OUTROS OLHARES

OMISSÃO MÉDICA COM CLITÓRIS AFETA MULHERES

Falta de conhecimento sobre anatomia feminina faz pacientes perderem a sensibilidade na região após cirurgias

Se havia uma coisa que Gillian sabia, era que ela não queria um instrumento furador perto de sua genitália.

Assim, em 2018, quando um ginecologista recomendou uma biópsia vulvar para averiguar a presença de sinais de câncer, ela hesitou.

O médico desconfiava que uma pequena área de pele esbranquiçada que Gillian encontrara ao lado de seu clitóris era líquen escleroso, uma doença de pele que normalmente é benigna. Para Gillian, enfermeira registrada, retirar um pedaço da parte mais sensível de seu corpo lhe parecia um pouco extremo demais.

Mas ela acabou consentindo. Ele era médico, ela era enfermeira. Ela supôs que ele fosse a autoridade em relação a essa parte do corpo. “Nunca trabalhei com ginecologia e obstetrícia”, disse Gillian, que pediu para ser identificada só pelo primeiro nome.

Para a biópsia, Gillian foi colocada numa mesa com apoios para as pernas e recebeu uma injeção epidural a fim de anestesiar a área. Depois do procedimento, para conter o sangramento, o médico pôs uma mão sobre a outra e fez pressão forte sobre sua vulva – a genitália feminina externa, incluindo os lábios grandes e pequenos, a abertura da vagina e o clitóris. Mesmo anestesiada, Gillian sentiu a pressão sobre seu osso púbico. Ela gritou.

Um mês mais tarde, Gillian estava na cama com seu namorado quando percebeu que não conseguia mais chegar ao orgasmo.

Quando ela informou seu ginecologista, ele especulou que ela poderia estar com insensibilidade causada pela cicatrização e disse que o problema desapareceria com o tempo. Não desapareceu. Alarmada, Gillian começou a procurar um especialista depois de outro em busca de uma solução.

Foi quando ela descobriu que ninguém queria falar de seu clítoris. Quando ouviu sobre a lesão que ela sofrera, um urologista comparou Gillian a uma vítima de estupro e disse que ela possivelmente sofrera uma reação traumática.

Em seguida, uma especialista em saúde feminina fez o diagnóstico de perimenopausa e prescreveu creme de testosterona. Um ginecologista recomendou um procedimento de rejuvenescimento vaginal.

Quando Gillian tentava direcionar a conversa para seu clítoris, a reação dos especialistas era um olhar indiferente.

Segundo o urologista Irwin Goldstein, pioneiro no campo da medicina sexual, alguns urologistas comparam a vulva a “uma cidade pequena no Meio- Oeste”.  Ou seja, os médicos tendem a passar por ela, mal parando para olhá-la, a caminho de seu destino final: o colo do útero e o útero. É ali que acontece a ação médica de verdade: ultrassonografias, papa-nicolaus, inserção de DIUs, parto.

“O clitóris é completamente ignorado por praticamente todo o mundo”, disse Rachel Rubin, urologista e especialista em saúde sexual, de Washington. “Não há nenhuma comunidade médica que tenha assumido as pesquisas, os cuidados e o diagnóstico de problemas relacionados à vulva.”

Questionada sobre o que aprendeu sobre o órgão na escola de medicina, Rubin respondeu: “Nada que tenha ficado na minha memória. Se ele chegou a ser mencionado, foi uma consideração secundária, no máximo.”

Foi apenas anos mais tarde, quando estudou medicina sexual com Goldstein, que ela aprendeu como examinar a vulva e a parte visível do clitóris, conhecida como glande. Ela aprendeu que o órgão inteiro é uma estrutura profunda, composta principalmente de tecido erétil, que se estende na pelve e circunda a vagina.

Em um estudo de 2018 publicado no periódico Sexual Medicine, Rubin, Goldstein e colegas constataram que o fato de não examinarem a vulva e o clítoris leva médicos a deixar de tomar nota de problemas de saúde sexual.

Quase uma em cada quatro mulheres que procuraram a clínica de Goldstein tinham adesões clitoridianas, que ocorrem quando o capuz do clítoris adere à glande e pode provocar irritação, dor e redução do prazer sexual.

