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SUPERINTESTINO

Perda de bactérias boas da microflora afeta a saúde, mas pode ser reposta

Estudos indicam que o cérebro humano pesa em torno de 900 gramas. A somatória das bactérias boas e ruins do intestino pesa entre 2 e 3 quilos. Ou seja, dentro de cada um de nós há um universo (superpovoado) que apenas começa a ser explorado. A má notícia é que esse universo não anda muito bem.

O pesquisador e cardiologista americano William Davis escreveu o livro “Superintestino” (editora Sextante) no qual afirma que, com o uso abusivo de antibióticos, consumo de agrotóxicos, alimentação cada vez mais rica em ultraprocessados, entre outros fatores, as bactérias boas do nosso intestino têm sido eliminadas e substituídas por outras, ruins.

“Quando você perde os micróbios saudáveis, os não saudáveis podem proliferar, espécies fúngicas ou fecais por exemplo. Imagino que metade da população dos EUA tem esses micróbios subindo para o intestino delgado, com espécies não saudáveis. A bactéria só vive por algumas horas, mas quando morre libera componentes na corrente sanguínea”, explica Davis.

Essa situação em que a população de espécies bacterianas no intestino muda e algumas sobem pelo trato digestivo é chamada SIBO (supercrescimento bacteriano no intestino delgado, na sigla em inglês).

Os sinais indicativos do problema são: gotas de gordura no vaso sanitário, intolerância a alimentos com fibras prebióticas (leguminosas, frutas e verduras, por exemplo), intolerâncias alimentares, condições como síndrome do intestino irritável, fibromialgia, síndrome das pernas inquietas, erupções cutâneas persistentes ou recorrentes, hipotireoidismo, doenças neurodegenerativas ou qualquer outra autoimune ou inflamatória. Uso de medicamentos inibidores de acidez estomacal ou históricos de cirurgias abdominais também favorecem.

Segundo o médico, essa microflora maligna está por trás de diversos problemas de saúde, como doenças autoimunes, gordura no fígado, síndrome do intestino irritável, erupções cutâneas, doenças de Parkinson e Alzheimer, depressão, ansiedade, síndrome das pernas inquietas, obesidade e diabetes.

“O impacto é tão grande que todas as doenças humanas deveriam ser reconsideradas à luz das contribuições sobre microbioma. É revolucionário, muda tudo que sabíamos. Essa é a parte ruim. A boa é que coisas incríveis acontecem quando você restaura a parte perdida desses micróbios bons.

Exames comuns, como uma cultura de muco ou urina, geralmente não captam todos os micro-organismos pois só cresce uma pequena parcela dos micróbios envolvidos. Por isso, às vezes, as pessoas ficam muito doentes e não respondem aos antibióticos. Um novo aparelho é capaz de medir o gás que essas bactérias liberam, definindo assim em que parte do corpo elas estão.

Bactérias são, de longe, a classe dominante entre os micróbios que vivem no trato intestinal, mas há outro grupo capaz de se proliferar como elas e aterrorizar seu corpo: os fungos. Supercrescimento fúngico está associado a sintomas muitas vezes parecidos com os das bactérias, como erupções cutâneas, alergias, doenças autoimunes, desconforto abdominal, inchaço diarreia, cansaço e mudanças de humor.

Para Davis, no entanto, boa parte dos médicos ainda não conhece a dimensão do impacto do microbioma.

“Sempre que há algo novo e revolucionário, toma décadas para mudar o modo de pensar dos médicos. Eles dizem “não me ensinaram assim na faculdade”, 25 anos atrás. Imagine alguém pegar um celular hoje e dizer não me ensinaram a mexer nisso em 1999? É o que acontece com saúde.

O QUE FAZER

Embora o cenário não seja animador, o médico elaborou um programa, que envolve alterações na dieta, um novo cardápio e uso de probióticos para recuperar as bactérias boas.

