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MICRODOSES DE COGUMELOS CONTRA ANSIEDADE VIRAM MODA NO PAÍS

Produtos são usados em retiros e vendidos em lojas online, apesar dos riscos

No auge da pandemia, com tanta falta de ar que achou que fosse Covid, Davi, 24, comprou um punhado de cogumelos pela internet, triturou-os e os comeu puros.

O estudante de psicologia, que pediu para ser citado com um nome fictício na reportagem, soube da existência das microdoses de Psilocybecubensis, conhecidos como “cogumelos mágicos”, por podcasts, documentários e artigos, enquanto pesquisava uma alternativa para combater o que tinha: ansiedade. O estímulo ao consumo de microdosagens de um dos princípios ativos da espécie, a psilocibina, avança nas redes sociais no Brasil, move lojas no e-commerce, cerimônias e retiros.

Estudos apontam potencial para redução de sintomas de depressão e ansiedade, mas a substância, além de proibida no mercado, pode trazer riscos, segundo especialistas.

“Essas drogas do jeito que estão vindo, meio empurradas pela cultura, são muito perigosas. As pessoas mais vulneráveis mentalmente têm mais risco, por exemplo, de psicotizar com a psilocibina. A psicose é um dos efeitos possíveis a longo prazo”, diz a psiquiatra e vice- coordenadora da Comissão de Adicções da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Carla Bicca.

“Tem colegas sérios estudando isso? Tem. Mas até agora não tem nada que nos diga que essa é uma grande droga e que realmente está funcionando. As evidências atuais são muito frágeis, e a dose entre o céu e o inferno é difícil de medir”, reforça.

Entre outras potenciais reações que cita estão náuseas, problemas no sono e crise de pânico – a ansiedade em grau máximo.

A microdosagem seria o consumo de uma dose pequena, de 0,1 a 0,4 grama. O diretor de fotografia André Henrique Pamplona, 56, encontrou em uma loja virtual cápsulas com os “cogumelos mágicos” nessa quantidade, vendidos como uma opção “saudável e eficaz para tratar depressão, TDAH e ansiedade”.

“Eu não sinto reação adversa após o uso. Vinte minutos depois de tomar a psilocibina, sinto a ansiedade indo embora, me sinto bem e feliz.”

A substância entrou na rotina dele, no Rio de Janeiro, desde março, após ele ver um documentário e pesquisar mais, por indicação de um amigo que usa. “Como já fiz uso da substância como recreação na juventude e nunca me fez mal, não vejo porque não utilizá-la para acabar com o meu problema. Tenho ansiedade muito forte pela manhã e as sensações são muito ruins. É taquicardia, o ar não é suficiente, sinto um bolo na garganta.”

Para Eduardo Schenberg, doutor em neurociências, pesquisador e presidente do Instituto Phaneros, o uso desses produtos “é uma moda sem evidência científica que tem sido propagandeada principalmente entre usuários, mas também por alguns cientistas”.            

“Os estudos científicos vão mostrando cada vez mais que quando se faz um estudo duplo cego – em que algumas pessoas vão receber a microdose e outras, não, sem elas saberem quem está recebendo ou não – praticamente não há diferenças detectáveis entre os grupos. Então as melhoras são mais devido à expectativa, ao fato de estarem envolvidas em uma comunidade. Isso é geralmente chamado de efeito placebo”, observa.

A defesa do uso surge nas redes, segundo o neurocientista, sem que as pessoas saibam de fato quais são os riscos. Os possíveis efeitos, a segurança e a eficácia são objeto de estudos no Brasil e no exterior.

Resultados atuais apontam aspectos positivos, mas também o oposto. E “a moda”, alerta Schenberg, pode levar pacientes a entenderem equivocadamente que devem abandonar tratamentos como psicoterapia e medicamentos para apostar na substância que salta aos olhos como alternativa.

