OUTROS OLHARES

MENINAS-MÃES

Abortos legais de menores de 14 se multiplicam por seis em dez anos

No início do mês, o país tomou conhecimento da história de uma menina de 11 anos que engravidou pela segunda vez, vítima de estupro, no Piauí. Na primeira gestação, a criança deu à luz o primeiro filho após sua família não autorizar o aborto. Há dois dias, os pais dela entraram num acordo e decidiram permitir a interrupção da segunda gravidez da filha. O caso dela se somará a outros abortos legais feitos em meninas menores de 14 anos, que vêm crescendo no Brasil. Dados do Ministério da Saúde mostram que esse número se multiplicou por seis em dez anos. Em 2011, 16 procedimentos de interrupção de gravidez de meninas abaixo de 14 anos foram registrados no país. Em 2021, este número chegou a 97, média de oito abortos nessa faixa etária por mês.

Mas esse número é ainda tímido perto do de meninas que se tornaram mães antes de completar 14 anos. No ano passado, pelo menos 4.240 crianças nasceram de mães com menos de 14 anos. Incluindo as mães que já tinham completado 14, são 17.316 nascimentos. O número de meninas que tiveram que levar a gravidez até o fim é bem maior que o das que conseguiram interrompera gestação, mas houve uma queda de quase 38% nos registros em uma década. Foram de 6.797 partos de menores de 14 em 2011 para os 4.240 do ano passado. De acordo com a legislação brasileira, qualquer relação sexual com menor de 14 anos é considerada estupro de vulnerável. A interrupção da gravidez é permitida no país em três situações: risco de morte para a mãe, feto anencéfalo e gravidez fruto de estupro.

Os dados aos quais tivemos teve acesso foram fornecidos pelo Ministério da Saúde após uma solicitação da deputada Talíria Petrone (PSOL- RJ). Na resposta enviada em julho, o órgão afirmava que o número de 2021 ainda poderia ser atualizado, dependendo de revisões, mas seguem sem alteração informada.

SERVIÇOS INACESSÍVEIS

Especialistas acreditam que o aumento no volume de procedimentos para a interrupção de gravidez infantil é insuficiente para dimensionar a realidade brasileira e a série de fatores que levam meninas a se tornarem mães tão cedo.

“Meninas nesta faixa etária engravidam geralmente por conta de violências sofridas no âmbito da família, ou por pessoas conhecidas, e há todo um tabu. Os dados sobre o tema também mostram que essas meninas em geral são pobres e negras, periféricas, que não têm acesso à informação, à educação em sexualidade. Além disso, os serviços especializados de aborto legal estão concentrados em grandes centros, são poucos e não são acessíveis”, analisa Sandra Lia Bazzo, coordenadora do Comitê Latino Americano para a Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem) Brasil.

ATENDIMENTO OBRIGATÓRIO

O documento enviado pelo Ministério da Saúde à Câmara diz que, embora no país haja somente 114 centros especializados em aborto legal, “todos os serviços hospitalares com atendimento em ginecologia e obstetrícia devem atender às mulheres que demandam o procedimento, quando se fizer necessário e de acordo com a lei”. Procurada, a pasta não se pronunciou.

O baixo número de abortos legais em comparação com o universo de nascimentos nesta faixa etária sugere que a realidade afasta meninas de exercerem seu direito. Uma portaria editada em 2020 pelo então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, determinou que profissionais de saúde que acolham mulheres vítimas de violência sexual para a realização de aborto legal informem a autoridade policial sobre o caso e enviem material biológico que sirvam como evidência do crime. A medida foi amplamente criticada por ser um mecanismo que inibe mulheres de procurarem seu direito.

“Há uma falha na formação dos profissionais da saúde e também do Direito, seja por negligência ou omissão deste tema nos currículos ou por parte do Estado em não colocar o assunto em pauta. Isso tudo acontece porque aborto é crime no Brasil, e a criminalização incentiva uma estigmatização social. Profissionais de saúde não querem lidar com o tema por medo de serem estigmatizados. Isso aconteceu com muito mais força no governo Bolsonaro”, opina a ginecologista e obstetra Helena Paro, professora da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e membro do Comitê de Aborto Seguro da Figo (International Federation of Gynecologists and Obstetrics).

