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VIOLÊNCIA PEDE CARONA

Casos de importunação sexual registrados pela polícia nos transportes sobem 30%

O último dia 7 de julho deveria ficar guardado na memória como o primeiro de uma nova e feliz fase na vida da estudante de Pedagogia Letícia Ramos, de 20 anos. Ela faria o exame admissional após ser aprovada para um estágio numa escola. Logo cedo, embarcou num ônibus na estação do BRT de Santa Cruz, na Zona Oeste. Estava distraída no celular até que percebeu que o homem sentado ao lado dela estava se masturbando. Sem reação para falar uma palavra, tampouco pedir ajuda, ela se levantou e desceu no ponto seguinte, bem longe de seu destino.

“Quando nós vemos acontecer algo assim com outra pessoa, sempre pensamos que, se fosse conosco, gritaríamos e xingaríamos. Mas, quando acontece de verdade, é outra história. Eu não tive reação, só me levantei”, contou ela.

Letícia foi vítima de importunação sexual, situação que se tornou crime em 2018. Mas ela decidiu não levar o caso à delegacia. Segundo dados da Polícia Civil, obtidos via Lei de Acesso à Informação, de janeiro a maio deste ano foram 554 vítimas no estado. Destas, 56 foram importunadas no transporte público. O número é 30% maior que o registrado no ano mesmo período do ano passado.

A reação de Jenifer Gabriele, de 22 anos, foi diferente da de Letícia. Transtornada diante do desrespeito, ela foi à polícia. A jovem, que trabalha com eventos, viajava em pé também no BRT quando sentiu um homem atrás dela e, logo, seu short ficou molhado: o passageiro havia ejaculado em seu corpo. Ele foi expulso do ônibus por um outro usuário, e o ônibus seguiu viagem.

“Eu ainda fui trabalhar. Cheguei lá desesperada, mas voltei para casa e joguei a roupa fora. Estava com nojo de tudo”, desabafou.

‘É CONSTRANGEDOR’

No dia seguinte, ela foi à 30ª DP (Marechal Hermes), na Zona Norte:

“Eles fizeram o registro, que não deu em nada. Falaram que demoraria de dois a três meses para retornarem o contato, mas nunca retornaram. Eu não sei se foi pior eu ter ido à polícia, porque indo ou não, deu na mesma coisa: nada. É constrangedor porque, depois de ter que relatar tudo, ainda me perguntaram se eu sabia o que era assédio.

A titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Caxias, Fernanda Fernandes, explica que a importunação sexual é a prática de ato libidinoso na presença de alguém, sem sua autorização e com a intenção de satisfazer lascívia própria ou a de outra pessoa. Já o crime de assédio sexual envolve uma relação de hierarquia entre as partes.

“Importunação é o caso mais comum no transporte. O homem que se masturba ou aquele que se aproveita do transporte cheio e encosta no corpo da mulher”, explicou a delegada. “É um crime que tem muita subnotificação. Acho que, além da vergonha, do medo e do constrangimento, elas têm até dificuldade de acreditar que aquilo está acontecendo. E, muitas vezes, por não terem provas, desistem de denunciar.

No último dia 6, um passageiro foi preso depois de ejacular em uma mulher dentro de um trem, na altura da estação Maracanã. Procurada, a vítima contou que está muito abalada e que “vive um dia de cada vez” para retomar a sua rotina. A Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) informou que o acusado continua preso. A pena para o crime de importunação é de um a cinco anos de prisão. A operadora de caixa Fabiana Sabino, de 19 anos, viveu um pesadelo em 2 de junho. Ela tirava um cochilo durante a viagem na linha 410 (Saens-Peña – Gávea) quando sentiu a mão de um homem em sua perna.

“No começo, achei até que estava sonhando, mas quando acordei vi esse homem alisando minha coxa e tentando c colocar a mão por dentro do meu short. Olhei para ele, e ele riu para mim. Demorei a entender o que estava acontecendo”, relembra.

O trajeto e o meio de transporte podem até mudar, mas o crime, não. Brenda Dias, de 21 anos, mãe de uma menina de 5 anos e funcionária de uma consultoria de seguros, estava no metrô em julho quando um homem começou a se encostar nela. Ela percebeu que ele estava excitado.

“Na terceira vez, eu perguntei: “Você está com algum problema?”. Comecei a ficar nervosa, gritei, xinguei. Parecia que ele estava acostumado a fazer isso”, destacou ela.

