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O QUE SIGNIFICA A MUDANÇA NOS RÓTULOS DE ALIMENTOS?

A partir deste domingo, 9, os produtos que chegarem ao mercado devem trazer informações sobre excesso de sódio, açúcar e gordura saturada

Produtos lançados a partir do dia 8, já serão submetidos à nova rotulagem de alimentos, que entrou em vigor neste domingo, 9, no Brasil. Além de mudanças na tabela de informação – como a obrigatoriedade de declarar a quantidade de açúcares totais e adicionados, do valor energético e de nutrientes – a novidade será a adoção da rotulagem nutricional frontal. No entanto, os produtos que já estão no mercado ainda vão demorar um pouco mais para incorporarem a novidade.

Conhecida como FOP (front-of-pack), esse novo modelo é representado por uma lupa, que deve constar na frente da embalagem. A ideia é identificar produtos que tenham alto teor de três nutrientes: açúcares adicionados, gorduras saturada e sódio.

O esboço da nova norma começou em 2014, quando a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) criou um grupo de trabalho formado por representantes da sociedade civil, da academia e do setor produtivo para rever a rotulagem. Apesar da norma regulamentar ter sido publicada em 8 de outubro de 2020, as medidas só vão passar a vigorar este ano.

Para os produtos que já se encontram no mercado, os prazos para adequação são até 9 de outubro de 2023 para alimentos em geral: até 9 de outubro de 2024 para alimentos fabricados por agricultores familiares e pequenos produtores: e até 9 de outubro de 2025 para as bebidas não alcoólicas em embalagens retomáveis.

Janine Giuberti, coordenadora do Programa de Alimentos do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), esteve presente desde o início do processo e conta que a proposta inicial para a Anvisa era a de uso de triângulos no lugar da lupa, uma configuração mais rígida do que a norma aprovada. Porém, Janine afirma que a sinalização já é um grande avanço para o consumidor, que vai encontrar informações mais claras e fidedignas nas embalagens.

Segundo a nutricionista e membro da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) Márcia Terra, a mudança deixará as informações mais acessíveis ao consumidor. ”É importante não se guiar apenas pelo símbolo da lupa. É preciso ler todo o rótulo”, avisa.

O problema de acessibilidade já havia sido percebido em 2016 em uma pesquisa do Idec com 2.651 internautas. Desse grupo, 40% relataram ter dificuldade de entender a tabela nutricional. Na pesquisa descobriu-se também que 98% dos consumidores apoiavam a inclusão do açúcar adicionado na rotulagem e 93% consideravam que a rotulagem frontal poderia ajudá-los a entender melhor o valor nutricional dos alimentos.

Segundo Márcia, é importante deixar claro que o FOP é calculado por 100g ou 100 ml e não por porção do produto. Isso porque essa regra pode causar distorções na interpretação: ”Em geral, a porção consumida não é de 100g/ml. É interessante comparar produtos similares na mesma proporção”.

AMÉRICA LATINA

Em geral, informações nutricionais obrigatórias são muito similares entre os países, com denominação de venda, lote, nome e endereço do fabricante, lista de ingredientes, tabela de informação nutricional e prazo de validade. Os diferenciais maiores são percebidos em países que adotam a rotulagem frontal. “Talvez o Brasil não esteja tão atrasado assim em relação ao mundo. Mas quando olhamos para a América Latina, percebemos que estamos bem para trás”, diz Janine Giuberti. De acordo com ela, diversos países latino-americanos conseguiram aprovar um combo de legislações para deixar a rotulagem dos produtos mais transparentes.

O Chile foi o pioneiro. Desde 2016 o país utiliza rótulos frontais em octógonos, exibindo excesso de sódio, açúcar adicionado, gordura saturada e calorias. Além disso, produtos que recebem esse tipo de selo não podem ser vendidos nas escolas.

