OUTROS OLHARES

INFLUENCERS DA MENOPAUSA

Quem são as mulheres que dedicam seus perfis à fase feminina considerada tabu até pouco tempo, com muita informação, lives e bom humor

Envergonhada ficava a sua avó. Período iniciado com o fim da menstruação (normalmente entre os 45 e 55 anos), a menopausa vem sendo disseminada nas mídias sociais, com a proposta de mudar o pensamento sobre o assunto. E, com uma alta dose de ajuda de famosas, como Angélica, Andrea Beltrão, Denise Fraga, Claudia Raia, Angelina Jolie e Naomi Watts, falando às claras sobre como lidaram e superaram os sintomas que podem aparecer já no climatério. Mas destaca-se também a turma que vem promovendo conteúdo digital, entre médicas, nutricionistas, psicólogas e atrizes, com perfis recheados de muita informação em forma de esquetes de humor, lives para tirar dúvidas, dicas e estudos sobre terapia de reposição hormonal. Para a ginecologista Joele Leripio, o importante é munir as mulheres para que possam escolher um bom profissional para acompanhá-las. “Vivemos 30% da nossa vida na menopausa, é preciso entender esse processo, há muitas alterações que podem desencadear doenças”, explica.

@menopausa_cancelada

GIOVANA AGOSTINI, nutricionista 317 mil seguidores

Com mensagens acolhedoras de que é possível cuidar, buscar uma vida saudável, e, com isso, entender o envelhecimento, as “influenciadores da menopausa” são taxativas ao afirmar que não é normal passar por esse período sofrendo. Uma delas, a atriz Julieta Zarza, conta como encontrou uma rede de apoio no Instagram: “Transformar a minha história em arte e compartilhar foi extremamente terapêutico. A potência que é abrir um diálogo, um debate… Sinto que somos uma comunidade”.

O poder da alimentação para tratar os sintomas da menopausa. Esse é o mote do perfil criado por Giovanna Agostini, nutricionista funcional e chef especialista em modo de preparo dos alimentos. “É tudo baseado no que eu chamo de DNA: é preciso desinflamar, nutrir o organismo e aumentar os hormônios e neurotransmissores. Desenvolvi uma metodologia com esses pilares.” Com muitas lives regadas a receitas, ela conta que as maiores repercussões estão nos conteúdos que abordam os grandes vilões (como o leite, segundo ela) e ainda ingredientes capazes de devolver libido e diminuir fogachos. Há vídeos mostrando pratos mais tradicionais como estrogonofe de frango e moqueca de peixe, até os mais originais, como pudim de chia, brigadeiro de inhame. E muitos chás: mix de cavalinha, bardana e centella asiática, por exemplo, para melhorar a pele. “Eu travei uma luta pessoal contra a indústria alimentícia e a farmacêutica. Nos faz adoecer. A proposta no meu perfil é voltar para nossos antepassados e resolver tudo de forma natural. A começar reduzindo e substituindo leite, glúten e cafeína no nosso cotidiano”, diz. Um dos vídeos mostra um leite vegetal com cúrcuma, pimenta-do-reino, noz-moscada e cardamomo para o lugar do café com leite: “Tem efeito afrodisíaco”.

@drabeatriztupinamba

BEATRIZ TUPINAMBÁ, ginecologista – 297 mil seguidores

O perfil no Instagram da médica Beatriz Tupinambá mudou completamente quando ela postou a seguinte frase:

“Menopausa é a melhor fase na vida da mulher”. Era o ano de 2020 e, de lá para cá, conquistou quase 300 mil seguidores. Até chegar a tal afirmação, foi um longo período.

