ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 17-20

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 17 – Isto está de acordo com aquela lei antiga, “Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado” (Genesis 9.6), e proclama:

1. O destino daquele que derrama sangue. Aquele que cometeu assassinato, ainda que fuja para salvar a sua vida, será continuamente assombrado por terrores, ele mesmo correrá para a cova, revelará a si mesmo, e atormentará a si mesmo, como Caim, que, depois de matar seu irmão, se tornou um fugitivo, e um vagabundo, e tremeu continuamente.

2. O dever do vingador de sangue, seja o magistrado ou o parente próximo, ou quem quer que esteja interessado em buscar ajustiça do sangue, que seja vigoroso na acusação e não se deixe comprar ou subornar. Os que absolvem o assassino, ou fazem qualquer coisa que ajude a libertá-lo, participam da culpa do sangue; e nenhuma expiação se fará pela terra por causa do sangue que se derramar nela, senão com o sangue daquele que o derramou (Números 35.33).

 

V. 18 – Observe:

1. Os que são honestos estão sempre a sal­ vo. O que anda sinceramente, que fala o que pensa, tem os olhos voltados para a glória de Deus, e o bem dos seus irmãos, que não faria nada injusto intencionalmente, salvar-se-á. Nós encontramos uma companhia gloriosa naqueles em cuja boca não se acha engano (Apocalipse 14.5). Eles estarão a salvo agora. A integridade e a retidão preservarão os homens, e lhes darão uma santa segurança no pior dos momentos; pois preservarão a sua consolação, a sua reputação e todos os seus interesses. Eles podem ser prejudicados, mas não podem ser feridos.

2. Os que são falsos e desonestos nunca estão a salvo: o perverso em seus caminhos, que pensa se proteger por métodos fraudulentos, por dissimulação e traição, ou por uma propriedade obtida ilicitamente. cairá. ou melhor, cairá logo, não gradualmente e com aviso. mas repentinamente, sem aviso prévio, pois estará menos a salvo quando estiver se sentindo mais seguro. Ele cairá logo e de uma vez, e nem terá tempo para se proteger da sua ruína nem para se prevenir dela; e, sendo a queda urna surpresa para ele, será um terror ainda maior.

 

V. 19 – Observe:

1. Os que são diligentes no seu trabalho seguem o caminho para viver confortavelmente; o que lavra a sua terra e cuida do seu trabalho. qualquer que seja, virá a fartar-se de pão. daquilo que é necessário para ele mesmo e para a sua família, e com que pode ser caridoso com os pobres; ele comerá o trabalho de suas mãos.

2. Os que são ociosos, e descuidados. embora se permitam viver com tranquilidade e prazer, tomam o caminho que os leva a viver em infelicidade. O que tem terras e se valoriza por isto, mas não a cultiva, e segue a ociosos, bebe com eles, e os acompanha em suas diversões vãs, e desperdiça seu tempo, este terá pobreza suficiente, e se fartará de pobreza (este é o significado da palavra); ele toma os caminhos que levam à pobreza tão diretamente, que ele parece cortejá-la, e terá toda a sua medida dela.

 

V. 20 – Aqui:

1. Nós somos instruídos no caminho verdadeiro para ser felizes, que é ser santos e honestos. O homem fiel a Deus e ao homem será abençoado pelo Senhor, e abundará em bênçãos que virão de fontes elevadas e subterrâneas. Os homens o louvarão, e orarão por ele, e estarão dispostos a lhe fazer qualquer bondade. Ele será abundante em fazer o bem, e ele mesmo será uma bênção para o lugar onde vive. A utilidade será a recompensa da fidelidade, e é uma boa recompensa.

2. Nós somos advertidos contra um caminho falso e enganoso para a felicidade, e este caminho consiste em, de um modo certo ou errado, acumular propriedades repentinamente. Não diga, este é o caminho para ter abundantes bênçãos, pois aquele que se apressa para ser rico, tem mais pressa do que sucesso, e não será considerado inocente: e, se não é inocente, não será abençoado por Deus. mas trará uma maldição sobre o que tem; ou ainda, se não é inocente, não poderá ficar tranquilo por muito tempo; não será considerado inocente por seus vizinhos, pelo contrário, estes sempre terão má vontade com ele, e ele, por sua vez, sempre terá má reputação com eles. Salomão não diz que ele não pode ser inocente. mas existe toda a probabilidade de que não o seja. O que se apressa peca com seus pés peca, tropeça, cai. Que reverência pela lei, que temor, que vergonha, sentiu um avarento apressado para se tornar rico?