Além de evitar doenças, ele promete melhorias na qualidade da pele, humor, libido, perda de peso, sono e até aumento no QI.

“O Lactobacilus reuteri, por exemplo, estava no leite materno em todo o planeta, mas nós o perdemos, quase ninguém tem mais, porque é muito suscetível a antibióticos. Quando você repõe, coisas maravilhosas acontecem, porque está presente da boca ao ânus e manda um sinal ao seu cérebro para liberar ocitocina, o hormônio do amor, empatia e generosidade”, afirma.

Mas, como tudo na vida tem um custo, a primeira etapa desse programa consiste em eliminar açúcar, alimentos açucarados, adoçantes sintéticos, trigo e grãos cereais. Além, é claro, de reduzir uso de medicamentos, cortar ultraprocessados e preferir orgânicos.

Depois é hora de começar com os probióticos, comer pelo menos um alimento fermentado. E investir mais em alimentos ricos em fibras prebióticas, como legumes, frutas, sementes de chia e linhaça, óleo gelatinosas e cogumelos.

“Órgãos de saúde dizem para cortar a gordura e comer mais grãos integrais. É um conselho ridículo se considerar como os humanos evoluíram. Não somos vacas, cabras, cavalos, que são capazes de comer as sementes de grama. Não temos o equipamento necessário. Mas é como o sistema controla a dieta”, diz o cardiologista, que defende uma alimentação rica em gorduras como carne, vísceras, manteiga, leite integral, azeite de oliva e abacate.

ESTUDOS EM ANDAMENTO

O cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, presidente do Instituto de Metabolismo e Nutrição, considera que a noção de uma microbiota doente ainda é nova e precisa de mais avaliações científicas.

“Esse conceito é muito recente e quando é recente há verdade verdadeira, verdade relativa e fake news. Mas muitos estudos estão sendo feitos com relação às bactérias intestinais. Algumas com perfil de diminuir absorção das glicose ou colesterol, outras com ação relativa a proteger a mucosa intestinal fazendo crescer mais e proteger de câncer. Começa a ase falar de probióticos, mas isso ainda é muito empírico”, afirma.

Magnoni considera o uso de probióticos uma boa suplementação para viajantes, pessoas em tratamentos médicos, como quimioterapia, ou quem fez uma dieta muito rigorosa, por exemplo.

Mais do que isso, o médico recomenda uma alimentação rica em fibras solúveis, que servem de combustível para as bactérias boas:

“Tomar probiótico e não comer fibra não adianta nada. Se tomar só probiótico e comer churrasco com farinha, não vai resolver.”

Magnoni recomenda cinco porções do reino vegetal por dia. Por exemplo: uma fruta é uma porção, um prato de salada outra, um acompanhamento de legumes, outra. O consumo de iogurtes, mesmo os de supermercado, cinco vezes por semana também ajuda a manter a microflora intestinal mais equilibrada.

GESTÃO E CARREIRA

DESISTIR OU ORGANIZAR?

Adotado por profissionais sobrecarregados, o ‘Quiet Quitting’, termo do momento para demissão silenciosa, é mais uma estratégia de sobrevivência no trabalho do que o ato de largar a toalha

Tão logo foi contratada em uma grande empresa de turismo, Luísa (nome fictício) teve a qualidade de seu trabalho elogiada pelos chefes e, embora ainda ocupasse o cargo de analista, ganhou responsabilidades de líder e passou a orientar três assistentes. Achou glamouroso e seguiu se dedicando. Encarou maratonas de horas extra e teve a oportunidade de trabalhar uma temporada nos Estados Unidos.

Veio a pandemia, e a jovem, de 32 anos, enfrentou redução salarial e de jornada em 75%, demissão de colegas, aumento das demandas e nenhum reconhecimento pelo esforço. Cinco anos se passaram desde a contratação, e ela segue como… analista. Virou, então, uma chave: “Continuava batendo as minhas metas, mas não recebi promoção. Senti-me traída. Você sempre trabalha mais e ganha pouco”.