Especialista em reprodução humana, a carreira da médica mudou de rumo quando sua mãe entrou na menopausa. “Ela não tinha vontade de fazer nada, ficou depressiva, ganhou peso. Minha mãe estava indo embora e eu, como ginecologista, não sabia tratar. Havia aquele preconceito de que reposição hormonal causava câncer e os médicos que ouvimos disseram que era assim mesmo, tinha que aguentar. Como assim a gente chegou na Lua e não há um tratamento para menopausa?”, lembra, indignada. Beatriz se enfiou nos estudos, cursou uma pós em longevidade, publicou artigos científicos e hoje dá aula na UniRio. Aplicou os ensinamentos na mãe, as amigas logo vieram atrás, viraram pacientes.

Beatriz elaborou um método batizado de Ressignifique, feito por oito mil mulheres. Seu perfil traz pequenos vídeos, posts diários, além de uma programação intensa de lives: “As maiores audiências são em torno da libido e da terapia de reposição hormonal (ela defende a bioidêntica).”

@drajoeleleripio_menopausa

JOELE LERÍPIO, ginecologista 60,4 mil seguidores

O que motivou a médica gaúcha Joele Leripio a abrir seu perfil fechado no Instagram foi a quantidade de informações erradas que via espalhadas pela rede. De forma direta e fácil de entender, a ginecologista, que tem especialização em fisionomia do envelhecimento saudável, em terapia regenerativa íntima e trabalha exclusivamente com mulheres no climatério e na menopausa, promove lives para tirar dúvidas. Recebe centenas delas por seu direct. “Ainda existe uma confusão muito grande sobre os tipos de hormônios para repor, como são administrados, os riscos, quem pode, quem não pode, quando se deve parar…”, diz. A intenção é nutrir sua seguidora de informação para ter a capacidade de escolher o profissional que vai cuidar dela e escolher a melhor forma de tratar. Joele faz questão de ressaltar que não traz fórmulas prontas: “Tento mostrar a vida como ela é, sem mágica, cada uma é responsável pelo próprio envelhecimento. Ela vai ter que se mexer se quiser continuar com saúde”.

@peripeciasmenopausicas

JULIETA ZARZA, atriz e palhaça 11,6 mil seguidores

Logo que deixou de amamentar sua bebê, aos 37 anos, a atriz argentina Julieta Zarza soube, por sua ginecologista, qual era o motivo daquele incômodo todo que vinha sentindo: menopausa precoce. Recebeu informações que hoje classifica como desatualizadas e passou por uma fase de negação e medo: “Fiquei mal, sentindo os fogachos, queda de cabelo, depressão, uma certa confusão mental… Quando cheguei ao fundo do poço, decidi trocar de médica e compreendi que eu podia iniciar a reposição hormonal. Comecei a melhorar e veio uma revolta”, conta Julieta (hoje com 43 anos e há 15 no Brasil), que também é palhaça, ilusionista, palestrante, diretora e produtora cultural. “Estamos em uma situação muito precária, muita falta de informação, casos sem acesso a tratamento… Senti um desejo enorme de compartilhar essa experiência, mas queria de uma forma leve, divertida.”

Veio a pandemia e houve tempo para elaborar um projeto. Nasceu então a websérie e o perfil Peripécias Menopáusicas – 15 esquetes cômicos sobre situações do cotidiano, que abrem janelas para conteúdo de profissionais da área da saúde. Em episódios com títulos como “Furacão emocional”, “Secas e molhadas”, “Amigas da libi” e “Caliente”, Julieta protagoniza uma personagem caricata para explicar questões fisiológicas, personifica hormônios e mostra como a menopausa afeta as relações não apenas pessoais, mas no trabalho. “Palhaçada é um tipo de humor que não aponta e ri da situação do outro. Eu estou me colocando como alvo da risada, essas coisas acontecem comigo e as pessoas se identificam”, define a atriz, que se prepara para lançar um curta metragem sobre o tema, já sendo exibido em festivais.