Desde o início do mandato de Jair Bolsonaro, que concorre à reeleição pelo PL, o governo busca criar obstáculos ao direito de interrupção da gravidez nos casos assegurados pela lei. A proibição do aborto é uma das pautas conservadoras defendidas pelo presidente que são reforçadas na campanha deste ano.

Em junho, o Ministério da Saúde sofreu críticas após afirmar equivocadamente em uma cartilha sobre o tema que não havia aborto legal no Brasil. Devido à controvérsia, a pasta realizou uma audiência pública, mas o evento reuniu majoritariamente pessoas contrárias ao aborto. Na ocasião, o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Câmara, usou termos como “matar bebês na barriga” para se referir à interrupção da gravidez.

GESTÃO E CARREIRA

FOLGA NA SEXTA MELHORA A PRODUTIVIDADE E O ENGAJAMENTO NAS EMPRESAS

Empresas de todo o mundo têm adotado o benefício ‘short Friday’, que encerra expediente mais cedo na véspera do fim de semana

Já faz um bom tempo que a hashtag #sextou se tornou uma das mais usadas pelos brasileiros nas redes sociais. Trata-se de uma expressão para celebrar a proximidade do fim de semana, em que as pessoas vão descansar e curtir a folga com a família e os amigos.

Mas, apesar de a brincadeira ser nacional, esse é um sentimento universal. Tanto que empresas ao redor do mundo começaram a adotar o benefício flexível da short Friday, que consiste basicamente em encerrar o expediente mais cedo na sexta-feira, dedicando a folga a demandas pessoais, como ir ao médico, pegar um cinema, viajar antes do horário de pico ou simplesmente relaxar.

A iniciativa traz uma série de benefícios para as empresas. Além de maior engajamento, empresas ouvidas afirmam que a produtividade aumenta. Isso sem contar o índice Felicidade, que cresce no pré-folga. Apesar de a ideia ser a mesma, cada companhia tem uma estratégia diferente. Em alguns casos, é o funcionário que escolhe se vai trabalhar menos na sexta-feira ou em qualquer outro dia.

“Quando a gente fala para um candidato (a uma vaga)que tem jornada reduzida na sexta, os olhos brilham porque as pessoas entendem que vão poder gerenciar melhor a vida pessoal e o trabalho”, afirma a diretora de RH da Bristol Myers no Brasil, Jennifer Wending. Segundo ela, a empresa adota o benefício há 10 anos.

As horas de descanso são compensadas de forma pulverizada ao longo do restante da semana. “Faz parte do nosso programa global de flexibilidade, que inclui pontes de feriado, o fechamento entre Natal e ano-novo, o day off no aniversário e a semana silenciosa (quiet week), em que ninguém agenda reuniões grandes.” Jennifer diz que o benefício não só melhora a produtividade como também engaja as pessoas.

PLANEJAMENTO

Para a executiva, a short Friday é a oportunidade de tirar o final de semana para realmente descansar, já que as horas de folga da sexta podem servir para antecipar um supermercado ou pegar a estrada mais cedo. O papel das lideranças nessa história, segundo ela, é apoiar e incentivar que os funcionários usem o benefício para o próprio bem-estar. “Não adianta oferecer e não deixar o funcionário à vontade para usufruir”, sublinha. “Já do lado do colaborador, tem de enxergar a flexibilidade com responsabilidade. Não é porque deu meio-dia que vou largar o lápis e deixar de entregar.”

A publicitária Lilian Torres, líder de comunicação da área de saúde do consumidor na Bayer do Brasil, que também adota a short Friday, concorda. Segundo ela, para que o esquema funcione sem prejudicar a entrega profissional, é preciso ter planejamento e entender quais são as prioridades. No caso dela, as quatro horas de trabalho na sexta são usadas para planejar bem a semana seguinte e já deixar tudo alinhado.

