ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 29: 1-5

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 V. 1 – Aqui:

1. A obstinação de muitos ímpios, em um caminho ímpio, deve ser muito lamentada. Eles são frequentemente repreendidos por parentes e amigos, por magistrados e ministros, pela providência de Deus e, pelas suas próprias consciências, têm seus pecados apresentados diante de si, e recebem justos avisos das consequências desses pecados, mas é tudo em vão: endurecem a cerviz. Talvez eles nem ouçam com paciência a repreensão, ou, se o fizerem, ainda assim continuem nos pecados pelos quais foram repreendidos; não curvarão seus pescoços ao jugo. são filhos de Belial; eles rejeitam a repreensão (Provérbios 10.17), e a desprezam (Provérbios 5.12), e a aborrecem (Provérbios 12.1).

2. O resultado dessa obstinação deve ser intensamente temido. Os que persistem no pecado, apesar das admoestações, serão destruídos: os que não desejarem ser transformados devem esperar ser destruídos; se as varas não alcançarem o seu objetivo, esperem os machados. Serão subitamente destruídos, em meio à sua segurança, e de maneira irremediável; eles pecaram contra o remédio de prevenção, e por isto não devem esperar nenhum remédio de recuperação. O inferno é a destruição sem remédio. Eles serão destruídos, e não haverá cura, este é o significado. Se Deus fere, quem poderá curar?

 

V. 2 – Isto já foi dito antes (Provérbios 28.12,18).

1. As pessoas terão motivo para se alegrar ou lamentar, conforme seus governantes sejam justos ou ímpios; pois, se os justos tiverem autoridade, o pecado será punido e reprimido, a religião e a virtude serão apoiadas e terão uma ótima reputação; mas se os ímpios tiverem poder em suas mãos, a iniquidade será abundante, a religião e as pessoas religiosas serão perseguidas, e assim os objetivos do governo serão pervertidos.

2. As pessoas se alegrarão ou lamentarão conforme seus governantes sejam justos ou ímpios. Até mesmo as pessoas comuns têm tal convicção, sob a excelência da virtude e da religião, e se alegrarão, quando as virem promovidas e estimuladas; e, ao contrário, ainda que os homens tenham muita honra e poder, se forem ímpios e perversos, e usarem mal os seus dons se tornarão desprezíveis e infames diante de todo o povo (como os sacerdotes, Malaquias 2,9), e os súditos se consideração infelizes sob tal governo.

 

V. 3 – As duas partes deste versículo repetem o que já foi dito frequentemente, mas, na comparação, o seu sentido será ampliado.

1. Devemos observar. para a honra de um homem virtuoso, que ele ama a sabedoria, ele é um filósofo (pois esta palavra significa alguém que ama a sabedoria). pois a religião é a melhor filosofia; ele evita as más companhias, e particularmente a companhia de mulheres libertinas. Desta maneira, ele alegra seus pais, tem a satisfação de ser uma consolação para eles, aumenta os seus bens. e tem maiores chances de desfrutar uma vida confortável.

2. Devemos observar, para a vergonha de um jovem mau, que ele odeia a sabedoria: ele conserva a companhia de mulheres reprováveis, que serão a sua ruína, tanto em corpo como em alma; ele angustia seus pais e, como o filho pródigo, devora o sustento deles com prostitutas. Nada empobrecerá os homens mais rapidamente do que os desejos impuros; e a melhor maneira de evitar estes desejos destrutivos é a sabedoria.

 

V.4 – Aqui, temos:

1. A felicidade de um povo sob um bom governo. A preocupação e os negócios de um príncipe devem ser estabelecer a terra, manter as suas leis fundamentais, tranquilizar a mente de seus súditos, proteger suas liberdades e propriedades de hostilidades e garanti-las para a posteridade, e colocar em ordem coisas que estavam faltando; isto eles devem fazer por avaliação, por sábios conselhos e pela firme administração da justiça, sem acepção de pessoas; assim terão estes bons resultados.