ESCOLHAS SAUDÁVEIS

A mudança dos rótulos é uma chance para que o consumidor fique mais atento às compras. Entretanto, Márcia Terra avisa que é preciso tomar cuidado também com os alimentos que não possuem a lupa. “Um exemplo comum é o pastel de feira e a garapa. O pastel é rico em sódio e gordura e a garapa, em açúcar.”

Os problemas a médio e longo prazo do consumo de alimentos com alto teor calórico, além do aumento de peso, são as doenças cardiovasculares e sobrecarga do pâncreas, fígado e rins, diz o médico especialista em medicina preventiva Carlos Machado. Segundo ele, um dos efeitos mais comuns é a aterosclerose, uma inflamação, com a formação de placas de gordura, na parede das artérias do coração e de outros locais do corpo.

Mas não é preciso cortar todos os doces. Machado afirma que pode sim consumir, “só não pode abusar”. Para uma alimentação mais saudável, ele indica consumir frutas, não abusar do sal e produtos industrializados e comer proteína todos os dias.

Outro ponto importante é diferenciar a “cara” do alimento de seu valor nutricional. Segundo Márcia, existe um termo chamado ”aura de saudabilidade”, na qual determinados alimentos têm uma aparência saudável, mas na verdade são altamente calóricos.

“Isso pode acontecer, por exemplo, com uma supersalada ou então com um smoothie feito com iogurte, frutas concentradas e cereais. Esses são alimentos que você olha e eles têm uma aparência boa. Mas, quando você conta as calorias, percebe que são ricos em açúcar, gordura e até sódio.”

Porém, isso não quer dizer que você não deva consumir esse tipo de alimento. Márcia reitera que todos os alimentos podem fazer parte de uma dieta equilibrada e variada, desde que se observe a quantidade e a frequência consumida. “Além da alimentação, não podemos negligenciar a atividade física e um estilo de vida saudável.”

ENTENDA O NOVO RÓTULO

GESTÃO E CARREIRA

ENDIVIDAMENTO VIRA CAMINHO PARA A SÍNDROME DO BURNOUT

Combinação de falta de dinheiro, acúmulo de trabalho e ausência de educação financeira afeta a saúde mental de profissionais

Durante um ano, a designer gráfica Geovana Sousa, de 20 anos, acumulou cinco empregos ao mesmo tempo para melhorar a renda. Mas isso não significou a possibilidade de uma reserva financeira nem mesmo um alívio nas contas do fim do mês. Pelo contrário. Com o excesso de trabalho, vieram também dívidas e o diagnóstico de burnout – doença que atinge um em cada cinco brasileiros que trabalham no mundo corporativo, segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

“Para mim, trabalhar sempre foi sinônimo de prestígio social”, diz Geovana. Assim como ela, parte da geração Z – pessoas nascidas entre os anos de 1990 e 2010 – enxerga o sucesso laboral como um dos principais objetivos de vida.

Em contrapartida, esperam um retomo financeiro que seja maior, ou que corresponda ao esforço profissional oferecido. No entanto, 8 milhões de jovens desta geração acumulam contas atrasadas, de acordo com dados do Serasa.

Evitar o esgotamento mental por causa do não pagamento de dívidas é um grande desafio para esse grupo. ”As pessoas estão fragilizadas emocionalmente porque estão sem dinheiro ou o contrário?”, questiona Nathália Rodrigues, fundadora da plataforma NathFinanças. Segundo ela, Geovana não está sozinha nessa realidade que envolve culpabilização, estigma, e uma sensação de falta de estabilidade.

Para a designer, a tão sonhada independência financeira chegou aos 18 anos. Ainda na faculdade, ela decidiu trabalhar como freelancer para fechar as contas do mês. A autonomia permitiu sustentar uma casa sozinha. O que ela não esperava era a chegada da pandemia de covid-19, intensificada em março de 2020.

Segundo a psicóloga e consultora de RH Eymi Rocha, a partir daí houve uma “micro invasão do espaço domiciliar”. Essa mudança na forma de trabalhar afetou diretamente o estilo de vida das pessoas. “Eu esquecia de comer. Então, só pedia delivery”, conta a jovem. Enquanto tentava se estabelecer nos cinco empregos, o meio de encontrar certa satisfação estava no consumo sem planejamento. O resultado foi entrar no cheque especial, estourar o limite do cartão de crédito e atrasar o pagamento de contas básicas do mês.