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PROVÉRBIOS 28: 9-12

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 9 – Observe:

1. É pela Palavra e pela oração que a nossa comunhão com Deus é mantida. Deus fala conosco por intermédio da sua lei, e espera que nós o ouçamos e prestemos atenção a Ele; nós falamos com Ele por intermédio da oração, e esperamos que ela obtenha uma resposta de paz. Quão reverentes e sérios devemos ser, sempre que estivermos ouvindo o Senhor da glória, ou falando com Ele.

2. Se não considerarmos a Palavra de Deus, as nossas orações não somente não serão aceitas por Ele, como serão uma abominação para Ele, não somente os nossos sacrifícios, que eram indicações cerimoniais, mas até mesmo as nossas orações. que são deveres morais e que, quando são oferecidas pelos justos, são o seu deleite. Veja Isaías 1.11,15. O pecador cujas orações desagradam a Deus é aquele que, voluntariamente e obstinadamente, se recusa a obedecer aos mandamentos de Deus, que não somente não deseja ouvi-los, mas faz com que seu ouvido decline da lei, e se recusa a ouvir quando Deus o chama; por isto. Deus. com razão, se recusará a ouvir; quando ele chamar. Veja Provérbios 1.24,28.

 

V, 10 – Aqui, temos:

1. O destino dos sedutores, que tentam atrair as pessoas de bem, ou as que professam ser boas, ao pecado e à maldade, que se orgulham em fazer com que os justos se desviem para um caminho mau, atraindo-os a uma cilada, para que possam insultá-los. Eles não conseguirão o seu objetivo; é impossível enganar os eleitos. Mas eles mesmos cairão na sua própria cova; e não sendo somente pecadores, mas tentadores, não somente injustos, mas inimigos dos justos, a sua condenação será muito maior (Mateus 23.14,15).

2. A felicidade dos sinceros. Não somente serão preservados do mau caminho ao qual os ímpios desejam atraí-los, como terão boas coisas, as melhores coisas, as graças e as consolações do Espírito de Deus, além de todas as outras bênçãos que receberão.

 

V. 11 – Observe:

1. Os que são ricos são propensos a se julgar sábios, porque, qualquer coisa que desconheçam, sabem como obter e guardar; e os que são orgulhosos das suas posses esperam que tudo o que dizem seja considerado como um oráculo e uma lei, e que ninguém ouse contradizê-los, mas todos devem se curvar a eles; este estado de espírito é alimentado por aduladores, que, por serem alimentados à sua mesa (como os profetas de Jezabel), aclamam a sua sabedoria.

2. Os que são pobres muitas vezes se mostram mais sábios do que os ricos; um pobre, que se esforçou para obter sabedoria, não tendo outra maneira (como tem o homem rico) de obter uma reputação, o examina, e mostra que ele não é o estudioso nem o político que o julgam ser. Veja de que maneiras tão variadas Deus distribui os seus dons; a alguns Ele dá riqueza, a outros, sabedoria, e é fácil dizer qual é o melhor dom, qual devemos cobiçar com maior fervor.

 

V. 12 – Observe:

1. A consolação do povo de Deus é a honra da nação em que eles vivem. Há uma grande glória na terra quando os justos se alegram, quando têm sua liberdade, o livre exercício da sua religião, e não são perseguidos, quando o governo os incentiva e lhes fala de maneira consoladora, quando prosperam e enriquecem, e, muito mais, quando são promovidos e empregados e têm poder colocado em suas mãos.

2. A prosperidade dos ímpios ofusca a beleza de uma nação: quando os ímpios sobem, e progridem, combatem tudo o que é sagrado, e então os homens se escondem, os homens de bem são lançados à obscuridade, e precisam se esconder para a sua própria segurança; as corrupções são tão predominantes que, como nos tempos de Elias, parece não sobrar nenhum homem bom, tantos são os homens ímpios.

