ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 17: 14-21

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A Expulsão de um Demônio

Aqui temos a cura milagrosa de uma criança que era lunática e sofria muito por causa de um demônio. Considere:

 

I – Uma representação melancólica do caso dessa criança, apresentada a Cristo pelo pai aflito. Isso aconteceu logo depois da sua descida do monte onde se transfigurou. As glórias de Cristo não o fazem deixar de pensar em nós, ou nas nossas necessidades e infelicidades. Cristo, ao descer do monte, onde teve uma conversa com Moisés e Elias, não assumiu nenhuma atitude de cerimônia, mas fez-se facilmente acessível, tão ao alcance de pobres mendigos e tão familiar com a multidão quanto sempre costumava ser. A abordagem desse homem foi muito importuna; ele se pôs de joelhos diante de Cristo. Observe que o sentimento de aflição sempre deixa as pessoas de joelhos. Aqueles que percebem que a sua necessidade de Cristo é muito grande, estarão confiantes ao se dirigirem a Ele; e Ele se alegra por ser abordado assim.

O pai do menino se queixa de duas coisas:

1.O sofrimento do seu filho (v. 15): “Senhor, tem misericórdia de meu filho”. O sofrimento dos filhos não pode deixar de afetar os pais carinhosos, pois são partes deles. E o caso de um filho que sofre deve ser apresentado a Deus por meio de uma oração fiel e fervorosa. A perturbação desse menino provavelmente o deixava incapacitado para orar por si mesmo. Os pais são duplamente interessados em orar pelos seus filhos, não somente por aqueles que são inaptos e não podem fazê-lo, mas muito mais por aqueles que são maus e não irão orar por si mesmos. Considere que:

(1). A natureza da enfermidade dessa criança era muito triste: “o menino era lunático e sofria muito”. Um lunático é uma pessoa cuja incapacidade está no cérebro, e o seu comportamento se modifica com a mudança da lua. O diabo, por permissão divina, causava essa enfermidade, ou, pelo menos, colaborava para aumentá-la e piorá-la. O menino sofria de quedas, e a mão de Satanás estava nisso; com isso, ele o atormentava, e tornava a situação muito pior do que era. Aqueles de quem Satanás se apossa, ele atormenta com aquelas doenças do corpo que mais afetam a mente, pois é à alma que ele pretende fazer mal. O pai, em sua queixa, disse: “E lunático”, e observou o efeito que suas palavras causaram. Mas Cristo, na cura, repreendeu o demônio, e assim eliminou a causa do mal. É assim que o Senhor age nas curas espirituais.

(2). Os efeitos da doença eram deploráveis: “muitas vezes cai no fogo e, muitas vezes, na água”. Se a força da doença o fazia cair, a maldade do demônio o fazia cair no fogo ou na água – pois ele é excessivamente maligno quando se apossa e se apodera de alguma alma. Ele busca “a quem possa tragar” (1 Pedro 5.8).

2.O desapontamento da expectativa do pai em relação aos discípulos (v. 16): “Trouxe-o aos teus discípulos e não puderam curá-lo”. Cristo deu aos seus discípulos o poder de expulsar demônios (cap. 10.1,8), e eles eram bem-sucedidos (Lucas 10.17); mas, nessa ocasião, eles fracassaram, embora estivessem nove deles juntos, e diante de uma grande multidão. Cristo permitiu que isso acontecesse:

(1). Para conservá-los humildes, e para mostrar que eles dependiam dele, e que sem Ele nada podiam fazer.

(2). Par a glorificar a si mesmo, bem como ao seu próprio poder. É uma honra para Cristo se apresentar com ajuda, quando outros não conseguem ajudar. O bordão de Eliseu na mão de Geazi não ressuscitou o menino; ele precisou vir pessoalmente. Observe que existem alguns favores especiais cujo direito de concessão Cristo reserva para si. E algumas vezes Ele deixa a cisterna vazia, para que possa nos levar a si mesmo, a fonte. Mas os fracassos dos instrumentos não devem impedir as operações da sua graça, que se realizarão, se não por eles, até mesmo sem eles.

 

II – As repreensões de Cristo, primeiro ao povo, e depois ao demônio.

1.Ele censura os que estão à sua volta (v. 17): “Ó geração incrédula e perversa!” Isto não foi dito aos discípulos, mas ao povo, e talvez, em especial, aos escribas, que são mencionados em Marcos 9.14, e que, aparentemente, insultavam os discípulos, porque agora tinham encontrado um caso que era difícil demais para eles. O próprio Cristo não pôde realizar muitas obras milagrosas em meio a um povo dominado pela descrença. Era devido à falta de fé dessa geração, que eles não podiam obter essas bênçãos de Deus, que, de outra maneira, poderiam ter recebido, e era devido à fraqueza da fé dos discípulos, que eles não conseguiam realizar estas obras de Deus, que, de outra maneira, poderiam ter conseguido. O povo era incrédulo e perverso. Aqueles que são incrédulos serão perversos; e a perversidade é o pecado nas suas piores características. A fé é concordar com Deus, a descrença é opor-se a Deus, e contradizê-lo. A nação de Israel de antigamente era perversa porque era incrédula (Salmos 95.9), e não havia lealdade na vida de seu povo (Deuteronômio 32.20).

Ele os repreende com respeito a duas coisas.

(1). A sua presença com eles por tanto tempo: “Até quando estarei eu convosco?” Ou, em outras palavras: “Vocês vão precisar sempre da minha presença corpórea, e nunca terão maturidade suficiente para poderem ser independentes, um povo sob a orientação dos discípulos, e os discípulos sob a orientação do Espírito e da sua comissão? Os filhos sempre precisarão ser conduzidos, e nunca irão aprender a caminhar sozinhos?”

(2). A sua paciência com eles, até aquele momento: “Até quando vos sofrerei?” Observe que:

[1]. A incredulidade e a perversidade naqueles que desfrutam os meios da graça são uma grande tristeza para o Senhor Jesus. Assim Ele suportou os costumes da antiga nação de Israel (Atos 13.18).

[2]. Quanto mais Cristo suporta um povo perverso e incrédulo, mais Ele se entristece com a sua perversidade e a sua incredulidade; e Ele é Deus, e não homem, caso contrário Ele não sofreria por tanto tempo, nem toleraria tanto, como Ele faz.

2.Ele curou o menino, e o endireitou novamente. Ele ordenou: “trazei-mo aqui”. Embora o povo fosse perverso, e Cristo fosse provocado, ainda assim Ele cuidou do menino. Embora Cristo possa estar irado, Ele nunca deixa de ser bom; tampouco Ele, em meio ao seu maior desprazer, fecha as entranhas da sua compaixão aos infelizes: “Trazei-mo aqui”. Observe que quando todas as outras ajudas e os outros auxílios falham, nós somos bem recebidos por Cristo, e podemos estar confiantes nele, no seu poder, e na sua bondade.

Veja aqui um símbolo da missão de Cristo como o nosso Redentor.

(1). Ele destrói o poder de Satanás (v. 18): “E repreendeu Jesus o demônio”, como alguém que tem autoridade, que respaldava com a força a sua palavra de ordem. Observe que as vitórias de Cristo sobre Satanás são obtidas pelo poder da sua palavra, a espada que sai da sua boca (Apocalipse 19.21). Embora estivesse possuindo o menino por tanto tempo, Satanás não consegue suportar a repreensão de Cristo. É consolador para aqueles que estão lutando contra principados e potestades saber que Cristo os despoja (Colossenses 2.15). O Leão da tribo de Judá será extremamente severo com o leão que brama, procurando tragar.

