OUTROS OLHARES

TABAGISMO CRESCE ENTRE ADOLESCENTES NO BRASIL

Pesquisa do IBGE mostra que jovens entre 13e 17 anos, principalmente do sexo feminino, estão fumando mais no país. Preços baixos, facilidade de acesso, novos dispositivos e menos fiscalização estão entre as justificativas

Dados da última edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) e divulgada neste ano, mostram que a proporção de adolescentes entre 13 a 17 anos que fumam aumentou de 6,6%, em2015, para 6,8%, em 2019. A alta foi relacionada ao crescimento do tabagismo especialmente entre as meninas da faixa etária, que passaram de 6% para 6,5% de fumantes.

Em comunicado, o Ministério da Saúde alerta ainda que pesquisas realizadas pela pasta na última década indicam que o tabaco é a segunda droga mais experimentada no país, e que a primeira tragada geralmente ocorre aos 16 anos.

“Esse é um tema que preocupa bastante, porque o uso de qualquer droga psicoativa, como é o caso da nicotina dos cigarros, é sempre mais alarmante em alguém cujo cérebro ainda está em desenvolvimento, como é o caso dos jovens. Essas drogas quando entram no organismo atingem o sistema nervoso central e produzem diversas modificações que são mais acentuadas nesses casos. Além disso, elevam a probabilidade de ele voltar a usar a substância e eventualmente desenvolver uma dependência química, o que leva a riscos como câncer e problemas cardiovasculares”, diz a pesquisadora Vera Borges, da Divisão de Controle do Tabagismo do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

O pesquisador André Szklo, da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca, explica que a PeNSE faz parte de um monitoramento ligado ao acompanhamento do tabagismo no Brasil, e por isso representa o padrão-ouro na análise do cenário no país. Para ele, o crescimento é reflexo de uma série de fatores que já vinham sendo percebidos, como os preços baixos, o fácil acesso e o abrandamento da fiscalização.

“A PeNSE mostra que os jovens conseguem comprar esses produtos facilmente, embora sejam proibidos. Além disso, desde 2017 os preços reais do cigarro vêm caindo, o que é um facilitador para o tabagismo. Há ainda outros pontos da legislação que não são cumpridos, como a proibição da adição de sabores e aromas que atraem os adolescentes. Então não há nada no cenário atual que indique que esse crescimento seja interrompido no curto prazo”, diz o especialista.

‘VAPES’ EM ALTA

Um dos pontos mencionados por Szklo em que a legislação não tem sido cumprida é a venda dos cigarros eletrônicos. Segundo o relatório Covitel, da Universidade Federal de Pelotas, realizado neste ano com mais de nove mil jovens, uma cada cinco indivíduos de 18 a 24 anos no Brasil já experimentou os chamados “vapes”. A adesão acontece apesar de a comercialização dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEF) ser proibida pela Anvisa desde 2009, decisão que foi ratificada neste ano.

Segundo a PeNSE, essa experimentação acontece entre os adolescentes, e é mais dramática entre os alunos de redes privadas. Considerando todos os formatos de cigarro, 24,4% dos alunos do nono ano do ensino fundamental, de em média 15 anos, relataram já ter fumado alguma vez na vida, contra 12,2% na rede pública. O índice também aumentou nas escolas particulares, onde era de 21,2% em 2015, mas caiu nas públicas – o percentual era de 13% há sete anos.

Além do cigarro eletrônico, o Ministério da Saúde destaca os narguilés, outro formato que cresce entre os jovens e oferecem mais riscos que o cigarro comum.

GESTÃO E CARREIRA

COMO VIVE AGORA QUEM SE DEMITIU NA PANDEMIA

Para americanos que mudaram de emprego na ‘grande renúncia’, decisão valeu a pena

Melody e Ian Karle não estavam felizes. Era fevereiro de2021 e o casal vivia em Houston. A crise energética após o inverno rigoroso no Texas havia começado, situação que os levou a ficar sem água corrente ou aquecimento. Mas isso não era tudo. Ian, que trabalhava como gerente de qualidade em uma empresa do setor de petróleo e gás, não aguentava mais seu trabalho. Ajudava a pagar as contas, sem dúvidas, mas fazia com que ele se sentisse esgotado e insatisfeito.