@diariomenopausa

SÂMARA IRUMÉ, psicóloga 26,4 mil seguidores

Ao rolar o feed da psicóloga Sâmara Irumé, logo aparecem a atriz americana Gwyneth Paltrow relatando seu encantamento com os 50 anos, uma informação sobre unhas quebradiças (sabia que é um sintoma desconhecido da menopausa?), outra sobre como equilibrar os batimentos cardíacos em uma crise de pânico, um estudo mostrando que 59% das mulheres entre 44 e 60 anos saem sentindo-se não entendidas de suas consultas médicas e ainda memes divertidos e lives. Sâmara tem 50 anos, uma formação em Harvard, mora no Canadá, adora andar de bicicleta, correr, fazer ioga e estranhou muito quando engordou e não queria mais largar os cobertores, aos 45 anos. “Passei perrengues, mergulhei nos estudos e saí apaixonada por essa fase. Entendi que sofrer na menopausa não é normal”, garante. Foi em uma das madrugadas acordada por causa dos calorões que surgiu a ideia da mídia social: “Me sentei na cama e pensei que ninguém precisa passar por isso! Dedico ao menos uma hora para conversar com as mulheres que me procuram no direct. Há o luto do envelhecimento, medo de não ser mais ela mesma, de se olhar no espelho”. O perfil vai além de questões sobre hormônios e entra na área da psicologia, mostrando o que os sintomas estão comunicando. “Aos 45, 50 anos, estamos no nosso ápice de maturidade, nossa potência cognitiva. A sociedade precisa cuidar dessas mulheres.”

GESTÃO E CARREIRA

O QUE FAZER QUANDO O TRABALHO PREJUDICA O SEU BEM-ESTAR

Especialistas apontam os sinais de esgotamento relacionados à vida profissional e sugerem estratégias para lidar com isso

Independentemente do tipo de trabalho que você faz, em algum momento da vida ele pode afetar sua saúde mental e vice-versa. Mas você tem escolhas quando se trata de preservar e melhorar seu bem-estar.

Uma pesquisa com mais de cinco mil funcionários realizada pelo grupo de defesa Mental Health América descobriu que 83% dos entrevistados se sentiam emocionalmente esgotados pelo trabalho, e 71% concordavam que o ambiente profissional afetava sua saúde mental. Embora os participantes do estudo não sejam representativos da população em geral – eles provavelmente se depararam com a pesquisa ao procurar ajuda da organização de saúde mental -, suas respostas mostram o quão ansiosos alguns trabalhadores estão.

Mulheres e pessoas negras podem enfrentar uma quantidade desproporcional de estresse tanto no local de trabalho quanto fora dele. De acordo com dados do governo americano, as mulheres são pelo menos duas vezes mais propensas a ter depressão do que os homens. Já os negros têm menos chances de receber tratamento para depressão ou medicamentos prescritos para saúde mental do que os brancos não latinos. Um relatório de 2020 da Lean In e da McKinsey & Company observou que as mulheres negras também recebem menos apoio necessário para avançar no seu campo de trabalho do que as brancas.

Pode ser benéfico para todos nós estarmos atentos a sinais de que podemos precisar fazer mudanças no trabalho ou obter ajuda profissional, dizem os especialistas. Por isso, aqui vão orientações para equacionar saúde mental e vida profissional:

AVALIE SEUS SENTIMENTOS

“Todo mundo tem alguma consciência de seu funcionamento básico no emprego”, afirma Jessi Gold, psiquiatra da Universidade de Washington em St. Louis.

Então, se você começar a perceber que está perdendo o interesse em seu emprego ou sua produtividade despencou, é uma indicação de que algo está errado.

Você pode perceber, por exemplo, que tem medo de começar a trabalhar todos os dias ou que se sente tão ansioso que tem dificuldade em pensar em tudo o que deveria fazer. Talvez seus e-mails estejam se acumulando e você não esteja se comunicando com as pessoas tanto quanto faria normalmente. Se você está se sentindo ineficaz no trabalho, também pode começara se envolver em uma conversa interna mais negativa, como “eu não sou bom no meu trabalho de qualquer maneira. Sou um inútil”, explica a psiquiatra.

