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COMO PREVENIR E SE LIVRAR DE INSETOS NA SUA COZINHA

Encontrá-los na despensa ou armário é angustiante, mas especialista dá dicas para eliminá-los e evitar que apareçam de novo

O mundo é dos insetos, a gente só vive nele. “Eu sei que as pessoas se assustam quando os veem”, diz Zachary DeVries, professor-assistente do Departamento de Entomologia da Universidade de Kentucky. “Mas a verdade é que construímos nossas casas bem no meio de onde vivem esses insetos.”

Talvez não haja lugar mais angustiante de encontrar insetos do que na sua despensa ou seu armário. Se isso acontecer, não entre em pânico. Siga essas dicas para se livrar deles e evitar que apareçam de novo.

COMO ELES CHEGAM LÁ?

Embora seja possível que pragas como traças e besouros já estejam nos itens que trazemos do supermercado para casa, DeVries afirma que a maioria aparece depois que a comida entra nos nossos armários. Os insetos que são atraídos pela sua comida podem estar lá dentro ou podem entrar por portas abertas, fendas ou rasgos de telas de janelas.

Embalagens parcialmente abertas, como sacos de farinha ou de biscoitos, são convites aos insetos, assim como caixas de papelão finas com vãos estreitos, como caixas de massas ou bolachas. Qualquer coisa que derrame ou vaze – mel e açúcar, por exemplo – também pode atraí-los.

O QUE ELES COMEM?

Algumas pragas conseguem penetrar no revestimento das sementes das plantas, razão pela qual os grãos integrais são particularmente atraentes para certas espécies, explica DeVries. Outros precisam que o grão esteja aberto, como em muitas farinhas refinadas, massas, biscoitos, cereais, bolachas, etc. Alimentos para cães e gatos e sementes de pássaros também são locais comuns de infestação.

“Dentro das casas, as formigas domésticas se alimentam de açúcar, xarope, mel, suco de frutas, gorduras e carne”, lembra a Divisão de Agricultura e Recursos Naturais da Universidade da Califórnia.

COMO VOCÊ PODE SE LIVRAR DESSES INSETOS?

Normalmente, quando você encontra traças ou besouros na despensa, o que você vê são os insetos adultos, ressalta DeVries. Quando há muitos deles, 10 ou 20, você provavelmente tem uma infestação.

Assim como eliminar o local de reprodução das moscas da fruta é a única maneira segura de eliminar essas pragas comuns, livrar-se da fonte é a chave para dizer adeus às traças e aos besouros. Separe sistematicamente todos os alimentos de sua despensa e abra os pacotes. Peneire grãos ou farinhas para detectar intrusos. Qualquer coisa que pareça estar fortemente infestada deve ser jogada fora. Muitas vezes, o dano é limitado a um ou dois itens, de acordo com DeVries.

Se quiser tentar resgatar itens – ou garantir que o que parece estar livre de pragas esteja limpo de fato –, você pode resfriá-los a 27 graus ou, idealmente, ainda mais frio, por três a sete dias; quanto mais tempo, melhor, informa a extensão de Illinois da Universidade de Illinois-Champaign. Ou você pode aquecer a comida a 140 graus em forno por uma hora, mas lembre-se de que a maioria dos fornos domésticos não consegue manter uma temperatura assim tão baixa.

Muito do mesmo conselho se aplica às formigas. Depois de encontrar o que está atraindo as formigas, ensina a Divisão de Agricultura e Recursos Naturais da Universidade da Califórnia, remova-o. Aspire as trilhas das formigas e limpe com água morna e sabão. Isso elimina os feromônios que os insetos seguem para voltar à fonte de alimento, esclarece DeVries.

Em seguida, tente encontrar e selar os pontos por onde elas estão entrando. Se persistirem, você pode usar isca para formigas em diversas for- mas, como gel, mas tente guardá-la para infestações graves. Se puder, use iscas do lado de fora, perto dos pontos de entrada, para não atrair inadvertidamente mais formigas para dentro.

O QUE VOCÊ NÃO PRECISA USAR?

Inseticidas, avisa DeVries. Inseticidas, especialmente em spray, perto de alimentos e superfícies de preparação de alimentos, representam um perigo maior para você do que as pragas da despensa – que são um incômodo, mas não um problema de saúde. Para as traças e os besouros que você encontrar, use um mata-moscas ou aspirador para eliminá-los ou expulsá-los porta afora.

COMO VOCÊ PODE PREVENIR QUE ELES APAREÇAM?

DeVries sugere uma abordagem de três frentes para a prevenção: rotatividade de alimentos, impedir a entrada de intrusos e recipientes rígidos. Primeiramente, use a comida de sua despensa em tempo hábil. Traças e besouros demoram um pouco para se instalar, então, se você estiver usando suas farinhas, massas e lanches ao longo de algumas semanas ou até meses, provavelmente vai ficar tudo bem. São os itens antigos, enfiados lá atrás da prateleira, intocados por muito tempo, que são particularmente problemáticos.

