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FEBRE DETOX

Jovens recorrem a celulares ‘tijolões’ para fugir das redes e acalmar mente

A designer Ashton Womack só entendeu o quanto o celular estava influindo na sua vida quando tomou uma decisão consciente de fazer um “downgrade” tecnológico. Deixou de lado seu modelo cheio de recursos e adotou um dispositivo equipado com o básico:

“Minha vida mudou completamente sem meu smartphone. Estou extremamente calma agora e não me identifico mais com pessoas ansiosas. Eu era o tipo de pessoa que pegava o aparelho só para passar o tempo em que ficava em filas ou esperando algo acontecer. Agora, com um aparelho sem conexão com internet, percebo como é importante ficar sossegada com meus pensamentos. Antes não conseguia me permitir a isso, minha mente estava sempre entretida.

A moradora de Atlanta, nos Estados Unidos, compartilhou sua transformação em um vídeo que viralizou nas redes sociais. Womack representa uma geração de jovens que tem trocado os aparelhos avançados pelos básicos – os chamados “dumbphones” ou, no Brasil, “tijolões”.

“Claro que é difícil não poder tirar fotos de qualidade e compartilhá-las ou não ter acesso a menus de restaurantes que adotaram leituras de QR Code, mas os benefícios mentais de não usar mais um computador de bolso são maiores”, contou.

Se em países como os Estados Unidos a troca de um smartphone por um dumbphone já ocorre com bastante frequência, no Brasil essa prática está no começo. Empresas como Nokia e Positivo lançaram há poucos meses novos modelos de celulares analógicos, bem semelhantes aos antigos tijolões. Trata-se de um aparelho simples, que faz apenas ligações – e por preços bem inferiores, a partir de R$ 120.

As marcas que fabricam os dumbphones não divulgam números de vendas dos aparelhos, mas afirmam que estes tipos de celulares têm apresentado uma “uma demanda constante”.

“Globalmente, estamos vendo um movimento de usuários que querem fazer detox de redes sociais, mas manter contato com as pessoas mais próximas. Essa tendência tem sido cada vez mais comum entre os jovens que já nasceram conectados”, afirma Carolina Naves, gerente de marketing da HMD Global no Brasil, empresa responsável pela marca Nokia no país.

USO LIMITADO

Apesar de simples, esses aparelhos possuem mais utilidades do que apenas fazer ligações. Alguns celulares desta geração são equipados com o sistema operacional KaiOS – desenvolvido pela empresa KaiOS Technologies, sediada em Hong Kong – que oferece ferramentas úteis para os usuários, como navegador, jogos e tocadores de música e vídeo. Além disso, é possível acessar aplicativos como WhatsApp, Facebook, YouTube e Twitter, com algumas limitações.

Segundo Gustavo Massette, gerente de produtos da Positivo, entre os adeptos desses modelos estão também pessoas que não querem gastar muito dinheiro com um aparelho.

“Vários segmentos da sociedade buscam esse tipo de equipamento, desde usuários que desejam ficar desconectados da internet ou até quem busca um segundo celular para suportar uma linha mais exclusiva”, acrescenta. Nessa onda de detox digital, há quem não tome uma decisão tão drástica. Em vez de dispensar o smartphone, apenas fazem uma pausa no uso das redes sociais como forma de preservar sua saúde mental. Famosos, como o ator Tom Holland e a cantora Luisa Sonza, levantaram recentemente a bandeira de desligar das redes para cuidar da cabeça. Entre as celebridades, é comum dar um tempo nas plataformas e depois voltar. Mas esta prática está se popularizando também entre os anônimos.

Na avaliação de Ilana Pinsky, psicóloga clínica e autora do livro “Saúde emocional: como não pirar em tempos instáveis” (editora Contexto), as redes sociais não podem ser demonizadas, mas é preciso ter ciência que o seu uso excessivo e sem senso crítico pode causar prejuízos para a saúde mental, sobretudo de jovens.

“As pessoas tendem a compartilhar apenas momentos extremamente positivos da vida. Nas redes sociais são expostos só os vencedores. Ao olhar aquilo, você se sente um perdedor”, explica a especialista.