Um sinal de alerta ainda maior de que o trabalho está afetando sua saúde mental é se sua vida profissional afunda seu humor a ponto de começar a prejudicar seus relacionamentos pessoais. Por exemplo, você pode descobrir que está brigando mais com seu parceiro, ficando mais irritado com seus filhos ou evitando atividades sociais como normalmente não faria.

Pense no que pode estar causando esses sentimentos. Existe uma parte das suas responsabilidades de trabalho que está causando a maior parte dessa angústia? Você tem um problema de saúde subjacente, como depressão, que não foi tratado? É alguma combinação das duas coisas?

PROCURE APOIO

Quando perceber que precisa de ajuda, procure um amigo de confiança, mentor, colega de trabalho, grupo de colegas ou terapeuta, aconselha Inger Burnett-Zeigler, professora associada de psiquiatria e ciências comportamentais da Northwestern University Feinberg School of Medicine, que pesquisa a saúde mental das mulheres negras.

“(Este precisa ser um lugar) onde você pode se sentir visto, ouvido e validado, um lugar onde você pode ser totalmente autêntico sem medo de julgamento ou repercussões negativas”, acrescenta a especialista.

Muitos empregadores oferecem programas de assistência aos funcionários com uma variedade de serviços, incluindo aconselhamento de curto prazo de terapeutas ou referências a especialistas externos que podem ajudar com o problema específico que você está tendo. Esses serviços devem ser considerados confidenciais. Ainda assim, alguns funcionários podem se sentir desconfortáveis em usá-los.

Sua empresa também pode ter parcerias com outras organizações que oferecem palestras sobre bem-estar ou coaching de carreira gratuito. Vale a pena investigar todas as opções, de acordo com os especialistas.

“Os empregadores tornaram-se muito mais conscientes e francamente progressistas na forma como têm administrado e tratado questões de saúde mental nos últimos anos”, afirma Michael Thompson, presidente e executivo-chefe da National Alliance of Healthcare Purchaser Coalitions – “A pandemia realmente reforçou muito isso.

A organização de Thompson fez recentemente uma pesquisa online com 151 empregadores que oferecem serviços de saúde e descobriu que 72% estavam buscando melhorar o acesso à saúde mental de seus funcionários, e 16% estavam pensando em fazer isso nos próximos um ou dois anos.

DEFINA LIMITES

Depois de encontrar uma pessoa que possa ser fonte de apoio para ouvi-lo, juntos vocês podem começar a elaborar um plano para melhorar sua vida profissional e seu bem-estar emocional.

Pense no que você mais precisa: é algo maior como uma licença médica de curto prazo, ou já ajudaria ter mais flexibilidade em seu horário de trabalho, por exemplo? Ajudaria definir limites de quando e com que frequência você responde a mensagens profissionais?

Antes de abordar isso com seu supervisor, certifique-se de considerar como a solução proposta funcionaria no contexto de sua equipe, porque é isso que seu empregador também deseja saber. Em outras palavras, mostre como sua ideia beneficiará o grupo como um todo.

“Se você está realmente estressado e tem um problema de saúde mental com o qual está lutando, é muito difícil pensar na equipe de forma mais ampla”, avalia John Quelch, reitor da Miami Herbert Business School em Coral Gables, na Flórida, e coautor do livro “Gestão compassiva da saúde mental no local de trabalho moderno” (em tradução livre, inédito no Brasil).

Mesmo assim, Quelch acrescenta: “você tem que tentar entrar na cabeça do seu empregador”.

Durante a pandemia, os problemas de saúde mental se difundiram. Um relatório dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos concluiu que, em junho de 2020, 40% dos adultos do país estavam lutando com problemas de saúde mental ou uso abusivo de substâncias, como álcool.

