportar o bem-estar psíquico, então os psicólogos deveriam tentar prevenir a desilusão que se origina quando as pessoas sentem que gastaram uma grande parte de sua vida se esforçando para alcançar objetivos que não podiam satisfazê-las completamente. Os psicólogos deveriam, então, ser hábeis em fornecer alternativas que, em longo prazo, conduzissem a uma vida mais recompensadora.

RAZÕES SOCIOCULTURAIS E PSICOLÓGICAS

Há, entre outras, quatro principais razões que explicam a falta de uma relação direta entre o bem-estar material e a felicidade. As duas primeiras são sócio culturais e as duas últimas, são de natureza mais psicológica. A primeira razão é o nível de aspiração ou o escalonamento das expectativas. Se uma pessoa se empenha em alcançar certo nível de riqueza pensando que isto a tomará mais feliz, logo verificará que, ao alcançar este nível, ela se tornará rapidamente habituada e que neste ponto ela almejará o nível seguinte de rendimento, propriedade ou boa saúde.

Assim, não é o tamanho objetivo da recompensa, mas sim sua diferença em relação ao nível de adaptação de uma dada pessoa que fornece o valor subjetivo.

A segunda razão está relacionada à primeira. Quando os recursos são desigualmente distribuídos, as pessoas avaliam suas posses e não pelo que elas de fato necessitam para viver em conforto, mas sim, em comparação com aquelas pessoas que têm mais. Deste modo, as pessoas relativamente abastadas sentem-se pobres em comparação àquelas muito ricas e são, por consequência, infelizes. Este fenômeno denominado de privação relativa, parece ser relativamente universal e bem robusto. Por sua vez, a terceira razão é que a riqueza material isoladamente, não é bastante paro fazer uma pessoa feliz. Outras condições, como por exemplo, ter uma vida familiar satisfatória, ter amigos íntimos e ter tempo para refletir e buscar diversos interesses têm sido relacionadas com a felicidade. Não há certamente qualquer razão intrínseca para que estes dois conjuntos de recompensas – a material e a sócio emocional – sejam mutuamente exclusivos. Na prática, todavia, é muito difícil reconciliar suas demandas conflitantes. Logo, as vantagens materiais nem sempre são prontamente traduzidas em benefícios sociais e emocionais.

A quarta razão é corroborada pelo fato de que, à medida que muito de nossa energia psíquica torna-se investida em objetivos materiais, é comum que a nossa sensibilidade para outras recompensas se atrofie. Amizade, arte, literatura, beleza natural, religião e filosofia tornam-se cada vez menos interessantes. O economista sueco Stephen Linder certa vez mencionou que, quando os rendimentos aumentam, e, por consequência, o valor do tempo de uma pessoa aumenta, torna-se cada vez menos ”racional” gastá-lo e m algo além de obter dinheiro ou gastá-lo com conspicuidade. O custo da resposta de brincar com uma criança, ler uma poesia ou atender a uma reunião familiar torna-se bastante alto e, assim, a pessoa para de fazer tais coisas, achando-as irracionais.

Eventualmente uma pessoa que responde apenas às recompensas materiais torna-se cega para qualquer outro tipo e perde” habilidade paro derivar a felicidade de outras fontes. Como quaisquer vícios, em geral as recompensas materiais, num primeiro momento, enriquecem a qualidade de vida e, talvez, devido a isso, tendamos a concluir que, quanto mais, melhor. Porém, a vida raramente é linear; em outros casos, o que é bom, em pequenas quantidades torna-se corriqueiro, e então, perigoso em doses maiores. A dependência dos objetivos materiais é bastante difícil de evitar, em parte, porque nossa cultura tem, progressivamente, eliminado alternativas que no passado foram usadas para dar significado e: propósito a nossa vida.

