OUTROS OLHARES

O FEMINISMO SE OLHA NO ESPELHO

Militantes radicais, as radfems, e ativistas que brigam pela inclusão da transexualidade na luta travam discussões fortes sobre os conceitos de sexo e gênero, discordando ao tentar entender o que é ser uma mulher

Conceitos de sexo e gênero se embaralham dentro do movimento feminista, opondo as militantes radicais, chamadas radfems, e os ativistas que lutam para incluir transexuais, pessoas não binárias e outras denominações debaixo de um mesmo guarda-chuva.

“Feministas radicais [que falam que pessoas trans endossam o sexismo] geralmente estão se referindo a mulheres trans que performam feminilidade”, diz o escritor. “Mas a comunidade trans é diversa, há pessoas não binárias, mulheres e homens trans que são dissidentes de gênero e não concordam com esses estereótipos.”

A socióloga e cientista política Jacqueline Pitanguy, autora de “Feminismo no Brasil”, afirma que embates, assim como fusões, entre movimentos sociais são comuns na história.

“O feminismo tem uma composição complexa da luta política”, afirma Pitanguy. “E é a partir da elaboração teórica de conceitos como sexo e gênero que estudamos relações de poder de uma sociedade.”

Segundo Andreia Nobre, autora de “Guia (Mal-Humorado) do Feminismo Radical”, as críticas contra o movimento radfem são, na maioria das vezes, “uma caça às bruxas”. Ela classifica como preocupante o fato de haver “mulheres sendo chamadas de transfóbicas simplesmente por falarem de anatomia feminina”.

Além disso, Nobre diz que o ativismo trans esbarra na luta por direitos femininos. “Se gênero é um sentimento e algo fluido, o que será das políticas de proteção às mulheres?”, questiona. Ainda nessa linha, pergunta quais critérios podem ser adotados para definir o gênero de acusados de feminicídio, já que cada vez mais há adeptos da ideia de que ter um pênis não é, necessariamente, sinônimo para definir alguém como homem.

Advogados entendem que o feminicídio se trata de um assassinato cometido contra uma mulher em decorrência do fato de ela ser mulher, independentemente de como o criminoso é identificado.

Lucy Delap, a historiadora, defende que o debate sobre gênero seja feito longe dos ringues da chamada cultura do cancelamento. “Há todas as oportunidades para debatermos o assunto e, ao mesmo tempo, temermos a ideia de uma completa ruptura entre feministas e pessoas queer [termo que, neste contexto, se refere a quem não é cisgênero].”

Ainda que a fala dela sobre uma possível harmonia possa parecer utópica, ou até mesmo rasa, há quem compactue com a ideia. Um exemplo é a socióloga britânica Finn Mackay.

 Em entrevista por e-mail, Mackay – que refere a si tanto no feminino quanto no masculino – afirma que se define como “radfem trans masculina”. “Não fiz nenhuma transição social, legal ou médica, então, nunca me identificaria com o homem trans”, diz. “Sou criticada por quem sugere que não mereço me chamar de feminista, porque apoio os direitos trans.”

A socióloga conta que as críticas contra ela surgem mais nas redes sociais, ambiente que ela diz ter deixado o debate polarizado. “Isso impede as pessoas de discutir, aprender e conversarem”, afirma. “Mas é importante também não apoiarmos pontos de vista hostis e excludentes.”

Mackay lembra Judith Butler e a radfem Andrea Dworkin para dizer ainda que, apesar de divergências, há também semelhanças na maneira pela qual a teoria queer e o feminismo radical veem o gênero – a partir da compreensão de que ele surge como construção social e prejudica não só mulheres, como também homens, ainda que num grau diferente. A socióloga, assim como as radfems e parte dos ativistas trans, acredita que a solução para o sexismo seria a abolição dos papéis de gênero, o que viria a acontecer num longo processo histórico. “É claro que há radfems transfóbicas e ativistas trans misóginos, mas toda essa discussão não deveria ser reduzida a uma luta entre feministas e ativistas trans”, defende Mackay, que sugere autocríticas a ambos os grupos.

“O ativismo queer precisa reconhecer os efeitos da socialização. Mulheres são treinadas desde a infância para serem cautelosas com homens em espaços femininos. Então aquelas [que são contra a presença de pessoas com pênis nesses locais] podem estar apenas lidando com a socialização, num sistema que as culpa pela violência masculina”, afirma. “Mulheres trans são, desproporcionalmente, afetadas pela violência sexual e pelo abuso doméstico”, ela diz, lembrando que esse é um ponto que precisa ser reconhecido pelo movimento radfem. “É uma questão em que todos deveríamos estar lutando juntos.”

GESTÃO E CARREIRA

VANTAGENS  PARA QUEM TEM E-COMMERCE OU ATUA EM MARKETPLACES

Em meio ao estabelecimento do e-commerce e também dos marketplaces, como Mercado Livre e Shopee, esse modelo de negócio se tornou uma opção cada vez mais atrativa para empreendedores de diversos setores, especialmente PMEs.

No entanto, optar por empreender vendendo produtos online, sendo por loja própria ou revenda em plataformas, não elimina a necessidade de formalização com CNPJ.

Entre as soluções para formalizar um negócio de vendas online está o Escritório Virtual (EV), que tem facilitado as operações de centenas de CNPJs no Brasil. De acordo com o CEO da Company Hero, Miklos Grof, a vantagem básica da solução está em se encaixar nas exigências atuais do mercado, principalmente com o movimento mais recente dos marketplaces priorizando em suas plataformas os vendedores com CNPJ.

“Há ambientes de revenda online que bloqueiam aqueles que atuam com o próprio CPF e ultrapassam o limite do faturamento permitido. Isso sem mencionar o quanto fica mais caro para o comerciante, pois as taxas aplicadas aos itens comercializados nesses casos são bem mais altas”, pontua. “Situações como essas mostram que a tendência do mercado é beneficiar mais vendedores com empresas formalizadas, o que se reflete na visibilidade de produtos e, consequentemente, no engajamento de clientes”, complementa.

Com exceção do MEI, toda empresa precisa vincular um endereço fiscal que seja legalizado pelas juntas comerciais em seus registros de CNPJ, por questões ligadas ao Fisco e para que o estado possa se comunicar e localizar o seu negócio quando for necessário. “Muitos empreendedores não sabem que o CNPJ pode ser bloqueado já no momento de abertura, caso o endereço seja residencial ou não permitido pelos critérios da junta comercial estadual”, explica Grof.

“Além disso, em alguns casos, o escritório contábil contratado para abrir o CNPJ empresta o endereço próprio para vincular à empresa do seu cliente, o que não é ideal, já que amarra a empresa a um prestador de serviços. Há também cenários com pessoas que começam vendendo em marketplaces com o CPF, mas que rapidamente estouram o faturamento permitido e perdem vendas”, completa.

O Escritório Virtual impede que esses problemas cheguem ao empreendedor por se tratar da regularização do endereço fiscal e comercial da empresa, sem que haja a necessidade dela operar fisicamente naquele CEP. Ou seja, toda a operação do e-commerce acontece em qualquer outro lugar, mas possui aquele local como o seu endereço legal.

A solução também gera vantagens que podem ser de- terminantes para o crescimento dos comércios virtuais. A Company Hero separou seis delas, confira:

ASSERTIVIDADE – Basicamente, o único pré-requisito para a utilização do Escritório Virtual por e-commerces e vendedores de marketplaces é a Inscrição Estadual, que permite o recolhimento do ICMS e a emissão da Nota Fiscal de Produto (NF-e).

A liberação do documento é feita pela prefeitura responsável, mas não tende a encontrar grandes obstáculos; a chance do respectivo CNPJ ser negado pelo estado é muito menor nesse formato, pois não traz possíveis empecilhos que o endereço físico pode ter devido a outros critérios de aprovação.

Com a necessidade da Inscrição Estadual vinculada àquela empresa de comércio, o nosso time responsável realiza uma consulta de viabilidade. Assim, a empresa só paga pela solução com a garantia de que o processo vai dar certo”, afirma Grof.

É uma alternativa que praticamente não carrega imprevisibilidades que podem impactar no andamento dos negócios, como é o caso de empreendedores que têm pressa para se formalizar e precisam começar a emitir notas fiscais o mais rápido possível, porém podem ter o CNPJ negado por conta do endereço, visto que para algumas atividades não é possível abrir em bairros residenciais.

ACESSIBILIDADE – Quem quer vender online se depara com a dúvida se alugar salas e espaços físicos para ter um domicílio fiscal válido é realmente a única alternativa para formalizar seu CNPJ. Contudo, na grande maioria das vezes, eles não utilizam esses ambientes, ou simplesmente atuam na irregularidade para reduzir custos fixos, o que é muito arriscado e não recomendado.

O aluguel mensal de uma sala não fica por menos de R$ 1.500,00, sem acrescentar todos os custos fixos de manutenção, luz, condomínio etc. Já com o Escritório Virtual, os gastos são muito reduzidos: o valor de assinatura deste serviço por um ano equivale ao aluguel de apenas um mês de uma sala comercial.

Isso representa um custo fixo 10 a 15 vezes menor, dependendo da região onde a empresa opera. Logo, é um preço mais acessível e justo, que não compromete a saúde financeira da companhia.

SEGURANÇA – A separação da vida pessoal e profissional é um grande desafio para os iniciantes no e-commerce e, a depender do endereço cadastrado no CNPJ, o empreendedor pode correr alguns riscos desnecessários nesse a sentido. A principal razão disso é o fácil acesso aos dados do cadastro online do CNPJ, que permite localizar o endereço de qualquer empresa.

Imagine se alguém bate na porta da sua casa para querer saber de uma compra em atraso. Ou pior, se algum criminoso realiza uma tentativa de roubo por associar que seu e-commerce tem grande volume em mercadorias. São situações suscetíveis a acontecer para quem está começando uma jornada nas vendas de produtos online, mas quer podem ser facilmente evitadas com o Escritório Virtual.

CREDIBILIDADE – O comércio online implica um desafio maior de gerar transparência ao consumidor por não possuir um ambiente físico para poder comprovar sua existência e veracidade como uma loja física.

Dessa forma, se um cliente quer comprar o produto de uma determinada marca por esse meio e, ao pesquisar o endereço da mesma, se depara com um imóvel residencial, a credibilidade da empresa fica em risco, pois pode transmitir uma certa suspeita.

Com o Escritório Virtual, e-commerces podem registrar endereços fiscais e comerciais em prédios de renome em várias regiões, o que aumenta consideravelmente a confiança do cliente para prosseguir com a compra.

PRATICIDADE – Por fim, o Escritório Virtual é a opção mais prática para que a empresa possa atender suas obrigações legais sem que ela pare de funcionar ou opere

o faturamento com limitações. Com a solução, o empreendedor recebe de forma 100% virtual todos os documentos referentes à formalização fiscal, como IPTU, alvará dos bombeiros, habite-se e outros.

“Além disso, o serviço garante a gestão de correspondências otimizada, poupando o empreendedor de burocracias cotidianas. Portanto, com o Escritório Virtual é possível vender online mantendo o CNPJ em dia com as exigências fiscais, garantindo a segurança de que a empresa está legalizada para crescer e faturar sem restrições”, conclui o CEO. – Fonte e mais informações

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ORGASMO COMO META PODE TORNAR SEXO MENOS PRAZEROSO Especialistas afirmam que a experiência sexual completa deve ser satisfatória

Gozar, ejacular, chegar ao orgasmo uma, duas ou três vezes pode ser bom, mas não é sinônimo de ter uma vida sexual cheia de qualidade e satisfação. A cobrança por performance pode transformar esse prazer em obrigação e pressão.

Especialistas lembram que atingir o clímax não deve ser o objetivo final do sexo, mas sim a busca por aproveitar a experiência sexual como um todo.

Um orgasmo nada mais é do que uma das fases do ciclo de resposta sexual que independe do gênero da pessoa e representa, ao mesmo tempo, o pico, o alívio e o fim de uma tensão sexual, afirma Teresa Embiruçu, médica ginecologista do Ambulatório de Sexualidade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sexóloga pela Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

“Às vezes a pessoa deflagra essa descarga da energia sexual, mas é quase um orgasmo mecânico. Você pode chegar ao orgasmo físico e ter a sensação que aquela relação não foi tão legal”, diz a ginecologista. “Uma relação sexual prazerosa se define não pela presença ou ausência do orgasmo, mas pela conclusão de que aquele contato foi bom como um todo.”

Fatores como gênero e orientação sexual, assim como as expectativas e os estigmas relacionados a diferentes grupos sociais também podem atravessar a qualidade do prazer.

Uma pesquisa americana divulgada no Archive of Sexual Behavior aponta que, enquanto 95% dos homens heterossexuais alcançam o orgasmo em todas as relações, apenas 65% das mulheres heterossexuais dizem o mesmo. Já no caso de mulheres lésbicas, essa porcentagem chega a 86%. Jacy Lima, criadora de conteúdo sobre saúde íntima e sexualidade, destaca que “a corrida pelo orgasmo” gera pressões. “Estar numa relação sexual pensando só que tem que gozar, que tem que agradar, não ajuda. Hoje eu prezo muito pelo meu prazer durante o sexo. Se eu atingir ou não o orgasmo, tanto faz, eu tenho que sair dali satisfeita”, afirma.

Cultivar uma relação de qualidade com o corpo e o prazer também significa superar traumas. Jacy, que foi abusada sexualmente dos 5 aos 8 anos, reforça que garantias de direitos básicos e de bem-estar são pré-requisitos para o cultivo do prazer individual. “Não adianta eu tentar empoderar uma mulher empurrando um vibrador e cobrando um orgasmo. A gente precisa entender o que é importante para aquela mulher. Às vezes ela precisa lidar com traumas, com violências sexuais sofridas, questões religiosas, problemas de autoestima ou falas depreciativas que ouviu a vida inteira.”

Do outro lado estão os homens heterossexuais e cisgênero, que possuem alto índice de orgasmo por relação sexual. No entanto, uma vez que orgasmo não representa métrica de qualidade, será que eles têm uma boa relação com o prazer?

O médico urologista Osei Akuamoa Jr., especialista em saúde do homem e cirurgias minimamente invasivas, afirma que a frequência sexual do homem brasileiro é boa, mas isso não indica qualidade.

“O universo de disfunções erétil e ejaculatória entre os homens é muito grande. Temos dados de que 40% dos pacientes que iniciam as atividades sexuais enfrentam alguma dificuldade, e isso tem muito a ver com os conceitos de performance e de masculinidade”, diz.

Rodrigo Roque Rabelo, 40, projetista e coordenador do grupo Respeito Todo Dia, que discute masculinidade, conta que cresceu acreditando nessas metas de performance e que, no passado, pensava que o bom era a quantidade.

“Depois de um tempo, com a idade, você entende que não é uma questão de alta performance. Se antes eu tentava várias, hoje é uma. Mas com certeza essa uma é de maior qualidade. Eu gosto muito mais do ato em si. Para mim o foco é o caminho, não a chegada.” Segundo a médica Teresa Embiruçu, tentar explorar e alcançar mais orgasmos pode ser saudável, mas é preciso entender de que forma isso é feito. É importante que as pessoas ampliem seus repertórios, busquem se explorar e se conhecer. O que não é ideal é fazer disso uma obrigação, uma norma que, caso não seja atendida, se converta em frustração.

Ela também chama atenção para uma segunda etapa do desafio: quando as pessoas conseguem desenvolver uma boa relação com o próprio prazer, mas ainda precisam comunicar aos parceiros. “Existe a dificuldade de falar de que jeito a pessoa gosta, com medo de desagradar o outro, com medo do julgamento. E se o outro me perguntar onde eu aprendi isso? Tem pessoas com pênis que gostam de ser tocadas na região anal, mas como numa relação heterossexual você conta isso para sua parceira? Eu vou colocar meu relacionamento em risco porque eu quero fazer um sexo diferente?”