“Eu recebo e-mails com frequência, e mensagens no Instagram, que querem saber como trocar o antidepressivo por microdoses de cogumelo, mas não há indicação de que as pessoas devam fazer isso”, reforça. Outro risco é o de potenciais usuários adiarem a busca pelo tratamento psiquiátrico e o transtorno ir se aprofundando.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta o Brasil como líder global em número de ansiosos. São mais de 18,6 milhões, incluindo Davi. O estudante enxergou microdoses como ajuda ao ouvir um podcast, em 2021. O momento, analisa ele, foi uma “virada de chave”. “A partir do relato que ouvi, mergulhei fundo nos estudos até que cheguei nas microdoses e decidi tentar por conta própria.” O experimento foi compartilhado com seguidores em uma rede.

Em uma escala de 0 a 10, ele diz estar hoje em nível 6 de ansiedade. Não está usando microdoses agora, mas acredita que é preciso desmistificar o assunto. “A primeira coisa que percebi foi que eu estava calmo e aquela angústia no peito tinha sumido, mas também senti muita dor de cabeça. Pensei que talvez tivesse tomado mais do que o necessário. O efeito que senti foi bem claro, e não sutil, como eu via nos relatos”.

Hoje, no Brasil, não existem medicamentos legalmente registrados com psilocibina, nem pedidos na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) com esse objetivo. Atividades com cogumelos Psilocybe cubensis são ilegais no país, segundo a agência. A exceção são pesquisas de órgãos e instituições autorizadas.

Pelo menos sete estudos que envolvem ansiedade e psilocibina foram aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa desde 2018, cinco coordenados por Schenberg, do Instituto Phaneros. Ele pesquisa efeitos de drogas psicoativas, com foco em substâncias psicodélicas como a psilocibina, há mais de dez anos.

Os trabalhos que realiza não usam microdoses, mas doses altas, com acompanhamento terapêutico antes, durante e depois de sessões chamadas psicoterapia assistida com psicodélicos. As substâncias nos estudos são feitas em indústria farmacêutica, com controle de qualidade, medida de dosagem com precisão e segurança de ali não haver impurezas e contaminantes – o que, segundo ele, é difícil atestar em produtos das redes.

Em cursos para profissionais da saúde e estudantes, o neurocientista ensina como orientar pacientes no consultório caso tenham interesse no assunto. “É preciso ajudar o paciente a tomar uma decisão respeitando um dos princípios bioéticos mais importantes da área da saúde, que é a autonomia do paciente de buscar opções”, afirma ele.

“Mas é importante que os profissionais tragam também que há pouca evidência científica de que as microdoses possam tratar a depressão, por exemplo, e que as evidências mais robustas de que possa ajudar são obtidas com outros modelos, que envolvem doses altas de psilocibina e que jamais devem ser tentados como automedicação em casa.”

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHO DOMÉSTICO ESCANCARA INFORMALIDADE E DESIGUALDADE DE GÊNERO

Quase 75% dos empregados da categoria não têm carteira assinada e mais de 90% são mulheres

O crescimento do número de trabalhadores domésticos revela uma fragilidade estrutural do emprego no Brasil. Eles costumam estar na informalidade, o que muitas vezes impede um ganho fixo mensal. São 4,37 milhões de brasileiros nessa situação, segundo mapeamento do Instituto Doméstica Legal, quase 75% da categoria (que soma 5,85 milhões de pessoas).

“Quem não tem serviço fixo sempre passa por alguma coisinha. Agora, eu comecei a trabalhar direitinho, e a minha vida está mudando. Mas (antes), sempre que chegava uma conta de luz, e vinha outra em seguida, eu me atrapalhava toda”, conta Maria de Lourdes Torres da Silva, de 43 anos.

No ano passado, ela teve de se mudar para o Paraná e precisou deixar todos os seus trabalhos em São Paulo. Só conseguiu se recolocar neste ano, depois de ter retornado à capital paulista. “Era muito difícil arrumar emprego como diarista no Paraná. Quando eu voltei, a maioria das minhas patroas já estava com outras pessoas”, diz. “Mas tem uns quatro meses que consegui trabalho, porque as pessoas que ficaram no meu lugar não deram certo e, aí, me chamaram de volta.”

Hoje, Maria de Lourdes consegue uma renda mensal de R$ 1,8 mil. Ela mora com um companheiro e um filho de 13 anos na zona leste de São Paulo. A vida dela sempre foi dedicada ao trabalho doméstico. Alagoana, chegou a São Paulo há 24 anos. Por três anos, trabalhou numa casa de família. Depois, sempre foi diarista.