O líder de RH da Bayer Brasil e da divisão agrícola na América Latina, André Kraide, afirma que, com a chegada da pandemia, a empresa ampliou a questão da flexibilidade com a criação de uma política experimental chamada Bayflex, em que cada time define quantas vezes vai para o escritório e como vai funcionar a dinâmica em função das demandas das diferentes partes do negócio, de acordo com a época do ano. “É importante estarmos juntos para criação e inovação, mas acho que a flexibilidade de ter mais tempo em casa, sem deslocamento, traz um benefício grande. Isso faz com que o dia seja mais produtivo, e a sensação de estresse também diminui.” Na opinião dele, há uma relação direta entre produtividade e criatividade e um ambiente saudável e seguro do ponto de vista psicológico para se trabalhar. “A criatividade e a inovação têm um papel muito maior do que a quantidade de horas que se passa no escritório ou na frente do computador.”

PRODUTIVIDADE

Do outro lado, a funcionária Lilian Torres concorda que tempo de trabalho não significa produtividade. “Não tem separação entre a Lilian profissional e a pessoal. Se não houver equilíbrio, pratinhos vão cair. Tem de reconhecer que ficar para apagar a luz não é sinônimo de produtividade. Esse tipo de ideia não cabe mais no mundo corporativo.” Ela acrescenta que usa seu tempo livre para cuidar da saúde física e mental e ficar mais com a filha, de cinco anos.

Outra que aposta na flexibilidade para melhorar o engajamento e a produtividade dos funcionários é a Livelo, empresa de recompensas e pontos. A diretora de pessoas, planejamento e projetos, Danielle Lopes, diz que a ideia foi pensada de forma diferente, com a criação de duas ações para estimular uma jornada mais flexível de trabalho.

Todas as sextas, a equipe pode aproveitar a Happy Friday para finalizar o expediente uma hora mais cedo; durante o verão, a empresa adota o programa Summer Dreams, que estimula as pessoas a sair quatro horas mais cedo no último dia da semana, a cada quinze dias.

INCENTIVO

Em tempos de baixa retenção de talentos e do fenômeno da grande debandada, em que profissionais pedem demissão de seus cargos sem ter outro emprego engatilhado, as empresas têm se desdobrado para conseguir incentivar suas equipes. Nesse cenário, flexibilidade parece ser a palavra do momento. “Ter um short day é um diferencial bem legal, principalmente para o pessoal de tecnologia”, diz a diretora de Marketing e de pessoas da DM (grupo de serviços financeiros), Sandra Castello. A empresa adotou a jornada flexível há dois meses, mas com uma roupagem diferenciada. Segundo Sandra, as pessoas podem escolher o dia em que farão meia jornada ou até distribuir as quatro horas pela semana, trabalhando uma hora a menos de terça a sexta-feira, por exemplo. A executiva conta que adotou o benefício após perceber, nas rodas de conversa com o próprio time, que a jornada reduzida era vista como um diferencial competitivo e de bem-estar.

EU ACHO …

ESCREVER, PARA APAZIGUAR…

Viver pressupõe aprendizado e muita coisa que se aprende precisa de método – a determinação de razões e senões não deixa de ser um método para estabelecer sentidos à vida. Dos vários modos que existem para aprender a viver melhor, um dos que mais aprecio é a escrita. Para escrever, é preciso pensar. Para escrever bem, é preciso pensar bem. Escrever ajuda a elaborar o raciocínio, a sublimar emoções, a organizar o mundo. A escrita tem funções que muita gente não imagina; é útil nas situações mais diversas e inusuais. A humanidade faz isso há séculos: para espantar seus fantasmas, ela escreve.