SAÚDE MENTAL

Enquanto famosos se afastam das redes sociais principalmente por causa de críticas recebidas de haters, pessoas desconhecidas costumam buscar um jejum digital por conta do excesso de comparações com seus colegas virtuais. Corpos perfeitos, viagens maravilhosas, empregos que geram satisfação pessoal e financeira são alguns dos motivos que geram frustração, principalmente entre os jovens.

Um estudo feito por cientistas do Centro de Pesquisa em Mídia, Tecnologia e Saúde da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, encontrou uma ligação entre o uso de mídias sociais e o aumento da depressão.

Ao analisar dados de 1.787 adultos americanos com idades entre 19 e 32 anos, os pesquisadores observaram que 26,3% deles apresentaram uma classificação “alta” nos indicadores de depressão. O sexo feminino e o menor nível de escolaridade também foram associados a um grau mais elevado do transtorno.

Outro estudo que usou dados da mesma pesquisa buscou explorar o impacto do uso de várias plataformas de mídia social. Os resultados desse trabalho sugerem que as pessoas que usam entre 7 a 11 plataformas do gênero são mais propensas a sofrerem de depressão e ansiedade do que as pessoas que acessam até duas.

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, também se debruçaram sobre os efeitos dessas ferramentas. Analisando 143 estudantes universitários, descobriram que limitar o uso de redes sociais a 30 minutos por dia pode ajudar a melhorar o bem-estar. Na época da pesquisa, em 2018, os participantes que acessaram Facebook, Snapchat e Instagram por apenas dez minutos diários durante três semanas experimentaram uma redução da depressão e da solidão, em comparação com aqueles que não tiveram restrições.

Pinsky acredita ser quase impossível se desligar completamente (e para sempre) das redes sociais. Mas ela sugere que é possível estabelecer limites saudáveis de uso.

“Vivemos numa sociedade conectada, não dá muito para retroceder, mas dá para estabelecer limites. Passar a noite nas redes sociais prejudica o sono. Além disso, é preciso ensinar as pessoas a terem um senso crítico sobre o que está sendo visto ali. É preciso aprender a interpretar o que se vê e perceber o que está fazendo mal”, defende a especialista.

As próprias redes sociais contam com limitadores de tempo de uso, recurso que pode ser usado para quem quer ficar menos tempo on-line, mas que não tem autocontrole suficiente para deslogar por conta própria.

GESTÃO E CARREIRA

COMO DENUNCIAR FRAUDES E CORRUPÇÃO DENTRO DO AMBIENTE DE TRABALHO

Apesar do medo de retaliação, brasileiros apontam desvios ocupacionais em diferentes canais de denúncia; especialistas dizem que governança precisa melhorar

A cada 24horas, 224 denúncias são feitas no portal Fala Brasil do Governo Federal – quase 10 chamados por hora. Desenvolvido pela Controladoria-Geral da União (CGU), o site oferece a opção de denunciar ilícitos nas esferas federal, estadual e municipal. Esse é o número de apenas um canal de denúncia no País, mas revela que muitos brasileiros escolhem reportar atividades ilícitas, como fraudes ou corrupção, apesar do estigma de linguarudo ou dedo­ duro, diz a diretora-geral da Kroll para América Latina, Fernanda Barroso.

De acordo com o Relatório Global de Fraudes e Riscos de 2021/22 da empresa, consultoria global em gestão de riscos, as perdas por fraudes e atividades ilícitas tiveram impacto significativo em 75% das empresas no Brasil nos últimos três anos.

No mundo, o total de perdas, em 133 países analisados é de cerca de US$3,6 bilhões, ou seja, mais de R$ 19 bilhões (pela cotação de 29/9), segundo relatório global de 2022 da Association of Certified Fraud Examiners (ACPE). Cálculos apontam que as organizações chegam a perder 5% das receitas com fraudes por ano.

Para revelar as atividades ilícitas, o principal meio é a denúncia. Segundo a pesquisa da ACFE, cerca de 42% das fraudes foram encontradas por meio desse tipo de manifestação. O problema é que muitos temem retaliações ao fazer a acusação, como ficar com o estigma de traidor, ser demitido, não ter incentivo na carreira eperder benefícios. No Brasil, a retaliação pode gerar consequências administrativas.