Para Jacy Lima, esta é uma oportunidade para pensar e cultivar o bem- estar de todas as pessoas, indo além do sexual. “Ninguém vai ter prazer se estiver com autoestima baixa, com problema financeiro, familiar, profissional. O sexo, o prazer, o orgasmo, tudo isso faz parte do nosso bem-estar, mas têm outros fatores de que também precisamos cuidar.”

EU ACHO …

O SALVA-VIDAS

De vez em quando aparece no noticiário algum sortudo que teve sua vida salva por um objeto: uma caneta no bolso, uma moeda, uma calculadora, algo que impediu que uma bala de revólver lhe perfurasse o coração. Pois aconteceu de novo: sábado passado, em Cuiabá, um professor de 52 anos reagiu a um assalto e teve sua vida salva porque, na hora do disparo, a bala acertou o que ele trazia em mãos: um livro. Um livro bem grosso, imagino. Um tijolaço.

Em plena semana em que inicia a nossa Feira, não posso perder essa chance de fazer uma analogia. Terei coragem de apelar e dizer que os livros salvam a vida de milhares de pessoas todos os dias? Bom, agora já disse.

Piegas ou não, forçado ou não, eu acho mesmo que os livros nos “salvam”, de alguma maneira. Salvam a gente de levar uma vida besta, doutrinada pela tevê. Salvam a gente de ficar olhando só pra fora, só para o que acontece na vida dos outros, sem nos dedicar a alguns momentos de introspecção. Salvam a gente de ser preconceituoso. Salvam a gente do desconhecimento, do embrutecimento, do mau-humor, da solidão, salvam a gente de escrever errado. Se existe salvador da pátria, não conheço outro.

Quando me refiro a alguém que lê, estou me referindo a alguém que lê bastante, que lê com paixão, que compulsivamente. Porque ler dois ou três livros por ano, apesar de estar dentro da média brasileira, está longe de ser comemorado. Vira um programinha excêntrico: “Vou aproveitar que hoje está nevando e ler um livro”. Nada disso. Livro salva quem nele se vicia. Salva quem não consegue se saciar. Quem quer saber mais, conhecer mais, se aprofundar mais. É imersão. Mergulho. Salva a gente da secura da vida.

A Feira começa depois de amanhã e estará cheia de livros, inclusive os volumosos. Viver para contar, a biografia do Garcia Marquez, tem 474 páginas. Os 100 melhores contos do século tem 618. A montanha mágica, de Thomas Mann, 986. Se não salvarem espiritualmente ninguém, darão ao menos um bom escudo.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

CONHEÇA OS RISCOS E OS CUIDADOS NA HORA DE FAZER AS UNHAS

Especialistas apontam para o perigo de tirar as cutículas, usar palitos de madeira e outras práticas costumeiras utilizadas por manicures

Você não precisa olhar muito longe – nas mãos (e pés) das mulheres em todas as esferas da vida – para perceber unhas feitas.

Fico espantada com a forma como algumas, com adagas elaboradamente pintadas estendendo-se da ponta dos dedos, conseguem digitar, discar telefones celulares e até assinar seus nomes. Eu me pergunto que deformidades articulares podem esperar por elas daqui a décadas depois de usar seus dedos em posições tão pouco naturais.

Mas muitas não precisam esperar anos para descobrir as consequências desagradáveis dessa fúria cosmética. Elas experimentam reações alérgicas aos agentes químicos em produtos, unhas caindo e uma variedade de outros problemas.

Na revista Women’s Health in Primary Care, dois dermatologistas de Nova York, Herbert P. Goodheart, do Mount Sinai Hospital, e Hendrik Uyttendaele, do Centro Médico da Universidade de Columbia, revisaram os procedimentos envolvidos nas práticas atuais de cosméticos para unhas e seus perigos.

PROBLEMAS

Começaram com o que muitas vezes é o primeiro passo em uma manicure: remover a cutícula, talvez depois de aplicar um amaciante com álcalis fortes que quebram a queratina dessa pele protetora. A remoção da cutícula deve ser desencorajada porque pode levar à inflamação e infecções do tecido circundante e da raiz da unha, causando deformidades permanentes. Os médicos também alertaram contra o uso do palito de madeira, que pode contribuir para infecções fúngicas e perda da unha.

Os produtos cosméticos do setor estão repletos de substâncias químicas tóxicas e alergênicas, incluindo tolueno, ftalatos, cânfora e formaldeído. Muitos desses componentes podem causar reações alérgicas, e não apenas nas unhas. Por exemplo: a dermatite palpebral pode ocorrer quando alguém toca ou esfrega os olhos com unhas feitas, transferindo a resina tolueno-sulfonamida-formaldeído do esmalte para a pele altamente sensível.

Fortalecedores com fibra, usados para tratar unhas quebradiças, são outra fonte de reações alérgicas, assim como a cola acrílica usada para prender muitas unhas artificiais. Além disso, uma pressão exercida nas pontas das unhas artificiais pode danificar as naturais que es- tão embaixo, provocando a sua perda parcial ou total.

RECOMENDAÇÕES

Os especialistas dizem que “unhas naturais costumam ser a escolha mais saudável e precisam de menos manutenção”. Mas eles também reconhecem que fazer com que as entusiastas abandonem as unhas feitas é uma causa perdida. Para elas, sugerem alguns passos. Para reduzir o risco de infecção, as mulheres que vão à manicure devem comprar seu próprio kit contendo um conjunto de instrumentos, como alicate, para levar ao salão. As cutículas não devem ser removidas – no máximo, aparadas suavemente – e as unhas artificiais devem ser usadas com muito cuidado. As mulheres devem parar periodicamente de usar esmalte e outros cosméticos para promover a saúde geral da região e poder inspecionar a unha natural quanto a anormalidades.

Aparar ou lixar as unhas naturais em forma oval para fazer os dedos parecerem mais longos aumenta o risco de separação do leito ungueal. Um método semelhante ao usado para as unhas dos pés – pontas retas com cantos longos – é mais sensato e resulta em menos unhas quebradas.

Goodheart e Uyttendaele descreveram as várias mudanças degenerativas que afetam as unhas à medida que as pessoas envelhecem. Enquanto a maioria dessas alterações são normais e não requerem tratamento, algumas predispõem as unhas a infecções e deformidades e outras são sinais de doenças subjacentes que devem ser diagnosticadas e tratadas.

“Com a idade, as unhas geralmente ficam finas e frágeis; por outro lado, as unhas dos pés geralmente se tornam mais grossas e mais duras”, dizem os autores.

As unhas costumam ficar mais quebradiças com o tempo. Vários fatores contribuem para isso, como uso frequente de produtos cosméticos, exposição excessiva a detergentes ou água ou, possivelmente, deficiência de ferro, doença da tireoide ou diminuição da circulação periférica.

Esses problemas podem ser reduzidos usando luvas de borracha ao lavar a louça, luvas quentes no frio, aplicando cremes hidratantes na hora de dormir e após a lavagem, mantendo as unhas curtas, usando uma lima macia e tomando um suplemento vitamínico contendo complexo B.

Talvez o problema mais comum, que afeta quase metade das pessoas com mais de 70 anos, seja a infecção fúngica. O tratamento adequado pode exigir a identificação do organismo culpado, uma vez que leveduras e bolores podem ser resistentes a certos remédios antifúngicos.

“Os cremes antifúngicos tópicos sozinhos geralmente são ineficazes devido à má penetração das unhas”, dizem os dermatologistas, acrescentando que as terapias orais podem ter efeitos colaterais graves. “Deixar as infecções fúngicas das unhas sem tratamento é, muitas vezes, uma decisão sábia.”

OUTROS OLHARES

ECOANSIEDADE

A emergência climática cria (mais) uma angústia em relação ao futuro. Fomos atrás de mulheres que aplacaram o sofrimento ao transformá-lo em ação

A petropolitana Eveline Baptistella, de 44 anos, vive e trabalha pela natureza. “Pesquiso a relação entre animais humanos e não humanos. O meu estudo se concentra no Pantanal”, diz ela, que mora em Tangará da Serra, no Mato Grosso. Em 2020, durante as queimadas que devastaram a região, Eveline experimentou uma angústia aguda. “Acabei me envolvendo para tentar minimizar o desastre que resultou na queima de 30% do bioma. Passei por um sofrimento psíquico”, lamenta. Lidar, no dia a dia, com a extinção de algumas espécies e o sofrimento de outras também a coloca em permanente estado de “luto”. “Entro em contato com a dor dos bichos todos os dias. Sigo por saber da urgência e por não conseguir ficar parada”, explica.

Pesquisadora e professora, ela não está sozinha: depois do pior da pandemia, voltou a dar palestras para crianças e jovens sobre consciência ecológica e pôde observar uma sensação recorrente: o medo de catástrofe ambiental vem crescendo a olhos vistos. “A própria crise sanitária é derivada dessa questão. O sentimento que predomina entre a juventude é a desesperança.”

O desassossego diante da crise climática e do aquecimento global que toma conta do mundo já tem nome: ecoansiedade. A expressão foi cunhada em 2017 pela American Psychology Association (APA — Associação Americana de Psicologia) e é descrita como “medo crônico de sofrer um cataclismo ambiental que ocorre ao observar o impacto, aparentemente irrevogável, das mudanças climáticas, gerando uma preocupação associada ao futuro de si mesmo e das próximas gerações”. Já o sofrimento ligado a desastres da natureza que, de fato, ocorreram, caso relatado por Eveline, tem o nome de solastalgia.

De acordo com Mariana Pelizer, doutora em Psicologia Clínica pela PUC-SP, a ecoansiedade costuma atingir pessoas mais sensíveis à questão ecológica, que não conseguem desenvolver uma nova forma de viver (mudando a forma de se alimentar e de consumir, por exemplo) ou que entendem esse processo como apocalíptico. “Nesse caso, apresenta-se como medo crônico do futuro”, observa. “A emergência climática é uma realidade e a ansiedade, geralmente, tem a ver com a falta de controle do que está para acontecer.

Mas, individualmente, podemos fazer escolhas cotidianas que façam diferença no coletivo. Mudanças locais impactam nas transformações globais. Uma das formas de lidar com esse sofrimento é envolver-se em movimentos ligados ao cuidado com o planeta”, sugere.

Mariana também enumera alguns sintomas típicos. “Além do temor de viver grandes desastres, os clássicos das crises de ansiedade podem se fazer presentes, como insônia, falta de ar e palpitações.

É importante procurar ajuda especializada”, ressalta.

Há 20 anos lidando com o assunto, a psicóloga ambiental Renata Carvalho Koldewijn sentiu esses efeitos no próprio casamento. A cerimônia foi em Brumadinho (MG) e, na mesma data, a barragem de uma mina se rompeu em Nova Lima, próximo ao local. “Não consegui prestar mais atenção em nada”, recorda-se ela, que tem 43 anos.

“Quem não percebe a gravidade da situação está alienado.”

Já a advogada e ecofeminista Vanessa Lemgruber, de 29 anos, admite sentir, volta e meia, um “certo desespero”. “Por achar que não vai surgir uma solução para o planeta. E se surgir, não será para todos”, explica. Mas também acredita na capacidade humana de gerenciar crises. “Aceito as contradições da vida e tento transformar a ansiedade em ação”, diz.

Foi isso que fez Amanda Costa, de 25 anos. Formada em Relações Internacionais, jovem embaixadora da ONU e diretora da Perifa Sustentável, ela enxerga a ecoansiedade como realidade. “Já fiquei mal, minha geração não quer ter filho por causa disso”, diz a paulista, que foi à luta. “Criar novas narrativas é minha missão de vida.”

 GESTÃO E CARREIRA

 PROJETO QUER 5 MILHÕES DE VAGAS PARA JOVENS DE BAIXA RENDA ATÉ 2030

Iniciativa criada pelo Instituto Coca-Cola Brasil amplia rede de empresas privadas para acelerar a inclusão produtiva

Iniciativa que já reúne mais de 200 empresas privadas no país quer gerar 5 milhões de oportunidades de empregabilidade a jovens de baixa renda até 2030. O Pacto Coletivo pelos Jovens, criado pelo Instituto Coca-Cola Brasil (ICCB) no fim de 2020, trabalha agora para dar escala ao movimento e atrair novas corporações. Para isso, realizou anteontem o Potências do Futuro, na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo. O evento, que teve apoio do G10 Favelas, presidido por Gilson Rodrigues, contou com a participação de mais de 35 executivos de companhias como McDonald’s, Itaú, Ancar, Bob’s e Electrolux, que se reuniram com 23 jovens do projeto.

“Numa primeira década capacitando jovens em conexão com o mercado de trabalho, impactamos 250 mil. Mas, pela demanda social no país, com 47 milhões de jovens, sendo 18 milhões deles abaixo da linha da pobreza ou em extrema pobreza, temos de ir de milhares para milhões”, diz Daniela Redondo, diretora executiva do ICCB.

A digitalização dos cursos de formação para o primeiro emprego, puxada pela pandemia, explica Daniela, colaborou para uma primeira aceleração do movimento, fazendo o alcance do projeto saltar de 44 para mais de dois mil municípios no país. Antes da Covid-19, 28 mil jovens passavam pelo curso Coletivo Online. No ano passado, esse número passou a 50 mil, marca que deve dobrar este ano.

FOCO NO PÓS-CONTRATAÇÃO

O curso recebe jovens de 16 a 25 anos de idade, contatados em conjunto com educadores e articuladores de comunidades. Do total, 70% são negros, 69% são mulheres, e 75% têm renda familiar inferior a dois salários mínimos. Com isso, há empresas que já pedem seleções com recortes específicos, como apenas para jovens negros, por exemplo.

Monitoramentos feitos três e seis meses após a conclusão desse curso, que é ancorado em habilidades socioemocionais, mostram que aproximadamente 50% dos jovens qualificados começaram a trabalhar. Uma parte dessa inclusão produtiva é via parceiros. Outra parte dos jovens se movimentou, empreendeu ou aprendeu a procurar emprego.

O esforço para ampliar a rede de empresas no Pacto pretende ainda avançar no apoio aos jovens no pós-contratação.

“Se ele é apenas contratado e não há movimento depois disso, o risco de esse jovem perder o emprego nos primeiros meses é alto. E aí não foi uma inclusão de fato, não ajudou esse jovem a galgar o desenvolvimento para ter a resiliência e sair do ciclo de pobreza”, conta Daniela. Eduardo Santos, diretor-geral da EF Education First, que integra o Pacto e participou do evento em Paraisópolis, reconhece que nem todas as empresas estão preparadas para receber jovens de comunidades e em vulnerabilidade, mas entendem o valor de fazer isso:

“Esses jovens são os futuros consumidores, o que impacta a economia, e ainda são donos das jornadas de inovação e resolução de problemas que as empresas têm e que seu corpo diretivo, muito pouco incluso e diverso, passará a ter dificuldade de resolver.

EU ACHO …

OS EXCLUÍDOS

Ao contrário do que o título desta crônica possa sugerir, não vou falar sobre aqueles que vivem à margem da sociedade, sem trabalho, sem estudo e sem comida. Quero fazer uma homenagem aos excluídos emocionais, os que vivem sem alguém para dar as mãos no cinema, os que vivem sem alguém para telefonar no final do dia, os que vivem sem alguém com quem enroscar os pés embaixo do cobertor. São igualmente famintos, carentes de um toque no cabelo, de um olhar admirado, de um beijo longo, sem pressa pra acabar.