Pior ainda, segundo Brenda, foi a reação dos passageiros. Teve quem a chamasse de louca. Sozinha, ela conseguiu expulsar o homem da composição. Ela não foi à polícia, mas informou o caso ao Metrô Rio. Traumatizada, agora só anda no vagão feminino do metrô.

“Eu não vou me calar. Eu vou gritar e, se precisar expor esse homem mil vezes, eu vou”, repetiu Brenda.

Esse tipo de abuso é tão comum que setores só para mulheres foram criados nos meios de transporte, mas a iniciativa é ignorada por homens e pela fiscalização. Uma equipe de reportagem flagrou um carro “cor-de-rosa” repleto de homens no ônibus do BRT da Avenida Cesário de Melo, em Campo Grande.

GESTÃO E CARREIRA

SOBRECARGA CAUSA INSÔNIA E SENTIMENTO DE FRACASSO

Assumir muitas tarefas afeta saúde psicológica e física, explica psicólogo

Com certeza você já ouviu que o caminho para o sucesso profissional é trabalhar incansavelmente. Nunca desistir. Mas saber os seus limites e descansar é essencial para a saúde mental.

Uma pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), em parceria com as empresas Talenses e Gympass, mostrou que 43% dos entrevistados disseram que estão com sobrecarga de trabalho. Outros 31% afirmaram sofrer pressão por resultados e metas. O levantamento foi feito em janeiro deste ano com 572 pessoas.

O psicólogo Luiz Mafle, professor de psicologia e doutor em psicologia pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais) e pela Universidade de Genebra, explica que a sobrecarga acontece quando temos diversas tarefas para realizar ao mesmo tempo ou quando estamos muito preocupados com uma atividade.

Além das demandas do trabalho, somam-se as tarefas de casa e os cuidados com a família. “Por exemplo, quando é preciso tomar conta de alguém que tem uma necessidade e precisa estar presente o tempo todo, com cuidados, isso gera uma sobrecarga. Ou quando se está num trabalho que a todo momento apresente uma urgência, o tempo todo você precisa checar, verificar, lembrar. Na hora que essas duas situações se acumulam é uma bomba. Os níveis de estresse e de depressão podem dobrar”, explica o especialista.

A seguir, o psicólogo lista dez sintomas do excesso de responsabilidades que podem levar a um quadro de burnout.

IRRITABILIDADE

Uma das principais características de uma pessoa que está tentando lidar com diversas tarefas ao mesmo tempo é a irritabilidade. “A pessoa fica muito sensível. A irritabilidade pode surgir na forma de agressão, quando ela é reativa, ou também quando chora mais do que o normal. Isso acontece porque ela está tentando se livrar de qualquer outra demanda que possa surgir”, alerta Mafle.

INSÔNIA

Com tantas coisas para fazer e a cabeça cheia de pensamentos, normalmente quem está sobrecarregado não consegue dormir bem. “Com o sono desequilibrado, o cansaço se torna ainda mais intenso. Além disso, começa a gerar impactos na rotina e também na saúde física”, diz o psicólogo. Uma forma de driblar essa situação é criar uma rotina de higiene do sono, evitando tomar café após as 15h, praticar exercícios físicos e ficar longe das telas ao menos duas horas antes de dormir.

QUEDA DE RENDIMENTO

O excesso de preocupações e tarefas também prejudica o foco e a atenção no trabalho. “Quem está sobrecarregado se sente desmotivado e com dificuldades de concentração, o que pode impactar diretamente na rotina profissional. Além disso, a irritabilidade e os sentimentos à flor da pele podem provocar conflitos entre os colegas”, afirma.

ALTERAÇÃO NO APETITE

A sobrecarga emocional também atinge a forma como cuidamos do nosso corpo e da alimentação. “É possível ver pessoas que esquecem de comer e outras que descontam os sentimentos na alimentação. Precisamos olhar com cuidado e entender porquê está acontecendo esse desequilíbrio na alimentação. Pode ser um sinal de que o corpo e a mente precisam de ajuda.”

SENTIMENTO DE FRACASSO

“Com tantas atividades sob seu controle, a pessoa sobrecarregada muitas vezes não consegue dar conta de tudo e se sente frustrada e com o sentimento de desamparo. Ela começa a abraçar o mundo e isso a sufoca e a frustra”, conta.

ANSIEDADE

O excesso de demandas é um prato cheio para a ansiedade. “O cansaço mental pode vir acompanhado de dores no peito, falta de motivação e crises de ansiedade. Com tantas preocupações é comum que os indivíduos fiquem mais ansiosos e comecem a criar cenários em sua cabeça, o que pode aumentar ainda mais os gatilhos para ansiedade”, revela Mafle.