“A temperatura dentro de casa era congelante, estávamos sentados no sofá, e eu pensei: ‘Espera aí, por que raios estamos aqui?’”, disse Ian, 43 anos. “Ele não gostava do emprego que tinha, a rede elétrica era precária e éramos duas pessoas que trabalhavam e tinham suas próprias carreiras. Começamos a pensar, então, como poderíamos sair daquela situação”, disse Melody, 43 anos, que trabalhava como bibliotecária em uma universidade.

Eles fizeram as contas e decidiram que Ian podia pedir demissão e deixar o setor no qual trabalhava se vendessem a casa onde viviam e se mudassem para algum lugar com um custo de vida menor. Eles se mudaram, então, para Cut Bank, em Montana. Melody conseguiu um emprego como administradora remota de um sistema de biblioteca, e Ian abriu sua própria empresa de chocolate artesanal, um projeto pessoal iniciado nos primeiros dias da pandemia.

No total, os dois juntos tiveram uma redução de renda anual de US$ 100 mil e agora ganham cerca de US$ 70 mil. Eles tiveram de abrir mão das saídas noturnas luxuosas, mas esse tipo de tentação não existe na cidade pequena onde vivem, segundo eles. Em vez disso, estão curtindo atividades mais econômicas, como caminhadas e jardinagem. “Você não faz ideia do quanto de estresse está submetido até se livrar dele. É absurdo o quanto estou mais feliz agora do que costumava ser”, disse Ian.

SAÍDA EM MASSA

No ano passado, mais de 40 milhões de pessoas pediram demissão de seus empregos. A chamada grande renúncia foi motivada por pessoas que estavam cansadas de empregos frustrantes, de se sentirem esgotadas pelas demandas de trabalho e das dificuldades para conseguir se sustentar.

Embora algumas pessoas estejam atualmente em uma situação financeira melhor e ganhando um salário mais alto, outras que deixaram seus empregos têm enfrentado problemas financeiros. Elas deram um jeito de fazer isso dar certo pegando empregos de meio período, renunciando a certos luxos ou, como os Karles, se mudando para algum lugar mais barato. E apesar do estresse adicional, muitos acham que a decisão valeu a pena.

Os Karles sentem que estão vivendo uma vida com mais propósito. Várias vezes por semana, eles vendem as barras de chocolate de Ian nas feiras de produtores locais, além de cuidar de gatos resgatados em casa (esta última atividade é voluntária, não há remuneração por ela). Melody está plantando beterraba, ruibarbo, aspargos e muito mais em sua horta. O casal teve uma redução no orçamento, mas acredita ter encontrado algo melhor.

“Nós não conseguimos nem acreditar no que estávamos fazendo antes”, disse Melody. “Esta foi a melhor decisão que já tomamos.”

Os Karles representam um grupo de indivíduos e famílias que fizeram uma mudança e agora estão lidando com as consequências financeiras, para o bem ou para o mal. “A pandemia fez as pessoas pensarem e avaliarem de verdade como estavam vivendo”, disse Cliff Robb, professor de ciência do consumidor da Universidade de Wisconsin-Madison. “Vimos tantas oportunidades de emprego diferentes se tornarem flexíveis em suas estruturas, então as pessoas começaram a reavaliar tudo.”

Perguntamos aos leitores que fizeram esse balanço pessoal como isso afetou suas vidas financeiras. Aqui estão alguns relatos.

APREENSÃO

Em junho de 2021, Natalie Hanson, 26 anos, deixou seu emprego em um jornal de sua cidade natal, Chico, na Califórnia, onde ela cobria o governo municipal, habitação e falta de moradia. O salário não era dos melhores, segundo Natalie, e ela enfrentava assédio online quase contínuo por causa dos temas sobre os quais escrevia. O preço psicológico tornou-se insuportável.

“Pago minhas contas desde o ensino médio. Trabalhei durante toda a faculdade”, disse Natalie. “Mas eu ainda estava muito apreensiva quanto a pedir demissão.”