Muitos historiadores têm afirmado que as culturas passadas forneceram uma grande variedade de modelos atrativos para viver com sucesso. Uma pessoa pode ser valorizada e admirada pelo fato de ser um santo, um sábio, um bom escultor, um patriota ou um cidadão honesto. Nos dias do hoje a lógica de reduzir cada coisa a uma medida mensurável, tem feito do dinheiro uma métrica comum pela qual se avalia cada aspecto das ações humanas. Com isso, uma pessoa e suas realizações são, atualmente, valorizadas muito mais pelo preço que alcançam no mercado. Assim, não é surpreendente que um grande número de pessoas sinta que a única maneira de alcançar uma vida feliz é acumulando todos os bens materiais que podem caber em suas mãos. Aliás, muitos gostariam de ter só mãos em seu corpo. Importante novamente mencionar que não estamos sugerindo que as recompensas materiais de riqueza, saúde, conforto e fama sejam depreciativas da Felicidade. Estamos apenas afirmando que após um limiar mínimo – variável com a distribuição dos recursos numa dada sociedade – estas recompensas parecem ser irrelevantes.

 A PSICOLOGIA DA FELICIDADE

Sendo assim, uma alternativa ao enfoque materialista é a solução denominada psicológica. Este enfoque é baseado na premissa de que, se a felicidade é um estado mental, as pessoas poderiam ser hábeis em controla-la por meios cognitivos. Naturalmente, é possível também controlar a mente farmacologicamente. Cada cultura tem desenvolvido drogas que variam desde a heroína até o álcool num esforço para melhorar a qualidade da experiência por meios químicos diretos. Todavia, ao bem-estar quimicamente induzido, falta um ingrediente vital para a felicidade: o conhecimento de que alguém é responsável por tê-la realizado. Felicidade não é alguma coisa que acontece para as pessoas, mas sim alguma coisa que elas fazem acontecer. Esta é a diferença fundamental.

O enfoque psicológico da felicidade, portanto, considera exclusivamente os processos em que a consciência humana usa a sua habilidade de auto-organização, para realizar um estado interno positivo por meio de seus próprios esforços, sem depender de qualquer manipulação externa do sistema nervoso. Há várias maneiras de programar a mente para aumentar a felicidade ou pelo menos para evitar ser infeliz. Algumas religiões têm feito isso prometendo uma vida eterna de felicidades após a nossa existência terrena. Outras religiões têm desenvolvido técnicas complexas para controlar o fluxo de pensamentos e de sentimentos e, portanto, fornecer os meios para expulsar o conteúdo negativo da consciência. Algumas das disciplinas mais radicais e sofisticadas para o auto­controle da mente foram desenvolvidas na Índia, culminando com os ensinamentos budistas de 25 séculos atrás. independentemente da verdade de seu conteúdo, a fé, numa ordem sobrenatural parece enriquecer o bem-estar subjetivo.

De fato, levantamentos têm indicado que há uma baixa, mas consistente correlação entre religiosidade e felicidade. A Psicologia contemporânea tem desenvolvido várias soluções que compartilham destas premissas das tradições antigas, mas diferem, drasticamente, em conteúdo e detalhes. O que é comum nela, é a suposição de que técnicas cognitivas, atribuições, atitude e estilos perceptivos podem ajudar a mudar os efeitos das condições materiais na consciência ajudar a reestruturar os objetivos das pessoas e consequentemente, melhorar a qualidade da experiência.  Muitos estudiosos têm desenvolvido seus conceitos teóricos com suas próprias implicações preventivas e terapêuticas.

A EXPERIÊNCIA AUTOTÉLICA

Assim estabelecido, cumpre lembrar que uma das noções recentemente introduzida para explicar a felicidade é aquela denominada experiência autotélica ou de personalidade autotélica. O conceito descreve um tipo particular de experiência que é tão absorvente e prazerosa que ela se torna autotélica, isto é, valorosa por fazer algo para o seu próprio bem, mesmo que não tenha qualquer consequência externa. Atividades criativas, música, esportes, jogos e rituais religiosos são alguns exemplos típicos deste tipo de experiência. As pessoas autotélicas são aquelas que têm com frequência mais tipos de experiências, independente do que elas estejam fazendo.