Em 2013, o Congresso Nacional aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das domésticas numa tentativa de ampliar a formalização do setor. A medida passou a regulamentar e consolidar direitos trabalhistas da categoria, como definição da jornada de trabalho e contribuição para o INSS. “A PEC contribuiu para que as trabalhadoras domésticas tenham os mesmos direitos de qualquer outro trabalhador. Ao menos perante a lei, essa é uma categoria profissional como outra qualquer, mas há uma mudança cultural a ser feita”, afirma Joana Costa, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “Em termos de formalização, um estudo nosso discute evidências empíricas que indicam que a PEC das domésticas não afetou as chances de ter carteira assinada, mas também não aumentou significativamente as chances de ser informal ou se tornar desempregada. O único efeito robusto encontrado teria sido a redução de horas.”

PERFIL FEMININO

Os números do trabalho doméstico também indicam uma realidade profundamente desigual na questão de gênero. Dos 5,85 milhões de brasileiros que trabalham nessa área, 5,36 milhões são mulheres – o que equivale a 13% de toda a população feminina ocupada no País.

“Essa precariedade na oferta de trabalho se dá para um segmento que sempre luta contra a discriminação, que são as mulheres, em particular, as negras”, afirma Cida Bento, conselheira do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades. “Se você pegar qualquer estatística ao longo do tempo, vai ver que as mulheres negras são sempre a maioria (em trabalho doméstico). Isso é um indicativo de que há uma baixa oferta de outras possibilidades para elas.”

Na sua avaliação, o Brasil precisa de um bloco de medidas para transformar essa realidade. “São políticas públicas que precisam capacitar a mulher negra para ocupar diferentes lugares, inclusive no trabalho doméstico, se assim ela quiser; garantir o cumprimento da legislação que as domésticas conquistaram e adotar medidas de combate ao racismo, o que é fundamental para possibilitar que as pessoas avancem no mercado de trabalho.”

EU ACHO …

O RAIO DA PAIXÃO E A CONTRUÇÃO DO AMOR

Nós vivemos numa civilização e, em sociedade, a irracionalidade é a princípio inaceitável. Mas a paixão, que é irracional, é aceita – e é aceita porque somos seres apaixonados.

Não há invenção sem dor e paixão, assim como não há religião sem temor ou terror, ou a possibilidade de conceber um ser superior sem você ter de se reconhecer como inferior. Da mesma forma, não há necessidade de divindade se alguém se considera completamente potente. Mas, se você supõe que uma entidade pode machucar ou “puxar seu tapete”, é preciso encontrar modos de agradá-la. A fonte da religião é o terror, mas seu significado vai muito além.

De maneira geral, a Ciência, a Arte, a Filosofia e a Religião são quatro caminhos que têm por trás uma mesma questão: “Por que algo – nós, o mundo, o universo – existe?”. Ou: “Por que existimos em vez de não existirmos?”. Reconheça que é um tema que desperta paixões, assim como o futebol e a política…

Observo aqui que a palavra latina “paixão” vem do grego pathos, que é a raiz da palavra patologia, que carrega consigo doença e afecções, ou seja, aquilo que te afeta (quando o mal está dentro, é uma infecção). Por isso, a Paixão de Cristo. Não é “paixão” porque Cristo estava apaixonado por alguém, e sim porque sofreu. Paixão é transtorno, é ebulição. E a metáfora do frescobol nos ajuda a lembrar que uma das coisas que precisamos aprender é a transformar paixão em amor.

A paixão agride, suspende todas as referências, suspende o tempo e o espaço. A paixão é a suprema negação do óbvio. Um casal de apaixonados num banco de parque está sempre sozinho – ao redor, não existem crianças, bolas, cães, parque, trânsito lá fora, cidade em volta. A paixão é uma explosão de energia que exige um desgaste imenso para sustentar sua produção de energia. Se ela não for transformada em amor, ela sucumbe em si mesma, implode, se transforma em um buraco negro – buracos negros se originam em estrelas superpoderosas que, num dado momento, deixam de produzir energia e, por isso, passam a consumir apenas a energia que já têm. E aí elas têm, digamos, um momento de paixão fulgurante, que é quando explodem. No momento da explosão, são chamadas de supernovas. Mas, depois disso, elas desabam, arrastando tudo ao redor, inclusive a gravidade, e se transformam num buraco negro.