Separe periodicamente o que você tem para ver o que precisa ser usado ou jogado fora (ou compostado). Evite deixar abertas portas ou janelas sem telas. Remende telas rasgadas e sele frestas em torno de rodapés, portas e janelas.

Manter sua comida em recipientes herméticos é um passo “muito simples, muito fácil” que você pode tomar, alerta DeVries. Isso desencoraja as pragas, é claro, com o benefício colateral de manter sua comida fresca por mais tempo. Com recipientes ou não, se você notar que algo derramou, limpe imediatamente.

GESTÃO E CARREIRA

BUSCA POR RESULTADOS E DIFICULDADE DE ADAPTAÇÃO PUXAM TROCAS NAS EMPRESAS

Consultores dizem ainda que pandemia acelerou entre executivos o desejo de ter ‘identidade cultural’ com empresa

Mais da metade (60%) das trocas de executivos em postos de alto escalão registradas no primeiro semestre deste ano – independentemente dos motivos da mudança – ocorreu por iniciativa das empresas, que viram os resultados não serem atingidos, aponta pesquisa da consultoria americana Signium, especializada no recrutamento desses profissionais.

Do lado dos executivos, entre os principais motivos para querer trocar de emprego, apareceu a dificuldade de adaptação cultural, potencializada pelo fato de as equipes estarem trabalhando remotamente durante a pandemia, aponta Eduardo Drummond, sócio da consultoria.

Outra razão foi a divergência no modelo de trabalho desejado pelo executivo (presencial ou remoto) e o oferecido pela empresa, além da intenção do profissional de buscar companhias que tenham, cada vez mais, valores que ele considere alinhados com seus propósitos de vida – outra tendência que foi acentuada pela pandemia.

Essas razões foram comprovadas em recente levantamento feito pela consultoria com executivos contratados. A enquete mostrou que 43% deles indicaram a dificuldade de adaptação com a cultura da empresa como o motivo da mudança, seguido pelo modelo de trabalho híbrido ou home office (26%), escopo de trabalho (17%) e a remuneração (13%).

“As pessoas não estão saindo de uma empresa para ir para outra por causa de salário”, diz Drummond. O momento de parada forçada provocada pela pandemia fez com que as lideranças começassem a refletir sobre a identidade cultural com a empresa na qual trabalham e se os propósitos são coincidentes, se têm a mesma “pegada”, diz o consultor.

PROPÓSITO

Esse foi o caso de Eduardo Roveri, de 40 anos, formado em administração de empresas, com MBA em gestão de pessoas pela FGV, e que há 20 anos atua em altas posições na área de recursos humanos em grandes companhias.

Depois de 15 anos na área de bebidas, em 2019 ele foi trabalhar numa multinacional americana de empilhadeiras. Por lá, ficou até junho deste ano, quando voltou às origens. Roveri diz que estava feliz na empresa anterior, mas foi atraído para a nova pelo propósito. “Eu me conectei com a proposta da empresa.”

A multinacional europeia está há dez anos no Brasil e agora planeja uma fábrica no País. Será a primeira unidade de produção fora da Europa, e Roveri diz que o propósito da companhia é ser a marca mais amada, não a mais vendida. “Isso me chamou atenção e fez eu querer fazer parte dessa história.” O executivo conta que foi abordado por um headhunter e que aceitou passar por várias etapas de seleção antes mesmo de receber a proposta salarial, um pouco maior do que ele ganhava na antiga empresa. No entanto, essa informação só foi de seu conhecimento no estágio final das negociações. “O que pesou mais foi o propósito de construir uma marca que preza pela qualidade, com uma fábrica que usa muita tecnologia e voltada para a sustentabilidade.”

Há dois meses, o executivo está à frente desse novo desafio de construir do zero a área de recursos humanos da multinacional no Brasil. Ele é o número um da área no País e se reporta ao presidente da empresa no Brasil e na Europa. Roveri é um exemplo das mudanças de comportamento dos profissionais de alto escalão que ocorreram na pandemia. “A pandemia fez a gente refletir mais sobre nós mesmos, e muitas dessas reflexões levaram as pessoas a mudar de vida e de trabalho.”

EU ACHO …

FEMINIZAÇÃO DA POBREZA

O casamento infantil deveria estar no centro da preocupação da sociedade

Em momentos tão decisivos como o atual período eleitoral, é necessário avaliar projetos e escolher aqueles comprometidos com a pauta das mulheres. Ela abrange temas como direito à creche, à saúde, mecanismos de acolhimento à vítima de violência, entre tantos outros.