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PROVÉRBIOS 28: 5-8

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 5 – Observe:

I – Da mesma maneira como a predominância dos desejos dos homens se deve às trevas do seu entendimento, também as trevas do seu entendimento se devem, em grande parte, ao domínio de seus desejos: os homens não entendem o juízo, não discernem entre a verdade e a falsidade, entre o certo e o errado; eles não entendem a lei de Deus como aquilo que deve governar o seu dever ou o seu destino; e:

1. Por isto, são homens maus; a sua iniquidade é o resultado da sua ignorância e do seu erro (Efésios 4.18).

2. Por isto, não entendem o juízo, porque são homens maus; as suas corrupções cegam os seus olhos, e os enchem de preconceitos, e, como fazem o mal, odeiam a luz. É justo que Deus os entregue a fortes ilusões.

 

II – Da mesma maneira como o fato dos homens buscarem ao Senhor é um bom sinal de que entendem tudo, também é um bom meio para que entendam mais, todas as coisas necessárias para eles. Os que colocam a glória de Deus diante de si, como seu objetivo, a sua benevolência como sua felicidade, e a sua Palavra como sua lei, e recorrem a Ele, em todas as ocasiões, por meio da oração, estes buscam o Senhor, e Ele lhes dará o espirito de sabedoria. Se um homem fizer a sua vontade, conhecerá a sua doutrina (João 7.17). Um bom entendimento eles têm, e um entendimento melhor terão, os que obedecem aos mandamentos do Senhor (Salmos 111.10; 1 Co 2.12,15).

 

V. 6 – Aqui:

1. Supõe-se que um homem possa andar na sua sinceridade e ainda assim ser pobre neste mundo, o que é uma tentação para a desonestidade, e ainda assim possa resistir à tentação e continuar a andar na sua sinceridade – e também que um homem possa ser perverso, em seus caminhos, ofensivo a Deus e ao homem, e ser rico, e prosperar no mundo durante algum tempo, e estar sob grandes obrigações e ter grandes oportunidades para fazer o bem, mas ser perverso em seus caminhos e fazer uma grande quantidade de mal.

2. Considera-se um paradoxo para um mundo cego que um homem pobre, honesto e piedoso seja melhor do que um homem rico, ímpio e profano, que tenha melhor caráter, esteja em melhor condição, tenha mais consolação em si mesmo, seja uma maior bênção para o mundo, e seja muito mais merecedor de honra e respeito. Não somente é certo que o seu caso será melhor na morte, mas é melhor na vida.

Quando Aristides foi censurado por um homem rico pela sua pobreza, respondeu: as tuas riquezas te fazem mais mal do que a minha pobreza, a mim.

 

V. 7 – Observe:

1. A religião é a verdadeira sabedoria, e torna os homens sábios. Aquele que guarda a lei conscienciosamente é sábio, e será particular mente um filho sábio, isto é, agirá com prudência com seus pais. pois a lei de Deus o ensina a fazer isto.

2. As más companhias são um grande obstáculo à religião. Os que são companheiros de homens desordenados. que os escolhem como seus companheiros e se alegram com o seu convívio, certamente serão impedidos de guardar a lei de Deus, e levados a transgredi-la (Salmos 119.115).

3. A iniquidade não somente é uma vergonha para o próprio pecador, mas para todos os que se relacionam com ele. Aquele que tem companheiros devassos. e gasta o seu tempo e dinheiro com eles, não somente entristece seus pais, mas os envergonha; será uma vergonha para eles, como se eles não tivessem cumprido a sua obrigação com ele. Eles se envergonham com o fato de que um filho seu escandalize e maltrate os seus vizinhos.

 

V. 8 – Observe:

1. Aquilo que é obtido ilicitamente, ainda que possa crescer, não durará muito tempo. Um homem pode, talvez, aumentar a sua fazenda com usura e onzena, fraude e opressão aos pobres, e tudo isto em pouco tempo, mas isto não continuará: ele ajunta para si mesmo, mas verá que reuniu para outra pessoa pela qual não sente bondade. A sua propriedade decairá, e a de outro homem surgirá, das ruínas da sua.

