OUTROS OLHARES

MIGALHAS DE AMOR

Conhecido como ‘breadcrumbing’, o ato de dar sinais de interesse sem querer seguir em frente na relação traz efeitos desastrosos aos envolvidos

Dez meses. Esse foi o tempo que a carioca Rachel Alvarez, de 37 anos, investiu na relação amorosa com Paulo Freitas, empresário que conheceu em 2018 e cujo nome real prefere não revelar. Uma situação rotineira na vida de uma jovem mulher que faz planos de se casar e, quem sabe, ter filhos, não fosse um detalhe: eram frequentes os sumiços do rapaz. Marcava e desmarcava encontros de última hora e sempre que Rachel aparecia nas redes sociais divertindo-se ou acompanhada de outros homens, ele voltava bem no estilo “oi, sumida!”.

“Nos vimos poucas vezes, e ele realmente me iludia, porque sempre dava algum indício de que íamos nos encontrar. Acontecia de ficarmos um mês sem conversar e, de repente, ele mandava mensagem como se nada tivesse acontecido.

Nessa época, eu não estava tão bem, minha autoestima era baixa. Com o tempo, descobri que Paulo era complicado e não queria de fato se relacionar, mas sim, ter uma pessoa disponível”, conta Rachel, que colocou um ponto final na história após começar um curso presencial sobre autoconhecimento e relacionamentos amorosos.

Mais do que apenas “enrolar” alguém e não se comprometer, a atitude do empresário não é um caso isolado. Segundo especialistas, tem aumentado mais nesta geração por conta da interação virtual, via aplicativos de namoro ou redes sociais. E isso pode causar verdadeiros estragos na autoestima do outro. O nome? Breadcrumbing, ou, em tradução literal, espalhador de migalhas. No sentido figurado, o termo é usado por alguém que dá sinais de interesse sem ter intenções de seguir em frente. “Nos aplicativos você se torna um objeto, porque aquilo é um cardápio humano e tem efeitos psicológicos. Temos uma geração de pessoas que mantêm relações menos profundas, então, o sentimento de ser descartável aumenta”, explica o psicólogo e professor Rossandro Klinjey, de Campina Grande. “Até com a família há pouca conexão, e isso gera uma sociedade vulnerável, depressiva e ansiosa. Para ter estabilidade emocional, é preciso um enraizamento afetivo. Digo sempre para meus pacientes: quem se maltrata deixa a pessoa levar o lixo afetivo dela até você. Por que você recebe?”.

A fisioterapeuta Regina de Almeida, de 46 anos, diz não ter uma boa relação com a família, e acredita que isso possa refletir o fracasso nos encontros que teve ao longo dos últimos anos: sexo, algumas mensagens pelo WhatsApp e nada mais. “Ouvi críticas a vida inteira sobre minha aparência, meu peso, minha voz. Um dos caras disse uma vez que sonhou que tínhamos um filho e uma filha, que iríamos realizar isso e sumia. Na semana passada, teclei com um outro. Saímos às vezes para transar. Mas ele marca, some, depois reaparece”, lamenta Regina.

Especialista em relacionamentos, a psicóloga Pamela Magalhães, de São Paulo, afirma que existem muitos motivos para que alguém dê migalhas afetivas: da simples intenção de curtir, passando por resistência de se entregar a uma relação, possíveis traumas ou ter uma personalidade narcisista, que favorece a manipulação. “Essas migalhas emocionais alimentam o ciclo de vulnerabilidade, fazendo com que o outro fique na expectativa e se frustre”. E quem aceita se submeter a isso, garante Pamela, ainda não reconheceu seu próprio valor. “É alguém que tem questões relacionais para serem ressignificadas. São pessoas com um histórico afetivo deficitário desde a infância, e que precisam reconfigurar suas crenças amorosas”, afirma.