A maioria deles são solteiros, os sem-namorado. Os que não têm com quem dividir a conta, não têm com quem dividir os problemas, com quem viajar no final de semana. É impossível ser feliz sozinho? Não, é muito possível, se isso é um desejo genuíno, uma vontade real, uma escolha. Mas se é uma fatalidade ao avesso – o amor esqueceu de acontecer – aí não tem jeito: faz falta um ombro, faz falta um corpo.

E há aqueles que têm amante, marido, esposa, rolo, caso, ficante, namorado, e ainda assim é um excluído. Porque já ultrapassou a fronteira da excitação inicial, entrou pra zona de rebaixamento, onde todos os dias são iguais, todos os abraços, banais, todas as cenas, previsíveis. Não são infelizes e nem se sentem abandonados. Eles possuem um relacionamento constante, alguém para acompanhá-los nas reuniões familiares, alguém para apresentar para o patrão nas festas da empresa. Eles não estão sós, tecnicamente falando. Mas a expulsão do mundo dos apaixonados se deu há muito. Perderam a carteirinha de sócios. Não são mais bem-vindos ao clube.

Como é que se sabe que é um excluído? Vejamos: você passa por um casal que está se beijando na rua – não um beijinho qualquer, mas um beijo indecente como tem que ser, que torna tudo em volta irrelevante, incluindo você. Se bater uma saudade de um tempo que parece ter sido vivido antes de Cristo, se você sentir uma fisgada na virilha e tiver a impressão de que um beijo assim é algo que jamais se repetirá em sua vida, se de certa forma esse beijo a que você assistiu parece um ato de violência – porque lhe dói – então você está fora de combate, é um excluído.

A boa notícia: você não é um sem-trabalho, sem-estudo e sem comida – é apenas um sem-paixão. Sua exclusão pode ser temporária, não precisa ser fatal. Menos ponderação, menos acomodação, e olha só você atualizando sua carteirinha. O clube segue de portas abertas.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

CONJUGAÇÃO DE FATORES EXPLICA GRAVIDEZ MENSTRUADA

Sangramento mais longo e sobrevida do espermatozoide no corpo feminino podem causar concepção ‘surpresa’ no fim do ciclo

Muitas mulheres acreditam ser impossível engravidar durante a menstruação. A concepção, de fato, não pode ocorrer durante o período menstrual. Porém, havendo uma rara conjugação de fatores, uma relação sexual enquanto se está menstruada é capaz, sim, de gerar gravidez alguns dias depois.

É sabido que a maior chance de ficar grávida ocorre durante o período fértil, que costuma começar uma semana depois que a menstruação acaba. No entanto, a janela da fertilidade pode se iniciar mais cedo para algumas mulheres, inclusive dentro da menstruação.

O ciclo menstrual dura, em média, 28 dias, mas pode variar de 21 a 35 dias. A ovulação – liberação do óvulo para ser fertilizado por um espermatozoide – costuma ocorrer no meio do ciclo, podendo acontecer dois dias antes. Por exemplo: uma mulher que tem um ciclo de 28 dias vai ovular no 14º dia, podendo isso acontecer também no 12º ou no 13º dia. No entanto, uma mulher com o ciclo de 21 dias pode ovular entre os dias 8, 9 ou 10.

O ciclo é contado a partir do primeiro dia de menstruação e vai até o dia anterior ao próximo período menstrual. Assim como o ciclo menstrual varia, o tempo de menstruação também: ele pode ser de três a sete dias, dependendo da mulher. Essa duração não necessariamente segue o padrão do período menstrual. Portanto, pode acontecer de mulheres com ciclos curtos passarem por vários dias de sangramento.

Além disso, é preciso considerar também o tempo de sobrevivência de um espermatozoide dentro do corpo feminino. Eles são capazes de ficar, em média, três dias à espera do óvulo para fertilizá-lo – mas, segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), esse tempo pode mais que dobrar, chegando a sete dias.

O óvulo sobrevive por 12 a 24 horas após a ovulação. Por esse motivo, para que a gravidez ocorra é necessário que haja o encontro com um espermatozoide nesse período. É mais provável que uma pessoa engravide se tiver relações sexuais três dias antes e até o dia da ovulação.

Mas se a relação sexual desprotegida ocorrer durante a menstruação – principalmente no final dela – e a mulher ovular até três dias depois do sexo, há risco de engravidar, mesmo  sendo raro.

“Mulheres com sangramento menstrual de vários dias podem ter a falsa impressão de terem engravidado menstruando”, diz a ginecologista Karina Tafner.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTUDO LISTA POSIÇÕES QUE AJUDAM MULHER A CHEGAR AO CLÍMAX

Quem vai por cima e o quanto da pele do parceiro toca o clitóris podem fazer toda a diferença no orgasmo das mulheres. A conclusão é de estudo feito em Nova York (EUA) que avaliou como a posição dos parceiros interfere no clímax feminino.

Por meio de ultrassons, os pesquisadores testaram cinco posições descritas na literatura médica e observaram a mudança do fluxo sanguíneo no clitóris antes e depois do ato sexual. A mulher por cima do homem, cara a cara com o parceiro, e o casal sentado, também de frente um para o outro, foram as que mais intensificaram o fluxo de sangue no órgão erétil feminino.

Contudo, a força exercida pelo contato do clitóris com a pele do parceiro foi mais intensa quando ela estava por cima, o que também resultou em orgasmos mais poderosos.

O objetivo da pesquisa era identificar como a parte biomecânica do corpo e as forças empregadas (tanto pelo casal como pela gravidade) podem influenciar no prazer feminino. O estudo foi conduzido pelos médicos Kimberly Lovie e Amir Marashi, do departamento de imagens médicas da clínica New HMedical.

O artigo “Coital positions and clitoral blood flow: A biomechanical and sonographic analysis” (Posições sexuais e fluxo sanguíneo clitoriano: uma análise biomecânica e ultrassonográfica, em português) foi publicado na edição digital de julho da revista Sexologies, periódico da Federação Europeia de Sexologia.

“De acordo com os resultados, as posições face a face são mais propensas a levar ao orgasmo porque maximizam a estimulação do clitóris e o fluxo sanguíneo. Além disso, posições em que a parceira feminina tem mais controle sobre a pressão exercida no clitóris [quando mulher está por cima] produzem aumentos mais uniformes no fluxo sanguíneo clitoriano”, afirmam os autores no artigo.

Para os pesquisadores, os resultados podem ajudar no tratamento médico de disfunções sexuais, como a dificuldade em atingir o orgasmo.

Foram observadas as seguintes posições: parceiros deitados face a face com mulher em cima do homem; sentados um de frente para o outro; deitados face a face como homem por cima da mulher; deitados face a face com o homem por cima da mulher e ela apoiada em um travesseiro; e homem ajoelhado atrás da mulher realizando a penetração vaginal traseira.

Das cinco, apenas nesta última não houve maior fluxo de sangue para o clitóris, justificado pela falta de contato direto com a região. Na posição com o homem por cima, o sangue ficou mais difuso na pelve da mulher e menos concentrado no clitóris, gerando orgasmo menos intensos do que com a mulher por cima. Isso comprovou que o sucesso das posições face a face não é devido apenas à capacidade de facilitar a comunicação verbal e física entre os parceiros, mas também ao modelo biomecânico do encaixe.

O face a face com homem em cima da mulher não está entre as posições com maior probabilidade de levar ao orgasmo, mesmo sendo a posição mais comum. Ainda assim, isso pode ser corrigido com um travesseiro. A ideia é equilibrar a distribuição de forças para uma penetração mais profunda, algo que pode ser obtido com uma almofada sexual de posicionamento (triangular e mais consistente que o travesseiro comum). Ela deve ficar embaixo da mulher e em contato com a cama.

Para identificar o fluxo sanguíneo foram feitos ultrassons com um casal voluntário de médicos de 32 anos de idade. Eles estavam em uma relação monogâmica heterossexual, eram conhecidos dos pesquisadores e fizeram os testes em casa. Cada posição durou dez minutos e foi feita em um dia diferente. O orgasmo não era obrigatório, mas foi constatado nos cinco testes.

Os autores ressalvam que as mulheres podem ter respostas diferentes nessas posições e também são influenciadas pela parte psicológica e pelos graus de força de impulso que o parceiro pode ter.

Segundo a psicoterapeuta Evelyn Ribeiro Lindholm, especialista em sexualidade e comportamento, pesquisas que olham para o prazer sexual da mulher são de suma importância, visto que outras fontes de consulta, como a pornografia, não estimulam uma sexualidade madura ou mesmo real.

OUTROS OLHARES

PACIENTES TRANS FAZEM CIRURGIAS E PROCEDIMENTOS PARA FEMINIZAÇÃO FACIAL

Tratamentos médicos tornam os traços do rosto mais próximos aos de mulheres cisgênero, mas planejamento deve ser individualizado

“As pessoas apontam na rua e riem quando veem mulheres [trans] com características ditas masculinas, nós viramos piadas por isso”, afirmou a influenciadora e modelo Bruna Andrade, 25. Esse cenário, que cobra que mulheres trans sejam femininas, faz com que a mudança de gênero no Brasil ainda esteja associada à mudança cirúrgica corporal.

Como resultado, muitas dessas mulheres têm dificuldade de aceitar a própria imagem, e ainda sofrem com a disforia de gênero – um desconforto agudo que algumas pessoas trans sentem em relação ao próprio corpo. Segundo especialistas, esta sensação pode ser ainda maior em relação ao rosto.

Por isso, mulheres trans têm recorrido a cirurgias e tratamentos estéticos de feminização facial, que tornam os traços do rosto semelhantes ao de mulheres cisgênero. Muitas afirmam, porém, que falta conhecimento dos médicos brasileiros para a realização dos procedimentos. Especialistas ponderam que o tratamento não é indicado para todas, mas pode ser um aliado. “Amenizar o que está visível não é só pelo padrão estético, mas para não passar pelos constrangimentos que surgem quando alguém nota em público que a pessoa que está ali é trans por determinada característica física”, afirma Keila Simpson, 57, travesti e presidente da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais).

Simpson lembra que grande parte do público trans não dispõe de recursos para os procedimentos – um problema antigo que se agrava com a influência das redes sociais na indústria da beleza. Para ela, as necessidades de pessoas trans nunca foram encaradas com seriedade pela medicina. “Não sabem cuidar porque não pesquisaram o corpo trans. Fazer vista grossa e dizer ao paciente para procurar quem faz o procedimento não é a resposta que um médico deve dar. Mais dia ou menos dia, esses profissionais vão entrar em contato com essa população, seja para cuidar da sua saúde física e psicológica ou da sua saúde estética”, pondera Simpson.

A atriz e cantora Verónica Valenttino, 38, foi uma das participantes de um estudo brasileiro inédito publicado na revista científica internacional Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology. De acordo com a médica Bianca Viscomi, autora da pesquisa, padronizar a beleza trans descartando as características individuais pode piorar a aceitação da própria imagem pela paciente.

Viscomi diz que procedimentos ajudam a pessoa a identificar o que gosta antes de optar por uma cirurgia. O estudo qualitativo foi feito com cinco voluntárias e estabeleceu três etapas ao longo de 90 dias: tratamento de músculos, ligamentos e reposicionamento da gordura facial, melhora da pele com bioestimuladores de colágeno, e preenchimento com ácido hialurônico. Os objetivos foram individualizados.

“O osso frontal do homem é reto e o da mulher tem uma leve concavidade. Uma das pacientes sempre quis mexer nisso e fomos fazendo com o preenchimento. Ao final, ela disse que estava pronta para o avanço cirúrgico”, afirma.

O custo da feminização dermatológica gira em torno de até R$ 30 mil – a pesquisa contou com a doação de materiais de uma empresa farmacêutica especializada, a Merz Aesthetics Global, para ser concluída. Um procedimento cirúrgico completo de face e corpo no Brasil, por sua vez, pode custar até R$ 150 mil em média.

O cirurgião Jose Carlos Martins Junior, médico fundador da Transgender Center Brazil e autor do livro “Transgêneros: Orientações Médicas para uma Transição Segura”, afirma que 90% dos pacientes trans que procuram a cirurgia em sua clínica não buscam redesignação de sexo, mas estão focadas na aparência do rosto. “O que é indicado para uma mulher trans pode não ser indicado para outra. De cada 10, por exemplo, só uma ou duas vão fazer [a raspagem do] pomo de adão. Agora 100% fazem testa, remodelam crânio, as órbitas, puxam cabelo para frente, fazem o contorno facial”, diz o médico.

GESTÃO E CARREIRA

TRABALHADOR BUMERANGUE É REQUISITADO NO MERCADO CORPORATIVO

Definido como trabalhador bumerangue, resumidamente é o profissional que optou por sair da empresa, por diversos motivos, mas que aceitou retornar diante de uma nova proposta.

“A princípio, não há uma única razão que define o retorno de um colaborador, contudo é possível listar algumas das mais prováveis, como exemplo: alinhamento com a proposta de valor da organização ou da marca, maior alinhamento das competências ao negócio da empresa, proposta desafiadora de trabalho e desenvolvimento profissional, além de remuneração e condições de trabalho mais atrativas que as anteriores concedidas pela própria empresa”, explica Eliete Carina de Melo, docente do Senac-SP.

Para as organizações, a volta de um funcionário é notada como positiva. Conhecer a cultura da empresa, práticas, políticas, normas e o negócio em que atua, agiliza o pro- cesso de imersão e gera resultados mais rápidos.

“Por outro lado, em casos em que colaboradores retornam com ascensão de carreira, mesmo que o colaborador bumerangue retorne com novas habilidades, pode surgir a cultura de “que é necessário deixar a empresa para ser valorizado”, explica Carina.

Nesse cenário, o trabalho do departamento de Recursos Humanos é muito importante. Antes de contratar um ex-colaborador é importante analisar os motivos que o levaram a deixar a organização e o que o faz retornar.

“Por outro lado, é importante ter planos estratégicos que fortaleçam a cultura interna de desenvolvimento, reconhecimento de pessoas e o fortalecimento do senso de pertencimento, e assim permitir que a trajetória do colaborador seja maximizada na própria organização e não seja necessário deixar a companhia, novamente, para ter novos desafios e oportunidades”, ressalta a educadora.

O cenário é de transformações rápidas com reflexos marcantes em razão da pandemia. Cabe ao trabalhador bumerangue a flexibilidade para possíveis readequações, pois esteve fora da empresa por algum tempo.

Por outro lado, os desafios organizacionais podem ser endereçados a alguém já conectado e alinhado, ou seja, com um perfil adaptativo e transformador.

EU ACHO …

DO SEU JEITO

“I’ ve lived a life thafs full/Vve traveled each and every highway/But more, much more than this/fve lived it my way.”

Este é um verso de My Way, canção que foi imortalizada por Frank Sinatra e que também foi gravada pelo Sex Pistols e por Nina Hagen. É a história de um cara que viajou, amou, riu e chorou como todo mundo, mas fez isso do jeito dele. Numa sociedade cada vez mais padronizada, essa letra deveria virar hino nacional.

Abro revistas e encontro fórmulas prontas de comportamento: como ser feliz no casamento, como ter uma trajetória de sucesso, como manter-se jovem. Resolve-se a questão com meia dúzia de conselhos rápidos. Para ser feliz no casamento, todo mundo deve reinventar a relação diariamente. Para ter uma trajetória de sucesso, todo mundo deve ser comunicativo e saber inglês. Para manter-se jovem, todo mundo deve parar de fumar e beber. Todo mundo quem, cara pálida?