Partindo de uma perspectiva interseccional, as mulheres devem estar contempladas em sua multiplicidade em todas as políticas públicas do país, como moradia, esportes, comunicação, agricultura e segurança pública.

Quero neste texto me estender na reflexão sobre a segurança pública e a mulher. Pois têm sido cada vez mais frequentes os relatos que tenho ouvido de mulheres vítimas de violência pelo ex ou atual companheiro, mas que não têm meios de se defender. Faremos essa reflexão a partir de uma história, a qual eu diria que está em boa parte dos relatos.

Nossa história começa assim: em um contexto social vulnerabilizado, uma menina adolescente é atraída para um homem anos mais velho. Naquele momento, ela passa pelas suas primeiras experiências com quem já entrou na vida adulta há algum tempo.

Infelizmente, isso é normalizado no país do casamento infantil. Lembro-me de que quando era professora da rede pública de ensino em Guarulhos. Vi muitas meninas engravidadas por homens mais velhos e que saíam da escola por não terem mais condições materiais para frequentá-la.

Em coluna de fevereiro, estendi-me sobre casamento infantil e como essa questão deveria estar no centro da preocupação da sociedade, por ser fonte de ausência de políticas públicas e de diversas formas de violência contra a mulher.

Voltemos à nossa história. Essa menina cresce e começa a perceber que a vida é mais. Ela tem vontade de conhecer outras realidades e sente que sua vida não comporta mais aquilo. O homem, de quem neste momento a jovem está grávida, ou com quem teve um ou mais filhos, torna-se mais desinteressante, ao mesmo tempo em que fica mais violento do que o habitual. Sua grosseria e possessividade são insuportáveis. A menina, então, toma uma atitude e volta para a casa da mãe, com as crianças. Nessa história, ela tem um lugar para onde voltar.

A mãe dessa jovem também foi um dia a menina que teve filhos com um homem mais velho, repetindo o ciclo de feminização da pobreza. Ela recebe a filha em casa, apesar do pouco espaço e do dinheiro que já não dava para pagar as contas. A mãe lamenta por aquele homem com quem teve a filha estar em algum lugar qualquer e não poder contar com seu ex- companheiro.

Os homens vão viver sua vida infernizando outras mulheres. Eis o abandono paterno amplamente legalizado e difundido no país.

O ex- companheiro da jovem faz da ameaça e da intimidação dela seu grande projeto de vida. Ameaça que vai falar com a facção para raspar a cabeça dela e amarrá-la ao pé da cama. Ela é dele, ele diz. Ele sabe onde é a casa da ex-sogra e passa na frente da residência a todo momento, liga e deixa mensagens para a ex- companheira, dizendo que se vê-la com outro irá matá-la.

Na casa da jovem, o clima é de constante apreensão. Todas as pessoas ali – na maioria das residências mulheres e crianças – têm medo de sair na rua para ir à padaria e encontrá-lo. O jeito é ir à polícia, dizer o que está acontecendo, mostrar as mensagens de celular e registrar um boletim de ocorrência.

Pode ser que não haja unidade policial perto e que ela e a mãe não consigam ser atendidas. Ou ainda que elas sejam mal atendidas, depois de horas de espera. Mas, para fins deste texto, elas foram atendidas.

No caso, a jovem obtém até uma medida judicial que diz que o homem deve se manter a centenas de metros de distância, ou será preso.

Mas o projeto de vida dele é infernizar a vida daquela família, e essas medidas não são o bastante, nem de longe. Então, para mostrar que é homem mesmo, esse infeliz vai até a casa da ex-sogra armado…

É desnecessário chegar ao fim dessa tragédia anunciada tão comum neste país. Estamos aqui falando de situações que não são apenas casos constantes de feminicídio, mas da perda de projetos de vida, de dores e de traumas.

Conto essa história para inspirar a criação de programas de proteção e de centros de empoderamento e enfrentamento aos homens violentos, entre tantas medidas possíveis. Eleições estão aí. É preciso ter consciência e avançar nos direitos das mulheres.

***DJAMILA RIBEIRO

ESTAR BEM

ADEUS À DOR NA LOMBAR

Segundo especialistas, é difícil descobrir as causas da lombalgia. Mas alguns hábitos ajudam a preveni-la

A mão apoiada na parte inferior das costas e a testa franzida sinalizam: a dor lombar (lombalgia) está atrapalhando a sua vida. Com esse incômodo, fica difícil se manter sentado e se movimentar. O problema é comum: pode atingir até 84% das pessoas em algum momento da vida, segundo artigo científico publicado no Journal of Spiral Disorders em junho de 2020. Embora seja mais prevalente entre idosos, a lombalgia é queixa de pessoas de diferentes faixas etárias e não faz distinção de condição socio econômica. As causas, a intensidade e a frequência dessa dor variam caso a caso, mas quase sempre trazem prejuízos para a vida social e profissional de quem é acometido por ela.

