ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 27 – TATO E DIPLOMACIA, CHAVES PARA EDIFICAR (NÃO DESTRUIR) PONTES

“Nunca corte o que você pode desatar.”  — Joseph Joubert

PENSAMENTO-CHAVE: Aprender a trazer à tona o melhor das pessoas e relacionamentos é uma das mais importantes habilidades que um líder espiritual pode possuir.

UM ESTUDO DE CASO ACERCA DA INSENSIBILIDADE

Houve um tempo na História em que o reino de Israel se dividiu, mas muitos não se recordam de que evento promoveu essa divisão. A divisão ocorreu quando o rei Roboão demonstrou insensibilidade e dureza àqueles que estavam sob o seu cuidado e respondeu a eles grosseiramente.

A influência de Roboão como um líder foi drasticamente diminuída por causa da sua falta de diplomacia e tato em lidar com as pessoas (ele perdeu 10 das 12 tribos). A parte mais triste foi que ele fora avisado por conselheiros sábios exatamente como se relacionar adequadamente com aqueles que estavam sob o seu cuidado (2 Crônicas 10:7): “Eles lhe disseram: Se te fizeres benigno para com este povo, e lhes agradares, e lhes falares boas palavras, eles se farão teus servos para sempre”.

Em vez de responder ao povo severamente, Roboão teria sido sábio em atentar para as palavras de Provérbios 15:1: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira”.

Quebras de relacionamentos podem ocorrer por muitas razões, contudo, não queremos negligenciar e perder essa importante lição concernente a tato e diplomacia.

MAS EU NÃO QUERO SER ALGUÉM QUE AGRADA A TODOS

Muitos hesitam diante do pensamento de “agradar as pessoas”, porque eles pensam na falsidade da qual Colossenses 3:23 fala. Não querem ser como o líder artificial, bajulador, de duas caras que eles já viram falando com uma voz suave e agradável na tentativa de abrir seu caminho para o topo. Apesar disso, ainda existe um lado positivo em agradar as pessoas. Considere essas duas passagens dos escritos de Paulo:

Assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos.  — 1 Coríntios 10:33

Portanto, cada um de nós agrade ao próximo no que é bom para edificação.  — Romanos 15:2

O motivo para agradar as pessoas é a chave. Paulo não estava em uma briga pela popularidade (Gálatas 1:10), não estava obcecado em ser politicamente correto, ele não estava buscando agradar as pessoas para um ganho pessoal. Em vez disso, ele procurou edificar pontes que serviriam posteriormente para os propósitos do Reino. Ele foi muito deliberado e intencional nisso (veja 1 Coríntios 9:19-23).

CONTEÚDO, TEMPO E TATO

A comunicação efetiva, a qual é uma das nossas maiores ferramentas na edificação de relacionamentos positivos, envolve três componentes-chave:

•  Conteúdo (o que dizer)

•  Tempo (quando dizer)

•  Tato (como dizemos)

Infelizmente, muitas pessoas parecem focar exclusivamente no conteúdo em sua comunicação, enquanto ignoram os componentes vitais de tempo e tato. O que dizemos (conteúdo) é importante, mas não nos foi dito apenas para falar a verdade, mas para falar a verdade em amor (Efésios 4:15). O amor não apenas considera o conteúdo ou a exatidão da mensagem, mas também considera o bem-estar do ouvinte e se preocupa o suficiente para buscar a melhor maneira para comunicar a verdade. Neste capítulo, iremos falar do tato, e é essencial entender que até mesmo o melhor conteúdo pode ser minado significativamente se não exercermos a sabedoria e a sensibilidade em como o comunicamos.

Tato é definido como:

•  Um senso apurado de o que dizer ou fazer para evitar ofender alguém.

•  Habilidade em lidar com situações difíceis ou delicadas.

•  Um senso apurado do que é apropriado, de bom gosto ou esteticamente agradável.

•  Sabor.

•  Discriminação.

Ouvi rapidamente uma história imaginativa que ilustra o significado de tratar as pessoas com tato. Um rei chamou um de seus videntes para inquirir a respeito de seu futuro. O vidente respondeu: “Você viverá para ver todos os seus filhos mortos”. Ouvindo isso, o rei irou-se e ordenou que o vidente fosse morto. O rei então fez a um segundo vidente a mesma pergunta. Esse vidente disse: “Você será abençoado com uma longa vida, e morrerá em uma idade madura. Você viverá mais do que todos os da sua família”. O rei ficou satisfeito e galardoou esse vidente com ouro e prata. Ambos reportaram basicamente os mesmos fatos, mas apenas um deles teve tato na maneira de comunicar a mensagem.

GRANDE SABEDORIA

Discutindo as razões por que ministros falham, Gordon Lindsay disse: “… uma das maiores causas de falha é a falta de delicadeza ou tato. Muitos ministros possuem todas as qualificações para o serviço, exceto uma. E por que eles não têm isso? Acontece em grande parte porque eles não tiram tempo para dominá-la. Tato é delicadeza para com outros; é sensibilidade à atmosfera do momento; é uma combinação de interesses, sinceridade e fraternidade, dando a outro companheiro um senso de bem-estar na sua presença. Em uma palavra, é o amor cristão, a prática da regra de ouro”.

Oswald Sanders, outro grande líder espiritual, disse: “O significado original da palavra ‘tato’ se refere ao senso de toque, e veio a significar a habilidade em lidar com pessoas ou situações sensíveis. Tato é definido como ‘a percepção intuitiva, especialmente uma percepção rápida e fina do que cabe e é próprio e correto’. Isso alude à habilidade de alguém de conduzir negociações delicadas e assuntos pessoais de uma forma que reconhece os direitos mútuos, e ainda guia a uma solução harmoniosa”.

J. G. Randall declarou: “Tato é uma quantidade de qualidades trabalhando mutuamente: compreensão da natureza humana, simpatia, autocontrole, um talento especial de induzir os outros a um autocontrole, evitar ser desajeitado, prontidão para dar a uma situação imediata uma mente compreensiva e um segundo olhar. Tato não é apenas bondade, mas uma bondade habilidosamente estendida”.

Baltasar Gracian disse: “Cultive o tato, porque é a marca de cultura… o lubrificante das relações humanas, suaviza contatos e minimiza fricções”.

O comentarista bíblico Alexander Maclaren comentou: “Bondade faz uma pessoa mais atrativa. Se você quiser ganhar o mundo, faça-o derreter, e não o martele”.

Outro sábio disse: “Tato é a arte de argumentar, sem fazer um inimigo”.

Se alguma pessoa entendeu que era impossível agradar a todos, esse foi o presidente Abraham Lincoln. Ele guiou os Estados Unidos através dos dias mais difíceis e divididos. Entendendo a importância de manter bons relacionamentos sempre que possível e evitar todas as ofensas desnecessárias, Lincoln disse: “A nitidez de uma recusa ou a proximidade de uma censura podem ser anuladas por uma história apropriada de modo a poupar sentimentos feridos e ainda servir ao propósito”. Em outras palavras, Lincoln sabia que ele tinha de tomar decisões duras que nem todos concordariam, mas ele buscou comunicar aquelas decisões e posições de uma maneira que causasse o mínimo de dano, e que poderia esperançosamente facilitar relacionamentos positivos em seu intercurso.

Considere os seguintes versículos que lidam com graciosidade na comunicação:

•  O SENHOR Deus me deu língua de eruditos, para que eu saiba dizer boa palavra ao cansado. Ele me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos (Isaías 50:4).

•  Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo (Provérbios 25:11).

•  Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo (Provérbios 16:24).

•  Todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que lhe saíam dos lábios, e perguntavam: Não é este o filho de José? (Lucas 4:22).

•  A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um (Colossenses 4:6).

AS LIMITAÇÕES DO TATO

Seria enganoso dar a impressão, contudo, de que a delicadeza e a diplomacia são varinhas mágicas que garantem o sucesso em todas as situações. O fato de que você faz a sua parte, exercendo sabedoria e graciosidade, não garante que outros irão agir automaticamente da forma que você gostaria que eles agissem. As pessoas se maravilharam com as palavras graciosas que foram proferidas por Jesus, mas Ele ainda assim foi crucificado. João foi conhecido como “O Apóstolo do Amor”, mas ele ainda acabou sendo exilado na ilha de Patmos.

Independentemente da reação dos outros, se eles fazem a coisa certa ou não, continuamos com a responsabilidade de nos tornarmos os melhores comunicadores que pudermos, andando em bondade e sabedoria e fazendo tudo o que está em nosso poder, com a ajuda divina, para edificar os melhores relacionamentos que pudermos com as pessoas.

Que Deus nos dê sabedoria enquanto tomamos a decisão de que as nossas palavras irão ministrar graça para todas as pessoas que as ouvem.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O LADO BOM DA DUPLA JORNADA

Mães que trabalham chegam à maturidade mais saudáveis e esbeltas

Trabalhar, educar os filhos, administrar a casa – não é fácil a vida da mulher-elástico. A boa notícia é que essa intensa rotina pode trazer benefícios à saúde. Avaliadas aos 50 anos, mães que sempre trabalharam estavam mais saudáveis e mais magras do que aquelas que se dedicaram exclusivamente à casa e aos filhos, é o que aponta uma pesquisa britânica.

Participaram do estudo 1.563 mulheres nascidas em 1946. Anne McMunn e sua equipe da Universidade de Londres coletaram informações sobre o desenvolvimento pessoal e profissional dessas mães em intervalos regulares ao longo dos anos. Em 1999, os cientistas avaliaram seu índice de massa corpórea e no ano seguinte elas responderam um questionário sobre seu estado geral de saúde.

Os resultados mostraram que as mulheres mais saudáveis eram as que ao longo da vida assumiram um número maior de papéis e responsabilidades. Nesse grupo, todas trabalhavam e apenas 23% estavam acima da faixa de peso ideal. Já no grupo das mães que nunca tiveram atividade profissional, 38% precisavam emagrecer e avaliaram mal seu estado geral de saúde.

Os pesquisadores também queriam saber se a saúde dessas mães era consequência do trabalho ou, ao contrário, se seu sucesso profissional se devia à boa saúde de que gozaram durante a juventude. Eles já sabiam que sobrepeso e obesidade interferem negativamente mais no desempenho profissional de mulheres do que de homens.

As análises, entretanto, não indicaram relação entre peso, estado geral de saúde na juventude e o rumo de vida tomado mais tarde. Sugerem, portanto, que as condições físicas não determinam o papel escolhido pelas mulheres. Ao contrário, a multiplicidade de afazeres, entre elas atividades profissionais, parece ter um efeito positivo sobre a saúde das mães que trabalham. A pesquisa foi publicada no Journal of Epidemiological and Comunity Health.

OUTROS OLHARES

O FIM DA PARANOIA

O dia em que começamos a sofrer de outra maneira

Isso aconteceu sem muito alarde, de forma praticamente silenciosa. Desde 2011., não há paranoicos no mundo. Eles desapareceram. Tiveram o mesmo destino das histéricas e doshistéricos, que sumiram de nosso convívio desde 1980. Essa é talvez uma das dimensões mais impressionantes das transformações categoriais no campo da psiquiatria e outras práticas clínicas congêneres. Ela diz respeito às reformulações de larga escala em nossa    forma de descrever e classificar o sofrimento psíquico nos últimos 40 anos. Estamos a modificar, de forma estrutural, nossa maneira de falar do sofrimento, mas isso ocorre praticamente sem nos darmos conta. Assim, falamos ainda em neuróticos, em paranoicos, em histéricas, melancólicos, psicóticos, maníaco-depressivos, neuróticos obsessivos, mesmo que essas entidades sejam algo como peças de um museu de cera, ao menos para o olhar clínico hegemônico atual.

No entanto, é melhor corrigir o que foi dito anteriormente. Não se trata apenas de uma “maneira de dizer”, pois nenhuma modificação em nossa forma de falar é indiferente ao objeto descrito. A linguagem determina os modos de ser. A verdade é que estamos mudando nossa forma de sofrer e isso deveria nos levar a refletir. Há algo fundamental sobre nós mesmos que semodifica quando sofremos de outra forma, quando retiramos a narrativa que antes acompanhava as mudanças súbitas de humor, as dores corporais sem causa aparente. E isso está a ocorrer como se fosse questão do de meros ajustes nosográficos entre especialistas às voltas com imagens de pet scan.

Tomemos alguns exemplos. De fato, desde que apareceu a quinta e última versão do mais influente manual utilizado por psiquiatras (o Manual de Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais DSM-5), há seis anos, não há mais uma categoria especifica que descreva o que durante quase um século se compreendeu por paranoia. O que temos são os delírios normalmente associados ao quadro paranoico (como delírios de perseguição, de grandeza, de ciúmes, erotomania) descritos de forma isolada como “transtorno delirante”. Ou seja, daquilo que anteriormente era um quadro de doença mental, com seu ciclo, seu desenvolvimento, seus sintomas múltiplos e sua etiologia, restou apenas um conjunto de transtornos analisados de forma isolada. Da mesma forma, com a terceira versão do DSM, publicada em 1980, a histeria havia sido mandada embora. Em seu lugar, ocorreu o mesmo       processo.

As conversões somáticas estão nos transtornos somatoformes, a hipersensibilidade e o comportamento mimético estão no transtorno de personalidade histriônica.

Isso explica um pouco o fato de tal processo de eliminação de categorias clínicas ter sido acompanhado de outro, relativo à profissão de transtornos. Mas, como se disse, isso explica apenas um pouco. Pois há mais coisas aqui. Quando foi publicado em sua primeira versão, em 1952, o DSM continha 128 categorias para a descrição de ‘modalidades de sofrimento psíquico. Em 2013, em sua última versão, ele apresentava 541 categorias. Ou seja, em cerca de 60 anos, 413 novas categorias foram “descobertas”. Não há nenhum setor das ciências que tenha conhecido um desenvolvimento tão anômalo e impressionante.

Diante de tal fenômeno, algumas questões merecem ser objeto de reflexão. Por exemplo, o que se perde quando uma categoria clínica desaparece, o que se ganha quando outras novas são apresentadas? Porque isso está a ocorrer agora? Estaríamos a passar neste exato momento, por uma verdadeira revolução científica que teria nas permitido enxergar aquilo que não conseguíamos enxergar antes? Como se, em um passado recente, estivéssemos a agir como botanistas que não conseguiam perceber as distinções entre várias espécies, criando com isso monstros nocionais que não expressavam espécie natural alguma? Como se, durante décadas, não tivéssemos percebido que havia entre nós pessoas sofrendo dos novos “transtornos de acumulação” (comportamento caracterizado por excesso de aquisição de itens e incapacidade de descarta-los) e “transtorno desafiador opositivo” (comportamento excessivo de quem está geralmente nervoso, irritado ou questionando figuras de autoridade)?

DESENVOLVIMENTO OU REAÇÃO?

Alguns gostam disso que poderíamos chamar “descrição redentora” do desenvolvimento da ciência; em geral e da psiquiatria particular. Tais descrições passam, inicialmente, da defesa de alguma forma de “salto tecnológico” que teria impulsionado modificações decisivas no campo de uma ciência determinada. Modificações estas que colocariam tais saberes em um processo de ajuste especular ao mundo, ou seja, de aproximação realista ao mundo fora de nós. Como se o destino das ciências fossem verdadeiros espelhos da natureza. No caso da psiquiatria e das clínicas do sofrimento psíquico, tal salto tecnológico teria sido dado pelo desenvolvimento da farmacologia a partir, principalmente, dos anos 50.

No entanto, há um dado cronológico que merece atenção. O desenvolvimento neurolépticos a partir da síntese da clorpromazina, que teve efeitos fundamentais no tratamento da esquizofrenia, e de antidepressivos data do início dos anos 50, graças, principalmente às pesquisas de Henri Laborit, Jean Delay e Pierre Deniker.  Mas a guinada na reconfiguração foi em profundidade das categorias clínicas só ocorreu em 1980, quando veio à luz o DSM-3. Nesses 30 anos em que o desenvolvimento farmacológico não chegou a abalar nossa forma de falar do sofrimento psíquico, dois fatos dignos de nota ocorreram. Eles talvez digam mais a respeito do que ocorre atualmente na psiquiatria do que a teoria do impacto do salto tecnológico.

O primeiro deles foi a transformação do hospital psiquiátrico em um verdadeiro campo de batalha. Algumas questões que nunca haviam sido postas começaram a aparecer: o que éum hospital psiquiátrico e em que medida ele não é solução, mas parte do problema? Asrelações médico-paciente, no caso, não deveriam ser também compreendidas como relações de poder que reproduzem dinâmicas de poder em outras esferas da vida social? Não haveria uma dimensão fundamental de revolta na loucura que deveria ser abordada em sua força produtora, que diz muito a respeito dos limites próprios a nossas formas de vida? Pois, se aceitarmos que a vida psíquica é na verdade um setor de vida social com suas dinâmicas de internalização de normas, ideais e de princípios de autoridade.

Para muitos, essas questões atualmente parecem imersas em certo romantismo e ingenuidade. Tanto é assim que das pouco são ouvidas em nossos departamentos de medicina. Mas, principalmente entre os anos 50 e 70, elas tiveram um impressionante impacto no desenvolvimento da psiquiatria. Movimentos como a antipsiquiatria de David Cooper, Ronald Laing e Thomas Susz, a análise institucional de Francois Tosquelles, do grupo de La Borde, de Enrique Pichen-Riviere, as reformas propostas no sistema manicomial italiano por Franco Basaglia, todos eles pareciam indicar a emergência de um processo  irreversível de reconsideração do lugar social da loucura, assim como da relação entre normalidade e patologia. Isso implicava modificar radicalmente os modos de tratamento.

O segundo fenômeno ocorrido no campo da clínica até o início dos anos 80 foi a prevalência da psicanálise como horizonte fundamental de referência clínica, inclusive para a psiquiatria. No início dos anos 60, mais da metade dos chefes de departamento da psiquiatria das universidades americanas eram membros de sociedades psicanalíticas. A noção psicanalítica do sofrimento psíquico como expressão de sistema, de conflitos e de contradições nos processos de socialização e de individuação, conflitos esses que mostravam muitas vezes a natureza contraditória e problemática de nossas próprias instituições e estruturas (como a  família, o casamento, o mundo do trabalho, a escola, a igreja), foi um elemento decisivo não apenas para compreender o que era o sofrimento psíquico, mas para mobilizar certo horizonte crítico a respeito dos custos de nosso processo civilizacional, dos problemas imanentes a nossas formas de vida.

Esses dois fenômenos praticamente desapareceram, sem que a questões que eles traziam fossem realmente respondidas.

Por exemplo, estudos desenvolvidos por Michael Hengartner e Martin Plôderi e publicados neste ano na revista Psychossomatics defendem adultos começando tratamento com antidepressivos para tratar de depressão têm 2,5 chances a mais de cometer suicídio do que aqueles que se servem de placebos. Outro estudo levado a cabo por Kate Allsopp, John Read Rhiannon Corcoran Peter Kinderman, pesquisadores da Universidade de Liverpool e da Universidade de East London, questionaram a “relevância científica do DSM em identificar e distinguir transtornos mentais. Fatores como traumas têm papel causal limitado no DSM, mesmo que evidências clínicas mostrem o contrário. Ou seja, o mínimo que se pode dizer é que a narrativa do salto tecnológico irresistível, que funciona tão bem nas ciências exatas, não parece facilmente aplicável na psiquiatria. Até porque a psiquiatria conhece um fenômeno bastante singular que a diferencia de outras ciências. Depois da descoberta da clopromazina vieram antidepressivos tricíclicos, ansiolíticos, lítio, entre outros. Esses fármacos tinham efeitos síndrome-específicos, o que significa que eles atuavam apenas em um grupo específico de sintomas. Em vários casos, as categorias clínicas foram reconstruídas a partir do espectro de atuação dos medicamentas. Algo como reconfigurar os problemas a partir das respostas que já temos. Uma estratégia não muito recomendável.

SOMOS SERES QUE SOFREM POR VALORES

Notemos o que está em jogo nessa mudança de grande envergadura e por que devemos prestar mais atenção em tais mudanças. Muitas dessas categorias clínicas não têm marcadores biológicos precisos e certamente nunca terão. Afinal, apenas para ficar com um exemplo pedagógico, seria possível encontrar marcadores biológicos para o já falado transtorno de personalidade histriônica? Seus critérios diagnósticos são, entre outros, “desconforto em situações em que ele ou ela não é o centro das atenções, uso constante da aparência física para chamar a atenção para si”, “demonstração de autodramatização, teatralidade e expressão exagerada de emoções”.  Tais critérios não podem ser avaliados como expressão de marcadores biológicos específicos, mas como comportamento de recusa, inconsciente ou não, a padrões de socialização que, por sinal, são bastante imprecisos. Pois se estamos a falar em “expressão exagerada de emoções”, há de perguntar onde estaria a definição de um “padrão adequado” de emoções, a não ser na subjetividade do médico.

Nesse sentido seria importante começarmos a nos perguntar de forma sistemática se o horizonte de intervenção clínica comportaria sistemas de valores que não são exatamente clínicos, mas indicam empréstimos que a psiquiatria e a psicologia tomam de campos alargados da cultura. Nossas definições de saúde estão prenhes de termos como “equilíbrio”, “proporção, “controle”, “regulação”, “ordem”, “rendimento”, “performance”. São esses termos clínicos ou termos que a clínica toma emprestados de campos como a estética, a economia e a política? E se o segundo caso for verdadeiro, não seria o caso de perguntar em que nossas noções de saúde e de normalidade são dependentes de sistemas de valores sociais que procuram implementar por meio das práticas de intervenção clínica?

Bem, mas a pergunta que não quer calar vem a seguir, pois o que dizer então dessa impressionante reengenharia a ocorrer no interior da psiquiatria nas últimas décadas? Não seria ela o resultado de alguma forma de recomposição do núcleo de valores que orientam, de forma silenciosa o horizonte normativo da clínica? Se esse for o caso, seria interessante saber quais os eixos dessa reorientação, o que está de fato a ocorrer na configuração de nossa vida psíquica, na produção de nossas subjetividades. Quais são as forças que atuam nesse processo?

Voltemos. por exemplo, ao começo, ao desaparecimento dos paranoicos. A paranoia foi a categoria fundamental da clínica psicanalítica das psicoses. Uma das razões para tanto era que ela fora pensada a partir de uma visão da doença como degenerescência, ou seja, a doença faria o caminho inverso do desenvolvimento normal. Por mais que tal definição tivesse seus problemas, havia algo de significativo aqui, a saber, a patologia não era uma ordem outra em relação à normalidade. Ela era uma fixação ou regressão dentro de um processo comum. Por isso, a doença dizia sempre algo a respeito da normalidade, ela deixava visíveis processos que na normalidade ficavam relativamente escondidas. Havia uma certa proximidade entre as duas, um terreno movediço.

Essa solidariedade relativa entre normalidade epatologia desapareceu com a hegemonia da esquizofrenia, que agora representa praticamente todo o espectro do que entendíamos por psicoses. Pois, nesses casos a distinção é funcional. Há um princípio de unidade das condutas, de organização da experiência e de síntese que não está presente. Na esquizofrenia, os processos estão desassociados, pois não há mais a unidade sintética da personalidade. A linha entre normalidade e patologia é funcionalmente definida, e a personalidade é o verdadeiro marcador desse processo. Tal linha é clara enada passa de um lado a outro. Linhas claras, divisões estritas, lugares determinados. Mesmo que a personalidade não seja um fator biológico, mas uma construção social. Dessa forma, vai se construindo um certo modelo de sociedade, um certo modo de adesão a seus princípios. Que modelo é esse?

Por fim, pode se estranhar que tais discussões sejam propostas por um professor de filosofia, e não por um psiquiatra. Mas talvez seja o caso de lembrar que tais problemas não poderiam ser compreendidos como reserva privilegiada de certos grupos de profissionais. Pois o que está em questão são decisões a respeito do que entendemos por razão e pelo seu outro, sobre qual o sentido e o nome do sofrimento. Essas questões sempre mobilizaram e sempre mobilizarão a capacidade que as sociedades têm de refletir sobre si mesmas.

GESTÃO E CARREIRA

QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA

No universo corporativo esperar não é uma opção válida. Ficar aguardando que o cenário mude para tomar iniciativa leva qualquer perfil de empreendimento à perdas significativas

Nossas mentes estão cheias de estruturas solidificadas com certezas sobre vários assuntos. Na maioria das vezes, o foco é o perfil comportamental, regras de como agir dentro de uma determinada cultura sem ter de pensar muito a respeito. Essas tais normas de conduta servem como guia mestra para obter um melhor resultado no ambiente onde se encontra o sujeito.

Será que os ditos populares ainda cotão dentro do prazo de validade? Vamos analisar algumas dessas frases mais comuns no Brasil. Afirmações que parecem carregar consigo a verdade absoluta, uma certeza comum a todo grupo social que tudo irá terminar bem se as regras forem seguidas como está escrito:

QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA – Em nosso tempo, a atualização constante é uma necessidade básica. O dito popular deve ter sido criado como forma de justificar a inação daqueles que não procuram o próprio crescimento por acreditar que existe uma premiação apenas por fazer o que é certo. Hoje, além de fazer corretamente toda e qualquer atividade laboral, é de suma importância, o investimento no desenvolvimento pessoal.

HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM – Trata-se de uma forma de encarar problemas como, por exemplo, conflitos internos. Sabemos que vários tipos de demandas podem ocorrer no dia a dia de qualquer instituição e, de fato, a forma de enfrentar situações adversas faz toda diferença na resolução. Sendo assim, esse dito popular está na mesma direção do pensamento do moderno gestor que passa a ver os problemas como desafios que devem ser ultrapassados e não como muralhas de contenção.

A NECESSIDADE É A MÁE DAS INVENÇÕES – Provavelmente o dito mais coerente com a realidade dos profissionais que atuam em nosso país. Muitas vezes, fora da condição ideal de trabalho, torna-se necessário agir com criatividade a fim de dar conta de todas as responsabilidades. Ocorre, porém, que a necessidade pode ser prospectada e as soluções podem estar prontas antes mesmo de serem necessárias. Um ponto que deve ser ressaltado na cultura laboral brasileira: a maioria dos gestores só pensa no problema quando ele ocorre.

A ESPERANÇA É A ÚLTIMA QUE MORRE – O otimismo deixou de estar em moda no Brasil. As flutuações de mercado, mudanças na legislação e o consumidor cada vez mais exigente colocaram as instituições que estão no topo, em estado de alerta constante. Assim, aquele que almeja manter a liderança em sua área deve ter mais que esperança em um futuro melhor: deve construir isso no dia a dia, começando quase do zero todas as manhãs. Planejamento estratégico é o novo nome para esperança.

ÀGUA MOLE EM PEDRA DURA TANTO BATE ATÉ QUE FURA – Nem sempre insistir em algo que não está dando certo pode levar ao sucesso apenas pela não desistência. Caso o que esteja fazendo não consiga alcançar os objetivos que tem em mente, procure alguma variação de conduta (estratégia).

NÃO HÁ ROSAS SEM ESPINHOS – Existe um pensamento comum, na maior parte das pessoas, de que o sucesso só surge depois de um grande investimento em suor e lágrimas. Ou seja, só serei feliz após sofrer ou, pior ainda, não existe sucesso pleno: algo irá dar errado. Isso não corresponde à realidade, embora não seja a regra. Da mesma forma, é possível ter uma equipe afinada, em que tudo ocorre da melhor forma possível, sem nenhum tipo de conflito.

EM CASA DE FERREIRO ESPETO É, DE PAU – Significa dizer que o produto que é ofertado ao mercado não é utilizado pela própria equipe que o produz. Ou que o saber exportado não é utilizado no ambiente interno. Esse dito perde força mesmo nos empreendedores de marketing multinível. Para poder vender os produtos os promotores devem usa­ los primeiro e conhecer a fundo suas propriedades. E essa regra ocorre em tantas outras áreas também.

PARA BOM ENTENDEDOR, MEIA PALAVRA BASTA – NÃO, não basta. O mais frequente erro nas instituições surge no processo comunicacional. Ter a certeza de que o outro entendeu claramente o que foi dito e que irá seguir aa orientações corretamente deve ser uma obrigação de todo bom gestor. O trabalho de aprimoramento da comunicação deve estar na pauta do dia todos os dias.

PAU QUE NASCE TORTO, NUNCA SE ENDIREITA – Pode ser uma boa desculpa para quem não deseja investir em si mesmo ou em sua equipe. Treinamentos constantes e estratégias motivacionais de equipe podem transformar pessoas de baixa produtividade em seres altamente competentes. Quem não acredita que pessoas podem mudar de perfil não serve para ser gestor.

A ATIVIDADE É A MÃE DA PROSPERIDADE – Desde que a atividade esteja dentro de um plano de trabalho estratégico é certo que resultados irão ocorrer. A atividade por si só não significa certeza de um resulta do positivo. É necessário que ela esteja dentro de um plano de ações visando alcançar algum objetivo específico. A chave para o sucesso é o planejamento. Ir fazendo por fazer pode até dar certo de vez em quando, mas se o processo está definido em etapas de crescimento a probabilidade de êxito se torna cada vez maior.

As frases prontas, no modelo de dito popular, refletem um momento no tempo de determinada cultura. Uma vez incorporadas ao inconsciente coletivo irão se repetir, sem análise de valor, durante muito tempo. Mesmo depois de terem perdido sua utilidade social.

Refletir sobre o que pensamos e como pensamos é uma tarefa árdua quando temos de desconstruir mitos consolidados. Os que são capazes de descortinar o véu do senso comum e aplicar a abordagem do momento serão os mais afortunados. Afinal, é “Depois da batalha que aparecem os valentes!”

O prof. dr. JOÃO OLIVEIRA – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de Cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (w.w.w.isec.osc.br). Entre seus livros estão Relacionamento em Crise; Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções; Jogos para Gestão de Pessoas, Maratona para o Desenvolvimento Organizacional; Mente Humana; Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora)

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QUALIFICADOS

CAPÍTULO 26 – AVANÇANDO

“De que maneira? Em paz com o Pai, e em guerra com os seus filhos? Isso não pode ser.” — John Flavel

PENSAMENTO-CHAVE: O ensino difundido por todo o Novo Testamento nos lembra de quanto valor Deus atribui à unidade e aos relacionamentos positivos no Corpo de Cristo.

Cada trecho do Novo Testamento tem algo a dizer a respeito de como devemos nos relacionar com outras pessoas.

•  Como devemos amar e tratar um ao outro (encorajando, edificando, etc.).

•  Como construir proativamente relacionamentos positivos com os outros.

•  Vemos indivíduos navegando através de relacionamentos difíceis, às vezes bem, outras vezes não tão bem.

•  Somos desafiados a vencer a inclinação de nos distanciarmos das pessoas.

Façamos uma verificação rápida dos livros do Novo Testamento para observar o que eles dizem acerca de nos relacionarmos bem uns com os outros. Às vezes, a referência é um mandamento. Em outros momentos, é uma observação ou descrição, mas o modo como nos relacionamos com os outros e o significado dos nossos relacionamentos interpessoais são um tema importante do Novo Testamento.

O EVANGELHO DE MATEUS

5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

5:23-24 Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.

18:15 Se teu irmão pecar [contra ti], vai argui-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão.

O EVANGELHO DE MARCOS

9:50 Bom é o sal; mas, se o sal vier a tornar-se insípido, como lhe restaurar o sabor? Tende sal em vós mesmos e paz uns com os outros.

O EVANGELHO DE LUCAS

17:1-4 Disse Jesus a seus discípulos: É inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual eles vêm! Melhor fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e fosse atirado no mar, do que fazer tropeçar a um destes pequeninos. Acautelai-vos. Se teu irmão pecar contra ti, repreende- o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.

O EVANGELHO DE JOÃO

13:34-35 Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.

17:20-23 (NTLH) Não peço somente por eles, mas também em favor das pessoas que vão crer em mim por meio da mensagem deles. E peço que todos sejam um. E assim como tu, meu Pai, estás unido comigo, e eu estou unido contigo, que todos os que crerem também estejam unidos a nós para que o mundo creia que tu me enviaste. A natureza divina que tu me deste eu reparti com eles a fim de que possam ser um, assim como tu e eu somos um. Eu estou unido com eles, e tu estás unido comigo, para que eles sejam completamente unidos, a fim de que o mundo saiba que me enviaste e que amas os meus seguidores como também me amas.

ATOS

2:1 …eles estavam todos em um acordo, em um lugar.

2:46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração.

4:32 Da multidão dos que creram era um o coração e a alma. Ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum.

20:30 E que, dentre vós mesmos, se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles.

ROMANOS

12:18 Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens…

14:19 Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.

1 CORÍNTIOS

3:3-4 …porquanto ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja e contendas, não sois porventura carnais, e não estais andando segundo homens?

Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; não sois apenas homens?

6:6 Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão, e isto perante incrédulos!

11:18 Porque, antes de tudo, estou informado de haver divisões entre vós quando vos reunis na igreja; e eu, em parte, o creio.

13:4-7 O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

2 CORÍNTIOS

12:20 Temo, pois, que, indo ter convosco, não vos encontre na forma em que vos quero, e que também vós me acheis diferente do que esperáveis, e que haja entre vós contendas, invejas, iras, porfias, detrações, intrigas, orgulho e tumultos.

13:11 Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.

GÁLATAS

5:14-15 Porque toda a lei se cumpre em um só preceito, a saber: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede que não sejais mutuamente destruídos.

5:26 Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros.

EFÉSIOS

4:1-3 Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz.

4:31-32 Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou.

FILIPENSES

1:27 Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica…

2:2-4 …completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento. Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.

4:2 Rogo a Evódia e rogo a Síntique pensem concordemente, no Senhor.

COLOSSENSES

3:12-13 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós…

1 TESSALONICENSES

5:12-13 Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós e os que vos presidem no Senhor e vos admoestam; e que os tenhais com amor em máxima consideração, por causa do trabalho que realizam. Vivei em paz uns com os outros…

2 TESSALONICENSES

1:3 Irmãos, cumpre-nos dar sempre graças a Deus no tocante a vós outros, como é justo, pois a vossa fé cresce sobremaneira, e o vosso mútuo amor de uns para com os outros vai aumentando…

1 TIMÓTEO

1:4 …promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé.

5:1-3 Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza. Honra as viúvas verdadeiramente viúvas.

5:17 Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino.

6:1 Todos os servos que estão debaixo de jugo considerem dignos de toda honra o próprio senhor…

2 TIMÓTEO

2:24-25 Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade.

TITO

3:1-3 Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos, dando provas de toda cortesia, para com todos os homens. Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

FILEMOM

15-16 Pois acredito que ele veio a ser afastado de ti temporariamente, a fim de que o recebas para sempre, não como escravo; antes, muito acima de escravo, como irmão caríssimo, especialmente de mim e, com maior razão, de ti, quer na carne, quer no Senhor.

HEBREUS

10:24-25 (AMP) consideremos e sejamos atenciosos, e cuidando continuamente de assistir uns aos outros, estudando como podemos avivar (estimular e incitar) o amor e obras úteis e atividades nobres, não esquecendo ou negligenciando o reunir juntos [como crentes], como é o hábito de algumas pessoas, mas admoestando (advertindo, instando e encorajando) um ao outro, e ainda mais fielmente enquanto vedes que o dia se aproxima.

12:14-15 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela; muitos sejam contaminados…

TIAGO

3:16-18 Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins. A sabedoria, porém, lá do alto é, primeiramente, pura; depois, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento. Ora, é em paz que se semeia o fruto da justiça, para os que promovem a paz.

5:16 Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.

1 PEDRO

3:8-9 Finalmente, sede todos de igual ânimo, compadecidos, fraternalmente amigos, misericordiosos, humildes, não pagando mal por mal ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo, pois para isto mesmo fostes chamados, a fim de receberdes bênção por herança.

2 PEDRO

1:5,7 …reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé… a fraternidade…

1 JOÃO

2:10-11 Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos.

3:11-12 Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas.

4:20-21 Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.

2 JOÃO

5 E agora, senhora, peço-te, não como se escrevesse mandamento novo, senão o que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.

3 JOÃO

5-8 Amado, procedes fielmente naquilo que praticas para com os irmãos, e isto fazes mesmo quando são estrangeiros, os quais, perante a igreja, deram testemunho do teu amor. Bem farás encaminhando-os em sua jornada por modo digno de Deus; pois por causa do Nome foi que saíram, nada recebendo dos gentios. Portanto, devemos acolher esses irmãos, para nos tornarmos cooperadores da verdade.

JUDAS

16 (NTLH) Esses homens estão sempre resmungando e acusando os outros. Eles seguem os seus próprios maus desejos, vivem se gabando e bajulam os outros porque são interesseiros.

19-20 São estes os que promovem divisões, sensuais, que não têm o Espírito. Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo.

APOCALIPSE

2:4 (NTLH) Porém tenho uma coisa contra vocês: é que agora vocês não me amam como me amavam no princípio.

A Bíblia reconhece que relacionamentos são vias de mão dupla. Lembre-se do que Paulo falou em Romanos: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (12:18). Até mesmo em relacionamentos que não funcionam bem, alicerçados em decisões e ações de outros, nós podemos ainda assim manter o nosso coração correto, nos mantermos positivos e andar em amor.

O ponto de partida é que podemos fazer a coisa certa e manter uma boa atitude, mesmo que a outra pessoa não queira. Nossa atribuição é fazer o melhor que pudermos a fim de cultivar e manter o melhor relacionamento possível.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ORIGENS BIOLÓGICAS DA HOMOSSEXUALIDADE

Memória imunológica materna pode ter papel na orientação sexual masculina

A homossexualidade teria origens sociais ou biológicas. A polêmica reacende de tempos em tempos. Desta vez, Anthony Bogaert, da Universidade Brock, em Ontário, demonstrou que a chance de um rapaz ser homossexual cresce quanto mais irmãos biológicos mais velhos ele tiver, independentemente de eles terem sido criados juntos. O efeito, chamado “ordem do nascimento fraterno”, e sua relação com a homossexualidade masculina já eram conhecidos dos cientistas. Não estava claro, porém, se a associação tinha origens pré-natais (não necessariamente genéticas) ou se dependia de fatores sociais relacionados ao ambiente em que os irmãos foram criados. Se a hipótese social estivesse correta, o número de irmãos não­ biológicos mais velhos influenciaria igualmente a preferência sexua do mais novo, desde que, obviamente, eles tivessem sido criados juntos por algum tempo. Além disso, o tempo de convivência com os irmãos maiores, biológicos ou não, se relacionaria com a orientação homossexual, o que confirma as raízes sociais do fenômeno.

Bogaert reuniu dados demográficos e familiares de 944 homens, metade dos quais recrutados em comunidades gay de Toronto e da região de Niágara. Os resultados mostraram que o tempo de convivência com irmãos mais velhos, bem como o número de irmãos não-biológicos não tiveram efeito algum sobre a sexualidade do indivíduo. Segundo o autor, a origem pré-natal do efeito da ordem do nascimento fraterno provavelmente é resultado da memória imunológica materna adquirida durante a gestação de meninos. De alguma forma, o sistema imune da mãe seria capaz de se lembrar das gestações anteriores de fetos do sexo masculino, o que afetaria progressivamente a resposta imunológica, que por sua vez teria algum papel na diferenciação sexual no cérebro dos meninos. O estudo foi publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

OUTROS OLHARES

SORRIA! VOCÊ ESTÁ SENDO ESCANEADO

Sistemas de reconhecimento facial entram na rotina de segurança de espaços públicos e privados no Brasil. São sujeitos a falhas e trazem novos limites à intimidade

Já não há muito o que fazer para impedir a apropriação digital de seu rosto. Imagens de faces estão sendo captadas com alta precisão e disputadas em todas as partes do mundo por empresas e governos. Devido a isso, o reconhecimento facial não é mais uma moda passageira ou uma tecnologia de ficção: está virando o padrão de vigilância em locais públicos e privados, físicos e virtuais, mesmo representando uma invasão de privacidade e com os atuais riscos de falha que apresenta. Em nome da segurança pública e privada, busca-se ampliar os bancos de dados de reconhecimento sem estabelecer limites legais e sem garantir a precisão da identificação.

A polícia do Rio de Janeiro começou a testar uma tecnologia do tipo no Carnaval de Copacabana, para identificar mais rápido e facilmente criminosos procurados. Conseguiu cumprir oito mandados de prisão em dez dias de utilização, mas cometeu um erro crasso: apontar falsamente uma mulher que carregava uma placa de compra de ouro e prata como sendo Maria Lêda Félix da Silva, uma fugitiva condenada por homicídio. Uma pessoa inocente acabou enfrentando os transtornos de ser levada para uma delegacia. Mesmo assim a população do Rio vai assistir, muito em breve, a uma proliferação de câmeras de rastreamento pela cidade.

A humilhação sofrida pela mulher é só um exemplo dos riscos atuais desses aparelhos: o chamado falso positivo, quando um inocente é confundido com um criminoso. Seus erros podem acabar com a vida de um cidadão. Eles aumentam o controle do Estado e do mercado sobre as pessoas e acabam globalmente com a privacidade. Começam com o objetivo de identificar bandidos, mas podem servir para monitorar ativistas políticos, por exemplo, ou consumidores desprevenidos. Sistemas de detecção usados na Inglaterra e nos Estados Unidos são criticados por oferecerem mais precisão na identificação de caucasianos do que de negros ou árabes. Regimes autoritários usam e abusam dessa tecnologia. Há mais de 170 milhões de câmeras instaladas na China, por exemplo. Em Hong Kong, manifestantes pró-democracia precisam usar capuzes para não serem identificados e presos.

O problema inicial dos rastreadores é sua função autoritária e de controle das massas, no qual a privacidade e a democracia ficam em segundo plano diante da política de segurança. Embora sejam úteis, anunciam uma espécie de distopia de vigilância permanente, um passo em direção à instalação de chips nas pessoas assim que elas nasçam. Para impedir desvios no uso e no compartilhamento dos bancos de dados de imagens, o CEO da FullFace, Danny Kabiljo, sugere que haja, urgentemente, alguma regulamentação nesse mercado. Não existem leis no Brasil para garantir os direitos dos cidadãos e proteger os dados capturados pelas câmeras. “Uma das premissas para se atuar nesse negócio é garantir o sigilo da base de dados”, afirma Kabiljo. A FullFace é responsável pela implantação de um check-in por identificação facial nos voos da Gol e adota diversos recursos para proteção do sigilo das imagens.

NA BASE DE DADOS

Centros comerciais, aeroportos e supermercados estão recebendo investimentos para o uso da tecnologia para reconhecer seus clientes e rastrear seus passos no estabelecimento. O Pão de Açúcar acaba de anunciar que terá novas lojas inteligentes, nas quais a identificação de rostos é um dos principais recursos. O metrô de São Paulo, um dos lugares por onde mais circulam pessoas no Brasil – 3,7 milhões diariamente – anunciou que vai implantar um dispositivo de reconhecimento, instalando mais de cinco mil câmeras avançadas nos seus trens e estações para monitorar o movimento e conhecer melhor os usuários. Além de identificar criminosos escondidos na multidão (desde que a polícia local e de outros estados compartilhem suas informações) a ferramenta permitirá o mapeamento mais preciso dos hábitos de transporte da população e acumulará uma imensa base de dados de rostos de paulistanos que, se cruzada com outras bases de dados, pode produzir informações não autorizada.

Na corrida global por retratos bem compostos e definidos, o aplicativo russo FaceApp, usado para simular o envelhecimento, conseguiu largar com boa distância e virou moda no Facebook no Brasil. As pessoas autorizam o uso de sua imagem para projetar sua aparência na velhice. O negócio do FaceApp é basicamente ficar com a foto do usuário em troca da brincadeira. Mas ela pode gerar sérios riscos. O problema desse tipo de sistema é que ele pode expor a vida das pessoas sem que elas necessariamente saibam ou queiram. É preciso tomar cuidado ao autorizar o uso da própria imagem.

IDENTIFICAÇÃO PELA FACE

1. O primeiro passo é a captura do rosto
2. A imagem é convertida em dados, com 1.024 pontos de identificação
3. Sistemas avançados buscam provas biológicas de que se trata de um rosto autêntico, com dilatação de pupila e textura da pele e dos músculos compatíveis a uma pessoa real

GESTÃO E CARREIRA

CAIXINHA DE SURPRESA

Na esteira da tecnologia e da mudança de comportamento do consumidor, clubes de assinatura deslancham no Brasil. Setor cresceu 167% nos últimos quatro anos.

Foi-se o tempo em que os clubes de assinatura eram sinônimo de vinho e cerveja. Nos últimos quatro anos, esse mercado deu um salto de 167% no Brasil. Hoje é possível assinar serviços que entregam de tudo: fralda, meia, café, queijo, brinquedo erótico, cosmético, doce importado, suplemento de algas e ração de cachorro. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABComm), havia 300 deles ativos em 2014.

Em 2018 já eram 800. Neste ano, a expectativa é que o país registre 880 negócios desse tipo, os quais, juntos, devem movimentar 1 bilhão de reais. Segundo especialistas, dois fatores importantes contribuíram para que o setor deslanchasse. O primeiro foi a popularização de tecnologias de e­commerce. Hoje existem plataformas com valores mensais bastante acessíveis, nas quais o empreendedor consegue fazer do layout da marca à gestão de estoque. ”O modelo de clube de assinatura não é novo, existe há 50 anos. Quando eu era criança, meus pais pagavam a assinatura mensal do Clube do Livro. Na minha opinião, foi a tecnologia mais acessível que transformou essesegmento, permitindo que diferentes atores passassem a atuar nele”, diz Roberto Kanter, professor de marketing na Fundação Getúlio Vargas (FGV).

O outro fator tem relação como comportamento do brasileiro, que vem comprando mais pela internet. Dados do relatório Webshoppers, produzido pela EbitlNielsen, grupo de pesquisa e análise de dados em comércio eletrônico, mostram que há um aumento do consumo online por aqui. Segundo levantamento de 2018 da consultoria, há 58 milhões de consumidores digitais, um crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram feitos 123 milhões de pedidos pela internet, com tíquete médio de 434 reais, uma alta de 1%. “Nosso grande entendimento é que há um aumento da busca na internet por bens não duráveis e de utilização recorrente. E, nesse sentido, os clubes de assinatura têm uma conveniência. A pessoa define a compra uma vez e tem um combinado, como a entrega recorrente e a confiança de que vão escolher o melhor item para ela, diz Ana Szasz, diretora da EbitlNielsen.

O brasileiro também está mais contestador, consciente e conectado. Ou seja, além de tornar decisões de consumo com mais embasamento, tem à mão o smartphone, a banda larga e o 4G. Sua jornada de consumo é complexa. Ele dá uma passadinha na loja para averiguar a mercadoria e coletar informações. Depois, compara preços no celular e conclui a compra no desktop.

Cientes de que, no mundo digital, um canal de venda retroalimenta o outro, Patrícia e Marcos Saura, donos do clube de assinatura Candy in Box, que entrega doces importados, estão ampliando as possibilidades.

A empresa nasceu em 2016, em plena crise, quando os dois decidiram empreender no setor. Casados há 11 anos, eles sempre experimentaram guloseimas nos países para os quais viajavam. Quando a agência de publicidade da qual eram sócios faliu, decidiram arriscar no segmento de assinaturas – transformando o hobby de garimpar doces em trabalho. Em menos de três anos, a dupla conquistou 3.000 assinantes e um faturamento anual de 3 milhões de reais. Em 2017, para abrir frentes e garantir a sustentabilidade do negócio, a marca passou a atuar também com e-commerce, com venda unitária de produtos, e no ano passado inaugurou sua primeira loja física, no Shopping Ibirapuera, sem São Paulo. “Trabalhamos com importadoras homologadas e recebemos itens de diversos lugares do mundo. Em todas as caixas sempre há doces vindos dos Estados Unidos, do Japão e da Coreia do Sul, que são os que os brasileiros mais gostam de receber”, diz Patrícia, citando as sul-coreanas batatas fritas com sabor de refrigerante como o tipo de coisa inusitada que enviam aos assinantes.

Neste ano, o casal dará mais um passo: entrar no segmento de franquias. Até o fim de 2019, a previsão é abrir dez pontos de venda em todo o país. ”A ideia é que os clientes usem a loja física também para retirada dos doces, barateando o custo da assinatura”, diz Patrícia.

MAIS QUE UM CLUBE

Embora seja uma ferramenta interessante para fidelizar o consumidor, gerar receita recorrente e planejar estoques, especialistas advertem que os clubes de assinatura não devem ser encerrados em si mesmos. “Sempre recomendo às empresas desse mercado que desenvolvam múltiplos canais e modelos de negócios”, afirma Roberto Kanter, da FGV.

Os empreendedores da Ocean Drop, empresa de cápsulas e tabletes nutricionais à base de algas marinhas, sabem disso. Fundada em 2016 na cidade de Balneário Camboriú (SC), a marca tinha só e-commerce. Em fevereiro de 2018, os sócios, todos oceanógrafos, tomaram a decisão de lançar, em paralelo, também um clube de assinatura. No modelo ofertado, o usuário paga a partir de 69 reais, valor cobrado a cada dois meses, e pode selecionar na loja virtual quais produtos deseja receber em casa. Para ajudar as pessoas nesse processo, a empresa criou um teste. Com base em perguntas sobre estilo de vida, saúde e hábitos alimentares, o sistema indica quais artigos vão suprir melhor as necessidades nutricionais. Quem assina tem ainda vantagens como descontos e frete grátis.

Em um ano, a Ocean Drop alcançou 350 assinaturas – a previsão é chegar a 1.000 até dezembro. O clube representa 5% do faturamento, mas a expectativa é que essa fatia seja de 95% em cinco anos. “Acreditamos que o modelo garantirá nossa sustentabilidade. A marca que não possuir uma experiência de fidelização correrá o risco de perder cliente para o concorrente”, diz Murilo Canova Zeschau, cofundador e CEO.

TRABALHAR NA ÁREA

De acordo com o estudo Lifestyle Survey, realizado em 2017 pela Euromonitor, 61% dos internautas brasileiros nunca usaram esses serviços, um indicativo de que há espaço para evoluir. “Não chegamos nem perto da estabilização nesse setor. O acesso aos smartphones ajuda a acelerar as compras online e, por consequência, favorece os clubes”, afirma Rodrigo Bandeira, vice-presidente da Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABComm).

Não é à toa que boa parte dos estabelecimentos da área cresce – e contrata. O Clube do Malte, que nasceu como uma pequena loja de cervejas importadas em Curitiba (PR), é um dos que estão com vagas em aberto. Com uma estratégia que entrega, além de bebidas, informação sobre o mundo cervejeiro (uma revista mensal vem junto na caixa), o negócio saltou de 300 assinantes, em 2013, para 7.000, em 2018. O quadro de empregados também aumentou. De sete pessoas passou para 30. Atualmente, a companhia fatura 12,3 milhões de reais – 70% da receita vem dos assinantes – e busca profissionais para reforçar o atendimento. “Estamos estruturando um departamento de inteligência comercial. Se o cliente não receber seu pacote, por exemplo, essa área será responsável por se antecipar ao problema e explicar o que ocorreu”, diz Douglas Salvador, CEO do Clube do Malte.