Os autores concluíram que médicos que atendem mulheres deveriam examinar o clitóris como questão de rotina. Mas a maioria “não sabe examinar o clitóris nem se sentem à vontade em fazê-lo”.

Essa omissão pode prejudicar as mulheres, além de homens trans, e outras pessoas com vulva. Já houve casos documentados de lesões ao clítoris em procedimentos que incluem cirurgias com malha pélvica, episiotomias realizadas no parto e até mesmo cirurgias de quadril.

Por que não sabemos mais sobre o clitóris? Para Rubin, o motivo é simples: o órgão está intimamente envolvido com o prazer e o orgasmo da mulher. E, até muito recentemente, essas temas não estavam no topo da lista de prioridades da medicina, nem sequer eram vistos como áreas apropriadas de pesquisa médica. Helen O’Connell, a primeira urologista de mulheres da Austrália, lembrou que quando ela própria foi à escola de medicina, o clitóris mal chegou a aparecer em cena.

Na edição de 1985 do livro didático médico “Last’s Anatomy”, que ela estudou, um corte transversal da pelve feminina omitiu o clítoris por completo, e aspectos da genitália feminina eram descritos como “mal desenvolvidos” e uma “falha” de formação genital masculina.

Para O’Connell, esse desinteresse médico generalizado ajuda a explicar por que seus pares urologistas se esforçavam para preservar nervos no pênis em cirurgias de próstata, mas não tinham o mesmo cuidado nas cirurgias pélvicas de mulheres.

O’Connell decidiu investigar a anatomia completa do clitóris, usando microdissecação e ressonâncias magnéticas.

Em 2005 ela publicou um estudo mostrando que a ponta externa do órgão – a parte que pode ser vista e tocada – é apenas a ponta do iceberg, equivalente à glande peniana. O órgão se estende abaixo da superfície e abrange dois bulbos em formato de lágrima, dois braços e uma coluna.

Quando deixam de apreciar essa anatomia, cirurgiões que operam nessa região correm o risco de lesionar os nervos sensíveis responsáveis pelo prazer e o orgasmo que percorrem o topo da coluna.

Em cirurgias com malha pélvica ou cirurgias da uretra, “as coisas podem estar em um fogo cruzado”, disse O’Connell.

Cada vez mais mulheres estão vindo a público falar de lesões que sofreram nessa região durante procedimentos de rotina. Uma delas é Julie, 44 anos, gerente de um escritório em Essex, a leste de Londres.

Em 2012 ela fez uma cirurgia de quadril para resolver uma dor de costas, e o procedimento a levou a perder a capacidade de chegar ao orgasmo. No ano passado ela compartilhou sua história publicamente no jornal The Telegraph, omitindo seu sobrenome.

Julie contou que acordou da anestesia sentindo dor lancinante na região do clítoris. O cirurgião lhe disse que ela ficara com um hematoma, e que o problema desapareceria. Alguns meses mais tarde, ela descobriu que não conseguia mais chegar ao orgasmo.

Ela passou dois anos fazendo buscas na internet até perceber que um poste cilíndrico posicionado entre suas pernas durante a cirurgia provavelmente esmagara seus nervos clitoridianos.

Julie comparou sua lesão à perda do paladar ou do olfato. “Já se passaram dez anos e ainda não consigo acreditar.”

Gillian ainda está tentando entender a causa de sua lesão. Terá sido a biópsia? A pressão esmagadora? Quatro anos e 12 especialistas mais tarde, ela já se conformou com o fato de que talvez nunca recupere aquela sensação. “Isso mudou minha vida inteira”, ela disse. “É arrasador, é uma coisa da qual você não consegue se recuperar. Nunca.”

GESTÃO E CARREIRA

TEMPO EM TROCA DE DINHEIRO

Até onde esse modelo de trabalho será sustentável?

Em uma breve conversa com nossos pais ou avós, notamos que a estabilidade em seus empregos, com a possibilidade de efetivação a cargos cada vez mais relevantes, era um dos maiores sonhos de todo profissional. Por muitos anos, essa premissa social era fortemente permeada no mercado, em um modelo pautado pelas horas de trabalho em troca de uma remuneração adequada para tal serviço

Mas hoje, após muitas mudanças e questionamentos colocados à mesa, especialmente pelas novas gerações, esse sistema já não se mostra sustentável, abrindo portas para soluções mais saudáveis às classes, que se não forem logo adaptadas pelas empresas, poderão levar à falência muitos negócios ao redor do mundo. Por anos, a lógica profissional aplicada no mercado era determinada pela ascensão de cargos em uma linha racional, recompensando os empregados por seus trabalhos prestados com remunerações crescentes conforme seu crescimento na companhia.