Apesar de homens e mulheres terem a mesma possibilidade de serem “vítimas” dos espalhadores de migalhas, o psicólogo Rossandro acredita que eles expõem menos sua vulnerabilidade e, consequentemente, buscam menos ajuda. Renato Toledo (nome fictício a pedido do entrevistado), de 37 anos, envolveu-se com um rapaz que conheceu no Tinder e o resultado foram as já famosas migalhas de afeto. Como a relação não se desenvolveu, acreditou que o problema era com ele. “Ele dizia que eu era o tipo de pessoa que ele namoraria, fazia brincadeiras que se imaginava comigo velhinho. Mas ao final de cada encontro, sumia. No dia seguinte até conversávamos, mas o papo morria e, após semanas, ele voltava. Acho que ele dizia aquelas coisas porque era uma maneira de conseguir sexo fácil”, acredita. “Fiquei triste e me perguntei o que havia de errado comigo. Mas aos poucos, você percebe que a pessoa arma uma situação perfeita só pra te usar”, reflete.

E como não cair nessa cilada? Os especialistas são unânimes: é necessário prestar atenção aos sinais e trabalhar em prol da sua autoestima. “Reconheça seu valor, coloque regras e saiba entender quem você permite entrar na sua vida. A sabedoria nos protege de perfis como esses, que não oferecem consistência alguma”, finaliza Pamela.

GESTÃO E CARREIRA

APOIO DE COLEGAS AJUDA A ALIVIAR O ESTRESSE NO TRABALHO

burnout não deve ser visto apenas como problema individual do profissional

Aos 28 anos, Mariane (nome fictício, a pedido) foi diagnosticada com síndrome de burnout. No início, ela achou que aquilo que sentia era apenas preguiça. Acordava desanimada para ir trabalhar e sempre queria ficar mais tempo na cama. Depois de um tempo, entretanto, o cansaço se transformou em exaustão e ela percebeu que não seria possível manter o ritmo.

“O que me deixou mais preocupada foram alguns sonhos que eu tinha. Eu sonhava que tinha perdido alguma reunião ou algum prazo. Eu acordava exausta. Nem na hora do descanso, do sono, eu conseguia descansar a mente, e comecei a ficar preocupada”, afirma Mariane.

No começo da pandemia, Mariane começou a trabalhar como produtora de rádio e TV na mesma empresa onde antes era promotora de vendas, em Belo Horizonte (MG). Com a retomada das atividades presenciais, porém, ela acumulou as funções e isso foi o principal gatilho para o burnout.

Também conhecido como Síndrome do Esgotamento Profissional, o burnout é uma doença laboral, ou seja, associada às atividades profissionais.

Segundo Sérgio Dias Guimarães Junior, psicólogo e professor especialista em saúde mental e trabalho, o estresse é uma resposta normal do organismo, principalmente após um longo expediente, seja em seu ofício ou estudos.

Esse estresse, porém, se torna um problema quando não encontra espaço para elaboração, isto é, para ser aliviado e transformado em solução —seja por meio do desabafo com amigos ou mesmo de uma conversa com o chefe.

A “não-elaboração” é estimulada por aquilo que o psicólogo chama de “sociedade do desempenho”, que se caracteriza pela necessidade de ter ótima performance em todas as atividades cotidianas. Essa pressão vem tanto dos indivíduos quanto das organizações.

A cobrança constante, associada à alta concorrência que costuma ser estimulada dentro das empresas, faz com que os funcionários estejam sempre insatisfeitos com a sua produtividade.

De acordo com o psicólogo Wagner de Lara Machado, professor da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) e fundador da Neuroeconomics, por ser um problema relacionado ao trabalho, não se deve esperar que as soluções sejam apenas individuais.

Segundo ele, existem quatro medidas que as empresas devem tomar que são capazes de diminuir o nível de estresse dos trabalhadores.

A primeira é deixar claro para os colaboradores quais são as suas funções, quais as expectativas da companhia em relação a ele e de que maneira será avaliado. A segunda é manter uma comunicação clara, principalmente entre chefes e subordinados. A terceira é envolver os trabalhadores nas tomadas de decisões da empresa, em especial nas que interferem na rotina dos funcionários.

Por último, é importante que a empresa esteja atenta a casos de assédio moral, de gênero, sexual e étnico-racial, além de estabelecer uma linha segura para denúncias por parte dos funcionários.