Muitos estudos têm sugerido que a felicidade depende de uma pessoa ser capaz de derivar experiências autotélicas a partir de qualquer coisa que ela faz. Em adição, os dados têm mostrado que este tipo de experiência não é limitada aos empenhos criativos. Ela também pode ser encontrada nos adolescentes que adoram, estudar, nos trabalhadores que apreciam os seus trabalhos e aos motoristas que adoram dirigir. Este tipo de experiência tem algumas características comuns. Primeiro, as pessoas reportam que conhecem muito claramente o que elas têm de fazer, passo a passo, em parte porque elas conhecem o que cada atividade exige e, em parte, porque elas estabelecem com clareza os objetivos de cada passo ou atividade. Segundo, as pessoas podem obter feedback imediato sobre o que estão fazendo. Novamente, pode ser porque as atividades fornecem informações sobre o desempenho ou porque as pessoas têm um padrão interno que torna possível conhecer se as ações realizadas alcançam aquele padrão internalizado. Finalmente, uma personalidade autotélica sente que suas habilidades para agir se emparelham às oportunidades para a ação. Se o desafio é muito maior para as habilidades de um a pessoa, provavelmente ela sentirá ansiedade ou angústia, se as habilidades são maiores que os desafios, a pessoa se sentirá entediada. Quando, porém, os desafios estão em perfeito equilíbrio com as habilidades, a pessoa se sentirá envolvida e encantada com a atividade e uma experiência genuinamente autotélica resultará

Em resumo, as pessoas autotélicas tendem a registrar mais frequentemente estados emocionais positivos. Sentem que sua vida é mais significativa e têm mais objetivos. Esse conceito de experiência autotélica nos ajuda a explicar as causas contraditórias, e algumas vezes conflitantes, do que nós usualmente denominamos de felicidade. Ele explica porque é possível alcançar estados de bem-estar subjetivos por meio de diferentes caminhos: as pessoas são felizes não por causa do “que” fazem, mas, por causa de “como” elas fazem. Devemos ter prazer num dado estado mental, para nos          beneficiarmos dele. Em outras palavras, o pré-requisito para a felicidade é a habilidade de estar completamente envolvido com a vida. Se as condições materiais são abundantes, tanto melhor, mas a falta de riqueza, ou de saúde, não pode impedir uma pessoa de ter experiências autotélicas. quaisquer que sejam as circunstâncias que ela tenha em mãos.

É necessário também encontrar satisfação na realização de atividades que são complexas e que o fornecem um potencial para o crescimento. durante toda a vida e que, também, permitem a emergência de novas oportunidades para a ação e a estimulação de novas habilidades. Quando experiências positivas derivam-se de atividades físicas, mentais ou de envolvimentos emocionais plenos oriundos do trabalho, dos esportes, dos hobbies, da meditação e das relações interpessoais, então as chances para uma vida complexa que levam à felicidade certamente aumentam. Devemos finalmente lembrar, tal como John Locke alertou, que as pessoas não devem confundir felicidade imaginária com a felicidade real e enfatizar, tal como Platão fez há 25 séculos, que a tarefa mais urgente de nossos educadores é ensinar os nossos jovens a encontrar prazer nas coisas certas. Felicidade é a harmonia entre o pensar, o dizer e o fazer. (Mahatma Gandhi).

 

GESTÃO E CARREIRA

Sem sair de casa

SEM SAIR DE CASA

Cursos à distância ajudam a desenvolver novas competências e a se atualizar no mercado. Há bons conteúdos gratuitos disponíveis na internet.

Quem quer aprender sem sair de casa e busca horários mais flexíveis para estudar pode apostar nos cursos de ensino a distância. Plataformas como Veduca, Miríada, Iped e Coursera oferecem uma infinidade de opções e colocam os interessados em contato com renomadas universidades do Brasil e do mundo, como as americanas Harvard e Stanford. E há, claro, alguns conteúdos que despontam como os mais populares nos últimos meses. “Na nossa plataforma, a Miríada, vemos uma grande busca por cursos relacionados aos segmentos de tecnologia, empreendedorismo, sustentabilidade e marketing”, diz Luís Cabanas, diretor-geral da Universia Brasil. Segundo consultores de RH, áreas como de gestão de pessoas, engenharia, energia e segmento financeiro devem ser as primeiras a retomar as contratações em 2017 e podem ser uma boa opção para quem busca se atualizar.