Desorientadas e apressadas, muitas pessoas recorrem à automedicação indiscriminadamente. “É comum que os pacientes que sofrem com dor lombar usem o remédio do vizinho, pois a tendência é ir pelo caminho mais fácil. Mas o abuso de alguns medicamentos é muito perigoso para a saúde”, alerta o ortopedista Renato Ueta, chefe do Grupo da Coluna do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os remédios indicados pelo médico são importantes para diminuir a dor para que o paciente possa entrar com as medidas de reabilitação, explica Ueta. Quando a dor lombar aparecer, ou mesmo com um simples sinal de que a lombar vai “travar”, é melhor procurar um médico, de especialidades como ortopedia, reumatologia, fisiatria e neurologia, ou um fisioterapeuta. Cada um no seu papel, tanto o médico como o fisioterapeuta podem atuar – geralmente em dupla ­ quando o assunto é dor lombar. O olhar atencioso de um bom profissional é fundamental, já que a lombalgia pode refletir causas mais graves como fraturas dos ossos, problemas nos rins e câncer – se houver algum indício, será preciso investigar e, neste caso, o fisioterapeuta fará o encaminhamento do paciente para um médico para que ele descarte essas possibilidades antes da intervenção terapêutica.

Na maioria dos casos, no entanto, não é possível para o profissional de saúde determinar a causa exata da dor lombar. “Por mais que desejemos apontar um único culpado pela dor, geralmente ela é multifatorial”, comenta Ueta. Estresse, de pressão, exercício físico mal realizado ou excessivo são algumas das possíveis causas da lombalgia. Mas a má postura e o sedentarismo são os fatores que o ortopedista   considera mais relevantes – e que se intensificaram na pandemia.

“Observamos um aumento brutal de pessoas com queixa de dores lombares, já que muitas delas deixaram de se exercitar, viveram sob estresse e passaram horas sentadas na frente do computador, muitas vezes com ergonomia inadequada”, diz Ueta.

TRATAMENTOS

Em home office, a arquiteta Patrícia França Azeredo, de 43 anos, sofreu com as dores na lombar no fim de 2020. “No meio do dia, eu já sentia dores que comprometiam o meu rendimento. Eu passava até 10 horas sentada e a minha cadeira não era muito boa”, conta. Com ajuda da sua fisioterapeuta, Patrícia comprou uma nova cadeira, praticou exercícios e conseguiu superar a crise. Para que a dor não volte, ela faz acupuntura semanalmente, além de praticar caminhadas com frequência.

A acupuntura traz bons resultados na diminuição das dores lombares, especialmente nos pacientes crônicos (dor que dura mais de 12 semanas), afirma o médico acupunturista e ortopedista André Tsai, presidente do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura (CMBA) e vice-presidente do Comitê de Dor da SBOT.

“Na medicina tradicional chinesa, a aplicação de agulhas no corpo restabelece o fluxo de Qi, o que diminui a tensão na região dolorida. Na visão da medicina ocidental, essas agulhas conseguem liberar substâncias como a endorfina e serotonina, que trazem bem-estar”, explica. A terapia permite atenuar as dores, diminuindo assim a necessidade dos medicamentos para dor, o que é especialmente benéfico para quem já usa outros remédios por conta de outras doenças. No tratamento não medicamentoso de reabilitação, os exercícios físicos são a principal recomendação, afirma a fisioterapeuta Amélia Pasqual Marques, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

“Antigamente, a recomendação para esse tipo de dor era o repouso, hoje sabemos que para cuidar da dor é preciso se movimentar”, garante. “Mas é preciso ser orientado por um bom profissional, que faça uma avaliação e indique os movimentos mais adequados para aquele caso, naquele momento.” Ela explica que o fisioterapeuta também lança mão de terapias complementares como ultrassom, laser e tens, que ajudam a relaxar os músculos e diminuir as dores.

A advogada Renata Colaço Fransani Finardi, de 57 anos, sofreu por quase sete anos com dor na lombar. Teve sua primeira crise em 2006, que a impediu de fazer tarefas básicas do dia a dia, como pegar a sua filha bebê no colo. Foi diagnosticada com   hérnia de disco pelo ortopedista, que prescreveu medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, além de indicar fisioterapia.

“Fiquei 20 dias de repouso, pois não conseguia ficar de pé nem por 2 segundos, já que a dor era fortíssima”, recorda.

Depois de alguns meses de calmaria, porém, as crises se repetiam, com piora no quadro da hérnia de disco. “Isso me abalava física e emocionalmente. Era apavorante.”