Apesar de o estresse laboral ser um problema que deve ser solucionado em uma parceria entre a instituição e seus funcionários, existem algumas medidas que os indivíduos podem tomar para diminuir a tensão e deixar a rotina menos extenuante.

SEU PROBLEMA NÃO É INDIVIDUAL

 A sensação de culpa é um dos sentimentos mais comuns associados à síndrome do esgotamento profissional. Os trabalhadores se sentem mal por não conseguirem fazer mais do que o possível em um dia de trabalho e essa se torna uma fonte contínua de tensão. De acordo com psicólogos, entender que o estresse profissional é um problema coletivo – causado pela necessidade constante de ter um bom desempenho e pela concorrência generalizada – e deixar de lado a sensação de culpa pelas falhas da empresa é a principal maneira de aliviá-lo.

 Ao lado da psicoterapia, esse foi um passo importante para Mariane. “Depois que eu percebi isso, eu consegui levar com mais tranquilidade. Não é um problema meu, e, sim, do sistema”.

TENHA UMA REDE DE APOIO EM SEU TRABALHO

Segundo os especialistas, a sensação de solidão é outra característica comum das pessoas que desenvolvem estresse crônico laboral. Ter colegas com quem seja possível compartilhar frustrações é uma das maneiras mais fáceis de aliviar esse estresse.

De acordo com eles, desabafar com colegas, superiores e com o RH, quando possível, é um modo de perceber que as dificuldades não são individuais e, muitas vezes, encontrar soluções para os problemas.

Isso também foi essencial para Mariane. Depois do diagnóstico, ela conversou com seus superiores e eles concordaram que não seria possível que ela continuasse acumulando funções.

PROCURE SIGNIFICADO

 Encontrar um significado para o trabalho também pode ser uma maneira de tornar a rotina mais estimulante. De acordo com os profissionais, a falta de propósito é uma grande fonte de frustração entre os trabalhadores.

Reconhecer o valor das atividades que desenvolve e do produto final da empresa pode tornar o trabalho mais prazeroso, dizem. Caso não seja possível, buscar um emprego que faça mais sentido pode ser uma boa saída.

PROCURE ATIVIDADES PRAZEROSAS E REDESENHE SEU FLUXO DE TRABALHO

Outra sugestão dada pelos especialistas é inserir na rotina atividades que dão mais prazer e dar prioridade a elas.

Essa busca deve ser ativa. Muitas vezes algo que poderia dar prazer passa despercebido, sem que o trabalhador consiga aproveitar.

Quando possível, é importante reorganizar a rotina de maneira que sempre haja espaço para essas atividades – como tomar café com um colega. Essa é uma maneira de trazer mais valor para o trabalho.

TENHA MOMENTOS DE LAZER E AUTOCUIDADO FORA DO EXPEDIENTE

Apesar da característica laboral do estresse, ter momentos de lazer fora do trabalho é essencial para ter alívio.

De acordo com Guimarães, o autocuidado não deve ser negligenciado. Isso não significa apenas um momento para cuidar da pele ou ir à academia, mas qualquer compromisso voltado para o próprio bem-estar.

Essas atividades precisam ganhar um espaço na agenda, sejam elas caminhar no parque ou ter um tempo de diversão e brincadeiras com os filhos. O psicólogo ainda destaca que a mesma tarefa nem sempre vai funcionar para todo mundo e cada indivíduo deve entender o que é melhor para si.

Sempre que necessário, é importante procurar ajuda de um profissional, como um psicólogo. Foi assim que Mariane notou que aquilo que sentia não era normal e percebeu que deveria mudar sua rotina.

