ESTAR BEM

CARBOIDRATO: HERÓI OU VILÃO?

Fonte de energia, o nutriente deve fazer parte da dieta alimentar; eliminá-lo do cardápio pode trazer diversos malefícios e interferir até mesmo na qualidade do sono

Os carboidratos atuam como combustível para o corpo, sendo sua principal fonte de energia. O consumo adequado contribui para a saúde do organismo de modo geral, pois está associado ao transporte de proteínas para os músculos, à formação de células do sistema imunológico e à geração de energia para o cérebro, garantindo uma boa cognição e aprendizado, conforme explica a nutricionista Isabella Pinheiro.

Simples ou complexos, são formados por moléculas de carbono, hidrogênio e oxigênio, que podem se unir e formar outras ainda maiores que, por sua complexidade, são agrupadas em diferentes categorias, das quais as três mais importantes são monossacarídeos, dissacarídeos e polissacarídeos.

“Os monossacarídeos são açúcares formados por uma única molécula. Seus principais representantes são a glicose (fabricada pelos vegetais durante a fotossíntese), a frutose (encontrada no mel) e a galactose (presente no leite)”, explica. “Os dissacarídeos (maltose encontrada no malte da cevada, lactose encontrada no leite e a sacarose) consistem em dois monossacarídeos unidos por uma ligação de carbono. E, por fim, os polissacarídeos são grandes cadeias de ligações de monossacarídeos que têm em sua composição amido, celulose, pectina e glucana, não digeridas no intestino humano, mas muito importantes para a saúde, também conhecidos como fibras”, ensina.

SAUDÁVEIS

De acordo com a nutricionista lsabela Bovarot os carboidratos complexos possuem absorção mais lenta no organismo, promovendo a sensação de saciedade, enquanto que os simples são mais facilmente absorvidos, o que pode gerar uma sensação maior de fome durante o dia. “Pensando sempre na saúde em primeiro lugar, as melhores opções são os alimentos fontes de carboidratos complexos, pois eles não liberam picos de açúcar no sangue, garantindo disposição e sensação de saciedade por muito mais tempo do que a ingestão de um carboidrato simples. Porém, tudo depende da situação, principalmente se for necessário gerar energia mais rapidamente”, afirma

A nutricionista lsabella Pinheiro esclarece que o tipo de carboidrato importa muito para a manutenção da saúde, e o ideal é que sejam consumidos carboidratos de alimentos in natura como frutas, vegetais e cereais. “Este último grupo contempla os carboidratos complexos, que trazem uma grande quantidade de fibra para a alimentação, prevenindo doenças e reduzindo picos de insulina que podem aumentara fome”, diz.

Segundo a especialista, os melhores carboidratos para uma boa saúde são encontrados na aveia (contém betaglucana que ajuda na saúde intestinal e prevenção de doenças crônicas), chia (fonte de ômega 3 vegetal), linhaça, feijão e lentilha (rica em fibras e vitamina B12), pão integral e fruta.

QUANTIDADE IDEAL

A quantidade de carboidrato absorvida varia diariamente de um indivíduo para o outro, por conta das diferenças de metabolismo e nível de atividade. De acordo com a nutricionista Isabella Pinheiro, para um adulto saudável, sem complicações na saúde, estima-se uma média de 200g a 300g de carboidratos por dia. “Isso pode variar muito de acordo com a rotina e exercícios que cada pessoa faz no seu cotidiano”, afirma.

Para pessoas enfermas e acamadas, a especialista destaca que os cálculos mudam e os carboidratos são distribuídos de acordo com as necessidades específicas de cada situação. Além disso, em algumas situações pode ser necessário limitar a ingestão. “O consumo deve ser reduzido na presença de doenças crônicas, como a resistência à insulina, diabetes tipo 2 ou pressão alta, se a causa for correlacionada com outra doença crônica, epilepsia e casos específicos de mutações e doenças que exijam protocolos que reduzem a ingestão de carboidratos”, diz lsabella Pinheiro.

MELHORA O DESEMPENHO FÍSICO

Os carboidratos ocupam lugar de destaque antes da prática de um esporte, visto que sua principal função é fornecer energia, favorecendo esforços prolongados ou intensos de curta duração. O consumo ineficiente pode prejudicar o treino, especialmente devido à fadiga e indisposição.

“O carboidrato é a fonte de energia mais fácil de ser usada pelo organismo no momento do exercício. Assim, quando o estoque de glicogênio (forma de armazenamento do carboidrato no músculo) é baixa, o organismo passa a usar a glicose disponível no sangue, melhorando a quebra de gordura após o exercício”, explica a nutricionista Isabella Pinheiro.