Renata se consultou com diversos médicos e fez RPG (Reeducação Postural Global), acupuntura e seitai (técnica manipulativa japonesa para problemas de coluna). O ortopedista levantou a possibilidade de fazer uma cirurgia para a hérnia, mas ela resolveu dar uma chance para o pilates. “Fortaleci a musculatura da região lombar e aprendi a contrair o abdômen e usar os glúteos para proteger a lombar em qualquer movimento que a requisite, com a ajuda de fisioterapeutas competentes. Eles também me ensinaram a me movimentar sem comprometer a lombar, na hora de me abaixar, de levantar um objeto e de fazer trabalhos domésticos”, completa ela, que desde 2013 não tem mais lombalgia.

FITNESS

O pilates é um exercício ”padrão ouro” para dores na lombar, afirma Sandra Amaral, especialista em fisioterapia musculoesquelética. Porém, ela esclarece que quem passou por uma crise deve procurar o pilates clínico, em que o fisioterapeuta vai atender à demanda específica do paciente. “Quando estiver zerado, ele poderá praticar o pilates fitness, que deixa o corpo lindo e delineado”, observa.

Praticar exercícios não garantia de uma lombar saudável, já que quando mal executados ou com carga excessiva podem trazer um impacto negativo, alerta Sandra. “Já atendi pessoas com excelente forma física, que participam de campeonatos de esportes, mas se focam apenas no aeróbico e não fortalecem os músculos da coluna, que são muito solicitados.” Ela recomenda que praticantes de corrida, futebol, ciclismo e vôlei, que proporcionam alto impacto na lombar, recebam atendimento de um fisioterapeuta que os ensine a ter cuidados específicos para se protegerem de lesões.

“Se a pessoa simplesmente toma um analgésico e melhora, ela vai repetir o movimento que machucou a sua lombar. Ela precisa se reeducar para fazer os movimentos de forma segura, antes de retornar as atividades normais”, ensina.

O empreendedor Rodrigo da Silva Bispo de Freitas, de 38 anos, pratica musculação, corrida, ginástica funcional e alongamento. Nem parece a mesma pessoa que sofria com a dor lombar enquanto estava sentado, seja para trabalhar ou dirigir. A lesão na lombar era reflexo de uma pisada torta, decorrente de uma torção no tornozelo há 13 anos.

“Na época, abandonei as lutas marciais, a corrida e a pedalada”, declara. Para se livrar das dores, Freitas mergulhou na fisioterapia: foi submetido a sessões de calor, de liberação miofascial, RPC, além de trabalhar a mobilidade de quadril.

“Comecei a prestar atenção na minha forma de pisar e melhorar a minha postura na hora de sentar”, admite. Dez semanas depois, não sentia mais dores. A fisioterapeuta Roberta dos Santos Cavenaghi, da clínica Physioterapia, em São Paulo, é responsável pelo tratamento de Freitas, e afirma que a dedicação do paciente é essencial para conseguir alcançar um bom resultado. “A maioria das pessoas chega a um serviço de fisioterapia querendo a cura em 10 sessões, número estipulado por planos de saúde. Mas não existe prazo para ensinar novas habilidades. Sendo assim, muitos desistem e ficam em uma procura sem fim por alívios rápidos, quando na verdade a cura está nas mãos dele”, avisa.

Segundo o ortopedista Renato Ueta, pilates e ioga são ideais para a prevenção da lombalgia, mas o mais importante é que a pessoa pratique o esporte preferido com frequência. “Quando não há mais dor, o fundamental é que cada um respeite os seus limites. Se uma pessoa gosta de dança, é isso que ela tem de fazer, pois com isso ela mantém a atividade física e tem prazer, o que a ajudará a lidar com o estresse.” A longo prazo, os cuidados podem ser deixados de lado. A vida corrida, a falta de disciplina e o orçamento restrito levaram a arquiteta Letícia Paula dos Santos, de 40 anos, a pausar a prática de exercícios físicos e pilares. Com isso, voltou a sentir dores lombares todas as manhãs.

Sua primeira crise aconteceu quando tinha 27 anos – ela forçava a coluna para carregar os dois filhos pequenos. “Estava assistindo à aula. Quando fui levantar da cadeira, travei”, comenta. Procurou um ortopedista, que solicitou exames e notou que o espaço entre as vértebras estava pequeno.

“Ele me orientou para melhorar a postura e fortalecer os músculos, além de receitar remédios”, diz Letícia, que fez algumas sessões de fisioterapia que a ajudaram a se livrar das dores. Mesmo assim, teve uma segunda crise dois anos depois, desencadeada pelo levantamento de um colchão. “Fiquei no chão por um bom tempo, sem conseguir me levantar.”

Letícia já levou um puxão de orelhada sua fisioterapeuta Liza Lambert, a quem recorre nos momentos de dor. ”A mudança de hábitos, que inclui a prática de exercícios físicos, é necessária para prevenir novas crises. Para não ter dores recorrentes, é preciso se cuidar sempre”, completa Liza.