Por isso, a garantia do anonimato e a clareza quanto às regras de proteção aos denunciantes são os principais fatores determinantes para o relato, segundo a pesquisa Como Viabilizar Programas Públicos de Reportantes contra a corrupção no Brasil?, de 2020, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Mas o que é preciso fazer quando há descoberta de algum tipo de ato corrupto pelo funcionário e ele decide relatar? Segundo a professora e pesquisadora da FGV Direito, Juliana Palma, existem alguns passos que podem facilitar a denúncia. Um deles é não fazer uma denúncia vazia. É preciso ter provas ou caminhos para chegar a tais evidências e ter domínio dos fatos. “Conheça quais são as proteções pessoais, funcionais, trabalhistas que esses canais oferecem e faça uma lista das melhores opções.”

No Brasil, há diversos canais de denúncia, segundo Juliana, e perceber como cada um é estruturado e qual o nível de proteção é uma das principais dicas da professora. Há canais públicos, ouvidorias, controladorias estaduais, agências reguladoras, canais internacionais e também canais privados. O canal de denúncia interno elaborado pela própria empresa “é o preferido”, diz Juliana. Mas ela destaca que o Brasil é muito pobre na proteção aos denunciantes. Nós ainda estamos nesse estágio de consolidação de proteção ao denunciante”, diz ela.

Segundo as especialistas, é preciso haver mudanças de cultura organizacional, fortalecimento dos canais de denúncia e uso da tecnologia. “Precisa haver uma mudança de paradigma”, diz Fernanda Barroso.

DICAS

IMPORTÂNCIA

Mostrar que o profissional não é um traidor, mas sim uma peça fundamental que pode desmantelar cenários de prática de infrações e de corrupção.

AÇÃO PREVENTIVA

 Prevenir e reparar em vez de punir, menos punição e mais revelação.

FORTALECER CANAIS

Canais públicos e privados mais estruturados vão facilitar a proteção do denunciante e incentivar novos relatos

EU ACHO …

EXPERIÊNCIA E IMPREVISTOS

No livro Minha vida até agora, uma autobiografia de Jane Fonda que achei que não ia gostar mas adorei, há uma frase marcante – na verdade um lema – de um dos ex-maridos da atriz, o magnata Ted Turner, criador da rede de notícias americana CNN: “Deseje o melhor e prepare-se para o pior”. Esse é um daqueles princípios inteligentes que tornam as coisas mais fáceis: almeje o que há de bom, mas esteja preparado para imprevistos, pois eles acontecem em todos os lugares, mesmo naqueles ambientes que você supostamente domina. Sou professor, faço palestras, vivo da fala, presumivelmente estou preparado para contornar adversidades nessas situações. Mas às vezes, inevitavelmente, o imprevisto supera a experiência.

Certa vez, no Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, dei uma palestra sobre Dignidade Humana para a Associação dos Amigos da Biblioteca Braile. Havia 400 cegos na plateia. Sim, cegos, pois eles não gostam de ser chamados de deficientes visuais – uma alcunha dada por aqueles que não perguntam aos interessados como desejam ser chamados. E às vezes é muito diferente o modo de como você gostaria de ser chamado de como as pessoas te chamam. Se você chama alguém do jeito que ela gosta, está criando uma ponte. Se chama como acha que deve chamar, pode estar criando uma barreira. Durante uma parte da minha palestra, eu me referi a eles como deficientes visuais. Até que, em dado momento, um deles, com muita educação, disse que eles não eram deficientes visuais, e sim cegos. Mudei na hora e passei a chamá-los do modo que lhes agradava. Derrubei a barreira e ergui a ponte.

Esse, no entanto, estava longe de ser o principal aprendizado do dia. Houve outros, um deles óbvio mas muito útil: o de que há muitas maneiras de enxergar a mesma coisa. O segundo: como palestrante diante de uma plateia de cegos, eu, sem perceber, estava sendo condescendente. Em vez de acolhê-los, tinha um pouco de piedade, um erro crucial, uma vez que os diminuía como pessoas. Eu tomava mais cuidado com a fala, pronunciava de modo mais enfático e pausado, parecia que eu temia que eles não pudessem me entender. Mas não eram eles que não sabiam ouvir. Eu é que não sabia falar com eles.

