OUTROS OLHARES

NASCE UMA ESTRELA

Criada como pet e moradora da ilha do governador, a ovelha Rebeca faz sucesso no Instagram com seu perfil que promove a arte e a conscientização sobre o meio ambiente

Bastou Rebeca tocar seus cascos no chão da Praça Mauá, na Zona Portuária do Rio, na manhã da última terça, para que celulares fossem apontados em sua direção tal qual uma Kardashian em semana de moda gringa. “O Instagram dela é @rebecaovilha. Ela é modelo, atriz e ativista”, avisava o criador da ovelha, Evilásio Carneiro, cujo sobrenome é mera coincidência.

Com quase 20 mil seguidores na rede social, Rebeca começou a ganhar notoriedade depois que deu os primeiros rolês pelas praias da Zona Sul carioca e apareceu no programa “Mais você”, da apresentadora Ana Maria Braga, na TV Globo. Desde então, abocanha uma nova leva de admiradores por onde desfila o andar ligeiro, embalado por um ritmado balançar de suas orelhas caídas e do rabo comprido.

Nos últimos meses, começou a passear também por museus e centros culturais, já que seu dono quer aproveitar a visibilidade para atrair mais pessoas para esses locais. A sessão de fotos para esta reportagem foi feita no Museu do Amanhã e, meses antes, ela já havia dado pinta nas mostras “Portinari raros”, no CCBB Rio, e “Calder + Miró”, na Casa Roberto

Marinho, além de ter saracoteado pela ArtRio. “Ela fica olhando para tudo, gosta de conhecer coisas novas”, diz Evilásio, que também levou a fiel escudeira para o local de votação, no primeiro turno. “Quando me perguntam em quem ela votou, digo que é a favor da democracia.”

A entrada de Rebeca nos lugares é franqueada por um laudo psiquiátrico que assegura a sua condição de suporte emocional. Evilásio a adotou depois de sofrer um burnout no banco onde trabalhava, e o médico sugerir um animal de estimação como ajuda para superar a depressão. “Não queria mais me comunicar com ninguém. Consegui resgatar isso através dela.”

A ideia de criar uma ovelha veio de uma memória da infância, vivida no Piauí, onde Evilásio tinha Sabrina, uma cabrita, como pet. Ela chegou a sua casa ainda filhote, depois de ser rejeitada pela mãe, e seguiu como parte da família até crescer e se tornar serelepe além da conta. “Ela pulava na mesa da cozinha e fazia uma muvuca. Meu pai, então, a levou embora”, recorda-se.

Rebeca, porém, não corre esse risco. Foi adotada ainda filhote de um criador de ovelhas, após também ter sido rejeitada pela mãe, e já completou 2 anos sob a guarda de Evilásio. Na casa onde ele mora, na Ilha do Governador, há um quintal só para ela e um cardápio especial para dar conta de seus 46kg: ração, sal mineral e frutas (melancia é a favorita). À noite, dorme sob a janela de seu tutor, em meio a um amontado de feno que também adora mastigar e, vez ou outra, pode entrar dentro de casa. “Temos que ficar de olho porque ela come tudo. Outro dia, minha mãe veio me visitar e pendurou as roupas no varal. Quando viu, ela havia mastigado as barras dos vestidos.”

O apetite voraz só poupa alimentos feitos de carne, dadas as características naturais de Rebeca. Um comportamento que inspirou Evilásio a se tornar vegetariano e usar a notoriedade da amiga felpuda para falar sobre o assunto. “Muita gente só conhece ovelha como um pedaço de carne congelado”, comenta.

É por isso, inclusive, que o laço cor de rosa e o colar de miçangas na mesma cor viraram marcas registradas da influencer ovina. “Um dia, estávamos passeando, e um cara me perguntou se a estava levando para o abate. Fiquei desconcertado e resolvi adotar os acessórios para que ninguém mais tivesse dúvidas de que se trata de um pet”, conta o criador.

Domesticar um animal amplamente criado para o consumo, de fato, traz reflexões oportunas.

O psicólogo e médico veterinário Carlos Artur Lopes Leite, professor do Departamento de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Lavras, lembra que, quando um bicho é visto apenas como fonte de carne, leite ou ovos, pode sofrer dor, ferimento, medo, sede e fome durante a criação, o que vai de encontro ao seu bem-estar. “No momento em que este animal é aproximado da rotina dos humanos, muitos desses sofrimentos podem ser amenizados ou mesmo anulados”, compara.