2. Às vezes, Deus, na sua providência, ordena que aquilo que alguém obteve injustamente, seja utilizado por outra pessoa de uma forma caridosa; estranhamente, os bens vão parar nas mãos de alguém que terá piedade dos pobres. e fará o bem com eles, transformando em bênçãos a maldição que foi trazida por aquele que conseguiu os bens por meio de fraude e violência. A mesma Providência, então. que pune os cruéis, e os incapacita a fazer mais males, recompensa os misericordiosos, e os capacita a fazer uma quantidade ainda maior de bem. Ao que tem dez minas daí a mina que o mau servo escondeu no lenço, pois a qualquer que tiver, e usar bem, ser-lhe-á dado (Lucas 19.24). Assim os pobres são recompensados, a caridade é encorajada, e Deus é glorificado.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 28: 1-4

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

 V. 1 – Veja aqui:

1. Os espantos contínuos a que estão sujeitos os que andam em caminhos ímpios. A culpa na consciência torna os homens um terror para si mesmos. de modo que estão prontos a fugir quando ninguém os persegue; como aquele que se esconde por causa de dívidas, que pensa que todos os que encontra são oficiais de justiça ou cobradores. Ainda que finjam estar em tranquilidade, há temores secretos que os assombram, onde quer que estejam, de modo que temem quando não existe nenhum perigo presente ou iminente (Salmos 53.5). Os que fizeram de Deus seu inimigo, e sabem disto, não podem deixar de sentir que toda a criação está em guerra contra eles, e por isto não têm o verdadeiro prazer, não têm confiança, nem coragem, mas somente uma espera temerosa pelo juízo. O pecado torna os homens covardes.

Se fogem quando ninguém os persegue, o que farão, quando virem o próprio Deus perseguindo-os com seus exércitos? (Jó 20.24; 15.24). Veja Deuteronômio 28.25; Levítico 26.36.

2. A santa segurança e paz de espírito de que desfrutam aqueles que se empenham em se conservar sem transgressões e no amor de Deus: O “justo está confiado como o filho do leão”; nos maiores perigos, eles têm um Deus Todo-Poderoso, em quem confiar. Portanto, “não temeremos ainda que a terra se transtorne” (Salmos 46.2. na versão RA). Quaisquer que sejam as dificuldades que encontrarem no caminho do seu dever, eles não se assustam com elas. Nada destas coisas me incomoda.

 

V. 2 – Observe:

1. Os pecados nacionais trazem desordens nacionais e a perturbação da paz pública: Por causa da transgressão da terra, e do abandono geral de Deus e da religião, em busca da idolatria, profanação ou imoralidade, muitos são os seus príncipes; são muitos que, ao mesmo tempo, têm pretensões de soberania, e que disputam o poder, e assim o povo é dividido em grupos e facções que se mordem e se devoram, uns aos outros; talvez muitos, sucessivamente, em pouco tempo, eliminem-se uns aos outros, como lemos em 1 Reis 6.8 e versículos seguintes, ou logo sejam cortados pela mão de Deus, ou pela mão de um inimigo estrangeiro, como lemos em 2 Reis 24.5, e versículos seguintes. Da mesma maneira como o povo sofre pelos pecados do príncipe, O governo, também, às vezes sofre pelos pecados do povo.

2. A sabedoria impedirá ou desviará estas dificuldades: por um homem, isto é, por um povo, de entendimento, que caia em si outra vez e ao seu juízo perfeito, as coisas são mantidas em boa ordem, ou, se perturbadas, voltam ao antigo caminho outra vez. Ou, por um príncipe de entendimento e conhecimento, um conselheiro ou ministro de estado, que restrinja ou suprima a transgressão da terra, e adote as medidas corretas para curar o estado dela, a sua boa condição será prolongada. Não podemos imaginar o bom e grande serviço que um homem sábio pode prestar a uma nação, em uma situação crítica.

