OUTROS OLHARES

PARA ESPECIALISTA, SEXO NÃO É NECESSIDADE

Enfermeira defende que falta de relações sexuais pode ser saudável desde que não gere frustração

As relações sexuais causam bem-estar físico e mental já comprovados, mas não tê-las não provoca nenhum desconforto. Há pessoas assexuadas, que não se interessam por sexo, e não fazê-lo não lhes causa nenhum problema. Naquelas pessoas que não são assexuadas, a relação sexual também não é uma necessidade básica como respirar, comer ou beber.

Em geral, quando falamos de relações sexuais, estamos nos referindo a fazer sexo com outra pessoa, do mesmo ou de outro sexo. Mesmo entre as pessoas que se definem como assexuadas, essa definição não significa que não pratiquem a autossexualidade através da masturbação, que é outra forma de fazer sexo (e, portanto, de exercer sua sexualidade).

O desejo sexual provoca respostas físicas como: aumento da tensão e temperatura ou pulso mais rápido. Todas essas manifestações são fisiologicamente normais. No estudo do desenvolvimento da sexualidade humana, a fase entre aproximadamente 3 e 5 anos de idade é chamada de fase fálica, onde o interesse erótico se desloca para a região genital.

Meninos e meninas tocam seu pênis ou vagina porque lhes dá prazer e, sem sentir vergonha, o fazem naturalmente e em qualquer lugar. Por outro lado, durante a puberdade, os adolescentes aprendem a concentrar seus impulsos sexuais nas relações e no sexo em particular; já manifestam a maturidade sexual-genital do adulto e conhecem o conceito de masturbação. Os seres humanos têm a capacidade de se masturbar por prazer.

Em resumo, a relação sexual não é necessária, mas quando consentida e desejada, é benéfica tanto física quanto mentalmente. O sexo é uma fonte de prazer físico e mental, e esse prazer tem muitas consequências benéficas de vários pontos de vista, tanto organicamente quanto psicologicamente.

A falta de relações para quem as deseja pode ter consequências negativas. Por exemplo, se uma pessoa quer fazer sexo e não consegue encontrar um parceiro, esse fato poderia causar frustração. Além disso, o desejo sexual tem uma resposta física. Se depois do desejo, a pessoa não faz sexo, essa resposta precisa ser reprimida sem ter sido satisfeita. Às vezes, essa resposta também ocorre porque a pessoa tem algum tipo de repressão educacional, religiosa, entre outras.

GESTÃO E CARREIRA

HOME OFFICE AUMENTA BUSCA POR CURSOS DE COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA

Com a adoção do trabalho remoto, procura por ferramentas para ajudar num comunicação mais assertiva e com maior empatia cresceu 80% entre 2020 e 2021

trabalho, é mandar uma mensagem por WhatsApp ou e-mail e perceber que o destinatário se sentiu ofendido, quando não era essa a intenção. Ou, no caminho inverso, receber uma mensagem de alguém e achar que a pessoa foi descuidada, grosseira ou impaciente. Só que, ao ser interpelado a respeito, o remetente se vê confuso: “Não foi nada disso que eu quis dizer.” E haja conversa para resolver o mal-entendido.

Com a mudança para o home office e a consequente transformação na comunicação entre colaboradores e gestores, esse problema entrou no radar das empresas, que passaram a buscar ferramentas e treinamentos para evitar as “falhas de transmissão”. São instrumentos que auxiliam as pessoas a se comunicar de forma assertiva e empática, seja na escrita, seja na fala.

De acordo com o Instituto CNV Brasil, especializado em comunicação não violenta, a busca por treinamentos corporativos aumentou 80% de 2020 para 2021. Além disso, dobrou a demanda das empresas por treinamentos mais longos (acima de 9 horas) no primeiro semestre de 2022, em comparação ao mesmo período de 2021. Segundo a cofundadora do instituto, Liliane Sant’Anna, a CNV trabalha competências como empatia, segurança psicológica e confiança para uma comunicação mais assertiva. “É uma ferramenta que faz com que as pessoas se escutem e se entendam melhor. Serve para a conversa não virar um cabo de guerra, mesmo que o assunto seja difícil”, explica.

Especialista em psicologia positiva e ciência do bem-estar, ela explica que a redução do tempo de contato causada pelo home office é só uma das dores da comunicação no trabalho. “O modelo antigo do ‘eu mando e você obedece’ também começou a ser questionado. As pessoas agora querem se nutrir do trabalho, pertencer ao grupo, ter propósito. E aí a urgência por uma comunicação de mais escuta e sem julgamentos começou a aumentar.” Segundo ela, quando se fala em violência na comunicação, não é só sobre bate-boca, mas sobre as entrelinhas.