Um processo seguro, determinado e estável, que deixou de ser predominante em vista das novas demandas e exigências do mercado. A percepção de receber uma quantia justa frente a seus esforços se tornou alvo de questionamento perante as novas gerações, em vista de novos fatores que ganharam relevância e maior importância, como critérios de seletividade nos processos seletivos.

Muito mais do que ter um emprego registrado com um plano de carreira, as novas relações de trabalho estão se baseando, cada vez mais, no propósito dos serviços ofertados pelas empresas – e, acima de tudo, o quanto essas características estão alinhadas aos ideais e projetos buscados por cada profissional. Antes da pandemia, a tolerância sobre tais aspectos mais tradicionais era elevada, sem espaço para dúvidas sobre seus benefícios.

Mas hoje, após intensas mudanças nas relações de trabalho intensificadas ao longo do isolamento social, este modelo dificilmente continuará existindo por muito tempo – dando es- paço para propostas mais flexíveis que já podem ser vistas ao redor do mundo. Dentre tantos exemplos, o home office é um dos mais nítidos e significativos, viabilizando uma opção remota de trabalho que, há poucos anos, era inimaginável por muitos empresários.

Com a proposta de muitas empresas para a volta ao presencial, inclusive, diversos profissionais já se declararam completamente contra tal mudança, afirmando até mesmo a busca por oportunidades que tragam essa possibilidade do trabalho a distância, junto com outras vantagens que proporcionem uma melhor qualidade de vida.

Segundo uma pesquisa realizada pela página Festa da Firma, 85% dos profissionais gostariam que seus empregadores provessem mais iniciativas voltadas para a melhoria da saúde mental, uma vez que 67% declaram que sofreram sérios prejuízos nesse quesito em seus ambientes de trabalho.

Como solução para este cenário, muitos países europeus estão ofertando contratos de trabalho temporários para evitar jornadas extensas e desgastantes, enquanto, no Brasil, esse modelo ainda é encarado com maus-olhados por muitas organizações. Em complemento a essas variações trabalhistas, a oferta de benefícios flexíveis também deverá ser explorada mais a fundo.

Ao invés de serem disponibilizados via uma gama de opções predefinidas, muitas companhias já os dispõem por meio de uma quantia financeira em um cartão de crédito, dando ao empregado o poder de escolha para definir como e quando deseja gastar este valor. Para as empresas, essa opção se torna muito mais benéfica economicamente, uma vez que será dispensada de altas tributações que costumam incidir quando concedidos via depósito na conta dos profissionais.

É difícil determinar com precisão até quando o modelo de trabalho visto hoje continuará sendo exercido. Mas, algo é certo: conforme novas gerações forem dominando o mercado, a tolerância sobre jornadas mais tradicionais será cada vez menor – perdendo força para contratações mais dinâmicas e alinhadas a propósitos sociais, como a crescente onda do ESG em inúmeras empresas.

Nesse cenário, o empreendedorismo poderá ganhar cada vez mais destaque, como alternativa de carreira perante estes profissionais mais questionadores. O tempo em troca de dinheiro, certamente, não será o modelo predominante na grande maioria dos países. Em seu lugar, novos projetos sob demanda poderão emergir, com empregados cada vez mais especializados em seus segmentos de interesse e com políticas sociais bem mais definidas.

Neste momento de questionamento intenso, cabe às empresas se atentarem a essas novas demandas e se adequarem, de forma que não se percam e fiquem estagnadas perante seus concorrentes.

FERNANDO POZIOMCZYK – É sócio da Wide, consultoria boutique de recrutamento e seleção. https://wide.works/

EU ACHO …

A CRIAÇÃO DE DIFERENCIAIS

Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos da América, disse que “sexo é para principiantes; os experientes gostam é de poder”. A questão central do poder é ser visto para não ser esquecido. Kissinger está certo. O que mais levaria certos políticos brasileiros que já tiveram tudo a continuar na vida pública até a degradação? O que leva alguém que poderia conviver mais com os netos, ter um hobby, desfrutar melhor a vida, o que leva esse alguém a se ver em situações constrangedoras? Para que continuar? Porque eles precisam continuar visíveis.