Como existem centenas de opções, é interessante fazer uma triagem na hora de escolher o curso. “É importante consulta r o conceito desses programas nas avaliações dos órgãos reguladores e a opinião de ex-alunos”, diz Luís. Apesar de ser um modelo flexível de aprendizado, é essencial formatar uma rotina. Organizar uma agenda de estudos com uma carga horária ao longo da semana compatível com os compromissos e buscar um ambiente favorável para o estudo – com uma boa conexão à internet – também pode ajudar. E nem adianta usar a desculpa de que está sem dinheiro. Vários conteúdos são gratuitos – a única restrição é que alguns não emitem certificado sem cobrar por isso. Confira a seguir dez cursos online que vão ajudar você a se desenvolver.

 CRISES FINANCEIRAS: RAÍZES, RESULTADOS E RESPOSTAS

INSTTIUIÇÃO: Veduca/Princeton

Organizado por Alan Blinder, economista da Universidade de Princeton, o conteúdo das aulas tem o objetivo de explicar quais foram as causas da crise económica de 2008, que assolou os Estados Unidos e impactou os negócios em todo o mundo.

CARGA HORÁRIA: 5,86 horas

lDl0MA: inglês

VALOR: gratuito

LINK: http://bit.ly/crisesfinanceiras

 

COMO DESENVOLVER A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NOS TIMES

INSTITUIÇÃO: Udemy

Ministradas por Robin Hills, psicólogo especializado em inteligência emocional, as aulas abordam possíveis ferramentas práticas e motivacionais para estimular profissionais de gestão de pessoas a constituir times que melhorem seu ambiente de trabalho.

CARGA HORÁRIA: 5 HORAS

IDIOMA: inglês             

VALOR: 48 reais

LINK: http:/bit.ly/inteligência_emocional_udemy

 

GESTÃO DE PROJETOS

INSTITUIÇÃO: Veduca

O curso traz dicas para administração de projetos de todas as esferas e aborda duas formas de gerenciamento: project management body of knowledge (PMBok) e gestão ágil de projetos. Profissionais de todas as áreas podem participar das aulas que prometem tornar os ouvintes mais eficientes.

CARGA HORÁRIA: 45 horas, com certificado      

IDIOMA: português

VALOR: 50 reais

LINK: http://bit.ly/veduca_gestao_projetos

 

DECIFRANDO O MARKETING SOCIAL

INSTITUIÇÃO: lped

A ideia do curso é compreender por que o marketing está cada vez mais relacionado com as causas sociais. Ensina a fazer formulação de plano estratégico de campanhas sociais e anotar a importância das marcas no apoio a causas, ao cooperativismo e ao associativismo.

CARGA HORÁRIA: 80 horas, com certificado

IDIOMA: português

VALOR: 90 reais

LINK: http://bit.ly/marketingsocial_iped

 

TECNOLOGIA – SEGURANÇA CIBERNÉTICA

INSTITUIÇÃO: Coursera / Universidade da Geórgia

Por meio de estudos de caso, o curso ajuda a aprimorar os conhecimentos em segurança cibernética, governança e gestão de riscos, segurança no desenvolvimento de software, controle de acesso, segurança de rede, arquitetura de segurança, operações de segurança e segurança física e ambiental. Indicado para profissionais de TI ou interessados no assunto.

CARGA HORÁRIA: 6 horas

IDIOMA: português e Inglês

VALOR: grátis

LINK: http://bit.ly/segurança_cibernetica

 

CONSULTORIA E INVESTIMENTOS FINANCEIROS

INSTITUIÇÃO: Fundação Getúlio Vargas

A proposta é analisar o papel dos agentes econômicos- dos poupadores e dos investidores -de modo a compreender a necessidade da intermediação financeira na economia. Direcionado para profissionais de finanças e negócios.

CARGA HORÁRIA: 30 horas, com certificado.

IDIOMA: português

VALOR: 920 REAIS

LINK: http://bit.ly/investimentos_financeiros

 

PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DE LÍDERES GLOBAIS

INSTITUIÇÃO: ESPM

O curso visa capacitar os profissionais a gerir as tensões causadas pelas diferenças culturais e a criar valores a partir da diversidade de seu time de trabalho, elaborando estratégias com escopo global e ação local. Válido para aqueles que almejam expatriações.