OLHO NO OLHO

Segundo Mário Reys, diretor-geral da KTBO no Brasil, a agência sempre viu a segurança psicológica como uma competência importante para enfrentar desafios diários e gerir eventuais conflitos com tranquilidade, mas a pandemia teve um impacto significativo nisso ao impossibilitar a comunicação frente a frente.

“No momento em que passamos a interagir somente a distância, seja por e-mail ou celular, perdemos nuances importantes de postura, ritmo e tom de voz. Uma simples conversa, com palavras fora do lugar, pode terminar em desentendimento”, diz Reys.

Segundo ele, depois da pandemia, ter atenção e cuidado ao falar ou escrever passou a ter mais importância. “Hoje é nítido que há um esforço na escolha das palavras.”

EU ACHO …

A ARTE DA PACIÊNCIA

Esperar é um verbo que conjugo sem dificuldade. Não lembro de nenhum instante da minha vida em que tenha conquistado algo na hora exata em que o desejei – tudo pra mim demora. Começando pela infância, ela própria.

Houvesse opção, eu teria crescido mais rápido, mas não havia. Então me distrai andando de bicicleta em volta da quadra, brincando com bonecas que tinham um único vestido e colecionando livrinhos de história, enquanto aguardava o mundo adulto me puxar para o outro lado, onde eu escreveria meus próprios livros, usaria os vestidos que quisesse e daria algumas voltas pelo mundo, não só no quarteirão.

Foi um processo lento. Nunca fui desbravadora, pioneira, essas palavras que dão consistência a um currículo. Mais cautelosa que impulsiva, fui subindo cada degrau lentamente, um a um – inclusive retrocedendo alguns – e deu tudo certo, vem dando.

Quando caí em mim, já era expert em paciência. Passei a confiar no tempo. Hoje, sei que ele nunca traz minhas “encomendas” no ato. Confabula antes com os astros e só então decide quando será a entrega. A mim, resta tocar a vida e aguardar com a casa limpa, bebida gelada, flores nos vasos.

Paciência não é preguiça. A pessoa paciente não espera sentada. Ela continua em movimento e tropeça em meia dúzia de erros até ser encontrada pelo acerto. Respeita o relógio do destino. Fui apresentada a meu atual namorado 44 anos atrás, e nunca mais nos vimos, até que nos reencontramos e aconteceu. Demorou? Aconteceu pontualmente, nós é que não sabíamos, ainda, que a hora certa estava programada para mais tarde.

A maturidade ajuda a lapidar a paciência. Tenho procurado ser mais dócil com minhas filhas, apesar da ansiedade natural de todas as mães – e com minhas orquídeas, cujos brotos estão custando a abrir. Mais tolerante com meus pais, que apresentam as dificuldades inerentes à sua idade, e paciente comigo mesma, que sempre dependi de algumas convicções antes de agir, e elas têm sido mais raras, as dúvidas se acumulam. E mesmo quando as tenho – convicções – não bastam que sejam só minhas. Se bastasse, hoje estaríamos celebrando a volta da normalização política do país, o fim de um período de autoritarismo e de ameaças à ordem. Continuaríamos a divergir, como sempre se diverge, mas não com tal nível de agressividade. Voltaríamos a acusar e a exigir decência diante dos fatos, sem ficarmos alienados por sigilos de 100 anos. Mas a paciência é uma arte. Enquanto espero, escuto Lenine: “mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma/até quando o corpo pede um pouco mais de alma/a vida não para”. Talvez tenhamos que aguardar mais quatro anos, talvez apenas mais uns 20 dias. Respiremos fundo.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

DUAS A TRÊS XÍCARAS DE CAFÉ POR DIA REDUZEM RISCOS CARDÍACOS

Quantidade da bebida foi associada a menos doenças e a vida mais longa

Beber duas a três xícaras de café por dia está associado a uma vida mais longa e a um menor risco de doenças cardiovasculares em comparação com evitar a bebida. É o que mostra um estudo publicado nesta semana no European Journal of Preventive Cardiology. Os resultados se aplicaram às versões moídas, instantâneas e descafeinadas. Há pouca informação sobre o impacto de diferentes preparações de café na saúde e sobrevivência do coração. O novo estudo examinou as associações entre tipos de café e arritmias, doenças cardiovasculares e morte usando dados do UK Biobank – um banco de dados de saúde no Reino Unido – com monitoramento de adultos entre 40 e 69 anos de idade. A categoria doença cardiovascular englobou doença cardíaca coronária, insuficiência cardíaca congestiva e acidente vascular cerebral isquêmico.