PROCURE AJUDA

  • Procure a UBS (Unidade Básica de Saúde) ou o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) mais próximo da sua residência
  • Em caso de emergência, entre em contato com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ligando para 192
  • Converse com um voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida) ligando para 188 (chamada gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou de celular de todo o território nacional) ou acesse www.cvv.org.br
  • O Mapa da Saúde Mental rastreia diversos tipos de atendimento: mapasaudemental.com.br

EU ACHO …

QUANDO O TEMPO DERRETE

De viagens aéreas a consultas, a noção de pontualidade acabou

Era uma vez, há muitos e muitos anos, uma época em que se pedia desculpas pelo atraso. Até se davam explicações. Hoje, quem vai pegar um avião não tem ideia de que horas realmente vai partir, e quando vai chegar. Os passageiros ficam esperando, esperando… Outro dia, cheguei a embarcar e permanecer uma hora dentro do avião. Sem saber o motivo. Sem ouvir nem sequer um pedido de desculpa. Antes, pelo menos, as companhias aéreas tentavam amenizar com explicações. Hoje, o jeito é engolir o sapo. Agente perde compromissos já agendados. E, principalmente, a paciência.

Médico também é campeão de atraso. Algumas consultas só acontecem uma ou duas boras depois do previsto. A secretária explica que o doutor “teve uma emergência”. Eu devo ser sorteado. Sempre chego quinze minutos antes, no mínimo. Fico sentado enquanto o tempo derrete. Recentemente, tinha uma consulta às 17 horas. Atrasou até as 18. Só que eu tinha um curso às 19. Resultado: meu horário se esfacelou. Não deu tempo de comer. Assisti ao curso de mau humor.

São muitas as categorias que até apreciam o atraso, como tática de trabalho. Shows ao vivo, por exemplo. A gente entra. Senta numa plateia lotada. Espera e espera. O público aplaude. Bate os pés no chão. A certa hora, nunca se sabe quando, o artista se apresenta. Todo mundo perdoa, afinal foram lá para vê-lo. Ao partir, descubro que estou quadrado, de tanto ficar sentado.

A noção de horário nunca foi um dom do brasileiro. Eu lembro que, há décadas, fiz uma viagem de trabalho para a Holanda. No dia que atrasei dez minutos parecia que ia cair o mundo. Holandeses são pontuais, assim como boa parte dos europeus. Eles simplesmente não compreendiam que eu achava um atraso normal. Cá entre nós, ninguém aqui acha que dez, quinze minutos é atraso. Diga isso a um japonês. Cinco minutos em Tóquio é um absurdo!

Tive uma amiga para quem o tempo era absolutamente elástico. Marcava de sair para jantar às 20 horas. Oferecia uma carona. Às 20h45, quando eu ligava, dizia que já estava “chegando”.

Às 20h30 explicava que o trânsito estava péssimo. Aparecia às 22h30. Já tinha esquecido da primeira desculpa e dava outra explicação.

Só tem algo pior que um atraso. É não ter horário mesmo. Há empresas que marcam, por exemplo, uma visita técnica. Avisam: “Ele vai chegar durante a tarde, mas não tem horário definido”. É incrível. A gente adia compromissos, desmarca dentista (outra categoria que atrasa). Espera-se a visita técnica por horas. Para muitas vezes ouvir: “O técnico teve um imprevisto, vai ter de remarcar para outro dia”. Dá vontade de engolir o celular de raiva.

Faz falta um pouco da gentileza de antigamente, quando se pedia desculpa, com explicações plausíveis. Ando tão neurótico com horário que outro dia cheguei a um compromisso pedindo mil desculpas pelo atraso. Só então notei que não havia mais ninguém. Eu chegara um dia antes! Pois é, de tanto me preocupar com pontualidade, já virei até motivo de piada.

***WALCYR CARRASCO

ESTAR BEM

PESCOÇO TRAVADO

Dor na cervical está relacionada ao estresse em 80% dos casos

A coluna vertebral é uma parte essencial do corpo e uma das mais móveis. Especialistas estimam que sejam feitos cerca de 600 movimentos por hora, fato que somado ao trabalho, à expectativa de vida e ao envelhecimento está na origem de problemas degenerativos e de dores cervicais.

Segundo Leonel Shteinberg, especialista em cirurgia de coluna, a famosa “cervical”, que é formada por sete vértebras e seis discos intervertebrais, está localizada na junção da cabeça com o tronco e é a área de maior mobilidade de toda a coluna. Por sua vez, ela é dividida em duas partes: a região cervical superior, C1 e C2, e a inferior, C3 a C7, e costuma ser a parte do corpo que mais motiva consultas médicas, devido ao que se chama de cervicalgia.