(2). Ele dá fim ao sofrimento dos filhos dos homens: “Desde aquela hora, o menino sarou”. Foi uma cura instantânea, e perfeita. Este é um incentivo para que os pais tragam até Cristo os seus filhos, cujas almas estão sob o poder de Satanás. Ele pode curá-los, e deseja fazer isso, pois é capaz. Eles não devem ser apenas trazidos a Cristo por meio da oração, mas devem ser trazidos à palavra de Cristo, o meio comum pelo qual as fortalezas de Satanás são demolidas na alma. Se a repreensão de Cristo convencer o coração, ela arruinará o poder que Satanás tiver ali.

 

III – As palavras de Cristo ao seus discípulos, como consequência desse episódio.

1.Os discípulos perguntam a razão pela qual eles não puderam expulsar o demônio nessa ocasião (v. 19): “Os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram…”. Note que os ministros, que devem fazer a obra de Cristo, têm necessidade de manter uma comunhão particular com Ele, para que possam, em segredo, sem ser vistos, lamentar a sua fraqueza e as suas dificuldades, as suas limitações e inseguranças, nas suas atividades públicas, e perguntar qual é a causa delas. Devemos fazer uso da liberdade de acesso que temos a Jesus em particular, quando podemos estar à vontade com Ele. Tais perguntas como essa que os discípulos fizeram a Cristo, deveríamos fazer a nós mesmos, conversando intimamente com os nossos corações, antes de dormir: Por que fui tão tolo e descuidado em tal ocasião? Por que não consegui cumprir satisfatoriamente tal dever? Para que aquilo que estiver incorreto possa, quando descoberto, ser corrigido.

2.Cristo lhes dá duas razões para o fracasso que tiveram.

(1). “Por causa da vossa pequena fé” (v. 20). Quando Jesus falou com o pai do menino e com o povo, Ele censurou a sua incredulidade; quando Ele falou aos seus discípulos, Ele censurou a deles, pois a verdade era que havia falhas nos dois lados. Mas nós estamos mais preocupados em ouvir falar sobre as falhas dos outros do que sobre as nossas próprias falhas, e a imputar o que está incorreto aos outros, e não a nós mesmos. Quando a pregação da Palavra não parece ser tão bem-sucedida como já chegou a ser algumas vezes, as pessoas estão prontas a atribuir toda a falha aos ministros, e os ministros a atribuem ao povo, embora fosse mais conveniente que cada um admitisse as suas próprias falhas e dissesse: “Ê por minha causa”. Os ministros, ao repreenderem ou acusarem, precisam aprender a dar a cada um a sua porção da palavra, e a evitar que as pessoas julguem umas às outras. Eles devem ensinar que cada um julgue a si mesmo: “Por causa da vossa pequena fé”. Embora tivessem fé, a fé deles era fraca e não produzia nenhum efeito. Observe que:

[1]. A medida que a fé falha em termos de força, vigor e atividade, pode ser dito com verdade: “Este é um caso de incredulidade”. Muitos podem ser acusados de ter pouca fé, embora não devam ser chama­ dos de incrédulos.

[2]. Por causa da nossa pequena fé, somos os responsáveis por acontecerem poucos milagres na religião, e por eles não acontecerem, frequentemente, como deveriam. Assim, a situação fica em um nível aquém do esperado, naquilo que é bom.

O nosso Senhor Jesus aproveita essa ocasião para mostrar aos discípulos o poder da fé, para que eles não fracassem, em outra ocasião, como fracassaram agora: “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, nada vos será impossível” (v. 20). Alguns interpretam a comparação como referindo-se à qualidade do grão de mostarda, que é, quando moído, agudo e penetrante. “Se vocês tivessem uma fé ativa e em crescimento, não morta, achatada ou insípida, vocês não teriam ficado frustrados dessa maneira”. Mas, na verdade, isso se refere à quantidade. “Se vocês tiverem apenas um grão de fé verdadeira, mesmo que tão pequeno quanto o menor dos grãos, nada lhes será impossível; vocês farão maravilhas”. A fé em geral é uma aquiescência firme, uma concordância e uma confiança em toda a revelação divina. A fé que se exige aqui, é aquela que tem como seu objeto aquela revelação particular pela qual Cristo deu aos seus discípulos o poder para realizar milagres em seu nome, para a confirmação da doutrina que eles pregavam. É nesse tipo de fé que eles são deficientes. Eles duvidam da validade da sua chamada, ou temem que ela tenha expirado com a sua primeira missão, e que não devesse continuar quando retornassem para junto do seu Mestre; que, de alguma maneira, ela teria sido retirada ou perdida. Talvez a ausência do Mestre juntamente com os três principais discípulos, com a ordem de que os demais não deviam segui-lo, pudesse ter ocasionado algumas dúvidas a respeito do seu poder, ou melhor, do poder do Senhor com eles, para fazer isso. Entretanto, não havia, naquela ocasião, uma confiança ou dependência tão grande na promessa da presença de Cristo com eles, como devia ter havido. E bom não termos confiança em nós mesmos, nem na nossa própria força. Mas é desagradável para Cristo quando nós perdemos a confiança em qualquer poder obtido dele, ou concedido por Ele.

Se tiverdes ainda que um pouco dessa fé com sinceridade, se verdadeiramente confiardes nos poderes que vos foram concedidos, “direis a este monte: Passa”. Esta é uma expressão conhecida, que denota aquilo que vem a seguir, e nada mais: “Nada vos será impossível”. Eles tinham uma comissão plena, entre outras coisas, para expulsar demônios, sem exceção; mas, pelo fato desse demônio ter uma maldade inveterada, acima do normal, eles não tiveram confiança no poder que haviam recebido, e por isso falharam. Para convencê-los disso, Cristo lhes mostra o que poderiam ter feito. Observe que uma fé ativa pode mover montanhas, não por si mesma, mas na virtude do poder divino, que está ligado a uma promessa divina; e a fé se mantém sobre essa virtude e sobre essa promessa.

(2). Porque havia alguma coisa no tipo de doença que tornava a cura mais difícil do que o normal (v. 21): ‘”Esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum’. Esta e possessão, que opera através de uma doença, ou este tipo de demônios que são furiosos dessa maneira, não é expulsa pela maneira normal, mas por meio de grandes atos de devoção, e nisso vocês são deficientes”. Observe que:

[1]. Embora os adversários que combatemos sejam todos principados e potestades, ainda assim alguns são mais fortes do que outros, e há poderes mais difíceis de serem subjugados.

[2]. O extraordinário poder de Satanás não deve desencorajar a nossa fé, mas sim nos estimular a agir nela com maior intensidade, tendo mais fervor em nossas orações a Deus, pedindo que o Senhor aumente a nossa fé. Por isso alguns têm a seguinte interpretação: “Este tipo de fé (que remove montanhas) não pode proceder, não pode ser obtido de Deus, não pode ser trazido ao seu crescimento completo, nem pode se transformar em ações e exercícios, exceto por meio de fervorosas orações”.

[3]. O jejum e a oração são meios adequados para destruir o poder de Satanás contra nós, e para trazer o poder divino em nosso auxílio. O jejum é útil para aprimorar a oração; é uma evidência e um exemplo de humilhação que é necessário na oração, e é um meio de eliminar alguns hábitos corruptos, e de dispor o corpo para servir à alma em oração. Quando o interesse do demônio pela alma é confirmado pela disposição e pela constituição do corpo, o jejum deve ser acompanhado pela oração, para que o indivíduo possa manter o seu corpo em sujeição ao Senhor.

 

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OUTROS OLHARES

SENTINDO NA PRÓPRIA CARNE

O pesquisador lan Wilmut criou a ovelha Dolly e revolucionou a medicina. Agora com Parkinson, se submeterá à pesquisa resultante do conhecimento que ele gerou.