Foi então que ela passou a se cobrar menos. Deixou de correr para entregar imediatamente as demandas e se esforçar para superar os resultados. “Já tive medo de que me demitissem, mas hoje quero que isso aconteça”, diz ela, que definiu o próximo dia 15 como limite para deixar a empresa. Quer mudar de carreira e ingressar na faculdade Pedagogia.

Só recentemente Luísa descobriu que existia um nome para a sua saga: “quiet quitting”. A expressão inglesa, que pode ser traduzida como “demissão silenciosa”, tem a ver com uma postura em que os funcionários estabelecem limites claros entre a vida pessoal e profissional e entendem que não fazer nada mais do que o estabelecido no contrato de trabalho é um direito quase sagrado. O termo se popularizou na esteira de outro fenômeno recente identificado no universo profissional, a chamada grande demissão ou “the great resignation”, aferido nos Estados Unidos, onde uma onda de pessoas infelizes com suas ocupações abdicaram de seus empregos mesmo em tempos de recessão.

Os tópicos serviram como um prato cheio para as redes sociais sedentas por novas pautas e, no Brasil, logo ganharam postagens acaloradas defendendo a adesão desses comportamentos ou comemorando uma possível mudança de paradigmas. Segundo especialistas, porém, tudo deve ser observado com cautela. A Firjan, por exemplo, foi atrás de números e identificou que, de fato, foram registradas 2,9 milhões de demissões voluntárias no Brasil, de janeiro a maio de 2022. Embora seja um número alto, uma análise mais aprofundada mostrou se tratar de uma realidade um tanto restrita. Cargos na área de Tecnologia da Informação ocupados por pessoas com nível superior respondiam por boa parte dessas ocorrências. São profissionais que podem se dar ao luxo de agirem assim porque têm um mercado aquecido. “A grande demissão no Brasil abarca os mais jovens e com um nível de instrução alto”, resume o gerente de estudos econômicos da Firjan, Jonathas Goulart.

Fora desse recorte, portanto, não há uma grande mudança em curso, como identifica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da sede brasileira da International Stress Management Association. Ela lembra que uma pesquisa feita pela entidade há cerca de cinco anos descobriu que menos de 5% das empresas no Brasil têm políticas efetivas em relação à saúde mental dos funcionários, algo que não mudou significativamente. “Os gestores sabem que essas demandas existem, mas, infelizmente, a cultura do empresariado ainda é de sugar os funcionários até o bagaço e, quando eles não têm mais nada a oferecer, os demitem. Sabem que podem substituí-los num estalar de dedos”, resume, reiterando profissionais da tecnologia como exceção por terem mais oportunidades. “A grande maioria da população depende de seus empregos e tem medo de perdê-lo”, diz ela, lembrando que, por isso, muitas pessoas acabam convivendo com o assédio e abuso. “Nestes casos, resta ir à Justiça, o que nem sempre é fácil.”

Ainda assim, segundo ela, quando esses fenômenos encontram ecos por aqui tendem a abarcar jovens que ainda não constituíram família e têm a possibilidade de morar na casa dos pais. “As pessoas estão dando mais valor à vida do que ao trabalho, o que pode ter a ver com a pandemia. Todo o mundo viu como a existência pode ser breve. Preferem, muitas vezes, ganhar menos do que ficar numa empresa até adoecerem e ter um burnout.”

Professora da ESPM nas áreas de carreira e gestão de pessoas, Edna Rodrigues Bedani também considera esses fenômenos como algo fora da realidade brasileira, mas percebe mudanças em curso. “Estamos num momento de transição e aprendizado grande para entender como manter a produtividade e a competitividade, sem exigir que os profissionais façam muito além do que está no contrato de trabalho”, afirma. “Há empresas flexibilizando a jornada com modelos híbridos e revisando o programa de benefícios com oferta de ações de cuidado à saúde.”