O PAPEL DAS EMPRESAS

Para especialistas, o gerenciamento de produtividade por parte dos empregadores é uma das chaves para o enfrentamento do esgotamento mental. A maneira pela qual a instituição reage a casos de burnout pode interferir ao agravamento ou na melhora no estado de saúde do colaborador adoecido.

Verificar a carga horária e o reconhecimento salarial estão entre as demandas indicadas para uma mudança efetiva nas empresas.  “Quando há um diagnóstico de burnout dentro da empresa, automaticamente deve haver uma mobilização interna para erradicar essa questão, mas com ações próprias”, resume Eymi Rocha.

Outro ponto é a segurança psicológica no ambiente corporativo. No caso de Geovana, ela foi demitida de uma das empresas em que trabalhava dias após apresentar um atestado com diagnóstico de burnout. “Eles me fizeram uma ligação de cinco minutos me desligando. A justificativa foi a minha personalidade.”

Sobrea postura da empresa, Eymi pontua que “é importante a pessoa se sentir segura para dizer exatamente o que ela tem porque isso é um dado significativo para a empresa”. A psicóloga acrescenta a necessidade de a companhia ter conhecimento do diagnóstico do funcionário para tomar medidas adequadas. “Se a pessoa for demitida por conta do burnout, ela pode recorrer.”

ESTOU ENDIVIDADO, O QUE FAZER?

 Um dos grandes vilões que impedem a saída do brasileiro do status de devedor éa falta de renda básica, como aponta a empresária Nathália Rodrigues. “A inflação está alta, comprar comida está caro, pagar as contas está difícil para a maioria das famílias brasileiras”, reforça.

Para encontrar soluções eficientes e que, de fato, sejam acessíveis para a população endividada, o primeiro passo é começar pela base: a educação financeira. O burnout, por sua vez, cria outro obstáculo: o estado de recompensa por meio de compras que “não cabem no bolso”. Para evitar essas ciladas, Nathália diz que, mesmo compreendendo que “a educação financeira no Brasil é falha”, o controle financeiro precisa fazer parte da rotina.

EU ACHO …

COMPRO E VIVO

É preciso dissociar ser de consumir. Está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas

O que há de errado com a felicidade? Assim Bauman começa seu livro A Arte da Vida (tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2021). Parece uma contradição em termos. Ser feliz é aspiração universal. Apesar disso, como adverte o escritor, o caminho é variado. Baseado no questionamento de Michael Rustin, Zygmunt Bauman identifica como muitos países estão mais ricos, por exemplo, e o dinheiro abundante não veio acompanhado de melhoras expressivas em pesquisas sobre felicidade.

Aqui reside um paradoxo curioso: quase todos lutam por mais dinheiro, mas ele não consegue cumprir sua promessa imediata de satisfação. Por quê? Bauman imagina que uma parte da resposta esteja na transferência da felicidade para o ato que precede a compra. Uma vez adquirido o bem desejado, todo o esforço do mercado e da propaganda é para o bem seguinte.

Expando a ideia do sociólogo. Tudo me seduz para o novo celular. Que câmera! Que design! Que cores! Quantos recursos! Compro a um custo alto e, mal retorno ao meu lar com o penhor da alegria, vejo que surgiu um aparelho ainda melhor. O prazo de validade do prazer consumista é curto porque o objetivo de tudo não é nossa plena e entusiasmada felicidade. A insatisfação permanente garante (lógico!) nossos impulsos permanentes de consumo. Nada busca nossa realização – tudo indica nossa falta, carência, desejo e uma espécie de pedra de Sísifo, que deve sempre ser rolada montanha acima.