Outro fator importante está relacionado à perda de massa muscular ocasionada pela falta do nutriente. “Sem carboidrato, a proteína não consegue entrar no músculo, fazendo com que ele não se recupere dos treinos – ou seja, é usado como fonte de energia se houver baixo consumo de carboidratos na dieta”, diz.

“Perdemos o músculo e, com isso, a gordura continua armazenada. Os rins e fígado ficam sobrecarregados porque, com a falta de carboidrato, comemos mais proteína. Assim, os órgãos ficam sobrecarregados por trabalharem mais que o normal. Além disso, o consumo exagerado de proteína aumenta o consumo de gorduras, que pode elevar o colesterol e o risco de doenças cardiovasculares”, complementa a nutricionista Isabela Bovaroti.

EQUILÍBRIO É FUNDAMENTAL

São muitos os prejuízos da retirada do carboidrato da alimentação. Portanto, eliminá-lo completamente da dieta traz diversos riscos à saúde, como osteoporose, osteopenia e cetose (processo tóxico para o organismo que acontece ao quebrar gordura em excesso para obtenção de energia). “Sentir dores de cabeça, fadiga, sono excessivo, ter lesões no exercício e fraqueza são os sintoma s iniciais da falta de ingestão de carboidratos”, destaca a nutricionista Isabella Pinheiro.

Dentre outros males, a exclusão dos carboidratos da dieta pode levar a situações desagradáveis, como mau hálito, dor de cabeça, tremor, tontura e desmaio. O consumo adequado está relacionado à melhora do humor e qualidade do sono. Pequenas porções à noite podem ajudar a dormir melhor, porque a serotonina e a melatonina (hormônio fundamental para o sono) são estimuladas com a ingestão desse nutriente”, acrescenta a nutricionista Isabela Bovaroti.

Já o consumo de carboidratos, principalmente os refinados, leva a um quadro de aumento de triglicerídeos, que pode sobrecarregar a produção de insulina e causar o diabetes tipo 2. “Os picos de insulina também desregulam os hormônios de fome e saciedade, causando mais fome e fazendo com que surjam casos de compulsão alimentar e mais agravos à saúde a longo prazo”, completa a nutricionista Isabella Pinheiro.

OUTROS OLHARES

HARMONIZAÇÃO MUDA FOCO PARA NATURALIDADE, MAS HÁ DESAFIOS

Profissionais veem individualização dos procedimentos como positiva, porém, alertam para padronização

A imagem de celebridade deformada por cirurgias plásticas ou com feições exageradas, quase caricaturais, com bochechas saltadas e queixo muito proeminente, vem perdendo espaço. Nos consultórios de dermatologia e clínicas de estética, a busca pela harmonização facial tem sido atrelada a pedidos de naturalidade e “leveza facial”, o que vem se refletindo nas redes sociais de artistas e influenciadores.

O procedimento é feito em uma sessão e seu preço pode superar R$ 30 mil.

Os resultados mais “perfeitos”, entretanto, podem induzir a uma padronização da beleza, provocando a sensação de que os adeptos aos métodos estão, de fato, mais bonitos – mas com traços tão semelhantes que parecem frutos de uma linha de montagem.

A associação do desejo de naturalidade com a busca por alcançar padrões de beleza torna a padronização um desafio a ser enfrentado, segundo especialistas. Para conseguir a leveza facial, o procedimento deve, dizem, realçar os traços naturais do paciente – algo que depende das escolhas, técnicas e habilidade do profissional responsável.

A individualização dos procedimentos, porém, é tendência crescente na área estética. Edileia Bagatin, 67, livre docente do departamento de dermatologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenadora do departamento de cosmiatria da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), diz que a palavra “harmonização”, por si só, já é problemática.

“O termo harmonização facial não é usado por médicos, criaram esse nome como diferencial para o que já existe”, pontua Bagatin.

A professora afirma que ainda existem, mesmo entre cirurgiões e dermatologistas, profissionais que exageram nos procedimentos, principalmente nos que envolvem toxina botulínica, que pode paralisar demais o rosto, ou bioestimuladores, causando volume excessivo nas bochechas e no queixo. Isso, porém, tem mudado.

“Mais natural é uma tendência, mas varia de profissional para profissional. Muitos, felizmente, estão optando por não mudar drasticamente a fisionomia das pessoas e por usar um tratamento mais individualizado, avaliar muito bem o formato da pele, o quanto existe de flacidez”, diz a dermatologista.

Bagatin afirma que o paciente deve sempre consultar um especialista antes de qualquer procedimento, por mais simples que pareça. Embora a pessoa possa considerar ideal algo que esteja na moda, a pele pode precisar de outro tipo de intervenção.