CARGA HORÁRIA: 16 horas, com certificado

IDIOMA: português

VALOR: 816 reais

LINK: http://bit.ly/líderes_globais

 

LIDERANDO SABIAMENTE

INSTITUIÇÃO: TED e Veduca

Em 11 aulas, especialistas em liderança explicam o que faz com que alguém se torne um líder excelente. Entre as palestras, Simon Sinek, consultor de gestão inglês, mostra como construir uma

Liderança inspiradora; Sherryl Sandberg, COO do Facebook, comenta por que poucas mulheres alcançam cargos altos; e ltay Talgam, maestro e consultor empresarial, explica o que os grandes maestros podem ensinar sobre gestão de pessoas.

                                  CARGA HORÁRIA: 165 minutos

                                  IDIOMA: inglês, com legendas em português

                                  VALOR: gratuito

                                  LINK: http://bít.ly/liderandosabiamente

GESTÃO E AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS

INSTITUIÇÃO: Fundação Getúlio Vargas

Quem ministra as aulas é o especialista Enrique Saravia, doutor em direito pela Université de Paris 1 – Panthéon-Sorbonne e ex-diretor do Projeto das Nações Unidas OCE Reforma do Estado na América Latina e no Caribe. O material analisa os métodos de gestão e avaliação de políticas públicas, especialmente em períodos de privatizações.

CARGA HORÁRIA: 30 horas, com certificado

IDIOMA: português

VALOR: 920 reais

LINK:http://bit.ly/políticas_púlbicas_fgv

 

 

NEGOCIAÇÕES DE SUCESSO: ESTRATÉGIAS E HABILIDADES ESSENCIAIS

INSTITUIÇÃO: Coursera / Universidadede Michigan

Introdução prática e holística às estratégias e habilidades que podem levar a negociações de sucesso na vida pessoal e nas transações de negócios. Indicado para profissionais de todas as áreas.

CARGA HORÁRIA: 9 horas

IDIOMAS: inglês e espanhol

VALOR: gratuito

LINK: http://bit.ly/negociaçõesdesucesso

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

O Peso do passado

ARREPENDIMENTO: O PESO DO PASSADO

Não nos arrependemos do mesmo jeito das coisas que fizemos e das que deixamos de fazer: os psicólogos mostram que as ações não realizadas deixam uma sensação mais amarga.

 Quem consegue não se arrepender de nada na vida? A existência nos impõe inúmeras oportunidades de experimenta-lo: chances perdidas, julgamentos errados, atos impulsivos, inibições inexplicáveis… Um estudo sobre a expressão cotidiana das emoções mostrou que os sentimentos de arrependimento (“Se eu soubesse…”, “Eu não deveria…”!) vêm em segundo lugar nas conversas, depois, é claro, de tudo o que se relaciona ao amor e à afeição. Será p arrependimento um companheiro para toda a vida? Arrepender-se de que? Por quê? E até que ponto? Os arrependimentos servem para alguma coisa? Se sim, para quê? E, enfim, podemos ou devemos tentar escapar deles? Essas perguntas começam a encontrar respostas na psicologia científica.

Os dicionários de francês definem regret como “um estado de consciência penoso, ligado ao passado, pelo desaparecimento de momentos agradáveis”: lamentamos o fim da infância, das férias, de um amor. Em seu Tratado das paixões da alma, Descartes o descreveu como um pesar, uma “espécie de tristeza” daquilo que se passou bem. Esse tipo de sentimento, que se assemelha à nostalgia, pode às vezes, e paradoxalmente, causar certo prazer, pois é associado à evocação de momentos agradáveis. Victor Hugo, por exemplo, definia nostalgia e melancolia como a felicidade de ser triste”.

Outro uso regret, mais difundido, e mais similar ao termo “arrependimento”, em português, é ligado ao descontentamento ou à mágoa por ter feito – ou não – alguma coisa. Trata-se de uma sensação desagradável, associada a numerosas emoções negativas: ressentimento, culpa, auto censura etc. Não nos contentamos mais em somente evocar o que se foi, mas avaliamos nossa responsabilidade num comportamento passado que lamentamos e em suas consequências atuais. Nesse sentido, o arrependimento não é somente a dor do passado, mas também um sofrimento do presente.

Para a psicologia, esse sentimento associa-se a aspectos emocionais (tristeza, às vezes raiva, vergonha ou preocupação) e cognitivos (avaliações de que não agimos como deveríamos). O arrependimento é ligado tanto à ação quanto à ausência dela e se distingue do remorso, que é o arrependimento por ações que prejudicam alguém.