Em certo momento, perguntei se eles se lembravam de uma cena do filme ET, dirigido por Steven Spielberg, aquela em que o dedo do garoto encontra o dedo do ET, do mesmo modo que o dedo de Deus encontra o dedo de Adão na pintura que Michelangelo fez no teto da Capela Sistina. “Não, professor”, me disse uma das pessoas da plateia, “nós não podemos nos lembrar, pois nunca vimos a cena”. Pedi desculpas e o mesmo homem me disse: “Professor, não peça desculpas. Explique-nos a cena. Nós não enxergamos mas temos imaginação”. Foi um jeito elegante de dizer “professor, não vemos mas não somos tontos”. Mesmo assim, eu ainda cometia deslizes de linguagem. Dizia coisas como “vejam bem…”. E eles riam. Não um riso nervoso ou encabulado, e sim um riso piedoso – com piedade de mim –, como se quisessem dizer “ah, pobre moço, ah, se ele soubesse o que eu sei”.

Nas quase duas horas em que durou o evento, eu ainda aprenderia mais. Quando se dá, por exemplo, uma aula ou uma palestra, você olha para as pessoas e as pessoas olham para você, como ocorre em qualquer diálogo. Um péssimo sinal – de desinteresse, fastio, desatenção – é quando você fala e o interlocutor olha para outro lado. E ali, naquela palestra para cegos, eu olhava para eles enquanto metade da plateia olhava – na verdade, não olhava (eis outro vício de linguagem), e sim virava a cabeça – para o lado direito e a outra metade para o esquerdo. Aquilo me incomodava. No intervalo, perguntei a um dos responsáveis por que não mantinham a cabeça em minha direção. A resposta: “Ora, para eles, é absolutamente inútil apontar o rosto para você. Eles precisam ouvir. Por isso, estão voltados em direção às caixas de som”.

Eis uma belíssima lição: ver com os ouvidos. Para quem enxerga bem, a lição inclui enxergar com os olhos, não apenas olhar. É o que se poderia chamar de audiência ativa, um conceito que vale para aula, palestra, concerto, partida de futebol, apresentação, reunião ou boa conversa. Uma aula produtiva não é aquela em que as pessoas falam o tempo todo. É aquela em que as pessoas participam mentalmente, raciocinam, refletem, se emocionam, eventualmente têm algo a dizer.

Da mesma forma, ir a um concerto de João Carlos Martins ou a um show do Paulinho da Viola não significa que você vai tocar com eles. Ir a um estádio para assistir a um São Paulo e Santos não quer dizer que você vai entrar em campo para jogar. Só quer dizer que alguém vai lá para deixar fruir as emoções. Isso é que eu chamo de audiência ativa.

No caso da palestra para a associação de cegos, havia também uma via de mão dupla. Eles imaginavam enquanto eu falava. E eu imaginava o que eles estariam imaginando ao ouvir minhas palavras. Aquilo se configurava um desafio intelectual e, portanto, um prazer muito grande. Mas isso só ocorreu porque mudei minha postura.

ESTAR BEM

SAL NA MEDIDA CERTA

Hábito de pesar a mão no saleiro deve ser evitado para prevenir doenças cardiovasculares e renais

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a ingestão diária de sal para adultos seja de até 5 gramas (pouco menos de uma colher de chá), que equivale a 2 gramas de sódio. Desta forma, consumido de forma equilibrada, o sal é um grande aliado essencial à saúde. O problema acontece quando esse limite diário é ultrapassado, principalmente de forma mascarada nos alimentos industrializados ou ultraprocessados – o que eleva o risco de diversas doenças, como as cardiovasculares e renais. Segundo a OMS, estima-se que 2,5 milhões de mortes poderiam ser evitadas a cada ano se o consumo global de sal fosse reduzido ao nível recomendado.

O principal benefício dessa redução é a queda na pressão arterial elevada, uma doença silenciosa que prejudica os vasos sanguíneos, coração, cérebro e rins, entre outros. De acordo com a nutricionista funcional Juliane Tarrasco, esses produtos industrializados ou ultraprocessados são ricos em sódio. Embora seja necessário para manter o equilíbrio metabólico a níveis satisfatórios, o consumo exagerado de sódio traz riscos à saúde.