Por essa mesma razão, pessoas que têm certa exposição gostam de fazer um arquivo com tudo o que mencione seu nome. Eu, por exemplo, às vezes dou entrevistas para jornais e revistas. Eu dei a entrevista, sei o que falei, não preciso dela para me lembrar de nada mas mesmo assim quero recortá-la e guardá-la. Também por isso eu mando enquadrar a capa da revista com uma fotografia minha. Para quê? Ora, eu quero me ver vendo e sendo visto. Nem os serial killers fogem disso. Eles matam para ter exposição. Não é só o policial que recorta tudo o que saiu sobre o assassino nos jornais. O serial killer também guarda todos os recortes para se ver sendo visto. Assim, o maior castigo para um assassino desses seria não ter uma linha publicada nos jornais, seria ser ignorado.

O desejo de não ser esquecido assumiu muitas formas no mundo moderno. Até a desfiguração é uma forma de exposição – haja vista a trajetória de Michael Jackson, que se desfigurou a ponto de comprovar o filósofo Friedrich Nietzsche quando ele disse que “alguns homens nascem póstumos”. A desfiguração contínua fez com que Michael Jackson perdesse sua identidade até ganhar uma outra identidade pública.

Note que “identidade pública” é uma contradição em termos, pois a noção de identidade só faz sentido para um indivíduo. Mesmo assim, a “identidade pública” é um dos maiores desejos da modernidade. Por isso, tantas garotas pagam a agências e fotógrafos para fazer um book. Se uma mãe já não tem idade para desfilar nas passarelas, tenta a todo custo que sua filha tenha a exposição que ela não teve. Se alguém foi viajar, faz questão de postar as fotos num blog ou numa comunidade virtual.

No fundo, tudo isso é o mesmo grito: “Olha eu aqui”. Tudo é a personificação daquilo que Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro escreveram na música Pesadelo: “Você corta um verso, eu escrevo outro. Você me prende vivo, eu escapo morto. De repente olha eu de novo”.

Numa época em que todo mundo tem as mesmas condições e a mesma facilidade de se expor, seja no Facebook, no Orkut, no Twitter, o excesso de exposição devolve as pessoas ao anonimato.

No desespero para se destacar na multidão, a única chance que resta é criar um diferencial – e, nesse jogo, parece que agora vale tudo. Um exemplo disso está no livro Zonas úmidas, da jornalista inglesa Charlotte Roche. É um livro escatológico sobre uma garota de 18 anos que já experimentou de tudo sobre sexo. Essa moça não usa perfume convencional – ela passa a mão no próprio sexo e depois espalha o cheiro pelo corpo, numa forma extremada de demarcar o diferencial do seu desejo de exposição.

Pergunto: depois disso, que outro tipo de registro, de diário, faltaria ser escrito por uma garota? Temos o diário de Anne Frank, que narra todo o desespero por ter ficado trancada num gueto durante o Holocausto. O diário de Anne Sulivan, que trata da capacidade de alguém enxergar sem enxergar. O diário de Bridget Jones, uma mulher que se sente desconfortável consigo mesma e que pensa em homens e calorias durante 95% do seu tempo. Diários de adolescentes, de felizes e infelizes, de perdidos e achados, diários de todo jeito. Como alguém faz para se diferenciar se quase tudo já foi feito?

Um coloca piercing, o outro também. Um expande a orelha, outro imita. Uma transa com quem quer, a outra também. Uma faz tatuagem, a outra vai atrás. Faço mais uma, duas, três tatuagens, o outro faz quatro, cinco, seis, até só sobrarem os olhos. E aí voltamos à desfiguração, que leva à perda de identidade. Se todos têm tatuagem no corpo todo, o que virá agora? Tirar toda a pele certamente seria um diferencial, assim como se perfumar com os próprios cheiros ou descobrir uma outra coisa que ninguém fez para se distinguir na multidão.