“Às vezes o paciente vem querendo toxina botulínica e o médico percebe que para ele seria melhor começar por um preenchimento ou mesmo um procedimento a laser”, exemplifica a docente.

O cirurgião-dentista Fábio Rafael, 30, sentia-se incomodado com o formato do rosto desde a adolescência. Por isso, em 2020, fez preenchimento full face (rosto inteiro, em português) e, apesar da mudança significativa, tentou manter uma identidade.

“Não me achava bonito e sempre quis mudar. O full face realmente me transformou, realçando pontos positivos que eu já tinha em meu rosto”, diz Rafael.

A recuperação, segundo ele, foi tranquila, sem hematomas ou dor, apenas inchaço. “Já tinha feito preenchimento, mas nada nessa dimensão. Amei o resultado, me achei o homem mais lindo do mundo. Superou todas as minhas expectativas e elevou demais a minha autoestima, meu amor-próprio”, relata.

Paciente modelo da cirurgiã-dentista Nayane de Souza Pacheco, 36, Rafael conheceu o trabalho da profissional pelo Instagram. Pacheco é referência em harmonização facial masculina e atende pacientes de todo o mundo, especialmente americanos.

Em sua rotina, a dentista diz que a naturalidade é um pedido cada vez mais comum.

“As técnicas são avaliadas e reavaliadas diariamente, com o avanço tecnológico temos conseguido aprimorar, trazendo resultados cada vez mais naturais”, afirma.

Pacheco defende que o papel do profissional é alinhar a expectativa do paciente com a realidade, pois há casos em que a mudança será quase imperceptível e, outros, em que correções de pequenas assimetrias podem gerar grandes alterações.

Adepta do ácido hialurônico, ela diz que a ferramenta é biocompatível por ser uma substância já produzida pelo corpo, além de proporcionar inúmeras possibilidades de transformação com o mínimo de risco.

“O cliente pode vir na sua hora de almoço realizar o procedimento e depois já retomar suas atividades laborais. E a qualquer momento você pode extrair o produto caso o efeito não tenha agradado”, acrescenta.

O tratamento é contraindicado para gestantes, lactantes, pessoas com doenças autoimunes não controladas ou com histórico de reações alérgicas graves.

A SBD enfatiza que, em caso de intervenções estéticas invasivas, o procedimento deve ser feito apenas por cirurgiões plásticos e dermatologistas. A instituição também recomenda não se orientar por imagens de redes sociais ou fazer escolhas com base em preço, como promoções e pacotes de tratamento.

“Busque a referência do profissional. A face tem uma anatomia muito complexa, muito vascularizada, muito enervada, há necessidade de conhecimento profundo do rosto, da sua fisiologia. Sem conhecer, o risco é muito elevado”, aponta Bagatin.

A professora recomenda buscar no site da instituição e do CRM (Conselho Regional de Medicina) o registro médico e de especialidade do profissional, pois desta forma é possível ter mais segurança na intervenção.

“Temos visto complicações, muitas graves, que prejudicam as pessoas para o resto de suas vidas”, afirma a dermatologista.

GESTÃO E CARREIRA

‘TIKTOKIZAÇÃO’ NO TRABALHO: O QUE OS PROFISSIONAIS PODEM OU NÃO FAZER NAS REDES

Especialistas tentam compreender o novo fenômeno para orientar como trabalhadores devem se comportar

O que uma psicóloga e uma analista de comunicação têm em comum? Ambas usam o TikTok – um dos aplicativos de mídia social mais populares do mundo – para divulgar a rotina de trabalho e dar dicas da profissão que exercem por meio de vídeos interativos. Elas acompanham a tendência de transformar o cotidiano em conteúdos de entretenimento, compartilhando seu dia a dia.

Segundo especialistas, o engajamento nas redes sociais pode ampliar o acesso a oportunidades e aproximar recrutadores de empresas, principalmente de áreas artísticas. Mas é preciso estar atento à forma e ao conteúdo compartilhado.

Entender o que pode e o que não pode publicar nas redes sociais é mais difícil do que parece. De acordo com a psicóloga Rafaela Abreu, coach de carreira e headhunter (recrutador), a escolha do que é publicável depende de três fatores: o propósito da pessoa, a área em que atua e qual perfil de empresa deseja atrair (para quem está em busca de emprego). “Quando têm muitos assuntos destoantes, a empresa pode olhar e não gostar do vídeo”, alerta a especialista.

Aqueles que divulgam a rotina de trabalho nas redes devem ter cautela ao utilizar o nome da empresa. ”Porque vai representar a instituição”, diz Rafaela. Em alguns casos, o funcionário pode ser responsabilizado profissionalmente.