Bauman afirma que o consumo mostra um “sonho gêmeo de fugir do próprio eu e adquirir um outro feito por encomenda” (p. 24). O consumo é permanente, rápido e provoca esforços que indicam um vazio continuado e forte. Para quem produz e vende, interessa o buraco impossível de preencher, mas que mantenha todos eletrizados pelo novo modelo e novo eu. O chamado sistema criou um horizonte inatingível que se alarga sempre “que eu me aproximo”.

As críticas ao consumo costumam ter origem em um embasamento marxista e em certa leitura do fetiche da mercadoria. Bauman foi bastante influenciado pela teoria de Marx. O argumento central dele não está em algum recurso mental dado pelo filósofo alemão, todavia em argumentos estoicos e psicologizantes. As epígrafes do livro indicam Sêneca e Epicteto. No curso da obra, surge Marco Aurélio. Nos filósofos ditos estoicos, a satisfação plena costuma ser inatingível; temos de controlar o ato de desejo incessante mais do que comprar as coisas indicadas pelo desejo.

Traduzindo: não se trata de ganhar mais, porém gastar menos. Aprofundando, a felicidade – para um estoico – não pode passar perto da ideia de mostrar ao mundo “o que eu tenho” ou “quanto posso gastar”. O mundo é incapaz de validar minha carência, que deve ser atendida por um exame sobre mim e não sobre a imagem. Alguns desses argumentos são próximos daquilo que o Budismo traz como reflexão sobre o desejo como fantasia incessante do eu.

Os pais de crianças e adolescentes, em um mundo como o nosso, sofrem ainda mais porque a capacidade dos jovens de viver o estoicismo ou de lerem Bauman é, digamos, menor do que o desejado. Coincidem, na adolescência, dois desejos complementares: a estabilidade é dada pela aceitação do grupo; esta depende dos códigos comuns de consumo. Da mesma forma, existe pouca reflexão sobre o custo da obtenção do dinheiro aos 15 anos. Um adolescente que recusa os padrões vigentes de consumo é possível, mas é tão estranho quanto uma criança que exige brócolis em detrimento do brigadeiro. Viver imune aos apelos do consumo é complexo para o adulto e quase intransponível para o jovem.

Consumir é ser. Comprar possibilita assunto, bem como afirmação social. O tênis da moda é item existencial: isso atinge o rico que pode satisfazer o desejo, o pobre que não pode e até o criminoso que insiste em poder por vias tortuosas.

Creia-me, minha cara senhora e meu estimado senhor, há tênis que podem custar um automóvel. O preço absurdo de alguns itens é uma prova de sua distância do comum e, por consequência, de aumento do potencial de ser que o produto traga.

É preciso dissociar ser de consumir. Os adultos podem aumentar sua capacidade ao lerem livros como o de Bauman, restabelecendo, assim, um projeto de felicidade sem endividamento permanente. Ainda que saibamos o ditado sobre as abelhas jamais deverem perder tempo explicando às moscas que mel é melhor do que o excremento, deveríamos ao menos destinar os dois polos do axioma: há mel para alimentação; há esterco para agricultura. Confundi-los é grave. Consumir pode ser bom se o produto for alavanca simples para melhorar nossa visão de mundo. Jamais devemos deixar de pensar no desafio de um país em que tanta gente não tem o básico; outros, que podem ter, ficam endividados porque acreditaram em miragens.

Por Marx, pelos estoicos, budistas ou pelo Sermão da Montanha de Jesus, está na hora de colocar as coisas no seu patamar de coisas. Eu tenho a pretensão de viver assim. É uma luta. Escrevi esse texto para mim também, para minha esperança de “ser mais” do que “ter mais”.

*** LEANDRO KARNAL

ESTAR BEM

ANTIDEPRESSIVOS SÃO INDICADOS PARA TRATAR TPM GRAVE, QUE É RARA

Chamado de transtorno disfórico pré-menstrual, distúrbio apresenta sintomas psicológicos e físicos

“Todos os meses, nas duas semanas anteriores à minha menstruação, tenho sintomas pré-menstruais tão graves que afetam seriamente meu trabalho, minha vida social e romântica. Ouvi dizer que os antidepressivos ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina, em português) podem ajudar, mas devo mesmo tomar remédios para algo tão cíclico?”

