OUTROS OLHARES

NAS PRATELEIRAS, A CONFUSÃO DOS PRODUTOS SIMILARES

Novos itens chegam como opção mais barata, mas embalagens semelhantes e disposição em mercados dificultam diferenciação

Sempre que a inflação está alta —a taxa acumulada em 12 meses, fechada em agosto, é de 8,73% —, a indústria tenta se adequar ao bolso dos consumidores. O fenômeno mais comum, até aqui, era a redução de embalagens. No entanto, em alguns segmentos, em que a alta de preços está mais acentuada, uma nova solução tem surgido: o lançamento de produtos similares aos tradicionais como alternativa mais barata. O problema é que a semelhança das embalagens e o local da exposição nos mercados, algumas vezes, confundem o consumidor, que acaba levando um item achando que era outro, o famoso gato por lebre.

Mais do que erros na rotulagem, encontramos problemas na exposição dos produtos nos supermercados, que podem dificultar a diferenciação dos itens pelo consumidor. É o caso dos mixes de manteiga e margarina no meio das manteigas, encontrado numa loja do Mundial no Rio de Janeiro. No Extra, no Centro do Rio, foram vistas caixas de mistura de creme de leite entre as embalagens do produto tradicional.

Já em uma unidade do Guanabara, na Zona Norte do Rio, o mix manteiga e margarina Leco foi identificado na etiqueta como blend, apesar de o uso de termo estrangeiro ser vedado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) por dificultar a compreensão. Na mesma loja, o queijo processado sabor requeijão da marca Supremo foi nomeado na etiqueta de preço como requeijão.

Nem o café escapou. Na última semana de agosto, viralizou o pó para preparo de bebida sabor café tradicional da marca Pingo Preto, apelidado jocosamente por internautas de “cafake”.

A dona de casa carioca Andreia de Souza, de 52 anos, tem o hábito de conferir tim- tim por tim-tim os rótulos. Mas conta que o marido, mais distraído, já se enganou duas vezes e acabou levando o produto errado para casa:

“Ele comprou um creme de leite que na verdade era uma mistura láctea e um composto lácteo achando que era leite em pó. Voltei ao mercado e consegui trocá-los. O fato é que a alta de alimentos está pesando no bolso. A manteiga, por exemplo, subiu, nos últimos 12 meses até agosto, 22,6%; o requeijão, 26,10%; o leite condensado, 21,95%; o leite longa vida, 60,81%; e o café, 46,34%. Nesse cenário, o lançamento de produtos similares mais baratos é visto como alternativa para parte dos consumidores. No entanto, todo mundo quer saber o que põe no carrinho.

A aposentada Glória Barbosa de Melo, de 62 anos, trocou o azeite, que subiu cerca de 10% em 12 meses, pelos óleos compostos de soja e oliva. O produto tem composições que mistura de 5% a 20% de azeite e preços mais acessíveis.

“Na salada, o gosto não é o mesmo. Mas, ultimamente, só compro extra virgem quando tem uma promoção muito boa. Comparando os preços, tenho que levar o que tem óleo mesmo”, diz.

DESAFIO DE INFORMAÇÃO

Para Ricardo Morishita, professor de Direito do Consumidor no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), os produtos similares trazem um de- safio extra de informação:

“Nas crises, a redução de embalagens já era um clássico para driblar o aumento de preço. Agora, há mudança de fórmula, produtos similares, mas há diferenças qualitativas. Essa tendência impõe um desafio de informação clara a toda a cadeia. Não só para o fabricante na rotulagem, mas aos mercados na forma de apresentá-los para que o consumidor faça, de fato, uma escolha consciente.

O professor Eduardo França, coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da ESPM, pondera que a organização do supermercado é pensada por setores e, por isso, faz sentido que produtos similares fiquem lado a lado.

Mariana Gondo, advogada do programa de Alimentação Saudável do Instituto de Defesa ao Consumidor (Idec), argumenta, no entanto, que, para garantir clareza, esses itens não deveriam ser posicionados nas prateleiras entre produtos tradicionalmente conhecidos pelo público:

“A clareza deve estar na descrição do produto, mas também nas ilustrações na embalagem. Um vidro de óleo composto de soja e apenas 5% de azeite com imagem de azeitonas e oliveiras, por exemplo, pode gerar interpretações falsas. Da mesma forma o consumidor pode não identificar diferença se o produto estiver exposto misturado aos itens tradicionais que ele conhece.