 O QUE É ARREPENDIMENTO?

Imagine a seguinte situação, João ia viajar às 17h30, mas quis terminar um trabalho e decidiu pegar o voo das 19h30. O avião das 19h30 caiu. Sua triste sorte inspira ainda mais pesar em seus parentes e amigos por ele ter feito a mudança do que se tinha previsto desde o início viajar às 19h30(eles pensam, “Se não tivesse mudado de ideia ainda estaria, vivo”). Nesse caso, seria apenas uma fatalidade. Nossos arrependimentos são, assim, estreitamente ligados a nossos atos, quanto mais dependente da fatalidade ou de circunstâncias exteriores um acontecimento parece, menos nos arrependemos dele.

Outra situação avaliada ao longo de uma pesquisa de psicologia social, Paulo e Pedro têm ações nas empresas A e B. No ano passado, Paulo, que havia muito tempo investira em ações da A, teve vontade de mudar e investir tudo na B. Mas acabou não mudando e, por isso, perdeu R$ 2 mil, pois B rendeu muitos lucros, enquanto A aumentou prejuízos. Pedro tinha ações da B, e teve a péssima ideia de transferir tudo para A. Desse modo, ele também perdeu R$ 2 mil. Do ponto de vista estritamente financeiro, ambos tiveram a mesma desventura. Entretanto, quando questionadas sobre qual dos dois deveria sentir mais arrependimento, 92% das pessoas ouvidas estimaram que Pedro provavelmente tinha arrependimentos mais pungentes: sua má inspiração ditou lhe um comportamento nefasto. Teria sido melhor se nada tivesse leito.

Já o arrependimento de Paulo, vítima da própria inação, parece menos penoso às pessoas convidadas a se identificar com os personagens dessa história. A ação engendra mais arrependimento que a inação.

De maneira geral, diversos estudos indicam que nos arrependemos mais pelo que fizemos do que pelo que não fizemos, a curto prazo, nossos fracassos são mais dolorosos quando provêm de ações que não trouxeram os frutos esperados (como no caso de Pedro, que vendeu suas ações da empresa B no momento errado) que quando resultam de inações (como Paulo, que pensou em comprar ações B, mas não o fez). Além disso, os psicólogos evolucionistas supõem que a função do arrependimento é justamente nos permitir aprender com nossos fracassos e nos incitar a ser mais prudentes no futuro, sem que nos lancemos de novo em uma ação incerta.

AGIR OU NÃO AGIR?

Em sentido oposto, outros estudos avaliaram o motivo dos maiores arrependimentos das pessoas e constataram que os mais profundos provêm daquilo que elas não fizeram: “Eu deveria ter seguido meus estudos”, “Deveria ter falado mais com meu pai enquanto ele era vivo”.

Numa pesquisa realizada com 77 pessoas de diversos meios sociais, que foram questionadas sobre os principais pesares de sua vida, dos 213 listados, apenas dez referiam-se a acontecimentos alheios ao controle da pessoa (“ter sofrido paralisia infantil). Quanto aos que dependiam de uma decisão própria, 63 % tinham a ver com uma ação não realizada, contra 37% de atos realizados (por exemplo, más escolhas sentimentais, profissionais ou financeiras).

Como explicar essa aparente contradição? Pelo fato de o arrependimento evoluir com o passar do tempo, temos a tendência imediata de nos arrepender das coisas que fizemos (quando deram errado, claro). E, a longo prazo, tendemos a nos arrepender mais de inações, de intenções de ação não concretizadas.