“Por exemplo, se falar algo ofensivo, a empresa pode justificar demissão por causa da conduta do colaborador”, afirma ela. Para evitar advertências e até afastamento, o ideal é verificar com o jurídico da empresa.

CONSULTA

Foi esse estalo que a analista de comunicação Julia Rantechieri teve quando decidiu abrir uma conta no TikTok em abril deste ano. ”Perguntei se a empresa tinha interesse em fazer vídeos (sobre rotina de trabalho). E aí eles disseram que não tinham nenhum planejamento, mas que era uma ideia legal. Então, acabei fazendo por mim”, conta ela, cujo vídeo foi assistido por mais de 200 mil pessoas.

O conteúdo começa com a mensagem “hoje vou levar vocês para trabalhar comigo”, segue com a narração da jovem a caminho do trabalho, no carro, em espaços de convivência e recortes do cotidiano na empresa em que a analista trabalha.

“A pandemia trouxe interesse por coisas normais. Hoje, pegar um ônibus é um entretenimento para as pessoas que estão há quase três anos dentro de casa “, resume Julia, que planejou produzir algo espontâneo para gerar identificação com usuários do TikTok. “Pensei: ‘A primeira vez que entrei no escritório, o que mais me impressionou?”, relembra.

Na hora de colocar o conteúdo no ar, a prioridade da profissional foi descobrir como poderia envolver o público. “Eu tive mais o cuidado do que vai chamar atenção”, diz. A maioria dos comentários do post da analista é de pessoas solicitando dicas para melhorar o currículo e outras interessadas em ingressar na startup. ”Sonho! Que tipos de cursos preciso fazer para poder trabalhar nessa empresa?” escreveu um internauta.

O TikTok já acumula mais de 11 milhões de visualizações na #trabalhecomigo, hashtag em que Julia aparece entre as mais assistidas nos resultados de pesquisa.  Disputar alguns segundos com milhares de publicações é um desafio. ”Por isso, passar algo natural na mensagem é importantíssimo”, avalia a Rafaela.

APLICATIVO MAIS BAIXADO

Embora o TikTok tenha sido o aplicativo mais baixado do mundo no primeiro trimestre de 2022, conforme dados da Sensor Tower, lideranças e empresas ainda não estão alinhadas com os recursos da plataforma.

“As corporações estão um pouco devagar, tentando entender. porque é algo relativamente novo”, afirma Rafaela. Por outro lado, o engajamento nas redes pode ser um diferencial para alguns profissionais. “Setores artísticos, criativos e de marketing são bem-vistos nesses espaços.”

Algumas áreas, por sua vez, têm Código de Conduta e Ética com tópicos que orientam o profissional na divulgação do trabalho nas redes sociais, a exemplo do Direito. ”Mas nem tudo dá para ser replicado. A gente tenta trabalhar algo adaptado para a realidade do profissional. Isso vale para o advogado, dentista e outros”, comenta Beatriz Xavier, cofundadora e redatora da ConnectLaw, empresa especializada em marketing jurídico.

DRAMATURGIA E HUMOR

A área de psicologia tem o Código de Ética do Profissional Psicólogo, o CRP, que orienta a não anunciar preços de consultas, por exemplo. “Bom senso nessas horas é um excelente norte”, diz a psicóloga Gabriela Fonseca, de 27 anos, que tem 160 mil seguidores na rede. Ela tenta unir dramaturgia e humor para criar conteúdos informativos sobre psicoterapia em seus vídeos.

Em 2017, ela começou a publicar no TikTok por hobby, mas na medida que o alcance aumentou, percebeu que a plataforma poderia ser usada como instrumento de projeção e meio para “democratizar a profissão”.

CUIDADOS NECESSÁRIOS

“Antes não havia muito planejamento. Produzia o que fazia sentido para mim”, diz. Após cinco anos de atuação na plataforma, ela admite que não é fácil fazer escolhas totalmente certas nas produções dos vídeos. “Às vezes, confundo os termos. Por isso, sempre estou me atualizando, mas podem acontecer equívocos.”

No trabalho de filtrar informações, Gabriela conta que até um grupo no WhatsApp, formado por psicólogos, vira mecanismo de ajuda para tirar dúvidas. Ela acrescenta que, antes de publicar qualquer conteúdo, alguns questionamentos são feitos, como: se o material compartilhado pode assustar alguém, o que está sendo promovido a partir daquele vídeo e o que pode ser atraído após a divulgação.

A profissional também evita generalizar transtornos mentais no momento da produção de conteúdos por conta do risco de induzir usuários da plataforma a realizarem autodiagnostico sem acompanhamento médico.