Não há problema em ser aberto e admitir para si mesmo e para aqueles em quem confia que está enfrentando dificuldades, diz Paul Gionfriddo, presidente e executivo-chefe da Mental Health América. Ele acrescenta:

“A maioria dos bons empregadores vai perguntar: “O que posso fazer para ajudar?” Você também pode decidir manter suas preocupações na esfera privada e abordá-las apenas com seu terapeuta, e tudo bem também. Mas criar limites de trabalho saudáveis é vital, dizem os especialistas.

“Lembre-se de que você é um ser humano digno e valioso, separado de sua função de trabalho, produtividade e até mesmo como você pode ser avaliado por outros. Quando sentimentos de dúvida e não pertencimento aparecerem, não perca de vista os talentos e ideias singulares que você traz para o local de trabalho”, diz Burnett-Zeigler.

BUSCA EXTERNA

Mas digamos que todos seus esforços para lidar com seu bem-estar emocional em seu trabalho fracassaram ou que o ambiente de trabalho se tornou verdadeiramente tóxico.

Nesse caso, disseram os especialistas, é melhor, provavelmente, começar a procurar outro emprego, especialmente se você se tornou alvo de ridicularização, ameaças ou comentários abusivos de um superior.

É ilegal que um empregador o discrimine simplesmente porque você tem problemas de saúde mental. Segundo a Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA, se você tiver uma condição qualificada como depressão ou transtorno de estresse pós-traumático, você tem o direito legal a uma estrutura razoável que o ajude a fazer seu trabalho — por exemplo, ter a possibilidade de agendar compromissos como ir à terapia ou ao médico, um escritório tranquilo ou permissão para trabalhar em casa.

“O que precisamos fazer é reconhecer que a ansiedade é real, a depressão é real”, afirma Paul Gionfriddo

“A pandemia está sendo um momento muito bom para as pessoas fazerem essa avaliação pessoal, porque sempre há oportunidades de encontrar trabalhos mais significativos por aí.

EU ACHO …

O VERBO AMOR

Encontrar um amor que valha a pena parece cada vez mais difícil. A sensação é de que as relações estão rasas e as pessoas, sem responsabilidade afetiva. Exaustos e frustrados, tendemos a colocar a culpa nos tais tempos líquidos e na volatilidade dos ex-possíveis futuros parceiros.

E se eu te disser que parte dos problemas amorosos vem de uma questão semântica? Talvez o mal-estar dessa nossa civilização se dê porque ainda encaramos o amor como substantivo e não como verbo. A maioria de nós caiu na lavagem cerebral das narrativas de Shakespeare à Hollywood, que nos ensinam que o amor é esse sentimento arrebatador, que simplesmente acontece. Por mais que a gente saiba que o “felizes pra sempre” é um conto de fadas, a maioria de nós ainda romantiza esse feitiço do amor. Justificamos ficar em relações tóxicas ou totalmente projetadas porque esse amor “é mais forte do que a gente” e queremos conexões intensas para que possamos abrir mão da intensidade de nossa vida a um. Mas, paradoxalmente, em tempos em que ser emocionada virou adjetivo pejorativo, esperamos amores intensos, mas não somos capazes de dar passos concretos para a construção das relações. Cada vez menos gente abre a agenda ou o coração para o outro.

Para que possamos ter o amor que tanto queremos, precisamos entender que amor é mais verbo que substantivo. É mais sobre fazer do que sobre sentir. Erich Fromm, psicanalista alemão, diz que “o amor é o que o amor faz. Uma intenção e uma ação. A vontade também implica uma escolha. Nós não temos que amar. Escolhemos amar”. O amor verbo é um amor que age em prol da relação e de si.