2. A infelicidade de um povo sob um mau go­ verno: um homem de oblações (é o que diz a anotação de margem de algumas traduções da Bíblia Sagrada ) destrói a terra; um homem que é sacrílego ou supersticioso, ou que invade a função dos sacerdotes, como Saul e Uzias – ou um homem que não deseja nada além de obter dinheiro, e, por um bom suborno, será tolerante até mesmo com os mais culpados, e, com esperança de um bom suborno, perseguirá o inocente – estes governantes destruirão uma nação.

 

V. 5 – Podem ser descritos como homens que lisonjeiam o seu próximo aqueles que elogiam e aplaudem o bem que há neles (o bem que fazem ou o bem que têm), o bem que não existe ou que não é como o descrevem, e que professam esta estima e afeto por eles, quando, na realidade, não o sentem; estes homens armam uma rede aos seus passos:

1. Para os passos do próximo, a quem lisonjeiam. Eles têm nisto um mau desígnio; eles não os elogiariam como o fazem, mas o fazem esperando obter algum benefício deles, e por isto é sensato suspeitar dos que nos lisonjeiam, porque estão, secretamente, armando uma cilada para nós, e por isto devemos estar sempre vigilantes. Ou o efeito será nocivo aos que são lisonjeados; isto os incha de orgulho e os torna convencidos e confiantes de si mesmos, e assim é uma rede que os envolve em pecado.

2. Para os seus próprios passos; assim interpretam alguns. Aquele que lisonjeia outras pessoas, com a expectativa de que retribuam seus elogios e o adulem, apenas se torna ridículo e odioso, mesmo para aqueles aos quais lisonjeia.

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PROVÉRBIOS 28: 13-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 13 – Aqui, temos:

1. A tolice de tolerar o pecado, de aliviá-lo e desculpá-lo, negá-lo ou reduzi-lo, diminuí-lo, dissimulá-lo, ou lançar a culpa por ele sobre outras pessoas: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará”, é melhor que nem espere isto. Ele não será bem-sucedido no seu esforço para encobrir o seu pecado, pois este será descoberto, mais cedo ou mais tarde. “Nada há encoberto que não haja de ser descoberto”. Um pássaro no ar levará a notícia. O homicídio será revelado, e também todos os outros pecados. Ele não prosperará, isto é, não obterá o perdão para o seu pecado, nem terá nenhuma verdadeira paz de consciência. Davi reconhece ter estado em constante agitação quando encobriu seus pecados (Salmos 32.3,4). Enquanto o paciente esconde a sua doença, não pode esperar uma cura.

2. O benefício de se afastar dele, tanto por uma confissão penitente como por uma transformação universal: aquele que confessa a Deus a sua culpa, e toma cuidado para nunca mais retornar ao pecado, alcançará misericórdia com Deus, e terá a consolação no seu próprio seio. A sua consciência será aliviada e a sua destruição, evitada. Veja 1 João 1.9; Jeremias 3.12,13. Quando colocamos o pecado diante de nossos olhos (como Davi: “O meu pecado está sempre diante de mim”), Deus o lançará para trás de Si.

 

V.14 – Aqui, temos:

1. O benefício de uma santa precaução. Parece estranho, mas é muito verdadeiro: “Bem-aventurado o homem que continuamente teme”. Muitas pessoas pensam que bem-aventurados são os que nunca temem; mas há um temor que está tão longe de ter um tormento em si, que tem consigo a maior satisfação. Bem-aventurado é o homem que sempre tem em mente um santo respeito e reverência por Deus, pela sua glória, bondade e pelo seu governo, que está sempre temendo ofender a Deus, e incorrer no seu desprazer, que conserva a consciência e teme a aparição do mal, que é sempre zeloso de si mesmo, que não confia na sua própria suficiência, e vive na expectativa de problemas e mudanças, para que, quando vierem. não sejam surpresas para ele. Aquele que conserva esse temor viverá uma vida de fé e vigilância, e por isto, bem-aventurado é ele, bem-aventurado e santo.