Sentindo na própria carne

O cientista escocês Ian Wilmut está na história. Em1997, ele posou ao lado da ovelha Dolly, no Instituto Roslin, em Edimburgo, e informou ao mundo o nascimento do primeiro clone de um animal. Dolly virou conceitos de ponta cabeça e abriu um caminho para a cura de doenças. A partir do conhecimento gerado, chegou-se a células capazes de se transformarem em qualquer tecido do corpo, representando a esperança no tratamento de enfermidades como a diabetes e o Alzheimer. Na semana passada, Wilmut emocionou a ciência mais uma vez. Aos 73 anos, ele anunciou que tem a Doença de Parkinson e que irá participar como voluntário na pesquisa conduzida no mesmo instituto e que, a exemplo de outras em andamento, teve como ponto de partida as informações levantadas a partir de Dolly, “Para mim, a ciência sempre foi importante, não apenas pelo conhecimento, mas também pelas oportunidades que oferece. Nesse momento, para mim, de tratamento”, disse Wilmut.

O pesquisador recebeu o diagnóstico antes do Natal do ano passado. Morador de uma região montanhosa da Escócia e afeito a caminhadas, Wilmut começou a sentir dificuldades para andar. Junto com tremores, é um dos primeiros sinais do Parkinson. A doença tem raiz em um desequilíbrio na disponibilidade cerebral de uma substância chamada dopamina. Isso acontece em razão da destruição gradual de células. Fenômeno semelhante ocorre em outras doenças, como o Alzheimer e várias de origem muscular e esqueléticas. Por esse motivo, a possibilidade de repor as células perdidas, devolvendo às áreas correspondentes suas funções, é uma das grandes apostas da medicina. É como trocar uma peça quebrada por outra, nova.

PRÊMIO NOBEL

Com Dolly, Wilmut e sua equipe mostraram ser possível criar essas peças de reposição. Em seu experimento, o cientista extraiu o código genético de uma ovelha adulta e o introduziu em outro óvulo, cujo núcleo havia sido previamente esvaziado. Esse zigoto gerou Dolly. O feito estimulou uma corrida em busca de células que pudessem virar matrizes de células especializadas. Dez anos depois, no Japão, o médico Shinya Yamanaka ganhou a disputa. Ele obteve células versáteis a partir da manipulação genética feita em células retiradas da pele de um ser humano adulto. Foram chamadas de células pluripotentes. Em 2012, ganhou o Prêmio Nobel de Medicina por isso.

Hoje, há dezenas de estudos clínicos realizados usando as pluripotentes como forma de tratamento para diversas enfermidades. Para Parkinson, o primeiro grande trabalho em humanos deve ser iniciado até o fim do ano, no Japão. No Roslin de Wilmut os preparativos começaram a ser feitos, com o apoio total do cientista. “Ele mudou os fundamentos do pensamento biológico”, disse Tilo Kunath, coordenador de um dos grupos do centro escocês, sobre a participação do mestre em seu trabalho.  “Todos os pacientes de doenças neurodegenerativas se beneficiarão da descoberta de Wilmut, inclusive ele'”, diz a farmacêutica bioquímica Patrícia Pranke, integrante da Rede Nacional de Terapia Celular, que reúne os pesquisadores brasileiros envolvidos nas investigações nacionais usando células-tronco.

 A HISTÓRIA DE UM MARCO CIENTÍFICO

  • A apresentação da ovelha Dolly foi feita no dia 22 de fevereiro de 1997
  • Ela viveu 6 anos, durante os quais teve seis filhotes
  • Foi sacrificada em fevereiro de 2003 devido ao crescimento de um tumor de pulmão

POR OUE FOI INOVADORA

1 – Mostrou pela primeira vez ser possível clonar qualquer célula adulta (já especializada) animal.

2 – Isso abriu a possibilidade de criação a partir de células especializadas, como as extraídas da pele, de células com comportamento semelhante ao das embrionárias. Elas podem ser transformadas em células de qualquer tipo de tecido

3 – Por essa razão, representam uma das principais apostas da medicina. Podem ser usadas como espécies de peças de reposição para substituir aquelas lesadas por enfermidades.

 

 

PSICOLOGIA ANALÍTICA

SONO E MEMÓRIA

Aprendizado recente pode ser consolidado dormindo.

Sono e memória

Pesquisadores do Reino Unido descobriram, em novo experimento, que os fusos do sono desempenham um papel fundamental no fortalecimento de novas memórias quando informações recém aprendidas são reproduzidas a uma pessoa enquanto ela dorme.

Fusos de sono são ondas cerebrais produzidas na região do tálamo, durando de meio segundo a dois segundos, na faixa de 10- 16 Hertz, segundo apurado em eletroencefalograma (EEG). Essas ondas, segundo pesquisas anteriores, fazem parte dos processos pelos quais o cérebro estabelece novas conexões e redes neurais, bem como a intensidade de sua ocorrência em uma noite de sono já foi diretamente relacionada à qualidade da memória estabelecida no dia seguinte.

No experimento em questão, sobre aprendizado recente, voluntários aprenderam a associar determinados adjetivos a objetos e cenas particulares. Alguns fizeram uma soneca de 90 minutos após a sessão de estudo, enquanto outros permaneceram acordados. Enquanto as pessoas cochilavam, os pesquisadores relembravam a elas as associações e adjetivos.

Como esperado, os pesquisadores viram que as pistas da memória levaram a um aumento nos fusos do sono. Curiosamente, os padrões de EEG durante os fusos permitiram aos cientistas discernir que tipos de memórias – objetos ou cenas – estavam sendo processados. Os resultados oferecem subsídios para metodologias de aprendizado e para novas pesquisas que envolvam estimulação cerebral durante o sono.

 

JUSSARA GOYANO – é jornalista e coach certificada pelo Instituto de Psicologia Positiva(IPPC) Atua com foco em performance e bem-estar Estudou Medicina Comportamental na Unifesp.

E-mail: atendimento@jussaragoyano.com

GESTÃO E CARREIRA

O PODER DAS CONEXÕES

Atuar corno um profissional que cria redes e conecta pessoas em prol de um objetivo em comum é bom para sua carreira e para o país.

O poder sas conexões

Em 2018, o Bluetooth está comemorando 20 anos de existência. A tecnologia foi desenvolvida pelos engenheiros da multinacional sueca Ericsson e ganhou esse nome em homenagem ao rei escandinavo Harald Bluetooth, que conseguiu pacificar e integrar as várias tribos nórdicas nos anos 950. E integração é o objetivo máximo do sistema tecnológico que melhora as conexões entre os equipamentos e permite ao usuário ter a própria PAN, sigla para private area network (ou área de conexão particular em numa tradução livre).

Refletindo sobre esse tema, percebi que tudo o que se refere a Bluetooth tem a ver com integração, conexão e expansão do networking privado – características que estão muito relacionadas com nosso desenvolvimento profissional e pessoal.

Por isso, proponho uma reflexão: você é um profissional Bluetooth? Você procura se conectar com as pessoas à sua volta, respeitando os limites alheios e promovendo uma integração de interesses e objetivos em comum? Você tenta ajudar os outros a se conectarem com suas essências e competências para que todos conquistem uma meta compartilhada?

Se estiver atuando assim, você está seguindo um ótimo caminho. Do ponto de vista individual, esse comportamento faz com que se destaque na carreira, pois profissionais que agem desse modo são responsáveis pelo próprio desenvolvimento, ao mesmo tempo que têm generosidade para ensinar aos outros e compartilhar conhecimento.

Do ponto de vista coletivo, é imprescindível atuar com a competência Bluetooth. Nossa sociedade precisa urgentemente de milhares de pessoas com essas características para que o país consiga construir alicerces baseados na ética, no respeito e na produtividade. Só assim o Brasil poderá se tornar uma nação bem-sucedida. Ser Bluetooth é servir, conectar-se, promover o crescimento dos outros. No fim das contas, ser Bluetooth é ser um verdadeiro cidadão brasileiro.

 

Luiz Carlos Cabreira – escreve sobre careira, é professor na EAESP-FGV, e diretor na PMC – Panelli Motta Cabreira & Associados.