Outro ponto importante, segundo especialistas, é ter atenção ao criticar outra pessoa nas redes sociais. Ofender, acusar ou citar um indivíduo publicamente, atribuindo a ele um fato específico, pode configurar o crime de difamação, o que renderia um processo judicial e causaria elevados prejuízos, além da dor de cabeça.

EU ACHO …

TALENTO E GÊNERO

Não se trata de criar cotas. Devemos quebrar o sistema de cotas já existente.

Quando eu era adolescente, ouvi um professor fazer uma afirmação: “Quem mais cozinha no mundo são mulheres; os grandes chefs são quase todos homens. Quem mais costura, idem; os maiores estilistas são homens. O mesmo pode ser dito de todos os campos”. As frases continham muito preconceito, porém, há tantos anos, eu não tinha como responder.

Se eu pegar os livros de história da arte ou frequentar museus, eu concordarei com meu interlocutor misógino. O que eu não percebia naquela época é que museus e livros sofrem curadoria. As escolhas não são livres. A lista do que deve ser exposto ou publicado é marcada pela subjetividade. Eu desconhecia a produção social da memória. Hoje, compreendo que as avenidas das grandes cidades apresentam um número enorme de homens brancos que podem traduzir a ideia, falsa, de que a sociedade repousa sobre os ombros masculinos com pouca melanina. Na verdade, outros homens brancos procuraram pessoas similares a eles e deram os nomes a logradouros.

É assim também na arte. Por que me ensinaram tanto sobre Rodin, nos cursos de arte, mas quase nada sobre Camile Claudel? Por que meus cursos, muitos, sobre barroco, esmiuçaram cada detalhe de Velásquez, Caravaggio, Rembrandt e nenhum de Artemisia Gentileschi? Na música, quantos ouviram Amy Beach, Ethel Smith ou Barbara Strozzi? Até minha amiga Olga Kopylova gravar, eu nunca tinha ouvido falar de Cécile Chaminade. Hoje, amo ouvir a música da compositora.

Eu não falo de um pensamento politicamente correto. Não invoco uma bandeira feminista. Não tenho lugar de fala para tais projetos. Falo de um processo de silenciamento indireto. Ninguém jamais nos dirá: “Vamos evitar falar de talentos femininos”. Isso é agressivo e desagradável. Pois é isto que estamos fazendo: insistindo em povoar, com homens brancos, o céu dos gênios.

Houve uma luta que pareceu menor a alguns. Era a existência de bonecas negras. Uma criança que apenas dispusesse de bonecas loiras e de olhos azuis tomaria aquilo como padrão de beleza único e necessário. Hoje, temos bonecas de muitas identidades étnicas. Isso é bom.

Poderia dizer, de alguma forma, que é um combate a uma certa política de cotas. Como assim? Quando eu olho nas vitrines das lojas de um país como o Brasil uma imensa coleção de bonecas caucasianas, criei cotas absolutas e excludentes. Existe o mesmo na arte: há cotas para homens brancos.

O filme Antonia (2018, Maria Peters) conta a história de Antonia Brico. No período entre a Grande Guerra e a Segunda, ela lutou para ser uma regente reconhecida. Apesar de estudar mais do que os outros alunos, apesar de ter que apresentar um desempenho acima da média, ela era excluída por… ser mulher. Com certeza, em 1925, deveria haver mais meninas do que rapazes estudando piano. Porém, na hora de profissionalizar alguém como pianista ou regente, o sistema se afunilava.

Para cada Magdalena Tagliaferro ou Guiomar Novaes que brilharam com força nos palcos, há milhares de outras mulheres que foram barradas. Sim, podemos nos encantar com a potência sonora de Martha Argerich hoje, mas eu me pego refletindo sobre tantas outras que desistiram devido à nossa política invisível e eficaz de cotas masculinas.

No campo das maestrinas, a política é ainda mais eficaz do que nos instrumentos individuais. Regência implica liderança e protagonismo: isso é sempre mais árduo para uma mulher no nosso mundo. Cite os dez maiores regentes na sua memória. Você descobrirá que eles possuem alguma coisa em comum: o gênero masculino.

Há alguma solução? Eu diria que podemos insistir em mostrar a meninos e meninas casos de sucesso em todos os campos. Não se trata de criar cotas. Devemos quebrar o sistema de cotas já existente.

Não se ataca Portinari ou Di Cavalcanti, apenas mostramos Tarsila, Anita Malfatti também. Há beleza enorme em Monet, Renoir e, juntamente, nos quadros de Mary Cassat e Berthe Morisot. Se uma criança tivesse visto, desde cedo, os quadros de Laura Muntz Lyall, visto suas obras em museus e na escola; se tivesse sido exposta a ela, teria visto com mais simpatia o talento feminino? “Você, minha filha, pode ser o que desejar” é uma frase educativa.