2. O perigo de uma arrogância pecaminosa: o que endurece o seu coração, que zomba do temor, e desafia a Deus e os seus juízos, e não se impressiona pela sua Palavra nem pela sua vara, este virá a cair no mal. A sua arrogância será a sua ruína, e qualquer pecado (que é o maior mal) em que venha a cair, será de\ido à dureza de seu coração.

 

V. 15 – Está escrito, “O príncipe dentre o teu povo não maldirás”; mas se o tal for um príncipe ímpio, que oprime o povo, especialmente as pessoas pobres, roubando-lhes o pouco que têm, e fazendo deles vítimas, não importa de que o chamemos, esta passagem das Escrituras o chama de “leão bramidor e urso faminto”.

1. Com respeito ao seu caráter. Ele é bruto, bárbaro e sedento de sangue; ele deve ser colocado entre os animais de rapina, os mais selvagens, e não ser incluído naquela nobre classe de se­ res cuja glória é a razão e a humanidade.

2. Com respeito à maldade que ele faz aos seus súditos. Ele é terrível e apavorante, como o leão que brama, que faz tremer as florestas; ele é como um urso faminto, e quanto mais fome sente, mais maldade faz, e mais ganho cobiça.

 

V. 16 – Duas coisas são aqui sugeridas como as causas da má administração dos príncipes:

1. O amor pelo dinheiro, a raiz de todos os males; o ódio à cobiça aqui se opõe à opressão, segundo o caráter que Moisés estipulou para os bons magistrados, homens tementes a Deus e que odeiem avareza (Êxodo 18.21 ), não somente não sendo cobiçosos, mas odiando a cobiça, e impedindo que as mãos segurem subornos. Um governante que é cobiçoso nunca agirá com justiça nem amará a misericórdia, mas as pessoas sujeitas a ele serão compradas e vendidas.

2. Falta de consideração. Aquele que odeia a cobiça prolongará o seu governo e a sua paz, será feliz com os sentimentos do seu povo e a bênção do seu Deus. É o interesse do príncipe, bem como seu dever, reinar com justiça. Portanto, os opressores e os tiranos são os maiores tolos do mundo; a eles, falta entendimento; eles não procuram a sua própria honra, o seu sossego e a sua segurança, mas sacrificam tudo à sua ambição de possuir um poder absoluto e arbitrário. Eles serão muito mais felizes nos corações de seus súditos do que em suas posições eminentes ou em suas propriedades.

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PROVÉRBIOS 28: 25-28

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 25 – Observe:

1. Tornam-se magros, e inquietos, os que são soberbos e contenciosos, pois se opõem aos que engordam: aquele que tem um coração soberbo, que é convencido e olha com desprezo a todos ao seu redor, que não suporta competição nem contradição, levanta contendas, causa prejuízos, e cria perturbações para si mesmo e para todos os demais.

2. Engordarão, e estarão sempre tranquilos, os que vivem em contínua confiança em Deus e na sua graça; o que deposita sua confiança no Senhor, que, em lugar de lutar sozinho, entrega a sua causa a Deus, engordará. Ele economiza o dinheiro que os outros gastam com sua soberba e suas contendas; ele se deleita e tem abundante satisfação no Senhor seu Deus; e assim, a sua alma está em paz, e provavelmente ele terá abundância de boas coisas materialmente. Ninguém vive de maneira tão tranquila e tão agradável como os que vivem pela fé.

 

V. 26 – Aqui, temos:

1. O caráter de um tolo: ele confia no seu próprio coração, na sua própria sabedoria e nos seus conselhos, na sua própria força e suficiência, no seu próprio mérito e justiça. e na boa opinião que tem de si mesmo; aquele que faz isto é um insensato, pois confia naquilo que não somente é enganador, mais do que todas as coisas (Jeremias 17.9), mas que sempre o enganou. Isto indica que é o caráter de um homem sábio (como antes, v. 25) depositar a sua confiança no Senhor; e no seu poder, e na sua promessa, e seguir a sua orientação (Provérbios 3.5,6).

2. A consolação de um homem sábio: o que anda sabiamente, que não confia no seu próprio coração, mas é humilde e não confia em si mesmo, e confia na força do Senhor Deus, escapará; ao passo que o insensato, que confia no seu próprio coração, será destruído.