Quando três dos meus filhos eram pequenos, houve uma época em que eu e minha mulher trabalhávamos muito e chegávamos tarde em casa, às vezes só depois das dez ou onze horas da noite. Tínhamos uma ajudante para cuidar das nossas crianças. Mas, por mais que ela zelasse pela “tropa”, era quase impossível não haver conflito entre eles. Note que o conflito é inerente à convivência humana – conflito é uma divergência de posição, de postura, de ideias, de atitudes. Conflitos são inevitáveis. O que não pode acontecer é que o conflito se transforme em confronto, que vem a ser a tentativa de anular o outro. Uma guerra nunca é um conflito; é sempre um confronto. Três crianças juntas têm muitos conflitos e isso é normal. O que não pode é que esses conflitos degenerem em confronto.

Mas, então, nós trabalhávamos muito e, assim, não podíamos estar presentes durante o dia para acompanhar o que ocorria em casa. Se, logo depois do almoço, por exemplo, um deles xingava o outro ou rabiscava um caderno de propósito, aquele que tinha sido a vítima ficava numa situação difícil. O tempo transcorrido entre a hora do conflito e a hora do “julgamento” (quando os pais voltassem para casa) era tão grande que isso gerava uma pressão quase incontrolável. Numa época em que não havia celular, telefonar era complicado. A ajudante não tinha autoridade para resolver. O outro irmão não podia fazer nada.

Numa situação dessas, é preciso que o líder ou os responsáveis inventem mecanismos de dificultação do confronto. No nosso caso, criamos um “livro de reclamações”. Ele foi inspirado em algo que aprendi com os bombeiros: todo animal acuado, seja cachorro louco, onça ou humano, precisa de uma rota de fuga. Se um animal se sente ameaçado e não tem para onde correr, ele só vê uma alternativa: atacar quem o está acuando. O corpo de bombeiros, aliás, me ensinou outra coisa importante, que também tem a ver com conflitos e confrontos: nenhum incêndio começa grande. Começa com uma faísca, uma fagulha. A questão então é evitar que o pequeno saia do controle, torne-se grande e provoque um estrago considerável.

Nosso livro de reclamações ficava em um lugar de fácil acesso a todos. Era uma espécie de versão em papel de um “tribunal de pequenas causas”. Sua principal função era acompanhar a rotina e ajudar a apagar incêndios.

Antes de sair de casa, dávamos a instrução: “Registrem no livro qualquer problema que vocês tiverem”.

Então, se o André, o mais velho, puxava a calça do Pedro, o mais novo, em vez de partir para briga, o Pedro ia até o livro e registrava sua reclamação. Como era um livro democrático, o André tinha direito à réplica. Então escrevia embaixo: “Eu não fiz isso, não foi assim que aconteceu, foi de outro jeito”. O Pedro lia as palavras do irmão e colocava ali a sua tréplica: “Ele fez sim, quis me humilhar, foi assim mesmo que ele fez e coisa e tal”.

Além da função prática, escrever tinha um importante componente psicológico, um oportuno fator de descompressão. Quando chegávamos em casa, uma das primeiras coisas que fazíamos era examinar as ocorrências do dia. Se necessário, agíamos como juízes, fazíamos acareações, contemporizávamos, aplicávamos sanções, relaxávamos a pena, passávamos reprimendas, orientávamos: “Olha, é errado você se divertir com a humilhação do outro. Isso é como caçar por esporte, é a tolice encarnada”. Mas, muitas vezes, não era necessário fazer nada. Eles já tinham desistido da contenda porque o registro do fato ajuda a assimilá-lo e a lidar com ele.

É o que acontece, por exemplo, quando seu carro é furtado e você vai fazer um “boletim de ocorrência” ou um “termo circunstanciado” na delegacia ou pela internet. Quando descobre que parte do seu patrimônio foi subtraída, sua primeira sensação é de impotência. Mas, a partir do registro do fato, a partir do boletim de ocorrência, você acalma um pouco, começa a enxergar uma solução para o problema, uma perspectiva de reparo ao dano e também de justiça.

ESTAR BEM

SÓ É CALVO QUEM QUER?