Todo mundo é um conceito abstrato, uma generalização. Ninguém pode saber o que é melhor para cada um. Fórmulas e tendências servem apenas como sinalizadores de comportamento, mas para conquistar satisfação pessoal pra valer, só vivendo do jeito que a gente acha que deve, estejamos ou não enquadrados no que se convencionou cha mar de “normal”.

O casamento é a instituição mais visada pelas “fórmulas que servem para todos”. Na verdade, todos convivem com o casamento desde a infância. Nossos pais são ou foram casados, e por isso acreditamos saber na prática o que funciona e o que não funciona. Só que a prática era deles, não nossa. A gente apenas testemunhou, e bem caladinhos. Ainda assim, a maioria dos noivos diz “sim” diante do padre já com um roteiro esquematizado na cabeça, sabendo exata- mente os exemplos que pretende reproduzir de seus pais e os exemplos a evitar. Porém, noivo e noiva não tiveram os mesmos pais, e nada é mais diferente do que a família do outro. Curto-circuito à vista.

É mais fácil imitar, seguir a onda, fazer de um jeito já testado por muitos, e se não der certo, tudo bem, até reações de angústia e desconsolo podem ser macaqueadas, nossas dores e medos muitas vezes são herdados e a gente nem percebe, amamos e sofremos de um jeito universal. Agir como todo mundo é moleza. Bendito descanso pra cabeça: é uma facilidade terem roteirizado a vida por nós. Mas, cedo ou tarde, a conta vem, e geralmente é salgada.

Fazer do seu jeito – amores, moda, horários, viagens, trabalho, ócio – é uma maneira de ficar em paz consigo mesmo e, de lambuja, firmar sua personalidade, destacar-se da paisagem. Claro que não se deve lutar insanamente contra as convenções só por serem convenções – muitas delas nos servem, e se nos servem, nada há de errado com elas. Estão aí para facilitar nossa vida. Mas se não facilitam, outro jeito há de ter. Um jeito próprio de ser alguém, em vez de S1mplesmente reproduzir os diversos jeitos coletivos de ser mais um.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

CREMES ANTIRRUGAS PARA OS OLHOS FUNCIONAM?

Especialistas explicam que produtos podem ajudar a prevenir o envelhecimento, mas devem contar alguns ingredientes ativos importantes para realmente fazer diferença: retinóis, retinoides prescritos ou vitamina C

Seja pelo envelhecimento, exposição ao sol, tabagismo ou por apertar muito os olhos, sorrir ou franzir a testa, ninguém está imune aos vincos e linhas finas da pele que surgem com a idade. E a área ao redor dos olhos é especialmente suscetível a essas mudanças.

“A pele sob e ao redor dos olhos é delicada e mais fina. É um lugar onde rugas e linhas podem aparecer com mais destaque”, explica Sara Perkins, professora de dermatologia da Escola de Medicina da Universidade de Yale. Enquanto algumas pessoas não se importam muito com as rugas, outras podem querer retardar o processo de envelhecimento e manter a pele com aparência mais jovem. Isso pode levá-las a se perguntar: será que esses potes minúsculos e caros de creme para os olhos valem a pena? Aqui está o que dizem os especialistas.

Sara Perkins e Zakia Rahman, professoras de dermatologia da Universidade de Stanford, dizem que há evidências de que cremes para os olhos – e até mesmo hidratantes faciais comuns – podem ajudar a prevenir e reparar rugas. Mas há uma grande ressalva: eles devem conter algum dos ingredientes ativos importantes: retinóis, ou retinoides prescritos ou vitamina C.

“Quando falamos sobrea eficácia dos cremes para os olhos, não é justo analisar todos os produtos como uma coisa só. Porque alguns deles podem ser apenas hidratantes sem nenhum ingrediente biologicamente ativo presente”, esclarece Perkins.

Os retinóis e os retinoides de prescrição são compostos químicos relacionados derivados da vitamina A. Os retinoides são prescritos, enquanto os retinóis são geralmente encontrados em produtos comuns.

Essas substâncias podem aumentar a renovação celular, prevenir a degradação do colágeno, produzir novo colágeno e criar mais ácido hialurônico (uma substância que o corpo produz naturalmente que ajuda a manter a pele hidratada). Especialistas dizem que há boas evidências de que esses compostos podem ajudar a prevenir e melhorar as rugas.

“Todo dermatologista que conheço, inclusive eu, os usa como parte de seu regime de cuidados com a pele”, afirma Zakia Rahman. As duas especialistas observam que tanto os retinóis quanto os retinoides  – mas particularmente os segundos, que são mais potentes – podem causar irritação na pele, embora isso deva diminuir com o tempo. Se você está comprando um produto sem receita com retinol, Perkins recomenda procurar um com pelo menos 0,25% a 1% do ativo.

Sara Perkins também alerta que esses produtos podem piorar as queimaduras solares, então ela recomendou aplicá-los à noite e usar protetor solar durante o dia. Ela também ressalta que eles se tornam menos eficazes quando expostos à luz solar. Além disso, ambos as especialistas enfatizaram que, se você estiver grávida, não deve usar produtos com retinol ou retinoide.

VITAMINA C

Há também evidências moderadas de que a vitamina C tópica ajuda a inibir e a reparar rugas.

“É um antioxidante potente”, diz Rahman.

Ela acrescenta que a vitamina C neutraliza moléculas nocivas chamadas radicais livres, que podem danificar a pele. Também ajuda na produção de colágeno.

No entanto, Perkins observou que, embora haja “evidências convincentes” de que a vitamina C tópica ajude com rugas, os dados são mais robustos para retinóis e retinoides. Se você estiver escolhendo entre os dois, ambas as especialistas recomendaram o uso de um retinol ou retinoide em vez de uma vitamina C tópica. Existe a possibilidade de que a vitamina C cause irritação na pele.

As médicas americanas também mencionaram que há evidências de que produtos de cuidados com a pele contendo ácido hialurônico podem melhorar a aparência da pele. Este ingrediente pode engordar a pele, dando-lhe uma aparência mais jovem. No entanto, ambas observaram que esses efeitos eram apenas temporários.

“Existem dados que mostram que o uso de ácido hialurônico melhora a aparência de linhas finas e rugas do rosto. Mas funciona de uma maneira diferente, trazendo água para a pele em vez de trabalhar em nível molecular”, acrescenta Sara Perkins.

HIDRATANTES FACIAIS

“Creme para os olhos como categoria é uma das minhas maiores preocupações”, aponta Perkins, acrescentando que os ingredientes dos cremes para os olhos são geralmente os mesmos encontrados nos hidratantes faciais mais comuns.

Zakia Rahman concorda. Os cremes para os olhos podem ser um pouco mais espessos ou ter uma concentração menor de ingredientes ativos em comparação com outros produtos de cuidados com a pele facial, uma vez que são feitos sob medida para a superfície sensível das pálpebras.

“Mas, no geral, eles tendem a custar muito mais por grama do que os hidratantes comuns usados para o rosto, e muitas vezes não têm ingredientes muito diferentes”, explica Zakia Rahman, que prefere usar hidratante facial regular para a pele ao redor dos olhos no seu dia a dia.

Então, vale a pena comprar um creme antirruga para os olhos?

A menos que você faça questão de usar um creme específico para os olhos, um hidratante facial regular que contenha os principais ingredientes ativos mencionados pelas especialistas deve funcionar da mesma forma nas rugas.

Se você comprar um creme para os olhos com esses ingredientes, provavelmente estará pagando mais caro por uma quantidade menor de produto com benefícios semelhantes. Mas com qualquer um desses itens de cuidados com a pele, você também não deve esperar um milagre, e os resultados podem levar tempo.

“Os efeitos levam meses, não dias”, ressalta Zakia Rahman.

Quanto ao melhor método de prevenção de rugas nos olhos? Ambos as especialistas concordaram inequivocamente: a proteção solar é fundamental.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

POR QUE TEMOS TANTO MEDO DA SOLIDÃO?

Metade dos brasileiros se sentem solitários; para psiquiatra, é importante estar bem consigo mesmo

De acordo com o levantamento Perceptions of the Impact of Covid-19 (Percepções do Impacto da Covid-19), realizado pelo instituto Ipsos em 2021 com pessoas de 28 países, 50% dos brasileiros dizem que se sentem solitários. É o maior índice entre todas as nações. Já na Holanda (15%), no Japão (16%) e na Polônia (23%), as pessoas são as que menos se sentem sós.

A solidão, sem dúvida, ainda será objeto de estudo de profissionais de saúde mental pelos próximos anos. Isso porque, após a pandemia de covid- 19 e a imposição do isolamento social, muitos estão com dificuldades de estabelecer novas relações. E as antigas, em grande parte, se desgastaram.

De um tempo para cá, a palavra solitude ganha força. No latim, significa “a glória de estar sozinho”. “É uma oportunidade de refletirmos, como se estivéssemos silenciando para nos conectar com um estado que vai propiciar aproximar-se do sentido da nossa vida. É o melhor campo de energia condensada que nos protege da sensação de vazio, da falta de companhia, do abandono”, explica o psiquiatra Luiz Cuschnir, com 40 anos de atuação.

Segundo Cuschnir, a solidão pode causar sentimentos como tristeza, desalento e desesperança e o indivíduo pode ter dificuldade para sentir alegria novamente. “Há um ciclo de constante retorno, em se viver eternamente uma biografia se lamentando por quem se foi, pelo passado, pelo que não deu certo. O ataque à autoestima vem poderoso”, diz.

Por isso, segundo ele, é tão importante apreciar a própria companhia, curtir um momento consigo. “Através do autoconhecimento, conseguimos nos entender para dar lugar a outra pessoa em nossa vida.”

O especialista explica que a solidão surge quando nos apegamos àquilo que perdemos. “Precisamos comemorar e valorizar a vida para ser vivida como algo maravilhoso, não como cheia de perdas e lamentos, mas de frutos e conquistas. Especialmente nestes tempos desafiadores em que estamos vivendo”, afirma.

O sentir-se sozinho, na visão do especialista, pode vir acompanhado de culpa, raiva, vergonha, fracasso, incompetência. “São ‘temperos’ que se vão somando a outros para constituir perigosamente o lugar da vítima e da falta de opções para seguir em busca do melhor presente, que é estar vivo”, reflete.

RELAÇÕES AFETIVAS

Mas engana-se quem pensa que a solidão é própria de quem não tem ninguém com quem conviver. É possível, mesmo rodeado de outras pessoas, sentir-se solitário. E isso ocorre sobretudo quando não há uma interação de qualidade, seja pelo fato de não ser ouvido ou acolhido em suas opiniões ou por dilemas afins.

Muitos casais reclamam da falta de interesse ou de tempo dos seus parceiros. Seus momentos de convivência se resumem a assistir a um filme no streaming ou jantar em um restaurante – e, mesmo assim, cada um conferindo o seu celular. “As relações afetivas devem propiciar o reconhecimento dos aspectos vitais para que o melhor de cada um alimente os caminhos necessários para trocas saudáveis e duradouras dos relacionamentos”, explica o psiquiatra. “Só se alcança o nível de autoconsciência exigido para nos relacionarmos – conosco e com os outros – se corrigirmos a forma como nos enxergamos na solidão diante do espelho.”

Segundo o médico, muitas vezes um relacionamento pode ter mais camadas do que percebemos. “Por isso, precisamos saber lidar com nossa solidão, criando mecanismos para torná-la construtiva. Às vezes imaginamos que o outro irá nos salvar de algo que nem conhecemos.” Cuschnir afirma que é importante discernir os aspectos positivos e negativos da solidão. “Isso nos tira da confusão do que somos, do que queremos ser, do que temos a obrigação de ser, das nossas crenças sobre realização, felicidade ou segurança.”

OUTROS OLHARES

PERFUMES ÍNTIMOS TRAZEM RISCOS PARA REGIÃO GENITAL

Para especialistas, produtos como o que leva assinatura de Anitta são ‘desnecessários’ e podem prejudicar flora bacteriana

O lançamento do perfume íntimo com chancela da cantora Anitta, nesta semana, provocou estrondo – e críticas – nas redes sociais. Criado pela farmacêutica Cimed, o Puzzy by Anitta chega com a promessa de mudar o aroma natural da região genital. Mas médicos ressaltam que alterar o equilíbrio de mucosas sensíveis do corpo tem seus riscos.

Especialistas ouvidos apontam que produtos do gênero são “desnecessários” e podem causar sensibilidade e reações prejudiciais. Ginecologista e especialista em reprodução assistida, Karina Tafner afirma que hoje existem muitos desodorantes, lubrificantes e hidratantes vaginais, mas que itens do gênero devem ser vistos com cuidado. Muitos deles alteram o pH da vulva, o que pode impedir o crescimento de bactérias saudáveis, úteis no combate a infecções.

“A sociedade construiu a genitália feminina como algo impuro, e essa comercialização de produtos de higiene é usada para atingir um ideal e arrumar esse “problema”. Nós temos cheiros, a vagina e o ânus também têm cheiro, o importante é manter essa região limpa para evitar esses odores. Ou seja, esses produtos são desnecessários desde que você mantenha uma higiene adequada”, explica a médica.

Tafner diz que, se o usuário optar pelo uso, ele precisa ter certeza de que o produto é feito para a área e não causará alergias ou irritações na região íntima. O conselho da ginecologista é procurar produtos com pH neutro, hipoalergênicos e usá-los raramente.

Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e professor da Faculdade de Medicina da USP, Fábio Guilherme Campos enxerga o uso de perfume para a região íntima como um “exagero”. Para ele, o produto, dependendo de sua composição, pode induzir reações alérgicas, além da predisposição a fungos.

“Várias perguntas surgem na minha cabeça com esse lançamento. Qual é a composição? Irrita? Posso usar todo dia ou há uma quantidade específica? Um perfume tem cheiro, corantes, substâncias que, em contato com regiões de extrema sensibilidade como é a área íntima, podem causar severos riscos à saúde. Não é necessário perfumar essa região. Ela não é suja ou tem odores normalmente, ela terá sujeira e cheiro característico se não houver higiene”, afirma Campos.

A produção do perfume está a cargo da Cimed, terceira maior indústria do ramo no país. Segundo comunicado, o Puzzy by Anitta foi “testado e passou por exames ginecológicos e dermatológicos” e tem aprovação da Anvisa. A companhia afirma que o produto foi “inspirado na rotina de Anitta, que já usava uma fragrância íntima desenvolvida por uma amiga”.

Sem detalhar sua composição, o comunicado diz que o perfume foi idealizado “de forma a garantir que o produto não cause ardência, já que a fórmula é 100% sem álcool e hipoalergênica, além de não conter parabenos”.

GESTÃO E CARREIRA

HERDEIROS VOLTAM AOS BANCOS DE ESCOLA

Principal desafio de negócios familiares, sucessão exige planejamento de longo prazo e preparação; de olho nesse nicho, banco criou curso que já formou 130 potenciais CEOs

A sucessão é uma “dor” comum nas empresas familiares. Ao perceber que esse processo de troca de comando entre as gerações era um tema que tirava o sono de algumas famílias, o banco de investimentos Citi lançou um curso focado na preparação de herdeiros, que chegou à sua quinta edição na última semana.

O treinamento começou a ser ministrado depois de um questionamento de um cliente que passava por um processo de sucessão e pediu uma formação voltada para esse desafio. Desde então, o curso já formou 130 herdeiros.

Os conteúdos são desenvolvidos com a Cambridge Family Enterprise Group, instituição especializada em sucessão. Já o Citi entra com as matérias relacionadas a assuntos financeiros, como mercado de capitais e tesouraria.

A necessidade de formação mais ampla dos sucessores, de acordo com Helena Rocha, sócia da consultoria e auditoria PwC, intensificou-se durante a pandemia de covid-19, em meio aos desafios enfrentados pelas empresas.