Ela conseguiu um novo emprego em um jornal em Oakland, na Califórnia, com um salário melhor. Mas o custo de vida em Oakland era bem maior do que aquele com o qual Natalie estava acostumada em Chico, cerca de três horas ao norte da região da baía de São Francisco. O valor que pagava pelo aluguel mais que dobrou e o preço do seguro de seu carro aumentou.

Em maio, Natalie pediu demissão e passou a trabalhar como repórter no serviço de notícias jurídicas Courthouse News Service. Embora o novo emprego ofereça um salário melhor do que o anterior, Natalie escreve artigos como freelance para organizações sem fins lucrativos locais e consegue uma renda extra de US$ 800 por mês. Mas ela planeja se mudar para um apartamento mais barato na cidade até o fim do ano. Apesar dos transtornos, Natalie não se arrepende de sua decisão inicial de pedir demissão do emprego em Chico. Ela agora vive em uma região que adora. “Não esperava poder viver na região da baía de São Francisco, trabalhando como jornalista, antes dos 30 anos”, disse ela. “Ficou bastante claro que existem possibilidades. No entanto, é preciso ser muito cuidadoso com as finanças”, frisa a jornalista.

FAZENDO AS CONTAS

Susan Woodland, 67 anos, pediu demissão do posto de diretora de coleções em um museu em Nova York em maio de 2020. Seu emprego exigia muito trabalho administrativo – o que ela não gostava – e, quando a pandemia surgiu, ela se viu tendo que decidir entre demitir outros funcionários de seu departamento ou deixar seu emprego. Ela escolheu a segunda alternativa.

Susan agora trabalha meio período como freelancer para museus, e pode lidar diretamente com as coleções deles, algo que ela considera muito gratificante. “Tem sido o melhor dos dois mundos. Posso definir meu próprio horário. Não paga as contas, mas é muito gratificante”, afirmou.

Segundo ela conta, foi um tremendo alívio emocional sair do expediente das 9h às 17h, e ela agora tem “a liberdade de ganhar bem menos dinheiro, mas seguindo as minhas próprias regras”.

Ela também tem alguma renda com investimentos, o que ajuda a cobrir seus custos de vida. Susan sempre foi obstinada em relação a economizar, mesmo quando era mais nova, e isso tem sido uma ajuda extra. “Sempre que recebia um pouco a mais – podia ser US$ 20 por semana –, meus pais diziam: ‘Guarde metade’. E eu sempre fiz isso”, afirmou.

O dinheiro está com certeza um pouco limitado agora, mas pedir demissão ainda valeu a pena, disse Susan. “Eu sabia que estava sendo extremamente mal remunerada.”

OLHANDO ALÉM

Para alguns, deixar o antigo emprego levou a uma recém-descoberta liberdade financeira. No ano passado, Maeve Connor, 35 anos, pediu demissão de seu trabalho como gerente de marketing em uma empresa com orçamento limitado de postos de serviços para caminhões.

“Eu sabia que estava sendo extremamente mal remunerada”, disse Maeve, que mora em Portland, no Oregon. Ela também não conseguia se livrar da sensação de que queria ter uma carreira mais significativa, então começou a se candidatar a vagas de empregos.

Em pouco tempo, Maeve foi chamada para assumir o cargo de especialista em comunicação na Central City Concern, uma organização sem fins lucrativos local que ajuda pessoas em situação de rua, e agora ganha US$ 63 mil por ano.

“Isso teve um impacto enorme na minha qualidade de vida”, disse ela. “Compro alimentos mais sofisticados agora. Tenho uma poupança com saldo considerável. Estou tentando descobrir se será possível algum dia comprar uma casa, o que nem sequer passava pela minha cabeça antes.”

Maeve também tem conseguido pagar por aulas de direção. “Não teria condições de pagá-las com meu salário anterior, e descobri que sou muito ruim dirigindo, então preciso de um monte de aulas.” Além disso, comprou uma aliança para a esposa e uma viagem para Nova Orleans. “Não precisei me preocupar com dinheiro de forma alguma enquanto estávamos lá”, disse.