Hoje, a diferenciação está ligada à exposição hiperbólica, ao exagero pleno, ao grotesco. Nos nossos tempos, o grotesco se tornou altamente sedutor. É a mulher com a bunda do tamanho de melancia, o seio explodindo de silicone, o lábio inflado como uma boia de sinalização. É o homem com os músculos estourando, com o cabelo hiperproduzido, com a vaidade desvairada de uma diva ou uma violência desmedida a troco de nada.

A hipérbole é mais necessária para quem está por baixo. Veja o exemplo dos Estados Unidos da América da década de 1970, quando a nação mais militarizada do Ocidente foi humilhada pelos vietnamitas. Para resgatar sua autoestima, hiperbolizou a figura do herói de guerra, do Rambo. Antes disso, era um país que cresceu dizimando os índios e, por isso, precisou hiperbolizar a figura do “mocinho” e do cowboy. Essa compulsão ao exagero faz com que a penumbra e o anonimato sejam ainda mais desesperadores.

Essa, de verdade, é a divina comédia humana.

ESTAR BEM

DOR E PRAZER MOLDAM OS TREINOS DE INICIANTES

Dividir os exercícios entre alta e baixa intensidade pode ajudar, mas gostar do que se faz é ainda a melhor opção

A primeira tentativa de Katy Kennedy de desenvolver o hábito de correr foi um fracasso. Ela se inscreveu em uma meia maratona, sofreu subindo e descendo as ladeiras de seu bairro para se preparar, depois lutou durante toda a corrida.

“Eu andei no último quilômetro, e alguém gritou para mim: ‘Corra!’. Eu fiquei tipo ‘não consigo’”, lembrou Kennedy, hoje professora na Universidade de Chichester, na Grã-Bretanha. “Foi horrível, na verdade. Achei que ia morrer. Então eu desisti de correr durante dez anos.”

Na oportunidade seguinte, ela decidiu fazer as coisas de modo diferente. “Eu queria ter uma experiência mais agradável”, disse. “E pensei: como posso aprender a curtir a corrida?”

Essa pergunta acabou impulsionando sua pesquisa de doutorado sobre as experiências de corredores iniciantes – como eles se sentem e como isso afeta sua capacidade de manter o novo hábito. E segundo seus colegas no campo emergente da psicologia do exercício as respostas são muito mais importantes para a saúde física e mental em longo prazo do que os detalhes monótonos de quanto tempo, com que intensidade ou com que frequência você se exercita.

Mas a conexão entre como uma rotina de exercícios faz você se sentir e se a continuará fazendo daqui a seis meses não é tão simples.

Se isso o deixa infeliz, como a experiência de Kennedy com a corrida, você provavelmente vai desistir. Se for muito fácil, por outro lado, pode achar chato – ou, talvez pior, inútil. Os praticantes mais comprometidos geralmente anseiam por uma certa quantidade de desconforto.

POR QUE O PRAZER É ÚTIL

De acordo com uma estimativa, 97% das pessoas concordam que a atividade física é importante para a saúde. E um estudo com 3.500 americanos adultos que usaram dispositivos portáteis para rastrear hábitos de exercícios descobriu que apenas 3,2% deles realmente atingiram o limite recomendado de 150 minutos de atividade moderada por semana.

Uma teoria para essa lacuna entre intenções e ações é que estamos muito ocupados para nos exercitar, o que propiciou o aparecimento dos treinos de alta intensidade ultracurtos e intervalados ao longo da última década.

Mas Panteleimon Ekkekakis, psicólogo do exercício e presidente do departamento de cinesiologia da Universidade Michigan State, acredita que a explicação é mais visceral: para muitas pessoas, o exercício parece desagradável.

Claro, no meio de um treino cansativo, até os amantes da academia muitas vezes classificam sua experiência como desagradável, e novos praticantes geralmente a odeiam. Mas depois, de acordo com Ekkekakis, praticamente todo mundo se sente bem.

Essa sensação pode acontecer simplesmente porque é muito bom terminar o treino. Ou talvez seja porque seu corpo produz sua própria versão de analgésicos opioides, as endorfinas, durante exercícios intensos, o que te deixa com uma sensação positiva persistente e desejo de voltar à academia.

Pesquisas, entretanto, sugerem que a sensação de leveza após o treino não se correlaciona com a prática de uma rotina de exercícios em longo prazo. Em vez disso, como você se sente durante o treino é um preditor mais forte. Se os primeiros treinos na piscina ou na academia forem muito duros, você pode supor que a dureza é inevitável.