“Quando o consumo de sal é maior que o recomendado, ocorre retenção hídrica, que causa aumento do volume sanguíneo dentro dos vasos. Além de causar inchaço e retenção de líquidos, as consequências podem incluir o mau funcionamento dos rins, que pode ocasionar cálculo renal e insuficiência renal, aumento do trabalho cardiovascular, hipertensão, edemas, doenças autoimunes, envelhecimento precoce, osteoporose, problemas de visão, alteração do paladar, contribuindo ainda, a longo prazo, para o aumento de mortes devido parada cardíaca e AVC”, afirma Juliane.

PROTEJA O RIM

A nefrologista Gabriela Cordeiro explica que o consumo excessivo de sal pode sobrecarregar os rins, já que estes órgãos são responsáveis por regular a concentração de sais do corpo. No Brasil, onde o consumo médio diário de sal é de 12 gramas, a hipertensão arterial é uma das doenças que mais leva os pacientes à hemodiálise. Isso porque geralmente as doenças renais são consequências de complicações de outras patologias, especialmente a hipertensão.

“O consumo de sal em demasia predispõe a formação de alguns tipos de cálculos renais que, a longo prazo, podem afetar os rins e afetar o seu funcionamento adequado, além de predispor o paciente ao risco de infecções do trato urinário. Existem ainda outras consequências relacionadas ao controle de doenças, como cirrose e insuficiência cardíaca, que exigem um trabalho em conjunto com os rins para o controle de líquido no corpo”, explica Gabriela.

Segundo a nefrologista, o controle do sódio está entre as principais recomendações para os pacientes em tratamento de doença renal crônica, e até mesmo para os pacientes que já estão em hemodiálise. “Seu controle é fundamental para prevenir inchaço, controlar a hipertensão e evitar a sobrecarga de líquidos que pode ocorrer em pacientes com a função renal reduzida. A ingestão adequada previne doenças que afetam diretamente os rins, como hipertensão arterial e litíase renal (pedras nos rins), além de poupar a sobrecarga de filtração renal”, explica.

BAIXO NÍVEL DE SÓDIO É PREJUDICIAL

A ingestão muito baixa de sódio também está associada a maior risco de hospitalização por descompensação da insuficiência cardíaca. O cardiologista Maurício Pozenatto Bicudo explica que é muito raro que uma pessoa saudável tenha baixa concentração de sódio no sangue apenas por conta de uma dieta com pouco sal, mas pode acontecer, dentre outros motivos.

Neste caso, os principais sintomas são no sistema neurológico, como irritabilidade, síndromes convulsivas, sonolência e desorientação. Em casos mais graves, pode ocorrer hipertensão intracraniana.

“Dietas muito restritivas de sal normalmente não são tão palatáveis e, por conta disso, o indivíduo geralmente acaba consumindo menos proteínas, menos ferro, menos vitamina B12. Isso pode ocasionar deficiências nutricionais que também estão associadas com um maior risco de hospitalização por descompensação da insuficiência cardíaca. Em todos os casos, é fundamental a orientação e o acompanhamento médico”, acrescenta.

EQUILÍBRIO FAZ BEM PARA O CORAÇÃO

O cardiologista Maurício Pozenatto Bicudo, do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), reforça que o excesso de sal na circulação sanguínea ocasiona a elevação da pressão arterial, que consequentemente causa um aumento no índice de doenças cardiovasculares. Além disso, ele destaca que com relação aos pacientes que já são portadores de doenças crônicas, principalmente insuficiência cardíaca e doenças renais, o excesso de sódio ocasiona uma descompensação dessas doenças, diminuindo a qualidade de vida e aumentando o número de internações.

“Ter uma dieta rica em sal eleva o teor de sódio na circulação, e isso traz mais água para dentro do vaso, ocasionando um estado de hipervolemia, ou seja, um excesso de água e eletrólitos no sangue em circulação, responsável por ocasionar o aumento da pressão arterial, que é uma das principais causas do surgimento de doenças cardiovasculares, principalmente infarto e derrame, além de outras, como insuficiência cardíaca, aneurismas, dissecção e doenças da aorta”, afirma o cardiologista.