Em nota, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça, afirma que, quando o consumidor se confunde, tanto fabricante quanto varejista podem ser responsabilizados. Apesar de admitir que pode ser fácil se confundir devido à semelhança das embalagens nas gôndolas, França, da ESPM, explica que há uma coerência do ponto de vista do fabricante.

“As indústrias usam embalagens parecidas porque o novo produto continua próximo àquela categoria. E não há nenhuma regra que determine uma mudança radical de embalagem. Neste ponto, a regra é subjetiva”, diz o professor.

Um dos casos de grande repercussão nas redes sociais sobre produtos similares foi o do soro de leite, que passou a ocupar as gôndolas ao lado do leite, quando este chegou a custar próximo de R$ 10. O caso da bebida láctea Cristina, feita com 50% de soro de leite, com embalagem parecida com a do longa vida, repercutiu na web e acabou se transformando num projeto- piloto do Procon-SP.

O órgão de defesa do consumidor paulista se reuniu com a Nova Mix Alimentos, fabricante do produto, para propor mudanças na embalagem de forma a tornar mais claro para o consumidor o que ele está levando para casa. A proposta foi bem aceita e já há tratativas com outras empresas de alimentos para alterações na rotulagem com o mesmo objetivo.

“Não somos contra a existência de produtos mais acessíveis ao consumidor, mas os produtos precisam ter informações corretas e adequadas”, ressalta Rodrigo Tritapepe, diretor de Atendimento e Orientação do Procon-SP.

A Nova Mix informou, em nota, que a conversa com o Procon foi “produtiva” e que “tanto ficou claro o cumprimento das normas vigentes aplicáveis, como a boa-fé” da empresa. A fabricante esclareceu que alterou o rótulo da bebida láctea Cristina e materiais de apoio à gôndola para tornar a comunicação mais clara.

Em nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) destaca que as regras de rotulagem de alimentos têm como princípio geral que o rótulo não pode conter textos, expressões, imagens ou símbolos que “possam induzir o consumidor a equívoco, erro, confusão ou engano, em relação à natureza, composição, procedência, tipo, qualidade, quantidade, validade, rendimento ou forma de uso do alimento”.

A Anvisa reforça que as designações dos produtos— que devem estar em destaque na embalagem — têm o propósito de nomear diferentemente alimentos que tenham componentes de identidade distintos, mesmo com finalidades ou uso semelhantes.

O QUE DIZEM AS EMPRESAS

Em nota, o Mundial afirma que “deixa claro o que está sendo oferecido na gôndola e no encarte”. E acrescenta que “é de responsabilidade da indústria disponibilizar as informações sobre os produtos para os clientes de maneira clara, em rótulos e descrições”. A rede afirma posicionar os produtos em setores sugeridos pelo fornecedor.

O Guanabara informou que “os produtos são expostos por categoria e, dessa forma, os clientes podem comparar e escolher itens de marcas diferentes, mas de tipos similares, de modo a não se confundirem”.

A rede Pão de Açúcar, responsável pelo Extra, disse que não iria responder.

A Nestlé destacou que a mistura de creme de leite Nestlé é uma alternativa mais acessível ao creme de leite tradicional. E ressaltou que o termo “mistura de creme de leite” está em destaque na embalagem.

A Jurerê, responsável pela Pingo Preto, disse que o pó para preparo de bebida sabor café é aprovado pela Anvisa e teve respaldo positivo do Procon de Santa Catarina.

A Vigor, dona da marca Leco, informou que “a manteiga e margarina cremosa Leco foi lançada em 2002 e segue todas as normas de rotulagem e regulamentos técnicos”.

A Cargill, detentora das marcas de óleo composto Maria e Olívia, disse que ambas as embalagens atendem às leis.

Já a Buritis, que responde pelo queijo processado sabor requeijão da marca Supremo, disse que a descrição do item “está de acordo com o exigido pela lei”.