O psicanalista alemão Erich Fromm afirmava que o amor imaturo diz que te ama porque precisa de você. E que o amor maduro diz que precisa de você porque te ama. A paixão é movida por necessidade. Por esse ponto de vista, nós não conseguimos existir sem paixão – mas ela não pode ser contínua, pois não pode fornecer, para usar uma palavra da moda, sua própria sustentabilidade.

A paixão tem de ser o ponto de partida, mas não pode ser o ponto de chegada. Ela precisa ser transformada em algo que seja menos explosivo e mais propício à constância, como o amor. Gosto muito de uma frase de Roland Barthes, escritor e filósofo francês, que consta de um livro chamado Fragmentos de um discurso amoroso: “Você não ama alguém, e sim ama o amor”.

Uma pessoa que te ama é aquela que guarda o teu amor consigo. Quando ela deixa de te amar, ela também deixa de guardar o teu amor dentro dela.

Assim, o amor é uma sensação de pertencimento recíproco que almeja a plenitude. No fundo, o amor é uma identidade, pois eu me encontro no outro ou na outra. O amor tem turbulências, mas ele não é confronte, e sim conflitante. O amor, ao contrário da paixão, oferece paz – sendo que paz não é ausência de conflitos, e sim a capacidade de administrar conflitos para que não haja ruptura. Assim, se você consegue guardar o meu amor, se cuida dele, eu fico. Mas, se não cuida nem o guarda, eu parto. Há também os casos em que o amor não é cuidado nem guardado e a pessoa resolver ficar mesmo assim. Nesses casos, isso é conveniência, e não convivência.

Ao contrário do amor, a paixão não tem a ver com o outro, e sim com você mesmo, com a sua obsessão por uma pessoa ou situação. Há pessoas que são viciadas em paixão, na adrenalina da paixão, para alimentar uma necessidade que só pertence a si mesmo, e não ao outro.

Ninguém é isento de paixão, mas é preciso ter em mente que a paixão é eventual e rápida. A paixão, insisto, consome uma energia impossível de sustentar. Se o amor e a vida são uma maratona, a paixão são os cem metros rasos – e todo mundo que já viu uma corrida dessas sabe que o atleta a termina mal conseguindo se sustentar em pé, tamanho o consumo de energia. Ninguém consegue se manter em disparada, há um limite físico para isso. A paixão é como um raio; ela brilha, ilumina, tem uma energia imensa – uma energia que precisa ser contida ou canalizada para não fulminar aquilo que está na sua frente, uma energia que precisa ser transformada para que não origine uma perturbação ou um transtorno.

Ao contrário da paixão, o amor compreende. Compreensão é diferente de dominação ou de aceitação, até porque alguém que não seja um preconceituoso contumaz só pode aceitar ou rejeitar depois de ter compreendido. Compreender é ser capaz de entender as razões, mesmo sabendo que razões são sempre provisórias. Quando você tem consciência da fugacidade das razões, mata qualquer indício de fanatismo e se torna uma pessoa mais acolhedora, apta a receber o outro como a um igual. Caso contrário, está à mercê da paixão, vulcânica e devastadora.

Só quando a paixão arrefece, quando fica sob controle, que pode se transformar em amor e, assim, em paz de espírito. Observo mais uma vez que paz não é ausência de conflito ou a inexistência de desacertos, e sim a capacidade de administrar as turbulências sem se perder.

São inevitáveis as pedras no meio do caminho (quando Drummond escreveu sua poesia, ele estava brincando com Olavo Bilac, que tem um poema chamado No meio do caminho da nossa vida, que, por sua vez, é o primeiro verso da Divina Comédia, de Dante Alighieri).