Novas técnicas de transplante capilar oferecem soluções mais naturais e sem cicatriz aparente, mas procedimentos não são eficazes para todos

Em relação à calvície, talvez uma frase tão consoladora quanto à trazida pela antiga marchinha de carnaval que dizia “é dos carecas que elas gostam mais” seja a de que, atualmente, “só fica careca quem quer”. Isso, no entanto, érelativo. É verdade que as cirurgias de transplante capilar – método que existe desde a década de 1950 –    avançaram bastante a partir do início dos anos 2000. A grande revolução foi a técnica FUE (Follicular Unit Extraction), que, ao retirar e transplantar fio por fio (ou unidade folicular que pode ter de um a quatro fios), oferece resultados mais favoráveis e naturais. O chamado “cabelo de boneca” ficou no passado.

A técnica FUE também não deixa cicatriz ostensiva – elas são puntiformes – diferentemente da técnica FUT, popularizada nos anos 1990, na qual um pedaço do couro cabeludo é retirado para ser transplantado para a área afetada pela calvície. O método, ainda utilizado, deixa uma cicatriz linear na parte posterior do couro cabeludo.

Porém, mais do que se animar com o antes e depois de um amigo ou artista de TV, é preciso passar por uma rigorosa avaliação de um cirurgião especialista na área. Um bom profissional precisa levar em conta a região afetada e a área doadora disponível. É essa conta que precisa fechar – e ela é diferente de caso a caso. Há casos de indivíduos com 25 anos, já bastante calvos, que não têm área doadora suficiente para um resultado satisfatório.

O cirurgião Mauro Speranzini, com mais de 30 anos de experiência na área, diz que em um transplante de cabelo, obrigatoriamente, não existe uma reparação da densidade normal. Ele compara a área doadora, aquela ainda preservada, a uma floresta. Se você tirar 10% dela, ela continua cheia. Se tirar de 20% a 40%, ela ainda continua com muitas árvores. Ao ultrapassar essa quantidade, em torno de 50% a 60%, começará a haver uma rarefação.

“A área doadora vai se esgotando. Não há cabelo à vontade. Em uma grande calvície, perde-se de 70% a 80% dos fios. O que sobra, é 20% a 30%.

Se você retirar metade disso (para o transplante), terá 15% para cobrir uma área que um dia teve 70%. “Ou seja: retira-se uma parte de pouco para preencher muito. De qualquer forma, diz o cirurgião, de maneira realista, isso é o suficiente para um bom resultado.

EXPECTATIVA X REALIDADE

O jornalista Maurício Gonçalves Dias, de 53 anos, fez o transplante há pouco mais de um ano. Ele percebeu que o cabelo começou a rarear depois dos 40 anos.  Especializado em eventos, diz que mudou o comportamento pessoal e profissional por conta das entradas e da coroa causadas pela queda de cabelo. Passou a fugir de fotos e vídeos. Paciente de Speranzini, disse que o médico fez um alinhamento de sua expectativa. “Ele me avisou que minha área doadora não era mais do que ‘boa’. O que eu queria era ter uma melhora significativa. E tive.” Ele afirma que passou por outras clínicas e ouviu grandes promessas. “Há um encantamento perigoso”, alerta.

Outro fator importante que precisa ser observado: a alopecia androgenética, a principal causa que leva os pacientes a procurar o transplante capilar, é progressiva. Ou seja, um paciente que faz um transplante aos 30, 35 anos poderá, depois de 10 ou 15 anos, sofrer novamente com a queda de cabelo, sobretudo se ela não continuar a ser tratada clinicamente após a cirurgia.

Os fios transplantados tendem a não cair, mas os que estão na região atingida pela calvície podem, sim, cair. E, nesse caso, será preciso uma nova cirurgia. Se a área doadora já estiver esgotada, não há o que fazer. Até se pode retirar pelos de outras áreas do corpo, como barba, peito ou braço, mas não nascerá cabelo e sim um pelo com a característica de onde for retirado.

Reduzir a perda das unidades foliculares na cirurgia é igualmente fundamental. De acordo com Speranzini, em casos favoráveis e bem realizados esse desperdício é de 2% a 3%. Em uma cirurgia mal realizada, gira em torno de 30% a 70%.