E a necessidade, aponta ela, é de conteúdos específicos, e não de educação formal, algo que esse público jovem já tem. “Entre esses jovens (herdeiros), 84% já possuem diplomas universitários e 32%, MBA ou doutorado, mas agora as empresas precisam de novas perspectivas, com ênfase maior nas pessoas e nos propósitos, e não só no crescimento do negócio”, diz Helena.

A especialista afirma que, embora os grandes negócios estejam olhando para o futuro, ainda existe uma barreira de comunicação entre as diferentes gerações. “O plano de sucessão é um dos eventos mais importantes e um momento único na vida de uma empresa familiar”, afirma a especialista.

OBJETIVOS

Os desafios das empresas familiares são grandes em todo o mundo, destaca o responsável pela área de Prática de Conselhos e Sucessão de CEOs da Egon Zehnder no Brasil, Luís Giolo, que vem ajudando empresas familiares neste processo.

“Ao contrário de corporações, que se concentram principalmente no aumento do valor para o acionista, as empresas familiares normalmente agem em nome de partes interessadas, com interesses múltiplos e potencialmente conflitantes”, afirma ele.

Por isso, uma estrutura forte de governança é a estratégia para garantir que a companhia não seja prejudicada ou até deixe de existir em meio a conflitos pessoais.

“As melhores empresas têm colocado um robusto processo de sucessão, com regras de governança claras, muitas vezes proibindo que outros familiares ocupem posições na empresa, de forma a encerrar o ciclo de liderança familiar no futuro”, ressalta Giolo.

CURSO PARA LIDERANÇAS DE NEGÓCIO FAMILIAR JÁ FORMOU TRÊS CEOS

Maior parte dos alunos tem entre 25 e 30 anos; 80% já têm alguma atuação no negócio que poderão vir a comandar

Entre os potenciais novos líderes de negócios familiares que passaram pelo curso ministrado pelo Citi desde 2017, a idade média é de 25 a 30 anos – o mais jovem tinha 19 anos. Cerca de 80% dos alunos já trabalham nos negócios que poderão vir a comandar, enquanto três estudantes já foram alçados ao cargo de CEO.

No curso deste ano, uma das participantes foi Julia Cavalca Knack, de 26 anos, uma das herdeiras do Grupo Cavalca, fundado por seu avô há mais de 70 anos. A holding nasceu como produtora de grãos, mas hoje tem também uma trading (de exportação e importação) e uma construtora. O negócio es- tá preparando a terceira geração da família para uma futura sucessão. A família colocou na mesa que tudo será feito de forma estruturada, com o auxílio de uma consultoria.

Formada em Comércio Exterior, Julia já atua como gerente financeira do grupo. “Entre as coisas que aprendemos foi a importância da preparação dos líderes de terceira, quarta, quinta geração. Esse seria um sonho de meu avô: perpetuar a empresa. E para isso é importante a preparação dos acionistas”, diz. Após o curso, ela pensa em buscar uma pós-graduação em mercado de capitais.

Colega de Julia no curso, Eloisa Guerra Nogarolli, 24 anos, escolheu uma área de formação distante da atividade da empresa da família, a varejista Cia. Sulamericana de Distribuição. Ela acaba de se formar em Psicologia. Depois do curso do banco americano, ela acredita estar mais preparada para falar de negócios com o pai e os tios, que comandam a empresa. “Meus pais nunca me pressionaram e me deram liberdade para fazer minhas escolhas. Mas, ao mesmo tempo, entendo que existe uma responsabilidade.”

De olho em participar do dia a dia da empresa, Eloisa identificou que precisa fazer um curso de Matemática. Ela ressalva que deverá equilibrar a carreira de psicóloga com o acompanhamento do negócio: “Se não fizer isso, sempre irei ficar com a pulga atrás da orelha.”

QUINTA GERAÇÃO

A Melhoramentos, negócio centenário do setor editorial e de produção de papel fundado em 1890, está partindo para a quinta geração. O negócio faz parte de um clube muito seleto: segundo a PwC, apenas 5% das empresas familiares chegam à quinta geração.

Na Melhoramentos, os primos Paula Weisglog e Marcello Willer, acabaram de assumir posições no conselho de administração. “A família está apenas nos conselhos – de administração, de acionistas ou da família”, diz Paula, que por duas décadas esteve ligada às pautas de sustentabilidade de empresas, mas não atuou na Melhoramentos.

Agora escolhida presidente do colegiado, ela tem colocado no topo das prioridades a pauta ESG (de iniciativas ambientais, sociais e de governança). “Para se perpetuar, a empresa tem de mudar, assim como a sociedade”, afirma Paula, ressaltando que o negócio tem de se alinhar com os propósitos da nova geração de líderes.

PASSO A PASSO

GOVERNANÇA ESTRUTURADA

Para que o processo tenha mais chance de êxito, especialistas lembram que a estrutura de governança corporativa da empresa precisa estar estruturada de forma a evitar que questões pessoais afetem seu dia a dia

PERFIS

Muitos negócios estão contratando consultorias para estudar o perfil da próxima geração que assumirá a empresa: algumas companhias optam por buscar executivos de mercado, deixando a família apenas no conselho, enquanto outras tentam unir as áreas de interesse de cada herdeiro a um departamento específico

COMUNICAÇÃO

As diferentes gerações precisam se comunicar para definir a melhor estratégia da empresa e conseguir promover a transição, com um sucessor aprovado por todos.

EU ACHO …

A MORTE NA VIDA DE CADA UM

Quem tem a chance de cursar uma faculdade pode escolher a profissão que bem entender. Psicólogo, engenheiro, jornalista, biólogo, sem falar na medicina e suas diversas especialidades. Pois uma coisa nunca entrou na minha cabeça: como alguém, diante de tantas alternativas, resolve se especializar em oncologia? O que faz alguém se sentir emocionalmente apto para tratar diretamente com a morte? O câncer já não é uma doença fatal, os medicamentos e a tecnologia conseguem reverter grande parte dos casos, mas, ainda assim, é uma espada sobre a cabeça de todos. A qualquer momento, qualquer pessoa, de qualquer idade e com qualquer hábito de vida, pode estar desenvolvendo um câncer em algum lugar do corpo, e isso é amedrontador. Esse inimigo oculto será enfrentado pelo oncologista, que ganhará a luta muitas vezes, perderá outras tantas, e que conviverá dia após dia com a aflição extrema de seus pacientes. Eu tinha certeza de que esses médicos deitavam-se à noite, exaustos, e se perguntavam por que diabos não optaram por ser oftalmo ou otorrinolaringologistas.

Passei a reconsiderar todas essas minhas especulações depois de ler Por um fio, do doutor Dráuzio Varella. O livro, que teria tudo para ser mórbido, é de uma delicadeza comovente. Não traz relatos de dor e desespero, e sim relatos de generosidade, de gratidão, de lembranças ternas do passado e até relatos de um humor surpreendente diante da iminência do fim.

Todos nós, se pudéssemos escolher, preferiríamos morrer dormindo ou num acidente rápido e indolor. Sair de cena subitamente, para não sofrer. Pois até isso o livro me fez questionar. Não havendo agonia física, a consciência de que iremos partir em breve pode ser um momento de reconciliação com os outros e consigo próprio, pode ser um momento de reflexão e despedida, pode ser um momento de perdão e de profundo conforto, pois nessa hora é que percebemos que nossa passagem pela terra não foi em vão, caso contrário, o que estaria fazendo esta gente toda no quarto do hospital, em volta do leito, contando piada e tentando lhe animar? Não há como não lembrar do filme Invasões bárbaras, que mostra o quanto é desestabilizante saber que se vai morrer num prazo curto de tempo, mas que mostra também que é uma grande oportunidade de preencher lacunas afetivas e fazer um inventário dos nossos ideais e emoções.

A morte nunca será uma situação fácil, mas não precisa necessariamente ser dramática. O livro de Dráuzio Varella, com elegância e sutileza, demonstra isto: se há tragédia, é na vida daqueles que não têm do que recordar, não têm de quem sentir saudades, que olham para trás e descobrem que não fizeram nada, que não foram importantes para ninguém. Essa aridez e precariedade é a verdadeira morte. Para os que souberam valorizar o que tinham em mãos, a morte apavora quando se apresenta, mas, aos poucos, os doentes tornam-se mais serenos, e menos onipotentes seus médicos. Segundo o doutor Dráuzio – e talvez por isso tantos escolham esta profissão -, a oncologia é uma lição permanente de humildade.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

VEJA OS PIORES ALIMENTOS E BEBIDAS PARA OS DENTES

O critério dos especialistas é não só o risco de causar cárie, mas também a capacidade de desgastar o esmalte

Se você já ouviu falar que doces apodrecem seus dentes ou que o hábito de beber água gaseificada saborizada ou bebida alcoólica todo dia irá corroer o esmalte deles, pode estar se perguntando que outras comidas e bebidas podem estar prejudicando seu sorriso. Embora seja tecnicamente verdade que todos os alimentos e bebidas podem causar cárie – ou danos à superfície ou esmalte dos dentes – nem todos os estragos são iguais, e algumas pessoas são mais suscetíveis a esses ataques do que outras.

Ao avaliar o quanto uma refeição, lanche, sobremesa ou bebida é ruim para sua saúde bucal, há duas coisas principais a considerar, explica Apoena de Aguiar Ribeiro, odontopediatra e microbiologista da Universidade da Carolina do Norte, que estuda o microbioma oral e como isso afeta a cárie: sua composição e sua qualidade.

Dentro de nossas bocas vivem mais de 700 espécies de bactérias — algumas úteis, outras prejudiciais. As bactérias nocivas quebram os açúcares de alimentos e bebidas e os transformam em ácidos, que com o tempo podem extrair minerais essenciais dos dentes e causar cáries.

Se você não estiver atento à limpeza, as bactérias também podem formar uma película macia, ou placa, na superfície dos dentes, o que pode exacerbar a acidez e criar um ambiente ideal para que ainda mais microrganismos proliferem. Se a placa dentária crescer e endurecer o suficiente, ela pode se transformar em tártaro, o que também pode irritar as gengivas e causar gengivite.

ALIMENTOS E BEBIDAS

Alimentos açucarados — e em particular, aqueles compostos de sacarose, ou açúcar de mesa —são especialmente ruins para os dentes porque bactérias nocivas prosperam neles, segundo a especialista. Você geralmente vai encontrar sacarose em alimentos processados e bebidas açucaradas, como doces, bolos, concentrados de suco de frutas e refrigerantes.

Além disso, todos os alimentos que são pegajosos, gosmentos ou mascáveis — como gomas, frutas secas, xaropes e doces — ficam presos nos cantos e fendas dos dentes e nos espaços entre eles.

“Quando o excesso de açúcar permanece em seus dentes, bactérias nocivas podem armazená-lo em suas células, como uma despensa dentro delas, e continuar produzindo ácido por horas depois que a pessoa comer”, alerta Apoena.

Algumas frutas frescas, vegetais ou alimentos ricos em amido – como frutas cítricas, batatas, arroz e bananas – são muitas vezes consideradas ruins porque podem conter açúcares ou ácidos que são capazes de desgastar os dentes.

“Mas eles também contêm nutrientes que melhorarão sua saúde geral, o que, por sua vez, pode beneficiar seus dentes. Mesmo que sejam alimentos açucarados ou que tendem a ficar presos nos dentes, essa troca pode valer a pena”, afirma Dorota Kopycka-Kedzierawski, dentista do Centro Médico da Universidade de Rochester e pesquisadora de cariologia, o estudo de cáries.

Algumas bebidas, como refrigerantes açucarados, sucos de fruta, energéticos e milkshakes, também são infratoras pesadas. Eles lavam seus dentes em soluções pegajosas e açucaradas e são ácidas.

“Nossos dentes começam a quebrar quando o nível de ácido na boca caia baixo de um pH de 5,5, e os refrigerantes tendem a ter um efeito pH em torno de 3 a 4”, pontua Rocio Quinonez, professora de odontopediatria da Universidade da Carolina do Norte. Outras bebidas carbonatadas como água gaseificada saborizada e álcool também são ácidas. Assim como cafés e bebidas alcoólicas que são frequentemente consumidos com xaropes e misturas açucaradas.

LIMPEZA E CUIDADOS

Portanto, você deve estar atento não apenas à sua dieta, mas também aos seus hábitos de limpeza.

“Contanto que você escove os dentes duas vezes ao dia, uma de manhã e outra antes de dormir, e use fio dental todos os dias, os benefícios nutricionais desses alimentos superarão os riscos de danos dentários”, explica Dorota.

Existem algumas outras estratégias para manter sua saúde bucal sob controle. A principal é evitar petiscar e beber ao mesmo tempo. A saliva, que ajuda a eliminar as partículas de alimentos remanescentes, é uma das forças mais protetoras para os dentes. Remineraliza e fortalece o esmalte e, por conter bicarbonato, ajuda a neutralizar a acidez na boca.

“Mas toda vez que você come ou bebe, leva cerca de 20 a 30 minutos para a saliva atingir níveis protetores, então lanches ou bebidas frequentes podem causar desequilíbrio”, esclarece Quinonez.

Se você não abre mão daquela bebida açucarada, tente consumi-la com uma refeição, ou de uma só vez, em vez de bebericá-la ao longo de todo o dia.

“Beber água depois de qualquer comida ou bebida que você consumiu também pode ajudar a eliminar os açúcares”, sugere Quinonez.

Limite a ingestão de álcool. Pessoas que bebem muito devem ter cuidado, porque a bebida alcoólica pode inibir a salivação regular.

Além disso, esteja atento a certas condições ou efeitos colaterais de medicamentos, e busque alternativas para trocar suas bebidas açucaradas e lanches por substitutos sem açúcar, como aspartame ou álcoois de açúcar, que não são metabolizados por bactérias como os açúcares comuns, e, portanto, não contribuem para a cárie. Mas lembre-se de que os ácidos dos refrigerantes diet ainda causarão alguma desmineralização dos dentes.

Outras dicas comprovadas por estudos são: mastigar chiclete sem açúcar com xilitol três vezes por dia, beber chás preto e verde, pois contêm flúor e têm níveis de pH mais altos, e claro, fazer exames regulares.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

GUIA TRAZ DICAS PARA AJUDAR ADOLESCENTES QUE SE CORTAM

 Automutilação é uma forma encontrada pelos jovens para lidar com os sofrimentos emocionais

Comuns entre adolescentes, as automutilações preocupam pais e professores. Cortes na pele são uma forma encontrada pelos jovens para lidar com sofrimentos emocionais, mas inspiram cuidados. Para orientar as famílias e educadores sobre o problema, especialistas ligados à Universidade de São Paulo (USP) lançaram um guia com dicas: a mensagem principal é acolher com empatia os sentimentos dos jovens. A cartilha foi publicada por especialistas em Enfermagem Psiquiátrica da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da USP. O documento traz indicações de cuidado, abordagem e acolhimento. Entre os pontos de alerta está a relação das autolesões com as redes sociais. Segundo o guia, a internet expõe métodos e fotos de autolesão, causando um efeito de imitação ou de gatilho para aqueles que estão vulneráveis emocionalmente. “A situação nas redes é perigosa, pois pode colocar indivíduos que precisam de ajuda dentro daquele mesmo ambiente”, diz a professora da USP Kelly Graziani Giacchero Vedana.

Jovens ouvidos atribuem o comportamento de autolesão a vários fatores, mas dizem ver influência do que assistem na internet. “Achava que era só eu que fazia isso, e aí vi outras pessoas (nas redes sociais) e comecei a conversar com elas. Isso foi criando bola de neve e me influenciando mais”, conta a estudante Maria (nome fictício), de 24 anos, que se corta desde os 13. O ato de transformar o sofrimento mental em dor física é um comportamento chamado de autolesão e é mais comum na adolescência: 23,3% das ocorrências estão na faixa etária dos 15 aos 19 anos, segundo o Ministério da Saúde.