FIQUE ATENTO

A nutricionista Juliane Tarrasco faz dois alertas importantes sobre o uso do sal light, que é composto por 50% de cloreto de sódio e 50% de cloreto de potássio. Um deles é com relação às pessoas com problemas renais crônicos. “Esse tipo de sal não é indicado nesses casos, pois possui um teor elevado de potássio em sua composição, que pode ser prejudicial à saúde desses pacientes”.

Outra questão importante é para não pesar a mão no saleiro na hora de temperar a comida, pois, apesar de ser indicado para quem é hipertenso (por ter um menor teor de sal), ele salga menos, dando a impressão de que é preciso colocar mais. Dessa forma é possível ultrapassar a quantidade ideal.

QUAL O MELHOR TIPO DE SAL?

Sal refinado, marinho moído, iodado, grosso, light ou o “queridinho” sal rosa do Himalaia? Com tanta variedade, marca e funcionalidade, a dúvida sobre qual é o melhor produto a ser consumido surge, inevitavelmente, na hora de comprar, diante das prateleiras do supermercado.

Todos os tipos de sal possuem cloreto de sódio em sua composição, além de outros minerais e nutrientes adicionados. O ideal é optar pelos mais puros, sem aditivos químicos, que não passam por processos de refinamento.

A nutricionista Juliane Tarrasco explica que, com base em vários estudos, é possível afirmar que as diferenças são mínimas, principalmente com relação ao teor de sódio em suas composições. “Independente da opção escolhida, o importante é reduzir o consumo, sem ultrapassar as recomendações da OMS, de 5 gramas por dia”, diz.

“O sal rosa do Himalaia, por exemplo, possui um teor de sódio similar ao contido no sal refinado comum. Portanto, levando em comparação os dois tipos e a diferença entre os custos, não vale a pena a troca”, diz.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

HAJA ESTRESSE

Os brasileiros agora sofrem com mais uma consequência da pandemia. As dificuldades financeiras dos últimos dois anos viraram a principal causa de tensão e corroem a saúde mental

Entrou para a história do cinema brasileiro uma sequência do filme Terra Estrangeira  (1995), de Walter Saltes e Daniela Thomas, na qual a personagem de Laura Cardoso sofre um baque depois de assistir a um pronunciamento do governo na TV. Nas cenas, são usadas imagens de arquivo de 1990,quando a então ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, anunciou o confisco do dinheiro das contas bancárias em uma insana tentativa de conter a inflação alta que castigava o país. Ao descobrir que perdera as economias de sua vida inteira, a aposentada interpretada pela atriz entra em colapso e morre. Situações extremas como a reproduzida no longa exacerbam o turbilhão de emoções que podem ser experimentadas em situações de colapso emocional causadas por dificuldades financeiras, exatamente como a que vivemos atualmente. É sabido que uma das consequências da pandemia de Covid-19 é o imenso impacto econômico nas contas dos países e na vida dos cidadãos, levando a um aperto financeiro tão profundo que deixou a cabeça de boa parte da população imersa em um oceano de estresse.

As estatísticas começam a dar o tamanho de mais esse estrago. Um dos retratos, feito pela Associação Americana de Psicologia, mostra que, neste ano, a inflação em alta entrou para a lista das questões que mais causaram estafa nos últimos quinze anos nos Estados Unidos. Além disso, o incômodo provocado pelo bolso vazio atingiu o nível mais alto desde 2015. No vizinho Canadá, uma pesquisa de 2020, divulgada depois do início da crise sanitária, revelou que o dinheiro, e não a saúde, era a principal causa de prostração, com diferença considerável entre ambos: 38% das pessoas disseram que os malabarismos financeiros eram o que mais lhes tirava o sono, enquanto preocupações com a saúde ocupavam a mente de 25%.

No Brasil, infelizmente, estamos habituados às crises econômicas. Mesmo assim, o tombo financeiro causado pelo vírus está duro de enfrentar e se transformou no principal pesadelo da população, segundo dados da seção nacional da International Stress Management Association (ISMA-BR). Em 2019, 73% dos brasieiros indicaram a incerteza financeira como principal fonte de tensão. Em 2021, a parcela subiu para 78%. Um levantamento do Instituto FSB Pesquisa em parceria com a empresa de seguros Sul América feito também no ano passado adiciona outras informações: o aperto financeiro era a primeira preocupação de 47% dos entrevistados e 63% dizem ser crucial reduzir gastos, para o bem da saúde mental.