 

V. 3 – Veja aqui:

1. Quão insensíveis são alguns pobres frequentemente, uns com os outros, não somente não fazendo as boas coisas que poderiam fazer, uns aos outros, mas oprimindo e sobrepujando, uns aos outros. Os que conhecem, por experiência, as desgraças da pobreza deveriam ter misericórdia dos que sofrem dificuldades semelhantes, mas são imperdoavelmente bárbaros se forem cruéis com eles.

2. Quão imperiosos e opressores são os que, sendo pobres e necessitados, chegam ao poder. Se um príncipe promove um pobre, e este se esquece de que já foi pobre, ninguém oprimirá tanto os pobres como ele, nem os tratará com tanta crueldade. A sanguessuga faminta e a esponja seca sugam muito. Coloque um mendigo sobre um cavalo, e ele cavalgará sem misericórdia. Ele é como uma chuva impetuosa, que varre o trigo do chão, e golpeia e destrói tudo o que cresceu, de modo que não sobra nenhum alimento. Os príncipes, portanto, não devem colocar em posições de confiança os que são pobres, e endividados, nem ninguém que possa fazer de sua principal ocupação o enriquecimento de si mesmos.

 

V. 4 – Observe:

1. Os que louvam os ímpios mostram que deixaram a lei, e são contrários a ela, pois ela amaldiçoa e condena os ímpios. Os ímpios falarão bem, uns dos outros, e fortalecerão as suas mãos em seus caminhos ímpios, esperando, com isto, silenciar os clamores de suas próprias consciências e servir aos interesses do reino do diabo; e a maneira mais eficaz de fazer isto é conservando uma reputação falsa.

2. Os que realmente guardam a lei de Deus irão, em seus lugares, combater vigorosamente o pecado, e dar o seu testemunho contra ele, e fazer tudo o que puderem, para reprová-lo e suprimi-lo. Eles reprovarão as obras das trevas, e silenciarão as desculpas que são apresentadas para essas obras, e farão tudo o que puderem para trazer os transgressores à punição, para que os outros possam ouvir e temer.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 12-16

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 12 – Nós já vimos isto antes (Provérbios 22.3). Observe:

1. O mal pode ser previsto. Onde há tentação, é fácil prever que se nos atirarmos a ela, haverá pecado, e é igualmente fácil prever que se nos aventurarmos no mal do pecado, teremos o mal da punição; e, de modo geral, Deus adverte antes de ferir, tendo colocado vigias sobre nós (Jeremias 6.17).

2. Isto será bem ou mau para nós, conforme aproveitemos ou não a previsão que temos do mal à nossa frente: o homem prudente, prevendo o mal, age de maneira apropriada, se previne e se esconde, mas o simples, ou porque é tão tolo que não o prevê, ou porque é tão obstinado e preguiçoso que não toma cuidado para evitá-lo, e assim passa, considerando-se em segurança, é punido. Nós fazemos o bem a nós mesmos quando nos prevenimos para o futuro.

 

V. 13 – Isto também já foi visto antes (Provérbios 20.16).

1. Isto mostra quem são os que se apressam rumo à pobreza, os que são tão pouco precavidos, a ponto de serem fiadores de todos os que lhes pedirem, e os que são dados a mulheres (conforme a versão RA). Estes tomarão tanto dinheiro quanto seu crédito lhes permitir, mas certamente, no final, enganarão os seus credores, ou melhor, já os es­ tão enganando o tempo todo. Um homem honesto pode vir a ser um mendigo; mas aquele que finge que é um mendigo não é honesto.

2. Este versículo nos aconselha a sermos tão criteriosos na administração de nossos assuntos, a ponto de não emprestar dinheiro aos que estão abertamente esbanjando seus bens, a menos que nos ofereçam boas garantias. Emprestar dinheiro tolamente é injustiça para com as nossas famílias. Salomão não diz: “Consegue outro que seja o fiador”, pois aquele que precisar de um fiador terá, como garantia, aqueles que são tão insolventes quanto ele mesmo; por esta razão, a sua roupa é tomada.