As escolhas falam muito dos que estão com poder para fazê-las. Há 36 doutores na Igreja Católica; apenas quatro são mulheres. Quer dizer que a sabedoria divina flui mais com a testosterona? Não, isso indica que os eleitores são papas, bispos e cardeais homens, formados por teólogos homens e leitores de livros escritos por… homens. Confundir a verdade objetiva com a subjetividade do eleitor é um dos mecanismos preconceituosos ou machistas.

Para quebrar a vigente política oficial de cotas, pais, mães, educadores e educadoras necessitam de ações efetivas. Não é produzir uma consciência feminista: trata-se de quebrar uma falsa consciência do masculino que passa pela soleira da porta dos lares. Precisamos tirar o véu dos olhos das crianças. Tenho esperança!

LEANDRO KARNAL – É historiador, escritor, membro da Academia Paulista de Letras e autor de ‘A Coragem da Esperança’, entre outros

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NEM TÃO PERFEITO ASSIM

 A ‘obrigação’ de não errar se soma à ideia de rejeitar o que poderia ter sido feito melhor. Psicólogos apontam como não se cobrar em demasia

O que vem à mente quando você pensa em um perfeccionista? Você pode lembrar de figuras exemplares como aquele aluno disciplinado nota 10, um profissional metódico e pontual de alto desempenho ou alguém que mantém todos os cantos da casa incrivelmente limpos. Embora muitas vezes seja incluído como uma característica positiva da personalidade (especialmente em entrevistas de emprego), o perfeccionismo pode manifestar sua faceta nociva.

Quando seus padrões são elevados e a autocrítica é feroz, a vida se torna cansativa, os projetos não saem do papel e a insatisfação é recorrente, minando a autoestima. Ansiedade, depressão e outros problemas da saúde mental podem decorrer dessa espiral de descontentamento.

A analista Jéssica Neves Rodrigues, de 33 anos, reconheceu há pouco tempo que o perfeccionismo atrapalha a sua vida. Quando escreve um bilhete à mão, por exemplo, costuma refazê-lo até que aprove a sua caligrafia. “Eu me cobro muito”, admite. “Tenho dificuldade em delegar funções porque sempre acho que faço melhor.” “Comecei a enxergar meu perfeccionismo como um defeito, não como uma qualidade, quando senti ansiedade diante das tarefas que eu adiava e não terminava. Isso me dava uma sensação de impotência que baixava a minha autoestima”, conta ela que, com o apoio de uma psicóloga, aprendeu a se cobrar menos.

Na psicologia, é mais comum encontrar pesquisas sobre os impactos negativos do perfeccionismo, mas há estudos que distinguem o perfeccionismo “adaptativo” – com efeitos positivos na vida da pessoa que sai da zona de conforto para buscar a evolução – e o “mal adaptativo”, que leva a pessoa a focar no erro, já que considera que não deveria errar, explica a neuropsicóloga clínica Priscila Covre. No seu consultório, ela recebe muitos pacientes que têm padrões de comportamento perfeccionistas, mas que não se percebem assim – nem fazem a correlação entre essa característica e os impactos negativos em suas vidas. “O perfeccionismo pode atrapalhar a vida quando a pessoa estabelece metas e padrões altos, pouco realistas e inflexíveis. Ela pode perder um tempo grande tentando alcançar esse padrão, sem coragem de dar um passo para trás, e ficar isolada”, diz a psicóloga.

Outro padrão nocivo entre os perfeccionistas é focar nos erros e só aceitar a “nota 10”, sem reconhecer pequenos avanços. “Quando conseguem algo, eles desvalorizam. Se não conseguem, fazem uma autocrítica pesada. Ou, então, nem começam a fazer por medo de errar, o que faz deles procrastinadores.”

MERITOCRACIA

Priscila percebe que o perfeccionismo tem se tornado um comportamento mais comum. “Isso porque os padrões culturais reforçam a meritocracia do valor próprio, que constrói uma autoestima baseada em desempenho: para eu merecer ser amado e ter valor como ser humano, eu preciso me esforçar, conquistar.”

Uma pesquisa da American Psychological Association identificou o aumento do perfeccionismo entre estudantes universitários, causado por altas expectativas e críticas de seus pais, com possíveis impactos na saúde mental desses jovens. No estudo, realizado com universitários em Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, foi identificado um aumento de 40% de percepção dos jovens em relação à expectativa dos pais entre 1989 e 2021.