A julgar pelas falas de Evilásio, a ovelha não tem mesmo com o que se preocupar. Ele garante não estar interessado em ganhar dinheiro com a imagem dela, assim como as parcerias com marcas são feitas em benefício do pet. O foco, diz, está nas atividades educativas, como as visitas a escolas para falar sobre meio ambiente e um livro infantil que será lançado em breve.

Enquanto prova o gosto da fama, Rebeca tem ido até onde alcança o carro de seu dono, um Twingo ano 1995 especialmente adaptado para transportá-la na parte de trás. Os planos, porém, são bem mais ambiciosos: “O sonho dela é visitar um museu em Nova York. Temos que sonhar grande”.

GESTÃO E CARREIRA

COMO UTILIZAR A GAMIFICAÇÃO PARA O ENGAJAMENTO DOS COLABORADORES

Rankings de pontuação, medalhas e prêmios são elementos da gamificação, uma tendência do mercado uti- lizada pelas empresas com o intuito de engajar mais os colaboradores. Dados da Review 42 apontam que 72% dos colaboradores se sentem mais motivados para trabalhar mais intensamente quando os processos do dia a dia são lúdicos.

Ilustrar o caminho do trabalho até o cumprimento das metas, torna a rotina mais agradável, inovando no campo da motivação dos funcionários e destacando os pontos positivos de suas tarefas cotidianas.

Por isso, qualquer empresa pode implementar esse modelo de interação, mas é importante considerar alguns fatores antes de gamificar as atividades de sua equipe, como explica Thiago Gomes, CEO do Smartleader, sistema que ajuda as lideranças na gestão de pessoas:

“A gamificação é um processo muito positivo, principalmente para o engajamento, mas é preciso pensar na matemática por trás dessa ideia, definir bem as regras do jogo, incitar uma competição saudável entre os funcionários e equilibrar as etapas de implementação dessa ferramenta”, explica o executivo.

Para gamificar as tarefas na sua empresa, as primeiras ações a serem tomadas devem ser a definição de seus objetivos e a análise das dificuldades da equipe em atingir as metas. A segunda, deve ser estabelecer um sistema de feedbacks para pontuar o que está dando certo e o que não está; e a terceira está relacionada ao envio de pesquisas de satisfação aos colaboradores, dando espaço para ouvi-los. Os objetivos podem ser muito variados e envolver diferentes públicos-alvo, por isso, é importante definir as metas com clareza e demarcar bem as atividades que devem ser executadas para chegar no ponto desejado. Arcade, quebra-cabeça, RPG, simulação e estratégia são alguns modelos que podem ser utilizados na hora de elaborar o jogo mais compatível com a sua equipe e os seus objetivos.

Gomes considera esta uma das partes mais difíceis do processo, porque é a que mais exige criatividade – para criar emblemas, os tipos de avatares, os prêmios para cada fase e a representação da jornada para atingir a meta.

ESTRUTURANDO A PLATAFORMA DE GAMIFICAÇÃO PARA RECEBER OS COLABORADORES

Esta é a fase que define as tarefas a desempenhar, as métricas de sucesso e a forma como elas serão medidas, além de ser decisiva na adesão dos funcionários a esse novo modelo: é preciso criar um jogo que trabalhe muito bem o limbo entre o tédio e a ansiedade, de forma que os colaboradores se sintam estimulados para jogar e atingir as metas, mas que isso não se torne uma atividade apressada. O convívio social é um dos pontos positivos da vida corporativa e pessoal, portanto, também deve ser um aspecto levado em consideração na hora de construir sua plataforma gamificada. Então, é preciso analisar como os funcionários poderão interagir uns com os outros dentro do jogo, se haverá tarefas que devem ser realizadas em equipe, se estarão disponíveis para interação, ou até mesmo se o jogo vai promover atividades que incentivem a interação pessoalmente.

“A gamificação previne que os colaboradores percam o engajamento ou a motivação para realizar o escopo de trabalho. Além disso, esses processos mais lúdicos podem, além de incentivar o trabalho, também manter a equipe mais feliz”, finaliza Gomes.

Fonte e mais informações: https://www.smartleader.com.br.

EU ACHO …

AS PALAVRAS E NÓS

A língua não pertence apenas aos especialistas. É justo supor que ela também não é só minha.