 

V. 14 – Observe:

1. É uma grande tolice ser extravagante no louvor, até mesmo dos melhores dos nossos amigos e benfeitores. É nosso dever dar a cada um o louvor que lhe é devido, aplaudir os que se sobressaem em conhecimento, virtude e utilidade, e reconhecer as gentilezas que recebemos, com gratidão; mas fazer isto em voz alta, madrugando pela manhã, e estar sempre tocando neste tema, em todos os grupos, e até mesmo diante do nosso amigo, ou de modo que ele não poderá deixar de ouvi­ lo, fazer isto de modo planejado, como fazemos aquilo para o que nos levantamos cedo, enaltecer os mérito s do nosso amigo além das medidas e com hipérboles, é grosseiro, e enjoativo, e tem aparência de hipocrisia e intenções duvidosas. Louvar os homens pelo que fizeram é uma atitude que indica que se deseja obter mais deles: e todos concluem que o parasita espera receber uma generosa recompensa por seu panegírico ou epístola de recomendação. Não devemos dar ao nosso amigo o louvor que é devido som ente a Deus, como alguns pensam que é sugerido, no levantar-se de madrugada para fazer isto, pois pela manhã Deus é que deve ser louvado. Não devemos ter excessiva pressa em louvar os homens (esta é a interpretação de alguns), nem aclamá-los cedo demais por suas habilidades e realizações, mas deixar que eles sejam postos à prova antes; isto, para que eles não se encham de soberba, e se ponham a dormir. na ociosidade.

2. É uma tolice ainda maior apreciar quando somos extra­ vagantemente louvados. Um homem sábio, na verdade, considera isto uma maldição, não somente com a intenção de lhe tomar dinheiro, mas que realmente pode ser um prejuízo para ele. Os louvores modestos (como observa um grande homem) convidam os que estão presentes a acrescentar os seus elogios, mas os louvores desmedidos os tentam a menosprezar, em lugar de louvar; e a criticar aquele que é alvo dos louvores. Além disto, o louvor excessivo torna o homem um objeto de inveja: cada homem investe em busca de uma parcela de reputação, e por isto se considera prejudicado se outra pessoa tiver toda a reputação, ou se algo lhe for dado, maior do que a parcela que lhe cabe. E o maior de todos os perigos é o fato de que existe uma tentação à soberba; os homens são pro­ pensos a se julgar acima do que é adequado, quando os outros falam sobre eles mais do que é adequado. Veja o cuidado que tinha o abençoado apóstolo Paulo, em não ser valorizado excessivamente (2 Coríntios 12.6).

 

V. 15 e 16 – Aqui, corno anteriormente, Salomão lamenta o caso daquele que tem urna esposa rixosa, que está continua­ mente reclamando, e que atormenta, a ele mesmo, e a todos à sua volta.

1. É uma reclamação contínua, à qual não há maneira de escapar, pois é como um gotejar contínuo em um dia chuvoso. A contenda de um próximo pode ser semelhante a uma forte chuva, angustiante no momento, mas, enquanto ela dura, podemos nos abrigar, mas a contenda de uma esposa é como um temporal constante, para o qual não há remédio, senão a paciência. Veja Provérbios 19.13.

2. É uma reclamação da qual não há corno se esconder. Um homem sábio se esconderia, se pudesse, por sua própria causa e também pela reputação de sua esposa; porém ele não pode fazê-lo, assim como não consegue esconder o ruído do vento quando sopra, nem o aroma de um perfume forte. Os que são rebeldes e briguentos proclamarão a sua própria vergonha, mesmo quando seus amigos, por bondade para com eles, a encobrirem.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 23 – 27

Alimento diário

A RECOMPENSA DA PRUDÊNCIA

 

V. 23-27 – Aqui temos:

I – Uma ordem que nos é dada, para sermos diligentes em nossos deveres. Ela é dirigida aos agricultores, e pastores, e aos que lidam com o gado, mas deve ser estendida a todas as outras atividades lícitas; devemos nos dedicar ao nosso trabalho, qualquer que seja, ao ar livre ou não. Esta ordem sugere:

1. Que devemos ter alguma atividade neste mundo e não viver em ociosidade.

2. Nós devemos entender plenamente e corretamente o nosso trabalho, e saber o que devemos fazer, e não nos envolver com aquilo que não entendemos.