ALIMENTO DIÁRIO

MATEUS 17: 1-13 

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A Transfiguração de Cristo – Parte 2

V – O glorioso testemunho que Deus Pai deu de nosso Senhor Jesus, no qual “ele recebeu de Deus Pai honra e glória” (2 Pedro 1.17), quando veio essa voz da glória suprema. Isso foi como proclamar os títulos de nobreza ou o estilo real de um príncipe que, em sua coroação, se apresenta com os seus trajes cerimoniais. E é bom que se saiba, para o consolo da humanidade, que o estilo real de Cristo vem da sua mediação. Assim, na visão, Ele apareceu com um arco-íris – o selo da aliança – ao redor do seu trono (Apocalipse 4.3), pois a sua glória é ser o nosso Redentor.

Quanto a esse testemunho que o céu dá a respeito de Cristo, observe:

1.Como ele veio, e de que maneira foi apresentado.

(1). Havia uma nuvem. Frequentemente lemos no Antigo Testamento que uma nuvem era um sinal visível da presença de Deus. Ele desceu sobre o monte Sinai em uma nuvem (Êxodo 19.9), e também apareceu assim a Moisés (Êxodo 34.5; Números 11.25). Ele tomou posse do tabernáculo em uma nuvem, e, mais tarde, do templo. Onde estava Cristo na sua glória, ali estava o templo, e ali Deus se mostrou presente. Nós não conhecemos o equilíbrio das nuvens, mas sabemos que grande parte das relações e da comunicação entre o céu e a terra é mantida por elas. Pelas nuvens, os vapores sobem e as chuvas caem; por isso, diz-se que Deus “faz das nuvens o seu carro”; foi isso que Ele fez aqui, quando desceu sobre esse monte.

(2). Era “uma nuvem luminosa”. Sob a lei, era normalmente com uma nuvem espessa e escura que Deus mostrava o sinal da sua presença; Ele desceu sobre o monte Sinai em “uma espessa nuvem” (Êxodo 19.16), e disse “que habitaria nas trevas” (veja 1 Reis 8.12). Mas agora chegamos, não ao monte “aceso em fogo, e à escuridão, e às trevas” (Hebreus 12.18), mas ao monte que é coroado com “uma nuvem luminosa”. A revelação do Antigo Testamento, e também a do Novo, continham sinais da presença de Deus, mas aquela era uma revelação com escuridão, e terror, e escravidão; porém essa, com luz, amor e liberdade.

(3). A nuvem “os cobriu”. Esta nuvem tinha a finalidade de ofuscar o poder daquela grande luz que, se não fosse por isso, teria dominado os discípulos, e teria sido intolerável; ela agiu como o véu que Moisés colocou sobre o seu rosto, quando este brilhava. Deus, ao se manifestar ao seu povo, considera a sua estrutura. Essa nu­ vem era, para os seus olhos, como parábolas para o seu entendimento, para transmitir coisas espirituais por meio de coisas possíveis de se sentir, conforme eles fossem capazes de suportar.

(4). “E da nuvem saiu uma voz”, e era a voz de Deus, que agora, como antes, falava “na coluna de nuvem” (Salmos 99.7). Aqui não houve trovão, nem relâmpago, nem voz de trombeta, como quando a lei foi dada por Moisés, mas somente uma voz, uma voz suave, e não aquela conduzida com um forte e grande vento, ou um terremoto, ou um fogo, como quando Deus falou com Elias (1 Reis 19.11,12). Moisés e Elias, então, foram testemunhas de que Deus “falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho”, de uma maneira diferente daquela como Ele falava com eles antigamente. Essa voz veio da “magnífica glória” (2 Pedro 1.17), a glória que se sobressai, em comparação com a qual a anterior não tinha glória; embora a glória magnífica estivesse em uma nuvem, dela veio uma voz, pois “a fé é pelo ouvir”.

2.Observe qual foi o testemunho do céu: “Este é o meu Filho amado… escutai-o”. Aqui, temos:

(1). O grande mistério do Evangelho revelado: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”. Estas são as mesmas palavras que foram pronunciadas do céu por ocasião do batismo de Jesus (cap. 3.17); e foi a melhor notícia que veio do céu à terra, desde que o homem pecou. Esta verdade tem o mesmo objetivo daquela grande doutrina (2 Coríntios 5.19): “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Moisés e Elias foram grandes homens, e muito queridos no céu, mas ainda assim não passaram de servos, e servos de quem Deus nem sempre se agradou; pois Moisés, às vezes, falava de uma forma impensada, e Elias era um homem sujeito a paixões; mas Cristo é o “Filho”, e nele Deus sempre se compraz. Moisés e Elias foram, às vezes, instrumentos de reconciliação entre Deus e Israel; Moisés era um grande intercessor, e Elias, um grande reformista; mas em Cristo, Deus reconcilia o mundo; a sua intercessão é mais importante do que a de Moisés, e a sua reforma, mais efetiva que a de Elias.

Essa repetição da mesma voz que veio do céu no seu batismo não era uma repetição inútil; mas, como a duplicação do sonho de Faraó, tencionava mostrar que aquilo estava estabelecido. O que Deus disse uma vez – na verdade, duas vezes-, sem dúvida Ele sustentará, e Ele espera que nós observemos aquilo que Ele disse. Isso foi dito no seu batismo, porque, naquela ocasião, se iniciaria a sua tentação, e o seu ministério público; e agora era repetido, porque Ele estava iniciando os seus sofrimentos, que devem ser datados a partir desse momento. Pois agora, e não antes, Ele começa a fazer predições aos discípulos, e imediatamente depois da sua transfiguração é dito (Lucas 9.51): “completando-se os dias para a sua assunção”; portanto, isso foi repetido para protegê-lo contra o terror, e aos seus discípulos, contra o escândalo da cruz. Quando as aflições começam a ser abundantes, “também a nossa consolação sobeja” (2 Coríntios 1.5).

(2). O maior dever que o Evangelho exige, e que é a condição para nos beneficiarmos em Cristo: “Escutai-o”. Deus, em Cristo, se compraz somente daqueles que o ouvem. Não é suficiente dar ouvidos a Ele (Em que isso nos fará bem?), mas devemos ouvi-lo, e crer nele, como o grande Profeta e Mestre; devemos ouvi-lo, e ser governa­ dos por Ele, como o grande Príncipe e Legislador; ouvi-lo, e prestar atenção nele. Quem desejar conhecer a mente de Deus, deve ouvir a Jesus Cristo. Pois foi através dele que Deus Pai, nestes últimos dias, falou conosco. Essa voz vinda do céu tornou tudo o que era dito a respeito de Cristo tão autêntico como se tivesse sido dito a partir de uma nuvem. É como se Deus nos entregasse a Cristo para que dele recebêssemos todas as revelações da sua mente; e isso se refere àquela profecia de que Deus suscitaria um profeta como Moisés no meio do povo de Israel (Deuteronômio 18.18); a Ele, devemos ouvir.

Cristo aparecia agora em glória; e quanto mais virmos a glória de Cristo, mas motivos teremos para ouvi-lo; mas os discípulos estavam observando a sua glória, que era o que eles viam. Por isso, eles são convidados não a olhar para Ele, mas a escutá-lo. A visão que eles tinham da sua glória logo foi interceptada pela nuvem, mas o que eles deviam fazer era ouvi-lo. Nós “andamos por fé” – pela fé que vem do ouvir-, e “não por vista” (2 Coríntios 5.7).