Do ponto de vista dos gestores, Edna lembra que eles estão no mesmo contexto de aprendizado do que os demais funcionários e também são cobrados por resultados pelas empresas. “Alguns líderes, mais humanizados e maduros, gerenciam de forma adequada as adversidades e outros não, o que deixa as pessoas mais inseguras”, pondera. “O desafio é encontrar o equilíbrio entre as exigências e as horas de trabalho contratadas. Afinal, as jornadas longas são sufocantes e não produtivas.”

Trata-se aqui de uma questão bastante cara aos defensores do “quiet quitting”. Mas, antes de adotar essa máxima, lembrar que toda atitude implica em consequências também pode ser importante. O recado é dado por uma gerente de projetos que mora no Rio e trabalha numa empresa europeia onde, segundo ela, há uma colega que sempre “fecha a lojinha” na hora exata do fim do expediente, independentemente das demandas.

A profissional, que tem 37 anos e prefere não se identificar, afirma ter tirado uma lição dessa experiência. “O ideal seria que as próprias empresas cuidassem para que ninguém se sobrecarregasse. Como isso não acontece, acho mais válido nós mesmos nos organizarmos para dividir melhor as tarefas”, afirma. Ao dizer isso, ela lembra que, quando sua colega se recusa a fazer mais do que deve, alguém terá que dar conta do que foi deixado pelo caminho. “Quando olho para essa situação, penso na máxima de que ‘nenhuma revolução se faz sozinha’.”

EU ACHO …

AS NOVAS CERIMÔNIAS DE CASAMENTO

Quando eu estava na casa dos 20, tinha festa de casamento a cada mês: meus amigos formavam seus pares com a bênção de Deus, na igreja, e dos Bee Gees, no salão de algum clube. Na casa dos 30, foi a vez das nas visitas na maternidade. E hoje, infelizmente, tenho encontrado o pessoal em velórios, despedidas dos familiares mais idosos.

Ainda bem que os ciclos se renovam: estou voltando a frequentar festas de casamento, desta vez dos filhos dos amigos, aqueles bebês que um dia visitamos ao nascerem. E tudo mudou. Menos solenidade, mais simplicidade.

Menos ambientes fechados, mais sítios, jardins, beira de praia. Menos sermões autoritários (“até que a morte os separe”) e mais palavras poéticas e divertidas do celebrante, em geral alguém do círculo íntimo dos noivos. Promessas? Claro, enquanto fizerem sentido, não mais um pacto indestrutível. E como muitos casais já moram juntos e até procriaram, não raro são os filhos que levam as alianças do pai e da mãe no cortejo de entrada. Já vi até cães de estimação nesta função, e se saíram muito bem. Fim do mundo? Novo mundo.

Vida em movimento: estamos saindo do que é cerrado e exclusivo, rumo ao que é aberto e inclusivo. Falo de expansão de energia, de bons fluidos contaminando o ar. Foi o que senti num recente casamento realizado numa zona rural,

a poucos quilômetros de Porto Alegre. A previsão era de chuva, mas à medida que os convidados iam chegando, à tardinha, e se posicionavam no gramado, os raios de sol sobressaíram e fiquei pensando que uma celebração que começa ainda de dia é transparente em suas intenções, convoca a luz natural para destacar a largura dos sorrisos e os olhares cintilantes.

As crianças se soltam, os trajes são mais criativos, a música se espalha. As risadas ganham eco, as pessoas se misturam e a natureza não cobra pela decoração: sem paredes, os sentimentos se amplificam. Ninguém fica prestando atenção se fulana está com o vestido adequado, se cicrano deixou a gravata em casa — ao ar livre, somos menos críticos, mais fraternos uns com os outros. Não há lugar marcado.