O transtorno disfórico pré-menstrual, ou TDPM, é uma forma muito mais grave, mas menos comum de TPM (tensão pré-menstrual) que pode ser difícil de diagnosticar. É caracterizado por uma série de sintomas psicológicos e físicos – irritabilidade, desespero, ansiedade, alterações de apetite, letargia, problemas para dormir, inchaço, dor de cabeça – que podem ser confundidos com outros problemas de saúde, como a TPM regular, problemas de tireoide, depressão ou transtorno bipolar.

O que diferencia os sintomas de TDPM dessas outras condições, entretanto, é o momento e a gravidade, disse Crystal Edler Schiller, professora assistente de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade da Carolina do Norte e diretora associada de terapia comportamental e ciência reprodutiva no Centro de Transtornos do Humor Feminino da instituição.

Os sintomas de TDPM ocorrem apenas durante as duas semanas antes do início da menstruação e desaparecem dentro de alguns dias após o início, disse Schiller. E, ao contrário da TPM, os sintomas do transtorno geralmente são tão graves que interferem na vida diária.

“Você pode passar de se sentir como sempre e depois sentir como se estivesse saindo de sua pele, desconfortável, irritável, incapaz de funcionar normalmente em situações sociais, no trabalho e em casa”, disse ela. “Quando é mais grave, pode ser realmente debilitante”, afirma.

Apesar de sua gravidade, o TDPM “ainda é visto como um diagnóstico marginal”, acrescentou Schiller, já que só foi reconhecido como um distúrbio distinto em 2013, e nem todos os profissionais de saúde têm experiência com ele ou sabem como identificá-lo. “Muitas de nossas pacientes dizem: ‘Sinto-me sozinha nisso’ ou ‘Sinto-me louca e ninguém reconhece’”, disse ela.

Para obter um diagnóstico preciso, um profissional de saúde – geralmente um psiquiatra ou um obstetra-ginecologista – pedirá que você acompanhe e avalie seus sintomas todos os dias durante dois a três meses.

Na clínica de Schiller, “cerca de um terço das pessoas que pensam que têm TDPM na verdade não o tem quando fazemos as avaliações prospectivas”, disse. Portanto, é fundamental trabalhar com um médico experiente antes de tirar conclusões precipitadas ou fazer planos de tratamento.

Se você recebeu o diagnóstico, existem opções de tratamento eficazes. Os antidepressivos ISRS, que, acredita-se, tratam depressão e ansiedade, aumentando a disponibilidade do mensageiro químico serotonina no cérebro, são algumas das primeiras opções sugeridas pelos profissionais de saúde.

Os cientistas ainda não descobriram por que algumas pessoas desenvolvem TDPM e outras não. Eles sabem que o distúrbio, que pode surgir a qualquer momento durante a idade fértil, é causado pela flutuação dos hormônios nos últimos 14 dias do ciclo, durante a chamada fase lútea, disse Kristina Deligiannidis, diretora de saúde comportamental da mulher no Hospital Zucker Hillside da Northwell Health, em Nova York.

“Não sabemos se é a queda do estrogênio durante a fase lútea ou o aumento drástico da progesterona”, acrescentou. “Mas pode ser uma combinação das duas coisas.”

Ensaios clínicos grandes, randomizados e controlados por placebo – os tipos mais rigorosos de estudos – descobriram que baixas doses de ISRS, tomadas apenas nas últimas duas semanas do ciclo menstrual, podem aliviar bastante os sintomas.

Em um estudo publicado em 2005, por exemplo, os pesquisadores pediram a 373 mulheres com TDPM que tomassem uma pílula em cada um dos 14 dias antes da menstruação durante três meses: um grupo tomou 12,5 mgs do antidepressivo paroxetina CR (Paxil-CR), enquanto um segundo grupo tomou 25 mgs da mesma medicação e o terceiro grupo tomou um placebo.