Outro que está recrutando é o Leiturinha, dedicado a livros infantis, cujo time é composto de 350 profissionais. Com aporte da PlayKids, plataforma infantil do grupo Movile, dono do iFood, o clube possui neste momento dez postos em aberto para áreas como marketing, design, tecnologia da informação e UX (experiência do usuário). “Estamos em constante criação de novos produtos, o que demanda contratações recorrentes”, diz o CEO Rodolfo Reis.

A criação mais recente foi o Plano Mini, que custa 19,90 reais por mês, voltado para o segmento popular. Para selecionar os livros que vão chegar às 135.000 famílias cadastradas, o Leiturinha conta com uma equipe de curadoria formada por pedagogos, psicólogos, comunicadores e filósofos. A função desse pessoal é definir as obras de acordo coma fase de cada pequeno leitor. ”Um kit que uma criança de 2 anos recebe é diferente daquele de uma de 8. Fazemos dezenas de combinações”, explica o executivo do clube.

Olhar o assinante de maneira carinhosa e estratégica é essencial num mercado em que o desempenho está atrelado à satisfação do consumidor. Pontualidade e compromisso com a entrega são primordiais, é verdade, mas não bastam. Devem ser oferecidas informações exclusivas, novidades surpreendentes e uma embalagem que encante. “Engana-se quem pensa que só a conveniência de receber algo periodicamente é suficiente”, afirma Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo no Insper.

É por isso que os funcionários da Omelete Box, clube de assinatura do portal de conteúdo sobre filmes e séries, vive antenado em relação aos principais lançamentos da área. Se existe um blockbuster no horizonte, há todo um planejamento prévio para que as caixas dos clientes contenham algum produto exclusivo da franquia. Ao abrir o pacote de março, por exemplo, os assinantes depararam com uma camiseta com estampa do super-herói Shazam, cujo filme nem sequer havia estreado nos cinemas do Brasil. “A sensação de descoberta com um produto novo é o que proporciona uma boa experiência ao cliente”, afirma Otávio Juliato, diretor de operações do Omelete Box. Otávio, aliás, é um caso típico de profissional que mudou o percurso da carreira para atuar nesse novo segmento.

Contratado em 2012, ele ocupava a função de gerente financeiro de uma empresa de agronegócio em Catanduva, no interior de São Paulo. “Aceitei e me mudei para São Paulo. Tive de começar do zero numa indústria totalmente desconhecida para mim. Mas, como sempre fui apaixonado pela cultura pop e, quando criança, queria ser diretor de cinema, essa foi a oportunidade que encontrei para realizar parte desse sonho”, revela. Junto com uma equipe de 25 pessoas, Otávio é responsável pelo relacionamento com marcas como Disney, Netflix e Warner. Garimpar e negociar com fornecedores é um dos segredos de sucesso de um clube.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 25 – LANÇANDO FORA AS NOTAS ALTAS E BAIXAS

“Há tantas opiniões quanto existem especialistas.”  — Franklin Delano Roosevelt

PENSAMENTO-CHAVE: Líderes espirituais sábios aprendem como rejeitar o veneno da crítica, mas aprendem com ela, caso haja algo a ser extraído disso.

Lembro-me, quando eu era jovem, de assistir a certas modalidades olímpicas, como patinação e ginástica, em que os juízes faziam a contagem de pontos dos atletas. Existia um painel de juízes de diferentes países, e eles sempre lançavam fora as notas mais altas e mais baixas para determinar a nota final. Pensei a respeito disso à luz do elogio e crítica (especialmente da crítica) que, às vezes, encontramos na vida. Não seria grandioso se nós pudéssemos nos tornar bem desenvolvidos em nossa habilidade de lançar fora a crítica injusta bem como a bajulação que inflama o ego?

Você tem tido alguém no seu pé ultimamente? Você sente que alguém tem sido apontado como o “Apóstolo da Correção” em sua vida? Você tem lidado com uma crítica injusta e desleal? Se a resposta for “sim”, para qualquer dessas questões, então creio que essa informação será útil para você. Se você aprender a lançar fora as notas mais baixas, então você será capaz de focar em quem você realmente é no que você foi chamado para fazer.

Abraham Lincoln certamente teve de lançar fora as notas mais baixas, para liderar de forma bem-sucedida a nação durante a sua presidência. No museu de Lincoln, em Springfield, Illinois, existe uma área chamada “A Galeria do Sussurro”, que é uma galeria escura e distorcida onde vozes cruéis podem ser ouvidas falando contra o presidente. Essas paredes são forradas com artigos de jornais e charges políticas que atacaram caluniosa e cruelmente o presidente e a Sra. Lincoln de formas muito pessoais.

A imprensa se referia a Lincoln como um “babuíno grotesco”, um “advogado do interior de terceira categoria” que uma vez dividiu os trilhos e agora divide a união, um “coringa grosseiro vulgar”, um “ditador”, um “macaco”, um “palhaço” e outros nomes depreciativos. Um dos jornais locais do seu estado até mesmo o chamou de “o político mais astuto e desonesto que já desgraçou uma secretaria nos Estados Unidos”.

Como Lincoln respondeu a essa torrente de ataques? Ele disse: “Se eu estivesse tentando ler, ou muito menos responder, todos os ataques feitos a mim, este escritório poderia ser fechado e trocado por qualquer negócio. Faço o melhor que sei, o melhor que posso; e pretendo continuar fazendo até o fim. Se o fim me mostra que estou errado, dez anjos jurando que fiz o certo não fariam diferença. Se o fim me prova que estou correto, então o que é dito contra mim agora não fará diferença alguma”.

Se Lincoln tivesse guardado essas críticas no coração, eu não acho que ele poderia ter realizado os seus deveres como presidente. Biblicamente falando, Jesus era o objeto e o alvo de tanto ódio que Ele tomou posse de uma passagem do Antigo Testamento que diz: “Odiaram-me sem motivo” (João 12:15). Graças a Deus que Jesus permaneceu focado em continuar a Sua missão a despeito de opiniões e críticas de outros!

JOSÉ

Pense no rancor direcionado a José durante o início de sua vida. Seus irmãos o venderam para a escravidão. A esposa de seu chefe falsamente o acusou e o lançou na prisão. Um homem que José ajudou na prisão (o mordomo de Faraó) rapidamente esqueceu-se de José a despeito das promessas de lembrar-se dele. Se José tivesse guardado essas coisas em seu coração, ele poderia ter sido um homem muito amargo e desmoralizado. Em vez disso, Jacó disse sobre José: “Os flecheiros lhe dão amargura, atiram contra ele e o aborrecem. O seu arco, porém, permanece firme, e os seus braços são feitos ativos pelas mãos do Poderoso de Jacó, sim, pelo Pastor e pela Pedra de Israel” (Gênesis 49:23-24).

Para ter sucesso, José teve de basear sua identidade e senso de destino em uma coisa, e somente em uma coisa: o desígnio de Deus para a sua vida. Ele não poderia alicerçar sua identidade ou senso de destino no modo como seus irmãos o tratavam, na maneira como a esposa de Potifar mentiu a respeito dele, em sua prisão ou no esquecimento do mordomo. A única maneira de vencer o medo da rejeição é valorizarmos a constante aprovação de Deus acima da aprovação condicional das pessoas. As opiniões de outros simplesmente não podem ter permissão para reger as nossas vidas!

DAVI

Em algum momento, o jovem Davi teve de encarar as lanças que Saul havia lançado contra ele. Uma opção era internalizar o trauma e dizer: “Realmente deve ter alguma coisa errada comigo”. A partir desse ponto, sua vida poderia ter culminado em vergonha, inferioridade, autodúvida e humilhação. Se Davi tivesse feito isso, ele teria continuado uma vítima dos caprichos, das inseguranças e da paranoia de Saul. A outra opção era dizer a si mesmo a verdade e entender que as lanças eram lançadas contra ele devido ao problema que Saul tinha com ele mesmo. Isso teria feito Davi perceber que a ira de Saul não era um reflexo da sua dignidade ou valor, mas em vez disso, era meramente uma expressão da disfunção interna não resolvida do próprio Saul.

PAULO

Outro personagem bíblico intensamente criticado foi o apóstolo Paulo. Até mesmo os crentes em Corinto registraram sua opinião inconstante sobre Paulo, relativo a outros ministros, fazendo de Paulo uma parte indesejada em uma briga de popularidade. Imagine o relógio correndo na borda da tela: “Se você considera Paulo melhor do que Apolo ou Pedro, disque 0800-SIM- PAULO”. Qual era a atitude de Paulo diante desses julgamentos? Ele não era movido pelas críticas ou bajulações.

Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós ou por tribunal humano; nem eu tampouco julgo a mim mesmo. Porque de nada me argúi a consciência; contudo, nem por isso me dou por justificado, pois quem me julga é o Senhor.  — 1 Coríntios 4:3-4

Pouco importa o que vocês pensem ou digam a meu respeito. Eu não me avalio. Nesse caso, os rótulos são irrelevantes. Desconheço algo que me desqualifique na minha tarefa para com vocês, mas isso não quer dizer muita coisa. O Senhor é quem faz este julgamento.  — 1 Coríntios 4:3-4 (A Mensagem)

Kenneth E. Hagin disse: “Paulo cresceu na graça a tal medida que procurou recomendar-se somente a Deus. Ele não era influenciado ou afetado pelo que outros pensavam dele. Ele não se colocava em prisão por causa de alguém. Isso não era uma independência carnal, mas uma dignidade santa. A lei do amor o governava. Ele não ficava facilmente ensoberbecido, nem era melindroso ou ressentido. Seu espírito, onde o amor de Deus foi derramado, o dominava. Crentes imaturos se sentirão menosprezados ou ensoberbecidos. Se eles são criticados, ou imaginam que estão sendo, ficam inquietos, apreensivos e com pena de si mesmos. No entanto, se eles são observados e apreciados eles se sentem exaltados e cheios de importância própria. Cristãos infantis são autoconscientes. E até mesmo conscientes do que os outros acham deles. Portanto, eles são infantilmente ‘inconstantes’ popularmente falando. O crente maduro é consciente de Deus. E até mesmo consciente do que a Palavra de Deus diz sobre ele e para ele. Porque ele é capaz de testificar com Paulo: ‘É uma coisa muito pequena eu ser julgado por vós ou pelo julgamento do homem’, ele é livre para andar e dar voz as suas convicções”.

Em um nível prático, deveríamos sempre estar abertos a melhorias. Isso pode envolver aprender e tirar vantagem até mesmo da crítica. Contudo, na essência de quem somos, nunca devemos permitir que qualquer crítica diminua o nosso valor intrínseco e infinito como filhos de Deus. Nunca devemos dar a outros o direito de rebaixar o nosso valor ou invalidar o nosso destino. Deus é Aquele que nos chamou, e Ele é Aquele a quem teremos que responder por último.

O que pode nos fazer vulneráveis às críticas de outros? Com frequência, o medo do homem. Somos chamados para andar no temor reverente do Senhor, não para sermos intimidados e paralisados pelo medo do homem. Eu amo a atitude de Billy Sunday. Ele disse: “Se você acha que alguém vai me assustar, você não me conhece ainda”.

Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no SENHOR está seguro.  — Provérbios 29:15

Temer o homem vai além de temer o mal físico. Muitos temem rejeição, ridículo ou desaprovação. Alguns até mesmo tornam-se “viciados em aprovação”, perseguindo obsessivamente a aprovação humana a qualquer custo, e remoendo ansiosamente o que outros pensam sobre eles. De fato, a versão A Mensagem parafraseia Provérbios 29:25: “O medo da opinião dos homens pode paralisar; a confiança no Eterno o protegerá disso”.

Isso me faz pensar muito melhor o quanto o corpo de Cristo, crentes e líderes, têm sido paralisados e temos tido nosso potencial minimizado devido ao medo do homem. Um exemplo clássico de medo do homem é encontrado na maneira como certos indivíduos respondem a Jesus.

Contudo, muitos dentre as próprias autoridades creram nele, mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.  — João 12:42-43 (NLT)

Quando indivíduos são regidos pelo medo do homem, eles irão recolher suas próprias convicções e violar sua própria consciência. Podemos perceber a partir desse versículo (e talvez por meio das nossas próprias experiências e observações), que a pressão do grupo não afeta apenas adolescentes. Se somos vencidos pelo medo da opinião humana, é porque provavelmente temos magnificado o homem e minimizado Deus em nossos pensamentos.

Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu, para que temas o homem, que é mortal, ou o filho do homem, que não passa de erva? Quem és tu que te esqueces do SENHOR, que te criou, que estendeu os céus e fundou a terra, e temes continuamente todo o dia o furor do tirano, que se prepara para destruir? Onde está o furor do tirano?  — Isaías 51:12-13

Quando reverenciamos a Deus de forma apropriada em nossas vidas e entendemos que a opinião Dele é aquela que importa finalmente, iremos evitar o laço, a deficiência e a paralisia que vêm do servilismo diante da desaprovação do homem.

Jesus demonstrou grande maturidade, até mesmo quando tinha 12 anos de idade. Quando Seus pais finalmente O acharam no templo, Maria falou com Jesus com muita emoção. Lucas 2:48 descreve sua fala: “Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura”.

Nem todos respondem bem a tal declaração, mas a resposta de Jesus revela muito:

•   Ele não respondeu com arrogância. A arrogância teria dito: “Eu farei o que eu quiser, quando eu quiser, e como eu quiser e não quero mais nenhuma palavra sua”.

•   Ele não respondeu desculpando-se. Uma desculpa poderia ser: “Desculpe-me. Eu nunca farei algo para chateá-los”.

•   Ele não respondeu com assertividade. Jesus simplesmente disse (Lucas 2:49): “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” Jesus era tão seguro, calmo, confortável e confiante na aceitação e aprovação de Deus, que não precisou responder com arrogância ou se acovardar em intimidação.

Se estivermos inseguros sobre o amor e a aceitação do Pai, então tentaremos preencher esse vazio em nossas vidas com a aprovação das pessoas. O problema aparece quando reconhecemos que o amor e a aprovação do homem são tipicamente condicionais, inconstantes e temporais. Como resultado, nunca estamos verdadeiramente seguros porque o amor do homem é sujeito à mudança. Contudo, o amor de Deus é incondicional, imutável e eterno. Nele, achamos verdadeira segurança. Por isso é tão melhor para nós andarmos no temor reverente e admiração por Deus, do que ser uma “montanha-russa” emocional em busca da aprovação do homem.

Deus disse: “Eu nunca os deixarei e jamais os abandonarei”. Portanto, sejamos corajosos e afirmemos: “O Senhor é quem me ajuda, e eu não tenho medo. Que mal pode alguém me fazer?”  — Hebreus 13:5-6 (NTLH)

Esse é o tipo de confiança que todo filho e servo de Deus deveria ter. É importante entender que a liberdade do medo do homem não envolve ter uma atitude altiva que diz: “Bendito seja Deus, eu não ligo para o que qualquer pessoa pensa ou diz sobre mim”. É tão maravilhoso ter segurança na aceitação de Deus que você não se encolhe diante da rejeição ou desaprovação humana. Contudo, é outra coisa ter uma atitude rebelde, arrogante, carnal e independente que o leva a descuidar e desrespeitar outros.

Para entender apropriadamente qual deveria ser a nossa posição, não apenas precisamos observar a perspectiva de Paulo em 1 Coríntios 4:3 (… pouco me importa como eu posso ser avaliado por vós), mas também precisamos ouvir o sábio equilíbrio que ele expressou posteriormente no mesmo livro.

Portanto, quando vocês comem, ou bebem, ou fazem qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Vivam de tal maneira que não prejudiquem os judeus, nem os não-judeus, nem a Igreja de Deus. Façam como eu. Procuro agradar a todos em tudo o que faço, não pensando no meu próprio bem, mas no bem de todos, a fim de que eles possam ser salvos.  — 1 Coríntios 10:31-33

Paulo se contradisse? Sabemos que Paulo disse em outro lugar (Colossenses 3:22) para não sermos alguém que agrada às pessoas, mas agora ele descreve como ele sempre tenta agradar a todos. Isso pode parecer um tanto paradoxal, mas não é contraditório. Na verdade, Paulo está falando sobre duas questões diferentes.

Em 1 Coríntios 10, Paulo não está descrevendo uma insegurança ou um medo alicerçado na perseguição pela aprovação para o seu próprio benefício, mas em vez disso, um esforço, fundamentado no amor, para servir a outros para o benefício deles.

Observe os qualificadores de Paulo:

•   Primeiro, ele diz que deveríamos fazer as coisas para a glória de Deus.

•   Segundo, ele diz que deveríamos evitar ofender ou ser um obstáculo desnecessário que afasta as pessoas de Deus.

•   Terceiro, vemos Paulo buscando agradar a outros (não apenas a ele mesmo). Ele faz isso não pelo seu próprio benefício pessoal (para satisfazer uma necessidade em sua própria vida), mas para o benefício de outros a fim de que eles possam ser salvos.

Como você tem feito com as opiniões dos outros? Há algumas notas baixas, até mesmo vozes para diminuí-lo vindas do passado, que você precisa lançar fora? Tem existido alguma “conversa fiada” lançada no seu caminho que você precisa se levantar sobre ela? Há algum elogio, uma nota alta que você precisa ignorar?

Lembre-se de que você é simplesmente quem Deus disse que você é e quem Deus o criou para ser. Você não tem razão para se sentir inferior, e nenhuma razão para se ensoberbecer.

Você é uma pessoa de grande valor porque Deus diz que você é. Você tem um grande potencial porque Ele o tem presenteado e chamado. Ande nisso, e se mantenha livre da prisão do medo das pessoas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

INFÂNCIA AMEAÇADA

Falta de rotina, excesso de estímulos, ruptura do ciclo sono-vigília eprescrição muitas vezes indiscriminada de antidepressivos podem antecipar a expressão dos sintomas maníacos em crianças e adolescentes

Apesar da constatação de que a maioria dos pacientes com o transtorno bipolar (TB) manifesta sintomas da doença ainda na infância, a forma precoce o distúrbio foi frequentemente sub- diagnosticada durante quase todo o século XX e só ganhou relevância depois dos anos 70. Hoje, embora sua ocorrência entre crianças e adolescentes seja indiscutível, dúvidas e polêmicas ainda cercam os índices epidemiológicos, as características clínicas, o curso da doença e os prognósticos. Uma revisão das pesquisas com as doenças afetivas nessa faixa etária mostra que as maiores dificuldades são a falta de especificação, a utilização não-padronizada de critérios de diagnóstico para crianças e a variedade da população estudada.

Evidências sugerem que a prevalência do TB aumentou em gerações mais recentes e que isso não se deve apenas ao maior número de casos diagnosticados.

Entretanto, tudo indica que esse crescimento tenha sido provocado por mudanças ambientais: falta de rotina, acesso a estímulos durante 24 horas do dia, maior ruptura do ciclo sono- vigília e prescrição de estimulantes e antidepressivos podem antecipar a expressão dos sintomas maníacos.

O uso precoce de álcool e drogas agrava os sintomas do TB em pessoas predispostas ao distúrbio. Mas, se tais fatores podem elevar o risco de desenvolver a doença, também possibilitam que estratégias preventivas e fatores de proteção sejam adotados.

A falta de dados evolutivos, porém, impede qualquer conclusão segura a respeito da influência desses fatores, porque o aparente aumento da taxa de mania pode refletir práticas diagnósticas, mudanças dos fatores da morbidade inerentes à época e disponibilidade da amostra.

Atualmente, diversos aspectos sobre o transtorno antes da fase adulta continuam em discussão e aguardam consenso entre especialistas: os critérios de inclusão e exclusão de pesquisas são pouco definidos; há desnível no treinamento dos pesquisadores de campo; existe deficiência de instrumentos de apoio diagnóstico e controle de evolução clínica; protocolos de pesquisa não são específicos e nota-se grande variação de prevalência e/ou incidência de TB na infância e na adolescência.

Em relação ao primeiro aspecto, alguns trabalhos mostram não ser necessário desenvolver um critério específico para transtornos afetivos dos 7 aos 16 anos, mas é sabido que o nível de desenvolvimento psicológico de uma criança tem papel importante na expressão de sinais e manifestações clínicas. Também variam com a idade a prevalência, o curso da doença e a relação com os transtornos manifestados na fase adulta. A tendência é que sejam estipulados critérios universais adaptados para diagnóstico nas diferentes fases de desenvolvimento, com sintomas equivalentes ou substitutivos para crianças e adolescentes.

Variam muito a prevalência e a incidência de TB precoce. As diferenças entre as populações estudadas – crianças da comunidade, pacientes ambulatoriais psiquiátricos, pacientes ambulatoriais pediátricos ou pacientes internados, pediátricos ou psiquiátricos – influenciaram os resultados. As baixas prevalência e incidência ou a variação de índices também podem decorrer do fato de que as manifestações consideradas exceções em adultos são comuns em crianças. Por isso, muitos profissionais nem incluem o T B entre as possibilidades de diagnóstico infantil – o que termina por dificultar o tratamento.

Para complicar, o que não é tão comum em adultos pode aparecer com mais frequência em crianças: estados mistos, ciclos rápidos, presença de sintomas psicóticos, altas taxas de comorbidade e prejuízo psicossocial severo. Crianças com TB são com frequência identificadas como se tivessem transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e adolescentes com doença bipolar são muitas vezes confundidos com portadores de transtorno de personalidade ou esquizofrenia. Essa dificuldade por parte dos profissionais é compreensível, uma vez que sintomas presentes em transtornos disruptivos (hiperatividade, agressividade e comportamentos anti sociais) podem ocorrer em crianças com TB. A confusão aumenta quando os adolescentes se mostram particularmente explosivos ou desorganizados e consequentemente mais vulneráveis a agressões físicas e a problemas sociais.

É comum que o TB com início precoce se manifeste primeiro por um quadro depressivo. Entre crianças e adolescentes deprimidos, 20% a 30% podem desenvolver episódios maníacos até em 24 meses seguintes. Estudos da década de 90 constataram que grandes proporções de crianças em tratamento por depressão desenvolviam sintomas variadosde TB e frequentes episódios maníacos. Segundo uma hipótese polêmica, grande parte – se não a maioria dos casos de depressão infantil – evolui para TB. O grupo de Robert L. Findling, diretor da Divisão de Psiquiatria de Crianças e Adolescentes dos Hospitais Universitários de Cleveland e professor associado de pediatria e psiquiatria da Universidade Case Western Reserve, investigou em 2001 pacientes de 5 a 17 anos portadores de TB tipo I e observou que cerca de metade deles já tinha tido episódios depressivos.

A fase depressiva do TB infantil se caracteriza por início muito precoce (antes dos 13 anos); retardo psicomotor alternado com agitação; sintomas psicóticos, reações de (hipo) mania após uso de antidepressivo; hipersonia e hiperfagia; história familiar positiva para transtorno bipolar. Essas características também são sinais preditivos e fatores de risco para posterior aparecimento deepisódio maníaco em crianças deprimidas. O estado misto depressivo é uma apresentação comum no TB tipo lI, e os pacientes com sintomas da hipomania que ocorrem durante um episódio depressivo poderiam sugerir a bipolaridade. Como os sintomas de aumento de atividade e a sensação de “estar cheio de energia” muitas vezes não são vistos como preocupantes, os episódios de hipomania podem não constituir uma queixa para o paciente ou até passar despercebidos.

A depressão que começa na adolescência parece continuar na vida adulta, e há evidências de transmissão familiar. Por ser uma patologia reconhecidamente cíclica, sabe-se hoje que a depressão de início precoce requer cuidados o quanto antes, para que se evitem prejuízos no desenvolvimento e no funcionamento global do jovem.

Alguns pesquisadores defendem a ideia de que as crianças com TB de início precoce já tinham temperamento distinto do de seus pares antes mesmo de desenvolver a doença. No estudo publicado em 2001 pelo grupo de Findling, os pais descrevem os filhos portadores de TB como cronicamente perturbados e irritados nos períodos de estado misto, hipomania ou mania, e mais irritados do que tristes em período de depressão. Manifestam tambémirritação, mesmo em momentos de humor mais equilibrado,

PERIGO DE SUICÍDIO

O profissional da saúde mental que assiste crianças e adolescentes com TB deve atentar para a presença de ideação suicida durante todo o acompanhamento desses pacientes. É importante que se avaliem os fatores de risco. Por exemplo, sintomas depressivos e hipomaníacos, com atenção especial nos estados mistos e sintomas psicóticos, tentativas prévias de suicídio, abuso físico, emocional ou sexual, abuso de substâncias psicoativas, grau de impulsividade, presença de armas de fogo em casa e fa1ta de suporte familiar.

Os pais também devem ser orientados quanto aos sinais que denunciam uma possível ideação suicida dos filhos e remover do alcance da criança todos os agentes letais como armas, venenos e medicamentos. E devem zelar pelo uso da medicação prescrita. O envolvimento da família é fundamental, sobretudo para evitar a não-aderência ao tratamento. Com o surgimento de inúmeros fatores de risco, torna-se necessário avaliar a segurança de manter a criança ou adolescente em regime de tratamento ambulatorial.

Nos últimos anos, um crescente número de crianças e adolescentes entram nas unidades de emergência com diversos quadros de intoxicação e acidentes, sem que se cogite tratar-se de tentativa de suicídio, e menos ainda que portadores de transtorno do humor, sobretudo TB. Infelizmente, a maioria das equipes que presta serviços a esses pacientes ainda está despreparada para abordar, avaliar e conduzir os casos em pronto-socorro. Poucos são os hospitais com especialistas na equipe capazes de avaliar essas ocorrências.

A avaliação psiquiátrica no pronto­ socorro já representa uma intervenção: a criança ou o adolescente é ouvido, e com isso pode sentir que seu pedido de ajuda foi atendido. Eventos agudos de vida também têm tido sua ocorrência associada à manifestação de uma série de distúrbios psiquiátricos, principalmente depressão, transtornos de conduta, anorexia nervosa, atos suicidas, abuso de drogas e dificuldade escolar.

Analisando uma amostra não clínica de crianças e adolescentes, constatou-se uma relação de eventos maiores repentinos, ocorridos num período de dois anos, com a mudança de comportamento e problemas emocionais explícitos, além de uma ligação significativa entre acontecimentos negativos e manifestações de problemas emocionais e comportamentais. Estudos demonstram também maior incidência geral de transtornos psiquiátricos no ambiente familiar de pessoas com problemas mentais, desvio ou predisposição a esses quadros.

ESTRESSORES EM SINERGIA

Outras pesquisas sugerem que interações disfuncionais na fase inicial da vida resultam em percepções distorcidas negativas de si mesmo, do mundo e do futuro, que persistiriam a despeito de novas experiências, predispondo o indivíduo a desenvolver transtornos depressivos. Deficiências nos relacionamentos precoces resultariam numa trajetória negativa na infância, predispondo a transtornos emocionais.

A teoria do desamparo aprendido, proposta por Martin Seligman, na década de 70, sugere que a exposição a eventos estressares, crônicos, incontroláveis e imprevisíveis, mesmo quando os cuidados parentais são adequados, predispõe os indivíduos a desenvolver quadros depressivos. Existe ainda a possibilidade de que uma parcela significativa de dificuldades vivenciadas decorra da própria vulnerabilidade causada pela depressão, como sugerido em estudos anteriores. O fato de a criança estar deprimida a torna mais vulnerável a experimentar novos estressores, piorando o estado numa espiral descendente. Em 2000, T. C. Eley e J. Stevenson estudaram 61 pares de gêmeos e encontraram correlação significativa entre eventos relacionados a perdas, stress na escola ou no trabalho, problemas de relacionamento familiar e de amizades e presença de sintomas depressivos. Essa correlação não foi encontrada com os sintomas de ansiedade.

Em 2002, o pesquisador J.A. Rice coordenou nos Estados Unidos uma pesquisa sobre a etiologia de sintomas depressivos em crianças e adolescentes examinando a influência de gênero, idade, sintomas de inquietação e depressão materna, em uma amostra de população de gêmeos com idade entre 8 e 17 anos, de 1.463 famílias. O fator genético influiu significativamente nos sintomas depressivos. Dados da literatura com frequência indicam que fatores psicossociais também tendem a afetar desfavoravelmente a evolução e o prognóstico de depressão nessas idades.

FATORES DE RISCO

A maioria das crianças e adolescentes com TB também tem estressores crônicos no ambiente familiar e social. Estudos mostram que menos da metade dos portadores do transtorno de início precoce mora com os dois pais biológicos; aproximadamente um terço já esteve hospitalizado e menos do que um terço já recebeu educação especial. Uma investigação recente chama atenção para a descoberta de que o grau de acolhimento materno pode ser um fator preditivo de recidiva após remissão dos sintomas.

É preciso considerar também que é alto o índice de transtornos mentais nos países e/ou em pessoas que convivem com a criança. Embora as limitações metodológicas do estudo impeçam que se estabeleça uma relação direta entre as duas variáveis, algumas hipóteses podem ser levantadas. Pais com transtornos mentais tendem a ser menos calorosos com os filhos, a ser mais críticos e a utilizar estratégias disfuncionais para a solução de problemas. As crianças deprimidas, por sua vez, tendem a ser mais vulneráveis a coerções e a se tornar alvos dos conflitos familiares. Um terceiro fator são predisposições genéricas pelas quais filhos herdariam a doença psiquiátrica ou, ao menos, uma vulnerabilidade dos pais. Na maioria dos estudos, os familiares acometidos por transtornos recebem diagnóstico de depressão.

A hipótese é que todos esses fatores se potencializem uns aos outros. Os achados do estudo mostram que a presença de estressores em grande número nas famílias de crianças com depressão maior. Esse dado pode ser um alerta para todos os profissionais que trabalham com crianças e adolescentes, e também com adultos, sobre a importância de avaliar a existência de depressão em seus pacientes ou nos filhos de pacientes com problemas familiares. Além disso, os psiquiatras de adultos, especialmente, devem estar atentos à ocorrência de quadros depressivos na descendência dos pacientes com altos índices de transtorno psiquiátrico. Finalmente, estratégias de prevenção de depressão em crianças e adolescentes devem levar em conta os aspectos individuais da criança. E também os fatores de risco para desenvolvimento de um quadro depressivo, especialmente disfunções familiares, dificuldades interpessoais e eventos agudos de vida recentes, encontrados em grande parte nas crianças e nos adolescentes das clínicas psiquiátricas.

OUTROS OLHARES

O NETFLIX DOS GAMES

Ao investir em streaming de alta performance, Google, Microsoft e Bethesda se preparam para baratear os jogos eletrônicos e faturar bilhões de dólares

A expectativa é de uma revolução no acesso aos videogames. Pena que ainda não há data para ela chegar ao Brasil. A Bethesda e o Google anunciaram que vão lançar o Orion e o Stadia, respectivamente, produto e serviço de streaming de alto desempenho. Em outubro, deve entrar no ar o xCloud, da Microsoft. O potencial desse segmento é de dezenas de bilhões de dólares. As novas plataformas vão permitir que os jogadores acessem imensos servidores operados em nuvem por meio de seus smartphones, smartTVs, tablets e computadores. Assim, poderão jogar games que antes exigiam consoles próprios e caros, como os Xbox One, Nintendo Switch e PlayStation 4 — este com versão básica em torno de R$ 1,7 mil.

Os serviços por demanda já existem, mas agora a tecnologia vai permitir que jogos melhores estejam disponíveis para quem tiver uma boa conexão, já que a “memória” e os gráficos de cada partida ficarão na rede. Outra vantagem será o acesso por meio de assinaturas ou compras específicas, sem necessidade de CDs ou downloads pesados. Na prática, serão como um Netflix, exigindo no máximo um acessório remoto ou acoplável.

AÇÃO GRÁFICA

Divulgado no domingo 9 e sem data de lançamento, o Orion é um acelerador, pois promete aumentar o desempenho em até 20% de qualquer jogo em streaming, não importando o dispositivo, sendo ideal para quem tem conexão mais lenta. Já o Stadia foi anunciado em 19 de março e deve chegar ao mercado em novembro. O xCloud surgiu no final de 2018, já teria 3,5 mil jogos em catálogo.

O Stadia vai transmitir imagens em tempo real com resolução de 4k e a 60 quadros por segundo, afirmou o chefe de engenharia do Google, Majd Bakar. Uma assinatura básica custará US$ 10 e poderá contar com títulos como “Doom Eternal”, “Assassin’s Creed Odissey” e a franquia “Tomb Raider”. Para atrair fãs, o xCloud terá uma versão gratuita para quem possuir o seu Xbox One. É quase certo que o catálogo terá “Forza Horizon 4”, “Halo 5” e “Gears of War 4”. Para Sandro Manfredini, diretor de negócios da desenvolvedora de games brasileira Aquiris, os jogos de console não vão acabar, pois ganharão gráficos ainda mais complexos.

GESTÃO E CARREIRA

O TOM DAS RELAÇÕES

A tolerância construtiva encontra algumas barreiras quando esbarramos em divergências de valores morais, em especial aqueles que afetam a ética da convivência

A tolerância construtiva é um movimento positivo em direção ao outro, apesar de pensamentos, opiniões e convicções diferentes das nossas. Essa habilidade parece ser urgente em tempos em que as divergências odiosas parecem estabelecer o tom das relações.

Talvez seja importante relembrar que valores morais são os conceitos, juízos e pensamentos que são considerados “certos” ou “errados” por determinada pessoa ou sociedade. Esses valores sofrem influência de diversos fatores, como cultura, tradição, cotidiano, religião e educação de determinada sociedade. Prezar os valores morais de um povo é uma das formas de garantir a convivência pacífica entre as pessoas, pois tais valores determinam como devem ser os comportamentos, funcionando como uma espécie de orientação sobre a forma de agir. Enfim, a existência de valores morais é importante para garantir a existência da ordem social.

Existe, em cada um de nós, uma escala de valores que nos coloca diante de uma gradação de atitudes perante a vida e perante os outros. Essa escala de atitudes nos põe diariamente frente a um conjunto de escolhas conscientes ou morais e nos conduz a uma escolha que é muito pessoal e precisa se tornar consciente a cada momento. Num nível básico dessa escala de valores, escolho se e como vou conviver com pessoas por exemplo, de times de futebol ou gostos culturais diferentes do meu. É um nível de divergência relativamente fácil de ser administrado no dia a dia das relações.

Num nível intermediário, escolho se vou e como vou conviver com pessoas que, por exemplo, professam outras religiões ou possuem diferentes convicções políticas. É um nível de divergência que exige de nós maior habilidade de tolerância construtiva. Nesse nível, precisamos tomar cuidado com a manutenção do diálogo produtivo, que facilmente descamba para a guerra de imposição de opiniões.

O nível maia alto e mais difícil envolve os valores morais que movem uma pessoa. Nesse nível, precisamos fazer mois uma distinção: o outro que discorda de mim apresenta apenas valores divergentes ou representa uma agressão à ética da convivência? Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam o comportamento das pessoas na sociedade. A ética visa o equilíbrio e o bom funcionamento social, possibilitando que ninguém seja prejudicado. Machismo, homofobia e racismo, por exemplo, são valores que ferem a ética das relações e, dessa forma, precisamos nos tornar defensores do convívio saudável e respeitoso. Nesse caso, não se trata de simples aceitação e respeito às diferenças, mas da manutenção da ética da convivência.

Essa manutenção exige de nós clareza e assertividade no que chamamos de nível de comunicação de discordância. Em se tratando de uma discordância em nível básico, a comunicação clara e respeitosa costuma ser suficiente para comunicar ao outro sua discordância. “Eu torço por tal time” ou “Não gosto de carnaval”, são comunicações

que ensejam o respeito às diferenças de opinião. Num contexto intermediário de divergência, a afirmação categórica da opinião e a ênfase usada cumprem esse papel e comunicam o quanto se está aberto ou não ao diálogo. “Sou umbandista”, ou “Minha ideologia é de esquerda” carregam em si partes importantes do outro que precisam de permissão para serem questionadas. Nesses casos, a simples afirmação das diferenças e o respeito a elas são enunciadores do quanto estamos dispostos a ser tolerantes.

A grande questão encontra-se nos níveis mais altos de divergência que ameaçam a ética da convivência. ”Não acho que negros devem ser líderes!” ou “As mulheres devem ser submissas aos seus maridos!”, são posicionamentos que carregam em si preconceito e desrespeito que ferem frontalmente a ética social e, como defensores desse status, precisamos comunicar nossa divergência de forma que fique claro o quanto tal postura nos atinge. Nesse momento, o nível de intimidade e importância que o outro tem em nossa vida estabelecerá o quanto estamos dispostos a tolerar tal divergência. Essa ênfase costuma ser proporcional ao nível de intimidade e importância do outro para nós, assim como a decisão de manter ou não a relação. Tendemos a ser mais breves e categóricos e menos empenhados em manter a relação com pessoas mais distantes e mais argumentativos e empenhados na manutenção da relação com pessoas mais importantes em nossa vida.

Nesse ponto, estabeleçamos alguns questionamentos que podem nortear nossas relações: Como conviver intimamente com alguém que fere minha ética de convivência? A continuidade da relação depende da mudança de opinião do outro/ Até que ponto é suficiente convencer o outro a pelo menos respeitar a ética da convivência (mesmo que não mude sua opinião)/ Enfim, o quanto balizo minhas relação pela identificação de valores e o quanto consigo conviver com as divergências de valores, uma vez respeitada a ética da convivência?

JÚLIO FURTADO – é professor palestrante e coach. É graduado em Psicopedagogia, especialista em Gestalt-terapia e dinâmica de grupo. É mestre e doutor em Educação. É facilitador de grupos de desenvolvimento humano e autor de diversos livros. www.juliofurtado.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 24 – TEMPERADO OU ENVENENADO?

“Carregar um rancor é como ser picado até a morte por uma só abelha.” — William H. Walton

PENSAMENTO-CHAVE: Viva livre da ofensa; deixe que os desafios do ministério possam torná-lo melhor, não mais amargo.

Você já percebeu quantas histórias diferentes e referências existem na Bíblia sobre o povo de Deus encontrando situações envolvendo algum tipo de envenenamento?

•  Êxodo 15 – Quando o povo de Deus encontrou as águas amargas de Mara, o Senhor mostrou a Moisés uma árvore. Quando ela foi lançada nas águas, elas se tornaram doces (a árvore prenunciava a cruz).

•  Números 21 – Serpentes no deserto que mordiam as pessoas. Deus direcionou Moisés a colocar uma serpente de bronze sobre uma haste, quem quer que olhasse para ela seria curado e viveria (veja João 3:14-15).

•  2 Reis 4 – Eliseu e os filhos dos profetas estavam comendo guisado quando gritaram: “Existe morte na panela!” Eliseu disse a eles coloquem farinha na panela, e “não havia nada nocivo na panela”.

•  Marcos 16 – Jesus disse que os Seus discípulos “pisariam em serpentes, e se eles bebessem alguma coisa mortal, não causaria dano algum”.

•  Atos 28 – Após o incidente do naufrágio, Paulo estava ajuntando gravetos para uma fogueira quando uma víbora “ficou presa em sua mão”. Os nativos esperaram Paulo morrer, mas ele sacudiu a serpente no fogo e não sofreu mal algum.

Uma das primeiras coisas que observamos é que Deus está consistentemente providenciando aos Seus servos um antídoto, protegendo-os do envenenamento, e até mesmo transformou amargura em doçura. Mas, eu tenho de perguntar, por que tantas histórias sobre amargura e envenenamento? Existem algumas lições adicionais, princípios e aplicações que podemos extrair dessas histórias?

Não quero espiritualizar em excesso essas histórias, mas estou ciente de que a vida é cheia dessas experiências que têm o potencial de nos amargar, enchendo-nos de ressentimento e nos deixando sentir a dor do arrependimento. Creio que Deus é tão interessado em sermos livres daquele tipo de envenenamento tanto quanto Ele protegeu o Seu povo nesses relatos bíblicos.

Provavelmente todos já ouvimos a frase: “A vida o tornará amargo ou o tornará melhor”. Creio que a forma como damos respostas a Deus irá determinar se acabaremos temperados ou envenenados. Se alguém teve o direito (naturalmente falando) de sentir pena de si mesmo, esse era Paulo. Ele fora fiel a Deus e ainda assim foi transportado para Roma como prisioneiro. Ele suportou a horrível e extensa tempestade no mar que resultou em um naufrágio, e teve de nadar para garantir sua sobrevivência. Estava frio e chovendo quando ele foi recolher gravetos para a fogueira, e então uma serpente o mordeu. Esse não era um bom mês para a carta de notícia do ministério de Paulo!

Nessa situação vivida por Paulo, amo o fato de que ele não apenas sacudiu a serpente da sua mão no fogo, mas que pouco depois disso, ele colocou as mãos sobre o pai de Públius e ministrou cura para ele, assim como a muitos outros naquela ilha (Atos 28:1-9). Então, em vez de ser envenenado, Paulo sacudiu a cobra e terminou usando a mesma mão, a mesma que o inimigo tentou injetar veneno, para trazer bênção a outros. Paulo era verdadeiramente temperado pela graça, não envenenado pela adversidade!

Quais são os potenciais venenos aos quais estamos expostos hoje?

•   Traição – alguém que você confiou e pensou que estava do seu lado se volta contra você.

•   Desapontamento – alguém não faz o que você esperava que fizesse e o deixa frustrado.

•   Promessas quebradas.

•   Rejeição.

•   Desrespeito.

•   Ingratidão – você busca ajudar ou servir a outra pessoa, mas suas ações não são apreciadas e são desconsideradas.

•   Alguém é insensível a você ou falha em reconhecer as suas necessidades básicas

•   Crítica.

•   Alguém mente ou faz fofoca a seu respeito.

•   Alguém o mina, trabalhando contra você em vez de trabalharem por você.

•   Suas convicções e valores são desconsiderados.

•   Pessoas posicionam demandas irracionais e expectativas em você, e diminuem você quando não consegue cumpri-las.

•   Falsas acusações. Você é culpado por coisas que não são culpa sua.

Todas essas coisas podem nos envenenar se nós permitirmos. Quando penso sobre como podemos reagir a tais mágoas trago à memória a história a seguir, bem conhecida, que provavelmente você já ouviu. (Não conheço o autor original.)

•   Sacuda e Suba

•   Certa vez, havia um fazendeiro que tinha uma velha mula. Um dia a mula caiu no poço do fazendeiro. O fazendeiro ouviu a mula zurrar, então ele correu para ver o que havia   acontecido. Depois de cuidadosamente avaliar a situação, ele decidiu que nem a mula nem o poço valiam a pena ser salvos. Ao contrário, ele ajuntou os seus vizinhos, contou a eles o que acontecera, e os pediu para ajudá-lo a carregar terra para enterrar a velha mula no poço e acabar com seu sofrimento.

•  No início, a velha mula ficou histérica! Contudo, enquanto o fazendeiro e seus vizinhos  jogavam as pás de terra e a terra tocava as costas da mula… um pensamento lhe ocorreu.  Repentinamente ela pensou que toda vez que a areia pousasse em suas costas ela poderia sacudi-la e subir sobre ela.

•  Então foi exatamente o que ela fez, pá após pá de areia. “Sacudir e subir, sacudir e subir, sacudir e subir”, ela repetiu para encorajar a si mesma.

•  Não demorou muito até que a velha mula ferida, suja e exausta pisasse para fora do poço.  O que parecia que iria enterrá-la, na verdade, a abençoou, pela maneira como ela lidou com a adversidade.

Como sabemos se somos temperados ou envenenados? Considere alguns dos seguintes contrastes:

O QUE PODEMOS FAZER?

•  Tome uma decisão. Tome a decisão de que você deixará a vida temperá-lo, não envenená-lo!  Alguém   disse: “Você cria as suas decisões, e as suas decisões criam você”.

•  Ande no poder do perdão. Dale Carnegie disse: “Quando odiamos os nossos inimigos damos a eles poder sobre nós, poder sobre o nosso sono, o nosso apetite e a nossa felicidade. Eles dançariam de alegria se soubessem quanto nos preocupamos por causa deles. Nosso ódio não os machuca nem um pouco, mas ele transforma os nossos dias e as noites em tumultos infernais”.

•  Viva livre da inveja e abrace uma vida de gratidão. A. W. Tozer disse: “Um coração grato não pode ser cínico”.

•  Monitore as suas expectativas. Elas são realistas? Muitas vezes, o senso de decepção que experimentamos é intensificado por nossas expectativas irrealistas. Por exemplo, se nós pensamos que tudo acontecerá sempre da nossa maneira e que todos irão nos tratar de forma agradável, estamos nos condicionando para a desilusão.

•  Veja a figura completa. Charles Noble disse: “Você precisa ter longo alcance para impedi-lo   de ficar frustrado com falhas de pequeno alcance”. Em vez de focar em situações imediatas, precisamos considerar a perspectiva de longo alcance, especialmente as ramificações eternas das nossas vidas. Martin Luther King Jr. disse:

“Precisamos aceitar decepções finitas, mas nunca podemos perder a esperança infinita”.

Creio que todos esses princípios são parte de terminar o nosso curso com alegria! Que Deus ajude cada um de nós a nos tornarmos seguidores de Jesus bem temperados.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

A DOENÇA DA INCONSTÂNCIA

O transtorno bipolar ainda é uma doença cercada de preconceitos e o diagnóstico nem sempre é fácil; o tratamento deve tanto prevenir as crises quanto controlar os sintomas agudos

Antes do enigma, a ignorância. A pessoa com transtorno bipolar (TB) recebe o diagnóstico pela primeira vez, em média, só dez anos após as primeiras tentativas de tratamento. Antes disso, pode concluir ou ser informada de que sofre dos mais variados problemas, como dependência de drogas, obesidade, distúrbios de caráter e de personalidade, transtorno do pânico. O diagnóstico mais comum é, com certeza, o de depressão.

No caso, depressão unipolar. Infelizmente, ainda são poucos os profissionais da saúde que conhecem o quadro suficientemente bem e podem oferecer orientação adequada para diminuir a angústia tanto do paciente quanto de parentes e amigos.

O TB é traiçoeiro, os sinais e sintomas podem ter inúmeras manifestações num mesmo paciente e variar muito de uma pessoa para outra. Em geral, quem sofre do transtorno tem dificuldade em dedicar-se à carreira profissional, manter a produtividade e o equilíbrio na vida afetiva e cultivar relacionamentos duradouros. Os afetados pelo distúrbio não têm controle do que pensam ou falam durante os períodos de manifestação da doença.

O tratamento medicamentoso é fundamental e complexo, pois exige duas estratégias: a profilaxia (prevenção das crises) e o controle dos sintomas agudos; o acompanhamento psicológico é fundamental para uma boa evolução a longo prazo. A boa notícia é que a abordagem adequada pode garantir uma vida praticamente normal, principalmente se a doença for diagnosticada na fase inicial. Mas quanto mais cedo e mais profundamente o paciente e sua família entenderem o TB, maior a chance de conseguir controlar a doença e tornar suas consequências menos nocivas. E, nesse caso, a informação pode ser considerada parte fundamental do tratamento. É fundamental que as pessoas implicadas na situação sejam informadas de que o TB é uma doença crônica, com causas biológicas (genéticas e outras) associadas a fatores ambientais.

LOUCO, EU?

O diagnóstico de doença mental faz emergir uma série de preconceitos associados a essa condição: incurabilidade, desfiguramento da personalidade, incapacidade de gerir a própria vida, isolamento forçado da sociedade, perda da liberdade e do livre-arbítrio. Essa imagem é tão arraigada em nossa cultura que pode ser exemplificada pelo modo estereotipado como os meios de comunicação a apresentam, principalmente nas novelas. Personagens que sofrem de doença mental podem ser divididos, de forma geral, em dois tipos, os do primeiro grupo são os que nasceram ou sempre foram “loucos”; em geral são “bonzinhos” e, ocasionalmente, podem ter percepções inteligentes (ou até geniais); os do segundo tipo são vilões e podem ter três destinos padronizados: no final, admitem a culpa e se retratam, são presos, ou, quando a maldade é excessiva, ficam loucos e são trancados em manicômios “pelo resto da vida”. Fica claro, por esse padrão, que a pior pena é ter uma doença mental, a loucura é irreversível e a pessoa louca seria, em princípio, má. A imagem do doente mental como alguém desprezível faz com que muitos ainda hoje reajam de maneira exaltada, e até raivosa, quando se sugere que consultem um psiquiatra – ou um psicólogo. A resposta mais comum é: “Eu? Mas não sou louco!”.

É compreensível, portanto, que frequentemente seja questionado o status de doença mental do transtorno bipolar. Afinal, o paciente apresenta reações exacerbadas comuns, que uma pessoa saudável também poderia ter. Qualquer um é capaz, por exemplo, de reagir com raiva diante de frustrações ou injustiças. Porém, o paciente bipolar pode se deprimir ou ficar excessivamente agressivo. Muita gente também já gastou um pouco mais de dinheiro do que pretendia, ou ficou amuada por ter recebido uma notícia ruim. Mas a pessoa com TB vai além: gasta enormes quantias sem nenhum planejamento, a ponto de envolver-se em dívidas para adquirir produtos dos quais não necessita ou, ao receber uma notícia desagradável, fica de cama. Mas como reações exacerbadas podem distinguir uma pessoa com transtorno bipolar? Não seria apenas uma reação peculiar de cada indivíduo, puramente psicológica, sem resultar de alguma lesão ou falha no funcionamento cerebral? Atualmente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o transtorno bipolar como doença. Para ser concebido assim, é preciso que o quadro tenha causas orgânicas bem estabelecidas; sua evolução no tempo e implicações físicas devem ser conhecidas, bem como as possibilidades de tratamento dos sintomas. A maior dificuldade, porém, é definir seus limites, que dependem de avaliações clínicas baseadas em sintomas e sinais, uma vez que não há ainda exames laboratoriais que possam dar o diagnóstico definitivo de transtorno bipolar.

A principal característica do TB é a instabilidade de várias funções cerebrais, que podem ser percebidas na alteração do humor, variando da tristeza profunda à alegria excessiva, transparecendo na ansiedade e irritabilidade que em pouco tempo podem se converter em apatia. Essas variações aparecem associadas à instabilidade do funcionamento do cérebro, tanto no armazenamento de informações (memória) como no controle da atenção (distração excessiva).

É possível haver variação do pessimismo exagerado ao otimismo incontrolável, e a velocidade do pensamento pode aumentar ou diminuir. Alterações no sono e no apetite, tanto para excesso como para falta, também são comuns. Nessas situações, sistemas hormonais costumam ficar desorganizados, refletindo um ritmo biológico caótico ou cíclico, e, não raro, o paciente troca o dia pela noite. Observa-se também diminuição ou aumento excessivo de fundamental para que o ser humano se adapte a situações ambientais que mudam com frequência e exigem acomodações como, eventualmente, dormir mais tarde para participar de um evento social ou terminar de redigir um artigo.