GESTÃO E CARREIRA

COMO PROMOVER A CULTURA DE UMA EMPRESA NO TRABALHO REMOTO

Companhias que sempre trabalharam no regime a distância dão dicas de como criar uma cultura forte mesmo com funcionários espalhados por diferentes locais

O trabalho remoto pode seguir uma cultura organizacional de sucesso. Para isso, é preciso apenas se esforçar um pouco, dizem as empresas que adotam o regime.

À medida que os líderes das companhias continuam lidando com as políticas de local de trabalho pós-pandemia, muitos se perguntam se as opções remotas deveriam fazer parte do plano. Uma das principais preocupações deles é se isso causará danos à cultura da empresa. Para essa questão, algumas instituições que sempre operaram de forma remota toparam dar sugestões de como criar e manter a cultura organizacional mesmo com uma equipe espalhada em diferentes lugares.

Empresas como a plataforma de desenvolvimento de software GitLab, a do software de marketing de redes sociais Buffer e a plataforma de fluxo de trabalho automatizado Zapier funcionam com operações remotas desde que foram criadas. A Corel, empresa canadense de software de design gráfico, adotou durante a pandemia uma política permanente que prioriza o trabalho remoto.

Confira alguns conselhos dessas empresas para criar uma cultura organizacional forte.

INTENÇÃO CLARA

As empresas não devem mudar para o trabalho remoto e esperar que a cultura da empresa se desenvolva por conta própria. As lideranças remotas disseram que não basta apenas a adesão dos principais chefes da empresa, mas também um esforço intencional para criar um sentimento de conexão e valores compartilhados quando os trabalhadores não estão todos no mesmo lugar.

Portanto, para tornar o processo mais fácil, desenvolva uma estratégia focada em como a empresa ajudará os trabalhadores no novo ambiente.

TRANSPARÊNCIA

Quando os trabalhadores não estão reunidos em um mesmo local, a transparência torna-se ainda mais importante. Empresas que trabalham apenas de forma remota disseram ter descoberto que documentos compartilhados ou fóruns internos funcionam melhor e que trabalhadores e líderes devem documentar todo o progresso em projetos, anotações de reuniões, anúncios, políticas e decisões.

ESPAÇOS DE SOCIALIZAÇÃO

Sem um escritório, os funcionários podem facilmente entrar em suas cavernas de trabalho e ficar isolados. Mas as empresas podem fazer algumas coisas para combater isso e criar um ambiente virtual que lembra o do escritório físico.

Os especialistas sugerem reservar um tempo e criar um espaço onde os trabalhadores possam ter conversas casuais que podem, ou não, estar relacionadas com o trabalho.

AJUSTE ESTILOS DE GESTÃO

Um novo modelo de trabalho exige um novo estilo de gestão. Para as empresas que trabalham assim há anos, essa gestão significa focar nos resultados versus tarefas diárias ou por hora. Em alguns casos, isso pode significar treinar os gestores para lidar corretamente como trabalho remoto.

EU ACHO …

ENVELHECIMENTO ESTOICO

Alguns filhos se tornam verdadeiros tiranos na relação com seus pais idosos

Há basicamente duas formas de envelhecer hoje: ou você se transforma num hipocondríaco ou num retardado. O que vem a ser esse fenômeno psicológico?

Sabemos que nossa espécie não é adaptada a viver tanto tempo. Daí que tristeza, tédio, degeneração por inatividade e similares são quadros comuns. Não há no horizonte nada que implique alguma mudança significativa. Aumento de população idosa, custos com o envelhecimento, abandono, abuso, perda de papel social e produtivo, indiferença do Estado e do mercado, enfim, das próprias famílias, sobrecarregadas e sem dinheiro.

Apesar dos esforços de muitos profissionais e instituições, a inundação de idosos numa sociedade atomizada e de laços familiares e afetivos reduzidos veio para ficar.