HÁBITOS PARA PREVENIR DORES

SENTE-SE DIREITO

Não passe muitas horas sentado na mesma posição. Faça pausas, levante-se da cadeira para uma caminhada, faça um alongamento. Quando sentado em uma cadeira, use o encosto para acomodar as costas e não escorregue o quadril para frente.

ERGONOMIA

É preciso estar atento às suas condições de trabalho, como altura de sua cadeira e de sua mesa, que vai refletir na sua postura.

SONO

Durma em um colchão firme, que não precisa ser duro. Uma almofada entre as pernas quando dormir de lado pode dar mais conforto.

CARGA PESADA

Levantar e puxar objetos pesados coloca a sua coluna em risco. Procure ferramentas que o ajudem nessa tarefa.

AUTOMEDICAÇÃO

Se tiver dores, busque um médico para orientá-lo no tratamento, que, provavelmente, não será apenas medicamentoso.

DIAGNÓSTICO

Faça uma avaliação cuidadosa com um profissional, baseada na conversa (anamnese) e em exames físicos e clínicos.

MEXA-SE

Tanto na prevenção de crises como na reabilitação da lombar, a prática de exercícios é a recomendação de ouro dos especialistas. Procure um fisioterapeuta para orientá-lo sobre os melhores exercícios para a sua condição – e mantenha a prática na sua rotina.

PESO

Procure se manter com o peso adequado para o seu corpo.

CUIDE DA SAÚDE MENTAL

A depressão e o transtorno de ansiedade podem estar associados às dores lombares, por conta da sensibilização do sistema nervoso central.

SAPATO DE SALTO ALTO

O uso constante pode causar encurtamento de alguns músculos, o que poderá refletir na região lombar. Alterne com o uso de sapatos de salto baixo e faça alongamentos da parte posterior das pernas.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

FALAR SEM BRIGAR

Como técnicas de Comunicação Não Violenta (CNV) podem ajudar a expor opiniões na família e no trabalho de forma clara e sem conflitos

Conversando a gente se entende, diz o ditado. Você concorda com essa frase ou se sente frustrado por não conseguir engajar os outros para atender às suas necessidades e aos seus desejos? Quem deseja desenvolver habilidades de comunicação para melhorar os seus relacionamentos pode recorrer à Comunicação Não Violenta (CNV), que toma como base a empatia e a compaixão para fortalecer as conexões humanas, seja no âmbito pessoal ou profissional – o que não tem nada a ver com técnicas de persuasão.

Metodologia sistematizada pelo psicólogo americano Marshall Rosenberg na década de 1960 no livro Comunicação Não Violenta (Ed. Ágora), a CNV parte da premissa de que toda a comunicação humana demonstra necessidades universais como respeito, acolhimento e pertencimento, mesmo quando expressadas por gritos, ofensas e outras manifestações violentas. “A CNV é mais que uma técnica, é um convite para olhar para o que está por trás da linguagem. Ela parte do movimento de não violência do qual fizeram parte Gandhi e Martin Luther King”, diz a mediadora de conflitos Diana Bonar, fundadora da empresa PeaceFlow, que atua na área de prevenção da violência e dá treinamentos de CNV.

Pela abordagem da CNV, diante de um conflito ou desafio é preciso ser empático e considerar a necessidade do outro. “Isso não significa ser passivo ou permissivo, mas buscar uma solução pelo caminho do meio, com limites saudáveis”, esclarece Diana. A comunicação deve ser assertiva, isto é, clara, objetiva, firme e respeitosa. “O objetivo não é convencer o outro de nada, mas se conectar com ele para buscar uma solução.”

SINCERIDADE

Expor os sentimentos com sinceridade é uma forma de derrubar muros da comunicação. “Na nossa sociedade, principalmente os homens não costumam falar de seus sentimentos. Mas quando fazemos isso, a percepção e a disposição da outra pessoa com quem estamos conversando muda”, conta Diana. Ela diz ter um bom relacionamento com sua mãe, mas estava incomodada com alguns “pitacos” que ela dava em sua vida pessoal e resolveu chamá-la para um papo. “Comecei dizendo que ela era importante para mim, o que já quebrou resistência ao diálogo. Assim, tivemos uma interação saudável.”

Evitar críticas e rótulos também pode ajudar a comunicação a fluir. “Uma pessoa quer ser vista, considerada e respeitada quando participa de uma conversa. Senão, a tendência é que ela se posicione no ataque ou na defesa”, explica Diana. Em período pré-eleitoral, em que os ânimos estão exaltados e as pessoas se posicionam de forma polarizada, e em outros tipos de conversas difíceis, a recomendação da especialista é escolher bem as “batalhas” das quais participar, com sabedoria.