3. Nós devemos cuidar dele pessoalmente, e não entregá-lo aos cuidados dos outros. Nós devemos, com nossos próprios olhos, inspecionar a condição dos nossos rebanhos, é o olho do Senhor que os engorda.

4. Devemos ser discretos e atenciosos na administração do nosso trabalho, conhecer a situação das coisas, e cuidar delas, para que nada se perca, que nenhuma oportunidade se perca, mas tudo seja feito no tempo apropriado e em ordem, de modo a obtermos a maior vantagem com esse trabalho.

5. Devemos ser diligentes e esforçados; não somente nos sentar e planejar, mas nos levantar e fazer: “Põe o teu coração sobre o gado”, como alguém que cuida deles: põe as tuas mãos, os teus ossos, no teu trabalho.

 

II – As razões para esta ordem. Considere:

1. A incerteza das riquezas do mundo (v. 2-1): “As riquezas não duram para sempre”.

(1) Outras riquezas não duram tanto quanto estas: cuida dos teus rebanhos e do teu gado, da tua terra no campo. e dos animais sobre ela, pois estas coisas são de primeira necessidade que, em uma sucessão, durarão para sempre. ao passo que as riquezas do comércio não o serão: a própria coroa, talvez, não permaneça tão assegurada à tua família como os teus rebanhos e o teu gado.

(2) Mesmo estas riquezas decairão, se não forem bem cuidadas. Se um homem tivesse uma abadia (como dizemos), e fosse esbanjador e preguiçoso, poderia destruí-la. Até mesmo a coroa e as suas rendas, se não forem bem cuidadas. sofrerão danos, e não continuarão de geração em geração sem uma boa administração. Embora Davi tivesse a coroa transmitida à sua família, ainda assim cuidava bem dos seus rebanhos (1 Crônicas 27.29,31).

2. A generosidade da natureza, ou melhor, do Deus da natureza, e a sua providência (v. 25): o feno (ou a erva) aparece. No cuidado dos rebanhos e do gado.

(1) Não há necessidade de grande esforço. não é preciso arar nem semear; o alimento para eles é o produto espontâneo do solo; não tens nada para fazer. senão levá-los ao campo no verão, quando a erva se molha e ajuntar as ervas dos montes para eles no inverno. Deus fez a sua parte; serás ingrato para com Ele, e te recusarás injustamente a servir a sua providência. se não fizeres a tua parte.

(2) Há uma oportunidade a ser observada e aproveitada, uma época em que o feno aparece: mas, se deixares escapar este momento, os teus rebanhos e o teu gado sofrerão por isto. Quanto a nós, também devemos, pelo nosso gado, trabalhar como a formiga, providenciando, no verão, o alimento necessário.

3. O benefício da boa administração em uma família; Guarda as tuas ovelhas, e as tuas ovelhas ajudarão a te guardar; terás alimento para os teus filhos e servos, bastante leite de cabras (v. 27); e o suficiente é tão bom quanto um banquete. Da mesma maneira, terás vestes; a lã dos cordeiros será para tuas vestes. Terás dinheiro para pagar teu aluguel; os bodes que terás que vender serão o preço do teu campo; ou, como alguns interpretam: tu te tornarás um comprador, e comprarás terras para deixar aos teus filhos. (v. 26). Observe:

(1) Se tivermos comida e vestes, e recursos para dar a cada um o que lhe é devido, teremos o suficiente, e não somente deveremos ficar satisfeitos, mas agradecidos.

(2) Os chefes de família devem prover, não somente para si mesmos, mas para suas famílias, e cuidar para que seus servos tenham um sustento apropriado.

(3) Comida simples, e roupas simples, se atenderem às nossas necessidades, deverão ser aquilo que deveremos almejar. Considera-te bem-sucedido se te vestires com roupas feitas em casa, com a lã das tuas próprias ovelhas, e se te alimentares com leite de cabras; que sirva como teu alimento o que serve para sustento da tua casa e para sustento das tuas criadas. Não desejes delícias e manjares, vindos de longe e de preço elevado.