DEPRESSÃO

A sobrecarga, quando é enfrentada durante longos períodos, é um dos principais fatores que causam ansiedade e depressão. “Quando essa sobrecarga é vivida por longos períodos, a pessoa começa a se sentir frustrada, a vida começa a se paralisar, porque não sobra espaço para outros crescimentos, desenvolvimentos, e vira uma rotina muito pesada”, observa.

“A pessoa vai se sentindo pior, cansada, sem energia, não consegue ter uma vida pessoal nem um autocuidado, vai se sentindo desvalorizada, abandonada e isso aumenta o nível de ansiedade e depressão.”

ISOLAMENTO

Em um nível mais avançado de sobrecarga, a pessoa começa a se fechar, a se isolar, não tendo contato com os amigos e familiares. “Ela se fecha e não conta com mais ninguém, quer se isolar. Tudo parece virar uma exigência, então ela acha que qualquer outra demanda vira uma tarefa, assim começam os problemas nas relações”, diz.

DEIXAR O AUTOCUIDADO DE LADO

Com tantas tarefas, a pessoa não consegue ter um tempo para olhar para si mesma. “Ela perde o prazer em se cuidar, de se arrumar e, às vezes, deixa de lado até os atos de higiene”, comenta Mafle.

“Ela não se olha mais com carinho e atenção, porque a exaustão já tomou conta, e o autocuidado se torna mais uma tarefa em meio a tantas.”

NÃO BUSCAR AJUDA

“É importante buscar ajuda e se cuidar. Uma pessoa com sobrecarga tira muito proveito da psicoterapia, porque ela vai compreender quais os motivos que estão levando ela a assumir todas essas responsabilidades de uma vez, e provavelmente sozinha”, explica. De acordo com o psicólogo, a pessoa sobrecarregada se sente menos valorizada, então para mostrar seu valor assume muitas tarefas para as pessoas perceberem que ela tem capacidade. “A psicoterapia é fundamental para ver até que ponto a responsabilidade deve ser assumida e até que ponto ela deve ser compartilhada, porque muitas vezes essas crenças centrais de não ser amado, não ter valor, nos fazem tomar decisões que nos colocam em enrascadas. A terapia é um ótimo lugar para encontrar novas saídas para lidar com as situações, trazendo menos peso para nosso dia a dia”, diz.

EU ACHO …

CORPOLÍTICA

Na semana passada falei sobre a importância da representatividade na política. Na prática, isso tem a ver com mais intencionalidade na hora de votar em quem representa nossos ideais e ajuda na construção de políticas concretas. Mas representatividade não é 2+ 2, tampouco mero patrulhamento ideológico ou “mimimi”.

O assunto não se restringe ao reforço do discurso que defende mais mulheres na política e ponto. Isso diz respeito, por exemplo, à visão que elas podem acrescentar à política, com suas vivências e olhares na construção de políticas públicas que possibilitem outras pessoas terem mais oportunidades de educação, saúde e emprego. Com projetos de lei e iniciativas que podem contemplar mais mulheres. Afinal, se nós, que somos maioria no país, estivermos bem educadas, empregadas, seguras e com saúde, o Brasil vai bem.

Obra recente que retrata a representatividade na política, o documentário “Corpolítica”, de Pedro Henrique França e Marco Pigossi, conta a trajetória de 4 jovens que iniciavam suas carreiras políticas em 2020: Erika Hilton (mulher trans), Andreá Bak (mulher bissexual), Monica Benício (mulher lésbica) e William de Lucca (homem gay). Eles são de grupos subrepresentados, e há um reforço identitário público para chamar pra perto quem também se identifique com estas narrativas. E mais: há compromisso visível nas pautas em se colocarem numa trajetória política para alavancar oportunidades de melhor educação, emprego, saúde para os grupos que pertencem e para toda a sociedade.

Erika Hilton, eleita deputada federal, já foi expulsa de casa quando se assumiu mulher trans. Hoje, tem na mãe evangélica, uma aderente à postura antitransfóbica, mostrando que é possível o diálogo reconciliatório de um Brasil conservador e cheio de nuances. Também é possível, em certa medida, avançar no discurso que descola identidade de gênero e orientação sexual da demonização.