 

V. 27 – Aqui, temos:

1. Uma promessa para os caridosos: aquele que dá ao pobre nunca ficará mais pobre por fazer isto: ele não terá necessidade. Se tiver pouco, e, portanto, estiver em perigo de ter necessidade, que dê um pouco do que tem, e isto o impedirá de chegar a não ter nada; como a generosidade da viúva de Sarepta a Elias (para quem ela fez, primeiro, um bolo pequeno) salvou o que ela tinha, quando estava reduzida a um punhado de farinha. Se ele tem muito, que dê o muito que tem. e isto impedirá a diminuição do que tem: ele e os seus não terão necessidade do que é dado em piedosa caridade. O que demos, temos.

2. Uma ameaça aos não generoso: O que esconde os olhos para não ver a infelicidade do pobre, nem ler as suas súplicas, para que seus olhos não influenciem o seu coração, extorquindo dele alguma ajuda, terá muitas maldições, tanto de Deus como dos homens, e nenhuma delas infundada; portanto, todas virão. Lamentável é a condição do homem que tem contra si a Palavra de Deus e também as orações dos pobres.

 

V. 28 – Isto tem o mesmo objetivo do que já lemos (v. 12).

1. Quando os ímpios sobem, aquele que é bom se torna obscuro e diminuído. Quando os ímpios chegam ao poder, os homens se escondem; os sábios se retiram, e se isolam, e recusam serviços públicos, não desejando trabalhar submissos aos ímpios: os ricos saem do caminho, temendo ser privados do que têm; e, o que é o pior de tudo, os homens de bem se escondem, sem esperanças de fazer o bem e temendo ser perseguidos e maltratados.

2. Quando os ímpios sofrem desgraças, degradação e o poder é tirado deles, então aquilo que é bom revive outra vez, e os justos se multiplicam; pois, quando os ímpios perecerem, no seu lugar serão postos homens bons que, por seu exemplo e interesse, incentivarão a religião e a justiça. É bom, para uma terra, quando o número de pessoas boas nela aumenta; portanto, é a política de todos os príncipes, governantes e potentados, incentivá-los e tomar cuidados especiais com a boa educação dos jovens.

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PROVÉRBIOS 28: 21-24

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V21 – Observe:

1. É um erro fundamental na administração da justiça, e apenas leva os homens à abundância de transgressão, considerar os lados envolvidos mais do que os méritos da causa, de modo a favorecer um dos lados porque é um nobre, um acadêmico, um compatriota, um velho conhecido, ou alguém que nos fez alguma bondade, ou pode nos fazer uma, ou tem a mesma filosofia que nós, e oprimir o outro lado, porque é estrangeiro, pobre, ou nos fez algum mal, ou é ou foi nosso rival, ou não tem a mesma filosofia que nós, ou votou contra nós. O juízo é pervertido quando qualquer consideração desse tipo é admitida na balança, qualquer coisa, que não a pura justiça.

2. Aqueles que são parciais serão desprezíveis. Aqueles que romperam os limites da equidade, embora, a princípio, isto pudesse parecer um grande suborno, um nobre presente que os torna parciais, enganaram as suas próprias consciências; no final eles serão tão sórdidos que, por um pedaço de pão julgarão contra as suas consciências; eles preferirão ter poucos benefícios a não ter nenhum.

 

V. 22 – Aqui, novamente, Salomão mostra o pecado e a tolice dos que desejam ser ricos: eles decidiram que o serão, certos ou errados; eles o serão, o mais rápido possível; eles estão acumulando bens apressadamente.

1. Eles não têm nisto nenhuma consolação: Eles têm um olho mau, isto é, estão sempre se angustiando por causa dos que têm mais do que eles, e estão sempre reclamando de suas despesas necessárias, porque pensam que os outros os impedem de parecer ricos, e as despesas os impedem de ser ricos, e entre ambos eles ficam perpetuamente atormentados.