A língua é viva e pertence aos usuário. Regras consagradas mudam. A grande questão é que existe um equilíbrio desejável entre a tradição e o uso do Português, por exemplo. Sim, a língua não pertence apenas aos especialistas. É justo supor que ela também não é só minha.

Shakespeare inventou muitas palavras. Algum tradicionalista que invoque os grandes autores do passado, em relação ao Inglês, deveriam imaginar que clássicos eram, também, transgressores. Guimarães Rosa era um gênio da composição de termos não dicionarizados ou de usos linguísticos pouco usuais. Difícil saber se o autor do Grande Sertão: Veredas inventava ou apenas registrava oralidades e falas populares mineiras. Quando alguém me diz que temos de imitar os clássicos, sempre imagino que a pessoa saiba pouco da capacidade inventiva e rebelde de escritores de primeira linha.

Devo e posso adaptar os usos da língua ao momento atual. “Delivery”, abaixo do Equador, não existia há poucos anos. Hoje, é termo necessário. Profetizo vida longa ao “air bag”, milk shake”, “trailer” e “shopping center”. Num dia, podem vestir trajes adequados à última flor do Lácio. Assim ocorreu com os termos basquete, iate, uísque e xampu (grafo sem aspas ou itálico, porque eram anglicismos que foram adaptados). Eram convidados com passaporte estrangeiro; hoje, pertencem ao time verde e amarelo.

Os termos de origem francesa ou inglesa interagem sem um debate forte. A língua tropeça quando estamos falando dos novos usos de gênero. Usar o masculino, implicando toda a espécie humana, é norma vigente há séculos. Reconheçamos: a norma nasceu de um mundo patriarcal e misógino. Evita-se o feminino não apenas como prática gramatical, todavia pela exclusão real das mulheres. Gramática tem gênero, ideologia e preconceito. É estranho querer manter uma norma da época de Dom Dinis (1261-1325) lendo um texto no seu smartphone contemporâneo. A língua não é de pedra, nem é de vapor. Ela não me pertence; ela não me ignora.

Gosto de usar “todas e todos” para abandonar o invisível do feminino. Não tenho raiva, mas ainda não consigo empregar regularmente “todes”. Acho exótico grafar txdxs, deixando o x como incógnita a ser preenchida pela identidade de cada pessoa.

Vamos refletir. Uma pessoa tem raiva porque vê “todes”. Alega que isso não existe. Se eu escrevi e alguns usam, existe. Porém, a mesma pessoa não apresenta raiva contra as outras mudanças. Vejamos. “Vossa Mercê” era usado apenas para os reis que concediam benefícios, mercês. O “vós” também era exclusivo de altos aristocratas. No fim da Idade Média, pelo uso, grandes comerciantes passaram a usar Vossa Mercê entre si. Na Idade Moderna, Vossa Mercê reduziu-se para “você”. Eclodem formas populares no Brasil como “vosmecê”. Claro: o uso do você encontrou vozes contrárias. Avancemos para o mundo da digitação. A forma sem vogais é quase consagrada: “vc”.

Que ”você” seja uma palavra consagrada sem disputas, mas o uso de “todas e todos” desperte tantos debates é apenas sinal de que os irritados nunca estudaram linguística ou gramática histórica. Volto a dizer: eu estranho ”todes”.

Em 2050, na prova de Redação no Enem, pode existir uma questão sobre os tempos primitivos quando um grupo impunha o masculino, subentendendo o feminino. Lembre-se disto: pelas normas atuais, Camões não seria aprovado em prova de redação.

Leio bastante sobre os debates gênero e língua. Há mais paixão do que conhecimento dos processos transformadores do nosso idioma.

Tenho de incorporar ”shopping center” porque, até 1966, não existia o conceito contido nas palavras em Inglês. Um novo modelo de compras implicou novo termo. Há duzentos anos, os homens comandavam tudo; as mulheres não tinham acesso ao voto ou ao estudo superior. O masculino dominava sobre o feminino, e o uso gramatical consagrava isso. Não é uma norma divina ou feita de aço: é uma convenção que correspondeu a um momento. O momento mudou, outros gêneros foram reconhecidos como possíveis (claro, já existiam). Você aceita todos os termos estrangeiros no seu computador, usa palavras variadas para novas ferramentas e, quando se trata de gênero, torna-se um purista estudioso da gramática, invocando a tradição que você ignora em todos os outros campos.

Como eu respondi a uma senhora em uma palestra, que me exclamou: “Machado de Assis usava apenas todos!”