“Mais de 90% dos casos são benignos e não são considerados graves o suficiente para cirurgia ou comprometer a saúde”, diz Shteinberg.

A chamada “cervicalgia” não é uma doença específica, mas é chamada a dor no pescoço descrita na região cervical da coluna. As causas podem ser problemas mecânicos, posturais ou traumáticos, ou problemas degenerativos, como osteoartrite ou osteoporose. Ocorre com mais frequência em mulheres, devido a tarefas diárias e distúrbios relacionados à menopausa.

ESTRESSE

Por outro lado, um estudo liderado pela Universidade de Múrcia, na Espanha, destacou que mais de 80% dos testes confirmaram a relação entre estresse psicológico e problemas musculoesqueléticos, determinando que os níveis de fatores estressores aumentam o risco de aparecimento de sintomas, especialmente em regiões lombares e cervicais.

De acordo com a Clínica da Universidade de Navarra, os sintomas mais predominantes desse tipo de problema são dor na região do pescoço, dificuldade de mobilidade, dores de cabeça, tontura e rigidez.

“Estamos ouvindo cada vez mais pacientes com dores no pescoço, desde uma “tensão” nos ombros até episódios em que eles não podem mexer a cabeça sem sentir dores fortes em todo o pescoço. Muitas vezes é acompanhada de outros sintomas, como formigamento ou até uma dor que “desce” pelos braços até a mão ou dor de cabeça. As origens dessa dor têm muitas causas. Tensão diária, má postura no trabalho e levantamento de peso de forma incorreta podem causar dores, principalmente se estiverem associadas a algum desgaste anterior que os discos, que são os “amortecedores da coluna”, apresentam”, diz Sebastián Senes, especialista em Oncologia Ortopédica do Hospital Britânico de Buenos Aires.

CUIDADOS E TRATAMENTOS

Para os profissionais, a melhor forma de prevenir o aparecimento de dores é evitar atividades cotidianas de risco que possam prejudicar a coluna cervical, como levantar objetos muito pesados, praticar esportes que exijam muito movimento da coluna e estar sempre com má postura.

“É importante estar sempre atento a qualquer dor no corpo. Muitas cervicalgias podem diminuir com repouso, aplicação de calor local e exercícios de cinesiologia para fortalecer e alongar os músculos. No entanto, existem outras doenças mais graves que podem começar com dores no pescoço, por isso é aconselhável consultar o traumatologista, quando o problema persistir e for muito frequente”, Alerta Senes.

De acordo com Shteinberg, nas primeiras consultas para dor no pescoço, dores de cabeça ou contrações musculares inicialmente é recomendado imobilizar (não completamente) e tratar com calor e relaxantes musculares por via oral e, depois, se necessário, realizar uma ressonância magnética e um raio-X.

“Caso haja comprometimento neurológico, uma intervenção cirúrgica é considerada. Geralmente, acontece em pacientes que têm fortes dores no braços que não passam sem remédios e têm dificuldade em manipular objetos”, completa.

O especialista explica que, antes de indicar a cirurgia para o problema, é possível experimentar os tratamentos de cinesiologia de reeducação postural global (RPG) —um tipo de tratamento cuja abordagem se baseia em uma ideia abrangente do sistema muscular, formado por cadeias que podem fazer frente a um encurtamento resultante de fatores constitucionais, comportamentais e psicológicos.

“Se não melhorar e houver comprometimento neurológico, a cirurgia é feita. Para as dores cervicais não existe cura não cirúrgica, só se pode fazer um tratamento para diminuir a dor.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

PRAZER SEM LIMITE

Consumo de pornografia por mulheres cresce e abre caminho para dependência

Um levantamento feito pelo maior site de vídeos pornográficos da internet no mundo, o PornHub, que concentra mais de 15 milhões de visitantes mensais, mostra o crescimento no número de mulheres que assistem a conteúdo sexual. Elas já representam um terço dos usuários regulares da plataforma, incluindo as brasileiras. Grande parte delas são jovens entre 18 e 24 anos.