Moisés e Elias (a lei e os profetas) agora estavam com Ele; por isso foi dito: “Ouçam-nos” (Lucas 16.29). Quando os discípulos pensaram em fazer tabernáculos para Moisés e Elias (e também para Jesus), eles estavam dispostos a igualá-los a Cristo. Eles (Moisés e Elias) estavam falando com Cristo, e provavelmente os discípulos estavam muito ansiosos por saber o que estavam dizendo, e para ouvir mais das suas bocas. Não, disse Deus, escutai-o, e isto será suficiente. Eles deviam ouvir a Jesus, e não a Moisés e a Elias, que estavam presentes e cujo silêncio consentia com essa voz; eles não tinham nada a dizer em contrário; eles estavam desejosos de ver qualquer interesse que gerassem no mundo, como profetas, completamente transferido a Cristo, “para que em tudo tenha a preeminência”. Não se perturbem com o fato de Moisés e Elias ficarem tão pouco tempo com vocês; ouçam a Cristo, e vocês não precisarão deles.

 

VI – O medo que os discípulos sentiram da voz que saiu da nuvem, e o encorajamento que Cristo lhes deu.

1.Os discípulos “caíram sobre seu rosto, e tiveram grande medo”. A grandiosidade da luz, e a surpresa, poderia ter uma influência natural sobre eles, para desalentá-los. Mas isso não era tudo, pois desde que o homem pecou, e ouviu a voz de Deus no jardim, as aparições extraordinárias de Deus sempre foram terríveis para o homem, que, sabendo que não tinha nenhum motivo para esperar nada de bom, tinha medo de ouvir qualquer coisa diretamente de Deus. Observe que mesmo quando “o esplendor de ouro” surge de um lugar secreto, “em Deu s há uma tremenda majestade” (Jó 37.22). Veja como é a voz do Senhor (Salmos 29.4). É bom que Deus nos fale por meio de homens como nós, pois não sentiremos medo deles.

2.Cristo, graciosamente, os levantou, com ternura abundante. As glórias e a grandeza do nosso Senhor Jesus não diminuem, de maneira nenhuma, nem a sua consideração e a sua preocupação pelo seu povo que está cercado de insegurança. E agradável pensar que agora, no seu estado exaltado, o Senhor Jesus sente compaixão e condescendência pelo crente sincero, mesmo que se trate do menor dos salvos. Observe aqui:

(1). O que Ele fez: “aproximando-se Jesus, tocou-lhes”. A sua aproximação dissipou o medo dos discípulos, e quando eles compreenderam que Cristo os compreendia, não houve mais necessidade de consolá-los. Cristo colocou a sua mão direita sobre João num caso semelhante, e também sobre Daniel (Apocalipse 1.17; Daniel 8.18; 10.18). O toque de Cristo frequentemente era curativo, e aqui foi fortalecedor e consolador.

(2). O que Ele disse: “Levantai-vos e não tenhais medo”. Observe que embora um temor reverente na nossa conversa com o Céu seja agradável a Cristo, devemos lutar contra o medo de nos maravilharmos. Cristo disse: “Levantai-vos”. Cristo, pela sua palavra, e pelo poder da sua graça, que a acompanha, é quem levanta os homens das suas tristezas e silencia os seus medos; e ninguém, exceto Cristo, pode fazer isso: “Levantai-vos, e não tenhais medo”. Note que os medos infundados logo se dissipam, não quando nos entregamos a eles e nos deixamos sujeitar a eles, mas quando nos levantamos e fazemos o que podemos contra eles. Considerando o que tinham visto e ouvido, eles tinham mais motivos para se alegrar do que temer, e ainda assim, aparentemente, eles precisavam desse aviso. Devido à fraqueza da carne, frequentemente nos amedrontamos com aquilo que deveria nos encorajar. Observe que depois que tiveram uma ordem expressa do céu de que deviam ouvir a Cristo, as primeiras palavras que ouviram dele foram: “Não tenhais medo”. A missão de Cristo no mundo era dar consolo às pessoas boas, para que, tendo sido libertadas das mãos dos seus inimigos, pudessem servir a Deus sem temor (Lucas 1.74,75).

 

VII – O desaparecimento da visão (v. 8): “Erguendo eles os olhos, ninguém viram, senão a Jesus”. Moisés e Elias tinham ido embora, os raios da glória de Cristo tinham sido deixados de lado, ou estavam ocultos novamente. Eles esperavam que esse tivesse sido o dia da entrada de Cristo no seu reino, e a sua aparição pública naquele esplendor externo que eles imaginavam; mas veja como eles ficam desapontados. Não é prudente elevar demasiadamente as nossas expectativas neste mundo, pois as nossas glórias e esperanças mais valiosas aqui se dissipam, e até mesmo aqueles que vivem em íntima comunhão com Deus sentem que esta vida não é um banquete contínuo, mas um banquete fugaz. Mesmo que, às vezes, sejamos favorecidos por alguma manifestação especial da graça divina, como vislumbres e promessas da glória futura, ainda assim estes são afastados rapidamente; dois céus são uma expectativa demasiadamente grande para aqueles que não merecem sequer um céu. Então, “a ninguém viram, senão a Jesus”. Observe que Cristo fica conosco quando Moisés e Elias se vão. Os profetas não “viverão para sempre” (Zacarias 1.5), e nós vemos a conclusão do ministério dos nossos pastores; mas “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hebreus 13.7,8).

 

VIII – As palavras entre Cristo e os seus discípulos, quando desceram do monte (vv. 9-13).

Observe que:

1.Eles “desceram do monte”. Nós devemos descer dos montes sagrados onde temos comunhão com Deus, e complacência tanto dessa comunhão, como daquilo que estamos falando. “É bom estarmos aqui”; mas, mesmo aqui, nós não temos uma “cidade permanente”. Bendito seja Deus, há uma montanha de glória e alegria diante de nós, da qual nunca desceremos. Mas observe que quando os discípulos descem daquela montanha terrena, Jesus desce com eles. Quando voltamos ao mundo, depois de desfrutarmos a comunhão com o Senhor, devemos nos preocupar em levar Cristo conosco, e então isto será o nosso consolo: o fato de que Ele está conosco.

2.Quando eles desceram, falaram com Cristo. Observe que quando estamos retornando de alguma tarefa sagrada, é bom que a nossa conversa seja adequada ao trabalho que estivemos realizando. Esta comunicação, que é boa para a edificação, deve ser oportuna e muito especial. Caso contrário, será danosa, e seria melhor que ocorres­ se em outra ocasião.

Aqui temos:

(1). A recomendação que Cristo deu aos seus discípulos, de manter o assunto da visão muito privativo, naquele momento (v. 9): “A ninguém conteis a visão até que o Filho do Homem seja ressuscitado”. Se eles tivessem tornado pública a visão, a sua credibilidade teria sido abalada pelos sofrimentos de Cristo, que agora se aproximavam. Eles deveriam esperar e só divulgar o que tinham visto depois da sua ressurreição; pois, então, aquela glória, e também a sua glória subsequente, seria uma grande confirmação da visão. Note que Cristo observava um método em suas manifestações. Ele queria que as suas obras fossem consideradas em conjunto, para que explicassem e exemplificassem umas às outras, para que pudessem ser vistas em sua força total e evidências convincentes. Tudo é belo em sua própria ocasião, a seu próprio tempo. A ressurreição de Cristo seria propriamente o início do estado e do reino do Evangelho (tudo o que veio antes foi apenas preparatório e funcionou como prefácio). Por isso, embora esse fato tivesse ocorrido anteriormente, não deveria ser apresentado como uma evidência (o que parece ter sido muito enfatizado em 2 Pedro 1.16-18) até à ocasião em que a religião que essa manifestação visava confirmar tivesse sido trazida à sua plena consistência e maturidade. A hora escolhida por Cristo é a melhor e a mais adequada para a sua manifestação, e nós devemos atentar para isso.