“Leve em consideração o grau de relevância desse relacionamento para você e a importância do resultado dessa conversa. Posso escolher não discutir porque valorizo o relacionamento. Se eu decido confrontar, melhor usar as habilidades em CNV para não acabar com o vínculo.”

A fisioterapeuta Erika Cabral Leal Ferreira Masullo, de 38 anos, está aberta às discussões políticas. “Tenho familiares e amigos que pensam diferente de mim, que maravilhoso! O que seria de nós se todos pensássemos a mesma coisa? A política é importante e deve ser debatida em qualquer lugar”, avisa. Atualmente, porém, os debates nem sempre são saudáveis no Brasil, na visão dela. “Fico triste quando percebo a agressividade, muitas vezes escondida em piadas e risadas, e quando vejo delicadeza excessiva”, avalia.

Determinada na sua busca por autoconhecimento, Erika fez este ano o curso Conectar-se, que promove habilidades de comunicação assertiva. “Pude entender a magnitude da influência do autoconhecimento na fala e na escuta, que são importantes facilitadores do convívio social”, lembra. O aprendizado refletiu-se na sua atitude: diante de um comentário machista de um líder em um grupo profissional no WhatsApp, ela resolveu escrever uma carta aberta de repúdio. “Em tempos anteriores, eu teria respondido de forma inadequada, tamanha era a minha indignação. Mas aprendi a me escutar antes de reagir. Escrevi uma carta equilibrada, lúcida e coerente.”

‘A VERDADE’

Muitas vezes, as pessoas são empáticas na sua comunicação, mas abandonam “a verdade”, explica Igor Gadioli, mestre em linguística e criador do curso Conectar-se, do qual Erika participou. “A pessoa pensa se vai incomodar o outro com aquilo que ela vai falar e perde de vista a própria necessidade”, ressalta. Para Gadioli, é um equívoco achar que é possível viver sem conflito, mas é possível construir a harmonia, ao expressar as necessidades de ambos os lados. “Dizer que quer evitar um conflito e cair na passividade é um erro. Quando uma pessoa ficou com raiva, já existe um conflito.”

Ser autêntico é importante para melhorar a comunicação, garante Gadioli. “Se eu chego atrasado porque o pneu do meu carro furou e estou transtornado, é melhor que eu diga o que estou sentindo, de forma transparente”, exemplifica. Porém, em vez de justificar a falha de chegar atrasado, é melhor assumir a responsabilidade. “Quem reclama muito e fica se justificando começa a perder o respeito, pois parece uma tentativa de se livrar da culpa. É melhor se voltar para a necessidade não atendida, se mostrando preocupado em trazer uma solução.”

Ao mesmo tempo, é preciso ter um “filtro” para comentar só o que faz sentido naquela conversa. “Antes de fazer uma crítica, reflita se isso é necessário, pois isso pode arranhar a relação. A escolha das palavras deve ser genuína e estratégica, se a intenção é que a pessoa mude.”

VIDA A DOIS

Casados há 12 anos, a advogada Fernanda Trajano de Cristo Soares, de 47 anos, e o executivo Paulo José Marcos Soares, de 53, sentiram que o relacionamento se beneficiou da CNV. “Hoje, a gente briga menos porque a comunicação melhorou. Resolvemos os nossos problemas gastando menos energia”, diz Soares, que se interessou pelo curso após ler livros de Marshall Rosenberg.

Para conseguir o bom resultado, ambos se empenharam. Há três anos fizeram um curso de três dias e se dedicaram a colocar o aprendizado em prática com paciência – treino que se intensificou com o isolamento social da pandemia. “Formar o hábito de usar a CNV dá trabalho. Não estamos acostumados a observar sentimentos e necessidades. Para conseguir uma fluidez e aplicá-la de forma mais rotineira, tem de treinar muito, prestar atenção.”

Os casais que passam a usar a CNV geralmente conseguem sair de uma dinâmica de “luta e fuga”, em que ficam na defensiva ou partem para o ataque, e passam a ter mais curiosidade pelo sentimento do companheiro, revela Debora Gaudêncio, consultora de comunicação consciente, que ministrou o curso de CNV do qual participaram Fernanda e Paulo Soares. Segundo ela, muitas pessoas demonstram interesse em apresentar a CNV para seu par. “Com essa troca fluida, os casais conseguem compreender o que se passa com o outro, o que gera conexão”, conclui.

A educadora parental Luciana Calabrisi, de 38 anos, utiliza os seus conhecimentos em CNV para manter um bom relacionamento com o marido, o professor Vinícius Valdivia, de 40 anos. “Com a CNV aprendemos a ouvir com atenção, evitando tirar conclusões. Expressamos o que estamos sentindo e deixamos claro qual a necessidade individual e o que gostaríamos que acontecesse em outra oportunidade”, acrescenta. Luciana conta que um dia, de manhã, ela e o marido estavam cansados. “Eu acordo algumas vezes de madrugada para amamentar. Disse a ele que estava vendo que ele estava cansado também. Conversamos e decidimos que um descansaria pela manhã e outro pela tarde, o que atendeu à necessidade dos dois.”