Kennedy costuma ver isso entre os corredores iniciantes: “Eles diziam: ‘Bem, estou me sentindo mal, mas correr supostamente faz você se sentir mal. Portanto, continuarei nesse ritmo, em vez de apenas desacelerar ou caminhar’.”

Essa é a atitude errada, disse Kennedy; se você está tendo dificuldade, relaxe um pouco. E considere o que poderia tornar sua experiência mais agradável. Quando ela mesma retornou à corrida, por exemplo, deu prioridade para correr com outras pessoas.

Distrair-se com música, vídeo ou até realidade virtual pode diminuir o desconforto. E ajustes sutis em seu ambiente, como remover espelhos e evitar observadores críticos, podem tornar a experiência de treino mais agradável.

Como você pensa sobre seu treino faz diferença. Por exemplo, um estudo de 2018 de pesquisadores da Universidade Tufts e da Equipe de Ciência Cognitiva do Exército dos Estados Unidos descobriu que correr parecia mais fácil quando os sujeitos pensavam sobre isso de uma maneira desapaixonada e menos negativa, como imaginar que eram cientistas ou jornalistas examinando a corrida objetivamente no momento.

POR QUE A DOR É ÚTIL

A suposição subjacente é que os humanos estão programados para buscar o prazer e evitar o sofrimento. No entanto, isso é desmentido por nossos comportamentos: comer pimenta malagueta, escalar montanhas geladas, suar em saunas superaquecidas. Paul Bloom, psicólogo da Universidade de Toronto cujo livro de 2021 “The Sweet Spot” (O ponto delicado, em português) explorou esse paradoxo, sugeriu que um treino desagradavelmente intenso pode servir a vários propósitos. Não só a boa sensação ao parar, mas se esforçar é uma fuga de preocupações.

Bloom diz que os humanos não são hedonistas puros – nós também buscamos significado. E o significado, disse ele, muitas vezes está intimamente ligado ao sofrimento. Pesquisadores descobriram que as pessoas valorizam os móveis que elas mesmas montaram 63% mais do que os móveis pré-montados.

“As pessoas evitam o esforço, mas também é algo que podemos aprender a gostar”, disse Michael Inzlicht, colega de Bloom na Universidade de Toronto. Além do prazer, os humanos buscam coisas como competência, maestria e autocompreensão. “Você não pode conseguir isso sem se esforçar”, disse ele.

Inzlicht e seus colegas criaram uma escala do significado do esforço para medir o quanto as pessoas derivam propósito de fazer coisas difíceis.

Algumas realizam tarefas difíceis de má vontade, arrastando-se até a academia só porque sabem que fará bem a elas. “Mas outras, talvez você possa chamá-las de trabalhadores alegres, é para isso que elas vivem”, disse ele. “É o que as ajuda a dar sentido ao mundo.”

Novos trabalhos não publicados do laboratório de Inzlicht sugerem que, com o incentivo certo, as pessoas podem adotar gradualmente a perspectiva do “trabalhador alegre”. Para começar, Inzlicht sugeriu “engatinhar no esforço”: inclua alguns picos de 30 segundos, por exemplo. Então siga a dica dos designers de videogames, disse ele, e continue aumentando a dificuldade dos treinos apenas o suficiente para se manter interessado sem desanimar.

ENCONTRE UM MEIO TERMO

 Mesmo os atletas de elite não buscam sofrimento toda vez que saem pela porta. Na verdade, raramente o fazem.

No início dos anos 2000, Stephen Seiler, um cientista esportivo do Texas que recentemente se mudou para a Noruega, começou a analisar os hábitos de treinamento de atletas de elite em diversos esportes de resistência, incluindo remo, esqui cross-country, ciclismo e corrida.

O que ele encontrou contradizia a filosofia “sem dor não há ganho” que ele havia encontrado em sua própria carreira como remador.

Em todos os esportes, os melhores atletas pareciam gastar cerca de 80% do tempo de treinamento com um esforço relativamente baixo. Os outros 20% eram muito puxados. Essa distribuição de treino “polarizada”, como ficou conhecida, permitiu que os atletas acumulassem grandes quantidades de exercícios em se esgotarem, enquanto ainda colhiam os benefícios dos treinos de alta intensidade.