(2). Uma objeção que os discípulos fizeram contra o que Cristo tinha dito (v. 10): “Por que dizem, então, os escribas que é mister que Elias venha primeiro?” É como se eles perguntassem: “Se Elias faria uma visita tão curta, e iria embora tão repentinamente, e nós não podemos dizer nada a esse respeito, por que nós fomos ensinados pela lei a esperar essa sua aparição pública no mundo imediatamente antes do estabelecimento do reino do Messias? A vida de Elias, aquilo que todo mundo está esperando, deve ser mantida em segredo? Ou, se a ressurreição do Messias – e com ela o início do seu reino – é chegada, o que acontece com aquele glorioso prefácio e com a introdução ao reino que nós esperamos ter com a vinda de Elias?” Os escribas, que eram os que explicavam publicamente a lei, diziam isso de acordo com as Escrituras (Malaquias 4.5): “Eis que eu vos envio o profeta Elias”. Os discípulos usavam a linguagem comum dos judeus, que afirmavam que as palavras dos escribas eram as palavras das Escrituras. Ao que esses ministros nos dizem, de acordo com a Palavra de Deus, devemos responder: “Deus está falando conosco, não os ministros”, pois recebemos a Palavra de Deus não como palavra de homens (1Tessalonicenses 2.13). Quando os discípulos não conseguiram conciliar o que Cristo disse com o que eles tinham ouvido do Antigo Testamento, quiseram que Ele lhes explicasse por que isso ocorria. Note que quando estamos confusos, enfrentando dificuldades com as Escrituras, devemos pedir a Cristo, em oração, que o seu Espírito abra o nosso entendimento e nos conduza a toda a verdade.

(3). A solução a essa objeção: “‘Pedi, e dar-se-vos-á”. Peçam orientação, e lhes será dada.

[1]. Cristo concorda com a predição (v. 11): “‘Em verdade Elias virá primeiro e restaurará todas as coisas’. Até aqui, vocês têm razão”. Cristo não veio para alterar nem invalidar nada que tivesse sido predito no Antigo Testamento. Observações corruptas ou enganosas podem ser suficientemente rejeitadas e destruídas, sem diminuir ou desprezar a autoridade ou a dignidade do texto sagrado. As profecias do Antigo Testamento são verdadeiras e boas, e devem ser aceitas e aproveitadas, embora alguns homens tolos e acalorados possam tê-las interpretado mal e chegado a conclusões erradas. Ele “virá… e restaurará todas as coisas”; não as restaurará ao seu estado antigo (João Batista não esteve prestes a fazer isso), mas pode-se interpretar que ele realizará todas as coisas, todas as coisas que foram escritas sobre ele, todas as predições sobre a vinda de Elias. João Batista veio para restaurar as coisas espiritualmente, dar nova vida à religião decadente, “converter o coração dos pais aos filhos”; o que quer dizer a mesma coisa que “ele restaurará todas as coisas”. João pregava o arrependi­ mento, e isto restaura toda s as coisas.

[2]. Jesus confirma o ocorrido. Os escribas dizem a verdade, “Elias já veio” (v. 12). Observe que as promessas de Deus sempre se cumprem, e os homens não percebem isso, mas perguntam: “Onde está a promessa?”, quando ela já se cumpriu. “Elias já veio, e não o conheceram”; eles não entenderam que ele era o Elias prometido, o precursor do Messias. Os escribas se ocupavam de fazer críticas às Escrituras, e não compreendiam, pelos sinais dos tempos, o cumprimento das Escrituras. Observe que é mais fácil explicar a Palavra de Deus do que aplicá-la e fazer uso adequado dela. Mas não é de admirar que a estrela da manhã não tivesse sido observada, quando aquele que é o próprio Sol “estava no mundo… e o mundo não o conheceu”.

Por não conhecê-lo, “fizeram-lhe tudo o que quiseram”. Se eles tivessem sabido, eles não teriam crucificado a Cristo, nem decapitado João Batista (1 Coríntios 2.8). Eles ridicularizaram João, perseguiram-no e acabaram matando-o; isto foi obra de Herodes, mas, aqui, essa é uma acusação feita a toda a geração dos judeus incrédulos, e particularmente aos escribas, que, embora não condenassem João, ficaram satisfeitos com o que Herodes fez. Cristo acrescenta: ”Assim farão eles também padecer o Filho do Homem”. Ou seja: “Não se espantem com o fato de Elias ter sido atacado e morto por aqueles que fingiam, com grande reverência, esperá-lo, pois o próprio Messias será tratado de maneira semelhante”. Os sofrimentos de Cristo fizeram com que todos os outros sofrimentos não fossem mais estranhos (João 15.18). Depois de terem ensopado suas mãos com o sangue de João Batista, eles estavam prontos para fazer a mesma coisa com Cristo. Observe que os homens lidam com Cristo da mesma maneira como lidam com os servos de Cristo. E aqueles que estão embriagados com o sangue dos mártires ainda gritam: Queremos mais (Atos 12.1-3).

(4). A satisfação dos discípulos com a resposta de Cristo à sua objeção (v. 13): “Entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista”. Ele não mencionou o nome de João, mas lhes deu a descrição dele ao colocar nas suas mentes o que Ele havia dito anteriormente com respeito a ele: “Este é Elias”. Esta é uma maneira vantajosa de ensinar; ela envolve os pensamentos dos próprios aprendizes, e faz deles, se não os seus próprios professores, aqueles que lembrarão a si mesmos; e as­ sim o conhecimento se torna fácil para aquele que o compreende. Quando usamos com diligência os meios do conhecimento, as névoas são curiosamente dissipadas, e os enganos são corrigidos!

OUTROS OLHARES

DO CONTRA!

Na convivência e relação de pessoas com filhos, sobrinhos, netos ou outras crianças e jovens, é comum a paciência do adulto ser posta à prova. Como lidar com essa situação?

Do contra

Em muitos casos, felizmente a maioria, em que a paciência do adulto é testada pelo comportamento desafiador das crianças e jovens, a solução do problema é fácil, pois basta o adulto aprender a enfrentar com tranquilidade alguns períodos ou fases, quase inevitáveis, do desenvolvimento infanto-juvenil. A contestação faz parte do amadurecimento normal e pode se manifestar de diferentes formas, desde respostas de modo inadequado, petulante, grosserias, postura desafiadora, até chegar à desobediência total das determinações mais sérias impostas pelos pais, professores e outros adultos.

Isso não significa dizer que vamos aplaudir e acatar todos os comportamentos, mesmo os bizarros, de nossas crianças, até porque somos os adultos e devemos dar, além dos exemplos, continência a expressões do desenvolvimento de toda ordem, a fim de as preparar para a vida em sociedade. É de se esperar que, em uma relação, o mais imaturo erre mais vezes e que o mais maduro saiba controlar e direcionar a linguagem e os comportamentos inadequados dos mais jovens.

Mas o que acontece com aquele bebê lindo que mal aprende a falar e já diz não a tudo? Que se joga no chão, coloca os pés no sofá, entorna o leite de propósito? Será birra? Está certo, é esse comportamento o esperado das crianças pequenas que tentam formar sua individualidade e não compreendem regras, limites ou suportam frustrações. Mas e aquela menina super carinhosa que do dia para noite finge não escutar quando falamos com ela? E o garoto, sempre tão esperto e ágil, que parece ter perdido toda a sua energia quando lhe pedimos para fazer alguma coisa?

Testando os adultos a quem devem obediência e os seus próprios limites, as crianças vão declarando aos poucos sua independência, e mesmo o comportamento desafiador do adolescente tem suas origens não apenas no desenvolvimento de seu sistema nervoso e hormonal, mas no desejo incessante que todos temos de autonomia, de tomar iniciativas, de experimentar o novo, de ter algum poder.

Entretanto, procurar entender o que está por detrás do comportamento de oposição é muito importante para quem educa. Em alguns casos, o que parece ser um comportamento desafiador e ocasional para os adultos pode ser simplesmente resultado de uma situação nova, conflitante ou extraordinária que o jovem vivencia naquele momento, mas que toma toda sua energia, atenção e faz soar absurdas as intervenções dos adultos.