Entender o amor ação faz com que tenhamos de nos desarmar. Precisaremos apostar e investir na construção do vínculo, de forma concreta. Faz também com que tenhamos que nos despedir dos lindos amores projetados, em que nos apegamos à possibilidade de que um dia as coisas mudem. Se a pessoa não está fazendo por você, não há amor possível. Sei que dá medo de desromantizar o amor emoção, mas o amor verbo traz consigo uma magia maior: ele nos faz agentes do amor que queremos. Diz se esse amor verbo não é emocionante?

CAROL TILKIAN é comunicadora e pesquisadora de amor e relacionamentos e psicanalista em formação. Fundadora do Amores Possíveis, canal que aborda o fazer do amor em todos os âmbitos de nossas vidas

ESTAR BEM

DIETA CETOGÊNICA

Novos estudos mostram que o regime melhora Alzheimer

Rica em gordura e pobre em carboidratos e proteínas. A dieta cetogênica tem ganhado adeptos especialmente entre celebridades que buscam perder peso. A estratégia pode de fato ser bem-sucedida, porém cada vez mais estudos destacam que o aspecto neuroprotetor da dieta, com impactos positivos para a cognição e o controle de doenças que afetam o cérebro, é o verdadeiro potencial por trás da rotina alimentar. Mas afinal, o que é a dieta cetogênica e para quais objetivos ela funciona?

O endocrinologista e nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), explica que essa forma de alimentação consiste em limitar a ingestão diária de carboidratos a uma quantidade entre 20 e 50 gramas. É uma versão mais restrita da dieta low carb, que permite até cerca de 130 gramas. O resto é preenchido pelas “gorduras boas”. Isso estimula de forma recorrente um processo metabólico no corpo chamado de cetose, que acontece quando o organismo utiliza a gordura como fonte de energia.

“Quando não há quantidade suficiente de glicose, que é a principal fonte de energia do organismo, o corpo passa a utilizar a gordura como fonte. Esse é um processo natural, mas a dieta cetogênica busca estimular esse mecanismo. Então o corpo passa a utilizar mais corpos cetônicos, resultado da destruição das células de gordura, do que glicose para funcionar”, diz o especialista.

Esse mecanismo, de estímulo ao uso da gordura como fonte principal de energia, é o que leva à ideia de que ela acelera o processo de perda de peso, embora ainda não existam muitas evidências sobre a eficácia real para o emagrecimento. Por outro lado, porém, os aspectos positivos para a cognição já são contemplados por um amplo número de estudos.

Em uma revisão publicada no periódico European Journal of Clinical Nutrition, pesquisadores destacaram que “as dietas cetogênicas são comumente consideradas uma ferramenta útil para o controle de peso”, mas chamaram atenção para os “cenários novos e empolgantes” sobre o uso para “doenças cardiovasculares e neurológicas”.

Esse potencial não é à toa, afinal a alimentação foi pensada inicialmente para atuarem quadros de epilepsia em crianças. Um estudo, publicado na revista científica The Lancet Neurology, avaliou a capacidade de controlar, por meio da dieta cetogênica, as convulsões em crianças epilépticas com resistência a medicamentos. Ao final de três meses, aquelas que passaram pela mudança na alimentação tiveram uma redução de, em média, 75% nas convulsões. Para 7% dos que adotaram a dieta, a diminuição chegou a ser de 90%.

“O cérebro é muito metabolicamente ativo, então ele consome muito açúcar. Mas a dieta permite trocar a glicose pelos corpos cetônicos, o que o órgão metaboliza melhor. Os estudos mostram que a dieta oferece uma série de benefícios para a melhora da cognição no geral, além da epilepsia”, conta o médico endocrinologista Fabiano Serfaty.

Uma revisão de 63 estudos publicados entre 2004 e 2019, conduzida por pesquisadores da Universidade de Deusto, na Espanha, buscou descobrir se o mesmo mecanismo que ajudou a controlar as convulsões poderia melhorar as habilidades cognitivas de pacientes com Alzheimer, Parkinson e diabetes tipo 1, além da própria epilepsia refratária, já que as doenças compartilham semelhanças, como o estresse oxidativo e a neuroinflamação. Na revisão, publicada na revista científica Nutrition Reviews, eles escrevem que a dieta foi de fato associada a uma preservação das funções cognitivas.