Na verdade, o peso do rombo nas finanças é o desastre causado pela pandemia que mais demorou a ser sentido. Ao longo desses dois anos e meio, sofremos com o pavor de um microrganismo  desconhecido, de adoecer e morrer, de perder as pessoas amadas, do isolamento social e das incertezas profissionais que se apresentaram especialmente no primeiro ano da chegada do novo coronavírus. Agora, a crise sanitária está sob controle. Há vacinas, a tendência de queda de casos se mantém apesar de oscilações periódicas e o total de mortes caiu. Por outro lado, muito da catástrofe financeira se mantém e, pior, deve se prolongar, a serem confirmadas as projeções de recessão global. Os antigos medos arrefeceram. Sobrou ainda de forma aguda o desafio de lidar com dívidas, falta de emprego, salário que acaba antes do fim do mês. “As pessoas voltaram a trabalhar, mas fica uma dose de incerteza”, diz Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa.” Nunca é a mesma colocação, o mesmo salário. Em geral, tudo é mais precário. E isso prolonga, o estresse financeiro.” A atual e tensa circunstância aciona o alerta vermelho do ponto de vista dos cuidados psicológicos.

A história ensina que, em cenários econômicos dramáticos, a dor de quem luta para sobreviver pode ser tanta que, por vezes, prefere-se a morte. O suicídio, evento decorrente de depressão profunda, é um dos primeiros atos a crescer. Na Grande Depressão, período entre os anos 1929 e 1932 nos Estados Unidos, que se seguiu à quebra da Bolsa de Valores de Nova York, 2.5% dos trabalhadores americanos ficaram sem emprego e 4,5 milhões foram para as ruas. Em 1928, um ano antes do Crash, o índice de suicídios era de 18 por 100.000 pessoas. No último ano da crise, 1932, foi para 22 por 100.000, um aumento de 22%. Uma tragédia.

Naquele tempo, o estudo das doenças psiquiátricas patinava em conceitos ultrapassados sobre a mente. Ninguém sabia o que era o estresse mental, muito menos suas causas e sua relação com a depressão e a ansiedade. Hoje, a medicina dispõe de todas essas informações. Por isso, o auxílio aos indivíduos atualmente transtornados pelos débitos está acessível a todos. Há atendimento especializado – isso é importantíssimo – em ótimos serviços públicos de referência, além de psiquiatras de primeira linha para quem pode bancar uma consulta ou conta com um plano de saúde. O decisivo é reconhecer rapidamente os sinais de que o estresse crônico se instalou. Irritabilidade, insônia, perda ou ganho de peso e falta de disposição são sintomas comuns, independentemente do que está por trás da tensão.

Contudo, existem indicativos de quando a raiz é o nó financeiro. Em geral, a pessoa deixa de acompanhar as movimentações de suas contas bancárias, não atende credores e fica enraivecida ao ouvir notícias sobre o cenário econômico. É fundamental aperceber-se disso, embora não seja tão fácil. “As doenças mentais ficam abaixo do radar da consciência”, explica Armando Ribeiro, especialista em gestão do estresse pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos. “Muitas pessoas não percebem que a irritabilidade e a perda da capacidade de ser tolerante são uma forma de estar doente.”

O caminho para reencontrar o equilíbrio exige certa disciplina – aderir aos exercícios físicos é vital, por exemplo -, ajuda médica e medicamento se necessário, e saber usar o que está à mão e de graça. Encontrar-se com os amigos – em casa mesmo, para não gastar -, passear com o cachorro ou dar risada com a série preferida ameniza a tensão e deixa a mente mais arejada para buscar as soluções financeiras possíveis. Negociar as dívidas – e não fugir delas – e estabelecer um teto de gastos é uma estratégia. Há perguntas simples a ser feitas no momento das compras cujas respostas deixarão a situação clara, como o dia – a não ser que a pessoa use subterfúgios para se enganar. ”Será que eu preciso disso mesmo?; quais são as minhas contas prioritárias?”, indica Virgínia Izabel Oliveira, da Fundação Dom Cabral. Com paciência, organização e apoio, é grande a chance de passar de forma minimamente equilibrada por mais essa crise, um susto da aventura humana.

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