MOTIVAÇÃO

Entre os diferentes tipos de autolesão estão as atitudes de se cortar, queimar, bater a cabeça, coçar, socar objetos e impedir cicatrização de feridas. Aline Conceição da Silva, aluna de doutorado da USP que elaborou a cartilha durante a pesquisa na universidade, explica que o recurso é normalmente utilizado como um alívio, principalmente para aqueles que ainda estão entendendo suas emoções. “A adolescência é o momento em que há vários sentimentos que estes jovens ainda não sabem lidar.” Ela, que é especialista em prevenção da violência provocada, esclarece que o comportamento tem a intenção de comunicar um sofrimento, resolver um conflito ou até mesmo ser um meio para evitar o suicídio. Apesar de ser comum entre jovens, a autolesão pode acontecer em qualquer idade.

SINAIS Desregulações hormonais, desamparo, baixa autoestima, maus-tratos na infância abusos, negligências físicas e emocionais estão entre os fatores de risco para a automutilação. Transtornos mentais, instabilidades na família, falta de amigos, bullying, histórico de suicídio, sentimento de não-pertencimento, violência, vergonha e preconceito também têm influência. A estudante de Psicologia Clara (nome fictício), de 25 anos, conta que as brigas na família e a separação dos pais foram fatores para que começasse a se machucar aos 11 anos. “De alguma forma coloquei a culpa em mim

MITOS E VERDADES

MITO: Comportamento é para chamar a atenção.

VERDADE: A automutilação pode sinalizar sofrimento emocional e necessita de cuidado.

MITO: É típico da adolescência e passa com o tempo.

VERDADE: Comportamento tem repercussões físicas e emocionais potencialmente duradouras e necessita de acompanhamento profissional e de uma rede de apoio.

MITO: É preciso usar violência para deter a automutilação.

VERDADE: Punições e violência podem retroalimentar o sofrimento emocional, levando à intensificação das autolesões.

MITO: Geração anterior era mais madura e capaz de lidar com problemas.

VERDADE: Cada geração enfrenta contextos distintos; não fazer comparações é respeitar o sofrimento do outro.

MITO: A família é responsável pela ausência de educação e limite do adolescente.

VERDADE: As automutilações têm múltiplos fatores.

MITO: A automutilação é uma tentativa de suicídio que não deu certo

VERDADE: A autolesão não tem intencionalidade suicida, mas pode ocorrer concomitante- mente. É preciso avaliação de risco e acompanhamento profissional.

OUTROS OLHARES

MULHERES NEGRAS DESISTEM DE TER FILHOS POR MEDO DO RACISMO

Decisão mira o autocuidado e a proteção à saúde mental, e leva em conta a violência policial e obstétrica

“E se isso acontecer com um filho meu?”

Foi o que se perguntou Lorena Vitória, uma mulher negra de 21 anos, após ver seus namorados, todos negros, serem abordados de forma violenta pela Policia Militar:

O medo de que os futuros rebentos sejam vítimas de racismo faz com que a estudante de design de moda questiona se vale a pena ceder ao desejo de ser mãe, ou se é melhor não  colocar outra criança negra em um mundo racista.

“A gente vê hoje em dia as coisas que acontecem, tanto de abordagem como de morte, e eu sempre fico muito mal e acabo imaginando: se com o filho dos outros já me dói tanto, como seria se isso acontecesse com um filho meu”, diz.

A indecisão de Lorena é comum entre mulheres negras. O medo de que seus filhos sofram racismo – que se manifesta na violência policial e obstétrica, no preconceito e na discriminação – faz com que muitas delas abram mão da maternidade. A decisão também serve como proteção a própria saúde mental.

Isso ocorre pois o racismo é motor de sofrimento psíquico, afirma Marizete Gouveia, doutora em psicologia pela Universidade de Brasília e autora da tese “Onde se esconde o racismo na psicologia clínica?”.

Segundo a especialista, o sofrimento causado pelo preconceito racial faz com que mulheres negras criem mecanismos de proteção à saúde mental. Não ter filhos é um deles, uma vez que não precisariam se preocupar com as violências que viriam a sofrer.

De acordo com o Atlas da Violência 2021, realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, desde a década de 50, quando começaram  a crescer as taxas de homicídio no país, o aumento foi mais acentuado entre a população negra, especialmente entre os mais jovens.

E o medo se torna ainda maior se o filho for homem. Um levantamento realizado pelo Fórum mostra que negros são 78,7% do total de mortes violentas intencionais entre homens.

Evelyn Daisy de Carvalho de Sousa, 39, nunca teve um forte desejo de ser mãe devido a uma condição de saúde hereditária. Conforme se tornou adulta, o medo de que seus filhos sofressem violência foi o que era preciso para que ela confirmasse a decisão. Percebeu também que precisava proteger sua saúde mental.

Sua decisão acumula ainda outras variantes. Fundadora do Traçamor, um projeto que atende mulheres em período de transição capilar, Evelyn também é responsável pela criação de dois sobrinhos negros, o que faz com pense constantemente em como os manter vivos e seguros.

“Imagina eu tendo gerado, colocado uma criança no mundo para ter essa preocupação? Você coloca uma pessoa no mundo para sofrer essas consequências”.

Além disso, viu a irmã sofrer com a violência obstétrica em suas quatro gravidezes, sendo mal atendida por médicos em dois partos. “Na ginecologia passamos muita humilhação. Eu passei muita humilhação com o ginecologista do posto do meu bairro. Imagina se eu estivesse grávida?”

Para Janete Santos Ribeiro, mestre em educação pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e ex-coordenadora pedagógica do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a decisão deve levar em consideração se existir o desejo pela maternidade e pensar em quais formas isso será sanado para não virar um fator de sofrimento. “A solidão da mulher negra tem sido uma imposição da cultura patriarcal, elitista e racista. Não queremos mais essa solidão pautando nossas decisões e escolhas.”

GESTÃO E CARREIRA

EMPRESÁRIOS FALHAM 2 VEZES ANTES DE TER SUCESSO

Pesquisa mostra que 96% dos donos de negócios acreditam que erros são oportunidades de aprendizado

Natural de Minas Gerais, Isonel da Paixão Araújo, de 49 anos, se mudou para São Paulo na década de 1990 com a ideia de ter o próprio negócio. Começou a trabalhar como garçom e barman e, familiarizado com o setor, abriu um hortifrúti em 1998. Ele acreditava que, por já atuar no meio, conhecer fornecedores e possíveis clientes, seria uma boa aposta. O negócio, porém, não fluiu como o esperado.

“Quando você trabalha com produto alimentício, tem uma margem boa, mas também muita perda, porque são produtos perecíveis, e isso me causava certa preocupação”, relata. A logística dos produtos não funcionou bem, e o lucro que ele tinha era levado com os itens que estragavam.

Araújo fechou o negócio após um ano e meio e avalia que não tinha preparo suficiente. O fato de não ter se dedicado 100% ao empreendimento (ele ainda trabalhava como garçom) também influenciou negativamente. Persistente e buscando “algo a mais”, ele foi atraído para o setor de beleza por meio da irmã, que já tinha um salão.

Ali, a postura dele foi diferente, pois tinha aprendido com a experiência anterior. “Eu encarei de cabeça, apostei primeiro em mim para dar certo. Fiz cursos, fiz estágio com minha irmã, ela me orientou, indicou clientes.” Em 2000, ele abriu o próprio salão, que leva seu nome e está na mesma localização até hoje, na região do Jardim Paulista.

Encarar o que deu errado como algo positivo é desafiador, mas empreendedores costumam persistir, ser inquietos e aprender com as experiências negativas. Segundo a Pesquisa Global de Empreendedorismo 2022, encomendada pela Herbalife Nutrition à One Poll, 96% dos donos de negócios brasileiros concordam, parcial ou totalmente, que erros são oportunidades de aprendizado. Em média, os empreendedores tiveram duas ideias malsucedidas antes de encontrar uma que funcionasse.

A maioria dos empresários ouvidos concorda que, para ter sucesso, não se pode ter medo de errar e está disposta a correr o risco de falhar a fim de ser bem-sucedido. Eles também apontam o amadurecimento como fator de sucesso de um negócio. Quando tinha 24 anos, Wagner Alexandre abriu uma loja de assistência técnica para celulares que durou quatro meses.

Ele teve outra empresa no mesmo segmento e depois uma hamburgueria. Entre os motivos para ter saído dos negócios, o curitibano lista a falta de maturidade e destreza para trabalhar com sócios. “No primeiro negócio, eu não tinha noção de estrutura de empresa, perspectiva de crescimento, visão de longo prazo”, diz ele, hoje com 34 anos.

SUCESSO

Em 2017, Alexandre abriu outra hamburgueria, desta vez sozinho. Hoje, a Pimp Burger tem duas unidades e vai iniciar a expansão por franquias, cuja formatação foi concluída no início de julho. O empresário aprendeu que é necessário formatar bem o contrato entre os sócios, definindo direitos e deveres de cada um, com funções bem descritas para não haver cobranças inadequadas no futuro.

“Fazer sociedade é algo complexo, e os conflitos são inerentes. É essencial que os papéis de cada um estejam definidos”, diz Roberto Lange Rila, responsável pelos cursos de Gestão e Negócios do Senac EAD. Segundo ele, sempre vamos aprender, no sucesso ou no fracasso, mas muitas vezes é com fracasso. Ele diz que não ter um plano de negócio é um desafio para muitos empreendedores.

EU ACHO …

O PRIMEIRO QUARTO

Poucas são as crianças que desde cedo têm um quarto só para elas. Na maioria das famílias, crianças compartilham o quarto com o irmão, o que, diga-se, é muito seguro, principalmente na hora em que se apaga a luz e os monstros da nossa imaginação saem de trás da cortina: convém não estar sozinho nessa hora.

Mas crianças crescem, e sua necessidade de isolamento também. Chega um momento em que não há graça nenhuma em repartir o guarda-roupa: é injusto você ficar com uma gaveta a menos só porque utiliza cabides a mais. Seu irmão cola na parede o pôster do Ozzy Osborne e não negocia, então você é obrigada a revidar com o pôster do Linkin Park e o quarto fica parecendo um estúdio de rádio pirata. Os amigos dele sentam na sua cama, pegam suas coisas, colocam aqueles tênis nojentos em cima da sua colcha, e você não pode erguer um muro para dividir o território porque na sua casa o regime é democrático. Então você segura a onda, nada a fazer, a não ser rezar antes de dormir para pedir que todos tenham muita saúde e paz, mas, se não for abuso, pô, Senhor, dê uma forcinha  para que a gente consiga mudar para um apartamento maior.

Deus existe. Abençoado apartamento de três dormitórios. Você mal acredita no que conseguiu realizar: o sonho do quarto próprio.

O primeiro quarto é como se fosse nosso primeiro lar. Tudo o que entrar ali – se o orçamento permitir e sua mãe for camarada – terá seu estilo, seu gosto. Você é que manda: pode escancarar a janela, ser a anfitriã de suas colegas de aula, pode fechar a porta para escutar seu som, escrever mil páginas de poemas sem ter alguém espiando sobre seu ombro, pode à noite deixar acesa uma luzinha, pode dançar sozinha, pode dormir só de calcinha. Um lugar para exercer algo sobre o qual você já ouviu comentários entusiasmantes, porém nunca havia experimentado: liberdade.

Seu quarto é o seu refúgio dentro da sua própria casa, é seu bunker, seu direito ao recolhimento, não o tempo inteiro, mas quando for necessário – e tantas vezes é. Um lugar para chorar. Poucos são os que têm privacidade para ficar tristes. Neste mundo de vigília e patrulha constantes, é um luxo poder sofrer sem ter ninguém nos observando.

O primeiro quarto é nosso primeiro palco – e é bastidor ao mesmo tempo. É onde ensaiamos a vida que encenaremos mais adiante. No quarto testamos vários figurinos, nos maquiamos, criamos novos penteados, cantamos, inventamos coreografias, escalamos nós mesmos para o papel principal, decidimos a marcação, e podemos até enxergar a plateia nos aplaudindo de pé. Nosso quarto é nossa fronteira aberta, nossa zona de travessia, realidade e imaginação convivendo em paz, livres de diagnósticos rígidos: ninguém aqui é louco, apenas artista.

Uma artista, claro, que precisa sentar à mesa para jantar com a família, que precisa fazer os deveres da escola, que precisa juntar a toalha do chão e arrumar a própria cama – nada de moleza, mocinha. Mas a mocinha, nas horas vagas, tem um canto todo seu, uns poucos metros quadrados para sonhar sem que lhe chamem a atenção, sem que lhe interrompam com perguntas. E o melhor de tudo: por trás da cortina não há mais bicho-papão. Solidão, seja muito bem-vinda.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

SUOR NOTURNO PODE SER SINAL DA LINHAGEM BA.5

Cientista irlandês ouviu relatos de infectados pela subvariante da Ômicron

Os sintomas da Covid-19 mudaram ao longo da pandemia com o surgimento de novas linhagens do Sars-CoV-2. Dos tradicionais perda de olfato e de paladar, chegou-se aos sinais mais comuns hoje, como nariz escorrendo, tosse persistente e garganta arranhando. Agora, a emergência da subvariante da Ômicron BA.5 trouxe mais uma manifestação da doença: os suores durante a noite.

O relato vem chegando com mais frequência aos consultórios, afirma um imunologista da Universidade de Trinity, na Irlanda.

“Um sintoma extra para BA.5 que vi esta manhã são os suores noturnos. A doença é um pouco diferente porque o vírus mudou. Existe alguma imunidade, com as células T (de defesa) e outros parâmetros de proteção. E essa mistura de seu sistema imunológico com o vírus ligeiramente diferente pode dar origem a uma doença também diferente com, estranhamente, esse sintoma sendo uma característica”, contou o imunologista Luke O’Neill à rádio irlandesa NewsTalk.

A BA.5, assim como uma versão semelhante chamada de BA.4, tem se tornado rapidamente a principal responsável por novos casos de Covid-19 onde já foi detectada. No último dia 14, a Organização Pan-Americana da Saúde, braço da Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou que a subvariante deve se tornar predominante nas Américas em semanas.

No Brasil, de acordo com o último levantamento do Instituto Todos pela Saúde, com base na análise de mais de 150 mil testes PCR dos laboratórios da Dasa, DB Molecular e HLAGyn, os casos prováveis de BA.4 e BA.5 cresceram de 79,3% para 93,2% nas duas últimas semanas de junho.

SINAIS COMUNS

No último mês, uma nova análise de dados do aplicativo Zoe, que monitora sintomas relatados da Covid-19 no Reino Unido, indicou quais são os sinais mais frequentes hoje em pessoas vacinadas com duas doses e entre os não vacinados.

Os resultados, divulgados pela parceria de pesquisadores do King’s College de Londres e da Universidade de Londres, com apoio do Sistema Nacional de Saúde britânico (NHS), mostrou que para os imunizados os sintomas mais comuns são: nariz escorrendo, dor de cabeça, espirros, dor de garganta e tosse persistente.

Já para aqueles que não tomaram vacina, os sintomas são: tosse persistente, febre, nariz escorrendo, dor de garganta e dor de cabeça.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

SONO AJUDA A ESQUECER

Artigos publicados na Science oferecem evidências de que dormimos para podar uma parte do acúmulo de informações que recebemos todos os dias, mas ainda não se sabe se essa é a principal razão para ‘desligarmos’

Ao longo dos anos, os cientistas surgiram com muitas ideias sobre por que dormimos. Alguns argumentam que é uma maneira de economizar energia. Outros sugerem que o sono oferece uma oportunidade de limpar os resíduos celulares do cérebro. Outros ainda propõem que o sono simplesmente força os animais a ficarem parados, deixando-os se esconder de predadores.