2. Eles não têm certeza da continuidade disto, mas não se dedicam a tomar providências contra a sua perda. A pobreza há de vir sobre eles, e as riquezas para as quais fizeram asas, para que pudessem voar até elas. farão asas para si mesmas, para voar e se afastar deles; mas eles sentem-se seguros e são imprudentes, e não consideram o fato de que, enquanto estão se apressando para ser ricos, na verdade estão se apressando para ser pobres; caso contrário, não se atira­ riam a riquezas incertas.

 

V. 23 – Observe:

1. Os aduladores podem agradar por algum tempo aos que, depois de pensar melhor. os detestarão e desprezarão. Se eles vierem a ser convencidos do mal dos caminhos pecaminosos em que são adulados, e se envergonharem da soberba e da vaidade que gratificaram com estas adulações, detestarão os aduladores por terem tido maus desígnios contra eles, e as adulações falsas e excessivas, por terem tido um mau efeito sobre eles, e por terem se tornado repugnantes.

2. Os que repreendem podem desagradar, a princípio, aos que, posteriormente, quando a paixão passar e o remédio amargo começar a trabalhar bem, os amarão e respeitarão. Aquele que se relaciona fielmente com seu amigo, que lhe fala sobre os seus erros, ainda que ele se inflame por algum tempo, e talvez receba palavras duras, em lugar de agradecimentos, pelos seus esforços, no futuro não somente terá o consolo, no seu próprio seio, de ter feito o seu dever, mas aquele a quem reprovou reconhecerá que isto foi um ato de bondade, e terá uma boa opinião da sua sabedoria e fidelidade, e o considerará apropriado para amigo. Aquele que reclama contra o seu médico, por machucá-lo, quando este está procurando o seu ferimento, ainda lhe pagará bem, e também lhe agradecerá, depois de curado.

 

V. 24 – Da mesma maneira como Cristo mostra o absurdo e a iniquidade daqueles filhos que pensam que não têm nenhum dever, em alguns casos, de sustentar seus pais (Mateus 15.5), também Salomão aqui mostra o absurdo e a iniquidade dos que pensam que não é pecado roubar seus pais, seja pela força ou secretamente, lisonjeando­ os ou ameaçando-os, ou dissipando tudo o que eles têm, e (o que não é nada melhor do que roubá-los) contraindo dívidas e deixando o pagamento sob responsabilidade deles.

1. Isto normalmente é menosprezado por filhos rebeldes: eles dizem: “Não é transgressão, pois logo isto será nosso, nossos pais podem muito bem viver sem esse dinheiro, nós temos um uso para ele, não podemos viver como nobres com os recursos que os nossos pais nos dão; é muito difícil para nós”. Com estas desculpas, eles se esforçam para desviar a condenação. Mas:

2. Ainda que uma juventude descontrolada menospreze este pecado, ele é, na realidade, um pecado muito grave; aquele que o comete é companheiro do destruidor, e não é melhor do que um ladrão na estrada. Que iniquidades terá escrúpulos para cometer alguém que rouba aos seus próprios pais?

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PROVÉRBIOS 28: 17-20

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 17 – Isto está de acordo com aquela lei antiga, “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado” (Genesis 9.6), e proclama:

1. O destino daquele que derrama sangue. Aquele que cometeu assassinato, ainda que fuja para salvar a sua vida, será continuamente assombrado por terrores, ele mesmo correrá para a cova, revelará a si mesmo, e atormentará a si mesmo, como Caim, que, depois de matar seu irmão, se tornou um fugitivo, e um vagabundo, e tremeu continuamente.

2. O dever do vingador de sangue, seja o magistrado ou o parente próximo, ou quem quer que esteja interessado em buscar ajustiça do sangue, que seja vigoroso na acusação e não se deixe comprar ou subornar. Os que absolvem o assassino, ou fazem qualquer coisa que ajude a libertá-lo, participam da culpa do sangue; e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que se derramar nela, senão com o sangue daquele que o derramou (Números 35.33).