Além disso, parece que o perfil emocional desses dois tipos de arrependimento é distinto: arrependimentos por ações, a curto prazo, são mais intensos que aqueles provocados por inação. No plano emociona, os primeiros são geralmente chamados de “quentes”, enquanto os últimos são os “melancólicos”. Um estudo com 79 voluntários, que avaliava a intensidade das emoções associadas ao maior arrependimento de cada um nessas duas categorias, mostrou claramente essa relação: arrependimentos por ação são mais associados a emoções imensas (cólera, vergonha, a culpa, frustração etc.), e arrependimentos por inação são mais ligados a emoções discretas (sentir-se melancólico, saudoso, desenganado etc.). No primeiro caso, lamentamos uma realidade e no segundo, uma virtualidade. Como e pôr que passamos da dor pelo que fizemos ao incômodo pelo que não fizemos. Muitas explicações são possíveis. Antes de tudo, diversos fenômenos atenuam o tormento dos arrependimentos ligados aos atos, estes, às vezes, são reparáveis (pôr exemplo, desculpar-se e reconciliar-se depois de uma briga). Além disso, um trabalho de compensação psicológica frequentemente ofusca as consequências negativas de nossos atos, notadamente impelindo-nos a nos concentrar nos aspectos positivos da situação e não nos lamentáveis (“Não me casei com uma pessoa legal, mas meus filhos são maravilhosos”). Para exprimir esse fato, os anglo-saxões têm um provérbio, Every cloud has a silver lining, ou seja, “Toda nuvem tem uma borda iluminada”.

Contrariamente, a inação é mais insidiosa, e alguns mecanismos tendem a amplificar a dor do arrependimento causada pôr ela. Assim, se as consequências de uma ação lamentável são identificáveis e limitadas, as de uma ação não realizada são infinitas. Podemos sem dificuldade imaginar múltiplas cenas decorrentes do que teria acontecido “se” tivéssemos sido mais obstinados, mais seguros, mais ambiciosos…E isso vai aumentando, pois com o tempo tendemos a superestimar nossa capacidade de agir favoravelmente, uma vez que as dificuldades ligadas a uma situação passada se distanciaram. Assim, como o contexto preciso foi esquecido, não conseguimos mais explicar a própria inação, que nos parece indesculpável: “Como não tomei a decisão que se impunha, não posso me perdoar”.

No caso dos arrependimentos por inação, o campo das possibilidades não realizadas cresce à medida que a vida passa. Desse modo, não espanta que o arrependimento pelo tempo que se esvai seja uma fonte importante de inspiração poética e literária. Grande parte da obra Em busca do tempo perdido é inspirada nesse tema, segundo seu autor, Marcel Proust, “só podemos nos arrepender daquilo de que nos lembramos”. Essa frase subentende a existência do recalque de muitas das lembranças desagradáveis.

PERFIL DE PERSONALIDADE

Enfim, o arrependimento por inação é mais memorável que o arrependimento por ação. Esse efeito é conhecido em psicologia social desde 1935 como efeito Zeigamik (do nome de seu descobridor) e recebeu numerosas confirmações experimentais. Numa pesquisa, voluntários foram questionados sobre quais eram seus três maiores arrependimentos por ação e os três maiores por inação Três semanas depois, os pesquisadores telefonaram para cada um deles para saber se eles se lembravam das respostas dadas. A maioria (64%) lembrava-se mais dos arrependimentos por inação.

O interesse das pesquisas sobre arrependimento não é somente teórico. Elas permitem compreender que esses sentimentos representam uma atividade mental importante e inevitável no ser humano, às vezes útil, mas cujos efeito podem ser prejudiciais para alguns.

Assim, as pessoas que sofrem de fobias graves, como as sociais (timidez patológica, que leva a evitar inúmeras situações) ou a agorafobia (medo excessivo de frequentar lugares públicos, o que limita a autonomia e o deslocamento), devem renunciar, devido a seu distúrbio, a muitas atividades. Elas sofrem de arrependimentos múltiplos que muitas vezes dão origem a um estado depressivo. Todavia, os sofrimentos ocasionados por arrependimentos não se relacionam apenas às pessoas com problemas psiquiátricos. Cada um está sujeito a tais sofrimentos em graus variáveis, mas certos traços de personalidade os favorecem. Diversos estudos expuseram os fatores que agravam ou aliviam os arrependimentos, assim como as atitudes que nos permitem enfrentá-los melhor.