Mas pedras são apenas pedras, umas grandes, outras menores. São obstáculos a serem contornados. O que não pode acontecer é que as pedras se tornem barreiras. Pedras são fronteiras: elas demarcam um território de risco, mas não indicam impossibilidade.

Impossibilidade é haver paz enquanto há paixão.

ESTAR BEM

PLANEJAR O PARTO AJUDA A EVITAR A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

Gestante pode tomar alguns cuidados para se prevenir, como estar apoiada por uma equipe própria, incluindo doula e ginecologista

A enfermeira e doula Mayra Barbosa não se esquece do modo como a médica que era responsável por seu pré-natal a tratou quando estava grávida do primeiro filho. “A obstetra do posto era conhecida por falas grosseiras e muita falta de empatia. Eu era hipertensa crônica e fui negligenciada nas duas gravidezes. Não tive acesso ao protocolo de profilaxia de pré-eclâmpsia, apenas fui medicada quando a pressão já estava alterada”, relembra ela.

Usuária do Sistema Único de Saúde (SUS), Mayra relata que não pôde escolher o time de médicos que iria acompanhá-la no processo do pré-natal até o parto, o que a deixou vulnerável a passar por violência obstétrica. “Na primeira gravidez, quando fui encaminhada para a maternidade, a médica que me internou foi de uma grosseria que não esqueço. O parto foi induzido, e o único profissional disposto a me ajudar me encontrou em um estado de exaustão física e emocional. Quando entrei no período expulsivo fui levada para a sala de parto e fizeram uma episiotomia em mim.”

O procedimento a que Mayra se refere, a episiotomia, é uma incisão feita na região do períneo para ampliar o canal do parto. A justificativa dada por alguns profissionais é uma emergência que ajudaria a mãe no processo de indução do bebê para fora; entretanto, não existe necessidade de ser feito.

A episiotomia é uma das várias maneiras que existem de praticar violência obstétrica. Negar protocolos médicos, remédios, não permitir a entrada de acompanhantes na sala do parto, afastar a possibilidade de ter uma doula dando apoio à gestante em todo o processo, e frases de assédio como “não chora não que ano que vem você estará aqui de novo” também caracterizam a violência obstétrica, que é um conjunto de maus-tratos físicos e verbais dirigidos à mãe antes e durante o parto. Desse grupo de mulheres que recebem o corte no períneo, as mulheres negras são as mais afetadas pelo não recebimento de anestesia no procedimento: 10,7%, enquanto mulheres brancas são 8%, segundo dados de pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz.

A advogada Maria Luiza Gorga, doutora em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Direito Médico, diz que a gestante pode tomar alguns cuidados para se prevenir da violência obstétrica – dentre eles, que o ginecologista que acompanhou a paciente em todo o processo do pré-natal também esteja presente no parto.

“É importante que a parturiente esteja com acompanhante. É direito dela, amparado pela lei. A ausência dele também é uma faceta da violência obstétrica. Levar uma doula também é permitido”, explica ela. A presença do acompanhante é garantida pela lei federal 11.108/2005, mas ela não regulamenta a participação da doula. No entanto, diversas cidades têm leis próprias permitindo a presença de ambos – em São Paulo, trata-se da 380/2014.

ESCOLHAS

A médica obstetra Laura Penteado, diretora clínica e obstetra da Theia, espaço especializado em ginecologia e obstetrícia, dá dicas de como a gestante pode escolher o melhor time para o parto. Ela ressalta que cada parturiente tem uma experiência individual. Preferências, indicações baseadas na estrutura física, psicológica e na cultura da paciente devem ser observadas com muita atenção.

“O que mais vai dar tranquilidade para a mulher é a informação. Ir atrás dela, entender o que ela quer e como ela quer”, indica. O primeiro passo, diz, é fazer um plano de parto e colocar exatamente o que se planeja para o momento. “Eu até brinco falando que se tem uma coisa que o parto não segue é um plano, mas isso (o plano de parto) ajuda a alinhar expectativas. Dizer o que você espera desse momento, entender com a sua equipe onde cada intervenção pode ser realizada e qual o seu limite. Porque, às vezes, o que uma paciente não quer a outra vai querer.”