No organismo do paciente com transtorno bipolar esses sistemas de controle funcionam de forma inadequada, o que permite “escapes” e acarreta descontroles, acabando por desorganizar outras funções corporais. As pessoas consideradas saudáveis costumam apresentar pequenas variações nas funções corporais, que se adaptam às exigências do ambiente, enquanto os pacientes bipolares apresentam grandes alterações, que se tornam incompatíveis com os acontecimentos externos. Portanto, é completamente aceitável (e até um sinal de saúde mental) que se sintam, reconheçam e expressem alegria e tristeza, em graus variados, desde que esses sentimentos, deflagrados por fatores externos ou subjetivos, se apliquem ao contexto – e tenham intensidade compatível à situação. No caso dos pacientes com transtorno bipolar, quanto mais as funções que regulam os estados de humor estiverem desorganizadas, mais grave e mais complexo o quadro clínico se apresenta.

Existem duas denominações utilizadas para o distúrbio: transtorno afetivo bipolar e transtorno bipolar do humor, este último considerado atualmente o termo mais adequado. Essa diferença de nomenclatura se dá por causa dos conceitos de afeto e amor, que são tecnicamente diferentes. De maneira simples, o primeiro se refere às emoções que surgem rapidamente diante da alteração de uma situação específica – como o sentimento de alegria quando se ganha um presente, tristeza ao saber que foi mal numa prova, irritação no momento em que o time adversário faz um  gol numa final de campeonato ou medo quando alguma dor surge de repente e se pensa na possibilidade de ser vítima de uma doença grave. Já louvores se referem a estados emocionais mais prolongados, que duram horas, dias ou semanas, e podem influenciar a forma de pensar e agir do indivíduo. Um exemplo seria o humor depressivo. Entre outras manifestações, pudemos pensar nesse quadro da seguinte  forma: sem motivo aparente, a pessoa acorda vários dias seguidos desanimada, como se a tristeza fosse o pano de fundo de sua vida, as impressões a seu próprio respeito se tornam mais negativas e críticas, ou ela acredita que os colegas ou parentes a avaliam de modo negativo, depreciativo.

O conceito de “transtorno bipolar” é centrado nas alterações do humor – um de seus polos é o humor depressivo e outro, o eufórico. Entretanto, não é só o humor que fica alterado no transtorno bipolar. Muitas outras funções cerebrais e extra cerebrais sofrem mudanças, como as relacionadas aos ritmos biológicos, ao controle dos movimentos corporais (com predomínio de agitação ou lentidão do corpo), das funções de memória e de concentração mental, da impulsividade e dos desejos e das vontades, inclusive do prazer, tanto das pequenas coisas da vida (cuidar da casa, hobbie,) quanto do desejo sexual. O TB seria mais bem compreendido como a doença das instabilidades, sendo a do humor a mais perceptível.

Um aspecto muito bem descrito e sistematizado a respeito do transtorno é a definição das crises, fases ou “episódios” de humor, quando muitos sintomas surgem, definindo um quadro específico. Recentemente, vêm sendo estudadas e descritas com mais detalhes as características que aparecem entre as crises, como temperamentos do tipo irritável, hiperativo, depressivo, impulsivo e as consequências no cotidiano desse modo de ser instável, como dificuldades de relacionamento, de permanecer em um emprego ou manter amizades duradouras.

Embora o TB comporte quatro tipos de episódios patológicos – caracterizados como depressivo, hipomaníaco, maníaco e misto -, pode ser considerado, basicamente, uma doença depressiva, pois a maioria dos pacientes passa grande parte de sua vida nesse polo da doença. Existem, porém, formas mais leves de manifestação desses episódios, nas quais se misturam características da própria pessoa, parecendo compor uma estrutura de base, um temperamento que se manifesta na infância ou na adolescência e se confunde com o “jeito de ser” do indivíduo.

FACES DA DEPRESSÃO

Além da conotação patológica, a palavra “depressão”, em geral, traz à memória das pessoas as fases ruins da vida. Em alguns contextos, o termo é usado de modo abrangente em analogia com os períodos de crise econômica. Também se tornou comum usar a palavra como sinônimo de tristeza, desespero ou angústia. A depressão costuma ser deflagrada por uma perda significativa como a morte de um ente querido, a perda do emprego, uma desilusão amorosa, ou mesmo numa fase da vida altamente estressante por causa do trabalho ou de problemas familiares. Estimativas da OMS a apontam como a doença psiquiátrica mais diagnosticada anualmente, ocupando o quarto lugar entre os principais problemas de saúde do Ocidente. Só no Brasil se estima que aproximadamente 10 milhões de pessoas sofrem de depressão.

O fato é que, do ponto de vista clínico, a depressão afeta a forma de o indivíduo pensar, agir e ser e deve ser encarada como um problema de saúde que afeta não só o cérebro e o estado psicológico, mas também praticamente todo o organismo.

A tristeza, característica frequente da depressão, é uma experiência universal. É uma emoção experimentada de maneira negativa, desagradável, que, do ponto de vista evolutivo, parecesse vir como um “aprendizado”, para que, no intuito de não revivê-la, o indivíduo evite situações desagradáveis no futuro. Em termos gerais, podemos pensar que, se um aluno tira uma nota baixa na escola, a tristeza de passar por essa situação, associada ao fracasso, o levaria a reavaliar sua forma de estudo, para que não recebesse avaliação ruim novamente. Segundo talteoria, a tristeza deflagra o movimento introspectivo, as pessoas se isolam um pouco do mundo externo “recolhendo-se” para refletir sobre como a situação desagradável aconteceu e como seria possível proceder para que não voltasse a ocorrer. Dessa maneira, a tristeza ajudaria no processo de amadurecimento, nos preparando para enfrentar melhor uma vida que é, por natureza, repleta de perdas e frustrações inevitáveis.

Ela pode surgir no dia-a-dia, como resultado de algo ruim que ocorreu, ou quando lembranças de fatos passados a provocam. Em geral, nesses casos, tem pequena intensidade e curta duração. O estado mais insistente, chamado de humor depressivo, contamina a percepção do que se passa naquele período. Uma situação habitual do cotidiano, como ver uma criança pedindo esmola numa esquina, pode ser percebida de maneira mais angustiante se o indivíduo estiver com o humor depressivo, ao passo que, em outro momento, essa mesma situação causaria mal-estar passageiro, indiferença, ou até raiva.

O humor depressivo, geralmente associado a uma perda, costuma aparecer vinculado a um mal-estar físico, como um resfriado ou com a fase pré-menstrual. Muitas vezes pode vir com sensações físicas, como inquietação, ansiedade, vontade de chorar, sensação angustiante depressão ou de peso no peito.

Mas até que ponto esse sentimento pode ser considerado normal, e quando passa a ser psicológico, ou seja, ser sintoma de depressão? Embora não seja um critério muito preciso, é possível levar em conta seu tempo de duração. A tristeza torna-se preocupante, por exemplo, se ela predominar em grande parte do dia do paciente, ou se ocorrer na maioria dos dias. Sua intensidade é um critério bem pouco preciso, pois cada um tem a sua própria “medida” para avaliá-la,e o que é intenso para um seria quase imperceptível para outro. Além disso, ela pode variar de acordo com o momento do dia, podendo, assim, distorcer a percepção de intensidade. Uma pessoa que recebe uma notícia ruim pode sentir uma angústia profunda, que dura alguns minutos, e se lembrar de ter tido um dia muito triste. Já outra, que sente tristeza moderada todos os dias, quase o tempo todo, pode considerar essedia normal, igual ao anterior ou ao da semana passada, em que também estava triste.

Porém, quando acontece de a pessoa ficar chorando, frequentemente, por motivos que aparentemente não se justificam, ou quando sente angústia, numa imensidade difícil deser tolerada, algo que claramente afete seu cotidiano, essa tristeza pode ser considerada excessiva. Em geral, as pessoas têm mais dificuldade para diferenciar a tristeza chamada normal de sua manifestação patológica (típica da depressão) quando ela surgirapós um evento justificável, como a perda de um ente querido, o que poderia justificar plenamente uma tristeza mais intensa e duradoura. Embora esse tipo de situação acabe provocando grande tristeza na maioria das pessoas, passadas algumas semanas ou meses (dependendo do caso), a tendência é que o indivíduo retome suas atividades, apesar da dor da perda e da saudade. Quando essa tristeza se prolonga e, principalmente, se a tristeza interfere na vida do indivíduo, provavelmente se trata de um sintoma patológico.

Muitas vezes, a pessoa que sofre de tristeza patológica tem dificuldade de admitir que está doente e justifica sua condição com argumentos como desemprego, solidão, dificuldades financeiras ou a incompreensão de pessoas importantes em sua vida. O que essa pessoa raramente percebe é que outros passam por circunstâncias similares e podem reagir de outras maneiras – e que várias dessas situações podem ser consequência e não causa da melancolia.

RISCOS DA MANIA

O termo “mania” costuma ser entendido pelos leigos como um comportamento inusitado e repetitivo. Já “maníaco” descreve aquele indivíduo que tem comportamentos extremamente desviados da normalidade aceita, geralmente associados a perversões. Para profissionais da área da saúde, porém, o termo “mania” representa o polo eufórico do transtorno de humor. O curioso é que, apesar de a euforia excessiva ser muito característica e evidente nesses quadros, ela nem sempre está presente num episódio maníaco. Os sintomas mais comuns são irritabilidade (que pode derivar para agressividade ocasional) e hiperatividade. Outros sintomas da mania são a diminuição da necessidade de sono, autoestima repentinamente elevada, fala excessiva, dificuldade em focar a atenção e envolvimento com atividades prazerosas, porém perigosas – como compras e gastos excessivos, atos impulsivos, uso de drogas, indiscrições e aumento da atividade sexual.

O paciente em mania não percebe a própria alteração, tem a impressão de estar extremamente bem, como se vivesse a melhor fase de sua vida. Para ele, são os outros que têm problemas. Em alguns casos, a pessoa nesse estado, com agressividade e impulsividade exacerbadas, precisa ser protegida de si mesma, já que nessa fase do transtorno pode cometer atos dos quais se arrependerá no futuro, daí a necessidade de internação em determinadas situações. É comum que, a pós o término de uma crise de mania, o paciente se envergonhe de suas atitudes.

A euforia pode ser definida como uma alegria excessiva e exagerada, que se mantém independentemente dos acontecimentos externos. A pessoa nesse estado apresenta otimismo exacerbado e se relaciona com pessoas com muita facilidade, principalmente quando se trata de estranhos. Nas formas mais graves, chega a acreditar que pode ser famosa. É comum que ocorram mudanças súbitas de humor, quando se lembra, por exemplo, da morte da mãe, irrompe em prantos, para depois de alguns minutos continuar a rir.

A pessoa tenta fazer muitas coisasao mesmo tempo, tem dificuldade para ficar parada, não consegue se concentrar em uma única atividade e se distrai com facilidade. Alguns chegam a apresentar ilusões auditivas ou visuais e manifestar comportamentos paranoicos. Esses sintomas podem ser confundidos com os de esquizofrenia, principalmente se ocorrem no início da doença. Também há probabilidade de surgir crises deansiedade, de pânico (com mal-estar físico pronunciado: sudorese, taquicardia, falta de ar, vertigem etc.) ou sintomas obsessivos. Nem todas essas manifestações aparecem em uma crise de mania, mas podem dificultar o diagnóstico.

Tecnicamente, a hipomania é uma fase de mania mais leve, com os mesmos sintomas, porém menos intensos e evidentes. Na prática, pode ser considerada “invisível”, pois em geral passa despercebida e pode ser interpretada como umafase de maior produtividade no trabalho, criatividade e socialização. Mas há um fato relevante: a hipomania é um indicador de que a pessoa sofre de transtorno bipolar.

ESTADOS MISTOS

Os sintomas do transtorno bipolar nem sempre se apresentam em bloco, como típicos de depressão ou mania/hipomania. Comportamentos maníacos podem aparecer no meio de um episódio depressivo – e vice-versa. Quando existe essa “mistura”, o reconhecimento e o tratamento ficam confusos, com quadros depressivos em que a agitação é marcante, que podem piorar com o uso de antidepressivos, e manias com ideiasdepressivas que são confundidas com depressão. No começo do século XX, o psiquiatra alemão Emil Kraepdin, que definiu a base dos diagnósticos psiquiátricos atuais, já tinha descrito uma série de variações dos chamados “estados mistos”. Trata-se de um a forma potencialmente grave do transtorno, pois, quando há mistura de agitação e pensamentos de morte temperados com grande impulsividade, o risco de ocorrer suicídio é enorme.

OUTROS OLHARES

SARAMPO TEM PREVENÇÃO

A vacina livra as pessoas da doença. Então, por que mesmo em lugares como São Paulo, onde as autoridades da saúde atuam com eficiência, a maioria da população não procura se proteger e acaba proliferando a contaminação?

É caótico o quadro geral da saúde pública no Brasil, e deve-se isso, sobretudo, a ineficiência das autoridades que atuam nessa área no âmbito federal. Vem ocorrendo, no entanto, em estados e cidades cujos responsáveis agem com seriedade e rigor nesse campo, um fenômeno que nos leva à perplexidade, principalmente por ser fruto de um questionável comportamento de parte da população — aquela que se manifesta contrariamente ao método de imunização por meio de vacinas, sem que exista para tal atitude o menor embasamento científico. Vale observar, ainda, que tal repulsa à vacinação raramente se dá nos estamentos sociais mais carentes de recursos e informação, mas se manifesta, isso sim, nas classes sociais que possuem fácil acesso ao esclarecimento e melhores condições de vida. Nos últimos dias, na cidade de São Paulo vê-se um assustador aumento nos casos de sarampo, apesar de as autoridades que respondem pela saúde pública estarem cuidando corretamente do caso e disponibilizando à população fartos lotes de vacinas.

De meados de junho até a quarta-feira 24 a escalada da epidemia bateu na casa dos 1.034%. O público alvo da vacinação está na faixa etária entre os quinze e os vinte e nove anos, porque é composto de pessoas que já nasceram em uma época na qual essa grave doença estava erradicada no País — ou, pelo menos, sensivelmente enfraquecida. A meta de cobertura vacinal corresponde a três milhões de indivíduos, e há doses para se chegar a esse objetivo. Absurdamente, porém, não mais que cento e oitenta mil pessoas se vacinaram, frisando-se que até em estações do metrô instalaram-se postos e equipes. É como se fosse necessário implorar para que o chamado à prevenção seja atendido, quando está em jogo uma enfermidade que pode deixar graves sequelas, afetar o sistema neurológico e matar. “O público alvo é justamente o que menos está procurando os postos de vacinação”, diz a médica Marta Lopes, professora do Departamento de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da USP.

FALSA CIÊNCIA

A fábula de que vacina faz mal nasceu, por ironia do destino, em uma das mais conceituadas publicações científicas do planeta: a revista “Lancet”. Induzida a erro, ela publicou em 1998 um artigo do médico inglês Andrew Wakefield, associando vacinas ao autismo. Descobriu-se que Wakefiled agia em má fé, a revista desculpou-se, mas o fato é que movimentos contrários à imunização se alastraram na Europa, nos EUA e desembarcaram no Brasil. Na questão específica do sarampo, erradicado no País em 2016 e agora outra vez atuante (provavelmente a partir de navios infectados que ancoraram no porto de Santos, no litoral paulista, e do fluxo de aviões), só está imunizado naturalmente quem já o contraiu quando criança. Pressupõe-se que indivíduos com mais de sessenta anos estejam nessa situação, e os mais jovens não, porque quando nasceram o sarampo era “coisa do passado”. Na verdade, é uma moléstia do presente. E tem-se como se precaver. “A vacina é eficaz no mundo inteiro”, diz a professora Marta. No Brasil, no ano passado, foram notificados cerca de dez mil casos, e 2019 ameaça ser pior. Cabe às pessoas, que vivem em locais onde se fornecem vacinas, como São Paulo, cuidarem de si e de seus familiares — cuidados, aliás, que pais têm de exercer em ralação a filhos por força de lei.

GESTÃO E CARREIRA

PLANO ESTRATÉGICO DE VIDA

Para que possamos estabelecer esse projeto é fundamental conhecer nossas forças e fraquezas e quais oportunidades e ameaças elas nos proporcionam

A palavra estratégia vem do grego e significa plano, método, manobra para alcançar um objetivo ou resultado. Em sua origem, “estratégia estava intimamente ligada à arte de fazer a guerra”. Hoje, porém, o termo é aplicado em diversas áreas e, em linhas gerais, “preparação para a defesa contra determinada ameaça”. No contexto do Coaching, ter estratégia é ter um plano para lidar com possíveis ameaças internas e externas provocadas por nossas forças e fraquezas.

Não conhecer nossas forças é desperdiçar potencialidades e desconhecer nossas fraquezas nos leva a atitudes de autossabolagem. Estamos falando aqui do que no planejamento estratégico empresarial é conhecido como análise ambiental. Nesse passo do planejamento, as empresas identificam e analisam as ameaças e oportunidades presentes no mercado em função de seus pontos fortes e fracos. No início da década de 1970 surgiu nos Estados Unidos uma ferramenta chamada matriz SWOT que, de lá para cá, vem auxiliando bastante as empresas a mapearem e conhecerem o ambiente em que se encontram e suas reais possibilidades e expectativas de sucesso. A sigla deriva da junção das primeiras letras das palavras forças, fraquezas, oportunidades e ameaças em inglês. Essa ferramenta também se mostra igualmente eficaz na elaboração de nossos planos estratégicos de vida.

Para utilizar a matriz SWOT (ou FOFA, em português), precisamos, primeiramente, realizar um mergulho interior para que identifiquemos e listemos nossas forças ou pontos fortes ou potencialidades. Responder às questões que se seguem ajuda bastante nesse processo. Funciona, também, fazer essas perguntas a pessoas francas em quem confiamos.

(1) Quais são minhas maiores qualidades, dons e talentos?

(2) Quais são os valores éticos que orientam minha vida?

(3) Quais são os meus maiores diferenciais, aquilo que se destaca positivamente em mim?

Em segundo lugar, precisamos enumerar nossas fraquezas. Esse passo costuma ser difícil porque, em geral, tendemos a não ter plena consciência de nossas fragilidades. As perguntas que devem nos guiar nessa tarefa são as seguintes:

(1) Quais são as atitudes que prejudicam o meu crescimento?

(2) Como meus pensamentos e crenças sabotam o meu sucesso?

(3) O que faz com que eu me sinta desconfortável comigo mesmo?

Após relacionarmos nossas forças e fraquezas, precisamos listar quais oportunidades e ameaças podem decorrer delas. É necessário também observar que oportunidades não nascem apenas dos pontos fortes. Podemos enxergar oportunidades a partir de nossas fraquezas. A falta de fluência num idioma, listada como fraqueza, pode oportunizar conhecer pessoas interessantes nas aulas de conversação. Da mesma forma, ameaças podem surgir de nossos pontos considerados fortes. Uma personalidade firme e determinada que facilita a liderança pode dificultar a participação das pessoas no processo.

O importante num plano estratégico pessoal é traçarmos um “plano de ataque” com estratégias para potencializar as oportunidades e um “plano de defesa” com ações que possam minimizar as ameaças e as dificuldades que elas podem trazer. A falta desse planejamento nos deixa passivos diante das marés e das ondas e, principalmente, nos torna corpos flutuantes, facilmente levados pelas correntes da vida.

Um Plano Estratégico de Vida deve ser construído em três dimensões:

pessoal (família, amor, saúde, realizações pessoais etc.),

profissional (formação, promoções, mudança de área etc.) e

financeira (recursos para viabilizar os objetivos).

Em cada área, devemos construir um objetivo principal para os próximos três, cinco ou dez anos. Os “planos de ataque e de defesa” irão maximizar nossas possibilidades de sucesso e, por fim, os planos de ação específicos irão viabilizar nossa chegada.

É importante construirmos planos de ação para cada passo importante que leva à concretização do objetivo. Se pretendemos, por exemplo, mudar de área de atuação profissional, precisamos escalonar esse propósito em passos menores e complementares como por exemplo:

(1) fazer cursos de formação na área;

(2) interagir com grupos profissionais; e

(3) buscar realocação na área.

A falta de um escalonamento lógico faz com que nossos objetivos pareçam inatingíveis ou mais difíceis do que realmente são.

Outra questão fundamental na elaboração de nosso plano estratégico de vida é mantermos o equilíbrio na busca dos objetivos das três áreas (pessoal, profissional e financeira). A concentração de esforços numa única área da vida leva ao desequilíbrio. Precisamos dar igual atenção a nossa vida pessoal, profissional e financeira para que possamos contar com o equilíbrio que nos possibilitará envidar esforços para concretizar os objetivos mais importantes. O equilíbrio para lidarmos com as possíveis frustrações do caminho também é importante. Viver com metas e com estratégias para alcançá-las costuma ser o principal método das pessoas de sucesso.

JÚLIO FURTADO – é professor, palestrante e coach. É graduado em Psicopedagogia, especialista em Gestalt-terapia e dinâmica de grupo. É mestre e doutor em Educação. É facilitador de grupos de desenvolvimento humano e autor de diversos livros. www.juliofurtado.com.br

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: OS ESTRAGA-PRAZERES

CAPÍTULO 23 – LIDANDO COM PESSOAS DIFÍCEIS – PARTE III

8. AS PESSOAS MAIS PRÓXIMAS A VOCÊ TÊM O MAIOR POTENCIAL DE FERI-LO

Quando um líder espiritual se depara com um conflito com uma pessoa periférica na igreja, pode ser aborrecedor. Contudo, quando um líder espiritual tem um conflito com uma pessoa do núcleo da igreja, com alguém muito próximo a ele, ou com um membro da família que é altamente visível na igreja, isso pode ser devastador.

Jesus foi traído com um beijo, e Davi sabia da traição de seu próprio filho, Absalão.

Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus. A sua boca era mais macia que a manteiga, porém no coração havia guerra; as suas palavras eram mais brandas que o azeite; contudo, eram espadas desembainhadas.  — Salmos 55:12-14, 21

Você percebeu a falsidade da pessoa que causou essa dor intensa revelada no versículo 21? Palavras brandas? Ao longo dos anos, tenho observado que existem três tipos de pessoas acerca das quais líderes espirituais precisam ser cautelosos:

•   O superespiritual

•   O superdoce

•   O superescorregadio

Quando uma pessoa for exagerada em alguns aspectos do seu caráter, eu simplesmente o encorajo a ter cautela. Quando uma pessoa, por exemplo, é excessivamente doce, eu sempre me pergunto se isso é genuíno (e pode ser), ou se ela está compensando algo. Todos nós apreciamos uma pessoa verdadeiramente bondosa, mas eu tenho percebido que alguns que parecem “hiperdoces”, estão de fato tentando encobrir uma tendência à maldade no seu caráter.

Do mesmo modo, uma pessoa que vai além do normal para impressionar você com sua extrema espiritualidade pode ser um acidente de trem prestes a acontecer. Lembro-me de um jovem ministro me contando que quando ele era candidato para uma posição pastoral, uma senhora deu para ele uma profecia de que ele deveria ser o novo pastor. Ele ficou animado com essa confirmação, contudo, eu senti que deveria dar-lhe uma palavra de cautela. Eu expliquei para ele que se essa senhora pudesse profetizar para ele entrar na igreja, ela também poderia profetizar para ele sair da igreja.

Não sou contra pessoas que são doces ou espirituais. Graças a Deus por tais expressões, quando elas são genuínas. Contudo, quando essas pessoas usam esses traços em uma tentativa de conciliar e promover seus próprios interesses torna-se um grande problema.

Quando se trata de superescorregadios (“malandros”), observe que essas pessoas vêm com muita conversa. Quando uma pessoa sempre tem um projeto grandioso em andamento e está continuamente recrutando pessoas para a sua causa com promessas luxuosas, então provavelmente problemas estão a caminho.

Não seja paranoico, mas perceba que algumas pessoas tentarão chegar perto de você (como um líder espiritual) para ganhar influência pelo aparente relacionamento próximo a você.

9. NEM TODOS OS CONFLITOS SÃO ENTRE UMA PESSOA BOA (VOCÊ) E UMA PESSOA MÁ (A OUTRA PARTE)

Nós gostamos de classificar a boa e a má pessoa em todos os conflitos (e claro, nós entendemos que sempre somos a boa pessoa). Mas, nem todo conflito é tão facilmente claro como Caim matando Abel ou Judas traindo Jesus. Precisamos ser cuidadosos para vermos tudo através do filtro de autojustificação, especialmente quando estivermos experimentando um conflito com outra pessoa.

Quando eu dirigia uma associação ministerial, ocasionalmente recebia uma ligação de um pastor que estava entristecido quanto a um membro de sua equipe. O pastor focava as questões negativas concernentes ao trabalho daquele membro da equipe. Muitas vezes, ele apresentava a situação como se o ofensor membro da equipe fosse como o Absalão maligno que estava se rebelando contra o bom rei Davi.

Sem o conhecimento de qualquer das partes, recebi uma ligação um ou dois dias depois daquele membro da equipe, reclamando de dificuldades que ele estava experimentando com o pastor sênior (aquele que havia ligado reclamando do membro da equipe). O membro da equipe focou nas faltas do pastor, apresentando assim a si mesmo como o jovem e fiel Davi que estava tendo de servir ao mau rei Saul.

Normalmente, ambas as partes são boas pessoas que simplesmente enfrentam conflitos de personalidade, e normalmente esses indivíduos aprenderam a trabalhar com o outro. Efésios 4:2-3 diz: “Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz”. Parte do versículo na versão A Mensagem diz: “… dedicando-se uns aos outros com amor, considerando as diferenças entre vocês, sempre resolvendo logo todo e qualquer desentendimento”.

Vocês se lembram da grande discussão que Paulo e Barnabé tiveram a respeito do que fazer com João Marcos (Atos 15:36-40)? Eles eram dois nobres e grandes homens. Acredito que ambos eram sinceros em suas convicções, mas tinham posições e visões diametralmente opostas. Paulo estava olhando para a situação de uma perspectiva orientada pela tarefa, enquanto Barnabé era mais pessoal em sua abordagem.

As diferenças entre eles, naquele momento, pareciam completamente irreconciliáveis. Contudo, muitos anos depois de Paulo se recusar a aceitar Marcos como parte do seu grupo, ele disse: “Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2 Timóteo 4:11). Graças a Deus que aquela ponte não foi queimada completamente.

Quando você tiver um conflito, sonde destemidamente o seu coração e veja se existe qualquer ajuste que você precisa fazer. Não apenas presuma automaticamente (e de forma orgulhosa) que você está 100% correto, e a outra parte está 100% errada. Nunca será prejudicial nos certificarmos de que não estamos contribuindo para a natureza problemática da situação.

E mais, não faça de qualquer desacordo uma quebra de associação. Se você sente que deve se afastar dos caminhos de alguém toda vez que você tem uma perspectiva ou opinião diferente, então você irá terminar muito isolado e individualmente sozinho.

Dar uma folga à outra parte, especialmente em questões não tão críticas, é importante em todos os relacionamentos, especialmente no matrimônio. O Dr. James Dobson disse: “Um bom casamento não é um em que a perfeição reina; é um relacionamento em que uma perspectiva saudável sobrepõe uma multidão de problemas ‘irresolvidos’”.

O Dr. Dobson foi à origem das frustrações das mulheres, cujos maridos não foram sensíveis às suas necessidades: “Meu conselho é que você mude naquilo que pode ser alterado, explique o que pode ser entendido, ensine o que pode ser aprendido, revise o que pode ser melhorado, resolva o que puder ser definido, e negocie aquilo que está aberto a acordo. Crie o melhor matrimônio possível a partir da matéria-prima trazida de dois seres humanos imperfeitos com duas personalidades únicas. Mas para todas as arestas que precisam ser aparadas e as faltas que precisam ser erradicadas, procure desenvolver a melhor perspectiva e determine na sua mente aceitar a realidade exatamente como ela é. O primeiro princípio da saúde mental é aceitar o que não pode ser mudado”.

Quando você tiver de tolerar as imperfeições de outros e precisar aparar algumas arestas, lembre-se de que eles provavelmente estão fazendo a mesma coisa com você.

10.MANTENHA SEU SENSO DE VISÃO, FOCO E PROPÓSITO E NÃO FIQUE DISTRAÍDO POR CONFLITOS DE PERSONALIDADE

Quando Neemias estava reerguendo os muros de Jerusalém, ele foi apaixonadamente consumido por um senso de missão e propósito. Primeiro, seus inimigos (Sambalate, Tobias e Gesém) zombaram e o criticaram, mas quando o significante progresso se efetivou, eles o convidaram para vir e se encontrar com eles.

Contudo, Neemias viu além das intenções deles, recusou o seu convite enganador, e respondeu: “Eu estou engajado em uma grande obra, então não posso ir. Porque eu pararia de trabalhar para ir encontrar você?” (Neemias 6:3, NLT). Neemias entendeu o poder do foco. Ficar concentrado na sua missão era a principal prioridade para ele.

Marshall Shelley escreveu:

Talvez o maior dano feito por verdadeiros dragões não foi em sua oposição direta. É mais intangível. Eles destroem o entusiasmo, a moral tão necessária para a saúde e o crescimento da igreja. As pessoas não mais se sentem bem em convidar amigos para os cultos de adoração. O ar está tenso, a igreja abatida, e todos alertas a respeito de “nós” e “deles”.

O efeito sobre pastores é igualmente sério. Eles sugam a energia dos pastores, e tão prejudicial quanto isso, eles o levam a reagir em vez de agir.

“O problema real não é as suas francas ações”, observa um pastor veterano. “Mas eles desviam sua atenção e o mantém desprevenido mesmo que eles nunca se opuseram abertamente a você. Você se encontra sem planejamento, sem pensar no futuro, sem buscar uma visão para a igreja, você está apenas tentando sobreviver.”

Se os pastores ficam preocupados com os dragões, com medo de desafiá-los ou pelo menos muito preocupados com respeito a “lutar apenas batalhas que precisam ser guerreadas”, eles muitas vezes perdem sua espontaneidade e criatividade. A mudança é sufocada, o crescimento atrofiado, e a direção do ministério é definida pelo curso de menor resistência, o qual como todos sabem, é o curso que faz rios tortuosos.

Se as primeiras vítimas em uma guerra contra dragões são a visão e a iniciativa, a próxima vítima é o alcance.

Quando um pastor é forçado a se preocupar mais em apagar os incêndios do que acender a chama da igreja, os dragões venceram, e o ministério está perdido.

Jesus enfrentou incontáveis distrações, e ainda assim permaneceu focado em Sua missão. Isaías falou profeticamente do Senhor Jesus Cristo quando disse: “Porque o SENHOR Deus me ajudou, pelo que não me senti envergonhado; por isso, fiz o meu rosto como um seixo e sei que não serei envergonhado” (Isaías 50:7).

Paulo descansava tão confortavelmente no cuidado do Senhor concernente à sua vida que ele também se recusou a permitir que as opiniões e críticas de outros o transtornassem. Sua determinação é um grande exemplo para seguirmos.

Pouco importa o que vocês pensem ou digam a meu respeito. Eu não me avalio. Nesse caso, os rótulos são irrelevantes. Desconheço algo que me desqualifique na minha tarefa para com vocês, mas isso não quer dizer muita coisa. O Senhor é que faz este julgamento.  — 1 Coríntios 4:3-4 (A Mensagem)

11.ÀS VEZES, VOCÊ PRECISA ISOLAR O PROBLEMA

Billy Martin uma vez foi entrevistado e perguntaram o que o fez ser um bem-sucedido técnico de um time de beisebol profissional. Ele respondeu que em todos os times existem cinco jogadores que o amam, cinco que o odeiam, e quinze que simplesmente querem jogar. “Ser um técnico bem-sucedido”, ele continuou, “é manter os cinco que odeiam você longe dos outros vinte”.

Provérbios 22:10 diz: “Lança fora o escarnecedor, e com ele se irá a contenda; cessarão as demandas e a ignomínia”. Romanos 16:17 declara: “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que provocam divisões e escândalos, em desacordo com a doutrina que aprendestes; afastai-vos deles”. Tito 3:10 diz: “Evita o homem faccioso, depois de admoestá-lo primeira e segunda vez”.

Tenho testemunhado muitas situações ao longo dos anos nas quais havia algumas pessoas cronicamente descontentes na igreja. Não importa o que a igreja ou o pastor fizessem, não estava certo, havia uma contínua detecção de falhas, resmungos e críticas. Quando a pessoa finalmente deixou a igreja (ou foi convidada a sair), todos ficaram impressionados sobre o quão melhor a atmosfera da igreja se tornou e quanto a moral global da igreja melhorou.

É lamentável que esse tipo de coisa, às vezes, seja necessário, mas se as pessoas não podem estar contentes onde elas estão, deveria ser do melhor interesse de todos, se elas encontrassem outro lugar onde pudessem ir e ser positivas e solidárias. Infelizmente, esses tipos de pessoas carregam sua atitude com elas onde quer que vivam, portanto, normalmente acabam sendo descontentes em qualquer lugar.

Entretanto, líderes espirituais deveriam fazer tudo o que puderem fazer para que os relacionamentos funcionem. Pedir a alguém para sair deveria ser o último recurso, não a primeira opção.

Estive conduzindo uma reunião de ministros muitos anos atrás em outro país, e nós tivemos uma sessão de perguntas e respostas. Três dos pastores que perguntaram eram de certa cidade, e todas as questões deles tinham a ver com, “Está tudo bem expulsar alguém da igreja quando eles fazem isso”, e “Está tudo bem expulsar alguém da igreja quando eles fazem aquilo?” Depois de várias dessas perguntas, eu lembrei a eles de qual era o nosso propósito na liderança espiritual, de que não é ver quantas pessoas nós podemos expulsar das nossas igrejas, mas em vez disso, quantas pessoas nós podemos manter lá.

Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo…  — 2 Timóteo 2:24-26

12.ESCOLHA AS SUAS BATALHAS

Quando Paulo escreveu a Timóteo acerca das qualificações dos líderes espirituais (os anciãos), ele disse, entre outras coisas que eles precisam ser: “… não violentos… porém cordatos, inimigos de contendas…” (1 Timóteo 3:3). Em acréscimo, Paulo falou a Tito que o bispo não pode ser “irascível” (Tito 1:7).

Se você já encontrou pessoas que eram contenciosas, argumentativas, que tinham um pavio curto ou estavam procurando por uma briga, então você entende por que tais pessoas enfraquecem os líderes espirituais. Eles repelem e dispersam outros; eles não atraem nem reúnem as pessoas. Paulo queria que Timóteo evitasse esse tipo de interação e o instruiu: “E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas” (2 Timóteo 2:23).

Existem algumas questões momentâneas, insignificantes e periféricas que nunca deveriam se tornar um ponto controverso. Como alguém disse, há certas montanhas que não vale a pena escalar. O papa João XXIII sabiamente disse: “Veja tudo, deixe passar uma grande parte e corrija um pouco”.

Provérbios 26:17 diz: “Quem se mete em questão alheia é como aquele que toma pelas orelhas um cão que passa”. Até mesmo Jesus recusou se envolver em certos conflitos. Quando alguém pediu a Jesus para orientar a divisão de uma herança, Jesus respondeu: “Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?” (Lucas 12:14). Imediatamente, Jesus começou a abordar as questões da ganância e cobiça, que podem ser os fatores envolvidos em sua rejeição de tentar mediar aquelas disputas.

Até mesmo a sabedoria popular nos ensina a evitar o conflito infrutífero e desnecessário:

•  Nunca entre em uma batalha com pessoas perigosas porque elas não têm nada a perder.

•  Nunca lute contra um porco na lama. Vocês dois ficarão imundos, e o porco ama isso.

•  Nunca entre em uma batalha de cuspe com um gambá. Mesmo que você ganhe, sairá fedendo!

Como líderes espirituais, nós deveríamos ser sábios para não reagir a todo problema pequeno. Nós temos uma responsabilidade de lidar com questões quando o bem-estar de outros crentes e a saúde da igreja estão em jogo. Um mercenário pode fugir quando o lobo vem, mas não o pastor (João 10:11-13).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO O CÉREBRO CONTROLA AS MÃOS

Sendo a mão a parte do corpo mais hábil e versátil, é curioso que as neurociências tenham dedicado tão pouco espaço ao estudo das bases neurais que regem esse membro fascinante. O neurobiólogo Francisco Valero-Cuevas, da Universidade Cometi, entretanto, pretende recuperar o tempo perdido. O cientista publicou no Journal of Neuroscience um extenso artigo em que mostra uma circuitaria cerebral vasta e especializada relacionada ao controle motor das mãos. “Observamos que a complexidade dessa rede neural está relacionada particularmente com o controle temporal e a sintonia fina entre os músculos dos dedos”, afirma o pesquisador.

Os resultados também ajudam explicar o lento desenvolvimento da destreza manual na infância e sua vulnerabilidade no caso de doenças neurodegenerativas. “Diversos processos patológicos afetam a motricidade manual, trazendo grandes prejuízos para a qualidade de vida. Nós queremos entender como o cérebro controla esses movimentos finos para poder preservá-los, conclui o autor.

OUTROS OLHARES

CORAÇÕES FRÁGEIS

Estudo divulgado por cientistas da Universidade da Califórnia pode pôr fim a um enigma: por que as pessoas sofrem tanto dos males do coração? A resposta está no DNA

O número é alarmante: cerca de um terço de todas as mortes de pessoas ocorridas anualmente no planeta resulta de doenças cardiovasculares. A causa predominante é a aterosclerose, nome técnico dado à formação de placas de gordura nas artérias. Nessa situação, a passagem do sangue fica dificultada, o que pode levar a infartos e derrames. O intrigante é que, embora ponham fim à vida de tantos humanos, doenças cardíacas são raríssimas em outros animais. Na segunda-feira 22, cientistas da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, publicaram um artigo em que indicam ter decifrado esse enigma.

O estudo, veiculado no prestigioso periódico americano Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere que a perda de um gene no DNA de um ancestral humano foi o que nos tornou tão propensos aos males do coração. Aproximadamente entre 2 e 3 milhões de anos atrás, quando andavam pela Terra os Australopithecus e os Homo habilis, uma mutação genética teria eliminado o gene CMAH de um dos nossos antepassados — e os Homo sapiens herdaram a deficiência. O problema é que o CMAH, presente em outros animais, servia justamente para regular uma série de aspectos bioquímicos. Inclusive, o acúmulo de gordura.

Para chegarem a essa conclusão, os pesquisadores realizaram testes em ratos. Os roedores tiveram o DNA modificado em laboratório com o objetivo de interromper a produção de uma molécula, a Neu5Gc — processo comandado pelo gene ausente em humanos. Com isso, o depósito de gordura nos vasos sanguíneos dos animais aumentou. Já a eliminação total do tal gene fez com que a severidade da aterosclerose nos ratos praticamente dobrasse.

As desvantagens da falta do gene são claras. Mas houve algum ganho, do ponto de vista evolutivo, na mutação que afetou nossos ancestrais 3 milhões de anos atrás? “Uma possibilidade é que a perda desse gene possa ter nos protegido de um tipo de malária que infectava chimpanzés e usava a molécula Neu5Gc como porta de entrada para o corpo”, disse o médico Chirag Dhar, da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos autores do estudo. Além disso, há teorias que defendem a ideia de que o maior acúmulo de gordura na barriga, apesar de não ser esteticamente apreciado, foi vantajoso em outras situações: ajudou os seres humanos a se proteger do frio e a acumular energia para ocasiões em que faltava comida. Hoje, em condições menos inóspitas, virou uma fraqueza.

GESTÃO E CARREIRA

RECONHECIMENTO VERSUS REMUNERAÇÃO

Na nossa cultura organizacional vemos, com maior facilidade, as intervenções corretivas e, em menor escala, as políticas de valoração dos colaboradores

Certa vez um funcionário da Disney, empresa conhecida por sua cultura de congratulação, foi indagado sobre o que é mais importante: reconhecimento ou remuneração? Ele respondeu que é a mesma coisa de água e comida. Você não pode viver sem água – morrerá rapidamente – nem sem comida – poderá aguentar alguns dias, mas perecerá no final. Nesse caso a água é o salário mensal e a comida o reconhecimento. Os dois são importantes.

Práticas como a foto no McDonald’s do funcionário do mês ou premiações regulares podem trazer ânimo positivo ao grupo funcional.

De fato, todo programa que desejar tratar desse tema deve ter o cuidado de não transformar a equipe em competidora voraz, que vai fazer de tudo pelo reconhecimento prometido pelo gestor. Assim, não basta estipular metas de vendas (por exemplo) ou contabilizar níveis de produtividade somente de forma individual. Um bom programa de reconhecimento deve estabelecer certos parâmetros éticos e ter dois focos: pessoa e grupo.

Criar o sentimento de pertencimento e gerar a sensação de acolhimento no ambiente de trabalho vão resultar na segurança da equipe. O trabalho, seja ele qual for, torna-se uma extensão do ambiente familiar, pois reconhece nos seus companheiros pessoas com quem poderá contar em momentos de dificuldade.

Óbvio que o exemplo deve ser a mola mestra, portanto os gestores devem estar plenamente engajados. Sem a participação expressiva de quem apresenta as diretivas dificilmente a cultura será metabolizada por todos.

Apresentamos alguns exemplos de atividades que o RH pode promover a fim de prover a base dessa cultura. Coisas simples que mesmo um calendário pode resolver até ações mais complexas que dependem da participação efetiva do grupo.

ANIVERSARIANTE DO MÊS – Esse é o programa mais fácil de ser implantado e, de fato, pouco tem a ver com produtividade ou desempenho do colaborador. Trata-se de uma forma de gerar a sensação de pertencimento ao grupo. Basta um quadro de avisos com as fotos e datas dos aniversários do mês e, se possível for; uma pequena demonstração de carinho durante o briefing matutino, com o já usual “parabéns para você!”.

COLABORADOR DO MÊS- O primeiro detalhe desse programa é substituir a palavra funcionário por colaborador. Os quesitos podem ser bem objetivos como assiduidade, produção, vendas ou uma votação entre os colegas de equipe. Algumas pequenas regras podem ser impostas, por exemplo: a mesma pessoa não pode ser escolhida mais que duas vezes consecutivas para dar oportunidade a todos.

ATENDIMENTO NOTA 1.000 – Uma vez por mês um colaborador pode ser escolhido com base nas respostas – espontâneas – dos clientes ao seu atendimento. Atualmente é muito comum pessoas enviarem e-mails para empresas reclamando do atendimento, mas o inverso também está se tornando algo corriqueiro. Um bom atendimento pode gerar ações dos clientes mesmo sem serem incentivadas. No entanto, a empresa pode solicitar aos seus clientes algum tipo de feedback através de e-mail, WhatsApp, ligação telefônica ou formulário para preenchimento no próprio local do atendimento.

SUA IDEIA VALE OURO – Quem mais sabe dos detalhes das operações são os colaboradores que, diretamente, atuam nos processos. Assim, incentivar que novas ideias sejam apresentadas e premiar as melhores são formas de demonstrar a integração de todos no sistema. Melhor ainda se as ideias forem realmente implantadas.

Esses são apenas alguns exemplos de ações que podem ser desenvolvidas para promover o reconhecimento dos colaboradores. Datas comemorativas, como Dia das Mães, Pais, Natal, Dia do Trabalhador, também funcionam como âncoras para promoção de eventos internos e homenagens. Mas, que perfil de premiação seria mais adequado? Muitas empresas adotam premiações em dinheiro e isso funciona relativamente bem. Outras possibilidades também são bem recebidas pelos colaboradores, como: viagens com acompanhante; medalhas e/ou placas comemorativas; dia de folga extra; bens materiais como computador, celular etc.

Vale lembrar que nada no mundo corporativo é mais forte que um elogio sincero e o agradecimento como resposta a uma boa performance. Esse é o perfil de reconhecimento mais barato e de maior valor para o colaborador. Saber que está sendo percebido como ser atuante na corporação, e que suas ações refletem de modo positivo na mente de seus gestores, gera sensação de pertencimento.

Um truque que pode ser usado por todo bom gestor é ter pela manhã dez moedas de centavos no bolso direito da calça e, a cada elogio ou agradecimento a um colaborador, deve ir trocando de bolso, moeda a moeda. Certificando-se sempre de que, ao final do dia, todas as moedas estejam no outro bolso.

Sempre é possível promover uma cultura de participação, integração, reconhecimento e pertencimento. Afinal, cada colaborador é um cartão de visita da empresa, e quanto mais engajado ele estiver, melhor será o reflexo no cliente e maiores são as chances da organização ser reconhecida por boas práticas no mercado.

O prof. dr. JOÃO OLIVEIRA – é doutor em Saúde Pública, psicólogo e diretor de cursos do Instituto de Psicologia Ser e Crescer (www.isec.psc.br).Entre seus livros estão Relacionamento em Crise · Perceba Quando os Problemas Começam. Tenha as Soluções, Jogos para Gestão de Pessoas: Maratona para o Desenvolvimento Organizacional, Mente Humana: Entenda Melhor a Psicologia da Vida e Saiba Quem Está à sua Frente – Análise Comportamental pelas Expressões Faciais e Corporais (Wak Editora

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: OS ESTRAGA-PRAZERES

CAPÍTULO 23 – LIDANDO COM PESSOAS DIFÍCEIS – PARTE II

3. EXISTEM DOIS TIPOS DE DOR QUE UM LÍDER ESPIRITUAL ENCONTRARÁ

A primeira dor é o atrito. Atrito se refere à redução numérica. A segunda é a dor da agressão. Essa se refere a pessoas que atacam o líder.

Paulo experimentou atrito quando ele disse: “Estás ciente de que todos os da Ásia me abandonaram; dentre eles cito Fígelo e Hermógenes” (2 Timóteo 1:15). É também o que ele experimentou quando disse: “Demas me abandonou…” (2 Timóteo 4:10, NLT).

Até mesmo Jesus experimentou atrito em Sua posição (João 6:66-67). “À vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com Ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?’” Deus também experimentou atrito em seu Reino. Lembre-se de que um terço dos anjos seguiu Lúcifer em sua rebelião.

Líderes espirituais querem unir e influenciar pessoas, então tipicamente eles são feridos quando indivíduos os deixam, especialmente quando a partida é desagradável. Ministros experientes:

•   Não deixam partidas esmagá-los ou deixá-los calejados.

•   Não abrigam falta de perdão, ofensa ou amargura sobre o passado.

•   Lideram com “mão aberta”, reconhecendo que as pessoas têm livre-arbítrio e que elas,

às vezes, escolhem ir para outras direções.

•   Sabem que o povo e o ministério pertencem a Deus, não a eles.

•   Sabem que nem todas as partidas são da mesma forma.

•   Alguns saem de uma maneira saudável, na vontade de Deus, e deveriam ser celebrados.  Mesmo quando uma partida não é positiva, um líder precisa manter uma boa atitude, e fazer o melhor possível, e se manter avançando.

•   Usa as partidas como um tempo para avaliar métodos, o ministério, etc… para aprender com a situação e fazer qualquer ajuste necessário sem se tornar autocondenado.

•   Focam nas pessoas que permanecem, não naquelas que saíram.

•   Mantêm a visão do grupo e erguem grupos para o futuro.

Paulo também experimentou a dor da agressão.

Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras. Tu guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras.  — 2 Timóteo 4:14-15

A tradução Weymouth diz isso da seguinte forma: “Alexandre, o Latoeiro, mostrou hostilidade amarga em relação a mim…”.

Observe que nesse caso em particular, Alexandre parecia odiar a mensagem de Paulo. Essa questão não era a respeito de Paulo em si, era acerca da Palavra de Deus que ele pregava. Jesus disse: “Vocês lembram-se do que eu vos tenho dito? ‘Um servo não é maior do que o seu mestre’. Já que eles me perseguiram, naturalmente eles irão persegui-los. E se eles me ouviram, também os ouvirão” (João 15:20).

4. QUANDO ESTIVER NADANDO COM TUBARÕES, NÃO SANGRE

Líderes espirituais que experimentaram a dor do atrito e sofreram a agressão genuína podem atestar a verdade que Stuart Briscoe articulou como as qualificações de um pastor: “A mente de um estudioso, o coração de uma criança, e a pele de um rinoceronte”.68

Tenacidade e resiliência são necessárias para líderes espirituais que cumprirão o seu desígnio.

E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá, senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações. Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus.  — Atos 20:22-24

O caminho para impedir que as críticas e oposições nos destruam é estar focado em um propósito maior do que o nosso ego. Paulo entendeu que os ataques contra ele não eram pessoais, e que a perseguição que ele encontrou era por causa da mensagem que ele pregava. Paulo poderia ter evitado toda a perseguição fazendo uma simples coisa: parando de pregar o Evangelho! A força de caráter, no entanto, irá fazer com que uma pessoa invariavelmente avance para o que é correto.

Martinho Lutero reconheceu o quão importante a força era em uma liderança espiritual. Tendo ele mesmo enfrentado amarga oposição, ele disse:

“Um pregador precisa ser, ao mesmo tempo, um soldado e um pastor. Ele precisa nutrir, defender e ensinar, ele precisa ter dentes na sua boca e ser capaz de morder e lutar”. Enquanto é verdade que líderes espirituais “… não militam segundo a carne” (2 Coríntios 10:3) e “… nossa luta não é contra o sangue e a carne” (Efésios 6:12), ainda assim, eles têm de ser duros quando se trata de lidar com “lobos cruéis” (Atos 20:29).

A tenacidade foi enaltecida quando:

•  Paulo falou aos Tessalonicenses para: “admoesteis os insubmissos” (1 Tessalonicenses 5:14).

•  Quando Timóteo foi encorajado a “combate, firmado nelas, o bom combate” (1 Timóteo 1:18).

•  Quando Paulo instruiu a Tito para: “Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze” (Tito 2:15).

•  Quando Judas admoesta os crentes a: “… lutem de todo o coração pela fé que nos foi confiada como um dom a ser guardado e cultivado” (Judas 3, A Mensagem).

5. QUANDO ESTIVER LUTANDO CONTRA DRAGÕES, NÃO SE TORNE UM DELES

Salomão disse: “Acima de qualquer coisa guarda o teu coração, porque ele determina o curso da tua vida” (Provérbios 4:23, NLT). Quando estiver lidando com pessoas difíceis, é essencial guardar o seu coração contra a amargura, o ressentimento e a ofensa. Não permita uma pessoa com um comportamento inadequado arrastá-lo para o nível dela. Aqui estão algumas coisas importantes para lembrar:

•   Não deixe o problema de outra pessoa tornar-se o seu.

•   Não deixe a carnalidade de outras pessoas estimular a sua carnalidade.

•   Não deixe o pecado de outra pessoa levá-lo a pecar.

•   Não viva a sua vida reagindo aos problemas “carnais” de alguém. Viva a sua vida respondendo ao poder do amor de Deus.

Jonathan Edwards disse: “Decisão: que todos os homens deveriam viver para a glória de Deus. Segunda decisão: que se outros viverão ou não, eu viverei”.

Seguir o exemplo de Edwards nos levará a ter os seguintes propósitos:

•   Eu andarei em amor, se outros o fizerem ou não.

•   Eu demonstrarei o fruto do Espírito se outros o fizerem ou não.

•   Eu manterei uma atitude piedosa se outros mantiverem ou não.

•   Eu manterei a minha paz, não importando o quão tumultuada qualquer situação se torne.

6. NÃO PRESUMA QUE AS PESSOAS SEMPRE RETRIBUIRÃO A SUA BONDADE

Nossas expectativas exercem grande influência na maneira como reagimos às situações. Se nós esperamos que as pessoas sejam sempre graciosas, apreciativas e bondosas conosco, então provavelmente experimentaremos desilusões e decepções. É muito bom termos uma perspectiva positiva na vida, mas nós deveríamos, também, ser realistas nas nossas expectativas.