A noite caiu e teve jantar, pista de dança, mesa de doces – sob teto firme – e tudo continuou belo e despojado. Casamentos (seja um churrasco ou um bufê, um piquenique ou um banquete) são sempre festas felizes. É quando recuperamos a confiança no amor, sublime amor, superando as maledicências e preconceitos. Sabemos que a vida não é um passeio no bosque, mas quando duas pessoas se dispõem a unir-se a despeito de todas as dificuldades que a convivência traz, a gente suspira aliviado: as cerimônias estão diferentes, sim, mas a motivação segue a mesma, como lindamente demonstraram Clarissa e Laura, as noivas daquele fim de tarde em que o céu abriu.

*** MARTHA MEDEIROS

marthamedeiros@terra.com.br

ESTAR BEM

EQUILÍBRIO SOBRE A BALANÇA

Movimento exalta saúde em vez de ideal de magreza

O preconceito contra pessoas obesas não tem fronteiras, atinge gente de distintos níveis educacionais e de sucesso profissional. Nas críticas veladas, está subentendida a ideia equivocada de que o obeso falhou. Pesquisas já mostraram os terríveis efeitos dessa discriminação na saúde mental de quem é alvo de olhares e comentários críticos relacionados ao peso.

Criado nos Estados Unidos, o movimento Health At Every Size (Saudável Em Qualquer Tamanho) busca combater a intolerância e o sofrimento que ela causa.

O ponto de partida do movimento é enfatizar a importância de adotar hábitos saudáveis, no lugar de ter um corpo esbelto, lembrando que existem muitas pessoas magras com sérios problemas de saúde.

Ao tirar o foco da balança e focar no bem-estar, o Health At Every Size quer ajudar na batalha contra a preocupação doentia com o corpo. Entre os obesos, essa obsessão costuma abalar a autoestima. Entre os demais, alimenta a gordofobia.

A endocrinologista Maria Edna de Melo, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e diretora da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), considera importante o aspecto inclusivo dessa abordagem.

“Mesmo representando mais de 20% da população brasileira, as pessoas com obesidade apanham muito. Apanham da sociedade, de profissionais de saúde e até de si mesmas”, avalia Melo.

FORA DOS ESTEREÓTIPOS

Deacordo com a Associação para Diversidade de Tamanho e Saúde (ASDA), na sigla em inglês), criadora do conceito Health At Every Size, as normas sociais atuais priorizam e normatizam corpos esbeltos e magros, mas excesso de peso não equivale sempre a problemas de saúde.

“Você deve aceitar seu corpo e deixar de lado estereótipos de que só é bonito quem é magro ou tem a cintura de determinado tamanho”, afirma a nutricionista Priscilla Primi, mestre pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

“Cada um tem sua individualidade de composição corporal, que varia muito de acordo com raça, sexo e genética”, completa Primi.

Uma das perguntas mais repetidas em consultas a nutricionistas é: “qual é o meu peso ideal?

Primi está entre os profissionais que respondem não saber e que o caminho é descobrir conjuntamente com o paciente.

Os defensores do Health At Every Size rejeitam o uso de medidas como peso, índice de massa corporal (IMC) ou tamanho do corpo como fator central para a saúde.

Da mesma forma, eles desaprovam intervenções centradas exclusivamente na perda de peso, como dietas restritas e exercícios com foco único no emagrecimento.

Um dos princípios do movimento épromover uma alimentação que equilibre as necessidades nutricionais do indivíduo e que considere aspectos como fome, saciedade, apetite e prazer.

A prática de atividade física segue a mesma linha: os exercícios devem ser prazerosos e sustentáveis.

O QUE É SER SAUDÁVEL?

O enfoque dos defensores do Health At Every Size não raras vezes provoca polêmica entre os especialistas, que perguntam: é possível ser saudável mesmo estando muito acima do peso?

Existe uma corrente que defende que uma pessoa com excesso de peso, sem alterações metabólicas, não precisa emagrecer, pois ela já é saudável.