Ela está satisfeita com a decisão de pedir demissão, sobretudo levando em consideração que a inflação fez os preços subirem e seu aluguel aumentou quase US$ 100 este mês. “Se eu ainda estivesse no meu antigo emprego, não sei como estaria lidando com essas coisas”, afirmou Maeve.

DIGERINDO A MUDANÇA

Rachel Sobel, 53 anos, deixou seu emprego como diretora de comunicações em uma seguradora de saúde em fevereiro.

Ela havia começado a trabalhar ali durante a pandemia, por isso estava se sentindo isolada no emprego. Depois de ser diagnosticada com uma doença autoimune, Rachel percebeu que não podia continuar no cargo. “Não me sinto bem durante muitas horas ao longo do dia, senti que estava abrindo mão de todas as horas que estava bem para trabalhar”, disse.

Rachel, que mora em Chicago, conseguiu passar a ser dependente do plano de saúde do marido, o que tornou possível levar adiante o plano de pedir demissão. Segundo ela, o salário do marido mal dá para cobrir as despesas básicas, e coisas como férias, melhorias na casa ou gastos inesperados não são possíveis neste momento. “Houve um pouco de arrependimento e pânico” no início, disse Rachel. De qualquer modo, ela não está 100% segura de como vão ficar as finanças do casal, “ainda não conseguimos digerir bem tudo isso”. Agora, ela trabalha como freelancer, editando, escrevendo e dando consultoria, o que cobre parte, mas não completamente, de seu antigo salário. Até mesmo as despesas necessárias foram adiadas.

“Vivemos em uma casa construída há cem anos”, disse ela. “Sempre há algo que precisa ser feito, e tínhamos um cronograma de coisas para consertar. Porém, agora precisamos reavaliar isso.” Uma parte do teto do porão está começando a desmoronar, mas ela não tem dinheiro para consertá-lo agora, o que tem sido uma fonte de frustração.

Problemas que talvez no passado fossem apenas pequenos ajustes passaram a ser dores de cabeça hoje. “Meu carro está ficando mais velho e, se precisar de um conserto de US$ 1 mil, pode ser que eu apenas o venda e abra mão de ter um automóvel”, disse ela.

Talvez o mais difícil seja o fato de sua filha ser uma estudante de pós-graduação que vive fora do estado e ela não poder mais visitá-la com a frequência de antes. “Enquanto antes eu podia facilmente viajar durante um fim de semana para visitá-la, fazer isso hoje seria um baque financeiro”, afirmou Rachel.

Ela está tentando lançar um coletivo criativo com alguns colegas e espera aumentar sua renda, no mínimo, em 50% do que ganhava trabalhando em período integral.

Mas, apesar de todos os novos desafios, pedir demissão valeu a pena para Rachel. Ela disse que se sentia uma pessoa mais feliz. “Estou me exercitando de novo, cozinhando mais, cuidando do meu jardim, fazendo passeios mais longos com meu cachorro”, disse. “Eu me sinto melhor, física e mentalmente.”

EU ACHO …

REFORMA, HISTÓRIA E SEXO

A experiência, diz uma psicóloga, ensina que em casa sem sexo as pessoas fazem obras o tempo todo

Vai construir ou reformar? Não comece a obra sem consultar um bom livro de História. Sim, você leu direito, minha querida leitora e meu estimado leitor. Nenhum cimento deve chegar ao seu lar sem que um historiador seja consultado.

Vamos às lições da História para obras. Primeira lição: planos ambiciosos de novos espaços podem causar impopularidade. Cuidado com o equilíbrio orçamentário. O imperador Shah Jahan que construiu o Taj Mahal, em memória da sua amada esposa, foi encarcerado pelo filho. Colaboraram os custos exorbitantes da obra e os planos de uma possível nova construção. Interditado politicamente pela ambição arquitetônica! Dizem que morreu olhando, ao longe, sua obra.