Colocar a CNV em prática, porém, não é fácil, por conta da cultura em que vivemos, advertem os especialistas. “É como remar contra a maré, já que vivemos em um mundo competitivo, violento e autoritário”, esclarece a mediadora de conflitos Diana Bonar. Ela observa que, de forma geral, a sociedade se vale da culpa, do medo e da vergonha para persuadir as pessoas. “Gritar e bater não são as únicas formas de violência. Forçar uma pessoa da sua equipe de trabalho ou uma criança a fazer algo com base no medo e na vergonha, só porque eu tenho poder, é um jeito violento de conseguir algo.”

Na visão dela, a CNV ganha importância no contexto atual, em que a saúde mental é um desafio de um mundo mais instável e imprevisível. Nas empresas, oferece um ambiente mais produtivo e criativo, pois traz segurança psicológica aos colaboradores. “O profissional não pode ter medo de expor o que pensa”, alerta Diana.

SILÊNCIO

E o silêncio dos colaboradores nas empresas pode ser destruidor, afirma Luciana Sato, sócia da consultoria Conexões Humanizadas, que trabalha a “musculatura emocional” das equipes nas empresas.

“Existem funcionários que deixaram de alertar sobre os erros das organizações em que trabalhavam por medo de se exporem”, adianta ela, em referência aos casos citados no livro A Organização Sem Medo, de Amy Edmondson, professora da Harvard Business School. Para ampliar essa consciência nas empresas, porém, é preciso fazer um trabalho consistente que promova o autoconhecimento. “Não existem fórmulas milagrosas para realizar mudanças após uma palestra”, orienta Luciana. O maior obstáculo para uma boa comunicação, na visão dela, é não estar aberto a visões diferentes. “Conflitos e perspectivas diferentes gerenciados de forma adequada podem ser um ativo competitivo para a resolução de problemas e inovação da organização”, completa. O aprendizado em CNV ajudou a psicóloga Noemi Lustosa Baptista, de 39 anos, a se relacionar com os chefes. “Consigo falar quando me sinto cansada e negociar férias. E isso não é visto como um problema, mas uma possibilidade de estabelecer acordos, com conexão e responsabilidade”, defende ela, que já participou de quatro cursos que abordavam a CNV ministrados por Diana Bonar. “A CNV é uma ruptura de mundo. Trouxe-me paz, leveza e amor na minha família, amigos e casamento. Acredito que sou uma pessoa melhor por conta desses conhecimentos e práticas.”

MELHOR NA COMUNICAÇÃO E NOS RELACIONAMENTOS

OBSERVE

Observe a si próprio e ao outro, sem julgamentos, com curiosidade de entender as necessidades de cada lado.

EMPATIA

Preste atenção nos seus senti- mentos e seja empático com o outro. Lembre-se de que cada um tem hábitos, culturas e pontos de vista diferentes.

VULNERABILIDADE

Não precisa esconder os seus sentimentos. Revelar suas vulnerabilidades pode ajudar o outro lado a sair da defensiva e a ceder.

FIQUE ABERTO

Não fixe um “rótulo” para a pessoa com quem você vai conversar. As generalizações atrapalham a comunicação.

VOCABULÁRIO

Expresse ao outro a sua necessidade, de forma simples, clara e honesta. Escolha bem suas palavras.

OUÇA

Pergunte ao outro se ele precisa de algo e escute com atenção genuína. Faça perguntas como: “O que podemos fazer para melhorar isso?”.

LINGUAGEM CORPORAL

O corpo fala. A comunicação terá ruído se as suas palavras não condizem com sua expressão facial e corporal.

CRÍTICAS

Antes de fazer uma crítica na conversa, pense: criticar é necessário? Vai trazer algum benefício para o relaciona- mento? Lembre-se: quem recebe uma crítica geralmente se posiciona na defensiva, o que não ajuda na conversa e na negociação.

GENTILEZA

Não tente intimidar a outra pessoa pelo medo ou vergonha. Isso pode até ser um atalho para conseguir o que você quer de forma mais rápida, mas traz um impacto negativo no relacionamento.

NÃO APONTE DEDOS

Procurar definir o “culpado” não ajuda a resolver conflitos. Saia dessa dinâmica acusatória para buscar uma solução para o desafio em comum.

NÃO É UMA COMPETIÇÃO

Deixe de lado a lógica da competição, que nos leva a querer “vencer” uma discussão.

ESCOLHA SUAS BATALHAS

Escolha com sabedoria em quais conversas vai investir energia e se engajar. Considere a importância do resultado da conversa e a pessoa que está envolvida.

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