“Incentivar a pesquisa sobre benefícios cognitivos [da dieta] pode nos fornecer uma ferramenta poderosa para melhorar a qualidade de vida desses indivíduos”, escreveram os pesquisadores.

Em outro estudo, pesquisadores da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, analisaram 14 idosos com comprometimento cognitivo leve, em que parte adotou a dieta cetogênica. Os benefícios foram modestos, mas mensuráveis em testes de memória.

“Se pudermos confirmar essas descobertas preliminares, o uso de mudanças na dieta para mitigar a perda cognitiva na demência em estágio inicial seria um divisor de águas. É algo que mais de 400 medicamentos experimentais não foram capazes de fazer”, explicou o professor de psiquiatria e neurologia da universidade e autor do estudo, Jason Brandt.

ACOMPANHAMENTO

Os especialistas destacam que, por envolver uma mudança drástica no funcionamento do organismo, a dieta cetogênica demanda orientação de um profissional médico ou de nutrição.  

“O grande desafio da dieta cetogênica é você começar e manter, porque envolve uma mudança grande no estilo de vida”, destaca Serfaty.

A dieta pode levar a alguns efeitos colaterais no início, como fadiga, dores de cabeça, alterações de humor e mau hálito, que podem durar dias ou semanas. Pode até ser necessária a suplementação para evitar desnutrição.

Mulheres grávidas, pessoas com transtornos alimentares ou com histórico de problemas renais, de fígado e alterações cardiovasculares devem evitar a dieta.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

COMO MANTER A SINTONIA E O DIÁLOGO COM UM FILHO ADOLESCENTE

Especialistas ensinam formas de aproximar a família, como ser curioso em relação aos interesses deles e acatar sugestões de lazer

Quando a pandemia de Covid começou, o filho de Antoinette Taft, Noah, que tinha 12 anos na época, desapareceu em um mundo de telas. Ele chegava a ficar 17 horas por dia jogando videogame, sozinho no quarto. O garoto evitava as tarefas de casa e trabalhos escolares. Quando a mãe tentou argumentar, ele bateu portas e gritou.

Taft e Noah já tiveram um vínculo forte, mas quando a pandemia começou ela “não conseguiu falar com ele”, reconhece. Para muitos pais, manter uma conexão emocional com um adolescente nesse período não foi algo fácil. E as raízes dessa desconexão podem estar nas batalhas emocionais das crianças.

Pesquisa dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) mostrou que mais de um terço dos estudantes do ensino médio dizem ter tido problemas de saúde mental durante a pandemia e 44% afirmaram sentir tristeza persistente ou desesperança, um aumento de quase 37% em relação a 2019. Ao mesmo tempo, estimativas sugerem que a quantidade média de tempo que os jovens passam na frente das telas pode ter dobrado.

Se aproximar de um adolescente nessas circunstâncias pode parecer impossível, mas fortalecer o vínculo emocional com seu filho ajuda a longo prazo. Relações parentais fortes estão ligadas a níveis mais altos de autocontrole em jovens, bem como a uma maior autoestima. A pesquisa também sugere que os adolescentes, geralmente, gostam e admiram os pais – e querem passar tempo com eles, mesmo enquanto estão dedicados a descobrir como ser mais independentes.

Especialistas compartilham estratégias simples para encontrar conexão com os jovens em casa:

DIMINUA AS EXPECTATIVAS

Quando um pré-adolescente ou adolescente é mal-humorado ou retraído, isso pode não ter apenas relação com a mudança dos hormônios. É normal que os jovens se afastem dos pais à medida que se desenvolvem. Pesquisas mostram até, por exemplo, que os cérebros dos adolescentes são programados para sintonizar vozes menos familiares em detrimento daquelas das suas mães.