Construção veloz e com pressão costuma ser acompanhada de gambiarras. Transformar o pavilhão de caça do pai em um suntuoso palácio, em tempo curto, fez com que Luís XIV demandasse muito seus arquitetos. Muitas vezes, as paredes e acabamentos foram produzidos de forma menos sólida para atender ao desejo do rei. Pior: o plano de uma casa bem isolada do agito de Paris pode ter provocado, no futuro, o fim da dinastia. O mesmo é dito da Cidade Proibida, em Beijing. Isolamento geográfico tem um custo para o sistema político. Cuidado ao comprar um sítio no meio do nada!

Continuo no governo do Rei Sol. Ainda antes do esplendor de Versalhes, Nicolas Fouquet decidiu fazer um novo palácio e cometeu o erro de dar uma festa mais suntuosa do que seu chefe poderia oferecer. A festa impressionou a corte francesa e acabou despertando tantos rumores de corrupção que o ministro foi preso. Cuidado com aquilo que você simboliza com sua nova moradia!

Voltemos mais. O imperador Nero tinha decidido fazer um palácio novo e suntuoso: a Domus Aurea. Foi um dos muitos motivos da sua impopularidade e de seu fim trágico. O presidente Lincoln quase rompeu o casamento, pois sua esposa resolveu fazer mudanças na Casa Branca, em plena Guerra Civil. Milhares morrendo e ela pensando em cortinas novas… Reformas podem desgastar matrimônios.

Dizem que os custos da nova Basílica de São Pedro, em Roma, foram um dos motivos para a ruptura liderada por Lutero. Seria correto pensar que manter a velha basílica teria conservado a unidade da Igreja? Uma obra causou um cisma? Religiões e famílias podem dividir-se entre canteiros de cal e cimento.

Obras podem durar um pouco mais do que o previsto. A catedral de Colônia serve de consolo para o novo piso da sua cozinha estar tão arrastado: começou no século 12 e terminou em 1880. Foram mais de 630 anos de idas e vindas. Minha amiga empreendedora e meu amigo, com ímpetos de construção: consolados?

O esforço pela nova catedral de Siena foi interrompido pela Peste Negra. No Mosteiro da Batalha, em Portugal, há as chamadas “capelas imperfeitas”, inacabadas, por motivos variados. No mesmo país, o rei d. José fez um novo teatro de ópera moderno e suntuoso. Mal inaugurado, veio abaixo com o terremoto de 1755. Em função do mesmo desastre natural, a igreja do Carmo ainda é uma ruína em Lisboa.

Como vimos em pinceladas históricas, obras podem detonar carreiras, afundar dinastias e consumir tesouros. O tempo da reforma ou da construção é sempre muito superior ao previsto. O orçamento com que principiamos o sonho, quase sempre, fica aquém do inflado custo final. Ao final, com sorte, você tem uma casa reformada (ou construída) e uma família desgastada sobre um patrimônio dilapidado gravemente.

Em resumo, minha amiga reformadora e meu amigo construtor-leitor que me leem: pensem muito antes de construir ou reformar. Os desafios são inúmeros, o mundo é mutável, a terra treme, os outros invejam, a verba termina, os projetos soçobram e a ideia original naufraga. Pior, quase sempre desperta um fascista adormecido em muitas pessoas ao lidarem com mão de obra.

Em geral, ao começar a reforma, exaltamos a evolução das leis trabalhistas e as novas ideias de dignidade do trabalho. Ao final, nossa simpatia está, no mínimo, menor, quando não agressivamente inimiga da espécie humana. O papel de parede descolou? Cole você mesmo. A parede poderia ser derrubada? Imagine que ela possa ser estrutural e está, ali, há tanto tempo feliz.

Contrariando tudo o que eu disse até aqui, estava comprando algumas coisas em uma loja de materiais de construção, em São Paulo. Vi uma novidade: o passeio na loja era um animado programa familiar. As pessoas estavam felizes, discutindo compras em carrinho. Porém, reconheço, a História registra mais Luís XIV e seu ministro do que o cidadão comum que estava pintando com cal a parede da sua casa. Em outros recortes, a reforma pode ser um projeto de unidade familiar e até fazer surgir um passeio feliz em um sábado à tarde na Marginal do Tietê.