Essa divisão 80/20 permite que os profissionais e os guerreiros de fim de semana equilibrem prazer e significado.

Durante os treinos de baixa intensidade, os atletas conversam com amigos e geralmente se divertem. O treinamento de alta intensidade é difícil, mas os pesquisadores descobriram que os atletas de elite consideram esses exercícios os mais satisfatórios. Se você estiver se exercitando quatro vezes por semana, escolha um dia para se esforçar e mantenha os outros três fáceis.

Um teste para saber se você está indo com calma nos dias mais leves é a capacidade de falar em voz alta frases completas – o que pode exigir que você diminua a velocidade. Quanto aos dias difíceis, isso depende do seu nível de experiência e seus gostos, mas devem incluir, pelo menos, breves períodos de desconforto prolongado.

No fim das contas, a questão de saber se seu treino deve ser doloroso ou prazeroso pode ser equivocada, disse Inzlicht: “Eu realmente acho que é as duas coisas”, disse.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SAÚDE MENTAL ULTRAPASSA CÂNCER COMO PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO

As pessoas estão mais preocupadas com a saúde mental do que com o câncer. Essa foi a constatação da pesquisa “Monitor Global dos Serviços de Saúde”, feita pelo Instituto Ipsos.

De acordo com o levantamento,36% dos entrevistados apontaram o bem-estar psicológico como o principal fator de preocupação, atrás apenas da Covid-19, citada por 47%. O câncer ficou em terceiro lugar como motivo de inquietação, mencionado por 34%.

A sondagem foi realizada entre os dias 22 de julho e 5 de agosto de 2022, com 23.507 pessoas, em 34 países: África do Sul, Alemanha, Austrália, Argentina, Arábia Saudita, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Índia, Indonésia, Irlanda, Itália, Japão, Malásia, México, Peru, Polônia, Portugal, Romênia, Suécia, Suíça, Tailândia e Turquia. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.

Os entrevistados foram questionados sobre qual condição eles viam como o maior problema de saúde enfrentado pela população do seu país. Entre os tópicos estavam Covid-19, saúde mental, câncer, estresse, obesidade, diabetes, abuso de drogas, abuso de álcool, doenças cardíacas, tabagismo, demência, superbactérias hospitalares e infecções sexualmente transmissíveis.

No Brasil, os números refletem que a população tem as mesmas preocupações em relação à saúde. Aqui também a Covid ficou em primeiro lugar, apontada por 62% dos entrevistados. A saúde mental ficou na segunda posição, lembrada por 49%. O câncer vem logo em seguida, citado por 29%.

Em 2018, apenas 18% dos brasileiros disseram que a saúde mental era uma preocupação no país. Essa percepção cresceu no contexto da pandemia da Covid-19 – em 2020 foi mencionada por 27% e, em 2021, por 40%. A pesquisa não foi realizada em 2019.

No mundo todo, 27% dos entrevistados escolheram a saúde mental como motivo de preocupação em 2018. Em 2020, foram 26% e, em 2021, 31%.

Para Cassio Damacena, líder de Healthcare da Ipsos Brasil, a grande apreensão com a pandemia gerou uma discussão sobre saúde que foi ampliada para a saúde mental.

“A pesquisa evidenciou uma maior preocupação com a saúde mental em relação às medições anteriores. Essa preocupação vem se mantendo mesmo com a flexibilização e retomada da normalidade no pós-pandemia. Vários efeitos vividos pela população, em diversos países do mundo, amplificaram a preocupação com a saúde mental, o que sinaliza que para os próximos anos esta deve continuar sendo uma pauta da saúde da população brasileira”, observa. Levantamentos como esse, segundo Damacena, ajudam a evidenciar as necessidades da população para o setor público e as ações que devem ser realizadas.

“As pesquisas auxiliam não apenas no conhecimento, mas evidenciam as necessidades para o setor público e as ações que devem ser realizadas, como no suporte médico com psiquiatras, psicólogos e grupos de apoio, além de buscar formas de educar a população em como lidar com as questões trazidas pela pandemia. Essas ações direcionadas à saúde mental devem ser pauta, não somente do setor público, mas, também da saúde privada e do cotidiano da população”, ressalta.

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