É fato que a pornografia pode colaborar para ter uma vida sexual mais saudável, além de contribuir para um melhor conhecimento do corpo e o que dá mais prazer. Entretanto, o excesso causa vício e, consequentemente, pode levar a reflexos agressivos para a saúde. É o que tem ocorrido com parte dessas visitantes.

“No Brasil, a média de mulheres que acessam esses canais de pornografia gira em torno de 33%. É um pouco maior do que a média mundial (25%), mas não são todas que têm a predisposição para o vício. Desse número, cerca de 10% tem o potencial de desenvolver dependência”, explica a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do programa de estudos em sexualidade da Universidade de São Paulo (USP).

No Reino Unido, berço do Pornhub, as mulheres se tornaram maioria no atendimento de serviços de saúde sexual em decorrência da dificuldade em largar o vício em vídeos eróticos. A maioria reclama de problemas na intimidade do sexo na vida real, como diminuição na libido e dor durante a relação.

A holandesa Kristel Koppers, 29 anos, virou uma das principais porta-vozes dessas mulheres. Koppers criou recentemente um canal no YouTube onde fala abertamente sobreo assunto – o endereço já conta com mais de dois milhões de visualizações. Ela se denomina uma “ex-dependente de pornografia” e espera ajudar outras mulheres a sair desse ambiente virtual prejudicial.

“Eu usava a pornografia como válvula de escape, para me sentir melhor momentaneamente, porque na maior parte do tempo eu tinha problemas com meu corpo e com a autoaceitação. Mas chegou a um ponto em que isso começou a atrapalhar a minha vida pessoal e amorosa”, conta a youtuber. “Não tinha mais vontade de sair de casa, animação para fazer coisas corriqueiras. Ficava constantemente comparando cada detalhe do momento real com o que eu tinha visto online e nunca correspondia às expectativas. Fui criando camadas de ansiedade que sabotaram o meu prazer sexual. Era algo tenso, desconfortável e até doloroso. Calcula-se que um em cada dez consumidores de material pornográfico não consegue interromper o hábito de forma alguma. Além desses sintomas, outros sinais que mostram que o ato se tornou compulsivo é a dificuldade de se excitar com parcerias reais, ereções instáveis, crises de ansiedade, falta de energia para as atividades cotidianas, fobias sociais e baixa autoestima.

“As pessoas que abusam do uso de pornografia geralmente fazem parte de grupos que já têm predisposição a outros excessos, seja o alcoolismo, o consumismo ou os jogos. Há uma base genética. Podemos desconfiar que a pornografia está causando mais malefícios do que benefícios para a nossa saúde quando o usuário começa a abrir mão de outras atividades do cotidiano, não dorme direito, interrompe a hora do trabalho para acessar conteúdos pornográficos, não há mais convívio social. Tudo isso mostra que o acesso deixou de ser natural”, definiu Abdo.

Uma manifestação que já é conhecida, mas que está cada vez mais relacionada ao uso abusivo da pornografia por mulheres, é o crescimento de materiais fetichistas chamados de “perturbadores”. Estudo publicado no final de agosto no British Medical Journal mostra que houve uma expansão no número de lesões íntimas e infecções relacionadas a um aumento na popularidade de atos sexuais arriscados e agressivos entre jovens do sexo feminino. Os autores do artigo são decisivos ao destacar o conteúdo adulto como motivo principal.

SOMBRA DO ANONIMATO

Na internet, protegidas pelo anonimato, dezenas de mulheres relatam em fóruns da internet e redes sociais como o uso abusivo da pornografia, aliado a atos violentos, prejudicaram sua saúde física e mental. “Comecei a assistir pornografia com o meu marido e passei a concordar com alguns atos sexuais agressivos, pois acreditava que somente assim ele continuaria interessado por mim”, escreveu uma usuária. Outra disse: “depois de consumir pornografia, me sinto deprimida, inútil, triste e sem energia”.

