GESTÃO E CARREIRA

DEMISSÕES DERRUBAM MITO DA ‘DITADURA GENTIL’ NAS BIG TECHS

Até tentativas de sindicalização foram atacadas com argumento de que trabalhadores eram ‘privilegiados’

Era uma vez jovens graduados que achavam que tinham uma escolha a fazer: podiam ficar ricos mas infelizes, em um banco de investimentos ou escritório de advocacia, ou podiam viver sem um ótimo salário, mas fazendo algo divertido.

Depois, então, vieram as grandes empresas de tecnologia. De repente, era possível para uma pessoa comum certo conjunto de habilidades se divertir e ficar rico ao mesmo tempo.

As empresas de tecnologia pareciam representar um mundo de trabalho menos hierárquico, onde todos usavam jeans e camiseta e o mérito era o mais importante. Os salários eram altos e as opções de ações, abundantes. Se você tivesse sorte, seu patrão também cuidaria das partes chatas da vida, lavando suas roupas, preparando suas refeições e levando você para casa à noite.

Neste ano, as empresas de tecnologia representaram cinco dos dez melhores lugares para se trabalhar nos Estados Unidos, segundo avaliações de funcionários no site Glassdoor.

Formuladores de políticas e economistas logo passaram a ver os trabalhadores de tecnologia como os vencedores arquetípicos da economia do século21: firmemente na ponta “adorável” da crescente lacuna entre os empregos “adoráveis” e os “péssimos”. Quando alguns funcionários do setor tentaram se sindicalizar, a resposta de empresas e investidores foi, muitas vezes, argumentar que esses já eram empregos dos sonhos – então, qual o sentido de fazer isso?

Como afirmou um investidor, os trabalhadores de tecnologia que tentavam se sindicalizar estavam “se apropriando da linguagem dos mineiros de carvão explorados enquanto desfrutavam da experiência de trabalho em escritório mais privilegiada da história da humanidade”.

Essa conversa chegou ao fim com uma série de demissões em massa em empresas de tecnologia nas últimas semanas.

A Meta demitiu 11 mil trabalhadores, ou 13% de sua força de trabalho. Elon Musk, o bilionário que é o novo dono do Twitter, reduziu o número de funcionários do grupo pela metade.

A Amazon anunciou um corte de aproximadamente 10 mil empregos, enquanto a empresa privada de pagamentos Stripe abateu 14% dos trabalhadores.

Foi uma experiência brutal para os funcionários do ramo da tecnologia.

Na maioria dos casos, os cortes de empregos são a reversão de uma recente onda de contratações. Apenas no Twitter a história é um pouco diferente.

As empresas de tecnologia apostaram na continuidade de um ambiente macroeconômico incomumente benéfico que, na verdade, estava prestes a acabar.

Os consumidores não estão mais confinados em casa pela pandemia, tendo apenas o comércio eletrônico para gastar seu dinheiro. As taxas de juros das maiores economias do mundo não estão mais no fundo do poço.

Este não é o fim dessas empresas. A Meta ainda tem mais funcionários do que no  ano passado. Mas as demissões em massa oferecem algumas lições.

A primeira é que, estejam todos de jeans ou não, muitas empresas de tecnologia são altamente autocráticas. Foi impressionante – e revigorante – ver os presidentes executivos assumirem a responsabilidade pessoal pelas demissões. Mas também foi um lembrete de quanto poder eles têm.

Na Meta, por exemplo, os investidores estão cada vez mais frustrados com a quantidade de dinheiro que o executivo-chefe, Mark Zuckerberg, estava “afundando” no metaverso. Mas a estrutura de ações duplas da Meta permite que ele, com 13% do patrimônio, controle mais da metade dos votos.

“Tomei a decisão de aumentar significativamente nossos investimentos”, escreveu Zuckerberg em um memorando para a equipe há cerca de duas semanas. “Eu entendi errado e assumo a responsabilidade por isso.”

A velocidade das demissões nessas empresas globais também se chocou com o espírito das leis trabalhistas no Reino Unido e na Europa.

“Em muitos países europeus, é preciso alertar as administrações públicas ou conselhos de trabalhadores ou sindicatos, mesmo que a empresa não seja sindicalizada. É preciso ter um plano que atenue o impacto social de suas decisões”, disse Valério De Stefano, professor da Escola de Direito Osgoode Hall, em Toronto (Canadá).

A ideia dessas leis não é impedir que as empresas façam demissões, diz ele, mas garantir que ocorram de forma justa e com o devido aviso. “Temos um despertar muito duro agora, está acontecendo sem nenhum controle ou consulta, apenas alguém que diz: ‘Desculpem, a culpa é minha’”.

Para os funcionários, a experiência destaca o fato de que ditaduras benevolentes podem parecer boas até que não sejam mais tão benevolentes. Mesmo as pessoas que mantiveram os empregos estão vendo alguns benefícios mudarem. No Twitter, Musk anunciou que todos devem trabalhar longas horas em ritmo intenso no escritório, modificando a vida de pessoas que planejavam trabalhar remotamente.

Os sindicatos esperam que as demissões os ajudem a argumentar que os sindicatos não tratam apenas de tentar melhorar as condições precárias de trabalho, mas também de ter uma voz real e um lugar à mesa.

Mike Clancy, secretário-geral do sindicato britânico Prospect, diz que a entidade tem alguns membros no Twitter e espera recrutar mais no setor tecnológico. “Muitas vezes há um verniz progressista – somos todos técnicos juntos”, diz ele. “[O] clima todo é do tipo ‘nós oferecemos uma proposta de emprego diferente’. Não, você não oferece quando se trata de dispensar mão de obra, não é?”

A outra lição é não se deixar levar pela linguagem auto elogiosa sobre a “guerra por talentos”, que era onipresente no setor de tecnologia até recentemente.

Existem pessoas talentosas em todas as esferas da vida. O que importa para o salário é oferta e demanda. Trabalhadores mal pagos nos EUA vêm recebendo grandes aumentos salariais em termos nominais este ano. Ninguém está chamando isso de “guerra por talentos”; eles estão chamando de “falta de mão de obra”. As empresas de tecnologia podem ter oferecido vantagens incríveis, mas as pessoas não precisam tanto de empregos dos sonhos e sim de empregos que as tratem com decência. O problema dos sonhos é que eles desaparecem quando você acorda.

*** SARAH O’CONNOR – Colunista do Financial Times

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Autor: Vocacionados

Sou evangélico, casado, presbítero, professor, palestrante, tenho 4 filhos sendo 02 homens (Rafael e Rodrigo) e 2 mulheres (Jéssica e Emanuelle), sou um profundo estudioso das escrituras e de tudo o que se relacione ao Criador.

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