“Se a criança tiver um perfeccionismo desadaptativo, a sensação de nunca satisfazer os padrões almejados internamente, somada à expectativa dos pais, pode comprometer a saúde psicológica com estresse, ansiedade e depressão”, afirma a psicóloga Ana Karla Silva Soares, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

SÍNDROME DO IMPOSTOR

Ana Karla coordena o Núcleo de Pesquisa em Psicometria e Psicologia Social (NPPS), em que o perfeccionismo é um dos temas mais estudados. Nas pesquisas do núcleo, os resultados demonstraram que o perfeccionismo está associado a outras variáveis psicológicas, como a autoestima, a procrastinação e a síndrome do impostor – sentimento de que é uma fraude e que o sucesso não se deve a nossa habilidade, mas sim a fatores externos, como sorte.

Apesar de ter conquistado diversos títulos acadêmicos, a sensação de ser boa o suficiente não chegou para a historiadora Mariana Sarkis Olson, de 33 anos. “Tenho dificuldade em comemorar as minhas conquistas”, afirma. Desde que estava no ensino fundamental, ela tem vergonha de não entregar algo perfeito, o que lhe traz ansiedade, frustração e insegurança.

“Vivi em constante sensação de estar paralisada, pois a meta sempre foi tão alta que eu torno a execução sofrida ou impossível. Daí vem a senhora procrastinação para me assombrar”, observa. Por conta disso, Mariana parou de escrever poesia, não deu continuidade às aulas de pintura e se esqueceu do quanto amava fazer teatro. Ela acredita que o perfeccionismo tenha raízes na sua infância. “Eu ouvia que tirar nota 10 não era mais do que minha obrigação e que, se não fosse para fazer direito, era melhor nem fazer.”

Mas Mariana procurou ajuda: ela se esforça para evitar os impactos negativos do perfeccionismo na sua vida com ajuda da psicoterapia há três anos. “Estou aprendendo a reconhecer os gatilhos, as vozes internas que me travam. Preciso me comparar menos e agir mais”, admite ela, que passou a “quebrar em pedacinhos” seus projetos e realizá-los aos poucos.

COBRANÇAS

Ela aprendeu a técnica com a designer de moda Lígia Baleeiro, de 38 anos, criadora do Jogo da Execução. Ligia organiza grupos de pessoas que se sentem travadas pelo perfeccionismo e propõe missões simples com prazo curto de entrega, como estratégia para que elas enfrentem o desconforto de não fazer a tarefa de forma perfeita. “Ao final das missões, elas retomam a confiança de executar seus projetos.”

Lígia afirma que sempre se cobrou excessivamente e não conseguia começar ou sustentar os seus projetos – mas não percebia que era perfeccionista. Quando saiu da faculdade de moda, ela abriu um brechó online com amigas que não vingou. “Eu ficava refazendo o trabalho das pessoas e achava que nunca estava bom.”

Na busca por entendimento de suas dificuldades, ela leu livros como Coragem de Ser Imperfeito, de Brené Brown, que lhe trouxe a luz. “Você não entrega as coisas por medo de dar errado e vai perdendo a confiança e seu brilho. Eu cheguei a me ver incapaz, sem forças para dar a volta por cima. É um padrão de pensamento que não sou só eu que tenho, pois vivemos em uma sociedade que fala das conquistas, mas não do processo”, conta. Lígia resolveu cursar uma especialização em comportamento humano e neurociência e passou a se dedicar profissionalmente a ajudar aqueles que se sentem “travados” pelo perfeccionismo.

Em um movimento semelhante ao de Lígia, o designer gráfico Tiago Henriques, de 33 anos, notou que tinha dificuldade de colocar em prática as suas ideias. “Notei que não tirava os projetos do papel por medo de que a ideia que estava perfeita na cabeça não ficasse tão legal assim. Era um mecanismo de proteção para não passar vergonha se desse errado”, conta. “Era difícil oferecer um jantar para os amigos, pois eu ficava pensando que a casa precisaria estar limpinha e a comida boa.” Em passos de formiga, ele resolveu enfrentar o perfeccionismo. “Comecei com um canal de humor, em que eu era anônimo. Com o tempo, ganhei coragem para fazer vídeos mais longos e a publicar conteúdo mais autoral”, diz. Hoje ele mantém o projeto Tira do Papel, que ajuda pessoas a engrenar projetos no seu ritmo, com mais de 250 mil seguidores no Instagram e 17 mil assinantes no YouTube. Também escreveu o livro Erra uma Vez – Uma Jornada Visual Sobre as Nossas Inseguranças Criativas e a Busca Utópica pela Perfeição, que traz dicas de como lidar com obstáculos criativos.