A importância de a mulher escolher o seu time abrange também sua rede de apoio. É essencial que a família, amigos e pessoas próximas da parturiente saibam cada processo a ser feito no pré-natal, a fim de evitar qualquer tipo de violência obstétrica, desde as verbais e sutis às mais escancaradas. Essa conscientização evitará que a gestante desenvolva, entre outras doenças, a depressão pós-parto.

“O pós-parto é um momento em que os hormônios estão numa fragilidade maior. Então, parturientes que sofreram violência têm um maior risco de não criar um vínculo com o bebê nesses primeiros dias”, afirma Laura. Apesar de cada caso ser individual, a obstetra explica que a violência pode fazer com que a mulher se sinta incapaz. “Dependendo do grau, isso causar uma vergonha de não ter conseguido se impor. E acaba deixando-a mais insegura na posição de mãe, principalmente as que estão tendo filho pela primeira vez.”

DOULAS

Mayra ressalta a importância de ter uma doula em todo o processo de gravidez, do pré-natal ao nascimento da criança. “Muitas mulheres são enganadas por médicos fofinhos, mas que na verdade querem agendar cesárea, mesmo não havendo real indicação, simplesmente por comodidade. Tenha uma doula que a auxilie a fazer escolhas fundamentadas, com informações baseadas em evidências.”

A doula ajuda a família a se preparar para a chegada do bebê, com informações e também na construção do plano de parto. “A presença de uma doula diminui a ocorrência de violência obstétrica. Ela permanece ao lado da gestante o tempo todo, ajudando com massagens, sugerindo posições e dando suporte também ao acompanhante, incentivando sua participação ativa no trabalho de parto”, explica Mayra. Segundo ela, a doula também se faz presente no pós-parto, orientando na amamentação, por exemplo.

A advogada Maria Luiza também ensina que, caso tenha passado por alguma violência obstétrica, a lei ampara as parturientes e seus acompanhantes. “A gestante pode gravar ou filmar o que está acontecendo no momento. Quem está com ela também pode registrar essas agressões. Ela pode pedir o prontuário da atendente, com todas as anotações. É um direito seu. Pode denunciar tanto no hospital, já que toda instituição tem de ter um Comitê de Ética, como recorrer ao conselho da classe. Aqui em São Paulo, por exemplo, isso cabe ao Conselho Regional de Medicina (Cremesp). Tudo isso é gratuito, o acesso é muito fácil.”

A parturiente ainda pode recorrer ao Poder Judiciário. De- pendendo da natureza das agressões sofridas, ela ou sua rede de apoio podem fazer um boletim de ocorrência. “Se ela foi xingada, pode alegar crime contra a honra, lesão corporal se for o caso, desde algo mais leve até prejuízos gravíssimos como a perda de um órgão, no caso do útero.” Segundo Mayra, tanto o hospital quanto os médicos e sua equipe podem ser responsabilizados criminalmente. A gestante pode buscar uma reparação material ou moral.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

INSEGURANÇA LEVA MULHER A FINGIR ORGASMO, APONTA ESTUDO

Pesquisa também avaliou correlação desse comportamento no sexo com a dificuldade de chegar ao clímax

Mulheres que têm dificuldade para chegar ao clímax no sexo fingem orgasmo com mais frequência. A conclusão, confirmada por um estudo, pode parecer óbvia, mas os pesquisadores foram além e tentaram entender quais são os motivos por trás disso.

Segundo o trabalho científico, publicado no periódico Sexual Medicine, da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, são dois motivos principais que levam mulheres a fingirem terem tido um orgasmo mesmo quando não chegaram lá: o medo de abalarem a autoestima do parceiro e a insegurança de passarem a impressão de que há algo errado com elas.