Para além desse olhar sombrio, mas nem por isso menos verdadeiro, há aspectos mais sutis, mas que fazem parte do cenário do envelhecimento num mundo feito cada vez mais para os jovens — que por sua vez são cada vez menos em número nas sociedades afluentes. Filhos são ônus para os adultos, mas, pelo menos, ainda representam um futuro de alguma forma. Mas idosos são o passado, e o passado não serve para nada na gloriosa modernidade. Em se tratando da população mais afluente e que passa dos 50 anos, chama a atenção a combinação de dois comportamentos aparentemente contraditórios, mas que se tornam cada vez mais hegemônicos: a obsessão por procedimentos médicos – que sem dúvida fazem parte da longevidade nas populações mais afluentes – e outra obsessão que é a busca histérica por comportamentos que mimetizem a juventude perdida.

É dessa combinação que nasce a mania hipocondríaca e o retardo mental como modelos de envelhecimento no mundo contemporâneo. A obsessão por procedimentos médicos não se atém ao próprio sujeito, mas se torna um modo de sociabilidade. A competição pelos números de exames médicos realizados e pela frequência de visita ao médico é um traço dessa sociabilidade.

“Quantas colonoscopias você fez nos últimos anos?” “Você mediu seu colesterol este ano?” “Como você continua a comer carne vermelha nessa idade?!” “Essa dieta é daquela médica que atende fulana?” – sempre uma famosa recauchutada todo dia. Enfim, os exemplos ocupam as festas familiares, encontros de amigos, férias. Uma clara atitude de superioridade emana daqueles que parecem em dia com o que a última ciência diz do modo mais saudável de envelhecer. Isso sem levar em conta que, afora os exames claramente válidos, muita coisa é moda naquilo que falam, principalmente no que se refere a dietas alimentares.

Para algumas pessoas, tudo que restou após os 50 anos é se gabar dos procedimentos supostamente científicos que praticam no seu dia a dia. O envelhecimento carrega consigo uma dose significativa de desespero, o que é normal. A cada dia tudo pode começar a dar errado no corpo, e isso não há atitude motivacional que resolva. Alguns filhos se tornam verdadeiros tiranos na relação com seus pais, exigindo deles, muitas vezes, o abandono de qualquer forma de vida que para esses pais, até então, foi significativa.

Ao mesmo tempo, existe o outro fenômeno citado anteriormente: a busca histérica por mimetizar a juventude perdida. Não me refiro aqui a meros hábitos de vestimenta. Com a idade, a disposição para atividades “jovens” diminui. A maturidade carrega consigo um certo ceticismo para com muitas das coisas que os jovens veem como de grande valor. A idade busca um certo silêncio, em detrimento da vocação jovem ao ruído.

A maturidade tende a relativizar o encanto do sexo em favor de experiências estéticas mais contemplativas. O gosto pelo hábito em lugar da busca incessante pela novidade. A recusa por ambientes saturados de pessoas em favor de ocasiões mais seletivas no que tange à ocupação dos espaços à sua volta.

Nada do citado aqui como escolhas da maturidade representa em si a morte ou a desistência da vida. Apenas um modo mais atento ao uso do tempo que resta e uma temporalidade de um corpo e uma alma que podem apresentar um cansaço saudável pelas ilusões do mundo. Nada mais estoico.

*** LUIZ FELIPE PONDÉ

ESTAR BEM

COMO IDENTIFICAR E LIDAR COM A INTOLERÂNCIA À LACTOSE

Fazer o diagnóstico é importante para descartar outras doenças com sintomas similares; tratamento ajuda paciente a ter uma vida normal

Se você já passou mal após ingerir leite ou laticínios, é grande a possibilidade de você ser intolerante à lactose, condição que acomete até 70% da população mundial ao longo da vida.

A intolerância é a dificuldade de absorver o açúcar do leite, a lactose, pela incapacidade de produzir a enzima lactase, responsável por essa digestão. A lactose não absorvida, então, fica no intestino e pode provocar desconforto abdominal, gases, azia, cólica, sensação de estufamento e diarreia. “É uma tentativa de o organismo mandar embora aquela partícula que não foi absorvida”, explica Isadora Elias Pereira, gastroenterologista e professora de medicina da Universidade Privada de Campo Grande, Uniderp.