Infelizmente, existem pessoas que dão pouco apreço e não demonstrarão uma gratidão apropriada. Talvez fosse o entendimento de Paulo desse fato que o levou a dizer: “Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado?” (2 Coríntios 12:15).

Davi foi profundamente magoado pela maneira que as pessoas reagiram a ele. Ele disse: “Pagam-me o mal pelo bem, o que é desolação para a minha alma” (Salmos 35:12).

Ao longo dos anos, tenho falado com líderes espirituais que, como Davi, foram entristecidos por pessoas que foram tão ingratas com eles. De fato, é maravilhoso (e apropriado) quando pessoas expressam gratidão para com aqueles que têm ministrado a elas, contudo, isso não pode ser a nossa motivação como líderes espirituais. Se servimos pelos elogios dos homens, nós podemos ficar desapontados. Se servimos, entretanto, para a glória e honra de Deus, nunca ficaremos desapontados. Nossa recompensa final está nos céus.

Naquilo que ele chamou de “Os mandamentos Paradoxais,” Kent Keith escreveu:

•   Pessoas são irracionais, ilógicas e autocentradas.

•   De qualquer maneira, ame-as.

•   Se você fizer o bem, pessoas podem acusá-lo de ter segundas intenções egoístas.

•   De qualquer maneira, faça o bem.

•   Se você é bem-sucedido, você ganhará amigos falsos e inimigos verdadeiros.

•   De qualquer maneira, seja bem-sucedido.

•   O bem que você faz hoje será esquecido amanhã.

•   De qualquer maneira, faça o bem.

•   Honestidade e franqueza o tornam vulnerável.

•   De qualquer maneira, seja honesto e franco.

•   Os maiores homens e mulheres com as maiores ideias podem ser derrubados pelos menores homens e mulheres com as menores mentes.

•   De qualquer maneira, pense grande.

•   Pessoas gostam dos mais fracos, mas só apostam nos mais fortes.

•   De qualquer maneira, lute por alguns mais fracos.

•   O que você investe anos construindo pode ser derrubado da noite para o dia.

•   De qualquer maneira, construa.

•   As pessoas realmente precisam de ajuda, mas podem atacá-lo se você ajudá-las.

•   De qualquer maneira, ajude.

•   Dê ao mundo o melhor que você tem, e você será chutado nos dentes.

•   De qualquer maneira, dê ao mundo o que você tem de melhor.

Alguém adaptou levemente a peça citada e adicionou o seguinte pensamento: “Veja, na análise final, de qualquer maneira, isso é entre você e Deus. Nunca foi entre você e as pessoas”.

7. NEM TODOS OS CONFLITOS SERÃO RESOLVIDOS DA MANEIRA QUE VOCÊ GOSTARIA QUE FOSSEM

É bom esforçar-se pelo melhor em cada relacionamento, mas não temos a habilidade de fazer cada um se tornar exatamente como gostaríamos que fosse. Paulo fez uma declaração muito interessante sobre a responsabilidade do crente concernente a relacionamentos: “Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens” (Romanos 12:18).

Paulo está dizendo que deveríamos fazer tudo o que pudermos para promover relacionamentos produtivos, saudáveis e positivos, mas observe as qualificações que ele usa. Primeiro, “Se possível” (implica dizer que nem sempre é possível), e segundo, “quanto depender de vós” (implica dizer que a vontade, as decisões e ações de outras pessoas estão envolvidas).

Muitos descobriram que mesmo que eles fizessem tudo o que podiam, caminhando mais uma milha e exercitando a melhor habilidade humana, evitando um conflito com outra pessoa, ainda assim não funcionou da maneira que eles gostariam. Contudo, algumas dessas mesmas pessoas descobriram que quando entregaram a situação para Deus, a reconciliação acabou vindo, mesmo depois de anos.

Existem momentos em que temos de entregar uma situação a Deus e deixar um relacionamento tenso ou destruído em Suas mãos, confiando Nele ao longo do tempo, a cura ocorrerá, enquanto avançamos no plano de Deus para as nossas vidas nesse meio tempo. O ponto de partida é que temos de fazer o melhor com o que temos para fazer, e confiar em Deus para os melhores resultados.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FERIDAS DA ALMA

Consultórios e escolas registram vários casos de automutilação entre os jovens no país, e iniciativa do governo federal tenta quantificar a dimensão do problema

“Sentia muita dor, muita solidão. Sempre guardei tudo isso comigo. Queria que essa sensação ruim fosse para outro lugar, então comecei a me cortar. A dor que eu sentia no corpo aliviava a dor que eu sentia na alma. Fiz isso durante dois anos. Queria acabar com aquele aperto no peito que não passava. Eu me trancava no quarto e começava a me machucar com uma lâmina. No início, fazia cortes nas pernas. Depois, passei para os braços, os pulsos. Sempre tive uma relação difícil com a minha mãe, e ela demorou a perceber que havia algo de errado. Descobriu quando viu uma toalha manchada de sangue que eu tinha esquecido jogada no chão. Já tentei parar com isso duas vezes e acabei tendo recaídas. Demorei a aceitar ajuda. Faço hoje sessões com uma psicóloga e um psiquiatra. Além disso, mandei desenhar uma tatuagem de uma flor no pulso esquerdo, para esconder a cicatriz e me ajudar a lembrar que eu preciso parar. Há dois meses não me corto.”

O desconcertante relato é de Beatriz Alves de Oliveira, de 20 anos, a garota da foto que abre esta reportagem. Consultórios médicos e escolas começaram a registrar casos pareci­ dos nos últimos anos. Ainda não há estatísticas por aqui sobre o distúrbio, mas ele já chamou a atenção das autoridades. Em abril, o governo federal sancionou uma lei que estabelece que episódios do tipo precisam ser notificados aos conselhos tutelares e às autoridades sanitárias. A medida é fundamental para dimensionar o problema e criar políticas públicas para combatê-lo. “Ele sinaliza que há algo errado com a saúde dos jovens que precisa ser investigado”, diz o psiquiatra Rodrigo Ramos, diretor do Núcleo Paulista de Especialidades Médicas. No exterior, o fenômeno já foi quantificado por vários estudos. Um dos mais importantes, publicado pela revista científica The Lancet Psychiatry, analisou dados de 20.163 pessoas nos anos de 2000, 2007 e 2014. Nesse período, as ocorrências de automutilação quase triplicaram: passaram de 2,4% para 6,4%. O problema é mais frequente em adolescentes e adultos jovens, com o dobro de incidência entre as mulheres: uma em cada cinco se automutila.

O distúrbio é caracterizado por machucados intencionais, que não são feitos com o objetivo de tirar a própria vida. De acordo com relatos dos pacientes, a dor do corte materializa uma sensação ruim e abstrata – de vazio, tristeza, angústia ou raiva de si mesmo. Os machucados são superficiais e pequenos, em regiões que podem ser cobertas por roupas, como a parte interna dos braços e das coxas. Trata-se de um indício de que alguma coisa não vai bem na vida do adolescente – as possíveis causas incluem bullying, abuso (físico, emocional ou sexual) ou falta de suporte familiar. Pode ser também o sintoma de depressão, ansiedade ou transtorno alimentar. “Embora o ato nem sempre signifique tentativa de suicídio, jovens que se cortam repetidamente têm maior risco de tirar a própria vida”, alerta Guilherme Polanczyk, psiquiatra de crianças e adolescentes da Universidade de São Paulo.

A ciência ainda não desvendou totalmente o mecanismo pelo qual a automutilação ocorre. No cérebro, o comportamento de autolesão está conectado a alterações em áreas asso­ ciadas ao processamento de dor e de recompensas. O corte libera endorfina, o mesmo hormônio que causa sensação de bem-estar na atividade física. O hormônio camufla, assim, a dor psíquica que atormenta. Com o tempo, a sensação de alívio diminui e há necessidade de aumentar a frequência para obter a sensação de euforia, como um vício. “Quanto antes começamos o tratamento, mais rápido os jovens melhoram”, diz Jackeline Giusti, psiquiatra e supervisora do ambulatório de Adolescentes Impulsivos do Hospital das Clínicas de São Paulo. O tratamento é feito com psicoterapia. Medicamentos são utilizados em caso de depressão e ansiedade.

A adolescência é uma fase caracterizada pelo abismo de comunicação entre pais e filhos. Mudanças de comportamento devem ser um alerta: isolamento, tristeza constante, distorção da imagem corporal e crises de raiva são alguns sinais. “Isso nunca deve ser considerado exagero, frescura ou imaturidade “, afirma Antônio Geraldo, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina. As razões para o aumento dos casos não são claras. Uma das hipóteses é o comportamento por imitação. Os adolescentes vi­ vem conectados, e nem sempre os pais conseguem controlar tudo o que é acessado. Na internet, há sites que incentivam a automutilação e grupos que ajudam a sair dela, como o Projeto Borboleta, que diz ao jovem para desenhar o inseto no pulso toda vez que a vontade de se machucar surgir. A cantora americana Demi Lovato revelou que recorria aos cortes desde os 11anos para aliviar a ansiedade. A estudante do ensino fundamental L., de apenas 13 anos, também “sentia uma dor no peito que parecia uma facada”. Há um mês sem se cortar, ela percebeu que precisava ter procurado ajuda antes. “Não vale a pena guardar segredo. Só piora a dor. É preciso botar para fora, mesmo sabendo que a opinião das pessoas vai ser negativa”. Negativo mesmo é não procurar ajuda.

A menor L., 13 anos: machucados no corpo para materializar sentimentos como tristeza, vazio, angústia e raiva.

Aos 11 anos Demi Lovato: bullying na infância levou aos cortes

SOCORRO PROVIDENCIAL

Como reconhecer os sinais e ajudar os jovens que se machucam

OUTROS OLHARES

ORDEM UNIDA NAS ALDEIAS

Projeto que prevê escolas militares para indígenas começa a ser articulado pelo senador Chico Rodrigues e o sobrinho do presidente Léo Índio, junto ao Ministério da Educação

Está comprovado que a educação em escolas militares, tocadas por integrantes das Forças Armadas, apresenta bons resultados. Hoje, contudo, a tendência do governo Bolsonaro é adotar o modelo cívico-militar, com a utilização de mestres da rede pública, mas comandados por militares da reserva. Nessa linha, está em articulação junto ao Ministério da Educação (MEC) um projeto para se instituir esse sistema misto em escolas indígenas na região Norte do País. A iniciativa pioneira foi apresentada ao MEC pelo senador Chico Rodrigues (DEM-RR) e seu principal assessor – um dos homens fortes do governo federal – Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo dos filhos do presidente da República.

A ideia da escola militarizada nas reservas indígenas é reforçar o “estudo da brasilidade”, por meio de disciplinas que incentivem a hierarquia, o sentimento de amor ao país e a defesa das próprias aldeias. Militares comandariam parte do processo educacional dos índios. Conforme o senador, a medida é importante na medida em que algumas comunidades indígenas estão sendo aliciadas por Organizações Não Governamentais (ONGs) e isso, segundo ele, tem diminuído o sentimento de brasilidade destas comunidades, principalmente na região da fronteira com a Guiana e com a Venezuela, no estado de Roraima. “Nessas regiões temos várias organizações estrangeiras que atuam, de forma subliminar, para cooptar os nossos indígenas e é isso que queremos evitar”, afirmou o senador.

PREOCUPAÇÃO NA FRONTEIRA

A ideia é implementar esse modelo primeiramente em duas comunidades, ambas em Roraima, estado do senador. Na reserva indígena Moscou, no município de Bonfim, que faz fronteira com a Guiana, e na reserva do Contão, em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela, país que tem sido uma das maiores preocupações do governo Bolsonaro. Esses dois municípios seriam cobaias do projeto que poderia vir a ser implementado também em outras aglomerações de índios na região Norte.

O Plano de Educação Básica do MEC prevê, por exemplo, a implementação de 108 escolas militares (para índios ou não índios) até o ano de 2023. Já nas escolas cívico-militares a expectativa de investimento é de aproximadamente R$ 40 milhões ao ano. Resta a pergunta: será que esse modelo cívico-militar funcionará com índios?

GESTÃO E CARREIRA

O NOVO MUNDO NOVO

No estilo das startups, empresas tradicionais adotam soluções de tecnologia avançada, como a inteligência artificial e a analítica, e conseguem aumento incrível de produtividade.

Um alerta: esta reportagem não foi escrita com o uso de ferramentas de inteligência artificial, como as que permitem hoje direcionar o estilo de texto para determinadas audiências ou checar a veracidade de informações de maneira automatizada. Mas esse futuro está próximo, cada vez mais, empresas brasileiras dos mais diversos setores utilizam soluções de inteligência artificial (IA). aprendizado de máquina (tradução mambembe da expressão em inglês machine learning) e inteligência analítica aplicadas à avalanche de dados acumulados sobre seus negócios para aprimorar processos, produzir com maior eficiência, reduzir custos e perdas e ampliar os lucros. São ferramentas que não estão mais restritas a startups e empresas de tecnologia, cuja natureza disruptiva explica o apetite por inovações, ou a grandes bancos e corporações que dispõem de rara capacidade para fazer investimentos vultosos. Graças ao ganho de escala, o custo está em queda, o que possibilita o desenvolvimento de novas aplicações. O treinamento de profissionais para lidar com essas transformações também está mais acessível.

Uma área em que a IA é notoriamente mais perspicaz que os humanos é a da detecção de fraudes. Bancos, financeiras e operadoras de telefonia já perceberam isso. Nas seguradoras, não faz muito tempo, o combate à ilegalidades era feito por amostragem. A Seguradora Líder, que faz a gestão em todo o país do seguro obrigatório para acidentes de trânsito, o DPVAT, registra cerca de 500.000 sinistros por ano. A Líder contratou uma empresa brasileira especializada na análise de big data, a Neoway, com o objetivo de melhorar seus processos. A Neoway usa técnicas de estatística, modelagem preditiva e aprendizado de máquina para identificar padrões numa imensa base de dados e, então, fazer previsões certeiras. Tais técnicas permitem antecipar ocorrências como cálculo de probabilidades – do calote numa conta ao diagnóstico de uma doença. No caso da Líder, a Neoway faz o cruzamento das informações dos reclamantes do DPVAT (como CPF, conta bancária, delegacia onde foi feito o boletim de ocorrência etc.) com 3.000 bases de dados públicas para calcular a possibilidade de que um determinado sinistro constitua, na verdade, uma fraude. “Conseguimos ser mais assertivos na atuação sobre casos suspeitos”, diz Mariza Trancho, superintendente da Líder. Mesmo fazendo a análise por amostragem, a empresa precisava mandar times próprios para investigar 8.000 casos por mês. Graças à IA, o envio de especialistas à campo caiu à metade.

A tecnologia também ajuda as empresas a evitar processos judiciais e multas. A Pernambucanas, uma das mais tradicionais redes varejistas do Brasil, começou em meados do ano passado a fazer uso da análise inteligente de dados para auditar cerca de 1500 fábricas têxteis e de confecções que integram sua cadeia de fornecedores em todo o paÍs. Até então, o processo incluía visitas frequentes às fábricas para verificar o cumprimento das obrigações tributárias e trabalhistas, uma vez que a varejista é corresponsável por eventuais irregularidades. “Reduzimos os gastos com as auditorias em 40%, mas o principal ganho foi de tempo. O processo de avaliação de um fornecedor, que levava uma semana, agora é feito quase instantaneamente”, diz Mariana Morais, analista de sustentabilidade da Pernambucanas.

Como é típico dos novos tempos, as companhias que adotam as ferramentas mais modernas observam uma explosão na adesão de consumidores. Faz pouco mais de um ano que a Vivo pôs em operação a sua ferramenta de IA, a Aura, para atender seus clientes, em complemento ao tradicional call center. A Aura dialoga como cliente, com respostas personalizadas a perguntas sobre consumo de dados, valor de conta ou dúvidas sobre o serviço em geral. Em um ano, a telefonista virtual atingiu a marca de 2,5 milhões de atendimentos mensais. “O objetivo é que no futuro a Aura seja capaz de gerar negócios, com base em modelos preditivos que indiquem, por exemplo, a necessidade de contratação de pacotes adicionais de dados por um cliente ou a migração de plano”, diz Ricardo Sanfelice, vice-presidente Digital & Inovação da Vivo.

O dinamismo do mercado também alavanca as empresas que fornecem soluções. A Neoway tornou-se um raro caso de sucesso no país porque soube se antecipar à transformação do mercado. Fundada em 2002 pelo engenheiro Jaime de Paula, em Florianópolis, como uma empresa que integrava produtos na área de tecnologia, ela só decolou sete anos depois, quando se especializou na análise de dados. Desde então, construiu uma carteira com mais de 1.000 clientes e atraiu como sócios fundos americanos dedicados ao Vale do Silício e o fundo soberano de Singapura. “Atendemos empresas de quinze setores. Os executivos entendem que podem usar a tecnologia para gerar negócios”, diz De Paula.

É o caso das companhias de vale-refeição. Elas usam IA para identificar as empresas mais atraentes para se tornar clientes. A Ticket ampliou a taxa de conversão de empresas que visitam o seu site graças ao emprego de inteligência analítica capaz de identificar os interesses dos clientes, e passou a oferecer serviços sob medida a cada um deles sem a necessidade de um funcionário. Com uma ferramenta mais eficiente de análise, gasta-se menos em marketing enquanto mais clientes são conquistados.

Se alguém se espanta com o impacto da IA na produtividade e nos lucros, é bom saber que um salto ainda maior pode estar por vir. Um estudo recém-publicado do economista Erik Brynjolfson, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mostra que o investimento maciço em IA e outras inovações está gerando um ganho de eficiência aquém de seu potencial quando se analisa a economia como um todo. No momento em que a adoção das ferramentas atingir massa crítica, haverá uma explosão de produtividade, a exemplo do que ocorreu um século atrás, com a chegada da eletricidade. Se o estudo estiver certo, o futuro será ainda mais auspicioso para as empresas no Brasil e no mundo.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: OS ESTRAGA-PRAZERES

CAPÍTULO 23 – LIDANDO COM PESSOAS DIFÍCEIS – PARTE I

“Orem para que estejamos protegidos dos malfeitores, que querem nos prejudicar. Penso que nem todos os ‘cristãos’ são de fato cristãos.”  — 2 Tessalonicenses 3:2 (A Mensagem)

PENSAMENTO-CHAVE: Líderes espirituais que desejam ser bem-sucedidos terão de aprender como lidar com pessoas difíceis.

Você conhece aquele personagem infantil chamado O Grinch? A criatura hostil, que estava determinada a arruinar o Natal e roubar a alegria dos cidadãos de Whoville? Apesar de ter conseguido roubar

os seus presentes e decorações, o Grinch, um verdadeiro estraga-prazeres, descobriu que os habitantes daquela cidade eram tremendamente resilientes, e celebraram o feriado apesar do seu plano de acabar com a festa. Existem pessoas assim, verdadeiros estraga-prazeres com os quais todos nós temos de lidar, pessoas que tentarão tirar a nossa alegria, se nós permitirmos.

Nunca me esquecerei de quando um dos graduados da nossa escola bíblica voltou e encontrou-se comigo, depois de pastorear por um bom tempo. Ele disse: “Quando nós estávamos na escola bíblica, lembro-me de ter sido alertado por diversas vezes a respeito de não me tornar um desses pastores que batem no rebanho. Mas vocês não me alertaram a respeito das congregações que comem os seus pastores no almoço”.

Depois de perceber que muitos dos membros da igreja são bondosos, atenciosos e amáveis, o livro Pastors at Greater Risks (Pastores em grandes riscos) declara que: “… algumas congregações têm um indivíduo ou um pequeno grupo de pessoas que ferem os pastores e causam danos horríveis na vida da congregação. Alguns pastores que têm sofrido em suas mãos chamam essas pessoas de assassinos do clero. Psicólogos podem chamá-los de antagonistas patológicos. Geralmente, eles são parte de uma voz ou minoria controladora que causa tamanho caos que o pastor que sofre o dano sai e a congregação é deixada para juntar os pedaços”.

Marshall Shelley descreve alguns dos que causam problemas nas igrejas: “Dentro da igreja, eles geralmente são sinceros, santos bem-intencionados, mas deixam atrás de si feridas, relacionamentos tensos e rastros de ressentimentos. Eles não se consideram pessoas difíceis. Eles não passam noites pensando em maneiras de como serem desagradáveis. Muitas vezes, eles são pilares da comunidade, talentosos, de personalidade forte, merecidamente respeitados, mas por alguma razão, eles minam o ministério da igreja. Eles não são naturalmente rebeldes ou patológicos; eles são membros fiéis da igreja, convencidos de que estão servindo a Deus, mas acabam fazendo mais mal do que bem”.

Shelley prossegue listando alguns tipos e pessoas que trazem tristeza aos líderes espirituais:

•  O Cão de Caça – Sempre apontando para o que outros deveriam fazer.

•  O Cobertor Molhado – Transpira negatividade, é contagioso.

•  O Empreendedor – Usa as conexões da igreja para, agressivamente, construir o seu negócio.

•  O Financiador Inconstante – Tenta controlar a igreja por meio de doações ou ameaça sonegar as finanças.

•  O Intrometido – Excessivamente envolvido nos negócios dos outros.

•  O Atirador de Elite – Não dirá coisa alguma face a face, mas fala dos líderes pelas costas.

•  O Contador – Mantém o controle de cada erro que os líderes cometem.

•  O Comerciante de Sujeira – Atrai outras pessoas descontentes, ouve ansiosamente e incentiva a insatisfação delas.

•  O Legalista – Tem opiniões rígidas de como tudo deveria ser feito.

Lembro-me de visitar um pastor anos atrás que, durante a nossa conversa, fez uma referência passageira a alguns dos seus membros “RGE”. Não tive tanta certeza do que ele disse, então eu apenas continuei ouvindo. Alguns minutos depois, ele fez a referência aos “RGE” novamente.

Dessa vez eu o interrompi e disse: “Você se referiu a alguns dos membros ‘RGE’?  O que isso significa?”

Ele sorriu e disse: “Desculpe-me, esse é um termo que eu uso com a minha equipe. Significa ‘Requer Graça Extra’. Existem algumas pessoas que são um pouco difíceis, e nós sempre precisamos olhar para Deus para alcançarmos uma graça extra quando temos de lidar com elas”.

A lista de Shelley é apenas uma pequena amostra dos tipos de pessoas difíceis que podemos encontrar em nossa jornada de vida e ministério.

Les Parrott identifica outros em seu livro intitulado: High Maintenance Relationships Relacionamentos de manutenção elevada).

•  O Crítico – Reclama constantemente e dá conselhos indesejados.

•  O Mártir – Sempre é a vítima e é devastado pela autocomiseração.

•  O Desanimador – Pessimista e automaticamente negativo.

•  O Rolo Compressor – Cegamente insensível aos outros.

•  O Fofoqueiro – Espalha rumores e compartilha os segredos.

•  O Controlador Anormal – Incapaz de deixar passar algo.

•  O Esfaqueador de Costas – Um duas caras irrepreensível.

•  O Ombro Gelado – Ele se desprende e evita conflito.

•  O Monstro Roxo – Ferve de inveja.

•  O Vulcão – Solta fumaça e sempre está pronto para entrar em erupção.

•  O Esponja – Constantemente em necessidade, mas nunca dá nada de volta.

•  O Concorrente – Sempre controlando o “olho por olho”.

•  O Cavalo de Trabalho – Sempre empurrando e nunca satisfeito.

•  O Namorador – Transmitindo insinuações que margeiam o assédio.

•  O Camaleão – Ansioso para agradar e evita conflitos.

Às vezes, é apenas um pequeno aborrecimento lidar com personalidades irritantes. Outras vezes, é francamente perigoso. Jesus alertou os Seus discípulos acerca de como lidar com pessoas difíceis quando disse: “Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas” (Mateus 10:16-17).

O apóstolo Paulo encontrou mais do que a quantidade normal de pessoas difíceis. Ele falou por experiência que teve “muitas lágrimas e provações” por causa da oposição religiosa (Atos 20:19). Ele disse: “[Eu tive de] enfrentar ladrões, lutar com amigos e inimigos… Também fui traído pelos que pensei ser meus irmãos” (2 Coríntios 11:26, A Mensagem).

DOZE COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER QUANDO ESTIVER LIDANDO COM PESSOAS DIFÍCEIS

1. PERMANEÇA FOCADO NO POSITIVO

Quando uma pessoa é ferida em relacionamentos da igreja, facilmente ela se torna cansada e estressada. Uma pessoa pode esquecer as 100 pessoas que são positivas e encorajadoras caso fique consumida com a pessoa que está causando dor e dificuldade.

Mantenha uma atitude positiva e se recuse a permitir que detratores tirem a sua alegria. Provérbios 3:4 diz que nós podemos “encontrar favor com Deus e com o povo”. Sem dúvida, Jesus encontrou grande oposição, mas Ele também experimentou um grande favor com Deus e os homens (ver Lucas 2:52). Um líder espiritual não pode se permitir desenvolver uma mentalidade de vítima ou um complexo de mártir. Revirar-se na lama da autocomiseração não ajudará de maneira alguma, e não levará a qualquer resultado positivo.

É importante ter relacionamentos saudáveis! Todos nós precisamos de força e encorajamento que vêm de relacionamentos positivos. Tenho sempre estudado relacionamentos na Bíblia, especialmente os que envolvem Paulo. Em 2 Timóteo, na última epístola que Paulo escreveu, podemos observar uma lista de pessoas com as quais Paulo interagiu. Vamos dividi-la em duas categorias.

RELACIONAMENTOS NEGATIVOS QUE PAULO EXPERIMENTOU

•  “Você já sabe que todos os irmãos da província da Ásia, inclusive Fígelo e Hermógenes, me

abandonaram” (2 Timóteo 1:15, NTLH).

•  “Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia” (2 Timóteo 4:10).

•  “Estes  se  desviaram  da  verdade,  asseverando  que  a  ressurreição  já  se realizou, e

estão pervertendo a fé a alguns” (2 Timóteo 2:18).

•  “Alexandre o latoeiro me fez tantos males…” (2 Timóteo 4:14).

•  “Da primeira vez fui trazido diante do juiz, ninguém veio comigo. Todos me abandonaram” (2 Timóteo 4:16).

Quanto abandono e abuso uma pessoa assim poderia suportar? Paulo poderia ter facilmente sido profundamente desencorajado por tudo o que lhe aconteceu, e ainda assim haveria um tom de triunfo em sua última epístola. Certamente Paulo tinha uma fé forte, mas ele também permaneceu ciente dos relacionamentos positivos em sua vida, mesmo quando algumas das pessoas envolvidas estavam distantes. Paulo não permitiu a si mesmo ficar obcecado com o negativo; ele se deleitava na riqueza de seus relacionamentos.

RELACIONAMENTOS POSITIVOS QUE PAULO EXPERIMENTOU

•  “Timóteo, meu filho querido” (2 Timóteo 1:2).

•  Onesíforo “… ele frequentemente me visitou e encorajou… procurou por toda parte até me encontrar…  você sabe bem o quão útil me foi em Éfeso” (2 Timóteo 1:16-18, NLT).

•  “Lucas está comigo…” (2 Timóteo 4:11, NLT).

•  “Marcos… será útil em meu ministério” (2 Timóteo 4:11, NLT).

•  Paulo mencionou Tíquico (2 Timóteo 4:19). Em Efésios 6:21 (NLT), ele o chamou, “… um amado irmão, ministro fiel, um conservo no Senhor”.

•  Paulo se referiu a Priscila e Áquila (2 Timóteo 4:19). Em outro lugar ele fala deles como, “… cooperadores em Cristo Jesus, que arriscaram o próprio pescoço por minha vida, a quem… eu agradeço” (Romanos 16:3- 4 NLT).

•  Acima de tudo, Paulo era grato pela fidelidade de Deus. “Mas o Senhor esteve ao meu lado e me fortaleceu para que eu pudesse pregar as Boas Novas… E ele me resgatou da morte certa. Sim, e o Senhor me livrará de todo o ataque maligno e me trará a salvo para o Seu Reino celestial” (2 Timóteo 4:17-18, NLT).

Talvez a razão por que Paulo tinha tanto vigor, tanta perseverança e tanta resiliência, é porque ele tirou tanto encorajamento e força de todos os relacionamentos positivos em sua vida. Ele permaneceu grato e apreciativo pelo positivo, mesmo no meio de grande negatividade.

2. O CONFLITO É UNIVERSAL

Por toda a Bíblia, conflito, tensão e atrito entre pessoas eram muito comuns.

•   Adão culpou Eva.

•   Caim matou Abel.

•   Os servos de Ló não puderam permanecer com os servos de Abraão.

•   Jacó e Esaú tiveram uma forte briga.

•   José foi odiado pelos seus irmãos, traído e vendido como um escravo.

•   Jó foi atormentado e duramente criticado por aqueles que ele acreditava serem seus amigos.

•   Davi teve de se esquivar das lanças de Saul.

•   O próprio Davi lidou traiçoeiramente com Urias, ignorou o estupro de sua filha, e teve de fugir da insurreição rebelde de seu amargurado filho, Absalão.

•   Davi falou daqueles que o odiaram com aversão cruel, dos que o odiaram sem causa 

e daqueles que o odiaram injustamente (Salmos 25:19; 35:19; 38:19).

•   Elias fugiu das ameaças de Jezabel.

•   Herodes tentou matar Jesus quando Ele era uma criança pequena.

•   Quando adulto, Jesus foi traído por um dos Seus próprios discípulos.

•   Paulo teve uma grande discussão com Barnabé e um confronto face a face com Pedro.

•   Evódia e Síntique foram co-trabalhadoras no Senhor, mas foram exortadas a conviver com outros e resolver suas diferenças.

Quando está sob fogo, é tentador para um líder espiritual pensar: “Se eu apenas fosse um líder melhor, isso não estaria acontecendo”. Às vezes, é útil saber que você não é o primeiro líder a estar em uma tempestade de conflitos. Também é bom saber que não é algo pessoal (apesar de que possa parecer extremamente pessoal), quando pessoas são críticas, descontente, reclamadoras, etc. Isso geralmente é mais um reflexo do que eles são, e não necessariamente um reflexo seu ou da sua liderança.

Também é possível começar a pensar: Se eu for para outra igreja, eu não terei de enfrentar esse tipo de problemas. Contudo, o problema é que onde quer que você vá, outras pessoas continuarão a estar lá, e pessoas são pessoas. Você não pode fugir da natureza humana.

Quando os crentes do primeiro século enfrentaram perseguição por sua fé, Pedro os admoestou: “Resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo. Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar.” (1 Pedro 5:9-10).

Lembre-se, o conflito é universal. A questão não é se você irá enfrentá-lo, a questão é como você irá gerenciá-lo. Deus tem ajudado muitos outros em tempos assim, e Ele irá ajudá-lo também.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CHEIRINHO DE HOMEM

Olfato feminino pode distinguir parceiros mais velhos; homens não têm a mesma capacidade

Homem cheira diferente de garoto.” Essa frase, ouvida casualmente numa conversa, definiu o projeto de mestrado do psicólogo Tomaszewski Hipólito de Moura, defendido na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Estudando a influência dos feromônios na seleção de parceiros, o pesquisador demonstrou que as mulheres são capazes de distinguir homens mais novos ou mais velhos apenas pelo olfato.

Os resultados indicam a existência de um mecanismo ancestral por meio do qual as mulheres conseguem explicitar sua preferência por parceiros alguns anos mais velhos, o que teoricamente se traduz em indivíduos mais maduros do ponto de vista físico, mais experientes para enfrentar as ameaças do ambiente e com mais recursos para prover e proteger a companheira e os descendentes. Os homens, por sua vez, não foram capazes de distinguir a idade das mulheres pela percepção olfativa, embora a maioria tenha preferido parceiras mais jovens, na faixa dos 20 anos, sempre que o contato visual foi permitido.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: A ROTINA

CAPÍTULO 22 – LIDANDO COM A SÍNDROME DE BURNOUT

“Trabalhar por tanto tempo sem uma pausa é uma forma de orgulho.” — Dave Williams

PENSAMENTO-CHAVE: Líderes espirituais dedicam tempo para aprender qual é o seu próprio ritmo, fazem pausas e buscam rejuvenescimento durante a jornada.

Muitos começam o seu trabalho no ministério com zelo, dedicação, entusiasmo e idealismo. Afinal, o que seria mais honroso do que ser chamado para trabalhar para Deus, e o que poderia ser mais gratificante e recompensador do que servir ao povo de Deus? Enquanto alguns mantêm a vibração e a energia em alta em longo prazo, muitos líderes inadvertidamente “dão de cara com a parede” em algum momento em suas jornadas. De acordo com um levantamento, “45,5% dos pastores dizem que já experimentaram depressão ou síndrome de burnout (esgotamento) a tal medida que precisaram tirar uma licença para afastamento do ministério”.

Eles podem não ter previsto, ainda que tenham alcançado um ponto de esgotamento e estejam já sem forças. Por muito tempo, eles têm dado, dado e dado… muito mais do que recolheram. Eles não se reabasteceram ou fizeram pausas suficientes. Talvez eles tenham ficado tão ocupados ministrando a outros que se esqueceram de monitorar sua própria saúde espiritual e emocional. Talvez eles quiseram corresponder às expectativas impossíveis (impostas por eles mesmos ou por outros) ou se desgastaram lidando com pessoas difíceis, não cooperativas ou depreciativas. Decepção e desilusão podem desgastar a motivação de um líder espiritual, e ao longo do tempo, eles se encontram apenas tentando manter a cabeça fora da água.

O QUE É A SÍNDROME DE BURNOUT?

Frank Minirth e Paul D. Meier descrevem o burnout como “… uma perda de entusiasmo, energia, idealismo, perspectiva e propósito. Ela pode ser vista como um estado mental, físico e um esgotamento espiritual provocado por estresse contínuo”.54 Um dicionário afirma que é “esgotamento físico ou de força emocional ou motivação normalmente como resultado de um estresse prolongado ou frustração”.

O Dr. Richard A. Swenson fala sobre essa síndrome de esgotamento no capítulo “Bacon Carbonizado” de seu livro, Margin (Margem). Ele escreve: “Na próxima vez que você fritar bacon, deixe uma tira na panela por quinze minutos extra. Então pegue-o e olhe para ele. Ele está murcho, carbonizado, como uma tira dura e é semelhante ao que uma pessoa experimenta com o burnout”. Alguns dos sintomas e atitudes de alguém com a síndrome de burnout incluem:

•   Exaustão

•   Depressão

•   Irritabilidade, hostilidade

•   Paranoia, desconfiança

•   Afastamento, não envolvimento

•   Várias doenças psicossomáticas

•   Atitude de “Eu não aguento mais esse trabalho”

•  “Eu tenho pavor de ir ao trabalho”

•  “Eu prefiro ficar sozinho”

•  “Eu não ligo”

•  “Eu odeio isso”

Gregory de Nazianzo, que ministrou no século 4, aparenta ter lidado com a síndrome de burnout quando disse: “Estou gasto, Oh meu Cristo, Sopro da minha vida. Surto e estresse perpétuos, juntos, alongam o tempo nesta vida, esse negócio de vida. Lidando com inimigos interiores e exteriores, a minha alma tem perdido sua beleza, turvou sua imagem”.

Muito antes de Gregory expressar a sua experiência, proeminentes figuras bíblicas, ocasionalmente, expressaram diferentes níveis de angústia, frustração, desesperança e desespero. A síndrome de burnout poderia ser afinal um fator que contribui para a dor por trás de algumas dessas declarações?

•  MOISÉS – “Eu sozinho não posso cuidar de todo este povo; isso é demais para mim! Se vais me tratar desse jeito, tem pena de mim e mata-me! Se gostas de mim, não deixes que eu continue sofrendo deste jeito!” (Números 11:14-15, NTLH).

•  JÓ – “Eu prefiro ser estrangulado; é melhor morrer do que viver neste meu corpo. Detesto a vida; não quero mais viver. Deixa-me em paz, pois a minha vida não vale nada” (Jó 7:15-16, NTLH).

•  ELIAS – “e foi para o deserto, andando um dia inteiro. Aí parou, sentou- se na sombra de uma árvore e teve vontade de morrer. Então orou assim:–Já chega, ó SENHOR Deus! Acaba agora com a minha vida! Eu sou um fracasso, como foram os meus antepassados.” (1 Reis 19:4, NTLH).

•  JEREMIAS – “Maldito seja o dia em que eu nasci! Esqueçam o dia em que a minha mãe me deu à luz! Por que nasci? Será que foi só para ter tristeza e dor e acabar a minha vida na desgraça?” (Jeremias 20:14,18, NTLH).

•  PAULO – “Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Porque, chegando nós à Macedônia, nenhum alívio tivemos; pelo contrário, em tudo fomos atribulados: lutas por fora, temores por dentro” (2 Coríntios 1:8, 7:5).

Em todos esses casos, houve outros problemas e fatores envolvidos além do burnout, mas algum tipo de esgotamento e exaustão ocorreram enquanto esses homens lidaram com vários fatores de estresse em suas vidas.

QUEM É MAIS VULNERÁVEL À SÍNDROME DE BURNOUT?

Gary R. Collins escreve: “A síndrome de burnout é comum em todas as profissões de auxílio, inclusive o pastorado. Ela ocorre com mais frequência em pessoas perfeccionistas que são idealísticas, profundamente comprometidas com o seu trabalho, relutantes a dizer não, e inclinadas a serem viciadas em trabalho”.

CHAVES PARA PREVENIR E SE RECUPERAR DE UM DESGASTE

1. CONHEÇA A VERDADEIRA NATUREZA DE DEUS

Como você reconhece Deus? Alguns parecem pensar que Deus é como um dos capatazes severos do Egito que estavam constantemente exigindo mais e mais. A Bíblia diz: “Por isso os egípcios puseram feitores para maltratar os israelitas com trabalhos pesados. E assim os israelitas construíram as cidades de Pitom e Ramessés, onde o rei do Egito guardava as colheitas de cereais… e os tornaram escravos, tratando-os com brutalidade. Fizeram com que a vida deles se tornasse amarga, obrigando-os a fazer trabalhos pesados na fabricação de tijolos, nas construções e nas plantações. Em todos os serviços que os israelitas faziam, eles eram tratados com crueldade” (Êxodo 1:11, 13- 14, NTLH).

Se você se sente impelido e não importa o que você faça, nunca é o bastante, então você pode ter uma visão distorcida de Deus. Lembre-se de que é o inimigo que procura nos levar a uma sensação de pânico; Deus nos guia com uma sensação de paz.

Não é errado trabalhar pesado, mas tenha certeza que o seu trabalho pesado é motivado pelo amor de Deus, e não por uma sensação de compulsão. “Compulsão é um desejo insaciável de fazer mais e ser mais. É um desejo que pode ser mascarado por motivos positivos e caridosos, mas, na verdade, pode ser originado no íntimo do ser humano, talvez mesmo que inconscientemente por sentimentos de inadequação e vergonha.”

Considere estes versículos:

Ele me faz repousar em pastos verdejantes. Leva-me para junto das águas de descanso; refrigera-me a alma. Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.  — Salmos 23:2-3

Como um pastor cuida do seu rebanho, assim o SENHOR cuidará do seu povo; ele juntará os carneirinhos, e os carregará no colo, e guiará com carinho as ovelhas que estão amamentando.  — Isaías 40:11 (NTLH)

Venham a mim, todos vocês que estão cansados de carregar as suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam comigo porque sou bondoso e tenho um coração humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que eu exijo de vocês são fáceis, e a carga que eu ponho sobre vocês é leve.  — Mateus 11:28-30 (A Mensagem)

Conhecer a verdadeira natureza de Deus é uma coisa; contudo, tomar parte da Sua natureza é outra coisa. O Salmo 34:8 diz: “Oh, provai e vede que o SENHOR é bom…” Comunhão com Deus através da oração e alimentar-se de Sua Palavra são essenciais.

2. ESTABELEÇA UM RITMO SAUDÁVEL

Quando entendermos que Deus não é um capataz severo, que está estalando o chicote e fazendo pedidos irracionais, seremos capazes de entrar em um ritmo que é sustentável para nós e para aqueles que lideramos. Se formos impulsivos, nós levaremos outros a serem da mesma forma. Se aprendermos nosso próprio ritmo, então seremos bons exemplos e uma influência positiva sobre outros.

Um exemplo clássico desse princípio encontrado na Bíblia ocorreu quando Jacó encontrou o seu irmão, Esaú, depois de muitos anos de separação. O relacionamento deles havia sido tão tenso que Jacó não estava certo de como Esaú o receberia. Ele seria hostil ou amigável? Quando o encontro acabou sendo amigável, Esaú quis que Jacó viajasse com ele e essencialmente disse: “Segue-me, e eu irei acertar o ritmo para ti e para aqueles que viajam contigo”. Veja como isso se desenvolveu, e especialmente como Jacó respondeu.

Então Esaú disse: “Bem, vamos embora; eu vou na frente”. Jacó respondeu: “Meu patrão, o senhor sabe que as crianças são fracas, e eu tenho de pensar nas ovelhas e vacas com crias. Se forem forçados a andar depressa demais, nem que seja por um dia só, todos os animais poderão morrer. É melhor que o meu patrão vá na frente deste seu criado. Eu vou atrás devagar, conforme o passo dos animais e dos meninos, até que chegue a Edom, onde o senhor mora”.  — Gênesis 33:12-14 (NTLH)

Insegurança, medo ou um desejo de não entristecer Esaú poderiam ter feito Jacó ignorar o bem-estar daqueles que estavam confiados a ele. Mas Jacó demonstrou sabedoria e compaixão quando ele disse: “Eu vou atrás devagar, conforme o passo dos animais e dos meninos”. Então, em essência, ele disse: “Nós chegaremos lá quando chegarmos, e então o veremos, mas eu não vou ferir aqueles que estão sob os meus cuidados para tentar me manter bem com você, ou superar suas expectativas”.

Líderes espirituais precisam ser sábios para aplicar a estratégia de Jacó. Tenha certeza de que você está considerando o bem-estar do seu cônjuge e filhos assim como dos seus trabalhadores enquanto você segue a sua jornada. Lembre-se de que aqueles que o amam são afetados pelo seu ritmo. Como meu amigo Gerald Brooks diz: “Líderes espirituais precisam não apenas considerar sua própria tolerância à dor no ministério, mas também a tolerância dos seus cônjuges”.

Richard A. Swenson disse: “Nós precisamos ter espaço para respirar. Precisamos de liberdade para pensar e permissão para curar. Nossos relacionamentos têm estado fadados à morte por causa da velocidade. Ninguém tem tempo para ouvir, muito menos para amar. Nossas crianças caem feridas ao chão, atropeladas pela alta velocidade das nossas boas intenções. Deus é a favor da exaustão? Ele não guia mais as pessoas às águas tranquilas?”

3. ENCONTRE O RITMO QUE DEUS ORDENOU PARA A SUA VIDA

Todos nós ouvimos o velho ditado: “Todo o trabalho sem diversão faz de Jack um bobão”. Existe uma grande verdade nisso. Richard Exley escreveu: “Tome um minuto e pense sobre isso. Você está vivendo em qual ritmo de vida? Qual é o seu equilíbrio entre trabalho, descanso, adoração e diversão? Você é realizado? Os relacionamentos mais importantes da sua vida são como deveriam ser? Você tira tempo para si mesmo? Para Deus? E quanto à diversão? Você se diverte vivendo assim?”

Se você tem tendências a ser viciado em trabalho, então essa declaração pode ser desafiadora de se ouvir. Eu era assim. Quando uma pessoa está trabalhando para Deus, é fácil negligenciar outros relacionamentos e atividades, e parecer tão virtuosa enquanto faz isso. Contudo, Deus não nos criou simplesmente para ser uma máquina de trabalho que incessantemente produz resultados.

Paulo disse que Deus “… tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento” (1 Timóteo 6:17). Se é esse o caso, nós deveríamos desfrutar das coisas naturais, relacionamentos, vida, etc. Contudo, nós não poderemos fazer isso se estivermos exclusivamente obcecados com trabalho. Precisamos rir, muito! Não podemos nos levar tão a sério. Todos na igreja têm uma vida fora da igreja, e nós também precisamos ter. Passatempos podem ser uma ajuda dando descanso dos pensamentos constantes sobre o ministério. Nosso cérebro precisa de tempo para descansar e “recriar!”

Charles Spurgeon sabiamente disse: “Repouso é tão necessário para a mente quanto o sono é para o corpo… Se não descansarmos, teremos um colapso. Até mesmo a Terra precisou ficar de repouso e ter os seus sábados, da mesma forma nós. Daí a sabedoria e compaixão do Nosso Senhor, quando Ele disse: ‘Vamos ao deserto descansar por enquanto’”.61 A passagem a qual Spurgeon se refere aqui é Marcos 6:31. Está escrito: “E ele lhes disse: Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto; porque eles não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham”. Jesus não defendeu a pegar mais e mais pesado o tempo todo; Ele defendeu o descanso.

Enquanto não estamos debaixo do Antigo Testamento, a “Lei” do Sábado, existe um princípio do Sábado que permanece, e deveríamos ser sábios em honrá-lo. Pausas são imperativas! Pequenas paradas são importantes, mas grandes pausas também. Não se engane evitando dias livres e férias!

4. TOME CUIDADO DE SI MESMO

Paulo falou para Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes” (1 Timóteo 4:16).

Líderes espirituais são com frequência eficientes em cuidar de outros, mas eles, às vezes, são negligentes em cuidar de si mesmos. Trabalhar para Deus é maravilhoso, mas não é um substituto para cuidar corretamente da saúde do corpo, mente e emoções. Quão bem estamos cuidando de nós mesmos?

•   Como está a sua dieta? Você está comendo comidas saudáveis?

•   E quanto aos exercícios?

•   Você está descansando o suficiente? Dormindo bem?

•   Quando foi a última vez que você viu o seu médico ou fez um exame físico?

•   Como está o seu relacionamento pessoal com Deus? Você só interage com Deus relativo ao seu ministério, ou você desfruta de comunhão com Ele, alimentando-se da Sua Palavra e desfrutado da Sua presença, em um nível pessoal?

•   O que você tem feito para se divertir recentemente? O que você faz para se divertir regularmente?

Em seu marcante livro sobre a síndrome de burnout, Wayne Cordeiro diz: “Não esquecemos que somos cristãos. Esquecemos que somos humanos, e que apenas um descuido pode debilitar o potencial do nosso futuro”.

5. MANTENHA-SE EMOCIONALMENTE SADIO

Como está a sua alma?

• Você sabe o seu valor intrínseco como um filho de Deus? Você está mantendo um senso   de autoestima positiva a respeito do seu desempenho e da opinião de outros?

•  Você está praticando a arte do contentamento?

•  Você está desfrutando de alegria em sua vida?

•  Você tem um senso de resiliência? Você ainda dá uma “ressaltada” antes de responder às adversidades?

•  Você está processando bem as emoções?

•  Você é honesto com relação à raiva, frustrações e decepções?

•  Você já lidou com temores não resolvidos em sua vida? Ofensa?

•  Você já derramou o seu coração para Deus ou você suprime o que é negativo e mantém a fachada?

•  O Salmo 23:3 (“Refrigera a minha alma?”) é uma realidade para você?

Existe alguma crença errada que o tem mantido preso? Alguma das frases a seguir faz parte da sua conversa consigo mesmo?

•  Deus só me amará se eu agir perfeitamente.

•  Eu preciso ter a aprovação dos outros para me sentir bem comigo mesmo.

•   Se algo está errado, deve ser culpa minha.

•   Eu preciso fazer tudo perfeitamente.

•   Eu preciso ser forte e estar no controle.

•   Ninguém pode ver qualquer fraqueza em minha vida.

6. MANTENHA OS FOGOS DE CASA ACESOS

Deus não nos chamou para sacrificarmos as nossas famílias no altar do ministério. Seu relacionamento com sua esposa e filhos precisa ser uma prioridade. Você não pode se permitir ser tão drenado, tornar-se desgastado e exaurido pelo seu ministério, de forma que não tenha sobrado nada para investir em casa. Você precisa ter tempo de qualidade com o seu cônjuge, e você deveria levar a sério qualquer aviso ou preocupação que o seu cônjuge expressa.

Se você tem crianças ou adolescentes, tenha certeza de que você é uma grande parte de suas vidas. Um dos pontos altos da minha vida foi quando fui capaz de ser o treinador do grupo de basquete do meu filho quando ele era jovem. Fomos afortunados de trabalhar para um pastor sênior que encorajava todos da equipe a serem altamente envolvidos nas vidas dos filhos.

7. CONHEÇA OS SEUS LIMITES

Paulo disse: “Estamos presos aos limites estabelecidos por Deus” (2 Coríntios 10:13, A Mensagem). Faríamos bem em fazer o mesmo. Sempre que possível, deveríamos focar no que fazemos bem, e delegando funções, deixar outros prosperarem naquilo em que eles têm o dom.

Se você tende a ter um senso superestimado da sua própria importância, seria bom lembrar-se com frequência das seguintes declarações:

•  Eu não sou o Messias.

•  Eu não sou o Espírito Santo.

•  Eu não sou indispensável.

•  Eu não sou onisciente, onipresente, nem onipotente.

•  Eu não posso suprir cada necessidade.

•  Está tudo bem para mim no tocante a estabelecer limites e dizer “não” a certas coisas.

•  Eu tenho permissão para delegar e compartilhar a carga do trabalho com outros.

Jesus sabia quando dizer “sim”, e quando dizer “não”. Nós observamos exemplos na Bíblia    quando Ele delimitou limites e disse “não”, permanecendo dentro dos limites do Seu chamado.

•  Jesus disse “não” a Pedro quando ele tentou redirecionar o curso de Jesus do caminho que envolvia sofrimento (Mateus 16:23).

•  Ele disse “não” para o povo que queria mantê-lo em um lugar e impedi-lo de pregar em outros locais (Lucas 4:43).

•  Jesus disse “não” ao povo que queria fazer dele um rei “natural” (João 6:15).

Bill Cosby teve uma boa compreensão quando disse: “Eu não conheço a chave para o sucesso, mas a chave para falhar é querer agradar a todo mundo”.

8. RECEBA MINISTRAÇÃO

Você pode ter ouvido a frase: “Quando a sua despesa excede a sua renda, sua manutenção torna-se a sua queda”. Alguns têm dito isso no contexto das finanças, mas isso também é verdade concernente aos nossos recursos espirituais e emocionais. É fácil ficar tão envolvido em dar e servir a outros, que o líder simplesmente não toma tempo para reabastecer o seu próprio reservatório.

Jesus e os seus discípulos continuaram a sua viagem e chegaram a um povoado. Ali uma mulher chamada Marta o recebeu na casa dela. Maria, a sua irmã, sentou-se aos pés do Senhor e ficou ouvindo o que ele ensinava. Marta estava ocupada com todo o trabalho da casa. Então chegou perto de Jesus e perguntou: “O senhor não se importa que a minha irmã me deixe sozinha com todo este trabalho? Mande que ela venha me ajudar”. Aí o Senhor respondeu: “Marta, Marta, você está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária! Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela”.  — Lucas 10:38-42 (NTLH)

Ninguém pode culpar Marta por sua ética de trabalho, mas ela foi além do esforço consciente. De acordo com esses versículos, ela estava distraída, preocupada e desapontada. Graças a Deus pelos trabalhadores, mas não podemos trabalhar o tempo todo. Jesus viu um valor enorme no desejo de Maria em receber a ministração, e o chamou de “a melhor de todas”.