O estudo incluiu 449.563 participantes livres de arritmias ou outras doenças cardiovasculares no início da pesquisa. A idade mediana foi de 58 anos, e 55,3% eram mulheres. Os participantes preencheram um questionário perguntando quantas xícaras de café bebiam por dia e se geralmente bebiam café instantâneo, moído (como cappuccino ou café filtrado) ou descafeinado.

Eles foram então agrupados em seis categorias de ingestão diária, consistindo em nenhum, menos de um, um, dois a três, quatro a cinco e mais de cinco xícaras por dia. O café instantâneo era consumido por 198.062 (44,1%) participantes, o moído, por 82.575 (18,4%) e o descafeinado, por 68.416 (15,2%). Havia 100.510 (22,4%) não bebedores que serviram como grupo de comparação.

Os bebedores de café foram comparados aos não bebedores para a incidência de arritmias, doenças cardiovasculares e morte, após ajuste para idade, sexo, etnia, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, apneia obstrutiva do sono, tabagismo e consumo de chá e álcool. As informações de desfecho foram obtidas por meio de prontuários médicos e registros de óbito.

QUALQUER TIPO

Houve um total de 27.809 (6,2%) mortes de participantes durante o acompanhamento, que levou 12 anos. Todos os tipos de café foram associados a uma redução na mortalidade por qualquer causa. A maior redução de risco foi observada com duas a três xícaras por dia, que em comparação com não beber café foi associada a uma probabilidade 14%, 27% e 11% menor de morte, percentuais relativos a preparações descafeinadas, moídas e instantâneas, respectivamente.

A doença cardiovascular foi diagnosticada em 43.173 (9,6%) participantes durante o acompanhamento. Todos os subtipos de café foram associados a uma redução na incidência de doenças cardiovasculares. Mais uma vez, o menor risco foi observado com duas a três xícaras por dia, que em comparação com a abstinência de café foi associada a uma probabilidade reduzida de 6%, 20% e 9% de males do gênero para café descafeinado, moído e instantâneo, respectivamente.

A arritmia foi diagnosticada em 30.100 (6,7%) participantes durante o acompanhamento. Café moído e solúvel, mas não descafeinado, foi associado à redução desse problema, incluindo fibrilação atrial. Em comparação com não bebedores, os menores riscos foram observados com quatro a cinco xícaras por dia para café moído e duas a três xícaras por dia para café solúvel, com riscos reduzidos de 17% e 12%, respectivamente.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

MEMÓRIAS TRAUMÁTICAS

Movimentos oculares ajudam a vencer trauma

O trauma sobrecarrega a mente. O cérebro tenta se defender dos fragmentos do desastre: a explosão de vidro estilhaçado quando o carro colide com outro, o cheiro de fumaça. Pessoas com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) às vezes restringem suas vidas, evitando ruas, cheiros ou músicas que as fazem se lembrar do que viveram. Mas as memórias se impõem – na forma de pesadelos, flashbacks e pensamentos intrusivos.

Desde que o TEPT foi incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, em 1980, os médicos identificaram um punhado de terapias que ajudam as pessoas a lidar com memórias traumáticas. E, na última década, um tratamento aparentemente não convencional ganhou muita atenção.

A dessensibilização e reprocessamento por meio de movimentos oculares, terapia mais conhecida pela sigla em inglês EMDR, pode parecer uma prática bizarra. Ela envolve persuadir as pessoas a processar memórias traumáticas enquanto interagem simultaneamente com imagens, sons ou sensações que ativam os dois lados do cérebro. Solicita-se aos pacientes que movam os olhos para frente e para trás, seguindo o dedo de um terapeuta, ou olhem para rajadas de luz em lados alternados de uma tela. A ideia é ancorar o cérebro no momento presente enquanto o paciente relembra o passado.

Nos últimos anos, a EMDR atraiu mais atenção por causa, pelo menos em parte, do aumento da demanda por tratamento de trauma durante a pandemia e às celebridades que compartilharam suas experiências. O príncipe Harry filmou uma sessão de EMDR para uma série de documentários com Oprah. Sandra Bullock disse que recorreu à EMDR depois que um perseguidor invadiu sua casa em 2014; Jameela Jamil, atriz de The Good Place, escreveu um post no Instagram em 2019: “A EMDR salvou minha vida”.