Eu disse: “Sim, mas só admitiu homens na sua nova Academia Brasileira de Letras. Excluiu pessoas como a senhora”.

Continuei: “Machado não desejou mulheres no seu grêmio linguístico. A senhora reconhece valor no uso da palavra, mas quer ter a voz que teria sido negada na época? Uma coisa implicava a outra”.

Reconheço que tenho certos conservadorismos em Português. Reconheço ainda mais que minha posição pessoal não faz a língua mudar. Se você usa “todes”, tudo bem. Se prefere fazer uma “feminagem” para evitar o termo homem em “homenagem”, sem problema. Cada um de nós tem uma velocidade específica diante do que é novo. Apenas devemos prestar atenção que as mais diversas mudanças na língua são aceitas com tranquilidade por todas e todos. De repente, quando se trata de gênero, surge o ódio.

Tenho esperança de que você perceba: seu problema pessoal não está na gramática normativa, mas em outro lugar.

*** LEANDRO KARNAL – É historiador, escritor, membro da academia paulista de letras e autor de ‘A coragem da Esperança’, entre outros

ESTAR BEM

COMO SUBSTITUIR OS ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS

Eles respondem por 25% a 50% das calorias consumidas no País; mas há como cortá-los

Qual dieta é ultraprocessada? Em muitos lares, os alimentos ultraprocessados são os pilares da cozinha. E incluem produtos que você talvez nem pense como junk food, como cereais matinais, muffins e iogurtes adoçados, além de refrigerantes e energéticos.

Esses alimentos representam uma parcela cada vez maior da dieta mundial. Quase 60% das calorias que os adultos nos Estados Unidos comem vêm de alimentos ultraprocessados. Eles respondem por 25% a 50% das calorias consumidas em muitos outros países, como Inglaterra, Canadá, França, Líbano, Japão e Brasil.

Todos os anos, as empresas de alimentos lançam milhares de novos produtos ultraprocessados, com uma variedade infinita de sabores e ingredientes. Esses produtos oferecem combinações potentes de gordura, açúcar, sódio e sabores artificiais. São o que os cientistas chamam de hiperpalatáveis: irresistíveis, fáceis de comer e capazes de sequestrar o sistema de recompensa do cérebro e provocar desejos poderosos.

OBESIDADE

No entanto, em dezenas de grandes estudos, cientistas descobriram que os alimentos ultraprocessados estão ligados a taxas mais altas de obesidade, doenças cardíacas, hipertensão, diabete tipo 2 e câncer de cólon. Um estudo recente com mais de 22 mil pessoas descobriu que pessoas que comiam muitos alimentos ultraprocessados tinham uma probabilidade 19% maior de morte precoce e um risco 32% maior de morrer de doença cardíaca, em comparação com pessoas que comiam poucos alimentos ultraprocessados.

Então, como podemos quebrar nossa dependência de alimentos ultraprocessados? Você pode começar aprendendo quais alimentos de sua dieta são considerados ultraprocessados.  Você não necessariamente precisa desistir deles. Mas, quando você sabe identificar um alimento ultraprocessado, fica mais fácil encontrar um substituto menos processado.

O foco crescente em alimentos ultraprocessados representa uma mudança de paradigma na forma como a comunidade científica e de saúde pública está pensando a nutrição. Em vez de se concentrar nos nutrientes, calorias ou tipos de alimentos, a ênfase está no que acontece com os alimentos depois de criados ou cultivados e nos processos físicos, biológicos e químicos que ocorrem antes de chegarem à nossa mesa.

Os alimentos podem ser não processados ou minimamente processados – como frutas e vegetais inteiros, carnes refrigeradas ou congeladas, laticínios e ovos que compramos. Outros alimentos passam por uma quantidade moderada de processamento – geralmente você pode identificar esses alimentos porque eles têm apenas alguns ingredientes no rótulo. É o caso de pães e queijos feitos na hora, manteiga de amendoim salgada, molho de macarrão, sacos de pipoca e frutas enlatadas, peixes e legumes.

Depois, temos os alimentos ultraprocessados. Em essência, são misturas industriais que contém uma infinidade de aditivos: sal, açúcar e óleos combinados com sabores artificiais, corantes, adoçantes, estabilizantes e conservantes. Normalmente, são submetidos a vários métodos de processamento que transformam seu sabor, textura e aparência em algo que não é encontrado na natureza. São coisas como cereais matinais, lanches congelados, rosquinhas, salsichas, biscoitos e macarrão com queijo na caixinha.