”A cirurgia é um planejamento a longo prazo. Não se gasta toda a munição de uma guerra em uma primeira batalha. E é o que está acontecendo. Os profissionais despreparados, para ter um grande resultado de imediato, desperdiçam os fios. O paciente precisa de uma cirurgia de alta taxa de sucesso para não ter apenas um bom resultado hoje, mas daqui a 10 ou 15 anos”, esclarece Speranzini.

O médico dá um exemplo do que seria um transplante mal­sucedido. “A área doadora tem, em média, 12 mil fios de cabelo.  Se o cirurgião tira 10 mil fios de um jovem, e apenas 7 mil nascerem, ele perdeu 30% da retirada que fez. Ou seja, a cirurgia foi um desastre. O aparente ótimo resultado só serve para aquele momento.” Para quem começar a perceber os primeiros sinais de calvície – o início é com o afinamento dos fios, antes da queda -, a recomendação é procurar um tratamento clínico permanente, com loções de uso tópico, comprimidos, vitaminas e métodos utilizados em consultórios, como o laser, o led e o microagulhamento com medicação no couro cabeludo. Sempre associados. Isoladamente, nenhum método é eficaz.

CALVÍCIE FEMININA

Entre as mulheres, a queda de cabelo também está, na maioria dos casos, associada à alopecia androgenética. A calvície pode acometer até 80% dos homens, e, nas mulheres essa porcentagem éde 50%. Dados divulgados em abril pela International Society of Hair Restoration Surge!)’ (ISHRS) mostram que, em 2021, 87,3% dos procedimentos cirúrgicos foram realizados em homens e 12,7’¾, em mulheres. Em tratamentos não cirúrgicos os homens também são maioria, sendo 62,5% ante 37,5%.

Segundo o cirurgião Diorivanio Custódio Júnior, a calvície feminina, geralmente, começa com o alargamento da risca central do cabelo, diferentemente dos homens que apresentam as entradas e a coroa. Para elas, o transplante capilar também é uma das soluções.

“A maioria das mulheres não deseja raspar o cabelo para o procedimento. Ou não raspamos nada do couro cabeludo e fazemos com o fio comprido ou raspamos uma pequena área central da parte de trás.

Desse modo, ela consegue soltar o cabelo e disfarçar a área raspada. Na parte de cima, pode-se colocar entre os fios, igualmente sem raspar.”

A relações-públicas Soraia Gallo, de 32 anos, começou a ter queda de cabelo há pouco mais de dois anos, após passar por um trauma emocional. A primeira providência foi procurar um dermatologista para iniciar o tratamento com medicamentos tópicos e oral. Ela também tentou aplicações de PRP (plasma rico em plaquetas), uma superdose de plaquetas, feita do sangue do paciente. Após dois anos, ela conta, o resultado era insatisfatório. O cabelo ainda tinha falhas, sobretudo na região frontal. Foi então que decidiu informar-se sobre o transplante capilar.

“Foi uma busca delicada. É muito difícil ver mulheres falando sobre transplante. Parece haver urna vergonha admitir que elas têm problemas capilares. O que é estranho, porque todo mundo fala de botox, preenchimento. O transplante é mais um procedimento estético disponível.” Soraia foi a seis cirurgiões antes de escolher o médico Custódio Júnior, que transplantou 7 mil fios em sua cabeça. Após três meses, ela já nota os cabelos definitivos nascerem. Para ajudar outras mulheres, mesmo antes do transplante, quando decidiu raspar os cabelos, ela passou a contar sua experiência em um perfil no Instagram (@meulookcareca).

Custódio Júnior diz que o resultado final da cirurgia, em homens e mulheres, ocorre de 10 a12 meses após o procedimento. “Para as mulheres, que usam cabelo mais longo, o resultado pode demorar mais de um ano.”

Speranzini é mais cético. “A mulher quer ficar cabeluda novamente. E não vai ficar. Mulheres só serão boas candidatas se tiverem calvície pequena e uma boa preservação de área doadora. Caso contrário, melhor não fazer a cirurgia.”