9. TENHA UM AMIGO

Líderes espirituais precisam de alguém com quem eles possam conversar aberta, franca e livremente. Eles precisam de alguém com quem eles possam ser reais, alguém com quem eles não precisem ser “profissionais” ou impressionar, alguém com quem eles possam ser totalmente transparentes e esquecer-se da própria “imagem”. Tipicamente, a pessoa que representa esse papel é outro líder, talvez um mentor ou conselheiro, alguém que possa ser confiável.

O isolamento é um convite para o desastre para o ministro e para qualquer crente, contudo 70% dos pastores indicam que eles não têm alguém que considerem um amigo.63 Não podemos esquecer a admoestação de Provérbios 27:17: “Como o ferro com o ferro se afia, assim, o homem, ao seu amigo”.

PENSAMENTO CONCLUSIVO

Não posso imaginar outro líder enfrentando mais estresse e pressão do que o apóstolo Paulo enfrentou. Entre açoites, prisões e naufrágios, Paulo também disse: “Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas” (2 Coríntios 11:27, NTLH). A despeito de tudo isso, Paulo estava determinado a terminar a sua carreira com alegria (ver Atos 20:24). Existem dois tipos de líderes espirituais: aqueles que acabam a sua carreira com alegria, e aqueles cuja carreira está acabando com eles. Determine-se a estar no primeiro grupo.

Se você estiver experimentando algum nível de síndrome de burnout, por favor, saiba que Deus é por você, não contra você. Ele quer trazer uma rica restauração sobre sua vida. Isaías profetizou sobre o Messias dizendo: “Não quebrará o caniço rachado, e não apagará o pavio fumegante” (Isaías 42:2, NVI).

Isaías 40:29-31 (A Mensagem) fala mais da natureza restauradora de Deus: “Ele fortalece os que estão cansados, renova as forças dos que desistiram. Pois até os jovens se cansam e desistem, os jovens na flor da idade tropeçam e caem. Mas os que esperam no Eterno renovam suas forças. Abrem as asas e voam alto como águias, correm e não se cansam, andam e não ficam exaustos”.

Enquanto andamos na sabedoria de Deus, eu creio que a admoestação de Paulo será cumprida em nossas vidas: “Não se deixem esgotar: mantenham- se animados e dispostos” (Romanos 12:11, A Mensagem). A versão amplificada desse versículo diz: “Nunca fique lento no zelo nem no anseio ardente; esteja brilhando e queimando no Espírito, servindo ao Senhor”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DIVERSIDADE E INCLUSÃO ESCOLAR

Lidar com as diferenças na sala de aula é um desafio não apenas para professores, mas também para psicólogos e outros profissionais que acompanham crianças

Começa o ano letivo. Ao entrar na sala de aula, o professor depara com 30, 35ou 40 rostos. Às vezes, não se detém em nenhum deles e já começa a colocar o planejamento em prática: é preciso se apressar para cumprir o programa. Mas é aí que algo acontece: há alunos que simplesmente não aprendem.

Coloca-se então o desafio não apenas para educadores, mas também para pais, psicopedagogos, psicólogos e outros profissionais das áreas da saúde e da educação. Haveria um desencontro? Falta de preparo por parte do docente? Ou as crianças não tiveram “uma base boa” do ano anterior? Hipóteses são cogitadas: alunos que apresentaram dificuldades certamente têm algum problema! A partir desse momento, o olhar do professor para os alunos que o decepcionaram já está contaminado pelas ideias de fracasso e há o risco de que ele, ainda que involuntariamente, atribua rótulos a essas crianças – cada qual com uma história, uma trajetória escolar distinta, uma maneira singular de perceber o mundo, de se relacionar e de aprender.

Os professores do ensino fundamental, médio ou mesmo da universidade consideram a singularidade ao preparar suas aulas? Os cursos de graduação de fato prepararam profissionais para a diversidade e para se preocuparem em conhecer as crianças, adolescentes ou adultos que chegam até as salas de aula? Incentivam o planejamento de atividades variadas, que podem proporcionar aos estudantes possibilidade de obter sucesso, descobrir e mostrar as habilidades, desafiando-os a buscar novos conhecimentos?

Se a ação educativa deve levar em conta todos esses cuidados, será possível incluir cada um dos educandos na rotina escolar, garantindo que sesintam seguros para mostrar o que sabem e correr em busca do que lhes falta. A inclusão à qual me refiro parte daí, do respeito que deve pautar as relações. Seja com alunos considerados “normais”, com os que pertençam a outras culturas ou que tenham alguma necessidade educacional especial.

Mas o que é inclusão? Como praticá-la em salas de aulas lotadas, com poucos recursos, alunos indisciplinados e tantas outras dificuldades? Como promover valores quando, por exemplo, a mídia eleva à categoria de heróis e celebridades aqueles que trapaceiam e mentem, seja nos reality shows ou no cenário político? De fato, fazemos parte de um sistema educacional cheio de falhas e que, não raro, dificulta o próprio ato de educar; incluir o outro, porém, depende basicamente da vontade e da disponibilidade para conhecer e se comprometer com o desenvolvimento desse outro – seja ele uma criança sem deficiência, um aluno com necessidades especiais, um “adolescente problema” ou um adulto que ainda não foi alfabetizado. É fundamental que aquele que, de alguma maneira participa do processo de educar tenha disponibilidade psíquica para o acolhimento. Segundo o pesquisador González Rey, a subjetividade caracteriza-se por “formas de organização subjetiva dos indivíduos concretos. Nela aparece constituída a história única de cada um dos indivíduos, a qual, dentro de uma cultura, se constitui em suas relações pessoais”. Trata-se de um processo dialético: quando a ação do sujeito modifica o meio social, é significada por ele e, a partir dessa significação, o próprio sujeito pode alterar o sentido anterior relacionado àquela ação.

A subjetividade é uma configuração flexível e se dá ao longo do tempo, constitui-se por meio da ação do sujeito, das relações interpessoais, do contexto social, cultural e do momento histórico em que o sujeito está inserido. As relações estabelecidas na escola entre professores e estudantes e entre os próprios alunos são relações entre subjetividades, constituídas por conceitos e pré-conceitos, por ideias sobre o que é aprender e se desenvolver, pelas ideias que os educandos têm de escola, de ensino, de seu papel na instituição, do sentido que os professores atribuem à prática pedagógica do momento histórico, político, económico e social.

Constituímos uma sociedade que exclui o que é diferente, o que foge à regra, o que não dá lucro. A escola recria e mantém as relações de poder e submissão que caracterizam a sociedade, por isso, também exclui através da busca da padronização privilegiando o resultado e não o processo.

Alunos que “não conseguem acompanhar” a turma são excluídos por meio de notas, dos comentários feitos a respeito de seu desempenho e dos rótulos aos quais são submetidos. Ou por meio de gestos e olhares que expressam a desaprovação. Como reverter esse quadro? Com a obrigatoriedade determinada por lei de as escolas receberem todos os alunos, sem distinção, se faz mais do que nunca necessário refletir sobre práticas pedagógicas. Não é mais tolerável que se aja como se todos os sujeitos fossem iguais e aprendessem do mesmo jeito, em um mesmo ritmo e por meio das mesmas atividades.

Em meio a esse turbilhão – chamado inclusão – cabe à escola promover a inserção sistemática dos alunos na cultura e torná-los aptos a serem agentes ativos e participativos.

E onde a leitura e a produção de textos entram nesse processo? Entram desde o início da vida acadêmica. Ou, pelo menos, deveria ser assim. Escrever é uma forma de expressar o pensamento, os sentimentos e de se comunicar. O hábito da leitura permite, além do desenvolvimento cognitivo, apropriações afetivas e desenvolvimento da certeza de que se pertence a uma cultura e a um tempo. Por meio dessas práticas é possível mobilizar sentimentos, fazer despertar variados interesses, motivação, propiciar a interação entre pessoas, deixar fluir a criatividade.

O registro escrito, ao longo da nossa história, reflete a condição humana, desejos, angústias, incertezas, conflitos, alegrias, sofrimentos, conquistas e evolução. Quando se trabalha com a diversidade textual, é dada aos alunos a oportunidade de desenvolver habilidades, representações e competências, facilitando a interação social, melhorando sua autoestima e, por conseguinte, o desempenho acadêmico.

Um conto não é mais importante do que uma história em quadrinhos ou uma notícia de jornal. São apenas diferentes, podendo ser de boa qualidade ou não. Privilegiar o trabalho com um tipo específico de texto é excluir a riqueza que as mais diversas modalidades de produções escritas nos oferecem e implica excluir alunos que se identificam com outros tipos de leitura.

A aceitação da diversidade textual em sala de aula possibilita a inclusão dos diversos estilos e ritmos de aprendizagem. A busca da competência, do desenvolvimento das habilidades individuais, da sensibilidade e do trabalho em conjunto são caminhos para lidar com a singularidade – e talvez nos torne mais sensíveis, solidários e preparados para enfrentar os desafios de um mundo em constante transformação.

OUTROS OLHARES

CUIDADORES DIGITAIS

É inegável que a plasticidade do cérebro de uma criança e um jovem é muito maior do que a de um adulto. Mas, no caso das máquinas digitais, há um entrosamento além do treinamento

O que faço quando meu computador ou o meu smartphone tem um problema? Pego o manual e tento achar uma solução. Pergunto ao Google. Não encontro a solução. Então telefono para meu técnico. Mas nem sempre ele está disponível. O passo seguinte é recorrer aos meus sobrinhos ou vizinhos. Com uma condição: chamar sempre os mais jovens. Quanto mais jovem for uma pessoa, mais familiarizada ela será com a tecnologia. Mas, por quê?

Alguns dizem que é porque os mais jovens começaram, desde cedo, um processo de imersão digital, tanto em casa como na escola. Com um cérebro mais plástico do que os adultos, eles se adaptam mais facilmente a um ambiente povoado por máquinas. Outros dizem que é porque os adolescentes não temem correr tantos riscos como os adultos e que, por isso, testam todas as possibilidades de uma máquina, sem receio de sua imprudência. Os adultos têm medo de mexer em um computador e depois serem incapazes de acessar sua conta bancária e pagar um boleto que vence naquele dia. Essa não é uma preocupação para um adolescente.

É inegável que a plasticidade do cérebro de uma criança e de um jovem é muito maior do que a de um adulto. Sempre soubemos que é recomendável aprender línguas estrangeiras desde cedo. Mas, no caso das máquinas digitais, há algo mais. Há uma espécie de entrosamento com elas, que vai além do treinamento. Um traço marcante desse entrosamento é o fato de que, atualmente, as crianças aprendem a digitar sem ter de frequentar uma escola de datilografia, como ocorreu com pessoas da minha geração. O inglês também é facilmente assimilado, motivado pela curiosidade em saber o conteúdo de sites da internet.

Penso que uma hipótese para explicar o surgimento dessas habilidades pode ser encontrada na epigenética. A epigenética é uma nova disciplina da biologia que estuda as modificações das características dos organismos por meio da transmissão de experiências que passam de pais para filhos.

A epigenética tem sido criticada por sua proximidade com ideias lamarckistas. O lamarckismo foi uma teoria proposta no século XVIlI pelo francês Lamarck (1744 -1829) que sustentava que as espécies se modificavam de acordo com o uso que faziam de seus órgãos, e que essas modificações se transmitiam para as gerações seguintes, alterando as características das espécies. Com a publicação do livro de Charles Darwin, A origem das Espécies, em 1859, o lamarckismo foi abandonado e só recentemente retomado pela epigenética, em uma nova versão, diferente da de Lamarck. A herança epigenética não modifica a espécie, mas apenas algumas gerações, pois nela não ocorrem mudanças profundas que alterariam o DNA de um organismo de forma permanente.

Se a hipótese epigenética estiver correta, filhos de pais que interagiam com máquinas têm mais facilidade para se entrosar com elas, embora essa não seja uma característica que ficará permanentemente gravada no seu DNA. Isso significa que a espécie humana não se tornou mais digital, mas apenas que há gerações mais digitais do que as outras. Desde a invenção do computador pessoal, há 30 anos, pelo menos duas gerações já passaram. Pessoas como eu, da geração dos babyboomers, só nas últimas décadas passaram a interagir cotidianamente com máquinas. A mesma situação ocorre com as gerações que me precederam. Ou seja, somos gerações descendentes de analfabetos digitais e, por isso, com poucas chances de nos entrosarmos com tecnologias digitais. Não seria por acaso que, até para instalar uma Smart TV, pessoas mais idosas se atrapalham.

Essa é uma situação preocupante. As sociedades contemporâneas tentam quebrar todas as barreiras que existem: de cor, de gênero, de credo religioso, de classe social. Mas não a barreira de idade. Com o aumento da longevidade, as sociedades passaram a ser divididas em gerações, que podem facilmente ser identificadas pelo seu discurso ideológico. Frequentemente, a inaptidão tecnológica é comum a todas elas, e se tornou um motivo para rechaçar os idosos para um passado ultrapassado. O idoso não tem condições de acompanhar a corrida tecnológica e se torna motivo de riso para os mais jovens. Como afirmou Simone de Beauvoir, os velhos são párias. Eu acrescentaria: a maioria são párias tecnológicos.

Que podemos fazer? No Brasil, a velhice é encarada como um problema estritamente contábil. A mídia afirma o tempo todo que “nossa sociedade envelhece mais rapidamente”, mas o significado dessa afirmação não é explorado. Como será uma sociedade na qual a maioria das pessoas são idosas e os jovens entre 18 e 25 anos não têm emprego? Esse parece ser o cenário futuro, para o qual não estamos nos preparando.

Nos próximos anos, haverá uma grande reconfiguração tecnológica do trabalho, na qual o trabalho humano ficará cada vez mais irrelevante. Mas, ao mesmo tempo, aparecerão novas profissões. Talvez os jovens pudessem aproveitar sua herança epigenética e oferecer tutoriais individualizados para auxiliar os idosos a se entrosar com a tecnologia. Há uma oferta muito pequena de tutoriais tecnológicos para a terceira idade e as escolas para idosos que têm essa proposta são deprimentes. A vantagem dos jovens seria o fato de não precisarem se preparar muito para exercer essa nova profissão, a de cuidador digital. Certamente, a maioria dos idosos não poderá pagar muito, mas penso que é melhor ser um cuidador digital do que dirigir um Uber. E, quem sabe, da próxima vez que eu tentar falar com meu tio, seu celular não vai estar desligado por ter baixado joguinhos e não saber como se livrar deles.

JOÃO DE FERNANDES TEIXEIRA – é paulistano, formado em filosofia na USP. Viveu e estudou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Escreveu mais de uma dezena de livros sobre filosofia da mente e tecnologia. Lecionou na UNESP, na UFSCAR e na PUC-SP.

GESTÃO E CARREIRA

RECOMEÇO DEPOIS DOS 50

A dificuldade para encontrar uma recolocação aumenta à medida que o brasileiro envelhece. Diante disso, algumas empresas começam a ampliar a contratação de funcionários acima dos 50 anos

Com mais de 25 anos de experiência na área de finanças em grandes empresas, a paulistana Aureane Resende tomou uma decisão difícil há três anos: pediu demissão para cuidar de problemas de saúde na família. Na época, ela era gerente do departamento financeiro para a América Latina numa indústria farmacêutica. Resolvida a questão pessoal, a volta ao trabalho não foi imediata. Dois anos mais tarde, em 2018, a oportunidade surgiu na fabricante de alimentos e bebidas Pepsico. Aos 50 anos, formada em administração pela Fundação Getúlio Vargas e em ciências contábeis pela Universidade de São Paulo, Aureane foi uma das três contratadas na primeira edição do programa Ready to Return (pronto para retornar), destinado a profissionais que pausaram a carreira e buscam recolocação. “Poder voltar a trabalhar é muito bom”, diz ela, hoje gerente de finanças da Pepsico.

Histórias como essa costumam ter um desfecho menos animador. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que o fenômeno do desalento, no qual desocupados desistem de buscar emprego, torna-se mais frequente à medida que o profissional envelhece. A maior proporção de desalentados está entre os desocupados acima de 60 anos. No levantamento mais recente, feito em 2017, dois terços dos desocupados dessa faixa etária disseram ter perdido a esperança de encontrar um emprego. Desse grupo, 32% apontaram a idade como principal entrave. Aos poucos, o tema começa a despertar a atenção das empresas. Em pesquisa realizada em parceria com o Instituto Ethos e publicado em março, só 19% das empresas analisadas divulgaram o percentual de pessoas com mais de 45 anos que têm em seus quadros, um dos passos básicos antes de agir para ampliar esse contingente. Uma parcela bem maior, de 61%, já publica dados sobre a participação de mulheres. “A gerência de boa parte de grandes empresas tornou-se mais jovem nos últimos anos”, afirma Margareth Goldenberg, consultora especializada em diversidade. Àmedida que elas percebem as vantagens de ter uma cultura mais inclusiva, como refletir internamente a diversidade de perfil dos próprios consumidores, é natural que revejam também o desequilíbrio de gerações.”

É um assunto que se toma mais premente com o envelhecimento da população. Até 2060, a proporção de quem está acima de 60 anos deverá mais do que dobrar, chegando a 32% do total de brasileiros. Em 2010, a proporção era de 7,3%. Muito antes disso veremos o fim do chamado bônus demográfico, período mais favorável ao crescimento econômico. A reforma da Previdência, recém-aprovada em primeiro turno na Câmara dos Deputados, traz outro componente crítico. Pelas novas regras do Instituto Nacional de Seguridade Social, em 2023 deverá haver uma idade mínima de aposentadoria para as mulheres, de 62 anos, e para os homens, de 65.

Diante da constatação de que a idade média de seus gerentes é de 39 anos, os executivos da Pepsico iniciaram um esforço para aumentar a contratação de profissionais mais experientes com a adoção de um programa vindo da matriz, o Golden Years, em 2016. O programa, voltado para o setor operacional, já trouxe resultados. Há três anos, funcionários com mais de 50 anos representavam 5,2% do quadro nessa área. Hoje somam 6,9%. “O objetivo é fortalecer a diversidade geracional na área que concentra mais funcionários”, diz Mauricio Pordomingo, vice-presidente de recursos humanos da Pepsico. Segundo ele, há menos rotatividade entre os maiores de 50 anos. Em 2018, a companhia também adotou o Ready to Return, sem faixa etária determinada. A proposta de contratar profissionais para cargos gerenciais que passaram uma temporada fora do mercado vem atraindo um público acima de 45 anos. Mais de 3.000 candidatos na época concorreram a três vagas. Em julho, outras três vagas foram abertas.Um indicador mostra que brasileiros acima de 50 anos já buscam maneiras de ampliar a longevidade profissional. Segundo o Censo do Ensino Superior, divulgado em 2017, há quase 80.000 pessoas acima de 55 anos matriculadas em universidades. Esse dado inspirou a fabricante de bens de consumo Unilever a criar no Brasil um programa de inclusão inédito no mundo: o Senhor Estagiário, lançado em julho. Mais de1.100 candidatos se inscreveram, porém apenas 25 se encaixaram no perfil exigido. Além de formação em administração, era preciso ter mais de 55 anos e interesse pela área de vendas. Cinco foram contratados e começarão a trabalhar em agosto. ”A depender do resultado, poderemos exportar o modelo para outros países”, diz Fernando Rodrigueiro, diretor de recursos humanos da Unilever. “Profissionais dessa faixa etária têm características complementares aos mais novos.” Uma delas é a própria experiência. Com o avanço da longevidade, é de esperar que reiniciar a carreira mais tarde se torne mais comum. ”Até agora, prevaleceu a ideia de que os mais jovens têm mais potencial”, diz Andrea Zitune, gerente executiva de talentos da fabricante de alimentos Danone. Hoje, 66% dos 480 gerentes da Danone têm menos de 39 anos. Dois têm mais de 60. Uma foi contratada há três meses: Lenira Gonçalves, de 61 anos, gerente de estratégia de acesso da divisão de nutrição. A empresa não tem programas de atração específicos para essa faixa etária. Mas, para Andrea, a contratação de Lenira se deve a medidas tomadas para promover uma cultura inclusiva, entre elas a retirada de dados como idade e sexo do perfil de candidatos pré-selecionados pela área de recrutamento e repassados aos gestores. “Esse cuidado diminui o risco de que padrões se repitam. Agora são avaliadas apenas as competências dos profissionais”, afirma Andrea. E, no fim do dia, é isso que importa

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 21 – TRAÇOS DE PAIS ESPIRITUAIS

“Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos.” — 2 Coríntios 12:14

PENSAMENTO-CHAVE: Verdadeiros pais espirituais buscam o bem-estar e o aperfeiçoamento daqueles a quem eles servem.

Alguns anos atrás, quando eu estava me preparando para ministrar em uma conferência internacional de ministros, o missionário anfitrião perguntou se eu poderia ensinar não apenas acerca de “Como ser um Timóteo”, mas também sobre “Como ser um Paulo”. Ele explicou que houve um racha significativo em seu país entre “pais” espirituais e “filhos” espirituais.

Ele disse que alguns “filhos” estavam sendo treinados e então minando os pastores e dividindo suas igrejas. Além disso, alguns pastores temiam tal revolta e fugiam de qualquer “filho” que parecia ter potencial ministerial antes que tais problemas pudessem se levantar. Existiam problemas em ambos os lados.

Também já ouvi a respeito de situações em que os chamados “pais espirituais” ofereceram seus serviços (por um preço), mas parece questionável saber se seus esforços foram realmente para o desenvolvimento e o progresso dos filhos, ou se eles estavam meramente criando uma hierarquia autopromovida e cultivando a lealdade dos filhos a eles mesmos. Não consigo imaginar Paulo endossando uma abordagem de “alugue um pai” para o ministério!

Relacionamentos sadios e legítimos entre pai e filho continuam importantes. O Dr. Howard Hendricks disse que existem “… três tipos de relacionamentos de mentoreamento que um homem desesperadamente precisa perseguir: um Paulo, um homem mais velho que pode edificá-lo em sua vida; um Barnabé, um colega, um irmão de alma com quem ele pode contar. E um Timóteo, um jovem cuja vida ele está edificando”.

Paulo era um pai espiritual não apenas para Timóteo e Tito, mas também para as igrejas. Paulo, às vezes, referia-se a si mesmo no papel de um “tipo de paternidade”. E ele articulou certas características que exibiu para aqueles a quem ministrou. O que observamos nessas passagens concernentes ao coração de um pai espiritual?

• Ele não os bajulavam (1 Tessalonicenses 2:5). Paulo não os mimava para que eles gostassem dele ou para que pudesse tirar algo dos tessalonicenses.

• Paulo não era cobiçoso em relação a eles (1 Tessalonicenses 2:5). Ele não visou ter um relacionamento com eles como uma forma de obter os seus bens.

• Paulo não buscava a glória dos homens, não procurava ser exaltado (1 Tessalonicenses 2:6). Isso não diz respeito a Paulo reunindo filhos para si, a fim de alimentar o seu próprio ego.

• O apóstolo Paulo não exigia deles. Ele não era controlador, manipulador ou ditatorial (1 Tessalonicenses 2:6).

• Paulo, enquanto líder, demonstrava uma preocupação sincera e compassiva sobre o bem-estar deles.

• Paulo era gentil para com eles (1 Tessalonicenses 2:7).

• Ele os nutria (1 Tessalonicenses 2:7).

• Ele ansiava afetuosamente pelos irmãos em Tessalônica (1 Tessalonicenses 2:8).

• Paulo não lhes deu apenas o Evangelho, mas deu sua própria vida por eles (1 Tessalonicenses 2:8).

• Eles eram queridos por Paulo (1 Tessalonicenses 2:8).

• Paulo exortava, confortava, e cuidava de cada um deles, como um pai faz com os seus filhos (1 Tessalonicenses 2:11).

• Sua energia e seus esforços foram direcionados para o desenvolvimento espiritual deles (Gálatas 4:19).

• Paulo não estava interessado em envergonhá-los, mas se sentia obrigado a avisá-los. Ele não os levou a uma viagem de culpa ou os fez se sentirem intimidados (1 Coríntios 4:14).

• Ele era diferente de um mero mestre, não estava apenas passando informação para os coríntios, mas ele os tinha “gerado” pelo Evangelho e estava estabelecido como um exemplo que eles poderiam seguir em seu desenvolvimento espiritual (1 Coríntios 4:15-16).

• Paulo não estava buscando o que era deles (seu dinheiro), mas buscava a eles (2 Coríntios 12:14).

•   Ele estava disponível para investir e para se deixar gastar por seus liderados, em outras palavras, Paulo estava disposto a viver e a se doar sacrificialmente por eles, pelo avanço e desenvolvimento deles (2 Coríntios 12:15).

Se você é um líder maduro, eu oro para que esses sejam os traços que você irá exibir em relação àqueles a quem você tem o privilégio de influenciar. Se você está em busca de uma figura paterna, um mentor ou um modelo no ministério, eu acredito que você irá manter esses traços em mente enquanto busca alguém que possua uma boa influência e um bom exemplo para você.

Concluindo, deixe-me compartilhar a busca de um ministro por alguns mentores. Muitos anos atrás, um bom amigo meu (pastor Gerald Brooks) percebeu que ele precisava desenvolver-se em sua vida e ministério, então solicitou mentoreamento de um ministro mais experiente. Sua tentativa não foi recebida calorosamente, por isso ele partiu para obter mentoreamento da melhor maneira que sabia. Ele identificou três líderes cristãos que admirava e percebeu a força distinta que cada um deles tinha.

Embora não conhecesse a personalidade de qualquer desses homens, ele adquiriu tantos livros e fitas de ensino o quanto foi possível. Por anos, estudou os escritos e ensinos desses homens para absorver o máximo que podia. De um, ele focou em aprender as verdades espirituais e bíblicas, do segundo, ele se concentrou em aprender as habilidades pastorais, e do terceiro ele procurou aprender os princípios de liderança.

Finalmente, ele foi capaz de encontrar e formar relacionamentos com esses três homens, mas não até tê-los estudado à distância por anos. Cada um desses ministros desempenhou um papel importante de mentor e eles o ajudaram a se desenvolver em várias áreas de sua vida.

Que Deus possa nos ajudar a seguir bons exemplos e a sermos bons exemplos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ALCOOLISMO – DE QUEM É O PODER DE DECISÃO?

Estudo mostra que área do cérebro responsável por decidir apresenta menor atividade antes de começar a beber. Resultado aponta uma nova abordagem para o tratamento de transtornos por uso de álcool

Quem tem histórico familiar de abuso de álcool apresenta um menor poder de decisão antes de consumir bebidas alcoólicas. Este foi o resultado do estudo feito por pesquisadores da Society for Neuroscience (Sociedade para Neurociência) e publicado na eNeuro, revista científica da instituição.

No trabalho foi observado que o córtex pré-frontal — região do cérebro responsável pela tomada de decisão — daqueles que tinham histórico familiar de consumo excessivo de álcool era menos ativo — portanto dava menos oportunidade de negar bebidas — do que naqueles que não possuíam o histórico.

Os pesquisadores compararam a atividade do córtex pré-frontal antes e durante o consumo de bebidas em dois tipos de ratos. Um modelou um histórico familiar de abuso de álcool, enquanto o outro não apresentava este registro. A região cerebral era ativa durante o consumo de bebidas alcoólicas em ambos os tipos de ratos, mas a atividade pré-consumo só foi vista naqueles que não tinham história familiar de consumo compulsivo. 

“Uma pessoa criada em um ambiente de consumo de álcool abusivo tem maior propensão a desenvolver ansiedade, depressão e vícios. O material genético passado pelos pais apresentam alguns defeitos que impossibilitam que os filhos criem resistência ao álcool. Eles ficam sem limites para o consumo”, explica o psiquiatra Jorge Jaber, especialista em dependência de drogas. 

Esses achados sugerem que o córtex pré-frontal codifica diretamente a intenção de consumir álcool. Mas este processo acontece de maneira menos eficiente naqueles com maior risco de abuso alcoólico. Restaurar a atividade do córtex pré-frontal em indivíduos com predisposição ao excesso de bebida pode ser uma nova abordagem para o tratamento de transtornos por uso de álcool.

“É importante ressaltar que esses dados destacam ainda mais a necessidade de considerar o risco herdado ou genético ao desenvolver estratégias de tratamento para o consumo de álcool excessivo”, afirma David N. Linsenbardt, do departamento de psicologia da Universidade de Indiana e do Centro de Pesquisas de Álcool de Indiana.

LIVRE-SE DO VÍCIO

ALCOÓLICOS ANÔNIMOS (AA)

Este é um grupo de ajuda mutua entre pessoas que são viciadas em bebidas. É possível encontrar grupos pelo site da organização:www.aa.org.br

AJUDA PSIQUIÁTRICA

A especialidade médica que trata de vícios é a psiquiatria. Procure por um especialista para dar início ao tratamento

AUXÍLIO PSICOLÓGICO

A terapia com um psicólogo pode ajudar a entender os motivos que levam você a beber e como controlar estes impulsos. Este é um tratamento complementar ao psiquiatra

BUSQUE PELA ESPIRITUALIDADE

Conectar-se a sua espiritualidade ajuda a se libertar de vícios por estabelecer um novo propósito de vida  

OUTROS OLHARES

NIETZSCHE, O CRISTIANISMO E O “MIMIMI”

As tendências da doutrina cristã hoje se mostram representantes de um forte conservadorismo de cunho moralista, ligado à condenação de excluídos, e assim aproximam do discurso que denomina as lutas de minorias como ”mimimi”, como vitimismo. Ironicamente, tal prática aproxima o cristianismo das críticas feitas por Nietzsche ao próprio cristianismo, com sua moral ressentida, do que da mensagem solidária de Jesus

O Cristianismo se impôs na história da humanidade como uma religião que prega o amor incondicional dos seres humanos uns aos outros, buscando suscitar em seus fieis uma prática de solidariedade para gerar um novo mundo, sendo este nosso mundo uma antessala do paraíso eterno destinado àqueles que foram amados por Deus e buscaram viver retamente. Baseado na mensagem de Jesus de Nazaré, que segundo a crença cristã é o Messias, o Ungido de Deus, Salvador prometido desde o Antigo Testamento para mostrar a essência da mensagem do Deus de Israel e leva-la a todos os homens, o Cristianismo traz uma mensagem inovadora para seu tempo, pois o amor, traduzido na prática pela solidariedade dos cristãos para todos os homens, é colocado como essência da pregação cristã. A própria definição dada por Jesus de que “Deus é amor” é uma demonstração de como a mensagem cristã é acima de tudo uma mensagem de pacificação e de união dos homens, levando-os a se irmanarem em todo o mundo e buscarem construir vínculos profundos e sinceros de solidariedade.

Da pregação do Jesus histórico até os tempos atuais, quase 2000 anos se passaram. A mensagem cristã passou por diversas transformações, principalmente devido ao fato de ter ultrapassado seu contexto histórico e local. Se Jesus foi um judeu da Palestina do século I, sua mensagem não ficou restrita ao seu contexto cultural, mas foi levada a diversas regiões do mundo, passando por um processo chamado de inculturação. Assim, ao entrar na Europa, a mensagem cristã originaria, mais próxima ao judaísmo, fundiu-se com a tradição filosófica grega, bebendo muito principalmente do platonismo e do estoicismo. Além dessas influências alheias à cultura original da mensagem cristã, houve uma mudança no status político do cristianismo. De religião perseguida e marginalizada, o cristianismo passou a ser religião oficial e dominante.

Por mais de três séculos, o cristianismo foi perseguido por trazer uma pregação ameaçadora à propaganda oficial do Império Romano, a do imperador como um deus. Sendo os cristãos monoteístas, recusavam-se a adorar o imperador, pois para os mesmos só existe um senhor, Jesus, o Cristo. O cristianismo nasce com um discurso de oposição à propaganda imperial romana, e por isso a perseguição foi tão cruel por tantos séculos, sendo que muitos tombaram nas arenas dos circos romanos, entre outras punições da época. Porém, com os imperadores Constantino e Teodósio, o cristianismo ganhou o status de religião oficial, e com a queda do Império Romano, a Igreja cristã tornou-se o único fator que deu unidade política à Europa. Tinha início a cristandade, na qual poder político e religioso confluíam em uma única instituição, a Igreja Católica, e com isso, a mensagem de amor incondicional de Cristo aos poucos foi se tornando cada vez mais em um corpo doutrinário extremamente rígido, e mais do que isso, marcado pela proibição e condenação de condutas consideradas erradas, contrárias ao Evangelho, e muitas vezes se defendendo a morte daqueles que eram vistos como hereges, pecadores.

O presente artigo busca, a partir de uma retomada da filosofia nietzschiana e de forma especial sua crítica ao cristianismo como uma religião de ressentidos, mostrar como a mensagem cristã em tempos de conservadorismo acaba por se distanciar da solidariedade e por se aproximar das críticas feitas por Nietzsche. Não raro vê-se hoje instituições religiosas colocando maior peso na tradição mora­ lista do cristianismo do que na mensagem solidária. Desta forma, a religião cristã torna-se mais um ele­ mento de condenação e de justificação dos diversos preconceitos e discriminações existentes na sociedade contemporânea. Sendo o Brasil um país ainda marcadamente cristão, tanto pela força da Igreja Católica em sua história como pela crescente força do neopentecostalismo, a mensagem pregada pelo cristianismo reverbera com força na mentalidade do povo brasileiro. O grande problema encontra-se na força das tendências mais conservadoras e moralistas, que não pregam uma mensagem de amor e misericórdia, mensagem esta que poderia ser traduzida em uma sociedade mais inclusiva e solidária, o que se vê é um cristianismo que acirra as diferenças, que julga e condena práticas e ações vistas como pecado ou contrárias ao evangelho. Há um cristianismo que justifica o conservadorismo e o obscurantismo brasileiro. E ironicamente um cristianismo que se aproxima muito do que dizia um de seus maiores críticos, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche.

NIETZSCHE, MORAL DOS ESCRAVOS E MORAL DOS SENHORES

Friedrich Nietzsche (1844 – 1900) é um filósofo marcante na história da humanidade, principalmente por se propor a filosofar “com o martelo”. Sua grande obsessão é destruir as bases intelectuais da civilização ocidental. Estando o pensador na segunda metade do século XIX, é importante ressaltar que este período é marcado pelo surgimento de questionamentos profundos dos rumos que a humanidade vinha tomando. Há uma longa tradição vinda desde o século XVII, de forma especial a partir de Descartes, que supervalorizava a capacidade racional do ser humano. Descartes com seu cogito colocou a razão como a essência maior da humanidade, e tudo o que se opunha a ela na constituição humana devia ser minimizado o quanto possível pois só a razão poderia levar o homem ao seu melhor em todos os sentidos. Tal ideia ecoa nos iluministas no século XVIII, sendo potencializada por estes, e se assenta na formação da sociedade secular nascida das revoluções burguesas do fim do século XVIII e começo do XIX. Desta forma, a sociedade que surge na segunda metade do século XIX na Europa é uma sociedade marcadamente raciona­ lista bem como cientificista. O desenvolvimento da ciência e as benesses que a mesma traz à humanidade trazem um grande otimismo em relação ao futuro da humanidade. É a chamada belle époque.

Nietzsche representa a chamada desconstrução, um dos primeiros pensadores a buscar opor o instinto, a vontade, a hybris, a essa extrema racionalização valorizada pela tradição europeia. Desta forma, ele simboliza essa tensão que existe no homem entre razão e instinto animal nas figuras mitológicas de Apollo e Dionísio. Enquanto a tradição europeia vigente de sua época supervalorizava o apolíneo, o equilíbrio, o racional, aquilo que representa a beleza e a harmonia, o dionisíaco, que também faz parte do ser humano, é deixado de lado e não só desvalorizado, mas abafado. E isso se deve a dois principais fatores da história ocidental: a tradição socrática e o cristianismo.

Com a mensagem de Sócrates, a cultura grega passa a valorizar mais a razão do que o instinto. Assim, a virtude grega, a areté, a partir do pensamento socrático, passa a ser vista o comportamento ético, que visa fazer o bem, já trazendo consigo a base da regra de ouro (“aquilo que não quero para mim não devo fazer ao outro”). A virtude socrática se opõe à noção de virtude homérica, por exemplo, da qual Aquiles, o grande herói da Ilíada é símbolo. O herói dionisíaco, a virtude dionisíaca, em outras palavras é a virtude dos vencedores, do guerreiro forte que vence e se impõe pela força de sua vitória, o conquistador. O que a tradição socrática fez foi anular esse potencial humano, pois desvalorizou a força e passou a valorizar a razão. Em um período de racionalidade extremada, como o século XIX, a visão do homem como ser racional e a virtude como a plena vivência da razão são pontos fortemente criticados por Nietzsche, pois impedem os homens de serem mais, de chegarem ao Übermensch.

O conceito de Übermensch, próprio da filosofia nietzschiana, é um dos conceitos mais difíceis de ser definido, ainda mais porque o filósofo escreve por meio de aforismos. Porém, tendo em mente seu pensamento, podemos traçar algumas linhas para o compreender. Nietzsche é contra todo o moralismo imposto pela tradição ocidental, não por simplesmente defender o hedonismo e uma vida sem regras. O problema maior para Nietzsche encontra-se no que ele chama de moral de rebanho, e aqui passamos a falar mais claramente de sua crítica ao cristianismo e ao judaísmo. O filósofo faz grande parte de suas críticas à tradição judaico-cristã em sua obra A Genealogia da Moral. Nesta obra, ele se propõe a mostrar como o povo hebreu, um povo constantemente dominado pelas potências estrangeiras da Antiguidade, criou um discurso que perverteu a realidade. Os vencedores tornaram-se os vencidos e os vencidos os vencedores a partir da pregação de um julgamento além-mundo material. Assim, aqueles que venceram o povo hebreu, que os dominaram e escravizaram, serão julgados e punidos por Deus, afinal, trata-se do povo escolhido por Deus para a salvação da humanidade. Da mesma forma, o povo hebreu, escolhido por Deus, será recompensado em uma realidade futura. A ira de Deus se volta contra os dominantes e recompensa os dominados. Este discurso do judaísmo, que será não só herdado, mas aprofundado pelo cristianismo, cria a moral do ressentimento de acordo com Nietzsche, na qual aqueles que não foram capazes de vencer por sua própria força, mas também não foram capazes de aceitar sua derrota, colocam toda sua esperança na salvação metafísica. Mais importante que isso, o efeito dessa inversão feita pelo discurso judaico-cristão é colocar o sentimento de culpa naqueles que foram dignos de vitória. Para Nietzsche, tal discurso é marcado por forte covardia, pois os derrotados, os incapazes entre os povos, fazem os vencedores se sentirem culpados, vistos como os vilões, os que atentam contra tudo o que é certo, pois atentam contra a solidariedade e contra o amor ao próximo, na sua sanha de conquistar, escravizar, dominar, sempre pensando no aumento de seu poder. Os poderosos da Terra, em sua ganância, são culpados por serem vitoriosos, sendo que o natural seria eles serem saudados, elogiados, por sua capacidade vencedora.

A ideia de ressentimento é uma das marcas da filosofia nietzschiana, a grande crítica do filósofo à tradição ocidental, tanto no racionalismo socrático quanto na ética judaico-cristã. A ideia de virtude, tanto a areté grega quanto a virtude cristã que nesse ponto se encontram, é toda baseada no ressentimento, pois ser virtuoso é ser caridoso, solidário, buscar ajudar os mais fracos. Para Nietzsche, a moral dos senhores, a moral dos vencedores, aquela que se aproxima da virtude de Aquiles, tornou-se pecado na história da humanidade, tornou-se vício, enquanto a moral dos escravos, a moral dos derrotados, foi valorizada. Porém, tal moral não passa de ressentimento.

A moral dos escravos se impõe como moral de rebanho, pois faz todos seguirem sem questionar, com medo de uma punição na vida após a morte. Dessa forma, a vida atual se torna já uma espécie de morte, pois os instintos mais naturais do ser humano, o lado dionisíaco, o desejo de vitória e de reconhecimento, de se impor pela força e pela conquista, são condena­ dos, tornam-se pecado, pois a tradição cristã, ou melhor dizendo, socrático-cristã, não aceita que alguém queira viver sem se importar com os valores de solidariedade e amor ao próximo. Nietzsche faz ferrenhas críticas ao apóstolo Paulo, que por diversas vezes em suas cartas reforça a ideia da inversão de que aqueles que o mundo tornou sábios, Deus os vê como loucos, ao mesmo tempo que escolhe os iletrados para confundir os sábios, os fracos para confundir os fortes. Esta é a verdadeira inversão promovida pelo cristianismo, pela tradição ocidental, impondo uma solidariedade que não surge da vontade interna dos homens, mas sim de um sentimento de culpa, pelo medo da condenação eterna.

Para ajudar a esclarecer o que o filósofo tem em mente ao propor a ideia do Übermensch, a parábola dos três animais apresentada em Assim Falava Zaratustra tem relevância aqui. O profeta fictício da obra nos fala em três animais, o camelo, o leão e a criança. O camelo representa a servidão, aqueles que seguem as leis e regras da moralidade, da sociedade, sem questionar, com o peso da corcova a se impor e ser carregado o tempo todo; o leão é a ferocidade de quem se propõe a reagir contra essas regras e leis, não as aceitando, dizendo o “santo não” como o filósofo aponta, porém, ainda em uma postura reativa, simplesmente rejeitando o que é imposto; a criança é o Übermensch propriamente dito, aquele que admite por si mesmo quais serão seus valores, os cria com leveza e espontaneidade, sem necessidade de dizer não a algo, mas que age de acordo com suas convicções. Em outras palavras, para Nietzsche o cristianismo e qualquer outro corpo doutrinário que impõe ao homem o que ele deve fazer deve ser rechaçado, pois tira dele a liberdade para poder definir o que realmente seguir. A moral é uma arma covarde daqueles que não aceitam perder, buscando impor o certo e o erra­ do a todos, impondo a culpa naqueles que desprezam a solidariedade.

Vale ressaltar que Nietzsche não é propriamente um pensador que defende o egoísmo como representação da natureza humana ou que naturaliza os conflitos humanos como se fossem fruto de uma natureza desregrada, sendo assim as regras morais uma deturpação do natural humano. Na verdade Nietzsche prega um equilíbrio entre o apolíneo e o dionisíaco. Porém, é fato que ele vê com desconfiança a solidariedade, vendo nessa fortes indícios de que o ressentimento age na mentalidade, representa a moral de rebanho imposta. Nietzsche não deixa aqui de representar os valores da aristocracia, tendo características reacionárias em seu pensamento, pois ataca tanto a burguesia, ainda uma classe revolucionária no seu choque com o Antigo Regime, assim como ataca o marxismo. Não à toa são diversas as aproximações entre o pensamento de Nietzsche, não raro com equívoco, ao pensamento nazista. Assim, a noção de ressentimento aproxima-se com o que hoje é tão comumente chamado de “mimimi”.

O CRISTIANISMO REACIONÁRIO DO BRASIL

É fato que o pensamento cristão molda em grande parte a mentalidade brasileira. Sendo o Brasil marcado pela forte presença da Igreja Católica em sua história, e mais recentemente pelo fortalecimento de movimentos neopentecostais, a matriz religiosa brasileira é cristã, apesar do forte sincretismo existente no país. Porém, em tempos que se vê uma bancada evangélica cada vez mais ativa contra os direitos humanos de minorias, de forma especial dos homossexuais pois há uma tensão entre a doutrina bíblica e o relacionamento homoafetivo, bem como o endosso dado pelas diversas tradições cristãs à desvalorização que os setores mais conservadores fazem das lutas de minorias, pejorativamente chamando tais lutas de “mimimi”, só demonstra como a prática dos cristãos atuais tornou-se mais próxima de Nietzsche do que de Cristo. O “mimimi” atual é o ressentimento acusado por Nietzsche no século XIX, ou seja, os que são desvalidos e abandonados pela sociedade, ao lutarem por mais direitos, visando conquistas e melhorias que por séculos não tiveram, tais lutas não são combatidas, mas simplesmente desvalorizadas, como se esses grupos se vitimizassem à toa, pois afinal não querem travar a luta sadia, aquela de quem se esforça e que sempre terá seu lugar ao sol, independente se negro ou branco, homem ou mulher, homo ou heterossexual, entre tantas divisões. Nega-se que há uma estrutura divisora, que privilegia alguns e exclui a outros, e defende-se o discurso de que os grupos desprivilegiados ao lutarem simplesmente querem as coisas “de mão-beijada”, numa luta de quem se vitimiza sem motivos, pois oportunidades existem para todos.

O que se torna mais triste, há de se concluir aqui, é que o cristianismo, uma religião que em um passado distante foi marginalizada e perseguida, que nasce da pregação de amor incondicional e com forte caráter subversivo, pois tem seu fundador um condenado político (a morte de cruz era destinada aos piores criminosos segundo a autoridade romana, servindo de tortura inclusive e mostrando aos outros o que não se poderia fazer), alguém que morreu por pregar uma outra forma de encarar o próximo. Não farei aqui de Jesus um revolucionário, porém, é fato que sua mensagem de amor incomodou as autoridades romanas. Talvez falte às instituições cristãs brasileiras buscar retomar a ideia de um cristianismo inclusivo e solidário, menos moralista e de sinal de condenação. Pensando na realidade brasileira, um país extremamente desigual e cheio de mazelas históricas relacionadas à exclusão de certos grupos, a mensagem cristã reforçar o discurso excludente não deixa de ser assustador, não só por trair os ideais que estão em sua gênese, mas por virar as costas para aqueles que mais se voltam a eles, os mais pobres. Construímos assim um cristianismo nietzschiano, que trata os “perdedores” como ressentidos em sua luta por um mundo mais justo para eles. Em outras palavras, na essência, temos muito pouco de Jesus Cristo no cristianismo que mostra suas garras em tempos obscuros que vivemos. Não à toa, cada vez mais os grupos excluídos rechaçam o cristianismo, pois não se reconhecem em uma religião que não está ao seu lado, e identificando nele mais um elemento reacionário em nossa sociedade. Uma forte rejeição surge à Estamos longe de construir uma real sociedade solidária no Brasil. O momento atual mostra como acesso a direitos cada vez mais se mostra distante de grande parte da população, e a exploração das classes abastadas aos pobres e excluídos avança, a mensagem cristã uma vez que talvez o que esta tem de melhor, o apelo à solidariedade, é praticamente deixado de lado.

O cristianismo, por toda sua doutrina, poderia ser um elemento para o aprofundamento da consciência solidária e da necessidade de revisão das estruturas sociais do país. Porém, tem adotado uma postura intimista e alienante. Embora não possamos falar em cristianismo, sendo mais correto falar em cristianismos, o que predomina, ou pelo menos o que dá as caras, é esse cristianismo excludente. E infelizmente, como já dito, um cristianismo mais próximo de Nietzsche do que da mensagem tão revolucionária por sua simplicidade revolucionária pregada por Jesus de Nazaré.

RODRIGO DOS SANTOS MANZANO – é professor de filosofia da rede pública do estado de São Paulo, graduado em filosofia pela UNIFAI e especialista em filosofia contemporânea e história pela Universidade Metodista.

GESTÃO E CARREIRA

QUEM QUER DINHEIRO?

O Brasil já tem 95 startups que oferecem crédito com taxas mais camaradas do que as dos grandes bancos. A estrela da turma é a Creditas, que vale 750 milhões de dólares e investe na expansão internacional

O mercado de crédito já é o segundo que mais atrai fintechs no Brasil – são 95 companhias ligadas a empréstimos entre as 529 desse gênero que atuam no país, segundo o Radar Fintech Lab. A competição exige dos participantes capacidade para conquistar a confiança dos clientes, analisar riscos, oferecer juros baixos, além de propiciar condições adequadas de pagamento. Tudo isso tendo bancos e financeiras tradicionais como concorrentes. Não é por acaso que o espanhol Sergio Furio tem pressa em expandir a Creditas, empresa de crédito com garantia, fundada por ele em 2012. Em dois anos, a Creditas triplicou seu valor de mercado, passando de 250 milhões de dólares para 750 milhões, e o número de clientes cresceu quatro vezes. Se continuar nesse ritmo, a companhia deverá alcançar a marca de 1 bilhão de dólares de valor de mercado em pouco tempo, tornando-se o mais novo unicórnio (as startups avaliadas em sete dígitos) brasileiro.

A visão de Furio encontrou um terreno fértil neste Brasil de 2019. A expectativa do Ministério da Economia é aumentar a relação entre crédito e produto interno bruto até o fim do mandato do presidente Jair Bolsonaro, passando dos atuais 45% para 60% até 2022. O Banco Central também tem uma agenda para reduzir a concentração bancária, com licenças para que empresas possam atuar como intermediadoras de empréstimo. O BC autorizou, além da Creditas, uma leva de novatas a conceder financiamento por meio de plataforma própria, como QI, HB Capital, BMP Money Plus, Ótimo e Listo. Ainda estão em análise 11 solicitações. Outras novatas, como a Mova e a Nexoos, foram autorizadas a intermediar empréstimos entre pessoas, também conhecido como peer-to-peer landing. O número deve continuar crescendo. Só o escritório de advocacia Pinheiro Neto, de São Paulo, está ajudando 36 companhias, inclusive varejistas, a montar um plano de negócios e apresentar ao regulador. “As fintechs costumam ser mais eficientes do que os bancos por ter estruturas mais enxutas e baseadas em tecnologia. É um movimento que não tem volta, que vai mudar o mercado como um todo”, afirma Fabrício Winter, sócio e líder de projetos da consultoria Boanerges & Cia.

A Creditas é uma das estrelas dessa nova geração de startups que viram a possibilidade de reestruturar a dívida das famílias e reduzir os juros cobrados em um mercado altamente concentrado. Furio decidiu explorar o nicho quando sua então namorada e atual mulher, Ana, comentou que as taxas de juro chegavam a três dígitos por ano no Brasil. Impressionado, ele desembarcou do outro lado do Atlântico e montou a Creditas. A startup chegou ao atual valor de mercado graças a um aporte de 200 milhões de dólares da gestora japonesa de investimentos Soft Bank. A rodada de investimentos contou ainda com a captação de 31 milhões de dólares dos fundos Santander Innoventures, Amadeus Capital e Vostok Emerging Finance. “Se uma empresa do nosso portfólio está entregando resultado, colocamos mais dinheiro. A Creditas é um desses exemplos”, diz o irlandês David Nangle, presidente do fundo Vostok, que também investiu nas fintechs brasileiras Guia bolso, Nibo, Magnetis e FinanZero.