Os pacientes que procuram a EMDR podem se inspirar em outra fonte: The Body Keeps the Score, livro seminal sobre trauma que permaneceu na lista de best-sellers do New York Times por mais de duzentas semanas. Bessel van der Kolk, o autor do livro, apresenta o tratamento como uma das formas mais eficazes de combater os sintomas de TEPT. “Não é mais um tratamento inovador”, disse ele. “É algo que está muito bem estabelecido.”

O QUE É EMDR?

A psicóloga Francine Shapiro desenvolveu a EMDR em 1987, quando lutava com as próprias memórias perturbadoras – primeiro, experimentando em si mesma, movendo os olhos para frente e para trás enquanto caminhava por um parque e, em seguida, expandindo gradualmente o tratamento para outras pessoas.

Os terapeutas realizam a EMDR em oito fases que normalmente se desdobram em seis a 12 sessões, embora esse número varie de pessoa para pessoa. Cada sessão tende a durar entre 60 e 90 minutos. Primeiro, o terapeuta discute os desafios do paciente, coletando informações sobre sua história; em seguida, propõe um plano de tratamento, disse Deborah Korn, médica e coautora de Every Memory Deserves Respect.

O paciente precisa “fazer o caminho de volta” de seus sintomas, disse ela, explorando explosões emocionais ou ataques de pânico para isolar os gatilhos. O objetivo é identificar uma memória traumática que o paciente possa trabalhar nas fases posteriores da EMDR.

“A maioria das pessoas não aparece dizendo ‘Quero trabalhar com minhas memórias traumáticas dos 5 aos 11 anos’”, disse Korn. “Elas dizem: ‘Estou me sentindo muito mal’”.

A partir daí, paciente e médico elaboram estratégias de enfrentamento, como exercícios respiratórios ou meditação, para ajudar a combater a dissociação, as quais o paciente pode usar se ficar angustiado durante ou entre as sessões.

Uma vez estabelecidas essas estratégias, geralmente após uma ou duas sessões, o terapeuta instrui o paciente a recordar o aspecto mais difícil do evento traumático. Pode ser uma imagem, som ou cheiro que se intrometa em seus pensamentos com mais frequência; para alguns pacientes, a memória mais vívida de um trauma ocorreu pouco antes de o evento acontecer, disse Sanne Houben, pesquisadora da Universidade de Maastricht que estuda EMDR.

Os pacientes se concentram nas sensações e emoções que experimentam quando pensam nesse aspecto, ao mesmo tempo em que se envolvem em atividades como mover os olhos, bater no corpo ou ouvir um bipe fraco que se alterna entre os ouvidos. Cada conjunto desses estímulos bilaterais normalmente dura entre 30 e 60 segundos.

O terapeuta fica perguntando ao paciente o que ele está percebendo ou sentindo, incentivando-o a avaliar sua memória de uma perspectiva presente. “Se você disser: ‘É tudo culpa minha’, o terapeuta pode perguntar: quantos anos você tinha? Você realmente acha que poderia se proteger quando criança?”, disse Vaile Wright, diretor sênior de inovação em saúde da Associação Americana de Psicologia. “Não é só sentar lá e pensar na memória”.

COMO FUNCIONA A TÉCNICA EMDR?

Forçar o paciente a revisitar o passado não é uma característica apenas da EMDR; a maioria das terapias para TEPT, incluindo exposição prolongada e terapia de processamento cognitivo, leva os pacientes a “ir ativamente em direção ao trauma”, disse Shaili Jain, especialista em TEPT da Universidade Stanford.

Revisitar o trauma pode ativar a resposta do corpo ao estresse – os níveis de cortisol aumentam e a frequência cardíaca dispara. Mas, com o tempo, o processo pode gradualmente dessensibilizar o paciente em relação às suas memórias, habituando seu corpo ao estresse e à ansiedade que experimenta quando confrontado com algo que relembre o trauma.

“Essa resposta de luta ou fuga é reduzida vários níveis, então você retoma as rédeas da sua vida”, disse Jain. “Em vez de ficar sofrendo com os gatilhos.”

Na EMDR, o componente adicional de estimulação bilateral teoricamente ancora o paciente no momento presente enquanto ele está envolvido com o trauma. “Usamos a frase ‘Um pé no presente e um pé no passado’”, disse Marianne Silva, assistente social e clínica de EMDR em um hospital para veteranos de guerra.