Para encerrar a reflexão, lembrei-me da frase de uma amiga psicóloga que talvez seja válida para reis e plebeus ao encararem uma obra. Ela dizia, sem base científica absoluta: “Em casa sem a existência de sexo regular, as pessoas fazem obra o tempo todo”. Será? Fica o desafio para pensar sua obra, a esperança de finalizá-la ou suspendê-la com luxúria.

*** LEANDRO KARNAL

ESTAR BEM

EVITE FICAR MUITO TEMPO SENTADO NO VASO SANITÁRIO

Deixe o celular de lado: especialistas alertam que o hábito pode causar hemorroidas

Atire a primeira pedra quem nunca ficou mais tempo do que deveria sentado no vaso sanitário olhando mensagens no celular, lendo notícias ou se divertindo com vídeos da internet. Pode até ser um momento de relaxamento, mas especialistas alertam que o hábito bastante comum pode ser prejudicial à saúde e causar hemorroidas.

“O hábito de ficar sentado no vaso sanitário por períodos prolongados pode aumentar a pressão nos coxins hemorroidários e, com o tempo, acabar fazendo com que suas veias e artérias aumentem de tamanho, tornando­ os sintomáticos, e é aí que está o problema”, informa o médico coloproctologista Lucas Bancerli Vinhas.

“Hemorroidas são estruturas anatômicas e que todos temos no ânus. São “coxins vasculares” que, em algumas situações, podem aumentar de tamanho e se tornarem sintomáticos. Assim se forma a doença hemorroidária, que afeta homens e mulheres.

“Apesar de não termos dados tão específicos da população brasileira, a doença hemorroidária certamente é um dos problemas mais comuns no consultório do coloproctologista”, continua o especialista. Segundo ele, os principais sintomas são sangramento, prolapso ou inchaço das hemorroidas, dor ou coceira anal.

As principais causas para o problema são a constipação intestinal, idade avançada e situações que gerem aumento da pressão abdominal, explica Vinhas. “E, consequentemente, torne esses vasos ingurgitados (inchados) e aumentem de tamanho, como: gestação, esforço físico e permanecer sentado por muito tempo, que é o caso de quem fica muitas horas no vaso sanitário, por exemplo”, destaca.

QUAL O TEMPO IDEAL?

 De acordo com Vinhas, não existe um dado na literatura científica que determine o tempo máximo de permanência sentado no vaso sanitário. “Recomendo aos pacientes que se sentem no vaso sanitário no momento em que estiverem com vontade mesmo, não ir antes e ficar se distraindo no celular, por exemplo. E logo depois que terminar, já fazer a higienização com ducha higiênica ou tomar banho, não ficar assentado se distraindo sem necessidade”, ressalta.

PREVENÇÃO E TRATAMENTOS

A doença hemorroidária tem diversas opções de tratamentos. ”Cirúrgicos ou não, e em caso de sintomas como sangramento, sensação de inchaço, dor ou coceira anal, o paciente deve procurar um coloproctologista para o diagnóstico preciso e a escolha do melhor tipo de tratamento”, alerta o médico.

Se quisermos evitar o surgimento ou mesmo a progressão da doença hemorroidária, devemos manter o nosso intestino saudável com um consumo adequado de fibras e líquidos, destaca o coloproctologista, associado a uma rotina de exercícios físicos.

“Além disso, é preciso evitar condições que ocasionem trauma local como o uso de papel para realizar a higiene local após evacuar (que idealmente deve ser realizada com ducha, bidê ou banho) e, finalmente, evitar permanecer sentado no vaso sanitário por longos períodos”, completa.

A coloproctologista Cristiane Koizimi Mamos Fernandes alerta que a doença hemorroidária tem tratamento, e começa com mudanças de hábitos de vida. Entre eles estão o aumento da ingestão de fibras dietéticas, como verduras, folhas, legumes crus, cercais e frutas; aumento da hidratação oral; atividades físicas regulares; assim como evitar ficar sentado no vaso sanitário por muito tempo.

Ela diz ainda que, se for preciso, é importante tratar com medicamentos ou mesmo com procedimentos realizados no consultório, como a ligadura elástica, ou até cirurgia (hemorroidectomia).