Parâmetros bioquímicos, como exame de colesterol, triglicérides e hemoglobina glicada também fazem parte dessa avaliação.

E a abordagem, porém, não equivale a um passe livre para se comer e engordar de forma desenfreada.

“Uma pessoa acima do peso, com exames bons, sem problema de mobilidade, que faz atividade física tem uma porcentagem de gordura e de circunferência abdominal dentro da faixa, não tem porque perder peso. Ela é saudável”, defende Prima.

Por outro lado, quando a classificação entra na faixa de obesidade – definida por um IMC a partir de 30 -, o debate muda de figura. A maioria dos especialistas concorda que tal situação exige cuidado.

“Tem muita gente que vai fazer exames e os resultados serão normais. Só que isso não é um atestado de saúde”, ressalta Melo.

“Existem estudos que mostram que muitas pessoas com obesidade são metabolicamente saudáveis, mas, no longo prazo, após 10 a 20 anos, isso não se sustenta e os exames começam a se alterar”, completa a endocrinologista.

OBESIDADE CONTROLADA

Todos os especialistas ouvidos são unânimes em dizer que a obesidade precisa ser tratada. No entanto, ao contrário do que a maioria pensa, o objetivo não é fazer com que a pessoa fique magra e sim que ela fique mais saudável. Nessa linha, surge um novo conceito, defendido por entidades médicas como a Abeso e a SBEM, conhecido como obesidade controlada.

O endocrinologista Márcio Mancini, vice-presidente do departamento de obesidade da SBEM, explica que esse estágio de controle é obtido quando o paciente perde de 10% a 15% de seu peso máximo.

“Vários trabalhos mostram que isso é suficiente para melhorar diversos indicadores de saúde”, ressalta Mancini.

Ele acrescenta que a abordagem serve como estimulo para a pessoa persistir.

“A ideia é que o paciente se sinta acolhido e que tanto ele quanto o médico fiquem satisfeitos com perdas que melhorem a saúde e que sejam sustentáveis no longo prazo. Do contrário, eles acabam com metas inatingíveis que podem levar a busca de métodos pouco saudáveis e insustentáveis ou à desistência de emagrecer”, sustenta o médico.

Essa nova estratégia segue a mesma lógica de tratamentos de outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

Por exemplo, o hemoglobina glicada, um exame utilizado para avaliar o índice glicêmico, é considerada normal abaixo de 5,7%. Entretanto, no caso de pacientes com diabetes, a doença é considerada controlada quando esse valor está abaixo de 7%.

“Não é uma barra de chocolate que vai te engordar nem um prato de alface que vai te emagrecer. E um conjunto de hábitos, que é difícil mudar mas é possível, principalmente quando se encontra prazer e propósito”, afirma Primi.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESCOLHER UM PSICÓLOGO ENVOLVE TENTATIVA E ERRO E MUITAS PERGUNTAS

Há várias vertentes e técnicas que ajudam a aliviar sofrimento mental, mas estabelecer boa relação com terapeuta é fundamental

Não importa se você está passando por uma crise pontual, como um luto, ou se quer apenas se conhecer melhor. Há momentos na vida em que não sabemos como lidar com alguma situação e, nessas horas, a ajuda de um terapeuta pode fazer toda a diferença. Ele pode funcionar como um guia para trilhar o caminho – ainda que caiba somente ao paciente percorrê-lo.

Mas como escolher o melhor profissional para ajudar?

O mais importante é a relação que se estabelece com o psicólogo, já que é ele quem vai acompanhar essa jornada. Como em qualquer relacionamento, o que funciona para uns pode não funcionar para outros. É aqui que entra o tipo de abordagem terapêutica, como as técnicas usadas em cada sessão, além da própria maneira de conduzir do profissional.

Isso porque, independentemente da linha, todas as vertentes têm o mesmo objetivo: ajudar o paciente no processo de autoconhecimento e aliviar o sofrimento mental pelo qual está passando.