ESTUDOS

Pesquisas mostram que nossos corpos parecem reagir de maneira diferente a alimentos ultraprocessados em comparação com alimentos semelhantes que não são tão altamente processados. Em um ensaio clínico rigoroso realizado pelos Institutos Nacionais de Saúde, cientistas compararam o que aconteceu quando alimentaram um grupo de pessoas com uma dieta de alimentos ultraprocessados por duas semanas e, em uma ocasião separada, uma dieta de refeições combinadas que eram feitas praticamente do zero.

Ambas as dietas continham quantidades semelhantes de gordura, açúcar, sódio e fibra, e todos os participantes podiam comer até ficarem satisfeitos. Mas, para surpresa dos pesquisadores, as pessoas ingeriram substancialmente mais calorias quando foram alimentadas com alimentos ultraprocessados. Em média, elas comiam cerca de 500 calorias a mais por dia – aproximadamente a quantidade de uma porção grande de batatas fritas do McDonald’s.

Na dieta de alimentos ultraprocessados, os participantes ganharam peso e gordura corporal rapidamente. Mas, na dieta caseira não processada, aconteceu o inverso: eles perderam peso e tiveram reduções no colesterol e um aumento nos níveis de um hormônio supressor do apetite chamado PYY. Eles experimentaram uma queda em seus níveis de grelina, que é conhecido como o hormônio da fome. Não está claro por que os alimentos não processados e ultraprocessados tiveram efeitos tão diferentes.

“Ainda não conseguimos explicar”, disse Kevin Hall, principal autor do estudo e cientista do Instituto Nacional de Diabete e Doenças Digestivas e Renais. ”Temos uma dúzia de teorias sobre por que os alimentos ultraprocessados causaram esses efeitos”. Alguns especialistas argumentam que os alimentos ultraprocessados capturam nossos cérebros e sobrecarregam nossa biologia porque contêm combinações não naturais de gordura e carboidratos, juntamente com sódio e outros intensificadores de sabor.

TEXTURA

Alguns cientistas da nutrição apontam para a textura dos alimentos ultraprocessados: eles geralmente contêm pouca ou nenhuma fibra e são fáceis de mastigar e digerir rapidamente, apesar de serem ricos em calorias. Pense em como é fácil devorar nuggets de frango de fast­food ou um muffin de mirtilo úmido cheio de açúcar, farinha e óleos vegetais. Esses alimentos são rapidamente absorvidos quando saem do estômago e entram no intestino delgado, o que causa um pico de açúcar, insulina e outros hormônios. “Várias coisas ruins acontecem com esses grandes fluxos de nutrientes em nossa corrente sanguínea”, disse Dariush Mozaffarian, cardiologista e reitor da Friedman School de Ciência e Política da Nutrição da Universidade Tufits.

Muitos alimentos ultraprocessados são feitos em máquinas industriais que submetem grãos, milho e outros ingredientes crus a pressões e temperaturas extremamente altas. Isso pode destruir micronutrientes e criar novos compostos que podem ser prejudiciais, até carcinógenos, disse Carlos A. Monteiro, especialista em alimentos ultraprocessados e professor de Nutrição e Saúde pública da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, no Brasil. “Esses alimentos contêm muitos compostos químicos que não são nutrientes”, acrescentou ele. Alimentos ultraprocessados geralmente contêm uma série de aditivos cujos efeitos sobre nossa saúde ainda não entendemos completamente, disse Mozaffarian. “Não são apenas o sal e o açúcar, que são os óbvios, mas os adoçantes artificiais, corantes artificiais, emulsificantes, estabilizantes, goma guar e goma xantana”, disse. “Nós não sabemos se eles são inócuos.”

A maneira mais simples de cortar os alimentos ultraprocessados da sua dieta é comprar menos alimentos preparados e embalados e consumir mais alimentos integrais e minimamente processados. Em vez de comprar iogurtes de frutas adoçados carregados de aditivos, compre iogurte natural e adicione frutas vermelhas e mel, se quiser. Pense em pular os nuggets de frango congelados e fazer nuggets assados em casa, o que não leva muito mais tempo. Você também deve eliminar refrigerantes açucarados e energéticos, que têm muitos aditivos e pouco ou nenhum valor nutricional. Substitua por água com gás com limão ou lima, chás sem açúcar e água pura ou aromatizada com frutas de verdade.