Na prática, por causa das enzimas artificiais e do aumento de produtos sem lactose no mercado, o dia a dia do paciente é pouco afetado. No entanto, saber o diagnóstico é importante, de acordo com a médica, pois descarta a existência de outras doenças com sintomas parecidos.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

São três as maneiras de diagnosticar a intolerância à lactose. A primeira, mais comum e amplamente disponível, é pela retirada do sangue do paciente em jejum e, na sequência, após ele ingerir uma certa quantidade de lactose.

“O objetivo é detectar a variação de glicose no sangue. Se aumentar, a lactose foi absorvida, se não, pode significar que a pessoa não consegue absorver essa molécula”, esclarece a médica.

A ideia é a mesma para o teste respiratório, que mede a quantidade de hidrogênio expirado, após ingerir lacto- se. “Quando o paciente não absorve essa molécula de açúcar, ele produz um ácido, H+, que é hidrogênio e passa, então, a ser expirado pelos pulmões. A máquina consegue quantificar isso”, diz.

O último diagnóstico, que é o clínico presumido, ocorre quando a pessoa não consegue realizar os testes, mas observa a associação da alimentação com os sintomas. “Nesse caso, fazemos um teste terapêutico de consumir produtos sem lactose e usar a enzima industrializada para ver se há melhora dos sintomas.”

EXISTEM DIFERENTES TIPOS DE INTOLERÂNCIA?

A intolerância mais comum é a primária. Ela surge com o passar dos anos e com a redução da concentração de lacta- se no organismo. Ou seja, quando somos bebês, a quantidade de ingestão de leite é diária, por isso há uma alta produção da enzima. Porém, ao ficarmos mais velhos, essa produção diminui.

Há também a congênita, quando a criança já nasce com a deficiência, algo mais difícil de acontecer. E até a secundária, quando há outra doença intestinal dificultando a absorção de lactose. Neste caso, basta tratar a doença de base, como parasitas intestinais, e a absorção de lactose pode ser restabelecida.

De acordo com a especialista, é importante não confundir intolerância com alergia à proteína do leite. “Essa alergia é uma reação do sistema imunológico que também pode ter sintomas gastrointestinais, mas é mais reconhecida pelo inchaço nos lábios, coceira e manchas vermelhas na pele. Já a intolerância acomete apenas o sistema digestivo.”

COMO É O TRATAMENTO?

Não existe cura ou prevenção para a intolerância primária, mas há maneiras de reduzir os sintomas que causam desconforto, especialmente com a mudança na dieta. Ao contrário do que se imagina, o leite não deve ser abolido, a não ser por recomendação médica, mas sim adaptado: pela redução da quantidade ou pelo uso de produtos veganos. Neste último caso, para garantir a ingestão de cálcio, invista em verduras de folhas verdes, feijão, ovos, ervilhas e tofu.

“Quem é intolerante à lactose já se conhece e sabe o que leva aos sintomas e é justamente essa auto-observação que é eficaz”, conta Isadora. Na maioria dos casos, recorre-se à lactase sintética, formulada pela indústria farmacêutica e ingerida antes das refeições que tenham leite e derivados. “É claro que ela não vai dar conta de grandes quantidade de lactose”, alerta a médica.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTUDOS MOSTRAM O PODER INESPERADO DE GESTOS ESPONTÂNEOS DE GENTILEZA

Pesquisadores descobriram que quem pratica um ato de bondade subestima o efeito em quem o recebe – e o bem a si mesmo

No final de agosto, Erin Alexander, 57, sentou-se no estacionamento de um café na Califórnia, e chorou. Sua cunhada havia morrido recentemente e ela estava tendo um dia difícil.

Dentro do café, uma barista que trabalhava no local também estava. A máquina de expresso quebrou e ela estava claramente estressada. Erin – que havia parado de chorar e entrado na loja – sorriu, pediu um chá verde gelado e disse a ela que aguentasse firme. Depois, ao pegar seu pedido, notou uma mensagem no copo: “Erin, sua alma é de ouro” e um coração.

O calor daquele pequeno e inesperado gesto, de uma estranha que não fazia ideia do que ela estava passando, a comoveu profundamente.

“É claro que eu ainda estava muito triste”, disse Erin. “Mas aquela atitude melhorou o meu dia.