 

V. 18 – Observe:

1. Os que são honestos estão sempre a sal­ vo. O que anda sinceramente, que fala o que pensa, tem os olhos voltados para a glória de Deus, e o bem dos seus irmãos, que não faria nada injusto intencionalmente, salvar-se-á. Nós encontramos uma companhia gloriosa naqueles em cuja boca não se acha engano (Apocalipse 14.5). Eles estarão a salvo agora. A integridade e a retidão preservarão os homens, e lhes darão uma santa segurança no pior dos momentos; pois preservarão a sua consolação, a sua reputação e todos os seus interesses. Eles podem ser prejudicados, mas não podem ser feridos.

2. Os que são falsos e desonestos nunca estão a salvo: o perverso em seus caminhos, que pensa se proteger por métodos fraudulentos, por dissimulação e traição, ou por uma propriedade obtida ilicitamente. cairá. ou melhor, cairá logo, não gradualmente e com aviso. mas repentinamente, sem aviso prévio, pois estará menos a salvo quando estiver se sentindo mais seguro. Ele cairá logo e de uma vez, e nem terá tempo para se proteger da sua ruína nem para se prevenir dela; e, sendo a queda urna surpresa para ele, será um terror ainda maior.

 

V. 19 – Observe:

1. Os que são diligentes no seu trabalho seguem o caminho para viver confortavelmente; o que lavra a sua terra e cuida do seu trabalho. qualquer que seja, virá a fartar-se de pão. daquilo que é necessário para ele mesmo e para a sua família, e com que pode ser caridoso com os pobres; ele comerá o trabalho de suas mãos.

2. Os que são ociosos, e descuidados. embora se permitam viver com tranquilidade e prazer, tomam o caminho que os leva a viver em infelicidade. O que tem terras e se valoriza por isto, mas não a cultiva, e segue a ociosos, bebe com eles, e os acompanha em suas diversões vãs, e desperdiça seu tempo, este terá pobreza suficiente, e se fartará de pobreza (este é o significado da palavra); ele toma os caminhos que levam à pobreza tão diretamente, que ele parece cortejá-la, e terá toda a sua medida dela.

 

V. 20 – Aqui:

1. Nós somos instruídos no caminho verdadeiro para ser felizes, que é ser santos e honestos. O homem fiel a Deus e ao homem será abençoado pelo Senhor, e abundará em bênçãos que virão de fontes elevadas e subterrâneas. Os homens o louvarão, e orarão por ele, e estarão dispostos a lhe fazer qualquer bondade. Ele será abundante em fazer o bem, e ele mesmo será uma bênção para o lugar onde vive. A utilidade será a recompensa da fidelidade, e é uma boa recompensa.

2. Nós somos advertidos contra um caminho falso e enganoso para a felicidade, e este caminho consiste em, de um modo certo ou errado, acumular propriedades repentinamente. Não diga, este é o caminho para ter abundantes bênçãos, pois aquele que se apressa para ser rico, tem mais pressa do que sucesso, e não será considerado inocente: e, se não é inocente, não será abençoado por Deus. mas trará uma maldição sobre o que tem; ou ainda, se não é inocente, não poderá ficar tranquilo por muito tempo; não será considerado inocente por seus vizinhos, pelo contrário, estes sempre terão má vontade com ele, e ele, por sua vez, sempre terá má reputação com eles. Salomão não diz que ele não pode ser inocente. mas existe toda a probabilidade de que não o seja. O que se apressa peca com seus pés peca, tropeça, cai. Que reverência pela lei, que temor, que vergonha, sentiu um avarento apressado para se tornar rico?

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PROVÉRBIOS 28: 9-12

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 9 – Observe:

1. É pela Palavra e pela oração que a nossa comunhão com Deus é mantida. Deus fala conosco por intermédio da sua lei, e espera que nós o ouçamos e prestemos atenção a Ele; nós falamos com Ele por intermédio da oração, e esperamos que ela obtenha uma resposta de paz. Quão reverentes e sérios devemos ser, sempre que estivermos ouvindo o Senhor da glória, ou falando com Ele.