Se você precisa da praticidade dos alimentos ultraprocessados, pode conferir os rótulos e compará-los no supermercado. Tente escolher os produtos com menos ingredientes. Para obter ajuda durante as compras, você pode acessar um site chamado truefood. tech. No site você pode digitar o alimento que deseja comprar – como nuggets de frango ou cereais matinais – e em resposta receberá dezenas de marcas e recomendará as versões menos processadas. O site usa aprendizado de máquina para classificar os alimentos em uma escala de 1 a 100, com base em fatores como quantidade de aditivos e grau de processamento. Quanto menor a pontuação, melhor.

O site foi criado por Giulia Menichetti e Albert- László Barabási, dois cientistas da Northeastern University que estudam alimentos ultraprocessados e desenvolveram um banco de dados com mais de 50 mil alimentos vendidos em supermercados. Você pode se surpreender com a grande variação no processamento entre os diferentes tipos de macarrão com queijo, ou com o fato de que seus nuggets orgânicos e sem glúten favoritos têm uma pontuação mais alta do que a receita padrão. Menichetti disse que substituir alguns dos alimentos ultraprocessados que são básicos em sua dieta por versões não processadas ou menos processadas pode trazer benefícios à saúde. “Não estamos sugerindo que. você mude drasticamente sua dieta”, disse ela. “Estamos empurrando você para padrões alimentares mais saudáveis”.

RÓTULOS

Outros especialistas pediram políticas públicas agressivas, como rótulos de alimentos mais rígidos e advertências de saúde que forcem a indústria de alimentos a fabricar produtos mais saudáveis. “Vai levar um tempo para as pessoas mudarem dietas”, disse Monteiro. “Mas, se as pessoas começarem a consumir menos alimentos ultraproccssados, a indústria alimentícia será forçada a produzir mais alimentos minimamente processados”.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

AMAMENTAR É UM ‘PESADELO SENSORIAL’ PARA MÃES AUTISTAS

Nos EUA, escassez de fórmula para bebês afeta de forma intensa esse grupo

Wendy Graves estava cada vez mais preocupada. Antes mesmo de a mídia começar a noticiar uma escassez aguda de fórmula infantil nos EUA, no início de maio, ela já havia voltado de duas idas ao supermercado de mãos vazias.

Graves, que é autista e particularmente sensível ao toque, depende da fórmula infantil desde que teve sua filha, em 2018. Inicialmente, ela pretendia amamentá-la, mas mudou de ideia quando a consultora de lactação do hospital tocou seus seios sem avisá-la antes. Sua filha, com quatro anos, também é autista e não come muita coisa a não ser macarrão e legumes cortados em palitos. Para suprir suas necessidades nutricionais, Graves compra seis latas de fórmula hipoalergênica por mês.

Mas esse tipo especial tem estado particularmente em falta, obrigando-a a dirigir por horas de sua casa em Hope, Arkansas, para chegar a alguma loja que tenha algumas latas no estoque. Graves já pediu ajuda a amigos, familiares e até em grupos do Facebook de apoio a pais neurodivergentes para comprar o produto.

“Estou numa enrascada e a situação só está piorando”, comentou. “Já tive que pagar centenas de dólares adicionais para cobrir o transporte, só para conseguir a fórmula da qual minha filha depende.”

A crise da fórmula infantil começou há meses e milhões de famílias americanas ainda estão em situação difícil. Segundo a empresa de pesquisas de mercado IRI, em meados de setembro os estoques de fórmulas para bebês ainda estavam 19% abaixo do ideal nas lojas. Mães autistas, que têm probabilidade menor de amamentar seus filhos, têm sido especialmente afetadas.

Numa revisão recente, pesquisadores britânicos identificaram várias razões que explicam a baixa taxa de mulheres autistas que amamentam seus filhos. Para algumas delas, ser mãe significa ter menos controle sobre sua rotina, elevando o risco de ansiedade e depressão. Os serviços de lactação raramente são adaptados para pessoas autistas, o que gera situações incômodas que podem desencorajar mulheres como Wendy Graves, que também tem a síndrome de Ehlers-Danlos, doença rara do tecido conjuntivo.

“Já é difícil para a mãe branca de classe média, que mesmo assim não está recebendo apoio suficiente”, disse Aimee Grant, pesquisadora da Universidade de Swansea, que ajudou a redigir a revisão. “Quando somamos as barreiras extras, como ser autista e fazer parte de um grupo marginalizado, os problemas se agravam.” Grant pesquisa aleitamento materno há anos. Em 2019, decidiu estudar mães autistas, após ela própria receber o diagnóstico.