Ao todo, os 231 milhões de dólares recebidos pela Creditas na rodada mais recente equivalem a quase três vezes o montante que a empresa recebeu ao longo de sua história. Os planos para o dinheiro incluem reforçar o quadro de funcionários, investir em um polo tecnológico na Espanha, abrir uma operação no México (que tem desafios parecidos com os brasileiros) e atuar de forma inovadora em novos mercados. Um deles é no financiamento imobiliário e de veículos. A ideia é colocar uma série de apartamentos e carros à disposição dos clientes, que vão pagar cerca de 20% mais nas prestações durante dois anos. Ao fim desse período, eles poderão comprar os bens descontando o total já desembolsado ou poderão devolvê-los, substituindo-os por modelos mais novos. “Por que escolher entre a compra e o aluguel quando se pode ter um produto financeiro que mistura os dois?”, diz Furio. Ainda não está definido se a Creditas terá uma carteira própria de veículos e de imóveis.

Outro segmento a ser explorado pela fintech é o de crédito consignado voltado para funcionários de empresas privadas, cuja garantia é o próprio desconto na folha de pagamentos. Para mitigar o custo de bater de porta em porta, a Creditas aposta no uso da tecnologia e na parceria com uma companhia que já atua nesse mercado. Para isso, não faltam opções. Uma possibilidade é a Creditoo, fundada pelo empreendedor Ramires Paiva, que no início das operações recebeu aporte do próprio Furio e depois ficou incubada na Creditas ao longo de 2017. A Creditoo já emprestou mais de 50 milhões de reais e tem cerca de 1.000 empresas conveniadas. “Nossa meta é dobrar o volume nos próximos meses”, diz Paiva, que está negociando mais uma rodada de investimentos. Outra fintech que vê oportunidade no consignado privado é a Paketá Crédito. Além de ofertar taxas mais competitivas, o fundador Fabian Valverde pretende levar educação financeira para os clientes e quer ajudá-los a realizar seus sonhos. Para isso, montou um marketplace que oferece desde pacotes de viagem até smartphones a preços mais acessíveis. “É o que chamo de crédito com propósito”, diz Valverde. As iniciativas ajudam a dar sustentabilidade às fintechs de crédito para além da competição por menores taxas. A ideia é oferecer a melhor experiência para os clientes. Para isso, a Creditas estuda seguir os passos do gigante de tecnologia Amazon e romper com os limites dos mundos físico e virtual. Além de receber solicitações online de financiamento, vai montar postos de atendimento itinerantes para apresentar as linhas de crédito e tirar dúvidas.

O caminho para ameaçar os bancões é longo, mas conhecido. As fintechs respondem por apenas 0,3% da concessão de crédito no Brasil, que somava 3,3 trilhões de reais em maio, segundo o BC. O restante fica a cargo principalmente das cinco maiores instituições do país. Nos Estados Unidos, as fintechs tornaram-se responsáveis pela maioria dos empréstimos pessoais sem garantia no ano passado, de acordo com um estudo da empresa de informações financeiras TransUnion. O Brasil é o país com o segundo maior spread bancário do mundo, com 32%, atrás de Madagascar, segundo o Banco Mundial. Isso tende a mudar com o Cadastro Positivo, que está em vigor desde 9 de julho para criar uma base de dados de bons pagadores e deve estimular a competição. A dúvida é quanto os bancos tradicionais podem reduzir suas margens para se defender dos ataques e tentar manter a fatia de mercado. As grandes instituições adotaram essa postura quando startups de meios de pagamento passaram a ameaçar o predomínio de suas credenciadoras de cartões, numa corrida por participação de mercado que tem beneficiado os consumidores. Nessa maratona por novos clientes, um risco para as novatas é formar carteiras com inadimplência excessivamente alta. O Brasil tem hoje 63 milhões de pessoas com contas atrasadas, um número que a Creditas e a nova leva de startups de crédito querem reduzir – fazendo um empréstimo por vez.

PRÓXIMO UNICÓRNIO?

Em julho, a Creditas recebeu um investimento que triplicou seu valor de mercado. A fintech em breve poderá valer 1 bilhão de dólares

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

DE QUANTOS DEUSES SOMOS FEITOS?

O conceito de família atravessa os tempos e se repete como arquétipo, o que é corroborado pela psicologia junguiana, que diz que todos fazem parte da história da psique coletiva e de um mundo mítico

Psicologia, arteterapia e terapias afins estudam para compreender a família contemporânea. Nesse imenso horizonte que é a família vamos apreciá-la a partir de alguns conceitos da psicologia de Jung e fazer uma construção comparativa dos humanos projetados nas figuras mitológicas gregas.

O desafio de fazer uma escultura familiar está em mostrar que toda a sociedade é afetada tanto pelos comportamentos universais cultural, psicológico, emocional e econômico quanto na constelação das personas/sombras e figuras arquetípicas como padrões mitológicos.

Atualmente, o conceito de família refere-se ao núcleo formado por pessoas vinculadas entre si por laços consanguíneos, consensuais, jurídicos ou afetivos, é um conjunto que pode ser elaborado de forma simbólica, ideológica e social com variações culturais, religiosas e de classes econômicas. Nesse contexto, torna-se interessante pensarmos que nenhum modelo é por si normal, anormal, funcional ou disfuncional. É sempre particular e especial em sua composição, em seu estágio, processo de desenvolvimento e na cultura à qual pertence.

Estruturada de modo sistêmico dizemos que é orgânica e viva, agrupa, organiza, modifica e reestrutura aspectos dinâmicos de trocas de experiências e diferentes vivências simbólicas, é um lugar onde o indivíduo influencia o ambiente e é por ele influenciado.

O conceito de família atravessa os tempos e se repete como arquétipo. Segundo a psicologia junguiana, trazemos um mundo de imagens arquetípicas em nós, fazemos parte da história da psique coletiva e de um mundo mítico. As figuras mitológicas são modelos primordiais figurados a priori na psique, e se apresentam como matrizes organizadas em padrões, estruturas, formas e funções, revelando a natureza original do humano.

Na escultura familiar vivem-se relações entre personagens – Jung chama de persona. São as máscaras de adaptação social que determinam os papéis exercidos pelo ego, que pode ou não se adaptar aos personagens. O arquétipo da persona é estruturante, ordenador e dinâmico na psique. Estruturante para os papéis de pai, mãe, filhos dinâmicos, sociais e culturais quando o ego particulariza a identidade, vive-se como marido, esposa, profissionais, governantes etc. Na obra de Jung aprendemos que vivemos sucessivamente diferentes papéis sociais por toda a vida. Percorrendo as relações familiares encontramos outro arquétipo – a sombra. Jung usou este termo para representar o contrário da persona; são arquétipos opostos e complementares. “A totalidade não é a perfeição, mas sim o ser completo.”

Identificamos a personificação da sombra na escultura familiar quando a comunicação entre os membros se torna ruidosa; a sombra parece assustadora quando não reconhecida pelo seu portador, que nega suas características como in­ desejáveis; a sombra se personifica projetada no outro quando este outro causa irritabilidade, dissabores, mau humor, formas agressivas e dissimuladas de tratamento etc. Para Jung, “todo mundo carrega uma sombra, e quanto menos ela está incorporada na vida consciente do indivíduo, mais negra e densa ela é […] se é reprimida e isolada da consciência, jamais é corrigida e pode irromper subitamente em um momento de inconsciência…”.

MUNDO MITOLÓGICO

Posto isso, agora vamos entrar no mundo mitológico para responder: de quantos deuses somos feitos? Este universo é rico e grandioso pela quantidade de deuses e histórias, contemplamos um mito da origem, os deuses: Hera e Zeus, Atená, Demeter e Hefesto como exemplos para modelar a escultura familiar e responder à pergunta.

Para entendermos os processos psicológicos que se desenrolam na psique e tecer a escultura simbólica, percorremos a narrativa mitológica grega com as figuras e formas arquetípicas que se deslocam livremente no tempo e no espaço, multiplicando-se através de um número indefinido de episódios, para mostrar semelhanças com a raiz psíquica do humano.

Vamos até a família divina com o mito da origem, que marcam como formas primordiais o início simbólico da família. A moldaremos a escultura familiar com alguns fatos que marcaram a história mitológica, os quais podem ser reconhecidos como formas alegóricas e simbólicas recorrentes na narrativa do cotidiano contemporâneo.

A Teogonia de Hesfodo nos mostra a formação do mundo a partir de Geia e Urano, de Crono e Reia, simbolicamente reproduzidos como figuras arquetípicas na família enquanto representação coletiva.

Para a escultura familiar simbólica identificamos o arquétipo do devoramento paterno e a proteção da mãe como padrões tipológicos. No início era o vazio e do vazio se materializou Geia – a Terra, que copulou com Urano -, o Céu. Ele é a primeira forma patriarcal e ela a primeira grande mãe. Urano, ressentido com a capacidade dela procriar, devolvia os filhos para a barriga da mãe. Geia sofreu grandes dores e agonia por causa dessa violência contra si e contra seus filhos. Entendemos a violência como um arquétipo fundado nas atitudes do titã (dominador) Urano – criada a violência, ela se repete pelas gerações. Na narrativa do mito vemos que Urano usava violência contra sua mulher e seus filhos; violência interpretada, simbolicamente, como negação do nascimento. O homem de hoje ativa a força do titã quando considera seus gestos, emoções e afeições para violentar a mulher e/ ou os filhos.

Crono é o filho mais novo de Urano e Geia, que o protegeu, evitando que fosse devolvido para sua barriga. Interpretamos que o filho, tocado pelo sofrimento da mãe, passou a odiar e com uma foice amputou os genitais do pai e os lançou ao mar. Tendo castrado o pai, Crono ocupa o seu lugar como patriarca. Essa passagem do mito é análoga a casos contemporâneos, nos quais vemos o arquétipo do parricídio cometido por Crono atravessando o tempo; a situação se repete quando o filho se alia à mãe contra o pai ao presenciar violência doméstica.

A castração neste caso pode ser real e/ ou simbólica, representada pela separação, exclusão, isolamento e/ ou assassinato do pai.

No mito, repete-se a violência – o filho repete o pai. Crono, temendo perder o trono e ser morto por um filho, engole-os. Reia repete a mãe, se revolta com essa violência e reage protegendo um de seus filhos- Zeus -, enrolando uma pedra e dando-a para o pai devorador comer. Crono e Zeus nasceram protegidos pelas mães que, com isso, mudaram o rumo da história, criando a figura da mãe protetora.

Assim como os titãs, existem homens na atualidade que são violentos com suas mulheres e negam a paternidade. Negam, no real e no simbólico, de diversas maneiras – por incentivar abortos ou pela ausência afetiva, negam quando, consciente ou inconscientemente, impedem o desenvolvimento natural dos filhos, consumindo sua autonomia, fazendo-o um eterno dependente. Na família contemporânea identificamos outra forma de devoramento: projeção de desejo – o pai quer ver sua profissão continuada impondo tal condição sem oportunizar escolhas; ignora o que os filhos pretendem ou desejam como indivíduos. Quer se realizar, faz com que o outro seja o que ele próprio não foi. Para Jung, “atrás de todo pai individual existe a imagem primordial do Pai, e atrás de toda mãe existe a imagem ou figura mágica da Grande Mãe. Estes arquétipos do inconsciente coletivo são os dominantes, que regulam a alma pré-consciente da criança e que, quando projetados nos pais humanos, emprestam-lhes uma fascinação que muitas vezes atinge proporções monstruosas”.

Quando o homem repete o tipo Cronos, preenche a forma simbólica do arquétipo do pai devorador; pai que impede o filho de viver as experiências da individuação: tornar-se um ser único – processo de integração dos arquétipos. Jung acredita que o ser humano possui uma tendência para a individuação ou autodesenvolvimento. Contudo, tornam-se necessárias consciência e vigilância quanto às próprias atitudes no mundo. São muitas as consequências que sofrem os filhos do pai tipo Cronos: há grande probabilidade de desenvolverem baixa estima, insegurança, sentimento de fracasso e dependência etc. Identificamos outra forma de devoramento: projeção de desejo – o pai quer ver sua profissão continuada impondo tal condição sem oportunizar escolhas ignora o que o filho/a pretende ou deseja como indivíduo. Quer se realizar, faz com que o outro seja o que ele próprio não foi. Entendemos que esse devoramento leva a um estado emocional pueril de incerteza, frustração, angústia etc., podendo o filho/ a constelar um arquétipo puer aeternus por toda a vida, comprometendo o desenvolvimento psicológico. Vemos essa figura arquetípica nos pais quando apresentam atitudes e comportamentos pueris ao desqualificarem sua prole, emocional, social e/ou intelectualmente, causando danos a toda família. Muitos pais constelam as características do puer aeternus e não experimentam efetivamente as responsabilidades do amar, cuidar, educar, prover etc., transferindo a função paterna para outros adultos: avós, tios, padrinhos e madrinhas ou instituições.

PAPEL SOCIAL

Assim que nasce, diante dos pais, a criança ganha o primeiro papel social, o primeiro arquétipo estrutural da psique – a persona de filho/a, personagem que desempenhará pela vida toda. Em seguida, diante dos avós será o neto, diante dos tios será o sobrinho, diante de irmãos mais velhos será o caçula e assim vivenciará sucessivamente, com adaptação ou não, as personas. Na escultura familiar, o recém-nascido dá continuidade às gerações.

Jung chama atenção para o perigo do contágio psíquico:·o que geralmente tem efeito psíquico mais forte na criança é a vida que os pais não viveram […] Os filhos não só repetem inconscientemente muitas vezes os erros dos pais, como também se veem presos em emaranhados de relações familiares não resolvidas e terminam por pagar pelos erros dos pais, avós e antepassados”‘.

Com o nascimento, toda estrutura sistémica familiar se modifica, surgem novas personas: marido e esposa agora serão pai e mãe e a dinâmica psíquica do filho se alterna na consciência entre os polos patriarcal e matriarcal, sogro e sogra serão avô e avó, cunhados e cunhadas serão tios e tias, o ritmo de adaptação aos novos papéis é individual e às vezes causa desorganização psíquica no casal e nos parentes. De modo que o ego resiliente bem desenvolvido, saudável, pode escolher vários papéis e viver a máscara de acordo com as circunstâncias.

Mitologicamente, na escultura familiar, a esposa identificada como a mulher-Hera, além de se dedicar ao marido, pode ativar a deusa Deméter adotando a persona materna quando nascem os filhos.

A deusa Hera é chamada a rainha do Olimpo. Tornou-se a protetora das esposas e do amor legítimo. É considerada a padroeira da mulher casada, porém infeliz no matrimónio. Encontramos sua tipologia arquetípica constelada na mulher retratada como ciumenta, vingativa, autoritária, às vezes impiedosa e violenta.

Aprendemos que todo arquétipo tem atributos positivos e negativos. Hera tem traço negativo, é a possessão e a vingança contra as amantes do marido, embora não se indisponha com ele. Ela é uma ardente esposa e, como forma e tipo, se repete em algumas mulheres que acreditam, como ela, que o matrimônio é a consumação da satisfação feminina. A mulher que constela a deusa conserva-se por muito tempo sendo do lar, o universo do casamento lhe basta.

Um dos insultos sofridos por Hera pode ser visto no mito de Io, uma das muitas amantes de Zeus; ele a transformou em uma bela novilha para protegê-la da suspeita de Hera, que a pediu de presente. Zeus não teve como negar. lo, ainda novilha, perambulou por muitas regiões até que Zeus intercedeu por ela, prometendo a Hera que não mais daria atenção a ninfa; Hera consentiu-lhe devolver a antiga forma.

Essa passagem mitológica ilustra a projeção da relação Zeus-Hera na escuta clínica. Vemos no discurso de famílias de hoje o marido tendo relações extraconjugais. Em síntese, um recorte de um caso: uma mulher procura ajuda terapêutica em estado de depressão ao descobrir que o marido teve amantes. Ela desconfiava, ao longo dos 30 anos de casada, mas não queria acreditar (“é muito dolorosa a sensação de traição”). Hoje, ele falecido, a família soube das traições e dos filhos quando se identificaram requerendo parte na herança.

Zeus, na mitologia, tem a forma arquetípica que representa o homem galante e conquistador. Como poderoso soberano do Olimpo teve muitas amantes, deusas, semideusas e mulheres mortais, com as quais teve muitos filhos. Com tantas traições e filhos bastardos, desonra o que Hera mais considerava: o casamento. Identificamos que o simbolismo do casamento não tem o mesmo valor para eles, atualizando Zeus e Hera como tipos psicológicos, vemos homens e mulheres repetindo seus padrões nas relações conjugais.

Identificamos constelações da deusa Atena na escultura familiar. No mito, é órfã, não conheceu a mãe – Métis; dedicou-se ao pai, ficando conhecida como filha do pai, braço direito dele. Como figura arquetípica pode ser vista na mulher que não é orfâ literalmente, mas comumente trata a mãe com hostilidade por falta de referência feminina. A deusa constela nas mulheres que trabalham incansavelmente sem notar as consequências no corpo, pouco se importam com suas formas, não tomando consciência dele até que fique doente ou ferido. Atena representa a intelectualidade, usa sua inteligência para agir com praticidade na resolução dos problemas. Suas ações são ligadas à razão mais que ao coração. A mulher identificada com o padrão da deusa não se esforça para ser sensual nem é dada a flertes ou romances; falta-lhe romantismo. Quando se envolve emocionalmente, seu interesse é por homens poderosos, que se consagram pela autoridade, responsabilidade e poder; comumente projeta o pai nos possíveis amores.

GRANDE MÃE

Na narrativa mitológica, Deméter é símbolo de uma grande mãe. Se imprime como tipo na mulher que deseja a maternidade mais que tudo. Na escultura familiar não vê outro propósito na vida a não ser cuidar de filhos, sofre e se atormenta se não os têm por perto. Se constelado o aspecto negativo da deusa, a mãe torna-se castradora, nega e impede o crescimento natural da prole; desencoraja tudo que leva à independência e autonomia, chantageando, vitimizando-se e se autodepreciando como a rejeitada mãe desnecessária.

No mito, ela tem uma filha – Coré. Certa vez Coré apanhava flores no campo quando a terra se abre e ela cai no reino do inferno, de Hades. Quando comeu a semente de romã (símbolo da ligação com o mundo dos infernos), tornou­ se esposa, passando a se chamar Perséfone. Uma das possíveis interpretações dessa passagem mitológica é que a menina precisava desidentificar- se – romper com a identificação com a mãe para buscar seu processo de individuação. Ou seja, protagonizar sua trajetória na vida.

Na escultora familiar encontramos identificado o deus Hefesto, filho de Hera, que o fez como produção independente. No mito, é humilhado e abandonado pela mãe, que se envergonha da sua deformidade – nasceu coxo e, por isso, foi retirado do Olimpo; sua sorte foi lançada com ele ao mar. Tétis e Eurínome, filhas do Oceano, o acolheram tornando-se suas mães de criação, cuidaram dele dando-lhe amor. Com o tempo tornou-se artífice habilidoso, conheceu o ofício de ferreiro e metalorgista; talentoso, domina o fogo e os vulcões, tornando-se um escultor de obras de arte que a todos encantavam. Entendemos que o deus não é belo mas fabrica beleza com suas mãos.

No mito, Hefesto mostrou suas qualidades de extraordinário trabalhador quando fabricou armas, joias e, sobretudo, o raio e o cetro de Zeus; também provou ser corajoso nos campos de batalha, agradando o poderoso deus, que permitiu o seu regresso ao Olimpo. A forma arquetípíca do deus pode ser identificada nas personalidades que nascem com deformidades: vítimas da deficiência física e que, como o deus, são menosprezadas, indesejadas, hostilizadas, principalmente quando exigem esforços e cuidados dos familiares. De alguma maneira, sofrem rejeição por não satisfazerem o desejo de perfeição exigido pela sociedade; comumente são tratados como estorvo.

Modelando a escultura familiar assistimos ela ser atravessada pelo tempo e repetindo muitas das histórias, nas quais mães como Hera rejeitam seu filho quando não encontram nele projetado seu ideal de desejo; às vezes, inconscientemente, humilham e maltratam. Entendemos que se o filho constelar o lado positivo do arquétipo, trabalhará interna e externamente para recuperar seu lugar no seio da mãe e da família.

Uma das características marcantes do deus é ser trabalhador com natureza ambígua – sua imperfeição é compensada pela coragem e pelo encantador dom artístico, atualizando o arquétipo, o vemos nas famílias com atletas paraolímpicos; pessoas que, como o deus, superam as deficiências conquistando medalhas de ouro em jogos.

São muitas as histórias que se repetem tendo a tipologia dos deuses gregos. Por isso, refletir sobre arranjo sistémico nos faz imaginar um conjunto de símbolos compostos em rituais ou uma composição relacional que se expressa por afetos, desafetos, apegos, momentos de alegria, discórdia, amor, compaixão, violência etc. Jung pensa que: “O encontro de duas personalidades assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação”.

Pensamos em uma escultura simbólica feita de deuses e deusas gregas para responder: de quantos deuses somos feitos? Para a psicologia junguiana, as constelações tipológicas dos deuses, como figuras arquetípicas, são mais um caminho terapêutico para compreendermos a organização familiar. Esse olhar sobre a família ajuda a conscientização e transformação do sistema quando conhecemos de quantos deuses somos feitos. Mostramos algumas experiências humanas assemelhadas a fatos mitológicos considerados símbolos imagéticos que ganham sentidos e significados subjetivos na trama familiar.

OUTROS OLHARES

DIGITE COM MODERAÇÃO

De fabricantes de smartphones a aplicativos e redes sociais, cada vez mais empresas de tecnologia criam ferramentas para controlar o tempo que as pessoas passam conectadas. É um novo momento para a indústria digital

Uma das metas das empresas de tecnologia do vale do silício é, além de conseguir milhares de usuários para seus aplicativos, conquistar o engajamento deles. Quanto mais tempo e mais interações das pessoas com as ferramentas digitais, melhor para as empresas por trás delas. Assim, as companhias aumentam a chance de vender produtos ou de exibir anúncios. Todos esses esforços de uma série de aplicativos – do Instagram ao YouTube, do Twitter ao WhatsApp – levaram a um nível de uso exagerado de dispositivos conectados à internet. Ao longo dos últimos anos, a média do tempo de uso da internet só aumentou. Mas, em 2019, isso deve mudar. As pessoas começaram a perceber que estão passando tempo demais conectadas à rede, seja no celular, seja no notebook, seja no tablet.

A consultoria inglesa Global Web Index, especializada em coletar e analisar dados sobre o comportamento digital, prevê uma queda de 1% no tempo de uso da internet neste ano. Será a primeira vez que isso acontece desde que esse dado é acompanhado. Prevendo uma tendência de maior desconexão, empresas de tecnologia, como a Apple e o Google, começaram a oferecer recursos para monitorar o tempo de uso do smartphone. Aparelhos como o Pixel, do Google, permitem bloquear aplicativos depois que a pessoa ultrapassa o tempo de navegação preestabelecido. Essas funções podem, ainda, mostrar estatísticas de uso diário. Desse modo, é possível descobrir quais são os aplicativos que tomam a maior parte do tempo e definir um limite para eles – 1 hora para redes sociais ou 2 horas para aplicativos de e-mails, por exemplo. Segundo a consultoria eMarketer, só nas redes sociais as pessoas passam, em média, 1 hora e 15minutos por dia.Com o uso excessivo do celular, as pessoas tendem a perder a noção do tempo, passar menos tempo conversando com familiares e amigos no mundo real e apresentar sinais de falta de concentração e piora na qualidade do sono, segundo o Centro de Vício em Internet e Tecnologia da Universidade de Connecticut. Fora isso, segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, usar o celular ao volante é a terceira maior causa de morte no trânsito no Brasil. Mas o que as empresas bilionárias de tecnologia ganham ao ajudar a usar menos o smartphone no dia a dia?

Na Apple, a demanda surgiu como um pedido de dois grandes acionistas para que algo fosse feito a fim de evitar que crianças ficassem “viciadas” em iPhones. A maior parte da receita da empresa vem da venda de dispositivos. Portanto, seus aparelhos não precisam ser “viciantes”. Para o Google, que tem um forte negócio de publicidade e é dono do sistema Android presente em smartphones de várias fabricantes, o tempo que os usuários passam em seu ambiente digital é particularmente importante. Flavio Ferreira, diretor de parcerias do Android para a América Latina, diz que o recurso de moderação, chamado Bem-Estar Digital, foi criado por demanda dos usuários. “O exagero leva ao desgaste da relação com a tecnologia. Buscamos garantir que o uso dos produtos Google seja harmonioso e duradouro”, afirma Ferreira.

A ferramenta do Google está disponível apenas nos smartphones mais novos, o que abre espaço para startups de aplicativos para controlar o uso do celular. Dois deles são o Action Dash e o RescueTime. “Quando as pessoas são confrontadas com estatísticas sobre o tempo que passam no celular, elas refletem sobre o que estão fazendo”, afirma Chris Lacy, presidente da Action Dash. Para Robby Macdonell, presidente do RescueTime, as empresas de tecnologia tentam corrigir uma questão que elas mesmas criaram. “Se não resolverem esses problemas, as pessoas podem trocar os produtos por aparelhos de outras marcas”, diz Macdonell. A tendência de moderação de uso não se restringe às empresas de smartphones. Diversos aplicativos também entraram na onda, como é o caso do YouTube, do Instagram e do Facebook. Para Roger McNamee, investidor do Vale do Silício, as medidas das empresas de tecnologia não resolvem o problema do comportamento compulsivo, mas são uma oportunidade para as empresas que mudarem de mentalidade. “As companhias que tratarem seus consumidores como clientes de verdade, não só como combustível para o negócio, têm grande chance de se beneficiar. Os aplicativos das grandes empresas já são populares o suficiente e podem explorar novos modelos de negócios”, diz McNamee, autor do livro Zucked: Waking Up to the Facebook Catastrophe (“Ludibriado: Acordando para a catástrofe do Facebook”, numa tradução livre), em que trata dos danos causados pelas redes sociais.

O tempo de uso da internet pode variar de país para país. O Brasil ocupa o segundo lugar quando o assunto é tempo gasto na internet, atrás somente das Filipinas. Por aqui, as pessoas passam quase 9 horas e meia por dia conectadas a seus smartphones ou computadores. Nos países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a Coreia do Sul, a Alemanha e o Japão, onde a preocupação com o excesso de conexão é mais forte, o tempo é menor do que a média global. Na visão de Fabro Steibel, diretor executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, um centro de pesquisa do Rio de Janeiro, as empresas de tecnologia sempre usaram a atenção do usuário como moeda de troca, mas o novo contexto do mercado altera essa dinâmica. “O que as empresas notaram é que o excesso de informações gerou um efeito inverso. Com grande volume de informações, a tendência é as pessoas ignorá-las”, afirma Steibel. “Agora vai se destacar quem oferecer informações de qualidade. O bem-estar está relacionado não a oferecer menos notificações, mas notificações melhores.”

Hoje, não há uma fórmula mágica para usar menos o celular ou a internet. Anna Lomanowska, professora de psicologia e chefe do laboratório de bem-estar digital da Universidade de Toronto, acredita que usar o celular por muito tempo não é um vício, mas um hábito compulsivo. “Os recursos dos aplicativos para capturar a atenção produzem um padrão de resposta que leva à compulsão. Esses recursos foram usados por muitos anos, tanto pelo marketing quanto por cassinos. O problema agora é que o smartphone é algo sempre presente em nossa vida”, diz Anna, uma das 1naiores pesquisadoras sobre o tema no mundo.

O problema vem ganhado uma dimensão tão grande que especialistas defendem que o modo como os aplicativos funcionam deveria ser regulado pelas autoridades. É o caso do pesquisador canadense Luke Stark, do Centro de Internet e Sociedade da Universidade Harvard. “Os aplicativos de smartphones são feitos para ser cativantes o máximo possível. Isso tem base numa longa história do design de aplicações digitais, influenciada pelas ciências psicológicas. Eles exploram hábitos humanos inconscientes”, diz Stark.

Antes que haja uma regulação, no entanto, as empresas de tecnologia se antecipam para se resguardar de acusações e evitar que sejam associadas ao uso compulsivo. Assim como no setor automotivo, as ferramentas de bem-estar digital são uma espécie de cinto de segurança que as companhias desenvolvem para reduzir os impactos negativos dos produtos. Por enquanto, a proteção não é obrigatória. Cabe a cada pessoa decidir como usá-la para reduzir o tempo que passa nos aplicativos. Mas só o fato de as empresas estarem preocupadas com o tema já é um marco para a indústria de tecnologia. Se funcionar, todos tendem a ganhar.

OS PAÍSES QUE MAIS USAM A WEB

Nos países emergentes, incluindo o Brasil, as pessoas chegam a passar mais de 8 horas por dia conectadas – um nível bem acima da média mundial e dos países desenvolvidos

MAIS CONTROLE

Os usuários de redes sociais são os que mais utilizam recursos de bem-estar digital

GESTÃO E CARREIRA

UMA AGÊNCIA PARA CHAMAR DE SUA

Grandes empresas montam equipes próprias para produzir conteúdo digital. Uma das razões é ter mais controle sobre a própria imagem na rede

Todos os dias, as 10 horas da manhã, o executivo Felipe Meretti reúne sua equipe de 45 profissionais num escritório recentemente montado em São Paulo. Até o meio-dia, eles definem um plano de ação, enviado por WhatsApp para avaliação de seus colegas, os diretores das marcas da fabricante de bebidas Ambev no Brasil. Em menos de 1 hora, o retorno – positivo ou negativo – chega. Daí para colocar o produto final desse processo na rua é um pulo. Ou melhor, um post ou tuíte. Meretti está à frente do primeiro estúdio de conteúdo digital próprio da Ambev, o Draft line, inaugurado em janeiro. É a décima agência da empresa a ser aberta no mundo desde 2016, quando a cervejaria AB InBev, dona da Ambev, estreou o modelo na Colômbia.

A criação de uma agência interna – em inglês, in-house ou house agency – está se tornando cada vez mais comum entre grandes empresas no mundo. Oito em cada dez companhias ligadas à maior associação de anunciantes dos Estados Unidos já fizeram esse movimento. Cinco anos atrás, a taxa era de 58%. À medida que a experiência se consolida em suas matrizes, as companhias têm espalhado o modelo pelo mundo. Essas estruturas se dedicam a criar conteúdo digital em redes sociais, sites, blogs, além de anúncios e ações com influenciadores. De acordo com um estudo conduzido pela consultoria de mídia Zenith, o montante dedicado a mídias digitais girou em torno de 240 bilhões de dólares em todo o mundo em 2018, equivalendo a 40% dos investimentos globais em publicidade. É algo que deve crescer. Até 2025, os consumidores estarão conectados a 20 bilhões de dispositivos digitais, quase três vezes a população global, conforme estimativa da consultoria McKinsey. “Mais empresas querem ter mais controle sobre como seus dados trafegam na rede”, diz Pedro Burgos, professor na escola de negócios Insper, de São Paulo.

A sensação de falta de controle sobre a própria imagem – e a urgência de agir a respeito – ganha uma proporção inédita na internet. Uma das razões é que, além de audiência, o co11su1nidor também gera conteúdo relativo às marcas. Ali o cliente – para o bem ou para o mal – tem sua influência sobre a reputação das marcas potencialmente ampliada. Por isso, uma das atividades que as empresas trouxeram para dentro de casa é o monitoramento do que se diz espontaneamente em relação à marca nas redes. A ideia é detectar pontos de alerta para guiar novos direcionamentos, além de averiguar o resultado de campanhas e balizar outras ações pontuais. Na Ambev, essa “escuta social” abriu, por exemplo, a possibilidade de interagir com haters, ou detratores. Há poucas semanas, o estúdio identificou os 50 maiores críticos da marca Skol nas redes sociais. Em seguida, entrou em contato com cada um e enviou unidades da versão puro malte da cerveja, lançada em janeiro. Segundo a empresa, pelo menos momentaneamente, a ação conseguiu arrancar elogios de detratores de plantão. Na internet, intervenções quase cirúrgicas como essa – ou campanhas em massa nas redes sociais – podem ter efeitos desastrosos se feitas de maneira atrapalhada. Por isso, a proximidade entre quem define a estratégia e quem a executa na ponta passou a ser percebida como fator essencial. “O fato de poder chegar ao lado da pessoa que está trabalhando em seu projeto para aprovar ou alterar algo em tempo real poupa tempo e toma o processo mais eficiente”, afirma Renata Grailer, gerente de desenvolvimento de marcas da fabricante de bens de consumo Unilever e editora da U-Studio Brasil, agência interna da empresa anglo-holandesa, inaugurada no país em 2017. Dona de marcas como o sabonete Dove e o sorvete Kibon, e com orçamento anual para publicidade em torno de 9 bilhões de dólares no mundo, a Unilever, presidida pelo escocês Alan Jope – substituto do holandês Paul Polman desde janeiro – , inaugurou nos últimos três anos 18 U-Studios em 15 países, entre eles Índia e China. Ao mesmo tempo, a empresa anunciou neste ano, sem detalhar os números, que vem aumentando desde 2016 o investimento no time interno de marketing, com novas contratações. A americana Procter & Gamble, maior anunciante do mundo – com um orçamento de propaganda da ordem de 10 bilhões de dólares por ano – e dona de marcas como o sabão em pó Ariel e a fralda Pampers, considera que as agências internas a ajudam a lidar com um novo desafio trazido pela difusão da comunicação por meio das redes sociais. “A mídia digital continua a crescer e, com ela, há um lado sombrio”, disse Marc Pritchard, diretor de marca da P&G, em discurso para cerca de 800 executivos de publicidade em Orlando, na Flórida, na reunião anual de uma associação americana de anunciantes, em abril. No lado sombrio, o executivo coloca problemas ainda sem solução, como a frequente aparição de campanhas publicitárias ao lado de mensagens de ódio e outros conteúdos indesejados em plataformas como a rede social Facebook e o serviço de vídeos YouTube, do Google. É um fato que só reforça a urgência, dentro das empresas, de cuidar de perto da estratégia nesses meios.

PARCERIA COM AS AGÊNCIAS

No que se refere à relação entre empresas e agências de publicidade tradicionais, trata-se de uma mudança e tanto. Mas não é uma ruptura. Ao contrário, há uma cooperação entre os dois lados que leva à criação de uma nova forma de relacionamento. As equipes dos estúdios internos são mistas na maioria dos casos. Ainda que o time da empresa dona das marcas comande o grupo, boa parte dos participantes vem de fora, das agências de propaganda. Entre os 45 profissionais da Draft line, 15 são funcionários da Ambev. Os demais são das agências Mutato e Soko, contratadas pela empresa. Todos atuam juntos no mesmo escritório. O que extrapola os conteúdos digitais, em geral, permanece intocado nas mãos de grandes agências, que também têm liberdade para executar campanhas digitais. Na Unilever, todas as in-houses do grupo têm como parceira global a agência britânica Oliver, que atua exclusivamente com operações internas nas estruturas dos clientes e chegou ao Brasil em 2017. As marcas da Unilever nego­ ciam diretamente com agências como a WPP, a Interpublic e a Omnicom. “Não se trata de tirar trabalho das agências tradicionais e trazer para dentro de casa. Estamos falando de algo novo e que só cresce”, diz Renata, da Unilever. Uma análise feita pela Forrester Research, uma das mais i1nportantes empresas de pesquisa de mercado e tecnologia no mundo, aponta que, apesar da tendência crescente entre grandes empresas, ainda falta maturidade às in-houses. “É preciso haver um esforço colaborativo. A divisão de responsabilidades entre profissionais de marketing, agências internas e externas garante relações mais produtivas”, escreveu num relatório Jay Pattisall, analista principal da Forrester.

O modelo híbrido visa garantir um frescor que o olhar de fora traz. “As transformações digitais abrem espaço para novos modelos, mas internalizar totalmente a operação de marketing e publicidade poderia viciar o processo criativo”, diz Alexis Pagliarini, superintendente da Federação Nacional das Agências de Propaganda. Anos atrás, a fabricante de alimentos e bebidas PepsiCo foi criticada justamente numa campanha que não havia passado por nenhum crivo externo. Em 2016, um anúncio do refrigerante Pepsi criado pela in-house da empresa, a Creators League, retratou Kendall Jenner, hoje a modelo mais bem paga do mundo, como líder de um grupo de manifestantes que desajeitadamente refletiam o movimento antirracista Black Lives Matter. A campanha gerou protestos e a empresa a tirou do ar poucos dias depois com um pedido público de desculpas. Se agilidade é fundamental para acertar na internet, para consertar um erro esse atributo se torna ainda mais importante.

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QUALIFICADOS

CAPÍTULO 19 – LÍDERES FRACOS

“Deus cria do nada. Portanto, até que um homem seja nada, Deus não pode fazer algo com ele.” — Martinho Lutero

Ponto-chave: A grandeza na liderança espiritual não é encontrada em exercitar sua força, mas em descobrir a força Dele na sua fraqueza.

Existe muito a ser dito a respeito da força. Diante de uma escolha, eu acho que quase todos diriam que preferem força em vez da fraqueza. Todos desejam que a sua saúde, área financeira, casamento, família, igreja, etc. sejam fortes.

Há também muitos versículos maravilhosos acerca de ser forte. Josué recebeu o comando seis vezes para “Ser forte e corajoso”. Paulo admoestou os efésios a “sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder” (Efésios 6:20), e encarregou seu jovem protegido, Timóteo, a “fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus” (2 Timóteo 2:1).

EVITANDO A FALSIFICAÇÃO

Existe também uma força falsificada que pode ser mascarada como a autêntica. Apenas a força genuína, que é enraizada na graça de Deus, pode sobreviver ao teste do tempo. Expressões falsificadas de força incluem:

•   arrogância

•   presunção

•   projetar um ar de importância própria ou uma atitude de superioridade

•   pose

•   altivez

•   intimidação

Essas coisas podem produzir certos resultados por um tempo, mas elas acabarão por ruir e falhar.

Paulo estava falando sobre a força falsificada quando ele disse divertidamente que estava “fraco demais” para engajar em um tipo de liderança que ele considerava abusiva e manipuladora das pessoas. Ele expressou cuidado sobre a ingenuidade dos coríntios quando disse: “Tolerais quem vos escravize, quem vos devore, quem vos detenha, quem se exalte, quem vos esbofeteie no rosto. Ingloriamente o confesso, como se fôramos fracos. Mas, naquilo em que qualquer tem ousadia (com insensatez o afirmo), também eu a tenho” (2 Coríntios 11:20-21).

Crentes e, especialmente líderes, podem se sentir pressionados a apresentar a si mesmos de maneira positiva, a projetar a imagem de que “Eu tenho tudo resolvido, eu sou grande e responsável”. Tais fachadas são com frequência fragmentos superficiais de uma profunda insegurança enraizada. Reconhecer honestamente a própria fraqueza ou a incapacidade pode parecer uma violação da ação ou manutenção da “boa confissão”.

ENCONTRANDO O GENUÍNO

Então, como encontraremos a força genuína que Deus quer que experimentemos? Começa com o reconhecimento das nossas próprias limitações. Somente assim seremos capazes de identificar e possuir a força verdadeira. Paulo era um líder forte, mas ele era profundamente consciente de suas fraquezas. Considere as declarações de Paulo que refletem sua transparência e seu elevado nível de autoconhecimento:

•   “E foi em fraqueza, temor e grande tremor que eu estive entre vós” (1 Coríntios 2:3).

•   “Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições,  nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte” (2 Coríntios 12:10).

•   “Porque nós também somos fracos Nele, mas viveremos, com Ele, para vós outros pelo poder de Deus” (2 Coríntios 13:4).

•   “Fiz-me fraco para com os fracos, com o fim de ganhar os  fracos”(1 Coríntios 9:22).

•   “Quem enfraquece que também eu não enfraqueça?” (2 Coríntios 11:29).

•   “Porquanto em nada fui inferior a esses tais apóstolos, ainda que nada sou” (2 Coríntios 12:11).

Esses versículos precisam ser qualificados e lidos em contexto, mas não existe dúvida de que Paulo não era cheio de si mesmo, petulante ou autoconfiante. Ele não colocava a sua confiança em sua carne (Filipenses 3:3). Ele também disse: “Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos” (2 Coríntios 1:9).

Paulo não estava consumido com as suas realizações, ou com o fato de que ele havia começado certo número de igrejas, ou que ele tinha uma revelação de Deus especial. Em vez disso, ele se humilhava por uma atribuição que ele sabia que nunca completaria por si mesmo, e entendia que era inteira e completamente dependente da habilidade de Deus.

Smith Wigglesworth disse: “Eu creio que Deus quer colocar a Sua mão sobre nós para que possamos alcançar a definição ideal de humildade, do desamparo humano, da insuficiência humana, até que não repousemos mais sobre os planos do homem, mas tenhamos os pensamentos de Deus, a voz de Deus e o Espírito Santo para falar conosco”.

Jesus disse: “Eu nada posso fazer de mim mesmo” (João 5:30). A versão Amplificada desse versículo diz: “Eu não sou capaz de fazer nada de mim mesmo [independentemente, por minha própria vontade, mas somente o que eu sou ensinado por Deus e quando recebo suas ordens]”. Se alguém poderia ter de forma justa confiado em si mesmo ou se sentido autossuficiente, seria Jesus, e ainda assim Ele confiava inteira e completamente em Deus. Ele não vivia de forma arrogante, a fim de impressionar outros. Ao contrário, Ele era “manso e humilde de coração” (Mateus 11:29).

Jesus não apenas exemplificou a confiança absoluta em Deus, mas Ele também nos deixou saber que nós precisamos do mesmo senso de dependência. Ele disse em João 15:5: “Sem Mim nada podeis fazer”.

ENTÃO, SE VOCÊ SE SENTE UM POUCO FRACO…

Para mim, essa é uma das verdades mais libertadoras que nós podemos abraçar! Nós não temos que provar para ninguém o quão maravilhosos, quão perfeitos ou quão espirituais nós somos. Isso não é um convite para uma vida relaxada ou uma desculpa para não crescermos, mas nos habilita a sabermos que Deus nos aceita incondicionalmente, e nos escolhe a despeito da nossa “imperfeição”.

Se você se sente fraco, está tudo bem, porque:

•   “… e [Deus] escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes” (1 Coríntios 1:27).

•   “Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor” (Isaías 40:29).

•   “Minha força brota da sua fraqueza” (2 Coríntios 12:9, A Mensagem).

•   Dos heróis do Antigo Testamento nós lemos: “Eles foram fracos, e ainda assim foram feitos fortes. Eles foram poderosos em batalha e derrotaram outros exércitos” (Hebreus 11:34, New Century Version).

Reconhecer sua fraqueza e confiar totalmente na força de Deus demanda muita segurança pessoal. É o tipo de fé como a de uma criança que é expressa nas palavras de uma canção que muitos de nós aprendemos na infância: Os pequeninos a Ele pertencem; eles são fracos, mas Ele é forte. Nós temos que nos tornar confortáveis com a nossa incapacidade e com a capacidade Dele. Eu oro para que você fique confortável na sua fraqueza e confiante na força do Senhor!

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

CULTIVAR BONS RELACIONAMENTOS

Todas as relações, em qualquer âmbito, são importantes durante nossa vida. A maneira como vivemos esses relacionamentos diz muito sobre nossos valores e personalidade

Estudos feitos pela Universidade de Wisconsin-Madison relatam que pessoas solitárias vivem mal, são mais estressadas, dormem menos e têm mais tendência ao suicídio do que as que possuem bons relacionamentos.

Indivíduos que estão inseridos em grupos mais coesos têm mais chances de superar obstáculos, sejam eles quais forem, de forma menos custosa que os outros. A solidariedade e a convivência nos ajudam a sobreviver, por exemplo, se estivermos perdidos na selva, ou em uma situação de apuro, além de nos darem a sensação de proteção e acolhimento.

Diante desse cenário, como podemos melhorar as interações com os indivíduos que nos cercam? A Psicologia Positiva pode trazer grande ajuda nessa tarefa.

Segundo Brian Boutwell, doutor e professor pela Universidade de Saint Louis, nosso cérebro está programado para nos tirar de situações conflituosas o mais rápido possível. Sendo assim, aa lembranças positivas permanecem em nossa memória por mais tempo, contrariamente às lembranças negativas. Esse tipo de acontecimento está relacionado aum fenômeno cognitivo chamado de FAB (Fading Affect Bias), que pode ser traduzido como algo semelhante a “viés emocional do enfraquecimento”.

Manter-se positivo durante um longo relacionamento, seja ele amoroso ou profissional, não é tarefa fácil, mas podemos tomar algumas atitudes para manter o equilíbrio.

DESENVOLVA A RESILIÊNCIA EM SEUS RELACIONAMENTOS – Não deixe que qualquer problema termine com seu relacionamento. Continue investindo nele, desde que a relação esteja saudável. Não devemos concordar com tudo que nos é dito ou aceitar todas as situações vivenciadas. Apenas precisamos saber a hora certa de recuar.

LEMBRE-SE DOS SEUS BONS MOMENTOS – Quando alguém o magoar, procure ater-se aos bons momentos vividos. Certamente eles serão maiores e mais marcantes que os maus momentos.

LISTE COISAS POSITIVAS A RESPEITO DO OUTRO – O British Journal of Healt Psychology analisou cerca de 70 participantes, entre 19 e 77 anos, e constatou que escrever coisas positivas diminui o estresse e a ansiedade. Vale lembrar que essa atitude também faz com que você reveja seus conceitos em um momento de raiva.

CUIDE DOS RELACIONAMENTOS NO AMBIENTE DE TRABALHO – Passamos a maior parte do nosso dia em um escritório, então os relacionamentos positivos se tornam uma necessidade a fim de evitar situações tempestuosas. As conexões positivas geram engajamento e resiliência entre os pares. Alguns comportamentos podem ajudar a aprimorar a capacidade de comunicação, tais como:

1) RESPEITE OPINIÕES DIFERENTES DA SUA – Nem todo mundo pensa igual. Seja humilde e entenda a posição do outro. Sua ideia pode não ser a melhor naquele momento, então respeite a decisão dos demais.

2) OUÇA MAIS – Cada um possui princípios e valores distintos, por isso escute o que seus pares têm a dizer e saiba como lidar com diversos perfis de maneira estratégica.

3) FUJA DAS INTRIGAS – Não dê ouvido às intrigas. Não dê ouvido às conversas de corredor. Falar mal de alguém pode parecer interessante em um primeiro momento, mas saiba que o próximo afetado pode ser você. Sempre que tiver que dizer algo, chame a pessoa envolvida e converse amigavelmente.

4) RESPEITE O ESPAÇO DOS OUTROS – Respeite e será respeitado, essa máxima deve ser levada em consideração. Não confunda vida pessoal com profissional e tenha em mente até onde suas palavras podem afetar o outro. Preserve a individualidade de cada um para ter um ambiente de trabalho saudável

5) RECONHEÇA SUAS LIMITAÇÕES – Nunca se comprometa a fazer o que não sabe ou não pode. Procure trabalhar com seus pontos e evite a sobrecarga; para tal, aprenda a delegar quando possível.

Esses comportamentos positivos podem ser habituados não apenas na vida adulta. Eles podem ser construídos desde a infância. A Universidade do Texas, em Austin, relatou que boas notas e engajamento estão totalmente atreladas ao vínculo de afeto que o aluno possui com o professor da disciplina. Por essa razão, bons vínculos ajudam na criação de valores e admiração, além disso a época escolar é a fase em que a criança desenvolve seu mindset positivo, ou seja, aprende a lidar com fracassos, forma sua identidade e confia em suas capacidades.

Para isso, reconhecer os valores e forças de cada criança é importantíssimo tanto para o professor quanto paro o aluno. Para tanto, alguns pontos podem ser trabalhados desde cedo. As crianças precisam ter consciência de suas forças e virtudes para entender como são importantes em sua vida. Compreender suas limitações e reconhecer seus pontos fortes e fracos as ajudam a identificar até onde podem chegar. Com o tempo a criança entende que essa forma de se comunicar gera respeito nos demais. Dizer palavras encorajadoras a torna mais confiante e engajada, trazendo senso de coletividade e elevando a autoestima. É de extrema importância que os responsáveis e educadores entendam que relacionamentos positivos contribuem para a cognição social. E mais tarde as crianças tendem a possuir relacionamentos mais saudáveis e duradouros.

Antes de tomar qualquer atitude, lembre-se de que os relacionamentos têm impacto direto em nossa saúde física e emocional. Por essa razão, a comunicação positiva é fundamental e as emoções positivas estão intrinsecamente ligadas ao amor e a felicidade!

FLORA VICTORIA – é presidente da SBCoaching Trainng, mestre em Psicologia Positiva pela Universidade da Pensilvânia e considerada a maior especialista do país em Psicologia Positiva aplicada ao coaching. Pioneira na condução de projetos de pesquisa e comprovação científica do coaching e autora de obras acadêmicas de referência. Flora foi nomeada como a embaixadora oficial da Felicidade no Brasil por Martin Seligman, pai da Psicologia Positiva e é fundadora da SBCoaching Social, a empresa social dedicada à promoção do florescimento humano no Brasil.

OUTROS OLHARES

O AVESSO DA TECNOLOGIA

Uma maneira de diminuir o consumo de eletricidade necessário para manter os servidores em funcionamento seria limitar o número de imagens transmitidas na rede

Recentemente, li uma entrevista de Tim Berners-Lee, criador da internet e considerado um dos maiores gênios da computação do século XX, na qual ele declarou que a internet precisa ser reformada. Berners-Lee ressalta que um dos problemas é o excesso de informação que, atualmente, impede as pessoas de se comunicarem. Todos falam, mas ninguém ouve. Descartamos, sem ler, uma grande quantidade de informação que nos chega pelo WhatsApp e pelas redes sociais, sem nos darmos sequer ao trabalho de lermos suas primeiras linhas.  Como resultado, muitas vezes as pessoas se comportam, nas conversas, como se fossem surdas e perguntam pela mesma informação em vários momentos, apesar de a termos repetido várias vezes. O excesso de informação compromete a atenção e cria uma barreira que, muitas vezes, impede as pessoas de selecionarem as informações mais importantes, que são descartadas, de forma despercebida em meio a um fluxo incessante. Mas será esse o único problema a ser enfrentado por uma reforma da internet?

Um de seus pontos mais vulneráveis é a perda do controle sobre informações privadas que são apropriadas por grandes empresas a partir dos rastros digitais involuntariamente deixados pelos internautas. A simples visita a sites, a escolha de filmes ou músicas nos serviços de streaming e as compras feitas online são reveladoras do perfil de qualquer usuário da internet. Como alternativa, Berners-Lee está desenvolvendo o SOLID, um dispositivo que armazenará essas informações e garantirá que elas se mantenham sob o controle de quem as produz.

O derramamento de informações pessoais como resultado do ataque de hackers seria um grande desastre ecológico. Ele causaria uma enorme desorganização social que não se limita ria apenas ao hackeamento de contas bancárias, mas também de dados institucionais e governamentais que passariam a circular livremente. Seria a guerra de todos contra todos e as sociedades humanas dificilmente se recomporiam de um desastre dessas proporções. Os gigantes das redes sociais e do armazenamento de dados como o Facebook e o Instagram e outras empresas bilionárias passariam por uma crise de confiança irreversível que derrubaria, dramaticamente, seu valor nas Bolsas de Valores, arrastando muitas outras e criando um caos econômico. O problema não é apenas de segurança nacional, mas de segurança financeira internacional. Uma amostra do que pode ocorrer foi o episódio das fake news na última eleição presidencial nos Estados Unidos.