2. Se não considerarmos a Palavra de Deus, as nossas orações não somente não serão aceitas por Ele, como serão uma abominação para Ele, não somente os nossos sacrifícios, que eram indicações cerimoniais, mas até mesmo as nossas orações. que são deveres morais e que, quando são oferecidas pelos justos, são o seu deleite. Veja Isaías 1.11,15. O pecador cujas orações desagradam a Deus é aquele que, voluntariamente e obstinadamente, se recusa a obedecer aos mandamentos de Deus, que não somente não deseja ouvi-los, mas faz com que seu ouvido decline da lei, e se recusa a ouvir quando Deus o chama; por isto. Deus. com razão, se recusará a ouvir; quando ele chamar. Veja Provérbios 1.24,28.

 

V, 10 – Aqui, temos:

1. O destino dos sedutores, que tentam atrair as pessoas de bem, ou as que professam ser boas, ao pecado e à maldade, que se orgulham em fazer com que os justos se desviem para um caminho mau, atraindo-os a uma cilada, para que possam insultá-los. Eles não conseguirão o seu objetivo; é impossível enganar os eleitos. Mas eles mesmos cairão na sua própria cova; e não sendo somente pecadores, mas tentadores, não somente injustos, mas inimigos dos justos, a sua condenação será muito maior (Mateus 23.14,15).

2. A felicidade dos sinceros. Não somente serão preservados do mau caminho ao qual os ímpios desejam atraí-los, como terão boas coisas, as melhores coisas, as graças e as consolações do Espírito de Deus, além de todas as outras bênçãos que receberão.

 

V. 11 – Observe:

1. Os que são ricos são propensos a se julgar sábios, porque, qualquer coisa que desconheçam, sabem como obter e guardar; e os que são orgulhosos das suas posses esperam que tudo o que dizem seja considerado como um oráculo e uma lei, e que ninguém ouse contradizê-los, mas todos devem se curvar a eles; este estado de espírito é alimentado por aduladores, que, por serem alimentados à sua mesa (como os profetas de Jezabel), aclamam a sua sabedoria.

2. Os que são pobres muitas vezes se mostram mais sábios do que os ricos; um pobre, que se esforçou para obter sabedoria, não tendo outra maneira (como tem o homem rico) de obter uma reputação, o examina, e mostra que ele não é o estudioso nem o político que o julgam ser. Veja de que maneiras tão variadas Deus distribui os seus dons; a alguns Ele dá riqueza, a outros, sabedoria, e é fácil dizer qual é o melhor dom, qual devemos cobiçar com maior fervor.

 

V. 12 – Observe:

1. A consolação do povo de Deus é a honra da nação em que eles vivem. Há uma grande glória na terra quando os justos se alegram, quando têm sua liberdade, o livre exercício da sua religião, e não são perseguidos, quando o governo os incentiva e lhes fala de maneira consoladora, quando prosperam e enriquecem, e, muito mais, quando são promovidos e empregados e têm poder colocado em suas mãos.

2. A prosperidade dos ímpios ofusca a beleza de uma nação: quando os ímpios sobem, e progridem, combatem tudo o que é sagrado, e então os homens se escondem, os homens de bem são lançados à obscuridade, e precisam se esconder para a sua própria segurança; as corrupções são tão predominantes que, como nos tempos de Elias, parece não sobrar nenhum homem bom, tantos são os homens ímpios.

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PROVÉRBIOS 28: 5-8

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Observe:

I – Da mesma maneira como a predominância dos desejos dos homens se deve às trevas do seu entendimento, também as trevas do seu entendimento se devem, em grande parte, ao domínio de seus desejos: os homens não entendem o juízo, não discernem entre a verdade e a falsidade, entre o certo e o errado; eles não entendem a lei de Deus como aquilo que deve governar o seu dever ou o seu destino; e:

1. Por isto, são homens maus; a sua iniquidade é o resultado da sua ignorância e do seu erro (Efésios 4.18).

2. Por isto, não entendem o juízo, porque são homens maus; as suas corrupções cegam os seus olhos, e os enchem de preconceitos, e, como fazem o mal, odeiam a luz. É justo que Deus os entregue a fortes ilusões.