Dois artigos publicados na revista Science oferecem evidências de que dormimos para esquecer uma parte do acúmulo de informações que recebemos todos os dias. Para aprender, temos que desenvolver conexões, ou sinapses, entre os neurônios em nossos cérebros. Essas conexões permitem que os neurônios enviem sinais uns aos outros de forma rápida e eficiente para armazenarmos novas memórias nessas redes neuronais.

Giulio Tononi e Chiara Cirelli, biólogos da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, propõem que fazemos tantas sinapses durante o dia, por conta da quantidade de informações recebidas, que os circuitos cerebrais se tornam “ruidosos” demais.

A dupla, juntamente com outros pesquisadores, encontrou uma grande quantidade de evidências indiretas para apoiar a chamada hipótese da homeostase sináptica. Quando dormimos, argumentam os cientistas, nossos cérebros reduzem as conexões para estabilizar essas trocas de sinais. Os neurônios podem “podar” as sinapses, pelo menos em laboratório. Como observado nos experimentos com aglomerados de neurônios, os cientistas podem dar a eles uma droga que os estimula a desenvolver sinapses extras e, depois, reduzem parte do seu crescimento.

Outra evidência vem das ondas elétricas liberadas pelo cérebro. Durante o sono profundo, essas ondas diminuem. Os pesquisadores argumentam que o encolhimento das sinapses produz essa mudança.

A cientista Luísa de Vivo liderou uma pesquisa meticulosa de tecidos retirados de camundongos, alguns acordados e outros dormindo. Ela e os outros pesquisadores calcularam 6.920 sinapses sendo feitas no total. Assim, descobriram que as sinapses nos cérebros dos camundongos adormecidos eram 18% menores do que nos acordados.

Tononi e Cirelli tiveram a chance de testar sua teoria observando as sinapses nos cérebros de camundongos:

“É surpreendente que haja uma mudança tão grande no cérebro”, diz Tononi.

MÁQUINA DE PODA

O segundo estudo foi liderado por Graham H. Diering, pesquisador de pós-doutorado na Universidade Johns Hopkins, nos EUA. Diering e outros pesquisadores começaram a explorar a hipótese da homeostase sináptica estudando as proteínas em cérebros de camundongos.

Eles adicionaram um produto químico que acendeu uma proteína nas sinapses cerebrais e descobriram que o número dela caiu durante o sono. Esse declínio é como se as sinapses estivessem encolhendo. Então, procuraram o gatilho molecular para essa mudança e uma proteína em particular, chamada Homer1A, destacou-se.

Em experimentos anteriores com neurônios em laboratório, a Homer1A provou ser importante para reduzir sinapses. Diering se perguntou se isso também era importante durante o sono. A pesquisa sugere que a sonolência aciona os neurônios para produzir Homer1A e enviá-la para suas sinapses. Quando chega o sono efetivamente, a Homer1A liga a máquina de poda.

Mas esses cortes não atingem todos os neurônios. Um quinto das sinapses permaneceu inalterado. É possível que essas sinapses codifiquem memórias bem estabelecidas que não devam ser adulteradas.

“Você pode esquecer de uma forma inteligente”, afirma Tononi.

FUNÇÃO FINAL

Outros pesquisadores, no entanto, alertaram que as novas descobertas não configuram uma prova incontestável da hipótese da homeostase sináptica.

Para Markus H. Schmidt, do Instituto de Medicina do Sono de Ohio, embora o cérebro possa podar as sinapses enquanto dormimos, é questionável se essa é a principal explicação para a existência do sono:

“A questão é: essa poda é a função do sono ou uma função à parte?

Muitos órgãos, não apenas o cérebro, parecem funcionar de forma diferente durante o sono, destaca Schmidt. O intestino, por exemplo, produz muitas novas células.

Segundo Tononi, as novas descobertas devem levar a uma análise do que as drogas atuais para dormir fazem no cérebro. Embora possam deixar as pessoas sonolentas, também é possível que interfiram nessa poda para formar memórias.

“Você pode realmente trabalhar contra si mesmo”, afirma o pesquisador. No futuro, remédios para dormir podem ser moldados para atingir apenas as moléculas envolvidas no sono, permitindo que as sinapses sejam devidamente editadas.

OUTROS OLHARES

BALANÇAR AS PERNAS E MEXER OS DEDOS FAZ BEM À SAÚDE

Movimentos inquietos ajudam a ativar a musculatura e elevar o fluxo sanguíneo, de acordo com novo estudo

Você é um inquieto? A partir de agora, você pode ignorar os pedidos frequentes que, sem dúvida, recebe para ficar parado. Um novo estudo descobriu que a inquietação – bater os dedos, balançar os pés e outros movimentos corporais que incomodam seus colegas de trabalho – é boa para sua saúde.

Sentar é um dos flagelos da vida moderna. Nós nos sentamos durante reuniões, viagens de carro e avião, enquanto completamos longas tarefas de trabalho e enquanto assistimos “Stranger things”. Estudos de padrões de movimento indicam que a maioria de nós passa de oito a dez horas por dia sentado. Durante esse tempo, nossos corpos e, em particular, nossas pernas, mal se movem.

As consequências para a saúde dessa imobilidade muscular estão bem documentadas e incluem um risco aumentado de ganho de peso, bem como diabetes, uma vez que os músculos não utilizados nas pernas não puxam o açúcar do sangue, levando a um aumento perigoso dele no sangue.

Mas o impacto mais imediato de ficar sentado por tempo demais está em nossa rede vascular. Estudos mostram que sentar ininterruptamente causa um declínio abrupto e significativo no fluxo sanguíneo para as pernas. Isso é problemático, pois, quando o fluxo sanguíneo diminui, o atrito ao longo das paredes dos vasos também diminui. As células que revestem essas paredes começam a bombear proteínas que contribuem com o tempo para o endurecimento e estreitamento das artérias. Biologicamente, isso faz sentido, porque as artérias não precisam ser tão flexíveis quando não há muito sangue nelas, mas quando o fluxo aumenta, o vaso sanguíneo permanece rígido, aumentando a pressão e o risco de aterosclerose.

Poderíamos combater essa situação facilmente nos movendo ou levantando, fazendo com que os músculos das pernas se contraiam e o fluxo sanguíneo permaneça estável.

“Mas há muitas situações em que as pessoas não podem simplesmente ficar de pé, como durante longas reuniões ou viagens de carro”, diz Jaume Padilla, professor de nutrição e fisiologia do exercício da Universidade de Missouri, que liderou o novo estudo.

Assim, Padilla e seus colegas começaram a considerar outras maneiras relativamente discretas e práticas que alguém poderia combater o declínio no fluxo sanguíneo associado a ficar sentado. Para o novo estudo, publicado na Revista Americana de Fisiologia do Coração e Circulação Fisiológica, a resposta é fazer movimentos inquietos.

HORAS SENTADOS

Padilla e seus colegas pensaram que era concebível que a inquietação da parte inferior do corpo também pudesse resultar em atividade muscular suficiente para elevar o fluxo sanguíneo para as pernas. Para testar essa possibilidade, recrutaram 11 universitários saudáveis e, usando ultrassom e um manguito de pressão arterial, primeiro mediram o nível de fluxo normal através de uma das principais artérias das pernas e determinaram quão bem essa artéria respondeu às mudanças na pressão arterial – um marcador de saúde arterial.

Em seguida, pediram a cada um que se sentasse por três horas na frente de uma mesa. Os voluntários podiam estudar, trabalhar em seus computadores, falar ao telefone ou se divertir de outra forma, mas, durante essas três horas, não foram autorizados a se levantar.

Mais importante ainda, eles pediram aos voluntários que mantivessem uma perna perfeitamente imóvel, o pé apoiado no chão e imóvel. Coma outra perna, os voluntários foram instruídos a se mexer – batendo os calcanhares no chão por um minuto e depois ficando parados por quatro minutos. Um relógio soou para que eles soubessem quando começar ou parar de mexer. Ao longo das três horas, os pesquisadores monitoraram o fluxo sanguíneo nas artérias das pernas dos voluntários.

O fluxo sanguíneo na perna imóvel diminuiu vertiginosamente, mas aumentou na perna inquieta, em comparação com os níveis base e com a perna imóvel.         

Mais impressionante, ao final das três horas, quando os pesquisadores testaram novamente a capacidade das artérias dos voluntários de responder às mudanças na pressão arterial, o vaso na perna imóvel não funcionou mais tão bem quanto durante o teste, o que sugere que já não era tão saudável quanto antes. Mas a artéria na perna inquieta dos voluntários respondeu tão bem ou melhor do que no início às mudanças na pressão arterial.

“Ficamos surpresos com a magnitude da diferença entre as duas pernas”, conta Padilla “As contrações musculares associadas à inquietação são realmente muito pequenas, mas parece que são suficientes para combater algumas das consequências prejudiciais de ficar sentado.

O estudo foi pequeno, de curto prazo e envolveu apenas jovens saudáveis, por isso novas pesquisas são necessárias. Mas se você não pode se levantar e andar durante sua próxima reunião, balance os pés ou mantenha as pernas em movimento. E se o seu colega franzir a testa, diga que a ciência descobriu que a inquietação é um bom remédio.

GESTÃO E CARREIRA

SEGMENTOS PROMISSORES PARA EMPREENDER NESTE 2º SEMESTRE

Desde o começo da pandemia, empreendedores sentiram a necessidade de se reinventar e com isso, inúmeras oportunidades começaram a aparecer. Basta olhar ao redor para ver como o mercado está mudando e estão surgindo novas necessidades.

Seja na venda de pro- dutos ou de serviços, os melhores negócios só são garantidos quando você entende os principais desejos, expectativas e necessidades dos consumidores. Para o cofundador e CPO da Unicorn Factory, Michael Citadin, o mercado está sempre em busca de boas ideias e, também, com um time que saiba executar, em outras palavras, as empresas que sabem fazer gestão, especialmente pelo momento econômico mundial, são as mais promissoras.

Os bons investimentos devem continuar crescendo no ecossistema, principal- mente as ideias ou startups que tenham bom mercado para atuação. Além disso, os investidores estão à pro- cura de negócios com boa capacidade de execução, ou seja, o número absoluto de investimentos pode vir a reduzir, mas os cheques tendem a serem maiores.

“Vejo essa mudança de comportamento como pro- cesso evolutivo e bom para o ecossistema, uma vez que quem está preparado desde o início tende a receber mais investimento do que poderia receber anteriormente”, diz Citadin. Para encontrar as áreas mais aquecidas, é preciso compreender as tendências e os acontecimentos ao nosso redor. Nesse senti- do, ainda que as pessoas já estejam preparadas para o “novo normal”, a pandemia ainda tem forte influência mercadológica.

Até porque, o período pandêmico transformou os hábitos de consumo, e isso ainda reverbera no mercado atual. Contudo, conhecer os caminhos que o comércio e demais setores estão tomando irá facilitar o planejamento para o próximo semestre. Mas afinal, qual a importância de identificar o nicho do seu negócio?

Para Michael, a identificação possibilita que a startup possa ser especialista do seu cliente, criando proposta de valor que o mercado valorize. “Vemos isso como uma oportunidade que acelera o desenvolvimento do negócio uma vez que traz foco para o dia a dia”, comenta.

“É clichê, mas necessário ressaltar que entender se a ideia de negócio é viável, se possui mercado e se a pro- posta de valor é realmente um diferencial frente aos concorrentes, são questões elementares que farão com que a startup encontre seu product market fit”, reforça. Sobre os segmentos que acredita que devem prosperar nos próximos meses, o empreendedor destaca a representatividade das fintechs.

“Alguns anos atrás o principal setor era das fintechs, hoje elas continuam com sua representatividade, mas vemos ótimos negócios dos mais variados setores prosperando, como agtech, hrtech, edtech, proptech, healthtech, foodtechs, entre outras. No final do dia o que importa é a startup resolver uma dor real do mercado”. – Fonte e outras informações: (https://www.nicornfactory.com.br).

EU ACHO …

POR QUE EU FUI ABRIR A BOCA?

Você foi alertada pela sua bisavó, pela sua avó e pela sua mãe: o silêncio é de ouro. Mas não adiantou nada, como não vai adiantar quando você tentar passar essa máxima para sua filha. Mulher tem um certo descontrole verbal, está no nosso DNA. Você sai com as amigas e antes do segundo chope já está quebrando aquele juramento de nunca contar nenhuma novidade antes que ela se confirme. Desobedecendo a si própria, lá está você comentando sobre uma promoção que talvez pinte em novembro, sobre a azaração que talvez vire namoro, sobre a viagem à Patagônia que talvez você faça no final no ano. Não dá para amarrar a língua dentro da boca?

Menos mal que você está falando do que lhe diz respeito. O estrago começa quando a gente se põe a falar de uma amiga, quando a gente comete uma indiscrição relativa à nossa irmã, quando a gente entrega um segredo que era propriedade privada de outra pessoa. Tudo coisinha à toa, um comentariozinho de nada, fofoquinhas sem importância. Mas que ressaca que bate na manhã seguinte.

Você disse que detestou um filme cujo diretor é um dos seus melhores amigos. Você espalhou que o marido da Fulana é o campeão da grosseria e amanhã compartilharão a mesma mesa numa festa. Você admitiu que não suporta saraus e já frequentou vários com o sorriso nas orelhas, sua falsa. Você entregou as três plásticas que sua cunhada fez no rosto e ela pediu tanto que você não contasse. Escapou, ué. Quanta frescura, o que é que tem fazer plástica?

Pra você pode não haver razão nenhuma para segredo, mas se alguém lhe contou algo em confidência, custa fechar a matraca? Não custa, mas nossa voz é rápida no gatilho, não lê as placas de advertência, quando vê, já avançou o sinal, já foi, está lá adiante. Rebobinar a fita, impossível. Fica então aquele gostinho azedo na boca, de quem não cometeu nenhum pecado grave, mas perdeu uma bela oportunidade de ser elegante.

Reza a lenda que chiques são as mulheres que falam pouco. As econômicas. Aquelas que apenas sorriem, enquanto as outras, histéricas, falam todas ao mesmo tempo. Mulheres caladas, controladas, que nunca dizem algo inconveniente. Elas mantêm um ar enigmático. Dão a entender que já passaram pela fase de palpitar sobre tudo. Disseram o que tinham para dizer no divã do analista e, agora, mais maduras, descobriram a arte de escutar. Só dando na cara.

Eu sei, eu sei, puro recalque. E olha que eu nem tenho motivo para isto, no planeta de onde venho sou considerada até bem reservada. Mas, vez que outra, me empolgo e pronto: descambo para a tagarelice. Com a melhor das intenções, diga-se. Tudo em nome da honestidade. Por que eu confirmei que o cabelo dela está tenebroso? Porque ela perguntou, ora. Por que eu disse para ele não me ligar nunca mais? Porque naquela hora eu estava tomada pelo ódio. Mas agora eu quero!

Em nome da honestidade, cometemos algumas indelicadezas e precipitações. Como sofre uma mulher: ela precisa ser autêntica e, ao mesmo tempo, discreta. Ter opinião, mas nunca dizer uma leviandade. Ser sábia, porém nunca imprudente.

Na próxima encarnação, não quero vir honesta, nem desonesta. Quero vir muda.