“É um trabalho de ressignificação e cuidado”, diz a psicóloga Thaís Martins, do Hospital Israelita Albert Einstein. “O paciente tem que se identificar com a forma como está sendo guiado e cuidado.”

Por isso, essa “química” é a primeira pista para saber se as sessões estão funcionando e se vale a pena seguir o processo. “Essa relação é cultivada, construída. É difícil estabelecer esse vínculo em uma só sessão”, lembra Martins.

Muita gente desiste na primeira ou acha que não deve fazer terapia porque não gostou daquela experiência – sem saber que com outra pessoa ou outra técnica o resultado poderia ser completamente diferente. “É importante ver se está bem, percebendo como se sente, se isso faz sentido.” Se for o caso, parta para outro profissional.

Por outro lado, alguns sinais de alerta mostram que há algo totalmente errado nas sessões: o psicoterapeuta não pode de nenhuma forma impor suas visões de mundo, preconceitos, crenças, nem dizer o que o paciente deve fazer. “É um espaço de fala e experiência do paciente, não do terapeuta.”

Além disso, não se trata de dar conselhos. É o paciente que vai chegar às suas próprias conclusões e respostas: “É um processo muito mais para dentro do que para fora, que às vezes gera mais perguntas”, explica a especialista do Einstein.

Nesse processo, não há fórmulas prontas, respostas fáceis e soluções padronizadas. Ele também depende muito da abertura da pessoa, inclusive para tocar em temas espinhosos. Dependendo do objetivo da terapia e do perfil de cada um, pode levar semanas, meses e até anos.

Ainda que para o leigo não faça muita diferença saber o que está por trás de cada abordagem terapêutica, algumas informações podem ajudar a nortear essa escolha.

Existem diversas linhas e cada uma delas tem várias vertentes. Mas, seja qual for a opção do paciente, é importante se informar se o profissional tem cursos de formação específica na área, se faz parte de instituições e sociedades, entre outras referências.

Abaixo, algumas das vertentes mais tradicionais:

PSICANÁLISE

Talvez seja a mais conhecida devido à fama do seu fundador, Sigmund Freud. Ela busca a origem inconsciente dos conflitos e sofrimentos que a pessoa vivencia, causando sintomas como ansiedade ou dificuldade de relacionamento, por exemplo.

Há várias linhas dentro dela (freudianos, os lacanianos, entre outros). Na mais clássica, usa-se o divã, o paciente fica de costas para o analista, que costuma ficar calado. Mas nem todos os profissionais trabalham assim. O paciente fala o que lhe vem à cabeça. A ideia é que ele faça associações livres e, com a ajuda do terapeuta, consiga interpretar o conteúdo.

TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL

O objetivo é elucidar as relações entre pensamento, cognição, emoções e comportamento para entender porque a pessoa desenvolve certos padrões de comportamento.

Trata-se de uma abordagem mais prática, com objetivos terapêuticos bem definidos. Por isso, as sessões incluem uma agenda bem estruturada, inclusive dos tópicos a tratar, e podem incluir exercícios, listas e metas. A proposta é ajudar o paciente a achar soluções mais adequadas para seus problemas. Aqui o terapeuta tem um papel mais ativo, instigando insights.

PSICODRAMA

Usa técnicas de dramatização, com interpretação de papéis, para provocar reflexões que ajudem a pessoa a entender seus comportamentos em cada situação. Por isso, além da linguagem verbal, utiliza também a expressão corporal, encenações e exercícios para explorar possibilidades de solução de problemas.

GESTALT

Parte da premissa que o ser humano tem a capacidade de escolher, sendo responsável pela sua própria história. Trabalha com o presente, sem excluir as lembranças do passado e as perspectivas para o futuro. A partir do contexto em que a pessoa está inserida, ajuda a identificar o significado de cada situação e a tomar consciência.

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