 

II – Da mesma maneira como o fato dos homens buscarem ao Senhor é um bom sinal de que entendem tudo, também é um bom meio para que entendam mais, todas as coisas necessárias para eles. Os que colocam a glória de Deus diante de si, como seu objetivo, a sua benevolência como sua felicidade, e a sua Palavra como sua lei, e recorrem a Ele, em todas as ocasiões, por meio da oração, estes buscam o Senhor, e Ele lhes dará o espirito de sabedoria. Se um homem fizer a sua vontade, conhecerá a sua doutrina (João 7.17). Um bom entendimento eles têm, e um entendimento melhor terão, os que obedecem aos mandamentos do Senhor (Salmos 111.10; 1 Co 2.12,15).

 

V. 6 – Aqui:

1. Supõe-se que um homem possa andar na sua sinceridade e ainda assim ser pobre neste mundo, o que é uma tentação para a desonestidade, e ainda assim possa resistir à tentação e continuar a andar na sua sinceridade – e também que um homem possa ser perverso, em seus caminhos, ofensivo a Deus e ao homem, e ser rico, e prosperar no mundo durante algum tempo, e estar sob grandes obrigações e ter grandes oportunidades para fazer o bem, mas ser perverso em seus caminhos e fazer uma grande quantidade de mal.

2. Considera-se um paradoxo para um mundo cego que um homem pobre, honesto e piedoso seja melhor do que um homem rico, ímpio e profano, que tenha melhor caráter, esteja em melhor condição, tenha mais consolação em si mesmo, seja uma maior bênção para o mundo, e seja muito mais merecedor de honra e respeito. Não somente é certo que o seu caso será melhor na morte, mas é melhor na vida.

Quando Aristides foi censurado por um homem rico pela sua pobreza, respondeu: as tuas riquezas te fazem mais mal do que a minha pobreza, a mim.

 

V. 7 – Observe:

1. A religião é a verdadeira sabedoria, e torna os homens sábios. Aquele que guarda a lei conscienciosamente é sábio, e será particular mente um filho sábio, isto é, agirá com prudência com seus pais. pois a lei de Deus o ensina a fazer isto.

2. As más companhias são um grande obstáculo à religião. Os que são companheiros de homens desordenados. que os escolhem como seus companheiros e se alegram com o seu convívio, certamente serão impedidos de guardar a lei de Deus, e levados a transgredi-la (Salmos 119.115).

3. A iniquidade não somente é uma vergonha para o próprio pecador, mas para todos os que se relacionam com ele. Aquele que tem companheiros devassos. e gasta o seu tempo e dinheiro com eles, não somente entristece seus pais, mas os envergonha; será uma vergonha para eles, como se eles não tivessem cumprido a sua obrigação com ele. Eles se envergonham com o fato de que um filho seu escandalize e maltrate os seus vizinhos.

 

V. 8 – Observe:

1. Aquilo que é obtido ilicitamente, ainda que possa crescer, não durará muito tempo. Um homem pode, talvez, aumentar a sua fazenda com usura e onzena, fraude e opressão aos pobres, e tudo isto em pouco tempo, mas isto não continuará: ele ajunta para si mesmo, mas verá que reuniu para outra pessoa pela qual não sente bondade. A sua propriedade decairá, e a de outro homem surgirá, das ruínas da sua.

2. Às vezes, Deus, na sua providência, ordena que aquilo que alguém obteve injustamente, seja utilizado por outra pessoa de uma forma caridosa; estranhamente, os bens vão parar nas mãos de alguém que terá piedade dos pobres. e fará o bem com eles, transformando em bênçãos a maldição que foi trazida por aquele que conseguiu os bens por meio de fraude e violência. A mesma Providência, então. que pune os cruéis, e os incapacita a fazer mais males, recompensa os misericordiosos, e os capacita a fazer uma quantidade ainda maior de bem. Ao que tem dez minas daí a mina que o mau servo escondeu no lenço, pois a qualquer que tiver, e usar bem, ser-lhe-á dado (Lucas 19.24). Assim os pobres são recompensados, a caridade é encorajada, e Deus é glorificado.