Das 292 mulheres que fizeram parte do estudo, aquelas nos grupos antidepressivos toleraram as drogas e relataram sintomas significativamente reduzidos de TDPM, sem grandes diferenças entre as duas doses.

“Contanto que você acompanhe onde está em seu ciclo, isso funciona muito bem”, disse Deligiannidis. Sertralina, fluoxetina e paroxetina foram aprovados pela FDA (agência que regula alimentos e drogas nos EUA) para tratar TDPM, mas vários ensaios de outros ISRSs – como citalopram, escitalopram e fluvoxamina – também mostraram benefícios.

Nem todo tratamento funciona para todas, mas, felizmente, existem mais opções. Para aquelas que não respondem bem aos ISRSs ou que não querem tomá-los, os contraceptivos orais contendo estrogênio e progesterona sintética demonstraram aliviar os sintomas. “O objetivo de usar um contraceptivo oral é manter os níveis hormonais estáveis no dia a dia”, disse Schiller. Mas as mulheres devem tomar a pílula continuamente ao longo do mês (o que significa pular as pílulas placebo no final do ciclo menstrual) para que elas não experimentem uma menstruação ou a mudança nos hormônios que desencadeiam seus sintomas.

Yaz é o único contraceptivo aprovado pela FDA para o tratamento de TDPM, mas Schiller disse que outros contraceptivos orais também podem ser eficazes.

Para aquelas que desejam evitar completamente a medicação, algumas pesquisas sugerem que a terapia cognitivo-comportamental, uma forma de tratamento de conversação que se concentra em reformular pensamentos e comportamentos negativos, pode diminuir os sintomas de TDPM e TPM.

“A pesquisa sobre a terapia CBT é promissora”, disse Teresa Lanza di Scalea, psiquiatra especializada em saúde mental reprodutiva feminina e membro do corpo docente afiliado da Escola de Medicina Dell da Universidade do Texas em Austin.

Mas tenha em mente que a TCC sozinha normalmente não é suficiente para aliviar os sintomas graves de TDPM. Nesses casos, os médicos podem recomendá-lo em combinação com medicamentos. Priorizar os exercícios, manter um horário de sono consistente e reduzir o estresse o máximo possível durante as semanas anteriores à menstruação também pode ajudar, disse Lanza di Scalea. “Descobri que essas mudanças no estilo de vida, que exigem esforço, podem parecer muito empoderadoras para as mulheres.”

Assim como na TCC, as mudanças no estilo de vida apenas aliviam os casos graves de TDPM por conta própria, e podem complementar outros tratamentos.

Há também algumas evidências limitadas de que tomar certos suplementos, particularmente cálcio, pode diminuir os sintomas do transtorno. Embora os suplementos possam não funcionar em casos graves, talvez valha a pena tentar.

“Se as mulheres não estão tomando um multivitamínico com cálcio, geralmente oriento para que comecem a tomar”, disse Schiller sobre suas pacientes com TDPM.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

À ESPERA DO NEGATIVO

Tocofobia, nome dado ao medo excessivo da gravidez, vira debate nas redes e escancara falta de conhecimento sobre a reprodução humana

Não se expor à mínima possibilidade de engravidar, para a advogada carioca Jéssica Mota, tornou-se quase uma obsessão. Mesmo que isso significasse abrir mão de sexo. Sem fazer o uso diário do anticoncepcional em função de um problema de saúde, que a fez recorrer à pílula do dia seguinte mais do que o indicado pelos ginecologistas (só em casos de emergência), a jovem, de 29 anos, chegou a optar por não ter relações sexuais com penetração por quatro meses. “O medo que eu sentia não podia ser normal”, pensou à época. “Começou em setembro do ano passado, quando estava terminando a última cartela do remédio e me vi insegura a ponto de ainda tomar uma pílula do dia seguinte depois de uma relação, apesar de sempre usar camisinha. Cheguei a fazer cinco testes de gravidez, de sangue, num período de dois meses. Passei a ser hipervigilante na cama, não conseguia sentir prazer, comecei a ver o sexo como algo ruim. Melhorei depois de descobrir o que tinha numa sessão de terapia.”