A garota afirma que, em uma tentativa de encontrar a excitação perdida, passou a assistir conteúdos violentos. “Quanto mais eu assistia, mais extremo o conteúdo tinha que ser para eu achar empolgante. No final, estava assistindo coisas que nunca escolheria na vida real, como homens sendo agressivos com mulheres”.

Pesquisadores da Universidade de Durham analisaram centenas de milhares de vídeos nos sites adultos mais populares do Reino Unido, que são gratuitos e facilmente acessíveis por meio de uma pesquisa rápida na internet, e encontraram 10 mil conteúdos em destaque tão extremos que são ilegais no país. O grupo descobriu ainda que um em cada oito títulos anunciados para usuários iniciantes no país descreve conteúdo sexualmente violento, coercitivo ou não consensual. Pelo menos 40% do material apresenta algum tipo de agressão verbal ou física direcionada a uma mulher. Os autores associaram a crescente popularidade desses vídeos a um aumento nos casos de agressão sexual.

CHUVA HORMONAL

Assim como acontece durante o sexo real, assistir a vídeos explícitos desencadeia a liberação de dopamina, hormônio que ajuda na regulação do humor, diminui o estresse, controla funções motoras, estimula memória e comportamentos relativos a raciocínio e concentração, além de melhorar o apetite e o sono.

Como acontece com outras drogas, se o estímulo for excessivo, o cérebro começa a ficar sensível aos efeitos da dopamina, o que significa que os usuários desses conteúdos precisam aumentar a quantidade e intensidade do que veem para obter a mesma excitação. As mulheres acabam se viciando naquelas imagens, sejam elas agressivas ou não. O resultado disso é uma menor satisfação durante os encontros reais.

Uma pesquisa feita pela Virginia Commonwealth University, nos Estados Unidos, envolvendo 700 mulheres com idades entre 18 e 29 anos, apontou que consumidoras de pornografia experientes muitas vezes se lembram de imagens que viram durante momentos íntimos com parceiros e admitem que se valem dessas memórias para manter a excitação. Mais da metade preferem as imagens na comparação com o ato sexual.

MÃOS LIVRES

Para coibir excessos e cultivar o consumo consciente de pornografia, foi criado um movimento mundial que se espalha por sites e redes sociais todo ano em setembro, o #NoFap (“sem masturbação”, em tradução livre). O desafio da abstinência no ambiente digital envolve majoritariamente homens heterossexuais, mas também engloba mulheres e membros da comunidade LGBT+.

Koppers foi uma dessas jovens que aderiu ao desafio. Porém, ela levou a iniciativa um pouco mais além: em vez de ficar apenas o mês de setembro sem acessar conteúdos pornográficos, ela decidiu encarar 90 dias de abstinência. Depois cruzou a meta e foi adiante. Já são mais de oito meses sem assistir a vídeos de sexo.

“Eu me transformei totalmente. Acordo com um sorriso gigante no rosto, tenho motivação e energia que me faltava para fazer as tarefas do dia a dia. Passei a viver no presente, me vi menos estressada e com menos ansiedade. Saio na rua, converso com estranhos e tenho uma vida social que até então era algo impossível para mim. Eu me tornei mais atraente e confiante, foi algo mágico para mim”, afirma a youtuber, que no entanto ressalta que a decisão deve ser individual.

“Não estou falando que todo mundo deve parar de ver pornografia. Mas se a pessoa se sente com saúde prejudicada, depressiva, sem uma vida social, é melhor dar um tempo pois ela está mexendo com o seu cérebro.

Além do desafio, há outras ferramentas conhecidas da medicina para o tratamento da dependência em pornografia, como a prática de exercícios físicos regulares e as táticas de relaxamento como ioga e meditação. Se isso não funcionar, há ainda a opção de procurar um psicoterapeuta para ajudar a focar a mente no que é importante e necessário.

“Em último caso, podemos entrar com o uso de medicamentos para controlar esses hábitos, como os antidepressivos, mas em doses para tratar compulsão, incluindo por sexo e pornografia”, diz a psiquiatra.

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