O filme também conta com entrevistas e trechos de falas de políticos como Fernando Holiday, Clodovil e Thammy Miranda, que considero de suma importância para refletirmos sobre o tema da representatividade. Eles são colocados como políticos que, mesmo se identificando com a comunidade LGBTQIAP+, não pautam estas questões diretamente em seus projetos políticos. E fazem refletir sobre o quanto a associação automática entre pessoas negras, indígenas ou trans em posição de poder a avanços diretos para estas comunidades pode ser equivocada.

Para que estes avanços aconteçam, é preciso que os corpos políticos, para além de visivelmente pertencentes a grupos subrepresentados, tragam pautas que apoiem os avanços coletivos de modo intencional, visível e com cobranças e acompanhamentos nossos. Em um cenário ideal, a responsabilidade de avançar não deve estar ligada somente a grupos minoritários, mas a todos que desejem construir um país sem deixar ninguém pra trás. Que em meio a tantas informações, não percamos o foco. Em suma, vote! Mas vote com cuidado com a embalagem e as caixinhas identitárias.

Analise a caixa, e acima de tudo, o conteúdo. Estejamos atentos, acompanhando e cobrando sempre para aqueles que nos representam, o façam para valer.

*** LUANA GÉNOT

lgenot@simaigualdaderacial.com.br

ESTAR BEM

HPV TAMBÉM ATINGE OS HOMENS; VEJA COMO PREVENIR

O problema, que atinge 54% dos brasileiros, pode até levar ao câncer se for malcuidado

O HPV é uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) mais comuns no Brasil. Em 2017, estimava-se que 54,6% dos brasileiros estavam infectados pelo vírus, de acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde. Nesse sentido, especialistas alertam para a importância de os homens estarem atentos a sua saúde sexual, tendo em vista que o vírus pode trazer complicações.

A maior parte dos casos de HPV é transmitida via relações sexuais e contato físico. Entretanto, também é possível se infectar pelo contato com objetos contaminados.

Um sinal conhecido da infecção são lesões em forma de verruga. No entanto, de acordo como coordenador de ISTs da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) de São Paulo, Júlio Máximo, apenas 20% dos casos de HPV causarão lesões visíveis. “Não há sintomas. A verruga é um sinal. Então pode aparecer o sinal, mas geralmente não dói e raramente pode sangrar”, explica o especialista.

Nos casos em que as lesões são invisíveis, o paciente pode encontrar as verrugas na região genital, seja no pênis, escroto ou ânus, e em outras mucosas, como boca e garganta. Máximo alerta, entretanto, que as lesões subclínicas, não vistas a olho nu, geralmente têm o tipo mais agressivo e mais relacionado ao câncer.

Segundo Máximo, assim como acontece com as mulheres, as complicações pelo HPV nos homens também são tipos de câncer. “Você pode ter o câncer de pênis, que não é tão frequente, você pode ter um homem com câncer anal e o câncer da cavidade oral”, diz ele.

PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO

Máximo conta que a melhor forma de prevenção é a vacinação contra o HPV, associada ao uso de preservativo para relações sexuais. Isso porque a camisinha protege apenas a região coberta, enquanto a vacina oferece proteção somente para alguns tipos do vírus. Para se ter uma ideia, a vacina disponível para os homens é a quadrivalente, que imuniza contra o HPV 6, 11, 16 e 18. Entretanto, existem mais de 200 tipos virais de HPV. “A gente sempre orienta a combinação dos métodos de prevenção: o uso do preservativo e a vacinação contra HPV”, esclarece.

Já a colposcopista Flávia Menezes reitera a importância dos exames preventivos. “Muita gente acha que o preventivo rastreia bactéria, fungo. Na verdade, não. Ele serve para rastrear pacientes infectados por HPV o mais cedo possível.” Para diagnosticar casos de HPV que não apresentam lesões na pele, há que fazer exames especializados. Neles, o médico utiliza aparelhos para localizar lesões microscópicas nas regiões suspeitas. Podem ser solicitados exames de genitoscopia, anuscopia e laringoscopia. O tratamento consiste em eliminar as lesões visíveis. Para isso, há métodos – como uso de pomadas; a crioterapia, o eletrocautério, que retira a verruga, e o laser.

Já a segunda fase do tratamento consiste em tirar os fatores que favoreçam a persistência do HPV. Dessa forma, é necessário complementação para melhorar o sistema imunológico do paciente.