Essas empresas enfrentam uma série de problemas que, até agora, têm sido habilmente mantidos ocultos nos seus bastidores. Um deles é a crescente necessidade energética criada pela expansão da internet. Poucos de nós sabemos que a necessidade de recarregar as baterias de um único smartphone consome, anualmente, o equivalente em eletricidade para manter duas grandes geladeiras domésticas permanentemente ligadas. Manter os servidores da Google ligados e resfriados consome o equivalente à iluminação de uma cidade como Los Angeles. Recentemente, esses servidores foram acomodados no fundo do oceano, como uma tentativa de diminuir os custos de refrigeração e aumentar sua segurança.

A chegada da loT ou internet das coisas vai exigir uma nova expansão da internet e mais gastos com eletricidade, que levará a um aumento da emissão de dióxido de carbono na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global e o descontrole do clima. Atualmente a emissão de dióxido de carbono que resulta do uso e manutenção dos dispositivos digitais equivale à emissão produzida pela aviação comercial no mundo inteiro.

Uma maneira de diminuir o consumo de eletricidade necessário para manter os servidores em funcionamento seria limitar o número de imagens transmitidas na rede. Mas ninguém está disposto a estabelecer esse tipo de restrição, sobretudo depois que se descobriu o papel fundamental das imagens na propaganda. As imagens também induzem o fanatismo político e religioso com mais facilidade. O resultado de uma web cada vez mais imagética é a enxurrada de poluição mental, a nova invenção do século XXI. Mas, haverá como reverter essa situação?

O primeiro passo consiste em percebermos que não dependemos inteiramente dessas tecnologias. Elas são importantes, mas talvez não sejam prioritárias para a organização das sociedades. Em outras palavras, a vida é possível sem elas. Da mesma forma que já ocorreu na indústria alimentar, é possível traçar caminhos alternativos. Nas últimas décadas, muitas pessoas se inclinaram a rejeitar a comida industrializada e optaram pela volta dos alimentos orgânicos. É possível que o mesmo ocorra com as tecnologias digitais e, novas formas de organização das sociedades e das comunicações, menos totalizantes, comecem, pouco a pouco, a substituir o império da digitalização.

Muitas pessoas estão, voluntariamente, abandonando as redes sociais e procurando novas formas de agrupamento e de convivência. Isso inclui a retomada da leitura, do silêncio e da solidão, atualmente abandonados pela necessidade de responder a estímulos digitais incessantes.

Da mesma forma que é possível balancear a alimentação orgânica com a industrializada, poderemos, nos próximos anos, buscar uma relação com as tecnologias digitais que não nos torne mais refém delas. Precisamos voltar a ditar o ritmo de nossas vidas.

JOÃO DE FERNANDES TEIXEIRA – é paulistano, formado em filosofia na USP. Viveu e estudou na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos. Escreveu mais de uma dezena de livros sobre filosofia da mente e tecnologia. Lecionou na UNESP, na UFSCAR e na PUC- SP.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: A GLÓRIA

CAPÍTULO 18 – AS QUESTÕES DE EGO E ORGULHO

“A soberba do homem o abaterá, mas o humilde de espírito obterá honra.” — Provérbios 29:23

Pensamento-chave: Líderes espirituais precisam estar alerta e guardar a si mesmos contra a intoxicante e devastadora influência do orgulho, especialmente quando eles experimentam o “sucesso.

O orgulho é insidioso. Ele engana aquele que está infectado, levando-o a pensar “mais” de si mesmo e “menos” de Deus.

•   Orgulho foi o fator principal para a queda de Lúcifer. Ezequiel 28:17 diz “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura”. O resultado desse orgulho?  “… Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono”’ (Isaías 14:13).

•   O apóstolo Paulo ensinou que um novato não deveria ser designado como um bispo: “… que se ensoberbeça e incorra na mesma condenação do diabo” (1 Timóteo 3:6).

•   Antes de o rei Saul tornar-se orgulhoso, arrogante e desobediente, Samuel referiu-se a um momento anterior dizendo: “Quando você era pequeno a sua própria vista, não fostes feito o cabeça das tribos de Israel, e o SENHOR te ungiu como rei sobre Israel?” (1 Samuel 15:17, AMP).

•   O Rei Uzias caiu em orgulho depois que Deus lhe deu sucesso. “… E fez o que era reto perante o SENHOR… nos dias em que buscou ao SENHOR, Deus o fez prosperar. Divulgou-se a sua fama até muito longe, porque foi maravilhosamente ajudado, até que se tornou forte. Mas, havendo-se já fortificado, exaltou-se o seu coração para a sua própria ruína” (2 Crônicas 26:4-5, 15-16).

•   Provérbios 16:18 diz: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda”.

•   Tiago 4:6 e 1 Pedro 5:5 dizem: “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”.

Outros têm observado a conexão entre poder, sucesso e orgulho. Em 1887, Lord Acton escreveu: “O poder tende a corromper, o poder absoluto corrompe absolutamente”. Antes disso, Abraham Lincoln disse: “Quase todos os homens podem suportar a adversidade, mas se você quer testar o caráter de um homem, dê a ele poder”. O premiado autor britânico e professor da Bíblia, Donald Gee, disse: “Qualquer explosão de popularidade e sucesso pede por uma personalidade disciplinada para sustentá-la imaculada. Isso pode facilmente significar ruína espiritual. É necessária uma mão firme para segurar um copo cheio”.

O ministério de Gordon Lindsay permitiu-lhe testemunhar a ascensão e a queda de muitos ministros proeminentes durante os reavivamentos pentecostais e de cura nos Estados Unidos. Ele observou: “Alguns moveres espirituais têm sido abençoados por Deus, e então repentinamente desaparecem por causa do comportamento presunçoso e errático de certos líderes. Um mover assim ocorreu há alguns anos nos Estados Unidos. No início, nós nos regozijamos com esse derramamento do Espírito. Mas rapidamente vimos algo se desenvolver que nos deixou alarmados. Alguns líderes estavam alegando que eles eram a ‘Casa de Poder’ e todas as outras igrejas estavam ‘secas’. Eles diziam que o povo deveria vir até eles para serem recarregados. Quando nós vimos tais pretensões ousadas, percebemos que a utilidade de tais líderes não duraria muito”.

Em outro momento, o irmão Lindsay escreveu: “Certos homens de Deus, ao serem usados poderosamente pelo Senhor, não foram capazes de permanecer na prosperidade, mas se tornaram erráticos e inconsistentes em suas condutas, e no final saíram de um cenário sob a sombra, e até mesmo em desgraça. O ego humano, não contido, somente pode levar a um triste fim – vergonha e humilhação. Este é o mundo de Deus, e Ele não irá dividir a Sua glória com uma ambição carnal. A segurança espiritual só pode ser encontrada na humildade”.

Robert Foster disse: “Quando nós fazemos mais do que nada, fazemos Deus menos do que tudo”. Da mesma forma, Andrew Murray declarou: “Enquanto formos alguma coisa, Deus não pode ser tudo”.

COMO O ORGULHO É REVELADO NA LIDERANÇA ESPIRITUAL?

1. TOMANDO OS CRÉDITOS PELA GRAÇA DE DEUS

Bernard de Clairvaux disse: “O orgulho nos leva a usar nossos dons como se eles viessem de nós mesmos, e não benefícios recebidos de Deus. Agir dessa maneira é usurpar a glória do nosso benfeitor”.

O Senhor Jesus Cristo viveu e ministrou na total dependência do Pai. Ele disse:

•   “Eu não posso fazer nada por minha própria conta… não procuro fazer a minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (João 5:30, NTLH).

•   “O que eu digo a vocês não digo em meu próprio nome; o Pai, que está em mim, é quem faz o seu trabalho” (Joao 14:10, NTLH).

Se Jesus, em humildade, foi completamente dependente do Pai para tudo o que foi feito por intermédio do Seu ministério, o que nos faria pensar que nós podemos realizar qualquer coisa estando separados Dele? Paulo fez um importante questionamento aos crentes em Corinto: “O que tendes que Deus não tenha vos dado? E se tudo que tendes vem de Deus, porque vos vangloriais como se não fosse um dom?” (1 Coríntios 4:7, NTLH).

Na sua segunda epístola à mesma igreja, Paulo compartilhou sua perspectiva sobre o seu próprio ministério: “Em nós não há nada que nos permita afirmar que somos capazes de fazer esse trabalho, pois a nossa capacidade vem de Deus. É ele quem nos torna capazes de servir à nova aliança, que tem como base não a lei escrita, mas o Espírito de Deus. A lei escrita mata, mas o Espírito de Deus dá a vida” (2 Coríntios 3:5-6, NTLH). Charles Spurgeon sabiamente disse: “Não fique orgulhoso da sua carreira, aspecto, posição ou graça”. Sempre lembre que os dons que Deus deu a você são para a glória Dele e para o propósito de abençoar outros.

•   Se Deus lhe deu o dom do ensino, é para que outros possam aprender.

•   Se Deus lhe deu o dom do pastoreio, é para que outros possam ser cuidados.

•   Se Deus lhe deu o dom do evangelismo, é para que o perdido possa ser salvo.

Nunca tome a glória para si mesmo independente do que Deus tem lhe dado ou da maneira como Ele usa você! Ministros humildes não apenas reconhecem a necessidade absoluta da habilidade de Deus operando em suas vidas, mas também reconhecem as valiosas contribuições de outras pessoas que trabalham com eles e para eles. Eles são rápidos em dar os créditos a outros e mostrar gratidão pelo serviço de outros.

2. AMBIÇÃO CARNAL

Muito do que dissemos anteriormente implica em mostrar que o orgulho é mais provável a partir do momento que uma pessoa experimenta grande sucesso, mas existe também uma forma de orgulho que pode preceder qualquer tipo de conquista. Antes de seus ministérios serem lançados, o orgulho fez com que os discípulos discutissem entre eles sobre qual deles seria o maior. Jesus teve de destruir argumentos orgulhosos entre eles, enquanto eles brigavam por posição e se esforçavam para alcançarem proeminência.

Então, Jesus os reuniu para consertar a situação. Ele disse: “Vocês já devem ter notado como o poder sobe à cabeça dos governantes deste mundo que logo se tornam tiranos. Vocês não devem agir assim. Quem quiser ser o maior deve se tornar servo. Quem quiser ser o primeiro deve se tornar escravo. É o que o Filho do Homem faz: Ele veio para servir, não para ser servido — e para dar a própria vida para salvar muita gente”. — Mateus 20:25-28 (A Mensagem)

Jesus deixou claro que o Seu Reino não era alicerçado na política de “cobra engolindo cobra” ou no sistema mundano de subir na vida à base do “custe o que custar”. No Reino de Deus é responsabilidade Dele chamar, designar e promover; e a responsabilidade do homem é servir.

Oswald Sanders disse: “A palavra ‘ambição’ vem de uma palavra latina que significa ‘campanha para a promoção’. A frase sugere uma variedade de elementos: visibilidade social e aprovação, popularidade, reconhecimento dos colegas, o exercício da autoridade sobre outros. Pessoas ambiciosas, neste sentido, desfrutam o poder que vem com dinheiro e autoridade. Jesus não tinha tempo para tais ambições dirigidas pelo ego. O verdadeiro líder espiritual nunca realizará uma ‘campanha por promoção’”.

O QUE PARECERIA AMBIÇÃO CARNAL NA VIDA DE UM LÍDER ESPIRITUAL?

•   Desejar ser percebido.

•   Tenta se fazer importante.

•   Competir contra, em vez de cooperar com outros.

•   Exaltação própria.

•   Tentar parecer bem, mesmo que isso signifique fazer com que outros pareçam mal.

•   Envolver-se em jogos de poder.

•   Buscar posições visando o poder, não oportunidades para servir.

O apóstolo João falou sobre um líder da igreja chamado Diótrefes: “… que gosta de exercer a primazia” (3 João 9). Paulo falou de outro grupo que estava ocupado fazendo “politicagem” contra ele tentando difamá-lo e miná-lo. “Os que fazem tanto esforço para agradá-los, não agem bem, mas querem isolá-los [de nós] a fim de que vocês também mostrem zelo por eles” (Gálatas 4:17, NVI).

Jesus descreveu a atitude que Ele queria que os Seus líderes-servos tivessem.

Quando alguém convidá-lo para uma festa de casamento, não sente no melhor lugar. Porque pode ser que alguém mais importante tenha sido convidado. Então quem convidou você e o outro poderá dizer a você: “Dê esse lugar para este aqui.” Aí você ficará envergonhado e terá de sentar-se no último lugar. Pelo contrário, quando você for convidado, sente-se no último lugar. Assim quem o convidou vai dizer a você: “Meu amigo, venha sentar-se aqui num lugar melhor.” E isso será uma grande honra para você diante de todos os convidados. Porque quem se engrandece será humilhado, mas quem se humilha será engrandecido. — Lucas 14:8-11 (NTLH)

3. EGOCENTRISMO

A trindade falsificada é eu, eu mesmo, e eu. — Edwin Louis Cole

Anos atrás, um pastor falou-me: “O Senhor me mostrou que qualquer um que começar uma igreja a 80 quilômetros da minha está fora da vontade de Deus”. Eu fiquei impactado com o fato de que alguém pudesse ter uma mentalidade tão exclusivista e territorial, mas percebi que o orgulho criara uma mentalidade distorcida.

Você já conheceu pessoas que eram tão autocentradas, que em conversas e em pregações tudo está relacionado a elas em vez de a Deus ou ao Seu povo? Se você conta algo que aconteceu com você, elas rapidamente interrompem com: “Isso me lembra da vez que eu…”. Alguém disse: “A presunção é a única doença conhecida pelo homem que deixa todos doentes, exceto aquele que a possui”.

Quais são os outros traços de egocentrismo?

•   Pensar que o plano eterno de Deus gira em torno de mim.

•   Agir como se a nossa obra fosse a única que Deus estabeleceu na cidade.

•   Acreditar que o que Deus faz por meio dos outros é menos significante do que o que Ele faz por meu intermédio.

•   Ser obcecado com a própria imagem.

Deus nos chamou para abençoar, não para impressionar. Nossos ministérios deveriam ser uma expressão da bondade do Senhor, não uma extensão dos nossos egos.

4. UMA ATITUDE DE SUPERIORIDADE

Se líderes desenvolvem um complexo de superioridade, eles começam a sentir que estão acima da crítica e da repreensão. Eles são rápidos em se esconder por trás da defesa que diz: “Não toque em um ungido do Senhor” em vez de humildemente encararem o que poderia ser uma crítica justificável.

Por meio de uma conduta inapropriada, alguns líderes podem na verdade estar promovendo e abastecendo as queixas que, pela própria autoridade, eles estão tentando erradicar. Certos líderes sentem que nunca devem ser questionados: “Não questione nada do que eu digo ou faço. O que eu digo e faço está certo porque eu sou um homem de Deus!” Tal sentimento presunçoso de infalibilidade é um indicador certo de que o orgulho trouxe grande cegueira.

Líderes que julgam a si mesmos superiores podem requerer um reinado absoluto e exclusivo sobre o rebanho: “Não escutem a ninguém exceto a mim!” Eles podem usar a frase: “O Senhor me disse…” para explicar suas decisões e, em casos extremos, justificar uma conduta ilegal, imoral ou antiética.

OUTROS INDICADORES DE UMA ATITUDE DE SUPERIORIDADE SÃO:

•   Um sentimento de infalibilidade (“Eu nunca estou errado; eu sempre estou certo.”).

•   “Minhas preferências são as diretrizes de Deus.”

•   “Eu tenho uma unção maior, uma revelação maior.”

•   O sucesso do outro é minimizado porque eles estão obviamente comprometidos (ou estão invalidados por alguma conduta).

•   “Somos mais profundos do que qualquer outro.”

•   Uma atitude de ter direito (“Eu mereço qualquer coisa que eu queira, por causa de quem eu sou.”).

•   Desinteresse de prestar contas ou receber correção.

Líderes espirituais precisam evitar ser rodeados de “babões” que alimentarão seu ego e oferecerão elogios incansáveis. Eu sei de um líder que considerava todos os que diziam algo positivo sobre ele como pessoas enviadas por Deus. Da mesma maneira, qualquer outro que dissesse algo que parecesse um pouco negativo era alguém enviado pelo diabo.

Norman Vincent Peale disse: “O problema com a maioria de nós é que preferimos ser arruinados com um elogio a sermos salvos pela crítica”. Sabedoria semelhante foi expressa muito tempo antes em Provérbios 27:6: “Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos”.

5. A AUSÊNCIA DE UM CORAÇÃO DE SERVO

Jesus esclareceu que em Seu ministério Ele não tinha vindo para ser servido, mas para servir (Mateus 20:28). Se nos esquecermos disso e começarmos a agir como se outros estivessem aqui para nos servir, então faremos mais por nós mesmos do que Jesus fez por Si.

Não façam nada por interesse pessoal ou por desejos tolos de receber elogios; mas sejam humildes e considerem os outros superiores a vocês mesmos. Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros. Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha: Ele tinha a natureza de Deus, mas não tentou ficar igual a Deus. Pelo contrário, ele abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando-se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano, ele foi humilde e obedeceu a Deus até a morte–morte de cruz.  — Filipenses 2:3-8 (NTLH)

Aqueles de nós que forem mais fortes e capazes na fé têm o dever de ajudar os que são vacilantes, não devem fazer apenas o que for conveniente. Se temos força é para servir, não para ganhar prestígio.  — Romanos 15:1 (A Mensagem)

Os servos de Deus devem se guardar de ter uma mentalidade de “celebridade”. Deus quer que eles se conduzam como servos, não como celebridades.

6. DESPREZO PELOS OUTROS

Líderes espirituais deveriam ser corteses, educados, respeitosos e valorizadores em relação aos outros. Eles não deveriam fazer “acepção de pessoas”, tratando pessoas de alta posição com respeito, enquanto tratam outros de forma condescendente. Romanos 12:16 (A Mensagem) diz: “Ajudem-se uns aos outros. Não sejam arrogantes. Façam amigos entre as pessoas mais simples; não se julguem importantes”. A versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje, altera a parte do meio desse versículo, dizendo: Não sejam orgulhosos, mas aceitem serviços humildes. Que nenhum de vocês fique pensando que é sábio!”.

Se você quer saber algo a respeito do caráter de uma pessoa veja como ela trata pessoas que julga estarem em uma “posição inferior”. Elas podem ser muito respeitosas com o chefe ou com alguém de um alto status, mas como elas tratam o zelador, uma garçonete, uma balconista ou uma secretária? Simplesmente não existe lugar para grosseria ou altivez na vida de um líder espiritual.

Se um líder se percebe como um ser superior a outros, então é provável que ele maltrate e desrespeite outros. Ele os enxergará meramente como um meio para cumprir seus próprios objetivos. Em suma, as pessoas acabarão sendo usadas. Líderes espirituais precisam delimitar uma linha distinta entre motivar pessoas e manipular pessoas. Motivações saudáveis não tomam lugar por meio da culpa, medo ou intimidação.

Líderes espirituais encorajam outros a servirem de maneiras saudáveis, com os limites apropriados. Eles não querem que as pessoas sirvam a custo de suas famílias ou sua saúde. “Doa o que doer” é o lema de alguns líderes, e “dor” é exatamente o que seus ministérios produzem. No rastro desses ministérios você encontrará muitas pessoas doentes e feridas.

7. GRANDIOSIDADE

O orgulho também virá à tona em um tipo de grandiosidade que produz uma mentalidade de superioridade em uma liderança. Tudo é exagerado. Números são esticados para fazer o líder parecer bem. Histórias são embelezadas. E uma lista de nomes é feita regularmente em uma tentativa de estabelecer uma reputação brilhante e impulsionar o ego de alguém.

Quando a grandiosidade está presente, a verdade é secundária em relação à projeção de imagem e manutenção da imagem. Profissionais de vários campos têm sido conhecidos por “doutorizar” seus currículos, em uma tentativa de melhorar suas imagens. Alguns pregadores têm personalizado ilustrações genéricas enquanto estão pregando, apresentando a história como se fosse sua própria história. Tal enganação é uma violação da integridade pessoal, e quando descoberta, danifica a credibilidade de um líder.

UMA PALAVRA DE CAUTELA

Certamente existe uma maneira de exercitar a autoridade de boa-fé em uma legítima liderança espiritual. Há momentos em que os líderes precisam tomar uma posição forte e lidar com firmeza em certas situações; isso não significa ser um ditador ou um tirano.

Um líder piedoso não é um capacho para ser pisoteado por “santos” descontentes ou uma panela para ser batida por fiéis indisciplinados. Uma liderança espiritual não é encontrada na falta de autoridade, mas no uso correto da autoridade. Até mesmo quando Paulo estava lidando com conflitos, ele disse aos crentes: “Eu quero usar a autoridade que o Senhor me deu para fortalecê-los, não para derrubá-los” (2 Coríntios 13:10, NTLH).

Esse deveria ser o clamor de cada pessoa em posição de liderança espiritual. Lideramos para beneficiar àqueles a quem temos o privilégio de servir. Nossa liderança deveria ser edificar, beneficiar e abençoar outros. O orgulho é um assassino de ministério, e é totalmente oposto à natureza de Deus e ao Seu plano para as nossas vidas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AUTISMO COMO TRANSTORNO DE PREDIÇÃO

Uma nova teoria concebe o autismo como relacionado à dificuldade de prever corretamente a sequência de acontecimentos

Pensamos normalmente na magia de forma poética, imaginando que seria algo desejável viver em um mundo com encantamento. No entanto, para as pessoas com características do espectro autista, a magia pode extrapolar a capacidade de lidar com as situações do cotidiano e se transformar em um pesadelo. Uma nova teoria coloca a magia como um aspecto central da cognição do transtorno autista, apontando o papel da previsibilidade na vida mental das pessoas com essa condição.

Segundo essa teoria, alguns aspectos salientes do fenótipo do autismo podem ser manifestações de um comprometimento nas habilidades de previsão, que leva indivíduos com autismo a enxergar o mundo como um lugar aparentemente mágico, tornando a leitura da realidade esmagadoramente complexa e comprometendo a capacidade de interação.

Um mundo em que os eventos ocorrem inesperadamente e sem casualidade identificável se torna assustador e imprevisível. Com essas condições temos o componente essencial de um fenômeno mágico: a falta de uma causa discernível. Um evento que não podemos prever acontece aparentemente de forma aleatória, como se ocorresse por magia. Se as nossas habilidades preditivas foram de alguma forma prejudicadas, então até ocorrências banais e cotidianas no ambiente podem parecer mágicas. Um mundo mágico envolve falta de controle e implica em perda da capacidade de realizar ações preparatórias

O autismo envolve dificuldades de comunicação social e comportamentos repetitivos que podem estar associados a uma diminuição da capacidade de discernir relações preditivas entre entidades ambientais.

Além disso, a insistência na mesmice é uma característica do autismo, exibida por mais de um terço de todos os indivíduos no espectro autista. Esses pensamentos e ações repetitivos podem incluir rigidez comportamental, apego exagerado as rotinas, resistência à mudanças e adesão obsessiva aos rituais.

Podemos imaginar um link entre as deficiências preditivas e insistência em rituais. A imprevisibilidade do ambiente está firmemente associada com a ansiedade. A previsibilidade é fundamental e uma redução na capacidade de prever eventos, mesmo sem qualquer consequência negativa aumenta a ansiedade.

Estudos com humanos e animais revelam que o ritualismo envolve comportamentos que emergem sob condições de imprevisibilidade como uma resposta calmante a um estressor imposto externamente. Isso sugere que rituais e uma insistência na mesmice podem ser uma consequência e uma forma de reduzir a ansiedade decorrente da imprevisibilidade. Permanecer em um script é o único meio de manter a ansiedade no mínimo, na verdade uma maneira de se adaptar a um ambiente caótico.

O stimming, ou comportamentos auto estimulantes se torna mais saliente em situações estressante sugerindo que esse padrão pode ser uma resposta a um mundo caótico, como uma tentativa de abafar o fluxo de informações ambientais imprevisíveis por estimulação autogerada mais previsível.

Outro aspecto do autismo, já verificado em vários estudos anteriores é sua dificuldade com a “teoria da mente”, a capacidade de imaginar outras mentes que não a sua própria. Uma teoria da mente é inerentemente uma tarefa de previsão. Requer a capacidade de atribuir coisas invisíveis a observações sobre uma pessoa, conectando o histórico passado com o comportamento atual, de forma a deduzir por que uma pessoa agiu de determinada maneira, ou mesmo antecipando como uma pessoa está propensa a agir.

O prejuízo na previsão tornaria um observador com dificuldade preditiva incapaz de situar observações atuais sobre um indivíduo no contexto de seus antecedentes ou estudos futuros prováveis. O observador vai inevitavelmente interpretar as situações humanas como sendo literais e acontecendo no momento, sem influência da história passada e sem conexão com eventos futuros.

Um indivíduo autista, não tendo a sua capacidade preditiva, fica limitado a interpretar se comportamentos das pessoas sem qualquer histórico motivador, o que torna o mundo das relações humanas misterioso e enigmático, sendo potencialmente aversivo.

Finalmente, autistas têm uma apreciação reduzida de senso de humor. Um componente central do humor é a violação da expectativa, ou seja, achamos engraçado quando uma sequência previsível é quebrada com um imprevisto. Podemos exemplificar com a anedota do sádico e a masoquista. A masoquista suplica ao sádico “me bate” e a resposta do sádico é “não”! Existe uma previsão de como uma determinada sequência se desdobra, e ocorre um desvio dessa previsão, o que geralmente implica um resultado humorístico. Com dificuldades ao fazer uma previsão, um indivíduo autista não consegue detectar a quebra de previsibilidade e não acha graça. Portanto, a capacidade para perceber o humor em narrativas ou observações é diminuída no autismo.

Essa noção de dificuldades na previsibilidade como elemento essencial nos fenótipos autistas pode levar a melhoramentos no diagnóstico e mesmo nos tratamentos dessa difícil condição.

MARCO CALLEGARO – Épsicólogo, mestre em Neurociências e Comportamento, diretor do Instituto Catarinense de Terapia Cognitiva (CTC), e do Instituto Paranaense de Terapia Cognitiva (IPTC). Autor do livro premiado O Novo Inconsciente: Como a Terapia Cognitiva e as Neurociências Revolucionaram o Modelo do Processamento Mental (Artmed, 2011)

OUTROS OLHARES

BANQUETE SUBAQUÁTICO

A cozinha norueguesa, que anda em alta, ganhou uni atrativo extra com a inauguração, em março, do Under, o primeiro restaurante europeu que funciona debaixo d’água. Fica em Lindesnes, no Atlântico, perto da ponta sul do recortado país nórdico, a 300 quilômetros da capital, Oslo. O salão de refeições, com capacidade para 40 comensais, está a 5,5 metros de profundidade, de onde se pode observar a vida marinha através de grandes janelas de vidro reforçado. A estrutura de concreto, metade acima da linha d’água, a outra metade submersa, lembra uma instalação – o projeto é do escritório Snohetta, que assina a Oslo Opera House. O novo restaurante, que também serve como espaço de pesquisa e faz transmissões ao vivo de sua visão privilegiada do mar, serve um menu de 18 pratos a partir de USS 370, sem vinho. Caro? Todos os lugares estão lotados

GESTÃO E CARREIRA

POR QUE PENSAR EM GESTÃO DE DESENVOLVIMENTO DE PESSOAS?

A sua empresa pensa em gestão de desenvolvimento de pessoas com o objetivo de extrair o que cada líder tem de melhor e, assim, aumentar a produtividade e faturamento? Aumento de resultados, seja em produtividade, seja faturamento, só pode vir se fizermos coisas diferentes. Fazer o que sempre fizemos não nos levará mais longe.

Fazer diferente tem uma relação direta com o estímulo que a liderança dá para as pessoas utilizarem mais de suas capacidades. Recentemente, uma empresa decidiu aumentar a participação das pessoas na solução de problemas, aumentando o grau de autonomia de cada colaborador na sua atividade. Muito legal, não é? Mas na hora H, as pessoas traziam ideias e não eram acolhidas pelos líderes, que pouco direcionavam para fazer diferente. Ao contrário, moldavam as pessoas para fazer o que sempre fizeram.

-Ah! Você ainda não começou a desenvolver sua liderança? Com certeza está perdendo resultados e produtividade. Há um motivo central para considerar a liderança o seu principal foco de desenvolvimento. Ela é o motor ou a trava para as coisas acontecerem. Ela é fonte de capacidades maiores para se trabalhar colaborativamente na construção de uma cultura de agilidade e melhor desempenho. Não há cultura empresarial melhor sem liderança mais flexível, inovadora e ativa.

Fundamental também é entender que o papel da liderança de mandar e determinar verticalmente para as coisas acontecerem não vale mais. Esta mudança de papel em que o líder deixa de saber tudo e passa a ser um facilitador de conhecimentos vindos das pessoas, dos times e de fora da organização precisa ser desenvolvida. Caso contrário, os líderes continuarão repetindo o que foram ensinados a fazer.

Declarar na alta administração, pelo CEO, pela diretoria, que seremos inovadores, que faremos transformação digital, que teremos uma cultura mais ágil não é suficiente para esses executivos saberem como fazer. Já sabem que têm que fazer, pois está no espírito do tempo e, certamente, se enroscam na hora de executar a política que declararam.

Certa vez, um CEO decidiu que iria entrar na transformação digital, contratou um executivo para este tema e pediu para enquadrar-se em um dress code mais formal. Difícil tarefa, pois a turma mais livre, espontânea e digital tem seu próprio “dress code”. Declarar a transformação digital e investir nela não despertou, no CEO, que deveria rever a forma de lidar com o novo ambiente.

O primeiro nível de liderança, que está mais próximo da operação, também sofre com as novas formas de gestão. Não é tão simples empoderar pessoas. Então dizem: “Você está empoderado, mas faz o que mandei e deixa eu ver tudo que você está fazendo”. Como as transformações são profundas, não se trata de escrever projetos e planos de ação. As transformações são orgânicas e as mudanças mais profundas moram nos detalhes. Por isso, ter uma consultoria profissional ajudando-o pode ser um bom caminho. Ela pode dar agilidade à transformação. Esclareço que agilidade não é chegar lá tão rápido. Uma mudança na cultura organizacional leva de três a sete anos com intervenção externa. E de cinco a doze anos sem intervenção especializada.

De qualquer forma, há empresas cuidando de dentro para fora da transformação cultural e, do ponto de vista interno, é importante explicar o que se deseja e mostrar que é possível ser feito. Assim, a mudança mais refinada depende de expertise e flexibilidade para ajustar os temas. Como a cultura e a empresa não existem sem pessoas, a gestão dessas pessoas é a chave quando se deseja mudar.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 17 – REFLEXOS DO ESCÂNDALO

“Aqueles que ensinam por meio da doutrina precisam ensinar por intermédio de suas vidas, senão eles derrubarão com uma das mãos o que construíram com a outra.” — Matthew Henry

Pensamento-chave: Líderes espirituais precisam entender que suas decisões e ações nunca são “privadas”, pois eles têm o potencial de trazer grande vergonha à causa de Cristo.

O que acontece quando um escândalo atinge a igreja? Qual é a consequência? Todos os crentes, e especialmente aqueles em posição de liderança espiritual e em responsabilidade na igreja, deveriam lembrar-se frequentemente do significado dos seus testemunhos.

O rei Davi criou um mundo de dores e problemas quando cometeu adultério com Bate-Seba (e então assassinou Urias em uma tentativa de encobrir o seu erro). Davi foi perdoado do seu pecado, mas ainda assim houve graves repercussões. O restante da vida de Davi foi marcado por “dores de cabeça” e tragédias, por conta disso o seu reinado foi marcado por um desastre após o outro.

Vamos observar três consequências do pecado de Davi:

1. NATÃ DISSE: “NÃO SE APARTARÁ A ESPADA JAMAIS DA TUA CASA”

(2 Samuel 12:10). Isso é preocupante! É importante entender que o perdão espiritual não erradica imediatamente todas as consequências das nossas ações. Se eu roubar um banco amanhã, eu creio que Deus me perdoará; contudo, os tribunais provavelmente não. Por conseguinte, eu envergonharia a minha família e destruiria a confiança que outros depositam em mim. Confiança é a moeda do ministério, e sem credibilidade nossa habilidade de influenciar a vida de outras pessoas é grandemente comprometida. Sim, Davi recebeu perdão, mas as ramificações das consequências do seu pecado foram experimentadas socialmente, nos relacionamentos e politicamente. Por causa do seu pecado, as consequências foram intensas, horríveis e em longo prazo.

2. DEUS NÃO OLHOU PARA DAVI COMO ALGUÉM QUE MERAMENTE CEDEU À TENTAÇÃO; AOS OLHOS DE DEUS O PECADO DE DAVI FOI MAIS PROFUNDO QUE ISSO.

Em referência ao ato de desobediência de Davi, Deus disse: “… porquanto me desprezaste…” (2 Samuel 12:10). Deus toma nossa obediência (e nossa desobediência) muito seriamente e muito pessoalmente. Jesus disse: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (João 14:15). Deus nunca fica impressionado com as nossas palavras se as nossas ações estiverem erradas. 1 João 2:4 declara: “Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade”. Antes de haver uma “Grande Comissão” havia um “Grande Mandamento”, que envolve amar o Senhor nosso Deus com todo o nosso coração, alma, mente e forças. Amor real a Deus produzirá obediência a Ele.

3. OUTRA SERÍSSIMA AFIRMAÇÃO É:

“Mas, posto que com isto deste motivo a que blasfemassem os inimigos do SENHOR…” (2 Samuel 12:14). Sabemos que o Evangelho é verdadeiro, mesmo que um ministro em particular o esteja vivendo ou não; contudo, a sociedade como um todo tende a julgar a mensagem pelo mensageiro. Quando Paulo falou daqueles que pregavam uma coisa e viviam outra (Romanos 2:21-24), ele encerrou as suas observações com: “… o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por vossa causa”.

Começando em Mateus 18:6, Jesus falou a respeito de ofensas, e apontou sérias consequências a quem ofender “um destes pequeninos”. As palavras traduzidas por “ofender” e “ofensa” (usadas seis vezes nesses poucos versículos), em grego são skandalizo e scandalon. Essas palavras dão origem à nossa palavra “escândalo” em português.

Comportamentos escandalosos por parte dos cristãos trazem ofensa e levam pessoas a tropeçarem. Isso desanima e confunde crentes novos na fé, alienam aqueles que podem estar considerando a ideia de se unirem ao Cristianismo, e oferece uma grande ocasião para o inimigo do Senhor blasfemá-lo.

O que eu estou escrevendo não intenta projetar condenação a qualquer um que falhou no passado. Somos chamados a sermos participantes da misericórdia e restauração (Gálatas 6:1; Tiago 5:19-20). Estou simplesmente resumindo o que foi um forte lembrete no tocante à seriedade do nosso chamado e do mandato que devemos abraçar relacionado à vida piedosa que devemos ter, caso vivamos para pregar o Evangelho efetivamente. Não é tempo de nos levantarmos em julgamentos contra outros; é tempo de examinarmos os nossos próprios corações no temor piedoso do Senhor.

Advertências contra o pecado existem desde o princípio. Quando Caim estava zangado e enciumado em relação a Abel, Deus disse: “Se tivesse feito o que é certo, você estaria sorrindo; mas você agiu mal, e por isso o pecado está na porta, à sua espera. Ele quer dominá-lo, mas você precisa vencê-lo” (Gênesis 4:7, NTLH).

Até mesmo Paulo, tão espiritualmente maduro como era, não confiava em sua carne. Ele disse: “Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado” (1 Coríntios 9:27). As palavras de Spurgeon também continuam ressoando até hoje: “Qualquer ‘chamado’ que um homem finja ter, se ele não foi chamado para a santidade, ele certamente não foi chamado para o ministério”.39

Alguém descreveu o enganador e destrutivo poder do pecado desta maneira: “O pecado levará você além de onde você pretende ir, o manterá mais longe do que você pretende ficar, e lhe custará mais do que você pretende pagar!”

DIZENDO “NÃO”, DIZENDO “SIM”

Creio que os nossos destinos são formados mais pelas escolhas que fazemos do que pelas circunstâncias que enfrentamos. Nosso caráter e o nosso futuro são moldados pelas vezes que dizemos “não”, e às vezes que dizemos “sim”.

•   Abraão disse “não” às riquezas de Sodoma, e “sim” para as promessas de Deus.

•   José disse “não” à esposa de Potifar, e “sim” ao serviço fiel.

•   Moisés disse “não” aos tesouros do Egito, e “sim” às designações celestiais.

•   Eliseu disse “não” à prata de Naamã, e “sim” à integridade altruísta.

•   Daniel disse “não” aos manjares do rei, e “sim” à consagração piedosa.

•   Neemias disse “não” às negociações comprometedoras, e “sim” à persistência inabalável.

•   Paulo disse “não” ao ser pesado para as igrejas, e “sim” ao amor sacrificial.

•   Jesus disse “não” ao conforto, e “sim” à cruz.Jesus Cristo esperava que nós tivéssemos um “sim” forte e um “não” claro. Ele e Tiago disseram: “… que o seu ‘sim’ seja ‘sim,’ e o seu ‘não’, ‘não’”. Se nos sentimos forçados ou tentados quando precisamos fazer a coisa certa, é importante que voltemos para os nossos valores fundamentais e nos lembremos de quem Deus nos chamou para ser. Roy Disney disse: “Não é difícil tomar decisões quando você sabe quais são os seus valores

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

O PERIGO DO CYBERBULLYING

A violência psicológica virtual causa impacto real na vida de crianças e adolescentes, gerando sérios prejuízos ao crescimento, autonomia e independência

O cyberbullying é disseminado a uma velocidade imensurável por meio das tecnologias de informação e comunicação.

É um tipo de violência praticado de modo virtual com o uso deliberado de comportamento hostil, com objetivo de provocar, difamar, insultar e humilhar. Ações que afetam psicologicamente crianças e adolescentes, homens e mulheres, causando impacto real no mundo mental de suas vítimas, acarretando sérios prejuízos; e quando se trata de crianças e adolescentes, interfere no crescimento, autonomia e independência.

A princípio não consiste em agressão física e devido a isso tende a ser menos divulgado e valorizado porque pode ser visto como algo menos danoso, o que é um engano, já que as consequências psíquicas podem ser tão ou mais graves que as do bullying tradicional marcado pela agressão física. Além disso, cabe ressaltar que o cyberbullying pode ser uma porta de entrada para outros tipos de violência psicológica, como aquela que induz a criança e o adolescente ao encontro com o agressor.

Uma das principais características que diferenciam o cyberbullying e bullying é a dificuldade de identificação do agressor. Desse modo, no contato virtual, um lugar inóspito em que não se vê corpo nem rosto e onde a informação tem grande velocidade, tornam-se mais demoradas a aproximação e o reconhecimento do agressor.

Esse tipo de violência tende a ser devastador para o mundo psíquico e pode ocorrer de diversas formas: através de mensagens de texto, imagens, perfis falsos, chat on-line, jogos on-line, entre outros. Com toda facilidade que existe com a tecnologia na atualidade, o desafio é manter privado aquilo que pertence à esfera privada. Isto é, tudo pode ser gravado, fotografado, editado e transmitido. A internet tem uma capacidade de disseminar informação de forma muito rápida, e por isso seu alcance passa a ter uma dimensão impensável. O que fica na rede não pode ser apagado, e, pior, pode ser compartilhado.

É importante ressaltar que por detrás dessa agressão pode haver alguma motivação: assustar a vítima, se vingar ou ainda se beneficiar financeiramente ou emocionalmente através desse comportamento sádico e perverso.

Atualmente tem se tornado comum um tipo de violência psicológica através da rede chamado – “revenge pornô” ou “pornografia de vingança”. Esse tipo de agressão psicológica virtual costuma ocorrer após o término de um relacionamento em que um dos envolvidos, motivado por vingança, decide divulgar cenas íntimas do outro, aqueles famosos “nudes”, as fotos nuas. As vítimas nesses casos são do sexo feminino. A ministra do Superior Tribunal de Justiça, Nancy Andrighe, classificou a “pornografia de vingança” ou exposição pornográfica não consentida como violência de gênero.

Tudo isso para dizer o quanto tem sido importante atentar para os cuidados com a privacidade. Em qualquer lugar, ou seja, em momentos em que se pode estar mais descontraído em uma festa, ou reunião de amigos, sua imagem pode ser captada através do aparelho de celular e posteriormente exposta. Essa exposição da imagem não se configura exatamente cyberbullying, mas demonstra toda vulnerabilidade a que a vida íntima está submetida.

Devido à carência de delegacias especializadas nesse tipo de crime, muitos não são denunciados. Quando se sabe uma invasão dessa magnitude é comum a pessoa entrar em desespero, por estar fragilizada psicologicamente, e ter sua capacidade de pensar prejudicada. Mas é preciso manter o discernimento; agora, que já existe a exposição, é necessário denunciar, sendo indispensável a preservação das provas. Para isso é importante não deletar o que foi enviado em forma de ameaças, e sim salvar todas as mensagens, e-mails, endereço de quem enviou, endereço de páginas, se houver, SMS, vídeos, áudios e outras. Além disso, com essas provas em mãos, deve-se registrá-las em cartório para que, se o agressor apagar o perfil ou tentar destruir as provas, se mantenha registrada a materialidade do crime.

O cyberbullying é uma experiência traumática, um tipo de violência psicológica silenciosa e com raízes profundas, pois leva a vítima a se recolher, a se isolar socialmente, a ter dificuldades de concentração, baixo rendimento escolar, introversão, e pode contribuir para o aparecimento de quadro mais grave como a depressão e até mesmo levar ao suicídio.

Uma das características da violência virtual é que o agressor pode ter acesso `a vítima em qualquer lugar, desde que ela esteja com um dispositivo tecnológico. A dificuldade em ser descoberto e a falsa sensação de anonimato contribuem para o crescimento desse tipo de violência. Apesar de ser um assunto ainda novo, a legislação tem avançado e foram criadas leis que protegem o usuário. Isto é, uma vez detectado o cyberbullying, medidas judiciais podem ser tomadas a fim de proteger a vítima do ponto de vista jurídico. Há que se ter proteção e acompanhamento psicológico porque a vítima fica emocionalmente enfraquecida, com autocrítica prejudicada e muitas vezes sente vergonha de denunciar.

É preciso falar a respeito, educar, proteger e supervisionar aa crianças e adolescentes sobre o uso e os limites da tecnologia e do convívio em telas de computador e smartphones.

Todo esse avanço tecnológico ainda é um terreno pouco conhecido que exige cuidado ao pisar; o problema não é a tecnologia e a máquina, e sim o mau uso que pode ser feito com essas ferramentas pelos humanos. Preservar a saúde mental é também estar atento às relações de convívio dentro e fora do mundo virtual.

OUTROS OLHARES

DO PÓ VIESTES

Em um lado, uma pilha de cinzas e entulhos produzidos pelo incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em setembro de 2018. Do outro, pesquisadores que há 20anos vêm desenvolvendo um projeto de criação de réplicas tridimensionais em impressoras 3D. Envolvidos nos esforços de recuperação do acervo consumido pelo fogo, eles lançaram a ideia: por que não tentar reconstituir as peças perdidas com o material resultante do próprio incêndio?  “Logo começamos os testes, até porque o material derivado da destruição era abundante”, conta o paleontólogo Sergio Kugland, diretor do museu entre 2003 e 2010 e integrante da força­ tarefa para reerguer a instituição. Assim, centenas de itens – entre eles o crânio de Luzia, amuletos egípcios, um fóssil de crocodilo, vasos milenares e o caixão de uma múmia – estão sendo montados no tamanho original. O grupo multidisciplinar envolve pesquisadores do museu, da PUC- Rio e do Instituto Nacional de Tecnologia, além da cooperação de órgãos internacionais com experiência em tomografia e impressão 3D, atuando em áreas como paleontologia e medicina. A impressão é só a etapa final, já que boa parte das peças do museu já vinha sendo digitalizada nas últimas duas décadas – o que permitirá ao museu, literalmente, renascer das cinzas.

GESTÃO E CARREIRA

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL ERROU…FEIO

O que faz a obra de um artista custar mais do que outra do mesmo autor? Fatores como contexto histórico e pessoal do artista, além do tamanho da obra, podem ser tão ou mais determinantes do que o aspecto visual da obra. Com esseponto de partida, Devin Liu e Doug Woodham, pesquisadores com um pé na arte e outro na inteligência artificial, desenvolveram um algoritmo de rede neural convolucional (CNN, na sigla em inglês) para prever quanto a obra Untitled, 1960, do artista russo naturalizado americano Mark Rothko (1903-1970), atingiria no leilão da Sotheby’s, em 16 de maio último. A dupla analisou 118 telas de Rothko – que estão entre as mais caras do mercado internacional de arte – vendidas em leilões desde 2000 e cravou: o quadro em questão seria arrematado por US$ 42,3 milhões, com margem de erro de 5%. Mas… O chute passou longe. A obra foi vendida por US$ 51,3 milhões – 21,3% superior ao previsto. Na atmosfera competitiva dos leilões, as reações humanas seguem imprevisíveis. Na foto acima, a tela Nº 46, de 1957, na Fundation Louis Vuitton, em Paris.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

ASSASSINOS DE MINISTÉRIO QUE VOCÊ PRECISA VENCER: AS MULHERES

CAPÍTULO 16 – CONSERVANDO A PUREZA MORAL

“Se um homem consegue enganar a sua esposa e filhos, quebrar um voto feito a Deus na presença de testemunhas e intencionalmente trair a confiança daqueles que o amam, qual garantia sua organização terá de que ele será honesto em seus negócios? Pessoas que se provam enganadoras em uma área da vida são igualmente capazes de serem enganadoras em outras áreas.” — Henry e Richard Blackaby

Pensamento-chave: Líderes espirituais reconhecem que seus corpos são o templo do Espírito Santo e se mantêm puros não apenas fisicamente, mas em cada dimensão de seus seres.

Quanto dano tem sido causado ao Corpo de Cristo devido à imoralidade entre os líderes?

• A Igreja Católica Romana tem sido atormentada por um desfile, aparentemente interminável, de alegações de abuso sexual contra os seus sacerdotes.

• Impérios de televangelistas e ministros de alto perfil têm desabado em meio a alegações obscenas de imoralidade.

• Em comunidades por todo o país, igrejas locais têm sido abaladas quando um ministro de jovens se envolve de forma inapropriada com uma adolescente, quando uma criança é molestada por uma funcionária da igreja, ou até mesmo quando um pastor é descoberto com práticas imorais envolvendo uma igreja ou membro da equipe.

Tais incidentes não só endurecem os corações dos incrédulos ao Evangelho e desiludem jovens crentes, mas são altamente perturbadores e desmoralizantes para as igrejas ao passo que estas buscam cumprir a sua missão enquanto igreja. No rastro dessa imoralidade está uma coleção de vidas devastadas: cônjuges traídos, crianças confusas, vítimas devastadas, crentes inocentes cujas confianças têm sido destruídas, e um público compreensivelmente exausto.

A tecnologia moderna tem contribuído para uma nova categoria de problemas morais, como: pornografia na internet, paqueras por mensagens de texto e por redes sociais. Enquanto alguns tentam minimizar a seriedade de algumas dessas atividades, o senso comum nos diz que essas atividades são intrinsecamente problemáticas e podem tornar-se uma ladeira escorregadia que nos levará a resultados cada vez mais tóxicos, ao abrirem a porta para problemas ainda mais sérios.

Alegações de má conduta sexual contra líderes de igrejas e seus funcionários têm se tornado cada vez mais comum nos tribunais da nação. Igrejas normalmente possuem políticas de segurança para proteger a si mesmas contra acusação de má conduta sexual e assédio sexual. Acordos podem ser feitos em centenas de dólares — às vezes até milhares — quando envolvem má conduta sexual por parte do clero.

NADA NOVO

Problemas de moralidade relacionados ao ministério têm permeado o povo de Deus por muito tempo. No Antigo Testamento, os filhos do sumo sacerdote abusaram de seus ofícios e viveram de forma autoindulgente. 1 Samuel 2:12-13 diz que os filhos de Eli: “… não prestavam e não se importavam com Deus, o SENHOR. Eles não obedeciam aos regulamentos a respeito daquilo que os sacerdotes tinham o direito de exigir do povo…” (NTLH). O versículo 22 diz: “Eli estava muito idoso, mas estava ciente do que seus filhos estavam fazendo ao povo de Israel. Ele sabia, por exemplo, que seus filhos estavam seduzindo jovens mulheres que assistiam na entrada do Tabernáculo”. Eli falou com seus filhos, mas não fez nada além disso, de forma que seus comportamentos pecaminosos continuaram.

Na sociedade de hoje, os filhos de Eli se encaixariam na descrição moderna de predadores. “… seus filhos seduziam as jovens mulheres”. Um predador não é alguém que simplesmente cedeu à tentação, pecou e então se arrependeu genuinamente. Em vez disso, predadores são aqueles que deliberada e intencionalmente usam (ou deveria dizer, abusam) da sua posição, com a autoridade incidente e influência, objetivando encontrar indivíduos vulneráveis para o propósito de manipulá-los e usá-los para satisfazer as suas próprias necessidades.

Líderes espirituais precisam entender que o seu exemplo é extremamente importante. Quando alguns líderes caem moralmente, indivíduos que respeitam seus ministérios podem ser inclinados a pensar: Bem, se o reverendo fulano não pode resistir à tentação, então por que eu deveria tentar? Talvez isso seja um dos motivos que levou Geoffrey Chaucer (1342- 1400), muitas vezes considerado o maior poeta inglês depois de Shakespeare, a escrever o seguinte trecho no que diz respeito à necessidade de elevados padrões morais entre pastores: “Andando e carregando em suas mãos uma equipe. Esse foi o bom exemplo que ele deixou: Ele praticou primeiro o que posteriormente iria ensinar. Fora do Evangelho ele tomou esse preceito, e além do mais, ele citaria este ditado também: ‘Se o ouro pode enferrujar, então o que acontecerá com o ferro?’ Porque se um sacerdote pode ser apodrecido, em quem confiaremos? Não é de admirar que leigos também enferrujem”.

ADMOESTAÇÕES A LÍDERES ESPIRITUAIS

Paulo deu algumas orientações muito específicas para os seus filhos espirituais, Timóteo e Tito, concernentes às suas integridades morais e condutas.

Paulo disse a Timóteo, um jovem ministro: “Trate os homens mais jovens como irmãos, as mulheres idosas, como mães e as mulheres jovens, como irmãs, com toda a pureza” (1 Timóteo 5:1-2, NTLH).

Certa vez, recebi uma ligação de um indivíduo, e ao perguntar como as coisas estavam na igreja que ele frequentava, ele indicou que algumas pessoas estavam chateadas com o pastor. O problema? O pastor com frequência encorajava a fraternidade durante um intervalo no culto dizendo: “Porque você não encontra cinco pessoas e lhes dá um abraço”. Então o pastor rotineiramente saía da plataforma e fazia um caminho mais curto para abraçar muitas das moças bonitas da igreja. As pessoas perceberam que o pastor nunca abraçava a seção onde as senhoras mais velhas ou homens estavam sentados. Por conseguinte, o foco e o favoritismo que o pastor oferecia às mulheres mais jovens e atraentes da congregação estavam colocando em questão o seu caráter e suas intenções.