Os autores do artigo são cientistas do Instituto de Psicologia da universidade Eötvös Lorand, em Budapeste, e da universidade de Valparaíso, no estado de Indiana, nos EUA. Eles aplicaram com 2.200 mulheres um questionário online com perguntas sobre dados demográficos e médicos e histórico sexual, sobretudo com relação ao orgasmo. Foram selecionadas 360 mulheres heterossexuais e cisgênero, que já haviam se masturbado alguma vez, estavam em um relacionamento com sexo e admitiram já ter fingido ter orgasmo em algum momento da vida. Elas tinham uma média de 32 anos de idade e de sete anos de relacionamento. Segundo estimativas, de 30% a 75% das mulheres já fingiram orgasmo ao longo da vida, e esse índice aumenta no caso daquelas mais jovens. Os pesquisadores se surpreenderam, porém, com o fato de isso acontecer mesmo em relações longas. “Esse padrão de fingir orgasmo pode ser esperado em relacionamentos de curto prazo ou em estágio inicial, mas ficamos bastante surpresos ao encontrar esse padrão em mulheres em relacionamentos contínuos”, dizem os autores do artigo.

A análise das respostas mostrou que quanto mais dificuldade as mulheres tinham em sentir orgasmo, mais elas fingiam, e também que as duas maiores motivações para esse comportamento eram o medo de ferir a autoestima do parceiro e a insegurança de serem consideradas anormais ou disfuncionais – especialmente esta última.

As conclusões não surpreendem a ginecologista Carolina Ambrogini, especialista em sexualidade feminina e coordenadora do Centro de Sexualidade Feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A médica diz que fatores como ansiedade, o julgamento do outro e a expectativa de uma grande performance atrapalham a relação. Corroborando isto, o estudo destacou que um dos motivos para uma pessoa fingir orgasmo é a insegurança com relação ao corpo e à performance. “As pessoas acham que sexo é uma coisa natural e tem que ser performática. Mas ninguém nasce sabendo”, observa a ginecologista. Para ela, é importante se masturbar e “entender o que te excita”.

Ambrogini também critica a ênfase que se dá ao orgasmo, o que pode atrapalhar justamente chegar ao clímax. “Na nossa sociedade, o orgasmo é a prova concreta de que o sexo foi bom, mas a principal razão pelo qual as pessoas transam deveria ser a conexão uma com a outra.”

A ginecologista Teresa Embiruçu, especialista em sexualidade humana e membro do Coletivo Ser – Sexualidade e Saúde, conta que, em seu consultório, ainda vê mulheres que nunca pegaram um espelho para observar a própria vulva. “A região íntima ainda hoje é mais conhecida pela depiladora, pela parceria sexual e pelo ginecologista.”

Outro fator que leva a fingir o orgasmo, de acordo com o estudo, é a insatisfação com o relacionamento.

“É muito comum a gente ver a dinâmica do relacionamento impactar a satisfação sexual”, aponta Embiruçu. A saída escolhida por muitas mulheres é fingir que está tudo bem no sexo e na relação, para evitar conversas indesejadas e a exposição de falhas.

De acordo com as especialistas ouvidas pela reportagem, o machismo e o conservadorismo têm um papel significativo nesse resultado, não apenas por julgar de forma negativa as mulheres que buscam conhecer seus corpos e ter uma vida sexual ativa, mas também por legar aos homens a responsabilidade pelo orgasmo da parceira. A crítica à performance de um parceiro fere o ego masculino. “Como é que você vai dizer que não está gostando?”, questiona Embiruçu. “A pessoa cresce achando que sabe, que domina e que a mulher tem que gozar apenas com o pênis. Se isso não acontecer ainda tem que ouvir que é diferente das outras e que tem um problema.”

“O machismo não gosta que a mulher saiba mais sobre o corpo e defende que este não deve ser um comportamento de mulher direita”, afirma Carolina Ambrogini.

Para deixar de fingir orgasmo, a indicação é autoconhecimento e, dependendo do caso, terapia sexual. Além disso, a comunicação tem um papel importante nesta mudança. “Para conseguir um orgasmo é preciso que a mulher seja livre para seguir seu desejo e seu tesão”, orienta Ambrogini, da Unifesp. “Quanto mais presas e tolhidas somos pela reação do outro, mais dificuldade teremos de que o orgasmo se manifeste livremente”. Deixar de lado a performance e focar nas sensações é a recomendação de Teresa Embiruçu. “A corrida pela performance sexual atrapalha e tira o foco do cheiro da pele, do toque e de tudo o que está acontecendo ali”, lembra.

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