Tentar entender a razão dos comportamentos considerados negativos é uma das melhores formas de antecipar a boa conduta infantil, como, por exemplo, observar aquilo que costuma desencadear as condutas indesejadas, sejam tarefas ou atividades familiares, o excesso de autoridade paterna ou o contrário, negligência e/ou indiferença. Excesso de confiança na capacidade do jovem se autogerir pode ser atraente por um tempo, mas logo transforma a relação familiar em caos, pois, sentindo-se desrespeitado na sua imaturidade, insuficientemente acolhido e amado, é comum desenvolver pouca empatia, relações conflituosas dentro e fora de casa, desinteresse pelas obrigações escolares, entre outras coisas.

Famílias sem regras claras de convívio, onde impera a falta de amor e respeito, supervisão descuidada na vida da criança e do adolescente podem criar situações de risco ao aparecimento e perpetuação de atitudes de oposição, pois existem idades apropriadas para as diferentes responsabilidades poderem ser cobradas e na medida correta.

Se é normal pedir a uma criança de 5 anos para guardar seus brinquedos, é mais complexo para ela colocar o quarto todo em ordem. Dividir tarefas em etapas e orientar são papel dos adultos e que as crianças precisam para manter a serenidade e o equilíbrio no amadurecimento. Se o jovem tem dificuldade em mudar de ocupação, de interesse de modo rápido, por que não dar um aviso, um tempo maior para tal? Conversar com respeito, de maneira clara, demonstrando afeto e confiança na criança e no jovem, resolve muitos dos problemas familiares. Serve de modelo e acalma os ânimos quase sempre exaltados nesses momentos. No entanto, é importante prestar atenção ao comportamento desafiador que persista durante um período de mais de seis meses e que interfira de modo marcante com o relacionamento e desempenho familiar, escolar e social da criança ou do jovem, pois poderá tratar-se de um sinal de algo mais sério que exigirá uma consulta médica, especializada, para evitar problemas de grande alcance.

As crianças e jovens que estão nesse último caso também sofrem muito, já que é difícil as pessoas sentirem simpatia por tal perfil desafiador, especialmente quando muito acentuado, prolongado e sem controle, pois estão sempre testando os limites e a autoridade, têm birras frequentes, discutem constantemente com os adultos, recusam-se a cumprir regras e costumam ser vingativas. Para levar uma vida harmoniosa e produtiva, crianças e jovens com tal comportamento precisam se sentir amadas e acolhidas pelos pais e serem acompanhadas por profissionais competentes que de fato as ajudem e apoiem a sua família durante o tratamento.

 

Maria Irene Maluf – é especialista em Psicopedagogia, Educação Especial e Neuroaprendizagem. Foi presidente nacional da Associação Brasileira de Psicopedagogia –  ABPp (gestão 2005/07.) É autora de artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordena curso de especialização em Neuroaprerdizagem.  irenemaluf@uol.com.br

PSICOLOGIA ANALÍTICA

A QUALIDADE DE SER VERDADEIRO

Exercer a honestidade em caráter amplo é muito difícil, porque existem convenções sociais que nem sempre espelham a realidade, mas são tidas como certas por já estarem formalizadas e enraizadas.

A qualidade de ser verdadeiro

“Honestidade é fazer certo, mesmo que ninguém esteja olhando”; Jim Stovall

Honestidade é aquisição desenvolvida e potencializada através da moral, ética e caráter, e indica a qualidade de ser verdadeiro: não mentir, não fraudar, não enganar. Quanto à etimologia, a palavra honestidade tem origem no latim honos, que remete para dignidade e honra. A honestidade pode ser característica de uma pessoa ou instituição. Significa falar a verdade, não omitir, não dissimular. O indivíduo que é honesto repudia a esperteza de querer levar vantagem em tudo.

Honestidade, de maneira explícita, é a obediência incondicional às regras morais existentes. Existem alguns procedimentos para alguns tipos de ações, que servem como guia, como referência para as decisões. Exercer a honestidade em caráter amplo é muito difícil, porque existem convenções sociais que nem sempre espelham a realidade, mas são tidas como certas por já estarem formalizadas e enraizadas.

Nascemos honestos ou nos tornamos honestos? Entenda como a filogênese do sistema nervoso central nos auxilia a compreender como ocorre a aquisição da honestidade e valores morais para o desenvolvimento do cérebro cognitivo, emocional humano.

Analisando as transformações filogenéticas humanas, percebemos que o cérebro e sua estrutura e morfologia estão relacionados com as atividades que foram significativas para a transformação da nossa espécie ao longo dos milhares de anos. Na natureza, não há nada tão complexo quanto o funcionamento do cérebro humano. Usamos 100% de sua capacidade e temos muitas possibilidades de estruturação de funções ainda mais complexas que serão construídas mediante as necessidades socioculturais.

A princípio, o homem tinha uma caixa craniana pequena com mandíbulas grandes para alimentação crua. Depois da descoberta do fogo, passou a ter uma caixa craniana com encéfalo maior e a mandíbula menor, o que permitiu maior desenvolvimento da inteligência. Nessa fase, o homem liberou as mãos do movimento da marcha e começou a utilizar ferramentas de trabalho para transformar a natureza.

O córtex cerebral aumentou de volume e, com ele, a possibilidade de processamento de informações por meio do pensamento e da linguagem. A socialização se tornou uma necessidade, bem como o desenvolvimento de habilidades de convivência e organização sociais. Em milhares de anos de evolução filogenética, a estrutura cerebral foi alterada em função das necessidades ambientais e culturais. Hoje, sabemos que a morfologia de nosso cérebro pouco se transforma diante de tantas inovações tecnológicas, mas a sua estrutura de funcionamento está totalmente aberta aos estímulos que recebe do ambiente e que serão os responsáveis pela consolidação das redes neurais que conduzirão a aprendizagem.

Em outras palavras, cada um de nós tem um cérebro de acordo com a sua cultura e com os desafios cognitivos que são colocados. Dessa forma, afirmamos que um cérebro que sofreu alguma alteração tem todas as condições de se transformar por meio dos processos de neuroplasticidade.

DIVISÕES

O cérebro humano é um órgão plástico e poderia ser dividido em três unidades (Relvas, 2008): Cérebro primitivo: responsável pela autopreservação e agressão (formado por tronco cerebral, cerebelo, mesencéfalo, bulbo e núcleos da base – corresponde ao cérebro dos répteis).

Cérebro intermediário: responsável pelas emoções (formado pelo sistema límbico – corresponde ao cérebro dos mamíferos). É responsável pelo equilíbrio ou desequilíbrio emocional do ser humano.

Cérebro racional: responsável pelas funções intelectuais (formado pelo neocórtex e alguns grupos neuronais subcorticais). É responsável por três tarefas: o controle dos movimentos do corpo, a percepção dos sentidos e o pensamento. Foi durante muito tempo sinônimo de inteligência, razão e espírito, é o promotor da racionalidade humana.

O valor da honestidade humana depende do cérebro racional, mas é ativado pelo sistema límbico emocional de recompensa e das amígdalas cerebrais.

É necessário compreender que, na ativação das informações das amígdalas, promove-se uma experiência emocional. As amígdalas cerebrais são estruturas neurobiológicas que, de acordo com Ledoux, têm projeções em muitas áreas corticais. As projeções das amígdalas para o córtex são consideradas mais frequentes que as projeções do córtex para a amígdala. Além de projetar-se de volta às regiões sensoriais corticais de onde recebe informações, as amígdalas também se projetam para algumas áreas de processamento sensorial, das quais não recebe informações. Como resultado, uma vez ativadas as amígdalas, elas são capazes de influenciar as emoções e as áreas corticais responsáveis pelo processamento dos estímulos que as estão ativando. O que pode ser muito importante no direcionamento da atenção para estímulos emocionalmente relevantes, mantendo a memória de objeto de curto prazo focado no estímulo ao qual as amígdalas estão atribuindo um significado. As amígdalas também estabelecem um conjunto impressionante de conexões, com as teias de memória de longo prazo que envolvem o sistema do hipocampo e áreas do córtex que interagem com o hipocampo na armazenagem de informações de longo prazo. Essas vias podem contribuir para a ativação de memórias de longo prazo significativas em suas implicações emocionais de estímulos imediatamente presentes.