NO MERCADO DE TRABALHO

No mercado de trabalho, os perfeccionistas integram positivamente as equipes, contanto que entendam e valorizem a diversidade e sejam empáticos, ressalta Lucas Toledo, diretor executivo do PageGroup, empresa de recrutamento e seleção. “Se for uma pessoa organizada, que gosta de fazer tudo bem-feito, que gosta de seguir normas e procedimentos, vamos avaliar se ela tem flexibilidade para experimentar métodos novos, o que tem tudo a ver com inovação.” Nos esportes, o perfeccionismo também pode ser benéfico, na visão da psicóloga Leticia Capuruço, especialista em Psicologia do Esporte. “O esporte atrai e forma perfeccionistas. É uma característica que, se usada de forma positiva nos atletas, faz com que eles se esforcem e melhorem seu desempenho.”

EXCELÊNCIA

Perfeccionista assumido, o dentista André Rached Darcie, de 31 anos, vê muitas vantagens em buscar a excelência no esporte, na profissão, nos cuidados com a aparência e com a casa. “Sei que o perfeito não existe, mas acho válido ir nessa direção. É verdade que tudo isso cansa, mas é o preço que se paga para ter o prazer de ver tudo bem-feito”, admite.

Desde criança, André é meticuloso, por influência dos pais. “Meus cadernos sempre estavam com uma linda caligrafia, sem rasuras”, recorda-se ele, que mantém a casa limpa e organizada, com atenção aos detalhes que incluem a ordem das almofadas e o posicionamento das cadeiras. Se der tempo, ele até vira os rótulos dos produtos para frente na geladeira.

A mulher de André reconhece que é bom ter um marido ordeiro, mas acha que o perfeccionismo faz dele uma pessoa que cobra muito dos outros e de si próprio. “Ele é crítico e rígido comigo, com os pais dele, com a equipe do trabalho. Quando algo dá errado no trabalho e não é culpa dele, ele fica mal”, conta a publicitária Paula Rossi, de 33 anos, casada com André há três. Preocupada com o bem-estar do marido, Paula sugeriu que ele procurasse um psicólogo. “Ele começou há pouco tempo e já está melhorando”, garante. No entendimento da psicóloga Ana Karla Soares, não há problema em ser perfeccionista, mas em sofrer por conta disso. “Se você sente que o seu cotidiano é afetado de forma negativa por sua vontade de fazer tudo com perfeição, faça uma reflexão e tente modificar o padrão de comportamento. Se não conseguir, busque ajuda profissional”, orienta.

VOCÊ É PERFECCIONISTA?

Caso se identifique com um ou mais pontos abaixo, seja mais flexível consigo mesmo e valorize pequenas conquistas.

METAS IRREAIS

Você nunca está satisfeito com suas conquistas. Como seu padrão é muito elevado, você não se contenta com pequenos avanços.

INFLEXÍVEL

Se não for para fazer do seu jeito, você não aceita.

EXCESSO DE AUTOCRÍTICA

Você tem um carrasco interno que está sempre focado nos seus erros e imperfeições. Sua autocrítica é impiedosa.

DIFICULDADE EM DELEGAR

Você tem dificuldade de delegar tarefas, pois só gosta do seu jeito de fazer as coisas.

PROCRASTINAÇÃO

Você só encara suas tarefas na última hora, com a pressão do prazo. Você não consegue tirar projetos do papel, já que está sempre pensando nos mínimos detalhes.

ANSIEDADE

Você tem ficado desanimado por conta de uma ou mais situações citadas.

TPOC: QUANDO O PERFECCIONISMO É UM TRANSTORNO

Quem leva o perfeccionismo ao extremo pode ter Transtorno de Personalidade Obsessiva-compulsiva (TPOC). A pessoa com TPOC tem uma necessidade de controle grande e por isso leva uma vida caracterizada pela rigidez, explica a neuropsicóloga Priscila Covre. “O tratamento acaba sendo difícil porque ela acha que a forma como ela vê o mundo está certa e o resto está errado”, diz.

O TPOC é diferente do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), que tem como base a ansiedade. “O que está por trás do TOC não é o desejo de controle. A pessoa que tem TOC tem ações compulsivas relacionadas à simetria, ordem, limpeza, por exemplo, para aliviar essa ansiedade”, explica. A forte ansiedade é disparada por obsessões, que são pensamentos ou imagens que aparecem para a pessoa com TOC sem que ela queira.

Apesar das diferenças entre TPOC e TOC, há pessoas que apresentam os dois transtornos. Além disso, é importante saber que quem tem TOC pode ter uma tendência controladora, por isso pode apresentar traços perfeccionistas. Caso apresente sintomas que estejam prejudicando a sua vida, procure um profissional da saúde mental, que irá ajudar no diagnóstico.

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