Novas descobertas, publicadas no Journal of Experimental Psychology, em agosto, corroboram o quão poderosas as experiências como a de Erin podem ser. Os pesquisadores descobriram que as pessoas que realizam um ato aleatório de gentileza ou bondade tendem a subestimar o quanto o receptor irá apreciá-lo.

“Temos esse viés de negatividade quando se trata de conexão social. Simplesmente não achamos que o impacto positivo de nossos comportamentos seja tão marcante quanto é”, diz a psicóloga americana Marisa Franco. “Com um estudo como este, espero que mais pessoas se inspirem a realmente ter eventuais atos de bondade.

EXPERIMENTOS

O estudo compreendeu oito pequenos experimentos que variaram em formato e participantes. Em um deles, por exemplo, foi solicitado aos alunos de pós-graduação a realização de atos gentis a sua própria escolha, como dar carona a um colega de classe, assar biscoitos ou comprar uma xícara de café para alguém.

Em outro, os pesquisadores convidaram 84 voluntários, durante dois fins de semana frios, numa pista de patinação no gelo. Eles receberam um chocolate quente, e podiam escolher entre ficar coma bebida ou entregá-la a um estranho, por pura gentileza. Os 75 participantes que doaram o chocolate quente foram convidados a adivinhar o quão “grande” o ato de bondade seria para o destinatário em uma escala de 0 – muito pequeno – a 10 – muito grande – e prever como o receptor classificaria seu humor – variando de muito mais negativo do que o normal a muito mais positivo do que o normal – ao receber a bebida.

Nesse experimento – e em todos os outros – as pessoas que praticaram a gentileza subestimaram o quanto isso foi apreciado, disse um dos autores do estudo, Amit Kumar, professor de psicologia da Universidade do Texas.

“Não conhecer o impacto positivo pode evitar que a pessoa realize esse tipo de gesto de gentileza no dia a dia. As pessoas tendem a pensar que o que estão dando é pouco”, disse Kumar. “Mas os destinatários são menos propensos a pensar desse jeito. Eles consideram o gesto de forma mais significativa, porque pensam que alguém fez algo bom para eles. A noção de que a bondade pode aumentar o bem-estar não é nova. Estudos mostraram que o comportamento pró social – basicamente, ajudar voluntariamente os outros – pode ajudar a diminuir os níveis de estresse diário das pessoas e que simples atos de conexão, como enviar mensagens de texto para um amigo, significam mais do se imagina. Mas pesquisadores que estudam bondade e amizade dizem esperar que as novas descobertas fortaleçam o argumento científico para fazer esses tipos de gestos com mais frequência.

COMO FAZER

O estresse também pode impedir as pessoas de serem gentis com os outros, segundo ela, assim como a “pequena voz julgadora” na cabeça das pessoas que as faz questionar se seu gesto ou presente será mal interpretado ou se fará com que o destinatário se sinta pressionado a retribuir.

“Quando surge o impulso da bondade, nós pensamos demais”, disse Tara Cousineau, psicóloga clínica.

Mas é improvável que um ato de bondade saia pela culatra, segundo ela, e, em alguns casos, pode gerar ainda mais gentileza.

Jennifer Oldham, 36, perdeu a filha de 9 anos, Hallie, em julho depois que uma árvore caiu sobre o carro em que estava e recentemente criou um grupo no Facebook que incentiva os participantes a se envolverem em atos espontâneos de bondade. As pessoas compraram mantimentos e fórmulas infantis para outras em homenagem a Hallie. Também doaram material escolar e deram hortênsias a estranhos.

“Nenhum pequeno ato passa despercebido”, diz Oldham. “Isso ajudará seu próprio coração, talvez até mais do que o de quem recebe.

Se você ainda não tem o hábito de realizar atos gentis de forma espontânea – ou se isso não te ocorre naturalmente – Franco disse para começar pensando no que você gosta de fazer:

“Não é sobre você ficar tipo, ‘Puxa, agora eu tenho que aprender a assar biscoitos para ser legal’. É sobre que habilidades e talentos você já tem? E como você pode transformar isso em uma oferta para outras pessoas?

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