É SEGURO?

Nos últimos dez anos, o transplante capilar se popularizou no Brasil. No entanto, a Associação Brasileira de Cirurgia da Restauração capilar (ABCRC) não tem dados consolidados sobre o número de cirurgias no País. Baseado em números da International Society of Hair Restoration Surgery, o dermatologista e cirurgião Francisco LeVoei, presidente da ABCRC, estima que foram realizados no Brasil, em 2021, cerca de 25 mil transplantes, ante 630 mil no mundo.

A recuperação, sobretudo na técnica PUE, é mais rápida. O cirurgião Mauro Speranzini diz que libera seus pacientes para praticar esportes dois dias após a cirurgia. É preciso evitar piscina por duas semanas e sol por um mês. A dor, que pode permanecer na área doadora por até um mês, pode ser tratada com analgésicos.

Não há limite de idade. O fator limitante seria a saúde do paciente. “Pacientes com problemas de coagulação, cicatrização e cardíacos sérios precisam de avaliação mais aprofundada”, explica Le Voei.

Pessoas que sofreram queimaduras e escalpelamentos ou lesões causadas por tumores também podem se favorecer de um transplante. Para alopecia areata, doença inflamatória que provoca a queda de cabelo, a cirurgia não é indicada.

NOVAS PESQUISAS

A medicina segue em busca de soluções para a calvície. As mais recentes pesquisas, de acordo com Le Voei, se concentram em dois eixos. Um deles é a cultura de células do folículo piloso, responsável pela produção e crescimento do cabelo.  Com isso, seria possível clonar essas células, favorecendo assim indivíduos com limitações da área doadora.

Outra perspectiva é o uso de células-tronco para regenerar as células do folículo piloso que já não produzem mais cabelo. “Isso ainda está em estudo. Quem fala que usa células-tronco no tratamento da calvície não está dizendo a verdade”, alerta Le Voei.

Speranzini acredita na evolução de robôs, usados desde 2010 para retirada dos pelos, mas ainda com atuação limitada, sobretudo para cabelos mais crespos e fios de barba. A tecnologia também permite menos desgaste dos profissionais, por causa do longo tempo da cirurgia.

ANTES DE OPTAR PELA CIRURGIA

A HORA CERTA

Converse com seu dermatologista sobre o tratamento clínico antes de optar pelo transplante. Pode não ser o momento ideal para a cirurgia.

SEGURANÇA

Só um médico cirurgião está habilitado a fazer o transplante. Se o procedimento for realizado fora de um hospital, verifique se a clínica oferece profissionais e equipamentos para lidar com uma possível intercorrência.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

TRISTEZA TÓXICA

Ser solitário e infeliz adianta relógio biológico em mais de um ano, diz estudo

Ser solitário e infeliz pode adiantar o relógio biológico de alguém em até um ano e oito meses, afirma um novo estudo, feito pela Universidade de Standford, nos Estados Unidos, em parceria com a empresa chinesa Deep Longevity. Como medida de comparação, na estimativa utilizada pelos pesquisadores, a infelicidade tem consequências mais prejudiciais à saúde do que fumar, visto que o tabagismo acelera o envelhecimento em um ano e três meses.

O estudo se baseou nos dados de mais de 12 mil adultos chineses. Todos eram de meia-idade, e cerca de um terço tinha condições subjacentes importantes, como doenças pulmonares e câncer, e chegou a sobreviver a acidentes vasculares cerebrais. Os participantes foram então pareados por idade cronológica e sexo, e tiveram seus resultados comparados para estabelecer quais deram sinais de estarem envelhecendo mais rápido.

Sentir-se solitário ou infeliz aumentava a idade biológica em até um ano e oito meses, o que foi o maior preditor de um declínio biológico mais rápido. Em seguida veio o tabagismo, com apenas cinco meses de diferença. Ser do sexo masculino também era uma predisposição para envelhecer mais rápido. Assim como morar em uma área rural, devido às condições mais duras dos trabalhadores, como menos acesso a hospitais e consultórios médicos.