ESTIMULAÇÃO

Embora as amígdalas tenham conexões relativamente escassas com o córtex pré-frontal lateral, seus elos com o córtex cingulado anterior são bastante fortes, um dos outros parceiros no circuito executivo da memória no lobo frontal. E estabelece, igualmente, conexões com o córtex orbital, outra peça importante na memória de trabalho, a qual pode ter uma participação especial nas memórias de trabalho, no que se refere a recompensas e punições. Por meio dessas conexões com estruturas especializadas de curto prazo, com as redes de memória de longo prazo e as do lobo frontal, as amígdalas podem influenciar o conteúdo das informações da memória de trabalho. Há muita redundância desse sistema, possibilitando que a percepção consciente da atividade das amígdalas seja realizada de diversas maneiras.

A ativação das amígdalas produz a estimulação automática de redes neuronais responsáveis pelo controle da expressão de uma variedade de reações: comportamentos específicos da espécie (imobilização, fuga, luta, expressões faciais), reações do sistema nervoso autônomo (alterações na pressão sanguínea e nos batimentos cardíacos, piloereção, suor) e reações hormonais (liberação de hormônios do estresse, como a adrenalina e os esteroides suprarrenais, bem como uma série de peptídeos na corrente sanguínea). O sistema nervoso autônomo e as reações hormonais podem ser considerados respostas viscerais, reações dos órgãos internos e glândulas (as vísceras). Quando essas reações viscerais e comportamentais se expressam, criam sinais corporais que retornam ao cérebro.

Então, podemos dizer que: o cérebro aprende através do exercício das habilidades, das necessidades, da motivação, da curiosidade, do interesse, da repetição e das fases inerentes ao desenvolvimento neurocognitivo (Zorzi, 2009, p. 171).

De acordo com Davidson (2013), os correlatos cerebrais às emoções positivas e às emoções negativas não ocorrem no tronco cerebral nem no sistema límbico, e sim no córtex pré-frontal. Sua pesquisa teve por objetivo codificar os movimentos musculares que constituem os sinais faciais das emoções. Os experimentos realizados por Davidson contribuíram com a percepção de emoções positivas e emoções negativas estarem ligadas à ativação do córtex pré-frontal.

O humano aprende valores por informações, exemplos e a plasticidade cerebral é intencional para o desenvolvimento cognitivo nas tomadas de decisões no controle inibi tório das emoções.

Para Relvas (2012, p. 119), a plasticidade cerebral intencional é a denominação das capacidades adaptativas do sistema nervoso cerebral, ou seja, é a sua habilidade para modificar sua organização estrutural própria e seu funcionamento. É a capacidade que o cérebro tem em se remodelar em função das experiências do sujeito, reformulando as suas conexões em virtude das necessidades e dos fatores do meio ambiente. A plasticidade é minimizar ou reverter uma adaptação funcional/estrutural do sistema nervoso central.

A aprendizagem de valores organiza-se através da aquisição de estímulos / informações e promove a modificabilidade neuronal, denominada de plasticidade cerebral intencional. O humano não aprende por conselhos, mas na maioria das vezes pelos exemplos. E essa consideração filosófica tem uma relação neurobiológica diretamente com os neurônios – espelhos existentes na parte superior do cérebro no córtex. Desde cedo, quando somos pequenos, imitamos. Primeiro, os gestos de nossa mãe. Um pouco mais velhos, brincamos de médico, professor, policial etc. Na adolescência, temos ídolos e pessoas que imitamos, e já adultos buscamos ser pessoas de sucesso a partir do que vemos em outras pessoas que admiramos.

CHAVE DO APRENDIZADO

“Neurônios-espelhos” podem ser a chave do aprendizado e da cultura e são a grande descoberta da Neurociência como o fato de que há ativação dessas células na observação, assim como na ação motora. Nas palavras de Dobbs (2006), em O Reflexo Revelador: “A descoberta desse mecanismo (…) sugere que nós também fazemos mentalmente tudo aquilo a que assistimos alguém fazer”. Os neurônios-espelhos são disparados do mesmo modo quando realizamos uma ação ou quando simplesmente observamos outras pessoas realizando essa mesma ação. O fato de que nosso cérebro reage igualmente nessas duas situações explica a aprendizagem por imitação, fingimento, e também a empatia, já que acabamos vivendo a ação dos outros como nossa, e isso nos ajuda a compreendê-la.

Quando esses neurônios especializados são ativados, outras zonas do cérebro também o são, como o sistema límbico, responsável pelas emoções. Desse modo, é possível que sejamos capazes de reconhecer gestos faciais, ir até nossas recordações e aprendizagens prévias e unir toda essa informação para interpretar a situação e dar a ela um significado.

Quando o estímulo já é conhecido do sistema nervoso central, desencadeia uma lembrança; quando o estimulo é novo, desencadeia uma mudança (Relvas, 2009).

Para Relvas (2009), todo ser humano deve ser preparado, especialmente pela educação que recebe na juventude, para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, para si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida (Delors, 1999, p. 99).

Considero que é por meio de uma educação integral que o sujeito poderá, pelo conhecimento cognitivo, compreender o mundo que o cerca, pois entenderá a si mesmo, terá um comportamento de protagonista e participante, responsável e justo na construção de seu tempo, de sua sociedade. Por isso, não devemos esquecer que, mais do que nunca, a educação parece ter como papel essencial conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensar, de discernir, de sentir e imaginar o de que necessitam. Em outras palavras, confere o empoderamento a todos os atores participantes desse processo. A plasticidade cerebral intencional vem sendo uma condição inerente a todos os humanos que aprendem dia após dia e transformam o funcionamento do seu cérebro, ora para compensar funções cognitivas pouco desenvolvidas, ora para potencializar as riquezas do desenvolvimento que existem em todos nós, como valores e exemplos importantes para uma sociedade que são aquisições sociais e culturais.

NEURÔNIOS-ESPELHOS E AS AÇÕES DOS OUTROS

Localizados no córtex pré-motor, os neurônios-espelhos são células ativadas pela execução de uma ação simples, que seja direcionada a objetivos e que respondem, igualmente bem, à própria ou à outra pessoa – permitindo entender a base neural. O lóbulo parietal superior, o lóbulo parietal inferior e a parte dorsal do córtex pré-motor são todos frequentemente envolvidos na imitação. Um neurônio-espelho, também conhecido como célula-espelho, é um neurônio que dispara tanto quanto um animal realiza um determinado ato. Dessa forma, o neurônio imita o comportamento de outro animal, como se estivesse ele próprio realizando essa ação. Esses neurônios já foram observados de maneira direta em primatas. Também existem em humanos e em alguns pássaros.

FILOGÊNESE

A filogênese (ou filogenia) pode ser definida como o estudo da relação evolutiva entre grupos de organismos, que é descoberto por intermédio do sequenciamento de dados moleculares e matrizes de informações morfológicas. A expressão filogenética deriva do grego Ale e Filon, denotando “tribo” e “raça”, e o termo genético, denotando em relação ao nascimento da gênese ‘origem’ ou ‘nascimento’. O resultado dos estudos filogenéticos é sua filogênese.

 A qualidade de ser verdadeiro 2

Marta Relvas é professora, bióloga, neuroanatomista, psicopedagoga, autora de livros e DVDs sobre Neurociência e educação/transtornos da aprendizagem, publicados pela Wak Editora.