“Cada adolescente está testando os limites da independência”, afirma Jessi Gold, psiquiatra da Universidade de Washington.

Com isso em mente, Julie Ross, diretora de uma organização de educação, considera que os pais devem moderar as expectativas sobre uma forte conexão durante essa fase. Sim, alguns adolescentes permanecem muito próximos, mas não é necessário ter conversas profundas e significativas para ter um relacionamento saudável e de confiança.

“Adolescentes não estão “em sincronia” com ninguém, nem mesmo com eles próprios na maior parte do tempo”, diz Ross. Ela incentiva os pais a se esforçarem para estar em sintonia com os filhos, o que muitas vezes pode ser feito observando a linguagem corporal ou a maneira como eles se conectam com os colegas.

Mas preste atenção às mudanças de humor ou comportamento, como alterações na escola ou diferenças nos padrões de alimentação e sono que duram semanas ou meses, o que pode ser indicativo de um problema maior, como depressão e ansiedade.

“Se eles estão se isolando completamente ou parecem muito zangados com todos, em geral, isso é um sinal de alerta”, afirma Gold.

DEMONSTRE INTERESSE

Ross acredita que a melhor maneira de construir uma conexão com os adolescentes é se aproximar por meio de seus interesses, numa “atitude de curiosidade”.

Quando um de seus filhos era adolescente e se interessava profundamente por jogos on-line, Ross conseguiu interagir fazendo perguntas sobre as estratégias do jogo. Mas muitos interesses banais podem oferecer oportunidades de conexão. Uma das clientes da especialista se aproximou de sua adolescente ao descobrir qual era a bebida favorita dela no Starbucks e entregá-la depois do treino de futebol.

A psiquiatra Katherine Ort defende que pode ser suficiente só assistir aos vídeos favoritos dos adolescentes no YouTube ou TikTok junto deles. Manter o foco das conversas nos interesses do seu filho pode ser particularmente útil se ele não for do tipo falador.

“Encorajá-los a falar sobre algo que é importante para eles pode fornecer muitas informações e conexões sem anunciar como: “gostaria de falar sobre X, Y e Z agora”, diz Ort.

FAÇA VALER A PENA

As estratégias que podem ser úteis para adultos que ficam muito tempo no celular também podem beneficiar os adolescentes, como reservar um período do dia para ficar longe de seus dispositivos. Dar o exemplo é importante, acrescenta Ort.

Se o objetivo não é só fazer com que o adolescente diminua o tempo na frente da tela, mas seduzi-lo a passar esse período, de boa vontade, com você, será preciso tornar a alternativa tão atraente quanto o dispositivo.

Para descobrir o que isso significa para o seu adolescente, façam um brainstorm com ele. Talvez seu filho queira jogar um jogo, passear com o cachorro ou experimentar um novo restaurante. O que importa é apresentar uma opção sem envolver a tela na qual ele tenha interesse genuíno.

TENTE NÃO JULGAR

A psicóloga Lisa Damour afirma que uma razão pela qual os adolescentes não falam com seus pais é temerem uma “reação errada”, especialmente se eles estão se abrindo sobre coisas como como ir mal na escola ou experimentar substâncias.

Claro, regras são essenciais e todos os pais às vezes julgarão seus filhos. Mas todos os especialistas entrevistados enfatizaram a importância de dar aos adolescentes uma chance de se abrir, sem que a barra fique suja.

“Os adolescentes virão mais até você se não sentirem que toda vez receberão uma palestra. Então, dê o seu melhor quando eles falarem com você, para validar suas emoções e não julgá-los”, sugere Gold.

Para Taft, ter 15 minutos por dia para que ela e Noah possam ter uma conversa aberta sobre o mundo dele – seja sobre algo grande, como um problema com amigos na escola ou sobre algum detalhe do universo dos videogame – ajudou a trazê-los de volta aos poucos.

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