Não se casar, que também a está ligado a uma morte precoce, aumenta a idade de alguém em até quatro meses. A falta de socialização, explica o psiquiatra Arthur Danila, não provoca apenas efeitos na mente. Também desencadeia alguns processos biológicos que têm o potencial de depreciar a qualidade de vida.         

“A solidão nada mais é do que a percepção de falta de conexão social com outras pessoas. Se somos seres sociais, essa escassez de interação gera processos inflamatórios crônicos no nosso corpo e interfere na nossa capacidade cognitiva. Quando estamos sozinhos, nosso cérebro nos deixa em estado de hiperalerta, mediado pelo aumento na produção do cortisol, como uma resposta nata de nos proteger de uma potencial situação de ameaça à sobrevivência”, afirma o especialista, que é coordenador do Programa de Mudança de Hábito e Estilo de Vida do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, da USP.

Com o aumento do cortisol, várias reações químicas e mentais relacionadas ao estresse são desencadeadas, gerando maior desgaste do corpo e da mente.

“O estado de hipervigilância também piora a qualidade do sono, ao prejudicar o relaxamento necessário para uma boa noite de sono, impedindo a adequada restauração do corpo após um dia acordado. Isso ocorrendo constantemente degenera a pessoa por dentro e por fora, o que acaba fazendo-a envelhecer. É um círculo vicioso —diz Danila.

Outra consequência desse efeito dominó causado pelo mal-estar psíquico afeta o coração e a imunidade, relata a psiquiatra Camila Magalhães, fundadora da Caliandra Saúde Mental:

“Já há estudos que mostram mulheres deprimidas têm mais chances de infartar do que aquelas com colesterol alto ou hipertensão arterial, por exemplo. Isso acontece em razão do aumento dos mediadores de resposta do estresse. Eles abaixam nossa imunidade, aumentam a produção de cortisol e insulina, aumentam a arterioesclerose, que é o acúmulo de placas de gordura, cálcio e outras substâncias nas artérias, assim como podem levar à atrofia cerebral. Esses depósitos dificultam a passagem de sangue dos vasos, o que chega a causar infartos, derrames e até morte súbita.

Outras doenças crônicas também são desencadeadas por essa diminuição da imunidade e de fatores inflamatórios. De acordo com a especialista, quase 40% das pessoas com depressão apresentam problemas crônicos associados, como diabetes, doenças pulmonares, hipertensão arterial.

“Isso associado a fatores de maior vulnerabilidade, como hereditariedade, falta de uma rede de apoio de amigos e familiares e diminuição de recursos financeiros, prejudica não somente a quantidade, mas a qualidade de vida dos pacientes em sofrimento emocional”, diz a psiquiatra.

A pesquisa também mostrou que danos ao relógio biológico do corpo aumentam os riscos de Alzheimer, diabetes, doenças cardíacas e câncer. Especialistas acreditam que a inflamação crônica causada pela infelicidade causa danos às células e órgãos vitais.

“Os estados mentais e psicológicos são alguns dos preditores mais robustos de resultados de saúde e qualidade de vida. No entanto, foram omitidos dos cuidados de saúde modernos”, afirma Manuel Faria, autor do estudo.

O trabalho analisou apenas adultos de meia-idade e idosos, o que significa que não está claro se os resultados são transferidos para grupos etários mais jovens. Entretanto, com a pandemia do coronavírus, especialistas têm apontado que há mais pessoas infelizes, solitárias e com altos níveis de ansiedade e depressão.

SERIAMENTE SOLITÁRIOS

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 322 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão atualmente. Nos Estados Unidos, um terço da população afirma se sentir “seriamente” solitário, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Harvard, enquanto cerca de 8% dizem sofrer de depressão todos os anos. No Brasil, estima-se que 11 milhões de pessoas sofram da doença. De acordo com a Pesquisa Vigitel 2021, um dos mais amplos inquéritos de saúde do país, em média, 11,3% dos brasileiros relataram ter recebido um diagnóstico médico de depressão.

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