Determinados perfis de personalidade parecem mais expostos aos riscos de um arrependimento excessivo que outros. Assim, as pessoas que têm o hábito de cultivar uma visão positiva da existência

Têm menos arrependimentos mesmo em relação a acontecimentos desfavoráveis. Numa experiência, contou-se aos voluntários a seguinte cena: “Enquanto você espera sua vez na fila do banco, aparece um assaltante que, durante a fuga, dá vários tiros e um deles atinge o seu braço. Você teve sorteou azar?”. Diferenças de opinião muito claras aparecem: alguns lamentam a má sorte (“Precisava acertar justo em mim?”’ “Se eu tivesse chegado dez minutos mais tarde não teria acontecido nada…”) e outros comemoram a sorte, sem pesar. (“Que sorte, eu poderia ter morrido!”) Pode-se tirar daí um conselho de muita lucidez: diante dos acontecimentos, é fundamental imaginar tudo que poderia ter acontecido, e não somente o que poderia ter sido melhor!

Outros trabalhos mostraram como pessoas perfeccionistas, que buscam sempre atingir o melhor resultado e fazer as melhores escolhas possíveis, são geralmente menos satisfeitas, pois estão mais expostas ao arrependimento, que aquelas que se contentam com uma “escolha aceitável”. Um segundo conselho, muito sábio: é importante aprender nos diversos domínios do cotidiano, a renunciar ao ideal e a apreciar resultados modestos. Essa atitude não é aceitação da mediocridade, mas a busca pelo equilíbrio e pela melhor relação entre custo e benefício no dia-a-dia.

Por fim, há outro campo de pesquisa, sabemos que para muitas pessoas que têm vontade de agir, mas frequentemente desistem com medo do fracasso, ou para aquelas que tendem a transferir tudo para o dia seguinte, o hábito de se sujeitar a situações desagradáveis, ou pior, de renunciar a agir, é fator de frustração e arrependimento. Esta atitude é problemática, já que, mais de uma vez, foi demonstrado que a falta de ação tende a prender a pessoa num círculo vicioso.

Assim, se você não reagir rápido o bastante ou se perdeu uma primeira oportunidade de agir e tirar proveito disso (por exemplo, a liquidação com 50% de desconto numa loja que você adora), quando se apresentar uma segunda ocasião, também favorável, embora menos que a primeira, há grande probabilidade de você renunciar novamente para não ter arrependimentos do tipo, “Deveria ter aproveitado a primeira chance”.

Uma vez que os arrependimentos ligados à inação parecem infinitos, e que a inação leva a mais inação, outra ponderação útil poderia ser, na dúvida, aja. Aliás esta terceira sugestão também não deve ser levada ao pé da letra. Ao contrário, deve ser adaptada e personalizada. Com efeito, para pessoas que agem com facilidade, os arrependimentos têm menor importância em um fracasso ligado à ação que em um insucesso ligado à inação. Com pessoas indecisas dá-se o contrário, o arrependimento por um fracasso ligado à ação é mais doloroso. Decididamente, parece difícil não se arrepender de nada. Além do mais, talvez isso nem seja desejável.

IMPOSSÍVEL NÃO SE ARREPENDER

Entre dezenas de pesquisas realizadas sobre “os maiores arrependimentos da vida”, a maioria constatou que é impossível não se arrepender de absolutamente nada pois cada escolha se faz em detrimento de outra. Escolher uma opção é, implicitamente, eliminar outra. Em vez de visar o domínio total das escolhas ideais (o que é impossível) ou evitá-las totalmente (o que é ineficaz), parece melhor aprender a lidar de maneira inteligente com os arrependimentos. Como todas as emoções, esses sentimentos têm papel importante na capacidade de adaptação ao meio e no equilíbrio psíquico. Eles nos ensinam a fazer um balanço de nossos atos e a tirar deles lições para o futuro. Para libertar­ se do medo do fracasso e do arrependimento antecipado, o mais eficiente não é renunciar à ação, mas aumentar a tolerância com as derrotas. E, sobretudo, aprender a enxergar os ensinamentos que elas trazem, para transformar as situações de arrependimento em oportunidades de aprendizado, como nos lembra o ditado, “Se perder, pelo menos não perca a lição”.

Tentemos contradizer La Bruyére, que, em seu Caracteres, constatou com certo pessimismo o mau uso que o ser humano faz de suas experiências, o arrependimento que sentem os homens por causa do mau emprego que deram ao tempo que viveram, nem sempre os leva a aproveitar melhor o tempo que lhes resta“.

 CHRISTOPHE ANDRÉ é psiquiatra do Hospital Sainte-Anne e professor da Universidade Paris X.