(4) Deve nos encorajar a sermos cuidadosos e esforçados em nossas atividades o fato de que isto trará o sustento suficiente para nossas famílias; comeremos o trabalho de nossas mãos.

ALIMENTO DIÁRIO

PROVÉRBIOS 27: 20 – 22

Alimento diário

MÁXIMAS DIVERSAS

 

V. 20 – Duas coisas são mencionadas como insaciáveis, e são duas coisas semelhantes – a morte e o pecado.

1. A morte é insaciável. A primeira morte, e a segunda morte, ambas. A sepultura não está saturada com a multidão de cadáveres que diariamente são atirados a ela, mas continua sendo um sepulcro aberto, e clama, Dá, dá. O inferno também foi dilatado, e ainda tem lugar para os espíritos condenados que são enviados a esta prisão. O inferno é profundo e amplo (Isaias 30.33).

2. O pecado é insaciável. Os olhos dos homens nunca estão satisfeitos, nem os apetites da mente carnal, com relação ao lucro ou prazer. O olho não se satisfaz em ver, nem aquele que ama a prata se satisfaz com a prata. O homem trabalha por aquilo que sacia, mas não satisfaz; na verdade, é insatisfatório; esta perpétua insatisfação faz com que os homens sejam, com razão, condenados, desde que os nossos primeiros pais não se satisfizeram com todas as árvores do Éden, mas precisaram se envolver com a árvore proibida. Aqueles cujos olhos estão sempre voltados para o Senhor estão satisfeitos nele, e para sempre estarão.

 

V21 – Aqui temos um critério pelo qual podemos nos colocar à prova. O ouro e a prata são provados, colocando-os na fornalha e no crisol; já o homem é provado pelos louvores. Que ele seja elogiado e honrado, e logo mostrará o que realmente é.

1. Se um homem se tornar, pelo aplauso que lhe é dado, soberbo, convencido, arrogante e escarnecedor – se tomar para si mesmo a glória que deveria transmitir a Deus, como fez Herodes – se, quanto mais ele é louvado, mais descuidado é, em tudo o que fala e faz – se fica na cama até o meio-dia, porque o seu nome é exaltado – mostrará ser um homem tolo e fútil, e um homem que, ainda que seja louvado, não tem nada em si mesmo que seja digno de elogios.

2. Se, ao contrário, um homem se tornar, pelo seu louvor, mais agradecido a Deus, mais respeitoso com seus amigos, mais vigilante contra tudo o que poderá manchar a sua reputação, mais diligente em se aprimorar e fazer o bem aos outros, para que possa atender às expectativas de seus amigos, com isto mostrará ser um homem sábio e bom. Tem um bom temperamento aquele que sabe como passar por más avaliações e boas avaliações, e ainda permanece o mesmo (2 Coríntios 6.8).

 

V. 22 – Salomão tinha dito: ”A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele” (Provérbios 22.15). Então a mente deverá ser moldada, enquanto os hábitos maldosos ainda não criaram raízes; mas aqui Salomão nos mostra que, se isto não for feito, então, na devida ocasião, a seguir será quase impossível fazê-lo. Se a doença estiver arraigada, há o perigo de que seja incurável. “Pode o etíope mudar a sua pele?” Observe:

1. Alguns são tão perversos que necessitam do uso de métodos cruéis e severos, depois que métodos gentis foram tentados em vão; eles devem ser pisados. Deus adotará este método com eles, por seus juízos; os magistrados devem adotar este caminho com eles, pelo rigor da lei. A força deve ser usada com aqueles que não desejam ser governados pela razão, pelo amor, e pelos seus próprios interesses.

2. Alguns são tão incorrigivelmente perversos que nem mesmo os métodos cruéis e severos alcançam o seu objetivo; a sua tolice não se afasta deles, tão completamente seus corações estão dedicados a fazer o mal; eles se encontram frequentemente sob a vara, e ainda assim não se humilham, na fornalha, e não se purificam, mas, como Acaz, transgridem ainda mais (2 Crônicas 28.22); e o que lhes resta, se não ser rejeitados como prata rejeitada?