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

NO QUE OS PAIS FALHAM AO LIDAR COM O SEXTING DOS FILHOS

Não adianta adotar um tom simplista e apenas dizer ‘ não’. É importante, advertem os estudiosos, saber ouvir e fazê-los falar

O sexting – compartilhamento digital de textos e imagens de conteúdo sexual explícito – está inextricavelmente entrelaçado à cultura da vida adolescente e vem se tomando cada vez mais comum e complexo nos últimos anos. No entanto, muitos pais e mães ainda adotam a abordagem simplista de dizer aos filhos: “Só digo não”.

Isso é um erro, de acordo com Carrie James e Emily Weinstein, pesquisadores de Harvard e coautoras de Behind Their Screens What Teens Are Facing (and Adults Are Missing), algo como Por Trás das Telinhas: O que os Jovens Estão Fazendo – e os Adultos não Estão Percebendo). “Dizer “não faça sexting” acaba com a conversa”, disse James. E, quando se trata de nudes, há muito para adolescentes, pais e mães conversarem. Em sua pesquisa, ela e Weinstein descobriram que adolescentes fazem sexting por vários motivos, alguns dos quais podem não ter ocorrido aos adultos, e que as garotas estão criando estratégias sofisticadas para desencorajar o vazamento de nudes.

“Uma das coisas que encontramos em nossas conversas com adolescentes é que muitos dos dilemas em torno do sexting são bem complicados”, cotou Weinstein, que, junto com James, é pesquisadora do Projeto Zero de Harvard, que explora temas em educação. “Se não estabelecermos essas conversas com os adolescentes, não os estaremos equipando para lidar com as pressões que estão enfrentando”. A seguir, o que pais e mães precisam saber sobre sexting e como conversar a respeito com os adolescentes.

É COMUM

Uma meta-análise de 2018 sobre pesquisas feitas antes de junho de 2016 mostra que cerca de 15% dos adolescentes haviam mandado mensagem de conteúdo sexual, 27% tinham recebido e 12% encaminhado sem consentimento. Outra de 2021 sobre estudos entre 2016 e o início de 2020 descobriu que 19% dos adolescentes haviam mandado essas mensagens, 35%, recebido e 15%, encaminhado sem consentimento.

Ambas, no entanto, analisaram estudos feitos antes da pandemia – e os lockdowns supostamente provocaram um aumento do sexting. De fato, isso se tornou uma preocupação tão grande que especialistas têm defendido incluí-lo nos currículos de educação sexual, descriminalizar o sexting consensual entre adolescentes e ensinar “sexting seguro”, aconselhando a excluir metadados, nunca fotografar o rosto ou características corporais.

É C0MPLICADO

Algumas das garotas com quem Weinstein e James conversaram em grupos de aconselhamento atuaram para reduzir as possibilidades de vazamento de seus nudes. Por exemplo, sobrepondo marcas d’água nas imagens com o nome do garoto a quem estavam enviando as fotos. Ou, em vez de enviar um nude, mandavam uma imagem do Google, capturando o resultado da pesquisa para mostrar que o corpo na foto não era delas, se a imagem fosse repassada. ”Carrie e eu ficamos pensando, porque nos dar esse trabalho todo? Porque não dizer simplesmente ‘não vou enviar foto para você’?”, questionou Weinstein. “E começamos a ver isso como uma espécie de tática de sobrevivência.”

Outra coisa que talvez não seja óbvia para pais e mães é a definição de sexting hoje. “Tendemos a usar uma palavra como sexting para pensar um tipo de situação na qual um garoto está pedindo nude a uma garota e ela precisa tomar uma decisão”, avaliou James. Mas uma meta análise de 2018 descobriu que a pesquisa sobre diferenças de gênero no envio de mensagens de conteúdo sexual é inconclusiva. E as pesquisas de James e Weinstein mostram que os jovens fazem sexting com uma ampla gama de pessoas por variadas razões. Eles às vezes acham o sexting excitante. Àsvezes, podem usá-lo para mostrar interesse por alguém. Em alguns casos, adolescentes mais velhos tiveram experiências de sexting em relacionamentos consensuais e de confiança. Eles qualificaram as advertências dos adultos sobre o sexting de “sem noção”.