A estimulação bilateral precisa ser convincente o bastante para distrair os pacientes, mas não avassaladora a ponto de eles se concentrarem totalmente nela. Tabelas de multiplicação, por exemplo, exigiriam muito esforço, disse Richard McNally, professor de Psicologia da Universidade Harvard.

Nossos cérebros não têm capacidade de se concentrar completamente na estimulação bilateral e na memória traumática ao mesmo tempo, disse Houben. A teoria por trás da EMDR é que as memórias ficam menos vívidas e emocionais quando o paciente consegue não se concentrar completamente nelas.

“No final da sessão de terapia, você coloca a memória de volta na prateleira”, afirmou McNally. “Ela fica em uma forma degradada, menos evocativa em termos emocionais”.

A EMDR É REALMENTE EFICAZ?

Hoje, os médicos geralmente consideram a EMDR um tratamento eficaz para o trauma. A Organização Mundial da Saúde e a Associação Americana de Psicologia a recomendaram para pessoas com TEPT e emitiram diretrizes para administrar o tratamento. Na Inglaterra, o Instituto Nacional de Excelência em Saúde e Cuidados, autoridade no campo psicológico, lista a EMDR como uma ferramenta para adultos que sofrem com traumas e crianças que não responderam à terapia cognitivo-comportamental focada no trauma.

Mas os cientistas estão debatendo se a EMDR é mais eficaz do que outros métodos de tratamento de trauma. Pim Cuijpers, professor de Psicologia Clínica da Vrije Universiteit Amsterdam, analisou quase 80 estudos sobre EMDR e descobriu que, embora a pesquisa apontasse para os efeitos positivos do tratamento, “a qualidade da pesquisa é muito ruim”, disse ele.

Muitos tratamentos psicológicos carecem de estudos rigorosos, disse ele, mas as evidências para a EMDR são particularmente frágeis, com amostras pequenas e potencial viés por parte dos médicos que conduzem a pesquisa.

Embora a EMDR provavelmente seja eficaz, disse Cuijpers, ele alertou contra endossar cegamente as evidências por trás do tratamento. E há pouquíssimos estudos que mostram que a EMDR funciona a longo prazo, disse Henry Otgaar, pesquisador e professor de Psicologia Forense da Universidade de Maastricht, nos Países Baixos.

Otgaar, Houben e outros pesquisadores estão investigando se a EMDR aumenta a suscetibilidade dos pacientes a memórias falsas. Embora criar memórias falsas seja um risco em muitas terapias, Houben disse que “é muito cedo para dizer se isso é inerente à EMDR”.

Quando a EMDR começou a ficar mais amplamente divulgada no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, McNally, então pesquisador de traumas, foi um dos críticos mais sinceros contra o tratamento – escrevendo que a EMDR era “apenas uma das muitas modas terapêuticas que sujam o panorama da psicologia hoje”, em uma edição do Journal of Anxiety Disorders. Ele reconheceu que a EMDR pode dessensibilizar as pessoas às suas memórias, mas não achou que houvesse evidências convincentes de que a característica mais distinta da terapia – os movimentos oculares – tivesse algum benefício adicional. Hoje, a questão permanece em debate: processar o trauma com um terapeuta levaria a resultados semelhantes? Jain diz que é uma “pergunta de 1 milhão de dólares”.

Ainda assim, há pacientes e médicos que defendem o tratamento e juram que existem “dados sólidos” suficientes para apoiá-lo, disse Jain. Os pacientes relatam menos sintomas de TEPT após as sessões, disse Wright, com menos flashbacks e pensamentos intrusivos.

QUEM A EMDR PODE AJUDAR?

“Qualquer pessoa que tenha sofrido um trauma” pode se beneficiar da EMDR, disse Trisha Miller, psicoterapeuta da Cleveland Clinic. Pessoas com outras condições de saúde mental além de TEPT, como depressão, distúrbios alimentares, fobias e vícios também podem se beneficiar, acrescentou ela, embora ainda não haja pesquisas robustas confirmando que o tratamento é eficaz para essas condições.

As pessoas que procuram terapeutas de EMDR devem tomar o cuidado de encontrar um especialista certificado, enfatizou Miller. A Associação Internacional de EMDR, que administra a certificação e o treinamento para a terapia, mantém um diretório de profissionais que foram formados e certificados pela organização.

“Do ponto de vista clínico, eu fico: “o importante é que funcione’”, afirmou Jain. “Se a EMDR funciona para você, então faça”.

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