Paulo também disse a Timóteo: “E você, Timóteo, fuja das paixões da mocidade e procure viver uma vida correta, com fé, amor e paz, junto com os que com um coração puro pedem a ajuda do Senhor” (2 Timóteo 2:22, NTLH).

Muitos focarão a primeira parte desse versículo que diz “fuja das paixões da mocidade”, mas negligenciam a segunda parte: “procure viver uma vida correta, com fé”. Tão importante como os padrões bíblicos são, eu tenho compaixão por qualquer crente que vive simplesmente na esfera do “não faça isso”. Se nós concentramos em fazer os “faça isso”, então, não ficaremos sentados por aí nos perguntando sobre os “não faça isso”. Esmere-se em tornar-se uma pessoa piedosa, ungida, efetiva, produtiva e frutífera que Deus o constituiu para ser. Sim, corra de todas as coisas erradas, mas não se esqueça de correr em direção às coisas certas. Não pense apenas nas coisas que você está evitando; fique animado com as coisas de Deus que você está buscando!

Tito, outro dos filhos espirituais de Paulo, também recebeu uma carta do apóstolo mostrando-lhe como se conduzir no ministério pastoral. Em Tito 2:1-10, Paulo admoestou Tito sobre como ministrar para quatro grupos específicos de pessoas: homens mais velhos, mulheres mais velhas, homens jovens, e servos. É fascinante observar que Tito não recebeu instruções sobre o que ele deveria ensinar para mulheres jovens. Em vez disso, Paulo disse a Tito: “Assim, poderão orientar as mulheres mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos, a serem prudentes e puras, a estarem ocupadas em casa, e a serem bondosas e sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja difamada” (Tito 2:4-5, NVI).

Não é interessante que Paulo poderia dizer a Tito como ministrar a todos esses grupos de pessoas? Contudo ele diz: “Tito, quando se trata das mulheres jovens, deixe as mais velhas ministrá-las”. Estaria Paulo, como um sábio pai espiritual, esforçando-se para manter Tito fora de situações onde as tentações aumentariam?

Acrescentando às declarações citadas, lembre-se de que Paulo disse quais eram as qualificações dos anciãos em 1 Timóteo 3:2: “É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar”. Observe a frase “esposo de uma só mulher”. Em outras palavras, um líder espiritual não apenas não deve ter casos de adultério, mas ele também não deve ser um paquerador ou um mulherengo. Ele não deve ser o tipo de pessoa que é dada a qualquer tipo de relacionamento ilícito, e isso inclui apegos emocionais inadequados, tipos de comunicação inapropriados, e relações físicas ou sexuais inapropriadas.

AS ORIENTAÇÕES PARA CRENTES TAMBÉM SE APLICAM A LÍDERES ESPIRITUAIS

É importante lembrar que Deus não tem um conjunto de orientações para os crentes que são de alguma forma irrelevantes ou inaplicáveis aos líderes. Em qualquer situação, Deus espera mais dos seus líderes, não menos; Ele espera que estes operem em padrões mais elevados, e não nos mais baixos.

Lembro-me de ouvir um ministro que estava obviamente muito enganado. Ele reconhecia que, falando de modo geral, Deus não queria pessoas cometendo adultério, mas abriu uma exceção para ele. Ele disse que Deus havia lhe revelado que pelo fato do seu ministério ser tão especial e tão ungido, Deus estava permitindo que ele mantivesse um relacionamento extraconjugal, afinal Deus sabia que ele poderia ministrar mais efetivamente se suas

necessidades sexuais fossem supridas. Tal orgulho narcisista traz grande cegueira. A falácia de tamanha presunção e arrogância será finalmente exposta. Não, Deus não estabeleceu um conjunto de regras para alguns e uma exceção especial para outros. Quando se trata de padrões morais, a Palavra de Deus aplica-se a qualquer um. Aqui estão algumas orientações para todos os crentes do Novo Testamento:

Fujam da imoralidade sexual! Qualquer outro pecado que alguém comete não afeta o corpo, mas a pessoa que comete imoralidade sexual peca contra o seu próprio corpo. Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele. — 1 Coríntios 6:18-20 (NTLH)

As coisas que a natureza humana produz são bem conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes… As pessoas que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a natureza humana delas, junto com todas as paixões e desejos dessa natureza. — Gálatas 5:19,24 (NTLH)

Entre vocês não deve haver sequer menção de imoralidade sexual como também de nenhuma espécie de impureza e de cobiça; pois essas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, em vez disso, ações de graças. — Efésios 5:3-4 (NVI)

Portanto, matem os desejos deste mundo que agem em vocês, isto é, a imoralidade sexual, a indecência, as paixões más, os maus desejos e a cobiça, porque a cobiça é um tipo de idolatria. — Colossenses 3:5 (NTLH)

Que cada um saiba viver com a sua esposa de um modo que agrade a Deus, com todo o respeito e não com paixões sexuais baixas, como fazem os incrédulos, que não conhecem a Deus. Nesse assunto, que ninguém prejudique o seu irmão, nem desrespeite os seus direitos! Pois, como nós já lhes dissemos e avisamos, o Senhor castigará duramente os que fazem essas coisas. Deus não nos chamou para vivermos na imoralidade, mas para sermos completamente dedicados a ele. Portanto, quem rejeita esse ensinamento não está rejeitando um ser humano, mas a Deus, que dá a vocês o seu Espírito Santo. — 1 Tessalonicenses 4:4-8 (NTLH)

PASSOS PARA MANTER A INTEGRIDADE MORAL NA VIDA

1. TOME UMA DECISÃO DE QUALIDADE

Não espere até você se achar em um lugar de tentação para decidir o seu curso de ação. Faça suas consagrações a Deus agora e a partir de então viva por elas.

Antecipe-se em suas decisões de qualidade para que possa manter-se puro em sua vida moral e ministerial. Se você errou nisso no passado, receba o perdão e a limpeza oferecidos por Deus e se determine agora mesmo a viver o restante da sua vida, com a ajuda dele, com honra e integridade.

2. MANTENHA UM RELACIONAMENTO SÓLIDO COM DEUS E COM A SUA ESPOSA

Gerencie a sua saúde espiritual. Mantenha seu relacionamento com Deus renovado e vibrante. Alimente seu espírito, não sua carnalidade. Evite desgaste espiritual, emocional, e físico. Uma pessoa fadigada pode ser mais suscetível à tentação.

Uma relação forte e próspera com seu cônjuge também é vital. O relacionamento deve estar em crescimento no qual o amor é mantido sempre vivo, conflitos são resolvidos, e no qual ressentimento e raiva não têm permissão de gerar apodrecimento. Abertura, honestidade e prestação de contas mútuas são importantes. Se sua relação conjugal tornar-se tensa, busque ajuda. Homens, se sua mulher lhe avisa sobre alguém que ela sente ter intenções erradas, tome cuidado! Mulheres, se o seu marido chama a atenção sobre a forma de outro homem agir perto de você, preste atenção!

3. RECONHEÇA A SUA VULNERABILIDADE

Um provável candidato para a falha moral é a pessoa que se considera invencível sobre a tentação, que orgulhosa ou ingenuamente pensa: Isso nunca poderia acontecer comigo! Esses dois avisos da Bíblia vêm à minha mente:

Aquele, pois, que pensa estar em pé veja para que não caia. 1 Coríntios 10:12

A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. Provérbios 16:18

Como um líder espiritual, você é um alvo de “grande valor”, e Satanás amaria levá-lo para longe do seu chamado.

4. LEMBRE-SE DAS CONSEQUÊNCIAS DOLOROSAS DA IMORALIDADE

O adultério é um ato insano, arrasador e autodestrutivo: Sairá cheio de ferimento, detonado, e com a reputação totalmente arruinada. — Provérbios 6:32-33 (A Mensagem)

Segue algo que foi adaptado de uma lista desenvolvida por um ministro. Ele revisava essa lista toda vez que se sentia vulnerável à tentação sexual. Ele a citou como um lembrete das consequências negativas que uma decisão moral errada poderia produzir.

•   Angústia ao Senhor que me redimiu.

•   Arrastar o Seu nome sagrado para a lama.

•   Um dia ter que olhar para Jesus, o Justo Juiz, e face a face prestar contas por minhas ações.

•   Seguir os passos daqueles cuja imoralidade confiscou ou aleijou seus ministérios e me faz tremer: (lista de nomes).

•   Infligir uma mágoa indescritível a minha melhor amiga, minha leal esposa.

•   Perder o respeito e a confiança da minha esposa.

•   Machucar os meus amados filhos.

•   Destruir o meu exemplo e credibilidade com meus filhos e anular meus esforços presentes e futuros de ensiná-los a obedecer a Deus (“Por que ouvir um homem que traiu mamãe e a nós?”)

•   Se minha cegueira continuasse ou minha esposa fosse incapaz de perdoar, talvez eu perca minha esposa e meus filhos para sempre.

•   Trazer vergonha à minha família (“Por que papai não é mais pastor?”)

•   Perder o respeito próprio.

•   Criar uma forma de culpa muito difícil de aplacar. Embora Deus me perdoasse, eu me perdoaria?

•   Formar memórias e flashbacks que poderiam assolar a minha intimidade futura com a minha esposa.

•   Perder anos de treinamento ministerial e experiências de um longo tempo, talvez de forma permanente.

•   Perder o efeito de anos de testemunho para outros membros da família e reforçar a sua desconfiança por ministros, piorando essa imagem com meu exemplo, talvez os tornando ainda mais duros de coração por causa da minha imoralidade.

•   Minar o fiel exemplo e trabalho duro de outros cristãos em nossa comunidade.

•   Trazer grande prazer a Satanás, o inimigo de Deus e de tudo o que é bom.

•   Amontoar julgamentos e dificuldades sem fim sobre a pessoa com quem cometi adultério.

•   Possivelmente colher consequências físicas tais como gonorreia, sífilis, clamídia, herpes e AIDS; talvez infectar minha esposa, ou no caso da AIDS, eventualmente levá-la à morte.

•   Possivelmente causar uma gravidez, com todas as implicações pessoais e financeiras, incluindo um lembrete para a vida toda do meu pecado.

•   Machucar os seguintes pastores e anciãos: (lista de nomes).

•   Causar vergonhar e dor a esses amigos, especialmente àqueles que eu levei a Cristo e discipulei: (lista de nomes).

•   Invocar vergonha e embaraço pela vida toda sobre mim mesmo.

Também beneficiaria a cada pessoa que está em uma liderança espiritual (e dessa forma a todo crente), periodicamente ir ao livro de Provérbios e ler sobre a dinâmica e consequências que estão envolvidas no adultério. Algumas das passagens-chave de alerta para estudo e meditação incluem:

Provérbios 2:16-19 Provérbios 5:1-23
Provérbios 6:20-35 Provérbios 7:1-27
Provérbios 9:13-18 Provérbios 23:27-28
Provérbios 31:1-3

No início de Provérbios, nós aprendemos que esses escritos refletem o conselho de um pai para os seus filhos. Claro, provérbios maternos (conselhos) para a sua filha seriam lidos diferentemente. Jovens precisam de instruções e avisos sobre perigos nos relacionamentos também. Independentemente de quem estiver recebendo a instrução, é importante lembrar que “o pecado levará você além de onde você pretende ir, o manterá mais longe do que você pretende ficar, e lhe custará mais do que você pretende pagar”.

5. RECONHEÇA QUE UMA FALHA MORAL NÃO COMEÇA COM O ATO FÍSICO DO ADULTÉRIO. SEJA CONSCIENTE DISSO E EVITE FATORES PRECIPITANTES

Líderes espirituais muitas vezes proporcionam cuidado e conforto a pessoas machucadas. Às vezes, isso pode criar ligações emocionais e mesmo que as intenções tenham sido inocentes, o que recebe tal intervenção pode nutrir um apego e uma atração emocional para com o cuidador. Além disso, a gratidão e o apreço que é expresso pelo receptor podem começar a alimentar o ego do cuidador e começar a suprir uma possível necessidade emocional em sua vida. Por conseguinte, isso pode desenvolver um relacionamento doentio. “Nenhum pastor pode demorar muito a perceber a discrepância entre a valorização realista de sua esposa a respeito dele como marido e o generoso elogio de membros bajuladores que derramam sobre ele como ‘o ministro piedoso’. Quando isso ocorre, o pastor está vulnerável à tentação de transferir a intimidade de sua esposa para alguém que tão acriticamente alimenta suas necessidades emocionais.”

O adultério não começa com o ato físico. Ele começa com a camaradagem emocional, flerte, desejos não fiscalizados, fantasias, justificativas, violação de limites, etc. Os ministros precisam evitar qualquer tipo de comportamento de flerte, inclusive brincar com as emoções das pessoas. Seja profissional, e acima de tudo seja cristão!

Vocês ouviram o que foi dito: “Não cometa adultério.” Mas eu lhes digo: quem olhar para uma mulher e desejar possuí-la já cometeu adultério no seu coração. Portanto, se o seu olho direito faz com que você peque, arranque-o e jogue-o fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ser atirado no inferno. Se a sua mão direita faz com que você peque, corte-a e jogue-a fora. Pois é melhor perder uma parte do seu corpo do que o corpo inteiro ir para o inferno. — Mateus 5:27-30 (NTLH)

Você precisa ser brutalmente honesto consigo mesmo se você se encontra:

•  Sentindo uma atração inapropriada por uma pessoa que não é o seu cônjuge.

•  Pensando em uma pessoa, esperando receber telefonemas dessa pessoa, ou tendo fantasias sobre outra pessoa.

•  Fabricando maneiras para legitimar um relacionamento próximo com aquela pessoa (ex.: designando aquela pessoa para uma posição a fim de ter mais interação com ela).

•  Comunicando-se com, ou encontrando aquela pessoa em horários ou lugares inapropriados, ou em lugares fora da rotina.

•  Pensando ou se comunicando com aquela pessoa sem querer que sua esposa saiba a respeito.

6. ESTABELEÇA E MANTENHA LIMITES ADEQUADOS PARA VOCÊ MESMO, EM SUA VIDA E MINISTÉRIO

Isso significa ter orientações que o manterão longe das extremidades. Aqui estão algumas orientações gerais:

•   Não aconselhe membros do sexo oposto sozinho.

•   Não se coloque em uma situação em que, se uma acusação for levantada, será a sua palavra contra a de outra pessoa.

•   Não dê uma passadinha na casa de uma pessoa do sexo oposto a menos que seu cônjuge esteja com você ou o cônjuge da pessoa que você está indo visitar esteja presente.

•   Não use linguagem que poderia significar mais do que você pretende dizer. Uma amizade muito íntima e uma revelação inapropriada vão além da conduta adequada.

•   Não toque as pessoas de maneira que seja inapropriado ou possa ser mal interpretado.

7. PRESTE CONTAS

Tenha alguém para quem possa falar caso esteja sendo tentado. A quem você presta contas? Deve haver alguém (ou mais de uma pessoa) que seja capaz de observá-lo em seu ministério e demonstrar cuidado sobre qualquer problema que possa ver; alguém que você ouvirá e cuja opinião você respeitará. Aqueles que são “Guerreiros Solitários” são mais suscetíveis do que aqueles que têm os nobres princípios de prestar contas do que fazem em suas vidas.

Alguns anos atrás, um amigo pastor me perguntou se eu poderia ser seu parceiro a quem ele prestaria contas no tocante ao seu uso da internet. Eu concordei, entretanto, estabeleci a condição de que ele faria o mesmo por mim. Ambos baixamos um software para controle de acessos e começamos a receber relatórios semanais dos sites de internet que visitávamos. O pecado ama tomar vantagem do sigilo e esse tipo de prestação de contas pode ser um forte impedimento à tentação.

Efésios 5:13 diz: “Mas todas as coisas, quando reprovadas pela luz, se tornam manifestas; porque tudo que se manifesta é luz”. SQwb\ _

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

REFLEXOS DA INFÂNCIA

O ser humano vive de sofrimentos advindos do seu próprio processo humanizatório. muitos distúrbios são gerados no desenvolvimento do sujeito. Assim é com o transtorno de personalidade esquiva

Pesquisas médicas apontam que 1 a 5,2% da população brasileira têm transtorno de personalidade esquiva (TPE), ou também denominado como evitativa, é mais comum nas mulheres e não há muita divulgação nem muitos trabalhos publicados sobre o tema. É que o transtorno citado geralmente vem acompanhado de outros transtornos depreciativos, como ansiedade, pânico, fobia social, que são comorbidades mais comuns.

Ele caracteriza-se principalmente por um sentimento de tensão, apreensão, insegurança e inferioridade. A pessoa que tem esse transtorno apresenta um forte desejo de ser amado e aceito, tem hipersensibilidade à críticas e muito medo da rejeição, e para evitar enfrentar tais situações se isola, fechando-se em seu próprio mundo, tornando-se antissocial e solitária. Esse tipo de comportamento pode afetar a vida social, profissional, familiar, porque o sujeito que é acometido por esse distúrbio pode evitar reuniões sociais, profissionais e familiares. Sofre com isso porque deseja estabelecer laços e não consegue, é insuportável para ele a ideia de não ser aceito, de ser olhado e rejeitado.

Esses sintomas definidos como um transtorno de personalidade foram descritos no final do século XX pelos psiquiatras Breuler e Kretschmer. Ainda é pouco conhecido, e o diagnóstico médico se dá pelos manuais. Seguindo os critérios de diagnóstico médico, o paciente que apresentar quatro ou mais sintomas descritos pelo DSM-5 será portador de transtorno de personalidade esquiva. Sendo estes os principais:

1) esquivar-se de atividades relacionadas ao trabalho que envolvam contato interpessoal, porque teme ser criticado ou rejeitado;

2) falta de vontade de estar com pessoas, mesmo em envolvimentos amorosos, por medo de ser rejeitado; precisa ter a certeza de ser amado;

3) reserva em relacionamentos íntimos;

4) Isolamento e solidão, por medo de relacionar-se com as pessoas;

5) relutância em assumir riscos pessoais ou participar de qualquer nova atividade;

6) ver-se como incompetente, desagradável ou inferior.

O tratamento indicado pela psiquiatria é medicação que inclui inibidores da monoaminaoxidase (IMAOS), ansiolíticos, terapia cognitiva comportamental focada nos aspectos sociais, terapia de suporte (breve); e a psicodinâmica, que trabalha conflitos.

A Psicanálise tem uma outra forma de compreensão e de tratamento. Para começar, não se faz diagnóstico por classificação de sintomas, pois considera-se o sujeito e não a doença. Os sintomas são defesas psíquicas contra representações inconscientes oriundas de vivências danosas na primeira infância (O a 9 anos). A criança é um ser totalmente dependente de cuidados de um adulto, ela é assujeitada ao Outro, não tem condições de sobreviver sozinha. É nesse núcleo primário que se constitui o que Sigmund Freud, criador da Psicanálise chama como psiquismo. O psiquismo, que nos dará uma estrutura, que norteará a nossa vida adulta, se organiza por fases: oral (até 1 ano e meio de idade); anal (entre 1,5 a 3 anos), física (3 a 4,5), genital (5 a 9 anos). Essas fases determinam um tipo de organização que influenciará nossos comportamentos e sentimentos. Esse longo período de vivência entre um infante e um adulto definirá nossos traços de caráter e um tipo de estrutura que apresentarão seus sintomas como uma defesa, ou seja, como a única possibilidade de manter-se vivo.

As vivências infantis que expõem a criança a situações constrangedoras e vergonhosas contribuirão de forma decisiva na organização de defesas contra o mal-estar. No caso específico dessa reflexão, e sem colocar o sujeito em um quadradinho, pode-se inferir que a infância foi caracterizada por relações de desamparo, de negligência, de violência às quais a criança foi provavelmente exposta, envergonhada e amedrontada, e acabou criando um mundo particular onde busca pela proteção e sobrevivência que se deu pelos próprios meios que foi isolar-se das pessoas e do meio ameaçador. O meio familiar é decisivo para a constituição de um sujeito, seja ele mal equilibrado psiquicamente ou não.

O tratamento indicado pela Psicanálise é diferente do proposto pela Medicina. mas deixa-se claro que há sintomas que precisam de tratamento médico especializado para diminuir o sofrimento do paciente. Os tratamentos terapêuticos também têm sua valia, mas a Psicanálise trabalha olhando para os sintomas como uma organização defensiva e que às vezes o paciente precisa do sintoma para viver, mesmo que seja doloroso. O que se faz é trabalhar o sujeito, suas experiências passadas e presentes de uma forma cuidadosa para que ele possa historiocizar-se no tempo e através da técnica analítica entrar em contato com conflitos inconscientes que estão originando os seus sintomas. A técnica analítica se vale de procedimentos clínicos que fazem com que as representações adquiridas na primeira infância venham à tona para serem compreendidos e ressignificados pelo paciente junto com o analista. É necessário que as técnicas terapêuticas que trabalham com os sintomas sejam olhadas com muito cuidado, senão o método pode se tornar perigoso, pois o inconsciente existe. A neurociência hoje admite que o inconsciente freudiano é uma realidade.

Portanto, os sintomas precisam ser considerados como um mal necessário para o sujeito viver até então. E para mudá-lo é preciso primeiro enxergá-lo e posteriormente refletir e compreender. A Psicanálise é um processo eficaz, que permite que o sujeito se conheça e reconheça suas potencialidades. Pela complexidade do sujeito é necessário que os saberes se conversem, que trabalhem juntos na tentativa de ajudar esse sujeito a viver melhor.

ARACELI ALBINO – é doutora em Psicologia pela Universidad del Salvador (Buenos Aires- Argentina). Presidente do Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo – Sinpesp. Psicóloga e psicanalista, pós-graduada na PUC. Possui especializações em Psicoterapia/Psicodinâmica de adultos e adolescentes/ Psicopatologia Psicanalítica e Clínica Contemporânea; professora e coordenadora do curso de Formação em Psicanálise do Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas.

GESTÃO E CARREIRA

DÊ ESPAÇO PARA AS CRIANÇAS

Em nome da inclusão (e da tranquilidade dos pais), os estabelecimentos têm investido na criação de ambientes acolhedores, divertidos e seguros para a criançada

Quem tem filhos sabe que não é fácil ir a restaurantes com os pequenos. Ainda assim muitas famílias gostam de sair aos finais de semana para almoçar ou jantar fora, e os baixinhos vão junto. Para atender esse público cada vez mais exigente, os empresários estão se adaptando e passaram a transformar partes de seus estabelecimentos em espaços destinados somente a eles.

Restaurantes que são kids friendly não são uma novidade. Esses espaços surgiram lá atrás, em 1819, em Londres. Apenas nove anos depois o conceito chegou aos Estados Unidos. No Brasil, a primeira instalação aconteceu em 1966, no Shopping Iguatemi, em São Paulo. “Observou-se uma necessidade de criar espaços para entreter as crianças para que os pais pudessem utilizar os outros serviços daquele lugar com maior tranquilidade”, conta o especialista em Finanças, coach e consultor de empreendedorismo, Washington Mendes.

Assim, os primeiros espaços voltados à recreação de crianças, inicialmente, eram similares aos “parques de diversões cobertos”. Atualmente, por outro lado, os empreendedores têm observado os hábitos e paixões das crianças, fazendo com que esses estabelecimentos ganhem ares modernos, tecnologia e adaptações – além de empresas especializadas em prestar esse serviço.

COMO MONTAR O ESPAÇO

Especialistas aconselham que futuros donos de espaços kids friendly busquem empresas com experiência nesse setor ou profissionais focados em segurança para dar apoio ao desenvolvimento desses locais. Diretor de soluções do Grupo Bittencourt, Humberto Damas explica a razão para tanto cuidado: “não se trata apenas de ter esse espaço, mas também de garantir a tranquilidade dos pais enquanto as crianças estão sob os cuidados de terceiros”.

Logo, para a escolha da empresa deve-se buscar referências e indicações, além de pesquisar a idoneidade do negócio a ser contratado. “Conheça outros trabalhos feitos por esta empresa e analise o tempo de mercado. O ideal é que o negócio atue no setor ao menos há três anos. Entretanto, isso não impede de dar urna oportunidade à pessoa que tenha brilho nos olhos por amor às crianças”, indica Washington Mendes.

Outro detalhe importante é escolher um espaço mais reservado, pois as crianças fazem mais barulho e podem prejudicar os outros frequentadores do restaurante. “Ao mesmo tempo, deve garantir aos pais um ‘monitoramento’ das atividades enquanto estão aproveitando o espaço”, indica Humberto Damas.

O mais adequado é escolher um lugar que seja de alguma forma seguro para as crianças e também que (preferencialmente) esteja à vista dos pais. Tanto Damas quanto Mendes reforçam que “trabalhar com monitores que vigiem as crianças também é bem importante, pois assim os pais podem aproveitar o espaço com tranquilidade”.

O local também deve funcionar com, pelo menos, dois turnos de, no mínimo, quatro horas e, no máximo, seis horas para cada turno. O espaço deve ser montado fora das áreas de circulação para não atrapalhar a rotina do restaurante. Ainda segundo Damas, é importante identificar as faixas etárias e cuidar para que as crianças “grandes” não ocupem o mesmo espaço que as menores.

Com relação ao mobiliário, ele precisa ser alegre e com cores vibrantes para manter o interesse dos pequenos. Pode-se decorar o local com imagens de personagens, adereços, almofadas, pufes, entre outros objetos.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), esse espaço deve ser seguro, apropriado para a idade-alvo, estimulante, inclusivo e não discriminatório. Visando comportar confortavelmente as crianças, é importante que não ofereça riscos (de queda ou corte). A área deve compreender ainda espaços para colorir, para leitura, com jogos de mesa e jogos eletrônicos.

10 PASSOS PARA TER SUCESSO COM O SEU KIDS FRIENDLY

1. Tenha preocupação em ter recreadores com experiência para olhar o todo. Se for alguém que atue ou tenha atuado na área de educação infantil, será um diferencial.

2. Invista sempre em novos temas com frequência, personagens e objetos de acordo com o momento.

3. Cuidado com a higiene. Muitas crianças têm alergia a poeira e também a tinta (caso ofereça pintura, use tinta antialérgica).

4. Crie uma forma de ter o feedback dos pais por meio das redes sociais, gerando engajamento.

5. Observe seus concorrentes ao redor para ver se eles estão no mesmo nível ou fazendo coisas diferentes.

6. Trate aquela criança com carinho, pois eles serão os novos adultos que levarão seus filhos a seu espaço ou podem até mesmo indicar para os colegas da escola, por exemplo, e fazer com que você ganhe mais uma família como cliente.

7. Observe o cardápio infantil para que ocorra sempre mudanças e atenda a diversas faixas etárias. Por exemplo, um prato diferente para uma criança de 2 e uma de 7. já que e os paladares, assim como a idade, são diferentes.

8. Se possível, dê souvenirs ou lembrancinhas às crianças. Ver que seus filhos são bem tratados cativa os pais.

9. Leve alguns personagens vivos de desenhos da atualidade. Isso mesmo! Aqueles com fantasias. Se possível, promova um evento uma vez com ampla divulgação.

10. Faça valer a pena seu espaço para nunca ser esquecido.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 15 – A ATITUDE DE LÍDERES COM RELAÇÃO AO DINHEIRO — AS INDULGÊNCIAS ESTÃO DE VOLTA?

Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. — 1 Timóteo 6:9-

Pensamento-chave: Explorar pessoas por dinheiro é um mal de longa data. Líderes precisam evitar isso e os crentes devem ser sábios para que não se tire vantagens deles.

Um dos meus filmes favoritos é o que relata as crônicas do ministério de Martinho Lutero, contando a história de sua vida através da Reforma Protestante.30 No filme, a aflição de Lutero a respeito das práticas antibíblicas sobre as indulgências é claramente vista. As indulgências foram “… autorizadas pela autoridade papal em 1411, começaram no século 11 com o ensino de que o serviço piedoso, nas Cruzadas, reduziria a permanência de alguém no purgatório. No século 15, garantias de permanências curtas no purgatório em troca de dinheiro tornaram-se um componente regular de técnicas de arrecadação de fundos para o papado”.

A ideia de “comprar” bênçãos ou favores espirituais não começou, entretanto, na Idade Média. Em Atos 8, um indivíduo conhecido como Simão, o Mágico (o qual crera no Evangelho e fora batizado), fez a Pedro uma oferta que foi severa e duramente rejeitada.

Vendo, porém, Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito [Santo], ofereceu-lhes dinheiro, propondo: Concedei-me também a mim este poder, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo. Pedro, porém, lhe respondeu: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir, por meio dele, o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração; pois vejo que estás em fel de amargura e laço de iniquidade. — Atos 8:18-23

O Novo Testamento, na linguagem moderna, traduz o versículo 20 da seguinte maneira: “para o inferno com você e o seu dinheiro!”. O tradutor J. B. Phillips diz que é exatamente isso que significa no grego. A versão A Mensagem e a tradução Boas Novas trazem ideias similares do mesmo versículo. Até mesmo hoje, o termo simonia do original grego não se refere apenas à compra de cargos eclesiásticos, mas também é usado amplamente para denotar qualquer tipo de tráfico nas coisas sagradas.

MAIS ABUSOS

Voltando um pouco mais na história bíblica, vemos outras distorções, corrupções e abusos acerca de dinheiro e das coisas espirituais. Em 1 Samuel 2:12-17, observamos que os filhos de Eli (o sumo sacerdote daqueles dias), que eram muito corruptos, abusavam do sistema de sacrifícios e exploravam o povo de Deus. O versículo 17 diz: “Era, pois, mui grande o pecado destes moços perante o SENHOR, porquanto eles desprezavam a oferta do SENHOR”. Em vez de tratar as ofertas do povo como santas, dos sagrados oferecidos ao Senhor, os filhos de Eli desdenhosa e forçosamente, intimidavam aqueles que se esforçavam para obedecer a Deus de modo a saciar a sua própria ganância.

O próprio Jesus confrontou outro sistema corrupto que extorquia e maltratava os adoradores. O relato de Jesus expulsando os cambistas do templo é famoso, mas muitos não perceberam o que aconteceu depois que a prática antiética, a cobiça e a ganância foram erradicadas.

Tendo Jesus entrado no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam; também derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a transformais em covil de salteadores. Vieram a ele, no templo, cegos e coxos, e ele os curou. — Mateus 21:12-14

Você percebeu isso? Quando a corrupção dos homens foi removida, a glória de Deus foi manifesta. É muito vergonhoso tirar vantagem de pessoas vulneráveis, mas ainda mais grave é o fato de que as pessoas deixem de enxergar a glória de Deus por causa das práticas manipuladoras de homens que obscurecem a visão de adoradores sinceros.

O apóstolo Paulo estava dolorosamente ciente dos “autointitulados” ministros cujos motivos e métodos eram conduzidos por ganância. Ele fez questão de se diferenciar daqueles que eram manipuladores, cujas práticas, obscuras e inescrupulosas, trouxeram reprovação às coisas de Deus. O mesmo homem que escreveu a respeito da “graça de dar” teve que falar sobre a “desgraça” de lobos em peles de ovelhas, os quais devoraram os ingênuos, crédulos e impressionáveis santos.

Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus. — 2 Coríntios 2:17

Mais tarde, Paulo lhes disse: “… pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros” (2 Coríntios 12:14). Aos tessalonicenses, Paulo disse: “A verdade é que nunca usamos de linguagem de bajulação, como sabeis, nem de intuitos gananciosos. Deus disto é testemunha” (1 Tessalonicenses 2:5). Paulo foi ao extremo para evitar qualquer atitude egoísta, até mesmo recusar uma remuneração apropriada para que ninguém pudesse acusá-lo de estar no ministério apenas por causa do dinheiro (1 Coríntios 9:1-18).

O apóstolo Pedro falou de falsos mestres que fariam com que o caminho da verdade fosse blasfemado (2 Pedro 2:2), e no versículo seguinte disse: “Também, movidos por avareza, farão comércio de vós”. Em outras traduções, 2 Pedro 2:3 diz:

•  “Em sua ambição pelo dinheiro, esses falsos mestres vão explorar vocês, contando histórias inventadas” (NTLH).

•  “Em sua ambição (luxúria, ganância), eles irão explorar você com falsos (astutos) argumentos” (AMP).

•  “E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas” (ACF).

•  “… jamais dirão nada — nada que traga algum benefício.

•  Só querem explorar vocês” (A Mensagem).

É importante entender que os apelos financeiros mais obscuros e escusos conterão certos níveis de verdade. Você pode até ouvir testemunhos de “renúncias” que parecem acrescentar legitimidade à sua mensagem. Por exemplo, eles podem dizer: “Eu não estou tentando lhe dizer que você pode comprar um milagre” ou “isto, de fato, não se trata do seu dinheiro, se trata da sua fé”. Mas em última análise, a impressão geral que o potencial doador recebe é que existe um milagre especial ou bênção que será recebida por dar dinheiro naquela oferta em particular.

Além disso, doações por impulso serão fortemente estimuladas (“Tome uma atitude agora, vá ao telefone agora mesmo, doe enquanto a unção está forte, não deixe que esse milagre passe por você, não deixe que o diabo roube de você essa bênção, etc.”). Recentemente, um ministro declarou que havia uma janela no tempo de dois minutos, durante os quais contribuintes poderiam doar uma oferta de mil dólares e receber resultados miraculosos. Obviamente, as pessoas teriam que agir imediatamente para receber a “bênção” especial que estava conectada apenas com essa oferta.

Poucos anos atrás, ouvi um ministro na televisão exaltando as virtudes do número “sete”, à medida que é utilizado ao longo da Bíblia. Ele concluiu que, como o ano era 2007, seus telespectadores estavam sendo instruídos por Deus a doarem certo montante (relativo ao número 7), de modo a receberem o seu “rompimento milagroso”. Entretanto, não estava sendo recomendado que alguém enviasse uma oferta de 7 dólares (o que seria lógico, se realmente existisse a mais remota conexão com o ano do calendário, relativo a quanto o cristão deveria dar). De qualquer forma, 77 dólares, 777 dólares e 7.777 dólares eram os montantes sugeridos.

É claro, grandes bênçãos eram prometidas àqueles que davam um dos montantes alegadamente inspirados. A linha de pensamento desse homem me fez imaginar se, em 2010, alguma oferta financeira seria dada, já que o ano termina em zero — mas estou certo de que ele teria um tipo diferente de revelação para aquele ano.

Enquanto ouvia essa apresentação enganadora, indaguei-me se Martinho Lutero estaria se perguntando se o que ele pregou a respeito da venda de indulgências (essencialmente a venda de perdão) fora em vão. De uma só vez, foi dito às pessoas que, por meio de dar uma oferta especial para a igreja, elas reduziriam o seu tempo de permanência no purgatório. Elas também tinham a opção de ajudar a providenciar uma libertação antecipada para a partida de seus entes queridos que ainda se encontravam no purgatório. John Tetzel era o cabeça na venda de indulgências, e ele com frequência dizia: “Assim que uma moeda tilinta no cofre, uma alma salta do purgatório”.

Lutero, irado com essa corrupção espiritual e essa forma manipuladora de extorsão, anexou as suas 95 Teses (estas foram pontos para debate) na porta norte da catedral de Wittenberg (as portas da igreja eram muitas vezes utilizadas como quadro de avisos). Enquanto outras questões eram tratadas, muitos de seus 95 pontos lidavam especificamente com a “venda de indulgências”. Aqui estão algumas amostras do que Lutero apresentou:

•  “Aqueles que pregam indulgências erram quando dizem que um homem é absolvido e salvo de toda penalidade pelas indulgências do papa”.

•  “Não há qualquer autoridade divina para pregar que uma alma salta imediatamente do purgatório quando o dinheiro tilinta no fundo do cofre.”

•  “As indulgências, as quais os mercadores exaltam como o maior dos favores, são vistas, de fato, como o meio favorito para obter dinheiro.”

•  “É blasfêmia dizer que a insígnia da cruz com os braços do papa é de igual valor à cruz na qual Cristo morreu.”

Hoje, as pessoas podem não estar tentando reduzir o seu tempo no purgatório; entretanto, ainda é uma questão séria se as pessoas são levadas a acreditar que toda bênção, milagre ou rompimento está, de alguma maneira, conectado ao ato de dar dinheiro. Enquanto eu assistia a esse pregador na televisão, pensei: Ouvi de encorajamento, edificação e exortação, mas isso não passa de extração — extrair dinheiro das carteiras das pessoas! Além disso, perguntei-me por que essas apresentações na televisão sempre terminavam com a convincente frase: “Vá para o seu telefone!” e nunca “Vá para a sua igreja!”

Um ministro disse: “Você pode receber informação de qualquer um, mas você só pode receber revelação de um ministro em quem você semeia”. Pensei: Se é assim, então, nenhum de nós seria capaz de receber revelação de qualquer um dos escritos de Paulo, pois nenhum de nós jamais ofertou para ele. Existe um problema sério quando se dá a impressão de que cada bênção, cada rompimento, cada milagre e cada resposta à oração, está subordinada a uma doação financeira.

É lamentável quando algo tão lindo como a “graça de dar” do Senhor é perdida porque pessoas têm repetidamente exposto substitutos baratos. Quando as pessoas são pressionadas por artifícios manipulativos, excessos ou outras técnicas para coagi-las a ofertar, o verdadeiro plano de Deus é frustrado.

Em um artigo intitulado “Os Piores Artifícios para Levantar Fundos de Todos os Tempos das TVs Cristãs”, J. Lee Grady disse: “Vamos parar o hipnotismo, a manipulação de culpa e os artifícios de alta pressão. É tempo de recuperar nossa credibilidade perdida”. Ele segue dizendo que algumas redes cristãs “… têm vergonhosamente extorquido dinheiro dos telespectadores ao longo dos anos usando manipulação de culpa pesada, controle hipnótico e uma distorção bizarra da Bíblia”. Grady conclui as suas observações com: “Felizmente, líderes emergentes na indústria televisiva religiosa irão restaurar a nossa credibilidade perdida por insistir na integridade, autenticidade e bom gosto”.

Quantos danos realmente têm sido produzidos por tais táticas manipulativas nos púlpitos? Contingentes incontáveis de crentes têm estado fatigados com relação ao Cristianismo, endurecidos quanto ao Evangelho e presumem que os pregadores estão nisso “simplesmente pelo dinheiro”. Isso por si só é trágico. Para acrescentar, alguns cristãos sinceros têm se desapontado e se desiludido quando promessas de milagres de prosperidade não se materializam como esperado. Muitos desses cristãos desmotivados têm se tornado fechados, relutantes e hesitantes em dar qualquer coisa mais.

Compreensivelmente, muitos se sentem explorados, abusados e defraudados. Eles não confiarão em pregadores tão facilmente de novo. Talvez, eles, erroneamente, tenham visto o dar como uma oportunidade de “fique rico rápido”. Alguns afundam em um estado de culpa e condenação porque acreditaram que sua fé não deve ter sido suficiente para trazer a colheita esperada. Outros se tornam endurecidos e desistem completamente de dar. Tudo isso são consequências lamentáveis e graves que resultam quando a exploração “vergonhosa” é substituída pela beleza da graça de dar que Paulo ensinou (2 Coríntios 8:6-7).

Um amigo missionário uma vez compartilhou que, em seu país, jovens missionários assistiam a pregadores norte-americanos na televisão e selecionaram algumas das suas técnicas “habilidosas” em recolher ofertas. As orientações a seguir são compartilhadas, não apenas para ajudar ministros a evitarem alguns desses métodos inapropriados, mas também para ajudar crentes a adquirirem sabedoria e discernimento, de modo a se protegerem de serem manipulados:

INDICADORES DE QUE UMA “EXTORSÃO” ESTÁ PARA ACONTECER

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando se perceber que, como resultado de dar alguma oferta específica, você receberá algum tipo especial de bênção, milagre ou rompimento que, de outra forma, você não teria direito se simplesmente estivesse ofertando para a sua igreja ou apoiando algum ministério. Artifícios muitas vezes usados incluem coisas do tipo: “Todas as suas dívidas serão sobrenaturalmente pagas”, “você receberá a cura de que precisa”, ou “seus filhos ou cônjuge serão salvos” …tudo porque você deu dinheiro. Novamente, atente para o “sinal de desaprovação”. Provavelmente, você ouvirá:

“Você não pode comprar um milagre, isso é uma questão de fé”! Entretanto, o modo específico pelo qual você liberaria a sua fé é por meio de doar essa oferta em particular. Décadas atrás, Gordon Lindsay escreveu: “Talvez, o artifício mais sério para arrecadar dinheiro é aquele promovido por um aventureiro religioso, o qual promete às pessoas que Deus lhe deu o dom de torná-las ricas, se tão-somente elas lhe derem uma boa oferta. Tais afirmações aproximam-se do crime da blasfêmia”.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando um óleo “especialmente ungido”, ou tecidos consagrados, são usados em conexão com ofertas. Enquanto tecidos (Atos 9:11-12) e unção com óleo (Tiago 5:14-15) são definitivamente mencionados no Novo Testamento, uma cautela deve ser exercitada para assegurar que essas coisas não se tornem artifícios para iniciar um apelo por dinheiro. Em algumas situações, inicialmente, essas coisas são oferecidas de graça por certos ministros, mas logo são seguidas por fortes apelos financeiros.  Do mesmo modo, alguns têm oferecido “profecias” por uma doação e, em alguns casos, a primeira profecia é apenas uma provocação. Imagine o que você vai ter que fazer para obter a “profecia” mais detalhada, a qual irá, realmente, liberar as bênçãos de Deus em sua vida? Isso mesmo: envie mais dinheiro. Ninguém é tão audacioso a ponto de dizer abertamente que está vendendo as bênçãos de Deus, mas quando toda a camada superficial e falatório são removidos, isso é essencialmente o que está acontecendo.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando qualquer tipo de ministério diminui o seu senso de sacerdócio. Em vez de você ter o seu próprio relacionamento com Deus, por meio do qual você pode exercer fé, usar sabedoria e ser guiado pelo Espírito, você é dependente do ministro com a “unção especial para prosperar”, para conduzi-lo até receber a sua bênção. Ministérios legítimos apoiam e reforçam o seu senso de sacerdócio diante de Deus, eles não criam uma dependência doentia em alguns “superministros” que, em essência, se tornam a sua ligação com Deus e com as Suas bênçãos. A Bíblia diz em 1 Timóteo 2:5: “… há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem”. Ministérios legítimos cultivam a sua dependência em Deus, em Sua Palavra e a sua habilidade de seguir a direção do Espírito Santo. Ministérios doentios, por outro lado, desenvolvem uma dependência em alguns ministros, especialmente ungidos, os quais, sozinhos, podem facilitar a chegada das bênçãos de Deus até você (especialmente quando a sua fé é “ativada” e “liberada” por meio de uma semente financeira que você semeou no “servo de Deus”). A intimidação pode até ser usada, dando a ideia ao ouvinte de que ele está sendo desobediente se ele não participa ou está sendo “religioso”, se questiona a suposta infalível palavra do servo ungido de Deus.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando testemunhos maravilhosos são oferecidos por indivíduos que experimentaram milagres extraordinários, como resultados de ofertar em determinado ministério. A insinuação é de que se você der, então você também experimentará os mesmos tipos de resultados. Observei, em comerciais de TV de produtos para perda de peso, que um testemunho com frequência é dado no qual uma pessoa compartilha a sua história de perda drástica de peso, por fazer uso de uma dieta em particular. Na parte de baixo da tela da TV, em letras miúdas, está a típica frase: “resultados não típicos”. Talvez essa seja uma exigência legal para propagandas seculares, mas seria revigorante ouvir um ministro admitir que muitas das pessoas que doam não encontrarão um cheque de 75 mil dólares na sua caixa de correios nem terão a sua casa milagrosamente paga porque elas doaram aquela oferta “especial”. Também é lamentável que alguns ministérios tenham recorrido a panfletos e “comerciais de TV” que realçam imagens de mansões, piscinas, carros esportivos luxuosos, diamantes, barras de ouro e imensas pilhas de dinheiro. Tais promoções de mau gosto (em nome do Senhor) vergonhosamente apelam à cobiça e me lembram das advertências de Paulo a Timóteo quanto a “… homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro” (1 Timóteo 6:5).

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando um ministro sugere uma doação alicerçada em um versículo específico da Bíblia ou por meio do uso de numerologia. Por exemplo, depois de pregar em cima de Isaías 55:11, um ministro sugere que, se um ouvinte necessita de um milagre, doe uma oferta de 55,11 dólares. É interessante que ministros que usam essas técnicas estão mais propensos a pregar em cima do Salmo 107:20 do que em cima do Salmo 1:1. Afinal, uma oferta de 107,20 dólares é muito melhor do que uma oferta de 1,1 dólares. Ofertas fundamentadas em algumas interpretações numerológicas da Bíblia são quase sempre o resultado de manipulações humanas, e não inspiração divina. Eu não teria problema se, por exemplo, no aniversário de 50 anos de uma igreja, a liderança sugerisse que todos considerassem, em oração, uma oferta extra de 5 dólares, 50 dólares ou 500 dólares para fazer o que eles pudessem direcionados a algum projeto especial. Entretanto, isso deveria ser apenas uma sugestão. Isso se torna problemático quando o “ministro altamente ungido” atua dizendo “o Senhor me disse” e, autoritariamente, proclama que todos que derem 500 dólares ou 5 mil dólares irão receber algum tipo de bênção que só pode ser adquirida por meio de ofertar nesse montante em particular divinamente decretado. É quando isso se torna manipulativo e ameaçador. Tenha sempre cuidado com pessoas que profetizam dinheiro saindo da sua carteira — para dentro da carteira delas!

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando datas de certos festivais judaicos ou outros eventos do Antigo Testamento são usados para promover ofertas especiais na era do Novo Testamento. Considerando que a maioria de nós é crente do Novo Testamento, de origem não judaica, esses dias não devem governar o nosso caminhar com Deus (Gálatas 4:9-11; Colossenses 2:16-17). Ao escrever para uma congregação de origem mista (judeus e gentios), Paulo indicava que deveria haver tolerância e respeito quando se tratava de questões de origem e convicções pessoais (Romanos 14:1-9), mas não há qualquer base neotestamentária para proclamar que Deus irá abençoar, de forma especial, ofertas “fundamentadas no Antigo Testamento”, na era da Igreja.

•  Deveria ser levantada uma bandeira vermelha quando uma mensagem é salpicada com dicas nada sutis de como Deus abençoou pessoas que doaram para o ministro ou para o seu ministério, usando a terminologia de “levantador de fundos” ou “apoiadores”. Ao fazer isso, esses ministros estão psicologicamente condicionando as pessoas a dar. Isso também deveria ser preocupante quando tempo em excesso é gasto por ministros falando a respeito de toda a riqueza e bênçãos materiais que eles receberam. Ministros são chamados para “pregar a Palavra” (2 Timóteo 4:2), não para exibir as suas posses. Paulo disse que o amor “… não é orgulhoso ou vanglorioso, não se mostra altivo” (1 Coríntios 13:4, AMP). Paulo também disse: “… a nossa mensagem não é sobre nós mesmos; estamos anunciando Jesus Cristo, o Mestre. Tudo o que somos é mensageiros, levando recados de Jesus para vocês” (2 Coríntios 4:5, A Mensagem). Deus nunca ordenou que ministros tivessem uma mentalidade de “rock star” ou “celebridade”; somos chamados para sermos servos. Certamente não somos chamados para manipularmos as pessoas para o nosso próprio benefício ou lucro pessoal.

BÊNÇÃOS SEM DINHEIRO

Deveríamos ser grandemente abençoados ao lembrarmos Isaías 55:1-2: “Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares”.

Desde que nós tenhamos o entendimento de que as maiores bênçãos de Deus são dons gratuitos, então nós podemos dar de coração e com a motivação correta, e poderemos evitar sermos pressionados, manipulados ou abusados por vigaristas religiosos.

REIVINDICANDO O PLANO DE DEUS

Precisamos permanecer fortemente comprometidos com a Palavra de Deus e nos conservarmos positivamente focados. Sou totalmente a favor de devolver o dízimo, ofertar e promover a prosperidade bíblica. Se todo crente no Corpo de Cristo simplesmente devolvesse o seu dízimo em sua igreja local (dar 10% da sua receita) e ofertasse como o Senhor os guia a fazer, a obra de Deus estaria maravilhosamente suprida e progrediria tremendamente.

A Bíblia nos ensina que existem bênçãos que estão associadas ao dar, e que Deus “… tem prazer na prosperidade dos servos” (Salmos 35:27). Igrejas, missionários e ministérios precisam de dinheiro para funcionar e para a Grande Comissão.

O Corpo de Cristo precisa ser profundamente grato por todos os pastores, missionários e outros ministros confiáveis (inclusive muitos que estão na televisão) que compartilham o Evangelho e a Palavra de Deus de modo tão objetivo, com simplicidade e sinceridade. Agradeça a Deus por aqueles que estão conservando as águas puras!

O Corpo de Cristo deve ser forte e ver através da desordem e distrações e imperfeições humanas, à medida que seguimos o propósito de Deus para a nossa vida! O fato de alguns operarem por métodos inapropriados e questionáveis jamais deveria nos impedir de acreditarmos em Sua Palavra e fazer a coisa certa.

Deus ainda “… pode fazer-vos abundar em toda graça (todo favor e bênçãos terrestres), a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência [possuindo suficientemente e não precisando requisitar ajuda ou suporte e fornecendo em abundância para todo bom trabalho e doações de caridade], superabundeis em toda boa obra” (2 Coríntios 9:8, AMP). Vamos nos render livremente à graça de dar. Não deveríamos apenas receber da Sua generosidade, mas também deveríamos viver uma vida de generosa doação.

ALIMENTO DIÁRIO

QUALIFICADOS

CAPÍTULO 14 – CONSIDERAÇÕES PRÁTICAS A RESPEITO DE SABEDORIA FINANCEIRA E INTEGRIDADE

“Nós consideramos uma responsabilidade sagrada e uma oportunidade genuína sermos administradores fiéis de tudo o que Deus tem nos confiado; nosso tempo, nosso talento e nossos recursos financeiros. Vemos a vida como um encargo sagrado a ser usado sabiamente.” — Aliança Moraviana para a Vida

Pensamento-chave: Líderes espirituais são conscientes, responsáveis e diligentes em seu trato com o dinheiro.

Na ocasião em que escrevo isto, meu país tem experimentado um longo período de extrema dificuldade financeira. Os valores das casas despencaram e o desemprego permanece em alta. Nos últimos anos, um número sem precedentes de pessoas entrou em falência e muitas delas perderam os seus lares devido às execuções de hipotecas. Como resultado dessa recessão, muitas igrejas e ministérios e bons líderes espirituais cristãos foram adversamente afetados.

Estamos vivendo dias nos quais líderes não devem apenas ter uma grande fé para confiar e crer em Deus, mas também devem ter grande sabedoria para lidar sabiamente com o dinheiro. Nada neste capítulo pretende refletir negativamente ou trazer condenação para pessoas ou igrejas que sofre