*** MARTHA MEDEIROS

ESTAR BEM

FRIO DA BELEZA

Inverno é estação ideal para tratar do rosto; veja as 7 técnicas mais indicadas

Embora o envelhecimento da pele seja um processo natural, diversos fatores, como sono insuficiente, baixa hidratação e tabagismo, aceleram essas mudanças, provocando o aparecimento precoce de manchas, rugas e outras linhas de expressão. Para quem se incomoda com os sinais do tempo no rosto, o inverno é o momento ideal para buscar tratamentos que requerem evitar a exposição ao sol durante a recuperação. A coordenadora do Departamento de Cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro, Patrícia Ormiga, explica que estação mais fria do ano traz certas vantagens para um tapa no visual.

“Existem procedimentos tradicionais excelentes que são realizados de forma melhor no inverno porque o paciente não pode estar bronzeado nem pegar sol depois da intervenção, como o peeling e outros que agem nas camadas mais externas da pele”, diz a dermatologista.

Ela destaca, no entanto, que as técnicas têm avançado muito nos últimos anos e muitas já não contam com esse requisito. Para a dermatologista Ana Carolina Sumam, membro especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a melhor estratégia depende de uma série de fatores, como o efeito desejado e em qual parte do processo de envelhecimento do órgão ela vai atuar.

“O envelhecimento da pele envolve uma série de processos biológicos. Nós temos a perda óssea da face, assim como em outros ossos do corpo; a perda de bolsas de gordura que promovem sustentação facial durante a juventude e as alterações na pele, como rugas de expressão e manchas, que são decorrentes da perda de colágeno”, afirma a especialista.

Ouvimos quatro dermatologistas, que listaram as sete técnicas simples mais indicadas para o rejuvenescimento da pele do rosto. A seguir, os procedimentos escolhidos:

LASERS

É um dos procedimentos em que é preciso evitar a exposição ao sol nos dias seguintes. Isso porque a técnica atua na camada externa da pele e pode provocar sensação de ardência e ressecamento após o procedimento. Trata-se de um feixe de luz que mira um alvo na pele e altera a sua composição. Esse alvo pode ser a própria melanina, no caso de clareamento de manchas, ou pontos de estimulação de colágeno, por exemplo.

O dermatologista Abdo Salomão Jr., da SBD, explica que há uma ampla variedade de objetivos para os quais o laser é utilizado:

“Ele é aplicado para tratar estrias, cicatrizes, melanomas, manchas, entre muitas outras imperfeições. Com os modelos mais novos, o tratamento é feito em uma única sessão, e a pessoa vai para a casa no mesmo dia.

PEELINGS

O nome peeling vem do inglês “descamar”, que é basicamente o que a técnica faz com a pele para estimular a sua renovação. Para isso, podem ser utilizados procedimentos chamados de físicos, quando ocorre a esfoliação da camada mais superficial da pele, ou químico, quando são utilizadas substâncias como ácidos para promover o resultado.

“O inverno é uma estação favorável à realização de peelings, uma vez que o frio evita a dilatação dos vasos, o que faz com que haja menos inchaço”, explica Natasha Crepaldi, professora de dermatologia da Universidade Federal do Mato Grosso.

Após a pele ser descascada, retirando as células mortas, o corpo é estimulado a renovar a região, produzindo novas células. A técnica é indicada para atenuar manchas, marcas de expressão, de espinhas e de acnes na pele. Ela envolve uma única ida ao dermatologista, mas pode ser repetida mediante indicação.

Uma modalidade antiga de peeling, mas que tem repercutido recentemente, é a que utiliza a substância fenol para a descamação. É um produto mais agressivo que, por apresentar diversos riscos e ser aplicado apenas em hospitais, tem caído em desuso.

“É uma queimadura programada, em que você remove toda a epiderme e uma parte da derme. Os resultados são brilhantes, mas é um procedimento muito sofrido. Há riscos altos de cicatrizes e manchas, a pessoa fica de dois a três meses com o rosto vermelho, um mês sem sair e uma semana sem abrir os olhos”, diz Salomão Jr.

MICROAGULHAMENTO E ELETRODERME

O microagulhamento é uma técnica que utiliza uma série de agulhas minúsculas, inseridas na pele para induzir pontos de produção de colágeno. É comum o uso de um creme anestésico antes do procedimento, que também é feito em sessão única. Há ainda a eletroderme, muito popular hoje, que é uma nova versão do método. Nela, as agulhas são conectadas a uma máquina e suas pontas emitem uma radiofrequência para intensificar o efeito. Pela estimulação do colágeno, o microagulhamento atua na redução da flacidez.

PREENCHIMENTO COM ÁCIDO HIALURÔNICO

Os preenchimentos usam substâncias sintéticas para remodelar vincos, como rugas, e dar volume a pontos que podem ser deformados pela perda óssea. A grande maioria é feita com substâncias à base de ácido hialurônico, que tem segurança e eficácia consideradas unânimes. Salomão Jr. explica que existem outras substâncias, mas muitas são subprodutos do petróleo que podem levar à rejeição pelo corpo.

Essa técnica costuma ser utilizada para corrigir perdas de volume e de formações no relevo da pele, como rugas ou olheiras. Requer uma sessão e os efeitos duram em média um ano.

BIOESTIMULADORES E LIFTING

Os bioestimuladores, assim como o microagulhamento, atuam nas células que produzem colágeno. São diversos modelos, como injetáveis — com substâncias capazes de induzir a produção da substância —ou lasers. Uma modalidade em alta são os fios de sustentação, também conhecidos como lifting, feitos com ácido polilático.

No caso do lifting, além da maior rigidez conferida pelo aumento da proteína proporcionada pelo ácido, os fios são inseridos no rosto para fixar a pele ao tecido subcutâneo. Após cerca de um ano, o corpo absorve o material dos fios, mas os efeitos permanecem por mais tempo.

ULTRASSOM MICROFOCADO

As ondas do ultrassom microfocado criam zonas de calor controladas na pele para estimular processos de coagulação. Isso ativa o sistema imunológico local, induzindo uma cicatrização que repara o tecido e, posteriormente, estimula a produção de colágeno.

Salomão Jr. explica que as versões mais recentes do método são indicadas especialmente para tratar áreas delicadas, como pálpebras e ao redor da boca. A aplicação costuma ser rápida, e exige apenas uma sessão.

NOVA GERAÇÃO DE BOTOX

Um dos métodos mais conhecidos, a toxina botulínica é uma bactéria que atua reduzindo a contração muscular. Ela é usada principalmente para as rugas dinâmicas do terço superior da face. Porém, a nova geração de botox pode ser aplicada em outras regiões, como no pescoço.

“Nós sempre estamos evoluindo para melhorar a aplicação, e de tempos em tempos surgem toxinas novas no mercado”, explica Patrícia, da SBD.

A PSIQUE E AS PSICOLOGIAS

ESTRATÉGIAS REDUZEM ESTRESSE NA HORA DA BIRRA

Ataque de raiva pode ser rito de passagem no desenvolvimento, e estimular a criança a descrever sentimentos ajuda

Muitos de nós fomos ensinados que ter raiva é ruim e que demonstrar que estamos com raiva e expressar nossos sentimentos é feio. Essa declaração foi feita por Jazmine McCoy, psicóloga infantil e familiar e autora de “The Ultimate Tantrum Guide” (O guia definitivo do chilique, em português).

Mas a raiva não é ruim, disse McCoy, nem expressá-la é,inerentemente perigoso ou desrespeitoso, Aprender a lidar com a raiva é uma técnica para a vida toda que permite que as crianças ajam em casa, na escola e no mundo sem perder o controle.

É uma habilidade que os pais podem ajudar seus  filhos a cultivar, começando quando são bebês e crianças pequenas, incentivando-os a desenvolver diversas válvulas de escape e criando maior capacidade de enfrentamento para si mesmas.

NÃO TENHA MEDO DOS ATAQUES

Em relação a crianças e raiva, pode ser útil lembrar alguns fatos simples: primeiro, a raiva é uma emoção humana básica,.

E segundo, as emoções existem para nos falar sobre nós mesmos e nossos relacionamentos, explicou Dave Anderson, psicólogo clínico e vice presidente de programas escolares e comunitários do Child Mind lnstitute, Organização  sem fins lucrativos que oferece terapia para crianças e famílias.

As emoções podem nos ajudar a responder a perguntas básicas: do que gostaríamos de ter mais? o que gostaríamos que terminasse?

Lembrar que a raiva é uma parte intrínseca do ser humano pode nos ajudar a responder a uma criança violenta com compaixão, e não julgamento. Gritar com uma criança – que está gritando com você e com o mundo – só vai agravar a situação.

“Algumas emoções são realmente estressantes, como medo ou raiva”, disse Anderson. Os pais devem tentar ajudar seus filhos a processar essas emoções de maneira saudável, acrescentou.

“A chave é que queremos que eles consigam fazer o que precisam fazer na escola, com a família e em situações sociais, sem que suas reações às próprias emoções realmente atrapalhem ou dificultem para eles formar relacionamentos positivos.”

Também pode ser útil lembrar que ataques ou birras (termos não clínicos que descrevem aqueles momentos terríveis em que seu filho fica totalmente louco) pode ser um rito de passagem de desenvolvimento especialmente para crianças menores de 3 anos que ainda estão aprendendo a se autorregular.

Não é raro que crianças pequenas ou pré-escolares tenham acessos de raiva várias vezes, disse Denis Sukhodolsky, diretor da unidade de prática baseada em evidências do Centro de Estudos da Criança, na Escola de Medicina da Universidade Yale.

A duração média dos ataques das crianças é de cerca de três minutos, acrescentou ele, mas há uma grande variedade de quanto tempo podem durar – entre 1 e 20 minutos.

“As crises de raiva servem a um propósito de desenvolvimento”, disse Sukhodolsky. “As crianças estão aprendendo a lidar com independência, transições, aprendendo regras sociais e a lidar com situações em que a conformidade é necessária.”

AJUDE A CRIANÇA A DESENVOLVER UM VOCABULÁRIO EMOCIONAL

“Nomeie para domar” – frase cunhada pelo psicólogo Dan Siegel,- é um mantra muito repetido entre os especialistas em desenvolvimento infantil que acreditam na importância de ensinar as crianças a identificar e dar nome a seus sentimentos para poderem falar sobre o que estão sentindo.

McCoy recomenda a leitura de livros simples para bebês, com fotos de outras crianças sorrindo, rindo ou franzindo a testa, que eles tendem a achar “cativantes”. Evidências mostram que os bebês podem começar a identificar emoções nos outros com apenas 6 meses de vida.

Os livros também podem ser uma ferramenta eficaz para crianças em idade escolar primária. Olhe para as imagens e pergunte o que os personagens estão sentindo, ou converse sobre as implicações emocionais de um enredo específico, levando as crianças a explicar o  que você vê. O mesmo vale para assistir Tv com adolescentes.

Para crianças mais novas, recursos visuais como “medidores de humor” ou “temas que levam as crianças a descrever seus sentimentos e avaliar a intensidade deles também podem ser úteis, estejam elas calmas e relaxadas ou furiosas.

Seja qual for a estratégia que você escolher, o objetivo é ajudar as crianças a desenvolver a linguagem de que precisam para expressar seus sentimentos. É uma habilidade que se desenvolve com o tempo e a pratica, e pode ajuda-las a se sentirem compreendidas.

“É importante validar as emoções das crianças”, disse o doutor Sukhodolsky – quer você tenha em casa uma criança de 2 anos ou uma de 22.

DIGA A ELES QUANDO ESTIVER IRRITADO

Os pais as vezes sentem que precisam proteger os filhos de suas próprias emoções, mas abrir-se durante momentos de fúria ou frustração pode ser educativo. Descreva ao seu filho como se sente fisicamente. Sua mente está agitada? Seu coração está batendo forte?

“Realmente levar algum tempo para desacelerar e descrever o que acontece no seu corpo – e como você sabe dizer o que está sentindo – é uma experiência muito poderosa”, disse a doutora McCoy.

“E é um dois em um porque ao fazer isso pelo seu filho você está diminuindo seu próprio ritmo”.

Certifique-se de dar o passo final crucial, disse ela: mostre como você enfrenta. Você pode dizer algo como: “vou respirar fundo algumas vezes”.’ Ou “vou me sentar por um momento”. Ou “vou pegar um pouco de água”, disse McCoy. “O que quer que você precise naquele momento, fale em voz alta e ajude-os a entender o que está acontecendo”.

IDENTIFIQUE MANEIRAS EFICAZES DE REAGIR

As crianças t:unbém precisam encontrar suas próprias maneiras de autorregular e elas podem ser diferentes das suas. Ajudar seu filho a encontrar uma válvula de escape (ou canais) para a raiva pode exigir experimentação. Algumas crianças respondem a exercícios  simples de respiração profunda, disse Anderson.

Outras podem precisar de uma liberação física mais intensa. Em seu site, McCoy sugere deixar as crianças baterem massinha de modelar, rasgar papel ou construir uma torre de blocos e derrubá-la. Elas podem achar bom gritar, socar um travesseiro ou correr lá fora.

Idealmente, você aprenderá a identificar os sinais de que seu filho está ficando frustrado e a encaminhá-lo para esses escapes antes que atinjam o ponto de ebulição.

“Você não espera até que a situação exploda para levar uma criança a usar uma técnica de enfrentamento”, disse Anderson. Especialistas dizem que a correção do comportamento é praticamente impossível quando as crianças estão em pleno ataque de raiva.

“O que você deve fazer é procurar aqueles momentos em que a frustração dela está começando a aumentar’, disse. Incentive-as a experimentar estratégias de enfrentamento para que pratiquem o gerenciamento de grandes emoções antes que se tornem intensas demais.

DEFINIR LIMITES CLAROS SOBRE COMPORTAMENTOS INSEGUROS

As crianças devem aprender a diferença de que, embora todas as emoções – incluindo raiva – sejam válidas em todo comportamento, disse a doutora McCoy.

Portanto, limites claros e consistentes em torno de comportamentos agressivos ou inseguros são importantes. E se seu filho parece sentir raiva com frequência, ou como se tivesse dificuldade para controlar suas reações, consulte um pediatra ou um psicólogo.

Os pais de crianças pequenas e pré-escolares devem anotar a duração e a frequência das crises emocionais de seus filhos, disse o doutor Sukhodolsky, bem como se elas ocorrem em diferentes contextos – não apenas em casa, mas também na escola, no playground ou em encontros com outras crianças.

Os pais de pré-adolescentes e adolescentes devem estar atentos se a raiva deles parece realmente constante ou intensa, disse o doutor Anderson. Mudanças de humor são típicas  da adolescência, mas raiva ou irritabilidade que dure várias semanas, não.

“Quando os adultos dizem “Oh meu Deus, isso o está impedindo de se envolver na escola” ou impedindo de fazer amizades” ou “É difícil para nossa família suportar, nós procuramos coisas que possam indicar a necessidade de tratamento”, disse o doutor Anderson.

Distúrbios comportamentais, uma categoria que inclui transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, e transtornos de humor, como a depressão, muitas vezes podem se apresentar como irritabilidade, acrescentou ele. Se seu filho não for neurotípico, consulte seu pediatra ou terapeuta sobre maneiras alternativas de lidar com as emoções dele.

OUÇA E ESTEJA ABERTO AOS SENTIMENTOS DOS SEUS FILHOS

Em termos gerais, é importante garantir que seu filho tenha amplas oportunidades de discutir seus sentimentos com amigos de confiança, familiares ou um psicólogo.

Nem sempre é fácil ouvir que seu filho está passando por um momento difícil, mas essas conversas e conexões são essenciais para validar o que ele está vivenciando e proporcionar liberação emocional . “Gosto de dizer que a melhor forma de controlar a raiva é sentir-se compreendido”, disse McCoy.

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