Segundo pesquisadores, um dos obstáculos mais comuns para essas mães é a sensibilidade ao toque. A amamentação é uma experiência física intensa. Um bebê esfomeado, aconchegado contra o peito da mãe, pode chutar ou agitar seus punhos e então abocanhar um bico do seio que já está dolorido e inchado.

Essas sensações são incômodas e dolorosas para muitas mulheres, mas a sensibilidade aumentada das mães autistas pode converter a amamentação em um “pesadelo sensorial”, segundo Jane Wilson, professora de enfermagem na Palm Beach Atlantic University e especialista em saúde materna e infantil.

Em 2020, Wilson e uma colega, Bri Andrassy, conduziram um pequeno estudo sobre as experiências de mães autistas de todo o mundo com a amamentação. Entrevistaram 23 mulheres autistas, 14 das quais viviam nos EUA, fazendo uma pergunta apenas: “Pode nos falar de sua experiência de amamentação?”.

A maioria das mulheres falou que o contato físico durante a amamentação era excessivo para elas. Estudos já mostraram que as pessoas autistas vivenciam sinais corporais – como arrepios, barriga tensa ou bexiga cheia – diferentemente das pessoas não autistas. Algumas das mulheres no estudo de Wilson só sentiam dor quando seus mamilos já estavam sangrando. Outras, porém, tinham sinais corporais hiperativos, tornando o ato da amamentação incrivelmente doloroso.

Sam, uma mulher de 40 anos de Washington, teve dificuldade em produzir leite suficiente após dar à luz uma menina. A especialista em lactação a aconselhou a bombear leite regularmente. Mas a bomba fria e dura, além do barulho rítmico alto que emitia, eram insuportáveis para ela.

O impacto do estresse gerado pela bomba de leite não era apenas psicológico: afetava o volume de leite que Sam conseguia produzir depois de 30 minutos bombeando. “Às vezes eu olhava e tinha vontade de chorar”, disse ela, que pediu para que seu sobrenome não fosse informado. “Não dava nem para encher um copinho para uma dose de bebida.”

Quando sua filha tinha cinco meses, os médicos aconselharam Sam a dar-lhe uma fórmula hipoalergênica para ajudá-la a ganhar peso. Ela ainda tentou continuar amamentando ocasionalmente, mas sentiu tristeza intensa por não conseguir alcançar suas metas de lactação.

Para melhorar a experiência dessas mães, especialistas disseram que as profissionais que prestam atendimento a lactantes deveriam, idealmente, receber treinamento de uma pessoa autista sobre como comunicar-se com mães autistas. Mesmo considerações simples podem fazer uma grande diferença, disseram – medidas como nunca tocar os seios de uma mãe sem pedir permissão ou suavizar a iluminação forte do quarto de hospital.

Os pesquisadores também têm conselhos a dar a pessoas autistas que esperam um filho. Falar com uma consultora de lactação antes do parto pode diminuir a ansiedade em torno da amamentação. Algumas mães também podem sentir-se reconfortadas se puderem fazer contato com outras mães autistas que optam por amamentar.

Jay Eveson-Egler e Tayler Egler são autistas e terão uma filha em outubro. As duas vêm se preparando há meses com a ajuda de uma equipe de profissionais especializados em aconselhar indivíduos neurodiversos com parto, amamentação e depressão pós-parto. Mas a escassez de fórmula infantil as está levando a sentirem ansiedade e incerteza.

Eveson-Egler, que está gestando o feto, prevê que sentirá sobrecarga sensorial quando amamentar e achou que a fórmula infantil serviria de auxílio. Com esse apoio comprometido devido à escassez de fórmula, ela vem tendo pesadelos recorrentes sobre não conseguir cuidar corretamente da bebê.

Devido às circunstâncias incertas, Egler, que é mais sensível a estímulos sensoriais que Eveson-Egler, começou mesmo assim a tomar medicamentos para induzir a lactação. Ambas as mães estão determinadas a amamentar a filha, a despeito de suas dificuldades sensoriais.

“Muita gente pensa que pessoas autistas não podem ser boas mães ou não são capazes de ser mães”, disse Egler. “Precisamos de mais compreensão por parte do sistema médico.”

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