De acordo com a colposcopista, apesar de o vírus não ser eliminado do corpo, as lesões podem se curar com um tratamento adequado. ”O HPV vai ficar no nosso organismo, então se pode dizer que não tem cura. Mas o importante é que as lesões têm cura”, enfatizou Flávia. Com o tratamento, é possível ter uma vida sexual ativa sem risco de infecção.

VACINA

Pelo SUS, a imunização contra o HPV está prevista no Plano Nacional de Imunização (PNI) para meninos e meninas de 9 a 14 anos. A vacina vem em duas doses, com intervalo de seis meses. Também podem receber o imunizante gratuitamente pessoas com HIV/aids, transplantado de órgãos sólidos, medula óssea e pacientes oncológicos, todos entre 9 e 45 anos.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SELEÇÃO SEXUAL É INFLUENCIADA POR HABILIDADES ESPORTIVA E ARTÍSTICA

Atividades causam efeito de ‘ornamento’ e ‘armamento’, considerado um dos mecanismos mais importantes da evolução, aponta estudo

Pessoas com habilidades artísticas e esportivas levam uma ligeira vantagem na disputa por parceiros do sexo oposto e na concorrência com gente do mesmo sexo, indica pesquisa feita por cientistas do Brasil, da República Tcheca e do Canadá. Os dados, que foram obtidos com quem pratica atividades atléticas e artísticas de forma não profissional, dão mais peso à ideia de que a arte e o esporte surgiram, em parte, graças à chamada seleção sexual. Trata-se de um dos mecanismos mais importantes da evolução dos seres vivos, proposto originalmente pelo naturalista britânico Charles Darwin (1809-1882). As conclusões foram publicadas em edição recente do periódico especializado Frontiers in Psychology. Entre os autores da pesquisa está o casal formado pela tcheca Jaroslava Varella Valentova e pelo brasileiro Marco Antônio Correa Varella, ambos ligados ao Departamento de Psicologia Experimental da USP, onde Valentova é professora e Varella é pesquisador de pós-doutorado e professor visitante. Para o estudo, a equipe recrutou um total de 852 voluntários de ambos os sexos, dos quais 248 eram brasileiros e o restante eram naturais da República Tcheca. A idade média dos participantes ficou em torno dos 27 anos, e os incluídos na pesquisa eram todos heterossexuais – isso porque outros estudos haviam mostrado que os processos ligados à seleção sexual são diferentes em pessoas que se sentem atraídas por parceiros do mesmo sexo.

Conforme explica Varella, é comum dividir o funcionamento da seleção sexual em duas vertentes: “ornamentos” e “armamentos”. O primeiro pilar é bem conhecido de todas as pessoas que já viram um pavão. As características muito chamativas dos membros de um dos sexos (frequentemente, o masculino, embora existam muitas exceções) servem como um sinal de que o indivíduo é forte e saudável, já que seu organismo é capaz de “investir” na ornamentação espalhafatosa.

Já os “armamentos” são, por exemplo, os chifres de carneiros-monteses e a massa de músculos dos gorilas. Funcionam como mecanismo para estabelecer uma hierarquia (com base em disputas de exibição ou físicas) entre os membros de um dos sexos, a qual, por sua vez, dá a eles um acesso maior a parceiros do outro sexo.

“É esperado que exista uma relação mais forte entre as formas de seleção sexual e as capacidades de artistas e atletas profissionais. Isso porque eles não só chegam a maiores níveis de proficiência e performance, o que aumenta o efeito de ‘ornamento’ e ‘armamento’ de suas capacidades, mas também porque eles se aproveitam da fama e da exposição como figuras públicas”, diz o pesquisador da USP.

No entanto, a aposta dos pesquisadores era que as habilidades de pessoas normais também têm um impacto nessa seara. Para isso, eles usaram um questionário criado para medir indicativos indiretos de seleção sexual – por exemplo, a quantidade de parceiros que a pessoa já teve, a sua facilidade de ter sucesso na paquera, sua competitividade com pessoas do mesmo sexo etc. Depois, cruzaram esses dados com questões sobre as capacidades das pessoas em uma série de atividades artísticas e habilidades esportivas.

A análise estatística dessa massa de dados indica que, no caso das mulheres, as atividades artísticas parecem funcionar tanto como “ornamento” quanto como “armamento”, enquanto entre os homens as associações mais claras são entre a arte e os “armamentos”.

Já no caso dos esportes, ambos os aspectos estão presentes entre os homens, enquanto o lado de “armamentos” predomina entre as mulheres. “A função dupla de ornamento e armamento para ambos os tipos de capacidades é algo inédito”, diz Varella.

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