As pesquisadoras também observaram que a comunicação digital íntima pode ser uma opção importante para jovens LGBT+ que estão explorando sua sexualidade e talvez não estejam prontos para fazê-lo em público.

Mas há muitos cenários em que os jovens fazem sexting sob pressão. Entre eles: estar sob ameaça ou coação para enviar a mensagem; ou não querer ferir os sentimentos de alguém.

Alguns dos cenários surpreenderam as pesquisadoras. Por exemplo, os pedidos de nudes de pessoas que eles veem só como amigos. Shelley Rutledge, psicóloga do Oregon, testemunhou o mesmo comportamento. Integrante de uma equipe de apoio a alunos, ela recomenda prepará-los para lidar com solicitações de imagens inadequadas assim que começam a usar a tecnologia. Não é uma situação única, contou ela. Pais e mães precisam monitorar a situação com frequência e trabalhar as “habilidades de recusa”.

Pais e mães também precisam entender que o compartilhamento consensual de imagens íntimas entre adolescentes não é mais visto como inapropriado para o desenvolvimento, afirmou Rutledge. Portanto, não é incomum que jovens de 13 a 18 anos estejam interessados no tema. No entanto, adolescentes são impulsivos e talvez não tenham capacidade de entender as consequências de suas ações ou acreditem na ideia de que suas experiências são únicas e que coisas ruins não vão acontecer com eles.

CONVERSANDO COM ADOLESCENTES

Então, como pais e mães podem descobrir o que está acontecendo no ambiente digital de seus filhos e conversar a respeito? Weinstein, James e Rutledge recomendam fazer perguntas abertas, evitando julgamentos e mantendo uma atitude de curiosidade. Por exemplo, você pode perguntar como é o sexting na escola, ou se os amigos de seus filhos estão falando sobre sexting.

Também é importante entender qual é a função do sexting para os adolescentes, observou Rutledge. Eles são tentados a fazer sexting porque querem fazer parte do grupo, salvar um a amizade? No caso, você pode trazer a conversa para o campo dos valores. Mas não basta ensinar os adolescentes a se defenderem de propostas sexuais inadequadas. Pais e mães também precisam dizer aos adolescentes porque não é seguro ou apropriado solicitar fotos. “Todos os gêneros pedem, todos os gêneros consentem, todos os gêneros podem explorar, todos os gêneros podem ser explorados”, concluiu Rutledge. “O importante é garantir que estamos tendo conversas inclusivas, explicando por que não é seguro oferecer uma imagem, mas também por que é muito, muito injusto pedir uma imagem.”

Finalmente, pais e mães devem assegurar aos filhos que eles podem pedir ajuda se o sexting der errado. Esta é outra razão, aponta Rutledge, pela qual é importante adotar uma abordagem calma, sem julgamento. Porque, no fim das contas, quando nossos filhos fazem uma má escolha ou estão sendo explorados e prejudicados, queremos que eles venham até nós.

Blog O Cristão Pentecostal

"Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva. Convertam-se! Convertam-se dos seus maus caminhos!" Ezequiel 33:11b

Agayana

Tek ve Yek

Envision Eden

All Things Are Possible Within The Light Of Love

4000 Wu Otto

Drink the fuel!

Ms. C. Loves

If music be the food of love, play on✨

troca de óleo automotivo do mané

Venda e prestação de serviço automotivo

darkblack78

Siyah neden gökkuşağında olmak istesin ki gece tamamıyla ona aittken 💫

Babysitting all right

Serviço babysitting todos os dias, também serviços com outras componentes educacionais complementares em diversas disciplinas.

M.A aka Hellion's BookNook

Interviews, reviews, marketing for writers and artists across the globe

Gaveta de notas

Guardando idéias, pensamentos e opiniões...

Isabela Lima Escreve.

Reflexões sobre psicoterapia e sobre a vida!

Roopkathaa

high on stories

La otra luna de Picasso

El arte es la esencia de la espiritualidad humana.