Era tocofobia, nome dado ao medo excessivo e irracional da gravidez e do parto. Aquele já conhecido caso da amiga, ou amiga da amiga, que sempre fica em pânico com a chance de ter ficado grávida.

Questionamentos sobre a eficiência dos métodos contraceptivos, sintomas associados à gestação até em pleno período menstrual, testes e mais testes por mês e, às vezes, a opção pela abstinência sexual.

Comportamentos que, para os que veem de fora, chegam a beirar o exagero, mas que, segundo especialistas, apontam um “tipo de transtorno de ansiedade, muito mais complexo”.

De acordo coma psicóloga Luísa Rodrigues, a tocofobia pode atingir mulheres de todas as idades, mas as jovens tendem a ser as mais afetadas. “O início da vida sexual, na adolescência, e o começo da fase adulta são os períodos nos quais geralmente o problema surge, por causa das consequências e do excesso de responsabilidade que uma gravidez traz”, explica. Ela ainda ressalta como ações mais frequentes a combinação de métodos contraceptivos: “Já atendi mulheres que usam anticoncepcional, têm DIU, usam camisinha e ainda tomam pílula do dia seguinte”.

A ginecologista Viviane Monteiro adverte sobre essa prática e pontua que todos os métodos contraceptivos, individualmente, têm entre 99,7% e 99,8% de eficácia, mas pondera sobre a queda dessa porcentagem decorrente a diversos fatores. “O que acontece é que existem métodos que não dependem da paciente e outros que dependem dela. No caso do anticoncepcional oral, a eficácia vai depender do uso correto, tomar na hora certa, não pular a pílula…”, esclarece. ”Se for para combinar (métodos), que seja com o preservativo. É desnecessário fazer esse mix, isso pode acarretar em algum prejuízo. Se forem dois hormonais, por exemplo, a paciente pode ter uma sobrecarga, correr o risco de ter uma trombose.”

Desconhecimento sobre saúde feminina é elencado pela estudante de Medicina Maria Júlia Ferreira como um dos principais motivos que levam à tocofobia. Para ajudar mulheres nessa situação, ela começou a produzir conteúdo e levantar debates sobreo assunto em seus perfis nas redes sociais, que já acumulam mais de 110 mil seguidores. “Sempre digo que não temos como ter certeza de nada”. São probabilidades, que na maioria das vezes estão ao nosso favor, principalmente se nos cuidarmos e usarmos os métodos contraceptivos como se devem”, comenta. “Não vale a pena crucificar toda a nossa qualidade de vida, bem-estar e saúde mental em prol de uma hipótese improvável.”

A ginecologista Mara Rubia desmistifica relatos que contradizem a ciência por trás das questões reprodutivas, como menstruar na gravidez e engravidar por meio de atos inusitados, que, uma vez compartilhados, podem contribuir para o desenvolvimento da fobia. “Grávida não menstrua. O útero está completamente ocupado pelo embrião. Se uma mulher sangrar grávida, ela tem um diagnóstico que precisa ser investigado”’, sinaliza. “Toalha, banco e roupa sujos de sémen não engravidam ninguém. O sêmen precisa encontrar o muco do período fértil para que o espermatozoide deslize nele e chegue onde tem que chegar.”

Identificada com as descrições de tocofobia, a estudante de Publicidade Agatha Bahiense, de 22 anos, revelou que a ansiedade a faz passar a maior parte do tempo pesquisando sobre reprodução. Mesmo assim, bate ponto no consultório de sua ginecologista bimestralmente para pedir um exame Beta HCG. “Tomei duas pílulas do dia seguinte quando perdi minha virgindade. É uma ansiedade que não consigo controlar. Sonho com gravidez e acordo desesperada. Prefiro lidar com minha neura me preparando para tudo.” Que venha a ser nada.

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